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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Beato Ivan Merz, Leigo. Apóstolo Católico entre os jovens na Croácia. Proclamado "modelo para os jovens", por São João Paulo II.


Nasceu em Banja Luka, em 16 de dezembro de 1896, na Bósnia ocupada pelo império Austro-Húngaro, em uma família liberal. Foi batizado em 02 de fevereiro de 1897. No ambiente multiétnico e multi-religioso de sua cidade natal, realizou seus estudos de nível primário e secundário, que terminou quando em Sarajevo era assassinado o príncipe herdeiro Francisco Fernando (28 de junho de 1914).
Por vontade de seus pais e não sua, entro na Academia Militar de Wiener Noustadt, que abandonou depois de três meses, molestado pela corrupção do ambiente. Em 1915, iniciou os estudos na Universidade de Viena, aspirando a ser professor, para pode dedicar-se à instrução e educação dos jovens na Bósnia, seguindo o exemplo de seu professor Ljubomir Marakovic, por quem sentia uma profunda gratidão por haver-lhe ajudado a descobrir as riquezas do catolicismo.
Em março de 1916 teve que alistar-se no exército. Foi enviado ao “front” italiano, onde passou a maior parte dos anos de 1917 e 1918. Ao terminar a I Guerra Mundial, encontrava-se em Banja Luka, ode vivenciou a mudança política e o nascimento do novo Estado Iugoslavo. A experiência da guerra fê-lo amadurecer espiritualmente, pois, impressionado pelos horrores dos quais foi testemunha, colocando-se nas mãos de Deus, propôs-se tender com todas as suas forças à perfeição cristã.
É possível seguir seu desenvolvimento espiritual graças a seu diário íntimo, que começou a escrever durante seus estudos secundários e prosseguiu no exército, no “front”, e durante os estudos universitários. Nele se aprecia que sua santidade não foi fácil, que teve que lutar muito por seu ideal.
Atormentava-o o problema do amor e, logo, o da dor e da morte, que resolvia à luz da fé.
“Não tenho a Santa Eucaristia – escreve em 09 de setembro de 1917 –. Vivo aqui como um pagão ou uma fera, como se o ‘Agnus’ (Cordeiro) não fosse já o centro do cosmos, como se não existisse nada. Deus Consolador, vem compenetrar minha natureza com ‘átomos de eternidade’, para que, mais semelhante a Ti, compreenda o curso de minha existência”.
Em 05 de fevereiro de 1918, estando na frente de batalha, escreveu em seu diário: “Nunca esquecer-se de Deus. Desejar sempre unir-se a Ele. Todos os dias, de preferência ao amanhecer, dedicar-se à meditação, à oração, se possível próximo da Eucaristia ou durante a Santa Missa. Nesses momentos, se hão de fazer os projetos para a jornada que começa, se examinam seus próprios defeitos e se pede a graça para superar todas as debilidades. Seria terrível que esta guerra não produzisse em mim nenhum efeito positivo... Devo começar uma vida regenerada com o espírito do novo conhecimento catolicismo. Confio somente na ajuda do Senhor, porque o homem não pode fazer nada por si mesmo”.

Depois da I Guerra Mundial, prosseguiu seus estudos de filosofia em Viena (1919-1920). Logo se mudou para Paris, onde estudou na Sorbonna e no Instituto Católico (1920-1922). Com sua tese sobre “a influência da liturgia nos escritores franceses desde Chateaubriand até nossos dias”, obteve o doutorado em filosofia na universidade de Zagreb (1923). Durante o resto de sua breve vida, foi professor de língua e literatura francesa e alemã no Instituto Arquiepiscopal de Zagreb, realizando com entrega exemplar seus deveres de estado.

Colaborou como apóstolo dos jovens, primeiro na Liga dos Jovens Católicos Croatas e, logo depois, na Liga Croata das Águias, que impulsionou e com a qual inaugurou na Croácia a Ação Católica promovida pelo Papa Pio XI. Segundo ele, a organização devia contribuir antes de tudo a formar uma elite de apóstolos da santidade. Com esse fim, devia servir também para a renovação litúrgica, da qual foi um dos primeiros promotores na Croácia, antecipando quatro décadas as diretrizes do Concílio Ecumênico Vaticano II nessa matéria.

Em seu trabalho não lhe faltaram incompreensões e dificuldades de diversos tipos, que afrontava com uma serenidade admirável, fruto de sua contínua união com Deus na oração. Na opinião daqueles que o conheceram bem, “com sua mente e seu coração mantinha imerso no sobrenatural”.

Convencido de que o meio mais eficaz para a salvação das almas é o sofrimento oferecido ao Senhor, oferecia suas penas físicas e morais para obter a benção para suas atividades apostólicas e, já próximo de sua morte, ofereceu também sua jovem vida por suas “águias”. Morreu em Zagreb, no dia 10 de março de 1928, aos 32 anos de idade, com fama de santidade.



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O jovem Beato Ivan Merz é apresentado como “programa de vida” para os jovens (23 de junho de 2003):

Ao regressar pela segunda vez aos Balcãs em menos de quinze dias, São João Paulo deixou como modelo para os católicos o testemunho de um jovem intelectual, que se dedicou à formação da juventude, Ivan Merz. Na Missa de Beatificação realizada no dia 22 de Junho de 2003, em Banja Luka, o Papa apresentou o novo Beato como um “jovem brilhante”, de quem se pode dizer “que sua vida foi um êxito”. “O motivo pelo qual hoje é inscrito no registro dos beatos não é esse. O que o introduz no coro dos Beatos é o seu êxito diante de Deus: em toda a sua atividade procurou o sublime conhecimento de Jesus Cristo e se deixou conquistar por Ele”, declarou São João Paulo II.


Rara foto do Beato Ivan Merz. 
Nascido em 1896 em Banja Luka, na Bósnia ocupada pelo império Austro-Húngaro, no seio de uma família liberal, Ivan Merz estudou na Universidade de Viena até 1916, quando foi enviado ao “front” na I Guerra Mundial. No final do conflito encontrava-se em Banja Luka, onde assistiu ao nascimento do novo estado jugoslavo. Sendo leigo, converteu-se no promotor do movimento litúrgico na Croácia, adiantando-se ao Concílio Vaticano II e foi pioneiro da Ação Católica nesse país. “Participando na Missa, alimentando-se do Corpo de Cristo e da Palavra de Deus, encontrou o impulso para converter-se em apóstolo dos jovens” – constatou o Papa. Não é por acaso que escolheu como lema “Sacrifício-Eucaristia-Apostolado”». O novo Beato morreu em Zagreb, com fama de santidade, em 1928, quando só tinha 32 anos. “O nome de Ivan Merz supôs um programa de vida e de ação para toda uma geração de jovens católicos”, reconheceu o Papa. “Também hoje deve continuar a sê-lo”. Ivan Merz é o primeiro leigo da Croácia e de Bósnia-Herzegovina elevado aos altares.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Beata Teresa Maria da Cruz, Fundadora das "Carmelitas de Florença".


Teresa Adelaide Cesina Manetti nasceu numa família humilde em San Martino, em Campo Bisenzio (Florença, Itália), em 2 de março de 1846. A Fundadora das Carmelitas Terceiras de Santa Teresa era conhecida pelo apelido carinhoso de Bettina, dado por seu pai.
     Ficou órfã de pai muito cedo e logo conheceu a dureza da vida. Apesar disso, ajudava aos pobres, privando-se até do que lhe era mais necessário. Era uma jovem alegre, vivaz, com caráter generoso, gostava de ser admirada e de chamar atenção, com seus belos olhos azuis e cabelos castanhos encaracolados. Gostava de inventar moda e suas companheiras a acompanhavam.
     Aos 19 anos compreendeu que Jesus a queria para si. Desapegada de suas vaidades, das ilusões do mundo, decide mudar de vida. Foi muito criticada pelas pessoas, mas isso não a perturbava, o que ela queria era ser toda de Jesus. Passou a dedicar-se aos mais necessitados.
     Em 15 de julho de 1874, juntamente com duas amigas, que agora a seguiam para fazer o bem, retirou-se numa casinha no campo situada à beira de um rio de Bisenzio, onde começou uma vida de oração, penitência e caridade. Ali “oravam, trabalhavam e reuniam algumas jovens para educá-las com boas leituras e ensinar-lhes a doutrina cristã”.
     Naqueles anos, foram de muita importância as sugestões e os conselhos do jovem pároco, Pe. Ernesto Jacopozzi, que acompanhou as atividades de Bettina até 1894.
     Em 16 de julho de 1876, foram admitidas na Ordem Terceira do Carmelo Teresiano (que atualmente é chamada de Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares ou, simplesmente, Ordem Secular), e mudou seu nome para Teresa Maria da Cruz.
     Em 1877, uma mãe doente disse a Bettina que morreria feliz se ela cuidasse de suas crianças e ela viu nesse pedido um sinal de Deus. E a partir desse momento as mãos postas em oração se abriram para o serviço. Após receberem as primeiras órfãs, o número delas foi crescendo dia a dia. Aquelas meninas abandonadas eram seu “maior tesouro”.
     Em 12 de julho de 1888, as 27 primeiras religiosas vestiram o hábito da Ordem das Carmelitas Descalças, às quais se haviam juntado em 12 de junho de 1885.
     O sucesso da Congregação levou a Madre, com a ajuda de Deus e do povo de San Martino, a realizar seu sonho: construir um grande convento e uma igreja (1880-1887). As atividades do Instituto se ampliaram e novas sedes foram abertas na Toscana, e depois em toda a Itália e em outras partes do mundo.
     Em 27 de fevereiro de 1904, o Papa São Pio X aprovou o Instituto com o nome de Carmelitas Terceiras de Santa Teresa (atualmente são conhecidas como Irmãs Carmelitas de Santa Teresa ou como "Carmelitas de Florença"). Madre Teresa Maria da Cruz com grande alegria viu o Instituto estender-se até a Síria e o Monte Carmelo, na Palestina.
     O nome “da Cruz” assentava muito bem à Madre; frequentemente ela dizia: “Tritura-me, Senhor, espreme-me até a última gota!” Sua caridade não tinha limites. Entregava-se a todos e em tudo, esquecendo-se sempre de si mesma. O bispo Dom Andrés Casullo, que a conhecia muito bem, afirmava a seu respeito: “Ela deixava de viver a própria vida para fazer o bem”. 
     Em 1908, Madre Teresa Maria da Cruz foi atacada por uma terrível doença que, apesar dos cuidados, levou-a a morte terrena no dia 23 de abril de 1910. Ela havia completado a subida de seu Calvário, depois de passar por noites escuríssimas: estava preparada pela graça de Deus. Faleceu enquanto repetia uma vez mais: “Ó meu Jesus, eu quero sofrer mais...” E murmurava em êxtase: “Está aberto!... Já vou!”
A fama de sua santidade foi confirmada por numerosos testemunhos de graças e milagres, o que levou a se iniciar, em 1930, o processo de sua beatificação. Seus escritos, ao mesmo tempo simples e profundos, foram aprovados em 27 de novembro de 1937.
O Papa São João Paulo II a beatificou em 19 de outubro de 1986. Em 7 de dezembro de 1999 o Concelho Comunal de Campi Bisenzio a proclamou Patrona da Cidade, acolhendo o pedido de uma petição popular que recolhera milhares de assinaturas entre os concidadãos de “Bettina”.


Fontes: www.santiebeati.it; Gisèle Pimentel gisele.pimentel@gmail.com

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

SANTO EGÍDIO MARIA DE SÃO JOSÉ, Irmão Franciscano e Taumaturgo.


Chamado de “o protetor de Nápoles”, eminentemente “franciscana”, Francisco Pontillo nasceu em Taranto, na Puglia, em 16 de novembro de 1729, filho de Cataldo e de Grazia Procaccio, em uma casa humilde, em uma das muitas vielas sinuosas da velha cidade medieval.

Sua família era composta de artesãos modestos, que apesar do penoso e extenuante trabalho, tinham magros rendimentos. No santo batismo recebeu o nome de “Francisco Antônio Pascoal”, grandes nomes da Ordem Seráfica, prenúncio de que no futuro a abraçaria, na época de uma rígida reforma (franciscanos alcantarinos) promovida por místicos. São Pedro de Alcântara, um dos primeiros em magnitude, foi sua estrela. De São Francisco de Assis, foi grande imitador na pobreza. De Santo Antônio, parecia imitador no tocante aos milagres e de São Pascoal Baylon imitou o fervor eucarístico.

Desde a infância, cresceu aumentando cada dia mais o fervor ao Santíssimo Sacramento, a prática da comunhão frequente, as visitas diárias ao tabernáculo e a devoção a Nossa Senhora, rezando devota e diariamente o Santo Rosário.

Provavelmente nunca soube o que é uma escola. Desde menino, foi enviado a trabalhar em uma loja como “serviços gerais”, para ganhar seu sustento. Também no trabalho, mantinha sempre uma atitude devota. Antes do início da labuta, ia bem cedo à igreja para assistir a Santa Missa. Cada tarefa que lhe ordenavam, iniciava fazendo piedosamente o Sinal da Cruz. Seu mestre uma vez disse: “desde que tenho comigo o Francisco que minha loja se tornou um oratório”.

Aos 18 anos, seu amado pai faleceu. Superando a dor aguda, passou a ser o apoio para sua família pobre, que incluía sua mãe e três irmãos mais novos. Deixou a antiga loja de artesanato em cordas (era cordoeiro) e conseguiu trabalho em outra maior e mais rentável. Após separar o suficiente para o sustento de sua família, uma parte de seus ganhos, dava-os aos pobres, para não manter qualquer coisa para si.

Sua mãe contraiu pela segunda vez o matrimônio, para grande desprazer de Francisco. Mas, os desígnios de Deus tornaram-se bem claros e definidos. Seu padrasto o tirou de seus deveres como arrimo de família, dando-lhe a disponibilidade de seus ganhos, tornando assim mais fácil a implementação de seu sonho de se fazer religioso – vocação que desde a adolescência havia florescido nele e que a morte repentina de seu pai havia atrasado.

A 27 de fevereiro de 1754, aos 24 anos, entrou para os Franciscanos Alcantarinos de Taranto, onde foi recebido como irmão leigo. Em Galatone fez o noviciado, mudando o nome para Frei Egídio da Mãe de Deus. Neste ambiente de treinamento e de grande perfeição religiosa, sentiu-se bem à vontade, encantado com tanta pobreza, tanto fervor e tanta paz interior, despertando assim a admiração e o carinho de seus superiores e dos confrades.

No convento de Santa Maria delle Grazie, em Galatone, após julgamento de seus superiores e formadores, em 28 de fevereiro de 1755 fez a profissão solene, emitindo os votos de pobreza, obediência e castidade. Na ocasião, seu nome religioso foi modificado para Egídio Maria de São José.
Depois de um período em Galatone, foi transferido para a comunidade de Squinzano. Em 1759, será transferido pelo superior para o convento de São Pascoal, em Nápoles, o que tornará a cidade ainda mais famosa e conhecida, com a santidade de sua vida.

A princípio, tinha a atribuição de cozinheiro. Em seguida, trabalhou na confecção de lã do mosteiro e, finalmente, o serviço de porteiro, ofício esse que, de acordo com as regras dos “alcantarinos” era confiado apenas ao melhor dos irmãos leigos, visto que o modo de se comportar dos porteiros – em relação a bem receber e a bem lidar com os leigos que atendem – resulta na estima e no bom nome dos frades.
As boas vindas, a paciência, o amor que ele tinha para com os pobres, que naquela grande cidade eram numerosos e reuniam-se diariamente à porta do convento, garantiu que o seu nome e suas virtudes fossem exaltados por esses mesmos pobres e se espalhassem por toda Nápoles.
Tudo isso convenceu a seus superiores que Frei Egídio era uma lâmpada que não poderia ser mantida escondida e, portanto, com as virtudes que dele emanavam e com o brilho de suas palavras e comportamento, poderia ser mais útil para a glória de Deus, trazendo almas para Sua misericórdia. Assim, confiaram-lhe a tarefa da mendicância (trabalho muito valorizado naqueles tempos entre os frades franciscanos, que ocupou durante 50 anos).
A partir daquele momento, Egídio será sempre encontrado por todas as ruas, becos, praças, bairros e casas de Nápoles, passando a maior parte do dia andando por esmolas (para o convento e para ajudar os pobres). Mas, sua visita era muito mais uma visita de caridade e de bom exemplo que a simples coleta de alimentos para sua sacola.  

Retornava de suas andanças e visitas, devido a sua personalidade sensível e apaixonada pelas almas, com o coração cheio de lágrimas e de dores. Assim, depois das orações no coro, ia chorar à noite, diante da Madonna Del Pozzo (título mariano venerado no convento), implorando saúde para os doentes, providência para as famílias pobres e paz para os infelizes. Pedia também à Virgem Maria a graça do arrependimento para os opressores do povo, para que fossem perdoados e também eles pudessem ser salvos.
Sua presença era muito desejada à cabeceira dos doentes e dos moribundos. A todos procurava socorrer com suas orações, seus conselhos, palavras de exortação e de bom ânimo. Ricos e pobres encontravam nele conforto e esperança em suas tribulações e dificuldades da vida.
O humilde frade tornou-se também famoso pelos muitos milagres que o Senhor se dignou realizar por sua intercessão. Utilizava-se da relíquia de São Pascoal para realizar grandes prodígios. Foram tão numerosos, bem documentados e descritos que foram suficientes para formar muitas páginas no processo canônico para sua futura beatificação e canonização.  
Profecias, previsões, curas repentinas, aparições de objetos, de frutas, de peixes, ressurreições de mortos, multiplicações de alimentos, etc. Tudo isso o fizeram muito popular em Nápoles, a tal ponto que, durante a ocupação francesa, as autoridades temiam possíveis revoltas causadas pela grande multidão que muitas vezes o seguiam caso seu livre trânsito fosse impedido.
Dentre muitas histórias, cito aqui um episódio, um dos mais conhecidos e pitorescos. Os frades de São Pascoal tinham um bezerro que andava pelas ruas de Nápoles e era conhecido por todos, pois tinha uma placa de metal com o nome de “Catarinella”. O bezerro, como foi dito, andava pela cidade e, no final do dia, retornava. Um dia, porém, isso não aconteceu. Os irmãos, angustiados, reportaram-se a Egídio, preocupados com o sumiço do bezerro.


Na manhã seguinte, foi direto para uma área da cidade usada como matadouro chamado “Pignasecca” e, sem preâmbulos, diz firmemente ao açougueiro: “pegue a chave e a lanterna e siga-me para dentro da caverna. Lá encontraremos Catarinella”. A caverna era o “refrigerador” daquele tempo. O açougueiro vilão foi tomado de tão grande medo que não se opôs à ordem. Lá encontraram o bezerro morto, dissecado e sem pele. Frei Egídio mandou esticar a pele, colocar dentro todas as partes e peças de acordo com sua localização natural e costurou as bordas da pele em conjunto com as partes dentro da mesma. Depois, para assombro dos que viram o prodígio, desenhando no ar um grande sinal da cruz e disse: “em nome de Deus e de São Pascoal, suba, Catarinella, para convento”! Houve um grande rugido, moveram-se todos os membros e o bezerro saltou vivo e bem, como antes. O clamor era enorme! O bezerro foi acompanhado em procissão a partir de Pignasecca até o convento de São Pascoal.
Sofrendo já por muito tempo de dor ciática severa, a irmã morte veio ao encontro do Santo. Atingido também por sufocação por asma, logo em seguida foi acometido por uma “hidropisia” no peito. Tudo suportou em paz, resignação e confiança em Deus.

Encomendando-se a Maria, morreu em 07 de fevereiro de 1812, entre os gritos de dor de toda a cidade de Nápoles, que lamentou a morte de seu Santo. Seu corpo foi sepultado na igreja do Convento de São Pascoal. 



Procissão com a imagem de Santo Egídio Maria de São José em Taranto, sua cidade natal. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

SANTO EGÍDIO (Giles ou Gil), Eremita.


Santo Egídio (em grego:Αἰγίδιος) – também conhecido como São Gil ou São Giles – foi um santo eremita do século VII originário da Grécia que se tornou popular na região da Provença e na Escócia. A abadia onde viveu Santo Egídio, Saint-Gilles, é local de peregrinação e parada oficial dos Caminhos de Santiago. São Gil é um dos Catorze santos auxiliares da Igreja Católica.

São poucos os dados que existem sobre a vida de Egídio. Mas com certeza sabemos que ele era grego e pertencia a uma rica família da nobreza de Atenas.  Depois da morte de seus pais, decidiu ser um ermitão, para viver na pobreza e totalmente dedicado a Deus.
Para isso distribuiu todos os bens que herdou entre os pobres e doentes e viveu isolado na oração e penitência, sendo agraciado pelo Espírito Santo com os dons especiais da cura, da sabedoria e dos milagres.
Um dos primeiros milagres a ele atribuídos diz que, certo dia, encontrou na porta de uma igreja um mendigo muito doente e esfarrapado.
Penalizado com a situação do pobre, Egídio cobriu-o com seu velho manto e, naquele instante, um prodígio aconteceu: o homem, que até então agonizava, levantou-se completamente curado.
Depois essas curas se repetiram e foram se multiplicando de tal forma que ele ganhou fama de santidade. Os devotos passaram a procurá-lo com freqüência, então Egídio decidiu partir. Em 683, viajou para a França.

Conta a tradição que ele salvou o navio repleto de passageiros, no qual viajava também. Uma enorme tempestade teria desabado sobre a embarcação. Todos já tinham perdido as esperanças quando Egídio, em prece, ergueu as mãos aos céus. As ondas ameaçadoras acalmaram-se na mesma hora e todos desembarcaram com segurança.
Na França, viveu numa caverna de uma floresta próxima de Nimes, cuja entrada era escondida por um arbusto espinhoso. Na mais completa pobreza, alimentava-se apenas de ervas, de raízes e do leite de uma corsa, que, segundo a tradição, foi-lhe enviada por Deus.
Certa vez, o rei Vamba, dos visigodos, foi caçar nas proximidades da caverna de Egídio e, em vez de flechar uma corsa que se escondera atrás de um arbusto, flechou a mão do pobre ermitão, que tentava proteger o animal acuado.


Foi descoberta, assim, a residência do eremita. O rei, para desculpar-se, passou a visitá-lo com seus médicos até sua cura completa.
Depois disso, o rei continuou a visitá-lo com freqüência, presenciando vários prodígios que divulgava na Corte. Assim, a fama de santidade de Egídio ganhou vulto e ele passou a ter vários discípulos.
O rei, então, mandou construir um mosteiro e uma igreja, que doou para ele, tendo sido eleito abade. O mosteiro passou a ter uma disciplina própria escrita por Egídio. Mais tarde, ao seu redor, surgiu o povoado que deu origem à cidade de Santo Egídio e o mosteiro foi entregue aos beneditinos.
A morte de Egídio ocorreu, provavelmente, no dia 1º de setembro de 720.  Logo após, os devotos fizeram da sua sepultura um ponto obrigatório de peregrinação. O seu culto tornou-se vigoroso e estendeu-se por todo o mundo cristão.

Santo Egídio teve sua festa confirmada pela Igreja, que o colocou na lista dos quatorze "santos auxiliadores" do povo, sendo invocado contra a convulsão da febre, contra o medo e contra a loucura. Também é invocado contra a praga, para se fazer uma boa confissão, e pelos inválidos, mendigos e ferreiros.

domingo, 8 de janeiro de 2017

SANTOS REIS MAGOS: seus VERDADEIROS NOMES segundo revelações à Beata Ana Catarina Emmerich, grande mística.


São Leandro (Mensor), São Leão (Teokeno)
e São Sair, os Reis Magos. 
O texto da Adoração dos Magos, que nos oferece o Evangelho de Mateus, não nos diz quantos eram e muito menos os seus nomes. Apenas nos diz que abrindo os seus tesouros ofereceram ao Menino ouro, incenso e mirra. Talvez, pelo número dos presentes, conjugados com outras referências bíblicas, a tradição diz que eram três.
Igualmente, ainda segunda uma antiga tradição, foi-lhes imposto os nomes de Melchior, Gaspar e Baltasar, de acordo com as qualidades de cada um deles.
Gaspar significa aquele que vai com amor; Melchior, o que anda com suavidade e guia usando de mansidão e acariciando; Baltasar, o que obedece de imediato e sem discutir, isto é, sujeita a vontade própria aos desejos de Deus.

No entanto, segundo as revelações que Deus concedeu à Beata Ana Catarina Emmerich, esses não eram os seus verdadeiros nomes.
Os nomes dos três Reis Magos, enquanto pagãos, seriam: Mensor, Teokeno e Sair. Dois deles porém, receberiam nome cristão ao serem batizados.
Mensor, branco, mas de tez morena, foi batizado por São Tomé, a seguir à morte de Jesus Cristo, recebendo no batismo o nome de Leandro.
Teokeno, de cor branca, o que estava doente quando Jesus o visitou, recebeu no batismo o nome de Leão.
Sair, de cor escura, já tinha falecido ao tempo do Senhor, por isso, recebeu o batismo de desejo.

Mensor, que é como dizer: o cristão Leandro, era da Caldeia. A cidade onde nasceu, tinha um nome parecido com Acaiaia o Acaiacul. Fora edificada numa ilha e era rodeada por um rio. Porém, Mensor residia habitualmente na terra de pastagens, no meio dos rebanhos.

Estas são algumas respostas, às muitas perguntas que nos fazemos acerca dos Magos: donde vieram, como se chamavam, o que faziam, que embora sem qualquer rigor científico, sempre atenuam a nossa curiosidade.






COMO A BEATA ANA CATARINA EMMERICH VIU A VISITA DOS REIS MAGOS AO MENINO JESUS:


“...Cada um dos Reis era seguido por quatro pessoas de sua família, além de alguns criados de Mensor que levavam uma pequena mesa, um carpete com adornos e outros objetos.
Os Reis seguiram José, e ao chegar sob o alpendre, diante da gruta, cobriram a mesa com o carpete e cada um deles punha sobre ela as caixinhas de ouro e os recipientes que tiravam de sua cintura. Assim ofereceram os presentes comuns aos três. Mensor e os demais tiraram as sandálias e José abriu a porta da gruta. Dois jovens do séquito de Mensor, que o precediam, estenderam um tapete sobre o piso da gruta, retirando-se depois para trás, seguindo-os outros dois com uma mesinha onde estavam colocados os presentes. Quando estava diante da Santíssima Virgem, o rei Mensor depositou estes presentes a seus pés, com todo respeito, pondo um joelho no chão. Atrás de Mensor estavam os quatro de sua família, que se inclinavam com toda humildade e respeito. Enquanto isso, Sair e Teokeno aguardavam depois, perto da entrada da gruta. Adiantaram-se por sua vez, cheios de alegria e de emoção, envoltos na grande luz que enchia a gruta, apesar de não haver ali outra luz a não ser o que é a Luz do mundo. Maria encontrava-se recostada sobre o tapete, apoiada sobre um braço, à esquerda do Menino Jesus, o qual estava recostado dentro da manjedoura, coberto com um lenço, cuja manjedoura estava posta sobre um tablado alto. Quando entraram os Reis, a Virgem colocou o véu, tomou o Menino em seus braços e cobriu-o com um véu maior. O rei Mensor ajoelhou-se e oferecendo os dons pronunciou ternas palavras, cruzou as mãos sobre o peito, e com a cabeça descoberta e inclinada, rendeu homenagem ao Menino. Entretanto, Maria havia descoberto um pouco a parte superior do Menino, o qual olhava com semblante amável a partir do centro do véu que o envolvia. Maria sustentava sua cabecinha com um braço e o rodeava com outro. O Menino tinha suas mãozinhas sobre o peito e as estendia graciosamente a seu redor. Oh, quão felizes sentiam-se aqueles homens vindos do Oriente para adorar ao Menino Rei!

Vendo isto dizia para mim: “Seus corações são puros e sem mancha; estão cheios de ternura e de inocência como os corações dos meninos inocentes e piedosos. Não se vê neles nada de violento, apesar de estar cheios do fogo do amor”. Eu pensava: “Estou morta; não sou mais que um espírito: de outro modo não poderia ver estas coisas que já não existem e que, sem embargo, existem neste momento. Mas isto não existe no tempo, porque em Deus não há tempo: em Deus tudo é presente. Eu devo estar morta; não devo ser mais que um espírito”. Enquanto pensava estas coisas, ouvi uma voz que me disse: “Que te importa tudo isto que pensas?... Contempla e louva a Deus, que é Eterno, e em Quem tudo é eterno”.
Vi que o rei Mensor tirava de uma bolsa, presa à cintura, um punhado de barrinhas compactas do tamanho de um dedo, pesadas, afinadas na extremidade, que brilhavam como ouro. Era seu presente. Colocou-o humildemente sobre os joelhos de Maria, ao lado do Menino Jesus. Maria pegou o presente com um agradecimento cheio de sensibilidade e de graça, e o cobriu com a ponta de seu manto. Mensor oferecia as pequenas barras de ouro virgem, porque era sincero e caritativo, buscando a verdade com ardor constante e inquebrantável. Depois, retirou-se, retrocedendo, com seus quatro companheiros, enquanto Sair, o rei cetrino, adiantava-se com os seus e se ajoelhava com profunda humildade, oferecendo seu presente com expressões muito comovedoras. Era um recipiente de incenso, cheio de pequenos grãos resinosos, de cor verde, que pôs sobre a mesa, diante do Menino Jesus. Sair ofereceu incenso porque era um homem que se conformava respeitosamente com a vontade de Deus de todo coração, e seguia esta vontade com amor. Ficou muito tempo ajoelhado, com grande fervor. Retirou-se e adiantou-se Teokeno, o maior dos três, já de muita idade. Seus membros um tanto endurecidos não lhe permitiam ajoelhar-se: permaneceu de pé, profundamente inclinado, e colocou sobre a mesa um vaso de ouro que continha uma formosa planta verde. Era um arbusto precioso, de tronco reto, com pequenas raminhas crespas coroadas  de formosas flores brancas: a planta da mirra. Ofereceu a mirra por ser o símbolo da mortificação e da vitória sobre as paixões, pois este excelente homem havia sustentado luta constante contra a idolatria, a poligamia e os costumes degradantes de seus compatriotas.  Cheio de emoção permaneceu longo tempo com seus quatro companheiros ante o Menino Jesus. Eu tinha pena dos demais que estavam fora da gruta esperando sua vez para ver o Menino. 
As frases que diziam os reis e seus acompanhantes estavam repletas de simplicidade e fervor. No momento de humilhar-se e oferecer seus dons diziam mais ou menos o seguinte: “Temos visto sua estrela; sabemos que Ele é o Rei dos Reis; vimos para adorá-lo, para oferecer-lhe nossas homenagens e nossos presentes”. Estava como fora de si, e em suas simples e inocentes palavras encomendavam ao Menino Jesus suas próprias pessoas, suas famílias, o país, os bens e tudo o que tinha para eles algum valor sobre a terra. Ofereciam-Lhe seus corações, suas almas, seus pensamentos e todas suas ações. Pediam inteligência clara, virtude, felicidade, paz e amor. Mostravam-se cheios de amor e derramavam lágrimas de alegria, que caíam sobre suas faces e suas barbas. Sentiam-se plenamente felizes. Haviam chegado até aquela estrela, pela qual há milhares de anos seus antepassados haviam dirigido seus olhares e suas ânsias com um desejo tão constante. Havia neles toda a alegria da Promessa realizada depois de tão longos séculos de espera.
Maria aceitou os presentes com atitude de humilde ação de graças. A princípio não dizia nada: somente expressava seu reconhecimento com um simples movimento de cabeça, sob o véu. O corpinho do Menino brilhava sob as pregas do manto de Maria. Depois a Virgem disse palavras humildes e cheias de graça a cada um dos Reis, e deixou seu véu um tanto para trás.  Aqui recebi uma lição muito útil e pensava: “Com quão doce e amável gratidão recebe Maria cada presente! Ela, que não tem necessidade de nada, que tem a Jesus, recebe os dons com humildade. Eu também receberei com gratidão todos os presentes que me façam no futuro”. Quanta bondade há em Maria e em José! Não guardavam quase nada para eles, tudo o distribuíam entre os pobres.

(Texto extraído da obra "Anna Catalina Emmerick - La Vida de Jesucristo y de su Madre Santíssima (desde el nascimiento de Maria Santíssima hasta la morte de San José) Segun las visiones de la Ven. Ana Catalina Emmericj - vol. II - Editorial Surgite - págs. 163/166)



CURIOSIDADES - A verdadeira “excalibur” pertenceu a um santo da Igreja Católica: SÃO GALGANO GUIDOTTI.



Você com certeza assistiu o filme da Disney quando criança. Provavelmente também leu o livro. Mas você sabia que esta história é baseada em uma história real?

A história do Rei Arthur, Merlin e todo o resto pode não ser verdade, mas realmente, há centenas de anos, existiu uma espada na rocha.



Na cidadezinha italiana de Chiusdino, há uma pequena capela perto da abadia de São Galgano conhecida como Capela Montesiepi. E dentro dela você encontrará uma grande rocha com o cabo de uma espada saindo.

 

Como ela foi parar lá? Bem, a história é que no século XII havia um cavaleiro chamado Galgano Guidotti que no fim da sua vida, decidiu retirar-se e viver como eremita. Ele teve duas visões místicas: na primeira, o Arcanjo Miguel disse que o protegeria pessoalmente; e na segunda, apareceram-lhe os doze apóstolos e o próprio Jesus.

Depois de terminar a segunda visão, decidiu colocar uma cruz naquele lugar. Como não tinha outro material, ele fincou sua espada no chão, formando ali uma cruz. Imediatamente o chão endureceu ao redor da espada e está lá presa desde então.

Apenas quatro anos depois de sua morte, o Papa Lúcio III iniciou formalmente o processo de canonização que terminou com Guidotti sendo declarado um santo – a primeira pessoa a ser declarada santa por um processo formal da Igreja Católica Romana.

Aparentemente, “incontáveis” pessoas tentaram roubar a espada. É possível ver na capela o que dizem ser mãos mumificadas de um ladrão que tentou roubar a espada, mas foi abatido por lobos selvagens.

Embora a espada esteja na Itália, muitas pessoas acham que ela influenciou a inglesa Lenda do Rei Arthur.

 Fonte:

http://pt.churchpop.com/verdadeira-excalibur-pertenceu-um-santo-da-igreja-catolica/



Outras fotos (clicando na foto, você poderá copiá-la no tamanho original em seu computador, notebook, tablet ou celular) 





São Galgano Guidotti, eremita. 





















SÃO LUCIANO, Presbítero e Mártir (312 d.C.) - 07 de janeiro




Samosata, cidade da Síria, é a terra de São Luciano. Menino de doze anos apenas, perdeu os pais, mas, tão firmado já estava na virtude cristã, que distribuiu os seus bens entre os pobres e procurou asilo no convento do abade Macário, para poder instruir-se ainda melhor nos princípios da fé cristã e da santa perfeição. A prática constante das virtudes e o estudo dedicado dos livros sacros prepararam Luciano para a luta contra as heresias de seu tempo.
Tendo recebido em Antioquia o sacramento da Ordem, dedicou-se primeiramente ao ensino nas escolas primárias, com o fim de dar à mocidade uma instrução nos moldes dos princípios cristãos. Pelo estudo e pela prática, adquiriu conhecimentos tão sólidos nas ciências bíblicas, que pode organizar uma nova edição dos livros sagrados, corrigindo os erros que, por descuido ou por ignorância, quiçá por malícia, se tinham insinuado nas traduções antigas. Esta nova edição teve acolhimento gratíssimo e prestou grandes serviços mais tarde a São Jerônimo quando, por ordem do Papa São Dâmaso, este fez nova tradução da Escritura Sagrada.
Eram tão acatadas suas autoridade e competência que todos, fiéis e hereges, se lhe referiam, e sua ortodoxia foi valorosamente defendida por São João Crisóstomo e Santo Atanásio contra os arianos, que seu testemunho tinham invocado em favor de sua heresia.
O fato de Luciano ter sido preso em Nicomédia, por causa de uma controvérsia com um sacerdote herético é prova cabal da retidão de sua doutrina. Uma apologia da religião Católica, apresentada ao imperador Maximiano, tem Luciano por autor.
A decretação da guerra de extermínio à Igreja, por Diocleciano, surpreendeu Luciano, quando se achava em Nicomédia. Por ser católico e sacerdote de Cristo, foi encarcerado. Da prisão dirigiu uma carta aos fiéis de Antioquia, comunicando-lhes que o Papa Antímo tinha sofrido o martírio e o incumbira de transmitir-lhes as saudações.
Nove anos durou a prisão. Passado esse longo tempo, foi apresentado em juízo ao governador imperial ou ao próprio imperador. O processo que os juízes adotaram, para fazê-lo abjurar a religião foi o de costume: elogios, promessas, ameaças e, por fim, condenação. Luciano ficou firme e sua resposta a todos os argumentos e propostas do juiz foi esta: “Sou cristão”!
O imperador mandou sujeitar o servo de Deus a crudelíssima flagelação, que não deixou um lugar são no corpo da vítima e, depois, ordenou que, assim terrivelmente maltratado, fosse deitado em cacos de vidro e pedras agudas. Quinze dias passou o mártir nesta posição, sem que alguém se lembrasse de oferecer-lhe de comer. Quando depois lhe apresentaram comida, era esta deliciosa, apetitosa: mas, Luciano rejeitou-a resolutamente, porque eram iguarias que tinham vindo dos templos pagãos.

Pela segunda vez, Luciano foi citado perante o juiz. O resultado não foi outro. Negando-se a sujeitar-se às exigências do magistrado, foi de novo submetido a dolorosíssima tortura e metido no cárcere. Aos fiéis que o visitaram, o santo sacerdote exortava à constância na fé.
Para fortificar a si mesmo e aos irmãos, celebrou a santa Missa sobre o próprio peito e deu a Santa Comunhão a si e a todos os fiéis presentes. Esta última Missa foi o prefácio de sua morte gloriosa. São João Crisóstomo afirma que Luciano morreu pela espada. Outros, porém dizem que foi estrangulado secretamente, por ordem de Maximiano. Atiraram com corpo ao mar. Poucos dias depois, porém, os cristãos o encontraram na praia e deram-lhe honrosa sepultura. As relíquias do mártir estão na igreja principal de Arles, na França. São Luciano morreu provavelmente em Samosata, em 07 de janeiro de 312.




Curiosidade:

Santa Helena, mãe do rei Constantino era muito devota de São Luciano, o qual citava com frequência ao filho, que ainda não havia se convertido. Constantino que a amava muito, durante o seu reinado, mandou que as relíquias do Santo fossem transladadas para Helenópolis, cidade natal de sua querida mãe. Depois ele mesmo, em 337, escolheu a sepultura do Santo para ser o local do seu batizado, oficializando sua conversão e de todo o seu reino. Esse ato propagou ainda mais o culto de Santo Luciano, tanto no Oriente como no Ocidente.


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

SÃO MACÁRIO DE ALEXANDRIA, Eremita (03 de janeiro)


O Martirológio Romano menciona no mês de janeiro dois Santos de nome “Macário”. O Santo, cuja biografia trago hoje, é Macário de Alexandria, o mais moço.
De pais pobres, até a idade de trinta anos trabalhou num engenho de açúcar, para ganhar o sustento. Depois, retirou-se para o deserto do Egito, onde levou uma vida de penitência e mortificação, durante o espaço de sete anos. No tempo da Quaresma redobrava as austeridades, tomando alimento só nos domingos.
Embora grande na virtude, só via em si defeitos e imperfeição, tanto que resolveu entrar para o mosteiro de São Pacômio, a fim de, sob a direção deste grande mestre da vida espiritual, aprender a ciência dos Santos.

Admitido entre os monges do mosteiro de Tabenna, excedeu a todos em penitência e austeridade de vida. Passado algum tempo, voltou para a solidão, na serra de Nitria. A fama de sua santidade espalhou-se em toda a região.

Chamado pelo Patriarca de Alexandria, para lá se dirigiu e recebeu o sacramento da Ordem. Por mais que fugisse do contato com o mundo, mais procurado era, por pessoas que desejavam colocar-se debaixo de sua direção espiritual. O que mais recomendava a seus discípulos era a oração e a mortificação, virtudes nas quais lhes servia de extraordinário modelo.

A um discípulo que dava demonstração de afrouxamento na oração, disse Macário: “embora não sintas gosto na oração, prolonga-a e, se outra coisa não puderes fazer, guarda por amor de Cristo as paredes de tua cela”.
Paládio, um dos mais dedicados discípulos de Macário, refere na sua biografia um fato, que bem elucida o espírito de mortificação que reinava na família religiosa do mestre. Um dia, Macário recebeu de presente um belo cacho de uvas. Sem prova-lo, entregou-o a um dos companheiros, o qual por seu turno o mandou a um terceiro; este, presenteou com a fruta um outro discípulo, o qual a fez parar de novo nas mãos de Macário. Este exemplo de mortificação agradou sumamente a São Macário, que assim se convenceu do alto grau de virtude que reinava na pequena comunidade.

Não só grande asceta, era Macário ainda um corajoso defensor da Fé. A heresia reinante era o arianismo, que horríveis estragos tinha causado no rebanho de Cristo. Pela oração e a palavra convincente, reconduziu muitos hereges ao aprisco do Senhor. Com isso, incorreu nas iras dos elementos dirigentes da infame seita. Estes, com a influência de que gozavam na corte de Valente, conseguiram o desterro de Macário para uma ilha longínqua, habitada por um povo selvagem e pagão. Falhou-lhes o intento de prejudicar a Igreja Católica, pois Macário tornou-se o apóstolo daquela ilha e ganhou muitas almas para a religião católica. O ódio ariano não permitiu ao apóstolo de Cristo desfrutar o resultado dos seus labores. Expulso também daquela ilha, voltou para a sua cela, para pouco depois, já com 99 anos de idade, entregar a alma a Deus.

São Macário era de baixa estatura, quase calvo e não usava barba. No entanto, a arte o representa homem de grande figura e barbado. É padroeiro dos confeiteiros e doceiros.


Reflexões:
1.     São Macário abandonou o mundo, trocando-o pela solidão. O motivo que o determinou a dar este passo foi, sem dúvida, o desejo de poder servir a Deus mais facilmente e, assim, salvar sua alma. Ou no mundo, ou na solidão, cada um de nós há de servir a Deus. É esse um dever de todos. O serviço de Deus, embora ofereça dificuldades, não é mais penoso que o serviço do mundo. O mundo é mau e ingrato e sua recompensa é parca. Deus, porém, é justo e não deixa sem recompensa o serviço que se lhe oferece, por menor que seja. Além disso, “servir a Deus é grande honra e sobremodo vantajoso” (São Jerônimo).

2.     São Macário era constante na prática de boas obras e perseverou nos exercícios de penitência. Há homens que pretendem servir a Deus e ao pecado. São coo o povo de que a Bíblia diz: “temendo embora a Deus, não deixam os ídolos” (IV Reis 17, 41). Incorrem igualmente na censura, com que o profeta Elias verberou os infiéis do seu tempo, que ora dobravam o joelho diante de Deus, ora adoravam a Baal (IV Reis 21). A palavra de Cristo decide terminantemente que não é possível servir-se a dois senhores, cujas máximas e princípios são tão contrários, como os de Deus e do mundo. O pecado e as leis de Deus são incompatíveis: “Temei ao Senhor – diz o profeta Samuel –, e servi-lhe em verdade e de todo o coração. Atirais para longe os falsos deuses e servi a Ele só” (I Reis 12). Dá teu coração a Deus, para que em ti não se verifique a palavra do profeta Oséas, que diz: “Dividido está seu coração e, por isso, há de perecer” (Oséias 10, 2).



Santos cuja memória é celebrada hoje:
Santo Isidoro, Bispo de Antioquia, onde morreu mártir no ano de 446.
São Martiniano, Bispo de Milão. Faleceu em 432.
Muitos mártires em Roma, que se negaram a entregar os santos livros ao governo do imperador Diocleciano.


(Fonte: "Na Luz Perpétua")