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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

SANTAS E MÃES: Mulheres que alcançaram a santidade pela maternidade.




Ainda que a maternidade seja um elemento central na figura da mais venerada santa do cristianismo, a Virgem Maria, o fato é que conhecemos muito mais santas freiras e virgens do que santas que alcançaram a plenitude do amor na vida conjugal e na maternidade. Infelizmente, são poucas as mães já beatificadas ou canonizadas e só recentemente a Igreja passou a se dar conta dessa lacuna.




Apresentamos aqui oito santas e beatas que viveram a maternidade, procurando deixar de fora nesse momento aquelas que, depois da viuvez, ingressaram na vida religiosa, como Rita de Cássia (1381-1457), Joana Francisca de Chantal (1572-1641) e Elizabeth Ann Seton (1774-1821). Conheça um pouco sobre essas santas e mães.



Santa Gianna Beretta Molla (1922-1962)


Gianna formou-se médica aos 27 anos e em seguida especializou-se em pediatria. Ela desejava tornar-se leiga missionária no Brasil, onde estava o seu irmão, o frei Alberto Beretta, para cuidar dos necessitados. Na oração, porém, discerniu sua vocação ao matrimônio. Casou-se aos 33 anos com o engenheiro Pietro Molla, com quem teve quatro filhos. Todas as suas gestações foram difíceis, mas a última teve uma complicação a mais: a descoberta de um tumor no útero. Gianna recusou-se a abortar e submeteu-se a uma delicada cirurgia, que teve sucesso. Sua filha nasceu com saúde, mas a mãe acabou morrendo uma semana depois de dar à luz – em uma oferta da própria vida que o Beato Paulo VI chamou de “meditada imolação”.



Santa Mônica (331-387)


Nascida na atual Argélia, Mônica casou-se aos 17 anos com Patrício, com quem passou a viver na cidade de Tagaste. O marido tinha um temperamento violento, mas a oração e o testemunho de Mônica o levaram à conversão. O casal ocupava razoável posição social, mas apesar disso Mônica não era feliz no casamento, pois sofria com a infidelidade do marido. Por isso começou a atingir o ideal cristão de boa esposa e mãe, já que nunca criou discórdia embora sofresse.
O casal teve ao menos três filhos, sendo um deles Santo Agostinho, Doutor da Igreja, um dos maiores personagens da história do cristianismo. Um filho difícil, cheio de vaidade e avesso à fé cristã professada pela mãe, Agostinho deu trabalho. Mônica decidiu segui-lo até a Itália, onde ambos conheceram Santo Ambrósio, que se tornou seu diretor espiritual. Foi também com a sua ajuda – e com as orações e as lágrimas da mãe – que Agostinho se converteu e pediu o batismo. É o que ele reconhece em suas Confissões: “Deu-me a vida temporal segundo a carne e, pelo coração, fez-me nascer para a vida eterna”.
Morreu aos 56 anos, no ano de 387, mesmo ano da conversão de seu filho. Seu corpo foi "descoberto" em 1430 e transferido para Roma onde mais tarde uma igreja lhe foi dedicada. Mônica foi canonizada não por ter operado milagres ou por ser mártir, mas sim por ter sido, a "responsável pela conversão de seu filho" mostrando empenho em ensinar condutas cristãs como moral, pudor e mansidão, mostrando a intervenção feminina no interior da família, pois foi o meio, através da oração, que contribuiu para a vida religiosa do filho.
Os marinheiros que acompanhavam Santo Agostinho em suas viagens mediterrâneas se confortavam orando à Mônica, pedindo a chegada a salvo.



Beata Maria Corsini (1884-1965)

Nascida em Florença, casou-se aos 21 anos com o Beato Luigi Beltrame Quattrocchi. Corsini dedicava-se a escrever livros educativos e servia como catequista em cursos de noivos, uma novidade em sua época. Além disso, foi enfermeira durante a II Guerra. O casal ia junto à missa pela manhã todos os dias, e de noite rezava o terço. Tiveram quatro filhos e foram beatificados juntos, em 2001, por São João Paulo II. Sua última filha ainda viva morreu em 2012.



Beata Hildegarda Burjan (1883-1933)


Nascida na Alemanha em uma família judia não-praticante, Hildegard estudou filosofia, política e economia. Aos 24 anos, casou-se com o empresário húngaro Alexander Burjan. No mesmo ano, doutorou-se em filosofia e, um ano depois, ficou gravemente enferma devido a um problema nos rins. Vendo o serviço das freiras no hospital, decidiu pedir o batismo. Depois de curada, mudou-se com o esposo para Viena, onde tiveram uma filha. Fundou uma congregação religiosa feminina, chamada Caritas Socialis, que diante dos problemas sociais da capital austríaca organizou agências de empregos, lares para mães solteiras, hospitais e locais de distribuição de alimento para os pobres. Ingressou ainda no Partido Social Cristão e se tornou, em 1919, deputada federal.



Beata Isabel Canori Mora (1774-1825)


Isabel casou-se aos 24 anos com o advogado Cristoforo Mora, que logo a traiu e negligenciou a família, depois de gerarem duas filhas. Abandonada pelo marido, precisou trabalhar duro para sustentar as pequenas e, ainda assim, dedicava-se intensamente à oração – principalmente pela conversão de Cristoforo – e ao cuidado dos pobres e doentes. Morreu aos 51 anos, em Roma, onde passou toda a vida. Pouco tempo depois, seu marido se converteu e tornou-se padre na Ordem dos Frades Menores, os franciscanos.




Santa Zélia Guérin (1831-1877)



Zélia tentou inicialmente enveredar pela vida religiosa, mas logo se deu conta de que sua vocação era o matrimônio. Dona de uma pequena fábrica de rendas, casou-se aos 27 anos com São Luís Martin, um relojoeiro. O casal viveu na cidade francesa de Alençon e teve nove filhos, dos quais quatro morreram prematuramente. Ela também morreu cedo, de câncer de mama, e não viu uma das filhas entrar no Carmelo e se tornar a grande Santa Teresa do Menino Jesus, Doutora da Igreja. Outra filha está a caminho dos altares, a Serva de Deus Leônia Martin (Ir. Francisca Teresa).




Beata Anna Maria Taigi (1769-1837)

Nascida em Siena, precisou se mudar com a família para Roma aos cinco anos, depois de ir à falência. Aos 20 anos, casou-se com Domenico Taigi. Tiveram sete filhos, dos quais três morreram prematuramente. Depois de uma experiência de conversão, na Basílica de São Pedro, Anna Maria decidiu renunciar a uma vida mundana e deu todas as suas joias e roupas de luxo. Com uma vida de intensa penitência, demonstrava grande afabilidade por todos, sobretudo por sua família e pelos pobres. Diz-se ainda que teve dons místicos e operava curas.




Santa Emília de Cesareia (+375)


Sabe-se pouco sobre Santa Emília, mas se pelos frutos é possível conhecer as árvores, parece que ela fez alguma coisa direito. Afinal, dos seus dez filhos, seis são venerados como santos: Macrina, a Jovem, Teosébia, Naucrácio, Pedro de Sebaste, Gregório de Nissa e Basílio Magno, os dois últimos Doutores da Igreja. Com o esposo, São Basílio, o Velho – filho de Santa Macrina, a Velha –, Emília foi exilada durante o tempo da perseguição de Galério.



segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

BEATO TITO ZEMAN, Presbítero e Mártir Salesiano (martirizado pelo regime comunista)

Trazemos aos leitores do site Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus a memória de um sacerdote salesiano que foi recentemente beatificado, no dia 30/09/2017. Grande guardião das vocações, salvou o sonho e projeto de vida dos seminaristas de serem ceifados pelo comunismo. Foi martirizado pelo regime comunista.
“Mesmo se perdesse a vida, não a consideraria desperdiçada, sabendo que ao menos um daqueles que ajudei tornou-se sacerdote no meu lugar”.
“Age sempre segundo o modelo de Dom Bosco e os outros te seguirão”
“Dar a vida pelos irmãos: foi o ideal do beato Tito Zeman. Ele foi feito prisioneiro porque ajudava seminaristas e sacerdotes a sair do país para viverem o próprio ideal apostólico. Sua prisão foi transformada por ele em sacrifício pela redenção de outros”. 
São algumas passagens da intensa homilia feita pelo cardeal Angelo Amato, SDB, representante do Papa e Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, durante a Eucaristia celebrado no dia 30 de setembro em Bratislava por ocasião da beatificação de Tito Zeman, Salesiano sacerdote, mártir.




A história de Tito Zeman é um ótimo exemplo de fidelidade à causa de Dom Bosco, particularmente através do zelo e do amor pela salvação da vocação dos jovens salesianos quando se deu na Eslováquia o advento e a instauração do regime comunista.
Tito Zeman, salesiano eslovaco, nasceu numa família cristã em 4 de janeiro de 1915 em Vajnory, perto de Bratislava. Desejava ser padre desde os 10 anos de idade e fez os estudos ginasiais e liceais nas casas salesianas de Šaštin, Hronský, Svätý Beňadik e Frištak u Holešova. Em 1931, iniciou o noviciado e no dia 7 de março de 1938 emitiu a profissão perpétua no Instituto Sagrado Coração de Roma. Estudante de teologia na Universidade Gregoriana de Roma, e depois em Chieri, servia-se do tempo livre para fazer apostolado no oratório. Em Turim, no dia 23 de junho de 1940, chegou à meta tão desejada da consagração sacerdotal graças à imposição das mãos do cardeal Maurílio Fossati. Celebrou sua primeira Missa em Vajnory no dia 4 de agosto de 1940.
Na noite entre 13 e 14 de abril de 1950, o regime comunista proibiu a existência das ordens religiosas na Tchecoslováquia, ocupou com seus milicianos os conventos e as casas dos religiosos e das religiosas, deportando consagrados e consagradas para conventos transformados em verdadeiros e próprios campos de concentração. Esta noite dramática foi chamada na Eslováquia de “A noite dos bárbaros”. A providência quis que o padre Zeman estivesse naqueles meses na paróquia diocesana de Šenkvice e, assim, evitasse a prisão. Foi uma ideia do jovem Salesiano padre Ernesto Macák fazer os jovens clérigos passarem ilegalmente a fronteira entre a Tchecoslováquia e a Áustria, levando-os a Turim, casa-mãe dos Salesianos, onde poderiam completar os estudos teológicos, chegar ao sacerdócio e reedificar espiritualmente a Pátria, depois da queda do comunismo que se desejava fosse logo.

Missa da solene beatificação

Zeman encarregou-se de realizar a arriscada missão. Começou a preparar a passagem clandestina através da fronteira entre a Eslováquia e a Áustria e organizou duas expedições para mais de 30 jovens Salesianos. Na terceira expedição, da qual participaram também alguns padres diocesanos, perseguidos pelo regime, foi preso com a maioria dos componentes do grupo. Durante os vários interrogatórios açoitaram-no e quebraram-lhe alguns dentes. 
Quando o padre Zeman experimentou a violência sobre si e viu-a nos coirmãos, assumiu a responsabilidade e inculpou-se por ter organizado a fuga deles para o exterior. Sobre este período o próprio padre Tito declarou: “Quando me prenderam, foi para mim uma Via Sacra. Do ponto de vista psíquico e físico, eu a vivi durante a prisão inicial. Na prática, durou dois anos… Vivia num temor contínuo de que a qualquer momento a porta da minha cela se abrisse e me levassem para fora, para o local da execução. Por isso, vi todos os meus cabelos ficarem brancos. Se retorno às torturas inimagináveis sofridas durante os interrogatórios, digo-te com sinceridade que ainda hoje me vêm calafrios. Serviam-se de métodos desumanos quando me açoitavam e torturavam. Por exemplo, levavam um balde cheio de material do esgoto, nele afundavam a minha cabeça e a mantinham ali até que começava a sufocar. Davam-me pesados pontapés no corpo todo, batiam em mim com qualquer objeto. Depois de um destes golpes, fiquei vários dias surdo”.


Relicário do Beato Tito Zeman na cerimônia de beatificação.













Sofreu um duro processo durante o qual foi descrito como traidor da pátria e espião do Vaticano e o procurador-geral pediu para ele a pena de morte. Em 22 de fevereiro de 1952, foi condenado a “só” 25 anos de prisão sem condicional, e marcado como “mukl”, ou seja, como “homem destinado à eliminação”. Saiu da prisão, com liberdade condicional, após quase 13 anos de prisão, em 10 de março de 1964, depois de ter sido excluído de inúmeras anistias. Sua saúde, porém, já estava comprometida. Morou com um irmão, trabalhando como operário num depósito de materiais têxteis. Mais tarde permitiram-lhe trabalhar como almoxarife, profissão que exerceu até o fim da vida. Irremediavelmente marcado pelos sofrimentos da prisão, morreu cinco anos depois, em 8 de janeiro de 1969, rodeado de uma gloriosa fama de martírio e santidade. Viveu o seu calvário com grande espírito de sacrifício e de oferta: “Mesmo se perdesse a vida, não a consideraria desperdiçada, sabendo que ao menos um daqueles que ajudei tornou-se sacerdote no meu lugar”. Sua mensagem “Age sempre segundo o modelo de Dom Bosco e os outros te seguirão”, é atual ainda hoje.













O testemunho heroico do Beato Tito Zeman é uma das páginas de fé mais belas que a comunidade cristã da Europa Oriental e a Congregação Salesiana escreveram nos duros anos da perseguição religiosa feita pelos regimes comunistas no século passado. Nele resplende de maneira especial o empenho pelas jovens vocações consagradas e sacerdotais.


http://www.salesianos.com.br/pe-tito-zeman-e-declarado-martir-e-dom-ortiz-arrieta-e-declarado-veneravel/
http://www.infoans.org/pt/secoes/noticias/item/4034-rmg-beatificacao-do-padre-tito-zeman-carta-do-reitor-mor

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

SÃO FAUSTINO MÍGUEZ (Faustino da Encarnação), Presbítero Escolápio (de São José Calasanz) e Fundador

          Hoje trazemos um santo espanhol que foi canonizado no mesmo dia dos nossos santos mártires de Cunhaú e Uruaçú, 15/10/2017, pelo Papa Francisco na Praça de São Pedro. 
      Esse novo santo, pertencente à família religiosa de São José de Calasanz, foi sensível aos apelos de seu tempo, dando atenção aos mais necessitados e especialmente à situação das mulheres, pelas quais fundou uma família religiosa, para que lhes promovesse a vida cristã e cidadã, de maneira mais digna para a mulher daquele tempo. 
            Ainda hoje a missão de São Faustino Míguez se faz muito necessária, para resgatar a dignidade e valor da mulher em sua feminilidade, característica única desse belo ser criado por Deus. 
         Além disso, o Pe. Faustino da Encarnação, seu nome de religioso, dedicou-se muito aos estudos, destacando-se no conhecimento de plantas medicinais, com o qual muito ajudou as pessoas em suas enfermidades. Sua vida de oração foi intensa, louvando sempre ao mistério que acompanha seu nome, a Encarnação do Verbo de Deus.



 BIOGRAFIA

FAUSTINO MÍGUEZ nasceu em Xamirás, uma aldeia de Acebedo del Rio, Celanova, na província de Orense (Espanha), a 24 de março de 1831, sendo o quarto filho do casal Benito Miguez e Maria Gonzalez, agricultores pobres e cristãos. A sua família era profundamente cristã e trabalhadora, propiciando-lhe um ambiente de fé, onde aprendeu a oração e o amor a Maria, a solidariedade com os necessitados e a responsabilidade no trabalho. Foi batizado com o nome de Miguel e assumiu o nome de Faustino da Encarnação ao ser consagrado sacerdote. A sua vida transcorreu como a de todos da sua idade, dividida entre os estudos, o trabalho rural, o encontro com os amigos, a família e as orações. Na escola de S. José de Calasanz seguiu Cristo, dedicando-se à educação. Como Padre das Escolas Pias aplicou-se todos os dias ao serviço da infância e da juventude.
Estudou latim e ciências humanas no Santuário de Nossa Senhora dos Milagres, em Orense, no qual se sentiu chamado por Deus para se tornar sacerdote e professor segundo o espírito de São José Calazans. No ano de 1850 ingressou no Noviciado das Escolas Pias de São Fernando, em Madrid, onde tomou o hábito, professou os seus votos perpétuos e se ordenou sacerdote, em 1856.
Durante alguns anos, padre Miguez desenvolveu seu apostolado em Cuba, no Colégio de Guanabacoa, onde começou a se entusiasmar pelos estudos de Botânica e a se dedicar a uma atividade que, com o tempo, viria a se constituir em uma de suas ocupações prediletas: a produção e distribuição de ervas medicinais, que curavam múltiplas doenças e com as quais recuperou importantes personalidades da sua época.
Sempre atento às necessidades das pessoas, tomou contato com a realidade vital do povo, participou nos seus problemas, sofrimentos e enfermidades, e respondeu-lhes na medida das suas forças. Dada a sua vocação científica, procurou também com este seu talento socorrer a humanidade abatida por tantos sofrimentos físicos e, a exemplo do Mestre divino, preocupou-se da saúde tanto da alma como do corpo.
Depois, retornou à Espanha, e como padre escolápio (religiosos e leigos de São José Calasanz), lecionou em muitas escolas das mais variadas dioceses do país. Nos cinquenta anos de magistério, quis sempre ocupar o lugar comum de professor, sem cargos de destaque, para se dedicar diretamente na formação e instrução das crianças e jovens. Em algumas ocasiões chegou a ser o diretor dos alunos internos, para os quais foi amigo, pai, companheiro e conselheiro. Escreveu vários livros de fácil compreensão, sobre ciências naturais e botânica. Como sacerdote escolheu o ministério do confessionário se tornando diretor espiritual de muitos paroquianos.
Ao mesmo tempo, para ajudar os doentes se dedicou à preparação de produtos fitoterapêuticos, com os quais obteve curas surpreendentes. Enfrentou muitos opositores, entretanto, muitos o procuravam porque já haviam sido curados pelas propriedades das ervas que ele indicara. Após as polêmicas e oposições, doze medicamentos foram aprovados pela Diretoria Geral da Sanidade Pública e vendidos nas farmácias.
Transferido para a diocese de Getafe, padre Faustino fundou para o bem da humanidade, o Instituto Miguez, com a aprovação do Vaticano, passando a cultivar e a produzir os medicamentos aprovados. Com isto, trouxe muitas divisas para a Ordem. Em Sanlúcar de Barrameda, na Galiza, constatou a ignorância e o abandono em que vivia a mulher e a marginalização que existia no campo educativo. Convicto da importância da mulher na família e na sociedade, e animado do mesmo espírito que tinha impelido S. José de Calasanz, fundou em 1875 o Instituto Calasanziano das Filhas da Divina Pastora, dedicado à promoção humana e cristã das meninas, especialmente das mais pobres, a fim de que, guiadas desde a mais tenra idade, chegassem a ser, dizia, boas cristãs, boas filhas, boas esposas e boas mães e membros úteis para a sociedade, da qual devem formar a parte mais interessante.


Morreu em Getafe, aos 94 anos de idade, no dia 8 de março de 1925. A sua longa vida consagrada totalmente ao Senhor, a quem amou sobre todas as coisas, foi um contínuo ato de fé e de aceitação da Sua vontade em todos os momentos. Deixou-se modelar por Deus e só procurou a Sua glória. Amou o Instituto das Escolas Pias e procurou viver com radicalidade e autenticidade a sua vida religiosa. Padre Faustino Miguez, foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em 1998. A sua festa litúrgica ocorre no dia de sua morte. Sua canonização se deu no dia 15 de outubro de 2017, junto com os santos mártires de Cunhaú e Uruaçú, Brasil.

«Quem se humilha será exaltado» (Lc 18, 14). Ao elevar à glória dos altares o sacerdote escolápio Faustino Míguez, cumprem-se estas palavras de Jesus que escutamos no Evangelho. O novo Beato, renunciando às próprias ambições, seguiu Jesus Mestre e consagrou a sua vida à educação das crianças e dos jovens, conforme o estilo de São José de Calasanz. Como educador, a sua meta foi a formação integral da pessoa. Como sacerdote, buscou sem cessar a santidade das almas. Como cientista, quis aliviar a enfermidade libertando a humanidade que sofre no corpo. Na escola e na rua, no confessionário e no laboratório, o Padre Faustino Míguez foi sempre transparência de Cristo, que acolhe, perdoa e anima.


Trecho da Homilia de Beatificação – Papa São João Paulo II – 25 de outubro de 1998

«Homem do povo e para o povo», nada nem ninguém lhe esteve alheio. Constatou a situação de ignorância e marginalização em que vivia a mulher, a quem considerava a «alma da família e a parte mais interessante da sociedade ». Com a finalidade de a guiar desde a infância pelo caminho da promoção humana e cristã, fundou o Instituto Calasanziano das Filhas da Divina Pastora, dirigido para a educação das meninas na piedade e nas letras.
O seu exemplo luminoso, entretecido de oração, estudo e apostolado, prolonga-se hoje no testemunho das suas filhas e de tantos educadores que trabalham com denodo e alegria, para gravar a imagem de Jesus na inteligência e no coração da juventude.



Sobre a celebração de sua canonização



Um dos momentos mais emocionantes da celebração para quase dois mil peregrinos calasâncios foi a leitura do Breve Pontifício por meio do qual o Papa inscreve oficialmente no Catálogo dos Santos o Pe. Faustino:
"Em homenagem à Santíssima Trindade, para exaltar a fé católica e o crescimento da vida cristã, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, os Santos Apóstolos Pedro e Paulo e a Virgem, depois de ter refletido longamente, invocando, muitas vezes, a ajuda divina e ouvindo o parecer de inúmeros irmãos no Episcopado, declaramos e definimos Santos os Beatos Faustino Míguez (...) e os inscrevemos no catálogo dos Santos, e estabelecemos que, em toda a Igreja, sejam devidamente honrados entre eles. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo."
Com a benção final, os peregrinos da Praça de São Pedro explodiram, exultando de alegria, em aplausos e cantos. Agora podemos dizer: SÃO FAUSTINO MÍGUEZ, ROGAI POR NÓS!


Sugestões de Vídeo sobre São Faustino Míguez:





quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Beato Teofilius Matulionis, Bispo e Mártir (URSS, 1962).


Enviado ao “gulag” e assassinado pela KGB (polícia secreta do regime soviético): assim era o arcebispo lituano que recentemente beatificado: Dom Teofilius Matulionis.

Os católicos lituanos estão em festa pela beatificação do primeiro mártir da época comunista reconhecido pela Igreja. Se trata do arcebispo Dom Teofilius Matulionis, assassinado em 1962 por injeção com veneno e após haver sido perseguido e encarcerado durante anos pelas autoridades soviéticas.

A Lituânia é um grande país católico das repúblicas bálticas onde quase 80% da população pertence à Igreja Católica. Porém, durante décadas, igualmente com os ortodoxos e protestantes, sofreram a perseguição.

A cerimônia de beatificação aconteceu no dia 25 de junho, na capital, Vilnius. Participaram da cerimônia cerca de 30.000 pessoas.

Seu testemunho de firmeza e fidelidade a Deus é um exemplo para os jovens do país, aos quais lhes estão apresentando a figura do arcebispo Matulionis. O arcebispo de Vilnius relatou ao Catholic News Service que “além de ser nosso primeiro mártir da era soviética reconhecido pela Igreja universal, também se tornou o primeiro lituano beatificado em sua terra”.


Quem era este arcebispo tão incômodo aos comunistas?

Matulionis nasceu em 1873, na cidade de Kurodiskis, no noroeste da Lituânia. Foi ordenado sacerdote na cidade russa de San Petersburgo, em 1900, onde exerceu seu ministério até 1910, quando passou para a Letônia.







Foi encarcerado pelos comunistas russos em 1923, junto com o arcebispo Jan Cieplak e outros clérigos católicos. Três anos esteve na prisão. Seis anos depois de sua liberação, foi ordenado bispo em segredo e, pouco depois, foi enviado, sem julgamento ao “gulag” (prisão comunista) nas Ilhas Solovetskty, no Mar Branco.

Em um intercâmbio de prisioneiros, em 1933, Matulionis pode regressar à Lituânia onde ajudou a propagar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, no período que atuava como capelão militar.

Em 1943, foi nomeado pelo Papa bispo de Kaisadorys, porém, de novo foi detido em 1946 por negar-se a colaborar com os ocupantes soviéticos da Lituânia e foi enviado a distintas prisões, onde exercia em segredo o ministério episcopal até que foi liberado em 1956.



 



O convite ao Concílio Vaticano II pode ter sido sua sentença de morte.

Em 1962, São João XXIII o elevou ao cargo de arcebispo e lhe convidou a participar do Concílio Vaticano II, porém, as autoridades soviéticas lhe negaram a permissão para deixar a União Soviética. Em 20 de agosto desse mesmo ano, o arcebispo lituano morria depois que uma agente da KGB, que se fez passar por enfermeira, o envenenou com uma injeção letal, depois do mesmo ter sofrido um brutal espancamento em sua casa.

O arcebispo de Vilnius destacou que o beato ofereceu “seus sofrimentos pela conversão da Rússia” e destacou que o convite do Papa para assistir ao Concílio Vaticano II foi “a gota d’água” que fez que as autoridades soviéticas decretassem seu assassinato.


Peçamos ao glorioso Beato Teofilius Matulionis que, de novo e constantemente reze pela Rússia, que mais uma vez, está causando apreensão à comunidade internacional, graças a atitudes no mínimo preocupantes de seu atual presidente...

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai pela Rússia!
São Cirilo e São Metódio, rogai pela Rússia!
São Francisco Marto, rogai pela Rússia!
Santa Jacinta Marto, rogai pela Rússia!
Beato Teofilius Matulionis, rogai pela Rússia!

Todos os gloriosos mártires cristãos russos, rogai pela Rússia! 

domingo, 24 de dezembro de 2017

SANTA TERESA DO MENINO JESUS E DA SANTA FACE, Carmelita Descalça e Doutora da Igreja: PERFEITA ADORADORA DA INFÂNCIA DE JESUS.


      Acredito que praticamente todos os leitores de nosso site são conhecedores da imensa e terna devoção que Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face tinha pela divina Infância de Jesus. Sua espiritualidade, chamada de "Pequena Via" ou caminho da Infância Espiritual, foi toda baseada na contemplação que a Santa fazia deste imenso mistério de amor: um Deus que se fez carne: sendo gerado pelo Espírito Santo no ventre puríssimo da Virgem Maria, nascido pobre e indefeso em Belém de Judá e vivendo uma vida simples em Nazaré da Galileia.

       Hoje, noite do Natal do Senhor, trago algumas frases sobre o Menino Jesus ditas por esta que foi, no dizer do Papa São Pio X, a "maior santa dos tempos modernos": Santa Teresinha do Menino Jesus, que na sua simples, porém, profundíssima doutrina, tornou-se uma das poucas santas mulheres proclamadas pela Igreja com o título de "doutora". 






"Ó Menino Jesus, meu único Tesouro, eu me abandono a teus divinos caprichos, não quero outra alegria a não ser a de te fazer sorrir".

"Teresa do Menino Jesus da Santa Face, eis aí seus títulos de nobreza, sua riqueza e sua esperança". (MA.85v)

        "Pai eterno, vosso Filho único, o doce Menino Jesus é meu, pois vós mo destes".  (Or.13)








           "Desde algum tempo, eu me oferecera ao Menino Jesus para ser seu brinquedinho, dissera-lhe para não se  servir de mim como de um brinquedo de valor, que as crianças se contentam  em olhar sem ousar tocá-lo, mas como de uma bolinha sem nenhum valor que podia jogar no chão, pisar com o pé, furar, deixar em um canto ou, então, apertar sobre seu coração se isso lhe desse prazer"...  (MA.64r)


 "Eu sou a bolinha do Menino Jesus; se ele quiser quebrar seu brinquedo ele é livre; sim, quero tudo que ele quiser".   (CT.36)


"Quer ser  nesta terra
  O brinquedo do Menino divino?...
  Minha irmã, deseja agradar-lhe?
  Fique na sua mãozinha.

  Se o amável Menino a acaricia
  Se ele a aproxima do seu coração,
  E se, por vezes, ele a deixa
  De tudo faça sua felicidade.

  Procure sempre seus caprichos
  Você encantará os olhos divinos
  A partir de agora todas suas delícia
  Serão seus desejos infantis"... 









        "Na manhã do dia em que eu devia ir ao locutório, refletindo sozinha no meu leito, eu me perguntei que nome teria quando estivesse no Carmelo; sabia que havia uma Irmã Teresa de Jesus, contudo meu belo nome de Teresa não podia ser-me tirado. De repente, pensei no Menino Jesus, que amava tanto e me disse:  'Oh, como seria feliz chamar-me Teresa do Menino Jesus'"!   (MA.31r-31v)



"Aquele que alimenta os eleitos
 Com sua Santa e Divina Essência
 Se fez por vós o Menino Jesus
 Ele reclama vossa assistência
 No Céu sua felicidade é perfeita
 Mas na terra Ele é pobre.
 Dai, minha irmã, um pouco de Leite
 A Jesus, vosso Irmãozinho.
 Ele vos sorri
 E baixinho vos repete:
 'É a simplicidade que amo'" (RP.5,1v)






Quadro pintado por Santa Teresinha: o Divino
Menino sonha com sua Paixão e Morte,
causa da redenção das almas. 


         "Uma cruz! Uma lança! Uma coroa de espinhos!... Eis o que o Menino Jesus escolheu para mostrar à sua esposa quanto Ele a ama! Mas, não é ainda bastante, seu rosto infantil e tão belo, Ele o vê desfigurado, sangrento, irreconhecível! Jesus sabe bem que sua esposa O reconhecerá sempre, que ela estará a seu lado, quando todos o abandonarem, por isso o Menino Jesus sorri para essa imagem sangrenta".  (CT.156)








          "Durante esta provação, compreendi, melhor do que nunca, a provação da Santíssima Virgem e de São José procurando o Menino Jesus"... (MA.51r)








        "Que o divino Menino Jesus encontre em sua alma uma morada toda perfumada dos rosas do amor, que ele encontre ainda a lâmpada ardente da caridade fraterna, que aquecerá seus pequenos membros gelados, que alegrará seu pequeno coração, fazendo-lhe esquecer a ingratidão das almas, que não o amam bastante".   (CT.246)


"Como uma branca margarida
 Que olha sempre o céu
 Seja também a simples florzinha
 Do pequeno Menino de Natal"!  (PN.13,8)




         



    "Eu queria divertir o Menino Jesus, agradar-lhe, queria me entregar a seus caprichos infantis"...   (MA.64r)

"Não se esqueça de rezar por mim durante o mês do querido Menino Jesus, peça-lhe que eu permaneça pequena, bem pequena!... Farei por você a mesma oração, pois conheço seus desejos e sei que a humildade é a sua virtude preferida". (CT.154)



"Minha irmã, você quer saber
 O que deseja o Menino Jesus!
 Pois bem, eu vos direi esta noite
 Como você o fará sorrir.

 Pegue pássaros encantadores
 Faça-os voar no estábulo
 Eles são a imagem das crianças
 Que encantam o Verbo adorável"...
 (RP.5, 3)

"Vinde ao pobre estábulo
 Vossa alma é um cristal brilhante
 Refleti o Verbo adorável
 Os encantos do Deus feito criança". (RP.5,16)