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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

domingo, 3 de janeiro de 2016

SÃO JOÃO PAULO II: 21 FATOS INTERESSANTES SOBRE ESTE SANTO PAPA.


1. Nos tempos de teatro, ele literalmente salvava o show com sua memória fenomenal.

Nós todos sabemos que João Paulo II tinha paixão pelo teatro e pela literatura, desde a adolescência. Mas o que não sabíamos, era que ele salvou o show uma vez com sua memória incrível.

Um dos membros do elenco abandonou a produção dois dias antes da noite de estreia. E eles não tinham substituto.

Mas, sem estresse. A mente de esponja do jovem Karol havia absorvido cada linha da fala de todos os personagens nos ensaios, e ele se ofereceu para assumir um papel extra. O show deve continuar!

2. Em suas viagens de acampamento com o grupo de jovens, ele lia, ao redor da fogueira, o livro “Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz”

Muitos de nós sabemos que o Papa Wojtyla amava passar o tempo ao ar livre com os jovens, enquanto ele era pároco na Polônia e mais tarde como cardeal. Esses passeios tinham de ser feitos às escondidas, uma vez que eram proibidos pelos comunistas. Eles praticavam caiaque, canoagem, caminhada, e às vezes celebrava-se a missa em uma canoa virada.

E, ao redor da fogueira à noite, eles cantavam músicas de louvor e adoração e liam livros, incluindo clássicos de C. S. Lewis como “Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz” (que foi publicado em 1942).


  


3. Os comunistas, ironicamente, queriam que ele se tornasse arcebispo de Cracóvia

Embora o governo comunista permitisse que a Igreja da Polônia nomeasse seus próprios candidatos a bispo para ocupar uma vaga em aberto, mantiveram o direito de rejeitar qualquer candidato de que não gostassem.

Eles vetaram uma série de nomes para arcebispo de Cracóvia, até que sobreveio o candidato preferido: Karol Wojtyla.

Naquele momento, sem saber, os comunistas selecionaram aquele que mais tarde se tornaria Papa e voltaria à Polônia para derrubar o comunismo. Subestimaram o escolhido. Provavelmente, esta foi a pior subestimação da história.


4. Ele teve que limpar latrinas com cocô congelado

João Paulo II nunca teve repulsa de trabalho sujo, ou de se debruçar para fazer a mais humilhante das tarefas.

Logo após a mudança de poder na Polônia (dos nazistas para os comunistas), Karol e seus colegas seminaristas conseguiram regressar ao seminário, o qual tinha ficado em condições muito precárias. As tubulações tinham congelado, e as latrinas ficaram em estado de calamidade. Montes de excrementos congelados precisavam ser retirados com pás e levados dali.

Então, da próxima vez que você tiver uma tarefa repugnante para fazer, basta lembrar que João Paulo II também teve.



5. Ele continuou esquiando até os 73 anos de idade

Uma das minhas histórias favoritas é a do menino de oito anos que conheceu João Paulo II nas pistas de esqui. Eles formaram uma dupla, esquiaram juntos um bom tempo. A mãe do menino não acreditou que seu filho realmente tinha esquiado com o Papa, até que ele mesmo se apresentou a ela.


6. Ele viajou para a lua três vezes durante a vida

Ao menos, a mesma distância: 1.207.008 km!

Ele tinha uma missão, e sentiu que seu chamado como pastor da Igreja universal significava que era realmente necessário conhecer o seu rebanho.

"Por acaso eu não sou Papa de todo o mundo?", disse.


7. Qual foi o "dia mais feliz de sua vida"?

Segundo ele mesmo, foi o dia em que canonizou Irmã Faustina como a primeira santa do novo milênio.

A devoção à Divina Misericórdia foi um dos temas centrais de sua vida, algo muito próximo e querido ao seu coração, especialmente por ser polonês.

"Não há nada que o homem precise mais do que a Misericórdia Divina"

8. Ele escreveu um poema profundo em memória de um colega morto

Durante a invasão nazista, quando Karol teve que trabalhar em uma pedreira, submetido a temperaturas abaixo de zero, e ainda, andar por um trajeto de 30 minutos no começo de cada madrugada, ele testemunhou a morte de um colega de trabalho numa explosão de dinamite. Mais tarde, escreveu este poema:

“Eles o deitaram, as costas sobre folhas e cascalhos.
A esposa veio, angustiada de preocupação; seu filho voltava da escola...
As pedras de novo em movimento: um vagão machucava as flores.
Novamente a corrente elétrica corria intensa por dentro das paredes.
Mas o homem levou consigo a estrutura interna do mundo,
Quanto maior a raiva, maior a explosão de amor”.


9. Ele teve que bancar o James Bond umas duas vezes para fugir da polícia secreta

Quando era bispo na Polônia, durante o governo comunista, a polícia secreta constantemente tentava estudá-lo (no momento em que se tornou Papa, haviam acumulado 18 caixas de relatórios sobre ele).

Uma vez, quando o arcebispo precisava ter uma reunião secreta com Karol, o motorista dele teve que fazer um emaranhado de caminhos tortuosos para evitar que seu perseguidor o alcançasse; Karol trocou de carro várias vezes sem que eles percebessem, e assim, foi capaz de se reunir com o arcebispo em paz.

O governo também havia grampeado a residência dos bispos com dispositivos de escuta, os quais Karol sabia da existência. Quando precisava falar algo importante, saía da residência. E falava muito alto quando queria que eles ouvissem alguma coisa. Deixava reservada as conversas privadas, para suas excursões secretas.


10. Os royalties de um de seus livros ajudaram a construir igrejas na Iugoslávia

O Papa João Paulo II ao longo de toda a sua vida foi um doador. Ele fez de si mesmo um dom, e dava de presente seu tempo e talento.

Por exemplo, após a publicação de "Cruzando o Limiar da Esperança" - que vendeu milhões pelo mundo - ele usou os primeiros pagamentos de royalties para reconstruir igrejas que haviam sido destruídas no conflito da Iugoslávia.
Também era conhecido por doar as roupas novas compradas para ele, e continuar usando as antigas.

11. Recebeu o sacramento da Reconciliação de Padre Pio

Em 1947, o Padre Wojtyla visitou o Padre Pio, que ouviu sua confissão.

O Papa João Paulo II canonizou-o 55 anos depois.


12. Seu predecessor, o Papa João Paulo I disse isso...

"Meu nome é João Paulo o primeiro. Eu estarei aqui apenas por um curto período de tempo. O segundo está chegando".



13. Ele era o rei da multitarefa

João Paulo II tinha uma energia para o trabalho incrível, e foi descrito por um de seus secretários como um "vulcão de energia." Não era incomum para ele trabalhar 12-16 horas por dia.

Tinha o dom da "concentração dividida", e muitas pessoas relatavam que ele conseguia ter uma conversa atenta com alguém enquanto lia – sem deixar de prestar atenção no que a pessoa dizia. Ele às vezes se cansava nas reuniões se ele não estivesse trabalhando em outra coisa ao mesmo tempo. De fato, durante o Concílio Vaticano II, ele lia e escrevia todo o tipo de livro e poesia.


14. Ele leu Marx no Conclave que o elegeu

Era tão intenso o seu desejo de estar constantemente ligado em várias coisas, constantemente alimentando seu intelecto, que ele mesmo trouxe material de leitura para o Conclave pouco antes da sua própria eleição. E de todos os livros que tinha... estava lendo literatura marxista.

Como disse a seu amigo, "se você quer entender o inimigo, você tem que saber o que escreveu".

15. Um público de 300 mil pessoas não parou de o aplaudir por 14 minutos

Durante sua viagem à Polônia como Papa, em junho de 1979, que foi um divisor de águas, João Paulo II celebrava a Missa de Pentecostes na Praça da Vitória para uma multidão de 300.000 pessoas. Em um ponto, os aplausos ruidosos continuaram por 14 minutos sem parar.

Pare para pensar nisso.

Um povo, uma cultura, reprimida por um comunismo que negou sua dignidade humana como pessoas. E agora um deles, um menino polonês de Wadowice, volta, como Papa, a sua terra natal, com uma mensagem de liberdade e esperança.

"Envie o Teu Espírito! Envie o Teu Espírito! E renova a face da terra! Da sua terra!"

16. Se juntar tudo o que ele escreveu, seria o equivalente a 20 Bíblias

Ele obteve a média de mais de 3.000 páginas escritas por ano apenas durante o seu pontificado.


17. Ele foi o primeiro Papa a pisar em uma mesquita

Seu amor pela pessoa humana estendeu-se muito além dos confins da Igreja Católica, a todas as religiões, todas as raças, todas as línguas.


18. Os guardas-suíços tiveram muito trabalho com ele

Imagine isso: uma figura preto-encapuçada, camuflada, esgueirando-se pela porta de trás do Vaticano.

JPII foi um desses líderes que gostavam de se esgueirar portão afora sem serem notados pelos seus próprios guardas de segurança. Muitas vezes, essas excursões eram um pouco de recreação nas montanhas ou passeios de esqui. Mesmo sendo um homem tão ocupado, também entendeu a necessidade do equilíbrio e diversão.

19. Ele gostava de um pouco de humor auto-depreciativo

Em uma ocasião, numa conversa falou algo assim:

JPII: "A música é extremamente útil para a oração. Como Santo Agostinho disse: "Quem canta, reza duas vezes".

Amigo: "E o senhor é um bom cantor, Santo Padre?"

JPII: "Quando eu cantava, era mais ou menos como se eu estivesse rezando apenas uma vez...".

20. Ele conhecia todos os mais de 2.000 bispos do mundo pelo nome.

Ele mantinha um mapa no qual marcava todas as dioceses do mundo, e sabia de cor o nome de cada bispo.

Sua memória não era restrita à liderança da Igreja. Guardas suíços, seminaristas, e conhecidos de ocasião que ele mal tinha visto, ficavam espantados com o número de detalhes de que se lembrava sobre eles anos mais tarde.


21. Ele foi visto por mais pessoas do que qualquer outro na história humana

Bem, pelo menos é o que se diz. Mas com uma audiência de meio bilhão de pessoas, será que vai aparecer outro concorrente?


Esses fatos foram retirados do livro “Saint John Paul the Great: His Five Loves”, do norte-americano Jason Evert, pelo também norte-americano Joe Houde.

SANTA GENOVEVA, Virgem e Padroeira de Paris (03 de janeiro).



No ano de 420, São Germano, bispo de Auxerre, legado do Papa São Celestino, e São Lobo, Bispo de Troyes, rumavam para a Grã-Bretanha a fim de combater a heresia dos pelágios, os quais pretendiam poder o homem, sozinho, e sem a graça divina, merecer o céu e ver Deus na sua essência. Pelo caminho, os dois pontífices chegaram ao burfo de Nanterre, perto de Paris. Os habitantes, sabedores da reputação de ambos, apresentaram-se em multidão. São Germano fez-lhe uma exortação, e, olhando o povo que o circundava, viu de longe uma jovem em quem notou algo de celestial. Pediu-lhe que se aproximasse e, com grande assombro de todos, beijou-lhe respeitosamente a testa. Perguntou-lhe o nome, e quem eram seus pais. Responderam-lhe que se chamava Genoveva. Seu pai Severo e sua mãe Gerôncia apresentaram-se ao mesmo tempo.

São Germano congratulou-se com eles por terem tal filha, e predisse-lhes que, um dia, seria exemplo para todas as criaturas humanas. Exortou-a a lhe descobrir os segredos do coração, e perguntou-lhe se queria consagrar-se a Jesus Cristo, como esposa. Genoveva declarou que era esse o seu propósito, e rogou ao santo bispo lhe desse a benção solene das Virgens. Entraram na igreja para a prece da nona; em seguida, entoaram-se vários salmos, e fizeram-se longas preces durante as quais o santo bispo manteve a mão direita sobre a cabeça da jovem. Depois, almoçou com ela e seus pais, e recomendou a estes que lhe levassem no dia seguinte. Não faltaram ao compromisso e, São Germano perguntou a Genoveva se se lembrava do que tinha prometido. "Sim, santo padre, disse ela, e espero observá-lo com o auxílio de Deus e por meio de vossas orações." Olhando para o chão, viu ele uma moeda de cobre com o sinal da cruz; pegou-se, e, dando-a a Genoveva, disse-lhe: - "Guardai-a por amor a mim, levai-a sempre pendente do pescoço e como único ornamento, e deixai o ouro e as pedras preciosas às que servem o mundo." Recomendou-a aos pais, e continuo

Desde a idade de quinze anos até os cinquenta, santa Genoveva não comeu senão duas vezes por semana, no domingo e na quinta-feira; e assim mesmo, tratava-se apenas de pão de cevada e favas; nunca bebeu vinho nem coisa nenhuma que pudesse entontecê-la. Alguns dias depois da partida de São Germano, a mãe pretendeu impedi-la de ir à igreja num dia de festa, e, não logrando retê-la, a bateu na face. Imediatamente, ela cegou e cega ficou durante dois anos. Finalmente, lembrando-se da profecia de São Germano, disse à filha que lhe trouxesse um pouco de água do poço e que sobre ela fizesse o sinal da cruz. Santa Genoveva lavou-lhe os olhos, e ela começou a ver um pouco; quando a filha repetiu o ato duas ou três vezes, a mãe recobrou inteiramente a vista.

Após a morte dos pais, Genoveva foi viver em Paris, em casa de sua mãe espiritual, ou madrinha. Lá recebeu solenemente, com outras duas virgens, o véu das mãos do bispo. Deus provou-a pelos sofrimentos; todo o corpo foi atacado de paralisia, e, durante três dias, ela pareceu morta. Quando recobrou a saúde, contou que um anjo a tinha conduzido à morada dos justos, para receber o prêmio que Deus reserva aos que o amam. Recebeu também o dom de ler no âmago dos corações.

Entretanto, São Germano de Auxerre, em 447, foi chamado pela segunda vez à Grã-Bretanha, e para lá rumou com São Severo, bispo de Tréves. Os dois prelados tomaram o caminho por Paris. Os habitantes dessa cidade, sabedores que eles chegavam, foram encontrá-los e rogaram a São Germano que lhes desse a benção. Ele pediu-lhes notícias de Genoveva. Compreendeu pelas respostas que a sua reputação era violentamente atacada por calúnias. Conhecendo-a perfeitamente, rumou para ela, e saudou-a tão humildemente que todos se encheram de assombro. Falou ao povo, para justificá-la e, a fim de provar a sua virtude, mostrou no lugar em que repousava o chão encharcado de lágrimas. Tendo persuadido todos da inocência de Genoveva, continuou a jornada.


Aos quinze anos Genoveva consagrava-se definitivamente a Deus. Passou a fazer parte de um grupo de jovens consagradas a Deus. Vestiam um hábito que as distinguia das outras mulheres, mas não viviam em convento. Moravam em suas próprias casas dedicando-se às obras de caridade e de penitência. Genoveva levava tudo muito a sério: jejuava frequentemente e, quando podia, retirava-se procurando renovar sua vida espiritual.

Um dia, espalhou-se a notícia de que Átila, rei dos hunos, iria devastar a Gália. Os cidadãos de Paris tomados de pânico resolveram emigrar e transportar os seus haveres a cidades mais fortificadas. Genoveva, reunindo as companheiras, aconselhou-lhes dedicar-se aos jejuns, às preces e às vigílias, a fim de lograrem, como Judite e Ester, escapar à calamidade que as ameaçava. Reuniram-se com Genoveva no batistério, e destinaram vários dias a tais obras de penitência. A santa, por outro lado, dizia aos homens que não abandonassem Paris, visto que as cidades para as quais pretendiam retirar-se seriam devastadas pelos bárbaros, ao passo que, com a proteção de Cristo, Paris ficaria salvo.

Mas os habitantes de Paris sublevaram-se contra ela, chamando-lhe falsa profetisa. Falavam até em assassiná-la a pedradas, ou afogá-la num sorvedouro. Apareceu então de Auxerre o arquidiácono de São Germano, que encontrou nos parisienses amontoados nos cantos das ruas, bradando que matariam Genoveva. Disse-lhes “Não cometais tamanho crime. A que pretendeis matar, soubemo-lo do nosso bispo São Germano, foi escolhida por Deus desde o seio materno; e eis aqui elogios ou bênçãos que lhe trago da parte do sumo pontífice”. Os habitantes de Paris, considerando o testemunho de Germano, temeram a Deus e deixaram de molestar-lhe a fiel servidora. Chegaram até a conceber por ela uma veneração religiosa, quando viram, de acordo com a profecia, que os hunos se afastavam da sua província.

Segundo duas Vidas antiquíssimas de Santa Genoveva, mais antigas até que Gregório de Tours, os francos assediaram durante muitos anos, ou melhor, dez anos, a cidade de Paris, o que provocou uma fome extrema, estando todas as cercanias devastadas. A cidade abriu as portas, e o rei dos francos, Childerico ou Hilderico como o chamam essas Vidas, lá, pelo menos durante algum tempo, fixou moradia. A protetora dos parisienses durante tais calamidades foi Santa Genoveva.

 Na fome, arranjou-lhes mantimentos que foi procurar pessoalmente com barcos no Sena, até Arcis-sur-Aube e em Troyes. Em seguida, várias vezes obteve de Hilderico o perdão dos que ele havia condenado à morte. O rei, apesar de bárbaro e pagão, não pode deixar de respeitá-la. De resto, era tão grande a fama de Genoveva, que do fundo da Síria São Simeão Estilita pedia notícias dela e se recomendava às suas preces.
O que excitava a admiração e o afeto de todos era apenas a sua terna piedade, que a fazia verter lágrimas cada vez que erguia os olhos ao céu, não era somente a sua viva caridade para com os pobres, mas o grande número de milagres que Deus lhe permitia realizar. Viram-na, com o sinal da cruz, curar enfermos, devolver a vista aos cegos, o ouvido aos surdos, expulsar demônios, ressuscitar mortos. Viram-na realizar milagres desse gênero em vários lugares, principalmente em Paris, Meaux, Laon, Troyes, Orleans e Tours. Várias vezes foi em romaria a esta última cidade, a fim de honrar as relíquias de São Martinho. 

Tinha também particular devoção por São Dionísio de Paris, e mandou erguer-lhe, bem como os companheiros de martírio, uma igreja no lugar em que tinham vertido o sangue pela fé de Jesus Cristo. Foi ainda ela que formou o projeto da basílica dos apóstolos São Pedro e São Paulo, começada por Clóvis e terminada por Santa Clotilde. Finalmente após uma vida de 80 anos, passada na prática de toda a espécie de obras, Genoveva morreu em 3 de Janeiro de 512, cinco semanas depois que Clóvis, o primeiro rei cristão dos francos.

O seu corpo foi sepultada perto do príncipe, no recinto da nova igreja dos apóstolos, que ainda não estava concluída, e que, com o tempo tomou o nome de Santa Genoveva, trazido até o nosso século.

(Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume I, p. 122 a 128

sábado, 2 de janeiro de 2016

SÃO GREGÓRIO NAZIANZENO (de Nazianzo), Bispo e Doutor da Igreja.



1.     VIDA
São Gregório nasceu de família nobre, em Arianzo, Capadócia, em 330. Sua mãe, Nona, era uma mulher piedosa, que consagrou-o a Deus quando o concebeu. Ela também obteve a conversão de seu marido, igualmente chamado Gregório, o qual alguns anos mais tarde, em 325,  foi sagrado Bispo de Nazianzo. São Gregório estudou primeiramente na escola de Retórica de Cesárea da Capadócia; depois foi para a escola cristã de Cesárea na Palestina. Logo em seguida à Alexandria e finalmente para Atenas.[1] Teve por companheiros de estudos a São Basílio e Juliano, o apóstata.







Depois de brilhantes estudos literários, recebeu o batismo, por volta de 358, e tomou a decisão de viver a “filosofia” monástica. Entretanto, não estava inteiramente decidido, como havia prometido, a deixar a família para reunir-se a São Basílio. No entanto, passou alguns breves períodos com este, na solidão do ermo, durante os quais ambos se aplicaram ao aprofundamento teológico, estudando os escritos de Orígenes.[2]
No Natal de 361 foi ordenado sacerdote por seu próprio pai. Em 372, São Basílio o obrigou, por necessidades de sua política religiosa, a aceitar o episcopado na estação postal de Sásima, mas acabou não indo para esta cidade. Depois da morte de seu pai, em 374, dirigiu por pouco tempo a igreja de Nazianzo, mas logo se retira a Selêucia de Isáuria, onde ficou um tempo muito breve, pois um grupo de cristãos de Constantinopla dirigiu-se a ele pedindo que fosse àquela cidade, a fim de ajudar a reorganizar a igreja oprimida por uma série de Imperadores filo-arianos, mas esperançosa de melhores dias por causa da morte do Imperador Valente. São Gregório aceitou, passando dois anos em Constantinopla, desenvolvendo ação muito benéfica para os católicos. Ao chegar à cidade, encontrou todas as igrejas e prédios locais em mãos dos arianos, conseguindo residência apenas pelo fato de ter um parente na região. Conseguiu uma igreja que dedicou-a a Santa Anastácia. Seus sermões atraíam público sempre mais numeroso e em consequência abundantes conversões.[3]
Em 380, no dia 24 de Dezembro, Teodósio foi aclamado Imperador. Este apoiou os católicos e devolveu-lhes os bens que estavam em posse dos arianos. Em maio de 381 o I Concílio Geral de Constantinopla reconheceu São Gregório como Bispo da capital. Aconteceu, porém, que os Bispos do Egito e da Macedônia impugnaram tal designação. E São Gregório foi obrigado a retornar à Nazianzo, onde por mais ou menos dois anos se dedicou à cura pastoral daquela comunidade cristã. Finalmente retirou-se para Arianzo a fim de se dedicar aos estudos e levar uma vida ascética. Em 390, Deus acolheu em seus braços este servo fiel, o qual, com inteligência perspicaz, O tinha defendido nos escritos e cantado em suas poesias.[4]


2.     OBRAS
“Fui criado para me elevar até Deus com as minhas ações!”.[5] Assim concluía São Gregório Nazianzeno, sua reflexão sobre a missão que Deus lhe tinha confiado. De fato, ele colocou ao serviço de Deus e da Igreja o seu talento de escritor e de orador. Compôs numerosos discursos, vários panegíricos e homilias, muitas cartas e obras poéticas (quase 18.000 versos!): uma atividade verdadeiramente prodigiosa.[6]


2.1.  Os Discursos
As melhores composições dele são os 45 Discursos que se conservaram até hoje. A maior parte foi nos anos 379-381, o período mais importante de sua vida, quando as atenções universais se voltavam para ele, por ser bispo de Constantinopla. Eis o elenco dos mesmos:           
a) Os cinco discursos teológicos, pronunciados em Constantinopla no verão e outono de 380. Por causa destes discursos ele recebeu o titulo de “o Teólogo”. Defendia neles os dogmas da Igreja contra os eunomianos e macedonianos. Apesar de sua intenção ser especificamente a de proteger a fé nicena das más interpretações, representam o resultado maduro de um estudo prolongado e intensivo da doutrina trinitária. Além de refutar com argumentos novos o arianismo, no quinto discurso defende claramente a divindade do Espírito Santo contra os macedonianos.[7]
b) Sobre a Ordem e a Instituição dos Bispos e Sobre a Moderação e Propósito nas Controvérsias. Denuncia a paixão dos constantinopolitanos pelas controvérsias e argumentos dogmáticos. Novamente, oferece uma explicação detalhada sobre a doutrina trinitária.
c) Discurso Apologéticos. Consta das invectivas contra Juliano, o Apóstata, a quem São Gregório havia conhecido pessoalmente em Atenas. Foram compostos depois da morte do imperador.
d) Discursos Panegíricos e Hagiográficos são sermões quotidianos.
e) Os discursos de ocasião. Entre eles o mais importante de todos é o Apologeticus de fuga, onde descreve o caráter e as responsabilidades do ofício sacerdotal.

3.     ASPECTOS TEOLÓGICOS
Sua teologia se encontra explicita ou implicitamente em seus discursos, poemas e cartas, e não em comentários às Escrituras ou em algum tratado teológico. Contudo, “São Gregório representa, na teologia, um progresso claro a respeito de São Basílio, não só em terminologia e formas dogmáticas, que são melhores, senão, também, a realização da teologia como ciência e um conhecimento mais profundo de seus problemas.”[8]
Em mais de uma ocasião, trata explicitamente da natureza da teologia. Discute as fontes da teologia, as características dela, a ecclesia docens e a ecclesia discens; seus objetivos, o espírito da teologia, fé e razão, a autoridade da Igreja, a fim de precisar o máximo possível os termos, evitando ambiguidades. Para São Gregório, ser teólogo é ser “Arauto de Deus”.

3.1.  Doutrina Trinitária
Em praticamente todos os seus discursos trata sobre a Santíssima Trindade.
Dentro do discurso Sobre o Santo Batismo, apresenta um detalhado resumo de seus ensinamentos trinitários:
“Dou-lhe esta profissão de fé para que te sirva de companheira e protetora durante toda a vida: uma só divindade e um só poder, que se encontram conjuntamente nos Três e compreende aos Três separadamente; não é distinta em substância ou natureza, nem aumente ou diminui por adições ou subtrações; é igual baixo todos os conceitos, idêntica em tudo: a conjunção infinita de Três infinitos, sendo cada qual Deus se se lhe considera aparte, tanto o Pai como o Filho como o Espírito Santo, conservando a cada qual sua propriedade (ίδιότης proprietas).[9]
Seu grande mérito foi o de oferecer pela primeira vez uma definição clara das caraterísticas distintivas entre as Pessoas. Além disso, quando São Basílio trata do relacionamento entre as Três Pessoas, só o faz na relação Pai e Filho, ao passo que São Gregório já trata do Espírito Santo.[10]
Ademais, foi São Gregório quem empregou o termo ‘processão’ para tratar da relação entre o Espírito Santo e as Duas outras Pessoas Divinas. Assim explica ele: “O Espírito Santo é Espírito de verdade, que procede do Pai, mas não à maneira de filiação, porque não procede por geração, senão por processão.[11]

3.2.  Espírito Santo
Em 372, São Gregório, em um sermão público, afirmou que o Espírito Santo é Deus. Ele não titubeou – como fez São Basílio – em expressar clara e explicitamente a divindade do Espírito Santo em público. Muito bela é esta sua afirmação:
“Até quando vamos ocultar a lâmpada debaixo do alqueire e privar os demais do pleno conhecimento da divindade do Espírito Santo? A lâmpada deveria ser colocada sobre o candelabro para que ilumine todas as igrejas e todas as almas do mundo inteiro, não mais com metáforas, senão com uma declaração (Orat. 12,6).”[12]

3.3.  Cristologia
Tão profunda quanto sua doutrina sobre a Trinidade e o Espírito Santo, é sua cristologia, que mereceu à aprovação dos concílios de Éfeso (431) e de Calcedônia (451). Suas famosas cartas a Cledônio servirão à Igreja de excelente guia nos debates do século seguinte. Ele defende a doutrina essencial da humanidade completa de Cristo, incluída uma alma humana, contra as ensinamentos de Apolinário, o qual afirmava haver na humanidade de Nosso Senhor um corpo e uma alma animal onde a divindade se fazia de alma humana superior. Afirma claramente haver em Nosso Senhor as duas naturezas, humana e divina.
Entretanto, não chegou a explicitar claramente a existência de uma única Hipóstasis em Nosso Senhor, o que será afirmado no século seguinte.

3.4.  Mariologia
Já muito tempo antes do Concilio de Eféso (431), graças a São Gregório, o termo theotokos transformou-se em pedra fundamental da ortodoxia. Em um trecho de suas obras demonstra o dogma da maternidade divina de Maria que é o eixo da doutrina da Igreja acerca de Cristo e da salvação. Chega a afirmar que quem não aceita a maternidade divina de Nossa Senhora é um ateu e está fora da comunhão com a Divindade.[13]

3.5.  Doutrina Eucarística
São Gregório de Nazianzo está firmemente convencido do carácter sacrifical da Eucaristia. Em seu Apologetius de fuga descreve a Eucaristia como “o sacrifício externo, antítipo dos grandes mistérios”.[14]
Enfim, não é sem razão que o Papa Bento XVI comenta do Santo em uma audiência geral de 8 de agosto de 2007: “Teólogo ilustre, orador e defensor da fé cristã no século IV, foi célebre pela sua eloquência, e teve também, como poeta, uma alma requintada e sensível”.[15]

Por Rodrigo Fujyama
BIBLIOGRAFIA

ALBERIGO, Giuseppe (org.). História dos Concílios Ecumênicos. Tradução de José Maria de Almeida. São Paulo: Paulus, 1995.
ALTANER, Berthold; STUIBER, Alfred. Patrologia. Tradução de Monjas Beneditinas. 3.ed. São Paulo: Paulinas, 2004.
S. BASÍLIO MAGNO. Homilia sobre Lucas 12; Homilias sobre a origem do homem; Tratado sobre o Espírito Santo. Tradução de Roque Frangiotti e Monjas Beneditinas. 2.ed. São Paulo: Paulus, 2005.
BENEDETTO XVI. I Padri della Chiesa: da Clemente Romano a Sant’Agostino. Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2008.
BOGAZ, Antônio S.; COUTO, Márcio A.; HANSEN, João H. Patrística: caminhos da Tradição Cristã. 2.ed. São Paulo: Paulus, 2008.
COLOMBÁS, García M. El monacato primitivo. 2.ed. Madrid: B.A.C, 2004.
Dicionário patrístico e de antiguidades cristãs. Tradução de Cristina Andrade. Petrópolis: Vozes, 2002.
DROBNER, Hubertus. Manual de patrologia. Tradução de Orlando dos Reis e Carlos de Almeida. Petrópolis: Vozes, 2003.
LLORCA; G.ªVILLOSLADA; LABOA. Historia de la Iglesia Católica: Edad Antigua. 7.ed. Madrid: BAC, 2005.
LLORCA, Bernardino (S.J.). Manual de Historia Eclesiástica. 3.ed. Barcelona: Labor, 1951.
MONDIN, Battista. Dizionario dei teologi. Bologna: ESD, 1992.
MORESCHINI, Cláudio. Basílio Magno. Tradução de Francisco Gomes. São Paulo: Edições Loyola, 2010.
QUASTEN, Johannes. Patrología II: la edad de oro de la literatura patrística griega. Tradução de Ignacio Oñatibia (org.). 7.ed. Madrid: B.A.C., 2004.
RAMOS-LISSÓN, Domingo. Patrología. Navarra: EUNSA, 2005.
[1] Cf. BETTENCOURT, Estêvão Tavares. Curso de Patrologia. Rio de Janeiro: Paulus, 2003. p.93, 94.
[2] Cf. GRIBOMONT, Jean et al. Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs. Tradução de Cristina Andrade. São Paulo: Paulus, 2002. p. 653.
[3] Cf. QUASTEN, Johannes. Patrologia II. p. 261-263.
[4] Cf. BETTENCOURT, Estêvão Tavares. Op. cit. p. 94.
[5] Cf. Oratio 14, 6 de pauperum amore: PG: 35, 865.
[6] Cf. Cf. BENEDETTO XVI. I Padri delle Chiesa: da Clemente Romano a Sant’Agostino. Roma: Vaticana, 2008. p. 99.
[7] Cf. QUSATEN, Johannes. Op. cit. p. 264-270.
[8] Cf. QUSATEN, Johannes. Op. cit. p. 275.
[9] Apud Idem, p. 276-277.
[10] Cf. QUSATEN, Johannes. p. 278.
[11] Apud QUASTEN, Johannes. p. 278.
[12] Idem, p. 278.
[13] Cf. QUSATEN, Johannes. p. 281.
[14] Cf. QUSATEN, Johannes. Op. cit. p. 281, 282.
[15] “Illustre teologo, oratore e difensore della fede cristiana nel IV secolo, fu celebre per la sua eloquenza, ed ebbe anche, come poeta, un’anima raffinata e sensibile”  (Cf. BENEDETTO XVI. Op. cit. p. 93.)


(Fonte: http://academico.arautos.org/2013/09/sao-gregorio-nazianzeno-teologo-ilustre-orador-e-defensor-da-fe-crista/)

SÃO BASÍLIO MAGNO, Bispo e Doutor da Igreja. O maior defensor da divindade do Espírito Santo.



1. Vida

São Basílio é o único dos Padres capadócios distinguido com o sobrenome de “Grande”. O título é justificado por suas extraordinárias qualidades como estadista e organizador eclesiástico, como expoente egrégio da doutrina católica e como um segundo Atanásio na defesa da ortodoxia. Além de ser considerado como o Pai do monaquismo oriental e reformador da liturgia.[1]

 São Basílio nasceu cerca de 330, de pais nobres, ricos e piedosos, em Cesareia da Capadócia. A quantidade de santos existentes em sua família é impressionante: seu pai e sua mãe são santos; seu avô foi mártir, sua avó é Santa Macrina a Anciã; seus bisavós eram São Basílio o Ancião, e Santa Emélia; além de três irmãos: Santa Macrina a Jovem, São Pedro, Bispo de Sebaste, e São Gregório, Bispo de Nissa.[2]
Os grandes amigos: São Basílio Magno
e São Gregório de Nazianzo. 

Realizou seus primeiros estudos em Cesareia, com seu pai, seguindo depois para Constantinopla e Atenas, onde encontra São Gregório Nazianzeno, com o qual se unirá em amizade estreita durante os difíceis combates do tempo. Um de seus companheiros de estudo chamava-se Juliano, ao qual, mais tarde, a História dará o triste epíteto de “Apóstata”.

Quando Basílio voltou a Cesaréia, em 356, recebeu o Batismo e o leitorado. Após isto, decidiu vender os seus bens – uma boa quantidade – a fim de levar uma vida solitária. Pouco durou sua solidão, pois um grande número de pessoas se lhe juntaram, a fim de levarem vida monástica. Daí surgiu a instituição monacal basiliana, para qual, junto com São Gregório Nazianzeno, São Basílio comporá duas regras que, juntamente com a de São Pacômio será a base da vida monástica do oriente, como a de São Bento será para o ocidente.

Para tal institucionalização da vida monacal, empreendeu longas viagens: Síria, Palestina, Mesopotâmia, Egito, visitando cenóbios, mosteiros, a fim de deles colher inspiração.

Sua vida monacal, continuada depois destas viagens, foi interrompida em 364 pelo apelo de Eusébio, bispo de Cesaréia, que o chamou para colaborador e conselheiro. Em 370 sucede a Eusébio, tornando-se o exarca da importante diocese do Ponto.[3]

Nesta função procurou de todos os modos, acabar com o arianismo, que vivia uma época de prestígio, graças ao imperador Valente. Este, tomando conhecimento da posição de São Basílio, procurou de todas as formas amedrontá-lo, mas em vão. Primeiro, enviou o prefeito Modesto para ameaçá-lo. Este, após as firmes e inflexíveis respostas de São Basílio, exclamou com arrogância: “Nunca ninguém me falou desta maneira!” Ao que retrucou Basílio: “É porque ainda não te havias confrontado com um bispo!”.

Após este fracasso de Modesto, Valente procurou ser mais violento: dividiu a diocese de São Basílio, aumentando o poder dos arianos. Porém, mais que Valente para o mal, o santo bispo de Cesaréia era infatigável para a causa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Neste tempo, as coisas estavam de tal forma no oriente que pouquíssimos bispos ainda se mantinham unidos a Roma. União com Roma: eis uma das grandes missões de São Basílio. Tentou-a através do grande Santo Atanásio, que o ajudou durante pouco tempo, pois sua missão na terra já se realizara sendo chamado à glória de Cristo cuja divindade defendeu durante toda sua vida. Não desistiu o Santo exarca, enviando homens de confiança a um sem número de lugares. Obteve êxito extraordinário, como se verificou no sínodo de Ilíara do ano 375, onde, na presença de Valentiniano, se juntaram muitos bispos ocidentais e tomaram o partido de São Basílio. A partir de então seu prestígio não fez senão crescer, sendo a ocasião perfeita para combater o apolinarismo, o macedonianismo, e o arianismo – este último, segundo a visão de Eunômio.

Entretanto, Deus, em seus insondáveis desígnios, chamou-o a si em 379, quando ele contava apenas 50 anos.[4]

Os frutos de seus esforços logo se fizeram sentir: poucos meses depois de sua morte, num Sínodo de Antioquia, se chegava a uma concórdia entre a Igreja Oriental e Ocidental.[5]

Ao Magno Capadócio, podem se aplicar suas próprias palavras a respeito de Jó: “Campeão imbatível, que suportou violentos assaltos do demônio, semelhantes ao ímpeto de uma torrente, com ânimo imperturbável e com propósito irremovível; e nas tentações tanto se mostrou superior, quanto maiores e árduas apareciam as lutas que empreendeu com o adversário.”[6]


2. Obras

Suas obras são: Contra Eunômio; Sobre o Espírito Santo; Moralia (Τα ήθικά); duas regras monásticas; Ad adolescentes; Homilias e sermões; In Hexaemeron; Homilias sobre os salmos; Comentários sobre Isaías; Alguns outros sermões e um enorme número de cartas.


3. A teologia de São Basílio

 3.1. Doutrina Trinitária

Para os redatores do Credo de Niceia, entre os quais Santo Atanásio, não havia a distinção entre Ousía e Hypostasis, o que ocasionou muitas controvérsias. São Basílio foi o primeiro a fazer a distinção: em Deus há uma Ousía e três Hypostasis.

“Para ele, ousía significa existência ou identidade substancial de Deus, enquanto que hipóstase quer dizer a existência de uma forma particular, a maneira de ser de cada uma das Pessoas.”[7]

Tudo isto, servirá de base para o Concílio de Calcedônia (451).


3.2 Cristologia

Quanto à cristologia, São Basílio não fez senão reafirmar e esclarecer o que fora definido em Nicéia. Assim afirmou ele: “Não podemos acrescentar nada ao Credo e Nicéia, nem sequer a coisa mais leve, fora a glorificação do Espírito Santo, e isto porque nossos pais mencionaram este tema incidentalmente.” (Ep. 258,2).[8]

A mesma distinção entre Hipóstases e Ousía, usada para a doutrina trinitária, servirá para a cristologia. Refutando aos partidários do Homoiousios, escreve: “Confessa uma só ousía nos dois [Pai e Filho] para não cair no politeísmo.”[9]

Entretanto, uma das mais importantes distinções que fez, foi sobre o conceito de Relação.

Na polêmica contra Eunômio, o qual afirmava que o caráter próprio da divindade é de ser “não gerado”, São Basílio explica que os nomes Pai e Filho, não definem a essência (Ousía), mas, sim, a ‘relação’ entre Eles. São Basílio emprega o termo ‘relação’ no sentido que Aristóteles dá em suas categorias. Assim, o nome de homem, mineral, animal, dizem respeito à essência do ser. Já pai, esposo, escravo, dizem respeito à ‘relação’, pois nenhum homem seria pai sem ter filho, esposo sem esposa, ou escravo sem senhor. Desta forma, dizer que o Filho não é gerado, ou não é eterno, vale a dizer que o Pai nem sempre foi Pai, pois se não havia Filho, esta relação de paternidade, em algum momento não existiu. Cair-se-ia num ciclo vicioso…

Com esta explicitação, São Basílio iluminou toda a teologia trinitária e cristológica com um brilho difícil de ser superado, e desferiu o ‘golpe de misericórdia’ no arianismo.


3.3. A Divindade do Espírito Santo

O Concílio de Niceia, convocado para discutir a doutrina de Ario sobre a divindade do Filho, não enfrentara o problema da divindade do Espírito Santo.

São Basílio defendia a divindade do Espírito Santo de maneira firme, mas prudente. Para não criar rivalidades mais crônicas do que as já havidas com os arianos, e assim causar mais divisões na Igreja, ele afirmava a divindade da Terceira Hypóstasis, com argumentos cautelosos. Afirma que se o Batismo, cuja fórmula foi instituída pelo próprio Senhor Jesus, é realizado em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, significa que este último não é alheio à divindade das outras duas Pessoas. Portanto, o Espírito Santo não é criatura.

A partir desta afirmação, acusaram-lhe de dar ao Espírito Santo uma prerrogativa que é exclusiva do Pai: a de “não gerado”. Isto ocasionou que – alguns afirmam que por primeira vez, antes mesmo de São Gregório Nazianzeno – São Basílio empregasse o termo “procede”, tirado do Evangelho de São João 15, 26, por primeira vez em sentido técnico.

Entretanto, o Espírito Santo não foi declarado explicitamente Deus, pois isto nas Sagradas Escrituras é apenas vislumbrado. Mas a doutrina de São Basílio e dos outros capadócios será a base para o Concílio de Constantinopla, onde a divindade do Espírito Santo será definitivamente expressada.

Digna de menção é esta da passagem de sua obra Sobre o Espírito Santo: “Substância inteligente, de poder infinito, grandeza ilimitada, fora do tempo e dos séculos, em nada ciosa de seus próprios bens. Para ele [Espírito Santo] voltam-se todos os que anseiam pela santificação, para ele se dirigem os anelos dos que vivem segundo a virtude, quantos recebem o refrigério de seu sopro, e são amparados para alcançar o fim adequado a sua natureza. Aperfeiçoa os outros, enquanto Ele mesmo de nada carece. Não é um ser vivo que precise se refazer; ao contrário é provedor de vida. Não aumenta progressivamente, mas logo possui a plenitude; é consistente por si mesmo, está em toda parte. Origem da santificação, luz inteligível, concede por si mesmo certa iluminação a toda faculdade racional, a fim de que descubra a verdade. Inacessível por sua natureza, faz-se, contudo, inteligível, por bondade.”[10]


3.4. Eucaristia

Além de seguir toda a doutrina tradicional da presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo nas espécies do pão e do vinho, São Basílio menciona o costume da comunhão diária e da reserva do Santíssimo Sacramento já naquela época.


3.5. Confissão

São Basílio parece ter sido o primeiro a instituir a confissão auricular. Aconselhava-a, sobretudo, aos monges em relação a seus superiores, ainda que não fossem sacerdotes. Evidentemente, neste caso não era sacramental, mas disciplinar.

Quanto aos que cometiam pecados graves e se preparavam para receber o Sacramento da Reconciliação, “na Epístola canônica (cf. vol.1 p.419s) menciona quatro graus: o estado ‘dos que choram’, cujo posto estava fora da igreja (προίσκλαυσις); o estado dos escutam, que estavam presentes para a leitura das Sagradas Escrituras e para o sermão (άκρόασης); o estado dos que se prostram que assistiam de joelhos a oração (υπόσταση); por último, o estado dos que estavam de pé’ durante todo o ofício, mas não participavam da comunhão (σύστασις).[11]

Os três primeiros estados duravam três anos, e o último durava dois. Só após este período o pecador poderia ser readmitido na comunidade e na Eucaristia.

Como conclusão, São Basílio nos anima a lutar pela fé nestes tempos laicizados: “Estão prontos os preparativos da guerra contra nós. Os espíritos estão aguçados contra nós, e as línguas caluniadoras lançam suas flechas com maior intensidade do que a empregada ao apedrejar Estêvão aqueles que odiavam os cristãos. Mas, não se escondam! Efetivamente, pretexto para a guerra somos nós, mas na verdade o alvo em mira está mais alto. Contra nós, de fato, se preparam os mecanismos de guerra e as ciladas, e estimulam-se mutuamente ao esforço de dar cada qual o que possui em experiência e coragem. Mas é a fé que é combatida. Meta comum de todos os adversários, inimigos da sã doutrina, é abalar o fundamento da fé em Cristo, arrasando, fazendo desaparecer a Tradição Apostólica.”[12]

Por Rodrigo Fujyama

[1] Cf. QUASTEN. Patrología II. p. 224.

[2] Cf. DROBNER. Manual de Patrologia. p. 276; MONDIN, Battista. Dizionario dei teologi. p. 99.

[3] Cf. ALTANER; STUIBER. Patrologia. p. 293.

[4] Cf. LLORCA; G.ªVILLOSLADA; LABOA. Historia de la Iglesia Católica: Edad Antigua. 7.ed. BAC: Madrid, 2005. p. 462.

[5] Idem.

[6] S. BASÍLIO MAGNO. Homilia sobre Lucas 12, Homilias sobre a origem do homem, Tratado sobre o Espírito Santo. Tradução de Roque Frangiotti e Monjas Beneditinas. 2.ed. São Paulo: Paulus, 2005. p. 25.

[7] Apud QUASTEN. Patrología II. p. 252.

[8] Idem, p. 251.

[9] Idem, p. 254.

[10] SÃO BASÍLIO MAGNO. Op. Cit. p. 115.

[11] QUASTEN. Patrología II. p. 259.

[12] SÃO BASÍLIO MAGNO. Op. Cit. p. 117-118.


Fonte: http://academico.arautos.org/2013/09/sao-basilio-magno/