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| São Simão, o "Zelota", Apóstolo do Senhor e Mártir. Sofreu o martírio avançado em anos. Estima-se que já tinha 120 anos de idade... |
Martirológio Romano
Festa
dos Santos Simão e Judas, Apóstolos: o primeiro era apelidado de Cananeu ou
“Zelote”, e o outro, também chamado Tadeu, filho de Tiago, na Última Ceia
questionou o Senhor sobre a sua manifestação e ele lhe respondeu: “Se alguém me
ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos
nele a nossa morada”.
Conhecido
como “o Cananeu” ou “o Zelote”, ele foi um dos Doze Apóstolos escolhidos por
Jesus de Nazaré no primeiro século. Seu nome aparece nas quatro listas
apostólicas preservadas no Novo Testamento, mas nenhum relato evangélico lhe
atribui um episódio ou discurso pessoal. O título que o distingue de Simão
Pedro provavelmente expressa zelo religioso e não demonstra filiação a um
movimento político específico. Sua presença no grupo apostólico e na comunidade
de Jerusalém após a Ascensão constitui o núcleo historicamente mais sólido de
sua história. As narrativas relativas às suas viagens missionárias, martírio e
sepultamento, contudo, provêm de tradições posteriores, muitas vezes
divergentes. Na liturgia latina, Simão é comemorado em 28 de outubro, juntamente
com São Judas Tadeu; a associação dos dois apóstolos foi reforçada pela
literatura hagiográfica medieval. Seu culto, difundido tanto no Oriente quanto
no Ocidente, também se expressa na iconografia da serra, ligada a uma tradição
sobre sua morte não confirmada por fontes contemporâneas.
Biografia do santo Apóstolo São Simão:
O Nome e o
Problema das Origens:
Simão era um nome
comum na Palestina do primeiro século. A forma grega Simão reproduz o nome
semítico Simeão, comum entre os judeus da época. O Novo Testamento menciona
diversas figuras com esse nome, começando por Simão Pedro. Para distingui-los,
os evangelistas acompanham o nome do apóstolo aqui considerado com um título:
Mateus e Marcos escrevem "Canaanita", Lucas usa "Zelote".
Não se tratam de duas pessoas diferentes, pois a localização e o contexto das
listas coincidem.
A designação
"Canaanita" não fornece nenhuma evidência de seu
nascimento em Caná ou de sua origem na região de Canaã. É a transliteração de
uma palavra semítica relacionada à raiz que expressa zelo ou ardor. A tradução
grega de Lucas explicita esse significado. A interpretação geográfica, aceita
em algumas tradições cristãs, posteriormente favoreceu a identificação com o
noivo no casamento em Caná, mas o Quarto Evangelho não indica seu nome.
Os pais de Simão, sua família, profissão, idade na época de seu chamado ou aldeia de origem são desconhecidos. As afirmações que o descrevem como pescador, parente de Jesus ou marido em Caná não são corroboradas por testemunhos diretos do Novo Testamento. É preciso cautela, especialmente porque as antigas comunidades cristãs também preservaram registros de outros homens chamados Simão ou Simeão.
O chamado ao Grupo
dos Doze
Os Evangelhos
Sinóticos apresentam o estabelecimento do colégio dos Doze como um gesto
decisivo no ministério de Jesus. Marcos relata que Jesus chamou a si aqueles
que ele queria, designando doze deles para estarem com ele e enviá-los a
pregar, tendo autoridade sobre os espíritos imundos. Lucas situa a seleção após
uma noite de oração; Mateus inclui a lista em seu discurso missionário. Simão é
mencionado em cada uma dessas listas, sem que sua vocação seja descrita
individualmente.
O número doze
refere-se simbolicamente às tribos de Israel. Nesse contexto, Simão participa
de uma comunidade chamada a proclamar o reino de Deus e a testemunhar a ação de
Jesus. Os textos evangélicos não nos permitem estabelecer quando ele se juntou
ao grupo do mestre em comparação com os outros discípulos, nem se ele pertencia
ao círculo mais amplo antes de sua escolha apostólica. Sua identidade pessoal
emerge sobretudo do nome que o acompanha.
A composição do grupo também é significativa pela variedade de nomes e perfis. Mateus é identificado como o cobrador de impostos; O apelido de Simone refere-se ao seu zelo pela fé judaica. Bento XVI enfatizou essa diferença em sua audiência de 11 de outubro de 2006, ressaltando que isso não justifica automaticamente que Simone tenha sido um membro militante de uma organização revolucionária. A reflexão papal interpreta um fato textual teologicamente, sem acrescentar informações biográficas desconhecidas.
O Zelote e a
Palestina do Primeiro Século:
A palavra
"zelote" requer uma distinção histórica. Na cultura bíblica, zelo
pode indicar um zelo para defender a aliança e a lei de Deus; a linguagem
religiosa o aplica a figuras como Elias e àqueles que se recusam a fazer
concessões à idolatria. No judaísmo da era romana, contudo, a aspiração à
fidelidade religiosa também podia assumir implicações políticas, especialmente
na presença de dominação estrangeira e conflitos sobre as instituições do
templo.
Flávio Josefo
descreve grupos e correntes que se opunham ao poder romano, mas a reconstrução
de sua formação e o uso do nome "Zelote" para períodos anteriores à
guerra de 66-70 são contestados. O nome atribuído a Simão, portanto, não é
suficiente para integrá-lo a um partido estruturado. Pode simplesmente indicar
um traço de fervor religioso reconhecível entre seus contemporâneos. Não há
relatos confiáveis de suas ações armadas ou participação em revoltas.
A hipótese de um passado politicamente militante ganhou popularidade na narrativa e popularização modernas porque parece dramatizar a coexistência entre Simão e Mateus. Contudo, isso permanece uma hipótese. O Novo Testamento não descreve um conflito entre eles nem narra a conversão de Simão da violência para a paz. O valor histórico do nome reside sobretudo no testemunho de uma das maneiras pelas quais a tradição cristã primitiva o distinguia de seus homônimos.
A Presença dos
Doze:
Os Evangelhos
narram ensinamentos, viagens, controvérsias, curas e encontros nos quais os
Doze participaram como grupo. Simão, como membro do colégio, está incluído na
estrutura narrativa da formação apostólica, mas não é possível atribuir-lhe com
certeza qualquer contribuição individual. Ele não é mencionado separadamente
nos relatos da Transfiguração, do Getsêmani ou das aparições da Páscoa.
O Quarto Evangelho
menciona alguns apóstolos com episódios específicos, mas não identifica Simão,
o Zelote, como protagonista de nenhuma cena. Mesmo a tradição que o liga ao
casamento em Caná depende de interpretações posteriores do termo "cananeu".
Portanto, não se pode dizer que ele era o noivo no banquete, nem que Jesus
realizou o primeiro sinal durante uma de suas festas de casamento.
Sua participação nos Doze implica, nos relatos sinóticos, em compartilhar a jornada pública de Jesus e a tarefa missionária confiada ao grupo. Isso é diferente de possuir um relato detalhado de suas ações. A distinção entre participação colegiada e testemunho pessoal impede que os episódios genericamente atribuídos aos apóstolos sejam transformados em uma biografia individual artificial.
A Comunidade de
Jerusalém.
A quarta menção do
nome no Novo Testamento encontra-se nos Atos dos Apóstolos. Após a ascensão de
Jesus, o autor lista os apóstolos reunidos em Jerusalém, incluindo Simão, o
Zelote. A cena os mostra perseverando em oração, juntamente com algumas
mulheres, Maria, a mãe de Jesus, e seus irmãos. O texto, portanto, situa Simão
na comunidade que antecedeu a substituição de Judas Iscariotes por Matias.
Os Atos narram
então o Pentecostes e o início da pregação apostólica. Contudo, não mencionam
Simão como destinatário de uma missão específica, protagonista de um milagre,
líder de uma comunidade ou viajante em uma região específica. O silêncio não
prova a inatividade do apóstolo, mas sim limita o que pode ser reconstruído. O
relato de Lucas concentra-se primeiro em Pedro e João e, depois, especialmente
em Paulo.
Nas primeiras comunidades cristãs, a autoridade apostólica estava ligada à memória das testemunhas de Jesus e da ressurreição. A tradição da Igreja reconhecia Simão entre essas testemunhas, embora não tenha preservado suas próprias palavras. A continuidade entre as listas dos Evangelhos e a dos Atos dos Apóstolos é o principal elemento textual que o situa entre os discípulos de Jesus e a primeira comunidade de Jerusalém.
Memória Apostólica
após o Novo Testamento.
Após sua menção
nos Atos dos Apóstolos, abre-se um vácuo documental. As fontes cristãs dos
séculos subsequentes tentaram atribuir a apóstolos individuais territórios de
evangelização, fundamentos eclesiásticos e modo de morte. Essas atribuições
também refletem o desejo das Igrejas locais de vincular suas origens a um
testemunho direto de Cristo. Para Simão, existem inúmeras versões conflitantes.
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| Uma dos países / regiões evangelizadas pelo Apóstolo São Simão foi o Egito. |
Algumas tradições
orientais o situam na região do Mar Negro, na Cólquida e no Cáucaso; outras o
atribuem ao Egito ou ao Norte da África. Testemunhos ocidentais posteriores
estendem seu itinerário até a Grã-Bretanha. As indicações não formam uma rota
verificável: são memórias de origens diversas, surgidas em diferentes ambientes
e épocas. Nenhum texto contemporâneo ao apóstolo nos permite verificar esses
itinerários.
Uma tradição particularmente influente ligava Simão a Judas Tadeu em uma missão à Pérsia. A história foi transmitida em formas hagiográficas latinas e depois retomada na cultura medieval. O casal, familiar hoje no calendário ocidental, não é apresentado nos textos canônicos como um grupo missionário estável. A associação deles nas listas dos Doze pode ter facilitado a associação posterior, mas não demonstra uma jornada empreendida em conjunto.
Os relatos da
missão à Pérsia:
A chamada Paixão
de Simão e Judas, preservada na tradição atribuída ao Pseudo-Obadias, apresenta
os dois apóstolos como pregadores no Oriente. O texto descreve confrontos com
sacerdotes pagãos, milagres, conversões e, finalmente, o martírio. Pertence ao gênero
de atos apostólicos apócrifos e não pode ser tratado como um registro de
eventos do primeiro século.
O contexto persa
oferece um cenário narrativo consistente com o interesse das comunidades
cristãs na expansão da fé para além das fronteiras romanas. Alguns detalhes
geográficos suscitaram discussões acadêmicas, mas o possível conhecimento de
lugares ou instituições orientais não comprova a autenticidade dos episódios.
Mesmo o local chamado Suanir, frequentemente indicado como o cenário da morte,
apresenta problemas de identificação.
O sucesso da Paixão foi notável porque proporcionou a dois apóstolos pouco conhecidos uma narrativa compartilhada, rica em ação e com um epílogo exemplar. A obra ajudou a consolidar a celebração conjunta dos dois e a moldar suas representações artísticas. Sua importância para a história do culto e da literatura é, portanto, certa, embora permaneça insuficiente como prova dos eventos biográficos narrados.
Martírio e Versões
Concorrentes:
A tradição
eclesiástica honra Simão como apóstolo e mártir, mas as fontes mais antigas não
estabelecem com certeza a data, o local ou a forma de sua morte. Segundo a
versão ocidental associada a Judas, ele foi morto na Pérsia. Outras versões
afirmam que ele foi crucificado ou morreu no Cáucaso. As diferenças não podem
ser resolvidas combinando os episódios em uma única narrativa.
A serra, que se tornou
seu atributo iconográfico mais reconhecível, refere-se à versão segundo a
qual seu corpo foi serrado. Outras representações mostram uma lança ou
outros instrumentos. A iconografia atesta a disseminação das histórias de
martírio, não sua verificação histórica. Nem mesmo uma data de morte
correspondente a 28 de outubro, que é principalmente o dia da lembrança
litúrgica ocidental, é confirmada.
Particular cautela
é necessária ao identificá-lo como Simeão, filho de Cléofas, lembrado como
sucessor de Tiago na liderança da Igreja de Jerusalém.
Eusébio de Cesareia, citando Hegesipo, relata que este Simeão foi martirizado sob o reinado de Trajano em idade muito avançada. A semelhança de seus nomes e as tradições sobre os parentes de Jesus favoreceram a fusão das duas figuras, mas não há base suficiente para considerá-las a mesma pessoa.
O culto nas
Igrejas Cristãs:
A veneração de
Simão desenvolveu-se dentro da memória coletiva dos Doze. As diversas Igrejas
Cristãs o comemoram em calendários que nem sempre coincidem. Na tradição
latina, a festa comum com Judas é estabelecida em 28 de outubro; em algumas
tradições orientais, a comemoração individual ocorre em outros dias. Essa
variedade é um sinal da pluralidade de caminhos litúrgicos, não da presença de
múltiplos apóstolos distintos com o mesmo nome.
O Martirológio Romano registra Simão como um cananeu ou zelote ao lado de Judas Tadeu. A redação é sóbria e não atribui precisamente um lugar de martírio a Simão. A celebração litúrgica baseia-se no reconhecimento de sua participação nos Doze, um fato incontestável do Evangelho, enquanto relatos posteriores constituem um nível diferente de memória religiosa.
As tradições referentes às relíquias indicam múltiplos locais, incluindo Roma e Toulouse, e mencionam transferências cujas etapas nem sempre podem ser reconstruídas. Na Basílica Vaticana, há evidências da veneração de relíquias atribuídas a Simão e Judas. Essa atribuição faz parte da história do culto e não constitui, por si só, uma identificação arqueológica definitiva dos restos mortais. A incerteza quanto ao sepultamento original impossibilita o estabelecimento de uma cadeia contínua de autenticidade.
Recepção Medieval
e Artística:
Na Idade Média, a
difusão das paixões apostólicas e da Lenda Áurea popularizou as histórias de
Simão e Judas. A narrativa hagiográfica combinava pregação, confronto com o
paganismo e uma morte violenta, oferecendo a pregadores e artistas uma
sequência de cenas reconhecíveis. As imagens do casal apostólico, portanto,
respondiam a uma tradição literária consolidada.
Na arte ocidental,
Simão é frequentemente representado com uma serra, às vezes acompanhado por um
livro ou pergaminho, indicando sua pregação apostólica. O objeto de seu
martírio ajuda a distingui-lo de Pedro e dos outros apóstolos de mesmo nome. A
presença da serra, contudo, não deve ser projetada retroativamente ao primeiro
século: o símbolo expressa uma narrativa elaborada e transmitida ao longo dos
séculos seguintes.
Sua memória
aparece em ciclos pictóricos dedicados aos Doze, em esculturas sacras e em
representações devocionais. Nesses contextos, o principal interesse não é
fornecer um retrato histórico de Simão, o homem, cuja aparência é desconhecida,
mas sim destacar a continuidade do testemunho apostólico. O reconhecimento
eclesial do culto é antigo e não deriva de um processo individual moderno de
canonização.
A importância do
testemunho:
A escassez de
informações pessoais não diminui o papel de Simão na tradição cristã, mas exige
uma definição precisa. Ele é atestado como um dos Doze, o que o coloca entre o
núcleo de discípulos aos quais os Evangelhos atribuem um papel representativo e
missionário. Seu perfil histórico não pode ser reconstruído por meio de
psicologias imaginadas ou episódios emprestados de outros apóstolos.
O apelido mantém
um elemento significativo: zelo, um conceito profundamente enraizado no
judaísmo da época. Interpretações cristãs subsequentes o interpretaram como uma
disposição para seguir Jesus e testemunhar a fé. Esta é uma interpretação
teológica legítima na história da espiritualidade, distinta das evidências
históricas de escolhas individuais específicas.
A história de Simão também demonstra como a memória de figuras menos documentadas do Novo Testamento foi formada. Um núcleo breve e confiável foi complementado por narrativas missionárias, identificações com homônimos, paixões e tradições de relíquias. A comparação dessas camadas permite respeitar tanto o valor da memória eclesiástica quanto os limites das fontes, sem confundir a difusão de uma lenda com confirmação independente.
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Segundo relato hagiológico:
O apóstolo Simão é
talvez o representante mais misterioso do grupo dos Doze Apóstolos, sempre
citado nas listas, mas com pouquíssimas informações sobre sua vida. No entanto,
as denominações pelas quais é referido e a tradição póstuma nos apresentam uma
figura fascinante que personifica paixão, coerência e objetividade na busca de
objetivos e metas específicos.
Como mencionado anteriormente, embora o nome de Simão apareça em todas as fontes que, de alguma forma, nos falam sobre os apóstolos de Jesus, ele é talvez o menos conhecido dos Doze, em cuja lista figura como o décimo primeiro.
Curiosamente, ao contrário dos outros apóstolos, as informações que temos sobre suas origens, sua presença no colégio apostólico, sua atividade evangelizadora e sua morte são incertas e sempre foram motivo de debate entre diversos especialistas ao longo dos séculos.
No entanto, fontes primárias, como os três Evangelhos Sinóticos e os Atos dos Apóstolos, falam dele. Para distingui-lo de Simão Pedro, o primeiro dos apóstolos, Marcos e Mateus atribuem a ele o nome de Cananeu, enquanto Lucas e os Atos dos Apóstolos falam de um Simão, o Zelote. Esse nome duplo está na raiz de uma das controvérsias mais debatidas a respeito da vida de Simão.
Durante muitos séculos, aliás, o apelido "cananeu" levou à especulação de que ele poderia ter nascido na cidade de Caná, local do milagre conhecido como "Casamento em Caná".
Hoje, porém, uma explicação diferente é favorecida, que traça a origem de "cananeu" à palavra hebraica qana, que se referia ao movimento rebelde zelote, o qual representava um sério problema político e militar para os romanos da época.
Em sua tradução do
Novo Testamento, J.B. Phillips chama o zelote violento convertido por Jesus de
"Simão, o Patriota", em cada uma das quatro listas. O termo se refere
a um membro de um partido político.
Um "zelote" era um judeu patriota disposto a se rebelar contra o governo romano. Seu objetivo era libertar a Judeia da escravidão romana e liderar as legiões romanas na invasão do país. Esse partido havia sido organizado por um revolucionário fanático, Judas da Galileia, cerca de 20 anos antes de Jesus iniciar seu ministério público.
Ele havia se tornado um movimento clandestino implacável e violento.
Seu programa terrorista de assassinatos e sabotagens não libertou o país, mas
levou a atos de vingança por parte das autoridades romanas.
Talvez Simão tenha se
aproximado de Jesus inicialmente porque viu em Cristo a força que seu grupo
precisava para expulsar os romanos com sucesso. Para muitos judeus, o Messias
não era mais um Salvador espiritual, mas um conquistador terreno.
Como um fanático era um fanático e eventualmente recorria à violência, Simão teria abandonado essa motivação quando renunciou a tudo para seguir Jesus. Jesus pregou uma mensagem de não violência (Mateus 5, 39. 43-44; 26, 52). Simão foi transformado por Jesus e sua mensagem. Ele continuava sendo um patriota disposto a trabalhar e lutar, mas agora a luta era contra as forças de Satanás, e o reino pelo qual ele lutava pertencia a Deus.
Sua atividade
evangelizadora está envolta em lendas.
Poucos vestígios da evangelização de Simão sobreviveram, sendo o mais significativo contido na Lenda Áurea, um texto hagiográfico escrito no século XIII pelo frade dominicano Jacobus de Voragine.
A pregação de Simão começou no Egito, provavelmente na companhia de Bartolomeu (originário da cidade de Caná). Mas, por volta de 60 d.C., ele retornou à Galileia. Dado seu passado entre os zelotes, talvez tenha se envolvido na repressão que se seguiu à Segunda Guerra Judaica.
Segundo algumas fontes, foi justamente para escapar dos romanos que ele se mudou com seus seguidores para a Pérsia. Lá, ele se uniu a outro apóstolo, Judas Tadeu (não confundir com Judas Iscariotes), com quem continuou a obra de evangelização nas regiões da Mesopotâmia e da Pérsia, chegando até a Armênia.
A tradição católica afirma que ele foi martirizado junto com Judas Tadeu na cidade persa de Suanir. Enquanto isso, outros sustentam que ele sobreviveu a Judas por muitos anos, sofrendo o martírio com mais de cem anos na Abcásia, na costa nordeste do Mar Negro. Segundo algumas fontes ortodoxas, também está sepultado lá.
Em todo caso, o vínculo com Judas Tadeu era muito forte, e na tradição católica, os dois estão ligados pelo fato de estarem sepultados na Basílica de São Pedro, em Roma, e pela data de sua celebração litúrgica, 28 de outubro.
A forma de seu martírio foi particularmente cruel, sobre a qual todas as diversas tradições concordam substancialmente: Simão foi retalhado com uma serra, provavelmente após ser crucificado. Por esse motivo, ele é frequentemente representado com uma serra na mão e é considerado o santo padroeiro e protetor dos lenhadores e cortadores de madeira.
As relíquias e sua
ligação com São Judas Tadeu.
Os restos mortais de São Simão repousam em Roma, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, onde foram depositados junto aos de seu companheiro apóstolo, São Judas Tadeu. Desde então, são sempre lembrados juntos na liturgia.
Na Basílica de São Pedro, no Vaticano, as relíquias de Simão e Judas Tadeu são veneradas desde 27 de outubro de 1605, no altar central do transepto esquerdo ou tribuna dos Santos Apóstolos Simão e Judas, que foi dedicado a São José desde 1963.
Vale lembrar a breve menção no martirológio romano de 28 de outubro: "Na Pérsia, aniversário dos bem-aventurados Apóstolos Simão, o Cananeu, e Tadeu, também chamado Judas. Destes, Simão pregou o Evangelho no Egito, Tadeu na Mesopotâmia; depois, tendo entrado juntos na Pérsia, convertendo uma multidão inumerável daquele povo a Cristo, consumaram o seu martírio."
Os restos mortais foram anteriormente colocados em um altar dedicado a eles na antiga basílica, que foi transformada em capela por Paulo III. A cabeça de São Simão, no entanto, encontra-se no Museu da Catedral de Pienza.
Diferentes
interpretações de sua figura.
Uma interpretação que já aparece na antiguidade, na Igreja Abissínia, o identifica, em vez disso, com Simeão, filho de Cleofas, primo de Jesus e irmão do apóstolo Tiago, o Menor, a quem sucedeu em 62 como líder da Igreja de Jerusalém, até sua morte sob o imperador Trajano.
Seu martírio é descrito da seguinte forma por Hegesipo, que viveu no século II e é citado por Eusébio de Cesareia (História Eclesiástica, III, 32, 3.6): "Alguns desses hereges acusaram Simeão, filho de Cleofas, de ser descendente de Davi e cristão; ele, portanto, sofreu o martírio, aos cento e vinte anos de idade, sob o reinado de Trajano César e do cônsul Ático. [...] o filho do tio do Senhor, o já mencionado Simeão, filho de Cleofas, foi denunciado pelos hereges e também julgado pelo mesmo motivo, sob o cônsul Ático. Torturado por muitos dias, ele testemunhou sua fé de tal maneira que todos, inclusive o cônsul, ficaram admirados de como um homem de cento e vinte anos podia resistir tanto; e ele foi condenado à crucificação."
A menção de Ático, ou seja, Tibério Cláudio Ático Herodes, legado da Judeia de 100 a 103, situa o martírio de Simeão nos primeiros anos do reinado de Trajano, em Pela, na Palestina.
Isso também se pode deduzir de Eusébio de Cesareia (História Eclesiástica, III, 5, 3). Trata-se evidentemente de outra pessoa, o Simão que, segundo a tradição do Breviário Romano, pregou no Egito e, juntamente com o apóstolo Judas Tadeu, na Mesopotâmia.
Os dois apóstolos também aparecem juntos no relato de Santo Fortunato, bispo de Poitiers no final do século VI, que, baseando-se na apócrifa Passio Simonis et Iudae, indica que ambos foram martirizados juntos (espancados até a morte) por volta do ano 70 d.C. por pagãos na Pérsia, na cidade de Suanir (provavelmente na Cólquida); e que seu sepultamento foi na Babilônia. Outras tradições mencionam a vizinha Babilônia.
Regiões da Armênia e da Península Ibérica caucasiana como local de seu martírio; enquanto uma tradição oriental tardia (afirmada pelo monge Epifânio, século IX) menciona o túmulo de Simão em Nicopsis, no Cáucaso ocidental. Em suma, a área geográfica indicada pelas diversas tradições parece bastante limitada.
A geografia das
tradições.
Pérsia, Cólquida, Ibéria Caucasiana, Egito e Grã-Bretanha — aparece em diferentes narrativas da pregação de Simão. Não se tratam de etapas sucessivas de um itinerário claramente definido. Suas diferenças refletem a expansão geográfica da memória apostólica e a relação entre as comunidades cristãs e suas próprias narrativas de fundação. Compará-las é útil para o estudo da disseminação do culto, não para a reconstrução de um mapa de viagens pessoais.
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Estátua representativa do Apóstolo
São Simão.
O apelido
"cananeu" não prova que Simão era originário de Caná; a forma está
linguisticamente ligada ao zelo.
A identificação
com o noivo no casamento em Caná provém de uma leitura posterior e não do
Evangelho de João.
A serra nas imagens de Simão vem de uma tradição de martírio, não de uma descrição do Novo Testamento.
Cronologia
- Século I - Simão
é mencionado nos catálogos dos Doze preservados nos Evangelhos Sinóticos.
- Após a morte de
Jesus, os Atos dos Apóstolos o mencionam na comunidade reunida em Jerusalém.
- Antiguidade
Tardia e Alta Idade Média: Desenvolvem-se diferentes tradições sobre suas
viagens e martírio.
- Idade Média: A Paixão de Simão e Judas e sua recepção contribuem para a difusão da festa comum.
Avaliação
histórico-crítica.
- A participação
de Simão entre os Doze é atestada unanimemente por Mateus, Marcos e Lucas; os
Atos dos Apóstolos confirmam a presença de Simão na comunidade apostólica.
- O apelido
"Canaanita" ou "Zelote" indica zelo; a participação em uma
organização política não é comprovada.
- As origens
familiares, a profissão, os itinerários missionários e as circunstâncias da
morte não podem ser reconstruídos com certeza.
- A identificação
com Simeão, filho de Clopas, ou com o marido de Caná é tradicional e não
confirmada.
- Os relatos de
seu martírio e as atribuições de relíquias são posteriores e divergentes; o
culto apostólico, no entanto, é firmemente atestado.
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