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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sexta-feira, 8 de julho de 2016

SANTA MARIANA DE JESUS PAREDES Y FLORES, Virgem (A "Açucena de Quito).


Prodígio de penitência e mortificação, essa Santa foi dotada do dom dos milagres e da profecia, chegando a ressuscitar duas pessoas. Vítima expiatória, faleceu aos 26 anos, oferecendo sua vida para que Deus livrasse a cidade de Quito da peste e dos terremotos que a abalavam.


Foi na ilustre Quito, então pertencente ao Vice-Reino do Peru, que nasceu Marianita a 31 de outubro de 1618. Oitava filha do Capitão Dom Jerônimo de Paredes y Flores, originário de Toledo, e Dona Mariana de Granobles de Xamarillo, descendente dos primeiros conquistadores do país, que aliavam a nobreza do sangue à das virtudes.

O modo excelente pelo qual praticou as virtudes durante sua vida deve ser altamente admirado, embora não seja de molde a ser imitado pelo comum dos fiéis.

Aos quatro anos perdeu o pai. A mãe, acabrunhada de dor, resolveu passar algum tempo numa casa de campo. Montada numa mula, levava sua filhinha ao colo. Quando foram transpor celeremente um riacho, a mula tropeçou e a criança caiu. Mas seu anjo da guarda a amparou no ar até que fosse recolhida pela aflita mãe.

Pouco tempo depois a menina ficava duplamente órfã, pois faleceu sua virtuosa mãe. Mas, antes, esta a havia confiado à filha mais velha, casada então com o Capitão Cosme de Casso.  Esse jovem casal já tinha três filhas mais ou menos da idade de Mariana, e deu-lhes a mais esmerada formação. De uma inteligência muito viva e alerta, Marianita aprendia com facilidade tudo quanto lhe ensinavam, mas sobressaiu-se sobretudo na música e canto. Dotada de bonita voz, entretanto só queria utilizá-la para entoar cânticos religiosos e louvores de Deus.


De uma piedade precoce, com suas sobrinhas da mesma idade organizava procissões, a Via-Sacra, e rezavam juntas o Rosário. Entretanto, a piedade de Mariana ia mais além. Desde os seis anos, por penitência, deixou de comer carne, peixe e laticínios. Disciplinava-se (castigava-se) com folhas de urtiga, e uma vez sua irmã mais velha descobriu que ela usava um cilício de ásperas folhas.

Um dia em que as quatro crianças brincavam em determinado local do quintal, subitamente Mariana fez com que suas jovens sobrinhas saíssem rapidamente. Apenas tinham-no feito, uma parede desmoronou exatamente onde elas se encontravam.

A irmã e o cunhado, vendo que ela tinha uma piedade muito acima de sua idade, procuraram conseguir com que ela fizesse a Primeira Comunhão aos sete anos, quando o costume era então aos 12. Um jesuíta chamado para examiná-la surpreendeu-se com a maturidade da menina e seu adiantamento na via da virtude. Deu-lhe a Primeira Comunhão e passou a dirigi-la espiritualmente. Foi então que ela acrescentou o nome “de Jesus”, para mostrar que só a Ele pertencia. E, iluminada por uma luz interior, fez o voto de castidade perpétua.

Inflamada pelo amor de Deus, Marianita queria que todos participassem de seu ardor. Nasceu-lhe assim o desejo de evangelizar os índios Mainas, e convenceu suas sobrinhas a segui-la nessa empresa. Tinha já conseguido a chave da casa para saírem à noite, mas, contra seu costume, adormeceu até a manhã seguinte, e o plano gorou.

Pensou então em serem eremitas junto a um oratório abandonado no monte Pichincha, erigido outrora a Nossa Senhora para que Ela preservasse a cidade das erupções desse vulcão. Mas, estando já a caminho, foram detidas por um touro que lhes impediu obstinadamente a passagem.

No próprio lar: reclusão e vida religiosa
Quando Mariana completou 12 anos, seu cunhado e a irmã, vendo o trabalho que a graça operava na menina, quiseram encaminhá-la a um convento onde pudesse desenvolver todos os pendores de sua alma. Ela escolheu o das franciscanas. Por duas vezes, estando o enxoval pronto e, como era costume na época, os parentes convidados para acompanhá-la, circunstâncias imprevistas impediram a realização do plano. Mariana então comunicou a seu confessor que Deus lhe revelara que a queria vivendo recolhida, mas no mundo. O confessor falou com seus responsáveis, que concordaram com isso.

Mais ainda – e isso mostra um aspecto daquela época de fé –, o casal separou três cômodos da casa para a adolescente levar sua vida de reclusa. Isso na idade de 12 anos! E mobiliaram os aposentos de acordo com a posição da família. Mariana, contudo, fez tirar os móveis e mobiliou os aposentos a seu modo: um leito forrado com pranchas de madeira de forma triangular, uma cruz coberta de espinhos, um caixão de defunto com um esqueleto de madeira e uma caveira. Uma das salas foi transformada em capela, colocando ela no altar as imagens do Menino Jesus e da Virgem Maria. Mariana adotou então uma túnica negra do mesmo tecido da batina dos jesuítas, com uma faixa à cintura e a cabeça coberta com um véu de lã também preta.

Depois de se trancar nos novos aposentos, renovou o voto de castidade e fez os votos particulares de obediência e pobreza. Não saía senão para ir à igreja e – a fim de praticar a humildade e mortificação – servir as refeições para a família. Só que não tocava nos delicados pratos servidos, mas dava sua parte aos pobres, contentando-se com água e um pedaço de pão. Algumas vezes passava dias só com a Sagrada Eucaristia.

Mariana não dormia mais que três horas por noite, sendo que às sextas-feiras dormia no caixão.

Levantava-se às 4 horas da manhã, tomava longa disciplina, e depois fazia meditação e recitava parte do Ofício Divino. Dirigia-se então à igreja para confessar-se e assistir à Missa. Muito devota das almas do Purgatório, dedicava-se diariamente, das 8 às 9 da manhã, a ganhar indulgências a favor delas. Recitava depois o terço, fazendo em seguida algum trabalho manual em favor dos pobres. Servia então a refeição da família, e, voltando a seus aposentos, recitava Vésperas e fazia seu exame de consciência. Trabalhava de novo até às 17 horas, quando fazia sua leitura espiritual e depois rezava as Completas. Das 18 horas a 1 da manhã ocupava-se de coisas diversas, em geral fazia outra meditação e leitura da vida dos santos.

Seu amor aos pobres era sem limites. Como não possuía nada pessoal, pediu licença ao cunhado para dar-lhes esmolas com víveres da casa. E o fazia generosamente. Mas como Deus não se deixa vencer em generosidade, à medida que Mariana dava aos pobres, Ele aumentava as provisões da família.

É claro que essa vida tão penitente e o jejum quase contínuo de Mariana deixaram-na muito fraca e macilenta. Isso atraiu o elogio do povinho, que via nela uma santa. Ela suplicou então a Nosso Senhor que lhe mudasse a aparência, para evitar tais comentários. E realmente ficou com aspecto saudável, rosto corado, o que não levava a supor a severidade de suas penitências. Estas, entretanto, não lhe tiravam a alegria, que ela demonstrava tocando sua guitarra e cantando para consolar e distrair os infelizes.

Além das penitências procuradas, Mariana queria sofrer ainda mais por amor de Deus. Recebeu então como dádiva diversas moléstias dolorosas, o que a obrigava a ser sangrada muitas vezes. Uma empregada pegava esse sangue e jogava num buraco no jardim, onde ele permanecia rubro como se estivesse fresco. Depois da morte da santa, nele brotou um lírio de admirável beleza. Mariana, por causa da alta febre, era frequentemente devorada pela sede; mas, para imitar o Divino Mestre, que teve sede na Cruz, passava às vezes até 15 dias sem beber.

 Fachada da bela igreja da Companhia, em estilo jesuítico (gravura do século XIX).

Perseguição diabólica, profecias, milagres e ressurreições.

A esses sofrimentos acrescentem-se as perseguições do demônio, que queria levá-la algumas vezes ao desânimo, outras ao desespero.

Mariana de Jesus fez diversas profecias, que se realizaram tais como ela havia predito. Por exemplo, que a casa de seu cunhado seria transformada em convento, e que o lugar de seu alojamento seria o coro das religiosas. Com efeito, mais tarde as carmelitas descalças ali se estabeleceram.

A Serva de Deus recebeu o dom dos milagres, entre os quais se referem duas ressurreições. Sua sobrinha Joana, viajando, confiou-lhe sua filhinha. Um dia em que a criança brincava perto de umas mulas, uma destas lhe deu um coice na cabeça, fraturando-a mortalmente. Mariana fez com que a levassem à sua cela e rezou sobre ela, restituindo-lhe a vida.

Outro caso aconteceu com a mulher de um índio, empregado da família. Supondo ele injustamente que sua mulher lhe era infiel, arrastou-a para a floresta, surrou-a selvagemente, estrangulou-a e jogou o corpo num precipício. Tudo isto Mariana viu milagrosamente. Chamou um comerciante amigo da família e pediu-lhe em segredo que fosse buscar o corpo e o trouxesse sigilosamente para sua cela. Tendo-o junto a si, começou a esfregar-lhe pétalas de rosa. Imediatamente a índia voltou à vida. Depois revelou que, no meio de seu suplício, viu Mariana dizendo-lhe que tivesse coragem.

Oferecendo-se como vítima, salvou Quito do terremoto e da peste.

Em 1645, uma terrível epidemia abateu-se sobre Quito, fazendo inúmeras vítimas, ao mesmo tempo em que ocorriam terríveis tremores de terra. No dia 25 de março, assistindo à Missa, Mariana ouviu seu confessor referir-se, durante o sermão, à necessidade de se aplacar a cólera de Deus com sacrifícios e penitências. Movida pelo Divino Espírito Santo, fez ela oferecimento de sua vida pela população da cidade.

No dia seguinte, foi atacada por diversas doenças, ao mesmo tempo em que cessavam os tremores de terra e a peste. Mas a população ficou consternada ao tomar conhecimento do estado de saúde desesperador em que se encontrava aquela que veneravam como santa. Todos queriam vê-la, tocá-la, informar-se de seu estado. Mas só o Bispo foi admitido.

Mariana recebeu os últimos Sacramentos com verdadeira alegria, e quis receber a Comunhão de joelhos, apesar da fraqueza em que se encontrava. Para morrer sem nada de seu, pediu para ser transportada ao quarto de sua sobrinha, a fim de morrer em cama emprestada.

No dia 26 de maio de 1645, aos 26 anos, aquela que era chamada em vida a Açucena de Quito entregou sua alma a Deus. Logo uma multidão acorreu para venerar seu sagrado corpo e obter alguma relíquia.

Mariana de Jesus Paredes y Flores foi beatificada por Pio IX em 1850 e canonizada, 100 anos depois, por Pio XII. A República do Equador proclamou-a Heroína Nacional.

(Plinio Maria Solimeo, no site "Catolicismo")

Obras Consultadas:
Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo VI, pp. 229 e ss.
John J. Delaney, Dictionary of Saints, Doubleday, New York, 1980, p. 445.
Pe. José Leite, S. J., Santos de Cada Dia, Editorial A. O., Braga, 1987, pp. 147 e ss.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Beata Maria Teresa de São José (Ana Maria Tauscher), Virgem e Fundadora (das Irmãs Carmelitas do Divino Coração de Jesus).



Ana Maria Tauscher, que se tornaria Madre Maria Teresa de São José, nasceu em Sandow, uma pequena cidade cerca de 100 km sudeste de Berlim (atualmente Polônia). O pai de Ana Maria, Herman Traugott Tauscher, um pastor protestante de alto cargo, exercia a profissão que era a mesma de seus antepassados desde a época de Martinho Lutero.

No entanto, desde a idade de 15 anos, Ana Maria aspirava a uma verdade ainda mais profunda que aquela que lhe tinha sido transmitida através da sua educação luterana. Aos 22 anos, ela começou a ler quotidianamente a Sagrada Escritura e a Imitação de Cristo. Um dia, frente a alguns colegas de seu pai, ela defendeu mesmo a doutrina da infalibilidade pontifícia. Ela também acreditava na virgindade de Maria, sem nunca ter estado em contato com católicos, nem ter lido obras católicas.

Aos 22 anos, Ana Maria teve a intuição de que Deus a chamaria para seu serviço quando tivesse 30 anos. Porém, não sabia nem onde, nem como isso ia acontecer. Ela tudo entregava nas mãos da Divina Providência.

Em fevereiro de 1886, estando ela em Berlim na casa de amigos, Ana Maria leu num jornal de Colônia um anúncio propondo um trabalho de enfermeira chefe num hospital psiquiátrico. Seria este o sacrifício, o tal serviço que ela esteve esperando durante oito anos? No dia 6 de Março de 1886, Ana Maria deixou Berlim para começar a trabalhar na clínica de Lindenburg. 

Ela não tinha nenhuma experiência de enfermeira, mas sua entrega e seu amor quase maternal logo transformaram o asilo num autêntico Lar. À exceção do diretor, todas as pessoas da clínica de Lindenburg eram católicas. Um dos sacerdotes que vinha visitar os doentes ofereceu-lhe um catecismo da Igreja Católica. Nele, ela encontrou o que até então ela chamava de “sua religião pessoal”. E assim começou rapidamente a preparar, em segredo, a sua conversão.

Foto da Ana Maria Tauscher, antes de
se tornar religiosa.
O diretor acabou por descobrir as intenções de Ana Maria. Mandou-a de volta para casa, mas voltou a chamá-la algumas semanas mais tarde. Aí, quando Ana Maria se preparava para subir no trem com destino a Colônia, seu pai a exortou de não se converter ao catolicismo. Ela lhe prometeu unicamente “Que tal não aconteceria hoje ou amanhã”.  Quando Ana Maria fez a sua profissão de fé na Igreja Católica, em 30 de Outubro de 1888, deixou para trás todo o seu passado.

Desaprovada pelo seu pai, despedida de Lindenburg, Ana Maria colocou toda a sua confiança em Deus. Apesar de se ter proposto para vários empregos, ela não conseguia outro trabalho, porque seu diretor tinha feito uma carta de recomendação pouco favorável. A partir de então, ela se viu sem trabalho e sem casa. Graças à ajuda de amigos católicos, Ana Maria foi recebida num convento, onde também se cuidava de pessoas de idade.

Todas as tardes e todas as noites, Ana Maria vinha junto ao Senhor, frente ao altar do Santíssimo Sacramento, fortalecendo assim os laços que a uniam ao seu Divino Esposo. Continuava, no entanto, a sua séria procura de trabalho.

“Senhor, segundo a Vossa vontade, mandai-me a trabalhar para a salvação das almas aonde quiserdes. Escutai o ardente desejo da minha alma de poder demonstrar o meu amor e a minha gratidão. (...) meu Deus, se for possível, não me mandeis para Berlim, seja, porém, feita a Vossa vontade e não a minha.” (A.p.71)

Era deste modo que Ana Maria rezava todos os dias. Desejava entrar numa ordem religiosa, mas tinha constantemente aquilo a que chamava “tentações do orgulho” de fundar a sua própria Congregação. Ela não podia partilhar com ninguém esta sua ideia. Esperava que entrando numa comunidade, esta provação desaparecesse. Os seus confessores sabiam que Deus a chamava para o seu serviço, mas aconselharam-na de não entrar numa ordem já existente. Passados 10 meses, ela recebeu então uma carta da Condessa de Savigny, uma católica fervorosa que vivia em Berlim, e que lhe propunha trabalho de dama de companhia. Apesar da sua tristeza à ideia de deixar Colônia, Ana Maria aceitou.

Acompanhando a Condessa de Savigny nas suas viagens, Ana Maria começou a ler A Vida de Santa Teresa de Jesus, uma santa que tinha reformado o Carmelo no século XVI. A humildade de Teresa, o seu amor por Deus, o seu desejo ardente de salvar almas e o seu heroísmo correspondiam perfeitamente a Ana Maria. Desde então ela queria uma só coisa: entrar no Carmelo. Mas, uma vez mais o seu confessor a dissuadiu, e ela continuou a resistir à “sua tentação”. Quando o seu confessor partiu para as missões, Ana Maria procurou o conselho de outro padre. As palavras dele foram libertadoras: “Pare de resistir à graça!”(A.p.98).


Ana Maria começou desde logo a trabalhar naquilo para que se sentia chamada. Em Berlim, ela tinha presenciado o grande desespero das crianças sem casa. Colocou-se em contato com o Delegado Episcopal de Berlim, e, obteve autorização para abrir um Lar para crianças. Com 500 marcos, que a Condessa lhe tinha dado em sinal de agradecimento, Ana Maria abriu o primeiro Lar São José, a 02 de Agosto de 1891. Começou por instalar três crianças, uma educadora e uma empregada doméstica, em alguns quartos de um prédio antigo, situado em “Pappelallee.” As crianças a chamavam “Mãe” e muito rapidamente passou a ser conhecida como “Mãe da Pappelallee”. Mas ainda faltava algo: a presença eucarística. Ana Maria não se cansava de rezar: “Senhor, se virdes, eu venho também.” (A.p.111),  e estava firmemente decidida a só se instalar no Lar São José, quando o Santíssimo Sacramento aí estivesse presente.

A Eucaristia se tinha tornado o centro da vida e do trabalho de Madre Maria Teresa de São José. Na capela de Colônia, passou horas e horas rezando silenciosamente a Jesus, “o Amado da sua alma”. Frente ao Sacrário, na sua união pessoal com Cristo, Madre Teresa de São José encontrava alegria, paz, e o mais profundo amor que um coração humano pode experimentar.

“Deus inflamou o meu coração com tanta veemência de amor, que todo o sofrimento que a graça de Deus mais tarde me mandou ou permitiu que caísse sobre mim, não me parecia mais que uma gota de água que cai em cima de um ferro incandescente”. (A.p.65)

Com Jesus e por seu amor, ela estava pronta para tudo suportar, mas a sua ausência era para ela uma verdadeira tortura.

“Coração de Jesus, ninguém pode compreender como anseio por Vós. Ninguém é capaz de contar as lágrimas de desejo que chorei por Vós. Senhor, se virdes, eu venho também!” (A.p.)

Era esta a sua oração constante. Era a fonte que alimentava todas as suas atividades apostólicas.

O Amor nunca é estéril. A sua força criativa expande-se. Madre Maria Teresa desejava reunir outras pessoas à volta da Fonte de Amor que ela tinha encontrado. Só assim, bebendo constantemente desta fonte, é que ela própria e as outras jovens que se tinham juntado a ela, poderiam  se tornar instrumentos de Deus.

A 8 de Dezembro de 1891, Cristo veio morar na “Pappelallee”. Para Ana Maria foi “o dia mais feliz da sua vida”.

“As nossas almas ganham vida nova na grande fonte de amor que é o SS. Sacramento e todos os dias se reacendem no fogo do Divino Amor que nunca descansa, mas que espalha ao redor de si as suas centelhas que são as obras de caridade em que Ele se consume.” (A.p.402).

Em 1897, mais de quarenta jovens se tinham já associado à obra de Madre Teresa servindo nos Lares São José. Para além dos dois Lares de crianças em Berlim, havia ainda mais dois em Boêmia e um outro em Oldenburg. Em Berlim, ela abriu também um centro para os padres que trabalhavam ou estudavam nesta cidade. No entanto, Madre Maria Teresa não fundava os Lares São José para serem somente instituições sociais. Em 1891, contemplando a beleza de um pôr-do-sol, ela compreendeu a razão de ser das suas fundações: “A consagração das Servas do Divino Coração de Jesus a: I – expiação dos pecados, II – Santificação pessoal, III – Salvação das almas” (A.p.99). Ela tinha conhecido o Carmelo através de santa Teresa de Jesus, e tinha encontrado no zelo e nas orações dos santos do Carmelo, que tinham oferecido suas vidas como vítimas de Amor pela salvação das almas e glória da Igreja, uma fonte de inspiração para a sua própria vocação. A sua Congregação deveria seguir a espiritualidade carmelita. Santa Teresa tinha aberto o caminho.
A partir de Novembro de 1896, Madre Maria Teresa e a sua comunidade cuidam das crianças e fazem missão nos domicílios, observando ao mesmo tempo a regra Primitiva da Ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo.
Tal como a sua mãe espiritual, Santa Teresa de Jesus , a maior  alegria da Madre Maria Teresa era a de ser filha da Igreja . A sua humildade era imensa ao se aperceber que Deus a tinha chamado a si, “uma filha do deserto”, para fundar uma comunidade religiosa, e para guiar outras mulheres já nascidas no seio da Igreja. Como uma verdadeira filha da Igreja, sempre se mostrou fiel e obedeceu aos bispos e aos ensinamentos da Igreja. A “voz do Bispo” representava para ela a “voz de Deus”, mesmo quando se tratava de encerrar um convento ou um Lar.
Madre Maria Teresa viu a Igreja ser perseguida e devendo fazer face a inúmeros entraves. Em profunda união com o Sagrado Coração de Jesus, os sofrimentos e a glória do Corpo Místico de Cristo – a Igreja – tornam-se seus próprios sofrimentos e sua glória.
Em 1897, Madre Maria Teresa esperava obter do Cardeal Kopp, Bispo de Breslau (de que Berlim dependia nessa altura), o reconhecimento da sua fundação como Congregação religiosa. Apesar de financiar o trabalho das Irmãs, o prelado continuou inflexível e recusou a aprovação canônica da Congregação. Seguindo os conselhos de um padre, Madre Maria Teresa decidiu ir procurar ajuda a Roma. Lá, encontrou o Padre Geral da Ordem do Carmelo, e expôs-lhe o seu desejo de reunir numa mesma espiritualidade os dois aspectos do espírito do Carmelo – oração contemplativa e zelo apostólico - para responder às necessidades da época. Esta iniciativa entusiasmou de tal maneira o Superior Geral que ele abençoou o seu escapulário e a ajudou a obter uma carta de recomendação do Cardeal Parocchi, protetor da Ordem do Carmelo.
Contudo, devido a situação tensa que se vivia na Igreja da Alemanha, o Cardeal Kopp continuou a recusar considerar como religiosas as irmãs que trabalhavam nos Lares São José. Madre Maria Teresa começou a procura de um bispo que aceitasse receber as suas noviças e criar uma Casa Mãe em sua diocese. Durante seis anos, viajou desde a Baviera até à Holanda, passando pela Inglaterra e pela Itália. Por duas vezes obteve autorização de fundar uma Casa Mãe, mas circunstâncias adversas a obrigaram a deixar essas dioceses, fechando os noviciados antes mesmo que as irmãs pudessem pronunciar os seus votos.
Finalmente, em 1904, em Rocca di Papa, Itália, surge a Casa Mãe. Aí se manteve durante 18 anos, tendo sido transferida para Sittard depois da primeira Guerra Mundial.
Em Berlim, um grande número de padres e outros católicos criticaram severamente Madre Maria Teresa no seu desejo de criar uma nova Congregação religiosa. As jovens, que tinham intenção de entrar para a comunidade, ou ajudá-la eram constantemente dissuadidas. A calúnia e a difamação dos opositores pareciam vir de todo o lado, onde quer que Madre Maria Teresa se instalasse. Mas nunca ela retorquiu dizendo mal deles. Durante todos esses anos, teve que enfrentar a solidão, o afastamento da sua família, a doença e a pobreza.
O sofrimento tinha-se tornado para Madre Maria Teresa uma fonte de alegria profunda, pois era um meio que ela utilizava para unir sua alma a Deus, e para, com o Salvador, participar na redenção do mundo.
Ao fundar as Carmelitas do Divino Coração de Jesus, Madre Maria Teresa entregou-se inteiramente a Deus como vítima do seu amor. Passou a sua vida servindo os pobres e rezando, trabalhando e sofrendo pela salvação das almas e pela liberdade da Igreja. Em 1930, o trabalho e o sacrifício de Madre Maria Teresa foram coroados pela aprovação de sua Congregação pelo Papa Pio XI.
Madre Maria Teresa percorreu a Europa e os Estados Unidos para fundar os Lares para as crianças, e mais tarde os Lares para os idosos. Os últimos anos de sua vida, passou-os em Sittard (Países Baixos), dirigindo a Congregação a partir da Casa Mãe, aí estabelecida desde 1922.
Apesar de muito enfraquecida fisicamente e quase cega, passava largas horas em oração, de joelhos, frente ao Santíssimo Sacramente, e continuou sempre meiga e atenciosa para com as suas Irmãs.

Antes de morrer, a 29 de Setembro de 1938, deixou às suas Irmãs, como sendo sua última vontade e testamento, uma linda declaração:

“Tudo o que Deus faz é bem feito. Seja sempre louvado e exaltado o Senhor” (A.P.445).
Na noite em que morreu, madre Maria Teresa pediu que lhe trouxessem a relíquia, o crucifixo que a tinha acompanhado durante todas as suas viagens. Desde esse momento e até seu último suspiro não mais a largou. Então, de repente, ritmando as sílabas com o dedo, foi dizendo o que seria suas últimas palavras à Comunidade: “Tudo o que Deus faz é bem feito. Seja sempre louvado e exaltado o Senhor!” (A.p.445).

Foi como um último raio de sol de um fim de tarde, esta sua exortação final antes de deixar a terra. Durante toda a noite, só teve uma oração: “Tenho de voltar à casa do pai! Deixem-me ir para a casa!” (A.p.445).


ORAÇÃO
 Deus, nosso pai, a Bem-aventurada Maria Teresa de São José, dedicou sua vida pela expansão do Vosso Reino.
Nós Vos agradecemos, porque sempre de novo existem pessoas, que querem seguir Vosso Filho de maneira incondicional tanto quanto possível, ainda que com isso suas vidas se tornem uma Via Sacra. Madre Maria Teresa foi instrumento em Vossa mão. Ela queria dar proteção às crianças que não tinham Lar, aos solitários queria dar calor e amor, a todos os sofredores consolo e ajuda.
Antes de sua morte ela expressou o desejo: “Do alto dos céus poder ainda enxugar lágrimas, curar as feridas das almas”. Por sua intercessão nós Vos pedimos, Pai todo-poderoso e amoroso, que nos ajudeis em nossa necessidade..... Aceitai nossa oração e dai-nos a grande graça, de nos deixarmos guiar por Vós, durante toda a nossa vida. Isso Vos pedimos por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

  As graças recebidas por intercessão da Beata Madre Maria Teresa de São José devem ser comunicadas na casa provincial do Brasil:

Casa Nossa Senhora do Carmo - Rua Gaspar Gomes da Costa, nº 683
B. Cidade Nova Jacareí, Jacareí - SP - CEP: 12 300 – 970 – Cx postal 11
Tel: (12) 3956-1080

E-mails: carmelojacarei@uol.com.br -  vocarmo@ig.com.br