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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quinta-feira, 14 de maio de 2026

SÃO MATIAS, Apóstolo do Senhor - 14 de maio. Festa.


Matias é mencionado no primeiro capítulo dos Atos dos Apóstolos, quando é chamado para restaurar o número dos doze, substituindo Judas Iscariotes.

Ele é escolhido por sorteio, através do qual a preferência divina recai sobre ele e não sobre o outro candidato — dentre aqueles que eram discípulos de Cristo desde o Batismo no Jordão — José, chamado Barsabás.

Após o Pentecostes, Matias começa a pregar, mas, nada mais se sabe sobre ele. A tradição transmitiu a imagem de um homem idoso segurando uma alabarda, símbolo de seu martírio.

Mas não há evidências históricas de uma morte violenta. Tampouco é certo que ele tenha morrido em Jerusalém e que as relíquias tenham sido levadas por Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, para Trier, onde são veneradas.

 

Matias, abreviação do nome hebraico Matatias, que significa "dom de Javé", foi escolhido para substituir Judas, o traidor, completando assim o número dos doze apóstolos, representando os doze filhos de Jacó e, portanto, as doze tribos de Israel.

Segundo os Atos apócrifos, ele nasceu em Belém, em uma família ilustre da tribo de Judá. Uma coisa é certa, como afirma São Pedro (Atos 1, 21): Matias foi um dos homens que acompanharam os apóstolos durante todo o tempo em que Jesus Cristo esteve com eles, desde o seu batismo no rio Jordão até a sua ascensão aos céus.

Não é improvável que ele tenha sido um dos 72 discípulos designados pelo Senhor e enviados por ele, como cordeiros entre lobos, dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares que ele iria visitar.

São Matias certamente conhecia o mais desagradável dos apóstolos, Judas, natural de Cariote, aquele que é sempre colocado por último na lista dos Doze e designado com a expressão "aquele que traiu o Senhor".

Durante as peregrinações apostólicas, Jesus e seus discípulos recebiam presentes e ofertas das multidões entusiasmadas e agradecidas pelos enfermos que curavam. Tornou-se, portanto, necessário confiar a um deles a tarefa de administrador. Judas foi o escolhido, mas São João nos conta que ele não foi honesto em seu ofício.

Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi convidado para Betânia, com os apóstolos e seu amigo Lázaro, que havia ressuscitado dos mortos, para um banquete na casa de Simão, o leproso. Enquanto Marta servia, sua irmã Maria pegou meio quilo de um perfume muito caro, feito de nardo puro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os cabelos.

Então Judas Iscariotes protestou: "Por que este perfume não foi vendido por mais de trezentos denários e dado aos pobres?" Mas, ironicamente, São João Evangelista comenta: "Ele disse isso, não porque se importasse com os pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, costumava furtar o que nela era depositado" (João 12, 1-11). Será que ele temia morrer de fome? Será que, ganancioso como era, temia uma velhice triste e solitária? Quando soube que os líderes do Sinédrio procuravam uma maneira de prender Jesus e condená-lo à morte, ganancioso por dinheiro, foi até os principais sacerdotes e prometeu traí-lo por trinta moedas de prata, a compensação estabelecida por lei para a morte acidental de um escravo (Êxodo 21, 32).

Durante a Última Ceia, Jesus aludiu repetidamente ao seu traidor, chegando mesmo a nomeá-lo abertamente (Mt 26, 25). Após a ceia, quando o Senhor se retirou para orar além do vale do Cedrom, o perverso Judas chegou à frente de seus capangas armados com espadas e porretes e, seguindo o sinal que lhes foi dado, entregou-lhe Jesus, beijando-o. O remorso, porém, logo se apoderou de sua alma. O apóstolo, infiel à sua missão, ao saber que o Sinédrio havia condenado a Jesus, que sempre o tratara com bondade, mesmo na hora sombria de sua traição, pegou as trinta moedas de prata, que ardiam em sua mão, e as entregou aos principais sacerdotes e anciãos, lamentando: "Pequei, traindo sangue inocente!". E atirou as moedas de prata no templo, fugiu e, em desespero, sem saber como reagir, foi e se enforcou (Mt 27, 3-5) – observação: tal gesto não significa “arrependimento”. Apenas remorso, o que é bem diferente. Arrependimento exige humildade e confiança em Deus. Remorso é apenas dor de consciência, mas, sem desejo real de conversão e nem de pedir perdão humildemente a Deus, como o fez São Pedro que negou a Jesus por três vezes...

Na Última Ceia, após a revelação do seu traidor, Jesus exclamou: "Ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Melhor lhe fora não haver nascido!" (Mt 26,24). Após a Ascensão de Jesus ao céu, os apóstolos retornaram a Jerusalém, ao Cenáculo. Em uníssono, perseveraram na oração com algumas mulheres, com Maria, a Mãe de Jesus, e com seus primos. Enquanto aguardavam a promessa do Pai, isto é, o Espírito Santo, Pedro, levantando-se no meio dos irmãos (havia uma multidão de cerca de 120 pessoas), começou a dizer: "Era necessário que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo havia predito por meio de Davi a respeito de Judas, o qual se tornou guia dos que prenderam Jesus, por ser um dos nossos, tendo recebido parte neste ministério. Este também, com a recompensa da sua maldade, adquiriu um campo; e, caindo de cabeça, seu ventre se rompeu, e todas as suas entranhas se derramaram. Isso se tornou conhecido de todos os habitantes de Jerusalém; de modo que aquele campo foi chamado na língua deles de haceldama, isto é, campo de sangue. Pois está escrito no livro dos Salmos: 'Fique deserta a sua habitação, e não haja quem a habite'. E ainda: 'Que outro ocupe o seu lugar'." É necessário, portanto, que um dos homens que estiveram conosco durante todo o tempo em que Jesus esteve conosco seja aquele que tomará o seu lugar. "O Senhor Jesus esteve conosco desde o batismo de João até o dia em que foi elevado ao céu, para que se tornasse conosco testemunha da sua ressurreição" (Atos 1, 16-22).


Apresentaram dois: José, cujo sobrenome era Barsabás, mas que também era chamado Justo, e Matias. Então oraram, dizendo: "Senhor, que conheces o coração de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste para assumir este ministério e apostolado, do qual Judas se retirou traiçoeiramente para ir para o seu próprio lugar". Então lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Matias. E foi contado entre os onze apóstolos.

Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E apareceram línguas como que de fogo, separadas e que pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. Ora, estavam vivendo em Jerusalém judeus piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. Ao ouvirem esse som, uma grande multidão se reuniu e ficou admirada, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua (Atos, capítulo 1).

Então Pedro, juntamente com os onze apóstolos, aproximou-se, levantou a voz e explicou que aquele evento havia sido predito pelo profeta Joel e que Jesus, ressuscitado dentre os mortos, havia sido declarado por Deus "Senhor e Messias". Muitos dos que ali estavam, sentindo seus corações transpassados, perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: "Irmãos, o que devemos fazer?" Pedro respondeu: "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos seus pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo".

Os que aceitaram a sua exortação foram batizados, e naquele lugar se uniram cerca de três mil pessoas. E perseveravam na instrução dos apóstolos, nas reuniões da congregação, no partir do pão e nas orações. O temor havia se apoderado de todos, porque muitos sinais e maravilhas eram realizados por meio dos apóstolos. E todos os que Os crentes estavam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens e distribuíam o dinheiro a todos, segundo a necessidade de cada um. Frequentavam juntos o templo diariamente, partiam o pão de casa em casa e comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E o Senhor acrescentava à igreja os que iam sendo salvos dia após dia. (Ibid., cap. 2).


A comunidade dos crentes era de um só coração e alma. Pois entre eles não havia necessitado, porque todos os donos de campos ou casas, ao venderem suas propriedades, traziam o dinheiro da venda e o colocavam à disposição dos apóstolos; e a distribuição era feita a cada um segundo a sua necessidade.

E os apóstolos testemunhavam vigorosamente da ressurreição do Senhor Jesus; e grande bondade era demonstrada para com todos eles. Assim, a multidão de homens e mulheres que creem no Senhor continuava a crescer cada vez mais. (Ibid., caps. 4 e 5).

Então o sumo sacerdote e todos os seus seguidores se mobilizaram. Num acesso de ciúme, agarraram os apóstolos e os lançaram na prisão do povo. Será que um anjo os libertou? Mandaram prendê-los pelo prefeito do templo, onde instruíam o povo sem temor, e, depois de açoitá-los, ordenaram-lhes que jamais falassem em nome de Jesus. Saíram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer insultos por causa desse nome. E todos os dias, no templo e em cada lar, continuaram a ensinar e a proclamar incessantemente a boa nova do Messias Jesus (ibid., cap. 5) até que o martírio de Santo Estêvão, primeiro, e depois a prisão de São Pedro, providencialmente os obrigaram a dispersar-se por todo o mundo então conhecido para fazer discípulos do Mártir do Gólgota entre todas as nações.

Os relatos posteriores a respeito de São Matias são contraditórios. Contudo, todos concordam que ele foi um mártir. Suas relíquias, reais ou presumidas, são veneradas em Roma na Basílica de Santa Maria Maior.

São Matias, Apóstolo do Senhor e sua fiel testemunha até à morte, rogai por nós!


Fonte:

Site: santiebeati.it

Imagens: procuradas na internet por buscador de imagens. 

terça-feira, 5 de maio de 2026

Beato Luís Padilla Gomez e Beato Anacleto González Flores, Leigos e Mártires (mortos na perseguição maçônica à Igreja no México)


Beato Luís Padilla Gomez, Leigo e Mártir (1899-1927)

Nasceu em Guadalajara em 9 de dezembro de 1899. Recebeu uma educação cristã intensa. Em 1917 ingressou no Seminário Conciliar de Guadalajara, onde se destacou por sua conduta impecável; abandonou a instituição em 1921. Dedicou-se a dar aulas aos pobres, sem retribuição. Foi sócio fundador e membro ativo da Associação Católica da Juventude Mexicana, ACJM. Quando a perseguição do Estado contra a Igreja Católica estourou, Luís se afiliou à União Popular. No dia 1º de abril de 1927 foi isolada sua casa pelo Exército Federal, sob as ordens do General Ferreira, que com luxo de força ordenou o saque da morada e a apreensão de seus habitantes: além de Luís, sua velha mãe e uma irmã. Luís foi encaminhado para o Quartel Colorado, suportando golpes e vexações no caminho. Mais tarde, expressou seu desejo de se confessar sacramentalmente; seu companheiro, Anacleto González Flores, o confortou dizendo: “Não é mais hora de se confessar, mas de pedir perdão e de perdoar. É um Pai e não um Juiz que te espera. Seu próprio sangue irá purificá-lo.” Já na parede, enquanto Luís, ajoelhado, oferecia sua vida a Deus com fervorosa oração, os algozes descarregaram suas armas sobre ele.

 

Beato Anacleto González Flores, Mártir (1888-1927)

Anacleto González Flores e nove leigos mártires de Jalisco, que morreram defendendo a fé durante a “Guerra Cristera” desatada no México pela perseguição maçônica, foram beatificados em 20 de novembro de 2005.

Anacleto González Flores, nasceu em Tepatitlán, Jalisco – México - em 13 de julho de 1889. Membro de uma família pobre e numerosa, trabalhou desde muito pequeno para ajudar no sustento familiar. Entretanto, seu amor pela cultura e seu desejo de formar-se para defender a fé ante as agressões anticlericais maçônicas, levou-o a titular-se de advogado em 1922, ano em que contraiu matrimônio.

Dedicou-se a ensinar história e literatura em colégios particulares de Guadalajara e em 1925 foi presidente e fundador da “União Popular de Jalisco”. Desde 1926 lutou arduamente por que não se realizasse a rebelião armada, pois sempre se opôs à violência contra as agressões anticatólicas.

Pelo contrário, foi um bem-sucedido promotor do “boicote” proclamado pelos católicos contra meios de comunicação e negócios maçônicos. Seu exemplo e seus ensinos o converteram em uma figura simbólica amplamente reconhecida e respeitada pela revolução Cristera; por isso foi feito prisioneiro em 1º de abril de 1927, uma primeira sexta-feira de mês.

Logo ao ser capturado, Anacleto começou a ser brutalmente torturado para que revelasse o lugar onde se ocultava o Bispo Orozco e Jiménez. Suspenderam-no em presença de seus companheiros pelos polegares das mãos, enquanto com facas feriam seus pés descalços.

Diante de sua heroica resistência, começaram a rasgar seu corpo com a faca, e foi submetido, segundo seus biógrafos a “outras torturas incontáveis e inenarráveis”.

Quando começaram a torturar aos jovens que tinham sido detidos com ele – e que o acompanhariam no martírio - Anacleto gritou: “Não maltratem a esses moços, se querem sangue aqui está o meu!”.

Anacleto foi desprendido e com o um golpe de culatra lhe destroçaram o ombro. Entretanto, o mártir seguiu alentando a seus companheiros para que não fraquejassem.

Simulou-se então um “conselho de guerra sumaríssimo” que condenou aos prisioneiros à pena de morte “por estar em convivência com os rebeldes”.

Para ouvir a sentença, Anacleto respondeu:

“Uma só coisa direi e é que trabalhei com todo desinteresse por defender a causa de Jesus Cristo e de sua Igreja. Vós me matareis, mas saibam que comigo não morrerá a causa. Muitos vêm atrás de mim dispostos a defendê-la até o martírio. Vou, mas com a segurança de que verei logo desde o céu o triunfo da religião de minha Pátria”.

Um dos jovens, ante a gozação dos soldados, assinalou que desejava confessar-se antes de morrer, mas Anacleto lhe exortou:

“Não irmão, já não é tempo de confessar-se, mas sim de pedir perdão e perdoar! É um Pai e não um juiz o que te espera. Teu mesmo sangue te purificará”.

Em seguida Anacleto começou a recitar o Ato de Contrição, que fizeram coro seus companheiros. Ao finalizar a oração, uma descarga de fuzil acabou com a vida dos outros jovens. Anacleto, ainda de pé apesar de suas terríveis dores, dirigiu-se ao general que presenciava a tortura lhe dizendo:

“General, perdoo o senhor de coração; muito em breve nos veremos ante o tribunal divino; o mesmo juiz que vai me julgar será seu juiz; então terá o senhor um intercessor em mim ante Deus”.


 Beato Anacleto González Flores, Leigo e
Mártir. Patrono dos Leigos Mexicanos

Como os soldados não se atreviam a lhe disparar, o general ordenou a um capitão que o atravessasse com uma baioneta.

Segundo o testemunho de numerosos soldados arrependidos que foram testemunhas do martírio, ferido mortalmente, Anacleto pôde incorporar-se para gritar:

“Pela segunda vez ouçam as Américas este grito: Eu morro, mas Deus não morre. Viva Cristo Rei!”.

Ao dizer “pela segunda vez”, o mártir se referia às mesmas palavras pronunciadas décadas atrás pelo Presidente do Equador Gabriel García Moreno, assassinado a golpes de facão nas escadarias da Catedral de Quito por maçons enfurecidos por ter consagrado o Equador ao Sagrado Coração do Jesus.

O Exército tratou de justificar o assassinato de Anacleto e seus companheiros aduzindo que não tinha sido capturado por ser católico, mas sim por “conspirador e sequestrador”; uma calúnia que, embora ter sido desmentida pela historiografia contemporânea, ainda segue sendo difundida pela maçonaria mexicana.

 

domingo, 3 de maio de 2026

SÃO FELIPE e SÃO TIAGO (dito, "Menor"), Apóstolos do Senhor - Festa em 03 de maio.


São Felipe, Apóstolo do Senhor

Filipe é pouco mencionado nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. João o apresenta pela primeira vez enquanto calcula o custo de alimentar a multidão que seguia Jesus (6, 57). Mais tarde, ele acompanha Jesus, após sua entrada em Jerusalém, alguns "gregos" que vieram para a Páscoa: quase certamente "prosélitos" do judaísmo, de origem pagã (12, 21 ss.).

Na Última Ceia, Filipe é um dos que fazem perguntas ansiosas a Jesus. Ele lhe diz: "Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta", provocando inicialmente um comentário melancólico: "Há tanto tempo estou convosco, e ainda não me conheceis, Filipe?". E então chega, a ele e a todos, a plena explicação: "Quem me vê, vê o Pai".

Após a Ascensão de Jesus, encontramos Filipe com os outros apóstolos e os primeiros fiéis, quando Matias é nomeado no lugar do traidor Judas (Atos dos Apóstolos, capítulo 1). Depois disso, nada mais se sabe sobre ele.

Assim como São Pedro e Santo André, foi morto crucificado, já ancião. 


 



São Tiago, o “Menor”, filho de Alfeu, Apóstolo do Senhor.

Tiago, filho de Alfeu, é chamado de Menor para distingui-lo de Tiago, filho de Zebedeu (e irmão de João), chamado de Maior, que foi venerado durante séculos como Santiago de Compostela.

Pelo Evangelho de Lucas, sabemos que Jesus escolheu doze homens dentre seus seguidores, "aos quais deu o nome de apóstolos" (6, 14), e entre eles estava Tiago, filho de Alfeu, o Menor.

Na Primeira Carta aos Coríntios, Paulo diz que Jesus, após a ressurreição, "apareceu a Tiago e depois a todos os apóstolos".
Eles o chamam de "Justo" por causa da estrita integridade de sua vida.

Ele encontra Paulo, outrora um severo perseguidor dos cristãos e agora um convertido, e o acolhe em amizade, juntamente com Pedro e João. Depois, no "Concílio de Jerusalém", ele os convida a "não incomodarem" os convertidos do paganismo com a imposição de tantas regras tradicionais.

Em suma, ele segue o exemplo de Paulo. Após o martírio de Tiago Maior em 42 d.C. e a partida de Pedro, Tiago tornou-se líder da comunidade cristã em Jerusalém (foi seu primeiro bispo).

 Ele também é o autor da primeira das "Epístolas Católicas" do Novo Testamento. Nela, ele se dirige às "doze tribos dispersas pelo mundo", ou seja, aos cristãos de origem judaica que viviam fora da Palestina.

É como uma encíclica primitiva: sobre oração, esperança, caridade e também (com expressões muito enfáticas) o dever da justiça. Segundo o historiador Eusébio de Cesareia, Tiago foi morto a "pauladas" (ficou com o seu corpo desfigurado) em 63 d.C. durante uma revolta popular instigada pelo sumo sacerdote Hanan, que mais tarde foi destituído do cargo por esse crime.





sexta-feira, 1 de maio de 2026

SÃO JOSÉ, Patrono e Modelo de todos os trabalhadores e operários - Festa do dia 01 de Maio.


São José, modelo e patrono para
todos os trabalhadores e operários. 
Ordens e congregações religiosas, associações e uniões piedosas, sacerdotes e leigos, eruditos e ignorantes, colocaram-se sob sua proteção. Talvez nem todos saibam que o Papa São João XXIII, recentemente canonizado, ao ascender ao trono papal, cogitou a ideia de ser chamado José, tamanha era sua devoção ao santo carpinteiro de Nazaré. Nenhum pontífice jamais escolheu esse nome, que, na verdade, não pertence à tradição da Igreja, mas o "Papa bom" teria sido chamado de bom grado “José I”, se fosse possível, precisamente pela profunda veneração que sentia por este grande santo.



O grande e Santo Patriarca São José, o maior dos Santos

Grande, e ainda hoje em grande parte desconhecido. O anonimato, ao longo de toda a sua vida e após a sua morte, parece ser quase a "assinatura", a marca distintiva de São José. Como bem observou Vittorio Messori, "permanecer oculto e emergir apenas gradualmente ao longo do tempo parece fazer parte do extraordinário papel que lhe é atribuído na história da salvação".

 

O Novo Testamento não atribui uma única palavra a São José. Quando a vida pública de Jesus começou, ele provavelmente já havia desaparecido (de fato, não é mencionado no casamento em Caná), mas não sabemos nem onde nem quando morreu; não conhecemos seu túmulo, enquanto conhecemos o de Abraão, que é séculos mais antigo.

O Evangelho lhe dá o título de Justo. Na linguagem bíblica, uma pessoa "justa" é aquela que ama o espírito e a letra da Lei, como expressão da vontade de Deus.

José descendia da casa de Davi; sabemos que era um artesão que trabalhava com madeira. Ele não era nada velho, como a tradição hagiográfica e certas iconografias o apresentam, segundo o clichê do "bom e velho José" que se casou com a Virgem de Nazaré para ser o pai adotivo do Filho de Deus. Ao contrário, era um homem no auge da vida, com um coração generoso e rico em fé, sem dúvida apaixonado (obviamente, pela altíssima castidade de sua alma, não uma “paixão carnal”) por Maria. Ele ficou noivo dela segundo os costumes e tradições de sua época.

Para os judeus, o noivado era equivalente ao casamento, durava um ano e não dava origem à coabitação ou vida conjugal entre os dois; finalmente, realizava-se uma festa durante a qual a noiva era apresentada à casa do noivo, iniciando assim a vida de casada.

Se uma criança fosse concebida nesse ínterim, o noivo cobria o recém-nascido com seu nome; se a noiva fosse considerada culpada de infidelidade, podia ser denunciada ao tribunal local. O procedimento a ser seguido era vergonhoso: a adúltera era condenada à morte por apedrejamento.

Ora, no Evangelho de São Mateus, lemos que "Maria, estando prometida em casamento a José, achou-se estar grávida pelo Espírito Santo, antes de irem viver juntos. Seu marido José, sendo homem justo e não querendo expô-la à desonra, resolveu deixá-la secretamente" (Mt 18-19). Enquanto ainda estava indeciso sobre o que fazer, eis que surge o Anjo do Senhor para lhe tranquilizar: “José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria, sua esposa, pois o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você lhe dará o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1, 20-21).

José podia aceitar o plano de Deus ou não. Em toda vocação que se preze, o mistério do chamado é sempre contraposto pelo exercício da liberdade, visto que o Senhor jamais viola a intimidade de suas criaturas nem interfere em seu livre-arbítrio. José podia, então, aceitar ou não. Por amor a Deus, a Maria e ao futuro Messias – Deus feito homem - , ele aceita; nas Escrituras lemos que “ele fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa em casa” (Mateus 1,24). Ele prontamente obedeceu ao Anjo e, assim, disse sim à obra da Redenção. Portanto, quando olhamos para o “sim” de Maria, devemos também pensar no “sim” de José ao plano de Deus.

Superando toda a prudência terrena e transcendendo as convenções e costumes sociais de seu tempo, ele foi capaz de fazer triunfar o amor, mostrando-se receptivo ao mistério da Encarnação do Verbo.

Entre seus fiéis, ele é o primeiro em ordem cronológica e em grandeza: São José é, sem dúvida, o primeiro devoto de Maria. Assim que tomou conhecimento de sua missão, dedicou-se a ela com todas as suas forças. Foi esposo, guardião, discípulo, guia e amparo de Maria: tudo. (...)


O casamento de Maria e José foi verdadeiro? Esta é a pergunta que mais frequentemente surge nos lábios tanto dos estudiosos quanto dos fiéis comuns. Sabemos que o matrimônio deles foi uma coabitação conjugal vivida na virgindade (cf. Mateus 1,18-25), isto é, um casamento virginal, mas, um casamento, ainda assim, vivido na mais plena e verdadeira comunhão: "uma comunhão de vida que vai além do eros, uma relação conjugal que envolve um amor profundo, mas não orientada para o sexo e a procriação" (São José de Fiores).

Se Maria vive pela fé, José não o é menos. Se Maria é um modelo de humildade, a humildade de seu esposo também se reflete nesta. Maria amava o silêncio, José também: entre eles existia, e não poderia existir de outra forma, uma comunhão conjugal que era uma verdadeira comunhão de corações, cimentada por profundas afinidades espirituais. “O casal Maria e José constitui o ápice”, disse São João Paulo II, “de onde a santidade se espalha por toda a terra” (Redemptoris Custos, n. 7).

Ó que mistério! São José ensina
àquele que é o Criador do universo
o ofício da carpintaria. Quanta
humildade e submissão à Vontade
Divina, inacessível à mente humana.

A conjugalidade de Maria e José, na qual se prenuncia a primeira “Igreja doméstica” da história, antecipa, por assim dizer, a condição final do Reino (cf. Lucas 20,34-36; Mateus 22,30), tornando-se, assim, já na terra, uma prefiguração do Paraíso, onde Deus será tudo em todos, e onde só existirá o eterno, só a dimensão vertical da existência, enquanto o humano será transfigurado e absorvido no divino.

A sublime devoção a São José.

"Qualquer graça que for pedida a São José certamente será concedida”. “Quem quiser crer, que o faça para que se convença", argumentou Santa Teresa de Jesus (ou de Ávila). "Tomei como meu glorioso São José o meu advogado e patrono e recomendei-me fervorosamente a ele. Este meu pai e protetor ajudou-me nas necessidades em que me encontrava e em muitas outras mais graves, nas quais estavam em jogo a minha honra e a saúde da minha alma. Vi que a sua ajuda era sempre maior do que eu poderia ter esperado..." (ver capítulo VI da Autobiografia). É difícil duvidar disso, se considerarmos que, entre todos os santos, o humilde carpinteiro de Nazaré é o mais próximo de Jesus e Maria: esteve na terra, e ainda mais no céu. Porque foi o pai de Jesus, ainda que adotivo, e o esposo de Maria.

As graças que se obtêm de Deus ao recorrer a São José são verdadeiramente inumeráveis. Padroeiro universal da Igreja por vontade do Beato Papa Pio IX, também é conhecido como padroeiro dos trabalhadores, dos moribundos e das almas do purgatório, mas seu patrocínio se estende a todas as necessidades, atendendo a todos os pedidos. São João Paulo II confessou que rezava a ele diariamente. Reconhecendo sua devoção pelo povo cristão, em sua honra, em 1989, escreveu a Exortação Apostólica Redemptoris Custos, acrescentando seu nome a uma longa lista de seus predecessores devotos: Beato Pio IX, São Pio X, Pio XII, São João XXIII e São Paulo VI.



São José, o último e maior de todos os Patriarcas. 

 

Fonte:

Site: “Santi, Beati e Testemoni”.

SANTA CATARINA DE SENA (ou de Siena), Virgem terciária dominicana, mística estigmatizada e Doutora da Igreja

Ao pensar em Santa Catarina de Sena, três aspectos dessa mística em quem os planos naturais foram subvertidos vêm à mente: sua total entrega a Cristo, sua sabedoria infusa e sua coragem

Os dois símbolos que caracterizam a iconografia de Catarina são o livro e o lírio, que representam, respectivamente, a doutrina e a pureza. A insistência da iconografia antiga em símbolos doutrinais e, sobretudo, a obra-prima Diálogo da Divina Providência (também conhecida como Livro da Divina Doutrina), o excepcional Ensaio Epistolar e a coletânea de Orações foram decisivos para a proclamação de Santa Catarina como Doutora da Igreja, que ocorreu em 4 de outubro de 1970, por ordem de Paulo VI (1897-1978), sete dias após a de Santa Teresa de Ávila (1515-1582).

Catarina (do grego: mulher pura) viveu num momento histórico e numa terra, a Toscana, de grande riqueza espiritual e cultural, cujo cenário artístico e literário fora repleto de figuras como Giotto (1267-1337) e Dante (1265-1321), mas, ao mesmo tempo, dilacerado por tensões e lutas políticas fratricidas, onde a discórdia entre guelfos e gibelinos prevalecia.

Vida:

Ela nasceu em Siena, no bairro de Fontebranda (atual Nobile Contrada dell'Oca), em 25 de março de 1347: era a vigésima quarta dos vinte e cinco filhos de Jacopo Benincasa, um tintureiro, e Lapa di Puccio de' Piacenti. Giovanna era sua irmã gêmea, mas morreu ainda bebê. A família Benincasa, um patronímico, ainda não um sobrenome, pertencia à classe média baixa. Ela tinha apenas seis anos quando Jesus lhe apareceu, vestido majestosamente como o Sumo Pontífice, com três coroas na cabeça e um manto vermelho, ao lado do qual estavam os Santos Pedro, João e Paulo. O Papa estava em Avignon na época, e o cristianismo estava ameaçado por movimentos heréticos.


Aos sete anos, ela já havia feito voto de virgindade. Oração, penitência e jejum agora pontuavam seus dias, não deixando espaço para brincadeiras. Seu primeiro biógrafo, o Beato Raimundo de Cápua (1330-1399), fala de sua precoce vocação na Legenda Maior. Ele foi confessor de Santa Catarina e tornou-se superior geral da Ordem Dominicana. Nessas páginas, aprendemos como a mística sienense empreendeu, desde a infância, o caminho da perfeição cristã: reduziu a alimentação e o sono; aboliu a carne; comia ervas cruas e algumas frutas; usava cilício...

Foi aos Dominicanos que a jovem Catarina, aspirando a ganhar almas para Cristo, se voltou para atender ao chamado urgente. Mas, antes de realizar sua aspiração, teve que vencer a forte resistência de seus pais, que queriam casá-la. Ela tinha apenas 12 anos, mas reagiu com firmeza: cortou os cabelos, cobriu a cabeça com um véu e se isolou em casa. Um dia, seu pai presenciou um evento decisivo: viu uma pomba pairando sobre a filha em oração. Em 1363, vestiu o hábito do mantelato (uma capa preta sobre o hábito branco dos Dominicanos); uma escolha incomum para a ordem laica, composta principalmente por mulheres maduras ou viúvas que continuavam a viver no mundo, mas faziam votos de obediência, pobreza e castidade.

Santa Catarina, perante sua mãe, faz voto a Deus de virgindade perpétua com apenas
7 anos. Aos doze anos (vide imagem acima), corta seus cabelos e reveste-se
com o hábito das "mantelatas", como sinal de sua consagração. 


Catarina estudava as leituras sagradas, apesar de ser analfabeta: recebeu do Senhor o dom da leitura e também aprendeu a escrever, mas, mesmo assim, frequentemente utilizava o método do ditado.

No final do Carnaval de 1367, ocorreu o casamento místico: de Jesus, ela recebeu um anel adornado com rubis. Entre Cristo, o amado acima de tudo, e Catarina, estabeleceu-se uma relação de intimidade muito especial e intensa comunhão, a ponto de culminar numa troca física de corações. Cristo, agora e em todos os sentidos, vivia nela (Gl 2,20).

Ela iniciou sua intensa obra de caridade em favor dos pobres, dos doentes e dos presos, e, enquanto isso, sofria indizivelmente pelo mundo, que estava à mercê da desintegração e do pecado; A Europa estava assolada por pestes, fomes e guerras: "A França presa da guerra civil; a Itália invadida por companhias mercenárias e dilacerada por conflitos internos; o reino de Nápoles subjugado pela inconstância e luxúria da rainha Joana; Jerusalém nas mãos dos infiéis, e os turcos avançando na Anatólia enquanto os cristãos guerreavam entre si" (F. Cardini, I santi nella storia, San Paolo, Cinisello Balsamo -MI-, 2006, Vol. IV, p. 120). Fome, doença, corrupção, sofrimento, opressão, injustiça…

As cartas

As cartas que a mística ousa escrever ao Papa em nome de Deus são verdadeiros fluxos de lava, documentos de uma realidade que envolve o céu e a terra. O estilo, inteiramente catarinense, brota de dentro, de uma necessidade interior: ele traz a realidade contingente para o divino, imergindo, com uma força iridescente e irresistível de amor, homens e circunstâncias no reino sobrenatural. Assim, suas epístolas são uma mistura de prosa e poesia, onde os apelos às autoridades, tanto religiosas quanto civis, são firmes e intransigentes, porém imbuídos de um sentimento maternal: "Uma mulher delicada, essa gigante de vontade; uma filha e irmã doce, essa severa admoestante de Papas e reis; as repreensões e ameaças que ela ousa lançar são imbuídas de afeto inabalável" (G. Papàsogli, Caterina da Siena, Fabbri Editori RCS, Milão 2001, p. 201). Ela usa expressões estrondosas, clamando por virilidade nas escolhas e ações, mas também pode ser terna, como só um espírito feminino pode revelar.

A poesia da mulher que escreve ao Papa: "Ai, padre, estou morrendo de tristeza e não consigo morrer", é composta de sublimes alturas e deslumbrantes iluminações divinas. Contudo, ao mesmo tempo, sabendo o que é o pecado e para onde ele leva, ela toca abismos de náusea indizível, pois Catarina mergulha seu pensamento na tinta da realidade como um todo, feita de bem e mal, anjos e demônios, natureza e o sobrenatural, onde o contingente encontra e se confronta com o Eterno.


Pela causa de Cristo.

Uma próspera "família espiritual", composta por sociedades e sociedades religiosas, confessores e secretários, vive em torno desta mãe que instiga, apoia, convida, com força e incansavelmente, à Causa de Cristo, chegando a pressionar, como pacificadora, famílias importantes como os Tolomei, os Malavolti, os Salimbeni, os Bernabò Visconti...

Santa taumaturga e grande mística:

Lutas com o demônio, levitações, êxtases, bilocações, conversas com Cristo, o desejo de se fundir com Ele e a primeira morte do amor puro, quando o amor teve a força da morte e sua alma se libertou da carne... por um breve período de tempo.

Como outros santos, ela recebeu os estigmas (1375). O milagre da cura do capelão do hospital de Siena é famoso: com uma exortação para se levantar, o sacerdote foi instantaneamente curado! 


Uma Santa Católica, Apostólica e Romana...

Os temas em que Catarina se concentrou foram: a pacificação da Itália, a necessidade da Cruzada, o retorno da sede papal a Roma e a reforma da Igreja. Após a peste em Siena, durante a qual continuou a prestar-lhe cuidados atenciosos, em 1 de abril de 1375, na igreja de Santa Cristina, recebeu os estigmas incruentos. 

Nesse mesmo ano, tentou dissuadir os líderes das cidades de Pisa e Lucca de aderirem à Liga Antipapal promovida por Florença, que se opunha aos legados papais, os quais deveriam estar a preparar o regresso do Papa a Roma. No ano seguinte, partiu para Avignon, onde chegou em 18 de junho para se encontrar com Gregório XI (1330-1378), que, persuadido pela intrépida Catarina, retornou à cidade de São Pedro em 17 de janeiro de 1377. No ano seguinte, o Pontífice faleceu e foi sucedido por Urbano VI (1318-1389), mas parte do colégio de cardeais preferiu Roberto de Genebra, que adotou o nome de Clemente VII (1342-1394, antipapa), dando origem ao grande Cisma do Ocidente, que durou quarenta anos e foi resolvido no Concílio de Constança (1414-1418) com a renúncia de Gregório XII (1326-1417), que anteriormente havia legitimado o próprio Concílio, e a eleição de Martinho V (1368-1431), bem como com as excomunhões dos antipapas de Avignon. (Bento XIII, 1328–1423) e Pisa (João XXIII, 1370–1419).


Na audiência geral de 24 de novembro de 2010, Bento XVI afirmou, referindo-se especificamente a Santa Catarina: "O século em que ela viveu – o século XIV – foi uma época conturbada para a vida da Igreja e para todo o tecido social na Itália e na Europa. No entanto, mesmo nos momentos de maior dificuldade, o Senhor não deixa de abençoar o seu povo, suscitando santos que comovem mentes e corações, promovendo a conversão e a renovação."

Amando Jesus ("Ó Louco de amor!"), a quem ela descreve como uma ponte entre o Céu e a Terra, Catarina amava os sacerdotes porque eles eram dispensadores, através dos Sacramentos e da Palavra, do poder salvador. A alma daquela que iniciou suas ardentes e vivificantes cartas com "Eu, Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo, escrevo-vos em seu precioso sangue", alcançou a bem-aventurança eterna em 29 de abril de 1380, aos 33 anos, a mesma idade de Cristo, em quem se perdeu para reencontrar sua essência autêntica.


Patrona e Co-Patrona de muitas "causas"...

Ela foi proclamada Doutora da Igreja e é co-padroeira da Europa, Itália e Roma. Padroeira de Siena, do Centro Italiano de Mulheres (Cif) e das Enfermeiras Voluntárias da Cruz Vermelha Italiana, ela é a protetora dos jovens em idade de casar, estudantes, escoteiros, lavadeiras, mensageiros, ciclistas, costureiras, enfermeiras, enfermos e hospitais.




 

Cabeça de Santa Catarina de Sena, 
milagrosamente ainda bem preservada.
Naqueles tempos, era muito comum que
"pedaços" e até membros inteiros de 
Santos e Santas fossem cortados e mandados
para outras igrejas, conventos de sua Ordem
ou santuários. Assim aconteceu com: Santa
Teresa de Jesus (de Ávila), São João da Cruz,
São Francisco Xavier e outros... 



Fonte

site: Santiebeati.it

 

 

 

 



quinta-feira, 30 de abril de 2026

SÃO PIO V, PAPA - 30 de abril

Sua Vida

Entre as maiores glórias do Piemonte destaca-se o grande pontífice São Pio V, nascido Antonio Michele Ghisleri em Bosco Marengo (Alessandria), onde nasceu em 27 de janeiro de 1504, em uma família nobre.

Para sobreviver, trabalhou como pastor até que, aos quatorze anos, ingressou na Ordem Dominicana de Voghera. Em 1519, professou os votos solenes em Vigevano, completou seus estudos na Universidade de Bolonha e, em 1528, foi ordenado sacerdote em Gênova.

Durante dezesseis anos, lecionou filosofia e teologia e, posteriormente, serviu como prior dos conventos de Vigevano e Alba, sendo rigoroso em suas observâncias religiosas, tanto consigo mesmo quanto com seus irmãos.

Mais tarde, nomeado inquisidor em Como, empregou todas as suas forças para impedir a introdução secreta das doutrinas protestantes na Lombardia. Seu vigor e inteligência logo atraíram a atenção do Cardeal Giampietro Carata, que lhe garantiu a nomeação como Comissário Geral do Santo Ofício. Quando se tornou Papa Paulo IV, elegeu Ghisleri primeiro Bispo de Sutri e Nepi, e depois Cardeal em 1557, com a função de Inquisidor Geral de toda a Cristandade.

Após a eleição de Pio IV em 1560, o Cardeal Ghisleri foi nomeado bispo de Mondovì, mas logo teve que retornar a Roma para lidar com oito bispos franceses acusados ​​de heresia.

Ele não tinha relações particularmente cordiais com o novo papa, cujas visões mundanas e nepotistas ele desaprovava amargamente. Após a morte deste, o próprio Ghisleri foi chamado para sucedê-lo, por sugestão de São Carlos Borromeu, sobrinho do falecido Papa. No dia de sua coroação, em vez de o povo atirar moedas, como era costume, o novo Pio V optou por fornecer assistência domiciliar a muitos dos necessitados de Roma. Mesmo como Papa, ele continuou a usar o hábito dominicano branco, a descansar em um colchão de palha e a comer legumes e frutas, dedicando todo o seu dia ao trabalho e à oração.

Ele imediatamente conquistou a admiração e o respeito de todos por sua piedade, austeridade e amor à justiça. Os cardeais, acreditando ser apropriado ter um sobrinho do Papa no Colégio dos Príncipes da Igreja, persuadiram o pontífice a conferir a púrpura ao dominicano Michele Bonelli, filho de sua irmã, para auxiliá-lo na condução de seus assuntos. Ele concedeu a entrada do filho de seu irmão na milícia Papal, mas o expulsou do território do Estado assim que soube que ele estava envolvido em relações ilícitas.

Também reprimiu impiedosamente os abusos na corte papal, reduzindo pela metade o número desnecessário de pessoas para alimentar e nomeando uma comissão especial para supervisionar a cultura e os costumes do clero, que na época deixavam muito a desejar.

fNa implementação das disposições do Concílio de Trento, foi auxiliado por Monsenhor Niccolò Ornamelo, anteriormente braço direito de San Carlo, em Milão. Os padres foram proibidos de praticar simonia, espetáculos, jogos, banquetes públicos e frequentar tabernas. Os bispos eram obrigados a se submeter a um exame preliminar para verificar sua idoneidade, residência, sob pena de perda do título, fundação de seminários e criação das chamadas Confrarias do Catequese.

Na Cúria, Pio V organizou a Penitenciária, criou a Congregação do Índice para o exame de livros contrários à fé, assistia pessoalmente às sessões da Inquisição e, por vezes, concedia audiências ao povo por até dez horas seguidas.

Sua maior preocupação era com os pobres, a quem ouvia pacientemente e até mesmo confortava com auxílio financeiro. O Papa se alegrava em poder participar de manifestações públicas de fé, apesar do sofrimento causado por cálculos renais, visitar hospitais, cuidar pessoalmente dos doentes e exortá-los à resignação.

Sugeriu que os Irmãos de São João de Deus abrissem um novo hospício em Roma. Durante a fome de 1566 e as epidemias subsequentes, distribuiu somas consideráveis ​​aos necessitados e organizou serviços de saúde. Para arrecadar as enormes quantias necessárias, tomou medidas para eliminar quaisquer despesas desnecessárias, chegando a mandar adaptar as vestes de seus antecessores à sua estatura.

Apesar de seu estilo de vida austero, o papa conseguiu prevalecer sobre seus adversários e inspirar os demais prelados e dignitários da Cúria Romana a um maior espírito de devoção e penitência.

Para garantir a uniformidade do ensinamento, em conformidade com as diretrizes do Concílio de Trento, que exigia um texto claro e abrangente da doutrina cristã, Pio V confiou sua redação a três dominicanos e o publicou em 1566.

No ano seguinte, proclamou Santo Tomás de Aquino "Doutor da Igreja", exigindo que as universidades estudassem a Suma Teológica e publicando uma edição completa e precisa de todas as obras teológicas do santo em 1570.

No campo litúrgico, a visão de futuro deste pontífice se deve à publicação do novo Breviário e do novo Missal, ou seja, o famoso rito da Missa ainda hoje conhecido pelo nome de São Pio V.

No campo da música, nomeou também Palestrina como mestre de coro da capela papal. Seu mérito também foi promover a atividade missionária enviando religiosos às Índias Orientais e Ocidentais e insistindo para que os espanhóis não escandalizassem os nativos em suas colônias.

Para combater a imoralidade desenfreada entre o povo romano, o pontífice puniu a mendicância e a blasfêmia, proibiu as touradas e as celebrações do Carnaval e expulsou diversas cortesãs de Roma.

Para proteger os católicos da usura judaica, ele favoreceu os chamados Monti di Pietà, relegando os judeus a bairros especiais da cidade. Embora não tivesse aptidão particular para a administração pública, não negligenciou o bem-estar de seus súditos, construindo novas estradas e aquedutos, promovendo a agricultura por meio da recuperação de terras, modernizando fortalezas defensivas e dedicando especial atenção aos hospitais.



Paralelamente à administração pública, Pio V trabalhou vigorosamente para defender a pureza da fé. Durante seu pontificado, Antonio Paleario e Pietro Carnesecchi, ex-protonatórios apostólicos, sofreram a pena máxima por terem se convertido ao protestantismo, e os Umiliati foram reprimidos por se oporem às reformas de Borromeu em Milão.

Ele também excomungou e "depôs" a Rainha Elizabeth I da Inglaterra, culpada pela morte de sua prima Maria Stuart e, assim, pelo agravamento da opressão aos católicos ingleses. Enviou Gian Francesco Commendone à Alemanha como legado papal, numa tentativa de impedir que o Imperador Maximiliano II escapasse à jurisdição da Santa Sé. Enviou suas próprias tropas à França para combater os huguenotes, que eram tolerados pela Rainha Catarina de Médici.

Pio V instou o rei espanhol Filipe II a reprimir o fanatismo anabatista nos Países Baixos. Michael Baio, professor da Universidade de Lovaina e precursor do jansenismo, mereceu condenação por suas teses heréticas. São Pedro Canísio, a pedido do papa, refutou os Séculos de Magdeburgo, a primeira história eclesiástica tendenciosa compilada por protestantes.

Mas o episódio mais famoso da vida deste grande pontífice, o único piemontês a ter sido elevado ao trono de Pedro em dois mil anos de cristianismo, é sem dúvida a sua intervenção na Batalha de Lepanto. Para afastar a ameaça perpétua que os turcos representavam para o mundo cristão, o santo papa trabalhou tenazmente para organizar uma liga de príncipes, particularmente após a captura de Famagusta, heroicamente defendida pelo veneziano Marcantonio Bragadin em 1571, que, após a rendição, foi esfolado vivo.

Às frotas papais juntaram-se as frotas espanhola e veneziana, sob o comando supremo de Dom João da Áustria, filho natural do imperador Carlos V. O fatídico confronto com os turcos, então no auge do seu poder, ocorreu a 7 de outubro de 1571, no Golfo de Lepanto, durando do meio-dia às cinco da tarde, e terminando com uma vitória cristã.

Ao mesmo tempo, Pio V, ocupado com outros deveres, apareceu subitamente à janela, permaneceu em êxtase por alguns instantes, olhando para o leste, e finalmente exclamou: "Deixemos de nos preocupar com os negócios. Vamos agradecer a Deus pela vitória da frota veneziana."



Em comemoração ao feliz acontecimento que mudou o curso da história, foi instituída a festa litúrgica do Santo Rosário em 7 de outubro, oração à qual o Papa mais tarde atribuiria a vitória. O Senado veneziano, de fato, mandou pintar a cena da batalha no salão da assembleia com a inscrição: "Não foi a força, nem as armas, nem os comandantes, mas o Rosário de Maria que nos tornou vitoriosos!"

Contudo, Pio V estava então debilitado por uma doença, a hipertrofia prostática, para a qual, por pudor, preferiu não se submeter à cirurgia. Reunindo os cardeais ao redor de seu leito de morte, dirigiu-lhes estas recomendações: "Recomendo a vocês a Santa Igreja, que tanto amei! Busquem eleger para mim um sucessor zeloso, que busque somente a glória do Senhor, que não tenha outros interesses aqui na Terra senão a honra da Sé Apostólica e o bem da Cristandade."

Assim, faleceu em 1º de maio de 1572. Seus restos mortais repousam até hoje na Basílica Patriarcal de Santa Maria Maior, em Roma. O Papa Clemente X beatificou seu predecessor cem anos depois, em 27 de abril de 1672, e somente Clemente XI o canonizou em 22 de maio de 1712.


Urna com os restos mortais (cobertos por estátua jacente) do grande Papa São Pio V.