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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Beato Boaventura de Potenza (Antonio Carlo Gerardo Lavanca), Presbítero Franciscano Conventual - memória em 26 de outubro.

          Nascimento: Potenza, 4 de janeiro de 1651.

Morte: Ravello, Salerno, 26 de outubro de 1711.


Martirológio Romano (resumo hagiográfico): 

Em Ravello, perto de Amalfi, na Campânia, viveu o Beato Boaventura de Potenza, sacerdote da Ordem dos Frades Menores Conventuais, que se destacou pela sua obediência e caridade para com todos.

O padre Boaventura da Potenza nasceu em 4 de janeiro de 1651 e recebeu o nome de Antonio Carlo Gerardo na pia batismal.

Ingressou na Ordem dos Frades Menores Conventuais aos 15 anos. Passou por diversos conventos: Aversa, Maddaloni, Lapio, Amalfi, Ischia, Nocera Inferiore (onde foi mestre de noviços), Sorrento, Nápoles e, finalmente, Ravello, onde faleceu em 26 de outubro de 1711, vítima de gangrena na perna.

Foi um exemplo de humildade e, embora não fosse um erudito, impressionava pela profundidade teológica de suas pregações.

Numerosos milagres lhe são atribuídos: viu a alma de sua irmã ascender aos céus, curou um leproso e ressuscitou um morto enquanto orava.

Sua caridade para com as vítimas da peste era extrema, assim como sua obediência aos superiores.

Foi beatificado pelo Papa Pio VI em 26 de novembro de 1775. Sua memória litúrgica, para a Ordem dos Frades Menores Conventuais e a Diocese de Amalfi-Cava dei Tirreni, à qual Ravello pertence desde 1818, é celebrada em 26 de outubro, dia de partida para o Céu.

Seus restos mortais são venerados na Igreja de São Francisco, em Ravello, expostos em uma urna sob o altar-mor.

 

Relato hagiológico:

Antonio Carlo Gerardo Lavanca nasceu em Potenza, em 4 de janeiro de 1651, filho de Lelio Lavanga e Caterina Pica; foi batizado no mesmo dia. Ainda muito jovem, conheceu os Frades Menores Conventuais e sentiu o chamado de Deus para adotar seu estilo de vida – uma pobreza por escolha, marcada pela obediência aos superiores e pela abnegação.

Aos quinze anos, iniciou seu noviciado no convento de Nocera Inferiore, mudando seu nome para Frei Bonaventura da Potenza. Em seguida, foi enviado a Aversa e Maddaloni para aprofundar seus estudos para o sacerdócio. Ali, porém, o ambiente era bem diferente de sua experiência inicial em Potenza, cuja pobreza espontânea o fascinara.

Devido à turbulência interior que sentia, foi transferido primeiro para Lapio, em Irpinia, e depois para Amalfi. Neste último convento, conheceu um conterrâneo, o Padre Domenico Girardelli da Muro Lucano, que se tornou seu guia espiritual.

Assim, aprendeu a moderar seu espírito: de rebelde e inquieto, tornou-se obediente e acatava com entusiasmo cada palavra de Deus por meio de seus representantes na terra, isto é, de seus superiores.

No convento de Amalfi, começaram a ocorrer eventos quase milagrosos, testemunhando sua completa obediência e abandono à vontade daqueles que o comandavam, mesmo as (aparentemente) mais absurdas. Essa simplicidade de espírito lhe valeu a alegria de se tornar sacerdote em 1675.

Permaneceu em Amalfi por oito anos, vivendo em maravilhosa simbiose espiritual com o já idoso frade Domenico Girardelli. Quando foi designado para Nápoles, separaram-se em lágrimas, com o pressentimento de nunca mais se verem.

De Nápoles, seguiu para Ischia e depois para Sorrento. Em todas essas missões, distinguiu-se como um exemplo vivo da mais estrita pobreza franciscana, edificando seus irmãos com sua vida totalmente dedicada à obediência. De fato, costumava dizer: "Senhor, sou um servo inútil em tuas mãos".

Mais tarde, foi-lhe confiada a formação de novos frades no Noviciado de Nocera Inferiore, onde ensinou um estilo de vida rigoroso e exigente, com profundo respeito pela pobreza, e almejou um retorno às origens do franciscanismo.

Frade “santo” e taumaturgo (exemplos de dons que possuía, testemunhado por muitos):

Dons da premonição e da clarividência:

O Padre Boaventura frequentemente comunicava antecipadamente a pessoas conhecidas, incluindo bispos, nobres e outros frades, eventos que logo se concretizavam. Por exemplo, enquanto viajava para Potenza, onde sua irmã estava morrendo, viu a alma dela ascender ao céu, permitindo-lhe retornar.

Dom de realizar curas e milagres:

Novamente, como São Francisco, abraçou um leproso: o homem foi instantaneamente curado. Permaneceu em Ischia por nove anos, realizando outros milagres ao longo do caminho. Entre esses, a ressurreição de um morto, após orar a Deus por ele. Quando teve que partir para um novo destino, o povo de Ischia reuniu-se na praia para se despedir dele.

Dom da levitação:

No convento de Sant'Antonio a Porta Medina, em Nápoles, ele foi visto se elevando do chão enquanto orava.

Dom da sabedoria e da ciência infusa:

Não possuía doutorado em teologia, mas sua pregação era tão profunda que impressionou seus irmãos eruditos em San Lorenzo Maggiore, a principal comunidade franciscana conventual da cidade.

Sua doença e santa morte:

Durante a peste que assolou Nápoles no século XVII, ele prestou auxílio às vítimas. Ele próprio adoeceu, mas por outros motivos: uma de suas pernas desenvolveu gangrena, necessitando de cirurgia.

No início de 1710, já idoso e doente, foi transferido para o convento de Ravello. Como não podia descer até os habitantes, estes acorreram ao convento em busca de consolo, atraídos pelos inúmeros milagres que realizava.

O Padre Boaventura faleceu no convento de San Francesco, em Ravello, em 26 de outubro de 1711, em meio ao luto do povo e ao repicar dos sinos em um concerto de glória.

Ele foi declarado Beato pelo Papa Pio VI em 26 de novembro de 1775. Sua memória litúrgica, para a Ordem dos Frades Menores Conventuais e a Diocese de Amalfi-Cava dei Tirreni, à qual Ravello pertence desde 1818, é celebrada em 26 de outubro, dia de sua partida para o Céu.

Seus restos mortais são venerados na Igreja de São Francisco, em Ravello, expostos em uma urna sob o altar-mor.

Beato Boaventura de Potenza, rogai por nós! 

SÃO JOSÉ GREGÓRIO HERNÁNDEZ CISNEROS, Leigo, Médico e Terciário Franciscano (conhecido como: "O Médico dos Pobres") - 26 de outubro.

          Nascimento: Isnotú, Venezuela, 26 de outubro de 1864.

Falecimento: Caracas, Venezuela, 29 de junho de 1919.


José Gregorio Hernández Cisneros nasceu em 26 de outubro de 1864, em Isnotú, no estado de Trujillo, Venezuela.

Aos dezoito anos, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Caracas, graduando-se em 29 de junho de 1888.

Graças ao presidente venezuelano Paulo Rojas, foi enviado à Europa, especificamente a Paris e Berlim, para dois anos de formação avançada. Especializou-se em Microbiologia e Bacteriologia, Histologia Normal e Patológica e Fisiologia Experimental.

Em 7 de dezembro de 1899, ingressou na Ordem Franciscana Secular. Desejando consagrar-se a Deus como monge cartuxo, partiu para a Itália: em 16 de julho de 1908, entrou para a Cartuxa di Farneta, tornando-se Frei Marcelo. Após nove meses, por motivos de saúde, foi obrigado a retornar à sua terra natal.

Quando sua universidade foi fechada por razões políticas, aproveitou a oportunidade para iniciar estudos teológicos no Colégio Pio Latino Americano, em Roma. Oito meses depois, porém, foi obrigado a retornar a Caracas, novamente, por motivos de saúde.

Percebeu, então, que deveria adotar o celibato como estado de vida e oferecer seu apostolado por meio da profissão médica, com especial atenção aos pobres.

Em 29 de junho de 1919, ao sair de uma farmácia em Caracas, onde comprara remédios para um paciente idoso, foi atropelado e faleceu após ser levado ao hospital.

Sua beatificação foi celebrada em 30 de abril de 2021, na Igreja de São João Batista de La Salle, no Instituto La Salle La Colina, em Caracas, sob o pontificado do Papa Francisco.

Em 24 de fevereiro de 2025, o Papa Francisco aprovou os votos favoráveis ​​da Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos membros do Dicastério para as Causas dos Santos para sua canonização, sem a necessidade do milagre adicional exigido.

Durante o Consistório Público Ordinário de 13 de junho de 2025, o Papa Leão XIV decretou que a canonização seja celebrada no domingo, 19 de outubro de 2025.

Sua memória litúrgica será celebrada em 26 de outubro, data de seu aniversário, e seus restos mortais serão venerados na Igreja de Nossa Senhora da Candelária, em Caracas.


Relato hagiológico:

Primeiros anos:

José Gregório Hernández Cisneros nasceu em 26 de outubro de 1864, em Isnotú, no estado de Trujillo, Venezuela, o primeiro dos seis filhos de Benigno María Hernández Manzaneda e Josefa Antonia Cisneros Mansilla.

Foi batizado em 30 de janeiro de 1865, na igreja que hoje é a paróquia do Menino Jesus, em Escuque. Em 6 de dezembro de 1867, foi crismado na igreja de San Juan Bautista, em Betijoque, por Dom Juan Bonet, bispo de Mérida. Perdeu a mãe aos oito anos de idade.


Educação e Formação em Medicina

Em 1878, aos quatorze anos, seu pai o enviou para estudar no Colégio Villegas, em Caracas, onde concluiu o ensino médio com honras. Por conselho do pai, em 1882, aos dezoito anos, matriculou-se na Universidade Central de Caracas para estudar Medicina. Ele sempre se destacou em primeiro lugar na sua turma, ano após ano, conquistando a medalha de honra. Formou-se com louvor em medicina em 29 de junho de 1888, aos 24 anos.

No ano seguinte, em 31 de julho de 1889, o presidente da Venezuela, Paulo Rojas, reconheceu suas qualidades excepcionais como jovem médico em formação e pesquisador, selecionando-o para viajar a Paris e Berlim a fim de continuar e aprimorar seus estudos científicos.

Permaneceu no exterior por dois anos, especializando-se em estudos teóricos e práticos de microbiologia e bacteriologia, histologia normal e patológica e fisiologia experimental.

Em Paris, foi admirado por professores e colegas, não apenas por sua inteligência e dedicação aos estudos, mas também por suas virtudes cristãs, vividas com caridade, integridade e pureza.

De fato, a cidade oferecia muitas opções de entretenimento, como o cancan e os espetáculos de variedades, que caracterizavam a Belle Époque do final do século XIX na França e na Europa. Ele, no entanto, soube viver sem elas.

Médico dos Pobres em Caracas e terciário franciscano.

Aos vinte e sete anos, em 1891, retornou à Venezuela e iniciou uma carreira universitária como professor e pesquisador. Após algum tempo, fundou as cátedras de Histologia Normal e Patológica e de Fisiologia Experimental e Bacteriologia.

Em sua prática médica, priorizava os pobres: não só não recebia salário, como frequentemente lhes dava dinheiro para medicamentos; por isso, era chamado de "o médico dos pobres".

Cristão profundo, não hesitava em professar abertamente sua fé. Assistia à Missa todas as manhãs, recebendo, diariamente, Jesus na Eucaristia. Antes de iniciar cada aula, fazia o sinal da cruz.

Em 7 de dezembro de 1899, professou seus votos como Terciário Franciscano associado à fraternidade da igreja de Nossa Senhora da Misericórdia em Caracas, administrada pelos Frades Capuchinhos. De São Francisco de Assis, aprendeu a reconhecer o sofrimento de Jesus nas pessoas mais pobres.


A experiência na Cartuxa de Farneta:

No fundo de si, sentia o desejo de uma vida totalmente consagrada ao Senhor. Em 1907, decidiu abandonar o magistério para se tornar monge. Seu diretor espiritual o colocou em contato com o prior da Cartuxa de Farneta, na província de Lucca, que atendeu ao seu pedido.

Em 16 de julho de 1908, José Gregório chegou a Farneta. Após um mês de postulantado, foi admitido à vida monástica. Adotando o novo nome de Irmão Marcelo, recebeu o hábito religioso; em seguida, teve a cabeça raspada e o bigode habitual cortado.

Em 29 de agosto, sua nova vida começou, mas não durou muito: ele sofreu um colapso físico devido ao rigor da Regra Cartusiana. Após nove meses, foi obrigado a retornar para casa contra a sua vontade: seus superiores assim decidiram por razões de saúde. Depois de oito meses no Colégio Pio Latino Americano, em Roma, José Gregorio retomou seus trabalhos, continuando a sonhar com o momento de sua consagração.

Em 1º de outubro de 1912, o General Juan Vicente Gómez ordenou o fechamento da Universidade de Caracas, por ser contrária ao regime que havia estabelecido.

Nesse momento, o médico solicitou e obteve admissão no Colégio Pio Latino Americano, em Roma, onde permaneceu por oito meses, estudando teologia e aprimorando seu latim. Contudo, novamente, por motivos de saúde, teve de abandonar o Colégio e regressar a Caracas em agosto de 1914.


Medicina, a sua verdadeira vocação.

Todos estes acontecimentos inesperados fizeram-no compreender mais claramente a vontade de Deus, que lhe pedia que renunciasse ao ideal do sacerdócio e ao de monge cartuxo. A sua missão consistia na prática da medicina, especialmente para os pobres e necessitados de cuidados materiais e espirituais.

Nos cinco anos seguintes, dedicou-se intensamente aos estudos científicos e, simultaneamente, ao trabalho de caridade. Em janeiro de 1916, fundou a Escola Oficial de Medicina, a primeira da Venezuela. Em 1917, viajou para Nova Iorque e Madri para prosseguir os seus estudos acadêmicos, confiando as suas cátedras ao seu colega Domingo Luciani. Retomou o ensino a 30 de janeiro de 1918.

Verdadeiro médico de almas e corpos, dedicou-se sem limites ao auxílio dos doentes afetados pela epidemia da gripe espanhola que assolou o mundo nesse ano.

 

Sua morte acidental e repentina.

Em 29 de junho de 1919, o Dr. Hernández foi a uma farmácia em Caracas comprar remédios para um paciente idoso que havia visitado pouco antes.

Ao sair da loja, foi atropelado por um dos poucos carros lentos que circulavam na época. Levado ao hospital, recebeu a Unção dos Enfermos. Morreu murmurando: "Ó, Virgem Santíssima!". Até hoje, ele parece ser um dos poucos candidatos ao altar que foram vítimas de um acidente de trânsito.

Seu funeral foi acompanhado por uma multidão comovida e inconformada com sua morte, composta por autoridades civis e religiosas, acadêmicos e cientistas, e uma enorme multidão, em sinal de gratidão e veneração.

Seus restos mortais, sepultados no Cemitério Geral do Sul, foram posteriormente transferidos para a Igreja de Nossa Senhora da Candelária em Caracas.


O processo de beatificação chegou ao decreto de virtudes heroicas.

O processo informativo para a sua causa de beatificação, com o objetivo de apurar o caráter heroico das suas virtudes, decorreu de junho de 1949 a 1958 na diocese de Caracas. Em 2 de abril de 1964, foi expedido o decreto sobre os seus escritos, seguido, a 4 de maio de 1972, do decreto de abertura da causa, que deu início à fase romana.

O processo apostólico ocorreu, portanto, de julho de 1973 a janeiro de 1976. O decreto que valida os processos informativo e apostólico é datado de 1º de agosto de 1980. A "Positio super virtutibus" foi transmitida em 1984.

Após a reunião dos Consultores Teológicos da Congregação para as Causas dos Santos, em 24 de setembro de 1985, e a dos cardeais e bispos membros da mesma Congregação, em 17 de dezembro de 1986. Em 16 de janeiro, o Papa São João Paulo II autorizou a promulgação do decreto pelo qual José Gregório Hernández Cisneros foi declarado Venerável.


O milagre que levou à sua beatificação:

Numerosas graças singulares foram atribuídas à sua intercessão. Um primeiro suposto milagre atribuído à sua intercessão foi investigado na devida investigação diocesana, validado em 31 de março de 2007, mas o Conselho Médico da Congregação para as Causas dos Santos o rejeitou em 3 de julho de 2008. Outro caso, uma suposta cura de um aneurisma cerebral em 2014, também foi descartado devido à falta de documentação médica.


O milagre para sua beatificação:

O caso de Yaxury Solórzano Ortega, nascida em 2006, foi então examinado. Ela foi ferida na tarde de 10 de março de 2017 por vários tiros de espingarda de caça durante um assalto à mão armada enquanto estava com seu pai.

Levada ao hospital, foi diagnosticada com uma fratura parietal direita com múltiplos fragmentos ósseos e metálicos no tecido cerebral. Seu quadro neurológico piorou, mas o neurocirurgião só conseguiu examiná-la após quarenta e oito horas.

Ela foi então transferida para uma clínica particular para neurocirurgia. Segundo os médicos, se tivesse sobrevivido, teria sofrido graves danos neurológicos e ficado incapacitada.

A mãe da criança, ao saber da gravidade do seu estado, começou a rezar ao Venerável José Gregorio, juntamente com sua família e outras pessoas. Em 15 de março de 2017, houve uma melhora repentina, a ponto de, quinze dias depois, a menina ter recebido alta em bom estado de saúde e sem sequelas. O processo de beatificação do alegado milagre ocorreu na diocese de San Fernando de Apure. Os documentos pertinentes foram aprovados em 18 de dezembro de 2018 e entregues em Roma em 18 de janeiro de 2019.


Aprovação do milagre para a beatificação do Dr. José Gregório:

Em 19 de junho de 2020, em audiência com o Cardeal Giovanni Angelo Becciu, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto que reconhece a cura como milagrosa e obtida pela intercessão do Venerável José Gregorio Hernández Cisneros.

Sua beatificação foi celebrada em 30 de abril de 2021, na Igreja de São João Batista de La Salle, no Instituto La Salle La Colina, em Caracas, com o rito presidido por Dom Aldo Giordano, Núncio Apostólico na Venezuela, como delegado do Santo Padre.

Sua memória litúrgica foi marcada para 26 de outubro, data de seu aniversário, pois 29 de junho, dia de sua ascensão ao Céu, é ocupado pela solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. Assim, ele se tornou o quarto Beato da Venezuela, bem como o primeiro leigo venezuelano a ser beatificado.

Dois pronunciamentos papais na véspera da beatificação:

 Com um quirógrafo datado de 29 de abril de 2021, na véspera da beatificação, atendendo ao pedido do Cardeal Baltazar E. Porras Cardozo, administrador apostólico da Arquidiocese de Caracas, e à petição do reitor da Pontifícia Universidade Lateranense, o Papa Francisco nomeou o Dr. José Gregorio, co-patrono do Curso de Estudos em Ciências da Paz, colocando-o ao lado do Beato Giovanni della Pace, um eremita que viveu em Pisa no século XIV.

Nesse mesmo dia, em uma mensagem em vídeo, o Santo Padre saudou os fiéis venezuelanos, encorajando-os a seguir o exemplo do doutor, "um fiel discípulo de Cristo, que fez do Evangelho o critério de sua vida", e que moldou seu serviço à humanidade à semelhança de Jesus, que lavou os pés de seus discípulos.

Além disso, ele chamou a beatificação de "uma bênção especial de Deus para a Venezuela", que também está sendo afetada pela pandemia do coronavírus.

Sua fama de santidade aumentou ainda mais após sua beatificação:

A veneração ao Beato José Gregório, após sua beatificação, difundiu-se ainda mais. Sua imagem foi exibida em centros de saúde, hospitais, escolas e santuários (a começar pelo dedicado a ele em Isnotú, sua cidade natal), e obras teatrais e artísticas, exposições e dias de estudo foram dedicados a ele.

Seu culto também ganhou terreno na piedade popular, como demonstram pequenos sinais, como imagens afixadas em carros e na traseira de ônibus.

Sua fama por sinais, nomeadamente curas espirituais e físicas e intervenções milagrosas, era igualmente difundida.

Por todas essas razões, em 26 de março de 2024, o Arcebispo de Caracas, Cardeal Baltazar Enrique Porras Cardozo, pediu ao Santo Padre Francisco que prosseguisse com a canonização sem o milagre adicional necessário.

A esse pedido e ao apresentado pela Conferência Episcopal Venezuelana, somaram-se cartas postulatórias dos bispos da Venezuela (incluindo o Núncio Apostólico local), Espanha, Colômbia, Argentina, Estados Unidos da América, Equador e Antilhas Holandesas. Além disso, houve pedidos de padres diocesanos, párocos, reitores de santuários, institutos de vida consagrada e associações de fiéis.


Visando a canonização com dispensa do milagre (canonização “equipolente”):

Acolhendo os pedidos apresentados, o Santo Padre autorizou o Dicastério para as Causas dos Santos a empreender o processo especial para a eventual canonização, com dispensa do milagre normalmente exigido.

A "Positio super canonizatione" visava, portanto, fornecer evidências não apenas do culto duradouro e crescente, mas também de como seu exemplo levou muitos a buscar sua intercessão, especialmente pelos mais necessitados e pelos enfermos.

Os cardeais e bispos do Dicastério para as Causas dos Santos, em sua Sessão Ordinária, enfatizaram como o testemunho do Beato José Gregório era particularmente oportuno, especialmente em referência ao seu serviço como médico católico, servindo aos pobres de maneira plenamente eucarística.

Em 24 de fevereiro de 2025, durante uma audiência concedida a Monsenhor Edgar Peña Parra, Substituto para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado, o Papa Francisco aprovou os votos favoráveis ​​dos cardeais e bispos do Dicastério para as Causas dos Santos, abrindo assim o caminho para a canonização.

Durante o Consistório Público Ordinário de 13 de junho de 2025, o Papa Leão XIV decretou que a canonização fosse celebrada no domingo, 19 de outubro de 2025.

São José Gregório Hernández Cisneros, rogai por nós! 

sábado, 24 de outubro de 2026

Beata Benigna Cardoso da Silva ("Menina Benigna"), Virgem e Mártir, "Heroína da Castidade" - 24 de outubro.


Este "retrato falado" é a primeira
representação que se tem da 
Beata Benigna Cardoso, feito 
baseado na descrição de pessoas
e familiares que a conheceram
pessoalmente. 
A Beata Benigna Cardoso da Silva, nascida no Sítio Oiti - Santana do Cariri-CE, no dia 15 de outubro de 1928, filha de José Cardoso da Silva e Thereza Maria da Silva, ficou órfã de pai e mãe muito cedo, sendo adotada juntamente com seus irmãos mais velhos pela família “Sisnando Leite”, proprietária do Oiti dos Cirineus, no distrito de Inhumas.

Sua infância foi cercada pela alegria das inocentes brincadeiras com cantigas de roda, bonecas, casinha, piqueniques, passeios etc., ao lado de suas irmãs de criação, Tetê e Irani, que ainda vivem. Benigna gostava muito de uma cantiga de roda que dizia mais ou menos assim: “Carneirinho, carneirão, neirão, neirão, olhai pro céu, olhai pro céu, pro céu, pro céu, para ver Nosso Senhor, Senhor, Senhor, e todos se ajoelharem...”.

      Era uma jovem muito simples e cheia de humildade. De estatura média, Benigna era magra, de cabelos e olhos castanhos meio ondulados, morena clara, rosto arredondado e queixo afinado. Tinha um leve estrabismo em um dos olhos.

      Modesta por natureza, tímida, reservada e meditativa, não usava vestidos sem mangas, curtos nem com decotes. Sua generosidade, carisma e simpatia a faziam muito querida por familiares, amigos e conhecidos, tornando-se um modelo de juventude para a época. Seu "jeito de ser" cativava a todos. 

Em casa, desenvolvia bem todas as tarefas domésticas, com o intuito de ajudar sua família adotiva. Era boa filha, sempre obediente e prestativa.

      Extremamente religiosa e temente a Deus, nutria um grande desejo de fazer a Primeira Eucaristia, e, depois desse sonho realizado, seguia à risca os mandamentos divinos. Não perdia as Missas e fazia penitência nas primeiras sextas-feiras em devoção ao Sagrado Coração de Jesus, sempre na companhia de sua “madrinha Ozinha” e da “Tia Bezinha.” Era assídua na participação eucarística.

      Aos 12 anos de idade, já sabendo ler e escrever, Benigna começou a ser assediada por um rapaz chamado Raul Alves com propostas de namoro, rejeitadas de forma categórica por ela, que nada queria com ele a esse respeito. 
Procurou imediatamente o Padre Cristiano Coelho, pároco de Santana do Cariri, na época, para pedir conselhos sobre o assunto da perseguição de Raul. Este lhe aconselhou a vir estudar em Santana do Cariri – CE e a presenteou com uma "História Sagrada" (um livro que continha as principais histórias bíblicas, com ilustrações), que se tornou seu livro de cabeceira, guardado com esmero e carinho. 
Encantava-se com as gravuras e as histórias do Antigo e do Novo Testamento. Neste livro, tão querido a ela, a Beata Benigna encontrou luz espitual para resistir às tentações de Raul e fortalecer cada vez mais sua fé.
A caminho da escola, mostrava-se sempre uma defensora da natureza, não deixando que seus colegas maltratassem as plantinhas nem tirassem suas flores ou galhos. Na sala de aula, era uma aluna exemplar; por demais estudiosa, cuidadosa, pontual e colaboradora. Sempre gostava de ajudar seus colegas para não vê-los punidos com a palmatória ou de joelhos nos caroços de milho, fato que a deixava demasiadamente triste, e às vezes até chorava com os castigos aplicados aos outros.

O martírio:
Depois de várias tentativas sem sucesso, numa tarde fatídica de sexta-feira, dia 24 de outubro de 1941, sabendo que Benigna ia pegar água numa cacimba próxima à sua casa — para preparar o jantar (como era seu costume diário) —, ficou Raul à espreita atrás do mato, observando-a com o pote na cabeça, com seus recém-completados 13 anos (havia aniversariado no dia 15 de outubro). 
Ao aproximar-se, abordou-a sexualmente. Ela recusou; ele insistiu, tentando violentá-la. Ela disse “não” com veemência e lutou heroicamente para se defender do ato pecaminoso, que, no seu entender cristão, ofenderia seu corpo.
Raul, ao perceber que Benigna nada aceitaria com ele, foi tomado por um ódio feroz; sacou de um facão e a golpeou, cortando-lhe os dois dedos (mínimo e anelar) da mão esquerda. Ela relutou de forma sobre-humana contra seu algoz, preferindo morrer a pecar contra a castidade. Depois disso, foi atingida na testa, nas costas e, por fim, no pescoço, cujo golpe deixou-lhe a cabeça quase decepada.

Ao vê-la morta, com o corpo estendido sobre as pedras e o sangue inocente se esvaindo pelo chão, Raul foge. O corpo da vítima, já sem vida, foi encontrado logo em seguida pelos familiares e vizinhos, que estranharam que a menina não retornava à casa.
Seu corpo foi sepultado na manhã do sábado, no Cemitério Público São Miguel, em Santana do Cariri-CE, acompanhado de comoção geral. Os requintes de crueldade do bárbaro crime abalaram todo o município. 
Desde essa data, começaram as visitas ao túmulo e ao local do martírio até o tempo presente. As rogativas feitas à “Santa de Inhumas”, assim como as promessas, são geradoras de graças alcançadas por intercessão dessa memorável jovem, que é tida por todos como “santa” e “Heroína da Castidade”.
O assassino foi preso, pagou pelo seu crime e, arrependido, voltou ao local 50 anos depois para chorar, elevar preces e pedir perdão a Benigna.
Neste retorno, relatou sua mudança de vida, sua conversão ao cristianismo. Fez penitências para salvar sua alma e, pedindo a intercessão de Benigna, alcançou graças, sempre recorrendo à sua inocente vítima, a quem sempre rogava nas horas de aflição. 
Segundo ele, seu ato foi de loucura e “ela se mostrou virtuosa, quando resistiu para não pecar e não apenas para ver se escaparia.” Uma observação: esse seu testemunho foi fundamental no processo de beatificação de Benigna, pois, atestou que o que ocorreu não foi um "mero" assassinato, mas um legítimo martírio, isto é, "testemunho" da virtude da castidade que Benigna trazia no corpo, na mente e na alma. 
Sobre Benigna, o Padre Cristiano deixou escrito, na época, ao lado do seu batistério: “Morreu martirizada, às 4 horas da tarde, no dia 24 de outubro de 1941, no sitio Oiti. Heroína da Castidade, que sua santa alma converta a freguesia e sirva de proteção às crianças e às famílias da Paróquia. São os votos que faço à nossa santinha".
Benigna Cardoso da Silva, uma simples adolescente sertaneja, pobre, de uma localidade (à época) longínqua e praticamente desconhecida, foi solenemente beatificada no dia 24 de outubro de 2022, 81º ano de seu glorioso martírio, por Dom Leonardo Ulrich "Cardeal" Steiner, arcebispo de Manaus, que, na ocasião, representava o Papa Francisco, que assinou o decreto para a beatificação da então "Venerável Serva de Deus".
A celebração da beatificação da Beata Benigna Cardoso da Silva contou com a presença de mais de 40 bispos. Além do clero da Diocese do Crato e das dioceses vizinhas do Ceará e do Nordeste, a Missa Solene reuniu centenas de sacerdotes, diáconos, religiosos e dezenas de milhares (algo em torno de 30 a 40 mil) de fiéis, no Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti, no município do Crato, sede da diocese.
Rogai por nós, Beata Benigna Cardoso da Silva, heroína da Castidade!
Para que sejamos dignos (as) das promessas de Cristo!

A respeito da vida de Benigna Cardoso, há um vídeo muito bem feito, da página "Leitura Complementar", no YouTube.
O link é: https://www.youtube.com/watch?v=xoCytZ075Ro&t=4s

Outras representações iconográficas (mais modernas) da Beata Benigna: 




















quinta-feira, 22 de outubro de 2026

SÃO JOÃO DE CAPISTRANO, Presbítero Franciscano, grande pregador e taumaturgo - 23 de outubro.



São João de Capistrano possuía um 
extraordinário dom da pregação. 
Suas palavras, quais espadas de
dois gumes, penetrava o mais fundo
das almas, causando sincera contrição
em seus ouvintes e muitas conversões. 
João nasceu no ano de 1385 em Capistrano, pequena cidade dos Abruzos no reino de Nápoles. Seu pai era um fidalgo angevino que tinha ido para a região na comitiva do duque de Anjou, e lá se havia fixado. Nada se sabe da infância e adolescência de João, a não ser que estudou humanidades em sua terra natal, indo depois para Perúsia estudar direito civil e canônico. Doutorou-se nestes com sucesso. Assinalou-se tanto, por sua honestidade e prudência e por seus costumes puros, que lhe foi oferecido um posto na magistratura na própria Perúsia. Naqueles felizes tempos, ao contrário de hoje, a virtude era premiada. Um dos principais personagens da cidade lhe ofereceu a mão de sua filha única. O que mais poderia desejar, João? Tudo para ele eram flores e louvores. Mas essa felicidade sem nuvens não duraria muito, pois a Divina Providência tinha altos desígnios em relação ao jovem jurista.

Nesse tempo, a orgulhosa Perúsia levantou-se em armas contra o rei Ladislau, da Sicília. Na batalha que se seguiu, os perusinos foram vitoriosos. João, que tentara ser moderador entre as duas forças, teve sua atitude mal interpretada — foi acusado de favorecer o partido de Ladislau e de estar em comunicação com o exército inimigo. Isso bastou para pô-lo no cárcere. Defendeu-se brilhantemente, mas os homens eram surdos aos seus argumentos. Ele esperava que o rei Ladislau se interessasse por sua sorte; ou que o fizesse algum dos magistrados de Perúsia, que tão devotados tinham se mostrado antes. Mas ninguém se interessou por ele, que ficou esquecido na prisão. Para ele, era a hora da Providência.

Nas longas e monótonas horas de recolhimento forçado, João começou a considerar a inconstância da amizade humana, o falacioso das glórias deste mundo, e como não se podia fiar senão em Deus. A graça começou a trabalhar sua alma. Aos poucos começou a pensar em entregar-se a Deus.

E Deus secundava seus planos: nesse tempo faleceu sua jovem esposa, com quem não tivera filhos. Esse fato determinou-o a romper radical e totalmente com o mundo. Por sua ordem, seus bens foram vendidos e seu resgate pago, sendo ele posto em liberdade. Liquidou suas dívidas e doou o resto de sua boa fortuna aos pobres. Dirigiu-se depois ao convento franciscano do Monte, perto de Perúsia, da estrita observância, e pediu admissão. Tinha ele 30 anos de idade.

Humilhações para formar um santo.
João vinha precedido da sua boa fama no mundo. O mestre de noviços quis então experimentar sua vocação por meio das humilhações. Para começar, fê-lo desfilar pela cidade onde antes triunfara, montado num burrico, vestido com um velho hábito, tendo na cabeça uma mitra de papel na qual estavam escritos alguns pecados. Suportou com espírito sobrenatural não só essa humilhação, mas todas que Deus Nosso Senhor permitiu que sofresse, a fim de fazê-lo caminhar mais rapidamente no caminho da perfeição. Por duas vezes foi expulso do convento como inapto para a vida religiosa, e por duas vezes foi readmitido. Enfim, fez a profissão religiosa e foi ordenado sacerdote.

Para controlar seus impulsos ardentes e sua natureza viva, entregou-se com empenho à mortificação, flagelando-se duramente, reduzindo as horas de sono para três por noite e alimentando-se uma só vez por dia. Rezava diariamente inúmeras preces, entre elas o Ofício de Nossa Senhora, o Ofício dos Mortos, os Sete Salmos Penitenciais. Dedicava-se com empenho à meditação das verdades eternas e à leitura espiritual. Durante a celebração do santo sacrifício da Missa, chamava atenção sua profunda piedade.

João de Capistrano, como ficou seu nome depois da profissão religiosa, foi designado para trabalhar nos hospitais da cidade e para a pregação.


Devoto de Nossa Senhora e prodigioso pregador.
Os santos se atraem entre si, assim como acontece com os maus. Estreita amizade logo uniu Frei João com São Bernardino de Siena, do qual se fez discípulo. E, quando se levantou uma campanha de calúnias contra o mestre –– por causa da reforma da Ordem, que levava a efeito, e da propagação da devoção ao nome de Jesus, que empreendia ––, João de Capistrano foi a Roma defendê-lo diante do Papa e da Corte romana. Foi tal o brilho com que o fez, chamando sobre si a atenção da Santa Sé, que esta passou então a empregá-lo em várias missões difíceis, tornando-lhe impossível entregar-se à vida retirada e contemplativa que pretendia. Frei João manteve também profunda amizade em relação a São Lourenço Justiniano, outro reformador.

Sua devoção para com a Virgem Maria era terna e profunda. Quando pregava sobre Ela, o auditório chorava de emoção. Certo dia, em que aludiu num sermão às palavras do Apocalipse: "signum magnum apparuit in coelo" (um sinal admirável apareceu no céu), os assistentes puderam contemplar brilhante estrela que apareceu sobre o auditório, lançando raios sobre a face do pregador. 

Em outra ocasião, fez parar no ar a chuva que prejudicava seu sermão e silenciou os passarinhos que chilreavam muito forte. 

Com ele repetiu-se o milagre ocorrido com alguns outros santos: negando-se um barqueiro a levá-lo à outra margem do rio Pó, atravessou-o a pé enxuto sobre seu manto, que lhe serviu de barco. 

No fim de um sermão sobre as vaidades e perigos do mundo, em Áquila, as mulheres da cidade trouxeram seus ornamentos e os queimaram em grande fogueira na praça pública. O mesmo sucedeu em vários outros lugares. 

Em Praga, depois de um sermão que fez sobre o Juízo Final, mais de cem jovens abraçaram a vida religiosa. Na Morávia, converteu quatro mil hussitas e deixou um livro no qual refutava ponto por ponto a doutrina dessa seita herética. Também converteu bom número de judeus.

Inquisidor, diplomata e reformador.
No final do século XIII, surgiu na comarca de Ancona, na Itália, uma seita religiosa muito perniciosa de monges vagabundos, quase todos apóstatas, com o nome de Fraticelli, que escandalizavam a Igreja e a Cristandade. Apesar de condenada várias vezes, a seita, restos dela ainda existiam na Itália no tempo do santo. 

O papa Eugênio IV nomeou então Frei João de Capistrano inquisidor contra a seita, para exterminá-la de vez. Ele agiu com decisão e sucesso, logrando livrar a Itália do flagelo e confirmando que faz parte da caridade combater o mal. 

O papa Eugênio IV nomeou-o seu núncio na Sicília e enviado especial no Concílio de Florença, para procurar estabelecer a união entre gregos e latinos. Enviou-o depois para afastar os duques de Bolonha e Milão de sua adesão ao antipapa Félix V. 

Em missão junto ao rei da França, Carlos VII, desempenhou-se também Frei João a contento do Papa. Os sucessores do Pontífice continuaram a servir-se dos bons ofícios do santo, que desse modo tornou-se enviado apostólico na Alemanha, Boêmia, Caríntia, Saxônia, Morávia, Polônia e Hungria.

Frei João de Capistrano tinha uma graça particular para reconciliar inimigos. Apaziguou uma sedição em Riete, ressuscitando um homem que tinha tido a cabeça partida em dois durante o tumulto. Reconciliou também a cidade de Áquila com Afonso de Aragão e várias famílias divididas entre si.

Contrário a toda forma de relaxamento, ao mesmo tempo trabalhava para a reforma de sua Ordem, da qual foi Geral duas vezes, vendo-se florescer a disciplina e o fervor em todos os conventos por onde ele passava.



Na Batalha de Belgrado, salva a Cristandade.
Pode-se dizer que a grande missão da vida de São João Capistrano foi a luta contra o temível Maomé II. Este sultão, tendo se apoderado de Constantinopla no ano de 1453, havia jurado hastear o estandarte otomano no Capitólio, de Roma, ameaçando assim toda a Cristandade. Era necessária uma reação imediata e eficaz. O Papa Nicolau V convocou então uma Cruzada e nomeou São João de Capistrano seu pregador e chefe religioso.

Por suas exortações cheias de fogo, animou os presentes a pegarem as armas contra os turcos, que ameaçavam o nome cristão. Essa guerra, entretanto, foi adiada devido à morte do Papa Nicolau V. Subindo ao trono pontifício, Calixto III fez voto de empregar todas as suas forças e até a última gota de seu sangue nessa guerra.

Como todo verdadeiro santo, João de Capistrano era também um combatente. Em 1455, participou da Dieta que se realizava em Neustadt. Com o fervor de suas pregações e dom de persuasão, conseguiu ele reunir um exército de quarenta mil homens, entre franceses, italianos, alemães, boêmios, poloneses e húngaros. Chefiados por Ladislau, rei da Hungria, João Uniade, senhor da Transilvânia, e George, príncipe da Rússia, tiveram que enfrentar o exército muito maior e mais bem armado dos muçulmanos, que cercava Belgrado.

Aparição de São João de Capistrano
a São Pedro de Alcântara. 
Conta-se que, quando estava a caminho de Belgrado, o santo foi alertado por uma flecha caída do céu, que revelava a vitória cristã. O Céu queria aquela guerra santa. Nessa flecha estava escrito: “Não temas; triunfarás sobre os turcos pela virtude de meu Nome e da Santa Cruz, que tu portas”.


Armado assim com a cruz, João de Capistrano animava a todos, aparecendo nos lugares em que os cristãos pareciam fraquejar, animando-os em nome de Jesus Cristo. O exército cristão, tomado por um fervor sobrenatural, avançou irresistivelmente contra as linhas islâmicas, rompendo o cerco. Foi tal o ímpeto, que o próprio Maomé foi ferido, e seu exército, desbaratado. A Cristandade estava salva. 

Diz-se que, na batalha, morreram mais de 40 mil turcos, sendo relativamente pequenas as perdas dos cristãos. Apesar de São João de Capistrano estar sempre no local mais perigoso da batalha, não sofreu o mais leve arranhão, o que foi considerado como fato milagroso.

Toda a Cristandade reconheceu que a vitória fora concedida pelo Céu, devido às orações e ação de presença do santo. Apenas três meses depois da vitória, ele falecia, em 1456, na Hungria, aos 71 anos de idade.

Seu corpo, que se livrara da barbárie dos turcos, foi vítima da impiedade dos luteranos. Esses inimigos da verdadeira fé, tomando a cidade, desenterraram seus restos mortais e os lançaram no rio Danúbio. 

Felizmente os católicos os reencontraram e levaram para Elloc, perto de Viena, onde até hoje são venerados pelos fiéis, enquanto aguardam o dia da ressurreição final.