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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Beato Rolando Rivi, seminarista e mártir (o mártir da batina)



Rolando Rivi, da morte pela batina à glória dos altares: "estou estudando para ser padre e a batina é o sinal que eu sou de Jesus", dizia o jovem em resposta àqueles que lhe recomendavam o abandono da veste talar.


A Igreja concedeu ao seminarista Rolando Rivi - morto aos 14 anos pelos partiggiani, grupo comunista italiano - a glória dos altares. A cerimônia de beatificação, celebrada dia 05 de outubro de 2013, na cidade de Modena, Itália, foi presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, atual prefeito da Congregação para causa dos santos.



Rolando Rivi (à esquerda da foto) e sua
família. 
Rolando Rivi teve de enfrentar o ódio da ideologia marxista logo após o término da II Guerra Mundial. Devido à ocupação alemã do seminário em que estudava, em 1944, na Diocese de Reggio Emilia, Rivi e os demais seminaristas foram obrigados a abandoná-lo. Em casa, não só deu continuidade aos estudos, como também ao uso da batina, mesmo sendo recomendado pelos pais a não usá-la, por causa da hostilidade à religião que pairava naquela época. "Estou estudando para ser padre e a batina é o sinal que eu sou de Jesus", dizia o jovem.

A Itália enfrentava uma forte onda de terrorismo. O governo fascista amedrontava o país ao mesmo tempo em que brigadas vermelhas tinham a intenção de substituir o autoritarismo de Mussolini pelo totalitarismo de Stalin. No fogo cruzado, várias vidas foram ceifadas, dentre elas a de Rolando Rivi e mais 130 padres e seminaristas.


O martírio do rapaz deu-se a 10 de abril de 1945. Trajando a veste talar, Rolando foi alvo fácil da facção partiggiani, grupo comunista que combatia tanto os nazistas quanto os fascistas e que, também, odiavam a Fé Católica. Acabou sequestrado assim que saiu da igreja, onde acabara de assistir à Santa Missa. Permanecendo três dias sob o domínio dos torturadores, de cujas mãos recebeu maus-tratos físicos e morais, todo ferido, Revi alcançou a coroa do martírio, de joelhos, com dois tiros à queima roupa.





A propósito da beatificação, o bispo de San Marino e presidente da Comissão de Rolando Rivi, órgão responsável pelos cuidados da canonização do seminarista, declarou que "nesta causa está em jogo não só o reconhecimento da santidade de vida e do martírio de Rolando, mas muito do destino da Igreja, não só na Itália". Para Dom Luigi Negri, o testemunho do mártir beato dá à Igreja "novo sangue". "Se no corpo da Igreja circular também o sangue de Rolando Rivi, mártir simples e puríssimo assassinado por ódio à Fé com apenas 14 anos pela violência da ideologia marxista, se circular o sangue do seu testemunho de vida e do seu amor total a Jesus, nós daremos à Igreja nova energia para voltar a ser uma Igreja fiel a Cristo e apaixonada pelo homem".

A Santa Sé incluiu o Beato Rolando Rivi no Calendário Litúrgico Italiano no dia 29 de maio. A partir de agora, o jovem beato pode ser venerado publicamente em toda a Itália, especialmente na Arquidiocese de Modena, onde foi assassinado, e na Diocese de Reggio Emilia, na qual estudou o seminário. Nos demais países, a não ser que haja autorização de Roma, os fiéis podem venerá-lo somente em culto privado, enquanto ele não for declarado santo. É o primeiro seminarista proclamado beato por martírio na História da Igreja italiana.

Nestes tempos de laicização do clero, em que tanto se prega a desobediência e a intolerância às coisas santas, o martírio de Rolando Rivi lembra as belíssimas palavras de Dom Francisco de Aquino Correa (Arcebispo de Cuiabá entre os anos de 1922 e 1956): "Oh! Como o bravo envolto na bandeira, contigo hei de morrer, minha batina! Ó minha heroica e santa companheira".

Tivesse vivido mais algumas décadas, Rivi veria outros revolucionários, desta vez infiltrados dentro da própria Santa Igreja, promover o ódio e o abandono do hábito talar. Que seu sangue e seu santo e corajoso exemplo sejam semente de santas e numerosas vocações.





terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Novos Mártires. Cristãos perseguidos no século XXI: números estarrecedores (vem com imagens fortes).




No dia seguinte à Festa de Santo Estêvão, primeiro mártir do Cristianismo e na véspera da Festa dos Santos Inocentes, protomártires de Cristo, trago essa importante e preocupante matéria publicada no site "Aletéia" sobre a perseguição atroz que os cristãos sofrem em nosso século. Cristãos perseguidos no século XXI: os números são estarrecedores! "Sangue de mártires, semente de novos cristãos", já dizia Tertuliano. No entanto, supliquemos aos Céus que essa carnificina, mesmo sendo semente de santidade para a Igreja, cesse em breve.



O ser humano teima em não aprender com a própria historia. Como se já não fossem absurdas todas as guerras que houve entre religiões e todas chacinas racistas que procuraram dizimar outros povos, hoje nos vemos, em contraste com níveis altíssimos de desenvolvimento da civilização, no meio de mais uma explosão de cruéis perseguições religiosas.

É necessário que a sociedade seja bem informada e que nós, cristãos, não ignoremos a dimensão deste horror. Mas não para “jogar lenha na fogueira”, provocando reações que piorem o nível de violência, e sim para responder como cristãos, com fortaleza, dignidade e exigência de soluções de paz. Todos os cristãos atualmente perseguidos e martirizados devem ser, para nós, um profundo incentivo contra a nossa comodidade e mediocridade.

É possível que o maior número absoluto de vítimas da intolerância religiosa no mundo atual esteja entre os muçulmanos perseguidos por outros muçulmanos, na sangrenta rixa entre xiitas e sunitas. Além disso, as minorias muçulmanas na Rússia e na China sofrem acosso dos respectivos governos, o que também acontece com os bahai por parte do xiismo iraniano, com os tibetanos por parte do comunismo chinês e com os judeus nas sociedades em que persiste o antissemitismo.


A lista de religiões perseguidas é longa e leva a uma conclusão clara: a intolerância religiosa ainda condiciona o comportamento de importantes setores governamentais e sociais de todo o planeta.

O que o Ocidente finge não ver é o quanto o cristianismo também sofre essa intolerância. Javier Rupérez, membro da Real Academia de Ciências Morais e Políticas da Espanha, levantou uma série de dados assustadores sobre a perseguição religiosa mundial contra os cristãos.

Do total de 7 bilhões da habitantes do planeta, quase um terço é cristão: 2,18 bilhões de pessoas, que, mais do que qualquer outra comunidade religiosa, constituem um grupo sistematicamente perseguido e urgentemente necessitado de ajuda. Grande parte da África subsaariana, toda a costa mediterrânea do continente africano, o Oriente Médio, o Golfo Pérsico e todo o continente asiático, incluindo as costas russa e chinesa do Pacífico, são cenários em que o cristianismo sofre acosso habitual.

A International Society for Human Rights, uma ONG de Frankfurt, na Alemanha, estima que 80% da discriminação religiosa que acontece atualmente no mundo é voltada contra os cristãos.




De acordo com o Center for the Study of Global Christianity, do Gordon Conwell Theological Seminary, uma instituição evangélica de South Hamilton, no Estado norte-americano de Massachusetts, mais de 100.000 cristãos foram assassinados por ano entre 2000 e 2011, ou seja, 11 cristãos por hora durante esse período.

Segundo a Open Doors, uma organização norte-americana protestante que monitora as perseguições contra os cristãos no mundo, 75% da população mundial estaria vivendo hoje em países com sérias restrições ao exercício da liberdade religiosa. Cem milhões de cristãos, cerca de 5% desse total, sofreriam perseguição em mais de sessenta países. Estes dados coincidem com os publicados na detalhada pesquisa feita em 2011 pelo Pew Research Center sobre restrições globais à religião.


O martírio de cristãos coptas. Um caso que repercutiu nas mídias sociais. 


A Open Doors também lista 50 países que, em 2012, atentaram especificamente contra os cidadãos pertencentes a confissões cristãs. A organização os separa em quatro categorias:

1.    Perseguição extrema: Coreia do Norte, Arábia Saudita, Afeganistão, Iraque, Somália, Maldivas, Mali, Irã, Iêmen, Eritreia, Síria

2.    Perseguição severa: Sudão, Nigéria, Paquistão, Etiópia, Uzbequistão, Líbia, Laos, Turcomenistão, Catar, Vietnã, Omã, Mauritânia.

3.    Perseguição moderada: Uganda, Cazaquistão, Quirguistão, Níger, Tanzânia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Brunei, Butão, Argélia, Tunísia, Índia, Myanmar, Kuwait, Jordânia, Bahrein, Territórios Palestinos, China, Azerbaijão, Marrocos, Quênia, Comores, Malásia.

4.    Perseguição escassa: Djibuti, Tadjiquistão, Indonésia, Colômbia.



Diariamente, no Ramadã, cristãos são crucificados e brutalmente assassinados pelo ISIS. 

A Open Doors recomenda que as confissões religiosas denunciem as perseguições conjuntamente, diante de organismos nacionais e internacionais, pedindo com contundência a imediata solidariedade de todas as demais confissões cristãs para fortalecer a mensagem comum. Essa renovação ecumênica seria uma denúncia profética perante os que praticam a perseguição, os que a alimentam, os que a permitem e os que fecham os olhos para ela.

Afinal, como refletiu o pastor protestante alemão Martin Niemoller:


“Primeiro vieram buscar os comunistas; eu não disse nada porque não era comunista. Depois vieram buscar os judeus e eu não disse nada porque não era judeu. Depois vieram buscar os sindicalistas e eu não disse nada porque não era sindicalista. Depois vieram buscar os católicos e eu não disse nada porque não era católico. Depois vieram me buscar, mas já não restava ninguém que dissesse nada”.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Beato João de Vercelli, presbítero dominicano



João de Vercelli (em italiano: Giovanni da Vercelli), nascido na diocese de Vercelli no início do século XIII, foi um religioso italiano e Mestre-geral da Ordem dos Pregadores.


História
Foi enviado ainda bastante novo a estudar na Universidade de Paris, onde se formou, e se tornou Mestre lecionando Direito Romano e Direito Canônico.



Por influência de Jordão de Saxônia, futuro mestre-geral da Ordem dos Pregadores, igualmente estudante em Paris, ingressou na nascente ordem, fazendo o seu noviciado na cidade de Bolonha. Mais tarde foi enviado à sua terra natal para ali fundar um convento do qual veio a ser prior. Como vigário do mestre-geral desempenhou diversas missões na Hungria, até que foi eleito prior do Convento de Bolonha e, mais tarde, prior provincial da Lombardia.

Eleito mestre-geral da ordem, desempenhou tais funções por mais de 20 anos, apesar dos seus pedidos para ser dispensado de tal cargo.

Como mestre-geral foi conselheiro de diversos Papas, tendo Inocêncio IV nomeando-o como comissário encarregue de reconciliar as cidades italianas desavindas, bem como inquisidor na República de Veneza. O papa Urbano IV nomeou-o procurador apostólico da Santa Cruzada e foi núncio do papa Gregório X para o estabelecimento da paz entre as repúblicas de Veneza, Gênova, Pisa, Florença e Bolonha. Os papas João XXI e Nicolau III enviaram-no como legado pontifício a Castela e a França em missões diplomáticas e Clemente IV tomou-o como seu conselheiro especial.

No convento de Bolonha mandou erguer um monumental memorial a São Domingos sob o seu túmulo, apesar do seu carácter por todos reconhecido de despojamento pessoal, simplicidade de vida e rigor no cumprimento da pobreza e regular observância. Grande defensor da doutrina de São Tomás de Aquino, tornou-o de leitura e estudo obrigatório em toda a Ordem.


Faleceu no convento dominicano de Monte Pessulano, a 2 de dezembro de 1283, sendo-lhe desde então prestado culto como um dos grandes bem-aventurados da Ordem, culto esse que foi confirmado pelo papa Pio X no século XIX.