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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 15 de novembro de 2014

Beata Francisca d'Amboise, Virgem, Viúva, Monja Carmelita e Fundadora (a primeira monja elevada à honra dos altares).


A figura mais interessante do reinado de Pedro II, segundo La Borderie, infelizmente é conhecida só por documentos tardios. Francisca nasceu em Thouars (França) no dia 9 de maio de 1427, filha do Visconde Luis d’Amboise e da Baronesa Maria de Rieux.
     Rica herdeira, viu-se quase desde o princípio desejada pelo favorito de Carlos VII, Jorge de La Trémoille, para seu filho Luís; a infeliz criança teve de fugir com a mãe e colocar-se sob a guarda do condestável de Richemont, em Parthenay.
     Este influente protetor negociou o casamento de Francisca, aos quatro anos, com o seu sobrinho Pedro, segundo filho do Duque da Bretanha. Por isso foi ela transportada para Nantes e educada na corte da Bretanha. Sua futura sogra, Joana, irmã de Carlos VII da França, imprimiu em sua alma um espírito profundamente cristão.
     Contratado em 1431, o casamento só veio a celebrar-se dez anos mais tarde. Os jovens esposos estabeleceram-se então em Guingamp. Em 1450, na Catedral de Reims, era coroada como Duquesa da Bretanha juntamente com seu esposo.
     De comum acordo, decidiram conservarem-se castos (nesse caso, em continência) e oferecer à alta sociedade um modelo de lar cristão com a prática assídua de excelsas virtudes. Juntos se consagraram à Virgem Maria em seu Santuário de Folgoët, onde deixaram marcada uma Missa a ser celebrada todos os sábados.
     Francisca soube frear os excessos da moda feminina na corte e se dedicou particularmente às obras de piedade e caridade. Todas as quartas-feiras onze donzelas pobres se sentavam à sua mesa; no dia Natal escolhia um menino pobre, o vestia com roupas novas e o hospedava como representante do Menino Jesus, às Quintas-feiras Santas lavava os pés de doze pobres e lhes oferecia roupas novas.
     Desejando prolongar a boa influência de São Vicente Ferrer, que foi canonizado durante o reinado de seu esposo Pedro II, Francisca interessou-se especialmente pelas casas religiosas e fundou um convento de Clarissas em Nantes e um Carmelo em Vannes, o primeiro convento feminino desta Ordem em território francês.
     Trabalhou tanto a favor da religião católica que, segundo disse um historiador, "Deus se serviu desta jovem para realizar uma reforma geral na Bretanha e para fazer reflorescer, depois de tantas desgraças, um século de ouro".
     Após a morte de seu esposo e conhecendo a fundo as misérias da corte, resolveu tornar-se monja de clausura. Teve que enfrentar mil dificuldades: Luís XI, Rei da França, fez todo o possível para que desistisse de seu plano; tudo foi em vão, e o monarca acabou se desenganando quando ela, ao receber a Comunhão, fez em voz alta o voto de castidade.
     Depois de um encontro providencial com o Beato João Soreth († 1471), na ocasião Prior Geral dos Carmelitas, se decidiu pela Ordem Carmelita de clausura, que havia sido instituída pouco antes canonicamente pela Bula "Cum nula" de Nicolau V, datada de 07 de outubro de 1452.
     Resolvidos todos os seus compromissos ducais, o Beato mesmo lhe impôs, com toda solenidade, o hábito. Junto com um grupo de carmelitas vindas da Bélgica, Francisca iniciou sua vida religiosa no convento de Vannes, fundado por ela.
     Renunciou a seus títulos e não quis ser tratada com especial distinção, mas ser considerada “uma humilde serva de Cristo”. Desde então seu grande empenho foi tornar efetiva sua total entrega a Deus.
     Em 1475 foi nomeada priora pela comunidade. Mas a afeição de Francisco II e da esposa Margarida de Frois que desejava aproximá-la deles, obteve de Roma a transferência do mosteiro para Nantes. Ali ela também exerceu o cargo de priora.
     No exercício deste cargo alimentava o espírito de suas religiosas com sábias "Exortações", que foram publicadas mais tarde. Ela era exemplar em todas as virtudes, especialmente por seu espírito de oração e penitência. Insistiu sempre na prática do silêncio, da obediência e da pobreza. Introduziu a comunhão frequente e uma estrita clausura.
     Suas últimas palavras foram: "Adeus, minhas filhas! Vou provar o que é amar a Deus sobre todas as coisas". Ela expirou no dia 4 de novembro de 1485.

     A Beata é considerada fundadora das Monjas Carmelitas na França e foi a primeira santa desde que o Carmelo feminino teve existência canônica. O seu culto litúrgico foi reconhecido pelo Papa Pio IX em 16 de julho de 1867. 


Beata Francisca d'Amboise,
rogai por nós! 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

SÃO JOSAFÁ KUNCEWICZ, Bispo e Mártir (memória obrigatória do dia 12 de outubro)


São Josafá, Bispo e Mártir
São Josafá: flagelo dos cismáticos, modelo de desassombro apostólico, bispo zeloso, grande defensor do papado e da união com Roma, enfrentou heroicamente os inimigos de Deus e de Sua Santa Igreja, o que lhe valeu a palma do martírio e a glória eterna

Durante uma viagem, o Santo é abordado por um velho que lhe pede esmola. "Eu lhe darei com muito boa vontade, -- responde ele --, mas com a condição de que se confesse". A essas palavras, o mendigo hesita e até balbucia uma recusa. O Bispo o encoraja, e ouve a afirmação de que nunca o pedinte havia se aproximado do confessionário. Lágrimas rolam pela face do pobre após essa declaração. Eram elas sinal de sincero arrependimento. O velho confessa-se então imediatamente com o próprio Prelado, morrendo logo depois na paz de Deus.

Tal fato inclina São Josafá a tornar-se mais ardoroso em prestar socorro às almas com vistas à salvação eterna. Que belo exemplo para eclesiásticos contemporâneos, que se mostram preocupados em cuidar mais do corpo que da alma de seus fiéis!

* * *

João Kuncewicz nasceu em 1580, na cidade de Wolodymyr, na atual Lituânia, mas, então, pertencente à Polônia. Era filho de simples e respeitado comerciante, segundo alguns, de nobreza empobrecida.
Ainda criança, vendo o crucifixo, pergunta a sua mãe o que ele significa. Diante da explicação, sente como uma centelha de fogo que caía sobre seu coração, comunicando-lhe grande amor pelas cerimônias da Igreja. Foi o ponto de partida de sua vida interior e de sua missão.
Sua infância transcorre na mais perfeita inocência e piedade, que se refletem até em seus divertimentos preferidos. Decora o Ofício divino para poder cantá-lo.
Enviado a Vilnius para fazer carreira junto a rico comerciante, não perde o hábito da oração, o que lhe acarreta injustos castigos corporais, pois o patrão deseja vê-lo somente produzindo. Sua piedade, porém, cresce em meio às vicissitudes.
A capital da Lituânia era então uma arena onde todos os erros se conjugavam para combater a Santa Igreja. Cada tipo de heresia lá tinha seu templo, seu ministro e seus defensores. Em uma mesma família ocorria o fato de ser o pai de uma, a mãe de outra e os filhos de uma terceira religião.
Exposto aos perigos próprios a tal ambiente, sem conselho, sem experiência, evitando as pessoas ociosas, levianas e imorais, atravessou Josafá esse ambiente sem sujar sequer a franja de suas vestes.

Grande polemista, confessor, auxílio dos necessitados...

Quando a população de Vilnius se lançou no cisma, Josafá rezou a Deus Nosso Senhor suplicando-lhe que lhe indicasse o caminho que devia trilhar. "A partir desse momento -- narra o próprio Santo -- votei tal ódio ao cisma, que era forçado a repetir sem cessar a palavra do profeta: Eu odeio a sinagoga dos maus (Salmo 25)".
Desde então nasceu nele o desejo ardente de ser o flagelo contra o cisma, o defensor da união com Roma.

Espírito vivo e sagaz, propenso a análises sólidas, dotado de memória fácil, considera o comércio uma atividade insuportável. E nem mesmo a promessa de tornar-se herdeiro do rico comerciante leva-o desistir de seguir sua vocação, que é a de tornar-se monge basiliano. Assim, em 1605 ingressa na Ordem de São Basílio, nela recebendo o nome de Josafá, segundo o costume grego.
As leituras sobre a vida e o holocausto dos mártires não somente o entretêm, mas conferem-lhe ânimo para a luta de todos os dias.
A reputação de suas virtudes chegou aos ouvidos de certa mulher de má vida, que o visita na certeza de conseguir seduzí-lo. Indignado, ordena o Santo que ela se afaste. Diante da negativa, arma-se com um bastão e à força de golpes obriga a infame pecadora a fugir envergonhada. A notícia de tal ato de virtude logo circula pela cidade, e em decorrência disso, todos querem ver Josafá e ter a honra de merecer sua amizade.
Nota-se no espírito do Santo simplicidade, retidão, amor de Deus extraordinários. Aos poucos, forma-se em torno dele, pequena, mas, fervorosa comunidade religiosa. Nela, Josafá exerce as funções de sacristão, corista, ecônomo: em uma palavra, todas as atividades secundárias da casa.
Certa ocasião, os cismáticos convidam-no para uma reunião, esperando atraí-lo para sua causa. De volta ao mosteiro, Josafá comenta que estava chegando do inferno, onde ouvira a voz de Satanás propondo-lhe que renunciasse à fé.
As agitações crescem em torno de si, não podendo sair em público sem ser objeto de vaias e maldições dos cismáticos. Chamam-no de traidor, hipócrita, trapaceiro, ignorante, ímpio. Jogam-lhe até pedras e paus.

Durante tais perturbações, em 1609, recebe a ordenação sacerdotal, completando, com tal sacramento, o sacrifício de louvores a Deus que havia iniciado desde a infância.
Sempre grave e recolhido, por inclinação natural, manifesta rara disposição para o estudo. Espírito penetrante, tudo o que lê e entende fica gravado em sua mente. Explica-se, pois, que discorra sobre os artigos da fé, nos pontos discutidos pelos cismáticos, com clareza e encanto fulgurantes. À sua voz, uns abjuram a heresia, outros o cisma e outros ainda renunciam a uma vida pecaminosa. A graça de Deus transborda de seus lábios e triunfa sempre de seus adversários fazendo-os retirarem-se confusos e estupefatos, perguntando-se donde lhe vinha tanta sabedoria. Apelidaram-no o “arrebatador de almas”.
Sua atividade é prodigiosa: vigário, administrador nos planos temporal e espiritual, ecônomo, confessor, mestre de noviços, além de visitar hospitais e bairros pobres.
E quanto mais rezava, mais se abrasava do desejo de se imolar por Deus.

Fogo! Fogo! Josafá está rezando...

Certa vez, dois religiosos de seu mosteiro, ao passar junto a sua cela, viram-na em chamas. Dão o alarme e todos acorrem. Quando vão arrombar a porta, o fogo desaparece: era Josafá que estava prosternado, rezando com a face no solo e os braços em forma de cruz! Seus companheiros compreendem o prodígio e afastam-se bendizendo a Deus.

É lastimável não terem procurado penetrar no tesouro de seu coração os que conviveram com o Santo. Quantas ações heroicas, quantas exemplos preciosos, quantos favores celestes ficaram esquecidos devido a essa negligência! Eles mesmos, mais tarde, lamentaram-se pelo fato de, embora vendo-o, não o conheceram nem o imitaram.
Entretanto, mesmo assim, aqueles que dele mais se aproximam crescem em virtude. Ao mesmo tempo, aumenta em relação a eles o ódio de Satanás e dos cismáticos. Tal ódio consiste num sinal evidente de que esses seus companheiros estão no bom caminho. Por suas virtudes, seu zelo apostólico e sua atividade incansável, empreende verdadeira reforma no Mosteiro da Santíssima Trindade, em Vilnius.
Muitas vezes ocorre que uma multidão de demônios invade a igreja do mosteiro, à meia noite, lá permanecendo até o clarear do dia em orgias, soltando uivos e latidos, o que impede os monges de dormir. Em troca, São Josafá não os deixa em paz. Arma-se com o Santíssimo Sacramento e, quando a tropa infernal chega, ordena-lhe que se retire, perseguindo-as até no interior do cemitério, até o túmulo onde os demônios se precipitam e desaparecem.
Quanto mais avança em idade, mais alegria encontra na oração. Freqüentemente, vêem-se os próprios Anjos ajudarem-no durante a Missa. E de uma imagem de Nossa Senhora saem raios que o envolvem em luz, quando reza diante d’Ela.

Um bispo inflexível na defesa da Fé
Em 1617 foi nomeado Bispo de Vitebsk, com direito à sucessão ao Arcebispado de Polock, o que aconteceu em 1618. Sua autoridade estendendo-se então as duas cidades, atualmente em território da Bielorússia. Naqueles anos a situação de confronto entre católicos e cismáticos permanece relativamente calma.
A cerimônia de sua posse em Polock é majestosa, com bastante pompa. O comissário real apresenta-o à nobreza e aos governadores da cidade, dizendo: "Em nome e por ordem do Rei, apresento à Igreja Católica, um arcebispo; à nobreza, um novo ornamento; à cidade, um defensor e a todo rebanho, um pastor". Logo em seguida forma-se o cortejo que segue rumo à catedral ao som de música, de tiros dos mosquetes, do bimbalhar dos sinos, encerrando-se com uma salva de toda artilharia.
Em seu palácio são recebidos tanto ricos como pobres. Um familiar seu também o procura para pedir-lhe auxílio. Mas obtém como resposta que as rendas destinam-se à Igreja e aos pobres. Seu parente então satisfaz suas necessidades com seu próprio trabalho.
Amando sem medidas a Deus e sua Lei, como conseqüência natural, o Santo detesta também sem medidas a doutrina oposta a Deus. Seu ódio ao cisma e à heresia é, pois, fruto do amor ao Criador e a Fé católica.
Diante das pressões para estabelecer uma paz a todo custo com os cismáticos, Josafá responde que a paz é um bem público, desde que seja aquela a que Nosso Senhor se referiu dizendo "Eu vos deixo a minha paz". Não, porém, a outra que Ele execra, dizendo que não veio trazer a paz, mas a espada (cfr. Mt 10,34). Que falsa paz seria essa, selada ao preço de grave ofensa a Deus?

Os cismáticos agridem os católicos, e, ao mesmo tempo, choram apresentando-se como vítimas. Tais artimanhas não são suficientes para demover o Santo de sua firme posição e de seu zelo pela ortodoxia.
Com o passar do tempo, a atitude dos cismáticos torna-se cada vez mais ameaçadora. Gritos sinistros, injúrias e pedradas avolumam-se. Essa audácia só se explicava por um encorajamento externo. Para eles, Josafá está fora da lei e uma tentativa de assassiná-lo não constitui crime, apesar do castigo infligido pela Providência a vários dos que atentaram contra sua vida.
Seus servidores também compartilham tais sofrimentos, sendo insultados, agredidos com paus e pedras quando saem à rua.



Martírio, milagres e glória eterna

Josafá ardia do desejo de morrer por Nosso Senhor Jesus Cristo e participar de Sua glória eterna.
Em novembro de 1623, encontra-se em Vitebsk, numa visita pastoral. Não foi possível fazê-lo sair da cidade, onde abertamente se planeja sua morte, pois o fanatismo abafa nas almas o horror ao crime.
No dia 12 daquele mês, um domingo, depois das orações matinais na igreja, é dado o sinal, e todos conspiradores aglomeram-se à porta do templo para pegá-lo à saída. Ele avança com passo firme através das fileiras cerradas da turba; gritos de morte, armas que são brandidas sobre sua cabeça não o assustam. Sua presença altaneira faz aos poucos cessar o tumulto. E assim pôde chegar a salvo ao Palácio episcopal. Este então é invadido. Mas, à vista do Santo Bispo, os assassinos recuam. Há um momento de indecisão. Dois celerados precipitam-se de uma sala ao lado, e postulando sua morte, atiram-se sobre sua pessoa, ferindo-o e pisando-o. Seu corpo, sobretudo a cabeça, deixa de apresentar a forma humana. Cospem sobre o cadáver, arrancam-lhe a barba e os cabelos.
E apesar de Deus sua ira manifestar cegando uma mulher que lhe arrancava a barba, cobrindo o palácio com uma tenebrosa nuvem, da qual saía um raio de luz que ia pousar sobre o corpo -, parece que todos estão entregues ao demônio.
Arrastam-no pelas ruas da cidade. Sua cabeça bate num muro e deixa a silhueta incrustada, de tal maneira que foi impossível apagá-la. Do alto da colina para onde foi levado, o corpo é lançado no rio Dwina. Entretanto, nenhum osso se fratura.
Como se tudo isso não bastasse, alguns dos revoltosos pegam o corpo e o conduzem a um lugar do rio conhecido pela profundidade, a fim de que ali ele apodrecesse. Neste momento uma coluna de luz indica o local onde o corpo se encontra. E apesar da quantidade de pedras que nele foram atadas para que afundasse, o cadáver reaparece em seguida, seguindo os assassinos. Estes tiveram que fazer grande esforço para jogá-lo novamente no local mais fundo do rio.
No palácio, alguns magistrados, que aparecem tardiamente, mandam transportar um cofre contendo objetos de culto, que os golpes dos assassinos não conseguiram abrir. Ao passar por uma mancha de sangue do Arcebispo, o cofre cai e se abre; um cálice, que estava dentro, rola, tinge-se de sangue e volta para sua posição normal, indicando que o sacrifício de Josafá havia se unido ao Sacrifício eterno de Nosso Senhor.

Alguns dias depois, uma luz milagrosa saindo das águas indica o lugar onde se encontram os restos mortais do Mártir. O céu, que permanecera sombrio, retoma sua cor normal. Entre os habitantes da cidade, o espanto cede lugar à dor.
Seu corpo é resgatado. Apesar de ter ficado quase seis dias sob as águas, nenhum sinal de decomposição existe nele. As feridas parecem ornatos que o embelezam.
Muitas vezes as palavras não são suficientes na pregação para persuadir e converter. É necessário falar mediante chagas, comover pelo sangue. Sua feridas transfiguradas apresentavam uma eloqüência irresistível. à vista desse espetáculo, um cismático converte-se e se dispõe a dar a vida pela Igreja católica.
Era um santo, -- dizia o povo -- nunca ofendeu qualquer pessoa; malditos os que o mataram!

-- Por que adoras essas pedras? -- gritam para um cego cismáticos que ali se encontravam. Mas eis que, confusos, ouvem eles a exclamação desconcertante: “vejo”!
Deus, prodigalizando assim os milagres, chancela a conduta heróica e firme do servidor fiel, que não dobrou os joelhos diante de seus inimigos.
Para satisfazer a devoção popular, o cadáver precisa permanecer 10 dias exposto na catedral de Polock, onde é sepultado. Em vez da dor, todos experimentam uma sensação de alegria ao contemplar seu corpo.
Quando se examina a lista de milagres, fica-se impressionado ao se verificar que todos os amigos do Santo que lhe pediram favores, são invariavelmente atendidos.
São Josafá foi beatificado em 1643, por Urbano VIII. E no dia 29 de junho de 1867, o canhão do castelo de Santangelo e os sinos de todas as igrejas romanas saudaram o novo Santo, canonizado por Pio IX, juntamente com São Pedro de Arbués e os mártires de Gorcum.


(Fonte: site “Catolicismo”)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Beata Margarida de Città di Castello, Virgem Dominicana


"Meu pai e minha mãe me abandonaram, mas o Senhor me recebeu".

A história da vida desta Beata foi escrita cerca de 30 anos após sua morte, por um religioso anônimo, que para seu relato se baseou nos testemunhos de muitas pessoas contemporâneos de Margarida.
 O Castelo de Metola, onde Margarida nasceu em 1287, era uma fortaleza situada no cume de uma montanha. Localizado na parte sul de Massa Trabaria, foi construído com um sistema de defesa quase inexpugnável. Hoje, somente uma torre permanece no local.

Seus pais tinham esperado com alegria o nascimento de um herdeiro. Cheio de sonhos para o futuro dessa criança, ordenaram uma grande festa para o evento feliz, mas a decepção do casal não poderia ser mais amarga quando perceberam que a criança nascera cega, corcunda e com uma perna mais curta que a outra.
Eles decidiram esconder todas as suas desgraças e confiar a criança a uma criada fiel, obrigada a mantê-la escondida. No maior segredo, a boa criada levou a criança a catedral de Mercatello para ser batizada.
Crescendo, Margarida demonstrou uma inteligência extraordinária. O capelão do castelo educou-a o melhor que pode. Margarida facilmente memorizou os Salmos e outros versículos das Escrituras que ele lhe ensinou. Ele mesmo talhou na madeira uma bengala para tornar fácil sua locomoção, e ela logo aprendeu a orientar-se pelo castelo, nunca se aproximando do quarto dos pais, que não queriam encontrá-la.  
 Quando Margarida tinha seis anos de idade, passaram por Metola alguns visitantes, e quando a menina foi até a capela para rezar, foi vista por uma das convidadas que, obviamente, ficou intrigada com a presença da criança cega e aleijada.
 Para evitar futuros riscos de sua filha ser descoberta, o pai construiu uma cela perto da Igreja de Santa Maria della Fortezza, que ficava cerca de quatrocentos metros do castelo, no meio da mata, e ali trancou a filha, que passava o tempo rezando, nutrida pela comida que lhe era entregue pela janela.
Nos nove anos que ela ali permaneceu, recebia visitas frequentes do capelão. Este não concordava com a atitude dos pais da criança, mas nada podia fazer. Para compensar sua solidão, ele continuava a dar-lhe instrução religiosa e os Sacramentos. Ela também recebia raras visitas de sua mãe.
Ela só foi retirada daquele lugar quando Massa Trabaria foi invadida por inimigos. Margarida terminou em um lugar pior, no porão do palácio de seu pai em Mercatello.

Quando o perigo da guerra passou, seus pais decidiram levá-la ao túmulo de Frei Tiago, na Igreja de São Francisco, em Città di Castello, um franciscano que havia morrido em odor de santidade, na esperança de que um milagre pudesse curar sua filha.
A viagem de um dia através das montanhas dos Apeninos foi longa e desconfortável. Margarida estava feliz e mais tarde contou que foi a única vez que seus pais lhe demonstraram amor.
Mas, os pais ficaram decepcionados, pois o milagre não aconteceu... Sem dizer uma palavra, secretamente eles fizeram o caminho de volta, abandonando-a, livrando-se dela para sempre. Quando a jovem, que tinha cerca de quinze anos, se deu conta, seus pais a haviam abandonado naquela cidade completamente desconhecida.
"Meu pai e minha mãe me abandonaram, mas o Senhor me recebeu", diz o salmista. E foi o que aconteceu com ela.
Inicialmente alguns mendigos se apiedaram dela e ela tornou-se mendiga com eles. Após um curto período de tempo como mendiga, Margarida encontrou uma recepção calorosa nas famílias da cidade, que a hospedavam alternadamente, admirando sua bondade, sua serenidade, sua paciência inalterável. Com a oração contínua, ela recompensava seus benfeitores com a obtenção de apoio material e moral às suas famílias.
 Com cerca de 20 anos foi recebida em um mosteiro, onde com alegria começou uma nova jornada espiritual empenhando-se na observância da Regra de uma Ordem que o seu antigo biógrafo não revela o nome. Infelizmente, nesse convento, as religiosas viviam em um ambiente relaxado e, depois de um tempo, o comportamento da noviça cega que aderiu ao silêncio, a pobreza e a meditação, tornou-se um fator de desconforto no convento. Como Margarida recusasse qualquer abrandamento, foi dispensada do mosteiro e encontrou-se novamente sozinha e abandonada na rua.
Cega, coxa e corcunda, rejeitada

pela família,  Margarida era belíssima 
em sua alma e agradabilíssima
aos olhos de Deus. 
Foi então que ela conheceu, na Igreja da Caridade, dirigida por frades dominicanos, as Mantellate (“mantelatas”), membros leigos da Ordem da Penitência de São Domingos. Margarida foi recebida e, assim, fazendo parte de uma família religiosa, encontrou irmãos e irmãs e um grande ideal para os quais se dedicar: contemplar a Deus e transmiti-lo com a oração e a penitência. A pobre cega também foi mantellata.
Apesar de seus infortúnios físicos, praticava um intenso apostolado de misericórdia junto aos doentes e moribundos, e aliviava os corações aflitos com uma boa conversa que a todos reconduzia ao amor de Deus.
 Claros sinais sobrenaturais revelavam que Margarida estava muito próxima do coração de Deus, e que O amava com um amor sempre mais puro e profundo. Duas vezes ela previu o futuro e suas profecias se cumpriram, obteve a cura milagrosa de uma jovem e apagou um incêndio jogando seu manto contra as chamas. Também com o toque da sua mão curou o olho doente de uma religiosa. Depois destes fatos, a “mantellata” se tornou cada vez mais célebre em toda a região por sua santidade. Durante suas orações intensas tinha êxtases profundos, especialmente se estava na presença de grandes misérias e sofrimentos.

 No início de 1320, Margarida percebeu que seu exílio longe de Deus estava prestes a terminar: o sofrimento físico aumentou, a sua alma ansiava apenas por se libertar do corpo mortal.
     Ela faleceu no dia 13 de abril, no segundo domingo de Páscoa, com a idade de 33 anos. Os habitantes de Città di Castello correram em massa para a despedida final. Muitos milagres ocorreram em seu túmulo, que sempre foi cercado de grande reverência.
 A Ordem Dominicana deu os primeiros passos para a causa da beatificação de Margarida, mas por várias razões ela não prosperou.
 Em 09 de junho de 1558, o bispo autorizou a transferência dos seus despojos para um novo caixão. A exumação foi realizada na presença de numerosas testemunhas oficiais. Quando o ataúde foi aberto, todos ficaram repletos de reverência. A vestimenta estava coberta de poeira, mas o corpo de Margarida foi encontrado preservado, flácido e flexível. Ela tinha os braços cruzados sobre o corpo.



Mesmo com quase setecentos anos após sua morte, o corpo da 

Beata Margarida conserva-se maravilhosamente incorrupto
 e em bom estado de conservação. 



Ao abrirem uma das laterais do ataúde, o braço direito, ficando sem apoio, deslizou espontaneamente para fora e com facilidade foi recolocado sobre o corpo. Ao examinarem o corpo, os médicos se certificaram que não se havia usado nenhuma técnica artificial, nem havia nenhuma causa natural de conservação.
O corpo foi colocado em exposição pública e muitos milagres aconteceram, os quais, após conscienciosa análise, foram reconhecidos pela Igreja e aprovados para a beatificação.
A causa da beatificação foi retomada e em 19 de outubro de 1609, o Papa Paulo V concedeu aos dominicanos daquela cidade a Missa e o Ofício próprios da Beata. Em 06 de abril de 1675 o Papa Clemente X estendeu este privilégio à Ordem toda.  Em 1988, o bispo de Urbino proclamou a Beata Margarida de Città di Castello padroeira diocesana dos cegos.
A Beata Margarida é a padroeira 

dos deficientes visuais
O corpo de Margarida, deformado em vida, permanece perfeitamente intacto após sua morte, e agora se encontra sob o altar-mor da Igreja de São Domingos, em Città di Castello, Itália.
No coração da pequena cega foi encontrado um fenômeno de estigmatização: três pequenas bolas que carregam as imagens da Sagrada Família. Esta descoberta lembrou o grande amor de Margarida pelo Verbo Encarnado, por Nossa Senhora e por São José, dos quais ela sempre falava com enlevo, e as palavras que muitas vezes tinha pronunciado: "Ah, se vocês soubessem o tesouro que eu tenho em meu coração, vocês se maravilhariam!"
A Beata Margarida é patrona dos cegos e dos deficientes. Mas, ela também poderia ser declarada padroeira dos não nascidos, pois se ela tivesse sido concebida nos dias de hoje, provavelmente seria abortada, ou abandonada à morte, como tantas crianças encontradas em cestos de lixo e em locais os mais inóspitos.
Beata Margarida, rogai por nós, pedindo que a cegueira espiritual dos nossos dias cesse o quanto antes!


Fonte principal: domenicanecaterina.org














Beato João Soreth, Presbítero, Geral da Ordem Carmelita, fundador da Ordem das Monjas Carmelitas, da Ordem Terceira do Carmo e das Confrarias do Santo Escapulário.

Desde o início do século XIII até meados do século XV (isto é, por cerca de 250 anos) a Ordem do Carmo compunha-se apenas dos frades. Era uma Ordem estritamente masculina e os leigos não "bebiam" da fonte espiritual da mesma. 
No século XV, com o advento do Beato John (João) Soreth, que foi o Padre Geral da Ordem, o Espírito Santo de Deus inspirou-o a que abrisse às mulheres a oportunidade de pertencerem à Ordem, bem como aos leigos e leigas, com a fundação da Ordem das Carmelitas (monjas) e da Ordem Terceira do Carmo, bem como das Confrarias do Escapulário do Carmo. 
Portanto, nós, da Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares, apesar de não termos sido fundados diretamente por ele, o fomos indiretamente, visto que graças a esse Beato é que foi possível aos leigos e leigas estarem plenamente inseridos na família do Carmelo, bebendo da mesma "fonte de Elias", sob o manto protetor da "Virgem do Lugar", Nossa Senhora do Monte Carmelo. 

Abaixo trazemos o texto da bula papal "Cum Nulla" que funda o Ramo Feminino e a Ordem Terceira. 

“Nicolau, Bispo, Servo de Deus, em perpétua memória. Visto que nenhum grupo de fiéis, sob qualquer forma de religião, pode organizar-se, sem autorização do Sumo Pontífice, e para que os grupos de religiosas, virgens, viúvas, beguinas, manteladas ou outras formas particulares que vivem sob o título e proteção da Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, ou que no futuro assim queiram viver, não pareçam bem sem a aprovação da autoridade apostólica. 
Nós, pelas presentes letras, decretamos que para a recepção, modo de viver, admissão e proteção das supracitadas, a Ordem, o Mestre Geral da mesma e os Priores Provinciais gozem e usem dos mesmos e idênticos privilégios concedidos à Ordem dos Pregadores e à Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, de modo que as sobreditas virgens, viúvas, beatas e manteladas, vivam em continência e honestamente, guardem o jejum e façam todas as demais coisas, como soem fazer, de acordo com seu regulamento e estatutos. 
Que ninguém, por isto, ouse infringir ou contradizer esta nossa constituição. Se, contudo, alguém cogitasse contrariá-la, saiba que incorreria na ira de Deus onipotente e de seus santos apóstolos Pedro e Paulo.
Dado em Roma, em São Pedro no ano de 1452 da Encarnação de Nosso Senhor, no dia 07 de outubro, sexto ano de nosso Pontificado”.
O texto original da Bula “Cum Nuila” se encontra no Arquivo Público de Florença sob o número 400, lis. 14v-146r, Reg. Vaticano. Está endereçada: "Ao Revmo Geral da Ordem de Santa Maria dos Carmelitas, Roma”.



Beato João Soreth, carmelita, que,
 como Geral da Ordem, fundou tanto
o ramo feminino (monjas carmelitas)
como o dos leigos (os terciários). 
 João Soreth, nasceu em Caen, na Normandia, França, em 1394; ingressou no Convento Carmelita de Caen, estudou Teologia na Universidade de Paris e recebeu o Ministério Sacerdotal em 1417. Em 1440 foi eleito Superior Provincial da França e, em 1451 foi eleito Superior Geral da Ordem do Carmo.
Religioso muito culto e dotado de muitas virtudes, como Reformador do Carmelo reconduziu a Ordem do Carmo a seu antigo esplendor conquistando seus religiosos a uma observância mais rigorosa da Regra de Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém.
O Papa Nicolau V (1447-1455), concedeu à Ordem do Carmo a Bula intitulada “Cum Nulla Fidelium” que permitiu ao Beato João Soreth fundar a Ordem Carmelita das Monjas de Clausura, a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e as Confrarias do Escapulário do Carmo. A data da outorga dessa Bula “Cum Nulla” foi no dia 07 de outubro de 1452.
Pintura representando o Beato João
Soreth entrando na glória do Céu.
O Beato João Soreth incorporou as Monjas de Clausura na Regra de Santo Alberto. Para a Ordem Terceira do Carmo Soreth elaborou, em 1455, uma Regra própria, baseada em elementos da Regra de Santo Alberto, adaptados ao movimento laical dos Terceiros Carmelitas. Essa primeira Regra dos Terceiros continha apenas 15 artigos. Essa Regra dos Terceiros, através dos séculos, passou por muitas reformas entre as quais se destacou a Regra de 1948 que vigorou até 1977.




João Soreth faleceu a 25 de julho de 1471; com fama de santidade, governou a Ordem do Carmo durante 20 anos e foi beatificado pelo Papa hoje Beato, Pio IX em 1866. A sua iconografia o representa segurando na mão direita uma âmbula de hóstias consagradas, alusão a um fato histórico de sua vida: as tropas de Carlos, o temerário duque de Borgonha e conde de Flandres, invadiram uma igreja em Liege - Bélgica, o povo enraivecido, profanou o sacrário, as hóstias consagradas foram espalhadas pelo piso da igreja em chamas, e o Beato João Soreth, com o risco da própria vida, juntou as hóstias, colocou-as na âmbula e levou-a à sua igreja conventual. E representado ainda calcando com o pé direito algumas setas, alusão ao suposto martírio; pela tradição, ele teria morrido em conseqüência de um envenenamento.

Na mão esquerda Soreth segura um bastão símbolo de seu cargo de Superior Geral e na mesma mão, ele segura um cartaz, referência à Bula “Cum Nulla” e ao lado do pé esquerdo, no chão, há um chapéu cardinalício e sua mitra episcopal, alusão ao fato: o Papa Calixto III ter-lhe-ia oferecido uma rica diocese, que ele, muito humildemente, rejeitou.

domingo, 9 de novembro de 2014

Beata Margarida de Lorena, Duquesa, Viúva e Religiosa Clarissa


Beata Margarida de Lorena, duquesa de Orleans
     Margarida da Lorena, Duquesa de Alençon, nascida em 1463, filha de Ferri de Vaudimont e de Iolanda d’Anjou, foi educada na corte do seu piedoso avô, rei Renato d’Anjou.
     Os seus principais textos de estudo, a Legenda Áurea e as Vidas dos Santos, produziram nela tal impacto, que aos 10 anos de idade já sonhava em ser eremita, como demostra um episódio curioso: durante um passeio coletivo, Margarida e mais algumas companheiras separaram-se do grupo. Julgando-se que se teriam perdido na mata, organizou-se uma operação de busca. Quando à tardinha a encontraram, confessou que se tinha escondido de propósito para experimentar como seria a vida eremítica.
     Entretanto, morreu-lhe o avô, o que a fez regressar à Lorena, onde a cunhada assumiu o encargo de continuar a sua educação na mesma linha de piedade. No ano seguinte casou-se com o Duque de Alençon. Mas a vida do casal não foi fácil, pois os desastres da guerra dos cem anos fizeram-se sentir no pequeno ducado. A situação da esposa tornou-se ainda pior quando lhe morreu o marido, deixando-a viúva aos 32 anos de idade, com três filhos de tenra idade para criar.
    A partir de então, como mulher forte, dedicou-se à educação dos órfãos, cuja tutela os parentes pretendiam assumir. Opondo-se a essa pretensão, Margarida esmerou-se na educação dos filhos, conseguindo que eles se tornassem jovens admiráveis que conseguiram ótimos casamentos.
     Margarida governou com sabedoria o Ducado de Alençon. Durante os 20 anos de regência do Ducado de Alençon arruinado pela Guerra dos Cem Anos, Margarida revelou que a gestão dos assuntos temporais não é incompatível com o ideal do Evangelho: ela sanou as finanças do Ducado, reformou os costumes, humanizou a vida social prestando assistência aos "pobres envergonhados" (aqueles que não se atreviam a pedir), refez a unidade da diocese de Séez dividida entre dois bispos, reformou as abadias de Almenèches e St. Martin de Séez e fundou mosteiros de Clarissas em Alençon, Mortagne, Château-Gontier, Mayenne e Argentan.
     Ela também restaurou e embelezou muitos monumentos civis e religiosos, incluindo igrejas de Mortagne, Argentan e Alençon. Assim, em 1505 concluiu a construção da Igreja de São Leonardo de Alençon.
     Finalmente, quando seu filho mais velho, Carlos, atingiu a maioridade, ela transferiu para ele o poder; Carlos se casaria com Margarida de Navarra, irmã do rei Francisco I.
A beata já com trajes de viúva,
mais sóbrios. 
     Viúva abastada, ela se consagrou plenamente a servir os doentes e os pobres, que ela chamava de "seus senhores". Visão sagrada da pobreza que tem suas raízes no Evangelho e na tradição franciscana. Livre do cuidado dos filhos e do ducado, dividiu seus bens em três partes: uma destinada aos pobres, outra a Igreja e a terceira ao seu próprio sustento; depois se retirou no Castelo de Essai, que se transformou num verdadeiro mosteiro, e permaneceu em estreito contado com as Clarissas de Alençon.
     O bispo da diocese chegou mesmo a recomendar à duquesa que moderasse as suas práticas ascéticas bastante exageradas, como passar noites inteiras em claro em oração, usar cilícios, fazer grandes temporadas de jejum, e flagelar-se com violência para “saborear um pouquinho da Paixão de Jesus”, como ela mesma costumava dizer.
     Antes de se tornar Clarissa em Argentan, Margarida enriqueceu igrejas e mosteiros com bordados de mérito incalculável, feitos por ela com todo o carinho: o famoso “ponto de Alençon”, uma arte das mais sutis, e que lhe dão direito a ser considerada legítima ascendente das nossas modernas rendeiras.
     O apadrinhamento histórico desta famosa renda cabe à Beata Margarida. Esta antepassada de Henrique IV, nora do “Gentil Duque”, que foi o companheiro de armas de Santa Joana d'Arc, não se limitou a administrar o ducado com tal sensatez e condescendência que lhe deram o nome de “mãe de toda a caridade”: ela praticou e incentivou esta arte que perdura até nossos dias, e da qual também foi uma engenhosa empreendedora a mãe de Santa Teresinha do Menino Jesus, a Beata Zélia Guerin.
A Beata Margarida como monja Clarissa. Foi
modelo de oração, de humildade e penitência. 
     Por fim, Margarida ingressou no mosteiro das Clarissas de Argentan para partilhar a vida duríssima das filhas de Santa Clara. Foi, porém, uma experiência de pouca duração, pois ao fim de dois anos adoeceu gravemente, e preparou-se para a morte, que ocorreu no dia 2 de novembro de 1521, tendo ela 58 anos de idade. Só então se descobriu que ela trazia ao peito uma cruz de ferro com três pontas aguçadas que se lhe cravavam na carne.
     A memória de Margarida da Lorena foi preservada no Martirológio Franciscano e no Martirológio Gálico. Após um convite feito pelo Bispo de Séez, Jacques Camus de Pontcarri, Luís XIII rogou ao Papa Urbano VIII que ordenasse um processo canônico sobre as virtudes e os milagres da piedosa Duquesa d’Alençon. Seu culto entretanto somente foi aprovado por Bento XV no dia 20 de março de 1921.

     Ela é comemorada no dia 3 de novembro. A Igreja reconhece nela um "modelo para os que governam os povos".

(fonte: blog "Heroínas da Cristandade)