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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 1 de abril de 2017

SÃO NUNO DE SANTA MARIA, Religioso Carmelita, o Santo Condestável, Herói Nacional Português.



Como dizia seu epitáfio, foi “o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos”.



São Nuno de Santa Maria, como dizia seu epitáfio, foi “o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos“. Dotado de grande gênio militar demonstrado em várias ocasiões em que se mostrou um digno defensor de Portugal, “suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge“, como bem descreveu o autor da inscrição gravada em seu túmulo, lamentavelmente destruído por ocasião do grande terremoto que abalou Lisboa em 1755.



Nascimento e infância

24 de junho (Natividade de São João Batista) de 1360 foi o dia de seu nascimento, mas a localidade permanece incerta. Era uma época de grande corrupção, em que imperavam os costumes dissolutos em várias camadas da sociedade.

Mesmo assim o jovem Nuno recebeu a melhor educação que na época se podia dar, e desde tenra idade manifestou capacidade de trabalho, grande inteligência e excelente raciocínio, sendo exemplarmente aplicado aos estudos, no que se distinguia entre seus irmãos pelo aproveitamento e saber. Detinha muita habilidade física demonstrada nos exercícios de força e destreza.

Recebeu ele sólida instrução religiosa, a qual não o revestiu apenas de conhecimentos, mas também da vida de piedade que lhe era o alimento espiritual para as atividades do dia-a-dia. Cultivou a virtude da castidade, associada a uma profunda devoção à Virgem Maria, Mãe de Deus.



Adolescência e casamento

Aos treze anos seu pai fez com que o jovem Nuno iniciasse nova vida, destinando-o a ser um cavaleiro: partiu então para a corte, tornando-se pajem de Dona Leonor, a Rainha.

Nuno amava a leitura, imergindo nos livros sobre a cavalaria, instituição medieval que ocupava importante lugar na sociedade da época. Os textos sobre o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda lhe causavam admiração. A leitura dos feitos militares o preparou para os encargos que lhe seriam confiados, e que ocupariam importante lugar na história da nação lusitana.

Três anos e meio passou Nuno na corte. A admiração por Galaaz (Galahad) – seu herói predileto na história do Rei Artur – o inclinou a preferir a virgindade celibatária ao matrimônio, tal como o lendário combatente, a fim de também praticar feitos heroicos, mas as intenções de seu pai o fizeram tomar um diferente rumo: uma permissão papal para que ele desposasse sua prima Leonor de Alvim, e também a concordância desta, precederam o comunicado ao jovem Nuno, então com dezesseis anos. Atônito com a informação que seu pai lhe transmitia somente ao fim de uma seguidilha de providências, Nuno pediu tempo para pensar, mas o genitor insistiu na ideia através de Iria, sua mãe, a qual teve como resposta a informação de que ele decidira permanecer solteiro. Não satisfeito, o pai de Nuno provocou nova investida através de um primo e um genro, ambos amigos íntimos de seu filho, sendo finalmente obtido o consentimento para as bodas, as quais foram realizadas sem festa por ser a noiva uma jovem viúva.

Com a esposa, Nuno passou a ter uma vida pacata, administrando suas propriedades. Participava diariamente de duas Missas (três, nos dias santificados), e nas viagens fazia-se acompanhar de um sacerdote para não faltar ao Santo Sacrifício. Após o primeiro ano de vida matrimonial nasceu a primeira filha do casal, Beatriz, e posteriormente outros dois filhos (que morreram com pequena idade).


O Condestavel_Sao Nuno Alvares Pereira.jpgNuno, o combatente

De estatura média e bem proporcionado, Nuno tinha pele clara e cabelos ruivos, com uma pequena barba pontiaguda. Suas sobrancelhas eram arqueadas, abaixo das quais brilhavam olhos pequenos, porém vivos e expressivos, e, compondo a face, nariz fino e pontiagudo e boca pequena. Sob um aspecto aparentemente franzino, Nuno exibia uma constituição forte e robusta, própria a suportar a vida guerreira, só superada pela grandeza de alma e fortaleza cristã que detinha.

As circunstâncias de então não permitiram que se estendesse por muito tempo a vida tranquila do feliz casal: inicia-se uma guerra entre dois reinos – Castela e Portugal – e Nuno tomou as armas a pedido do rei, iniciando assim um novo capítulo na história de sua vida. Chegado pouco antes à maioridade, Nuno ardia em desejos de servir à pátria, e assim passou a ostentar audácia e valor como guerreiro, sendo seus feitos admirados pela nobreza e pelo povo.

Em 1383 o rei português D. Fernando morrera sem deixar descendência masculina para herdar a coroa, e sua filha única – Da. Beatriz – fora casada naquele ano com o rei castelhano Juan. A insatisfação em Portugal para com a rainha Da. Leonor, que regia o país em nome da filha, era grande, querendo-se que o Mestre de Avis (filho natural do falecido rei D. Pedro I) ficasse à frente do reino, evitando-se assim que o país fosse anexado a Castela. A rainha regente preferia a anexação, por motivos familiares: sua filha Da. Beatriz havia se casado com o rei castelhano. Essa situação causou o chamado interregno, ou crise de 1383-1385, sendo um período de guerra civil e anarquia na história lusitana.

As habilidades guerreiras de Nuno foram por todos admiradas na Batalha dos Atoleiros (06 de abril de 1384, véspera da Quinta-Feira Santa), em que novas técnicas para defender as forças de infantaria frente a um número superior de inimigos mostraram-se eficazes: houve muitas baixas entre os castelhanos, bem mais numerosos, não havendo uma única morte entre os combatentes portugueses, motivo de especial reconhecimento pela proteção divina (o próprio comandante havia estimulado a todos os membros de suas tropas a que confiassem em Deus e em Nossa Senhora).
Porém, na Batalha de Aljubarrota (14 de agosto de 1385) é que foi selada a derrota definitiva dos castelhanos, imposta pelo rei português D. João (reconhecido como ocupante do trono pouco antes, em 06 de abril, primeiro aniversário da Batalha dos Atoleiros) e seu fiel Condestável, Nuno, tendo sido este último quem definiu inteligentemente o local onde o combate seria travado, pois pôde estudar a área com antecipação (chegaram a se utilizar de táticas defensivas utilizadas vários séculos antes, pelas legiões romanas).
Sendo véspera da Assunção da Virgem, o costume impunha que fosse feito jejum naquela data que antecedia a festividade mariana, e nesse estado o combate foi iniciado, e vencido (momentos antes de iniciada a batalha os soldados participaram da Santa Missa, podendo comungar todos os que o desejaram, tendo havido disponibilidade para confissões no dia anterior). Apesar das buscas feitas pelos portugueses aos castelhanos vencidos, a fim de exterminá-los, o Condestável Nuno deu ordem para que fosse suspensa a perseguição, dando trégua aos combatentes fugitivos para que se evadissem, salvando assim suas vidas. E assim D. João I foi consolidado como rei de Portugal, iniciando a dinastia de Avis: estava satisfeita a ambição de Nuno, que o queria como rei, mas nem por isso depôs as armas, pois de outras batalhas teria ainda de participar (muitas partes do território português ainda se encontravam em poder do rei de Castela, sendo ansiada a sua recuperação).

Em certa ocasião, três batalhões retomavam cidades que haviam caído sob ocupação inimiga. No local chamado São Félix os habitantes recusaram render-se ao comandante Vasques da Cunha, dizendo que só se renderiam ao batalhão de Nuno. Vasques irritou-se profundamente, estando a ponto de invadir a localidade, mas seus companheiros fizeram-lhe ver que assim seria vertido sangue desnecessariamente, obrigando o comandante a conter sua raiva. E depois os habitantes renderam-se pacificamente às tropas de Nuno.



Condestável de Portugal

O rei D. Fernando havia criado o cargo de Condestável do Reino, confiado em 1382 ao Conde de Arraiolos. Nuno foi o segundo a receber tal título (que lhe foi conferido em 1384, detendo-o até à sua morte em 1431), que caracterizava quem o detinha como a segunda pessoa na hierarquia militar portuguesa, depois do monarca. A ele estava atrelada a responsabilidade de comandar campanhas militares na ausência do rei, e a manutenção da disciplina no exército.



A virtude angélica

Nuno levava muito a sério a questão da moralidade entre seus criados e vassalos, estimulando-os no sentido de levarem uma vida correta. Procurava regularizar e auxiliar os matrimônios, banindo de suas terras os relapsos e recalcitrantes.

Com o aumento de seu poderio e popularidade, Nuno passou a ter sua autoridade respeitada pelos seus homens, e decidiu acabar com o costume da companhia feminina no exército, o que quase causou uma sublevação dos comandados, mas a inflexibilidade do Condestável venceu. Os soldados foram convencidos de que tinham obrigação de cumprir seus deveres para com a religião. Mais tarde, Nuno admitiu que aquela ordem lhe fora de dificílima execução, e que nunca receara tanto uma batalha como aquele momento em que a dera.

Além de promover a castidade, Nuno vigiava de perto os seus soldados, não lhes permitindo jogos de azar e outros vícios.



Ofensa ao patriotismo lusitano

Morta a esposa do rei Juan de Castela, a princesa Da. Beatriz (que contava dez anos) fora dada em casamento ao monarca viúvo por seu pai, o rei português D. Fernando, de quem a morte já se aproximava. Era uma tentativa de evitar problemas políticos que poderiam surgir com os castelhanos por causa da rainha Da. Leonor, sua esposa (detestada por numerosos membros da sociedade) estipulando-se que desse matrimônio sairia o herdeiro do trono português.

Aos esponsais compareceram importantes membros da aristocracia lusitana, além da rainha Da. Leonor (o rei, enfermo, não pôde se fazer presente). Nuno e seu irmão Fernão estavam nessas bodas, e após cumprirem os deveres de cortesia para com os numerosos convidados depararam-se com uma situação inusitada: os lugares que lhes estavam reservados em uma mesa haviam sido ocupados por outras pessoas, que ali se banqueteavam, desrespeitando as obrigações sociais, políticas e diplomáticas. Nuno então se dirigiu ao irmão, dizendo: “Nós não temos prol nem honra de aqui estar. Vamo-nos, pois, para a nossa pousada. Mas antes disso eu quero fazer com que estes, que tão pouco nos prezaram e nos escarneceram, fiquem eles escarnecidos”. Não por amor próprio ofendido, e sim por patriotismo ofendido, Nuno levantou a tábua da mesa com as mãos, e com a perna derrubou-lhe a sustentação, fazendo com que fosse ao solo tudo o que sobre ela estava. E em seguida abandonou serenamente o recinto, onde estavam o rei Juan de Castela, a rainha Da. Leonor de Portugal, e numerosos convidados boquiabertos. Tendo pedido informações sobre aquele senhor, o rei Juan inteirou-se de quem era Nuno: vaticinou então que quem assim procedia em semelhante ocasião seria capaz de proezas ainda maiores.



Profunda religiosidade e respeito para com as coisas sagradas

A religiosidade sempre esteve presente na vida de Nuno. Ao elaborar sua bandeira – estandarte militar – tomou ele o cuidado de nela inserir componentes religiosos, o que lhe permitia (e a seus comandados) ajoelhar-se diante dela para implorar a ajuda da corte celeste em cada empreitada. Era uma bandeira branca, dividida em quadrantes pela cruz de São Jorge, apresentando uma cena da crucifixão (com a Virgem e São João aos pés de Cristo agonizante), uma cena de Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços, e os guerreiros São Jorge e São Tiago ajoelhados um frente ao outro (e a cruz branca sobre fundo vermelho, emblema dos Pereiras, atrás de cada um destes últimos).

Vencida a batalha dos Atoleiros, Nuno dirigiu-se no dia seguinte (Quinta-Feira Santa de 1384) à capela de Nossa Senhora da Assunção, nas proximidades, a fim de render graças pela vitória obtida, mas entristeceu-se profundamente até às lágrimas ao perceber que o templo havia sido profanado pelos inimigos, que em passagem por ali a utilizaram como cocheira para seus animais. Ele próprio pôs mãos à obra, iniciando a limpeza a fim de devolver a capela ao culto.

Mesmo em tempos de guerra, Nuno assistia (“ouvia”, como se dizia na época) diariamente a Santa Missa, duas vezes se possível, e até mesmo três em dias especiais, e para isso sempre se fazia acompanhar de ao menos um sacerdote nas viagens e deslocamentos. Tinha momentos definidos para as orações, e, quando não os podia respeitar face aos deveres militares, resgatava-os depois, usando os momentos que deveria destinar ao repouso. Desde a infância habituara-se a rezar as matinas, chegando a receber o apelido de “Nuno Madruga”. Diariamente fazia a confissão sacramental, com confissão geral quatro vezes cada ano (vigílias do Natal, Páscoa, Pentecostes e Assunção da Virgem); nessas festividades recebia a comunhão, o que era considerado exagero em uma época em que a recepção desse sacramento ocorria raramente. A quem manifestava objeção, respondia Nuno que a força nos combates por ele manifestada tinha origem na Eucaristia.

Certa vez, um dos soldados de Nuno cometeu um sacrílego roubo em uma igreja, ao se apoderar da mais sagrada das alfaias litúrgicas: um cálice. Julgado pelo gravíssimo crime, o ladrão foi condenado à fogueira, mas o Condestável escutou as súplicas de seus companheiros, comutando a pena quando o fogo já começava a arder: expulsão do exército, com proibição de combater sob sua bandeira, o que para alguns soava como algo pior que a morte.

Quando o Santíssimo Sacramento era exposto, não era fácil a Nuno ausentar-se, e chegava mesmo a deixar de lado as refeições. Vultosas doações para aquisição de paramentos e objetos litúrgicos eram por ele feitas, inclusive cera e azeite para velas e lamparinas destinadas ao culto. Custeou Nuno a construção de numerosas igrejas (inclusive a que foi dedicada a Santa Maria da Vitória, em Batalha), e também o Carmelo de Lisboa, onde findou seus dias.

Em todos os combates, portava Nuno um relicário com um fragmento do Santo Lenho. Tinha também relicários nos quais havia relíquias de numerosos santos a quem tinha especial devoção: Santo Tomás de Aquino, São Cosme, São Damião, São Silvestre Papa, Santo Ambrósio, São Gregório Magno, Santo Agostinho, São Bento, São Bernardo, São Domingos, São Francisco, alguns apóstolos e evangelistas, e vários mártires dos primeiros tempos da Igreja, entre outros. Também mantinha em relicários fragmentos de lugares e objetos veneráveis: Santo Sepulcro, Presépio, Casa de Loreto, e também o Agnus Dei (cera do círio pascal bento pelo Papa).

 



Viuvez e entrada no mosteiro da Ordem do Carmo

Nuno e Leonor tiveram uma vida matrimonial exemplar, apesar dos afastamentos do Condestável para o serviço da pátria. Em 1387 Nuno mais uma vez deslocou-se em viagem para atender um chamado do monarca, como procurador dos fidalgos do reino.
Tendo-lhe chegado a notícia de que sua esposa adoecera gravemente, viajou para o Porto, cidade onde ela se achava, mas não a tempo de encontrá-la com vida. Ficara ele viúvo com apenas 27 anos, tendo como familiares próximos sua filha e sua mãe, tendo esta última chegado à idade longeva (morreu com quase cem anos). Do casamento de sua filha Beatriz com o Duque de Bragança originou-se a Casa de Bragança, que reinaria em Portugal a partir de 1640.
Alcançada a paz no reino, o Condestável, tendo distribuído seus bens (detinha uma das maiores fortunas da Península Ibérica) e perdoado todas as dívidas, ficou apenas com a roupa que vestia, e aos 62 anos ingressou na ordem carmelitana, onde a vida contemplativa era a sua única ambição.
Sua chegada ao convento teve a participação de toda a comunidade ali residente, da qual recebeu as boas vindas, Condestável de Portugal dirigindo-se o novo irmão à igreja onde – prostrado diante do altar e com olhos lacrimejantes – agradeceu a Deus por ali, finalmente, estar. Desfazendo-se até mesmo do nome de família, passou a chamar-se Nuno de Santa Maria.
 Na cela de seu uso, cujo mobiliário era composto por um leito formado por duas tábuas, havia apenas dois cobertores grosseiros (um para cobrir as tábuas, e outro para cobrir o religioso), um Crucifixo, e os instrumentos pessoais de penitência. Durante sua vida conventual quase partiu para outra empreitada militar, mas o inimigo desistira quando soube que o Condestável o enfrentaria.
Ao tornar-se religioso carmelita, Frei Nuno redobrou as suas penitências corporais, fazendo uso dos instrumentos que para isso eram habituais (cilícios e disciplinas). Fazia jejum três vezes por semana durante todo o ano (diariamente por ocasião do Advento), jejuando também a pão e água aos sábados para honrar a Mãe de Deus. Percebendo o enfraquecimento corporal, seus superiores lhe determinaram sob obediência a mitigação dos jejuns, ordem cumprida no seu limite mas não a ponto de lhe lisonjear o paladar.


Morre o Santo Condestável

Aproximando-se o momento de partir para a eternidade, Nuno pediu os últimos sacramentos, tendo feito uma confissão geral que abrangeu toda a sua vida. Recebida uma vela (que portou na mão esquerda) e um Crucifixo (na mão direita), pediu que lhe fosse lida a Paixão, segundo o evangelho de São João: às palavras “eis o teu filho“, sua alma partiu deste mundo. Contava 71 anos e 11 meses, sendo seu corpo exposto na igreja do mosteiro, onde foi visitado pela quase totalidade dos habitantes de Lisboa que ali compareciam para dar adeus a seu valoroso compatriota. Beatificado em 1918 por Bento XV, o Condestável foi canonizado por Bento XVI em 26 de abril de 2009.

Fontes:
– Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, (http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/2009/ns_lit_doc_20090426_nuno_po.html)
– Vida e Obra de Dom Nuno Álvares Pereira, o santo condestável (G. Leslie Baker, Via Occidentalis Editora, 2009)
– A Vida de Nun’álvares (J. P. Oliveira Martins, Parceria A. M. Pereira Livraria Editora, 1928)


 Fonte: site da Revista Arautos do Evangelho, http://www.arautos.org/secoes/artigos/especiais/sao-nuno-de-santa-maria-nun-alvares-pereira-o-condestavel-143489






ORAÇÃO A SÃO NUNO DE SANTA MARIA

Pai Santo, em Jesus Cristo, mostrastes a São Nuno de Santa Maria o valor supremo do vosso Reino. 
Para conquistá-lo, ele exercitou-se com as armas da fé, do amor a Cristo e à Igreja, da Palavra de Deus, da Eucaristia, da oração, da confiança em Maria, da caridade, do jejum, da castidade, da fortaleza, do serviço, da retidão de espírito e da justiça. Para vos servir de modo mais total como único Senhor, e a Maria Santíssima, Senhora do Carmo, a quem se consagrou na vida religiosa carmelita, de tudo se despojou. 
Concedei-nos, por sua intercessão, a graça... (nomeá-la), para que sem obstáculos da alma e do corpo possamos nós também viver sempre ao vosso serviço e, combatendo o bom combate da fé, mereçamos tomar parte no Banquete do Reino dos Céus. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Servo de Deus José Ottone, Adolescente.



Servo de Deus José Ottone
(*) Por mais incrível que possa ser, o processo de beatificação e canonização de uma criança ou de um adolescente não é nada fácil. A curta vida, a praticamente ausência de escritos, a comprovação da veracidade de testemunhos idôneos, torna muito difícil o processo de uma criança ou de um adolescente. 
Não basta que seja provado que era um menino "bonzinho" ou uma menina "boazinha". É necessário provar que viveu as virtudes teologais: fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais: fortaleza, justiça, prudência e temperança em grau heroico. É necessário que testemunhos sentimentalistas de parentes próximos sejam praticamente dispensados e sejam ouvidas outras testemunhas que não se deixem levar pelo fervor das emoções, mas, que analisem de forma pragmática a vida do (a) candidato (a). 
Graças a Deus que, apesar das dificuldades, tem surgido alguns nomes de santos meninos e de santas meninas que, certamente, já adornam o Trono da Trindade com suas belíssimas almas e que, pouco a pouco, adornam e adornarão os altares de nossas igrejas com suas imagens, à semelhança de um São Domingos Sávio, de uma Santa Maria Goretti ou dos Beatos (futuros santos) Jacinta e Francisco Marto. 




Abandonado na infância
Nasceu em 18 de março de 1928, em Castelpagano, na província de Benevento, de pais desconhecidos.  Uma jovem parteira, que o encontrou abandonado, resolveu registrá-lo à estância competente, no dia 23 do mesmo mês, com o nome de Giuseppe (José). No dia anterior, havia sido batizado na Igreja do Santíssimo Salvador, em Castelpagano. Foi internado no Hospital Municipal de Benevento, com os poucos objetos que tinham sido encontrados sobre ele.
Mais tarde, soube-se que José era o fruto do caso extraconjugal de uma mulher Castelpagano, cujo marido havia emigrado para a Argentina. A mulher, da qual omitiu-se o nome, queria fazer um aborto, mas, um amigo da família a convenceu a continuar a gravidez; O mesmo amigo encontrou uma madrinha de batismo para o recém-nascido.

José não permaneceu por muito tempo no Hospital de Benevento, porque em 22 de novembro daquele ano de 1928, foi confiado a dois cônjuges: Domenico Otto e Maria Capria, também de Benevento. Eles não tinham filhos e queriam muito criar uma criança com todo amor, de acordo com os princípios cristãos.

O casal decidiu mudar-se para Nápolis. José foi criado com muito carinho por seus pais adotivos. A mãe, especialmente religiosa, educou-se de forma primorosa nos caminhos de Deus.
Após algum tempo, a família mudou-se de forma permanente para a localidade de “Torre Annunziata”, uma terra próxima ao mar, localizada próxima às encostas do Vesúvio. 


Uma criança boa em casa, na igreja e na escola
Peppino, como foi logo apelidado, cresceu um menino sincero, educado, doce, meigo e cheio de virtudes. Desde o primeiro dia, foi muito feliz para a escola, sem mostrar nenhum desagrado. Nunca foi indisciplinado e era harmonioso com todos: professores e colegas.
Antes de entrar na sala de aula, diariamente, sem a necessidade de que alguém lhe pedisse ou mandasse, fazia sempre uma breve visita a Jesus Sacramentado, no tabernáculo da capela do colégio.
De 1934 a 1939, frequentou a escola primária e, em seguida, foi admitido no Instituto Técnico Comercial “Ernesto Cesáro”. Na escola, sempre foi o primeiro da classe, pois era aplicadíssimo nos estudos.
Seus pais adotivos tinham vida modesta. O pai era um simples garçom. Infelizmente, porém, devido à bebida, muitas vezes tinha um comportamento colérico, irritável, sendo por vezes agressivo à esposa. José, então, tentou muitas vezes ajudar a mãe a suportar seus gestos violentos. Secretamente, sem que o pai o soubesse, levava esmolas frequentes aos pobres, usando para isso suas parcas poupanças e, por vezes, dando seus próprios lanches.


Religiosidade de Peppino
Com grande fervor, no dia 26 de maio de 1935, na Igreja da Arquiconfraria do Santíssimo Rosário, recebeu sua Primeira Comunhão. Desde então, aproximou-se ainda mais da Eucaristia, recebendo-a com frequência e, movido por um profundo amor, por uma intensa paixão, levando uma vida santa.
Assiduamente, observou as práticas de piedade das Nove Primeiras Sextas-Feiras e dos 15 Sábados em honra de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. Cada primeira sexta feira do mês, comparecia à igreja às 5h e 30min, ignorando o frio, sempre sorrindo, entre alguns trabalhadores da fábrica “Fuse”, de cunho militar, que era naquela localidade uma grande oportunidade de trabalho para os homens. Muitas vezes, ele foi de bicicleta para Pompéia, para rezar diante da Virgem do Rosário, da qual era muito devoto, no Santuário fundado pelo Beato Bartolo Longo.


Hobbies e desejos
Embora fosse um menino sério, estudioso, religioso e obediente, foi especialmente um garoto que possuía os gostos e que praticava as habituais e sadias atividades de lazer de sua idade. Por exemplo: gostava de quadrinhos de histórias de aventura. Leu “centenas” delas, obviamente após cumprir os deveres com os estudos, trocando as revistas com outras crianças. Gostava de brincar ao ar livre.


A adoção final
Depois de onze anos de custódia, no dia 26 de junho de 1940, o juiz de tutela do Tribunal de Torre Annunziata, concedia oficialmente a filiação de José a sua família adotiva.
Em plena Guerra Mundial, com a mudança dos acontecimentos políticos, o que criou um clima de incertezas e de miséria, seu pai ganhou o apelido de “fascista”. Além disso, sobreveio à família uma grande tribulação: sua mãe, Maria Capria, teve que ser hospitalizada em Nápoles para se submeter a uma cirurgia muito delicada, especialmente para aqueles tempos. José estava muito chocado e angustiado, pelo carinho filial que verdadeiramente sentia por ela.


Oferta da vida
No dia 03 de fevereiro de 1941, no dia da cirurgia na clínica, enquanto vinha caminhando com um grupo de amigos, encontrou no chão uma imagem de Nossa Senhora de Pompéia. Ele devotamente a pegou e a beijou, exclamando: “minha Senhora, se minha mãe deve morrer, peço que me mate no lugar dela”.
Minutos mais tarde, tornou-se pálido e caiu inconsciente no chão. Amigos e um policial o socorreram. Ele foi transportado para o hospital mais próximo onde foi recebido às 15h e 30min, sendo colocado na sala de emergência em estado de inconsciência, com pulso e respiração muito rápidos.
A mãe, sentindo-se já bem melhor, sem ter sido submetida à cirurgia, veio às pressas ao hospital napolitano. Ela fez companhia a ele durante toda a noite, rezando o rosário, enquanto dispunha-se a aceitar a vontade de Deus para com ele, seu filho tão amado.
Peppino não recuperou mais a consciência. Faleceu às quatro da manhã do dia 04 de fevereiro de 1941, com quase 13 anos de idade. Seu sacrifício, oferecido pela mãe que tanto amou, foi aceito pelo Senhor: a mulher foi curada instantaneamente e continuou a viver com boa saúde até 1983, quando morreu aos 88 anos. O marido, no entanto, faleceu em 1975.


A fama de santidade e o processo de beatificação
A boa fama que José já gozava em vida junto aos colegas, aos pais, ao diretor espiritual e aos professores foi aumentando cada vez mais ao longo dos anos ao ponto de se transformar em fama de santidade. O processo diocesano para investigação da heroicidade de suas virtudes teve início em 06 de abril de 1962, vindo a ser concluído em 04 de março de 1975.
Seus restos mortais, originalmente enterrados no cemitério da cidade, foram transferidos em 25 de outubro de 1964 para uma capela lateral do Santuário da paróquia do Espírito Santo, comumente chamado de “Carmine”. No dia do translado, participaram do evento um grande número de autoridades civis e eclesiásticas, bem como muitos fiéis, tanto de Torre Annunciata quanto de Castelpagano.

Fonte: site santiebeati.it

(*) Comentário do autor do Blog Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus.