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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

terça-feira, 15 de setembro de 2026

NOSSA SENHORA DAS DORES, Festa - em 15 de setembro.

     


 O dia 15 de setembro é a festa da Bem-Aventurada Virgem Maria das Dores, aquela que experimentou o mais puro martírio, consumida momento a momento e terrível no instante final da Cruz. Assim, adornada com a Coroa do Martírio, ela é gloriosamente invocada pela Igreja com o título de "Rainha dos Mártires".
 

 

Primeira meditação sobre as Dores de Maria: 

Porque o martírio de Maria veio de Jesus...

Este título de Rainha dos Mártires não parece honrar Maria, assim como não honraria a rosa chamar-se "Rainha dos Espinhos". Contudo, tendo feito do martírio de Jesus o seu próprio, Maria coroou-se com os Seus espinhos e foi tingida com o Seu divino Sangue.

E, assim como é glória de Jesus ser o Rei dos Mártires, também o é orgulho de Maria ser a sua Rainha. Ela possui esta grande supremacia sobre todos os mártires por muitas razões poderosas.

A primeira é: porque toda a razão do seu martírio veio de Deus. Todos os outros mártires foram atormentados por tiranos e carrascos, que dilaceraram seus corpos com espadas e machados; enquanto Maria foi supremamente afligida por Deus em sua alma, que sente uma dor muito maior do que o corpo. E, como seu amor por Jesus foi o instrumento de seu sofrimento, segue-se que, como o amor de Jesus era infinito, assim como o amor de Maria por Ele era supremo, também o era sua dor.

A dor de Maria foi muito maior do que a dor dos outros mártires, assim como a dor causada por um Deus crucificado é maior do que a provocada por um homem que crucifica, pela mão de Deus mais do que pela mão do homem, por um Sujeito (o Verbo Eterno) Encarnado mais do que por um sujeito terreno. Portanto, o seráfico São Boaventura chega a preferir a dor de Maria à dor do próprio Cristo! Pois as chagas divididas no Corpo de Jesus foram, em vez disso, unidas e, portanto, mais intensamente dolorosas no Coração de Maria.

Contudo, é mais correto concordar com o Doutor Angélico de que a dor de Cristo foi maior, visto que Ele sofreu em sua Alma e em seu corpo, para reparar a Justiça divina e o pecado de toda a humanidade. Maria sofreu imensamente, mas, em união com as dores de Cristo, atuou como “corredentora” ou “colaboradora”, “partilhando” com Ele seus padecimentos e sofrimentos, tanto exteriores quanto interiores; no entanto, o único Redentor e Salvador é Cristo.

A Carne e a Alma Santíssimas de Jesus, isto é, sua Santíssima e Imaculada Natureza Humana, unida à Natureza Divina do Verbo, sofreram imensamente. Porém, essa “carne de Jesus” era a mesma carne de Maria, isto é: toda a genética da humanidade de Cristo foi formada pela genética de Maria. Maria, portanto, sofreu também (muito mais que muitos santos e santas estigmatizados) em sua carne, mas padeceu ainda mais — muito mais — em sua alma santíssima e imaculada, que é mais nobre que seu próprio santíssimo corpo e, portanto, mais sensível; e sofreu a ponto de ser privada da vida: Eius dolor fuit maximum inter dolores praesentis vitae. Ah, Maria! E quem poderá compreender tuas dores, se estas devem ser medidas de alguma forma pelas forças da Onipotência divina que quis que fosses afligida, e se são tais que, por assim dizer, rivalizam com as próprias dores de Cristo!

...e foi a mais próxima da de Jesus.

Como Maria, aqui na terra, foi a mais semelhante em virtude ao seu Divino Filho, e como no Céu ela se senta mais perto dele em glória (In regni solio – diz São Jerônimo – sublimata post Christum gloriosa resedit), ela também foi a mais próxima dele nas dores de um cruel martírio.

Assim como Jesus foi coroado com um diadema de dores pela sua “madrasta” sinagoga, sua Mãe Maria também veio depois dele, coroada de dores.

E assim se cumpre a profecia de Joel (cap. 2): O sol se transforma em trevas e a lua em sangue; ambos se escurecem porque o mesmo eclipse da Paixão, que obscureceu o verdadeiro Sol da justiça, Jesus, encheu a lua mística, Maria, de trevas e sangue.

Assim, se Jesus empalideceu, a Mãe definhou; se Jesus foi ferido, Maria desmaiou; se Jesus foi crucificado, Maria permaneceu crucificada. Em suma, Jesus e Maria tinham dois Corações em tão bela harmonia que os mesmos afetos que Um concebia, o outro também concebia: In corde, et corde loquuti sunt.

Somente a Virgem era santa de dois Corações, isto é, de um Coração dado a Ela por Deus Criador e de um Coração dado a Ela por Cristo Redentor. Assim, sua dor era ao mesmo tempo regulada por seu próprio Coração e pelo Coração de Cristo, que a penetrava.

Portanto, visto que Maria foi mártir com Cristo e fez do martírio d'Ele o seu próprio, o seu martírio foi mais nobre do que todos os outros; e ela é justamente invocada como Rainha dos mártires. Ah, Maria! Teu martírio é tão ilustre que não sei se devo contemplá-lo ou invejá-lo.


...tudo foi por Jesus, da maneira mais nobre e dolorosa.

Santo Ildefonso, ao falar das dores de Maria, não hesitou em afirmar que estas foram maiores do que todos os tormentos de todos os mártires juntos. E a verdade do que foi dito pode ser comprovada por muitas razões:

1) Porque todos os mártires sofreram no corpo e Maria sofreu em seu corpo santíssimo e imaculado, porém, mais ainda, em sua santíssima alma;

2) Porque, como argumenta Santo Antonino, Arcebispo de Florença, o martírio é tanto mais nobre e doloroso quanto mais nobre for a vida dada por Deus. Portanto, visto que Maria sacrificou a vida de seu Filho, que era ao mesmo tempo a mais nobre de todas e amada por ela mais do que a sua própria, segue-se que a coroa de Maria foi maior do que a de todos os outros, tornando-a Rainha de todos os mártires;

3) Porque os outros mártires sofreram apenas durante o tempo em que foram torturados pelos tiranos, enquanto o martírio de Maria durou toda a sua vida;

4) Porque Maria amava seu Filho mais do que a si mesma. Consequentemente, os tormentos e a morte de seu Filho foram muito mais dolorosos para ela do que os tormentos e a sua própria morte, como afirma o Beato Amadeu. E, finalmente, porque, como diz Alberto Magno, Maria sofreu uma dor tão grande que foi suficiente para matá-la várias vezes; e, portanto, ela foi fortalecida por Deus com um milagre para suportar um tormento insuportável para a vida humana. Assim, ele conclui que Maria merece, com justiça, preeminência sobre todos os mártires: "Portanto, ela recebeu a graça do martírio e a coroa dos mártires, e sua coroa era maior do que a coroa de todos os outros mártires." Ah, Maria! Já que você é mártir, mais do que mártir, e Rainha dos mártires, só você é digna de ser mais digna de compaixão do que todos os mártires juntos.

Quantas belas coroas de glória brilham sobre tua cabeça, ó Maria! Tu és Rainha do Céu e da Terra; és Rainha dos Anjos e dos Santos; e és até Rainha dos mártires. Mas parece-me que este diadema doloroso te adorna de maneira especial; sim, porque te torna mais semelhante a Jesus, Rei dos mártires; sim, porque o Sangue de um Deus Crucificado, aspergido sobre teu manto no Calvário, te deu uma púrpura mais bela que o manto ensolarado que usas no Céu.

Salve, então, augusta Rainha! Eu te felicito de coração, pois não és menos gloriosa em teus sofrimentos do que em tuas alegrias. Eu te suplico que intercedas por mim com constância cristã nas cruzes deste mundo, para que eu seja reconhecido como teu súdito mais parcial em teu império doloroso.


Segunda meditação sobre as Dores de Maria:

Entre os muitos títulos e celebrações marianas, o mais comovente, por ser o mais próximo da realidade humana, é o da Bem-Aventurada Virgem Maria das Dores.

A dor está presente em nossas vidas desde o nascimento, com o primeiro choro angustiado do recém-nascido, que deixa a segurança do ventre materno para se projetar em um mundo desconhecido, já não ligado à mãe e presa do medo e do pavor.

Depois, a dor nos acompanha com maior ou menor intensidade, com maior ou menor constância, em seus diversos aspectos — físico, moral, espiritual — ao longo da vida, para reencontrá-la no fim da jornada, na separação final e definitiva deste mundo.

A dor de Maria, criatura privilegiada, é mais compreensível, sim, mas ainda assim é uma criatura como nós. Isso ocorre porque também a experimentamos, ainda que em condições e graus diferentes. Ao contrário de outras prerrogativas que lhe são exclusivas — a Anunciação, a Maternidade Divina, a Imaculada Conceição, a Assunção ao Céu, as Aparições, etc. — que exigem um ato de fé de nossa parte para serem consideradas.

Para uma mãe, ver um Filho morrer é a maior dor que existe. Não há palavras que possam, pois, naturalmente, ela esperava morrer após ter concebido, criado e educado o herdeiro e continuador de sua humanidade, mas vê, em vez disso, seu filho morrer enquanto ainda vive — aquele filho a quem ela gostaria de ter dado a vida cem vezes, talvez até mesmo substituí-lo em sua morte.

Milhões de mães que suportaram essa imensa dor ao longo do tempo recorreram a ela em busca de apoio e consolo. Maria viu seu Filho morrer de forma atroz, consciente de sua inocência, sofrendo com a malícia, a incompreensão e a perversidade desencadeadas contra ele, a personificação da Bondade infinita.

Mas não foi apenas a sentença de morte repentina; a dor que Maria experimentou foi o culminar de um longo, silencioso e implacável sofrimento, guardado em seu coração, iniciado pela profecia do ancião Simeão, proferida durante a Apresentação de Jesus no Templo: "E uma espada traspassará a tua própria alma".

Maria é consolo, socorro e alívio para
 todos os que sofrem. 

Assim, todos aqueles que sofrem na carne e na alma voltam seus olhares para Maria, consoladora de todas as dores. As dores são resultantes da doença, da deficiência, da injustiça, da pobreza, da perseguição, da violência física e mental, da perda de entes queridos, da traição, da falta de segurança, da solidão e assim por diante. Tendo sofrido tanto mesmo antes da Paixão de Cristo, ela pode ser a luz que nos guia ao suportarmos nossas próprias dores e ao demonstrarmos compreensão pelos sofrimentos de nossos irmãos e irmãs, nossos companheiros de jornada nesta peregrinação terrena.

Mas Nossa Senhora é também corredentora da humanidade pela Graça, pois participa do sofrimento e da auto-oferta de Cristo. Por isso, como mãe, não se rebelou contra o trágico destino de seu Filho; sofreu indizivelmente, mas também ofereceu seu sofrimento a Deus pela Redenção da humanidade.

E, assim como a Paixão, Morte e Sepultamento de Jesus conduziram à Ressurreição triunfante e salvadora, também Maria, cooperadora na Redenção, se alegrou com essa imensa consolação. Portanto, é a mais indicada para nos mostrar o caminho da salvação e da alegria, passando pelo crisol do sofrimento em todas as suas formas. Do qual, porém, não podemos nos libertar, pois é legado do pecado original.

Nossa Senhora do Escolial (Virgem
de Los Dolores de El Escorial).
Aparições ocorridas na Espanha na 
década de 80 e começo da de 90. 
    O culto
    A devoção a Nossa Senhora das Dores tem suas origens em passagens dos Evangelhos que falam da presença da Virgem Maria no Calvário. Ela assumiu uma forma particular a partir do final do século XI e foi precursora da celebração litúrgica que foi instituída posteriormente.

O "Liber de passione Christi et dolore et planctu Matris eius", de autor desconhecido (erroneamente atribuído a São Bernardo), constitui o início de uma literatura que levou à composição, em várias línguas, do "Lamento da Virgem".

Prova dessa devoção é o popular "Stabat Mater" em latim, atribuído a Jacopone da Todi, que também compôs o famoso "Laudi" em vernáculo; dessa devoção originou-se a festa das "Sete Dores de Maria".

No século XV, ocorreram as primeiras celebrações litúrgicas da "compaixão de Maria" aos pés da Cruz, realizadas durante o Tempo da Paixão.

Em meados do século XIII, em 1233, a Ordem dos "Servos de Maria" foi fundada em Florença pelos Sete Santos Fundadores, inspirados pela Virgem.

A Ordem, cujo nome já definia a devoção à Mãe de Deus, distinguiu-se ao longo dos séculos pela intensa veneração e difusão do culto a Nossa Senhora das Dores. Em 9 de junho de 1668, a Sagrada Congregação dos Ritos permitiu à Ordem celebrar a Missa votiva das Sete Dores da Bem-Aventurada Virgem Maria. No decreto, mencionava-se que os frades servitas usavam o hábito preto em memória da viuvez de Maria e da dor que ela sofreu durante a Paixão de seu Filho.

Posteriormente, em 9 de agosto de 1692, o Papa Inocêncio XII autorizou a celebração das Sete Dores da Bem-Aventurada Virgem Maria no terceiro domingo de setembro.

Mas a celebração continuou a evoluir à medida que o culto se espalhava. Em 18 de agosto de 1714, a Sagrada Congregação aprovou a celebração das Sete Dores de Maria na sexta-feira anterior ao Domingo de Ramos. Em 18 de setembro de 1814, o Papa Pio VII estendeu a festa litúrgica do terceiro domingo de setembro a toda a Igreja, inserindo-a no calendário romano.

Finalmente, o Papa Pio X (1904-1914) fixou a data definitiva de 15 de setembro, imediatamente após a celebração da Exaltação da Santa Cruz (comemorada ontem), não mais comemorando as "Sete Dores", mas sim, mais apropriadamente, como "Bem-aventurada Virgem Maria das Dores".

 


As devoções (vide quadros abaixo, na postagem)

As Sete Dores de Maria correspondem a outros tantos episódios narrados no Evangelho:

1) A profecia do ancião Simeão, quando Jesus foi levado ao Templo: "E uma espada traspassará a tua alma".

2) A Sagrada Família é forçada a fugir para o Egito: "José, acordando, tomou o menino e sua mãe, de noite, e fugiu para o Egito".

3) A perda de Jesus e sua procura por três dias — Ele que ficara no Templo. Até que o encontraram: "Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos".

4) Maria, em meio às dores, encontra Jesus carregando a cruz a caminho do Calvário.

5) A Virgem Maria, aos pés da Cruz, em plena submissão à vontade de Deus, participa dos sofrimentos de seu Filho crucificado e moribundo.

6) Maria acolhe em seus braços seu Filho morto, coberto de chagas e de sangue, retirado da Cruz.

7) Maria confia o corpo de Jesus ao túmulo, aguardando a ressurreição. Passando pela experiência mística da "soledade" (a terrível sensação de sofrer a total ausência da presença de Jesus em sua alma por 36 horas). 

A liturgia e a devoção também compilaram a Ladainha de Nossa Senhora das Dores, em que a Virgem é invocada em todas as necessidades, reconhecendo todos os títulos e méritos de seu sofrimento pessoal.

A tradição popular identificou a meditação das Sete Dores na piedosa prática da Via Matris, que, como a Via Sacra, reconta as etapas históricas do sofrimento de Maria. Esses itinerários penitenciais estão surgindo cada vez mais, especialmente perto de santuários marianos, representados por esculturas, cerâmicas, estátuas de madeira e afrescos.


Como não se comover perante as Lágrimas de Dor e de Amor
de uma Mãe tão terna, boa e pura como a Virgem Maria?


As procissões penitenciais, típicas do período da Paixão de Cristo, incluem também a figura da Mãe Dolorosa seguindo o Filho morto, o encontro na subida ao Calvário e Maria aos pés do Crucifixo. Em certos municípios, as procissões devocionais assumem o aspecto de representações verdadeiramente evocativas, especialmente as do encontro entre a imagem de Maria, vestida de luto e pesarosa, e a de Jesus carregando a Cruz, todo ensanguentado e sofrendo.

Em alguns lugares, essas procissões, que na Idade Média também deram origem a representações sacras chamadas "Mistérios", conquistam uma participação popular tão forte que hoje constituem uma atração não só para a devoção e a penitência, mas também para o turismo e o folclore. Entre elas, destaca-se a grande procissão barroca de Sevilha.

Expressões artísticas:

O texto do famoso "Stabat Mater" inspirou músicos ao longo dos séculos; entre os mais ilustres estão Palestrina, Pergolesi, Rossini, Verdi e Dvořák.

A Virgem das Dores foi representada ao longo dos séculos em diversas formas artísticas, especialmente na pintura e na escultura, fruto do trabalho dos maiores artistas que, com seu próprio talento, buscaram expressar o profundo sofrimento de Maria.

A Virgem das Dores é geralmente retratada vestida de preto pela perda de seu Filho, com uma espada ou sete espadas transpassando seu coração.

Outro tema frequentemente representado é a Pietà, o penúltimo ato da Paixão, que ocorre entre a deposição e o sepultamento de Jesus.

Na arte, o termo "Pietà" refere-se à representação dos dois personagens principais, Maria e Jesus, mãe e filho; Maria o ampara deitada em seu colo ou à beira do túmulo junto com São João Apóstolo (Michelangelo e Giovanni Bellini). O "Lamento sobre o Cristo Morto" de Giotto é uma obra-prima que expressa a intensidade da dor dos presentes.

No Santuário de Nossa Senhora das Dores em Castelpetroso (Isernia), segundo a aparição de 1888, Jesus está deitado no chão e Maria, ajoelhada ao seu lado, com os braços estendidos, ambos chorando e oferecendo-o.

Devido à devoção generalizada a Nossa Senhora das Dores, toda cidade e vila possui uma igreja ou capela dedicada a ela; diversas confrarias de caridade e penitência, bem como numerosas congregações religiosas femininas e algumas masculinas, recebem o nome de Nossa Senhora das Dores, especialmente aquelas ligadas à antiga Ordem dos Servos de Maria, bem como a Congregação da Sagrada Paixão e Morte do Senhor, ou, simplesmente, Congregação dos Passionistas, fundada por São Paulo da Cruz

Aparição da Virgem Maria a São Paulo da Cruz,
vestida com o hábito negro, que Ela quer para os Passionistas, sinal
de seu luto pela Paixão e Morte de Cristo.  


O amor e a veneração pela Consoladora dos Aflitos e por sua "compaixão" produziram, sobretudo dentro da Ordem dos Servos, santos esplêndidos. Citamos alguns: os Sete Santos Fundadores, Santa Giuliana Falconieri, São Filipe Benizi, São Pellegrino Laziosi, Santo Antônio Maria Pucci, São Gabriel de Nossa Senhora das Dores (Passionista). Acima de tudo, São João Apóstolo e Evangelista, sempre ao seu lado para confortá-la e compartilhar sua dor indizível, acompanhando-a até o fim de sua vida.

* Nota: aqui no Ceará – Brasil (região Nordeste), mais propriamente na cidade de Juazeiro do Norte, viveu e morreu santamente o famoso Servo de Deus Padre Cícero Romão Batista, grande devoto e apóstolo da devoção a Nossa Senhora das Dores, que é patrona e titular da Igreja Matriz de Juazeiro do Norte, tornada Basílica Menor pelo Papa Bento XVI, de saudosa memória.

O nome Addolorata era amplamente utilizado no sul da Itália, mas, devido ao seu significado óbvio, há agora uma tendência a substituí-lo por seu derivado espanhol, Dolores.

 

Fonte:
Site: “Santi, Beati e Testimoni”.

Autor do primeiro texto: Pe. Libório Siniscalchi.

Autor do segundo texto: Antonio Borrelli.

(Ambos os textos foram traduzidos do italiano, com correções nos textos e acréscimos feitos pelo administrador deste site, para melhor entendimento em língua portuguesa.)


AS SETE PRINCIPAIS DORES E LÁGRIMAS DE MARIA: 



























segunda-feira, 14 de setembro de 2026

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ, Festa - em 14 de setembro. Antes, era chamada de Festa da "Invenção" da Santa Cruz.

 

Esta festa nasceu em Jerusalém, no aniversário da dedicação, que ocorreu em 14 de setembro de 335, das duas basílicas construídas por Constantino, uma no Gólgota (ad Martyrium) e a outra perto do Santo Sepulcro (Anastasis), também após a descoberta das relíquias da cruz por Santa Helena, mãe do imperador. 

cruz, outrora instrumento das mais terríveis torturas, cujo uso Constantino proibiu em 320, é para o cristão a árvore da vida, a câmara nupcial, o trono, o altar da Nova Aliança: de Cristo, o novo Adão adormecido na cruz, veio o maravilhoso sacramento de toda a Igreja.

A cruz é o sinal da soberania de Cristo sobre aqueles que, no Batismo, se configuram a Ele na morte e na glória ( cf. Rm 6,5).

  

A Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa celebram a festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz em 14 de setembro, aniversário da descoberta da verdadeira Cruz por Santa Helena (14 de setembro de 320), mãe do Imperador Constantino, e da consagração da Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém (335).

Segundo a tradição, Santa Helena levou parte da Cruz para Roma, para o que viria a ser a Basílica da Santa Cruz em Jerusalém, e parte permaneceu em Jerusalém. Despojo dos persas em 614 foi então trazida triunfalmente de volta à Cidade Santa.

Na celebração eucarística deste dia, a cor litúrgica é o vermelho, a cor da Paixão de Jesus, que recorda a Santa Cruz e que também é usada na Sexta-feira Santa, durante a qual os fiéis católicos realizam a adoração da Cruz. No Oriente, esta festa é comparada em importância à Páscoa.

 

  Qual o significado desta celebração?

A cruz, outrora símbolo das mais terríveis torturas, é para os cristãos a árvore da vida, o quarto nupcial, o trono, o altar da nova aliança. De Cristo, o novo Adão adormecido na cruz, provém o sacramento maravilhoso de toda a Igreja. A cruz é o sinal da soberania de Cristo sobre aqueles que, pelo Batismo, são conformados a Ele na morte e na glória. Na tradição dos Padres da Igreja, a cruz é o sinal do Filho do Homem que aparecerá no fim dos tempos. A festa da Exaltação da Santa Cruz, que no Oriente é comparada à Páscoa, está ligada à dedicação das basílicas constantinianas construídas sobre o Gólgota e o túmulo de Cristo (Missal Romano).

A própria evangelização, realizada pelos apóstolos, é a simples apresentação de "Cristo crucificado". O cristão, ao aceitar esta verdade, "é crucificado com Cristo", isto é, deve carregar diariamente a sua própria cruz, suportando insultos e sofrimentos, tal como Cristo, carregando o peso do patíbulo (a trave transversal da cruz, que o condenado carregava nos ombros até ao local da execução, onde a estaca vertical era fixada permanentemente), foi forçado a expor-se aos insultos do povo no caminho que conduzia ao Gólgota. Os sofrimentos, que reproduzem o estado de morte de Cristo no corpo místico da Igreja, contribuem para a redenção da humanidade e asseguram a participação na glória do Ressuscitado.

Ao longo dos séculos, esta festa também incluiu a comemoração da recuperação da Verdadeira Cruz pelos imperadores Heráclio, que a tomaram dos persas em 628. No costume galês, a partir do século VII, a Festa da Cruz era celebrada em 3 de maio. Quando as práticas galesas e romanas se combinaram, a data de setembro passou a ser oficialmente chamada de Triunfo da Cruz em 1963, sendo utilizada para comemorar a captura da Cruz dos persas, e a data de maio foi mantida como a Descoberta da Santa Cruz, comumente chamada de Invenção da Cruz.

No Ocidente, 14 de setembro é frequentemente referido como o Dia da Santa Cruz; a festa de maio foi removida do calendário litúrgico do Rito Romano após as reformas do Missal Romano sob o pontificado de João XXIII em 1960/1962. A Igreja Ortodoxa ainda comemora ambos os eventos, um em 14 de setembro, uma das doze grandes festas do ano litúrgico, e o outro em 1.º de agosto, que marca a Procissão da Madeira Venerável da Cruz, o dia em que as relíquias da Verdadeira Cruz foram levadas pelas ruas de Constantinopla para abençoar a cidade. Além das celebrações em dias fixos, existem certos dias de festas móveis nos quais a Santa Cruz é especialmente lembrada. A Igreja Católica realiza a adoração litúrgica da Cruz durante as celebrações da Sexta-feira Santa, enquanto a Igreja Ortodoxa celebra uma veneração adicional da Cruz no terceiro domingo da Grande Quaresma. Em todas as igrejas ortodoxas gregas, na Quinta-feira Santa, uma réplica da Cruz é levada em procissão para que o povo a venere.


Tradições populares na Itália: do Santo Cravo de Milão a Lucca.

Muitas celebrações populares na Itália incluem a procissão do Santo Cravo, preservado na Catedral de Milão, e a Luminara de Lucca. A ênfase particular com que esta festa é celebrada nesta cidade deve-se ao culto milenar da Santa Face de Lucca, o grande crucifixo de madeira venerado na catedral, que acabou por destituir de facto os padroeiros oficiais da cidade, São Martinho e São Paulino de Lucca. 

Tais ocasiões não envolviam, como nas procissões tradicionais, o transporte da imagem venerada, mas sim uma verdadeira procissão de homenagem que se aproximava cerimonialmente da imagem. 

A procissão atual é, portanto, o último vestígio de um antigo costume difundido em todas as principais cidades medievais, no qual as populações subjugadas se comprometiam, ao se submeterem, a trazer um tributo de cera, numa época em que a cera de abelha era um artigo de luxo; a quantidade de cera também era geralmente estabelecida nos pactos de dedicação, dependendo dos recursos do doador. 

Esta oferenda era apresentada de forma solene uma vez por ano, durante a celebração do santo padroeiro da cidade governante. No entanto, a cera não foi acesa imediatamente, mas sim preservada para iluminar a estátua no ano seguinte.


Fonte:

Site: "Santi, Beati e Testimoni"

(Traduzido do italiano, com algumas correções no texto original). 


Outras imagens iconográficas relativas à Festa de hoje: 

 

















domingo, 13 de setembro de 2026

NOSSA SENHORA DE LAUS - A aparição mariana mais longa da História da Igreja (1664 a 1718): duraram 54 anos.


🌹A vidente era Benoîte Rencurel, uma jovem pastora analfabeta e pobre de apenas 17 anos.

🌹Ela era uma moça simples, analfabeta, mas de oração sincera.🌹Em maio de 1664, a jovem Benoîte pastoreava as ovelhas de seus patrões, quando certo dia, ao abrigo de uma gruta, ela viu uma "Bela Senhora" segurando um menino de extraordinária beleza pela mão.

🌹No início, Benoîte não percebeu que se tratava da Mãe de Deus. 

🌹Ela se aproximou disse inocentemente:

▫️"Ó Bela Senhora! O que fazeis aqui? Viestes comprar gesso? E este menino lindo, seria vosso filho? Queríeis me dar esse menino? Ele me causaria tanta alegria!" 

🌹A Virgem Maria sorriu com profunda ternura diante da simplicidade da moça, mas permaneceu em silêncio. 

🌹No decorrer dos dias, por quatro meses, as aparições se repetiram quase diariamente.

🌹 Maria usava esse tempo para educar Benoîte, ensinando-a a rezar a Ave-Maria, a corrigir seu de temperamento e a crescer na virtude.

🌹Após meses de convivência silenciosa e maternal, Benoîte tomou coragem e perguntou:

▫️"Minha boa Senhora, peço-vos, dizei-me: quem sois?"

🌹A Virgem, com um olhar cheio de luz, respondeu:

▫️"Eu sou Maria, a Mãe de meu amadíssimo Filho. Não voltarás a ver-me neste lugar por algum tempo."

🌹Diante da partida de sua protetora, Benoîte chorou, mas guardou as palavras no coração, esperando o retorno da promessa.

🌹Cerca de um mês depois, Benoîte estava no vale oposto, chamado Laus (que significa lago no dialeto local, pois ali havia uma antiga lagoa seca).

🌹 De repente, uma luz resplandeceu e a Virgem Maria apareceu novamente sobre uma colina.

🌹Benoîte correu ao seu encontro, caindo de joelhos, radiante de felicidade:

▫️"Ó minha boa Mãe! Como senti a vossa falta! Senti tanta saudade... Vós me deixastes chorando!"

🌹A Virgem olhou para o pequeno vilarejo de Laus e revelou o plano divino para aquele lugar:

▫️"Minha filha, vai a Laus. Lá encontrarás uma pequena capela de onde exalará um doce perfume. É ali que me verás e falarás comigo a partir de agora."

🌹Benoîte partiu imediatamente em busca da capela. 

🌹Ao se aproximar de uma humilde igrejinha dedicada a Nossa Senhora das Virtudes, o ar se encheu de um perfume celestial de rosas e violetas. 

🌹Ao entrar, ela encontrou a Virgem Maria sobre o altar, que estava empoeirado e abandonado.

🌹Assustada com a pobreza do lugar, Benoîte disse com preocupação:

▫️ "Minha boa Senhora, o vosso altar é tão pobre... Gostaria que tivésseis algo melhor. Deixai-me ir buscar alguns panos limpos e bonitos para forrar o vosso altar?"

🌹A Mãe de Deus sorriu da preocupação material de Benoîte e proferiu as palavras que selariam o destino daquela região para os séculos seguintes:

▫️ "Não, minha filha. Nada disso é necessário.

▫️ Em breve, nada faltará aqui. Este altar será ornamentado com roupas bonitas e velas. 

▫️Eu pedi este lugar ao meu Filho para a conversão dos pecadores, e Ele me concedeu.

▫️ Aqui será construída uma grande igreja e uma casa para os padres residentes, para que os pecadores possam se reconciliar através dos sacramentos."

🌹A Virgem ainda acrescentou uma promessa sobre a cura dos enfermos, apontando para a lâmpada de óleo que iluminava o local:

▫️ "O óleo desta lâmpada da capela, se for aplicado com fé por aqueles que recorrerem à minha intercessão, operará milagres de cura física e espiritual."

🌹A partir daquele momento, o silêncio de Laus foi quebrado pelo sussurro dos peregrinos.

🌹Quando o óleo da lâmpada da capela começou a operar as primeiras curas físicas e as pessoas corriam até Benoîte para agradecer e aclamá-la, ela ficou confusa sobre como agir:

▫️"Minha boa Mãe, as pessoas vêm a mim dizendo que foram curadas e querem me agradecer. O que devo dizer a elas?"

🌹A Virgem Maria a instruiu a desviar a atenção de si mesma:

▫️"Diz a eles que não olhem para ti. 

▫️Diz que deem graças a Deus, o único Autor de todo bem. 

▫️Diz que o óleo é apenas um sinal da minha intercessão, mas é a fé e a misericórdia de meu Filho que os cura. 

▫️Quando te louvarem, recolhe-te no silêncio e repete no teu coração: 'Toda glória seja dada ao Senhor'."

🌹Benoîte Rencurel viveu o resto de sua vida no local, tornando-se uma guia espiritual para os milhares que vinham confessar seus pecados.

🌹As aparições continuaram, apoiando Benoîte em suas provações, perseguições e sofrimentos até a sua morte, em 1718. 

🌹O perfume que Benoîte sentiu pela primeira vez na capela abandonada continua a se manifestar no Santuário de Laus até os dias de hoje, como um sinal visível da presença daquela "Bela Senhora".



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Segundo relato: 

Nossa Senhora de Laus (em francês: Notre-Dame du Laus) ou Refúgio dos Pecadores denota aparições marianas ocorridas entre 1664 e 1718 em Saint-Étienne-le-Laus, França, a Benoite Rencurel, uma jovem pastora. Foram aprovadas pela Santa Sé em 5 de maio de 2008.[1]

Pano de fundo

Situado em Dauphiné, no sul da França, no sopé dos Alpes, a sudeste de Gap, fica o vale de Laus. Seu nome significa "lago" no dialeto local, já que antes havia um no fundo da bacia. Em 1666, a aldeia tinha vinte famílias espalhadas em pequenas cabanas. Os habitantes construíram uma capela dedicada à Anunciação, Notre-Dame de Bon Rencontre (Nossa Senhora do Bom Encontro, ou seja, a Anunciação).[2]

Aparições

Benoite nasceu em 16 de setembro de 1647, na extrema pobreza na aldeia de St Etienne d'Avancon. Seu pai morreu quando ela tinha apenas sete anos. Quando Benoite tinha doze anos, ela começou a trabalhar como pastor de ovelhas.[2]

Em maio de 1664, Benoite, de dezessete anos, viu uma aparição de São Maurício, um mártir do século III que foi muito homenageado em Laus. Era perto de uma capela próxima, então em ruínas, dedicada a São Maurício. Ele a avisou que se ela permanecesse naquela área, os guardas locais iriam levar seu rebanho se o encontrassem lá. São Maurício disse à pastorinha para ir ao Vale dos Fornos, acima de Saint-Étienne, onde ela iria ver a Mãe de Deus.[2]

Em 16 de maio, Benoite levou suas ovelhas para o Vale dos Fornos. Ela chegou a uma gruta, quando Maria, segurando o menino Jesus em seus braços, apareceu a ela. Sua oferta de compartilhar o pão duro que carregava fez a bela senhora sorrir, mas ela saiu sem dizer uma palavra.[3] Por um período de cerca de quatro meses, a Senhora voltou todos os dias e Benoite a ouviu falar. Outros não conseguiram ouvir o que Maria disse. Em 29 de agosto, a Senhora disse a Benoite que seu nome era Maria.[4]

A Senhora instruiu Benoite a ir para Laus de sua própria aldeia próxima e procurá-la lá, "onde você sentirá um perfume muito bom". Benoite foi até Laus e encontrou uma velha capela dedicada a Notre Dame de Bonne Rencontre e, enquanto o cheiro do lindo perfume estava lá, a capela estava em mau estado. “É meu desejo que uma nova capela seja construída aqui em homenagem ao meu filho amado. Será um lugar de conversão para numerosos pecadores e irei aparecer aqui muitas vezes ", disse a bela senhora.

Ela disse a Benoite que o óleo da lâmpada do santuário faria milagres com os enfermos se eles recebessem a unção com fé em sua intercessão.[4]

Mensagem

Nossa Senhora de Laus pediu aos pecadores que fizessem penitência, uma capela de adoração eucarística a ser construída para que Jesus pudesse converter os pecadores, e uma casa para os padres ser construída para que os padres pudessem administrar os sacramentos aos pecadores.

No centro da mensagem dada a Benoite está uma conversão de almas que visa trazer a plena reconciliação consigo mesmo, com os outros e com Deus.

Veneração

Alguns dos santos que tiveram uma devoção particular a Nossa Senhora de Laus incluem Santo Eugênio de Mazenod (1782-1861), fundador dos Oblatos de Maria Imaculada; e São Pedro Julião Eymard (1811–1868), fundador dos Padres e Servos do Santíssimo Sacramento. Quando São Pedro Julião tinha onze anos, fez uma peregrinação de sessenta quilômetros a pé para rezar durante nove dias no santuário enquanto se preparava para a primeira comunhão. Mais tarde, ele escreveu: "Foi lá que conheci e amei Maria pela primeira vez".[5]

Em 5 de maio de 2008, o Bispo Jean-Michel de Falco Leandri, Bispo de Gap, anunciou o reconhecimento das aparições pela Santa Sé como Nossa Senhora de Laus, Refúgio dos Pecadores.[1]

Referências

 «Vatican recognizes Marian apparitions in France». Catholic News Agency. 5 de maio de 2008. Consultado em 22 de agosto de 2012

 "Our Lady of Laus", Magnificat Vol. XL, No. 5 and Vol. XXXVI, No. 5.

Mann, Stephanie A. "Who Is Our Lady of Laus?", Our Sunday Visitor, March 28, 2014

 «"Our Lady of Laus, France", Secular Franciscans, Five Franciscan Martyrs Region». Consultado em 6 de março de 2013. Cópia arquivada em 26 de janeiro de 2018

Koenig-Bricker, Woodene, "Mary and May: Our Lady of Laus", Parish, Our Sunday Visitor, Inc.