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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

SÃO MATEUS, Apóstolo do Senhor, Evangelista e Mártir - Festa no dia 21 de setembro.



 

Mateus era cobrador de impostos (conhecidos como “publicanos”) em Cafarnaum quando Jesus o chamou, e ele o seguiu imediatamente, deixando tudo para trás.

Nos Evangelhos de Lucas (Lucas 5, 27) e Marcos (Marcos 2, 14), ele também é chamado de Levi, mas, entre os doze Apóstolos, aparece como Mateus.

Pouco se sabe sobre sua vida, mas ele escreveu um Evangelho, originalmente em aramaico, destinado principalmente aos judeus cristãos, mostrando Jesus como o cumprimento da Lei Mosaica e conectando continuamente seus ensinamentos ao Antigo Testamento.

Mateus também narra o futuro da comunidade de Jesus e do Reino, com a vinda do Filho do Homem. Seu Evangelho, traduzido para o grego, tornou-se uma ferramenta para a pregação e a liturgia.

Mateus é mencionado nos Atos dos Apóstolos, presente na eleição de Matias e no Pentecostes. Pregou na Palestina e é venerado pela Igreja como mártir.

 

O apóstolo e evangelista São Mateus personifica paradigmaticamente a figura do estudioso das Escrituras que aprendeu sobre o Reino de Deus e é "como um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas" (Mateus 13, 52).

Ele era um homem de certa cultura, um cobrador de impostos (publicano) em Cafarnaum; de educação helenística, parece ter adaptado para o grego seu nome, Levi, de origem hebraica (Marcos 2, 14; Lucas 5, 27).

O papel desempenhado por este discípulo de Jesus na transmissão do Evangelho é de importância fundamental. Após a ressurreição, certos episódios da vida do Senhor foram compilados e "discursos" (uma coleção das palavras do Senhor) foram organizados em torno de certas palavras-chave.

Esses elementos das "boas novas" de Cristo podiam servir aos primeiros cristãos como um "cumprimento" das leituras do Antigo Testamento que ainda ouviam nas sinagogas. Mateus, também baseado nessas versões antigas, escreveu em aramaico um amplo resumo das "palavras" e "atos" de Jesus, enfatizando seu "messianismo" e a posição dos cristãos, ou seja, da Igreja, em relação à lei e à adoração da Antiga Aliança.


Mateus ou Levi?

Originário de Cafarnaum, um cobrador de impostos, posteriormente convertido por Jesus, seu nome significa simbolicamente "Dom de Deus".

Alguns supõem que ele mudou seu nome como uma forma típica da época, para indicar sua mudança de vida, semelhante a Simão se tornando Pedro e Saulo se tornando Paulo.

Jesus passou pelo cobrador de impostos Levi e disse-lhe simplesmente: "Siga-me" (Marcos 2, 14). E ele se levantou e o seguiu; e imediatamente ofereceu um banquete para o qual convidou, além de Jesus, um grande número de cobradores de impostos e outros pecadores públicos.

A referência a um cobrador de impostos em Cafarnaum chamado Levi também aparece em Lucas 5, 27. O mesmo episódio é relatado em Mateus 9, 9, mas onde o cobrador de impostos é chamado Mateus; geralmente se acredita que Levi e Mateus sejam a mesma pessoa.


Jesus viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria de impostos e disse-lhe: "Siga-me".

O capítulo 9, versículo 9 do Evangelho de Mateus apresenta o chamado de Mateus e traça um perfil sugestivo e emblemático para cada convocação à conversão. Jesus disse-lhe: "Segue-me", isto é, imita-me. Segue-me, disse ele, não tanto pelo movimento dos seus pés, mas pela prática da sua vida. "E ele levantou-se, prosseguiu e o seguiu" (Mt 9,9). Como escreve São Beda, o Venerável, não é de admirar que um cobrador de impostos, à primeira palavra do Senhor que o convidava, abandonasse os ganhos terrenos que tanto prezava. Depois, deixando para trás as suas riquezas, concordasse em seguir aquele que via não possuir qualquer riqueza.

De fato, o mesmo Senhor que o chamou externamente com a palavra, instruiu-o internamente com um impulso invisível para o seguir. Infundiu na sua mente a luz da graça espiritual, com a qual pôde compreender como aquele que na terra o arrebatou das coisas temporais era capaz de lhe dar tesouros incorruptíveis no céu.

Enquanto Jesus estava sentado à mesa em sua casa, “muitos cobradores de impostos e pecadores vieram e se sentaram com ele e seus discípulos” (9, 10). Assim, a conversão de um cobrador de impostos serviu de estímulo para a de muitos outros, e a remissão de seus pecados foi um modelo para a de todos eles.

São Marcos, porém, em seu Evangelho, apresenta-nos Mateus desta maneira: «Ao passar Jesus, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Siga-me”. Ele se levantou e o seguiu.» (Marcos 2,14). Mateus ofereceu um banquete: “Enquanto Jesus estava sentado à mesa em sua casa, muitos cobradores de impostos e pecadores se sentaram com Jesus e seus discípulos, pois muitos o seguiam. Então os escribas da seita dos fariseus, vendo-o comer com pecadores e cobradores de impostos, disseram aos seus discípulos: ‘Por que ele come e bebe com cobradores de impostos e pecadores?’ Ao ouvir isso, Jesus disse-lhes: "Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores." (Marcos 2,15-17)

 

Sua figura nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos

Jesus o escolheu como membro do grupo dos doze apóstolos e, como tal, ele aparece nas três listas que nos foram transmitidas pelos três evangelhos sinóticos: Mateus 10, 3; Marcos 3, 18; Lucas 6, 15.

Tito e os três evangelhos sinóticos descrevem seu chamado enquanto ele exercia seu controverso trabalho como cobrador de impostos para os romanos. Seu nome também aparece em Atos, onde são mencionados os apóstolos que constituíam a temerosa comunidade que sobreviveu à morte de Jesus. "Quando entraram na cidade, subiram ao cenáculo, onde estavam hospedados. Estavam lá Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago" (Atos 1,13).

Novamente em Atos, Mateus aparece com os outros apóstolos na eleição de Matias, que assume o lugar de Judas Iscariotes. E ele está com os outros onze quando Pedro, no dia de Pentecostes, fala à multidão, anunciando que Jesus é "Senhor e Cristo".

 

Mateus, o publicano.

Mateus é identificado com o título "publicano", um termo carregado de consequências negativas e socialmente significativas. O desprezo pelos publicanos na época de Jesus era profundamente enraizado: eles eram cobradores de impostos, e não se odeia alguém apenas por trabalhar no que hoje chamaríamos de escritório financeiro.

Mas os judeus, na época, não pagavam impostos ao seu próprio Estado soberano e livre, mas aos ocupantes romanos; na prática, tratava-se de financiar aqueles que os oprimiam. E eles consideravam o cobrador de impostos um colaborador detestável.

Mateus exerce essa profissão em Cafarnaum, na Galileia. Com sua banca ali, ao ar livre. Jesus o vê logo após curar um paralítico. Chama-o. De repente, ele se levanta, deixa tudo e o segue. A partir daquele momento, impostos, finanças e os romanos deixam de existir. Tudo foi apagado por aquela palavra de Jesus: "Siga-me".

 

Pregação e martírio na Etiópia.

Segundo a tradição, após o Pentecostes, Mateus pregou primeiro na Judeia e depois levou o Evangelho à África, mais precisamente à Etiópia.

Clemente de Alexandria testemunhou que ele praticava a contemplação e levava uma vida austera, alimentando-se apenas de ervas, raízes e frutos silvestres.

Ele foi assassinado por um grupo de pagãos ferozes enquanto celebrava o santo sacrifício da Missa. De acordo com outras “paixões” apócrifas, atestadas na Lenda Dourada de Jacó de Voragine, diz-se que ele provocou a conversão do Rei do Egito e da terra que governava, a Etiópia, após ressuscitar milagrosamente sua filha Ifigênia.

A tradição também conta que, após a morte do rei, ele foi sucedido no trono pelo Rei Hirtaco, irmão do Egito, que desejava casar-se com a filha do falecido rei, Ifigênia, que, no entanto, havia consagrado sua virgindade ao Senhor.

Como seu pedido de casamento havia sido rejeitado pela jovem, Hirtaco pediu a Mateus que a convencesse a se entregar a ele, mas o santo respondeu convidando-o para assistir a um sermão que proferiria no sábado seguinte no templo, diante de toda a população.

Naquele sábado, o apóstolo proclamou solenemente que o voto de casamento de Ifigênia com o rei celestial não poderia ser quebrado casando-se com um rei terreno, pois, se um servo usurpasse a esposa de seu rei, seria justamente queimado vivo.

Martírio de São Mateus, Apóstolo e Evangelista


O santo foi morto no altar enquanto celebrava a Missa, transpassado por uma espada por um assassino enviado pelo rei.

Ele é retratado como idoso e barbudo, tendo como emblema um anjo que o inspira ou guia sua mão enquanto escreve o Evangelho. Frequentemente, ele segura uma espada ao lado, símbolo de seu martírio.



Autor do primeiro Evangelho.

São Mateus é considerado o autor do primeiro Evangelho canônico, não o mais antigo, mas o primeiro na lista do cânon.

Já havia evidências de um Evangelho segundo Mateus entre o final do primeiro século e o início do segundo. 

De fato, há registros dele em referências contidas em vários autores da época. Clemente de Roma o menciona em 95 d.C., assim como Inácio de Antioquia em 115 d.C. Alusões também são encontradas na Epístola de Barnabé, entre 100 e 130 d.C., e na Didaquê (100 d.C.). 

Embora o nome de Mateus não seja indicado como autor, a importância que o Evangelho teve na Igreja primitiva é inquestionável. Somente a partir de meados do segundo século esse Evangelho começou a ser referido como "segundo Mateus", atribuindo-o ao apóstolo de Jesus. 

A antiga tradição, sem dúvida, identificava o autor do Evangelho de Mateus com o cobrador de impostos Mateus, chamado por Jesus para segui-lo. A tradição, no entanto, considera o cobrador de impostos Mateus como o autor do evangelho em questão. Essa atribuição remete a uma passagem de Papias de Hierápolis, das primeiras décadas do século II, relatada por Eusébio de Cesareia: "Mateus compilou os textos sagrados em hebraico, e cada um os interpretou como pôde". Portanto, dado o testemunho de Papias, parece que Mateus escreveu seu Evangelho em hebraico, compilando ditos e narrativas anteriores (a chamada fonte "Q"). 

Na realidade, quando Papias fala da "língua hebraica", ele não se refere ao hebraico em si, pois o hebraico da época de Jesus, e também da época de Mateus, não era a língua do Antigo Testamento, que havia caído em desuso, mas sim o aramaico. Mateus teria, portanto, escrito seu Evangelho em aramaico (talvez composto por cinco livros), de modo que o texto grego do que é considerado o primeiro Evangelho contém numerosos elementos aramaicos, tanto no estilo quanto no vocabulário, que foram posteriormente transferidos para o texto grego.

Existiu, portanto, um texto aramaico do primeiro Evangelho, perdido devido aos diversos eventos, incluindo guerras, da época. A que data, então, remonta o texto grego? O contexto político e social descrito, bem como o conflito entre Jesus e os fariseus, parecem indicar que o texto grego foi escrito antes da destruição de Jerusalém pelos romanos, ou seja, antes de 70 d.C. Além disso, o Evangelho segundo Mateus contém elementos do Evangelho segundo Marcos, escrito por volta de 62 d.C., o que situaria o texto grego entre 62 e 70 d.C., seguindo Papias. 

Contudo, outros autores cristãos também relatam a mesma informação sobre o Evangelho de Mateus. Assim, Santo Irineu de Lião, por volta de 180 d.C., relata que "Mateus publicou um texto evangélico entre os judeus, em sua própria língua, enquanto Pedro e Paulo pregavam em Roma e fundavam a Igreja". Para Orígenes, o Evangelho de Mateus é o primeiro dos quatro Evangelhos. De fato, ele escreve em 233 d.C.: "Como aprendi pela tradição a respeito dos quatro Evangelhos, que são também os únicos aceitos pela Igreja de Deus que está debaixo do céu, O Evangelho segundo Mateus, que foi primeiro um cobrador de impostos e depois um apóstolo de Jesus Cristo, foi escrito primeiro; ele o redigiu para os crentes vindos do judaísmo e o compôs em hebraico". E Eusébio de Cesareia confirma isso mais uma vez: "Mateus, que inicialmente pregou aos judeus, quando teve que viajar para outros lugares, escreveu seu Evangelho na língua de seus ancestrais para os fiéis que deixava para trás, substituindo-o assim pela versão escrita em sua própria presença"

No século IV, a atribuição a Mateus já estava bem estabelecida, como evidenciado pelas citações contidas em vários autores cristãos.


As relíquias preservadas em Salerno:

Acredita-se que as relíquias de São Mateus chegaram a Velia, na Lucânia, por volta do século V, onde permaneceram sepultadas por aproximadamente quatro séculos. O corpo do santo foi descoberto pelo monge Atanásio perto de uma fonte termal na antiga cidade de Parmênides. Os restos mortais foram levados pelo próprio Atanásio para a atual igreja de San Matteo em Casal Velino. O modesto edifício, com sua fachada simples de empena, apresenta, à direita do altar, o arcosólio, onde, segundo a tradição, as sagradas relíquias do santo foram depositadas. Uma inscrição latina tardia (século XVIII), colocada na lateral menor do arcosólio, comemora o episódio da translação; os ossos foram posteriormente levados para o Santuário da Madonna del Granato em Capaccio-Paestum. Redescobertas durante o período lombardo, foram trazidas para Salerno em 6 de maio de 954, onde atualmente são preservadas na cripta da catedral. O santo é o padroeiro da cidade.


Patronato: 

São Mateus é considerado o padroeiro dos banqueiros, funcionários da alfândega, cambistas, contadores, escriturários e cobradores de impostos

Também é o patrono da chamada Guardia di Finanza (Banco do Vaticano). O documento papal que certifica seu reconhecido padroeiro é datado de 10 de abril de 1934 e assinado pelo Cardeal Eugenio Pacelli, o futuro Papa Pio XII. O Pontífice que aceitou o pedido feito pelo Comandante-Geral e apoiado pelo Ordinário Militar da época foi Pio XI. O "Breve Pontifício", ao declarar São Mateus o padroeiro da referida guarda, expressa a esperança de que todos os membros do Corpo, seguindo seu exemplo, possam unir o compromisso com o dever para com o Estado ao fiel seguimento de Cristo.

 

Fonte:

Site: "Santi, Beati e Testimoni"
(Traduzido do italiano para o português, com correções e inserções no texto original). 


SÃO MATEUS, APÓSTOLO DO SENHOR E EVANGELISTA - Festa em 21 de setembro.



São Mateus foi um dos doze apóstolos de Cristo. É o autor do primeiro dos três evangelhos sinóticos. Os outros dois são de Marcos e Lucas. No Evangelho, Mateus apresenta Jesus com o título de Emanuel, que significa “Deus está conosco”.

Mateus, também chamado de Levi é filho de Alfeu conforme os Evangelhos de Marcos e Lucas (Marcos 2,14) (Lucas 5, 27). Antes de ser chamado para seguir Jesus, Mateus era um coletor de impostos do povo hebreu, durante a dominação romana, por ordem de Herodes Antipa. Ele estava alocado em Cafarnaum, uma cidade marítima no mar da Galileia, na Palestina.

Seu primeiro contato com Jesus se deu enquanto estava trabalhando: “saindo daí, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coleteria de impostos, e lhe disse”: “siga-me!” Ele se levantou e seguiu Jesus (Mateus 9, 9). “Depois, Mateus preparou, em sua casa, um grande banquete para Jesus”. “Estava aí uma numerosa multidão de cobradores de impostos e outras pessoas, sentadas à mesa com eles.(Lucas 5, 27-28-29). 

O nome de Mateus aparece sempre na relação dos 12 primeiros apóstolos de Cristo, geralmente ao lado de São Tomé. Entre as citações consta uma ordem de Jesus: “Os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando viram Jesus, ajoelharam-se diante dele. Ainda assim, alguns duvidaram”. Então, Jesus se aproximou e falou: “Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra”. “Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês”. “Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo”. (Mateus 28, 16-17-18-19-20).

Apóstolo e Evangelista, segundo a tradição, Mateus pregou pela Judeia, Etiópia e Pérsia. Fora do Evangelho, segundo Eusébio de Cesareia, em sua História da Igreja, a única referência a seu respeito é uma citação do bispo Papias de Hierápolis, do século II.

Da sua atividade após o Pentecostes, se conhece somente as páginas do seu Evangelho, primitivamente redigido em aramaico. Denominado de “Primeiro Evangelho”, logo no início, Mateus apresenta Jesus como o Mestre que veio realizar a justiça. Mateus relata a morte e a ressurreição de Jesus. Seu evangelho é organizado em “cinco livrinhos”, cada um contendo uma parte narrativa seguida de um discurso, que reúne e explica o que está contido nas narrativas.

São Mateus morreu na Etiópia, apedrejado, queimado e decapitado. Suas relíquias teriam sido transportadas para Paestum. Depois, essas relíquias foram levadas para a cidade italiana de Salerno, onde até hoje se encontram e são consideradas pelos mais crentes como verdadeiramente do santo. A Igreja Romana celebra sua festa em 21 de setembro, e a grega em 16 de novembro. Seu símbolo como Evangelista é um anjo.


A belíssima conversão de São Mateus
Mateus, coletor de impostos, apóstolo e evangelista: foge do dinheiro para um serviço de perfeita pobreza: a proclamação da mensagem cristã. O evangelho a ele atribuído nos fala mais amplamente que os outros três do uso certo do dinheiro: “Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e o caruncho os destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros nos céus”. “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Foi Judas, porém, e não Mateus que teve o encargo de caixa da pequena comunidade apostólica. Mateus deixa o dinheiro para seguir o Mestre, enquanto Judas o trai por trinta dinheiros.
Interessante que, quando falam do episódio do coletor de impostos chamado a seguir Jesus, os outros evangelistas, Marcos e Lucas, falam de Levi. Mateus, ao contrário, prefere denominar-se com o nome mais conhecido de Mateus e usa o apelido de publicano, que soa como usurário ou avarento, “para demonstrar aos leitores — observa São Jerônimo — que ninguém deve desesperar da salvação, se houver conversão para vida melhor”.

Mateus, o rico coletor, respondeu ao chamado do Mestre com entusiasmo. No seu evangelho ele esconde humildemente este alegre particular, mas a informação foi divulgada por Lucas: “Levi preparou ao Mestre uma grande festa na própria casa; numerosa multidão de publicanos e outra gente sentavam-se à mesa com eles”. Depois, no silêncio e com discrição, livrou-se do dinheiro, fazendo o bem. É dele de fato que nos refere a admoestação do Mestre: “Quando deres esmola, não saiba a tua esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará”.




Fontes:
https://www.ebiografia.com/sao_mateus/
https://www.paulus.com.br/portal/santo/sao-mateus-apostolo-e-evangelista#.WvGg_6QvzIU

domingo, 20 de setembro de 2026

Santo André Kim Taegon, presbítero, São Paulo Chong Hasang, catequista, e seus Companheiros, mártires coreanos, testemunhas da fé e da identidade de um povo - memória em 20 de setembro.



Santo André Kin Taegon, presbítero, e São Paulo Chong Hasang, 
leigo e catequista, mártires coreanos - grande grupo de mártires. 


Estes santos foram martirizados em 1846 e canonizados por São João Paulo II em 1984. Santo André (Dangjin, 21 de agosto de 1821 — Seul, 16 de setembro de 1846) foi o primeiro sacerdote coreano.

No altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, o Prefeito da Congregação para o Clero, o arcebispo coreano Dom Lazarus You Heung-sik, celebrou Missa solene para celebrar os 200 anos do nascimento desse santo sacerdote e mártir da fé.

Além de André Kim, São João Paulo II canonizou 99 coreanos e três missionários franceses que foram martirizados entre 1839 e 1867. Entre eles havia padres e bispos, mas a maioria era de pessoas leigas: 47 mulheres e 45 homens.

Sua história

"Você é católico?" "Sim, eu sou católico." Um diálogo seco com um funcionário do governo, enquanto pairava a ameaça de uma morte sangrenta. Essa breve profissão de fé, registrada em uma das epístolas escritas durante seus dias de prisão, revela toda a profundidade da fidelidade a Deus de André Kim Taegon, o primeiro sacerdote católico coreano martirizado em 1846. E com ele, há o testemunho de fé, selado com o supremo sacrifício da vida, de milhares de homens e mulheres varridos pela onda de perseguições que atingiu a Coreia nos séculos XVIII e XIX. Ainda hoje constitui a seiva vital e a história da identidade de todo um povo — a população católica coreana — vivo, mesmo se uma minoria.

A fim de honrar a memória de André Kim e dos outros mártires, todos leigos, sua homenagem de sangue e seu exemplo brilhante, tem lugar na tarde deste sábado (21/08) uma missa em coreano às 15h30 no Altar da Cátedra na Basílica de São Pedro. O arcebispo Lazarus You Heung-sik, que foi nomeado prefeito da Congregação para o Clero em 11 de junho passado, preside sua primeira cerimônia pública em Roma.

 

Santo André Kim Taegon

Santo André Kim, testemunha de fé.

A ocasião para a celebração é o bicentenário do nascimento de Santo André, que ocorreu em 21 de agosto de 1821 em uma família criada segundo princípios cristãos, cujo pai havia transformado a casa em uma "igreja doméstica". Uma escolha pela qual ele pagou com sua vida. Em quatro gerações, onze membros da família do santo derramaram seu sangue pelo Senhor, incluindo cinco que foram beatificados e outros que já foram canonizados. Formado em Macau com pouco mais de 15 anos de idade, o jovem André trabalhou em meio à perseguição: foi preso, interrogado, torturado e decapitado por não querer se arrepender. Ele nem tinha 25 anos de idade. Com seu nome e o de uma centena de outros crentes de diferentes idades e classes sociais, o Papa Wojtyla quis inscrevê-lo no registro dos santos em 1984.

 

Missa de Parolin para a paz na Coreia em 2018.

Trinta sacerdotes e cerca de setenta religiosos e religiosas o recordam este sábado na Basílica de São Pedro, junto com Dom You. O embaixador coreano junto à Santa Sé também deve participar. Os fiéis leigos que compõem a comunidade coreana em Roma também estarão presentes. A mesma comunidade que, em 17 de outubro de 2018, participou da Missa pela Coreia, presidida na Basílica vaticana pelo cardeal secretário de Estado, Dom Pietro Parolin. No centro dessa cerimônia, naquela ocasião, estava um apelo em favor da paz e reconciliação para a Península coreana. Um pedido apresentado ao Papa na audiência do dia seguinte pelo presidente sul-coreano Moon Jae-in, que se sentou na primeira fila na Missa de Parolin, animada por canções e leituras em coreano.

Tratou-se de um evento para a comunidade romano-coreana, como a celebração desta tarde. "O fato de uma Missa pelo bicentenário de Santo André Kim Taegon estar sendo celebrada na Basílica de São Pedro é uma providência de Deus", disse dom You à agência coreana Yonhap.

 

A história dos mártires

Tanto religiosos quanto leigos católicos, os mártires coreanos foram vítimas de perseguição religiosa no país, onde as primeiras sementes da fé cristã apareceram no início do século XVII por meio das delegações que visitavam Pequim todos os anos para intercâmbios culturais. Na China, os coreanos entraram em contato com a fé cristã, trazendo para casa o livro do missionário jesuíta padre Matteo Ricci. Um leigo, o pensador Lee Byeok, inspirado no livro do jesuíta, fundou então uma primeira comunidade cristã muito ativa que rapidamente cresceu, tendo milhares de fiéis. Ela continuou a crescer mesmo quando, por volta de 1785, surgiu uma cruel perseguição no país, que levou à morte, em 1801, do único padre presente no país. Em 1802, o rei Sunjo emitiu um decreto estatal ordenando o extermínio dos cristãos como a única solução para sufocar a semente do que seu governo considerava "loucura". Deixados sozinhos e sem orientação espiritual, os fiéis pediam continuamente ao bispo de Pequim e até mesmo ao Papa pelos sacerdotes. As condições locais não permitiam isso até 1837, quando um bispo e dois sacerdotes das Missões Estrangeiras de Paris foram enviados. Eles entraram no país clandestinamente e foram martirizados dois anos mais tarde. Uma segunda tentativa de André Kim conseguiu trazer um bispo e um sacerdote e, a partir daquele momento, a presença de uma hierarquia católica na Coreia ficou estável, apesar do ressurgimento das perseguições em 1866. Por fim, em 1882, o governo decretou a liberdade religiosa.


São Paulo Chong Hasang, leigo e catequista.
 São João Paulo II canonizou 103 mártires coreanos.

 De acordo com fontes locais, mais de 10 mil mártires morreram na opressão coreana. Desses, 103 — incluindo várias mulheres — foram beatificados em dois grupos separados em 1925 e 1968 e depois canonizados juntos em 6 de maio de 1984 em Seul por João Paulo II. Apenas dez deles são estrangeirostrês bispos e sete sacerdotes; os outros são todos coreanos, catequistas e fiéis. A memória litúrgica deles é 20 de setembro. Os líderes desta lista litúrgica são, além de Santo André Kim Taegon, o catequista São Paulo Chong Hasang. Os restos mortais deles repousam desde 1900 na cripta da Catedral de Myeong-dong.


124 outros mártires beatificados por Francisco em Seul.

Outros 124 mártires foram beatificados pelo Papa Francisco em 16 de agosto de 2014, durante sua viagem à Coreia do Sul. Entre eles estava Paulo Yun Ji-chung. Mais de um milhão de fiéis participaram da Missa de Francisco naquele dia, celebrada na Porta de Gwanghwamun, que se seguiu a uma intensa visita do Papa ao local das execuções: o santuário de Seo So-Mun, na periferia de Seul. A enorme participação do povo foi um sinal da profunda devoção de que ainda gozam esses santos e beatos, membros vivos da história e da identidade de uma nação. Eles "nos lembram que devemos colocar Cristo acima de tudo", disse o Papa em sua homilia, acompanhada em várias passagens por aplausos prolongados e emocionados. O exemplo dos mártires, acrescentou o Pontífice, "tem muito a nos dizer, que vivemos em uma sociedade onde, ao lado de imensas riquezas, a pobreza mais abjeta cresce silenciosamente; onde o grito dos pobres raramente é ouvido; e onde Cristo continua a chamar-nos, pedindo-nos que o amemos e o sirvamos, estendendo a mão aos nossos irmãos e irmãs necessitados".


O Jubileu da Igreja Coreana

O bicentenário do nascimento de Santo André abriu as celebrações do Jubileu proclamado pela Igreja na Coreia do Sul em 29 de novembro de 2020. Este Jubileu é um ano de graça, sob o patrocínio da Unesco, que terminará em 27 de novembro de 2021 e representa "uma oportunidade favorável para o crescimento espiritual da Igreja coreana", conforme afirmou o bispo Dom Lazarus You, que na época liderava a diocese de Daejeon e era responsável pela organização do Ano Santo, em uma entrevista à mídia vaticana em dezembro passado. "Este Jubileu", disse o prelado, "nos dará a todos a oportunidade de interiorizar a espiritualidade do martírio, que é a seiva vital da Igreja na Coreia, meditando profundamente sobre a vida dos mártires". "Para nossos mártires, a fé era o valor mais importante", acrescentou dom You. "Na sociedade coreana, apenas 11% da população é católica, enquanto mais da metade se declara 'sem religião'". O convite é, portanto, "refletir seriamente sobre nossa identidade e nossa coerência como 'católicos fiéis'".


Setembro, mês da Igreja Católica na Coreia do Sul.

Há quase 100 anos (desde a beatificação dos primeiros 75 mártires coreanos em 1925), a Igreja Católica da Coreia celebra o Mês dos Mártires e, em 20 de setembro, comemora a solenidade de Santo André Kim Tae-gon, São Paulo Hasang e companheiros (103 Santos Mártires).

Nos últimos 50 anos, a Igreja Católica coreana – que atualmente conta com quase seis milhões de fiéis – trabalhou muito para documentar e aprofundar a memória de seus mártires. O país conta com nada menos que 187 santuários, túmulos, locais de nascimento de mártires e salões memoriais em todo o país.

Em setembro de 2013, a arquidiocese de Seul criou um percurso de peregrinação católica de 44,1 km para coincidir com a visita do Papa Francisco em 2014, que foi aprovada como peregrinação mundial oficial pelo Vaticano em 2018.

Durante o Mês dos Mártires, os católicos coreanos recordam, não apenas os 103 Santos canonizados em 1984 pelo Papa São João Paulo II e os 124 Beatos beatificados em 2014 pelo Papa Francisco, mas também a beatificação do Venerável Padre Choi Yang-eob Thomas e de 133 Servos de Deus mártires.


Santos Mártires da Coreia. Numeroso grupo de mártires cujo sangue ainda hoje
semeia e fecunda a Igreja Católica na Coreia do Sul, tornando-a muito próspera
espiritualmente e em número de santas vocações sacerdotais, religiosas e leigas. 

Outra imagem com os Santos Mártires Coreanos, mostrando um dos bispos ao centro e,
abaixo, instrumentos de tortura que eram usados antes da morte por decapitação. 



Santo André Kim Taegon, São Paulo Hasang e Companheiros Mártires, rogai pela Igreja Católica na Coreia, em toda a Ásia e no mundo inteiro! 


LISTA DO MÁRTIRES DA COREIA: 

Clérigos Missionários Estrangeiros (Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris): 


Bispos Missionários: 

  1. São Laurent-Marie-Joseph Imbert
  2. São Siméon-François Berneux
  3. São Marie-Nicolas-Antoine Daveluy
         Sacerdotes estrangeiros missionários: 
  1. São Pierre-Philibert Maubant
  2. São Jacques-Honoré Chastan
  3. São Simon-Marie-Just Ranfer de Bretenières
  4. São Bernard-Louis Beaulieu 
  5. São Pierre-Henri Dorie
  6. São Pierre Aumaître
  7. São Martin-Luc Huin
São Pierre-Henri, antes
de sua partida em missão
para a Coreia. 

         Sacerdote coreano

  • Santo André Kim Taegon (que encabeça a lista dos mártires). 

      Fiéis leigos e catequistas coreanos (entre esses, esposas, mães de família, jovens e adolescentes). 

  • São Paulo Chong Hasang (segundo na lista, por sua importância como catequista). 

  • São Pedro Yi Ho-yong

  • São Protásio Chong Kuk-bo

  • Santa Águeda Kim A-gi

  • Santa Ana Pak A-gi

  • Santa Águeda Yi So-sa

  • Santa Madalena Kim O-bi

  • Santo Agostinho Yi Kwang-hon

  • Santa Bárbara Han A-gi

  • Santa Luzia Pak Hui-sun

  • Santo Damião Nam Myong-hyok

  • Santo Pedro Kwon Tu-gin

  • Santo José Chang Song-jib

  • Santa Bárbara Kim

  • Santa Bárbara Yi

  • Santa Rosa Kim

  • Santa Marta Kim Song-im

  • Santa Teresa Yi Mae-im

  • Santa Ana Kim Chang-gum

  • Santo João Baptista Yi Kwang-nyol

  • Santo João Pak Hu-jae

  • Santa Maria Pak Kun-a-gi

  • Santa Bárbara Kwon-hui

  • Santa Bárbara Yi Chong-hui

  • Santa Maria Yi Yon-hui

  • Santa Inês Kim Hyo-ju

  • Santa Catarina Chong Ch'or-yom

  • Santo José Im Ch'i-baeg

  • Santo Sebastião Nam I-gwan

  • Santo Inácio Kim Che-jun (pai de Santo André Kim)

  • Santo Carlos Cho Shin-ch'ol

  • Santa Julieta Kim

  • Santa Águeda Chon Kyong-hyob

  • Santa Madalena Ho Kye-im

  • Santa Luzia Kim

  • Santo Pedro Yu Tae-ch'ol (o mais jovem, martirizado aos 13 anos)

  • Santa Maria Won Kwi-im

  • Santa Columba Kim Hyo-im

  • Santa Luzia Kim (Kop-ch'u)

  • Santa Catarina Yi

  • Santa Madalena Cho

  • Santa Cecília Yu So-sa

  • Santo Pedro Ch'oe Chang-hub

  • Santa Bárbara Cho Chung-i

  • Santa Madalena Han Yong-i

  • Santa Benedicta Hyon Kyong-nyon

  • Santa Elisabete Chong Chong-hye

  • Santa Bárbara Ko Sun-i

  • Santa Madalena Yi Yong-dok

  • Santa Teresa Kim

  • Santa Águeda Yi

  • Santo Estêvão Min Kuk-ka

  • Santo André Chong Hwa-gyong

  • Santo Paulo Ho Hyob

  • Santo Agostinho Park Chong-won

  • Santo Pedro Hong Pyong-ju

  • Santo Madalena Son So-byog

  • Santa Águeda Yi Kyong-i

  • Santa Maria Yi In-dok

  • Santa Águeda Kwon Chin-i

  • Santo Paulo Han Yong-sam

  • Santo Pedro Ch'oe Hyong

  • Santo João Baptista Chon Chang-un

  • Santo António Kim Song-u

  • Santo Estêvão Nam Chong-sam

  • Santo João Baptista Nam Chong-sam

  • São Marcos Chong Ui-bae (imagem abaixo)

  • Santo Aleixo U Se-yong (imagem abaixo)

  • Santo Lucas Hwang Sok-du

  • Santo Tomás Son Cha-sun

  • Santo Bartolomeu Jeong Mun-ho

  • Santo Pedro Cho Hwa-so

  • Santo Pedro Son Seon-ji

  • Santo Pedro Lee Myung-Seo

  • Santo José Han Jae-kwon

  • Santo Pedro Jeong Won-ji

  • Santo José Cho Yun-ho

  • Santo João Yi Yun-il

  • Santa Susana U Sur-im

  • Santo Tomás de Aquino Choi Yang-eop (incluído espiritualmente no grupo de testemunhas da época)

  • Santa Maria Ku Seong-yeol

  • Santa Bárbara Choe Yong-i

  • Santo André Kim Im-i

  • Santa Catarina Yi Kan-nan

  • Santo Alexandre Um

  • Santo Pedro Yu Chong-nyul

A memória litúrgica de todo o grupo é celebrada universalmente pela Igreja Católica no dia 20 de setembro (hoje). 


Santo André Kim Taegon foi o primeiro coreano a ser ordenado presbítero. Por isso 
que seu nome "encabeça" a lista dos Santos Mártires da Coreia. 



Olhar para o Céu (o Paraíso), antever o Céu, amar e desejar ver a Deus 
face a face, para sempre, nas eternas glória e felicidade, é o que anima,
encoraja e dá forças aos mártires de Cristo.  



Bela imagem "realística" dos mártires coreanos gerada por IA. 





Dois dos Santos Mártires Coreanos que foram decapitados por
seus próprios parentes. Jesus já havia predito isso nos Evangelhos:

E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; 

e matarão alguns de vós (São Lucas 21, 16)