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quarta-feira, 13 de julho de 2016

SANTA TERESA DE LOS ANDES, Virgem. Primeira Santa Carmelita das Américas e Patrona da Juventude Latino-Americana. - 13 de julho


Quais eram os anseios mais profundos de Juanita Fernandez Solar, essa moça carinhosa e bela, que nos deleita com seu trato afetuoso e alegre? Sua alma, excessivamente pura para ficar no mundo, ansiava se converter em esposa mística de Cristo.


Observe, leitor, a fotografia de “Juanita” Fernández Solar. É uma jovem de 18 anos, nas vésperas de entrar para um austero convento carmelita no qual tomou o nome de Irmã Teresa de Jesus. Viveu santamente nesse convento durante nove meses apenas. Morreu aos 19 anos, como vítima expiatória pelos sacerdotes, por sua família, pela sociedade em que brilhara. E hoje é conhecida e venerada em todo o mundo como Santa Teresa de los Andes.

Numa primeira vista, sua fisionomia agrada. Ela é bela e acolhedora. Em seu rosto, ainda muito jovem, destacam-se luminosamente seus lindos olhos azuis. Embora aristocráticos e altivos, cientes de seu próprio valor, eles não rejeitam quem está diante de si. Pelo contrário, parecem nos acolher, nos introduzir na presença desta jovem, não de uma forma protocolar como quem diz: "Prazer em conhecê-lo", mas envolvendo-nos com um afeto suave e discreto de tal forma que, após alguns segundos contemplando-a, nos sentimos como se ela já fizesse parte de nossa vida.

A fotografia denota uma pureza alcandorada, uma inocência reluzente. Juanita até dá a impressão de que a Providência a tenha limpado do pecado original já nos primeiros instantes de sua vida. Como todas as impressões, estas têm algo de pessoal, mas por certo o efeito que esta fotografia produz em nós tem muito a ver com a jovem por ela representada.


Santa Teresa de Los Andes aos 03 anos. 
Alma contemplativa

Primeira santa carmelita latino-americana, Santa Teresa de los Andes nasceu em Santiago do Chile, em 13 de julho de 1900, numa família católica e aristocrática. "Jesus não quis que eu nascesse como Ele, pobre. E nasci no meio das riquezas, mimada por todos" - escreve em seu diário.

Seus biógrafos coincidem em ressaltar que ela era sempre o centro das atenções onde estivesse, pela sua amabilidade, graça e simpatia. Era alegre e comunicativa, mas também séria e de um temperamento enérgico.

Suas brincadeiras eram animadas e entusiasmadas. À sua casa acorriam muitos parentes e amigos. Uma tarde anunciou a todos os seus irmãozinhos e primos que presenciariam algo nunca visto por olhos humanos. Eles teriam o privilégio de assistir à Assunção da Santíssima Virgem. Os meninos se puseram diante de uma mesa sobre a qual estava uma imagem de porcelana da Virgem Maria, com uma coroa de metal. Juanita escondeu-se atrás de um biombo e "magicamente" a imagem começou a subir, ante a admiração dos pequenos, até desaparecer por trás de um cortinado. O "milagre" tinha sido operado por Juanita por meio de um delgado fio amarrado na coroa da imagem.

*   *   *

Quando se tratava de brincar, era a primeira de todas, a mais animada, a mais alegre, a mais ativa. Na fazenda Chacabuco, de seus pais, andava a cavalo montada de lado como uma grande dama. Era difícil ultrapassá-la nos passeios a galope com seus irmãos e primos. Nas férias, no balneário de Algarrobo, perto de Valparaíso – em um ambiente de pudor e compostura hoje difícil de imaginar – era ela uma ousada nadadora. Jogava tênis. Fazia caminhada com as amigas.

Mas, sobretudo, contemplava. Em carta a uma amiga, escrevia: "Não podes imaginar paisagens mais bonitas que as que víamos... colinas cobertas de árvores e no fundo uma abertura onde se via o mar, sobre o qual se refletiam nuvens de diversas cores. E, por trás, o sol ocultando-se. Não podes imaginar coisa mais bela, que faz pensar em Deus, que criou a terra tão formosa. Que será o Céu? - pergunto-me muitas vezes."

E à Madre Priora do Carmelo que a iria acolher, contava: "O mar, em sua imensidade, me faz pensar em Deus, na sua infinita grandeza. Sinto então uma sede do infinito." Estando já no Carmelo, e sabendo que sua mãe passaria férias de novo na mesma praia, lhe escrevia: "Cada vez que a senhora olhar o mar, ame a Deus por mim, mãezinha querida."


Santa Teresa com sua irmã Rebeca 

(com a cabeça reclinada no 
ombro da irmã) que, mais tarde, 
entraria também no Carmelo
Festejada por todos

Suas companheiras de aula a descrevem como sendo uma moça alegre e amável, suave no trato, de maneiras muito finas, firme e constante na ação. Entretida e divertida por seu caráter alegre e sem complicações. Muito bonita, com belos olhos azuis, nariz bem cortado, tez branca, bastante alta. Todas a festejavam. Tinha uma bela voz de contralto e sempre lhe pediam que cantasse.

Durante as férias na fazenda, muito cedo se dirigia à capela para saudar o Senhor Sacramentado e tocar o harmônio como forma de oração. Durante as tardes, após o rosário em família, pediam-lhe para tocar também o harmônio, o que ela fazia com encanto de todos, mas, sobretudo, de Deus. Escrevia muito bem, e no colégio obtinha as melhores notas em literatura, história, religião e filosofia. Suas colegas sempre procuravam sua companhia e a chamavam carinhosamente de mater admirabilis.


Foto da Santa (primeira, à esquerda, sentada) com amigos e familiares. 



O afeto e o carinho familiar que uma sociedade perdeu

Na vida hostil, impura e materialista de nossos dias, é difícil entender o que era o afeto existente nas famílias católicas, há poucas décadas. Vejamos, a título de amostra, alguns trechos de uma carta que Juanita escreveu a seu pai, o qual ficara no campo trabalhando, enquanto a família passava férias de verão no balneário de Algarrobo. Depois de narrar-lhe belos passeios e exercícios de natação, Juanita manifesta a seu pai seu filial carinho: "Como o senhor vê, paizinho, não falta mais que o senhor para sermos felizes. Enquanto nós nos divertimos aqui, o senhor está trabalhando, de sol a sol, para nos proporcionar comodidade. Não temos, paizinho, meio de lhe pagar, pois é grande demais seu sacrifício. Mas nós, seus filhos, compreendemo-lo e o enchemos de carinho e cuidados, pois achamos que esta é a melhor maneira de agradecer a um pai. Por que não vem aqui pelo menos por uns dias? Não sabe a tristeza que me dá quando vejo as outras meninas felizes com seus papais. Por favor, venha, pois nós o temos tão pouco durante o ano!"

Em outra carta, assim se despede do pai: "Receba, paizinho, abraços e beijos de mamãe e de meus irmãos, mais mil beijos e carinhos desta sua filha que mais lhe quer e que se lembra a cada momento de seu paizinho querido."

O pai, por sua vez, mostra a reciprocidade do afeto, numa carta escrita depois de tê-la autorizado a entrar no Carmelo:

"Minha filhinha querida:
Recebi as duas cartas pelo que muito te agradeço, embora me façam tanto sofrer, ao pensar que quem me escreve e que me toca desta forma a alma vai se separar de mim para sempre. Mas o sacrifício está feito e eu o ofereci a Deus para que me perdoe por aquilo em que eu O tenha ofendido na minha vida. E como o sacrifício é tão grande, Ele o vê e o terá em conta.
Minha querida filhinha, não sabes o bem tão grande que tuas cartas me fazem, não só agora, mas antes mesmo de tua resolução, porque via nelas tanto carinho e ternura. Elas me deram nova vida e desejo de trabalhar por teus irmãos (...)
Feliz, tu, mil vezes, minha filhinha, que te consideras feliz e sentes essa paz de alma que tão poucos podem sentir e que há tanto tempo foge de mim. Só desfruto algo dela depois das férias que passamos juntos na intimidade” (...)
Não creias em nenhum momento, minha querida filhinha, que me tenha arrependido de haver-te dado meu consentimento. Muito pelo contrário. Pois creio que as preces de uma alma tão pura como a tua serão ouvidas por Deus, e elas me acompanharão o resto de minha vida e serão meu melhor refúgio para me preservar dos muitos perigos. E não te esqueças jamais que meu pensamento te acompanhará noite e dia (...) Que Deus me mande todas as provas e sofrimentos e os afaste de ti.
"Não te canses, minha filhinha, de continuar pedindo por teu pobre papai... Para ti, um milhão (de beijos e abraços) de teu pai que não te esquece um instante."

A Santa em sua Primeira Comunhão
As graças místicas iluminaram toda a sua vida

Aos dez anos, a pequena Juanita fez sua Primeira Comunhão. Desde então, como ela revelou a seu confessor, o Pe. Antonio Falgueras, SJ, "Nosso Senhor me falava depois de comungar; dizia-me coisas das quais eu não suspeitava. E quando eu Lhe perguntava, me revelava coisas que iam suceder e que de fato aconteciam. Mas eu achava que ocorria o mesmo com todas as pessoas que comungavam."

Em carta a seu pai, pedindo permissão para ser carmelita, narra: “Desde pequena amei muito a Santíssima Virgem, a quem confiava todos os meus assuntos. Só com Ela me desafogava. Ela correspondeu a esse carinho; protegia-me, e escutava sempre o que eu lhe pedia. E Ela me ensinou a amar Nosso Senhor (...) Um dia (...) ouvi a voz do Sagrado Coração que me pedia que eu fosse toda d'Ele. Não creio que isso tenha sido uma ilusão, porque nesse mesmo instante me vi transformada: aquela que procurava o amor das criaturas, não desejou senão o de Deus”.

Já no Carmelo de Los Andes, escreve ao Padre Colón, SJ: "Também Nosso Senhor se apresenta a mim, às vezes, interiormente e me fala. Durante aproximadamente uma semana, vi-O na agonia, mas de uma maneira tal como jamais teria sonhado. Sofri muito, porque essa imagem me aparecia constantemente e me pedia que O consolasse. Depois foi o Sagrado Coração, no tabernáculo, com o rosto muito triste. E, por último, no dia do Sagrado Coração, apresentou-Se a mim com uma ternura e beleza tal que minha alma se abrasava em seu amor."


Foto da Santa tirada por familiares 

na véspera de sua entrada no Carmelo.
Como nunca mais os familiares iriam 
ver o rosto de Juanita novamente, 
pediram que ela tirasse uma foto 
vestida de carmelita,  para 
guardar de lembrança. 
Escrava de Maria, grandes provações

A jovem Juanita ingressou no convento de Los Andes no dia 7 de maio de 1919. Recebeu o hábito de noviça em 14 de outubro do mesmo ano, tomando o nome de Irmã Teresa de Jesus. No dia 8 de dezembro, consagrou-se como escrava de Maria, segundo o método ensinado por São Luís Grignion de Montfort. Doravante, seus atos e sacrifícios seriam todos para Nossa Senhora. "Combinei com a Santíssima Virgem que Ela passasse a ser meu sacerdote, que me oferecesse a cada momento pelos pecadores e pelos sacerdotes, mas banhada com o sangue do Coração de Jesus" - escreveu.

No curto tempo passado por Juanita no convento, sua superiora, com um extraordinário senso das almas, determinou que continuasse seu apostolado por meio de cartas à sua família e às suas amigas. Os resultados não se fizeram esperar. Sua mãe se fez carmelita descalça secular. Sua irmã menor, Rebeca, ingressou no mesmo convento, meses após a morte da Irmã Teresa. Várias de suas amigas, moças da melhor sociedade, tinham por ela tal estima e admiração que decidiram também consagrar suas vidas a Jesus, no Carmelo ou em outros institutos religiosos. Atravessando crises e ambientes adversos, perduram até hoje os efeitos de seu bom exemplo, atraindo muitas jovens para a vida contemplativa e para as atividades de apostolado leigo na sociedade.

No dia 01 de abril de 1920, a Irmã Teresa adoeceu gravemente. Ante a iminência de sua morte, e dada a santidade de sua vida, a madre superiora permitiu que fizesse os votos de carmelita professa e Esposa de Cristo, in articulo mortis, no dia 7 desse mês.

Mas estavam por vir as grandes provações espirituais que uma vítima expiatória costuma receber. Quis Deus que ela, como outros santos, sofresse a terrível sensação de ter sido não só abandonada, mas condenada por Ele. Assim, ardendo em febre, fazia esforços para retirar seu escapulário e afastar os objetos de piedade que a rodeavam. Num tom de voz acabrunhador, exclamou: "Nunca pensei que a Santíssima Virgem fosse me abandonar!". Depois de certo tempo de luta terrível, foi-se acalmando aos poucos, até que num momento disse sorrindo, como se tivesse uma visão: “Meu esposo”! Morreu suavemente três dias depois, em 12 de abril de 1920.

De forma inesperada, o povo da cidade de Los Andes acorreu em grande número ao velório dessa até então desconhecida freira, que vivera apenas nove meses no Carmelo. Todos pediam para tocar seus objetos de piedade no corpo da "santa", todos recebiam graças de paz, de benquerença, de afervoramento e de piedade.

Em 03 de abril de 1987, S.S. João Paulo II beatificou a Irmã Teresa. Sua fama de santidade cresceu de forma impressionante no Chile e em todo o mundo, sem que ninguém se preocupasse em difundi-la. Por fim, o mesmo Papa a canonizou, no dia 21 de março de 1993. Um imponente santuário foi construído em sua honra, tendo como fundo de quadro uma grandiosa vista da Cordilheira dos Andes.


(Fonte: Revista Arautos do Evangelho, Fev/2003, n. 14 e Março/2003, n. 15)

domingo, 10 de julho de 2016

SANTA VERÔNICA GIULIANI, Virgem e Mística Estigmatizada



Grande mística, participou dos sofrimentos de Nosso Senhor na Paixão, tendo os cinco estigmas de Cristo sido impressos em seu corpo.

A vida extraordinária de Santa Verônica Giuliani nos dá um exemplo do cuidado com o qual a Santa Madre Igreja lida com os fenômenos místicos e com aqueles que os recebem. Suas experiências místicas e as graças sobrenaturais que recebeu figuram no relato que por obediência ela escreveu a seu confessor e nos dados biográficos por este compilados após a morte de sua dirigida.

Verônica nasceu no dia 27 de dezembro de 1660 em Mercatelo, pequena cidade do ducado de Urbino, nos antigos Estados pontifícios, hoje território da Itália. Seu pai foi Francisco Giuliani e sua mãe, Benta Mancini, senhora de rara piedade. Sétima filha do casal, Verônica recebeu no batismo o nome de Úrsula.

Quando Benta esperava por essa filha, foi cumulada com graças de saúde, piedade, paz e confiança em Deus, que pressagiavam o futuro excepcional destinado à criança. Com efeito, nos partos anteriores Benta sempre se sentira fraca, sem coragem e lânguida. Neste, foi tudo ao contrário.

Com um ano e meio Úrsula pronunciou suas primeiras palavras. Foi quando, levada por uma empregada à mercearia, vendo que o vendedor roubava no peso da mercadoria, disse-lhe com voz forte e clara: “Sê justo, pois Deus te vê”.1

Aos três anos de idade, Úrsula já tinha comunicações familiares com Jesus e Maria. Colocava seu almoço num pequeno altar diante de uma imagem da Madona, e convidava o Infante Jesus a dele participar. Comprazida com essa inocência e simplicidade, Nossa Senhora animava sua imagem, e o Menino Jesus descia de seus braços para tomar o alimento com sua pequena serva.

Ao morrer precocemente, Benta legou às suas cinco filhas, como testamento espiritual, as cinco chagas de Nosso Senhor. A Úrsula coube a chaga do lado. Embora ela tivesse somente quatro anos de idade, essa chaga seria objeto especial de sua devoção e fonte de graças e virtudes.

Imperfeições de caráter
Quando sua mãe faleceu, Úrsula passou aos cuidados de um tio. A menina era extremamente caridosa para com os pobres, dando-lhes até parte de seu vestuário quando nada mais tinha. Uma vez deu seus sapatos a uma pequena pedinte, e viu-os depois, engrandecidos, nos pés de Nossa Senhora.

Aos 16 anos, manifestou-se nela uma imperfeição de caráter que precisava ser corrigida. Em seu zelo excessivo, repreendia e até maltratava a quem visse cometendo alguma falta. Assim, deu uma bofetada numa criada a quem viu agindo mal. Quando as pessoas não queriam participar de suas práticas religiosas, ela se tornava ditatorial. Nosso Senhor mostrou-lhe então que seu coração parecia feito de aço. Úrsula também se acusa em seus escritos de ter tido má complacência com o teor mais elevado de vida que passou a ter quando seu pai, nomeado superintendente da fazenda em Placência, levou consigo as filhas.

Francisco Giuliani sonhava para a filha caçula um muito bom casamento. E pretendentes não faltaram. Mas havia muito tempo que Úrsula decidira entregar-se inteiramente a Deus. Depois de muita insistência, obteve licença do pai e entrou no convento das monjas capuchinhas de Città di Castello, onde foi recebida com o nome de Verônica. Tinha ela 17 anos.

Na cerimônia de recepção, presidida pelo bispo, este disse à abadessa do convento: “Eu recomendo esta nova filha ao vosso especial cuidado, porque ela será um dia uma grande santa”. Nunca ele foi tão grande profeta!

Modelo de obediência e humildade
O noviciado da Irmã Verônica foi muito difícil devido aos esforços do demônio para desencorajá-la. As paredes do convento pareciam-lhe muito austeras, do mesmo modo que os rostos das freiras. Nenhuma delas atraía sua simpatia. Mas ela venceu todas essas repugnâncias, fazendo sua profissão religiosa no ano seguinte.

Nos bons tempos, em quase todos os conventos, a noviça era designada para os afazeres mais modestos, a fim de praticar as virtudes da obediência e da humildade. Assim ocorreu com Verônica. Foi sucessivamente faxineira, cozinheira, enfermeira, porteira e sacristã, trabalhando sempre com espírito sobrenatural e unida à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. De tal maneira ela conquistou as outras religiosas, que foi depois escolhida para a delicada função de Mestra de Noviças. Durante os 22 anos em que exerceu esse cargo, Verônica formou muitas religiosas que chegaram a altos graus de perfeição. Foi então escolhida como Abadessa, cargo que exerceu durante os últimos 11 anos de sua vida.

Às voltas com o Santo Ofício
"Parecia que o Senhor plantava sua cruz em meu coração e que assim me fazia compreender o preço dos sofrimentos"
Desde o tempo do noviciado, a união de Verônica com a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo crescia a cada dia. De tal modo ela começou a participar da Paixão, que a si mesma chamava “Filha da Cruz”. Ela descreve a experiência mística que teve nesse tempo: “Pareceu-me ver Nosso Senhor que levava a Cruz sobre os ombros, e me convidava a partilhar com Ele essa carga preciosa. Experimentei ardente desejo de sofrer, e parecia que o Senhor plantava sua cruz em meu coração e que assim me fazia compreender o preço dos sofrimentos”.2

Tais sofrimentos foram terríveis. Dolorosas e intermináveis enfermidades, tentações violentas, aridezes e desolações interiores. Santa Verônica afirmou então que a cruz e os instrumentos da Paixão foram impressos de maneira sensível em seu coração. E desenhou num cartão em forma de coração o lugar em que estava cada um. Quando, depois de sua morte, na presença do bispo, do governador da cidade, de professores de medicina e de sete outras testemunhas dignas de fé, abriram o seu coração, constatou-se com estupor que nele estavam desenhados os símbolos da Paixão tal e qual ela havia descrito.

Um dia Verônica pediu a Nosso Senhor para participar de sua coroa de espinhos. O Divino Mestre a colocou em sua cabeça. Verônica experimentou uma tão inaudita dor, como jamais tinha sentido. E essa coroa permaneceu em sua cabeça até o fim de sua vida. Ao intervirem, os médicos aumentaram ainda mais seus padecimentos, aplicando um bastão de fogo na sua cabeça e furando-lhe a pele do pescoço com uma agulha incandescida. Nada conseguindo, foram obrigados a reconhecer que aquela “enfermidade” lhes era desconhecida.

Verônica recebeu também os estigmas, os quais eram visíveis às outras irmãs. Seu confessor ficou assustado. Tantos fenômenos místicos o deixavam desnorteado. Foi falar com o bispo. Este consultou então o Santo Ofício, que o encarregou de pôr à prova a obediência, a humildade e a resignação de Verônica, pois estas constituem a base de toda santidade.

Começaram por destituí-la do cargo de Mestra de Noviças. Ela foi também separada da comunidade e encerrada num quarto da enfermaria com a proibição de ir ao coro, exceto nos dias de preceito para ouvir missa. Não podia ir ao locutório nem escrever cartas, a não ser para suas irmãs também religiosas. Pior ainda, foi designada uma irmã conversa para dirigi-la, com ordem de tratá-la com toda severidade. E o que mais a fez sofrer: proibiram-na de receber a Sagrada Comunhão.

Pode-se dizer que no caso de Verônica Giuliani todas as precauções inspiradas pela prudência humana para bem conhecer a verdade foram então empregadas pelo bispo de Città di Castello orientado pelo Santo Ofício.

Depois de um período de prova, o bispo, D. Lucas Antonio Eustachi, escreveu ao Santo Ofício, em carta de 26 de setembro de 1697: “A Irmã Verônica continua praticando uma exata obediência, profunda humildade e abstinência surpreendente, sem dar o menor sinal de tristeza. Pelo contrário, aparece com uma paz e uma tranqüilidade inalteráveis. É objeto da admiração de suas companheiras, as quais, incapazes de ocultar a grata impressão que lhes produz, falam disso a outras pessoas. Apesar de eu impor penitência às que mais falam, para que não alimentem a curiosidade do povo, que em suas conversações não tratam de outra coisa, custa-me grande trabalho lograr uma moderação”.3

Mística dotada de muito senso prático
Santa Verônica tinha uma caridade ardorosa pela conversão dos pecadores e libertação das almas do purgatório. Foi-lhe revelado que, por suas penitências e orações, ela converteu ao bom caminho inúmeros pecadores e libertou muitas almas das chamas do Purgatório, as quais lhe apareciam para agradecer por essa caridade.

Tendo passado por todas essas provas, Santa Verônica foi eleita abadessa do mosteiro em 1716, começando então para esse setor religioso uma época de grande prosperidade. Pois, apesar de acentuadamente mística e espiritual, Santa Verônica possuía um senso prático muito desenvolvido, a exemplo de outra grande mística, Santa Teresa de Ávila. Mandou fazer todo um sistema de encanamentos para que o convento tivesse água própria, construiu um grande dormitório e uma capela interior, e procurou para a comunidade todas as comodidades compatíveis com o espírito de sua Regra.

Santa Verônica Giuliani faleceu aos 67 anos de idade, no dia 9 de julho de 1727.

E-mail para o autor: catolicismo@terra.com.br

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Notas:
1. Father Cuthbert, Saint Veronica Giuliani, The Catholic Encyclopedia, CD Rom edition.
2. Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1948, tomo IV, p. 94.

3. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo VIII, p. 223.




sexta-feira, 8 de julho de 2016

SANTA MARIANA DE JESUS PAREDES Y FLORES, Virgem (A "Açucena de Quito).


Prodígio de penitência e mortificação, essa Santa foi dotada do dom dos milagres e da profecia, chegando a ressuscitar duas pessoas. Vítima expiatória, faleceu aos 26 anos, oferecendo sua vida para que Deus livrasse a cidade de Quito da peste e dos terremotos que a abalavam.


Foi na ilustre Quito, então pertencente ao Vice-Reino do Peru, que nasceu Marianita a 31 de outubro de 1618. Oitava filha do Capitão Dom Jerônimo de Paredes y Flores, originário de Toledo, e Dona Mariana de Granobles de Xamarillo, descendente dos primeiros conquistadores do país, que aliavam a nobreza do sangue à das virtudes.

O modo excelente pelo qual praticou as virtudes durante sua vida deve ser altamente admirado, embora não seja de molde a ser imitado pelo comum dos fiéis.

Aos quatro anos perdeu o pai. A mãe, acabrunhada de dor, resolveu passar algum tempo numa casa de campo. Montada numa mula, levava sua filhinha ao colo. Quando foram transpor celeremente um riacho, a mula tropeçou e a criança caiu. Mas seu anjo da guarda a amparou no ar até que fosse recolhida pela aflita mãe.

Pouco tempo depois a menina ficava duplamente órfã, pois faleceu sua virtuosa mãe. Mas, antes, esta a havia confiado à filha mais velha, casada então com o Capitão Cosme de Casso.  Esse jovem casal já tinha três filhas mais ou menos da idade de Mariana, e deu-lhes a mais esmerada formação. De uma inteligência muito viva e alerta, Marianita aprendia com facilidade tudo quanto lhe ensinavam, mas sobressaiu-se sobretudo na música e canto. Dotada de bonita voz, entretanto só queria utilizá-la para entoar cânticos religiosos e louvores de Deus.


De uma piedade precoce, com suas sobrinhas da mesma idade organizava procissões, a Via-Sacra, e rezavam juntas o Rosário. Entretanto, a piedade de Mariana ia mais além. Desde os seis anos, por penitência, deixou de comer carne, peixe e laticínios. Disciplinava-se (castigava-se) com folhas de urtiga, e uma vez sua irmã mais velha descobriu que ela usava um cilício de ásperas folhas.

Um dia em que as quatro crianças brincavam em determinado local do quintal, subitamente Mariana fez com que suas jovens sobrinhas saíssem rapidamente. Apenas tinham-no feito, uma parede desmoronou exatamente onde elas se encontravam.

A irmã e o cunhado, vendo que ela tinha uma piedade muito acima de sua idade, procuraram conseguir com que ela fizesse a Primeira Comunhão aos sete anos, quando o costume era então aos 12. Um jesuíta chamado para examiná-la surpreendeu-se com a maturidade da menina e seu adiantamento na via da virtude. Deu-lhe a Primeira Comunhão e passou a dirigi-la espiritualmente. Foi então que ela acrescentou o nome “de Jesus”, para mostrar que só a Ele pertencia. E, iluminada por uma luz interior, fez o voto de castidade perpétua.

Inflamada pelo amor de Deus, Marianita queria que todos participassem de seu ardor. Nasceu-lhe assim o desejo de evangelizar os índios Mainas, e convenceu suas sobrinhas a segui-la nessa empresa. Tinha já conseguido a chave da casa para saírem à noite, mas, contra seu costume, adormeceu até a manhã seguinte, e o plano gorou.

Pensou então em serem eremitas junto a um oratório abandonado no monte Pichincha, erigido outrora a Nossa Senhora para que Ela preservasse a cidade das erupções desse vulcão. Mas, estando já a caminho, foram detidas por um touro que lhes impediu obstinadamente a passagem.

No próprio lar: reclusão e vida religiosa
Quando Mariana completou 12 anos, seu cunhado e a irmã, vendo o trabalho que a graça operava na menina, quiseram encaminhá-la a um convento onde pudesse desenvolver todos os pendores de sua alma. Ela escolheu o das franciscanas. Por duas vezes, estando o enxoval pronto e, como era costume na época, os parentes convidados para acompanhá-la, circunstâncias imprevistas impediram a realização do plano. Mariana então comunicou a seu confessor que Deus lhe revelara que a queria vivendo recolhida, mas no mundo. O confessor falou com seus responsáveis, que concordaram com isso.

Mais ainda – e isso mostra um aspecto daquela época de fé –, o casal separou três cômodos da casa para a adolescente levar sua vida de reclusa. Isso na idade de 12 anos! E mobiliaram os aposentos de acordo com a posição da família. Mariana, contudo, fez tirar os móveis e mobiliou os aposentos a seu modo: um leito forrado com pranchas de madeira de forma triangular, uma cruz coberta de espinhos, um caixão de defunto com um esqueleto de madeira e uma caveira. Uma das salas foi transformada em capela, colocando ela no altar as imagens do Menino Jesus e da Virgem Maria. Mariana adotou então uma túnica negra do mesmo tecido da batina dos jesuítas, com uma faixa à cintura e a cabeça coberta com um véu de lã também preta.

Depois de se trancar nos novos aposentos, renovou o voto de castidade e fez os votos particulares de obediência e pobreza. Não saía senão para ir à igreja e – a fim de praticar a humildade e mortificação – servir as refeições para a família. Só que não tocava nos delicados pratos servidos, mas dava sua parte aos pobres, contentando-se com água e um pedaço de pão. Algumas vezes passava dias só com a Sagrada Eucaristia.

Mariana não dormia mais que três horas por noite, sendo que às sextas-feiras dormia no caixão.

Levantava-se às 4 horas da manhã, tomava longa disciplina, e depois fazia meditação e recitava parte do Ofício Divino. Dirigia-se então à igreja para confessar-se e assistir à Missa. Muito devota das almas do Purgatório, dedicava-se diariamente, das 8 às 9 da manhã, a ganhar indulgências a favor delas. Recitava depois o terço, fazendo em seguida algum trabalho manual em favor dos pobres. Servia então a refeição da família, e, voltando a seus aposentos, recitava Vésperas e fazia seu exame de consciência. Trabalhava de novo até às 17 horas, quando fazia sua leitura espiritual e depois rezava as Completas. Das 18 horas a 1 da manhã ocupava-se de coisas diversas, em geral fazia outra meditação e leitura da vida dos santos.

Seu amor aos pobres era sem limites. Como não possuía nada pessoal, pediu licença ao cunhado para dar-lhes esmolas com víveres da casa. E o fazia generosamente. Mas como Deus não se deixa vencer em generosidade, à medida que Mariana dava aos pobres, Ele aumentava as provisões da família.

É claro que essa vida tão penitente e o jejum quase contínuo de Mariana deixaram-na muito fraca e macilenta. Isso atraiu o elogio do povinho, que via nela uma santa. Ela suplicou então a Nosso Senhor que lhe mudasse a aparência, para evitar tais comentários. E realmente ficou com aspecto saudável, rosto corado, o que não levava a supor a severidade de suas penitências. Estas, entretanto, não lhe tiravam a alegria, que ela demonstrava tocando sua guitarra e cantando para consolar e distrair os infelizes.

Além das penitências procuradas, Mariana queria sofrer ainda mais por amor de Deus. Recebeu então como dádiva diversas moléstias dolorosas, o que a obrigava a ser sangrada muitas vezes. Uma empregada pegava esse sangue e jogava num buraco no jardim, onde ele permanecia rubro como se estivesse fresco. Depois da morte da santa, nele brotou um lírio de admirável beleza. Mariana, por causa da alta febre, era frequentemente devorada pela sede; mas, para imitar o Divino Mestre, que teve sede na Cruz, passava às vezes até 15 dias sem beber.

 Fachada da bela igreja da Companhia, em estilo jesuítico (gravura do século XIX).

Perseguição diabólica, profecias, milagres e ressurreições.

A esses sofrimentos acrescentem-se as perseguições do demônio, que queria levá-la algumas vezes ao desânimo, outras ao desespero.

Mariana de Jesus fez diversas profecias, que se realizaram tais como ela havia predito. Por exemplo, que a casa de seu cunhado seria transformada em convento, e que o lugar de seu alojamento seria o coro das religiosas. Com efeito, mais tarde as carmelitas descalças ali se estabeleceram.

A Serva de Deus recebeu o dom dos milagres, entre os quais se referem duas ressurreições. Sua sobrinha Joana, viajando, confiou-lhe sua filhinha. Um dia em que a criança brincava perto de umas mulas, uma destas lhe deu um coice na cabeça, fraturando-a mortalmente. Mariana fez com que a levassem à sua cela e rezou sobre ela, restituindo-lhe a vida.

Outro caso aconteceu com a mulher de um índio, empregado da família. Supondo ele injustamente que sua mulher lhe era infiel, arrastou-a para a floresta, surrou-a selvagemente, estrangulou-a e jogou o corpo num precipício. Tudo isto Mariana viu milagrosamente. Chamou um comerciante amigo da família e pediu-lhe em segredo que fosse buscar o corpo e o trouxesse sigilosamente para sua cela. Tendo-o junto a si, começou a esfregar-lhe pétalas de rosa. Imediatamente a índia voltou à vida. Depois revelou que, no meio de seu suplício, viu Mariana dizendo-lhe que tivesse coragem.

Oferecendo-se como vítima, salvou Quito do terremoto e da peste.

Em 1645, uma terrível epidemia abateu-se sobre Quito, fazendo inúmeras vítimas, ao mesmo tempo em que ocorriam terríveis tremores de terra. No dia 25 de março, assistindo à Missa, Mariana ouviu seu confessor referir-se, durante o sermão, à necessidade de se aplacar a cólera de Deus com sacrifícios e penitências. Movida pelo Divino Espírito Santo, fez ela oferecimento de sua vida pela população da cidade.

No dia seguinte, foi atacada por diversas doenças, ao mesmo tempo em que cessavam os tremores de terra e a peste. Mas a população ficou consternada ao tomar conhecimento do estado de saúde desesperador em que se encontrava aquela que veneravam como santa. Todos queriam vê-la, tocá-la, informar-se de seu estado. Mas só o Bispo foi admitido.

Mariana recebeu os últimos Sacramentos com verdadeira alegria, e quis receber a Comunhão de joelhos, apesar da fraqueza em que se encontrava. Para morrer sem nada de seu, pediu para ser transportada ao quarto de sua sobrinha, a fim de morrer em cama emprestada.

No dia 26 de maio de 1645, aos 26 anos, aquela que era chamada em vida a Açucena de Quito entregou sua alma a Deus. Logo uma multidão acorreu para venerar seu sagrado corpo e obter alguma relíquia.

Mariana de Jesus Paredes y Flores foi beatificada por Pio IX em 1850 e canonizada, 100 anos depois, por Pio XII. A República do Equador proclamou-a Heroína Nacional.

(Plinio Maria Solimeo, no site "Catolicismo")

Obras Consultadas:
Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo VI, pp. 229 e ss.
John J. Delaney, Dictionary of Saints, Doubleday, New York, 1980, p. 445.
Pe. José Leite, S. J., Santos de Cada Dia, Editorial A. O., Braga, 1987, pp. 147 e ss.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Beata Maria Teresa de São José (Ana Maria Tauscher), Virgem e Fundadora (das Irmãs Carmelitas do Divino Coração de Jesus).



Ana Maria Tauscher, que se tornaria Madre Maria Teresa de São José, nasceu em Sandow, uma pequena cidade cerca de 100 km sudeste de Berlim (atualmente Polônia). O pai de Ana Maria, Herman Traugott Tauscher, um pastor protestante de alto cargo, exercia a profissão que era a mesma de seus antepassados desde a época de Martinho Lutero.

No entanto, desde a idade de 15 anos, Ana Maria aspirava a uma verdade ainda mais profunda que aquela que lhe tinha sido transmitida através da sua educação luterana. Aos 22 anos, ela começou a ler quotidianamente a Sagrada Escritura e a Imitação de Cristo. Um dia, frente a alguns colegas de seu pai, ela defendeu mesmo a doutrina da infalibilidade pontifícia. Ela também acreditava na virgindade de Maria, sem nunca ter estado em contato com católicos, nem ter lido obras católicas.

Aos 22 anos, Ana Maria teve a intuição de que Deus a chamaria para seu serviço quando tivesse 30 anos. Porém, não sabia nem onde, nem como isso ia acontecer. Ela tudo entregava nas mãos da Divina Providência.

Em fevereiro de 1886, estando ela em Berlim na casa de amigos, Ana Maria leu num jornal de Colônia um anúncio propondo um trabalho de enfermeira chefe num hospital psiquiátrico. Seria este o sacrifício, o tal serviço que ela esteve esperando durante oito anos? No dia 6 de Março de 1886, Ana Maria deixou Berlim para começar a trabalhar na clínica de Lindenburg. 

Ela não tinha nenhuma experiência de enfermeira, mas sua entrega e seu amor quase maternal logo transformaram o asilo num autêntico Lar. À exceção do diretor, todas as pessoas da clínica de Lindenburg eram católicas. Um dos sacerdotes que vinha visitar os doentes ofereceu-lhe um catecismo da Igreja Católica. Nele, ela encontrou o que até então ela chamava de “sua religião pessoal”. E assim começou rapidamente a preparar, em segredo, a sua conversão.

Foto da Ana Maria Tauscher, antes de
se tornar religiosa.
O diretor acabou por descobrir as intenções de Ana Maria. Mandou-a de volta para casa, mas voltou a chamá-la algumas semanas mais tarde. Aí, quando Ana Maria se preparava para subir no trem com destino a Colônia, seu pai a exortou de não se converter ao catolicismo. Ela lhe prometeu unicamente “Que tal não aconteceria hoje ou amanhã”.  Quando Ana Maria fez a sua profissão de fé na Igreja Católica, em 30 de Outubro de 1888, deixou para trás todo o seu passado.

Desaprovada pelo seu pai, despedida de Lindenburg, Ana Maria colocou toda a sua confiança em Deus. Apesar de se ter proposto para vários empregos, ela não conseguia outro trabalho, porque seu diretor tinha feito uma carta de recomendação pouco favorável. A partir de então, ela se viu sem trabalho e sem casa. Graças à ajuda de amigos católicos, Ana Maria foi recebida num convento, onde também se cuidava de pessoas de idade.

Todas as tardes e todas as noites, Ana Maria vinha junto ao Senhor, frente ao altar do Santíssimo Sacramento, fortalecendo assim os laços que a uniam ao seu Divino Esposo. Continuava, no entanto, a sua séria procura de trabalho.

“Senhor, segundo a Vossa vontade, mandai-me a trabalhar para a salvação das almas aonde quiserdes. Escutai o ardente desejo da minha alma de poder demonstrar o meu amor e a minha gratidão. (...) meu Deus, se for possível, não me mandeis para Berlim, seja, porém, feita a Vossa vontade e não a minha.” (A.p.71)

Era deste modo que Ana Maria rezava todos os dias. Desejava entrar numa ordem religiosa, mas tinha constantemente aquilo a que chamava “tentações do orgulho” de fundar a sua própria Congregação. Ela não podia partilhar com ninguém esta sua ideia. Esperava que entrando numa comunidade, esta provação desaparecesse. Os seus confessores sabiam que Deus a chamava para o seu serviço, mas aconselharam-na de não entrar numa ordem já existente. Passados 10 meses, ela recebeu então uma carta da Condessa de Savigny, uma católica fervorosa que vivia em Berlim, e que lhe propunha trabalho de dama de companhia. Apesar da sua tristeza à ideia de deixar Colônia, Ana Maria aceitou.

Acompanhando a Condessa de Savigny nas suas viagens, Ana Maria começou a ler A Vida de Santa Teresa de Jesus, uma santa que tinha reformado o Carmelo no século XVI. A humildade de Teresa, o seu amor por Deus, o seu desejo ardente de salvar almas e o seu heroísmo correspondiam perfeitamente a Ana Maria. Desde então ela queria uma só coisa: entrar no Carmelo. Mas, uma vez mais o seu confessor a dissuadiu, e ela continuou a resistir à “sua tentação”. Quando o seu confessor partiu para as missões, Ana Maria procurou o conselho de outro padre. As palavras dele foram libertadoras: “Pare de resistir à graça!”(A.p.98).


Ana Maria começou desde logo a trabalhar naquilo para que se sentia chamada. Em Berlim, ela tinha presenciado o grande desespero das crianças sem casa. Colocou-se em contato com o Delegado Episcopal de Berlim, e, obteve autorização para abrir um Lar para crianças. Com 500 marcos, que a Condessa lhe tinha dado em sinal de agradecimento, Ana Maria abriu o primeiro Lar São José, a 02 de Agosto de 1891. Começou por instalar três crianças, uma educadora e uma empregada doméstica, em alguns quartos de um prédio antigo, situado em “Pappelallee.” As crianças a chamavam “Mãe” e muito rapidamente passou a ser conhecida como “Mãe da Pappelallee”. Mas ainda faltava algo: a presença eucarística. Ana Maria não se cansava de rezar: “Senhor, se virdes, eu venho também.” (A.p.111),  e estava firmemente decidida a só se instalar no Lar São José, quando o Santíssimo Sacramento aí estivesse presente.

A Eucaristia se tinha tornado o centro da vida e do trabalho de Madre Maria Teresa de São José. Na capela de Colônia, passou horas e horas rezando silenciosamente a Jesus, “o Amado da sua alma”. Frente ao Sacrário, na sua união pessoal com Cristo, Madre Teresa de São José encontrava alegria, paz, e o mais profundo amor que um coração humano pode experimentar.

“Deus inflamou o meu coração com tanta veemência de amor, que todo o sofrimento que a graça de Deus mais tarde me mandou ou permitiu que caísse sobre mim, não me parecia mais que uma gota de água que cai em cima de um ferro incandescente”. (A.p.65)

Com Jesus e por seu amor, ela estava pronta para tudo suportar, mas a sua ausência era para ela uma verdadeira tortura.

“Coração de Jesus, ninguém pode compreender como anseio por Vós. Ninguém é capaz de contar as lágrimas de desejo que chorei por Vós. Senhor, se virdes, eu venho também!” (A.p.)

Era esta a sua oração constante. Era a fonte que alimentava todas as suas atividades apostólicas.

O Amor nunca é estéril. A sua força criativa expande-se. Madre Maria Teresa desejava reunir outras pessoas à volta da Fonte de Amor que ela tinha encontrado. Só assim, bebendo constantemente desta fonte, é que ela própria e as outras jovens que se tinham juntado a ela, poderiam  se tornar instrumentos de Deus.

A 8 de Dezembro de 1891, Cristo veio morar na “Pappelallee”. Para Ana Maria foi “o dia mais feliz da sua vida”.

“As nossas almas ganham vida nova na grande fonte de amor que é o SS. Sacramento e todos os dias se reacendem no fogo do Divino Amor que nunca descansa, mas que espalha ao redor de si as suas centelhas que são as obras de caridade em que Ele se consume.” (A.p.402).

Em 1897, mais de quarenta jovens se tinham já associado à obra de Madre Teresa servindo nos Lares São José. Para além dos dois Lares de crianças em Berlim, havia ainda mais dois em Boêmia e um outro em Oldenburg. Em Berlim, ela abriu também um centro para os padres que trabalhavam ou estudavam nesta cidade. No entanto, Madre Maria Teresa não fundava os Lares São José para serem somente instituições sociais. Em 1891, contemplando a beleza de um pôr-do-sol, ela compreendeu a razão de ser das suas fundações: “A consagração das Servas do Divino Coração de Jesus a: I – expiação dos pecados, II – Santificação pessoal, III – Salvação das almas” (A.p.99). Ela tinha conhecido o Carmelo através de santa Teresa de Jesus, e tinha encontrado no zelo e nas orações dos santos do Carmelo, que tinham oferecido suas vidas como vítimas de Amor pela salvação das almas e glória da Igreja, uma fonte de inspiração para a sua própria vocação. A sua Congregação deveria seguir a espiritualidade carmelita. Santa Teresa tinha aberto o caminho.
A partir de Novembro de 1896, Madre Maria Teresa e a sua comunidade cuidam das crianças e fazem missão nos domicílios, observando ao mesmo tempo a regra Primitiva da Ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo.
Tal como a sua mãe espiritual, Santa Teresa de Jesus , a maior  alegria da Madre Maria Teresa era a de ser filha da Igreja . A sua humildade era imensa ao se aperceber que Deus a tinha chamado a si, “uma filha do deserto”, para fundar uma comunidade religiosa, e para guiar outras mulheres já nascidas no seio da Igreja. Como uma verdadeira filha da Igreja, sempre se mostrou fiel e obedeceu aos bispos e aos ensinamentos da Igreja. A “voz do Bispo” representava para ela a “voz de Deus”, mesmo quando se tratava de encerrar um convento ou um Lar.
Madre Maria Teresa viu a Igreja ser perseguida e devendo fazer face a inúmeros entraves. Em profunda união com o Sagrado Coração de Jesus, os sofrimentos e a glória do Corpo Místico de Cristo – a Igreja – tornam-se seus próprios sofrimentos e sua glória.
Em 1897, Madre Maria Teresa esperava obter do Cardeal Kopp, Bispo de Breslau (de que Berlim dependia nessa altura), o reconhecimento da sua fundação como Congregação religiosa. Apesar de financiar o trabalho das Irmãs, o prelado continuou inflexível e recusou a aprovação canônica da Congregação. Seguindo os conselhos de um padre, Madre Maria Teresa decidiu ir procurar ajuda a Roma. Lá, encontrou o Padre Geral da Ordem do Carmelo, e expôs-lhe o seu desejo de reunir numa mesma espiritualidade os dois aspectos do espírito do Carmelo – oração contemplativa e zelo apostólico - para responder às necessidades da época. Esta iniciativa entusiasmou de tal maneira o Superior Geral que ele abençoou o seu escapulário e a ajudou a obter uma carta de recomendação do Cardeal Parocchi, protetor da Ordem do Carmelo.
Contudo, devido a situação tensa que se vivia na Igreja da Alemanha, o Cardeal Kopp continuou a recusar considerar como religiosas as irmãs que trabalhavam nos Lares São José. Madre Maria Teresa começou a procura de um bispo que aceitasse receber as suas noviças e criar uma Casa Mãe em sua diocese. Durante seis anos, viajou desde a Baviera até à Holanda, passando pela Inglaterra e pela Itália. Por duas vezes obteve autorização de fundar uma Casa Mãe, mas circunstâncias adversas a obrigaram a deixar essas dioceses, fechando os noviciados antes mesmo que as irmãs pudessem pronunciar os seus votos.
Finalmente, em 1904, em Rocca di Papa, Itália, surge a Casa Mãe. Aí se manteve durante 18 anos, tendo sido transferida para Sittard depois da primeira Guerra Mundial.
Em Berlim, um grande número de padres e outros católicos criticaram severamente Madre Maria Teresa no seu desejo de criar uma nova Congregação religiosa. As jovens, que tinham intenção de entrar para a comunidade, ou ajudá-la eram constantemente dissuadidas. A calúnia e a difamação dos opositores pareciam vir de todo o lado, onde quer que Madre Maria Teresa se instalasse. Mas nunca ela retorquiu dizendo mal deles. Durante todos esses anos, teve que enfrentar a solidão, o afastamento da sua família, a doença e a pobreza.
O sofrimento tinha-se tornado para Madre Maria Teresa uma fonte de alegria profunda, pois era um meio que ela utilizava para unir sua alma a Deus, e para, com o Salvador, participar na redenção do mundo.
Ao fundar as Carmelitas do Divino Coração de Jesus, Madre Maria Teresa entregou-se inteiramente a Deus como vítima do seu amor. Passou a sua vida servindo os pobres e rezando, trabalhando e sofrendo pela salvação das almas e pela liberdade da Igreja. Em 1930, o trabalho e o sacrifício de Madre Maria Teresa foram coroados pela aprovação de sua Congregação pelo Papa Pio XI.
Madre Maria Teresa percorreu a Europa e os Estados Unidos para fundar os Lares para as crianças, e mais tarde os Lares para os idosos. Os últimos anos de sua vida, passou-os em Sittard (Países Baixos), dirigindo a Congregação a partir da Casa Mãe, aí estabelecida desde 1922.
Apesar de muito enfraquecida fisicamente e quase cega, passava largas horas em oração, de joelhos, frente ao Santíssimo Sacramente, e continuou sempre meiga e atenciosa para com as suas Irmãs.

Antes de morrer, a 29 de Setembro de 1938, deixou às suas Irmãs, como sendo sua última vontade e testamento, uma linda declaração:

“Tudo o que Deus faz é bem feito. Seja sempre louvado e exaltado o Senhor” (A.P.445).
Na noite em que morreu, madre Maria Teresa pediu que lhe trouxessem a relíquia, o crucifixo que a tinha acompanhado durante todas as suas viagens. Desde esse momento e até seu último suspiro não mais a largou. Então, de repente, ritmando as sílabas com o dedo, foi dizendo o que seria suas últimas palavras à Comunidade: “Tudo o que Deus faz é bem feito. Seja sempre louvado e exaltado o Senhor!” (A.p.445).

Foi como um último raio de sol de um fim de tarde, esta sua exortação final antes de deixar a terra. Durante toda a noite, só teve uma oração: “Tenho de voltar à casa do pai! Deixem-me ir para a casa!” (A.p.445).


ORAÇÃO
 Deus, nosso pai, a Bem-aventurada Maria Teresa de São José, dedicou sua vida pela expansão do Vosso Reino.
Nós Vos agradecemos, porque sempre de novo existem pessoas, que querem seguir Vosso Filho de maneira incondicional tanto quanto possível, ainda que com isso suas vidas se tornem uma Via Sacra. Madre Maria Teresa foi instrumento em Vossa mão. Ela queria dar proteção às crianças que não tinham Lar, aos solitários queria dar calor e amor, a todos os sofredores consolo e ajuda.
Antes de sua morte ela expressou o desejo: “Do alto dos céus poder ainda enxugar lágrimas, curar as feridas das almas”. Por sua intercessão nós Vos pedimos, Pai todo-poderoso e amoroso, que nos ajudeis em nossa necessidade..... Aceitai nossa oração e dai-nos a grande graça, de nos deixarmos guiar por Vós, durante toda a nossa vida. Isso Vos pedimos por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

  As graças recebidas por intercessão da Beata Madre Maria Teresa de São José devem ser comunicadas na casa provincial do Brasil:

Casa Nossa Senhora do Carmo - Rua Gaspar Gomes da Costa, nº 683
B. Cidade Nova Jacareí, Jacareí - SP - CEP: 12 300 – 970 – Cx postal 11
Tel: (12) 3956-1080

E-mails: carmelojacarei@uol.com.br -  vocarmo@ig.com.br

sábado, 2 de julho de 2016

Serva de Deus Maria Teresa da Santíssima Trindade (Aycinena Y Piñol), Virgem Carmelita Descalça, Mística e Estigmatizada.




Nasceu em Nova Guatemala da Assunção, em 15 de abril de 1784 e faleceu em 29 de novembro de 1841. Era irmã de Mariano de Aycinena y Piñol, líder do clã Aycinena e governador da Guatemala na Guerra Civil Centro-Americana, entre 1827 e 1829.

Maria Teresa da Santíssima Trindade Aycinena y Piñol, ocd, foi uma monja carmelita descalça da Guatemala. Proveniente da poderosa família conservadora Aycinena y Piñol, que tinha importantes ligações com a Igreja Católica e que tinha o monopólio do comércio com a metrópole espanhola durante a última etapa da colonização espanhola. Recebeu esmerada educação católica e professou os votos em 1808.
Já sendo monja carmelita, sua disciplina religiosa, sua humildade e simplicidade a levaram a ser considerada santa pelas autoridades eclesiásticas de sua época; o processo para sua beatificação reiniciou recentemente, no princípio deste século.


Biografia
Poucos dias após ter nascido, recebeu o sacramento do Batismo e da Confirmação, como se fazia então em alguns lugares, na Igreja da Candelária, pelas mãos do arcebispo Cayetano Francos y Monroy. Seu nome completo foi Maria Teresa Anastasia Cayetana. Desde sua mais terna infância, recebeu uma esmerada educação cristã. Sua mãe a ensinou o respeito a Deus, o amor a Jesus Cristo, o temor ao pecado e a importância da caridade. Maria Teresa ainda sendo uma menina, dedicava longo tempo à oração e participava diariamente da Eucaristia.

Tomou o hábito das Carmelitas Descalças aos 23 anos de idade no dia 21 de novembro de 1807. Professou votos solenes no dia 24 de novembro de 1808. Sua delicada saúde a obrigou a guardar leito numerosas vezes. As perdas de saúde se fizeram especialmente notórias entre os anos 1814 e 1815. Durante esses anos experimentou a maior parte dos fenômenos místicos que caracterizam sua vida.

Em 1812, afirmam seus escritos, Cristo pôs em sua cabeça um cravo de sua Paixão e, no ano seguinte, a coroa de espinhos. Estas dores espirituais tornaram-se mais intensas quando no dia 01 de março de 1816, primeira sexta-feira da Quaresma, apareceram-lhe em suas mãos as impressões das chagas da Paixão. Nesse mesmo ano afirma ter celebrado o matrimônio espiritual com Cristo. Em sua mão, a partir daquele dia, ficou impresso um anel no dedo anelar, como mostra de uma aliança matrimonial.

A estes fenômenos sobrenaturais seguiram-se outros de maior monta. O arcebispo de Guatemala cuidou cautelosamente de recolher o testemunho escrito destes fenômenos espirituais, tanto da própria Madre Maria Teresa, como de seu confessor e das outras monjas que viviam com ela.

Por sua parte, os escritores liberais, rivais políticos acérrimos dos membros conservadores do clã Aycinena, dedicaram-se a tratar de desmentir os milagres da monja Aycinena y Piñol; por exemplo, o licenciado José Manuel Montúfar Aparicio assinalou que o caso provocou uma contenda entre o arcebispo guatelmateco e o comissário do Santo Ofício, Bernardo Martínez, que fez todo o possível para denunciar às “mentiras” da monja Aycinena. O médico Pedro Molina Mazariegos, futuro líder do partido liberal, contemplou os estigmas da monja e foi da opinião que seus sinais não eram chagas e qualificou de “catalepsia” o “mal” que padecia a monja.

Em 20 de março de 1826 foi eleita priora do convento das carmelitas descalças, ao mesmo tempo que seu irmão, Mariano de Aycinena y Piñol, foi designado como governador do Estado da Guatemala em 1827. Porém, após os eventos da Guerra Civil Centro-Americana, em 1829, Mariano de Aycinena foi derrotado pelas tropas liberais do general hondurenho Francisco Morazán, e a madre Maria Teresa foi expulsa do território centro-americano junto com o resto dos membros das Ordens regulares e do clã Aycinena.

Morte
Faleceu na madrugada do dia 29 de novembro de 1841, depois de vários anos de vida recolhida e silenciosa em seu convento.

Processo de Beatificação/Canonização
A autoridade eclesiástica ainda não havia se pronunciado sobre o espírito da madre Maria Teresa. A partir do ano 2004, começaram as investigações para retomar o processo de beatificação.
Os documentos conservados pelos familiares da carmelita constituíam um dossiê completo para introduzir a causa. No dia 06 de fevereiro de 2006 estabeleceu-se uma Associação para promover a causa da canonização da Madre Maria Teresa. O documento foi firmado, entre outros, pelo Cardeal Rodolfo Quezada Toruño, arcebispo da Guatemala e ficou à espera do juízo da autoridade eclesiástica para aventurar um juízo sobre a autenticidade dos fenômenos místicos e santidade da Irmã Maria Teresa.
Em 30 de abril de 2008, na catedral metropolitana da Cidade da Guatemala deu-se a abertura do processo diocesano de canonização e o juramento ao tribunal que se encarregará do mesmo.

Neste ano, 2016, a comissão recebeu a visita do Postulador Geral da Ordem dos Carmelitas Descalços, Frei Romano Gambalunga, OCD, onde foi discutido e atualizado a situação do processo de beatificação/canonização desta que poderá ser a primeira “santa” carmelita da América Central.