| Santo André Kin Taegon, presbítero, e São Paulo Chong Hasang, leigo e catequista, mártires coreanos - grande grupo de mártires. |
Estes santos foram martirizados
em 1846 e canonizados por São João Paulo II em 1984. Santo André (Dangjin,
21 de agosto de 1821 — Seul, 16 de setembro de 1846) foi o primeiro
sacerdote coreano.
No
altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, o Prefeito da Congregação para o
Clero, o arcebispo coreano Dom Lazarus You Heung-sik, celebrou Missa solene para
celebrar os 200 anos do nascimento desse santo sacerdote e mártir da fé.
Além
de André Kim, São João Paulo II canonizou 99 coreanos e três missionários
franceses que foram martirizados entre 1839 e 1867. Entre eles havia padres e
bispos, mas a maioria era de pessoas leigas: 47 mulheres e 45 homens.
Sua história
"Você é católico?" "Sim, eu sou católico." Um diálogo seco com um funcionário do governo, enquanto pairava a ameaça de uma morte sangrenta. Essa breve profissão de fé, registrada em uma das epístolas escritas durante seus dias de prisão, revela toda a profundidade da fidelidade a Deus de André Kim Taegon, o primeiro sacerdote católico coreano martirizado em 1846. E com ele, há o testemunho de fé, selado com o supremo sacrifício da vida, de milhares de homens e mulheres varridos pela onda de perseguições que atingiu a Coreia nos séculos XVIII e XIX. Ainda hoje constitui a seiva vital e a história da identidade de todo um povo — a população católica coreana — vivo, mesmo se uma minoria.
A fim de honrar a memória
de André Kim e dos outros mártires, todos leigos, sua homenagem de sangue e seu
exemplo brilhante, tem lugar na tarde deste sábado (21/08) uma missa em coreano
às 15h30 no Altar da Cátedra na Basílica de São Pedro. O arcebispo Lazarus You
Heung-sik, que foi nomeado prefeito da Congregação para o Clero em 11 de junho
passado, preside sua primeira cerimônia pública em Roma.
| Santo André Kim Taegon |
Santo André Kim,
testemunha de fé.
A ocasião para a
celebração é o bicentenário do nascimento de Santo André, que ocorreu em 21 de
agosto de 1821 em uma família criada segundo princípios cristãos, cujo pai
havia transformado a casa em uma "igreja doméstica". Uma escolha pela
qual ele pagou com sua vida. Em quatro gerações, onze membros da família do
santo derramaram seu sangue pelo Senhor, incluindo cinco que foram beatificados
e outros que já foram canonizados. Formado em Macau com pouco mais de 15 anos
de idade, o jovem André trabalhou em meio à perseguição: foi preso,
interrogado, torturado e decapitado por não querer se arrepender. Ele nem tinha
25 anos de idade. Com seu nome e o de uma centena de outros crentes de
diferentes idades e classes sociais, o Papa Wojtyla quis inscrevê-lo no registro
dos santos em 1984.
Missa de Parolin para a
paz na Coreia em 2018.
Trinta sacerdotes e cerca de setenta religiosos e religiosas o recordam este sábado na Basílica de São Pedro, junto com Dom You. O embaixador coreano junto à Santa Sé também deve participar. Os fiéis leigos que compõem a comunidade coreana em Roma também estarão presentes. A mesma comunidade que, em 17 de outubro de 2018, participou da Missa pela Coreia, presidida na Basílica vaticana pelo cardeal secretário de Estado, Dom Pietro Parolin. No centro dessa cerimônia, naquela ocasião, estava um apelo em favor da paz e reconciliação para a Península coreana. Um pedido apresentado ao Papa na audiência do dia seguinte pelo presidente sul-coreano Moon Jae-in, que se sentou na primeira fila na Missa de Parolin, animada por canções e leituras em coreano.
Tratou-se de um evento
para a comunidade romano-coreana, como a celebração desta tarde. "O fato
de uma Missa pelo bicentenário de Santo André Kim Taegon estar sendo celebrada
na Basílica de São Pedro é uma providência de Deus", disse dom You à agência
coreana Yonhap.
A história dos mártires
Tanto religiosos quanto leigos católicos, os mártires coreanos foram vítimas de perseguição religiosa no país, onde as primeiras sementes da fé cristã apareceram no início do século XVII por meio das delegações que visitavam Pequim todos os anos para intercâmbios culturais. Na China, os coreanos entraram em contato com a fé cristã, trazendo para casa o livro do missionário jesuíta padre Matteo Ricci. Um leigo, o pensador Lee Byeok, inspirado no livro do jesuíta, fundou então uma primeira comunidade cristã muito ativa que rapidamente cresceu, tendo milhares de fiéis. Ela continuou a crescer mesmo quando, por volta de 1785, surgiu uma cruel perseguição no país, que levou à morte, em 1801, do único padre presente no país. Em 1802, o rei Sunjo emitiu um decreto estatal ordenando o extermínio dos cristãos como a única solução para sufocar a semente do que seu governo considerava "loucura". Deixados sozinhos e sem orientação espiritual, os fiéis pediam continuamente ao bispo de Pequim e até mesmo ao Papa pelos sacerdotes. As condições locais não permitiam isso até 1837, quando um bispo e dois sacerdotes das Missões Estrangeiras de Paris foram enviados. Eles entraram no país clandestinamente e foram martirizados dois anos mais tarde. Uma segunda tentativa de André Kim conseguiu trazer um bispo e um sacerdote e, a partir daquele momento, a presença de uma hierarquia católica na Coreia ficou estável, apesar do ressurgimento das perseguições em 1866. Por fim, em 1882, o governo decretou a liberdade religiosa.
| São Paulo Chong Hasang, leigo e catequista. |
De acordo com fontes locais, mais de 10 mil mártires morreram na opressão coreana. Desses, 103 — incluindo várias mulheres — foram beatificados em dois grupos separados em 1925 e 1968 e depois canonizados juntos em 6 de maio de 1984 em Seul por João Paulo II. Apenas dez deles são estrangeiros: três bispos e sete sacerdotes; os outros são todos coreanos, catequistas e fiéis. A memória litúrgica deles é 20 de setembro. Os líderes desta lista litúrgica são, além de Santo André Kim Taegon, o catequista São Paulo Chong Hasang. Os restos mortais deles repousam desde 1900 na cripta da Catedral de Myeong-dong.
124 outros mártires
beatificados por Francisco em Seul.
Outros 124 mártires foram beatificados pelo Papa Francisco em 16 de agosto de 2014, durante sua viagem à Coreia do Sul. Entre eles estava Paulo Yun Ji-chung. Mais de um milhão de fiéis participaram da Missa de Francisco naquele dia, celebrada na Porta de Gwanghwamun, que se seguiu a uma intensa visita do Papa ao local das execuções: o santuário de Seo So-Mun, na periferia de Seul. A enorme participação do povo foi um sinal da profunda devoção de que ainda gozam esses santos e beatos, membros vivos da história e da identidade de uma nação. Eles "nos lembram que devemos colocar Cristo acima de tudo", disse o Papa em sua homilia, acompanhada em várias passagens por aplausos prolongados e emocionados. O exemplo dos mártires, acrescentou o Pontífice, "tem muito a nos dizer, que vivemos em uma sociedade onde, ao lado de imensas riquezas, a pobreza mais abjeta cresce silenciosamente; onde o grito dos pobres raramente é ouvido; e onde Cristo continua a chamar-nos, pedindo-nos que o amemos e o sirvamos, estendendo a mão aos nossos irmãos e irmãs necessitados".
O Jubileu da Igreja
Coreana
O bicentenário do nascimento de Santo André abriu as celebrações do Jubileu proclamado pela Igreja na Coreia do Sul em 29 de novembro de 2020. Este Jubileu é um ano de graça, sob o patrocínio da Unesco, que terminará em 27 de novembro de 2021 e representa "uma oportunidade favorável para o crescimento espiritual da Igreja coreana", conforme afirmou o bispo Dom Lazarus You, que na época liderava a diocese de Daejeon e era responsável pela organização do Ano Santo, em uma entrevista à mídia vaticana em dezembro passado. "Este Jubileu", disse o prelado, "nos dará a todos a oportunidade de interiorizar a espiritualidade do martírio, que é a seiva vital da Igreja na Coreia, meditando profundamente sobre a vida dos mártires". "Para nossos mártires, a fé era o valor mais importante", acrescentou dom You. "Na sociedade coreana, apenas 11% da população é católica, enquanto mais da metade se declara 'sem religião'". O convite é, portanto, "refletir seriamente sobre nossa identidade e nossa coerência como 'católicos fiéis'".
Setembro, mês da Igreja Católica na Coreia do Sul.
Há quase 100 anos (desde
a beatificação dos primeiros 75 mártires coreanos em 1925), a Igreja Católica da Coreia celebra o Mês dos Mártires e, em 20 de setembro,
comemora a solenidade de Santo André Kim Tae-gon, São Paulo Hasang e companheiros (103 Santos
Mártires).
Nos últimos 50 anos, a Igreja Católica coreana – que
atualmente conta com quase seis milhões de fiéis – trabalhou
muito para documentar e aprofundar a memória de seus mártires. O país conta com
nada menos que 187 santuários, túmulos, locais de nascimento de
mártires e salões memoriais em todo o país.
Em setembro de 2013, a arquidiocese de Seul criou um
percurso de peregrinação católica de 44,1 km para coincidir com a visita do
Papa Francisco em 2014, que foi aprovada como peregrinação mundial oficial pelo
Vaticano em 2018.
Durante o Mês dos Mártires, os católicos coreanos recordam, não apenas os 103 Santos canonizados em 1984 pelo Papa São João Paulo II e os 124 Beatos beatificados em 2014 pelo Papa Francisco, mas também a beatificação do Venerável Padre Choi Yang-eob Thomas e de 133 Servos de Deus mártires.
| Santos Mártires da Coreia. Numeroso grupo de mártires cujo sangue ainda hoje semeia e fecunda a Igreja Católica na Coreia do Sul, tornando-a muito próspera espiritualmente e em número de santas vocações sacerdotais, religiosas e leigas. |
Outra imagem com os Santos Mártires Coreanos, mostrando um dos bispos ao centro e,
abaixo, instrumentos de tortura que eram usados antes da morte por decapitação.
Santo André Kim Taegon, São Paulo Hasang e Companheiros Mártires, rogai pela Igreja Católica na Coreia, em toda a Ásia e no mundo inteiro!
LISTA DO MÁRTIRES DA COREIA:
Clérigos Missionários Estrangeiros (Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris):
Bispos Missionários:
- São Laurent-Marie-Joseph Imbert
- São Siméon-François Berneux
- São Marie-Nicolas-Antoine Daveluy
- São Pierre-Philibert Maubant
- São Jacques-Honoré Chastan
- São Simon-Marie-Just Ranfer de Bretenières
- São Bernard-Louis Beaulieu
- São Pierre-Henri Dorie
- São Pierre Aumaître
- São Martin-Luc Huin
Sacerdote coreano
Santo André Kim Taegon (que encabeça a lista dos mártires).
Fiéis leigos e catequistas coreanos (entre esses, esposas, mães de família, jovens e adolescentes).
São Paulo Chong Hasang (segundo na lista, por sua importância como catequista).
São Pedro Yi Ho-yong
São Protásio Chong Kuk-bo
Santa Águeda Kim A-gi
Santa Ana Pak A-gi
Santa Águeda Yi So-sa
Santa Madalena Kim O-bi
Santo Agostinho Yi Kwang-hon
Santa Bárbara Han A-gi
Santa Luzia Pak Hui-sun
Santo Damião Nam Myong-hyok
Santo Pedro Kwon Tu-gin
Santo José Chang Song-jib
Santa Bárbara Kim
Santa Bárbara Yi
Santa Rosa Kim
Santa Marta Kim Song-im
Santa Teresa Yi Mae-im
Santa Ana Kim Chang-gum
Santo João Baptista Yi Kwang-nyol
Santo João Pak Hu-jae
Santa Maria Pak Kun-a-gi
Santa Bárbara Kwon-hui
Santa Bárbara Yi Chong-hui
Santa Maria Yi Yon-hui
Santa Inês Kim Hyo-ju
Santa Catarina Chong Ch'or-yom
Santo José Im Ch'i-baeg
Santo Sebastião Nam I-gwan
Santo Inácio Kim Che-jun (pai de Santo André Kim)
Santo Carlos Cho Shin-ch'ol
Santa Julieta Kim
Santa Águeda Chon Kyong-hyob
Santa Madalena Ho Kye-im
Santa Luzia Kim
Santo Pedro Yu Tae-ch'ol (o mais jovem, martirizado aos 13 anos)
Santa Maria Won Kwi-im
Santa Columba Kim Hyo-im
Santa Luzia Kim (Kop-ch'u)
Santa Catarina Yi
Santa Madalena Cho
Santa Cecília Yu So-sa
Santo Pedro Ch'oe Chang-hub
Santa Bárbara Cho Chung-i
Santa Madalena Han Yong-i
Santa Benedicta Hyon Kyong-nyon
Santa Elisabete Chong Chong-hye
Santa Bárbara Ko Sun-i
Santa Madalena Yi Yong-dok
Santa Teresa Kim
Santa Águeda Yi
Santo Estêvão Min Kuk-ka
Santo André Chong Hwa-gyong
Santo Paulo Ho Hyob
Santo Agostinho Park Chong-won
Santo Pedro Hong Pyong-ju
Santo Madalena Son So-byog
Santa Águeda Yi Kyong-i
Santa Maria Yi In-dok
Santa Águeda Kwon Chin-i
Santo Paulo Han Yong-sam
Santo Pedro Ch'oe Hyong
Santo João Baptista Chon Chang-un
Santo António Kim Song-u
Santo Estêvão Nam Chong-sam
Santo João Baptista Nam Chong-sam
São Marcos Chong Ui-bae (imagem abaixo)
Santo Aleixo U Se-yong (imagem abaixo)
Santo Lucas Hwang Sok-du
Santo Tomás Son Cha-sun
Santo Bartolomeu Jeong Mun-ho
Santo Pedro Cho Hwa-so
Santo Pedro Son Seon-ji
Santo Pedro Lee Myung-Seo
Santo José Han Jae-kwon
Santo Pedro Jeong Won-ji
Santo José Cho Yun-ho
Santo João Yi Yun-il
Santa Susana U Sur-im
Santo Tomás de Aquino Choi Yang-eop (incluído espiritualmente no grupo de testemunhas da época)
Santa Maria Ku Seong-yeol
Santa Bárbara Choe Yong-i
Santo André Kim Im-i
Santa Catarina Yi Kan-nan
Santo Alexandre Um
Santo Pedro Yu Chong-nyul
A memória litúrgica de todo o grupo é celebrada universalmente pela Igreja Católica no dia 20 de setembro (hoje).
| Santo André Kim Taegon foi o primeiro coreano a ser ordenado presbítero. Por isso que seu nome "encabeça" a lista dos Santos Mártires da Coreia. |
| Olhar para o Céu (o Paraíso), antever o Céu, amar e desejar ver a Deus face a face, para sempre, nas eternas glória e felicidade, é o que anima, encoraja e dá forças aos mártires de Cristo. |
| Bela imagem "realística" dos mártires coreanos gerada por IA. |






