Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Beata Isabel Cristina Mrad Campos, Virgem e Mártir - memória em 1 de setembro.

           

         A história dela é uma história de violência cotidiana. E de resistência extraordinária: não tanto, ou não apenas, para defender sua dignidade como mulher, mas sobretudo os valores em que acredita e que nunca escondeu.

Isabel Cristina Mrad Campos nasceu em Barbacena, Brasil, em 29 de julho de 1962, e em sua família foi imbuída de uma fé genuína que se traduziu em atos concretos de caridade. Seu pai era presidente da paróquia de São Vicente, e toda a família seguia seu exemplo, especialmente Isabel, que vivia o espírito de "São Vicente" e adotava seu estilo.

Por isso, na escola, notavam que "Cris" (como gostava de ser chamada) tinha uma marcada predileção pelos colegas mais pobres ou aqueles com maiores dificuldades de aprendizagem; na paróquia, observavam que ela estava sempre à frente de todos os eventos de caridade; e em São Vicente, testemunhavam sua disposição em cuidar de crianças com deficiência e se comoviam com a ternura e o carinho com que as alimentava e cuidava delas.

Cris tem grandes sonhos, como qualquer jovem, mas talvez não seja coincidência que ela imagine um futuro como médica, formada para cuidar dos mais vulneráveis. Ela até tem um namorado, com quem planeja um futuro juntos, mas eles terminam de comum acordo em julho de 1982, quando ela percebe que ele não é tão religioso.

De qualquer forma, eles vivem seu relacionamento renunciando, ainda que com sacrifício, à tentação de "dar uma mordidinha" no amor antes do casamento, esperando para vivenciá-lo plenamente depois. "Sorria, Jesus te ama" é o seu lema de vida, que ela tenta colocar em prática diariamente.

Em abril de 1982, ela se mudou para Juiz de Fora para cursar a universidade e, inicialmente, dividiu um apartamento com alguns amigos; apenas alguns meses depois, quando seu irmão se juntou a ela, ela e ele procuraram um lugar mais tranquilo, mais propício aos estudos, que tentaram mobiliar com o mínimo necessário.

Acima de tudo, Cris busca imediatamente em sua nova cidade: o "Cenáculo", onde a Eucaristia está permanentemente exposta e onde ela pode passar longos períodos de adoração diária. A oração, pessoal, e a participação na Eucaristia tornam-se cada vez mais cruciais e guiam sua jornada, sempre de forma tão discreta e sem ostentação que familiares e amigos só percebem e comentam após sua morte.

Em 30 de agosto, um jovem operário, Maurílio Almeida Oliveira, entra em seu apartamento para montar um guarda-roupa e faz comentários obscenos e sugestões pouco veladas, que Cris rejeita e prontamente relata ao irmão e aos amigos, com decepção e irritação.

Sem ter terminado a montagem, o operário retorna ao apartamento em 1º de setembro, mas com intenções bem diferentes. Ele as deixa claras desde o início, mas, quando ela se recusa categoricamente, ele recorre à violência, espancando-a brutalmente e amarrando-a, não sem antes aumentar o volume do rádio e da televisão ao máximo para abafar os gritos de socorro de Cris.

Em meio à tortura, a jovem reza o terço, usando-o como anel, recusando-se a ceder ao seu algoz, que é forçado a matá-la com quinze facadas antes de fugir, talvez aterrorizado pela devastação infligida àquele corpo frágil, que, no entanto, provou ser mais forte do que sua fúria assassina. De fato, ele não conseguiu subjugá-la, como a autópsia demonstrará, revelando também a castidade que ela manteve mesmo durante o noivado.

A voz do povo, como sempre, precede o pronunciamento da Igreja, considerando esta jovem de 20 anos uma mártir e santa em pé de igualdade com Maria Goretti. Na paróquia e diocese de Mariana, desde o dia seguinte à sua morte, referiam-se a ela como "sua" mártir e recorriam de bom grado à sua intercessão, como se fosse a de uma jovem santa.

Seus restos mortais foram trasladados em 26 de agosto de 2009 para a Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia em Barbacena, a paróquia onde recebeu o Batismo e a Primeira Comunhão. Diante de sua urna, os fiéis rezam como se estivessem diante das relíquias de antigos mártires. Os jovens, em particular, deixam mensagens em pedaços de papel: de invocação, de ajuda, mas também de admiração e louvor por seu excepcional testemunho cristão.

A autorização para sua causa de beatificação e canonização data de 18 de novembro de 2000. A investigação diocesana, aberta em 26 de janeiro de 2001 na diocese de Mariana, foi concluída em 1.º de setembro de 2009. Os testemunhos coletados desde 1989, sete anos após o assassinato, foram obtidos como material extrajudicial. Os documentos da investigação diocesana foram validados em 3 de dezembro de 2010.

Para comprovar suficientemente o alegado martírio, foi necessária uma investigação complementar, também realizada em Mariana, de 4 a 19 de fevereiro de 2013, que obteve a validação legal dos documentos em 6 de dezembro do mesmo ano.

Após a apresentação da "Positio super martyrio" em 2016, realizou-se o Congresso Especial de Consultores Teológicos em 10 de janeiro de 2019 e a Sessão Ordinária dos cardeais e bispos membros da Congregação para as Causas dos Santos em 6 de outubro de 2020.

Todos concordaram que Isabel Cristina morreu defendendo sua virgindade, de acordo com os ensinamentos da Igreja, e que seu agressor agiu contra sua pessoa, mas também contra a tenacidade que ela demonstrara em permanecer fiel à sua vocação religiosa e moral.

Em 27 de outubro de 2020, em audiência com o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Dom Marcello Semeraro, o Papa Francisco autorizou o decreto que reconhece Isabel Cristina Mrad Campos como mártir.

A Missa de Beatificação foi celebrada em 10 de dezembro no Parque de Exposições Barbacena, presidida pelo Cardeal Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo Emérito de Aparecida. A memória litúrgica da Beata Isabel Cristina foi marcada para 1.º de setembro, dia de sua ascensão ao Céu.

Após a beatificação, seus restos mortais foram trasladados para a Capela dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, que desde então lhe foi dedicada, na Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia.


Estátua confeccionada após sua beatificação. 




segunda-feira, 31 de agosto de 2026

SÃO NICODEMOS E SÃO JOSÉ DE ARIMATÉIA, ex-fariseus e discípulos do Senhor - 31 de agosto.

          


           SÃO NICODEMOS

José de Arimateia e Nicodemos recolheram o corpo de Jesus debaixo da cruz, envolveram-no no sudário e o depositaram no túmulo. Nicodemos, fariseu e príncipe dos judeus, havia ido ter com Jesus à noite para interrogá-lo sobre sua missão e, diante dos principais sacerdotes e fariseus que queriam prendê-lo, defendeu sua causa.

A figura de Nicodemos aparece na representação da Lamentação sobre o Cristo Morto, de Giotto, na Capela Scrovegni. Segundo a tradição, Nicodemos é o autor da Santa Face de Lucca.

O Martirológio Romano outrora comemorava São Nicodemos em 03 de agosto, aniversário da descoberta de suas relíquias, enquanto a edição promulgada por São João Paulo II o comemora em 31 de agosto, juntamente com São José de Arimatéia.

São João menciona Nicodemos em seu Evangelho; ele era doutor da lei e membro do Sinédrio (o supremo órgão judicial judaico em Jerusalém).

Por ocasião da primeira Páscoa, no ano 28 d.C., Jesus havia chegado a Jerusalém realizando diversos milagres. Impressionado com isso, Nicodemos foi vê-lo à noite para uma reunião esclarecedora. Ele foi naquele horário, talvez por medo ou para evitar comprometer sua posição no Sinédrio.

Do Evangelho, conhecemos apenas os pontos essenciais da conversa, os dois principais: "Os fatos que observei revelam que tu és o Messias", diz Nicodemos a Jesus. "Bem, qual é a natureza da tua missão? Por quais meios a cumprirás? É o império tão aguardado pelos judeus, com uma vingança definitiva contra os pagãos?"

E Jesus corrige essa expectativa equivocada do judaísmo oficial, que lhe é apresentada por meio de um de seus expoentes mais influentes: "O reino de Deus é apenas o domínio de Deus sobre as almas; para fazer parte dele, é preciso renascer espiritualmente; isso foi o que os profetas predisseram". Jesus pergunta novamente: "Você é um mestre em Israel e não sabe disso?".

Encontramos Nicodemos novamente, exortando os membros do Sinédrio, quando tentam tomar posse de Jesus à força em seus últimos meses de vida, a agirem com sabedoria, a ouvirem uma pessoa antes de condená-la. Mas os membros agitados respondem com escárnio: "Você também é galileu? Busque e verá que nenhum profeta surge da Galileia".

Finalmente, encontramos Nicodemos novamente no Gólgota com José de Arimateia, que providencia o sepultamento de Jesus após a crucificação. Ele leva "cerca de 45 quilos de mirra e aloés" para a preparação do corpo, uma grande quantidade, cerca de 30 kg nos dias de hoje, um sinal da grande necessidade de reparação que ele sentia.

Nada mais sabemos do Evangelho; em 415 d.C., um sacerdote, Luciano, teria descoberto suas relíquias junto com as de Santo Estêvão.

Diz-se que ele foi batizado pelos apóstolos Pedro e João e, por essa razão, maltratado e expulso pelos judeus, sendo morto sem a intervenção de seu parente Gamaliel, que o acolheu em sua propriedade de Kefaz-Gamla, onde, algum tempo depois, ele morreu e foi sepultado.

Sua comemoração nos Martirológios, em 3 de agosto, deve-se ao reconhecimento das relíquias, juntamente com as de Santo Estêvão, Gamaliel e Abibo; nos martirológios bizantinos, ele é lembrado em 15 de setembro. O Martirológio Romano, promulgado por São João Paulo II, o coloca em 31 de agosto, junto com São José de Arimateia.

Uma tradição lendária apresenta Nicodemos como o criador do crucifixo de madeira venerado em Lucca, conhecido como a "Santa Face", feito em Jerusalém. Ele foi retratado em "Deposições" por vários artistas importantes, bem como em representações populares, às vezes removendo os pregos da cruz.

Um nome comum no sul da Itália, de origem grega, que significa "vencedor entre o povo".


SÃO JOSÉ DE ARIMATÉIA

Ele é um homem rico e importante, membro do Sinédrio, que acreditava no reino de Deus. Nos Evangelhos, ela aparece especialmente durante o enterro de Jesus. Embora fosse um homem respeitado, teve coragem de pedir a Pilatos o corpo de Jesus, o que foi arriscado porque Jesus havia sido condenado à morte. Esse gesto demonstra sua fé e respeito por Jesus. Com a ajuda de Nicodemos, outro homem proeminente que trouxe especiarias para o enterro, José envolveu o corpo de Jesus no sudário e o colocou em um novo túmulo, em vez de deixá-lo em uma vala comum como os romanos faziam. Então, mesmo sabendo que tocar em um cadáver o impedia de celebrar a Páscoa, ele escolheu honrar Jesus. Após a Páscoa, nada mais se sabe sobre ele nos Evangelhos oficiais, mas sua imagem é famosa nas representações da deposição de Jesus. A Igreja o lembra junto com Nicodemos em 31 de agosto.

 

Relato hagiológico:

As poucas referências históricas podem ser deduzidas dos quatro Evangelistas quando narram a deposição e o enterro de Jesus.

Natural de Arimatéia, de condição muito abastada, era discípulo de Jesus, mas, como Nicodemos, não demonstrou sua fé por medo dos judeus até a época da Paixão.

No entanto, durante o julgamento de Jesus, participando das sessões do Sinédrio, devido ao senso de justiça que o animava e à expectativa do reino de Deus, ele ousou discordar de seus colegas ao não aprovar as resoluções e atos daquela assembleia.

Pelo contrário, ele demonstrou maior coragem após a morte do Mestre, quando, com ousadia, como Marcos expressa, se apresentou a Pilatos para obter seu corpo e lhe dar um enterro digno, evitando assim que fosse jogado em uma vala comum, junto com o dos dois ladrões.

Nessa intenção patética, José encontrou colaboração não apenas nas mulheres piedosas, mas também em Nicodemos, que correu com ele com especiarias (mirra e aloés). José, segundo o que é dito em Mateus 27, 59, havia comprado um sudário branco.

Os dois bravos discípulos, pegando o corpo de Jesus, o envolveram em ataduras perfumadas e o colocaram no novo túmulo, esculpido na rocha que José havia construído para si mesmo perto do Calvário. Era o pôr do sol quando José "rolou uma grande pedra na porta do túmulo e foi embora".

Poucos dados históricos.

A história termina aqui, mas o personagem não foi negligenciado pela lenda e, em primeiro lugar, pelos autores anônimos dos apócrifos.


Surgiram muitas histórias lendárias

No pseudo-Evangelho de Pedro (século II), a narrativa não está desligada da do Evangelho; a única diferença é que José pediu a Pilatos o corpo de Cristo mesmo antes da Crucificação. Por outro lado, os Atos de Pilatos ou o Evangelho de Nicodemos (século V) são ricos em novas histórias fantásticas, nas quais se diz que os judeus repreenderam Nicodemos e José por seu comportamento em favor de Jesus e que, por essa razão, José foi preso, mas, milagrosamente libertado, foi posteriormente encontrado em Arimatéia.


Outra piedosa lenda:

Segundo certos relatos, José, antes de enterrar Jesus, lavou cuidadosamente seu corpo todo aspergido de sangue, tomando cuidado para preservar essa água e sangue em um jarro, cujo conteúdo foi então dividido entre José e Nicodemos

O precioso vaso foi passado de José para seus irmãos e, assim, por várias gerações até que passou para a posse do patriarca de Jerusalém. 

Em 1257, temendo que caísse nas mãos dos infiéis, por conselho dos sufragâneos, entregou-o a Henrique III da Inglaterra, para que pudesse protegê-lo.

Outras lendas, embora ligadas à anterior, relatam que José, com o precioso relicário, fez uma peregrinação acompanhado por vários cavaleiros para evangelizar a França (algumas histórias dizem que ele desembarcou em Marselha com Lázaro e suas irmãs Marta e Maria), Espanha (onde foi com São Tiago, que o criou bispo), Portugal e, finalmente, Inglaterra. 

Lá, o vaso (o Santo Graal) se perdeu e só um cavaleiro sem manchas e sem medo o encontraria...


O culto mais antigo, no entanto, parece ter sido estabelecido no Oriente. Em alguns calendários georgianos do século X, a festa é mencionada em 30, 31 de agosto ou até mesmo no terceiro domingo após a Páscoa. Para os gregos, no entanto, a comemoração foi em 31 de julho.

No Oeste, foi particularmente venerado em Glastonbury, na Inglaterra, onde, segundo a tradição, fundou o primeiro oratório.

No Martirológio Romano, foi inserido em 17 de março por Baronius. O compilador dos Anais foi sugerido a inserção, pela veneração, que os cônegos da basílica do Vaticano deram a um dos brasões do santo, precisamente em 17 de março.

Na época de Baronius, a documentação mais antiga da relíquia era um escrito de 1454. No entanto, nenhum martirológio ocidental antes dessa data mencionou o culto a São José de Arimateia. 

São João Paulo II resolveu associar sua memória para o dia 31 de agosto, junto com a de São Nicodemos. 



domingo, 30 de agosto de 2026

Beato Eustáquio Van Lieshout, Presbítero e Missionário no Brasil (muito querido e venerado pelo povo de Minas Gerais). São dois textos biográficos.


Beato Eustáquio Van Lieshout,
presbítero e missionário no
Brasil. 
Um taumaturgo do século XX. Dotado dos carismas do conselho e da cura, pastor de almas e modelo de pároco, Padre Eustáquio suportou com humildade e fortaleza as muitas incompreensões que sofreu.


"Jesus partiu dali numa barca para se retirar a um lugar deserto, mas o povo soube e a multidão das cidades o seguiu a pé. Quando desembarcou, vendo Jesus essa numerosa multidão, moveu-se de compaixão por ela e curou seus doentes" (Mt 14, 13-14).

Os últimos anos da vida do Beato Eustáquio van Lieshout no Brasil tiveram muita semelhança com essas cenas descritas no Evangelho: multidões que acorriam para lhe pedir ajuda espiritual ou cura de enfermidades, sendo todos atendidos com carinho de pai. E, quando as autoridades eclesiásticas ou seus superiores, temerosos com as repercussões daquele movimento, mandavam-no para outros lugares, logo o povo descobria e acorria atrás de seu "santo".


Foto do Beato quando chegou ao
Brasil. 
Padre Eustáquio desembarca no Rio de Janeiro.

Nascido na Holanda em 3 de novembro de 1890, foi ordenado sacerdote em 1919 na Congregação dos Sagrados Corações. Sua família, profundamente católica, ofereceu à Igreja mais duas vocações: de duas irmãs suas que se fizeram religiosas. Chamado pelo Senhor à missão, o Beato Eustáquio desembarcou no Rio de Janeiro em 12 de maio de 1925. Seu destino: o povoado de Água Suja, no Triângulo Mineiro.

Situado às margens do Rio Bagagem, aquele local sofria dos males comuns às regiões de mineração muito afastadas, sendo marcado por enormes necessidades espirituais e materiais. O farol que iluminava a vida dura dos mineiros era o antigo santuário de Nossa Senhora da Abadia, onde se fixou o padre vindo da Europa.

Nos seus dez anos em Água Suja - cujo nome foi mudado para Romaria - ele iniciou a edificação do Santuário de Nossa Senhora da Abadia, que se tornou um grande centro de peregrinação.



Pai dos pobres e dos enfermos.

Em Romaria, como nas cidades onde atuou depois, dedicou-se com extremo desvelo aos pobres e aos enfermos. Nas suas visitas às casas de seus paroquianos, servia até mesmo de médico e enfermeiro dos doentes.

Certo dia, numa choupana de Romaria, encontrou um menino cujo corpo era todo uma só chaga. Nem a mãe da criança tinha coragem de cuidar do pobrezinho. O Padre Eustáquio assumiu pessoalmente essa incumbência: dava-lhe banho todos os dias, lavava suas roupas, tirava com uma pinça os vermes que lhe corroíam a carne, da qual se exalava um insuportável mau cheiro, e aplicava as pomadas que ele próprio havia preparado. Em pouco mais de um mês, o menino estava curado.

Noutra ocasião, quando o pároco almoçava em companhia de seus auxiliares no modesto refeitório da casa paroquial, a campainha tocou, e um deles foi atender. Voltou pouco depois e sentou-se sem nada dizer.

— O que houve? — pergunta o Beato Eustáquio.
- Nada... Nada de urgente. Estão querendo falar com o senhor... Mandei esperar na sala de visitas.
— Não! Mandar esperar, nunca! O pároco é o escravo de seus paroquianos.

Dizendo isto, deixou na mesa a refeição inacabada e foi atender os visitantes.

Assim comportou-se o Padre Eustáquio durante seus 24 anos de sacerdócio. Com uma diferença: ele era o escravo de todos os necessitados, e não apenas de seus paroquianos.


O carisma da cura: “Saúde e paz”.

Em Romaria, o Padre Eustáquio já fez algumas curas consideradas milagrosas. Mas foi em Poá (SP), para onde foi transferido, tomando posse como pároco em fevereiro de 1935, que esse dom começou a brilhar com maior intensidade, e sua fama de santidade começou a se espalhar irresistivelmente pelo Brasil inteiro. Tinha o costume de abençoar os fiéis com a seguinte saudação: “Saúde e paz”. Muitas vezes, com suas bênçãos, os enfermos saíam absolutamente curados, bem como os corações “sarados” e cheios de paz...

Um dos maiores benefícios que o Padre Eustáquio fez à população daquela região foi vencer o indiferentismo religioso e resgatar numerosas almas que estavam se emaranhando nas teias da seita espírita.

Multidões cada vez maiores procuravam assiduamente o homem de Deus para pedir o alívio de seus sofrimentos espirituais e físicos. A afluência de povo era tão grande que chegaram a passar por Poá cerca de dez mil pessoas por dia.

A autoridade civil e a religiosa se inquietaram com isso. Por intervenção do Arcebispo de São Paulo — arquidiocese à qual pertencia então Poá —, os superiores do Padre Eustáquio se viram obrigados a transferi-lo.

Nosso beato ficou chocado com a notícia. Não conseguia entender como poderia ser impedido de exercer um carisma que claramente Deus lhe havia concedido para o bem do povo. Mas, como pessoa virtuosa que era, obedeceu sem pestanejar.


Sentindo-se um indesejado,

Com ar de muito abatimento, deixou sua querida Poá no dia 13 de maio de 1941, sem nem sequer despedir-se das pessoas mais chegadas.

Teve de viver algum tempo oculto na cidade de São Paulo, numa situação humilhante, sob a vigilância de seus superiores, sendo até mesmo proibido de visitar seus amigos.

Desde a saída de Poá, a vida do Beato Eustáquio foi como a de um migrante. Onde quer que estivesse, havia pessoas que o procuravam para lhe pedir ajuda, consolo e cura. Logo as multidões se lhe punham ao encalço, e isso causava desagrados e incompreensões. Quase invariavelmente, pouco depois era convidado a se retirar do local. É verdade que também recebeu mostras de carinho, como do Arcebispo de Campinas. Mas, a par disso, houve cenas constrangedoras, como quando foi obrigado a se retirar sem demora do Rio de Janeiro, ocasião em que nem lhe queriam dar tempo de rezar o breviário.

De volta a Minas Gerais.

Em Belo Horizonte se conservam diversos pertences do Pe. Eustáquio, como a batina e o porta-hóstia usados nas visitas aos doentes. Chamado pelo jovem superior da comunidade da Congregação, em Patrocínio, Padre Eustáquio pôde finalmente encontrar sossego. Havendo chegado à cidade em outubro de 1941, ele sentiu-se de fato aliviado, pois seus companheiros de hábito, além de não lhe colocarem obstáculos, ainda o ajudaram nos seus labores apostólicos. Ali ele recebeu a comunicação de que o Arcebispo de Belo Horizonte queria sua presença em sua arquidiocese.

Na capital de Minas, aonde chegou em 3 de abril de 1942, Padre Eustáquio assumiu a paróquia dos Sagrados Corações, na qual permanecerá até 30 de agosto de 1943, dia de sua morte.
Após um início com algumas restrições, que fizeram temer a volta das sanções já aplicadas em outros lugares, o Beato pôde exercer com toda a liberdade os carismas da cura e do conselho, cumprindo a vocação para a qual o Senhor o destinara.

Zeloso pastor de almas, Padre Eustáquio ia ao encontro de quem necessitasse de sua caridade pastoral, mesmo em lugares longínquos.
É de difícil acesso. Na foto, o padre utilizando-se de um cavalo para
chegar a vilarejos distantes. 



Acima de tudo, pastor de almas.

Esse sacerdote exemplar, que sempre procurava remediar os males corporais, nunca se esquecia de que sua principal missão era salvar almas. E, nesse apostolado, "chegou a resultados que fazem lembrar os tempos da Igreja primitiva", escreve seu biógrafo, o Pe. Venâncio SSCC.

Repercutiram sensacionalmente na imprensa os milagres atribuídos ao Padre Eustáquio e há documentos de várias curas para as quais a ciência não tem explicação. Mas ele operou "milagres" muito mais importantes, e numa quantidade que de fato "fazem lembrar os tempos da Igreja primitiva": a conversão de milhares de pecadores.

Passava seis horas por dia atendendo confissões. Não tinha dotes oratórios, mas possuía em alto grau o dom da palavra ardente que move ao arrependimento e à mudança de vida. Na paróquia de Poá, muitas vezes três coadjutores eram insuficientes para atender os penitentes que faziam fila diante dos confessionários após ouvir uma recomendação desse homem de Deus.

Durante um tríduo de pregações na maior igreja de Belo Horizonte, nos três dias verificou-se um fato inédito: terminado o sermão, centenas de homens de todas as classes e idades corriam ao confessionário, disputando o privilégio de serem os primeiros a se reconciliarem com Deus. Movimentação ainda maior ocorreu na Páscoa dos funcionários públicos: mais de cinco mil pessoas obrigaram doze sacerdotes a o socorrerem no atendimento de confissões.

De onde lhe vinha esse poder de arrastar os pecadores à conversão? Do esplendor de sua santidade...



Vida interior exemplar.

O Beato Eustáquio sabia que a alma de todo apostolado é a vida interior. Por isso, mesmo quando passava a noite em claro, começava o dia às cinco da manhã, para não se privar da hora de meditação quotidiana. Rezava o Rosário. Passava horas em adoração diante de Jesus Eucarístico. Nunca se dispensava de fazer seu exame de consciência nem de rezar o breviário.

Em certa ocasião, após um dia estafante, era noite alta e ele tinha de partir de viagem imediatamente. Vendo seu enorme cansaço, disse-lhe um bispo:

- Pe. Eustáquio, eu o dispenso de rezar o breviário hoje.

— Não posso, Excelência. O dia inteiro trabalhei para os outros, agora preciso pensar um pouco em mim mesmo.

Para esse religioso exemplar, a oração não era uma obrigação enfadonha, mas sim o alimento restaurador das energias. Fortalecido por ela, pôde ele realizar o empolgante lema de sua Congregação dos Sagrados Corações: "Para mim o trabalho, para o próximo a utilidade, para os Sagrados Corações a honra e a glória".


Morte serena em meio a lancinantes dores.

No dia 20 de agosto de 1943, atendendo a um doente que sofria de tifo exantemático, o Pe. Eustáquio contraiu essa grave enfermidade, então incurável.

Em dez dias partiria para a eternidade. Prostrado no leito do hospital, caminhando para a morte – que, aliás, ele mesmo profetizara – permaneceu sempre sereno em meio a sofrimentos atrozes, de tal modo que seus últimos dias foram dos mais edificantes de sua vida.

Várias vezes foi visto rezando a oração que ele mesmo costumava ensinar aos outros:

"Ó meu Jesus, eu Vos amo. Eu Vos amo com a vossa Cruz, com o vosso sofrimento, com o vosso amor imenso. Ó Jesus, pelo sangue que derramastes e pelas lágrimas de vossa Mãe Santíssima, dai vista aos cegos, andar aos paralíticos, saúde aos enfermos, paz a todos os que sofrem e padecem. Meu Jesus, vossos passos quero seguir, vossas palavras falar, vossos pensamentos pensar, vossa cruz carregar, vosso Corpo comer, vosso Sangue beber, o pecado detestar e o Céu alcançar”.

Nos seus derradeiros momentos, renovou os votos religiosos e só deu o último suspiro depois de ver entrar em seu quarto, chorando e cansado por uma longa e estafante viagem, seu superior provincial, com quem queria estar de qualquer modo antes de morrer. Era o dia 30 de agosto de 1943.

O Sr. arcebispo de Belo Horizonte e vários sacerdotes do clero vieram
encomendar o corpo do "santo" sacerdote, amado e querido por seu povo.



E Deus o glorificou...

Suas exéquias foram uma apoteose nunca antes vista na capital mineira. Todos os jornais e emissoras de rádio lhe dedicaram grande espaço, comentando seus dons e transcrevendo sua biografia. Pode-se dizer que a quase totalidade da população compareceu para prestar-lhe as últimas homenagens. Sua tumba tornou-se desde logo local de peregrinação. Em 1949, seus restos mortais foram transladados para o interior da igreja que começara a construir.

Infinitamente mais importante, porém, é a glória com que foi recebido no Céu, à qual a Santa Igreja acrescenta a glorificação dos altares, ao beatificá-lo. Assim, o apresenta como modelo para os fiéis do mundo inteiro, especialmente os párocos e os religiosos.


A cerimônia de beatificação foi presidida pelo Cardeal José Saraiva Martins, Presidente da Congregação para as Causas dos Santos, concelebrada por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Luiz Mancilha Vilela, Arcebispo de Vitória, e numerosos outros bispos e sacerdotes, e contará certamente com a assistência de muitos milhares de fiéis.

(Revista Arautos do Evangelho, julho/2006, n. 54, p. 31 a 33)



********************************************************

Segundo texto biográfico:

 Humberto van Lieshout nasceu em Aarle Rixtel, Holanda, em 3 de novembro de 1890. Educado por pais dedicados e bons cristãos, e na convivência de seus oito irmãos, Humberto desenvolveu-se como rapaz generoso e piedoso.

Painel da beatificação de Padre Eustáquio.
O exemplo arrasta...

Um dia caiu-lhe nas mãos a biografia do famoso missionário Padre Damião de Veuster, o apóstolo da caridade cristã entre os asilados leprosos da Ilha de Molokai (já canonizado pelo Papa Bento XVI). Quis imitá-lo e, por isso conseguiu matricular-se no Seminário dos Padres dos Sagrados Corações, mas encontrou bastante dificuldade em seus estudos. Seu abnegado esforço, firmeza de vontade e persistência venceram a fraqueza de seus talentos intelectuais.

No noviciado, trocou o seu nome de batismo pelo de Eustáquio e fez sua profissão religiosa em 27 de janeiro de 1915. Dedicando-se muito à oração e aos estudos, agora com menos dificuldade, no dia 10 de agosto de 1919, foi ordenado sacerdote. Em sua imensa felicidade, pedia às suas duas irmãs religiosas que fossem para ele, no seu sacerdócio, como Moisés na montanha, rezando pelo bom êxito do seu apostolado.

Foto do Beato Eustáquio ladeado por duas irmãs suas que eram religiosas.


Por quatro anos exerceu diversos ministérios na Holanda, onde ganhou fama de caridoso e santo. Foi condecorado "Cavaleiro da Coroa" pelo Rei Alberto da Bélgica, pelo seu trabalho junto aos refugiados belgas.

Em terras brasileiras

Em 1925, finalmente, viu completar-se seu ideal, vindo ao Brasil como missionário, com mais dois companheiros. O então bispo de Uberaba, o Venerável Servo de Deus Dom Antônio de Almeida Lustosa (que depois foi arcebispo de Fortaleza, capital do Ceará), convidou sua congregação para vir à sua diocese. Foi assim fundada a primeira casa da Congregação dos Sagrados Corações no Brasil, em Água Suja, MG, onde assumiram o Santuário de Nossa Senhora da Abadia.

Fiel ao carisma de sua Congregação, o Beato Eustáquio era muito devoto.
do Sagrado Coração de Jesus, sendo um ardoroso apóstolo da devoção
ao Coração do Senhor Jesus, rico em misericórdia. Essa sua devoção ao
Amor misericordioso do Senhor fez dele um sacerdote que amava 
as almas, dedicando seu ministério ao pastoreio delas, trabalhando
e rezando pela salvação eterna das almas a ele confiadas. 

Em 1926 tornou-se vigário de três paróquias, com muitas capelas anexas. Seus paroquianos eram pessoas simples, sem instrução religiosa. No começo, custou-lhe ganhar a simpatia daquele povo desconfiado. Visitava os doentes nas choupanas, distribuía roupas e alimentos aos necessitados, acudia aos problemas familiares. Era pai, amigo, advogado e piedoso pastor das almas.

Reabriu a escola rural, moralizou as festas da Padroeira, pregou missões populares em todas as três paróquias. Iniciou a construção do novo Santuário, tão conhecido hoje por todo o povo do Triângulo Mineiro. Conquistou assim toda a região e ganhou fama de santo e milagreiro.

Por onde andava, onde chegava, Padre Eustáquio atraía multidões, ávidas
de suas palavras de conforto e de esperança, assim como por receber sua
tradicional bênção: "Saúde e Paz", que operou curas e milagres em 
muitos fiéis, que já o tinham por "santo". 


Quando foi transferido para Poá, SP, o povo não permitiu a sua saída. Somente dois meses depois, quando as coisas acalmaram, ele pôde assumir essa nova paróquia recém-criada.


Poá fazia parte da zona suburbana da capital de São Paulo, e a maioria da sua população trabalhava nas fábricas e indústrias de São Miguel e São Paulo. Sendo vigário da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, atendia várias outras paróquias vizinhas com seus dois padres coadjutores. Iniciou seu apostolado e as pregações em toda a região. Após uma viagem à Holanda e a Lourdes, na França, de onde trouxe não só muitos donativos, mas também muita água da fonte milagrosa, erigiu ao lado da igreja uma imitação da gruta de Lourdes.

Suas pregações e bênçãos logo criaram fama e projetaram o seu nome pelo estado e até Brasil afora... Passou a ser conhecido como o "Vigário de Poá". 

A notícia das curas do ‘santo’ Pe. Eustáquio fez afluir muita gente à sua procura. Milhares de pessoas se apinhavam nas ruas da pequena cidade de Poá, que não comportava tanto movimento de gente. A todos, o bom padre procurava sempre atender ou dar sua bênção.

Em maio de 1941, a situação tornou-se insustentável e Pe. Eustáquio teve que ser transferido. Por onde passava, as multidões acorriam e, assim, não conseguia mais descansar.

Ricos e pobres. Crianças, jovens, adultos e idosos, de todas as classes, 
sociais e/ou culturais: todos eram almas sedentas por se achegarem
ao Beato Padre Eustáquio para ouvir-lhe suas palavras, 
confessarem-se com ele, assistirem às suas Missas e receberem sua
benção: "Saúde e Paz", que curou a muitos! 

Após algumas transferências, foi empossado como vigário da Paróquia de São Domingos em Belo Horizonte, MG, em 7 de abril de 1942. Por ordem dos superiores, somente no confessionário podia atender os não paroquianos, em número reduzido, em horários fixos. Assim podia conduzir o seu apostolado na paróquia como um vigário normalmente faria.

A pedido do bispo, realizou inúmeras atividades em outras paróquias da capital mineira, como retiros, conferências e confissões; o mesmo aconteceu em outras cidades do interior. Era incansável no trabalho pastoral e assim consumiu sua robustez física.


Para a Casa do Pai...

De repente, a notícia alarmante: Pe. Eustáquio adoecera gravemente, picado por um carrapato perigoso, em suas andanças pelas vilas abandonadas de sua paróquia. Contraíra tifo exantemático, mal para o qual não havia tratamento adequado naquele tempo. Diversas vezes havia predito sua morte próxima. Em julho de 1942, quando atendeu a uma senhora acamada havia anos e que pedia a Deus ir para o céu, disse: "A senhora viverá, ainda, por muitos anos. Sou eu quem vai morrer no ano que vem".

Sofreu terrivelmente, mas aguardou a morte com calma e alegria. Dia 30 de agosto de 1943, sua bela alma descansou definitivamente na paz de Deus. Dia 31 foi decretado luto oficial no município de Belo Horizonte, e toda a cidade acorreu para o último adeus.

Em suas exéquias, grande multidão fez fila para se despedir.
do bondoso Padre Eustáquio, querido e amado pelos
fiéis devotos que já o veneravam como um "santo".


Padre Eustáquio era amado e venerado não apenas pelos fiéis, mas, por
todo o clero arquidiocesano de Belo Horizonte. 


Durante cinco anos seu túmulo foi constantemente visitado por gente de todo o Brasil e, em 1949, foi feita a exumação e trasladação para a sepultura definitiva na Igreja dos Sagrados Corações, cuja construção ele mesmo iniciara em 13 de maio de 1943.


Oração

SENHOR JESUS, nosso Bom Pastor, vós que um dia manifestastes imensa compaixão pelo povo, vendo-o como um rebanho sem pastor, nós vos agradecemos o bom pastor que nos destes na pessoa de vosso servo e amigo Pe. Eustáquio. Ele compreendeu vosso exemplo de total amor ao Pai e aos irmãos, ouviu vosso chamado e realizou-o com generosidade.
Senhor, vós o fizestes um sacerdote e missionário, filho dos Sagrados Corações, que se destacou pela dedicação em celebrar os sacramentos, pela paciência no aconselhamento espiritual, pelo zelo no anúncio do Evangelho e pela compaixão com os sofredores e aflitos. Assim, ele viveu sua especial consagração, tornando-se, por vossa graça e por seu esforço, um homem de Deus e do povo, honra para vós e exemplo para todos que continuais a chamar para vossa própria missão. Por isso, conforme vossa vontade, fazemos uma súplica pelos padres, religiosos, missionários e leigos atuantes em nossas comunidades. Que sejam santos, fiéis e numerosos.
Mais ainda, Senhor: nós vos pedimos com humildade e confiança que glorifiqueis vosso servo Pe. Eustáquio, dando à vossa Igreja, e em especial à Igreja do Brasil, a alegria de invocá-lo oficialmente como santo. Para que a fama e a verdade de suas virtudes sempre mais se acentuem entre nós, rogamos, por meio dele, a graça que tanto desejamos...
Ó Bom Pastor, que a abundância da vossa misericórdia não se detenha aí, mas concedei também que nossas vidas sejam animadas por um grande amor para convosco e para com os nossos irmãos, assim como foi a vida do Pe. Eustáquio, que afirmou: "Ganhar almas, aliviar dores e sofrimentos: eis meu grande ideal inspirado por Deus". QUE ASSIM SEJA! AMÉM.




Endereço do Santuário onde estão o túmulo e as relíquias do Beato Padre Eustáquio Van Lieshout:

Santuário da Saúde e da Paz

Rua Padre Eustáquio, 2405 - Padre Eustáquio, Belo Horizonte - MG, CEP 30720-100.


Imagem gerada por IA