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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 26 de setembro de 2026

Beato Gaspar Stanggassinger, Presbítero Redentorista - memória em 26 de setembro.


"Os santos têm intuições especiais — escreveu Padre Stanggassinger. — O que é importante para mim, que não sou santo, são as simples verdades eternas: a Encarnação, a Redenção e a Santíssima Eucaristia." *

Gaspar Stanggassinger, nascido em 1871 em Berchtesgaden, sul da Alemanha, era o segundo de 16 irmãos. Seu pai, homem respeitado por todos, era fazendeiro e explorava uma pedreira.

Desde a adolescência, sentiu um crescente desejo de ser sacerdote. Em seus primeiros anos, Gaspar brincava de padre, "pregando" breves sermões a seus irmãos e irmãs, os quais ele costumava levar em procissão a uma capela entre as montanhas perto da sua casa.

Aos 10 anos, foi para Freising a fim de continuar os estudos. Achou bastante difíceis os estudos. Seu pai lhe disse que, se não passasse nos exames, teria de deixar a escola. Com uma vontade forte, notável dedicação e fidelidade à oração, fez constantes progressos. Nos anos seguintes, durante as férias, começou a reunir ao seu redor grupos de garotos para formá-los na vida cristã, criar uma comunidade entre eles e organizar o seu tempo livre. Todo dia o grupo ia à missa, passeava ou fazia uma romaria. Era admirável a dedicação de Gaspar para com eles e chegou ao ponto de arriscar sua vida para salvar um garoto em perigo na subida de uma montanha.


Gaspar entrou no seminário de Munique e Freising em 1890 para começar o estudo da teologia. Para melhor discernir a vontade de Deus, seguiu voluntariamente um rigoroso programa de oração. Sem tardar, teve a certeza de que o Senhor estava chamando-o para a vida religiosa. Com efeito, após uma visita aos Redentoristas, teve a inspiração de seguir sua vocação missionária.

Não obstante a oposição do pai, entrou para o noviciado redentorista de Gars em 1892 e foi ordenado sacerdote em Regensburg em 1895. Gaspar Stanggassinger entrou na Congregação do Santíssimo Redentor com a intenção de ser missionário. No entanto, foi nomeado pelos superiores para formar os futuros missionários como vice-diretor do seminário menor de Durrnberg, perto de Hallein. Dedicou-se totalmente a esta responsabilidade.
Como religioso, fez voto de obediência e viveu-o com transparência e de modo consistente.


Toda semana passava 28 horas ensinando nas salas de aula e era sempre acessível aos rapazes. Aos domingos, nunca deixou de prestar serviços nas igrejas das aldeias vizinhas, sobretudo na pregação. Mesmo com tanta carga de trabalho, era sempre paciente e compreensivo com as necessidades dos outros, particularmente dos estudantes, que viam nele mais um amigo do que um superior. Embora as regras da formação naquele tempo fossem muito rigorosas, Gaspar nunca agiu rispidamente, e, cada vez que ele tinha a impressão de ter sido injusto com alguém, pedia desculpas sem demora e humildemente.

Profundamente devoto de Jesus na Eucaristia, convidava os rapazes e os fiéis, aos quais pregava, a recorrer ao Santíssimo Sacramento nas horas de necessidade e ansiedade. Exortava-os a ir até Jesus para adorá-lo e falar-lhe como a um amigo. Suas pregações eram contínuos apelos aos fiéis para levar a sério a vida cristã, crescendo na fé por meio da oração e da conversão contínua. Seu estilo era direto e cativante, sem ameaças de castigos, como era comum nos sermões da época.

Em 1899, os Redentoristas abriram um novo seminário em Gars. Padre Stanggassinger foi transferido para lá como diretor. Tinha 28 anos de idade. Apenas teve tempo de pregar um retiro para os estudantes e de participar da abertura do ano letivo. No dia 26 de setembro, terminou sua jornada terrestre, vítima de peritonite.

A causa da beatificação começou em 1935, com a trasladação do corpo para a capela lateral da igreja de Gars. No dia 24 de abril de 1988, foi proclamado bem-aventurado pelo Santo Padre, São João Paulo II.

* Nota do autor do blog: concordo com o senhor, padre Gaspar! Nós, cristãos católicos, estamos perdendo pouco a pouco a fé justamente por não valorizarmos os verdadeiros tesouros de nossa Sagrada Religião. Se quisermos robustecer a nossa fé, temos que voltar nosso pensamento, atenção, consideração, carinho e amor para os Mistérios da Encarnação do Verbo, da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus e da Santíssima Eucaristia. Não existe cristianismo sem isso. Não seremos católicos verdadeiros sem crermos, valorizarmos e vivenciarmos esses sagrados Mistérios de Cristo Jesus. 
Que a Virgem Maria nos conceda a fé que ardia nos corações dos santos. Somente assim nossas trevas converter-se-ão em luz. Amém. Amém. Amém! 

SÃO COSME E SÃO DAMIÃO, Irmãos, Médicos e Mártires - 26 de setembro.

Século III-IV


Após estudarem medicina na Síria, dedicaram-se ao cuidado dos enfermos. Mas eram médicos especiais. Movidos por uma inspiração superior, não cobravam por seus serviços. Daí o apelido de anàrgiri (termo grego que significa "sem prata", "sem dinheiro"). Essa atenção aos doentes, porém, também se revelou uma ferramenta altamente eficaz de apostolado. 

Essa "missão" custou a vida dos dois irmãos, que foram martirizados. Durante o reinado do imperador Diocleciano, talvez em 303 d.C., o governador romano ordenou sua decapitação. 

O fato ocorreu em Cirro, cidade próxima a Antioquia, na Síria, onde os mártires estão sepultados. 

Outro relato afirma que foram mortos na Egeia da Cilícia, na Ásia Menor, por ordem do governador Lísias, e posteriormente transferidos para Cirro. O culto a Cosme e Damião é atestado com certeza desde o século V. Seus nomes constam no “Cânon” da I Oração Eucarística.  


Martirológio Romano: os santos Cosme e Damião, mártires, teriam praticado medicina gratuitamente em Cirro, na província de Eufrates, na atual Turquia, e curado muitos com seus cuidados gratuitos.


Texto hagiológico: 

Nascidos no século III na Arábia, em uma família rica, Cosme (também conhecido como Cósimo) e Damião eram irmãos gêmeos. 

Sua mãe, Teodora, cria os filhos para amarem Jesus e seguirem o Evangelho. Cosme e Damião se amam profundamente e concordam em tudo. Têm o mesmo caráter e os mesmos desejos. 

Inspirados por Deus, os gêmeos decidem se tornar médicos para curar os enfermos. Mudam-se para a Síria, onde estudam medicina com sucesso. Assim, iniciam sua missão. 

Visitam as casas daqueles que os procuram para curar todos os tipos de doenças e realizam cirurgias. Renomados por sua habilidade, Cosme e Damião curam doenças consideradas impossíveis e prescrevem remédios altamente eficazes de sua própria invenção, preocupando-se também em curar as almas de seus pacientes, ouvindo-os e confortando-os.

Os gêmeos não cobram, como o Senhor os ensinou. Apenas uma vez os dois irmãos discutiram: quando Damião aceita três ovos de uma mulher pobre chamada Paládia. Cosme repreende seu irmão, mesmo depois de Damião ter levado os ovos, para não desagradar a mulher, que de outra forma se sentiria ofendida. Contudo, Cosme declara que, após sua morte, não deseja ser sepultado ao lado do irmão.

Enquanto isso, sob o Império Romano de Diocleciano, a perseguição aos cristãos era intensa. Os dois irmãos pregavam a todos sobre Jesus e, com seu exemplo de médicos caridosos, que dedicavam sua atenção amorosa e generosa aos pobres, obtiveram muitas conversões. 

Por isso, foram presos e executados em 303 d.C. em Cirro (cidade na antiga Síria, atual Turquia). No momento do sepultamento, segundo a lenda, em consonância com a intenção de Cosme, os dois irmãos estavam prestes a ser enterrados separadamente quando um camelo se aproximou e, com voz humana, pediu aos presentes que os sepultassem juntos.

A devoção a Cosme e Damião, santos padroeiros de médicos, dentistas, cirurgiões, parteiras, farmacêuticos e barbeiros, cresceu constantemente. 

Muitas pessoas doentes recorrem aos dois irmãos em busca de cura (eles também são invocados contra enurese noturna em crianças), e inúmeros milagres são relatados graças à sua intercessão. 

No coração de Roma, na Via dei Fori Imperiali, hoje você pode visitar a Basílica de São Cosme e São Damião, que, com seus fascinantes mosaicos, é uma das igrejas mais antigas e evocativas da "Cidade Eterna".





Fonte:

Site: “Santi, Beati e Testimoni”.

(Traduzido do italiano, com algumas modificações no texto original). 


SANTA TERESA COUDERC, Virgem e Co-Fundadora. 26 de setembro.




No dia 2 de fevereiro de 1805, os sinos de Sablières, um recanto perdido do Alto-Ardèche, anunciaram a entrada na Igreja de Maria Vitória, que nascera na véspera no lar de Cláudio Couderc e Ana Méry.
A infância de Maria Vitória transcorreu no amor de uma família modesta, mas muito unida; era a segunda dos 10 filhos. Por João, o mais velho de seus oito irmãos, que viria a ser padre, Maria tem uma afinidade especial.
Aos 17 anos, seus pais puderam enviá-la para o colégio das Irmãs de São José, em Vans. Maria sente cada dia mais a sede de conhecer e amar a Deus.
Na primavera de 1825, o pai vai buscá-la em Vans. Toda a família ia participar de uma missão que aconteceria em Sablières para estimular a fé e a vida cristã da paróquia. Os pregadores vinham de Lalouvesc, centro de missões diocesanas e de peregrinações.
Entre os pregadores, o Padre Estevão Terme, apóstolo inflamado, a quem Maria Vitória confia seu desejo de ser toda de Deus. Ele reconheceu nela as disposições naturais e sobrenaturais que a tornavam capaz de um amor absoluto. “Dêem-ma e farei dela uma religiosa”, disse ele a Cláudio Couderc.
Em Lalouvesc, o túmulo de São Francisco Régis atraía as multidões, e o padre Terme via com pesar que as peregrinações eram ocasião de desordens. Tomou então a iniciativa de abrir uma casa destinada a acolher senhoras e moças, casa que confiou a algumas das Irmãs de São Régis, pequena comunidade fundada por ele.
 Em 1826, Maria Vitória ingressa no pequeno noviciado de Vals, onde, sob a direção da Irmã Clara, o Padre Terme reunia as vocações colhidas nas suas andanças apostólicas. Maria Vitória recebe o nome de Irmã Teresa. Em 1826-27, nascia a Congregação de Nossa Senhora do Retiro no Cenáculo, em Lalouvesc, no meio de um povo cuja fé fora abalada pela ignominiosa Revolução Francesa.
Em 1828, os acontecimentos levam o Padre Terme a nomear Irmã Teresa como Superiora, se bem que esta tivesse apenas 23 anos. Durante esse tempo, aos olhos dos homens, Madre Teresa capina os jardins, lava a louça, mergulha no silêncio e na sombra. Como a semente, escondida na terra, morre para virem os frutos.
Madre Teresa logo percebeu que o acolhimento dado a qualquer pessoa que se apresentasse era incompatível com as exigências de uma vida religiosa e um serviço apostólico autênticos. Pediu e obteve permissão do Padre Terme para serem recebidas apenas as peregrinas que aceitassem fazer de sua estada um tempo de oração mais intenso; ela sugeria de 3 a 9 dias de retiro.
No outono de 1829, ao fazer seu próprio retiro, o Padre Terme descobre os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola. Ficou entusiasmado e quis que as irmãs também os experimentassem imediatamente. Em seguida, ordenou-lhes utilizar, daí em diante, junto às pessoas acolhidas na Casa, esta forma de retiro que unia tão intimamente a experiência de oração e a reflexão sobre os mistérios da fé.
Conduzidos pelo Espírito de Deus, que lhes indicava o retiro e a instrução religiosa como os meios para atingir seus objetivos, os fundadores visavam a renovação da fé e a extensão do Reino de Deus.
Em 1831, o Padre Terme consagra os bens e as pessoas da comunidade ao Sagrado Coração de Jesus pelas mãos de Maria Santíssima. Em 1832, Madre Teresa se torna superiora-geral de todas as comunidades fundadas pelo Padre Terme; Lalouvesc torna-se então a Casa-Mãe.
O Padre Terme inicia uma missão em Viviers, depois vai a Lanarce, e finalmente, à sua aldeia natal, Le Plagnal. Ali, esgotado por seu intenso ministério e minado pela febre, falece no dia 12 de dezembro de 1834, na idade de 43 anos. Em seu testamento, ele confia sua obra à Madre Teresa, que tinha então 29 anos.
Madre Teresa pediu então ao bispo que a comunidade fosse confiada ao Padre Renault, o provincial dos jesuítas da França. Ela dirige a pequena congregação com o apoio dos jesuítas e colabora com eles.
Alguns anos de paz e de vida apostólica são quebrados pela separação dolorosa das Irmãs de São Regis, que iam cuidar das escolas, e as Irmãs do Retiro (mais tarde Nossa Senhora do Cenáculo).
Esgotada, Madre Teresa adoece e deve repousar em Nossa Senhora d’Ay. Em 15 de agosto de 1837, em sua oração, Madre Teresa foi impelida a confirmar e ampliar um ato do Padre Terme, consagrando novamente a Congregação a Nossa Senhora. Com profunda humildade, percebeu o que lhe parecia ser a vontade de Deus: entregou-se a ela plenamente e demitiu-se de toda autoridade.
Em outubro de 1838, de acordo com o Bispo de Viviers, o Padre Renault demite Teresa e nomeia a Sra. de Lavilleurnoy, uma viúva que entrara na comunidade. Logo o Padre Renault se deu conta de seu erro e a demite. Ela deixara a comunidade em plena desordem.
O Padre Renault estava prestes a dar novamente a responsabilidade da Congregação a Teresa, mas ela se esconde no silêncio e na humildade, e encoraja as Irmãs a elegerem Madre Charlotte Contenet. Esta consegue reverter a situação e a Congregação se desenvolve. Mas ela confina Teresa aos trabalhos mais humildes e penosos, mantendo-a à distância da comunidade.
Teresa e uma outra irmã são enviadas para limpar uma casa que seria usada em um projeto de fundação em Lyon. Vendo que o local não era conveniente, ela toma a iniciativa de procurar um outro local e de assinar a compra de um terreno na colina de Fourvière. Madre Contenet descobre então as capacidades e o devotamento de Teresa, que recupera sua confiança.
Em 1844, uma comunidade se instala em Fourvière e Teresa é nomeada assistente. A Congregação adota o nome de Nossa Senhora do Cenáculo. Em 1850, uma fundação feita em Paris tem uma superiora que fomenta um projeto de cisão. Teresa é enviada a Paris para conter a crise e acalmar os espíritos. No final de 1856, ela se torna superiora da comunidade de Tournon. Em 1860, é nomeada assistente da superiora de Montpellier.
Em 1867, Madre Teresa volta para Lyon, que não deixaria mais. Embora não tenha mais funções de autoridade, ela continua envolvida no apostolado: encarregada dos catecismos, da formação dos adultos e dos adolescentes, preparando-os para os sacramentos; ela acompanha as retirantes.
Madre Teresa se vê mais e mais cercada de estima e de afeição; as retirantes, bem como as Irmãs, se beneficiavam de todos os recursos de seu coração, da sua oração e da sua experiência.
Em 1877, a nova superiora-geral, sabedora das diversas crises enfrentadas pela Congregação, faz reconhecer oficialmente Madre Teresa como sua co-fundadora com o Padre Terme. Em 1878, católicos leigos são ligados à Congregação.
Santa Teresa Couderc morre no dia 26 de setembro de 1885, no Cenáculo de Fourvière. Seu corpo é transferido para Lalouvesc.


 Ela foi declarada Beata por Pio XII em 4 de novembro de 1951 e canonizada no dia 10 de maio de 1970 por São Paulo VI. A aldeia de Lalouvesc (Ardèche), lugar de peregrinação a São João Francisco Regis, tornou-se também local de peregrinação a Santa Teresa Couderc.
A aprovação definitiva das Constituições da Congregação pela Santa Sé, que ocorreu em 1886, confirmou a orientação da fundação e reconheceu sua missão na Igreja.

     Meu Deus, fazei que eu Vos ame como me amastes, que eu Vos ame como o mereceis, que eu Vos ame no tempo e na eternidade. Senhor Jesus, eu me uno a vosso sacrifício perpétuo, incessante, universal. Eu me ofereço a Vós por todos os dias de minha vida e por todos os instantes  do dia, conforme vossa santíssima e adorável vontade. Fostes a vítima de minha salvação, quero ser a vítima de vosso amor. Atendei meu desejo, aceitai minha oferta, ouvi minha oração. Que eu viva de amor, que eu morra de amor, e que o último pulsar de meu coração seja um ato do mais perfeito amor. Assim seja!
    
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Palavras da Santa sobre o "entregar-se" a Deus: 

“Várias vezes, Nosso Senhor já havia me dado a conhecer o quanto era útil, para o progresso de uma alma desejosa de perfeição, entregar-se sem reserva à ação do Espírito Santo. Mas, nesta manhã, a divina Bondade dignou-se a me agraciar com uma visão toda particular. Estava me preparando para começar minha meditação, quando ouvi o ressoar de vários sinos chamando os fiéis para assistir aos divinos Mistérios. Neste momento, desejei unir-me a todas as missas que estavam sendo celebradas e, com este intuito, dirigi a minha intenção para que participasse de todas elas. Tive então uma visão geral de todo o universo católico e de uma profusão de altares nos quais se imolava, ao mesmo tempo, a adorável Vítima.
O Sangue do Cordeiro sem mancha corria abundante sobre cada um desses altares, que me pareciam envoltos numa leve fumaça que subia para o céu. Minha alma era tomada e penetrada por um sentimento de amor e de gratidão à vista dessa tão abundante satisfação a nós oferecida por Nosso Senhor. Mas também me surpreendia muito o fato de que o mundo inteiro não se achasse santificado em consequência. Perguntava-me como era possível que o Sacrifício da Cruz, oferecido uma só vez, tenha sido suficiente para salvar todas as almas e que, renovado tantas vezes, não bastasse para santificá-las todas. Eis a resposta que julgo ter ouvido: — O sacrifício é, sem dúvida, suficiente por si mesmo, e o Sangue de Jesus Cristo, mais que suficiente para a santificação de um milhão de mundos, mas às almas falta corresponder generosamente. Pois o grande meio para entrar na via da perfeição e da Santidade – é o de entregar-se ao nosso Bom Deus.
Mas o que significa entregar-se? Percebo toda a extensão desta expressão “entregar-se”, porém não posso explicitá-la. Sei apenas que é muito extensa e abrange o presente e o porvir.
Entregar-se é mais que se dedicar; é mais que se doar; é até maior que se abandonar a Deus.
Entregar-se, finalmente, significa morrer a tudo e a si mesmo, não se preocupar mais com o "eu", a não ser para mantê-lo sempre orientado para Deus.
Entregar-se é ainda mais que não se procurar a si mesmo em nada, nem no espiritual, nem no corporal; quer dizer, deixar de procurar a satisfação própria, mas unicamente o bel-prazer divino.
É preciso acrescentar que “entregar-se” significa, também, esse espírito de desapego que não se prende em nada, nem nas pessoas, nem nas coisas, nem no tempo, nem nos lugares. É aderir a tudo, submeter-se a tudo.
Mas, talvez se acredite que isso seja muito difícil de se conseguir. Desenganem-se, não existe nada mais fácil de se fazer e nada tão suave de se praticar. Tudo consiste em fazer uma só vez um ato generoso, dizendo com toda a sinceridade de sua alma: “Meu Deus, quero ser inteiramente seu (sua), queira aceitar minha oferenda”. E tudo será dito.
Permanecer de agora em diante nesta disposição de alma e não recuar diante de nenhum dos pequenos sacrifícios que possam servir ao nosso progresso em virtude. Lembrar-se de que se entregou a Deus.
Rogo a Nosso Senhor que forneça o entendimento desta expressão a todas as almas desejosas de Lhe agradar, inspirando-lhes um meio de santificação tão fácil. Oxalá fosse possível compreender de antemão toda a suavidade e toda a paz que se desfruta quando não se guarda reserva com nosso Bom Deus!
De que forma Ele se comunica com a alma que O procura com sinceridade e que soube entregar-se? Experimentem e verão que é ali que se encontra a felicidade que se procura em vão em outros lugares.
A alma entregue encontrou o Paraíso na Terra, pois ali goza esta paz suave que constitui em parte a felicidade dos eleitos".
(Santa Teresa Couderc)

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

VIRGEM DO ROSÁRIO DE SAN NICOLÁS, Argentina - Aparições de 25 de setembro de 1983 a 11 de novembro de 1990.

Devoção antes de 1983:

A história de San Nicolás não surgiu do nada em 1983. A cidade já possuía uma tradição de devoção a Nossa Senhora do Rosário. Em 1884, por ocasião da inauguração da igreja paroquial dedicada a San Nicolás de Bari, uma imagem da Virgem do Rosário foi ali colocada. Fontes locais e publicações devocionais relatam que a imagem foi trazida de Roma e abençoada pelo Papa Leão XIII. A documentação disponível confirma a longa presença da imagem na vida religiosa local, enquanto os detalhes referentes à bênção papal pertencem principalmente à tradição histórica do santuário e devem ser distinguidos dos relatos contemporâneos das aparições.

Posteriormente, a imagem teve uma história menos prestigiosa. Devido ao seu estado de conservação, foi gradualmente marginalizada e acabou na torre sineira da catedral, onde permaneceu esquecida. A própria ligação entre esta antiga imagem e as aparições de Gladys se tornaria um dos elementos definidores de todo o fenômeno.

 

       O Início das Aparições

Em 25 de setembro de 1983, Gladys Herminia Quiroga de Motta, então mãe e moradora de San Nicolás, relatou ter tido sua primeira visão da Virgem Maria enquanto rezava. As experiências iniciais foram descritas como aparições da Madona com o Menino, mas Gladys inicialmente não conseguiu identificar a imagem com precisão. As fontes concordam em situar o início do fenômeno em 25 de setembro, embora reconstruções posteriores mostrem algumas diferenças nos detalhes dos primeiros dias.

Segundo o relato da vidente, após as experiências iniciais, ela perguntou à aparição qual era o seu desejo. Em 7 de outubro de 1983, a visão da imagem foi substituída pela de uma capela, que Gladys interpretou como um sinal do desejo de construir um local de culto. Em 12 de outubro, ela confidenciou o que estava vivenciando ao padre Carlos Pérez, então pároco da catedral. Nos dias seguintes, o fenômeno gradualmente se tornou conhecido pelas autoridades eclesiásticas.

A primeira fase foi, portanto, caracterizada por uma transformação progressiva de uma experiência privada em um evento religioso público. Gladys permaneceu a única pessoa que afirmou ter visto a Virgem diretamente, enquanto a comunidade pôde observar, sobretudo, os efeitos devocionais produzidos pela história e a subsequente identificação da imagem.

 

A identificação com a imagem na catedral.

Um dos episódios mais significativos ocorreu em novembro de 1983. O padre Carlos Pérez relacionou a descrição fornecida por Gladys com uma antiga imagem de Nossa Senhora do Rosário preservada na torre sineira da catedral. Em 27 de novembro, a mulher teria reconhecido na estátua aquela que, segundo sua história, ele viu isso durante as aparições.

Este episódio foi particularmente significativo porque ligou o novo fenômeno a uma devoção mariana já existente. Não se tratava mais de uma mera suposta aparição privada, mas de uma imagem concretamente presente na história religiosa da cidade. A antiga Madona do Rosário tornou-se, assim, o centro visível da nova devoção.

A relação entre aparição e imagem deve, contudo, ser corretamente compreendida. A identificação da estátua com a figura vista por Gladys faz parte do testemunho da vidente e da tradição do fenômeno. Enquanto isso, a existência da imagem e sua presença anterior na catedral constituem elementos históricos distintos e documentáveis.

 

A localização do futuro santuário.

Um segundo fator decisivo dizia respeito à escolha do local para o santuário. Segundo o testemunho de Gladys, a Virgem indicou um terreno então chamado El Campito, próximo ao rio Paraná. A tradição local associa essa indicação a um fenômeno luminoso observado pela vidente e, segundo alguns relatos, também por outras pessoas presentes. A natureza sobrenatural desses fenômenos não pode ser historicamente verificada como um fato objetivo, mas é parte integrante da memória através da qual a comunidade interpreta o nascimento do santuário.

Em 1985, o Município de San Nicolás transferiu o terreno destinado à construção para o bispado. Em 25 de setembro de 1986, o Bispo Domingo Salvador Castagna lançou a pedra fundamental, e a construção do grande santuário começou em 1987. A primeira parte do edifício foi inaugurada em 1989, e a imagem foi transferida da catedral para o novo local de culto.

A construção do santuário é um dos aspectos mais bem documentados da história. Independentemente da opinião sobre a origem sobrenatural das aparições, é historicamente claro que o fenômeno deu origem, em poucos anos, a uma nova instituição religiosa, um local de peregrinação e uma forma de devoção capaz de envolver uma parcela considerável da população.

 

      As Mensagens:

A partir de 13 de outubro de 1983, Gladys também relatou ter recebido mensagens atribuídas à Virgem. A coleção autorizada pela diocese passou a incluir 1.804 mensagens, a última das quais destinada à publicação e datada de 11 de fevereiro de 1990. Os textos enfatizam a oração, a conversão, o Rosário, a penitência, a vida sacramental, a Eucaristia, a paz e o retorno a Deus.

O conjunto de mensagens possui um forte caráter bíblico e catequético. Em muitos casos, evoca explicitamente passagens das Escrituras e enfatiza temas já presentes na tradição católica. Sua publicação foi acompanhada por uma crescente prudência por parte das autoridades eclesiásticas, precisamente porque uma revelação privada não constitui uma nova fonte de fé cristã. Um estudo antropológico do fenômeno observou como a Igreja local apresentou as mensagens como revelações privadas, especificando que os fiéis não são obrigados a crer nelas como o são na revelação pública contida nas Sagradas Escrituras.

 

Investigação eclesiástica:

Dom Domingo Salvador Castagna acompanhou o fenômeno com prudente cuidado pastoral. Em 1985, foi instituída uma comissão para estudar os acontecimentos, envolvendo especialistas e testemunhas. O bispo não reconheceu formalmente sua origem sobrenatural, mas apoiou o desenvolvimento ordenado da devoção e a construção do santuário. Em 1987, durante a visita de João Paulo II à Argentina, Castagna também se encontrou com o Papa, ocasião em que prometeu continuar estudando o caso de São Nicolau.

Em 1990, Castagna também decidiu cessar a divulgação das mensagens, após consultar teólogos e psicólogos. Segundo a reconstrução posterior fornecida por Monsenhor Hugo Santiago, a decisão visava evitar que as palavras atribuídas à Virgem fossem confundidas com as reflexões pessoais do vidente ao longo do tempo.

 

O santuário e o crescimento das peregrinações:

O santuário transformou profundamente a geografia religiosa de San Nicolás. Já na década de 1980, as celebrações do dia 25 de cada mês atraíam grandes grupos de peregrinos. O dia 25 de setembro tornou-se gradualmente o principal dia do ano, com chegadas organizadas de muitas partes da Argentina e até mesmo de países vizinhos.

A dimensão da peregrinação está bem documentada. Em 2003, para o vigésimo aniversário da primeira aparição, foram registrados aproximadamente 400.000 participantes; em 2013, para o trigésimo aniversário, as estimativas ultrapassaram meio milhão. Em 2016, a Conferência Episcopal Argentina relatou a presença de mais de 120.000 fiéis na celebração central de 25 de setembro. Os números variam dependendo do método de contagem, mas, mesmo assim, atestam uma participação excepcionalmente grande no cenário religioso argentino.

A pesquisa antropológica também destacou outra dimensão do fenômeno. O crescimento do santuário acompanhou as profundas transformações sociais e econômicas de San Nicolás, cidade intimamente ligada à indústria siderúrgica. A devoção mariana contribuiu para a formação de uma nova identidade local, progressivamente associada à imagem da "cidade de Maria", ao lado da tradicional "cidade do aço".

 

Coroação da imagem:

Em 25 de maio de 2009, Monsenhor Héctor Cardelli realizou a coroação canônica da imagem original de Maria do Rosário de San Nicolás. As coroas da Virgem e do Menino foram confeccionadas pelo ourives argentino Juan Carlos Pallarols, utilizando também metais preciosos provenientes das ofertas dos fiéis. A cerimônia confirmou a posição central da imagem na devoção local.

Contudo, a coroação não implicou o reconhecimento da natureza sobrenatural das aparições. Tratam-se de dois atos eclesiásticos distintos: o primeiro diz respeito à veneração pública de uma imagem mariana, enquanto o segundo se refere à investigação da origem de um suposto fenômeno sobrenatural.

 

O reconhecimento de 2016:

O passo mais significativo na história eclesiástica do fenômeno ocorreu em 22 de maio de 2016. Durante a celebração para peregrinos, o Bispo Dom Héctor Cardelli promulgou o decreto pelo qual, após seu próprio discernimento e consulta a especialistas e testemunhas, reconheceu a natureza sobrenatural dos eventos marianos de San Nicolás. A expressão utilizada no decreto foi "constat de supernaturalitate", acompanhada da declaração de que os eventos eram dignos de fé.

É importante esclarecer o alcance deste ato. O reconhecimento foi emitido pelo bispo diocesano e dizia respeito à diocese de San Nicolás.

É incorreto transformar isso em uma afirmação genérica de que o Vaticano aprovou diretamente as aparições em 2016. As fontes contemporâneas consultadas documentam, na verdade, o decreto de Cardelli como um ato de autoridade diocesana.

 

A decisão de 2017 sobre as novas mensagens

Um elemento particularmente significativo, por vezes negligenciado nas reconstruções populares, diz respeito à subsequente intervenção do Bispo Hugo Santiago. Em março de 2017, ele anunciou a cessação definitiva da divulgação pública das novas mensagens atribuídas a Gladys Quiroga de Motta. Santiago explicou que consultou Roma e recebeu uma resposta favorável à decisão.

A medida não suprimiu o santuário nem a devoção. Pelo contrário, Santiago convidou os fiéis a continuarem participando da novena, das celebrações e das peregrinações, mas quis retornar o centro da vida espiritual à liturgia da Igreja e ao Evangelho. Os novos textos seriam preservados nos arquivos do bispo para futura avaliação.

Essa decisão constitui uma importante chave interpretativa: a Igreja local distingue entre o reconhecimento eclesial do evento e a disseminação indiscriminada de supostas mensagens privadas.

 

Situação atual:

A devoção permanece ativa e o santuário continua sendo um importante centro de peregrinação. A festa de 25 de setembro é celebrada anualmente com novenas, procissões, o Rosário, celebrações eucarísticas e a chegada de peregrinos de diversas regiões da Argentina. Em 2026, a programação diocesana incluirá novamente um dia central em 25 de setembro, com procissão, Rosário e Missa presidida por Dom Hugo Santiago.

A história da Virgem do Rosário de San Nicolás apresenta, portanto, dois níveis que devem ser mantidos distintos: por um lado, o fenômeno sobrenatural reconhecido pelas autoridades diocesanas; por outro, a história concreta de uma devoção que, em pouco mais de quarenta anos, produziu um santuário, uma liturgia local, um vasto movimento de peregrinação e uma profunda transformação da identidade religiosa da cidade.

 

A relação entre aparição e imagem.

Um dos elementos mais característicos de San Nicolás é a relação entre a suposta aparição e uma imagem mariana preexistente. Não se trata simplesmente de uma nova imagem encomendada após a aparição: segundo o testemunho de Gladys, a figura que ela viu correspondia a uma estátua que já fazia parte da história religiosa da cidade. Sua redescoberta no campanário da catedral tornou-se, assim, um dos episódios fundadores da devoção.

De uma perspectiva histórica, é possível documentar a existência da imagem e sua posterior transferência para o santuário. A interpretação de que essa correspondência constitui uma confirmação sobrenatural, contudo, baseia-se em um juízo religioso sobre o fenômeno.

 

A relação com Fátima:

As mensagens de São Nicolau frequentemente fazem referência a aparições marianas anteriores, especialmente em Fátima. A coincidência da primeira mensagem pública, em 13 de outubro de 1983, com o aniversário da última aparição em Fátima tornou-se parte integrante da interpretação espiritual do fenômeno. É preferível, no entanto, falar de continuidade temática e interpretação dentro da tradição de São Nicolau, sem inferir de tais coincidências uma relação histórica demonstrável entre os dois fenômenos.

 

O significado eclesial da decisão de 2017

A decisão de cessar a publicação de novas mensagens é particularmente importante para compreender o grau de prudência com que a Igreja local lidou com o fenômeno. Após o reconhecimento em 2016, não foi concedida à vidente liberdade irrestrita para atribuir novos conteúdos à Virgem para divulgação pública. O bispo Santiago desejava preservar os textos, mas, ao mesmo tempo, impediu que fossem oferecidos aos fiéis como novo material devocional público.

A decisão também parece coerente com a atual disciplina geral da Igreja.

As Normas do Dicastério para a Doutrina da Fé de 2024 enfatizam que o discernimento deve avaliar os sinais de possível ação divina, a conformidade das mensagens com a fé e os bons costumes, os frutos espirituais e a adequação pastoral do fenômeno.

As novas normas também especificam que, em regra, a autoridade eclesiástica não declara diretamente a natureza sobrenatural de um fenômeno e que o juízo do bispo deve ser submetido ao Dicastério para aprovação.


Fatos interessantes

- A imagem venerada hoje em San Nicolás já estava presente na vida religiosa da cidade muito antes do fenômeno de 1983 e, segundo relatos, foi preservada durante anos no campanário da catedral.

- A coroação da imagem, em 25 de maio de 2009, foi realizada com coroas de prata e ouro preparadas pelo ourives Juan Carlos Pallarols, graças em parte às ofertas dos devotos.

- O dia 25 de setembro permanece como a principal data anual de devoção e continua a atrair peregrinos em 2026.

- Pesquisas antropológicas consideram San Nicolás um caso particularmente significativo de transformação da identidade urbana por meio de um santuário e de um importante movimento de peregrinação.

 

Cronologia

- 1884: É inaugurada a igreja paroquial de San Nicolás de Bari, e uma imagem de Nossa Senhora do Rosário é colocada ali, que mais tarde se tornaria a imagem venerada no santuário.

- 25 de setembro de 1983: Gladys Quiroga de Motta relata a primeira aparição da Virgem Maria.

- 7 de outubro de 1983: Segundo o relato da vidente, a Virgem Maria expressou seu desejo por uma capela.

- 12 de outubro de 1983: Gladys confidenciou sua experiência ao padre Carlos Pérez.

- 13 de outubro de 1983: Foi relatada a primeira mensagem atribuída à Virgem Maria.

- 27 de novembro de 1983: Gladys reconheceu a imagem guardada no campanário da catedral como a figura que afirmava ter visto nas aparições.

- 1985: A Câmara Municipal destinou o terreno em El Campito ao bispado, para a futura construção do santuário.

- 25 de setembro de 1986: O bispo Domingo Salvador Castagna lançou a pedra fundamental do santuário.

- 13 de outubro de 1987: Iniciou-se a construção do santuário.

- 19 de março de 1989: A imagem é transferida para o novo santuário, onde se celebra a inauguração da primeira parte do edifício.

- 11 de fevereiro de 1990: É datada a última das 1.804 mensagens autorizadas para publicação.

- 11 de novembro de 1990: Fontes devocionais e jornalísticas indicam esta data como o fim do período de aparições relatadas por Gladys.

- 25 de maio de 2009: Monsenhor Héctor Cardelli coroa canonicamente a imagem da Virgem com o Menino.

- 22 de maio de 2016: Cardelli promulga o decreto que reconhece a natureza sobrenatural do evento mariano para a diocese de San Nicolás.

- Março de 2017: O bispo Hugo Santiago ordena a cessação permanente da divulgação de novas mensagens atribuídas a Gladys, após consulta a Roma.

- 25 de setembro de 2026: A celebração central do aniversário está planejada no santuário, com procissão, terço e missa presidida pelo Bispo Hugo Santiago.

 

Avaliação Histórico-Crítica

- O núcleo histórico documentado inclui a existência de uma devoção a Nossa Senhora do Rosário antes de 1983, a presença da imagem na catedral, a experiência relatada por Gladys Quiroga de Motta, o nascimento do movimento devocional, a construção do santuário, o desenvolvimento das peregrinações e os atos públicos.

A história da imagem está mais bem documentada do que a explicação sobrenatural para sua identificação. É historicamente significativo que uma antiga imagem de Nossa Senhora do Rosário tenha sido preservada na catedral e que Gladys a tenha identificado com a figura de suas visões; o significado milagroso atribuído a essa correspondência pertence, contudo, à interpretação religiosa do evento.

A história do culto é particularmente sólida e significativa. Mesmo separando o juízo sobre sua origem sobrenatural das interpretações devocionais, a rápida formação de um santuário, peregrinações em massa e uma nova identidade religiosa na cidade são inegáveis. Estudos antropológicos documentaram esse processo em relação às transformações sociais e econômicas de San Nicolás.

A documentação não justifica confundir a tradição local com uma liturgia universal da Igreja.

O dia 25 de setembro é a festa da devoção a San Nicolás e é celebrado publicamente pela diocese, mas não deve ser apresentado como uma memória universal do Calendário Romano..

 

Fontes e bibliografia essencial

- Agencia Informativa Católica Argentina (AICA), 'Mons. Cardelli declara a sobrenaturalidad del acontecimiento mariano de San Nicolás', 23 de maio de 2016. Esta é a fonte contemporânea mais importante para o conteúdo e promulgação do decreto de reconhecimento de Cardelli.

- Agência Informativa Católica Argentina (AICA), 'Mons. Santiago puso fin a la difusión de los mensajes referidas a la Virgen María', 14 de março de 2017. Esta é uma fonte fundamental para a decisão de 2017 e para a consulta com Roma.

- María del Rosario de San Nicolás, Mensagens 1983-1990, Centro de Difusão do Movimento Mariano San Nicolás, editado com as autorizações dos Bispos Domingo Salvador Castagna e Mario Luis Bautista Maulión, 1990 e 1995. Esta é a principal coleção publicada de mensagens atribuídas a Gladys e inclui 1.804 textos.

- Cynthia Rivero, 'Entretelones de santuarios católicos: criadores de símbolos, miragros', Relaciones de la Sociedad Argentina de Antropología, 46/2, 2021, pp. 701-725. Estudo especializado sobre o santuário e a formação da devoção de San Nicolás.

- René Laurentin, Estudos sobre Aparições Marianas Contemporâneas, com uma discussão sobre o caso de São Nicolau. Esta fonte é especialmente útil para o estudo da história inicial do fenômeno e para comparação com outros casos marianos.

Beatos Mártires Passionistas Espanhóis em Carrión de Calatrava, vítimas do ódio contra Deus e contra a Santa Igreja por parte dos milicianos comunistas - 25 de setembro.


† Carrión de Calatrava, Ciudad Real, Castela-La Mancha, Espanha, 25 de setembro de 1936


Em 25 de setembro de 1936, durante a perseguição religiosa que eclodiu na Espanha durante a Guerra Civil Espanhola, três religiosos foram assassinados em Carrión de Calatrava, perto de Ciudad Real: os passionistas Juan Pedro Bengoa Aranguren e Pablo María Leoz y Portillo, e o marianista Jesús Hita Miranda.

Os dois primeiros pertenciam à comunidade passionista de Daimiel e estão entre os vinte e seis mártires passionistas dessa comunidade, beatificados por São João Paulo II em 1.º de outubro de 1989.

Hita Miranda, por sua vez, pertencia à Sociedade de Maria e foi beatificado em 1995 juntamente com seus irmãos marianistas Carlos Eraña e Fidel Fuidio. A comemoração de 25 de setembro reúne, portanto, três mártires pertencentes a duas famílias religiosas diferentes.

O evento ocorre em um clima de violência e perseguição religiosa que acompanhou os primeiros meses da Guerra Civil Espanhola. Após a evacuação do convento Santo Cristo de la Luz em Daimiel, Bengoa e Leoz refugiaram-se em Ciudad Real, onde permaneceram por várias semanas.

Hita Miranda também se encontrava na cidade por motivos relacionados ao seu trabalho educativo. Os prisioneiros foram levados para o seminário, que na época era utilizado como prisão, e naquela mesma noite foram transferidos para Carrión de Calatrava, onde foram executados (fuzilados por milicianos comunistas, motivados pelo ódio que tinham por Deus e por sua Santa Igreja Católica) no cemitério.

A Igreja reconheceu suas mortes como testemunho de fidelidade à sua vocação religiosa e à sua fé.


Beato João Pedro de San Antonio (José María
Bengoa Aranguren), presbítero e mártir. 

José María Bengoa Aranguren

O Beato José María nasceu em 19 de junho de 1890, em Santa Águeda de Guesalibar, perto de Mondragón, na província basca de Guipúzcoa. Ingressou na Congregação da Paixão em 1907 e adotou o nome religioso de Juan Pedro (João Pedro) de San Antonio.

Foi ordenado sacerdote em 1916 e exerceu grande parte de seu ministério no México, onde a situação política e religiosa o obrigou a se mudar temporariamente para os Estados Unidos. Posteriormente, retornou à Espanha e foi novamente designado para a comunidade passionista de Daimiel. Fontes passionistas também mencionam cargos de responsabilidade dentro da congregação, incluindo o de superior em Toluca, México.

Em julho de 1936, com o agravamento da situação e a evacuação do convento de Daimiel, Bengoa deixou a casa religiosa juntamente com os outros passionistas.

Após diversas viagens, chegou a Ciudad Real com seu irmão Paolo Maria Leoz. Os dois encontraram abrigo em uma hospedaria, onde permaneceram escondidos por várias semanas. A documentação passionista os apresenta como religiosos cuja saúde já estava debilitada e que estavam particularmente cientes da possibilidade de prisão. Bengoa também tentou manter contato com os superiores da congregação, informando-os sobre o destino dos irmãos.

Em 24 de setembro, os dois passionistas foram presos juntamente com Jesús Hita Miranda. Levados para o seminário de Ciudad Real, que havia sido transformado em local de detenção, permaneceram lá até o anoitecer.

Em seguida, foram transportados para Carrión de Calatrava, onde foram fuzilados nas primeiras horas de 25 de setembro de 1936.

As fontes concordam em associar a execução à perseguição religiosa, enquanto os detalhes transmitidos posteriormente sobre as palavras e gestos proferidos no momento da morte pertencem em parte à memória hagiográfica e devem ser distinguidos da documentação histórica diretamente verificável.

Bengoa foi reconhecido como mártir juntamente com os outros vinte e cinco Passionistas de Daimiel e beatificado por São João Paulo II em 1 de outubro de 1989.

A celebração papal lembrou explicitamente os vinte e seis mártires Passionistas como testemunhas de fé e fidelidade à sua vocação.


Pedro Leoz y Portillo

O Beato Pedro Leoz y Portillo nasceu em 16 de fevereiro de 1882, em Leoz, Navarra. Ele vinha de uma família com outras vocações religiosas. Já adulto, escolheu ingressar na Congregação da Paixão, renunciando aos planos de emigrar e à possibilidade de casamento. Em 1909, fez sua profissão religiosa como irmão coadjutor com o nome de Pablo (Paulo) Maria de São José. Passou períodos nas comunidades passionistas de Corella, Daimiel e Saragoça, retornando definitivamente a Daimiel em 1929. Ali, serviu primeiro como porteiro e depois como mendicante.

Seu trabalho diário exigia, portanto, que ele mantivesse contato direto com a população. Fontes hagiográficas relatam que, mesmo quando se deparava com incompreensões ou insultos durante seu serviço de coleta, reagia com paciência e sem ressentimento. Essa característica tornou-se parte da tradição espiritual passionista, mas deve ser distinguida das informações biográficas documentadas sobre sua filiação à congregação e suas funções.

Após a evacuação do convento de Daimiel em julho de 1936, Leoz viajou com Bengoa para Ciudad Real. Os dois se hospedaram em uma pensão, onde tentaram viver da forma mais discreta possível. Documentos passionistas os identificam como o grupo de dois religiosos de Daimiel que foram posteriormente presos e levados para Carrión de Calatrava.

Em 24 de setembro, eles foram presos juntamente com o marianista Jesús Hita Miranda. Após serem detidos no seminário de Ciudad Real, foram transferidos para Carrión de Calatrava e fuzilados nas primeiras horas de 25 de setembro de 1936. Seus corpos foram jogados em um poço junto com os restos mortais de muitos outros mortos durante a perseguição. Fontes relatam que, após a guerra, não foi possível proceder com a identificação individual dos restos mortais dos dois Passionistas.

Paulo Maria Leoz foi beatificado com Juan Pedro Bengoa e os outros vinte e três mártires passionistas de Daimiel em 1.º de outubro de 1989.



Jesús Hita Miranda

O Beato Jesús Hita Miranda nasceu em Calahorra, La Rioja, em 17 de abril de 1900. Pertencia à Sociedade de Maria, os Marianistas, e atuava principalmente na área do ensino. Sua formação religiosa e intelectual o levou a exercer o ministério educacional em diversas comunidades da congregação. Em 1936, estava na região de Ciudad Real para atividades relacionadas ao ensino.

Com o início da perseguição religiosa, Hita foi forçado a abandonar o ambiente escolar e encontrou refúgio em uma pensão em Ciudad Real. Lá, conheceu outros religiosos perseguidos, incluindo os dois passionistas, Bengoa e Leoz. A convivência na pensão continuou até sua prisão. Fontes marianistas registram que Hita continuou, na medida do possível, a viver sua vocação religiosa em uma situação de crescente perigo.

Preso junto com os dois passionistas, foi levado para o seminário em Ciudad Real e, posteriormente, transferido para Carrión de Calatrava. Foi fuzilado na noite entre 24 e 25 de setembro de 1936. Ao contrário dos dois passionistas, Hita não pertencia ao grupo dos vinte e seis mártires de Daimiel: sua causa de beatificação foi, na verdade, promovida no seio dos mártires marianistas da Guerra Civil Espanhola.

Jesus Hita Miranda foi beatificado em 1º de outubro de 1995 por São João Paulo II, juntamente com seus irmãos marianistas Carlos Eraña e Fidel Fuidio. Sua memória, junto com a dos outros dois mártires marianistas, é celebrada em 18 de setembro, enquanto no grupo comemorado em Carrión de Calatrava, a data de 25 de setembro une os três religiosos mortos na mesma localidade.


Beatos Mártires Passionistas Espanhóis - Guerra Civil Espanhola


Os bem-aventurados mártires passionistas:

Os dois passionistas e os mártires de Daimiel, Bengoa e Leoz estão entre os vinte e seis passionistas da comunidade de Daimiel que sofreram perseguição em 1936. Nem todos morreram no mesmo lugar ou no mesmo dia: os grupos foram separados após a evacuação do convento, e os religiosos foram posteriormente mortos em Carabanchel Bajo, Manzanares, Urda e Carrión de Calatrava. Os dois religiosos mortos em Carrión constituem, portanto, o menor grupo de memórias passionistas associadas a essa localidade.


Três mártires, duas congregações.

O título tradicional do cartão pode levar a mal-entendidos: dos três beatos comemorados em 25 de setembro em Carrión de Calatrava, apenas Bengoa e Leoz eram passionistas. Jesús Hita Miranda, por outro lado, era marianista, pertencente à Sociedade de Maria.

As beatificações também foram diferentes: Bengoa e Leoz foram beatificados em 1989 como membros dos vinte e seis mártires passionistas de Daimiel, enquanto Hita foi beatificado em 1995 como parte da causa dos mártires marianistas.


A memória da morte.

Segundo documentação reunida por fontes passionistas, os três foram transferidos do local de detenção em Ciudad Real para Carrión de Calatrava e mortos no cemitério. Seus corpos foram então jogados em um poço junto com inúmeros outros cadáveres. Para Bengoa e Leoz, as fontes consultadas não permitem, no momento, estabelecer um sepultamento individual específico. É, portanto, preferível evitar indicações excessivamente precisas sobre o destino de suas relíquias, a menos que acompanhadas de documentação adequada.


Curiosidades

- João Pedro Bengoa já havia sofrido perseguição religiosa durante seu período missionário no México.

- Paulo Maria Leoz ingressou na vida passionista na idade adulta, após ter considerado outras possibilidades de vida religiosa.

- Os dois passionistas de Carrión são os únicos dois dos vinte e seis mártires de Daimiel que foram mortos em Carrión de Calatrava.

— Jesus Hita Miranda, por outro lado, é um dos três mártires marianistas beatificados em 1995; os outros dois foram Carlos Eraña e Fidel Fuidio.

- A data de 25 de setembro une liturgicamente os três mártires na memória ligada a Carrión, embora Hita Miranda faça parte de uma causa de beatificação diferente.


Cronologia:

- 16 de fevereiro de 1882 - Pedro Leoz y Portillo, o futuro Paulo Maria de São José, nasceu em Leoz, Navarra.

- 19 de junho de 1890 - José María Bengoa Aranguren, futuro Juan Pedro de San Antonio, nasce em Santa Águeda de Guesalibar, perto de Mondragón.

- 17 de abril de 1900 - Nasce Jesus Hita Miranda em Calahorra, La Rioja.

- 1907 - Bengoa entra na Congregação da Paixão.

- 1909 - Leoz faz a profissão religiosa na Congregação da Paixão.

- 1916 - Bengoa é ordenado sacerdote.

- Julho de 1936: os Passionistas da comunidade de Daimiel são obrigados a abandonar o convento e a dispersar-se em diferentes grupos.

- Julho-setembro de 1936: Bengoa e Leoz refugiam-se em Ciudad Real; Hita também está na cidade.

- 24 de setembro de 1936 - Os dois Passionistas e Hita Miranda são presos e levados ao seminário de Ciudad Real.

- 25 de setembro de 1936 - Os três religiosos foram fuzilados em Carrión de Calatrava.

- 1º de outubro de 1989 - João Paulo II beatificou os vinte e seis mártires passionistas de Daimiel, incluindo Bengoa e Leoz.

- 1º de outubro de 1995 - João Paulo II beatificou Jesús Hita Miranda juntamente com os marianistas Carlos Eraña e Fidel Fuidio.

- 25 de setembro - Memória litúrgica do grupo dos três mártires de Carrión de Calatrava.


Avaliação histórico-crítica

- A fórmula segundo a qual os três foram mortos durante a perseguição religiosa é consistente com o Martirológio Romano e a documentação eclesiástica.

- Os detalhes relativos às suas últimas palavras, às suas atitudes individuais diante do pelotão de fuzilamento e a certos episódios ocorridos na pensão provêm principalmente de testemunhos e da tradição hagiográfica subsequente. Podem ser lembrados, mas devem ser distinguidos dos dados biográficos mais sólidos documentalmente.

- Mesmo a reconstrução das responsabilidades individuais dos perpetradores não permite simplificações: a documentação disponível permite situar os assassinatos no contexto da perseguição religiosa durante a guerra civil, mas não permite atribuir automaticamente cada episódio a uma organização política específica.

- Quanto aos dois passionistas, a sua pertença ao grupo dos vinte e seis mártires de Daimiel está historicamente e liturgicamente consolidada desde a sua beatificação em 1989.

Para Hita Miranda, no entanto, é necessário manter uma distinção entre o evento marianista, incluindo a beatificação de 1995, e a própria memória litúrgica do grupo marianista.

Portanto, o verbete deve ser apresentado como uma memória de três mártires mortos no mesmo local e nas mesmas circunstâncias históricas, mas pertencentes a duas congregações religiosas diferentes.


Fontes e bibliografia essencial:

- Martirológio Romano, memória de 25 de setembro, para a identificação dos três beatos, o local da morte e o contexto da perseguição religiosa.

- São João Paulo II, discurso aos peregrinos reunidos em Roma para a beatificação dos vinte e seis religiosos passionistas, 2 de outubro de 1989, para a beatificação de Bengoa e Leoz e dos demais mártires de Daimiel.

- Antonio Borrelli, Emilia Flocchini, verbete sobre os Beatos Mártires Passionistas Espanhóis de Daimiel, para a composição do grupo e a distribuição dos mártires nos diversos locais de suas mortes.

- Passionistas, os Mártires Passionistas de Espanha, pela reconstrução da dispersão da comunidade de Daimiel e da história de Bengoa e Leoz em Ciudad Real e Carrión de Calatrava.

- Hispânia Mártir, reconstrução documental dos mártires de Carrión de Calatrava e dos dois Passionistas Bengoa e Leoz.

- Fontes marianistas relativas a Jesus Hita Miranda, pela sua adesão à Sociedade de Maria e pela sua distinta beatificação em 1995.


Observação:

Não encontrei na internet nenhuma foto ou desenho do Beato Pablo Maria Leoz