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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE, Rainha do México e Imperatriz das Américas - 12 de dezembro


    Hoje, o site Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus traz uma publicação "diferente": a narrativa das aparições de Nossa Senhora, Virgem Mãe de Deus, ao índio Juan Diego (que foi depois canonizado e é Santo). Apesar do objetivo do site não ser a divulgação de histórias de aparições de Nossa Senhora, mas, como envolve o nome de um Santo (Juan Diego) e para a maior honra e glória de Deus, resolvi trazer o relato das aparições, infelizmente, desconhecido por muitos católicos. Todos sabemos que só existe uma única Nossa Senhora: Maria de Nazaré, Mãe de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiros, o Verbo que se se fez carne em seu ventre imaculado. Mas, a Virgem Maria possui muitos títulos, de acordo com os locais onde apareceu, com suas diversas virtudes, missões e fatos que aconteceram em sua vida terrena. Ela é, então, a mesma Nossa Senhora de Fátima, do Perpétuo Socorro, de Lourdes, de La Salette, das Graças, das Dores, da Conceição, e assim por diante. Não existem "várias Marias", mas apenas uma só, com seus múltiplos títulos. Espero que todos apreciem o belo relato abaixo e que se interessem em buscar em plataformas (como o YouTube, por exemplo), vídeos com documentários, inclusive, aqueles que tratam da inexplicável figura que se formou na "tilma" do vidente, São Juan Diego, que ainda hoje, com toda a tecnologia mais moderna, contina a ser um mistério, pois, essa figura, não feita por mãos humanas (pois nela não há tinta ou quaisquer pigmentos), contém, também, símbolos maravilhosos (que foram entendidos imediatamente pelos índios da época), bem como sinais da veracidade da imagem e do fato de ela ser, realmente, milagrosa (como, por exemplo, as figuras das pessoas presentes no local onde o índio São Juan Diego derramou as rosas que trazia em sua "tilma", presente como reflexos nos olhos da imagem: figuras essas que só podem ser vistas por microscópio). 


        A HISTÓRIA

A história de Guadalupe Em Tepeyac, no México, Nossa Senhora deu sua mensagem, a medianeira de todas as graças apareceu na América no século XVI, como mãe que deseja ardentemente a salvação de todas as gerações de seus filhos.

Num sábado, 9 de dezembro de 1531, um índio cristão chamado Juan Diego ia para a missão franciscana de Tlatetolco, para assistir à Missa em honra de Nossa Senhora. De repente, ao passar junto da colina do Tepeyac, chegaram-lhe aos ouvidos os acentos de uma música tão linda, como nunca antes tinha ouvido.

Procurando de onde viria a melodia, ele escutou uma voz: “Juanito, Juan Dieguito!”. Sem duvidar, caminhou direto para o cume da colina donde provinha a voz e lá deu com uma jovem senhora de radiante beleza, serenamente ereta, a acenar para ele. Ao aproximar-se dela, ficou tão penetrado de espiritual alegria, que nada mais conseguiu fazer do que cair de joelhos e sorrir para Ela.

A Senhora era de tanta beleza que deixou Juan Diego estático. As vestes da Senhora resplandeciam como uma luz esplendorosa e seu rosto, um rosto jovem de olhos maduros, um sorriso de compaixão e amor acolheu Juan Diego, quando acudiu a seu chamado:

 - “Juanito (Joãozinho), meu querido filho, para onde você está indo?

- Juan: "Senhora, vou a caminho da igreja, para estudar e aprender os divinos mistérios, que os padres nos ensinam".

- "Entenda, filho querido, que eu sou a sempre Virgem, Mãe do Deus verdadeiro, Criador e autor do céu e da terra, por quem se vive e existe.  É meu desejo que se construa um templo aqui em minha honra, onde Eu derramarei o meu amor, compaixão, socorro e proteção. Eu sou a vossa Mãe dadivosa, Mãe amorosa para com os vossos companheiros, que me amam e se confiam a Mim e procuram o meu auxílio. Prestarei ouvidos a seus lamentos e darei consolo em todas as suas tristezas e sofrimentos”. - "Para conseguir tudo o que meu amor pede, vá agora à casa do bispo no México e fale para ele que Eu o envio para manifestar o meu grande desejo 2 de ter um templo aqui, edificado em meu nome. Diga-lhe, exatamente, o que viu e ouviu. Saiba que Eu lhe serei agradecida e que o recompensarei. Agora, filhinho, você ouviu o meu desejo. Vá e faça-o como melhor puder".

- Juan: "Senhora muito querida, alegremente me ponho a caminho para fazer o que me pedis. Com vossa licença eu me despeço da Senhora”. 

E com a mesma presteza com que atendeu ao chamado da Senhora, desceu a encosta da colina, rumando para a cidade. “Chegando à residência do bispo (que então era Frei Juan de Zumárraga) ele teve uma longa espera, antes de ser atendido. Ajoelhando diante do bispo, ele disse vir a mando da Mãe de Deus, que lhe aparecera na colina de Tepeyac e lhe pedira que transmitisse os seus desejos ao bispo.

Descreveu para o bispo a música estranha, o esplendor das cores e a bela Senhora de voz suave que pedira que fosse ali erguido um templo em sua honra. O bispo ouviu-o com atenção. Manifestou simpatia para com aquele pobre índio; mas também, alguma desconfiança. Não seria aquilo mais uma história asteca a respeito da deusa da fertilidade, cujo templo se erguia também nos arredores do Tepeyac? O demônio costuma ser tão esperto para enganar os fiéis!… Por isso, respondeu para Juan Diego: “Eu vou pensar um pouco sobre tudo o que você me falou; volte daqui a alguns dias…

Juan, desanimado com a recusa do bispo, sentiu-se embaraçado para explicar à Senhora o que tinha acontecido. Voltou para a colina temendo que seu fracasso magoasse a Senhora. Talvez não fosse ele a pessoa mais indicada para transmitir a mensagem. Deveria escolher um outro mais capacitado que ele para levar a cabo aquela missão.

Subiu rápido à colina do Tepeyac e logo seus olhos encontraram a luz maravilhosa: lá estava a Senhora. Correu para Ela, ajoelhou e disse:

-Juan: “Minha querida Senhora, eu obedeci à vossa ordem e fui à casa do bispo. Ele me recebeu bondosamente e escutou com atenção, mas quando me respondeu, eu percebi que não acreditava em mim”.

-Juan: “Senhora muito querida, o bispo pensa que eu estou inventando tudo. Por favor, mande outro mensageiro mais considerado para transmitir vossa mensagem, a fim de ser acreditado. Eu sou apenas um simples índio; eles não acreditaram em mim!”

Nossa Senhora lhe disse: – "Filho muito querido, você precisa compreender que há muitos servos de categoria a quem Eu poderia confiar a minha mensagem; no entanto, Eu escolhi você para esta missão. Volte de novo ao bispo, amanhã; fale-lhe em meu nome e informe-o que é meu desejo que ele tome a seu cargo a ereção do templo que estou pedindo. Diga-lhe que sou Eu, em pessoa, Santa Maria, sempre Virgem, Mãe de Deus, que está enviando você”.

Juan sentiu renascer a coragem. Tranquilizado, falou assim a Nossa Senhora:

-Juan: "Minha querida Senhora, eu irei com prazer transmitir o vosso pedido ao bispo. Talvez ele não queira me ouvir ou mesmo não acredite em mim… Eu voltarei aqui, amanhã à tarde, para vos dizer qual a resposta do bispo. Com vossa licença eu me despeço de Vós, minha boa Senhora”.

Domingo, de manhã cedo, Juan Diego foi assistir à Missa em Tlatetolco. Depois, foi à residência do bispo. Chorando, ele relatou que conversara de novo com a Mãe de Deus e que Ela o conjurara a pedir ao bispo que edificasse um templo na colina de Tepeyac.

Quem o mandava, disse, era certamente a mãe de Jesus Cristo. Desta vez, o bispo se mostrou mais acessível e interrogou Juan minunciosamente. “Filho, disse-lhe, o seu recado me interessa; quem sabe, você poderia me trazer algum sinal de que é mesmo a Mãe de Deus que  deseja a construção de um templo na colina de Tepeyac?” E Juan prometeu trazer o sinal.

O bispo intrigado chamou dois membros de confiança de sua casa. Falando em castelhano para não ser compreendido por Juan, disse-lhes que seguissem a Juan até o ponto onde dissera ter ocorrido a visão. Deviam lhe trazer um relatório completo de quanto vissem e ouvissem. O bispo despediu a Juan. Os servos seguiam-no até um pequeno regato, onde ele desapareceu. Em vão o procuraram e, indignados, voltaram dizendo que não era digno de crédito.

Nesse intervalo, Juan subira à colina, onde a bela Senhora o esperava. Deu-lhe conta do pedido do bispo. Ela lhe disse: – “Muito bem, meu filho. Venha novamente amanhã de manhã e você obterá o pedido para o bispo. Amanhã, ao alvorecer, eu o esperarei aqui”.

Ao chegar em casa, encontrou seu tio Juan Bernardino, muito doente. Ficou preocupado com a saúde do tio a quem muito queria e no dia seguinte tratou da saúde dele. Não deu, portanto, para acudir a seu compromisso com a Senhora do Tepeyac. O tio piorou e temendo a iminência da morte, pediu que o levasse ao mosteiro de Santiago Tlatetolco, procurar um padre para os últimos sacramentos.

Na terça-feira, 12 de dezembro, Juan passava de novo perante a colina de Tepeyac. Então se lembrou de que tinha falhado ao seu compromisso para com a Santíssima Virgem Maria.

E eis que Nossa Senhora o deteve no caminho: – O que é que o preocupa, meu filho? Aonde é que está indo? Cheio de vergonha, Juan falou de sua urgente missão em favor do tio:

 -Juan disse: "Perdoai-me, Senhora; tende paciência comigo. Quando eu tiver cumprido a minha obrigação, voltarei a Vós e transmitirei o vosso recado".

Enquanto Juan falava, a Senhora olhava para ele com amor e compaixão. – Escute, meu filho, acrescentou Ela; não há nada que temer. Não tema a doença de seu tio. Não estou Eu aqui a seu lado? Eu sou a sua Mãe. Não o escolhi para Mim e o tomei aos meus cuidados? Que mais deseja do que isso? A doença do tio não é mortal; acredite agora mesmo que ele já está curado.

Aparição da Santíssima Virgem ao tio de São Juan Diego, 
Juan Bernardino, que estava muito doente. A Virgem lhe
aparece e o cura instantaneamente da doença, ficando
completamente restabelecido

Maria falou, ainda, para o índio: – Vá, meu filho, para o topo da colina, onde me viu pela primeira vez. Lá encontrará uma grande variedade de flores. Colha-as e as traga para mim.


 Juan subiu, colheu as flores e as colocou dentro de sua “tilma” (manto). E Nossa Senhora, logo depois, tomou as flores e as ajeitou dentro do manto do índio.

Filho querido, lhe disse, essas rosas são o sinal que você vai levar ao bispo. Diga-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Você é o meu embaixador e merece a minha confiança. E continuou: – Quando chegar diante do bispo, desdobre a sua “tilma” e mostre o que carrega, porém, só na presença do bispo. Diga-lhe tudo o que viu e ouviu, nada omitindo. Diga-lhe que Eu o mandei ao topo da colina e que você ali colheu estas flores. Repita a história toda, de sorte que o bispo acreditará e irá construir o templo pelo qual Eu me empenhei.



Nossa Senhora, então, despediu Juan que logo se dirigiu à residência episcopal. Os criados se mostraram muito grosseiros e não quiseram atender Juan quando chegou. Ele esperou várias horas. Os criados, curiosos, queriam ver o que Juan carregava na “tilma”, mas ele negou-se a desvendar-lhes o seu segredo.

Afinal, deixaram-no ir ter com o bispo. O índio tornou a referir a ordem da Virgem Santíssima, acrescentando que, agora, trazia o sinal que Sua Senhoria tinha pedido.

Ao descerrar a “tilma” atapetou-se o assoalho de flores. Estas jaziam-lhe aos pés, ainda cintilantes de orvalho, e a recender seu delicado perfume. e o milagre aconteceu… Juan com o coração a pulsar violento, contemplava a beleza das rosas. Mas, ergueu os olhos, ao ver o bispo cair de joelhos diante dele e orar.

Momento no qual São Juan Diego derrama as rosas que 
estavam em sua tilma. Imediatamente, aparece a bela imagem
milaculosa da Virgem Maria, conforme Ela lhe aparecera. 

Lágrimas semelhantes às gotas de orvalho das rosas, escorriam-lhe dos olhos. Tinha os olhos fitos, não nas rosas, mas no interior da “tilma”. Lá estava impressa a Imagem da Virgem Santíssima, tal qual a vira em Tepeyac. Os dois homens perderam a noção do tempo que levaram a contemplar o sinal milagroso. Afinal, o bispo tomou a “tilma” de Juan Diego e a colocou respeitosamente no seu oratório particular. E, chorando, deu graças a Deus e à sua Mãe Imaculada. Cheio de consideração para com Juan Diego, o bispo o reteve em casa todo aquele dia.

Na quarta-feira acompanhou o índio ao lugar onde a Mãe de Deus pedira para ter o seu templo.

-Juan disse: Aqui! (mostrando o lugar exato onde vira a Santíssima Virgem, Mãe de Deus). Finalmente, Juan pediu licença ao bispo para ver o tio que, segundo ele dizia, fora curado por Nossa Senhora. O bispo mandou que alguns criados o acompanhassem com instruções de trazer Juan Bernardino (o tio) à casa, se o encontrassem bem de saúde.

Quando viu aquele cortejo acompanhando Diego, o tio se impressionou. Juan Bernardino escutou o sobrinho contar como a Mãe Santíssima lhe assegurara sua cura milagrosa e ouvindo-o descrever a Senhora, o ancião concordava sorrindo.

-Juan disse: “Eu também a vi! Ela veio a esta casa e me falou. Era de beleza jamais vista e me falava com carinho, dizendo querer ser chamada “Tequathanouph”, isto é, que teve origem no cume da pedreira. (Esta palavra, moldada à língua espanhola, transformou-se em Guadalupe: Santa Maria de Guadalupe, embora não tenha falado por quê).

Comparando suas experiências, deram-se conta de que a aparição a Juan Bernardino acontecera na mesma hora em que a Senhora garantira a Juan Diego a cura do doente.

A fama do milagre se espalhou rapidamente por todo o território. Multidão de curiosos ocorreu à casa do bispo para venerar a Imagem. E o bispo transferiu a sagrada efígie para a catedral e a colocou em cima do altar-mor, para que todos a vissem.

Logo depois da aparição a Juan Diego e da aprovação do bispo, grande número de índios pôs mãos à obra da construção da Ermida em Tepeyac, conforme o pedido de Maria. Para a inauguração da Ermida, os índios infatigáveis, enfeitaram o trajeto de 6 km, que medeia entre a catedral e a Ermida com arcos de triunfo e flores.

De intervalo em intervalo havia conjuntos de música e danças executadas por grupos de índios adornados de vistosas plumas e trajes de festa. A maioria dos homens ostentando grande pompa guerreira, percorria a longa avenida para cima e para baixo, formando alas em homenagem a Nossa Senhora. A partir do dia em que a Imagem foi transferida para a Ermida, as peregrinações de indígenas começaram a visitar o Santuário todas as semanas e até todos os dias. A 12 de dezembro de 1794 se acharam presentes 24.000 índios, alguns deles vindos de 300 km de distância. Este costume como se mantém até os nossos dias.

É consolador vê-los dançar em direção à Basílica, arrastando-se sobre os joelhos e, ao chegar junto do altar, oferecer os filhinhos à Mãe de Deus.

 

 (Fonte: Pe. Fernando Maria Alvarez de Miranda, S. J. “Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira do Brasil…, porém, desconhecida”. Editora Padre Reus, Porto Alegre, 2001. P. 15-24)


Detalhe do rosto da Virgem Maria conforme apareceu no manto do índio. Nas pupilas desses olhos
é que, por lentes de aumento, são possíveis de serem vistos rostos e figuras de pessoas que estavam
presentes na sala do arcebispo no momento que Juan Diego derrama as rosas recolhidas em sua tilma.



Uma das imagens (rosto) que se encontram
nas pupilas da imagem. Só dá para ver em 
microscópio / lupa de grande aumento












Imagem milagrosa que apareceu na "tilma" (espécie de manto, eita de ayate um tecido rústico de fibras extraídas da planta de agave - um tipo de cacto) do índio São Juan Diego.
O material, por ser frágilse desmancha em 10 a 15 anos.
Já se passaram quase 500 anos eo material da tilma se encontra intacto, como se tivesse sido feitorecentemente. Não se deteriora. Não há explicação científica para isso. 


Reconstrução facial, feita por I.A. de como
seria o semblante de Nossa Senhora. Obviamente
sua beleza excedia em muito a essa representação.
Nossa Senhora aparece como "mestiça": traços
indígenas e espanhóis, manifestando seu desejo
de que os dois povos vivessem doravante em paz.


Alguns detalhes - e suas explicações - presentes na imagem
da Virgem de Guadalupe. Estão escritos em espanhol, mas, 
creio que dão para ser compreendidos... 




                                                      ********************




Texto extraído do Ofício das Leituras, segunda leitura, da Liturgia das Horas:


(“Nicán Mopohua”, 12ª edición, Buena

Prensa, México, D.F., 1971, p. 3-19.21)

(Séc. XVI)

Num sábado de mil e quinhentos e trinta e um, perto do mês de dezembro, um índio de nome Juan Diego, mal raiava a madrugada, ia do seu povoado a Tlatelolco, para participar do culto divino e escutar os mandamentos de Deus. Já amanhecia, quando chegou ao cerrito chamado Tepeyac e escutou que do alto o chamavam:

– Juanito! Juan Dieguito!

Subiu até o cimo e viu uma senhora de sobre-humana grandeza, cujo vestido brilhava como o sol, e que, com voz muito branda e suave, lhe disse:

– Juanito, menor dos meus filhos, fica sabendo que sou Maria sempre Virgem, Mãe do verdadeiro Deus, por quem vivemos. Desejo muito que se erga aqui um templo para mim, onde mostrarei e prodigalizarei todo o meu amor, compaixão, auxílio e proteção a todos os moradores desta terra e também a outros devotos que me invoquem confiantes. Vai ao Bispo do México e manifesta-lhe o que tanto desejo. Vai e põe nisto todo o teu empenho.

Chegando Juan Diego à presença do Bispo Dom Frei Juan de Zumárraga, frade de São Francisco, este pareceu não lhe dar crédito e respondeu:

– Vem outro dia, e te ouvirei com mais calma.

Juan Diego voltou ao cimo do cerro, onde a Senhora do céu o esperava, e lhe disse:

– Senhora, menorzinha de minhas filhas, minha menina, expus tua mensagem ao Bispo, mas parece que não acreditou. Assim, rogo-te que encarregues alguém mais importante de levar tua mensagem com mais crédito, porque não passo de um joão-ninguém.

Ela respondeu-lhe:

– Menor dos meus filhos, rogo-te encarecidamente que tornes a procurar o Bispo amanhã dizendo-lhe que eu própria, Maria sempre Virgem, Mãe de Deus, é que te envio.

Porém no dia seguinte, domingo, o Bispo de novo não lhe deu crédito e disse ser indispensável algum sinal para poder-se acreditar que era Nossa Senhora mesma que o enviara. E o despediu sem mais aquela.

Segunda-feira, Juan Diego não voltou. Seu tio Juan Bernardino adoecera gravemente e à noite pediu-lhe que fosse a Tlatelolco de madrugada, para chamar um sacerdote que o ouvisse em confissão.

Juan Diego saiu na terça-feira, contornando o cerro e passando pelo outro lado, em direção ao Oriente, para chegar logo à Cidade do México, a fim de que Nossa Senhora não o detivesse. Porém ela veio a seu encontro e lhe disse:

– Ouve e entende bem uma coisa, tu que és o menorzinho dos meus filhos: o que agora te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe o teu coração nem te inquiete coisa alguma. Não estou aqui, eu, tua mãe? Não estás sob a minha sombra? Não estás porventura sob a minha proteção? Não te aflija a doença do teu tio. Fica sabendo que ele já sarou. Sobe agora, meu filho, ao cimo do cerro, onde acharás um punhado de flores que deves colher e trazer-mo.

Quando Juan Diego chegou ao cimo, ficou assombrado com a quantidade de belas rosas de Castela que ali haviam brotado em pleno inverno; envolvendo-as em sua manta, levou-as para Nossa Senhora. Ela lhe disse:

– Meu filho, eis a prova, o sinal que apresentarás ao Bispo, para que nele veja a minha vontade. Tu és o meu embaixador, digno de toda a confiança.

Juan Diego pôs-se a caminho, agora contente e confiante em sair-se bem de sua missão. Ao chegar à presença do Bispo, lhe disse:

– Senhor, fiz o que me ordenaste. Nossa Senhora consentiu em atender o teu pedido. Despachou-me ao cimo do cerro, para colher ali várias rosas de Castela, trazê-las a ti, entregando-as pessoalmente. Assim o faço, para que reconheças o sinal que pediste e assim cumpras a sua vontade. Ei-las aqui: recebe-as.

Desdobrou em seguida a sua branca manta. À medida em que as várias rosas de Castela se espalhavam pelo chão desenhava-se no pano e aparecia de repente a preciosa imagem de Maria sempre Virgem, Mãe de Deus, como até hoje se conserva no seu templo de Tepeyac.

A cidade inteira, em tumulto, vinha ver e admirar a sua santa imagem e dirigir-lhe suas preces. Obedecendo à ordem que a própria Nossa Senhora dera ao tio Juan Bernardino, quando lhe devolveu a saúde, ficou sendo chamada como ela queria: “Santa Maria sempre Virgem de Guadalupe”.



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