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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 11 de janeiro de 2014

Ricos Ensinamentos dos Santos sobre a SAGRADA EUCARISTIA






São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja:
“Deu-se todo, não reservando nada para si”.
“Não comungar seria o maior desprezo a Jesus que se sente “doente de amor” (Ct 2,4-5)”.

São Boaventura:
“Ainda que friamente, aproxime-se confiando na misericórdia de Deus”.

São Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja:
“Duas espécies de pessoas devem comungar com freqüência: os perfeitos para se conservarem perfeitos, e os imperfeitos para chegarem à perfeição”.

Santa Teresa de Jesus (ou de Ávila), virgem e doutora da Igreja:
“Não há meio melhor para se chegar à perfeição”.  
 “Não percamos tão grande oportunidade para negociar com Deus”. “Ele [Jesus] não costuma pagar mal a hospedagem se o recebemos bem”.
“Devemos estar na presença de Jesus Sacramentado, como os Santos no céu, diante da Essência Divina”.

São Bernardo de Claraval, abade e doutor da Igreja:
“A comunhão reprime as nossas paixões: ira e sensualidade principalmente”.
“Quando Jesus está presente corporalmente em nós, ao redor de nós, montam guarda de amor os anjos”.

São Vicente Ferrer, presbítero e grande pregador dominicano:
“Há mais proveito em uma única comunhão, feita com amor,  que em uma semana de jejum a pão e água”.

Santo Ambrósio de Milão, bispo e doutor da Igreja:
“Eu que sempre peco, preciso sempre do remédio ao meu alcance.”

São Gregório Nazianzeno, bispo e doutor da Igreja:
“Este pão do céu requer que se tenha fome. Ele quer ser desejado”. “O Santíssimo Sacramento é fogo que nos inflama de modo que, retirando-no do altar, espargimos tais chamas de amor que nos tornam terríveis ao inferno”.

Santo Tomás de Aquino, presbítero e doutor da Igreja:
 “A comunhão destrói a tentação do demônio.

Concílio de Trento:
 “Remédio pelo qual somos livres das falhas cotidianas e preservados dos pecados mortais”.

Santo Afonso de Ligório, bispo e doutor da Igreja:
 “A comunhão diária não pode conviver com o desejo de aparecer, vaidade no vestir, prazeres da gula, comodidades, conversas frívolas e maldosas. Exige oração, mortificação, recolhimento”.
“Ficai certos de que todos os instantes da vossa vida, o tempo que passardes diante do Divino Sacramento será o que vos dará mais força durante a vida, mais consolação na hora da morte e durante a eternidade”.

São Pio X, Papa (o Papa da Eucaristia):
“A devoção à Eucaristia é a mais nobre de todas as devoções, porque tem o próprio Deus por objeto; é a mais salutar porque nos dá o próprio autor da graça; é a mais suave, pois suave é o Senhor”. “Se os anjos pudessem sentir inveja, nos invejariam porque podemos comungar”.

Santo Agostinho de Hipona, bispo e doutor da Igreja:
“Não somos nós que transformamos Jesus Cristo em nós, como fazemos com os outros alimentos que tomamos, mas é Jesus Cristo que nos transforma nele.”
“Sendo Deus onipotente, não pôde dar mais; sendo sapientíssimo, não soube dar mais; e sendo riquíssimo, não teve mais o que dar.”
“A Eucaristia é o pão de cada dia que se toma como remédio para a nossa fraqueza de cada dia.”
“Na Eucaristia, Maria perpetua e estende a sua maternidade.”

Venerável Servo de Deus Pio XII, Papa:
“A fé da Igreja é esta: que um só e o mesmo é o Verbo de Deus e o Filho de Maria, que sofreu na cruz, que está presente na Eucaristia, e que reina no Céu”.

São Gregório de Nissa, bispo e doutor da Igreja:
“Nosso corpo unido ao corpo de Cristo, adquire um princípio de imortalidade, porque se une ao Imortal”.

São João Maria Vianney, presbítero e Padroeiro dos padres:
 “Cada hóstia consagrada é feita para se consumir de amor em um coração humano”.

Santa Teresinha do Menino Jesus, virgem e doutora da Igreja:
 “Não é para ficar numa âmbula de ouro, que Jesus desce cada dia do céu, mas para encontrar outro céu, o da nossa alma, onde ele encontra as suas delícias”.  
“Quando o demônio não pode entrar com o pecado no santuário de uma alma, quer pelo menos que ela fique vazia, sem dono e afastada da comunhão”.  

Santa Margarida Maria Alacoque, virgem e apóstola do Sagrado Coração de Jesus:
 “Nós não saberíamos dar maior alegria ao nosso inimigo, o demônio, do que afastando-nos de Jesus, o qual lhe tira o poder que ele tem sobre nós”.

São Filipe Neri, presbítero e fundador:
 “A devoção ao Santíssimo Sacramento e a devoção à Santíssima Virgem são, não o melhor, mas o único meio para se conservar a pureza. Somente a comunhão é capaz de conservar um coração puro aos 20 anos. Não pode haver castidade sem a Eucaristia”.

Santa Catarina de Gênova,  viúva,  religiosa e fundadora:
 “O tempo passado diante do Sacrário é o tempo mais bem empregado da minha vida”.

São João Bosco, presbítero e fundador:
“Não omitais nunca a visita a cada dia ao Santíssimo Sacramento, ainda que seja muito breve, mas contanto que seja constante.”
“Quereis que o Senhor vos dê muitas graças? Visitai-o muitas vezes”. Quereis que Ele vos dê poucas graças? Visitai-o poucas vezes. Quereis que o demônio vos assalte? Visitai raramente a Jesus Sacramentado. Quereis que o demônio fuja de vós? Visitai a Jesus muitas vezes. Quereis vencer ao demônio? Refugiai-vos sempre aos pés de Jesus. Quereis ser vencidos? Deixai de visitar Jesus”...

Imitação de Cristo (Tomás de Kempis):
 “Ao sacerdote na consagração é dado ao que aos anjos não foi concedido”.
“Não há oblação mais digna, nem maior satisfação para expiar os pecados, que oferecer-se a si mesmo a Deus, pura e inteiramente, unido à oblação do Corpo de Cristo, na missa e na comunhão”.
“A Eucaristia é a saúde da alma e do corpo, remédio de toda enfermidade espiritual, cura os vícios, reprime as paixões, vence ou enfraquece as tentações, comunica maior graça, confirma a virtude nascente, confirma a fé, fortalece a esperança, inflama e dilata a caridade”.



 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

SÃO PEDRO TOMÁS, Bispo Carmelita e Patriarca Latino de Constantinopla (século XIV)

Nasceu, segundo registros antigos, em Salimaso de Thomas, diocese de Sarlat; outros creem que talvez tenha sido em Lebreil, parte do município de Salas de Belvés (Dordonya). Seu pai era agricultor; empenhou-se a estudar em Monpazier, vivendo da caridade e ensinando aos outros mais jovens. Foi a Agen e voltou a Monpazier em 1325. Atraído pela Ordem do Carmelo, estudou um ano em Leitora e, aos 21 anos de idade, ingressou na Ordem, fazendo o noviciado em Cordom ou Bergerac.
Professou em Bergerac e estudou dois anos, passando depois a Agen e Bordeus. Ensinou lógica e filosofia em Albi. Também deu aulas em Paris. Voltou a Aquitânia em 1345, quando foi eleito procurador geral da Ordem; depois de acabar os estudos de teologia em Paris, onde obteve o grau de mestre em 1348, foi à corte do Papa Clemente VI, em Avinhão, e fez a oração fúnebre em seu funeral.


Atividade Diplomática como Conciliador de Conflitos e Representante do Santo Padre
Conhecido por sua habilidade diplomática e sua oratória, ajudou aos Papas seguintes como seu representante, intentando resolver conflitos entre reis cristãos, a unificação das Igrejas Católica e Ortodoxas e a união para combaterem contra os muçulmanos.
Foi delegado papal em negociações com Gênova (1352, para conseguir a paz com Veneza), Milão e Veneza. Em 1354 foi nomeado bispo de Patti e Lipari e representou o papa na coroação de Carlos IV de Luxemburgo. Em Serbia, em 1356, intentou acalmar o conflito entre Veneza e Hungria. 

Entre 1357 e 1359 foi enviado a Constantinopla, onde recebeu o apoio de nobres e do próprio João V Paleólogo para a unificação das Igrejas Católica e Ortodoxa. Foi a Chipre e empreendeu uma peregrinação à Terra Santa, voltando depois à Sicília e Chipre. Em 1359 foi enviado com as tropas como Delegado Universal à Igreja do Oriente e bispo de Corinto, com a mesma missão de combater aos turcos, aliado com Veneza, Chipre e os cavaleiros da Ordem de Malta. Em Chipre, coroou Pedro I de Chipre como rei de Jerusalém.
Concebe a ideia de uma nova cruzada e marcha para pedir ajuda ao Ocidente, aproveitando para por paz em um conflito entre Milão e Roma. Em 1363 foi nomeado arcebispo de Creta e, em maio de 1364, Patriarca Latino de Constantinopla (era um título simbólico, sem jurisdição real) e legado papal de Urbano V, sucedendo ao cardeal Talleyrand. Nesse mesmo ano foi cofundador da Faculdade de Teologia da Universidade de Bolonha. Preocupou-se em consolidar a paz entre os reis cristãos e de trabalhar pela união das Igrejas, convertendo-se em um precursor do ecumenismo. Entre suas missões diplomáticas, levou uma vida austera e modelar, preocupado pela evangelização dos povos e a caridade para com os mais necessitados.

Apesar dos altos cargos que exerceu, nas suas viagens Frei Pedro Tomás procurava sempre, como residência, os conventos dos seus irmãos carmelitas, vivendo ali como irmão e com os irmãos de Nossa Senhora do Carmo a vida normal da comunidade, segundo a Regra.
Com Pedro I de Chipre, participou na cruzada contra Alexandria em outubro de 1365, que foi tomada, porém, imediatamente abandonada, por medo de um contra-ataque turco. A tradição diz que em um dos ataques das tropas cristãs o bispo foi ferido com uma flecha e morreu em Chipre três meses depois, em 06 de janeiro de 1366. Por isso era tido como “mártir”.
Na realidade, voltou a Famagusta são e salvo, porém, enquanto preparava uma viagem até Roma, enfermo “de um catarro” e muito magro (“reduzido a pele e ossos”, conforme relatos da época), morreu em um convento carmelita de sua cidade no dia 6 de Janeiro de 1366.  Apesar de ser bispo pediu que o levassem para sua última morada vestido com o hábito da Ordem.
















 Devoção a Nossa Senhora
Era muito devoto de Nossa Senhora. Amou tanto Nossa Senhora que parece trazia no coração o seu nome. Foi um dos mais ardorosos defensores da Imaculada Conceição de Maria Santíssima. A ele se atribui o tratado “De Immaculata Conceptionis” em quatro volumes de sermões. É dele a profecia inspirada pela Virgem Maria de que a Ordem do Carmo durará até ao fim dos tempos.

Veneração
Rapidamente começaram os relatos de milagres em seu túmulo, no convento carmelita de Famagusta. Fala-se também de uma claridade que envolvia seu cadáver exposto ao público em seu funeral.
Em maio de 1366, quatro meses após sua morte, descobriu-se que seu corpo ainda estava incorrupto e Pedro de Chipre pediu sua canonização a Urbano V. O Papa proibiu o translado do corpo do santo bispo durante dez anos, ainda que este houvesse pedido que seu corpo fosse transladado para Bergerac. Pouco depois, Philippe de Mézières escreveu sua vida, base de sua posterior hagiografia.
Os seus esforços pela promoção e consolidação da unidade da Igreja Oriental fazem deste santo do séc. XIV um precursor do ecumenismo e um verdadeiro “apóstolo da unidade da Igreja”.
Aparição de Nossa Senhora ao santo.

A conquista turca de Chipre em 1571 e o terremoto de 1753 acabaram com o rastro do santo em Chipre. Em 1609, a Santa Sé autorizou a festividade de Pedro Tomás entre os carmelitas, que foi confirmado por Urbano VIII em 1628; formalmente não foi canonizado. Em Lebreil, se levantou uma capela sobre a casa que se crê que nasceu, porém, foi derrubada durante a Revolução Francesa. Foi restaurada em 1895 como santuário em sua memória. 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Beata Clementina Anuarite Nengapeta, Virgem e Mártir (a "santa Inês africana").




Anuarite Nengapeta era a quarta das seis filhas de Amisi e Isude. A família de pagãos africanos da etnia Wadubu vivia na periferia de Wamba, no Congo. Ela nasceu no dia 29 de dezembro de 1939, como depois comprovou a Santa Sé.
     Ao ser batizada em 1943, acrescentaram-lhe o nome Afonsina. Na ocasião, também receberam esse sacramento sua mãe e quatro irmãs. A mais velha nunca acompanhou a doutrina cristã. Seu pai, ao contrário, até começou a preparar-se para a conversão. Mas depois desistiu, pois formou outra família, enquanto trabalhava como soldado do exército congolês.
     A nova situação familiar refletiu pouco na formação de Anuarite, que teve uma infância e adolescência consideradas normais. Era vivaz e caridosa, de personalidade marcante e temperamento amistoso e generoso. O nervosismo, porém, era o ponto fraco do seu caráter. Era muito sensível e instável, talvez por causa da separação de seus pais. Gostava de frequentar a igreja, ia à missa aos domingos, com a mãe e as irmãs. Em seguida, ficava estudando o catecismo para poder receber a primeira comunhão, que ocorreu em 1948.
     Iniciou os seus estudos e diplomou-se no colégio das Irmãs do Menino Jesus de Nivelles, missionárias na África. Em 1957, decidiu ingressar na Congregação da Sagrada Família. Foi aceita e, durante o noviciado, teve como orientador espiritual o Bispo de Wamba.
     Em 1959, diplomou-se professora, vestiu o hábito e emitiu os votos definitivos tomando o nome de Maria Clementina. Desde então se dedicava e se empenhava muito nas funções a que era indicada: foi sacristã, auxiliar de cozinheira e professora de uma escola primária. Devota extremada de Maria e de Jesus, vivia feliz por ter-se consagrado ao seu serviço.
     O Congo da época era governado pelos brancos. Em 1960, havia uma grande campanha contra esse domínio europeu. Fervilhava o ódio racial e não durou muito para traduzirem-se em barbárie os ideais políticos. A revolução dos Simbas explodiu no ano seguinte, iniciando um violento massacre para eliminar todos os europeus, seus amigos e colaboradores negros.
     No Convento de Bafwabaka tudo era calmo até 1964. Em agosto daquele ano, os rebeldes já tinham ocupado grande parte do país. A cada dia avançavam mais, saqueando e matando milhares de civis congoleses indefesos. Mais de cento e cinqüenta missionários, entre sacerdotes, religiosos e irmãos já haviam morrido também.
     Os rebeldes chegaram ao convento em 29 de novembro e levaram de caminhão para Isiro as trinta e seis integrantes da Sagrada Família, entre elas irmã Maria Clementina Anuarite.
     Na noite do dia 1º de dezembro de 1964, o coronel Olombe tentou seduzi-la. "Eu prefiro morrer antes de cometer o pecado". Como ela se recusou a satisfazer seus desejos carnais, ele a esbofeteou e golpeou com a coronha do fuzil, depois disparou, matando-a. Antes de perder os sentidos e diante da aproximação da morte, encontrou forças para perdoar seu algoz: "Eu o perdoo... Tu não percebes o que estás fazendo... O Pai te perdoe".
     Durante sua viagem ao Congo, em 1985, João Paulo II beatificou Maria Clementina Anuarite Nengapeta. Ela tornou-se a primeira mulher ‘banto’ a ser elevada aos altares da Igreja Católica; sua festa é comemorada no dia de sua morte.

     Na solenidade de beatificação, o sumo pontífice definiu Anuarite como modelo de fidelidade para todos os católicos do mundo. Depois, enalteceu sua castidade, e a igualou a Santa Inês, mártir do início da cristandade, dizendo: "Anuarite é a Inês do continente africano".



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

SANTO ANDRÉ CORSINI, Bispo Carmelita - o "lobo" se transformou em "cordeiro" e mais tarde em Pastor.



Hoje trago para os leitores do blog um belo artigo sobre a vida de santo André Corsini, bispo da Ordem Carmelita, muito conhecido na Itália e famoso pela santidade e pelos muitos milagres ocorridos em vida e após sua santa morte. Que no Céu interceda por todos nós que estamos sob o mesmo manto materno da Virgem do Carmo. Amém! 
"És meu servo, em ti serei glorificada". Estas palavras da Virgem Maria ao jovem sacerdote André Corsini constituem o melhor resumo de sua santa vida.



Nicolau Corsini e sua esposa Pelerina ouviam atentamente o sermão na igreja dos carmelitas e tiveram ambos um sobressalto interior quando o pregador pronunciou estas palavras do Êxodo: "Não demorarás a oferecer a Deus os dízimos e as primícias".
A família Corsini era das mais nobres de Florença. A Nicolau e sua esposa não faltavam recursos financeiros, menos ainda virtude e piedade, para fazer generosas doações à Igreja. A que atribuir, pois, esse sobressalto a propósito do dízimo? Era a voz da graça em suas almas.


Promessa recompensada

Até então, o casal não tivera um filho sequer, e desejava ter muitos. Nos ouvidos de Pelerina, aquela frase do Êxodo soou como uma sugestão vinda do Céu, de consagrar a Deus o primeiro filho que Este lhe concedesse. E sem demora fez a promessa, diante da imagem de Nossa Senhora do Povo.
Sem saber o que se passara com sua esposa, Nicolau foi objeto de igual moção sobrenatural e fez idêntica promessa, diante da mesma imagem da Santíssima Virgem.
De retorno ao lar, não foi pequena a surpresa do piedoso casal quando um revelou ao outro o que havia acontecido e descobriram, assim, a feliz "coincidência". Cheios de esperança, renovaram a promessa aos pés de uma imagem da Virgem Maria.
Constatando meses depois que sua súplica fora atendida, Pelerina passou então a rezar com ardor para que o fruto de suas entranhas fosse agradável a Deus.
Para seu espanto, na véspera do nascimento do menino, sonhou que ia dar à luz um lobo. No sonho, enquanto expunha à Virgem Imaculada sua grande aflição, viu o lobo entrar numa igreja e transformar-se em alvíssimo cordeiro.
Sentiu-se aliviada ao despertar, mas não contou a ninguém o sucedido. No dia seguinte, 30 de novembro de 1302, festa de Santo André, deu à luz um belo menino, o qual recebeu o nome do Apóstolo.



O sonho se torna realidade...

André herdou a nobreza dos pais. Era bem apessoado e dotado de inteligência privilegiada.
Porém, perto dos doze anos de idade, foi se tornando filho rebelde, provocava brigas e disputas na família, interessava-se apenas por jogos, armas e caçadas. Pouco se importava com a Igreja e a religião.
Aumentava cada dia mais a preocupação dos pais pelo futuro desse mau filho. Tendo este mais de 15 anos, decidiram expor-lhe as circunstâncias milagrosas de seu nascimento e a promessa por eles feita naquela oportunidade. O rapaz, porém, com desprezo, recusou-se a ouvi-los.
Disse-lhe então a mãe, com voz suave e desgostosa:

- Verdadeiramente, André, tu és o lobo com o qual sonhei na véspera de teu nascimento.

- Que dizeis? Como posso ser um lobo? - retrucou-lhe ele com insolência.

- Fica sabendo, meu filho, que teu pai e eu, sendo estéreis, fizemos uma promessa à gloriosa Virgem Maria, de lhe oferecer o primeiro de nossos filhos, que és tu! Sabe também que, na véspera de teu nascimento, sonhei que dava à luz um lobo, mas que entrando numa igreja ele se transformou em cordeiro. Assim, meu filho, tu pertences à Virgem Maria. Suplico-te, portanto, que não desdenhes servir a tão poderosa padroeira.

Esta eloquente exortação materna penetrou como um dardo no coração do jovem. Tocado por uma insigne graça, passou ele toda aquela noite em oração aos pés da Mãe de Deus. Prometeu- Lhe: "Ó Virgem Maria, já que Vos pertenço, Vos servirei de boa vontade, noite e dia. Rogai, porém, a vosso Filho que me perdoe os pecados da mocidade. Na mesma medida em que Vos desagradei, vivendo mal, me esforçarei por agradar a Vós e a Ele, mudando de vida".
Na manhã seguinte, foi à igreja dos Carmelitas onde, prostrado diante da imagem de Nossa Senhora do Povo, suplicou: "Ó Gloriosa Virgem Maria, eis aqui o lobo devorador e repleto de iniqüidades. Rogo-Vos humildemente que me purifiqueis e mudeis completamente, transformando-me em dócil cordeiro, para Vos servir na vossa santíssima Ordem".
Perseverou nesta prece até ao meio dia. Depois foi pedir ao provincial que o acolhesse na Ordem Carmelitana. Este lhe perguntou:

- Dizei-me, meu filho, de onde vos vem tal desejo?

- É obra de Deus e de meus pais, que neste lugar prometeram consagrar- me para sempre à Santa Virgem.

- Esperai, dentro em pouco vos darei a resposta.

Mandou logo chamar os pais do jovem. A mãe, ao ver o filho tão mudado, não pôde senão exclamar: "Eis o meu filho que de lobo se transformou em cordeiro!"


Noviço fervoroso

André recebeu o hábito do Carmo em 1318. Para experimentar a constância do jovem noviço, foram-lhe confiados os ofícios mais modestos, como varrer o convento, guardar o portão, servir à mesa, lavar pratos e utensílios de cozinha. Tal era seu fervor que considerava isso uma glória. Seus ex-companheiros de prazer, e até mesmo alguns parentes, o ridicularizavam por esse "rebaixamento". Ele, porém, vivia já num mundo superior, o do silêncio e da oração.
Um dia em que ele guardava a porta do Convento, o demônio lá compareceu para tentá-lo. Apresentando-se como um nobre personagem, bem trajado e acompanhado de vários criados, bateu com força à porta, ordenando imperiosamente:

- Abre depressa! Sou teu parente e não quero que fiques aqui com esses frades maltrapilhos. Esta é também a vontade de teu pai e de tua mãe que te prometeram em casamento a uma linda jovem.

- Foi-me ordenado que a ninguém abrisse a porta. Ademais, não te conheço. Se aqui sirvo esses humildes irmãos, imito Jesus Cristo que se fez homem para nos servir. Foram meus pais que me consagraram a Deus e à Virgem, serviço no qual me rejubilo.

Mudando de tom, disse o importuno visitante:

- Rogo-te, André, abre-me a porta por um instante só. Quero falar contigo de certas coisas... Teu superior nada verá!

- Ainda que o prior nada visse, acima dele está Deus que perscruta os corações. É por amor a Ele que guardo esta porta, para que Ele me guarde e auxilie.

Ainda falando, o noviço fez o sinal da cruz, e o tentador desapareceu instantaneamente, deixando uma nuvem de fumaça negra e fétida. André deu graças a Deus pela vitória, tornando-se, após vencer a tentação, ainda mais forte e perfeito.

 

Voando nas vias da santidade

Um ano mais tarde fez os votos solenes e redobrou o fervor  na prática das virtudes, sobretudo da humildade. Seu maior prazer era servir aos outros, especialmente aos enfermos, tendo sempre presente a palavra do Senhor: "O que fizerdes ao menor destes pequeninos, é a Mim que o fazeis".
Frei André nunca faltava à liturgia das horas santas. Jamais resistia às ordens dos superiores. Quanto mais lhe ordenavam, maior era a alegria que pervadia sua alma. Tinha bem claro que o tempo é dom precioso de Deus, por isso empregava no estudo todos os minutos que lhe restavam do cumprimento das obrigações impostas pela obediência.
Às sextas-feiras, com um cesto pendurado ao pescoço, saía mendigando pela rua principal de Florença. Imagine-se a reação indignada de alguns de seus parentes, todos personagens importantes na cidade! Incitavam os habitantes a escarnecê-lo e a insultá-lo. Ele, porém, após receber as piores injúrias, retirava-se contente, refletindo: "Jesus também foi gravemente injuriado, e, aniquilado pela dor, não se irritava".
As virtudes são todas irmãs, quando se progride em uma, adianta-se também nas outras. Assim, tendo subido tanto na virtude da humildade, nosso Santo era igualmente exímio na prática da pureza. Fugia de todas as ocasiões de tentação e não tolerava que em sua presença se pronunciassem palavras inconvenientes.


Dom dos milagres

Em várias ocasiões, exerceu em benefício do próximo o precioso dom dos milagres. Um de seus tios sofria de uma doença que lhe corroia as carnes da perna. Para se distrair do incômodo, transformou sua casa em lugar de jogatinas. Visando conquistar para Jesus essa alma, André foi visitá-lo e lhe perguntou:

- Quereis ser curado?

- Vai-te daqui, mendigo, queres zombar de mim!

- Se desejais ser curado, aceitai ao menos um conselho.

A mansidão do Santo abrandou a arrogância do ímpio, que disse:

- Se for possível a minha cura, farei tudo quanto pretenderes.

O frade lhe recomendou jejuar durante seis dias e, no sétimo, rezar sete Pai-Nossos, sete Ave-Marias e uma Salve Rainha.

- Se fizerdes isto, prometo que a gloriosa Virgem obterá de seu Filho vossa cura.

Embora incrédulo e sem devoção alguma, o doente assim fez. No sétimo dia estava curado. Exultante, procurou André para dizer-lhe:

- Sois verdadeiramente um amigo de Deus, meu sobrinho! Nada mais sinto, posso caminhar como um jovem.

Com efeito, suas carnes estavam renovadas. Desde então, mudou de vida, não mais cessando de dar graças a Deus e a sua Imaculada Mãe.


Sacerdote e bispo

Em 1328, André recebeu a ordenação sacerdotal. Os pais haviam preparado tudo para a celebração da sua primeira Missa, a qual pretendiam fosse soleníssima e contasse com a presença de todos os parentes.
Sabendo desta pretensão familiar, o Santo retirou-se para um pequeno convento distante, onde ofereceu a Deus as primícias do sacerdócio, com grande recolhimento e devoção.
Como prêmio, imediatamente após a Comunhão, a Santíssima Virgem lhe apareceu, dizendo: "És meu servo, escolhi- te, e em ti serei glorificada". Estas palavras penetraram-lhe fundo no coração, tornando-o ainda mais humilde e puro.
Após exercer o ministério da pregação em Florença, estudou três anos na Universidade de Paris e foi aprimorar os estudos com o Cardeal Corsini, seu tio, na cidade de Avignon, então Sede do Papado. Aí Deus operou por sua intercessão a cura de um cego.
De retorno à pátria, foi eleito prior do convento de Florença. Pouco tempo permaneceu nesse cargo. Tendo falecido o Bispo de Fiésole, cidade próxima, o capítulo da Catedral o elegeu para sucessor. Mas o Santo, tomando conhecimento da eleição, ocultou-se num convento dos Cartuxos, na tentativa de fugir de tão perigoso fardo.
A família Corsini era uma das mais nobres da cidade de Florença (vistas da cidade) Quando os cônegos já iam fazer nova eleição, Deus revelou a um menino o retiro do seu servo. Temeroso de resistir à vontade do Céu, Frei André consentiu então em receber a sagração episcopal, em 1360, aos 58 anos.


 
Vida mais austera ainda

A elevação à dignidade de Bispo da Santa Igreja produziu uma mudança em seu modo de viver: ele redobrou suas austeridades, acrescentando mais um cinto de ferro sobre o cilício que usava. Por leito, tinha apenas uns ramos de videira estendidos no chão. Recitava diariamente os salmos penitenciais e a ladainha dos santos, submetendo- se a uma rude disciplina. Todo o seu tempo era dividido entre a oração, as funções episcopais e a meditação das Sagradas Escrituras. Com mais rigor ainda, evitava toda ocasião de tentação contra a virtude angélica, e não suportava a presença de lisonjeadores nem murmuradores.  
Seus exemplos e sermões produziam tão maravilhosos frutos que logo foi considerado um dos grandes apóstolos da Itália.


Multiplicou os pães

Às quintas-feiras costumava lavar os pés dos pobres, imitando a humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Certa vez um deles recusava-se a lhe apresentar os pés, pois estavam cobertos de úlceras. O Santo venceu-lhe a resistência, lavou-os e estes ficaram completamente curados.
Após a cerimônia do lava-pés, nunca despedia os pobres sem lhes amenizar a indigência com uma generosa distribuição de pães. Certa vez em que havia poucos, ele, com uma bênção, os multiplicou e assim pôde satisfazer a todos os necessitados.
Possuía também uma singular aptidão para harmonizar os espíritos divididos, da qual se valeu para apaziguar todas as sedições tanto em sua Diocese quanto em Florença. Informado disto, o Papa Urbano V o enviou como legado a Bolonha, para conciliar as facções que excitavam a nobreza e o povo um contra outro. Santo André restabeleceu a paz nessa cidade, a qual durou enquanto ele viveu.


 
Caminhou alegre para a morte

Durante a Missa de Natal de 1372, o Santo Bispo sentiu-se acometido de uma febre que logo o dominou. Longe de se alarmar com a proximidade da morte, caminhou em direção a ela com tranqüilidade, e até com surpreendente alegria. Faleceu a 6 de janeiro de 1373, aos 72 anos de idade.




"A fama de santidade que circundou sua vida, após a morte difundiu-se rapidamente na Itália e na Europa", lembrou S.S. João Paulo II, no 7° centenário de nascimento de Santo André Corsini.
Se Deus o honrou com muitos milagres em vida, a voz do povo o "canonizou" imediatamente após sua morte. O Papa Eugênio IV, posto a par dos efeitos que a intercessão do Santo produzia em toda a região de Florença, autorizou que seus restos mortais fossem expostos à veneração dos fiéis. E Urbano VIII o canonizou em 1629.



(Revista Arautos do Evangelho, Fev/2005, n. 38, p. 22 à 25)

SÃO CIRÍACO ELIAS CHAVARA, Presbítero e Fundador.



Ciríaco Elias Chavara nasceu em 10 de fevereiro de 1805. Filho de Pais piedosos, foi levado à igreja Sírio-Malabar, em Kainakary (Índia), tendo sido batizado no oitavo dia após seu nascimento, conforme o costume local.
 Entre os cinco e dez anos de idade, frequentou a escola do vilarejo (Kalari), onde foi educado e submetido aos estudos das línguas e  diferentes dialetos, bem como às ciências elementares. Seu orientador era um professor hindu, de nome Asan.  Inspirado pelo desejo ardente de tornar-se um sacerdote,  ingressou nos primeiros  estudos sob a  orientação do pároco da igreja de  São José. 
No ano de 1818, quando tinha 13  anos de idade,  o menino Ciríaco ingressou no seminário de Pallipuran,  e teve como reitor Tomás Palackal.  Sua ordenação sacerdotal deu-se em 29 de  novembro de 1829, quando tinha 24 anos de idade, tendo celebrado sua primeira missa na igreja de Chennankari.
Logo após sua ordenação, foi-lhe, primeiramente,  destinado o ministério pastoral. Entretanto, assim que pôde, retornou ao seminário de origem  para pregar e  também assumiu as funções de substituir o reitor Tomás Palackal,  quando de  sua ausência.   Desta forma, juntou-se a  Tomás Palackal e Tomás Porukara, que estavam  planejando a  formação de uma congregação religiosa.

Em 1830 recebeu  a  missão de  ir  para Mannanam, a fim de construir a primeira casa da congregação, cuja pedra  fundamental foi lançada no dia 11 de maio de 1831. Com a morte de ambos os idealizadores da congregação, Ciríaco  assumiu com empenho resoluto a liderança para o seu estabelecimento. No dia 8 de dezembro de 1855, festa da Imaculada Conceição, fez  a profissão religiosa junto com outros dez companheiros. Estava assim,  consolidada,  a Ordem Carmelita de Maria Imaculada. Permaneceu como prior-geral de todos os  monastérios da Congregação no período compreendido entre 1856 até  sua morte, em  1871.

Combateu heroicamente a igreja de Kerala de um grande cisma que atingiu a Igreja local no ano de 1861.  Com a supressão das  sedes de Cranganor e Cochin, por decisão do Papa Gregório XVI muitos anos antes (1838), todos os  católicos malabares passaram a ser subordinados da  Sede de Verapoli. Durante este período,  cismáticos que defendiam a manutenção de ritos indianos/orientais nas cerimônias da Igreja, tiveram de suportar contrariados às ordens de uma autoridade de rito latino e acabaram tentando estabelecer um prelado próprio por intercessão do patriarca caldeu José Audo VI. Este lhe mandou, em 1861,  um bispo caldeu de nome Tomás Rokos que, sem autoridade eclesiástica reconhecida por Roma,  tentou inutilmente impor liderança e autoridade sob a comunidade católica local. Pela resistência que encontrou, principalmente pela atuação brilhante de Ciríaco , que manteve e difundiu fidelidade a Roma,  a  autoridade de Tomás Rokos não foi reconhecida, tendo de  retornar para seu local de origem.  Em decorrência dos fatos,  Ciríaco Elias Chavara foi nomeado como Vigário-Geral da Igreja Sírio-Malabar pelo Arcebispo de Verapolly. 

Por isto,  desde aquele tempo até hoje, é reconhecido pela  comunidade católica e pelos mais altos dignitários da Igreja como defensor da Igreja de Cristo, pela sua incansável e árdua luta pelo  respeito e fidelidade a Roma,  especialmente sua histórica  liderança,  rápida e  eficaz no combate à infiltração cismática de Tomás Rokos. 
O  cisma,  embora não tenha  prevalecido,  deixou rastros de malignas divisões,  que persistem até hoje na região. Isto porque,  três anos após a morte de São Ciríaco (1874),  um bispo, de nome Mar Elias Mellus, recusando-se a  obedecer às ordens  de Roma, formou uma comunidade  independente, denominados "melusinos",  cujos seguidores  totalizam  cerca de  cinco mil nos dias de hoje.
Se a igreja católica  possui base em grande parte daquelas comunidades, deve-se  isto ao grande  Santo. Não fosse seu empenho e  o apoio de católicos iluminados por Deus, certamente o catolicismo estaria hoje extinto na região.
Após contrair doença de curta duração, porém, extremamente dolorosa, Ciríaco Elias Chavara entregou santamente sua alma a  Deus, como mencionamos,  no ano de 1871, na cidade de Koonammavu, próximo de Kochi,  preservado em  sua inocência batismal. Será canonizado em dezembro de 2014 pelo Santo Padre o Papa Francisco. 



Túmulo do beato Ciríaco Elias Chavara.


O São Ciríaco aparece a santa Alfonsa, clarissa indiana,
 e a cura de uma doença mortal.

Outra estampa que representa a aparição de São Ciríaco
a santa Alfonsa que estava à beira da morte.  


Sua espiritualidade

O padre Chavara encarna a espiritualidade da Índia, que é um povo com uma grande cultura e uma rica espiritualidade. A espiritualidade está ali viva, e contagia a quantos sabem penetra-la e encarnar-se nela.
Espiritualidade inicialmente sacerdotal (aqui falamos de seu profundo amor ao Sagrado) e depois monacal.
A espiritualidade de São Ciríaco Elias é profundamente carmelitana:
1. Vida de oração e intimidade divina.
2. Terna e filial devoção por Maria Santíssima, principalmente através das invocações “Imaculada” e “Virgem do Carmo”.
O São Ciríaco foi, sobretudo, um homem de constante oração, de caridade fervente, concreta, que o mantiveram em estreita união com o Senhor, em meio de tantas atividades religiosas e sociais.
A espiritualidade de São Ciríaco Chavara evoca “múltiplas iniciativas apostólicas”, sobretudo na linha da unidade cristã frente ao cisma e à heresia, como cultor do rito católico Siro-Malabárico.


Sua mensagem
• Que ardamos de zelo pelas almas.
• Que enriqueçamos a vida de nossa comunidade.
• Que o espírito “eliano” guie nossas almas.
• Que lutemos (e rezemos) pela união das igrejas...


Oração


Deus, nosso Pai, suscitastes São Ciríaco Elias Chavara, vosso presbítero, para consolidar a unidade da Igreja, concedei-nos, por sua intercessão, que, iluminados pelo Espírito Santo, possamos discernir sabiamente os sinais dos tempos e difundir, por palavras e obras, o anúncio do Evangelho entre os homens. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.