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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 7 de novembro de 2026

Beato Francisco de Jesus, Maria e José (Palau y Quer), Presbítero Carmelita Descalço e Fundador. Grande exorcista e profeta do século XIX. 7 de novembro.


O Beato Francisco Palau y Quer, fundador das Carmelitas Missionárias e Carmelitas Missionárias Teresianas, nasceu em Aytona, Barcelona, em 29 de dezembro de 1811. 
Depois de uma infância perpassada pelos acontecimentos inerentes à ocupação francesa, o menino tornou-se um jovem na procura de um ideal que albergasse o seu sonho de entregar-se ao Amor. Procurou no Seminário em Lérida (Barcelona)… Foi ao Convento dos Frades Carmelitas Descalços, onde professou… Mas Deus tinha outros planos para ele e, servindo-se da revolução anticlerical que levou à exclaustração e expropriação das ordens religiosas, lançou-o numa procura incansável da Sua Amada (= Igreja)! Esse fogo o fez ordenar sacerdote em Barbastro.

Passou as fronteiras… Servindo à Igreja, descobriu que os homens eram explorados e não conheciam o Evangelho. Criou a Escola da Virtude, onde se reuniam para a evangelização. Também se serviu das missões populares e da imprensa com o jornal “Ermitaño”. Tornou-se incômodo e confinaram-no à Ilha de Ibiza. Aí dedicou-se à oração; à pregação pela ilha, tendo como singular companheira de caminho a Virgem do Carmo; atender por via epistolar aqueles que com ele se dirigiam. E eram muitos… núcleos de mulheres que procuravam viver segundo a sua orientação e de homens que viviam como eremitas.

    A sua alma buscadora encontrou finalmente o que há tanto tempo ansiava: o Deus dos homens e os homens de Deus numa totalidade. Assim, o mistério da Igreja (Deus e o próximo) centrou o seu coração e contagiou aqueles que com ele tratavam. O seu tesouro não podia ficar escondido! Surgiram as primeiras comunidades que se identificaram com este seu sonho! Este sonho chegou até hoje e estende-se pelos cinco continentes, prolongando-se em cada carmelita missionária e carmelita missionária teresiana. A sua vida entregue à Igreja transfigura-se no dia 20 de março de 1872.
Francisco Palau, homem de traços fortes e bem marcados, de mediana estatura e constituição forte, descobre-se uma figura austera e severa. Enamorado do silêncio, do retiro e da solidão, é e se sente apóstolo de atividades múltiplas e transbordantes. Pregador incansável: vê a recristianização do ambiente espanhol e europeu como uma autêntica obra de evangelização. A Direção Espiritual foi um dos meios pelos quais transmitiu com maior eficácia e autenticidade o seu espírito aos membros da família religiosa que criou. Fica também expresso nas suas cartas. A sua faceta de catequista e renovador fez patente na grande obra da Escola da Virtude de Barcelona. Foi escritor, mas por exigências pastorais que por vocação. Conseguiu, no entanto, compor páginas originais que ocupam lugar privilegiado na literatura religiosa e espiritual do século XIX espanhol.
Algumas das suas obras são: a Luta da alma com Deus; A vida solitária; o Catecismo das Virtudes; Mês de Maria; A escola da Virtude Vindicada; A Igreja de Deus Figurada pelo Espírito Santo; entre outras. Menção especial merecem as páginas de índole autobiográfica, como são as cartas e "As minhas Relações com a Igreja". As 169 cartas reunidas no epistolário são uma fonte insubstituível para conhecer e compreender o Padre Francisco Palau. Foi considerado exorcista pela sua missão a favor dos marginalizados que o procuravam na sua residência de Santa Cruz de Vallcarca (Barcelona).

Foi beatificado em 24 de abril de 1988 e a sua festa litúrgica celebra-se em 7 de novembro.


Pensamentos do Beato Francisco Palau y Quer:

“Que bem cuidado está aquele que se fia de Deus!”
“Irei aonde a glória de Deus me chame.”
“A voz de Deus não deixa vazia a alma, enche-a e dá-lhe firmeza.”
“A obra grande de Deus no homem lavra-se no interior.”
“Amar a Deus e ao próximo é a finalidade da minha missão.”
“Confiemos em Deus e na Sua Mãe, e não seremos enganados nem confundidos nas nossas esperanças.”

“Amo-te, Igreja! O mínimo que te posso oferecer é a minha vida!”
“Na oração, tudo encontrarás!”


AS PROFECIAS DO BEATO FRANCISCO PALAU:

Em seu jornal “El Ermitaño”, o Beato Palau tratou especialmente dos eventos de sua época.
     Ele via os problemas religiosos, políticos, sociais, econômicos – e até tecnológicos – como fazendo parte de um só e imenso movimento que, animado por Lúcifer e seus sequazes, procurava derrubar a Igreja Católica e a ordem social cristã.
     Arguto e intenso analista das informações que chegavam a Barcelona por meio dos jornais e telégrafos, ele teceu visualizações inspiradas pela fé e pelos seus estudos teológicos, às quais é difícil recusar uma inspiração profética.
     Sua linguagem, como era usual em seu tempo, utiliza muitas figuras e símbolos. Por exemplo, no artigo seguinte, intitulado “Um Cometa”, publicado em 25 de agosto de 1870. O cometa simboliza e sinaliza aqui a libertação de Satanás, para fazer os danos ao mundo previstos no Apocalipse:
     Exilado em Ibiza, ia ao rochedo Vedrá fazer retiro espiritual: “Eu vi um cometa, o mesmo cometa, aquele sinal misterioso, sobre o qual fiz tantas reflexões. Sua cauda tinha forma de espada, de uma espada de fogo que lançava bolas de fogo em direção à terra. Eu fiquei atento, olhando para a espada. Horrivelmente fiquei tomado de espanto, porque apareceu uma mão misteriosa que empunhou a espada, e, na hora, pelo orbe inteiro, se ouviram hinos de guerra: guerra no mundo oficial político, guerra entre os reis, guerra por razões de interesse puramente material”.
     “Enquanto eu olhava a mão que empunhava a espada de aço voltada contra a cabeça dos reis, saiu do cometa outra cauda, e apareceu na hora uma outra mão que pegou a cauda do cometa, que era toda de fogo e em forma de espada, e, entre trovões e relâmpagos, a espada jogava raios e faíscas contra o globo terrestre, e as duas espadas, batendo entre elas, acendiam sobre a terra a mais encarniçada guerra que os séculos já viram: na política e na religião: uma guerra universal. (…)”

     “O cometa era um sinal colocado no firmamento do mundo espiritual. Ele joga uma luz que ilumina a história presente e vindoura deste mundo material visível, onde acontece a atividade humana. (…)”
     “A luz desse cometa ilustra o cumprimento desta profecia: ‘Satanás será solto da prisão. Sairá dela para seduzir as nações dos quatro cantos da terra. ” (Ap. 20, 7-8)
     “À luz deste cometa se vê a obra de Satanás, aquele mistério de iniquidade que começou a se tramar contra a Igreja, quando Ela estava ainda em seus primórdios. Satanás, desencadeado, seduziu todos os reis e todos os príncipes da terra; ele voltou suas espadas e cetros contra a Igreja: “Esta é a sua obra.”
     “O cometa mostra duas mãos e as duas empunham uma espada, e as duas vão contra Cristo e sua Igreja, e anunciam uma guerra igual à dos primeiros séculos, porém mais horrorosa, sem comparação (…)".
     “Satanás, desencadeado, consumou sua maldade, porque obteve nesta ordem material política a apostasia de todos os reis e governos.”
     “Eu, o Ermitão, percebendo este fato, peguei dois pedaços de madeira, fiz uma cruz e escrevi nela: Quis ut Deus? (…)
     “O cometa significa e desvenda o desencadeamento e a libertação do diabo e, em consequência, a apostasia predita pelo apóstolo: um reino de trevas e de maldade, uma época de incredulidade e de erros.”

     “O cometa sinalizará o anátema, a maldição, a morte, a guerra e a anarquia social; dias de luto e pranto. E, quando o Ermitão viu este sinal, quer dizer, o diabo desencadeado, vos disse, e vos repete sempre a mesma coisa, certo de que o tempo confirmará a verdade destes fatos.”
     Lúcifer, autor da revolta no Céu, instiga uma revolução análoga na Terra. As antevisões do Beato Francisco Palau y Quer, OCD (1811-1872), impressionam pela penetração e riqueza de panoramas.
     As suas previsões referentes aos dias de hoje são surpreendentemente detalhadas, abrangentes, fruto de longos estudos dos autores sagrados, Doutores e grandes teólogos da Igreja.

     O Beato via os eventos históricos futuros imediatos se desenvolvendo segundo uma sequência fundamental:
1. A marcha do mundo em direção à dissolução social e ao estabelecimento de uma anti-ordem caótica como fruto de uma Revolução anticristã; 
2. A denúncia dessa Revolução por um enviado de Deus e seus discípulos, seguida da justa punição divina da iniquidade; 
3. A restauração da Igreja e das nações por obra do Espírito Santo e o advento de um período em que as pessoas imbuídas do espírito do Evangelho dariam uma glória a Deus historicamente inigualável. Esse período histórico duraria até o fim do mundo.
O bem-aventurado frade deplorava as sucessivas quebras das instituições fundamentais da ordem cristã, como a família e a propriedade.
Lamentava a demolição da moralidade e dos estilos de vida tradicionais, minados pela Revolução Industrial. Condenava a derrubada das formas tradicionais de governo por constantes golpes políticos.
Não aceitava que todas essas demolições convergentes fossem resultado do acaso. Pelo contrário, a variedade imensa das crises era para ele resultante de uma causa única.
Ele se perguntava se, por detrás delas, no comando, não havia alguma inteligência forçosamente diabólica.
“Sim — respondia ele —, o próprio Lúcifer, que seduziu um terço dos anjos no céu, apoderou-se do coração de uma série de homens-chave na Terra e, mais uma vez, ergueu a bandeira da revolta. Esse novo non serviam (‘Eu não servirei’) é a grande causa das crises no mundo, concluía”. E essa para ele tinha um nome: “Revolução”.
“O que é a Revolução? – explicou – É hoje na Terra aquilo mesmo que aconteceu no Céu quando Deus criou os anjos: Satanás (…) seduziu todos os reis e governos da terra e, com a bandeira ao vento, dirige seus exércitos na guerra contra Deus, (…) isto é revolução, isto é anarquia entre os homens e guerra contra Deus” (“Triunfo de la Cruz”, El Ermitaño, n.º 125, 30-3-1871.).
“Satanás é o pai da Revolução – ensinava, parafraseando um célebre escrito de Mons. de Ségur –, essa é a obra dele, iniciada no Céu e que vem se perpetuando entre os homens de geração em geração. Pela primeira vez após seis mil anos, ele teve a ousadia de proclamar diante do Céu e da Terra o seu verdadeiro e satânico nome: "Revolução!".
 “A Revolução tem como lema, a exemplo do demônio, a famosa frase: não obedecerei! Satânica em sua essência, ela aspira a derrubar todas as autoridades e seu objetivo derradeiro é a destruição total do reino de Jesus Cristo sobre a terra” (“Adentros del catolicismo – abominaciones predichas por Daniel, profeta en el lugar santo: Apostasía”, El Ermitaño, Nº 21, 25-3-1869.).
Segundo o bem-aventurado, essa Revolução realiza os anúncios das Sagradas Escrituras relativos à apostasia dos últimos tempos. A análise racional, tranquila e vigorosa dos acontecimentos sociopolíticos contemporâneos o confirmava nesta sua convicção.
A Revolução leva a uma catástrofe que o Beato Palau queria evitar; no século XIX, a humanidade imergia de modo displicente e veloz, na anarquia, impelida pelas tendências desordenadas que alimentam a Revolução, especialmente o orgulho e a sensualidade. Por isso, o Beato Palau concluiu que a dinâmica revolucionária impulsiona o mundo de modo implacável ao caos e ao desaparecimento da ordem social.
O beato usava como exemplo um acidente ferroviário que abalou seus contemporâneos. Um temporal derribara uma ponte na Catalunha, e um trem expresso – naquela época símbolo embriagador do progresso industrial – sem saber do acontecido, precipitou-se no abismo durante a noite.
Ele viu no acidente uma parábola do mundo superficial e despreocupado, portador de restos de cultura e religião, sendo conduzido pela Revolução rumo a uma catástrofe que o bem-aventurado desejava evitar, mas que ninguém queria ouvir falar:
Guerra Civil Espanhola: um passo na marcha da Revolução: “Uma horrorosa catástrofe anunciada pelos profetas, por Cristo, pelos Apóstolos e por todos os porta-vozes mais autorizados do catolicismo. A sociedade atual, conduzida em massa pelo poder das trevas e pelo poder político, subiu num trem. Mas os maquinistas a levam para os infernos. A estação de onde saiu chama-se Revolução; a próxima estação chama-se Catástrofe Social.
“Agora o trem circula entre uma estação e outra. Os passageiros não pensam, o Ermitão dá berros fortíssimos: ‘Parem, voltem atrás!”
“Mas essa voz, que é a própria voz do catolicismo, é sufocada pelo ruído do trem. (…) A tempestade levou a ponte. Era noite e o trem que partiu de Gerona ia em frente. Os viajantes não sabiam do perigo, mas a ponte não estava ali. As trevas escondiam o risco até chegar ao abismo. A locomotora deu um pulo e não tinha asas; faltavam os trilhos, só havia o precipício. Ela caiu, arrastando consigo os carros e os passageiros. E as águas os engoliram.”
“Eles não acreditaram no perigo, mas ele existia, era verdadeiro, e a incredulidade não os salvou, mas os perdeu.”
 “Os maquinistas e condutores do trem para onde vai à sociedade atual estão ébrios, perderam o juízo. Não vedes que não acertam uma?”
“Descei enquanto puderdes, e jogai-vos nos braços da Igreja (a autêntica, Aquela que não apostatará) vossa Mãe, e assim vos salvareis.” (“Catástrofe social”, El Ermitaño, n.º 40, 5-8-1869)


Como a Revolução Satânica se infiltrou na Igreja?
O Bem-aventurado Francisco Palau e Quer, OCD, tomava como ponto de partida em seus escritos proféticos os fatos políticos, sociais e religiosos que lhe tocava assistir no dia a dia. E os analisava conscienciosamente à luz da Fé e dos dados dos doutores da Igreja.
     Ele expunha suas conclusões através de uma linguagem rica em imagens, visando torná-las acessíveis aos leitores de seu jornal “El Ermitaño”.
     Assim, ele apresentou uma conversação figurada do personagem principal de sua revista – “o ermitão” – com o próprio Deus, sobre o Concílio Vaticano I, que tantos benefícios trouxe para a Igreja.
     Nela, o Beato põe nos lábios de Deus a seguinte explicação: “Por causa da corrupção dos costumes [Satanás] se introduziu no Sancta Sanctorum e, enquanto comanda todos os reis e poderes políticos da terra em batalha contra Mim, desde o exterior da Cidade Santa, paralisa de dentro a Minha ação, entorpece Meus empreendimentos e frustra Meus projetos” (“Roma vista desde la cima del monte”, El Ermitaño, n.º 58, 9-12-1869).
     Entre os instrumentos desta ofensiva interna contra a Igreja, ele apontava uns estranhos “sacerdotes” do demônio: “Alguns destes homens e mulheres exibem uma virtude religiosa aparente, vão se confessar, ouvem a missa, comungam com frequência, mas o que há com eles? Horror!
     “Recolhem as formas eucarísticas, levam-nas para casa e as apresentam em sessões satânicas para serem espezinhadas. Esses são os Judas dentro do próprio santuário, que introduziram os demônios no local onde não têm direito e encheram o templo de Deus de abominações” (“El maleficio”, El Ermitaño, n.º 103, 27-10-1870).
     “Satanás entrou no santuário – acrescentava o religioso carmelitano – e o encheu de abominações, sustentado por poderes que se intitulam católicos, e que, de dentro do próprio santuário, fazem guerra contra nós, uma guerra atroz, a mais perigosa que a Igreja já teve que enfrentar. (...)
     “(…) porque ao inimigo convém nos combater a partir de dentro da fortaleza, e por isso ele usa a roupagem e o nome de católico, e com essa fachada se apresenta em certos atos religiosos para fascinar as turbas e criar confusão até no céu” (“Campamento de epidemia en Vallcarca”, El Ermitaño, Nº 99, 29-9-1870).
     Em 1968, S.S. Paulo VI afirmou que “a fumaça de Satanás entrou no lugar sagrado” (Discurso ao Pontifício Seminário Lombardo, 7-12-68, Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, 1968, vol. VI, p. 1188; e Homilia “Resistite Fortes in fide”, 29-6-1972, ibid., 1972, vol. X, p. 707).
     Cem anos antes, o bem-aventurado Carmelita já denunciava com horror esta infiltração na Igreja.
     Misteriosa estirpe espiritual de Judas agindo na Igreja. Em numerosas ocasiões, o bem-aventurado alude à existência de um “Judas” enquistado na Igreja.
     Com esta expressão, ele não se referia a um indivíduo em particular, mas a uma espécie de estirpe espiritual que, ao longo dos séculos, trabalha dentro da Igreja contra Ela.
     Segundo ele, essa linhagem do mal se manifestou de modo patente em certos heresiarcas, mas, na maior parte do tempo, agiu em segredo, escondida da massa do clero e dos fiéis.
     No que consiste essa estirpe? Como entrou na Igreja Sacrossanta? Como pôde manter-se n’Ela? Como age? Qual é o seu sinal distintivo?
     O santo religioso não se estendeu muito em pormenores históricos. Ele via, porém, que, ao longo dos séculos, sempre houve manobras diabólicas para infiltrar agentes e organizá-los dentro da Igreja.
     O primeiro instrumento foi o próprio Judas Iscariotes, que dá o nome a esta estirpe do mal. Mas o Iscariotes acabou se autodenunciando quando vendeu o Cordeiro Imaculado ao Sinédrio. Porém, poucos anos depois, nos tempos apostólicos, este filão da perdição já estava agindo.
     É o que diz São João em sua primeira epístola: “18. Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora. 19. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se conheça, que nem todos são dos nossos.” (I Jo. II, 18-19)
     O Apóstolo amado acrescenta que “o espírito do Anticristo, de cuja vinda tendes ouvido, já está agora no mundo”. (I Jo. IV, 3)
     Os Atos dos Apóstolos (cfr. Act, VIII, 9-24) narram a história de Simão o Mago, que Santo Irineu qualifica de pai de todas as heresias (“Adversus Hereses”, livro I, cap. 23).
     O bem-aventurado Carmelita atribui à gestação dos erros e desordens na Igreja a esta estirpe de Judas:
     “Judas e o diabo se combinaram contra Cristo, mas os dois foram expulsos do colégio apostólico. (…) O diabo buscou então portas para entrar no seio do catolicismo e as encontrou nos heresiarcas. As portas lhe foram abertas pelos próprios cristãos que lhe entregaram as chaves da incredulidade e da corrupção das doutrinas”.
     “Agora ele está dentro. Desejais vê-lo? Entrai, e o que vereis? Vereis homens que se intitulam católicos, mas blasfemam como demônios e perseguem com furor o catolicismo”. (...)
     “Vereis o diabo dentro do próprio santuário, desafiando a onipotência de Deus com blasfêmias proferidas diante de seus altares. Vereis no povo católico as abominações prenunciadas por Daniel, profeta. Vereis o anticristianismo instalado no poder. Vereis que o diabo se introduziu no lugar sagrado, e corrompe, perverte, tenta, prova” (“El suicidio”, El Ermitaño, n.º 87, 7-7-1870).
     O Beato punha na boca de um demônio as seguintes palavras, falando desta linhagem de heréticos:
     Nossa obra que com tanta cautela urdimos desde Judas traidor até esta data, encobrindo o plano com que foi concebida e que, com sumo prazer, vemos consumada na apostasia de todas as nações” (“Un misterio de iniquidad”, El Ermitaño, n.º 111, 22-12-1870).
     Esse plano – segundo a profética previsão do frade carmelitano – iria atingir sua plenitude por uma misteriosa permissão divina:
     “Ermitão, (…) escuta: deixa que o diabo e o ímpio completem o mistério de iniquidade que ele iniciou dentro do próprio santuário com Judas traidor” (“Adentros del catolicismo”, El Ermitaño, n.º 21, 25-3-1869).
     Contra essa pérfida linhagem, lutaram os grandes santos da Igreja, sem nunca terem conseguido extirpá-la completamente.
     São Pio X, na célebre encíclica Pascendi Dominici Gregis, de 8 de setembro de 1907, condenou com luxo de detalhes a conspiração dos heréticos modernistas, antecessores diretos dos atuais progressistas.
     A descrição feita pelo Santo Pontífice da conjuração modernista concorda admiravelmente com a ideia que o Beato Palau havia formado dessa sibilina estirpe de Iscariotes:
     “Os fautores do erro – ensina São Pio X – já não devem ser procurados entre os inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos”.
     São Pio X denunciou a conspiração modernista, mas não teve tempo para extingui-la: “Aludimos, Veneráveis Irmãos, a muitos membros do laicato católico e também, coisa ainda mais para lastimar, a não poucos do clero que, fingindo amor à Igreja e sem nenhum sólido conhecimento de filosofia e teologia, mas, embebidos antes das teorias envenenadas dos inimigos da Igreja, blasonam, postergando todo o comedimento, de reformadores da mesma Igreja; e cerrando ousadamente fileiras se atiram sobre tudo o que há de mais santo na obra de Cristo, sem pouparem sequer a mesma pessoa do divino Redentor que, com audácia sacrílega, rebaixam à craveira de um puro e simples homem”. (...)
     “Não se afastará, portanto, da verdade quem os tiver como os mais perigosos inimigos da Igreja. Estes, em verdade, como dissemos, não já fora, mas dentro da Igreja, tramam seus perniciosos conselhos; e, por isto, é por assim dizer nas próprias veias e entranhas dela que se acha o perigo, tanto mais ruinoso quanto mais intimamente eles a conhecem. Além de que, não sobre as ramagens e os brotos, mas sobre as mesmas raízes que são a Fé e suas fibras mais vitais, é que meneiam eles o machado”. (...)
     “(…) continuam a derramar o vírus por toda a árvore, de sorte que coisa alguma poupam da verdade católica, nenhuma verdade há que não intentem contaminar (…) com tal dissimulação que arrastam sem dificuldade ao erro qualquer incauto; e sendo ousados como os que mais o são, não há consequências de que se amedrontem e que não aceitem com obstinação e sem escrúpulos (…)
     “Acrescente-se-lhes ainda, coisa aptíssima para enganar o ânimo alheio, uma operosidade incansável, uma assídua e vigorosa aplicação a todo o ramo de estudos e, o mais das vezes, a fama de uma vida austera.
     “Finalmente, e é isto o que faz desvanecer toda esperança de cura, pelas suas mesmas doutrinas são formados numa escola de desprezo a toda autoridade e a todo freio; e, confiados em uma consciência falsa, persuadem-se de que é amor de verdade o que não passa de soberba e obstinação.” (São Pio X, Encíclica Pascendi Dominici Gregis).
  

 Fonte: Blog Aparição de La Salette.

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

SÃO NUNO DE SANTA MARIA (Nuno Álvares Pereira), Religioso Carmelita, o "Santo Condestável", Herói Nacional Português - 6 de novembro.


Como dizia seu epitáfio, foi “o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que, durante a sua vida na terra, tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos”.

São Nuno de Santa Maria, como dizia seu epitáfio, foi “o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que, durante a sua vida na terra, tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos“. 
Dotado de grande gênio militar demonstrado em várias ocasiões em que se mostrou um digno defensor de Portugal, “suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge“, como bem descreveu o autor da inscrição gravada em seu túmulo, lamentavelmente destruído por ocasião do grande terremoto que abalou Lisboa em 1755.


Nascimento e infância.

Dia 24 de junho (Natividade de São João Batista), de 1360, foi o dia de seu nascimento, mas a localidade permanece incerta. Era uma época de grande corrupção, em que imperavam os costumes dissolutos em várias camadas da sociedade.

Mesmo assim, o jovem Nuno recebeu a melhor educação que na época se podia dar, e, desde tenra idade, manifestou capacidade de trabalho, grande inteligência e excelente raciocínio, sendo exemplarmente aplicado aos estudos, no que se distinguia entre seus irmãos pelo aproveitamento e saber. Detinha muita habilidade física demonstrada nos exercícios de força e destreza.

Ele recebeu sólida instrução religiosa, a qual não o revestiu apenas de conhecimentos, mas também da vida de piedade, que lhe era o alimento espiritual para as atividades do dia a dia. Cultivou a virtude da castidade, associada a uma profunda devoção à Virgem Maria, Mãe de Deus.


Adolescência e casamento.

Aos treze anos, seu pai fez com que o jovem Nuno iniciasse nova vida, destinando-o a ser um cavaleiro: partiu então para a corte, tornando-se pajem de Dona Leonor, a Rainha.

Nuno amava a leitura, imergindo nos livros sobre a cavalaria, instituição medieval que ocupava importante lugar na sociedade da época. Os textos sobre o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda lhe causavam admiração. A leitura dos feitos militares o preparou para os encargos que lhe seriam confiados, e que ocupariam importante lugar na história da nação lusitana.

Três anos e meio passou Nuno na corte. A admiração por Galaaz (Galahad), seu herói predileto na história do Rei Artur, o inclinou a preferir a virgindade celibatária ao matrimônio, tal como o lendário combatente, a fim de também praticar feitos heroicos, mas as intenções de seu pai o fizeram tomar um diferente rumo: uma permissão papal para que ele desposasse sua prima Leonor de Alvim, e também a concordância desta, precederam o comunicado ao jovem Nuno, então com dezesseis anos. Atônito com a informação que seu pai lhe transmitia somente ao fim de uma seguidilha de providências, Nuno pediu tempo para pensar, mas o genitor insistiu na ideia através de Iria, sua mãe, a qual teve como resposta a informação de que ele decidira permanecer solteiro. Não satisfeito, o pai de Nuno provocou nova investida através de um primo e um genro, ambos amigos íntimos de seu filho, sendo finalmente obtido o consentimento para as bodas, as quais foram realizadas sem festa por ser a noiva uma jovem viúva.

Com a esposa, Nuno passou a ter uma vida pacata, administrando suas propriedades. Participava diariamente de duas Missas (três, nos dias santificados), e, nas viagens, fazia-se acompanhar de um sacerdote para não faltar ao Santo Sacrifício. Após o primeiro ano de vida matrimonial, nasceu a primeira filha do casal, Beatriz, e posteriormente outros dois filhos (que morreram com pequena idade).


Nuno, o combatente

De estatura média e bem proporcionado, Nuno tinha pele clara e cabelos ruivos, com uma pequena barba pontiaguda. Suas sobrancelhas eram arqueadas, abaixo das quais brilhavam olhos pequenos, porém vivos e expressivos, e, compondo a face, nariz fino e pontiagudo e boca pequena. Sob um aspecto aparentemente franzino, Nuno exibia uma constituição forte e robusta, própria a suportar a vida guerreira, só superada pela grandeza de alma e fortaleza cristã que detinha.

As circunstâncias de então não permitiram que se estendesse por muito tempo a vida tranquila do feliz casal: inicia-se uma guerra entre dois reinos – Castela e Portugal –, e Nuno tomou as armas a pedido do rei, iniciando assim um novo capítulo na história de sua vida. Chegado pouco antes à maioridade, Nuno ardia em desejos de servir à pátria, e assim passou a ostentar audácia e valor como guerreiro, sendo seus feitos admirados pela nobreza e pelo povo.

Em 1383, o rei português D. Fernando morrera sem deixar descendência masculina para herdar a coroa, e sua filha única – Da. Beatriz – fora casada naquele ano com o rei castelhano Juan. A insatisfação em Portugal com a rainha Dona Leonor, que regia o país em nome da filha, era grande, e desejava-se que o Mestre de Avis (filho natural do falecido rei D. Pedro I) ficasse à frente do reino, evitando assim que o país fosse anexado a Castela. A rainha regente preferia a anexação, por motivos familiares: sua filha Dona Beatriz havia se casado com o rei castelhano. Essa situação causou o chamado interregno, ou crise de 1383-1385, sendo um período de guerra civil e anarquia na história lusitana.

As habilidades guerreiras de Nuno foram por todos admiradas na Batalha dos Atoleiros (06 de abril de 1384, véspera da Quinta-Feira Santa), em que novas técnicas para defender as forças de infantaria frente a um número superior de inimigos mostraram-se eficazes: houve muitas baixas entre os castelhanos, bem mais numerosos, não havendo uma única morte entre os combatentes portugueses, motivo de especial reconhecimento pela proteção divina (o próprio comandante havia estimulado a todos os membros de suas tropas a que confiassem em Deus e em Nossa Senhora).
Porém, na Batalha de Aljubarrota (14 de agosto de 1385), é que foi selada a derrota definitiva dos castelhanos, imposta pelo rei português D. João (reconhecido como ocupante do trono pouco antes, em 6 de abril, primeiro aniversário da Batalha dos Atoleiros) e seu fiel Condestável, Nuno, tendo sido este último quem definiu inteligentemente o local onde o combate seria travado, pois pôde estudar a área com antecipação (chegaram a se utilizar de táticas defensivas utilizadas vários séculos antes, pelas legiões romanas).
Sendo véspera da Assunção da Virgem, o costume impunha que fosse feito jejum naquela data que antecedia a festividade mariana, e nesse estado o combate foi iniciado, e vencido (momentos antes de iniciada a batalha, os soldados participaram da Santa Missa, podendo comungar todos os que o desejaram, tendo havido disponibilidade para confissões no dia anterior). Apesar das buscas feitas pelos portugueses aos castelhanos vencidos, a fim de exterminá-los, o Condestável Nuno deu ordem para que fosse suspensa a perseguição, dando trégua aos combatentes fugitivos para que se evadissem, salvando assim suas vidas. E assim D. João I foi consolidado como rei de Portugal, iniciando a dinastia de Avis: estava satisfeita a ambição de Nuno, que o queria como rei, mas nem por isso depôs as armas, pois de outras batalhas teria ainda de participar (muitas partes do território português continuavam em poder do rei de Castela, sendo ansiada a sua recuperação).

Em certa ocasião, três batalhões retomavam cidades que haviam caído sob ocupação inimiga. No local chamado São Félix, os habitantes recusaram-se a render-se ao comandante Vasques da Cunha, dizendo que só se renderiam ao batalhão de Nuno. Vasques irritou-se profundamente, estando a ponto de invadir a localidade, mas seus companheiros fizeram-lhe ver que assim seria vertido sangue desnecessariamente, obrigando o comandante a conter sua raiva. E depois os habitantes renderam-se pacificamente às tropas de Nuno.


Condestável de Portugal.

O rei D. Fernando havia criado o cargo de Condestável do Reino, confiado em 1382 ao Conde de Arraiolos. Nuno foi o segundo a receber tal título (que lhe foi conferido em 1384, detendo-o até a sua morte em 1431), que caracterizava quem o detinha como a segunda pessoa na hierarquia militar portuguesa, depois do monarca. A ele estava atrelada a responsabilidade de comandar campanhas militares na ausência do rei e a manutenção da disciplina no exército.



A virtude angélica

Nuno levava muito a sério a questão da moralidade entre seus criados e vassalos, estimulando-os no sentido de levarem uma vida correta. Procurava regularizar e auxiliar os matrimônios, banindo de suas terras os relapsos e recalcitrantes.

Com o aumento de seu poderio e popularidade, Nuno passou a ter sua autoridade respeitada pelos seus homens e decidiu acabar com o costume da companhia feminina no exército, o que quase causou uma sublevação dos comandados, mas a inflexibilidade do Condestável venceu. Os soldados foram convencidos de que tinham obrigação de cumprir seus deveres para com a religião. Mais tarde, Nuno admitiu que aquela ordem lhe fora de dificílima execução e que nunca receara tanto uma batalha como aquele momento em que a dera.

Além de promover a castidade, Nuno vigiava de perto os seus soldados, não lhes permitindo jogos de azar e outros vícios.



Ofensa ao patriotismo lusitano.

Morta a esposa do rei Juan de Castela, a princesa Da. Beatriz (que contava dez anos) fora dada em casamento ao monarca viúvo por seu pai, o rei português D. Fernando, de quem a morte já se aproximava. Era uma tentativa de evitar problemas políticos que poderiam surgir com os castelhanos por causa da rainha Da. Leonor, sua esposa (detestada por numerosos membros da sociedade) estipulando-se que desse matrimônio sairia o herdeiro do trono português.

Aos esponsais compareceram importantes membros da aristocracia lusitana, além da rainha Dona Leonor (o rei, enfermo, não pôde se fazer presente). Nuno e seu irmão Fernão estavam nessas bodas. Após cumprirem os deveres de cortesia para com os numerosos convidados, depararam-se com uma situação inusitada. Os lugares que lhes estavam reservados em uma mesa haviam sido ocupados por outras pessoas, que ali se banqueteavam, desrespeitando as obrigações sociais, políticas e diplomáticas. Nuno então se dirigiu ao irmão, dizendo: “Nós não temos prol nem honra de aqui estar. Vamo-nos, pois, para a nossa pousada. Mas, antes disso, eu quero fazer com que estes, que tão pouco nos prezaram e nos escarneceram, fiquem eles escarnecidos”. 
Não por amor-próprio ofendido, e sim por patriotismo ofendido, Nuno levantou a tábua da mesa com as mãos e, com a perna, derrubou-lhe a sustentação, fazendo com que fosse ao solo tudo o que sobre ela estava. E, em seguida, abandonou serenamente o recinto, onde estavam o rei Juan de Castela, a rainha Da. Leonor de Portugal, e numerosos convidados boquiabertos. Tendo pedido informações sobre aquele senhor, o rei Juan inteirou-se de quem era Nuno: vaticinou então que quem assim procedia em semelhante ocasião seria capaz de proezas ainda maiores.


Profunda religiosidade e respeito para com as coisas sagradas.

A religiosidade sempre esteve presente na vida de Nuno. Ao elaborar sua bandeira – estandarte militar –, tomou ele o cuidado de nela inserir componentes religiosos, o que lhe permitia (e a seus comandados) ajoelhar-se diante dela para implorar a ajuda da corte celeste em cada empreitada. Era uma bandeira branca, dividida em quadrantes pela cruz de São Jorge, apresentando uma cena da crucifixão (com a Virgem e São João aos pés de Cristo agonizante), uma cena de Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços, e os guerreiros São Jorge e São Tiago ajoelhados um frente ao outro (e a cruz branca sobre fundo vermelho, emblema dos Pereiras, atrás de cada um destes últimos).

Vencida a batalha dos Atoleiros, Nuno dirigiu-se no dia seguinte (Quinta-Feira Santa de 1384) à capela de Nossa Senhora da Assunção, nas proximidades, a fim de render graças pela vitória obtida. No entanto, ele se entristeceu profundamente até às lágrimas ao perceber que o templo havia sido profanado pelos inimigos, que em passagem por ali a utilizaram como cocheira para seus animais. Ele próprio pôs mãos à obra, iniciando a limpeza a fim de devolver a capela ao culto.

Mesmo em tempos de guerra, Nuno assistia (“ouvia”, como se dizia na época) diariamente a Santa Missa, duas vezes se possível, e até mesmo três em dias especiais, e para isso sempre se fazia acompanhar de ao menos um sacerdote nas viagens e deslocamentos. Tinha momentos definidos para as orações e, quando não os podia respeitar face aos deveres militares, resgatava-os depois, usando os momentos que deveria destinar ao repouso. Desde a infância, habituara-se a rezar as Matinas, chegando a receber o apelido de “Nuno Madruga”. 
Diariamente fazia a confissão sacramental, com confissão geral quatro vezes cada ano (vigílias do Natal, Páscoa, Pentecostes e Assunção da Virgem); nessas festividades recebia a comunhão, o que era considerado exagero em uma época em que a recepção desse sacramento ocorria raramente. A quem manifestava objeção, respondia Nuno que a força nos combates por ele manifestada tinha origem na Eucaristia.

Certa vez, um dos soldados de Nuno cometeu um sacrílego roubo em uma igreja, ao se apoderar da mais sagrada das alfaias litúrgicas: um cálice. Julgado pelo gravíssimo crime, o ladrão foi condenado à fogueira, mas o Condestável escutou as súplicas de seus companheiros, comutando a pena quando o fogo já começava a arder: expulsão do exército, com proibição de combater sob sua bandeira, o que para alguns soava como algo pior que a morte.

Quando o Santíssimo Sacramento era exposto, não era fácil a Nuno ausentar-se, e chegava mesmo a deixar de lado as refeições. Vultosas doações para aquisição de paramentos e objetos litúrgicos eram por ele feitas, inclusive cera e azeite para velas e lamparinas destinadas ao culto. Custeou Nuno a construção de numerosas igrejas (inclusive a que foi dedicada a Santa Maria da Vitória, em Batalha), e também o Carmelo de Lisboa, onde findou seus dias.

Em todos os combates, portava Nuno um relicário com um fragmento do Santo Lenho. Tinha também relicários nos quais havia relíquias de numerosos santos a quem tinha especial devoção: Santo Tomás de Aquino, São Cosme, São Damião, São Silvestre Papa, Santo Ambrósio, São Gregório Magno, Santo Agostinho, São Bento, São Bernardo, São Domingos, São Francisco, alguns apóstolos e evangelistas, e vários mártires dos primeiros tempos da Igreja, entre outros. Também mantinha em relicários fragmentos de lugares e objetos veneráveis: Santo Sepulcro, Presépio, Casa de Loreto, e também o Agnus Dei (cera do círio pascal bento pelo Papa).

 


Viuvez e entrada no mosteiro da Ordem do Carmo.

Nuno e Leonor tiveram uma vida matrimonial exemplar, apesar dos afastamentos do Condestável para o serviço da pátria. Em 1387, Nuno mais uma vez se deslocou em viagem para atender a um chamado do monarca, como procurador dos fidalgos do reino.
Tendo-lhe chegado a notícia de que sua esposa adoecera gravemente, viajou para o Porto, cidade onde ela se achava, mas não a tempo de encontrá-la com vida. Ficara ele viúvo com apenas 27 anos, tendo como familiares próximos sua filha e sua mãe, tendo esta última chegado à idade longeva (morreu com quase cem anos). Do casamento de sua filha Beatriz com o Duque de Bragança, originou-se a Casa de Bragança, que reinaria em Portugal a partir de 1640.
Alcançada a paz no reino, o Condestável, tendo distribuído seus bens (detinha uma das maiores fortunas da Península Ibérica) e perdoado todas as dívidas, ficou apenas com a roupa que vestia e, aos 62 anos, ingressou na ordem carmelitana, onde a vida contemplativa era a sua única ambição.
Sua chegada ao convento teve a participação de toda a comunidade ali residente, da qual recebeu as boas-vindas. O Condestável de Portugal dirigiu-se ao novo irmão à igreja, onde, prostrado diante do altar e com olhos lacrimejantes, agradeceu a Deus por ali, finalmente, estar. Desfazendo-se até mesmo do nome de família, passou a chamar-se Nuno de Santa Maria.
 Na cela de seu uso, cujo mobiliário era composto por um leito formado por duas tábuas, havia apenas dois cobertores grosseiros (um para cobrir as tábuas, e outro para cobrir o religioso), um crucifixo e os instrumentos pessoais de penitência. Durante sua vida conventual, quase partiu para outra empreitada militar, mas o inimigo desistiu quando soube que o Condestável o enfrentaria.
Ao tornar-se religioso carmelita, Frei Nuno redobrou as suas penitências corporais, fazendo uso dos instrumentos que, para isso, eram habituais (cilícios e disciplinas). Fazia jejum três vezes por semana durante todo o ano (diariamente por ocasião do Advento), jejuando também a pão e água aos sábados para honrar a Mãe de Deus. Percebendo o enfraquecimento corporal, seus superiores lhe determinaram, sob obediência, a mitigação dos jejuns, ordem cumprida no seu limite, mas não a ponto de lhe lisonjear o paladar.


Morre o Santo Condestável.

Aproximando-se o momento de partir para a eternidade, Nuno pediu os últimos sacramentos, tendo feito uma confissão geral que abrangeu toda a sua vida. Recebida uma vela (que portou na mão esquerda) e um crucifixo (na mão direita), pediu que lhe fosse lida a Paixão, segundo o evangelho de São João: às palavras “eis o teu filho“, sua alma partiu deste mundo. Ao falecer, contava 71 anos e 11 meses, e seu corpo foi exposto na igreja do mosteiro, onde foi visitado pela quase totalidade dos habitantes de Lisboa, que compareciam para dar adeus a seu valoroso compatriota. Beatificado em 1918 por Bento XV, o Condestável foi canonizado por Bento XVI em 26 de abril de 2009.

Fontes:
– Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, (http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/2009/ns_lit_doc_20090426_nuno_po.html)
– Vida e Obra de Dom Nuno Álvares Pereira, o santo condestável (G. Leslie Baker, Via Occidentalis Editora, 2009)
– A Vida de Nun’álvares (J. P. Oliveira Martins, Parceria A. M. Pereira Livraria Editora, 1928)


 Fonte: site da Revista Arautos do Evangelho, http://www.arautos.org/secoes/artigos/especiais/sao-nuno-de-santa-maria-nun-alvares-pereira-o-condestavel-143489.



ORAÇÃO A SÃO NUNO DE SANTA MARIA

Pai Santo, em Jesus Cristo, mostrastes a São Nuno de Santa Maria o valor supremo do vosso Reino. 
Para conquistá-lo, ele exercitou-se com as armas da fé, do amor a Cristo e à Igreja, da Palavra de Deus, da Eucaristia, da oração, da confiança em Maria, da caridade, do jejum, da castidade, da fortaleza, do serviço, da retidão de espírito e da justiça. Para vos servir de modo mais total como único Senhor, e a Maria Santíssima, Senhora do Carmo, a quem se consagrou na vida religiosa carmelita, de tudo se despojou. 
Concedei-nos, por sua intercessão, a graça... (nomeá-la), para que, sem obstáculos da alma e do corpo, possamos nós também viver sempre ao vosso serviço e, combatendo o bom combate da fé, mereçamos tomar parte no Banquete do Reino dos Céus. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Beatos Mártires Trinitários Espanhóis de Ciudad Real - memória em 6 de novembro.


† Alcázar de San Juan, Ciudad Real, Espanha, 27 de agosto de 1936







O segundo grupo de mártires trinitários da Guerra Civil Espanhola a ser beatificado é a comunidade de Alcázar de San Juan. 

Os seis religiosos que formavam a comunidade foram martirizados em 27 de agosto de 1936 e sepultados no cemitério da vila, mas seus restos mortais foram transferidos para a igreja do convento em 1962. 

Inicialmente, foram sepultados ao lado do altar-mor, mas após a beatificação, a comunidade reformou uma capela na igreja, onde também foram depositados os restos mortais do Beato Santos Álvaro Cejudo.


O Beato Hermenegildo da Assunção (Iza Aregita)

Nasceu em Mendata Albiz, Biscaia, em 13 de abril de 1879. Em 1895, fez seus primeiros votos em Algorta e seus votos solenes em Villanueva del Arzobispo em 6 de janeiro de 1899. Em 1902, foi ordenado sacerdote em Sevilha pelo Beato Marcelo Spinola. Ele foi ministro de diversas casas trinitárias até maio de 1936, incluindo a do Alcázar de San Juan. Era um sacerdote bondoso, pacífico e prudente. Dedicou-se com entusiasmo ao confessionário, conquistando reputação como um grande diretor espiritual e catequista. Quando chegou ao Alcázar de San Juan, ao ser felicitado por sua nomeação, respondeu: "Não vim para ser superior, mas para ser sacrificado".


Beato Boaventura de Santa Catarina (Gabika-Etxebarría Gerrikabeitia).

Nascido em Ajánguiz, Biscaia, em 14 de julho de 1887, completou o noviciado em Algorta, onde professou os votos em 1903. Fez seus votos solenes em La Rambla, em 28 de setembro de 1906. Foi ordenado sacerdote em Málaga, em 17 de dezembro de 1909. Passou a maior parte de sua vida religiosa no Alcázar de San Juan, onde se dedicou à educação de crianças, que lhe eram muito queridas, sendo um homem bondoso e afável. Amava música e canto; possuía uma excelente voz de barítono, que não só utilizava nos cânticos da igreja, mas também para ensinar às crianças a tabuada, cantando-a. Ao seu lado, nenhuma criança se perturbava; se precisava repreendê-las com delicadeza, e se alguma não tinha dinheiro para pagar a escola, ele a frequentava gratuitamente. O carinho que tinham na aldeia era tão grande que, quando ameaçava haver perseguição contra os religiosos, ele dizia: "Nada de mal nos acontecerá, pois educamos a maioria das crianças de Alcázar de San Juan e demos trabalho a centenas de trabalhadores no campo. Amamos muito o povo, e sei que os alcazarenhos também nos amam, a nós, os trinitários."


Beato Francisco de San Lorenzo (Euba Gorroño).

Nascido em Amorebieta, Biscaia, em 25 de julho de 1889, completou o noviciado em Algorta, onde professou em 1905. Fez seus votos solenes em Villanueva del Arzobispo em 12 de novembro de 1908 e foi ordenado sacerdote em Jaén em 23 de dezembro de 1911. Passou sua vida sacerdotal no Alcázar de San Juan, sendo eleito vigário da comunidade em 1932. Dedicou-se sempre ao ensino, ao auxílio aos necessitados, buscando trabalho no campo e na RENFE (Rede Nacional de Educação e Formação Profissional), e ao sagrado ministério da liturgia e da confissão divina. Dizia-se que espalhava alegria. Devido à sua natureza aberta e afável, nos últimos anos de sua vida foi alvo de fofocas, pois alguns o consideravam excessivamente extrovertido. Ele possuía uma magnífica voz de tenor, que servia não só para cantar em celebrações litúrgicas, mas também para organizar e dirigir diversos coros que se apresentavam não apenas em serviços religiosos, mas também em festas populares. Alguns diziam que "ele ia à igreja só para ouvir a voz do Padre Francisco". Foi diretor do "Culto Noturno", fundado no convento do Alcázar em 1913, e capelão das "Filhas de Maria"; também foi capelão do Lar das Irmãzinhas para os Sem-Teto. Estava sempre pronto para cuidar de todos e era comum visitá-lo em suas casas. Além disso, como um bom basco, tocava frontão muito bem.


Beato Plácido de Jesús (Camino Fernández). 

Nascido em Laguna de Negrillos, León, em 6 de maio de 1890, ingressou no noviciado do Alcázar de San Juan, onde professou em 1906 e fez sua profissão solene em Córdoba, em 7 de novembro de 1909. Estudou na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, onde obteve o doutorado em filosofia, e foi ordenado sacerdote na Basílica de Latrão em 8 de abril de 1916. Era um homem muito inteligente. Dizia-se que "ele foi o religioso trinitário mais inteligente do século XX". Retornou à Espanha em 1917 como professor de filosofia na Universidade Virgen Bien Aparecida e, posteriormente, lecionou teologia em Córdoba. Foi nomeado diretor do colégio Alcázar de San Juan até 1925, cargo que ocupou até 1935. Há muitos fatos e anedotas sobre ele, pois foi o trinitário que teve maior contato com os Alcázares, servindo como diretor da escola por dez anos. Foi também capelão do Asilo das Irmãzinhas para os Desamparados.


Beato Antonio de Jesús y María (Salútregui Uribarren).

Nascido na cidade de Guernica-Luno, no arquipélago da Biscaia, em 5 de fevereiro de 1902, completou seu noviciado no Santuário do Poço Apareceu, onde professou em 1918, ao lado das agora Beatas Domenica del Beatus Sacramento e Melcora del Santo Spirito. Fez sua profissão solene em 3 de maio de 1923 e foi ordenado sacerdote pelo Beato mártir Manuel Basulto Jiménez em 29 de maio de 1926. Apesar de sua juventude, era naturalmente doentio, mas de caráter muito gentil. Era um bom organista e compôs o hino a Jesus Nazareno Salvato da Alcázar de San Juan. Semanas antes de sua prisão, parentes bascos apareceram na Alcázar buscando prendê-lo, embora ele se recusasse a abandonar seus irmãos na fé.


Beato Estêvão de San José (Barrenechea Arriaga). 

Nascido na cidade biscaia de Elorrio em 26 de dezembro de 1880, ingressou em Algorta como leigo e professou em 1906. Fez sua profissão solene no Santuário do Poço da Aparição em 25 de novembro de 1909. Era muito humilde e trabalhador, tendo sempre atuado como cozinheiro. Falava pouco, pois não dominava o espanhol e se comunicava muito melhor em basco. Dizia que "embora suas mãos estivessem ocupadas com as panelas e frigideiras na cozinha, seu coração estava ocupado com Deus". Tinha fama de ser prestativo, não só com o clero, mas também com os alunos da escola e seus pais. Diariamente, preparava comida extra para distribuir aos pobres nos portões do convento, sendo muito respeitoso com eles tanto na distribuição quanto nas compras feitas no mercado da vila. Frei Esteban recebeu mais de uma oferta de liberdade em troca de trabalhar como cozinheiro para a milícia, para o que precisou se registrar em um centro marxista. Ele sempre recusava conscientemente o risco que corria.


A prisão e o martírio da Comunidade Trinitária de Alcázar de San Juan.

Os dias 19 e 20 de julho de 1936 foram marcados por confusão e informações falsas em Alcázar de San Juan. No dia 19, os frades foram insultados na rua enquanto retornavam de um enterro; o Padre Plácido foi à Guarda Civil para apurar a situação. No dia 21, tanto os franciscanos quanto os trinitários foram presos.

Naquela manhã, como faziam todos os dias, os trinitários haviam se reunido no coro da igreja para celebrar o Ofício Divino e, em seguida, a Eucaristia. O Padre Plácido saiu para celebrar a missa no Lar de Idosos e, ao passar pelo convento de São Francisco, viu os franciscanos sendo presos. Embora lhe dissessem: "Nós o levaremos para lá mais tarde", ele prosseguiu seu caminho e celebrou a missa. Por volta das sete da manhã, vários homens e mulheres cercaram o convento, gritando com os frades e chegando a invadir o terreno de uma casa vizinha para impedir a fuga dos frades. O padre Antônio de Jesus e Maria estavam celebrando a missa e já haviam consagrado o pão e o vinho quando os milicianos entraram na igreja e o intimidaram para que terminasse. Ele continuou a celebrar a missa, consumindo todas as Sagradas Espécies para que não fossem profanadas. Os milicianos procuraram os fiéis que estavam na igreja antes de deixá-los sair.

Às oito da manhã, o juiz municipal apareceu e deu-lhes quinze minutos para tirarem seus hábitos e se vestirem como seus compatriotas. Eles obedeceram e foram para o claustro do convento esperar que o padre Antônio celebrasse a missa sozinho. Depois de terminar a missa no Asilo, o padre Plácido caminhou em direção ao convento para encontrar seus companheiros. Um vizinho, que sabia que os trinitários estavam sendo presos, saiu para avisá-lo, mas ele respondeu: "Muito obrigado pelo aviso, mas tudo o que pertence aos meus irmãos é meu". Ele foi parado na estrada e levado com o restante dos frades. Muitos milicianos e curiosos se reuniram na praça do convento e, em duas viagens em um Ford apreendido, os levaram para a Câmara Municipal. Durante a viagem, eles foram insultados pelos milicianos que perseguiam o carro. Testemunhas presentes, que posteriormente depuseram no julgamento, afirmaram que os frades se mantiveram calmos o tempo todo. O Conselho Municipal também incluía frades da comunidade franciscana e um noviço dominicano que havia sido capturado na estação de trem.

Na Plaza del Ayuntamiento, ouviam-se gritos exigindo a morte dos quatorze frades ali detidos. Eles foram interrogados sobre o dinheiro e as armas que haviam escondido nos conventos, ao que responderam que não possuíam nem dinheiro nem armas. O prefeito aproximou-se do Padre Plácido, que fora seu mestre, e ofereceu-se para salvá-lo, mas ele recusou se os demais prisioneiros não recebessem o mesmo tratamento. Mais tarde, as freiras concepcionistas da cidade foram presas, embora posteriormente enviadas para um asilo, onde foram acolhidas pelas Irmãzinhas dos Idosos Sem-Teto. Os quatorze frades foram escoltados pela Câmara Municipal, dois a dois, amarrados com cordas, e levados para um local chamado "El Refugio", situado ao lado da Torre de Santa Maria, na Calle Gracia. Ali, permaneceram trancados por vários dias, alimentando-se da pouca comida que alguns vizinhos lhes traziam, arriscando suas vidas.

Todos os dias, recebiam a visita de um agente da polícia secreta, que anos mais tarde confessou ter ficado impressionado com o silêncio que reinava entre o clero, o qual interpretou como parte dos exercícios espirituais de Santo Inácio, em preparação para o martírio. Contudo, não lhes era permitido rezar juntos, embora lhes fosse permitido falar, ocasião em que aproveitavam para confessar. Ali, o Irmão Estêvão contraiu uma infecção brônquica e, para tratamento, foi enviado para um asilo. 

Na tarde do dia 26, os prisioneiros civis foram transferidos para outra prisão na Rua Santo Domingo, deixando apenas o clero no "Refúgio". Naquela noite, estavam apavorados e, embora tivessem recebido o jantar de um amigo, nenhum deles comeu. À meia-noite, vários militantes apareceram e ordenaram que se levantassem e se preparassem para serem transferidos para outra prisão. Iriam em dois grupos, embora os franciscanos e os trinitários estivessem misturados. Pouco depois da saída do primeiro grupo, ouviram-se tiros e, quinze minutos depois, voltaram para buscar o segundo grupo. Ao chegarem ao local onde seriam assassinados, mataram o segundo grupo de clérigos. Muitos vizinhos ouviram os tiros e os gritos de um dos mártires: "Viva Cristo Rei!".

Na manhã de 27 de agosto, quase ao amanhecer, várias pessoas vieram ver os corpos, que mais tarde foram levados para o cemitério municipal. Lá, foram expostos ao público e as autópsias foram realizadas, atestando que o clérigo havia morrido por tiros à queima-roupa, diretamente na cabeça e no peito. Foram enterrados em uma vala comum dentro do cemitério municipal. Em 16 de setembro de 1939, foram exumados, identificados e colocados na cripta do cemitério municipal. Em 1962, foram transferidos para uma parede da Igreja da Trindade.

Quando o Irmão Estéban se recuperou da doença em 31 de agosto, um grupo de milicianos apareceu no asilo e o levou de carro para a prisão da aldeia, onde foi maltratado. Em 12 de setembro, ele foi retirado da prisão e fuzilado nos arredores da cidade às 2h da manhã.


Foram beatificados em 13 de outubro de 2013 sob o pontificado do Papa Francisco

Sua memória litúrgica é celebrada em 6 de novembro, juntamente com a de todos os outros mártires da Guerra Civil Espanhola.