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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

SANTA MARIA BERTILLA BOSCARDIN, Virgem e Religiosa, intercessora contra pelos doentes de câncer - 20 de outubro.


Camponesa, empregada doméstica, enfermeira e religiosa, dedicou sua vida ao cuidado dos doentes. Vítima de um câncer, é também invocada como protetora contra o câncer.

“É humilde camponesa — disse dela Pio XII, por ocasião da beatificação, a 8 de junho de 1952. Figura puríssima de perfeição cristã, modelo de recolhimento e de oração. Nem êxtases, nem milagres durante a vida, mas uma união com Deus sempre mais profunda no silêncio, no trabalho, na oração, na obediência. Daquela união vinha a especial caridade que ela demonstrava para com os doentes, médicos, superiores, enfim, para com todos”.



Seu nome de batismo era Anna Francesca Boscardin. Nasceu na periferia de Brendola, Itália, no dia 6 de outubro de 1888. Filha de pobres camponeses, passou sua infância e adolescência trabalhando nas lavouras, ajudando seus pais. Este era o caminho para qualquer menina vêneta, antes que as indústrias chegassem. Além disso, trabalhava também como empregada doméstica para ajudar a família. Filha de família católica, desde pequena desenvolveu um grande amor por Nossa Senhora. Sempre que podia, dedicava-se à oração.
Instruída pela mãe, cuja doçura devia compensar a violência do marido, aliás, bom homem, Aninha gostava de rezar muito tempo de joelhos diante de um quadro de Nossa Senhora que se encontrava dependurado na cozinha. Isto desde a idade dos cinco anos. Ajudava a mãe nos cuidados da casa e o pai nos trabalhos do campo.
Sendo tão piedosa, conseguiu, coisa não fácil nessa altura:fazer a primeira comunhão com a idade de nove anos. Aos treze, fez voto de castidade. Muito tímida, com inteligência medíocre e fraca memória, era chamada na aldeia a ignorante e a pata, mas ela não se ofendia. E estava sempre cheia de boa vontade. Quando manifestou ao pároco o desejo secreto de entrar na vida religiosa, este respondeu-lhe: “Aninhas, tu não serves para nada. Qualquer religiosa não saberia o que fazer com uma aldeã ignorante como tu és". Ela afastou-se, muito desgostosa. Mas o padre surpreendeu o olhar entristecido da jovem, arrependeu-se da sua recusa e, no dia seguinte, de manhã, chamou-a.
Ao completar 16 anos, em 8 de abril de 1905, ingressou na Congregação das Mestras de Santa Dorothea, Filhas do Sagrado Coração, na capital de sua região, cidade chamada Vicenza. Trabalhou por um bom período como cozinheira do convento, ao mesmo tempo em que estudava enfermagem. Assim, viveu uma vida simples, dedicada à oração e ao trabalho.
Sã e robusta, foram-lhe entregues os trabalhos mais custosos, o forno e a lavandaria. Fez o segundo ano de noviciado no Hospital de Treviso. A Superiora-Geral destinava-a para o cargo de enfermeira. Mas a superiora do hospital, Irmã Margarida, pensou diferentemente: que esperar de bom dessa noviça tímida, com rosto pastoso e inexpressivo? Pô-la na cozinha como ajudante de uma freira idosa e enferma, encarregada de a vigiar e formar.
Em 8 de dezembro de 1907, foi a profissão solene da jovem religiosa, com a presença dos pais na casa-mãe de Vicenza. A superiora geral decidiu pela segunda vez que ela seria enfermeira e mandou-a de novo para o hospital de Treviso. “Tu de novo aqui! — exclamou ao vê-la a Irmã Margarida. Preciso de enfermeiras para a cirurgia e para as doenças contagiosas, e mandam-me gente desta!” E a boa religiosa voltou às suas panelas.
No dia seguinte, por falta de pessoal, foi preciso colocá-la na seção de crianças atacadas de difteria ou garrotilho. Como por encanto, a sua imperícia desapareceu. Durante o momento para o outro, manifestou-se enfermeira inteligente e hábil. Impunha respeito e inspirava confiança. Embora não tivesse em seu favor senão três anos de escola primária, preparou exames que superou com brilho.
Ali, descobriu sua vocação e realizou-se como pessoa, dedicando-se a cuidar dos doentes. Cuidou, especialmente, de crianças e de vítimas da Primeira Guerra Mundial, que afetou profundamente a Itália. Cuidando de seus amados doentes, nunca deixava de levar a mensagem de Jesus Cristo.
Conseguiu o diploma de enfermeira para se tornar mais útil aos doentes, que assistia também de noite, tomando a vez de suas coirmãs. “Quero ser a serva de todos — escreveu no seu diário — quero trabalhar, sofrer e deixar toda a satisfação aos outros”. E ainda: “Devo considerar-me a última de todas, portanto contente em ser passada para trás, indiferente a tudo, tanto às reprovações como aos elogios, melhor, preferir as primeiras; sempre condescendente às opiniões alheias; nunca desculpar-me, também se penso ter razão; nunca falar de mim mesma; os encargos mais baixos sejam sempre os meus, pois é isso que mereço”. As ocasiões de sofrimentos nunca lhe faltaram.
No hospital, logo ficou conhecida como um exemplo de amor cristão, conquistando a simpatia de todos. Sempre tinha uma palavra de conforto e esperança para aqueles que sofriam em seu leito de dor. Sua caridade, no trato com os doentes, levou muitos à conversão.
No ano de 1910, quando tinha apenas 22 anos, foi diagnosticada com um câncer. Submetida a uma cirurgia, passou um bom tempo se recuperando. A partir desse momento, viveu em sua própria pele os sofrimentos de uma enfermidade e compreendeu mais ainda os enfermos. Por isso, tão logo melhorou, voltou a cuidar de “seus” doentes, dedicando-se a eles com todo amor possível.
Por causa dos contínuos bombardeios, os doentes foram transportados para Brianza e irmã Bertilla os seguiu. Mas em Viggiù foi designada para a lavanderia, sofrendo e chorando às escondidas: “Estou contente — escreveu — porque faço a vontade de Deus”.
Assim, trabalhou em Treviso e no hospital de Viggiú. Sua caridade conseguia cada vez mais conversões. Amparava os desenganados e ajudava-os a morrer, proporcionando-lhes a assistência espiritual de um padre. Assim, muitos faleceram em paz, reconciliados com Deus, sob seus cuidados. O hospital era seu grande campo de missão.
Dedicando-se aos doentes, ela descobriu-se novamente doente. Metástases originárias do câncer anterior apareceram em seu corpo depois de algum tempo. Por causa disso, teve que suportar inúmeros sofrimentos, tornando-se cada vez mais fraca. Seu maior sofrimento, porém, foi quando não pôde mais cuidar dos doentes. 
Foi submetida a uma segunda cirurgia, mas não obteve sucesso. Assim, no dia 20 de outubro de 1922, Santa Maria Bertilla Boscardin entregou sua alma a Deus, tendo apenas 34 anos de idade, depois de converter, com a sua agonia resignada e serena, o médico-chefe do hospital.


Embora tenha falecido jovem, Santa Maria Bertilla Boscardin deixou um grande legado de caridade cristã e de dedicação aos enfermos. Aqueles que se converteram à fé graças à sua caridade, nunca se esqueceram dela. Por causa de sua fama de santidade, muitos foram – e ainda vão – rezar em seu túmulo e grandes graças aconteceram por sua intercessão. Por causa disso, ela foi beatificada pelo Papa Pio XII no dia 8 de junho de 1952 e canonizada por São João XXIII em 11 de maio de 1961. Sua festa passou a ser celebrada no dia 20 de outubro, dia de sua morte.
Ana Boscardin teve a sorte de ter uma mãe extraordinária. Ante a pobreza que sempre rondou o seu lar, ante a iracunda do marido, ante o mal-estar ambiente, ante as dificuldades de toda a vida, Maria Teresa Benetti cala-se, tem paciência, reza muito, e os filhos veem tudo isto. Veem e escutam dos seus lábios palavras sempre suaves, que lhes falam da fé, de Deus, do céu e da paciência.

           Oração a Santa Bertilla.

“Ó Pai, Vós que inspirastes Santa Bertilla a se dedicar aos doentes e, depois, para que ela fizesse da dor e do sofrimento, um motivo de louvor a Vós, dai-nos, paciência e sabedoria, para que também nós possamos fazer, de nossas dores, um instrumento de redenção. Por intercessão de Santa Bertilla, que enfrentou o câncer, pedimos a graça (...) Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo, amém! Santa Bertilla, rogai por nós.”


Existe no YouTube um filme muito bom sobre a vida dela: 
https://www.youtube.com/watch?v=D8mbXB97Ltc



segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Beata Liduina Meneguzzi, Religiosa Missionária das Irmãs de São Francisco de Sales (Salésias)


«A mensagem que a Beata Liduina Meneguzzi traz hoje à Igreja e ao mundo, é uma mensagem de esperança e de amor: uma esperança que resgata o homem do seu egoísmo e das formas aberrantes de violência; um amor que se torna convite à solidariedade, à partilha e ao serviço, conforme o exemplo de Jesus que veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de todos». (Decreto sobre a heroicidade das virtudes)

Resultado de imagem para santa liduína meneguzziElisa Ângela Meneguzzi, (a futura irmã Liduina), nasce aos 12 de Setembro de 1901, em Santa Maria de Ábano, na província de Pádua, Itália. A família é de lavradores muito modestos, mas ricos de fé e de honestidade, valores que a pequena assimila muito cedo.
Revela um vivo espírito de oração: participa todos os dias à santa Missa, não obstante tenha de percorrer a pé dois quilômetros; frequenta a Catequese e, mais tarde, ela também se torna Catequista. À noite, antes de dormir, reza com a família e se sente feliz de falar de Deus aos irmãos.
Aos catorze anos, a fim de ajudar economicamente os seus, inicia a trabalhar fora de casa, prestando serviço nas famílias abastadas e nos hotéis de Ábano, onde numerosos hóspedes procuram alívio nas águas termais.
De caráter manso, sempre disponível, faz-se amar e estimar em toda a parte. Desejosa de consagrar toda a vida ao Senhor, aos 5 de Março de 1926, entra na Congregação das Irmãs de São Francisco de Sales— ou SALÉSIAS—, cuja Casa Mãe encontra-se em Pádua. Aqui ela realiza o seu ideal de total oferta a Deus e continua a espalhar em volta de si os tesouros do seu grande coração.

Desempenha com amor os seus trabalhos quotidianos, como roupeira, enfermeira e sacristã, entre as meninas do colégio Santa Cruz que sempre encontram em irmã Liduina uma amiga boa, capaz de escuta, de ajuda nos seus problemas, por meio de bons conselhos. Em todas elas, deixa impressões indeléveis de ternura, de encorajante serenidade, de paciência a toda a prova.
Em 1937, irmã Liduina vê finalmente realizar-se o grande sonho, desde então cultivado no seu coração: partir para a terra de missão e levar a fé, o amor de Cristo a tantos irmãos que ainda não O conhecem.
Pelos Superiores, irmã Liduina é enviada como missionária à Etiópia, em Dire Dawa, cidade cosmopolita pela presença de povos de costumes, origens e língua diferentes. É aqui, em tal semelhante mosaico de raças e de religiões, que a humilde freira se dedica, com fervor, à sua tarefa missionária. Ela não tem uma profunda cultura teológica, mas sim uma grande riqueza interior, alimentada do contato profundo com Deus.
Trabalha como enfermeira, no hospital «Parini» que, durante a guerra, vem a tornar-se hospital militar, onde são, portanto, acolhidos os militares feridos, para os quais irmã Liduina é verdadeiramente «um Anjo de caridade». Com carinho e dedicação incansável, trata os males físicos, pois vê, em cada irmão que sofre, a imagem de Cristo.
Em breve tempo, o seu nome ressoa nos lábios de todos; por isso todos a procuram, A chamam e a invocam como uma bênção. Os indígenas a chamam «Irmã Gudda», ou seja, «grande». Durante o enfurecer dos bombardeamentos sobre a cidade e o hospital, de cada boca sai um único grito: «Socorro, irmã Liduina!». E Ela, sem preocupar-se do perigo, transporta os feridos para o refúgio e depressa acorre para ajudar os outros. Aproxima-se dos moribundos para lhes sugerir um ato de contrição e com a sua inseparável garrafinha de água, tenta batizar as crianças agonizantes.
O seu doar-se não se limita somente aos italianos, aos cristãos; mas com verdadeiro coração ecumênico, ela vai em socorro dos brancos e negros, dos católicos e coptas, dos muçulmanos e pagãos.
Irmã Liduina ama, sobretudo, conversar sobre a bondade de Deus Pai, do bonito Paraíso, preparado para todos nós, seus filhos. Os indígenas, na maioria muçulmanos, ficam seduzidos e experimentam uma simpatia nova para com a religião católica.
A nossa Freira é também chamada «chama ecumênica», porque, muito antes do Concílio Vaticano II, vive um dos aspectos mais recomendados do Ecumenismo. As almas de Deus costumam preceder os tempos; são como faróis luminosos que indicam a direção certa, embora a estrada não esteja ainda muito clara.
No entanto, porém, o mal incurável que ameaça há tempo a sua saúde, faz-se sentir mais forte. Ela acolhe serenamente e com paz, a sua nova situação. Sofre e vai-se gastando exercendo corajosamente, até ao fim, a sua preciosa obra de amor entre os irmãos doentes.
Aceita, enfim, submeter-se a uma delicada e difícil intervenção cirúrgica que no início parece bem sucedida, mas em seguida apresenta complicações e uma paralisia intestinal que deu cabo da sua existência. Era o dia 2 de Dezembro de 1941.


Irmã Liduina morre santamente, com 40 anos de idade, conscientemente abandonada à Vontade de Deus, oferecendo a sua jovem vida, para a paz do mundo inteiro. Um médico presente afirma: «Nunca me aconteceu de ver alguém morrer com tanta serenidade e beatitude».

Os militares que a choram como se fosse uma pessoa de família, desejam e obtém que seja sepultada na parte do cemitério a eles reservado. Passados vinte anos, no mês de Julho de 1961, os restos mortais de irmã Liduina, são transportados para Pádua, numa Capela da Casa Mãe, onde, devotos e amigos costumam visitá-la e invocar a sua intercessão junto de Deus.
Beatificada em 20 de outubro de 2002, Irmã Liduina Meneguzzi tornou-se um autêntico espelho de humildade e caridade cristãs, manifestando a misericórdia de Deus com os pobres, doentes e feridos.
“Famílias dos povos aclamai ao Senhor! Aclamai a glória e o poder do Senhor!" (Sl 96, 7). As palavras do Salmo responsorial exprimem muito bem a aspiração missionária, que invadia a Irmã Liduina Meneguzzi, das Religiosas de São Francisco de Sales. No breve mas intenso período da sua existência, a Irmã Liduina dedicou-se aos irmãos mais pobres e vítimas do sofrimento, em particular no hospital da missão de Dire-Dawa, na Etiópia.
Com ardente zelo apostólico, procurava fazer com que todos conhecessem o nosso único Salvador, Jesus Cristo. Na escola daquele que era ‘manso e humilde de coração’ (cf. Mt 11, 29), ela aprendeu a defender a caridade, que brota de um coração puro, ultrapassando toda a mediocridade e a inércia interiores.” 
Homilia de beatificação - Papa São João Paulo II. 


terça-feira, 17 de setembro de 2019

Guilles Bouhours, O menino que revelou ao Papa o Dogma da Assunção



A fantástica história Guilles Bouhours, e o milagre que marcou o pontificado do Papa Pio XII – Dogma da Assunção de Nossa Senhora.





Gilles Bouhours nasce em 27 de Novembro de 1944, em Bergerac, sul de França. Quando tinha apenas 1 ano, foi curado milagrosamente, graças à intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus. Aos 4 anos foi portador de uma mensagem de Maria Santíssima, na qual se lhe ordenava que a sua missão era ir até ao Papa Pio XII para lhe transmitir o que a Virgem lhe tinha comunicado.
Gil, desde pequenino tinha muita piedade, rezava longas horas e era visto fazendo penitência. E com apenas três anos de idade, um dia apresentou-se diante de seu pai e disse: “Pai, a SMA. VIRGEM deu-me uma mensagem que eu tenho que passar o para o Papa. Devo ir vê-lo”.
No início, o pai não levou o assunto a sério, mas o pequeno Gil insistiu nessa missão por dois anos. E sua mãe por curiosidade perguntou-lhe como era a mensagem. A resposta foi imediata: “Mãe, a mensagem não é para você, é para o papa!” Em uma ocasião o pai perguntou-lhe: “E você sabe quem é o Papa?” GIL responde: “o Papa é o Papa e eu tenho que dar a mensagem da Virgem!”
Os vizinhos cientes deste fato, ofereceram para pagar a viagem do menino e seu pai a Roma. E no ano do Senhor de 1949, finalmente partiu.
Durante a viagem o senhor Bouhours tinha este pensamento, com que cara iria tocar as portas do Vaticano e dizer “Eu preciso de uma audiência com o Papa, mas não para mim, mas para meu filho de 5 anos!?”
E quando chegaram a Roma, hospedaram-se num colégio francês. A princípio, ninguém sabia de sua chegada, que ocorreu numa terça-feira. No dia seguinte, um emissário do papa perguntou na portaria do colégio, se uma criança da região de Lourdes, havia se hospedado ali. E quando o pai se inteirou deste fato, ficou maravilhado. Como o papa ficou sabendo da sua chegada? De qualquer modo, foi um alívio saber que a audiência foi facilitada de maneira extraordinária. A entrevista seria no dia seguinte, numa quinta-feira, no dia 10 de dezembro de 1949.
Um secretário recebe e leva a criança para falar com sua santidade o papa, e seu pai ficou esperando do lado de fora cerca de uma hora. Nota: as audiências com o papa raramente duravam mais que 20 minutos.
Ao final da audiência, o mesmo papa tomando a criança pelas mãos, devolve o pequeno para o seu pai, agradeceu e lhe disse: “Há tempos que peço ao céu que me dê uma confirmação, um sinal claro de aceitação do céu, de um dogma que desejo declarar. E seu filho me trouxe uma mensagem da Santíssima Virgem Maria”.
Nada se sabe da entrevista do Papa com o menino, que teve lugar em Maio de 1950, exceto o que o Pontífice deu a conhecer: o menino comunicou-lhe, da parte da Mãe de Deus, que esta Senhora, depois da sua vida mortal, subiu ao Céu em corpo e alma.
Precisamente, o Papa Pio XII havia pedido a Nosso Senhor um sinal sobrenatural para decidir-se a proclamar o dogma da Assunção de Maria. O pequeno Gilles foi o sinal que o Céu outorgou ao Pontífice, e assim, em 1 de Novembro de 1950, foi proclamado o Dogma da Assunção de Nossa Mãe Celestial.
A partir dos seus quatro anos, o pequeno Gilles teve autorização para comungar. A sua devoção a Jesus Sacramentado era extraordinária. Também desde a mais tenra idade manifestou o seu desejo de ser sacerdote e missionário. Em 12 de Junho de 1949 fez a Primeira Comunhão, e dois meses depois manteve o seguinte diálogo com um missionário conhecido:
– Que queres ser quando fores grande?
– Sacerdote.
– E porquê queres ser sacerdote?
– Para pôr Jesus na Hóstia Sagrada.
– Não gostavas também de ser missionário?
– Que quer dizer missionário?
– É um sacerdote que faz com que se amem muito a Jesus e a Maria.
– Sim, sim, claro que gostaria de ser missionário.
Este desejo chegou a ser nele como uma obsessão, traduzindo-se numa fome insaciável do Pão dos Anjos. Não temia a frio, nem nada deste mundo, quando ia comungar.
Resultado de imagem para Gilles BouhoursO seu recolhimento era algo insólito e nada usual. Inclusivamente chegou – nunca como um jogo, ou para se divertir – a celebrar “Missas Brancas”, o que significava recitar num altar, disposto num compartimento de sua casa, todas as orações da Missa, tais como as diz o sacerdote, do princípio ao fim, sem que se produzisse a Consagração, como é lógico, mas revestido com os paramentos que previamente lhe tinham confeccionado para esse efeito, tendo em conta a sua estatura.
Os sermões que pregava às pessoas que presenciavam estas cerimônias, dignas de um anjo, eram cheios de profundidade e fervor, sem erro algum. É preciso dizer-se que, quando se entrevistou com Sua Santidade o Papa Pio XII, cantou a antífona litúrgica “Parce Domine”, com os braços em cruz e como o ensinou a Santíssima Virgem.
Certo dia protestou durante a refeição, porque não gostava muito da sopa. Tinha 5 anos. Seu pai disse-lhe que isso não agradava à Santíssima Virgem, porque era um capricho tolo. O menino, então, comeu a sopa toda sem recalcitrar e quando acabou, disse: «Papá, dá-me um pouco mais. Está tão boa, esta sopa!»
Seguidamente, transcreve-se uma pequena parte de um sermão que Gilles pronunciou em 13 de Setembro de 1952:
«Hoje vamos falar da Paixão de Jesus. Estava no Jardim das Oliveiras com três dos seus Apóstolos. Sabia muito bem que havia um que O ia atraiçoar e que se acercava d’Ele com má intenção. Era em plena noite, e Jesus encontrava-se sob o peso dos pecados dos homens. E orava a seu Pai, dizendo: Que este cálice… Então, dirigindo-se aos seus Apóstolos, que dormiam, disse-lhes: “Não podeis velar uma hora co’Migo? Vigiai e orai, porque vão entregar o Filho do Homem”.»
Resultado de imagem para Gilles BouhoursAdmiráveis expressões na boca de uma criança. Muito poucos anos depois, Nosso Senhor levá-lo-á para o Céu.
Em 24 de Fevereiro de 1960 Gilles cai doente, com um misterioso torpor que nenhum médico conseguiu diagnosticar. Ao cabo de 48 horas, e após receber os últimos Sacramentos, o adolescente (15 anos) morre. Antes de expirar, disse: «Vou morrer, mas não choreis. Estou bem e contente.» Seguidamente, juntou as mãos e orou assim: «Meu Deus, peço-Vos perdão de todos os meus pecados… Senhor meu, Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro…»
Entregou a sua alma a Deus em 26 de Fevereiro de 1960, às 6 horas da manhã. No seu túmulo estão gravadas estas palavras, que ele mesmo disse:
“Amai a Deus e a Santíssima Virgem. Oferecei-Lhes todos os vossos sofrimentos e assim recuperareis a paz da alma.”
Gilles Bouhours


sexta-feira, 16 de agosto de 2019

SANTO ESTEVÃO, Leigo e Rei da Hungria (+ 1038) - memória em 16 de agosto.


   Santo Estevão foi o primeiro rei cristão da Hungria. Filho de Geisa, duque da Hungria, nasceu em 975, na cidade de Gran. Os pais do Santo, ouvindo em certa ocasião prisioneiros falarem da religão de Cristo, quiseram conhecê-la e nela se instruíram. Tanto por ela se entusiasmaram que, largando as superstições pagãs, se tornaram cristãos e receberam o batismo das mãos de Santo Adalberto, Bispo de Praga. 
         
    Santo Estevão foi educado cristamente para que um dai pudesse ser servidor de Cristo em verdade e príncipe modelar. Dotado de boa inteligência e possuindo vontade de instruir-se em tudo que era útil, natural era que fizesse grandes e rápidos progressos nos estudos. Sempre na companhia do bispo Adalberto, tendo diante de si o exemplo e as instruções deste santo homem, adquiriu a santidade que tanto o elevou acima dos colegas. Tendo apenas quinze anos, o pai convidou-o para tomar parte ativa no governo da nação. 

  Pela morte do pai, Santo Estevão tratou da conversão da conversão dos súditos ao cristianismo. Neste nobre intento encontrou tenaz resistência de uma grande parte dos húngaros, que se opuzeram à mudança de religião, do paganismo para o cristianismo. Estevão recorreu à oração. Não podendo, porém, quebrar a resistência dos rebeldes, pegou em armas*. Por muito tempo ficou indecisa a vitória.

   Neste estado de coisas, Estevão invocou os Santos - Jorge e Martinho, ambos de origem húngara, e fez a Deus o voto de fundar em todo o reino muitos conventos, e edificar igrejas, querendo com o dízimo sustentar os sacerdotes do Senhor. O inimigo foi vencido e o cristianismo nao mais encontrou resistência em sua entrada triunfal na Hungria. 
         
   Fiel ao que prometera, Estevão encetou logo a fundação de conventos, dos quais o mais célebre foi o de São Martinho, nas proximidades de Raab, convento esse cuja pedra fundamental fora lançada ainda por seu pai Geisa. Foram fundadas dez dioceses, cuja administração confiou a homens instruídos e virtuosos da Itália e da Alemanha. O Papa Silvestre II não só aprovou as nobres iniciativas do jovem monarca, mas, reconheceu-o oficialmente rei da Hungria e enviou-lhe uma coroa riquíssima e uma cruz de alto valor, com o privilégio de ser levada diante da pessoa do rei, em solene procissão. 

    Além dessas extraordinárias dádivas, o Papa distinguiu Estevão com o título de Apóstolo da Hungria. Desde aquele tempo os reis da Hungria convervaram o título de "majestada apostólica". A "santa coroa" de Estêvão é considerada o símbolo do poder monárquico na Hungria. Destruído o reino da Hungria (no advento do comunismo à região), a coroa, como preciosa relíquia, para não cair em mãos profanadoras, se acha guardada noutro lugar (estava guardada no Vaticano. Recentemente, voltou para a Hungria).





Relíquias de Santo Estevão: o cetro, a espada, a coroa e a cruz sobre o globo. 


   O ano de 1001 viu a solene unção de Estevão, pelo bispo portador da coroa mandada pelo Papa. No dia da coroação, Estevão colocou todo o reino debaixo da proteção da Santíssima Virgem Maria. 
Terna devoção tinha o Santo à Mãe de Deus, à qual dedicou duas catedrais - a de Gran e a de Stuhl-Weissenburg, nas quais os reis da Hungria eram coroados e sepultados. 

   Com louvável energia, Estevão atacou e aboliu os costumes supersticiosos de seu tempo e deu aos súditos leis sábias e severas. Um cuidado especial dispensava aos órfãto os e viúvas. Aos pobres, o santo rei, em pessoa, levava esmola e sustento. No seu apostolado civilizador e evangelizador, Estevão encontrou forte apoio na cooperação fiel e dedicada da esposa Gisela, princesa bávara e irmão de Santo Henrique, Imperador da Alemanha.

     Estevão cultivava, de um modo extraordinário, o espírito de penitência. Avarento com o tempo, não perdia hora, ocupando-se sempre de coisas úteis no cumprimento do dever. 
    
       Dedicação especial da parte do rei experimentaram os próprios filhos, dos quais o mais velho, Emérico, mais tarde, com o santo pai, recebeu as honras da canonização. 

       Nos três últimos anos de vida, Estevão foi visitado por muita doença. Sentindo a proximidade da morte, para ela se preparou com toda a piedade. Tendo em redor os representantes da corte e da alta nobreza do país, muito lhes recomendou a obediência aos representantes de Cristo sobre a terra e a prática das virtudes cristãs. 

        Munido dos Santos Sacramentos, morreu santamente, não sem ter novamente consagrado a Nossa Senhora sua amada pátria. Estevão entregou a alma ao Criador no dia 15 de agosto de 1038. A mão direita conservou-se incorrupta e é guardada com grandes honras. 








Fonte:
Padre João Batista Lehmann, "Na Luz Perpétua", Tomo II, páginas 241 a 242








sexta-feira, 9 de agosto de 2019

SANTA ADELAIDE, Imperatriz da Alemanha - Exemplo cristão de monarca e mãe

Santa Adelaide é Padroeira das vítimas de abuso, noivas, imperatrizes, princesas, exilados, problemas entre genros e sogros, maternidade, pais de famílias grandes, madrastas, viúvas.
Narrada por santo Odilo, abade de Cluny, que conviveu com ela, a vida de santa Adelaide emociona pelos sofrimentos que passou.
De rainha tornou-se prisioneira, sofreu maus-tratos e passou por diversas privações para, depois, finalmente, assumir um império. Tudo isso dentro da honestidade, vivendo uma existência piedosa, de muita humildade e extrema caridade para com os pobres e doentes.


Resultado de imagem para santa adelaideNascida em 931, Adelaide era uma princesa, filha do rei da Borgonha, atual França, casado com uma princesa da Suécia. Ficou órfã de pai aos seis anos. A Corte acertou seu matrimônio com o rei Lotário, da Itália, do qual enviuvou três anos depois. Ele morreu defendendo o trono, que acabou usurpado pelo inimigo vizinho, rei Berenjário. Então, a rainha Adelaide foi mandada para a prisão. Contudo, ajudada por amigos leais, conseguiu a liberdade.
Viajou para a Alemanha para pedir o apoio do imperador Oto, que, além de devolver-lhe a Corte, casou-se com ela. Assim, tornou-se a imperatriz Adelaide, caridosa, piedosa e amada pelos súditos. Durante anos tudo era felicidade, mas o infortúnio atingiu-a novamente. O imperador morreu e Adelaide viu-se outra vez viúva. Assumiu seu filho Oto II, que aceitava seus conselhos, governando com ponderação. Os problemas reiniciaram quando ele se casou com a princesa grega Teofânia.
Como não gostava da influência da sogra sobre o marido, conseguiu fazê-lo brigar com a mãe por causa dos gastos com suas obras de caridade e as doações que fazia aos conventos e igrejas. Por isso exigiu que Adelaide deixasse o reino. Escorraçada, procurou abrigo em Roma, junto ao papa. Depois, passou um período na França, na Corte de seu irmão, rei da Borgonha.
Resultado de imagem para santa adelaideMas a dor da ingratidão filial a perseguia. Viu, também, que ele reinava com injustiça, dentro do luxo, da discórdia e da leviandade, devido à má influência de Teofânia. Nessa época, foi seu diretor espiritual o abade Odilo, de Cluny. Ao mesmo tempo, o abade passou a orientar Oto II. Após dois anos de separação, arrependido, convidou a mãe a visitá-lo e pediu seu perdão. Adelaide se reconciliou com filho e a paz voltou ao reino. Entretanto o imperador morreria logo depois.
Como o neto de Adelaide, Oto III, não tinha idade para assumir o trono, a mãe o fez. E novamente a vida de Adelaide parecia encaminhar-se para o martírio. Teofânia, agora regente, pretendia matar a sogra, que só não morreu porque Teofânia foi assassinada antes, quatro semanas depois de assumir o governo. Adelaide se tornou a imperatriz regente da Alemanha, por direito e de fato. Administrou com justiça, solidariedade e piedade. Trouxe para a Corte as duas filhas de sua maior inimiga e as educou com carinho e proteção.
O seu reinado foi de obrigações políticas e religiosas muito equilibradas, distribuindo felicidade e prosperidade para o povo e paz para toda a nação. Nos últimos anos de vida, Adelaide foi para o Convento beneditino de Selz, na Alsácia, que ela fundara, em Strasburg. Morreu ali com oitenta e seis anos de idade, no dia 16 de dezembro de 999. Algumas de suas relíquias são preservadas em um santuário em Hanover. Com seu dia de festa a 16 de dezembro, Adelaide está incluída no elenco das “Grandes mulheres na História do Mundo – primeiro milênio”.
Exemplo cristão de princesa, rainha, imperatriz e mãe, sua vida é um exemplo para as mães de família. Santo Odilão de Cluny, seu biógrafo, nos informa que: “no seio da família mostrava soberana amabilidade, no trato com estranhos era de uma fidalguia prudente e reservada. Mãe dos pobres, era protetora das instituições eclesiásticas e religiosas. Boa e humilde para os bons, era severa em castigar os maus e os ímpios.
Resultado de imagem para santa adelaideHumilde na prosperidade, era paciente e conformada na adversidade; sóbria e modesta no comer e vestir; constante na prática dos exercícios de piedade, penitência e caridade, era o modelo de uma perfeita cristã. Colocada sobre o trono, o orgulho não lhe tomou posse do coração e das virtudes nenhum reclame fez.
A lembrança dos pecados não a entregou ao desânimo ou ao desespero, como também os bens deste mundo. Honra, magnificência e glória não conseguiram perturbar-lhe a paz da alma, pois em tudo se baseava sobre o fundamento de toda santidade: a humildade. Firme na fé, era imperturbável sua esperança”. Intitulava-se “Adelaide, por graça de Deus Imperatriz, e por si mesma pobre pecadora e deficiente serva de Deus".

Oração
Resultado de imagem para santa adelaideLembrai-vos, ó gloriosa Adelaide, fiel serva de Jesus Cristo e Maria Santíssima, que nunca se ouviu dizer que alguns dos que tendo recorrido a vós e implorado vossa proteção tenha sido abandonado. Animados de uma grande confiança, vimos pedir ajuda a vós, que sois consoladora e esperança dos aflitos. Pelo amor que por toda vossa vida dedicastes a Jesus Cristo e a Santíssima Virgem Maria, ajudai-me a conseguir (registra a graça a ser pedida, por três vezes). Protegei nosso trabalho e nossas famílias. Abençoai a todos que honram e invocam o seu nome, para sua glória eterna. Adelaide, bondosa serva de Jesus Cristo, rogai por nós e fazei com que alcancemos a graça para maior glória de Jesus Cristo, nosso pai e redentor. Que assim seja, amém.

Oração de Santa Adelaide
Faça, Senhor Deus, nosso Pai, que aspiremos incansavelmente ao descanso que nos preparastes em vosso reino. Dai-nos forças e inteligência nesta vida, para suportarmos as agruras que nos rodeiam; para promovermos o bem e a justiça e servirmos nossos irmãos. Amém.

Oração
Concedei-nos, Senhor, pela intercessão de Santa Adelaide, que nossas famílias sejam protegidas e livres de toda desunião e rancor. Por Cristo Senhor Nosso. Amém

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

SANTO ALBERTO DE TRÁPANI (ou da Sicília), presbítero carmelita (1250 a 1307). - DOIS TEXTOS BIOGRÁFICOS - Memória em 7 de agosto.



A Ordem Carmelita tem Santo Alberto como uma das mais belas preciosidades de seu relicário místico. Santo Alberto nasceu em meio à opulência na Sicília. Da parte de seu pai, pertencia à família Alberti e, da parte de sua mãe, à família Palizi; duas famílias distintas da Sicília. Nasceu precisamente no Monte Trapani ou Eryx, hoje San Giuliano, no ano de 1250. A data e o mês exato não se tem informação.
Seus genitores consideram-no uma criança milagrosa, dado que o obtiveram de Deus, após vinte e seis anos de esterilidade. Consideravam também que um dia deveriam consagrá-lo a Nossa Senhora, por uma promessa espontânea, feita quando os mesmos perderam toda humana esperança de perpetuar sua linhagem. Uma luz sobrenatural iluminará os primeiros passos do pequeno Alberto, que não permitirá que ele se contamine com as seduções do mundo.
Com apenas oito anos de idade, o Duque de Girgenti o queria desposar com sua filha. Mais tarde, o demônio vai aproveitar-se disso para abalar o seu propósito de guardar uma castidade ilibada, que este jovem tem em seu coração. Seu pai, embevecido com a preferência que o duque lhe dava, tinha ardente desejo de ver seu filho corresponder a este pedido. Sua mãe, porém, lembrando-se de sua promessa feita ao Senhor, traz à memória de seu esposo o piíssimo compromisso e confia ao jovem o voto que ela e seu pai haviam feito de o dedicarem a Deus na Ordem do Carmo.

A essa revelação, o Santo responde com entusiasmo, querendo ratificar a promessa de seus pais, solicitando logo sua entrada para o Convento do Carmo de Trápani.
Os frades Carmelitas, conhecendo o poder famoso do duque, o temiam e querem retardar por algum tempo a entrada no convento do herdeiro dos Abatibus. A virtude da paciência do postulante não tarda em triunfar das hesitações e abrir, apesar de tudo, as portas do convento.
Como o jovem Samuel, este novo eleito vai crescendo cada dia na senda da santidade. A oração, o estudo e, mais tarde, as austeridades de todo gênero, bem como o zelo apostólico abrasador, dividiram seu tempo.

A dignidade sacerdotal assusta sua humildade: são precisas ordens expressas das autoridades da Ordem para triunfar de sua resistência. É consumido pelo amor às almas no seu sacerdócio: escreve, prega, aplica-se de modo exímio a todas as funções sacerdotais com dedicação excepcional.
O caráter apostólico da vocação carmelitana revela-se inteiramente na vida deste santo. A população da ilha contava com católicos fervorosos, mas também com judeus e maometanos. Santo Alberto queria trazer todos à luz da fé. Um milagre assoma-se à sua pregação. Perto de Agrigento, veem-se um dia alguns judeus em perigo de afogarem-se no rio Platani. Alberto, estando na margem, percebe o perigo e, inspirado pelo céu, promete-lhes salvação infalível, se eles quiserem crer em nosso Senhor Jesus Cristo. A proposta é aceita, e o santo, caminhando sobre as águas, como outrora fez Jesus com Pedro, Príncipe dos Apóstolos, vem tirar esses desditosos das garras da morte.

Tantas virtudes juntas, bem como as mais exuberantes qualidades naturais, conduzem-no ao cargo de provincial. Em seu apostolado, os milagres o seguiam a cada passo. Em certa viagem, seu companheiro quebra o vaso que contém sua modesta refeição. O santo manda trazer-lhe os fragmentos e restitui o vaso e a comida. Depois de ter dado às almas o Pão da Palavra Divina, Alberto lhe dará, no tempo da fome, o pão que sustentará a vida desfalecida.

    A história narra as guerras e ataques ao sul da Itália nesta época. A Sicília vivia uma série de devastações. Messina esperava a qualquer momento sua ruína. Foi quando então, inesperadamente, os cidadãos recorrem ao seu taumaturgo e vão em multidão implorar que ele interceda por eles junto a Deus. O amparo do céu não se faz demorar; cercada por seus inimigos, sem possibilidade nenhuma de comunicação com o exterior, vê entrar na sua baía três vasos de viveres (mantimentos). O rei reconhece a intervenção divina graças à intercessão de Santo Alberto e vem agradecer-lhe em nome de todos. A voz pública, longe de enfraquecer a humildade de Alberto, fortifica-a ainda mais, e o santo taumaturgo deixa a cidade de Messina, ao ver-se cercado de tanta veneração, e vai para um deserto retirar-se na solidão, entregando-se inteiramente à oração e à penitência. No ermo, Santo Alberto, qual “serafim ardente” de amor por Deus, é favorecido por êxtases e visões do Senhor e de sua Mãe Santíssima.
            Depois de um tempo aí passado, Santo Alberto anuncia a sua morte aos irmãos. Sua previsão se realiza no dia 7 de agosto de 1307, quando sua inocentíssima alma, em forma de pomba, levantou voo ao paraíso celeste.

O Divino Salvador, repetidas vezes, dignou-se, sob as feições de uma criança, a escolher seu braço como altar. Proclamado santo já em vida pelo povo, igual triunfo está reservado nas iminências do evento de sua morte.
O povo desejava que a Missa de um santo confessor fosse cantada na Missa de suas exéquias, mas o clero não ousava desobedecer às normas eclesiásticas.
Santo Alberto é um dos mais renomados do Carmelo, dado sua taumaturgia antes da morte; sua memória é sempre rejuvenescida por causa dos ininterruptos milagres. Como foi, no século seguinte à fundação da Ordem Carmelita, seu maior expoente até então, foi proclamado "pai" ou "patrono" da Ordem do Carmo. 
Sua imagem traz sempre o menino Jesus em seus braços e o lírio. A cada ano, na sua festa, é abençoada solenemente a água em sua honra, a qual, sendo usada como sacramental, com fé e piedade nos enfermos, obtém muitas curas.


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Segundo texto biográfico,

SUA VIDA

Nasceu em Trápani, na Sicília (Itália). Seus pais — Benito degli Alberti e Joana Palizi — já eram casados há 26 anos e não tinham filhos. Fervorosos cristãos, tinham prometido à Virgem de Trápani consagrar ao serviço do Senhor o filho que lhes concedesse.
Ainda menino, ingressou no Carmelo de Trápani com o propósito de servir a Deus e à Santíssima Virgem, a quem está consagrada a Ordem do Carmo. Era então a "idade de ouro" do Carmelo, na qual o ideal Eliano-Mariano da Ordem se mantinha vivo à base de um justo equilíbrio da contemplação e ação apostólica.
Desde que professou na Ordem, distinguiu-se por seu fervor e austeridade de vida. Seus biógrafos nos dizem que seus jejuns eram contínuos, que nunca comeu carne e que mesclava seu parco alimento com cinzas. Sua cama era um saco de sarmentos e dedicava largas horas do dia e da noite à oração.
A obediência era nele pronta e alegre, a pobreza lhe distinguia entre todos por seu total desprendimento e a castidade foi sua flor preferida e melhor guardada, por isso, se lhe representa com um lírio e um crucifixo na mão, ou com o Menino Jesus nos braços.
Recebidas as sagradas ordens, difundiu-se logo sua fama de religioso santo e de persuasivo orador.
Passou algum tempo no convento de Messina, cidade à qual livrou da fome causada por um cerco: alguns navios carregados de víveres conseguiram chegar milagrosamente à cidade, apesar dos cercos.
Fervoroso pregador, percorreu a maior parte dos povos da ilha.
Foi nomeado provincial da Sicília em 1296, cargo que desempenhou com uma entrega total ao serviço de Deus e das almas.
Quando visitava os conventos, não levava outra coisa que um pouco de pão, um báculo e um cantil com água.
Fundou vários conventos e escreveu alguns tratados, que (infelizmente) não se conservaram até os nossos dias.
Recebeu do Senhor a graça de fazer milagres, chegando a ser um grande taumaturgo e apóstolo da Sicília.
Por isso, seu culto tem sido sempre muito extenso e intenso em toda a Ordem, que o tem venerado em todas as suas igrejas e conventos. Suas relíquias foram espalhadas por todo o mundo e, com elas, abençoa-se a água para a cura de enfermos.
Sua morte ocorreu em 1307 e, ao celebrar suas exéquias, disse-se que vozes misteriosas entoaram o hino “Os Justos” da Missa dos Confessores em vez da Missa de Réquiem.
Seu culto foi confirmado por bula do Papa Sixto IV, em 1476.
Sua memória obrigatória se celebra em 7 de agosto.

                   


 SUA ESPIRITUALIDADE
Soube plasmar em sua alma o verdadeiro espírito do Carmelo, vivendo-o no nada fácil equilíbrio entre a vida contemplativa e a ativa.
Pela vivência deste duplo espírito eliano, foi venerado como um dos primeiros e maiores santos da Ordem, da qual foi mais tarde considerado Patrono e Protetor.
Compartilhava seu zelo e todo o anelo de sua cândida alma entre a própria santificação e a do próximo, dirigindo tudo à maior glória de Deus.
Este mesmo zelo se fazia sentir em uma vocação forte e constante à pregação da divina palavra, e Deus premiava visivelmente suas fadigas apostólicas com a conversão de muitos judeus e infiéis à fé de Jesus Cristo.
Em seus sermões, fazia especial ênfase no amor de Deus e do próximo, no ódio ao pecado, na formosura da virtude e na fealdade do vício, nos espinhos e caducidade dos bens temporais e na segurança dos bens eternos.
No hino de Laudes (no espanhol) de sua festa se diz:
“Com dura penitência, / domando as paixões, / será sol que difunde / sagrados esplendores. / Satanás pretende, astuto, / que a oração encurte; / Alberto persevera, / orando de dia e de noite...


                             SUA MENSAGEM
· Que sejamos generosos com o Senhor desde o princípio.
· Que, com zelo, vivamos e propaguemos nosso carisma.
· Que o amor aos pobres e doentes arda em nosso coração.
· Que a pureza e a oração fortifiquem nossas almas.

Oração: 
Ó Deus, que de Santo Alberto fizestes modelo de pureza e de oração e fiel servidor da Virgem Maria, fazei que, revestidos de idênticas virtudes, mereçamos ser dignos do perene convívio de vossa glória, no Céu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.