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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Beatos Irmãos Maristas, mártires espanhóis - 8 de outubro (beatificados em 2007)

                   † 8 de outubro de 1936




     Um grupo de 107 Irmãos Maristas foi feito prisioneiro por traição no navio "Cabo San Agustín", em Barcelona, ​​em 7 de outubro de 1936. Levados para a prisão de San Elias na noite de 8 de outubro, 46 ​​deles, incluindo o Irmão Laurentino, Provincial, o Irmão Virgilio, Visitador, o mestre de noviços, o diretor do escolasticado e vários diretores de escolas, foram levados aos cemitérios de Barcelona e fuzilados. Laurentino (Mariano Alonso Fuente), Virgílio (Trifón Lacunza Unzu) e 44 outros Irmãos Maristas foram beatificados em 28 de outubro de 2007, durante o pontificado do Papa Bento XVI.


          Um grupo de 107 Irmãos Maristas foi preso por traição no navio “Cabo San Agustín”, em Barcelona, ​​no dia 7 de outubro de 1936. 

     Na noite de 8 de outubro, 46 deles, incluindo o Irmão Laurentino, Provincial, o Irmão Virgilio, Visitador, o mestre de noviços, o diretor do escolasticado e vários diretores de escolas, foram levados para a prisão de San Elias. Posteriormente, foram levados para os cemitérios de Barcelona, onde foram fuzilados. 

        O vice-provincial, Irmão Eusebio, já os havia precedido no martírio. 172 Irmãos Maristas encontrariam uma morte violenta durante a perseguição de 1936.

 Os nomes e brevíssima história de cada mártir: 

1- Irmão Laurentino (Mariano Alonso Fuente). 1881-1936.

Nascido em 21 de novembro de 1881, em Castrecías (Burgos – Espanha).

Em 1897, iniciou seu noviciado na Congregação dos Irmãos Maristas.

Após concluir sua formação, foi diretor em Cartagena e Burgos. Nessa cidade, o Irmão Provincial o apresentou com estas palavras: “Trago-vos como diretor um Irmão profundamente devoto ao Sagrado Coração!”

Em 1928, o Irmão Laurentino foi chamado para ser Provincial.

Quando a esquerda chegou ao poder na Espanha, o Irmão Laurentino pediu aos Irmãos que “não tivessem outra política senão Jesus Cristo!” No início de 1933, escreveu uma carta aos Irmãos, convidando-os a uma entrega total ao Senhor e a estarem prontos para o martírio.

A revolução de 1936 matou muitos de seus Irmãos, mas ele encorajou os demais dizendo: “Desde que a revolução começou, vivo somente para vocês, sempre me lembro de vocês em minhas orações e os recomendo continuamente à proteção de Nossa Senhora.”

Muitas vezes lhe ofereceram a oportunidade de salvar a própria pele. Ele respondeu: “Permanecerei com meus Irmãos!”

Para salvar seus Irmãos, ele entrou em diálogo com os líderes da FAI (Forças Anarquistas Ibéricas) e conseguiu contrabandear 117 jovens em formação para a França. Para os Irmãos, no entanto, o mesmo acordo revelou-se uma armadilha: em 7 de outubro de 1907, 107 foram feitos prisioneiros no navio que deveria levá-los para a França. Na noite de 8 de outubro, 46 ​​deles, incluindo o Irmão Laurentino, foram levados para os cemitérios de Barcelona e assassinados.



2- Irmão Virgílio (Trifón Nicasio Lacuna Unzu): 1891-1936.

Nascido em Ciriza, Navarra, em 3 de julho de 1891. Em 17 de março de 1903, ingressou na casa de formação dos Irmãos Maristas em Vic. Em 15 de agosto de 1912, fez seus votos perpétuos.

Aluno brilhante, obteve um diploma em filosofia e literatura. Ele tinha uma personalidade marcante: "Sua autoridade sobre os alunos era absoluta e, ao mesmo tempo, respeitosa." Um irmão alegre, ele nos fazia esquecer as dificuldades e as tristezas; simples e afável, conquistava a simpatia de todos.

Como Visitador da Província, o Irmão Laurentino confiou-lhe a organização da partida de todos os Irmãos para a França, que, no entanto, terminou com a prisão de 107 Irmãos e o martírio de 46 deles em 8 de outubro de 1936.

 

3- Irmão Alberto María (Néstor Vivar Valdivielso): 1910-1936.

Nascido em 4 de março de 1910, em Estépar, na diocese de Burgos.

Ingressou nos Irmãos Maristas e fez os votos perpétuos em 23 de agosto de 1931. Quando a revolução eclodiu, ele estava em casa. Seus pais queriam que ele ficasse, mas ele respondeu: “Não vou ficar. Meu lugar é com os Irmãos. Mesmo que nunca mais nos vejamos, que assim seja. Ele me ajudará. Se me matarem, não chorem; eu ficaria feliz em derramar meu sangue por Cristo!”


4- Ir. Ángel Andrés (Lucio Izquierdo López): 1899-1936.

Nascido em Dueñas (Palencia) em 4 de março de 1899. Fez seus votos perpétuos em 28 de setembro de 1920. Foi um poeta de delicada sensibilidade; colaborou incansavelmente com o conselho editorial dos Irmãos em Barcelona, ​​escreveu para revistas litúrgicas e para El santo del día. Foi autor de uma edição de Quixote com notas, comentários e temas aplicados.

 

5- Irmão Anselmo (Aniceto Falgueras Casellas): 1879-1936.

Nascido em 16 de abril de 1879 em Salt (Girona). Ingressou na Ordem dos Irmãos Maristas e fez seus votos perpétuos em 15 de agosto de 1900. Tornou-se missionário no México e fundou esta missão marista, onde permaneceu por 10 anos. Ele era piedoso, mortificado e austero. Guardava as frutas das refeições para levar aos pobres e às crianças, e aproveitava a oportunidade para catequizá-los.

 

6- Irmão Antolín (Antonio Roig Alibau): 1891-1936.

Nasceu em 6 de fevereiro de 1891, em Igualada (Barcelona). Em 15 de agosto de 1912, fez os votos perpétuos. Ocupou cargos humildes ao longo da vida: sacristão, ajudante de alfaiate. Durante a trágica semana de Barcelona, ​​em 1909, permaneceu escondido por um dia com um cibório cheio de hóstias consagradas para protegê-las da profanação.

 

7- Irmão Baudillo (Pedro Ciordia Hernández): 1888-1936.

Nasceu em 19 de maio de 1888, em Cárcar (Pamplona). Em 30 de agosto de 1910, fez seus votos perpétuos. Irmão Baudillo era um homem fiel, exigente e trabalhador, que dedicava inúmeras horas à correção dos cadernos de seus alunos. As escolas onde foi diretor sempre prosperaram graças à sua liderança prudente e firme. Ele escreveu um ensaio sobre Teologia Ascética, no qual seus irmãos leram sobre a espiritualidade que ele vivia.

 

8- Irmão Barnabé (Casimiro Riba Pi) 1877-1936.

1877, 14 de setembro: Casimiro nasceu em Rubí (Barcelona). Ingressou na Ordem dos Irmãos Maristas e entregou-se definitivamente ao Senhor com votos perpétuos em 17 de setembro de 1899. Foi educador com grande autoridade moral sobre os jovens e diretor de várias escolas. Quando a perseguição começou, estava na casa de um de seus irmãos, que era de esquerda. Sua vida estava segura, mas preferiu compartilhar o risco com todos os seus irmãos.

 

9- Irmão Carlos Rafael (Carlos Brengaret Pujol): 1917-1936.

1917, 11 de julho: Carlos nasceu em Sant Jordi Desvalls (Girona). 1934, em 2 de julho, fez votos temporários. É a vítima mais jovem deste grupo de mártires. Ainda não tinha 20 anos. Sempre demonstrou alegria em sua vocação e orgulho por poder ser um futuro educador. A possibilidade de entregar sua vida ao Senhor no martírio o encheu de alegria.

 

10- Irmão Dionisio Martín (José Cesari Mercadal): 1903-1936.

Em 16 de janeiro de 1903, José nasceu em Puig-reig (Barcelona). Em 15 de agosto de 1924, entregou-se totalmente ao Senhor com votos perpétuos. Professor brilhante, incutiu nos jovens o amor pelo trabalho e pelo estudo, e, com seu zelo, atraiu seus alunos para a Eucaristia e a comunhão diária.

 

11- Irmão Epifanio (Fernando Suñer Estrach): 1874-1936.

Em 26 de março de 1874, Fernando nasceu em Tayala (Girona). Ele ingressou na vida religiosa com os Irmãos Maristas e pronunciou seus votos perpétuos em 19 de setembro de 1895. Bom educador, soube conquistar a confiança e o respeito de seus alunos. Foi diretor de escolas em Lloret, Malgrat, Igualada, Logroño, Manresa e Lérida, onde foi atingido pela perseguição.

 

12- Irmão Felipe José (Fermín Latienda Azpilicueta): 1891-1936.

Nascido em 7 de julho de 1891, Fermín nasceu em Iruñela (Pamplona). Entregou-se definitivamente ao Senhor com votos perpétuos em 15 de agosto de 1913. Era um irmão piedoso, sério e competente. Seus superiores o designaram mestre de noviços, e nessa posição os acontecimentos de 1936 o surpreenderam.

 

13- Irmão Félix León (Félix Ayúcar Eraso): 1911-1936.

Em 4 de dezembro de 1911, Félix nasceu em Estella (Pamplona). Fez seus primeiros votos temporais na Congregação dos Irmãos Maristas em 8 de setembro de 1929. Ele ainda não era perpétuo quando o martírio o atingiu. Um de seus irmãos testemunhou: “O que poderia lhe acontecer não o assustava; a morte, nessas circunstâncias, era o que ele mais desejava: o martírio.”

 

14- Irmão Fortunato Andrés (Fortunato Ruiz Peña): 1898-1936.

1898, 2 de fevereiro, Fortunato nasceu em La Piedra (Burgos). Em 28 de setembro de 1920, consagrou-se definitivamente ao Senhor com sua profissão perpétua. Era um irmão paciente, gentil e prestativo, muito habilidoso em mecânica. Demonstrava um coração paternal para com os pobres, sempre oferecendo-lhes um copo de vinho à refeição e muitas vezes vestindo roupas para se cobrir.

 

15- Irmão Frumencio (Julio García Galarza) 1909-1936.

1909, 28 de junho: Julio nasceu em Medina de Pomar (Burgos). Em 15 de agosto de 1932, consagrou-se definitivamente ao Senhor com sua profissão perpétua. Seu apostolado foi realizado nas escolas de Arceniega, Vic, Sants (Barcelona), Valência e Alcázarquivir, no Marrocos. Lecionava em Barcelona quando a revolução eclodiu.

 

16- Ir. Gabriel Edouardo (Segismundo Hidalgo Martínez): 1913-1936.

Em 28 de abril de 1913, Segismundo nasceu em Tobes y Rahedo (Burgos). Em 8 de setembro de 1929, fez seus votos temporários. Estava no noviciado como formador quando a perseguição começou. Morreu mártir junto com o mestre de noviços. Tinha um caráter bom e dócil, dedicado aos estudos.

 

17- Irmão Gaudencio (Irmão Juan Tubau Perelló): 1894-1936.

Em 10 de março de 1894, Juan nasceu em Igualada (Barcelona). Ingressou na Ordem dos Irmãos Maristas e consagrou-se definitivamente ao Senhor com profissão perpétua em 15 de agosto de 1915. Seus irmãos disseram dele que era um religioso profundo, total e piedoso; tinha um caráter muito sociável e caridoso: nunca se recusava a prestar um serviço.

 

18- Irmão Gil Felipe (Felipe Ruiz Peña): 1907-1936.

Em 23 de março de 1907, Felipe nasceu em Silleruelo de Bezana (Burgos). Fez seus votos perpétuos em 15 de agosto de 1932. O Irmão Gil Felipe tinha uma mãe muito piedosa, a quem, segundo ele, devia sua vocação. Era um homem tão simples que conquistou a estima de todos.

 

19- Irmão Hermógenes (Antonio Badía Andalé): 1908-1936.

Em 13 de abril de 1908, Antonio nasceu em Bellcaire de Urgell (Lérida). Entregou-se totalmente a Deus em 15 de agosto de 1930. O Irmão Hermógenes tinha um forte senso de responsabilidade; os superiores podiam contar com ele; demonstrava sabedoria, obediência e bom caráter.

 

20- Irmão Isaías María (Victoriano Martínez Martín): 1899-1936.

Em 1.º de março de 1899, Victoriano nasceu em Villalbilla de Villadiego (Burgos). Em 28 de setembro de 1920, consagrou-se definitivamente ao Senhor na Congregação dos Irmãos Maristas. Era um homem de caráter decisivo, sincero e aberto. Estava no colégio San José de Oriol, em Barcelona, ​​quando a guerra começou; seu colégio foi um dos primeiros a ser incendiado.

 

21- Irmão Ismael (Nicolás Ran Goñi): 1909-1936.

Em 1909, 6 de dezembro, Nicolás nasceu em Cirauqui (Pamplona). Consagrou-se definitivamente ao Senhor como Irmão Marista em 23 de agosto de 1931. Como professor e apóstolo, conquistou o afeto de seus alunos e pais. Com saúde frágil, passou vários anos na enfermaria. Aprendeu a confiar em Deus e a se colocar à Sua vontade.

 

22- Irmão Jaime Ramón: (Jaime Morella Bruguera): 1898-1936.

1898, 25 de novembro: Jaime nasceu em Osor (Girona). Fez seus votos perpétuos em 28 de setembro de 1920. Quando lecionava, dedicava-se com tanta energia ao seu trabalho que logo perdeu a saúde: estava ansioso demais pelo progresso de seus alunos e pelo sucesso deles na vida. Seus superiores o designaram para a editora FTD, onde foi martirizado.

 

23- Ir. José Carmelo (Gregorio Faci Molins): 1908-1936.

Em 2 de março de 1908, Gregorio nasceu em La Codoñera (Teruel). Em 15 de agosto de 1929, entregou-se totalmente a Deus. O Irmão José Carmelo tinha um caráter gentil, bondoso e simples, e sua alma inocente transparecia. Seu passatempo favorito era o violino, que tocava com maestria.

 

24- Irmão José Federico (Nicolás Pereda Revuelta): 1916-1936.

Em 20 de fevereiro de 1916, Nicolás nasceu em Villanueva la Blanca (Burgos). Em 15 de agosto de 1932, fez seus primeiros votos temporários. Foi martirizado logo após completar 20 anos. Sua fé e alegria em se entregar a Deus na vida religiosa eram evidentes.

 

25- Irmão Juan Crisóstomo (Juan Pelfort Planell): 1913-1936.

Em 21 de maio de 1913, Juan nasceu em Ódena-Espelt (Barcelona). Fez seus votos temporários em 8 de setembro de 1930. Frei Juan Crisóstomo dedicou-se inteiramente ao seu trabalho como educador, ensinando as crianças mais novas. Tendo se refugiado em sua cidade natal durante a perseguição, poderia ter permanecido em segurança, mas preferiu unir-se aos seus Irmãos e estar com eles em seu martírio.

 

Irmão Juan de Mata (Jesús Menchón Franco): 1898-1936.

Em 15 de junho de 1898, Jesús nasceu em Puente Tocinos (Múrcia). Em 15 de agosto de 1932, consagrou-se ao Senhor com profissão perpétua. Aos 27 anos, decidiu tornar-se religioso. De fala reservada, mas com o rosto transbordando compaixão. Ele chorava todas as vezes que lia o Testamento Espiritual do Fundador, Marcelino Champagnat.

 

27- Irmão Laureano Carlos (Pedro Sitjes Puig): 1889-1936.

Pedro nasceu em 4 de maio de 1889 em Parlavà (Girona). Em 20 de fevereiro de 1920, fez seus votos perpétuos. Foi um excelente professor e catequista. Um irmão testemunhou: “Para mim, ele era um homem cuja simplicidade tinha as características de afabilidade, modéstia e serviço; ele tinha tanta bondade e tanta sinceridade de coração que não conseguia fazer inimigos.”

 

28- Irmão Leónides (Jerónimo Messegué Ribera): 1884-1936.

27 de janeiro de 1884: Jerónimo nasceu em Castelló de Faranya (Lérida). Em 27 de agosto de 1905, consagrou-se a Deus com a profissão perpétua. Em seu trabalho como educador, era conciso, metódico e preciso. Possuía convicções religiosas profundamente enraizadas, herdadas, segundo ele, de sua mãe.

 

29- Irmão Leopoldo José (Florentino Redondo Insausti): 1885-1936.

Em 14 de março de 1885, Florentino nasceu em Cárcar (Pamplona). Em 15 de agosto de 1907, fez sua profissão perpétua. Duas coisas distinguem sua vida espiritual: oração intensa e serviço sempre pronto. Era rigoroso na observância da Regra, porém amigável e sempre tinha um sorriso no rosto.

 

30- Irmão Lino Fernando (Víctor Gutiérrez Gómez): 1899-1936.

1899, 23 de dezembro, Víctor nasceu em Villegas (Burgos). Entregou-se totalmente a Deus com a profissão perpétua em 25 de agosto de 1925. Tinha a reputação de ser um homem de paz, inspirando serenidade e confiança. Obedecia com tanta espontaneidade que outros diziam: “A obediência lhe é natural”.

 

31- Pe. Licarión (Ángel Roba Osorno) 1895-1936.

1895, 27 de janeiro, Ángel nasceu em Sasamón (Burgos). Fez sua profissão perpétua em 15 de agosto de 1916. Era de natureza franca e extrovertida, inspirando otimismo e alegria ao seu redor; as pessoas, especialmente os jovens, sentiam-se bem em sua companhia.

 

32- Pe. Martiniano (Isidro Serrano Fabón): 1901-1936.

Em 5 de agosto de 1901, Isidro nasceu em La Cañada de Verich (Teruel). Ingressou na Congregação dos Irmãos Maristas e consagrou-se totalmente ao Senhor em 15 de agosto de 1923.

Gostava de lecionar em escolas paroquiais, o que lhe permitia contato com crianças e jovens pobres e simples; sentia-se mais próximo do carisma do Fundador.

 

33- Irmão Miguel Ireneo (Leocadio Rodríguez Nieto): 1899-1936.

Em 9 de dezembro de 1899, Leocadio nasceu em Calhorra de Boedo (Palencia). Em 28 de setembro de 1921, fez sua profissão perpétua. Mais tarde, serviu como missionário no México. Era intelectualmente muito talentoso e um bom professor. Seus irmãos admiravam sua fé, seu espírito de oração e sua serenidade.

 

34- Ir. Porfirio (Leoncio Pérez Gómez): 1899-1936.

Em 6 de julho de 1899, Leoncio nasceu em Masa (Burgos). Em 6 de agosto de 1925, fez sua profissão perpétua.

Era um homem exigente consigo mesmo, mortificado e rigoroso no jejum, mas seus irmãos testemunharam que “era um homem alegre, prestativo, competente em seu trabalho e muito caridoso”.

 

35- Irmão Prisciliano (José Mir Pons): 1889-1936.

1889, 1.º de fevereiro: José nasceu em Igualada (Barcelona). Fez seus votos perpétuos na Congregação dos Irmãos Maristas em 20 de agosto de 1920. Vinha de uma família de artistas. Ele próprio tocava piano com refinamento e perfeição. Estudou com sucesso no Conservatório de Música de Madri. Também parecia muito feliz com a vida religiosa.

 

36- Irmão Ramón Alberto (Feliciano Ayúcar Eraso): 1914-1936.

1914, 24 de janeiro: Feliciano nasceu em Estella (Navarra). Fez seus primeiros votos temporários em 8 de setembro de 1930. Uma testemunha disse: “Ele era um jovem simples, prestativo e educado, dedicado à sua classe e ao seu trabalho”. Tinha 22 anos quando o martírio o chamou.

 

37- Irmão Salvio (Victoriano Gómez Gutiérrez): 1884-1936.

1844, 8 de novembro, nasceu Victoriano em Villamorón (Burgos).

Em 28 de agosto de 1907, fez sua profissão perpétua na Congregação dos Irmãos Maristas.

Humilde, simples em palavras e ações, tinha um sorriso que revelava a serenidade de seu coração. Desejava o martírio ou, ao menos, morrer por amor, como a pequena Teresa de Lisieux.

 

38- Irmão Santiago (Serafín Zugaldía Lacruz): 1894-1936.

1894, 16 de abril, nasceu Serafín em Echálaz, Vale do Egües (Navarra). Em 27 de setembro de 1919, consagrou-se definitivamente a Deus. Homem de vasta cultura literária e musical, colaborou na edição de livros, na composição de cantos litúrgicos e escreveu artigos que revelam seu fervor pela Eucaristia.

 

39- Irmão Santiago María (Santiago Saiz Martínez): 1912-1936.

Em 30 de dezembro de 1912, Santiago nasceu em Castañares (Burgos). Em 8 de setembro de 1930, fez seus primeiros votos temporários. Era um jovem de grande promessa. Seus irmãos viam nele um excelente educador, um grande apóstolo da juventude. O martírio o alcançou aos 24 anos, ainda em seus votos temporários.

 

40- Irmão Santos (Santos Escudero Miguel): 1907-1936.

Em 30 de outubro de 1907, Santos nasceu em Medinilla (Burgos). Fez seus votos perpétuos em 15 de agosto de 1929. Entre os testemunhos, encontramos: “Ele era um professor completo, dedicava-se totalmente às crianças, um homem de dever e um bom religioso.”

 

41- Irmão Teódulo (Lucio Zudaire Aramendía): 1890-1936.

Em 23 de abril de 1890, Lucio nasceu em Echávarri (Navarra). Ingressou na Ordem dos Irmãos Maristas e fez seus votos perpétuos em 15 de agosto de 1912. Era diretor do escolasticado, com 50 jovens Irmãos, quando a perseguição começou. Seus superiores depositaram grandes esperanças nele e permitiram que estudasse na Alemanha. Foi um diretor escolar brilhante.

 

42- Irmão Victor Conrado (José Ambrós Dejuán): 1898-1936.

1898, 26 de março: José nasceu em Tragó de Noguera (Lérida). Ingressou na Ordem dos Irmãos Maristas e consagrou-se definitivamente ao Senhor com sua profissão perpétua em 28 de setembro de 1920.

Lecionou quase sempre na Catalunha. Obediente aos seus superiores, embarcou no navio “Cabo San Agustín”. Feito prisioneiro, foi fuzilado na noite de 8 de outubro de 1936.

 

43- Irmão Victoriano José (José Blanch Roca): 1908-1936.

1908, 23 de fevereiro: José nasceu em Terragrossa (Lérida). Fez sua profissão perpétua em 15 de agosto de 1929. Era um homem sem duplicidade. Na noite de seu martírio, a metralhadora apenas o feriu. Arrastou-se para fora do cemitério; não conseguiu ficar na primeira casa onde buscou refúgio; na segunda vez, entregaram-no à milícia, que desta vez o matou.

 

44- Irmão Vito José (José Miguel Elola Arruti): 1893-1936.

Em 5 de março de 1893, José Miguel nasceu em Régil (Guipúzcoa). Em 15 de agosto de 1914, entregou-se a Deus com votos perpétuos. Trabalhou durante 16 anos como enfermeiro na grande casa de formação de Les Avellanes, onde viviam mais de 150 pessoas. Era tão competente no seu trabalho que pessoas de fora vinham consultá-lo; mas, acima de tudo, era muito bom para com os doentes. Nem mesmo os Vermelhos queriam matá-lo; precisavam dos seus cuidados.

 

45- Irmão Vivencio (Juan Nuñez Casados): 1908-1936.

Em 10 de janeiro de 1908, Juan nasceu em Covarubias (Burgos). Em 15 de agosto de 1930, entregou-se a Deus, na família dos Irmãos Maristas, com votos perpétuos. Irmão Vivencio, um bom religioso, tinha um temperamento impetuoso e precisava se esforçar para controlá-lo. Teve a graça de uma santa mãe, cujas cartas fizeram muito bem ao seu jovem coração.

 

46- Irmão Vulfrano (Ramón Mill Arán): 1909-1936.

Em 3 de março de 1909, Ramón nasceu em Castellserà (Lérida). Ingressou nos Irmãos Maristas e fez votos perpétuos em 15 de agosto de 1930. Irmão Vulfrano sempre demonstrou docilidade e obediência aos seus superiores. Desempenhou sua missão como educador cristão com grande empenho; sua turma era notável pela disciplina e amor ao trabalho. Diante da possibilidade do martírio, louvou ao Senhor.




 

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

MISTÉRIOS DO ROSÁRIO se fossem feitas por SÃO JOSÉ - podem ser usados em quaisquer dias do ano.

MISTÉRIOS GOZOSOS


I - MISTÉRIO GOZOSO: A ANUNCIAÇÃO DO ANJO A MARIA E A ENCARNAÇÃO DO VERBO EM SEU VENTRE PURÍSSIMO.

Ó Jesus, meu amor! Ó, minha amada esposa, Maria Santíssima! Eu nada sabia, ainda, sobre a realização do sagrado Mistério da Encarnação. Como todo judeu devoto, também eu aguardava e ansiava a vinda do Messias. Porém, mesmo eu sabendo que Maria era muito santa e pura perante os olhos de Deus, eu jamais imaginaria que Ela era a eleita do Senhor para ser a Mãe do Filho de Deus vivo, o Redentor de Israel e do mundo, e eu seu futuro pai nutrício e putativo.

Eu Vos rendo graças pelas maravilhas que realizastes, ó Deus, em minha vida e por terdes olhado para este vosso humilde servo. Sem ainda o saber, já estáveis, ó Deus, conosco e no meio de nós!


II - VISITAÇÃO DE MARIA À CASA DE SANTA ISABEL E A JUSTIFICAÇÃO DE SÃO JOÃO BATISTA.

Acompanhei minha amada esposa, Maria, em sua viagem a Haim-Karim, à casa de Zacarias e Isabel. Saudei Zacarias e retornei. Não entrei na casa. Não assisti ao encontro entre Maria e Isabel. Não sabia, ainda, que Vós, ó Verbo Eterno do Pai, havíeis vos encarnado no ventre virginal de Maria e que a vossa presença encheu as almas de Isabel e do futuro Precursor do Messias, que ainda estava no ventre de sua mãe, Isabel.

Mas, tão logo que a mim, por meio de um anjo, em sonhos, me foram revelados os Santos Mistérios da Encarnação e da gravidez virginal de Maria, eu imediatamente acreditei e me coloquei como zeloso servo e guardião do Verbo Humanado e das puríssimas Virgindade e Maternidade de Maria, assumindo o futuro Messias, perante a Lei de Moisés, perante nossos parentes e todo o povo de Israel, como seu pai “legítimo” (embora eu bem soubesse que Ele era o Unigênito do Pai) e defensor.

Ó Senhor! Eu vos rendo graças por vossa infinita misericórdia!

 

III - NASCIMENTO DE JESUS NA HUMILDE GRUTA DE BELÉM.

 Ó Jesus! Quanta alegria trouxe à minha alma vosso nascimento em Belém, a cidade de Davi!

Mas, também, quanta aflição senti ao chegarmos a Belém, com minha amada esposa Maria, já em vias de dar à luz. Não encontrei, como tanto queria, um lugar digno para Ela repousar. Todas as hospedarias e casas de parentes estavam ocupadas. A cidade estava repleta de pessoas que vieram para o recenseamento.

Mas a Divina Providência queria que nascêsseis, ó Jesus, pobre e despojado de tudo. Assim, encontrei um humilde abrigo para animais – um estábulo – nos arredores de Belém e, nele, Vós nascestes, meu lindo e precioso Menino, e fostes colocado numa manjedoura, coberta por palhas conseguidas por mim, e pelos paninhos que Maria havia tecido e levado na viagem.

Foi o melhor que conseguimos para Vós, ó Jesus amado! Mas, o meu castíssimo e amantíssimo coração, bem como o Coração Imaculado de Maria, em nosso puro amor por Vós, foram para Vós “novos Céus”, onde Vós encontrastes alegria, paz e descanso. Vosso novo Éden, um “paraíso de delícias”, onde Vós, o Novo Adão, vos deleitáveis.

E, naquele humilde presépio, onde vós estáveis, logo as legiões angélicas desceram do Céu para ali, naquele lugar tão simples, mas, tão cheio de puro Amor, vos louvar com seus hinos e cantos.

Obrigado, ó Jesus, por todas as maravilhas que meus olhos contemplaram naquela santa e felicíssima noite!


IV - APRESENTAÇÃO DO MENINO JESUS NO TEMPLO E A PURIFICAÇÃO, CONFORME A LEI DE MOISÉS, DA VIRGEM MARIA.

Ó Jesus, meu Santo e Doce Menino, quarenta dias após o vosso nascimento, eu e Maria subimos a Jerusalém para vos apresentar ao Pai Celeste no templo. Para nós, era uma ocasião de muita alegria e responsabilidade.

Estávamos com nossos corações ardendo de puro amor, imensa devoção e profunda reverência. Éramos pobres. Só podíamos oferecer um par de pombinhos em sacrifício.

Mas, o nosso amor era a nossa maior riqueza. A humildade de Maria e sua obediência à vontade de Deus – em cumprir o rito da purificação, sendo Ela imaculada e puríssima – são os maiores tesouros que já foram oferecidos a Deus no templo, desde o dia em que foi construído por Salomão.

Ó Jesus! Estávamos em júbilo! Mas, uma espada de dor transpassou o Coração Imaculado de Maria e o meu castíssimo coração ao ouvirmos de Simão a profecia de que Vós, Jesus amantíssimo, seríeis causa de soerguimento. Mas, também, de queda para muitos em Israel, isto é, que muitos não vos amariam... Pior: até vos rejeitariam, odiariam e perseguiriam, Jesus.

Oh, Jesus, mais uma vez, agora na glória celeste na qual me encontro, ao vosso lado, eu vos louvo e vos dou graças por vossa infinita misericórdia em terdes assumido nossa humanidade e dado a vossa vida por nós!


V - ENCONTRO DO MENINO JESUS ENTRE OS DOUTORES DA LEI, NO TEMPLO DE JERUSALÉM.

O tempo foi passando... Todos os anos, eu, Maria e Jesus íamos ao templo para prestar ao Senhor nossa adoração e homenagens. Mas, aquele ano, no qual Vós completastes 12 anos de vida aqui na terra, seria diferente. Havia chegado o momento de vosso “Bar Mitzvah”, no qual seria proclamada, ó Jesus, a vossa maioridade perante os doutores da Lei, os rabinos e todo o povo de Israel.

Durante 3 dias, meu amado Jesus, eu e minha Santíssima e Imaculada Esposa vos procuramos, aflitos e angustiados, temerosos que algo de mal tivesse sido feito contra Vós, ou, se tínhamos feito algo que não vos agradou e, por isso, nos abandonastes... Oh! Quanta alegria foi ver-vos novamente, são e salvo, no Templo de Jerusalém, entre os mestres e doutores da Lei, manifestando-lhes vossa admirável e infinita Sabedoria, visto que éreis a própria Palavra Viva de Deus Pai.

Mas, se me permitis, meu Senhor, faço aqui um comentário no mínimo "curioso": o próprio Deus Todo-Poderoso, o Autor da vida, a Sabedoria Encarnada e Senhor da Lei, submeter-se por obediência à Lei e por humildade, serdes arguido para “provar” perante aqueles homens que domináveis o conhecimento das Escrituras. Realmente, algo admirável, tanto que Maria Santíssima e eu, por bastante tempo, em nossas orações e contemplações, volta e meia pensávamos e meditávamos sobre o ocorrido. Sim! Éramos vossos pais, mas, Vós, Jesus, já éreis o nosso Mestre. 


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 MISTÉRIOS LUMINOSOS

I - O BATISMO DE JESUS NO RIO JORDÃO, POR SÃO JOÃO BATISTA.

Tudo que contemplarei aqui eu não presenciei ou vi diretamente. Um pouco antes de Jesus começar sua vida pública, Deus me chamou para a eternidade e eu já estava no seio de Abraão, na mansão dos mortos. Mas, a respeito dos mistérios da missão messiânica de Jesus, vez por outra anjos vinham ao limbo para nos falar sobre os acontecimentos. Tínhamos acesso a muitas informações (não totalmente, pois, só no Céu gozamos do pleno conhecimento), o que nos tornava ainda mais ansiosos pela nossa redenção, que em breve ocorreria.

Soubemos que João Batista iniciara sua missão de precursor do Messias. Oh! E saber que o Messias moraria comigo — e durante trinta anos. Como eu O amava! Era meu Senhor e meu Deus, mas, também, era meu Menino!

Jesus, ao completar 30 anos de idade, compareceu perante João para receber o batismo de conversão. Claro que Ele, por ser Deus e imaculado em sua natureza humana, não precisava de conversão e nem de batismo... Mas era necessário, pois, como Redentor do gênero humano, Jesus assumiu sobre Si os pecados, misérias e doenças de toda a humanidade.

Como se fez aos homens semelhante — exceto no pecado —, como se fosse um deles, humildemente pediu o batismo a João. Como se fosse um “pecador”, aproximou-se dele, entrou na água e foi batizado. Esse gesto de humildade e de amor infinitos do Senhor abriu o Céu. E a voz do Pai fez-se ouvir e o Espírito Santo, em forma de uma pomba, desceu sobre Jesus. Jesus, ungido, como homem, pelo Espírito Santo e cheio dEle, torna-se Cristo e Messias. E, em nome de toda a humanidade, é levado pelo Espírito ao deserto, para orar, jejuar e, depois, ser tentado pelo diabo.

Ó, Jesus! Que toda a humanidade Vos adore e seja grata por vossa infinita misericórdia! Quem poderá compreender o abismo de vosso infinito amor? Mesmo as mentes angélicas não compreendem toda a extensão de vossa bondade e misericórdia. E nós, agora no paraíso, passaremos a eternidade contemplando, adorando e louvando a vossa infinita misericórdia.

II - AS BODAS EM CANÁ DA GALILEIA.

Maria Santíssima, minha esposa, foi convidada para uma bodas em Caná da Galileia. Engana-se terrivelmente quem tenta desvincular a Virgem Maria de Jesus. É impossível. Maria está perpetuamente unida a Jesus e Jesus está perpetuamente unido a Maria. Portanto, sempre onde está Maria, está Jesus. Onde está Jesus, está Maria.

Sendo assim, como Maria foi convidada a estar nas bodas de Caná, Jesus, certamente estaria “automaticamente” chamado também. E, mesmo que Ele não estivesse, Maria daria “seu jeito” de trazer Jesus consigo...

Maria sempre foi uma esposa e mãe atenta a tudo em nosso lar, em Nazaré e no Egito. Era uma “dona de casa” exemplar e fazia suas tarefas diárias com gosto, alegria e muito amor. Sua vocação sempre foi servir a Deus e, também, ao próximo.

Nas bodas de Caná, apesar de convidada, Maria, em sua humildade e amor, estava servindo na cozinha e em meio àqueles que estavam responsáveis pela administração da festa. Ela fácil e rapidamente percebeu que o vinho estava se esgotando... Maria sabia que a hora de Jesus manifestar seu poder, por meio de milagres e curas, não havia começado. Mas, Ela é Mãe e toda boa mãe é solícita. Ela jamais ficaria “inerte” diante daquela situação que causaria aos noivos e à sua família um grande vexame e vergonha. Ela precisava fazer alguma coisa... Foi aí que Ela “desabafou” com Jesus: “Eles não têm mais vinho”...

À primeira vista, a resposta de Jesus soaria desanimadora e, até, desapontadora, mas Maria conhecia seu Filho. Ela sabia que Ele, até mais do que Ela, pois era Deus, amava aquela família em festa. Além do mais, Jesus era louco de amor por sua Mãe e nada seria capaz de negar-lhe. Além disso, Maria sabia que aquele momento era propício para Jesus manifestar seu poder como Deus, especialmente diante de seus discípulos, que também estavam presentes. Mas ainda: aquele era um bom momento para também Ela dar um importante “recado” a todos aqueles que, no presente e no futuro, haveriam de ouvir sua palavra e a boa nova da salvação: “fazei tudo o que Ele vos disser”.

Assim, Jesus, sem “pestanejar”, ordena que fossem enchidas seis talhas de pedra, com 120 litros de água cada, e transformou toda essa água em delicioso vinho. Jesus não realizou esse milagre diante de todos os convidados. Somente os serventes e os discípulos o testemunharam. Portanto, para esses assistentes, ficou claro que Jesus não era um “homem comum”. O evangelista São João completa: “e os discípulos creram nele.

Que todos aqueles que servem e seguem a Jesus creiam em seu infinito poder e em sua infinita misericórdia. E que jamais dissociem Maria de Jesus e nem Jesus de Maria, para sempre unidos por Deus como Mãe e Filho, como Filho e Mãe que se amam infinitamente. Amém.



III - PREGAÇÃO DO REINO DE DEUS E CONVITE À CONVERSÃO.

Após os eventos de seu Batismo e das bodas de Caná, Jesus começou a caminhar pelas cidades, vilas e aldeias da Galileia e Judeia, pregando a chegada do Reino de Deus e convidando todos à conversão. Seu ministério, como Messias, antes de sua Paixão e Morte de cruz, foi de infinita misericórdia, acolhendo os pecadores, os enfermos e os possuídos pelo demônio, libertando-os do pecado, curando-lhes as doenças e expulsando o diabo de suas vidas.

Oh! Como são belos os pés do mensageiro que anuncia a paz (Romanos 10, 15)! Não vi os feitos de Jesus em sua vida pública, enquanto os fatos ocorriam, visto que estava na mansão dos mortos, mas, como já falei, os anjos, vez por outra, nos informavam sobre o que estava acontecendo. Mas, quando a Alma Santíssima de Jesus veio nos visitar e libertar do limbo, Ele, num relance, nos mostrou toda a sua santíssima vida e obras. Oh! Quando nós, santos e justos do Antigo Testamento, vimos tudo isso, já foi um Céu antecipado para nós, Céu esse que veríamos logo a seguir, quando Jesus nos conduziu para lá com Ele.

Jesus, agora, no Céu, nós, vossos santos e santas, contemplamos com horror a situação do mundo e de multidões de almas. Vemos como, pela maioria dos homens e mulheres, não sois conhecido, quanto mais amado e adorado. Vemos também quanta tibieza há nos corações de muitos de vossos filhos e filhas, membros de vosso Corpo Místico, a Igreja. Por isso que oramos incessantemente ao vosso Sagrado Coração, pedindo por essas almas, reparando suas ofensas e impetrando graças de libertação, conversão e salvação.

Ó, meu amado Jesus, que o mundo vos ouça! Que ouça a vossa voz, escrita nos Santos Evangelhos e nas Cartas de vossos Santos Apóstolos! Somente através de vossa Palavra alcançarão a salvação, meu Senhor! Tende misericórdia! Iluminai, abençoai e derramais vosso Espírito Santo sobre os missionários e pregadores da Verdade Eterna, para que suas palavras sejam “palavras de fogo”, fogo esse que purifique, aqueça e ilumine a todos os que, como disse São Zacarias, “jazem entre as trevas e na sombra da morte estão sentados” (Lucas 1, 79).


IV - A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS NO MONTE TABOR.

Aproximavam-se os dias, ó Jesus, nos quais passaríeis pela perseguição, pela traição, pela prisão, por várias torturas e pela paixão e morte de cruz. Vossa Alma Santíssima, por pura misericórdia, sentiu necessidade de que vos revelásseis aos vossos amados apóstolos Pedro, Tiago e João, as principais colunas do grupo apostólico. Conhecíeis suas fraquezas: covardia, inconstância, desconfiança e impulsividade. Eram bons homens, mas, não tinham ainda o dom do Espírito Santo, por isso que eram fracos.

Levastes Pedro, Tiago e João para o monte Tabor, um belo monte próximo a Jerusalém, para orar, e, lá, Vós vos transfigurastes perante eles. Vosso rosto tornou-se luminoso como o sol e vossas vestes mais brancas que a neve (Mateus 17, 1-3; Marcos 9, 3-4; Lucas 9, 28). Oh! Que espetáculo encantador. Nós, no limbo, não o assistimos, mas, de repente, vimos anjos chegando e convocando Moisés e Elias para que o seguissem. Suas almas foram levadas até o Tabor para vos verem, contemplarem e falarem convosco (Mateus 17, 4; Marcos 9, 4; Lucas 9, 30-31).

Como narrado nos Evangelhos, conversaram convosco, Jesus, sobre a morte que em breve sofrerias e sobre a Redenção do gênero humano que se concretizaria. Nós, almas dos patriarcas, profetas e demais santos e justos do Antigo Testamento, de forma alguma queríamos a vossa morte; no entanto, sabíamos, por força da revelação divina, que ela era necessária para a nossa remissão e libertação, para que a filiação adotiva de Deus nos fosse restaurada e pudéssemos um dia ir para o Céu.

Foi um momento solene. Quando Moisés e Elias voltaram para a mansão dos mortos, nos contaram tudo. Ficamos maravilhados com o que nos contaram. Descreveram a vossa beleza arcana, o vosso olhar majestoso e misericordioso, bem como que ouviram, também eles, a voz do Pai Eterno, Yahweh-Deus, que vos apontava e descrevia como seu Filho muito amado, objeto de todo o seu amor e afeição (Mateus 17, 5; Marcos 9, 7; Lucas 9, 35) e que todos deveriam ouvir-Vos.

Ó, Jesus, tende misericórdia de todos os que ainda não conseguiram ou não conseguem vos “enxergar” nos Santos Evangelhos, na vida da Igreja e nem nos acontecimentos e fatos do dia a dia. Jesus amado, derramais sobre essas almas a força onipotente de vossa infinita misericórdia e abri-lhes os olhos, para que vos enxerguem e reconheçam, Senhor. Não permitais, mesmo que o mereçam, que permaneçam mais tempo “cegos” perante a vossa luz e “surdos” diante de vossa voz. Amém.


V - A INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA NA SANTA CEIA.

Jesus, aproximando-se o momento de vossa Paixão e Morte de cruz, Vós, o novo Cordeiro Pascal, o Cordeiro de Deus, para que as Escrituras se cumprissem até o fim e toda antiga Páscoa também fosse cumprida, vos reunistes com vossos apóstolos no Cenáculo de Jerusalém para a Santa Ceia, onde instituístes o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, que sois Vós mesmo realmente presente em Corpo e Sangue, Alma e Divindade no pão e no vinho consagrados (Mateus 26, 18-20.26-28; Marcos 14, 12-16. 22-24; Lucas 22, 7-15, 17-20).

Ó, Jesus! Vós esgotastes a vossa onipotência em mais esse milagre de vossa infinita bondade e misericórdia! Vós, sendo Deus e homem verdadeiros, assumistes as aparências do pão e do vinho, fazendo-vos presente nessas espécies, tão real e verdadeiramente como estais no Céu. Que mente humana ou angélica seria capaz de imaginar que faríeis isso? Para nós, já era além de nossa compreensão o Mistério da Encarnação, quando Vós, ó Verbo Eterno, assumistes a nossa humanidade, tornando-vos verdadeiro homem, semelhante a nós em tudo, menos no pecado. Agora, fostes mais além, muito mais além: vos tornastes alimento: pão e vinho, para alimentar, nutrir e salvar as felizes almas que vos receberiam com amor e devoção no Sacramento do Amor.

Ó, filhos e filhas adotivas de Deus Pai, irmãos e irmãs do Filho e templos do Espírito Santo, não sois capazes de entender o quão grande é esse Mistério e esse Sacramento! Nenhum dos Santos Anjos, em mesmo os mais poderosos e gloriosos do Céu, nenhum dos santos e dos justos do Antigo Testamento, nem mesmo eu, pudemos e nem poderíamos receber a Jesus Sacramentado, e vós podeis! Oh! A eternidade será pequena para que possais louvar, agradecer e louvar à infinita misericórdia divina por ter criado a Sagrada Eucaristia.

Esforçai-vos, filhos e filhas de Deus, membros do Corpo Místico de Cristo, esforçai-vos por receber esse Sacramento Santíssimo com o máximo de amor e zelo possíveis. Purificai as vossas almas antes de recebê-lo. Confessai-vos com frequência. Preparai-vos bem, para que, comungando o Corpo e Sangue do Senhor, não comais ou bebais a vossa própria condenação (1 Coríntios 11, 29). Jesus está no Santíssimo Sacramento com o seu amor e misericórdia. Mas é necessário que vossas almas estejam bem dispostas para O acolherem como Ele o merece...






MISTÉRIOS DOLOROSOS

I - A AGONIA MORTAL DE JESUS NO HORTO DAS OLIVEIRAS.

Ó Jesus meu, quando passastes por vossa Sagrada Paixão e Morte, já havia deixado este mundo e estava, com os demais patriarcas, profetas e justos do Antigo Testamento, bem como com o vosso santo precursor João Batista, na mansão dos mortos. Moisés e Elias, que haviam Vos encontrado no Monte Tabor, já haviam nos falado sobre o que aconteceria convosco, meu amantíssimo Jesus, muito em breve, em Jerusalém, por ocasião da Páscoa. Isaías, séculos antes de vossa Encarnação, já havia profetizado tudo que Vós passaríeis nas mãos dos vossos inimigos, incitados por Satanás e seus demônios no inferno.

Meu coração de pai não suportaria ver-Vos sendo rejeitado, traído, odiado, perseguido, preso e sofrendo os atrozes tormentos que vos aguardavam por causa do Amor infinito que tendes pelo gênero humano.

Quando Vós, meu amantíssimo Senhor e Deus, meu “Menino” tão lindo, ternura de minha alma, estáveis em oração no Horto das Oliveiras, sendo esmagado pelo peso dos pecados de toda a humanidade, de todos os tempos, e pela Justiça de Deus Pai, como se fôsseis Vós o culpado por toda a maldade humana, eu, do Limbo, acompanhava aflito as angústias, dores e o terror que se abateram sobre vosso Corpo, Coração e Alma.

Como gostaria de ter-Vos consolado, meu adorado Filho e Senhor! No entanto, não havia como... Até porque, estáveis também nos salvando – a nós, que aguardávamos a Redenção na Mansão dos Mortos – e nos redimindo, para que em breve pudéssemos sair desse lugar de exílio e irmos convosco para o Céu.

Ó Jesus meu, muito obrigado por vossa infinita Misericórdia!  


II - A FLAGELAÇÃO DE JESUS.

Ó Jesus amando, mesmo sabendo que sois nosso Redentor e Salvador... Mesmo conhecendo as profecias de Isaías a respeito de Vós, o Servo Sofredor, a contemplação de vossos sofrimentos na flagelação causou espanto e horror, mesmo a nós, almas dos justos, que estávamos na Mansão dos Mortos. E olha que não tínhamos acesso pleno ao conhecimento de tudo que sofríeis... Mas, o que nos foi permitido saber já era o suficiente para fazer-nos “chorar” copiosamente, lastimando o quanto foi preciso que Vós sofrêsseis para expiar nossas culpas e os danos dos pecados de toda a humanidade.

Ó Jesus meu, obrigado por vossas infinitas Bondade e Misericórdia, como Filho do Eterno Pai e como Redentor e Salvador do gênero humano! Que vosso preciosíssimo Sangue e vossas Lágrimas não se percam e o maior número possível de almas se salve, meu Senhor e meu Deus!


III - A COROAÇÃO DE ESPINHOS.

E continuaram as torturas... Fostes submetido, meu amado Jesus, a um inaudito suplício: os soldados enfurecidos e zombeteiros do iníquo Pilatos vestiram-Vos com um manto de púrpura (cor da realeza) sujo e rasgado; puseram em vossas mãos um “caniço”, como se fosse o cetro de um rei e, tecendo uma coroa – na verdade, um “capacete” – de grandes e agudos espinhos, enfiaram-na em vossa Santíssima Cabeça e, batendo nela com bastões, aqueles grandes e agudos espinhos não somente perfuraram o vosso couro cabeludo, mas, também, o osso do vosso crânio, causando-Vos dores atrozes e excruciantes. Um só desses espinhos seria o suficiente para Vos fazer desfalecer de dor...

Ó, meu Jesus! Vós bem sabeis que eu, José, vosso pai nutrício e muito amado por Vós, se fosse possível, sofreria por Vós e em vosso lugar, para vos aliviar ou poupar de tão inauditos tormentos. Mas, como isso não me era possível, ofereci, mesmo estando no Limbo, meu amor e lamentações ao Divino Pai, em reparação pela maldade e pecados da humanidade, que foram a causa de vossas torturas e de vossos sofrimentos.


IV - JESUS CARREGA SUA CRUZ ATÉ O CALVÁRIO.

Ó Jesus, como Israel vos foi ingrato! Fostes julgado iniquamente no Sinédrio, também por Herodes (que fez galhofa convosco) e, finalmente, pelo governador romano Pôncio Pilatos, conhecido por sua crueldade e pouca consideração pelos judeus.

Fostes tratado como um “criminoso”, um “louco” e, até mesmo, como um “blasfemador”. Fostes condenado à vergonhosa e crudelíssima morte por crucificação: uma das piores mortes que a deturpada e maldosa imaginação humana já inventou.

A Cruz vos foi apresentada. Tremestes? Ficastes aterrorizado? Não! A Cruz era o vosso Amor, vossa “amiga” tão aguardada e vossa maior glória! A contemplastes e a abraçastes como a um valiosíssimo tesouro, pois, por meio dela, prestaríeis ao Pai o vosso maior louvor, a vossa mais perfeita honra, e salvaríeis o gênero humano, inclusive a nós que aguardávamos, no “seio de Abraão”, a nossa libertação.

E, com ela aos ombros, caminhastes, extenuado, acabrunhado pelas dores e pela fraqueza do Corpo, até o Calvário.


V - A CRUCIFICAÇÃO, A AGONIA E A MORTE DE JESUS NA CRUZ.

Ó, meu amado Jesus! Chegou o momento do ápice de vossas dores e de vossos sofrimentos: vossa crucificação, agonia e morte de cruz.

Nós, no Limbo, não contemplávamos tudo, mas foi-nos dado perceber e sentir algo do que se passava no Calvário. Como dissera, Moisés e Elias, enviados por Deus Pai para conversarem com Jesus no Tabor, no momento da Transfiguração, nos transmitiram como seriam os sofrimentos pelos quais o Senhor passaria. Oh! Quanto chorei, meu dulcíssimo Jesus! Eu, vosso pai nutrício, se pudesse, com todo o ardor preferiria ser crucificado em vosso lugar do que saber que passaríeis por tão cruel e afrontosa morte!

Mas, eu tinha plena consciência de que estáveis, ó Jesus, morrendo por nós: as almas que estávamos no Limbo, pelas almas que estavam no Purgatório e demais homens e mulheres, que estavam ainda na terra, bem como todos os que viriam a nascer e existir até o fim dos tempos.

Uma morte triste e lastimável, porém, necessária. O que seria de nós se não fosse a vossa infinita Misericórdia? Ninguém se salvaria! Todos os vossos sofrimentos: as dores excruciantes dos cravos em vossos punhos e pés, vossa agonia e sufocação no martírio lento da cruz, vossa sede intensa, os terrores perante a visão de toda a maldade humana – por saber que muitos se condenariam apesar de vosso Amor –, contemplar as Dores e Lágrimas de nossa amada Maria Santíssima, o passar pela terrível e misteriosa sensação de ter sido abandonado até mesmo por vosso Pai e, finalmente, os últimos batimentos de vosso Sacratíssimo Coração e os derradeiros suspiros de ar em vossos pulmões... Tudo foi necessário. A gravíssima doença da humanidade, o pecado, era tão terrível que necessário se fazia que o “tratamento”, vossa Sagrada Paixão e Morte de Cruz, também fosse igualmente terrível. Ó, Jesus! Quão grande é a vossa Misericórdia!


MISTÉRIOS GLORIOSOS

I – A GLORIOSA RESSURREIÇÃO DE JESUS.

 Ó Jesus, quando morrestes na Cruz, vossa Santíssima Alma, unida ao Verbo, desceu ao Limbo para nos visitar e resgatar. Quanta alegria quando vos vi, ó meu Senhor e meu Deus! Estava com saudade, muita saudade...

Após ter-nos anunciado a Redenção, nós, exultantes, vos seguimos, desvencilhando-nos dos grilhões que ali nos detinham, para assistirmos ao maravilhoso espetáculo de vossa gloriosa Ressurreição. Vossa Alma Santíssima uniu-se ao vosso Corpo, tornando-O glorioso! 

Oh! Como eu exultei de alegria, junto com todos os Anjos, Santos e Justos vendo-vos Vivo e Ressuscitado! A vossa vitória sobre a morte já nos garantia que, um dia, todos os eleitos um dia ressuscitaríamos, pois vossa Ressurreição prenunciava a vitória sobre a morte, o último inimigo — fruto do pecado de Adão e de Eva — a ser finalmente derrotado. 

Ó Jesus amado, meu Senhor e meu Deus, meu "Menino", ver-vos glorioso no Céu, ao lado de vosso Pai e meu Deus, é minha alegria por toda a eternidade! 


II – A ASCENSÃO DE JESUS AO CÉU, PARA SENTAR-SE À DIREITA DE DEUS PAI.

 Meu amado Jesus, nós, os Santos e Justos que estávamos na Mansão dos Mortos, vos formamos cortejo e fizemos companhia por 40 dias que ficastes ainda um pouco mais vindo à terra, aparecendo para os vossos Apóstolos e Discípulos.

Mas já era chegado o momento de Vós vos sentardes no Trono de Glória inacessível, como Deus e homem verdadeiro. O Trono, que já era vosso, ó Verbo do Pai, desde toda a eternidade, seria ocupado, também, por vossa santíssima natureza humana. Um homem sentado à direita de Deus! Tínheis uma única Pessoa, a divina, mas duas naturezas: uma divina e uma humana, e foram justamente essas duas naturezas, em uma única Pessoa, que se sentaram à direita do Pai, em glória infinita, no seio da própria Santíssima Trindade. 

Vossa natureza humana, além do fato de estar unida à divindade do Verbo, também merecia sentar-se no Trono de Glória, no qual, antes, somente vossa Pessoa e natureza divinas podiam sentar-se. 

Mas, por que vossa natureza humana também merecia? Mais uma vez: além do fato de terdes somente uma única Pessoa - a divina, mas com duas naturezas: divina e humana —, vossa natureza humana, em sua missão na terra, foi tão infinitamente humilde, desapegada, pobre, obediente em tudo e repleta de amor a Deus Pai, a ponto de morrer pelo gênero humano na Cruz, reparando o pecado de nossos primeiros pais, que também ela mereceu sentar-se à direita do Pai, no seio da Trindade, devolvendo à humanidade a filiação adotiva perdida. 

A partir de então, estais para sempre sentado à direita do Pai, por toda a eternidade, onde reinais com Ele e o Espírito Santo, sendo adorado e glorificado pelas multidões angélicas e por todos os coros celestes dos Santos e bem-aventurados.

Vós, ó Jesus meu, sois a glória, o enlevo, a alegria, o prêmio e o gozo de todos os Anjos e Santos, que, sem cessar, "noite e dia", vos louvam e louvarão por toda a eternidade. 

E eu, José, vosso pai nutrício na terra, hei de vos adorar, louvar, servir e agradecer por todos os séculos dos séculos! 


III – A VINDA DO ESPÍRITO SANTO SOBRE A IGREJA NASCENTE REUNIDA NO CENÁCULO DE JERUSALÉM.

 No dia de Pentecostes (quando nós, judeus, celebrávamos a Festa das Tendas ou da Colheita), os Apóstolos de meu amado Jesus já estavam há 9 dias em oração, no cenáculo, juntamente com os santos discípulos, as santas mulheres e com minha amada Esposa, Rainha e Senhora Maria.

Nas Sagradas Escrituras (cf. Atos 1, 12-14), o destaque dado à minha castíssima, imaculada e virginal Esposa, como um dos membros da santa assembleia da Igreja nascente, significava que ela era a mais importante pessoa ali presente, a “peça chave”, o poderosíssimo “ímã” que atrairia a vinda do Divino Paráclito. E foi o que aconteceu. O Pai Eterno e o Filho Santíssimo, meu Jesus, desejavam mandar o Espírito Santo, mas era justo e necessário que a Igreja também desejasse, pedisse e suplicasse a vinda do Consolador. E foi o que eles fizeram, tendo Nossa Senhora, a Mãe de Deus e de toda a humanidade, como centro da assembleia dos fiéis.

Ó, cristãos! Não deixem e nem cessem de recorrer à minha Santíssima Esposa, a Sempre Virgem Maria, para que Ela interceda por vós e suplique ao Pai e ao Filho para que Eles enviem o Santo Espírito sobre vós, mais uma vez, renovando os dons e graças que recebestes no Batismo e na Crisma, concedendo-vos as virtudes que são necessárias para amardes a Deus, sendo fiéis à Sua Vontade, rejeitando o mal e o pecado e praticando o bem!

Ó Jesus! Ó, Maria! Eu um novo Pentecostes aconteça na Igreja, nestes tempos tão difíceis! Também eu, José, intercedo por vós, filhos e filhas, meus irmãos e irmãs em Cristo. 


IV – A ASSUNÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA AO CÉU EM CORPO E ALMA.

 Minha Esposa Maria continuou ainda um tempo na terra, exercendo seu ministério e missão de Mãe da Igreja, Corpo Místico de Cristo, Rainha dos Apóstolos, Mestra de todos os discípulos e discípulas do Senhor e modelo para todos os crentes.

Como foi profícua e extremamente necessária essa sua presença pessoal durante os primeiros anos da Igreja nascente! Ninguém conhecia mais a Palavra e a Vontade de Deus que Ela. Ninguém tinha mais a presença do Espírito Santo na alma que Ela. Ela – assim como eu – convivemos com Jesus por 30 anos! Ela conhecia Sua vontade e seus ensinamentos em grau máximo: muito mais que todos os Apóstolos e os santos discípulos juntos! Suas orações, seus conselhos e exortações iluminavam e sustentavam os trabalhos apostólicos e dirimiam as dúvidas que iam surgindo no decorrer de suas atividades pastorais, missionárias e de divulgação do Evangelho.

Mas, finalmente, após um pouco mais de 6 décadas sobre esta terra, finalmente chegara o tempo de ela receber, no Céu, a recompensa e a insondável glória que lhe eram devidas e merecidas. A filha predileta do Pai, a Mãe amorosíssima e discípula perfeitíssima do Filho e a Esposa fidelíssima do Espírito Santo devia sentar-se em seu esplendoroso e magnífico trono ao lado direito de Jesus. E Ela tinha que ir para o Céu em corpo e alma, visto que não era digno que o corpo da Virgem puríssima e imaculada viesse à corrupção ou ficasse “preso” na terra, castigo esse dado a Adão e a Eva, fruto do pecado original, do qual Ela foi concebida completamente livre e imune. Nem pela experiência da morte (também consequência do pecado de nossos primeiros pais) Ela merecia passar, porém, por amor ao Filho, que passou pela morte sem o merecer, e para ser-Lhe ainda mais semelhante, Ela rogou e suplicou à Santíssima Trindade para morrer.

Claro que sua morte benditíssima não foi uma “morte qualquer”, causada por uma doença ou por alguma “debilidade” física (visto que, por ser imaculada, Maria, já sexagenária, conservava a mesma aparência e vigor físicos de uma mulher de 30 a 35 anos, no máximo), mas, uma “morte de amor”, causada pelo amor ardente que tinha em seu Coração Imaculado, inflamando-o em chamas veementes, em grau muito mais elevado do que a de todos os santos e santas místicos que já existiram ou haviam de existir na história da Igreja ou da humanidade.

O Coração de Maria era mantido vivo (pulsando) por um contínuo milagre. Pois bem: chegando o momento de sua partida deste mundo, o Senhor suspendeu o milagre que a mantinha viva e seu Coração foi consumido pelas chamas de amor. E sua santíssima Alma foi recebida por Jesus e já conduzida, diretamente, à glória, sem precisar passar pelo julgamento particular, visto que não o merecia e nem precisava.

Seu corpo puríssimo foi velado e sepultado pelos Apóstolos, que prantearam a partida de sua Mãe e Senhora com veemente saudade, dor e amor. E, no sepulcro onde foi colocado, aguardava a ressurreição da qual era digna.

À semelhança de Jesus, ao terceiro dia de sua “dormição” (assim é chamada sua santíssima morte, pois, seu corpo parecia que estava apenas dormindo), sua Alma santíssima desceu do Céu, cercada por multidões angélicas e por nós, santos e santas que já estávamos no Paraíso, e uniu-se àquele puríssimo e imaculado corpo. E, logo em seguida, ambos: corpo e alma – portanto, todo o seu ser - definitivamente unidos e gloriosos, pelas mãos das multidões angélicas, foram levados – assuntos – à sua altíssima glória, ao lado do Trono da Trindade.

Ó filhos e filhas, meus irmãos e irmãs, vós tendes no Céu uma Mãe que está viva, que é real e que vos ama com profundo e imenso amor! Tende confiança! A Ela recorrei sempre para que, um dia, gozeis também vós da visão beatífica de Deus, na glória celeste. Confiai as vossas almas à intercessão da Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria! 


V – A GLORIOSA COROAÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA COMO RAINHA E SENHORA DO CÉU, DA TERRA E DE TODO O UNIVERSO.

 Poderia dizer muitas coisas a respeito da coroação de Maria no Céu. Mas, direi somente isto: convinha que aquela que é a Mãe de Jesus, Rei do Céu e do Universo, fosse proclamada e coroada Rainha. 

Até na terra, as mães dos reis são chamadas de "rainhas". Não concederia a Santíssima Trindade o título de Rainha à Mãe do Rei Jesus, que disse a Pilatos: "Sim, eu sou Rei" (conf. em João 19, 3.19.21). 

Ó Maria, minha esposa, minha Senhora e Rainha, não tenho palavras para enaltecer-Vos e cantar as vossas glórias e majestade! Exercei sempre o vosso poder de intercessão e súplicas em favor de todos os vossos filhos e filhas! Amém! 



(Ass.: José de Nazaré, filho de Jacob, esposo de Maria e pai putativo de Jesus)