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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

SÃO JOSÉ DE CUPERTINO: o "santo voador". Sete dons sobrenaturais que o santo possuía - 18 de setembro.


São José de Cupertino (1603-1663), padroeiro dos estudantes e conhecido como o santo voador, foi abençoado por Deus com muitos milagres, que ele sempre atribuiu à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria. Abaixo, sete eventos sobrenaturais que ocorreram durante a sua vida.




Voava pelos ares.

São José de Cupertino constantemente caía em êxtase e seus irmãos frades, bem como os fiéis, o viram “voar” em várias ocasiões. Certo dia, religiosos o viram elevado até uma estátua da Virgem, que estava a três metros e meio de altura, dando então um beijo no menino Jesus. Em seguida, ele orou no ar com intensa emoção.

O mais famoso destes eventos ocorreu quando os trabalhadores queriam levar uma cruz pesada para uma alta montanha, mas sem sucesso. Então São José elevou-se ao ar com a cruz e a levou ao topo da montanha.


Exorcizava com apenas uma sentença obediente.

Seus superiores o escolheram para exorcizar demônios, mas o Santo considerava-se indigno para tal. Por isso, ele usava a seguinte frase contra o mal: “Saia dessa pessoa, se desejar, mas não o faça para mim, mas para a obediência que devo a meus superiores”. E os demônios saíam.


Podia estar em dois lugares ao mesmo tempo.

O dom de estar em dois lugares ao mesmo tempo é chamado bilocação ou ubiquidade. Dizem que, quando a mãe de São José estava morrendo na aldeia de Cupertino, o Santo, que estava em Assis, sabia. O monge entrou com uma grande luz para o quarto de sua mãe, que, depois de vê-lo, partiu para a Casa do Pai.

Em Assis, seus superiores perguntaram por que São José estava chorando amargamente, e ele respondeu que sua mãe havia acabado de morrer. Mais tarde, foram muitos os que testemunharam o fato de o Santo ter acompanhado sua mãe em Cupertino.


Curava com o Sinal da Cruz.

Certa vez, um homem arrogante disse a São José: “Ímpio, hipócrita, não por você, mas pelo hábito religioso que você veste, tenho que respeitá-lo. Eu acreditaria em tudo que você faz se, com o sinal da cruz em minha ferida, ela ficasse curada”.

O Santo humildemente respondeu que tudo o que ele havia dito sobre ele era verdade e, fazendo o Sinal da Cruz sobre a ferida, o homem foi curado.

Ele também curou a visão de um homem cego, colocando-lhe seu casaco sobre a cabeça. Os aleijados e coxos foram curados por beijar o crucifixo que São José colocava diante deles. Os contaminados com uma praga de febre altíssima foram curados quando o Santo fez o Sinal da Cruz em suas testas.


Lia os corações e convertia protestantes.

O príncipe luterano John Frederick, aos 25 anos de idade, foi para Assis com dois acompanhantes, um católico e um protestante. Eles entraram na Igreja onde São José foi celebrar a Missa e, no momento da consagração, o Santo não pôde partir a Hóstia Consagrada porque estava dura como pedra e teve de colocá-la de volta na patena.

São José começou a chorar de dor e elevou-se para quase um metro de altura. Ao descer, conseguiu partir a Hóstia com grande esforço. Seus superiores lhe perguntaram o que tinha acontecido e ele respondeu que era devido aos corações duros das pessoas que assistiram à missa.

No dia seguinte, o príncipe voltou com os dois homens e, quando o Santo elevou a Hóstia na Missa, a Cruz da Sagrada da Hóstia ficou preta. Isto causou-lhe grande dor e choro, o que o fez levitar por cerca de 15 minutos. Este milagre balançou o coração do príncipe, levando-o a se converter à fé católica juntamente com o seu companheiro protestante.


Comunicava-se com os animais.

Quando passava por um campo e se colocava a rezar, ovelhas se reuniram ao seu redor e ouviram suas orações atentamente. As andorinhas voavam em bandos em torno de sua cabeça e acompanhavam-no por vários quarteirões.


Profetizou o futuro dos Papas.

Uma vez o levaram até o Papa Urbano VIII, o qual queria saber se era verdadeiro o êxtase e os episódios de levitação do Santo.


São José compareceu perante o Papa e levitou pelo ar para o espanto de todos os presentes. O Santo ainda previu a hora e o dia da morte do próprio Papa Urbano VIII e de Inocêncio X.





(Fonte do texto: site pioveritas.com)

SÃO JOSÉ DE CUPERTINO, Presbítero franciscano e Místico - 18 de setembro.


São José de Cupertino, o santo da
humildade e simplicidade; tinha um
Maravilhoso dom de levitação. 
Ele era carente de capacidade intelectual a ponto de chamar-se a si mesmo de "Frei Burro". Mas, cheio de luzes sobrenaturais, discorria em profundidade sobre temas teológicos e resolvia intrincadas questões que lhe eram apresentadas.

Deus criador chama todos e cada um dos homens à santidade, porém, em sua sabedoria infinita, o faz pelas mais diversas vias. A alguns pede que se isolem como eremitas nos desertos, a outros manda pregar às multidões. Conserva por toda a vida a inocência imaculada de uns, enquanto a outros faz emergir de uma situação de terríveis pecados para, arrependidos, atingirem a perfeição.

Há, porém, um contraste que desperta especialmente a atenção: quando a excelência das virtudes floresce numa alma pouco favorecida pelas capacidades intelectuais. Deus suscitou inteligências luminares, como São Tomás de Aquino ou Santo Agostinho, mas, para demonstrar sua onipotência, elevou a alto grau de santidade também homens os mais desprovidos de capacidades naturais. Um destes últimos é São José de Cupertino.

Uma vocação difícil de realizar-se.

O pequeno José veio ao mundo em 17 de junho de 1603, na aldeia de Cupertino, não longe de Otranto, Itália. Seu pai, um pobre carpinteiro, morreu antes que o bebê nascesse, deixando a infeliz viúva com seis filhos e carregada de dívidas. Insensíveis à sua dor, os credores a despejaram da casa, pois ela não tinha condições de pagar o aluguel. A triste senhora ficou reduzida à situação de dar à luz em um estábulo. Assim, já em seu nascimento, a vida de José se assemelhava à do Salvador, cujos passos viria resolutamente a seguir.

Apesar de sua pobreza, a mãe conseguiu colocá-lo em uma escola, e foi nela que, aos oito anos, ele teve o primeiro de seus numerosos êxtases. Seus colegas, não compreendendo a razão de vê-lo parado e com o olhar perdido, deram-lhe o jocoso apelido de "Boccaperta" (boca aberta).

Quando estava um pouco mais crescido, começou a trabalhar como aprendiz de sapateiro. No entanto, já sentia a vocação religiosa e, ao completar 17 anos, tentou ser admitido num convento dos capuchinhos. Para sua tristeza, foi recusado por conta de sua ignorância. Não se deixou esmorecer e, à custa de grande insistência, conseguiu ser recebido como irmão leigo, em 1620. Os capuchinhos de Martino o experimentaram em diversos ofícios, mas os seus êxtases contínuos sujeitavam a louça e outros objetos do convento a uma prova não pouco custosa! Dizem que chegaram a colar em seu hábito os cacos da louça que quebrara. Foi preciso mandá-lo embora. Na terrível provação de ter que despir-se do hábito franciscano, comentou que era como se lhe arrancassem a própria pele.

José procurou abrigo na casa de um tio que tinha certas posses, mas, após algum tempo, este o declarou "completamente inútil" e o pôs na rua. Após tantas desventuras, voltou para a casa materna. Sua mãe recorreu a um parente que era franciscano, por cujo intermédio o jovem acabou sendo aceito no convento de La Grotella, como ajudante leigo, nos trabalhos do estábulo.

Embora sempre distraído e desastrado, sua humildade e espírito de oração e penitência o tornaram estimado por todos, e, em 1625, por votação unânime dos frades, ele foi por fim admitido como religioso franciscano. Os frades conventuais concordaram em aceitá-lo para cuidar da mula do convento de Grottella. Depois, sua piedade, austeridade, obediência e dons sobrenaturais levaram os frades a admiti-lo no convento.


Bastava o santo pensar em Jesus ou
olhar para uma cruz para entrar
em êxtase e levitar ou, literalmente,
voar... 
Pregação feita por meio do bom exemplo.

Entretanto, seu amor a Deus levava-o a almejar o sacerdócio. Embora alguns duvidassem que ele fosse capaz de tanto, os superiores permitiram-lhe começar os estudos. Atravessou os anos de filosofia a duras penas. Nas horas de exame, ficava tão inseguro que, muitas vezes, era incapaz de responder. Mas a Providência não o desamparava. Quando seu mestre começava a impacientar-se, o nosso santo lhe dizia: "Tenha paciência, assim será mais meritório".

Em uma das provas mais importantes, o examinador lhe disse: "Vou abrir a esmo o Evangelho, e a primeira frase que me cair sob os olhos, essa terás de me explicar". Em seguida, abriu o livro santo na página da visita a Santa Isabel e mandou Frei José dissertar sobre a frase: "Bendito é o fruto de teu ventre". Era justamente este o único ponto que ele sabia explanar.

Chegou, por fim, o dia do exame definitivo, no qual se decidiria quem seria ordenado. José recomendou-se à sua Santa Mãe, Nossa Senhora de Grottella. Apresentou-se o grupo de seminaristas diante do bispo, e este logo começou o exame oral. Os dez primeiros a serem interrogados saíram-se tão bem que o prelado, muito satisfeito com o nível de preparação daquele conjunto, dispensou da prova os demais. Frei José era o 11º da lista... Assim, com razão, Frei José de Cupertino viria a ser declarado padroeiro dos estudantes, especialmente daqueles que se encontram no período de exames.

Foi ordenado sacerdote em março de 1628. Sempre teve muita dificuldade de pregar e ensinar. No entanto, supria essa deficiência e ganhava as almas por meio da oração, da penitência e do poderoso meio do bom exemplo.


"Frei Burro" era, na verdade, um teólogo hábil.

Na verdade, era pouco versado nos conhecimentos humanos, tanto que se chamava a si mesmo de "Frei Burro". Contudo, a graça divina lhe concedia muita sabedoria e luzes sobrenaturais, e desse modo ele não somente ultrapassava o comum dos homens no aprendizado das doutrinas, como se mostrava hábil em resolver as mais intrincadas questões que lhe eram apresentadas. Em certa ocasião, um professor da Universidade Franciscana de São Boaventura disse: "Escutei-o discorrer tão profundamente sobre os mistérios da teologia, como não o poderiam fazer os melhores teólogos do mundo".

Além disso, nunca deixou de ser místico e grande contemplativo. Tudo aquilo que, de algum modo, tinha relação com Deus ou com as coisas santas – o som do sino, o canto litúrgico, a menção dos nomes de Jesus ou de Maria, alguma passagem dos Evangelhos – facilmente o transportava ao êxtase. E nada o tirava desse estado. Em vão seus irmãos de hábito tentavam empurrá-lo ou arrastá-lo; depois passaram a golpeá-lo, espetá-lo com pregos e, por fim, alguns mais impacientes chegaram a tocar sua pele com brasas. Nada produzia efeito. Por milagre da santa obediência, somente a voz do superior o trazia de volta à vida comum.


Êxtases frequentes, fonte de transtornos e provações.

O êxtase às vezes o surpreendia durante a Missa. Voltando a si, São José retomava o santo sacrifício no ponto preciso em que o havia deixado, sem se equivocar no cerimonial. Tais eram seus êxtases que, certo dia, durante uma levitação, suas mãos ficaram por cima das chamas de dois tocheiros. Atônitos, os espectadores ficaram mudos de temor, mas, passado o êxtase, não havia qualquer sinal de queimadura. Sua Missa durava habitualmente duas horas. Por vezes, Nosso Senhor lhe recomendava que a abreviasse para ir desempenhar seu ofício de esmoler. Aconteceu-lhe mesmo de elevar-se e permanecer suspenso no ar.

Os êxtases e levitações eram muito
comuns. Podiam ocorrer a qualquer
momento ou lugar. 
Os arroubamentos de São José de Cupertino podiam acontecer em qualquer momento e lugar.

Como essas ocorrências causavam não pouco espanto e admiração, além de grande distúrbio na comunidade, os superiores acharam por bem decidir que Frei José não mais celebrasse Missa em público nem participasse dos atos em comum, como cânticos no coro, refeições e procissões. A partir de então, ele devia permanecer em seu quarto, onde uma capela privada foi preparada para seu uso. Tudo o bom frade aceitou, com humilde e obediente resignação.

Mas as provas a que Deus submetia este seu servo estavam longe de terminar. Tantas manifestações sobrenaturais chamaram a atenção da Inquisição, perante a qual o bom frade foi acusado de abuso da credulidade popular. Durante um interrogatório no mosteiro napolitano de São Gregório Armeno, ele teve um êxtase diante dos juízes. O longo e complexo processo ocasionou-lhe o transtorno de ser várias vezes transferido de uma casa dos conventuais para outra. Mas Frei José de Cupertino sempre manteve sua paciência e espírito alegre, submetendo-se com confiança aos desígnios da Providência. Longe de afligir-se, progredia na via da santificação. Praticava a mortificação e o jejum a tal ponto que fazia sete longos períodos de abstinência por ano, e durante boa parte desse tempo não experimentava nenhuma comida, exceto às terças-feiras e domingos.     


Simplicidade e inocência.

Comumente via as pessoas em forma de um animal que representava o estado de sua alma. Se encontrava alguém cuja alma não estivesse limpa, sentia o fétido odor do pecado e advertia: "Estás cheirando mal, vai te lavar". E, após uma boa confissão, sentia um aroma agradável de perfume.

Facilmente entrava em êxtase e levitava.
Vivia de tal forma em contemplação que, mesmo durante árduos trabalhos, não conseguia distrair-se dela. Não poucas vezes, pensando nas realidades eternas, José se elevava do chão. Realmente, o "Irmão Burro" passou boa parte de sua vida no ar, entre o céu e a terra... Devido talvez à sua simplicidade e inocência, José de Cupertino tinha grande amizade e familiaridade com as mais simples criaturas de Deus.

 Certa vez mandou um passarinho ir ensinar às freiras de um mosteiro a cantar o Ofício. E todos os dias, à hora das Matinas e da Noa, eis que o pássaro aparecia à janela do coro, animando o cântico das religiosas.

Em outra ocasião, encontrou duas lebres junto ao bosque de Grottella e as preveniu: "Não vos afasteis de Grottella, porque muitos caçadores vos perseguirão". Tendo desobedecido a essa recomendação, uma delas foi surpreendida e perseguida por cães. Encontrando aberta a porta da capela, o animalzinho atravessou a nave e atirou-se nos braços de José. "Eu não tinha te avisado?", disse-lhe o santo. Em seguida, chegaram os caçadores, reclamando sua presa. "Esta lebre está sob a proteção de Nossa Senhora, portanto não a tereis", respondeu ele. E, depois de abençoá-la, a pôs em liberdade.

Apenas ao pronunciar os santíssimos nomes de Jesus e de Maria, José entrava em levitação. Passeando um dia com outro frade nos jardins do convento, este lhe disse: "Irmão José, como criou Deus um tão belo céu!" Ao ouvir estas palavras, José deu um grito, voou e colocou-se de joelhos sobre uma oliveira. Os galhos balançavam como se estivessem sob o peso de um pássaro.


Urna com o corpo incorrupto do santo.


A santidade atrai.

Sua fama de santidade espalhou-se rapidamente por toda a Itália e mesmo por outros países da Europa. Príncipes, reis, cardeais e até o Papa o procuravam.

Todo este movimento em torno do humilde religioso e os fenômenos sobrenaturais pouco comuns inquietaram a Inquisição. Em 1653, por ordem do Santo Ofício, foi transferido de Assis para o convento capuchinho de Petra Rúbia e, depois, para isolá-lo mais, a Fossombrone. Devia ele viver isolado, inclusive, da comunidade.

Os frades conventuais recorreram ao Papa Alexandre VII. Queriam reconduzir São José a Assis, mas o Papa respondeu: "Não, basta-lhes um São Francisco em Assis". Que maior elogio para um franciscano?!

Foi enviado a Ósio, perto de Loreto, em 1657. Ao chegar, exclamou: "Este é o lugar de meu descanso". E, de fato, foi em Ósio que entregou sua virtuosa alma a Deus, em 17 de setembro de 1663. Foi canonizado por Clemente XIII em 1767.


(Revista Arautos do Evangelho, jan./2004 e set./2006, n. 25 e 57)


SÃO JOSÉ DE CUPERTINO. A incrível história do Santo que chamava a si mesmo de "Frei Burro" - 18 de setembro.



Após várias tentativas de entrar na vida religiosa (ele era considerado ignorante e sem cultura), o "irmão burro", como às vezes era chamado, foi aceito no Convento Franciscano em Grotela, onde foi ordenado em 1628.
Sua vida tornou-se uma série de visões e êxtases, que aconteciam em qualquer local e a qualquer hora pelo som do sino de uma igreja, pelo som de uma música sacra, pela simples menção do nome de Deus ou da Virgem Maria, ou ainda pela menção de eventos da vida de Cristo, como a Sagrada Paixão ou a visão de uma pintura sacra.

Gritos, beliscões, queimaduras, agulhadas, nada o trazia de volta de seus transes; mas ele voltava na hora com a ordem do seu superior.

Ele, por várias vezes, levitava e flutuava como um pássaro (daí ele ser o padroeiro dos aviadores e passageiros de aviões).

Mesmo no século XVII, já havia interesse no incomum, e os êxtases de José, em público, provocaram admiração em uns e constrangimento em outros.

Por 35 anos não foi permitido a ele atender o coro, o refeitório comum, e dizer Missa na igreja. Para prevenir que ele fizesse um espetáculo em público, ele recebeu ordens de ficar em seu quarto com uma capela privativa.

O Papa Urbano VIII encontrou-se com ele em Grotela e ele, ao ver a imagem de Nossa Senhora, entrou em êxtase.

O Papa, que falava aramaico, fez perguntas complicadas e ele respondeu na mesma língua, com grande sabedoria e naturalidade.

Depois deste episódio, ele passou a ser muito respeitado e, por várias vezes, foi consultado pelos exegetas da Igreja sobre questões muito controvertidas, e o "irmão burro" respondia a todas como se fosse um luminar na matéria.

Dizia com simplicidade que, em algumas de suas visões, às vezes ficava conversando com alguns apóstolos e, às vezes, com Jesus e a Virgem Maria.

De alguns êxtases ele não se lembrava de nada, mas de outras visões ele tinha perfeita lembrança e as descrevia com detalhes que deixava a todos boquiabertos.

Para evitar constrangimento para ele e para a Igreja, José foi enviado a uma casa capuchinha e depois para uma casa franciscana e outra capuchinha, e assim por diante.

Mas José permaneceu fiel ao seu espírito alegre e brincalhão, sempre se submetendo à Divina Providência.

Fazia os 40 dias de jejum a cada ano na Quaresma, sempre com uma fé inabalável.

Foi beatificado em 17 de junho de 1703 pelo Papa Benedito XIV e canonizado em 16 de julho de 1767 pelo Papa Clemente XIII.
É o padroeiro dos tripulantes e passageiros de aeronaves, astronautas e pilotos aviadores, pilotos de asa delta, ultraleves, etc.

Ele era carente de capacidade intelectual a ponto de chamar-se a si mesmo de "Frei Burro". Mas, cheio de luzes sobrenaturais, discorria em profundidade sobre temas teológicos e resolvia intrincadas questões que lhe eram apresentadas.

Deus criador chama todos e cada um dos homens à santidade, porém, em sua sabedoria infinita, o faz pelas mais diversas vias.

A alguns pede que se isolem como eremitas nos desertos, a outros manda pregar às multidões.

Conserva por toda a vida a inocência imaculada de uns, enquanto a outros faz emergir de uma situação de terríveis pecados para, arrependidos, atingirem a perfeição.
Há, porém, um contraste que desperta especialmente a atenção: quando a excelência das virtudes floresce numa alma pouco favorecida pelas capacidades intelectuais.

Deus suscitou inteligências luminares, como São Tomás de Aquino ou Santo Agostinho, mas, para demonstrar sua onipotência, elevou a alto grau de santidade também homens os mais desprovidos de capacidades naturais. Um destes últimos é São José de Cupertino.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

SANTO ALBERTO DE JERUSALÉM (ou de Vercelli), Bispo e Legislador da Ordem Carmelita - 17 de setembro

Sua vida

Não é Carmelita, no sentido estrito. Porém, celebra a Ordem do Carmo (tanto os da Antiga Observância quanto os Descalços) com toda a propriedade, como a um “filho” e “pai” (ao mesmo tempo) muito querido, por haver sido o seu Legislador (ele quem redigiu a Regra dos Irmãos do Monte Carmelo).

Nasceu em Castel Gualtien, diocese de Reggio Emilia (Itália), em meados do século XII, da família Avogrado ou dos Condes de Sabbioneta.

Em 1180, foi eleito Prior dos Cônegos Regulares de Santa Cruz de Mortara (Pavia). Em 1184, é eleito bispo de Bobbio e, no ano seguinte, de Vercelli, diocese que governou por vinte anos.

Durante esse tempo, desempenhou, com grande acerto, delicadas missões nacionais e internacionais, encarregado por papas e imperadores. Todos acudiam a ele, sabedores de sua prudência, firmeza e independência.

Foi o que pode chamar-se de juiz “expert” dos mais intrigados litígios que tinham relação com a Igreja.

Dadas suas qualidades e objetivando o bem da Igreja Universal, o Papa Inocêncio III o nomeou Patriarca (arcebispo) Latino de Jerusalém, mesmo sentindo a dor da perda desse seu grande auxiliar, do qual disse, em 17 de fevereiro de 1205: “ainda nos era muito necessário na região da Lombardia, pois, confiamos plenamente em ti, para que nos representes, inclusive, nos mais difíceis assuntos”.

Em 16 de junho de 1205, anunciava esse mesmo Papa aos prelados da Terra Santa que lhes enviava Alberto, “varão provado, discreto e prudente, como legado seu para a Província Eclesiástica de Jerusalém”.

Chegou à Palestina a princípios de 1206 e fixou sua residência em Accon (São João do Acre), porque Jerusalém estava (novamente) ocupada pelos sarracenos (muçulmanos).

Suas extraordinárias qualidades de experiente mediador, também as exerceu com fruto durante os nove anos que durou o seu patriarcado.

Para nós – os carmelitas – sua obra mais benemérita foi a entrega da Regra de Vida que leva o seu nome e que ainda hoje observa o Carmelo em todos os seus múltiplos ramos.

Em 14 de setembro de 1214, em Accon, enquanto participava de uma procissão (na Festa da Exaltação da Santa Cruz), foi assassinado a punhaladas pelo mestre do Hospital do Espírito Santo. Ele havia repreendido e deposto de seu cargo por causa de sua má vida.

A memória dele, que começou a ser celebrada na Ordem em 1504, é agora comemorada em 17 de setembro, com a categoria de Festa.

Sua espiritualidade:

Pelos anos 1206–1209, a pedido dos eremitas que moravam no Monte Carmelo, entregou ao então irmão São Brocardo e companheiros uma Norma de Vida ou Regra, que chamamos “Regra de Santo Alberto”.

Alberto codificou, em breves traços, ricos em citações bíblicas, a tradição monástica do Carmelo. São normas concretas e prescrições disciplinares. Insiste, sobretudo, na meditação da Palavra de Deus para melhor servir (“viver em obséquio”) a Jesus Cristo: na oração, silêncio, mortificação, trabalho e vida fraterna.

Entregou a Regra em um só “corpo”, porém, hoje, a temos dividida em um prólogo, em dezoito capítulos e um epílogo.

Um grande número de autores, tanto de dentro quanto de fora da Ordem, comentou este maravilhoso documento legislativo-espiritual ao longo de mais de sete séculos de existência.

Muitos homens e mulheres se santificaram observando essa Regra, que foi aprovada e “transformada” (alguns ajustes) por vários pontífices.

O Hino do Ofício das Leituras de sua Festa sintetiza sua espiritualidade:

Alberto, sol refulgente, pastor e legislador, teus filhos hoje te celebram. Escuta seus rogos. Dá paz e a concórdia, semeador mensageiro; és farol que nos dá, em fé e costumes, o fulgor. As fronteiras nacionais transbordam de tua virtude, o odor; e enche Jerusalém tua dignidade e tua honra. Resplandecendo na Igreja, santo e prudente reitor, deu a Santa Regra ao Carmelo e guiou por estradas de amor. Faz que em nós aumentem a caridade, a graça e a oração e, contigo, a Deus rendamos, sempiterna adoração. Amém.

 

Sua mensagem

Que amemos a Igreja até morrer por ela.

Que nossa maravilhosa Regra seja o “trampolim” para o céu.

Que gastemos nossa vida “em obséquio de Jesus Cristo”.

Que nosso desejo e meta sejam: “servir fielmente a Jesus Cristo”.


Fonte: 

http://carmelnet.org/chas/santos/albert1.htm (site espanhol)


Traduzido para o português por mim: 

Giovani Carvalho Mendes, OCDS (Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares). 

SANTO ALBERTO DE JERUSALÉM, Patriarca Latino de Jerusalém, Bispo e Autor da Regra dos Carmelitas - um pai para o Carmelo. Festa em 17 de setembro.



Ícone representando Santo Alberto
entregando a Regra a São Brocardo.
São João de Acre, cabo norte do golfo de Haifa, 14 de setembro de 1214. O patriarca latino de Jerusalém, Alberto Avogrado, avançava em procissão, rodeado de cônegos do Santo Sepulcro e de outros clérigos. Ele celebrava a festa da Exaltação da Santa Cruz, na qual participava toda a comunidade “franca”, ou seja, os cristãos latinos e outros cidadãos atraídos pelo acontecimento. De repente, uma pessoa da multidão atirou-se contra o patriarca, ferindo-o de morte. O homicida, que era o professor do hospital do Espírito Santo, quis vingar-se por ter sido destituído de sua função por motivos de imoralidade.

Assim morreu o patriarca Alberto, vítima de seu compromisso com uma igreja fiel ao Evangelho. Descendente dos Avogrado, de uma família de classe média, nascera cerca de 60 anos antes, por volta do ano 1150, provavelmente em Castel Gualtieri, na que hoje é província de Reggio Emilia, naquele tempo território piemontês identificado com vários nomes: Lombardia, Itália… Sendo um jovem de 20 anos, depois de acabar os primeiros estudos de direito, optou pela vida religiosa: não por uma carreira eclesiástica cômoda, prometedora e remunerativa, mas pela austera vida comunitária dos Cônegos Regulares de Mortara, que se ocupavam da vida comunitária de pobreza e de oração litúrgica coral unida ao serviço pastoral. Tornou-se um intérprete autorizado de sua regra de vida, até o ponto de obter a confiança de seus superiores e dos irmãos para converter-se em mestre de noviços e, posteriormente, prior, em 1180.

A fama de Alberto cresceu até o ponto de, em 1184, ter sido eleito bispo de Bobbio, onde só permaneceu alguns meses, já que, no ano seguinte, foi destinado a presidir a igreja de Vercelli, onde permaneceu uns vinte anos. 

Este período foi rico em atividade pastoral e diplomática, aspectos fortemente unidos em sua vida. De fato, ele não só presidia a diocese, mas também representava o imperador, em cujo nome governava o condado de Vercelli. 

Sendo bispo, acompanhou a igreja eusebiana na celebração de um sínodo diocesano (1191), no qual nasceram novos estatutos, fruto, ao menos em considerável parte, da clarividência e da competência do próprio bispo. Esta antiga legislação, desafortunadamente desaparecida, esteve em vigor ao menos até o início do século XVII, sendo modelo de concreção e flexibilidade. 

Alberto teve outra preocupação: a formação do clero diocesano. Foi muito valorizado pelos papas, os quais o enviaram como mediador para dirimir desavenças entre os bispos e os capítulos dos cônegos ou entre as dioceses vizinhas. 

Estes foram também anos de intensa atividade política: como bispo-conde, manteve sempre relações cordiais com os imperadores Frederico I “Barbarrocha” e seu filho Henrique IV, a quem acompanhou muitas vezes em suas viagens para a Itália. Não foi fácil a relação com o município de Vercelli, cuja conhecida notoriedade ia crescendo. 

A sabedoria e a competência jurídica de Alberto também se tornaram visíveis por ocasião da reforma dos estatutos dos capítulos dos Cônegos de Biella e Santa Ágata e Santa Maria Maggiore de Vercelli. O bispo também foi requerido para colaborar na revisão das constituições dos Humilhados, a nova ordem religiosa composta por leigos em continência e sacerdotes.

Todas estas atividades, junto com sua fama de homem espiritual, fizeram que os cônegos do capítulo do Santo Sepulcro sugerissem o seu nome ao papa para ser patriarca de Jerusalém. Inocêncio III (1198-1216) acolheu a proposta e, depois de vencer sua resistência como candidato, enviou-o como patriarca de Jerusalém e legado papal para a província da Terra Santa. 

Nos primeiros meses de 1206, Alberto permaneceu em São João de Acre, sede provisória do patriarcado, por estar impedida a entrada e a residência em Jerusalém, que estava em mãos dos sarracenos. Em seguida, ocupou-se em melhorar a situação da Igreja latina na Terra Santa. Como legado papal, interveio no nomeamento de bispos e fomentou o diálogo com os sarracenos e entre os diversos grupos e autoridades cristãs.

Nessa ocasião, o reino latino de Jerusalém se limitava a pouco mais da costa do golfo de Haifa aos territórios libaneses e à ilha de Chipre. Depois da batalha de Hattin (1187), o domínio sarraceno fora restabelecido em quase toda a Terra Santa. Entre os territórios dominados pelos “francos” ficou o promontório do Carmelo. Justamente em sua vertente ocidental sul, no vale do Peregrino (la Wadi ‘ain es Siah), nas ruínas da antiga capela bizantina, depois de 1189, estabeleceu-se um grupo de peregrinos latinos que se propuseram viver como eremitas em santa penitência.

Formavam uma das muitas comunidades que surgiram durante aqueles anos em uma terra fecunda, caracterizada por uma sociedade em movimento e uma Igreja em efervescência, repleta de interrogantes sobre a essencialidade, a simplicidade e a radicalidade de vida. 

A sociedade ocidental estava em profunda transformação: as antigas estruturas feudais, fechadas e baseadas numa agricultura de subsistência com mínimas mudanças sociais, iam dando espaço a novas aglomerações urbanas cujo centro vital era o mercado, o bispado, a administração municipal e inclusive a universidade. 

Novos grupos sociais compostos por mercadores, artesãos, profissionais, iam substituindo as antigas estratificações sociais dos cavaleiros e camponeses. Inclusive na própria Igreja, pululavam os movimentos de opção pela pobreza e os “evangélicos”, que eram pregadores populares que com frequência percorriam amplas regiões, alimentando a fome da Palavra de Deus; além desses, ainda havia os eremitas solitários e em grupo, que se estabeleciam em lugares desérticos, passando a ser um atrativo para muita gente. 

O desejo espiritual de uma vida cristã mais substancial e baseada no Evangelho mesclou-se com a explosão demográfica, o crescimento da riqueza e, como causa disto, as diferenças sociais. 

O aumento da cultura universitária, a mobilidade social e outros fatores provocaram uma imponente marcha à Terra Santa, o que levou às Cruzadas. O desejo de trasladar-se àquela Terra para encontrar o Senhor, visitando os lugares de sua vida terrena, provocara efetivamente um movimento intenso no povo, que se transformou na peregrinação armada chamada cruzada.

Neste contexto nasceu a comunidade dos Irmãos Eremitas do Carmelo. Alberto lhes escreveu a Fórmula de Vida, autêntica coluna vertebral da vida carmelitana, que passou a ser a Regra Carmelita. Uma breve carta na qual se descrevia em poucas linhas seu propósito, ou seja, a vida e a fisionomia pelas quais o grupo se decidira. Pretendiam ser uma fraternidade de eremitas obedientes ao prior, reunidos em torno de Jesus Cristo, em contínua e orante meditação de sua Palavra, alimentados pela Eucaristia, em silêncio, trabalho, pobreza, discernimento e diálogo fraterno.

Nela aparece, pela primeira vez, o "DNA" do grupo, ou seja, o carisma. Este era formado por dois elementos essenciais da vida cristã e religiosa, porém combinados de uma maneira original. Caridade, oração, centralidade de Cristo, serviço e outros elementos da vida espiritual estavam articulados de maneira harmoniosa. Isso proporciona ao grupo e aos seus membros a graça de permanecerem em constante busca do rosto de Cristo, para serem transformados pelo Espírito e viverem em plena comunhão com o Pai e com os irmãos. O ícone ideal da primeira comunidade de Jerusalém, como é descrito nos Atos dos Apóstolos (2,42-47; 4,32-35; 5,12-16), constituía a firme referência estrutural dos primeiros Carmelitas. É difícil saber se a ideia foi sugerida por eles ou por Alberto, porém é certo que a composição da Fórmula de Vida e a articulação dos elementos são do patriarca.


Alberto, sem que saibamos de que modo, porém certamente em diálogo com os próprios irmãos, conseguiu harmonizar as diversas aspirações que aparecem na Fórmula de Vida. Antes de tudo, aparece o forte chamado a seguir Jesus, justamente ali onde ele viveu, consumou seu sacrifício e ofereceu a vida por sua ressurreição: este era o ideal da peregrinação a Jerusalém, contido na tradição cristã. Tratava-se de um caminho de transformação contínua, que conduzia os eremitas a fazer a experiência de ressuscitar da morte, a passar da vida carnal à espiritual. 

Deste modo, os carmelitas se fizeram irmãos, capazes de construir uma comunidade na qual é possível encontrar o Senhor e estar dispostos para servir os irmãos e irmãs do povo de Deus. Tinham o desejo de seguir Jesus na pobreza apostólica, como sinal da essencialidade da vida e da radical dependência de Deus, próprio de muitos movimentos do tempo que optavam pela pobreza. Havia um chamado à solidão do deserto, mesmo que mitigado por elementos comunitários e cenobíticos, que expressava o desejo de buscar o Senhor como o absoluto, para permanecer na intimidade com Ele. 

Havia a exigência da luta espiritual expressa no convite a revestir-se da armadura espiritual (Ef 6,11-17): uma instigante releitura da mentalidade do momento, imbuída dos ideais cavalheirescos e do espírito da cruzada. O desejo de contribuir com a reforma da Igreja se expressou na escolha por venerar a Maria, a Mãe do Senhor, a Senhora do Lugar. Ou seja, do próprio Carmelo e da Terra Santa, conquistada pelo sangue de seu Filho. A ela foi dedicada a capela construída no meio das celas dos irmãos. 

Esta devoção mariana inicial continha todos os elementos que se desenvolveram ao longo da multissecular história da Ordem. Assim como foi escolhida a figura do profeta Elias, o lugar onde se estabeleceram os eremitas estava unido a essa escolha – “junto à fonte”, conhecida popularmente como Fonte Elias. A devoção mariana passou a ser motivo de identificação e chamado à dimensão profética, ou seja, ao anúncio livre e visível do quanto Deus quer para a história humana.

Alguns autores têm tentado definir a contribuição específica de Alberto e seu papel na fundação do Carmelo; porém são somente hipóteses baseadas em provas frequentemente frágeis e não sempre suficientemente verificadas. Embora seja plausível atribuir a Alberto a redação da carta que contém a Fórmula de Vida (isto nunca foi posto em dúvida pelas fontes), e também se possa atribuir a ele as citações bíblicas diretas ou indiretas (são tantas que alguém chegou a dizer que a Fórmula de Vida se apresenta como fruto de uma lectio divina), não se pode afirmar com certeza quais partes ou conselhos são fruto exclusivo da mente e do coração do patriarca e quais são influenciados pelo desejo dos próprios eremitas. De fato, estes já viviam no Carmelo e haviam dado uma forma inicial a seu propositum (Regra 3). Ainda assim, creio que se pode atribuir à experiência de Alberto, cônego da Santa Cruz de Mortara, ao menos a indicação de São Paulo como modelo (Regra 20): um dom específico do patriarca Alberto aos Carmelitas. A menção do apóstolo foi, de maneira mais ou menos consciente, de grande ajuda para os irmãos na hora de orientar-se para o apostolado explícito e direto, sem que por isso fosse desprezada a dimensão contemplativa carismática, originária e própria. Por outra parte, o mesmo Paulo foi também um místico (cfr. 2 Cor 12,1-10) e um homem de profunda oração (Rom 16,25-27; 2 Cor 2,1; Ef. 3,14-21). Da mesma maneira, pode-se manter que é uma herança de Alberto a forte dimensão eclesial que percorre o texto da Fórmula de Vida, a qual conservou em todo tempo o esforço dos Carmelitas a favor da vida eclesial e da evangelização.

Tudo isto permitiu à comunidade eremítica do Carmelo não se encerrar em si mesma num narcisismo conservador da própria escolha e do próprio estilo de vida. Os irmãos se abriram ao mundo e à história, sem perder, por isso, as próprias origens, seu DNA. Instigados pelo aumento de membros da comunidade,  pela pressão sarracena e pela insegurança do lugar, decidiram iniciar a migração para o Ocidente, do qual procediam os primeiros peregrinos penitentes. Desta maneira, além das fundações na Terra Santa e em Chipre, formaram-se Carmelos na Sicília e na Itália (Messina e, depois, Pisa), na Inglaterra (Aylesford, em Kent, e Hulne, em Northumberland), em Provença (Les Aygalades e Valenciennes) e na Alemanha (Colônia).
A Fórmula de Vida de Santo Alberto continuou modelando a vida dos irmãos e passou a ser Regra reconhecida e aprovada, com alguns importantes acréscimos e modificações do papa Inocêncio IV (1 de outubro de 1247). A essencialidade, a flexibilidade e o dinamismo deste tesouro fizeram dele uma referência capaz de oferecer alimento e inspiração a muitos grupos de fiéis, religiosos e leigos, que constituem a Família Carmelitana.
A carta entregue por Alberto aos irmãos eremitas que viviam junto à fonte de Elias completa agora mais de 800 anos, porém não perdeu absolutamente seu frescor. Como um fruto em tempos de mudança, conseguiu adaptar-se a situações sempre novas, abertas à esperança de Deus para os homens.


Por Pe. Giovanni Grosso, O.Carm.
Fonte: http://fradescarmelitas.org.br/santo-alberto-de-jerusalem-um-pai-para-o-carmelo/


quarta-feira, 16 de setembro de 2026

SÃO JOÃO MACIAS, Irmão Leigo Dominicano - memória em 16 de setembro.

 Ribera del Fresno, Espanha, 2 de março de 1585 - Lima, Peru, 16 de setembro de 1645.

 

Juan Macías, um frade leigo dominicano, nasceu em Ribera del Fresno, Espanha, em 2 de março de 1585. Órfão, passou a adolescência com seus tios, dedicando-se à criação de ovelhas. Em 1619, embarcou para as Américas e, após quatro meses e meio de viagem, chegou a Lima, no Peru. Depois de trabalhar para um comerciante atacadista de carne, Juan decidiu consagrar-se ao Senhor: aos trinta e sete anos, ingressou na Ordem Dominicana da Madalena. 

Distinguiu-se na oração, no aconselhamento e no carisma, promovendo obras de caridade e criando uma rede de auxílio que se estendeu até Quito, Bogotá e Cuzco. Faleceu em Lima, em 16 de setembro de 1645. Foi beatificado, juntamente com seu amigo Martín de Porres, em 1837 pelo Papa Gregório XVI.


       1º Texto Hagiológico: 

São João Macías, canonizado em 28 de setembro de 1975, frade leigo dominicano, nasceu em Ribera del Fresno, Espanha, em 2 de março de 1585. Quando criança, perdeu os pais e passou a adolescência e a juventude morando com uma irmã mais nova e seus tios, dedicando-se à criação de ovelhas.

Por volta dos vinte anos, vagou pela região da Extremadura (Guadalcanar, Jerez, Sevilha, etc.) em busca de trabalho, apesar do forte desejo de se consagrar a Deus. Retornou à sua cidade natal em 1613 para receber a certidão de batismo.

Em 1619, finalmente embarcou para as Novas Terras e, após uma árdua viagem de quatro meses e meio, chegou à Cidade dos Reis, Lima. Depois de um breve período trabalhando para um fornecedor atacadista de carne, Giovanni finalmente decidiu sua futura vocação: aos trinta e sete anos, ingressou na Ordem Dominicana da Madalena, na Província de São João Batista. Ele professou seus votos em 1623, dedicando-se até a morte à generosa prática da caridade, servindo como porteiro do convento. Distinguiu-se na oração, no aconselhamento e no carisma da caridade, por meio dos quais promoveu importantes obras de caridade, unindo pessoas de diferentes classes sociais e criando uma rede de auxílio que se estendeu até Quito, Bogotá e Cuzco.

Faleceu em Lima em 16 de setembro de 1645.

Foi beatificado, juntamente com seu amigo Martinho de Porres, em 1837 pelo Papa Gregório XVI.

Foi solenemente canonizado por São Paulo VI em 28 de setembro de 1975.

O que podemos dizer sobre esta nova canonização? Por que este novo santo? Ouçamos as palavras do postulador da causa, Tarcisio Piccari:

João (Juan) Macías é proclamado um “santo”. Há dois pontos principais em seu currículo: primeiro, ele foi um emigrante; depois, tornou-se um religioso. 

Ele não era um emigrante religioso, mas um emigrante “típico”: “religioso”, no sentido leigo, secular e íntimo que damos ao termo. Ele é chamado de “emigrante” porque emigrou da Espanha para o Peru, não por motivações de trabalho ou por maiores aspirações econômicas. Ele não era um soldado mercenário contratado nem uma figura política indesejada fugindo da Extremadura. 

Era um espanhol saudável e honesto; mudou-se para trabalhar, não para ser um aventureiro; ganhou dinheiro e enviou parte de suas economias para sua irmã, que morava em seu país; devolveu o restante aos peruanos pobres e doou à Igreja local, quando se tornou dominicano. 

Em Macías, a razão da migração (...) foi determinada pela resposta pessoal ao fardo missionário de ser cristão. E, respondendo ao imperativo da fé, ele compreendeu o poema e decidiu. Ele viveu isso compartilhando o destino de seus irmãos "mais distantes", descobertos na caridade de Cristo e da Igreja. Ele os via com uma nova perspectiva, diferente da de imigrantes como ele, que haviam deixado sua terra natal principalmente em busca de fortuna. 

Um "imigrante típico", ele não se limitou a interesses coloniais motivados por comportamento egoísta; mostrou genialidade em se colocar a serviço dos outros sem cálculos humanos e acabou revelando a virtude enérgica do Evangelho que eleva a condição humana e forja laços de solidariedade. Ele era um espanhol que conquistou a simpatia universal pela benevolência que expressou de mil maneiras para com os peruanos. Como imigrante, quando decidiu escapar do mundo, emigrou em espírito, alistando-se no estado religioso. 

Descobriu sua vocação dominicana no desejo de maior união com Deus, para o bem de seus irmãos; do convento, lar de seu espírito, não abandonou os pobres. Por vinte anos, a portaria da Maddalena seria o ponto de desembarque de mil misérias. Quase habitualmente, como demonstrado em centenas de textos de O Julgamento (inaugurado três anos após sua morte), ele se tornou um instrumento carismático de serviço diário para centenas de pobres. 

A última aventura "migratória" de Macías, a mais recente, ocorreu em 23 de janeiro de 1949, em Olivenza (Extremadura), onde ele ajudou milagrosamente os pobres que haviam perdido seu alimento diário. Qual é, então, sua mensagem atual? O fenômeno migratório é atual hoje, não apenas em nível regional dentro das fronteiras de um mesmo país; ele se desenvolve e se contrai em escala internacional e intercontinental, com repercussões e implicações para os equilíbrios e desequilíbrios demográficos, econômicos, sociais e políticos. 

Devemos nos perguntar se, e como, em igual medida, a Igreja, ao estender a evangelização, animou a experiência humana das primeiras migrações com virtude divina. João Macías oferece uma resposta que chama a atenção para esse aspecto do problema. 

A personalidade deste "emigrante e imigrante típico" deve ser situada no contexto hispano-peruano do século XVII, de modo a destacar as condições sociais em que atuava. Macías operava num clima de tensão [...], com liberdade de espírito e de maneira altamente eficiente, prática e santa, extraindo o segredo de sua prodigiosa atividade do fato de jamais negar a seus irmãos o tributo do serviço que descobrira em ser cristão. De fato, ele acreditava tanto em sua pertença a Cristo e à Igreja que se apoiava na onipotente Providência divina, que lhe concedeu o carisma da caridade.

 

Queremos também recordar as palavras que o Pontífice pronunciou durante a mensagem do Angelus de domingo, nas quais podemos discernir o lema do Ano Santo, "Cada homem é meu irmão". Ao sublinhar a virtude da pobreza em São Paulo VI, ele destaca a relação que deve existir entre o homem e os bens terrenos:

"E veremos então que esta relação com os bens deste mundo nos torna capazes de alargar o nosso compromisso do egoísta para o social; tornam-se dignos de serem procurados para uma distribuição que estenda o benefício a outros, que, ao receberem tais benefícios, se tornam irmãos, criando um circuito de interesse, simpatia e amor, que se chama caridade, isto é, um reflexo religioso, de facto divino, na nossa vida, mesmo material e sensível." O pão dado em nome de Cristo realiza esta sublimação".

 

       2º TEXTO HAGIOGRÁFICO

Órfão desde menino, com uma irmã mais nova, trabalhou como pastor nas terras de seus tios por alguns anos, depois tornou-se lavrador, mudando-se de uma fazenda para outra. Aos 34 anos, embarcou para o Novo Mundo, atraído pela vasta América do Sul que, assim como seu país natal, estava sob o domínio do Rei da Espanha, "senhor do mundo", como o poeta Lope de Vega o chamava. Já não tão jovem, partiu, como muitos outros espanhóis, para aquelas terras distantes, onde os sonhos de conquista, riqueza e poder pareciam ao alcance de todos. E certamente tinha em mente os feitos de dois de seus famosos compatriotas: Hernán Cortés, um estudante pobre da Universidade de Salamanca e mais tarde conquistador do México; e Francisco Pizarro, o homem analfabeto que se tornou senhor do Peru.

Mas Giovanni, após quase cinco meses de viagem por mar e terra, chegou novamente a Lima para trabalhar para um patrão. Um verdadeiro emigrante: sozinho, sem recursos ou apoio, disposto a qualquer dificuldade por um salário melhor. Ele encontra um emprego bem remunerado em um matadouro e consegue enviar alguma ajuda para sua irmã, que vive na pobreza na Espanha. Enquanto isso, ele descobre a pobreza de Lima. Fundada por Pizarro em 1535, a cidade é a capital de todas as possessões espanholas na América, sede do vice-rei e da primeira universidade fundada no Novo Mundo, a Universidade de San Marcos. Mas, ao redor dos palácios e shoppings, existe um "cinturão" de pobreza, com peruanos, espanhóis e mulatos unidos pela miséria, competindo pelos mesmos empregos precários e compartilhando as mesmas doenças.

O frade coadjutor dominicano Martinho de Porres (filho de uma peruana e um espanhol) dedicou sua vida a essas pessoas em Lima, no Convento de Nossa Senhora do Rosário. Fundou hospitais e orfanatos, cuidou pessoalmente dos doentes, até sua morte em 1639 por tifo, uma doença que afligia os pobres. João Macías também se tornou dominicano, no Convento de Santa Madalena, como irmão coadjutor em 1623, aos 38 anos. Um trabalhador contratado nessa idade certamente não poderia ficar perambulando pelos púlpitos das catedrais. Foi-lhe confiada a portaria, e aquele era verdadeiramente o seu lugar, pois tudo passava por ali: pessoas, vozes, problemas, desespero e até mesmo oportunidades. Ali, ele ouvia os pobres que já conhecia; era seu conselheiro, o inspirador de esperança. E ali, ao mesmo tempo, atuava como porta-voz deles junto às autoridades superiores, pressionando os órgãos públicos, intervindo com propostas e projetos. 

O sapador espanhol, dia após dia, escreve uma história diferente da dos conquistadores. Ele é o espanhol que os peruanos consideram um irmão, pois cada uma de suas intervenções muda a vida de alguém, e muitas delas, para melhor. Com sua humilde posição na Ordem, ele consegue fundar hospitais e orfanatos em Lima, Bogotá e Quito, salvando milhares de pessoas desfavorecidas da pobreza e das doenças.

Três anos após sua morte, um coro de vozes peruanas narrará, no processo canônico, as "realizações" do Irmão João, salvador dos pobres e educador de muitos ricos, a quem ensinou, da portaria de sua igreja, para que deveria ser usado seu dinheiro. Paulo VI, ao proclamá-lo santo em 1975, resumiu seus ensinamentos da seguinte forma: "Aquilo que chamamos de bens deste mundo torna-se digno de ser buscado para uma distribuição que estenda seu benefício a outros, que, ao receberem tais bens, tornam-se irmãos."

 

Fontes:      

Site: "Santi, Beati e Testimoni"
(Traduzido do italiano, com algumas correções no texto)  

Família cristã