Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sexta-feira, 1 de maio de 2026

SÃO JOSÉ, Patrono e Modelo de todos os trabalhadores e operários - Festa do dia 01 de Maio.


São José, modelo e patrono para
todos os trabalhadores e operários. 
Ordens e congregações religiosas, associações e uniões piedosas, sacerdotes e leigos, eruditos e ignorantes, colocaram-se sob sua proteção. Talvez nem todos saibam que o Papa São João XXIII, recentemente canonizado, ao ascender ao trono papal, cogitou a ideia de ser chamado José, tamanha era sua devoção ao santo carpinteiro de Nazaré. Nenhum pontífice jamais escolheu esse nome, que, na verdade, não pertence à tradição da Igreja, mas o "Papa bom" teria sido chamado de bom grado “José I”, se fosse possível, precisamente pela profunda veneração que sentia por este grande santo.



O grande e Santo Patriarca São José, o maior dos Santos

Grande, e ainda hoje em grande parte desconhecido. O anonimato, ao longo de toda a sua vida e após a sua morte, parece ser quase a "assinatura", a marca distintiva de São José. Como bem observou Vittorio Messori, "permanecer oculto e emergir apenas gradualmente ao longo do tempo parece fazer parte do extraordinário papel que lhe é atribuído na história da salvação".

 

O Novo Testamento não atribui uma única palavra a São José. Quando a vida pública de Jesus começou, ele provavelmente já havia desaparecido (de fato, não é mencionado no casamento em Caná), mas não sabemos nem onde nem quando morreu; não conhecemos seu túmulo, enquanto conhecemos o de Abraão, que é séculos mais antigo.

O Evangelho lhe dá o título de Justo. Na linguagem bíblica, uma pessoa "justa" é aquela que ama o espírito e a letra da Lei, como expressão da vontade de Deus.

José descendia da casa de Davi; sabemos que era um artesão que trabalhava com madeira. Ele não era nada velho, como a tradição hagiográfica e certas iconografias o apresentam, segundo o clichê do "bom e velho José" que se casou com a Virgem de Nazaré para ser o pai adotivo do Filho de Deus. Ao contrário, era um homem no auge da vida, com um coração generoso e rico em fé, sem dúvida apaixonado (obviamente, pela altíssima castidade de sua alma, não uma “paixão carnal”) por Maria. Ele ficou noivo dela segundo os costumes e tradições de sua época.

Para os judeus, o noivado era equivalente ao casamento, durava um ano e não dava origem à coabitação ou vida conjugal entre os dois; finalmente, realizava-se uma festa durante a qual a noiva era apresentada à casa do noivo, iniciando assim a vida de casada.

Se uma criança fosse concebida nesse ínterim, o noivo cobria o recém-nascido com seu nome; se a noiva fosse considerada culpada de infidelidade, podia ser denunciada ao tribunal local. O procedimento a ser seguido era vergonhoso: a adúltera era condenada à morte por apedrejamento.

Ora, no Evangelho de São Mateus, lemos que "Maria, estando prometida em casamento a José, achou-se estar grávida pelo Espírito Santo, antes de irem viver juntos. Seu marido José, sendo homem justo e não querendo expô-la à desonra, resolveu deixá-la secretamente" (Mt 18-19). Enquanto ainda estava indeciso sobre o que fazer, eis que surge o Anjo do Senhor para lhe tranquilizar: “José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria, sua esposa, pois o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você lhe dará o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1, 20-21).

José podia aceitar o plano de Deus ou não. Em toda vocação que se preze, o mistério do chamado é sempre contraposto pelo exercício da liberdade, visto que o Senhor jamais viola a intimidade de suas criaturas nem interfere em seu livre-arbítrio. José podia, então, aceitar ou não. Por amor a Deus, a Maria e ao futuro Messias – Deus feito homem - , ele aceita; nas Escrituras lemos que “ele fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa em casa” (Mateus 1,24). Ele prontamente obedeceu ao Anjo e, assim, disse sim à obra da Redenção. Portanto, quando olhamos para o “sim” de Maria, devemos também pensar no “sim” de José ao plano de Deus.

Superando toda a prudência terrena e transcendendo as convenções e costumes sociais de seu tempo, ele foi capaz de fazer triunfar o amor, mostrando-se receptivo ao mistério da Encarnação do Verbo.

Entre seus fiéis, ele é o primeiro em ordem cronológica e em grandeza: São José é, sem dúvida, o primeiro devoto de Maria. Assim que tomou conhecimento de sua missão, dedicou-se a ela com todas as suas forças. Foi esposo, guardião, discípulo, guia e amparo de Maria: tudo. (...)


O casamento de Maria e José foi verdadeiro? Esta é a pergunta que mais frequentemente surge nos lábios tanto dos estudiosos quanto dos fiéis comuns. Sabemos que o matrimônio deles foi uma coabitação conjugal vivida na virgindade (cf. Mateus 1,18-25), isto é, um casamento virginal, mas, um casamento, ainda assim, vivido na mais plena e verdadeira comunhão: "uma comunhão de vida que vai além do eros, uma relação conjugal que envolve um amor profundo, mas não orientada para o sexo e a procriação" (São José de Fiores).

Se Maria vive pela fé, José não o é menos. Se Maria é um modelo de humildade, a humildade de seu esposo também se reflete nesta. Maria amava o silêncio, José também: entre eles existia, e não poderia existir de outra forma, uma comunhão conjugal que era uma verdadeira comunhão de corações, cimentada por profundas afinidades espirituais. “O casal Maria e José constitui o ápice”, disse São João Paulo II, “de onde a santidade se espalha por toda a terra” (Redemptoris Custos, n. 7).

Ó que mistério! São José ensina
àquele que é o Criador do universo
o ofício da carpintaria. Quanta
humildade e submissão à Vontade
Divina, inacessível à mente humana.

A conjugalidade de Maria e José, na qual se prenuncia a primeira “Igreja doméstica” da história, antecipa, por assim dizer, a condição final do Reino (cf. Lucas 20,34-36; Mateus 22,30), tornando-se, assim, já na terra, uma prefiguração do Paraíso, onde Deus será tudo em todos, e onde só existirá o eterno, só a dimensão vertical da existência, enquanto o humano será transfigurado e absorvido no divino.

A sublime devoção a São José.

"Qualquer graça que for pedida a São José certamente será concedida”. “Quem quiser crer, que o faça para que se convença", argumentou Santa Teresa de Jesus (ou de Ávila). "Tomei como meu glorioso São José o meu advogado e patrono e recomendei-me fervorosamente a ele. Este meu pai e protetor ajudou-me nas necessidades em que me encontrava e em muitas outras mais graves, nas quais estavam em jogo a minha honra e a saúde da minha alma. Vi que a sua ajuda era sempre maior do que eu poderia ter esperado..." (ver capítulo VI da Autobiografia). É difícil duvidar disso, se considerarmos que, entre todos os santos, o humilde carpinteiro de Nazaré é o mais próximo de Jesus e Maria: esteve na terra, e ainda mais no céu. Porque foi o pai de Jesus, ainda que adotivo, e o esposo de Maria.

As graças que se obtêm de Deus ao recorrer a São José são verdadeiramente inumeráveis. Padroeiro universal da Igreja por vontade do Beato Papa Pio IX, também é conhecido como padroeiro dos trabalhadores, dos moribundos e das almas do purgatório, mas seu patrocínio se estende a todas as necessidades, atendendo a todos os pedidos. São João Paulo II confessou que rezava a ele diariamente. Reconhecendo sua devoção pelo povo cristão, em sua honra, em 1989, escreveu a Exortação Apostólica Redemptoris Custos, acrescentando seu nome a uma longa lista de seus predecessores devotos: Beato Pio IX, São Pio X, Pio XII, São João XXIII e São Paulo VI.



São José, o último e maior de todos os Patriarcas. 

 

Fonte:

Site: “Santi, Beati e Testemoni”.

SANTA CATARINA DE SENA (ou de Siena), Virgem terciária dominicana, mística estigmatizada e Doutora da Igreja

Ao pensar em Santa Catarina de Sena, três aspectos dessa mística em quem os planos naturais foram subvertidos vêm à mente: sua total entrega a Cristo, sua sabedoria infusa e sua coragem

Os dois símbolos que caracterizam a iconografia de Catarina são o livro e o lírio, que representam, respectivamente, a doutrina e a pureza. A insistência da iconografia antiga em símbolos doutrinais e, sobretudo, a obra-prima Diálogo da Divina Providência (também conhecida como Livro da Divina Doutrina), o excepcional Ensaio Epistolar e a coletânea de Orações foram decisivos para a proclamação de Santa Catarina como Doutora da Igreja, que ocorreu em 4 de outubro de 1970, por ordem de Paulo VI (1897-1978), sete dias após a de Santa Teresa de Ávila (1515-1582).

Catarina (do grego: mulher pura) viveu num momento histórico e numa terra, a Toscana, de grande riqueza espiritual e cultural, cujo cenário artístico e literário fora repleto de figuras como Giotto (1267-1337) e Dante (1265-1321), mas, ao mesmo tempo, dilacerado por tensões e lutas políticas fratricidas, onde a discórdia entre guelfos e gibelinos prevalecia.

Vida:

Ela nasceu em Siena, no bairro de Fontebranda (atual Nobile Contrada dell'Oca), em 25 de março de 1347: era a vigésima quarta dos vinte e cinco filhos de Jacopo Benincasa, um tintureiro, e Lapa di Puccio de' Piacenti. Giovanna era sua irmã gêmea, mas morreu ainda bebê. A família Benincasa, um patronímico, ainda não um sobrenome, pertencia à classe média baixa. Ela tinha apenas seis anos quando Jesus lhe apareceu, vestido majestosamente como o Sumo Pontífice, com três coroas na cabeça e um manto vermelho, ao lado do qual estavam os Santos Pedro, João e Paulo. O Papa estava em Avignon na época, e o cristianismo estava ameaçado por movimentos heréticos.


Aos sete anos, ela já havia feito voto de virgindade. Oração, penitência e jejum agora pontuavam seus dias, não deixando espaço para brincadeiras. Seu primeiro biógrafo, o Beato Raimundo de Cápua (1330-1399), fala de sua precoce vocação na Legenda Maior. Ele foi confessor de Santa Catarina e tornou-se superior geral da Ordem Dominicana. Nessas páginas, aprendemos como a mística sienense empreendeu, desde a infância, o caminho da perfeição cristã: reduziu a alimentação e o sono; aboliu a carne; comia ervas cruas e algumas frutas; usava cilício...

Foi aos Dominicanos que a jovem Catarina, aspirando a ganhar almas para Cristo, se voltou para atender ao chamado urgente. Mas, antes de realizar sua aspiração, teve que vencer a forte resistência de seus pais, que queriam casá-la. Ela tinha apenas 12 anos, mas reagiu com firmeza: cortou os cabelos, cobriu a cabeça com um véu e se isolou em casa. Um dia, seu pai presenciou um evento decisivo: viu uma pomba pairando sobre a filha em oração. Em 1363, vestiu o hábito do mantelato (uma capa preta sobre o hábito branco dos Dominicanos); uma escolha incomum para a ordem laica, composta principalmente por mulheres maduras ou viúvas que continuavam a viver no mundo, mas faziam votos de obediência, pobreza e castidade.

Santa Catarina, perante sua mãe, faz voto a Deus de virgindade perpétua com apenas
7 anos. Aos doze anos (vide imagem acima), corta seus cabelos e reveste-se
com o hábito das "mantelatas", como sinal de sua consagração. 


Catarina estudava as leituras sagradas, apesar de ser analfabeta: recebeu do Senhor o dom da leitura e também aprendeu a escrever, mas, mesmo assim, frequentemente utilizava o método do ditado.

No final do Carnaval de 1367, ocorreu o casamento místico: de Jesus, ela recebeu um anel adornado com rubis. Entre Cristo, o amado acima de tudo, e Catarina, estabeleceu-se uma relação de intimidade muito especial e intensa comunhão, a ponto de culminar numa troca física de corações. Cristo, agora e em todos os sentidos, vivia nela (Gl 2,20).

Ela iniciou sua intensa obra de caridade em favor dos pobres, dos doentes e dos presos, e, enquanto isso, sofria indizivelmente pelo mundo, que estava à mercê da desintegração e do pecado; A Europa estava assolada por pestes, fomes e guerras: "A França presa da guerra civil; a Itália invadida por companhias mercenárias e dilacerada por conflitos internos; o reino de Nápoles subjugado pela inconstância e luxúria da rainha Joana; Jerusalém nas mãos dos infiéis, e os turcos avançando na Anatólia enquanto os cristãos guerreavam entre si" (F. Cardini, I santi nella storia, San Paolo, Cinisello Balsamo -MI-, 2006, Vol. IV, p. 120). Fome, doença, corrupção, sofrimento, opressão, injustiça…

As cartas

As cartas que a mística ousa escrever ao Papa em nome de Deus são verdadeiros fluxos de lava, documentos de uma realidade que envolve o céu e a terra. O estilo, inteiramente catarinense, brota de dentro, de uma necessidade interior: ele traz a realidade contingente para o divino, imergindo, com uma força iridescente e irresistível de amor, homens e circunstâncias no reino sobrenatural. Assim, suas epístolas são uma mistura de prosa e poesia, onde os apelos às autoridades, tanto religiosas quanto civis, são firmes e intransigentes, porém imbuídos de um sentimento maternal: "Uma mulher delicada, essa gigante de vontade; uma filha e irmã doce, essa severa admoestante de Papas e reis; as repreensões e ameaças que ela ousa lançar são imbuídas de afeto inabalável" (G. Papàsogli, Caterina da Siena, Fabbri Editori RCS, Milão 2001, p. 201). Ela usa expressões estrondosas, clamando por virilidade nas escolhas e ações, mas também pode ser terna, como só um espírito feminino pode revelar.

A poesia da mulher que escreve ao Papa: "Ai, padre, estou morrendo de tristeza e não consigo morrer", é composta de sublimes alturas e deslumbrantes iluminações divinas. Contudo, ao mesmo tempo, sabendo o que é o pecado e para onde ele leva, ela toca abismos de náusea indizível, pois Catarina mergulha seu pensamento na tinta da realidade como um todo, feita de bem e mal, anjos e demônios, natureza e o sobrenatural, onde o contingente encontra e se confronta com o Eterno.


Pela causa de Cristo.

Uma próspera "família espiritual", composta por sociedades e sociedades religiosas, confessores e secretários, vive em torno desta mãe que instiga, apoia, convida, com força e incansavelmente, à Causa de Cristo, chegando a pressionar, como pacificadora, famílias importantes como os Tolomei, os Malavolti, os Salimbeni, os Bernabò Visconti...

Santa taumaturga e grande mística:

Lutas com o demônio, levitações, êxtases, bilocações, conversas com Cristo, o desejo de se fundir com Ele e a primeira morte do amor puro, quando o amor teve a força da morte e sua alma se libertou da carne... por um breve período de tempo.

Como outros santos, ela recebeu os estigmas (1375). O milagre da cura do capelão do hospital de Siena é famoso: com uma exortação para se levantar, o sacerdote foi instantaneamente curado! 


Uma Santa Católica, Apostólica e Romana...

Os temas em que Catarina se concentrou foram: a pacificação da Itália, a necessidade da Cruzada, o retorno da sede papal a Roma e a reforma da Igreja. Após a peste em Siena, durante a qual continuou a prestar-lhe cuidados atenciosos, em 1 de abril de 1375, na igreja de Santa Cristina, recebeu os estigmas incruentos. 

Nesse mesmo ano, tentou dissuadir os líderes das cidades de Pisa e Lucca de aderirem à Liga Antipapal promovida por Florença, que se opunha aos legados papais, os quais deveriam estar a preparar o regresso do Papa a Roma. No ano seguinte, partiu para Avignon, onde chegou em 18 de junho para se encontrar com Gregório XI (1330-1378), que, persuadido pela intrépida Catarina, retornou à cidade de São Pedro em 17 de janeiro de 1377. No ano seguinte, o Pontífice faleceu e foi sucedido por Urbano VI (1318-1389), mas parte do colégio de cardeais preferiu Roberto de Genebra, que adotou o nome de Clemente VII (1342-1394, antipapa), dando origem ao grande Cisma do Ocidente, que durou quarenta anos e foi resolvido no Concílio de Constança (1414-1418) com a renúncia de Gregório XII (1326-1417), que anteriormente havia legitimado o próprio Concílio, e a eleição de Martinho V (1368-1431), bem como com as excomunhões dos antipapas de Avignon. (Bento XIII, 1328–1423) e Pisa (João XXIII, 1370–1419).


Na audiência geral de 24 de novembro de 2010, Bento XVI afirmou, referindo-se especificamente a Santa Catarina: "O século em que ela viveu – o século XIV – foi uma época conturbada para a vida da Igreja e para todo o tecido social na Itália e na Europa. No entanto, mesmo nos momentos de maior dificuldade, o Senhor não deixa de abençoar o seu povo, suscitando santos que comovem mentes e corações, promovendo a conversão e a renovação."

Amando Jesus ("Ó Louco de amor!"), a quem ela descreve como uma ponte entre o Céu e a Terra, Catarina amava os sacerdotes porque eles eram dispensadores, através dos Sacramentos e da Palavra, do poder salvador. A alma daquela que iniciou suas ardentes e vivificantes cartas com "Eu, Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo, escrevo-vos em seu precioso sangue", alcançou a bem-aventurança eterna em 29 de abril de 1380, aos 33 anos, a mesma idade de Cristo, em quem se perdeu para reencontrar sua essência autêntica.


Patrona e Co-Patrona de muitas "causas"...

Ela foi proclamada Doutora da Igreja e é co-padroeira da Europa, Itália e Roma. Padroeira de Siena, do Centro Italiano de Mulheres (Cif) e das Enfermeiras Voluntárias da Cruz Vermelha Italiana, ela é a protetora dos jovens em idade de casar, estudantes, escoteiros, lavadeiras, mensageiros, ciclistas, costureiras, enfermeiras, enfermos e hospitais.




 

Cabeça de Santa Catarina de Sena, 
milagrosamente ainda bem preservada.
Naqueles tempos, era muito comum que
"pedaços" e até membros inteiros de 
Santos e Santas fossem cortados e mandados
para outras igrejas, conventos de sua Ordem
ou santuários. Assim aconteceu com: Santa
Teresa de Jesus (de Ávila), São João da Cruz,
São Francisco Xavier e outros... 



Fonte

site: Santiebeati.it

 

 

 

 



quinta-feira, 30 de abril de 2026

SÃO PIO V, PAPA - 30 de abril

Sua Vida

Entre as maiores glórias do Piemonte destaca-se o grande pontífice São Pio V, nascido Antonio Michele Ghisleri em Bosco Marengo (Alessandria), onde nasceu em 27 de janeiro de 1504, em uma família nobre.

Para sobreviver, trabalhou como pastor até que, aos quatorze anos, ingressou na Ordem Dominicana de Voghera. Em 1519, professou os votos solenes em Vigevano, completou seus estudos na Universidade de Bolonha e, em 1528, foi ordenado sacerdote em Gênova.

Durante dezesseis anos, lecionou filosofia e teologia e, posteriormente, serviu como prior dos conventos de Vigevano e Alba, sendo rigoroso em suas observâncias religiosas, tanto consigo mesmo quanto com seus irmãos.

Mais tarde, nomeado inquisidor em Como, empregou todas as suas forças para impedir a introdução secreta das doutrinas protestantes na Lombardia. Seu vigor e inteligência logo atraíram a atenção do Cardeal Giampietro Carata, que lhe garantiu a nomeação como Comissário Geral do Santo Ofício. Quando se tornou Papa Paulo IV, elegeu Ghisleri primeiro Bispo de Sutri e Nepi, e depois Cardeal em 1557, com a função de Inquisidor Geral de toda a Cristandade.

Após a eleição de Pio IV em 1560, o Cardeal Ghisleri foi nomeado bispo de Mondovì, mas logo teve que retornar a Roma para lidar com oito bispos franceses acusados ​​de heresia.

Ele não tinha relações particularmente cordiais com o novo papa, cujas visões mundanas e nepotistas ele desaprovava amargamente. Após a morte deste, o próprio Ghisleri foi chamado para sucedê-lo, por sugestão de São Carlos Borromeu, sobrinho do falecido Papa. No dia de sua coroação, em vez de o povo atirar moedas, como era costume, o novo Pio V optou por fornecer assistência domiciliar a muitos dos necessitados de Roma. Mesmo como Papa, ele continuou a usar o hábito dominicano branco, a descansar em um colchão de palha e a comer legumes e frutas, dedicando todo o seu dia ao trabalho e à oração.

Ele imediatamente conquistou a admiração e o respeito de todos por sua piedade, austeridade e amor à justiça. Os cardeais, acreditando ser apropriado ter um sobrinho do Papa no Colégio dos Príncipes da Igreja, persuadiram o pontífice a conferir a púrpura ao dominicano Michele Bonelli, filho de sua irmã, para auxiliá-lo na condução de seus assuntos. Ele concedeu a entrada do filho de seu irmão na milícia Papal, mas o expulsou do território do Estado assim que soube que ele estava envolvido em relações ilícitas.

Também reprimiu impiedosamente os abusos na corte papal, reduzindo pela metade o número desnecessário de pessoas para alimentar e nomeando uma comissão especial para supervisionar a cultura e os costumes do clero, que na época deixavam muito a desejar.

fNa implementação das disposições do Concílio de Trento, foi auxiliado por Monsenhor Niccolò Ornamelo, anteriormente braço direito de San Carlo, em Milão. Os padres foram proibidos de praticar simonia, espetáculos, jogos, banquetes públicos e frequentar tabernas. Os bispos eram obrigados a se submeter a um exame preliminar para verificar sua idoneidade, residência, sob pena de perda do título, fundação de seminários e criação das chamadas Confrarias do Catequese.

Na Cúria, Pio V organizou a Penitenciária, criou a Congregação do Índice para o exame de livros contrários à fé, assistia pessoalmente às sessões da Inquisição e, por vezes, concedia audiências ao povo por até dez horas seguidas.

Sua maior preocupação era com os pobres, a quem ouvia pacientemente e até mesmo confortava com auxílio financeiro. O Papa se alegrava em poder participar de manifestações públicas de fé, apesar do sofrimento causado por cálculos renais, visitar hospitais, cuidar pessoalmente dos doentes e exortá-los à resignação.

Sugeriu que os Irmãos de São João de Deus abrissem um novo hospício em Roma. Durante a fome de 1566 e as epidemias subsequentes, distribuiu somas consideráveis ​​aos necessitados e organizou serviços de saúde. Para arrecadar as enormes quantias necessárias, tomou medidas para eliminar quaisquer despesas desnecessárias, chegando a mandar adaptar as vestes de seus antecessores à sua estatura.

Apesar de seu estilo de vida austero, o papa conseguiu prevalecer sobre seus adversários e inspirar os demais prelados e dignitários da Cúria Romana a um maior espírito de devoção e penitência.

Para garantir a uniformidade do ensinamento, em conformidade com as diretrizes do Concílio de Trento, que exigia um texto claro e abrangente da doutrina cristã, Pio V confiou sua redação a três dominicanos e o publicou em 1566.

No ano seguinte, proclamou Santo Tomás de Aquino "Doutor da Igreja", exigindo que as universidades estudassem a Suma Teológica e publicando uma edição completa e precisa de todas as obras teológicas do santo em 1570.

No campo litúrgico, a visão de futuro deste pontífice se deve à publicação do novo Breviário e do novo Missal, ou seja, o famoso rito da Missa ainda hoje conhecido pelo nome de São Pio V.

No campo da música, nomeou também Palestrina como mestre de coro da capela papal. Seu mérito também foi promover a atividade missionária enviando religiosos às Índias Orientais e Ocidentais e insistindo para que os espanhóis não escandalizassem os nativos em suas colônias.

Para combater a imoralidade desenfreada entre o povo romano, o pontífice puniu a mendicância e a blasfêmia, proibiu as touradas e as celebrações do Carnaval e expulsou diversas cortesãs de Roma.

Para proteger os católicos da usura judaica, ele favoreceu os chamados Monti di Pietà, relegando os judeus a bairros especiais da cidade. Embora não tivesse aptidão particular para a administração pública, não negligenciou o bem-estar de seus súditos, construindo novas estradas e aquedutos, promovendo a agricultura por meio da recuperação de terras, modernizando fortalezas defensivas e dedicando especial atenção aos hospitais.



Paralelamente à administração pública, Pio V trabalhou vigorosamente para defender a pureza da fé. Durante seu pontificado, Antonio Paleario e Pietro Carnesecchi, ex-protonatórios apostólicos, sofreram a pena máxima por terem se convertido ao protestantismo, e os Umiliati foram reprimidos por se oporem às reformas de Borromeu em Milão.

Ele também excomungou e "depôs" a Rainha Elizabeth I da Inglaterra, culpada pela morte de sua prima Maria Stuart e, assim, pelo agravamento da opressão aos católicos ingleses. Enviou Gian Francesco Commendone à Alemanha como legado papal, numa tentativa de impedir que o Imperador Maximiliano II escapasse à jurisdição da Santa Sé. Enviou suas próprias tropas à França para combater os huguenotes, que eram tolerados pela Rainha Catarina de Médici.

Pio V instou o rei espanhol Filipe II a reprimir o fanatismo anabatista nos Países Baixos. Michael Baio, professor da Universidade de Lovaina e precursor do jansenismo, mereceu condenação por suas teses heréticas. São Pedro Canísio, a pedido do papa, refutou os Séculos de Magdeburgo, a primeira história eclesiástica tendenciosa compilada por protestantes.

Mas o episódio mais famoso da vida deste grande pontífice, o único piemontês a ter sido elevado ao trono de Pedro em dois mil anos de cristianismo, é sem dúvida a sua intervenção na Batalha de Lepanto. Para afastar a ameaça perpétua que os turcos representavam para o mundo cristão, o santo papa trabalhou tenazmente para organizar uma liga de príncipes, particularmente após a captura de Famagusta, heroicamente defendida pelo veneziano Marcantonio Bragadin em 1571, que, após a rendição, foi esfolado vivo.

Às frotas papais juntaram-se as frotas espanhola e veneziana, sob o comando supremo de Dom João da Áustria, filho natural do imperador Carlos V. O fatídico confronto com os turcos, então no auge do seu poder, ocorreu a 7 de outubro de 1571, no Golfo de Lepanto, durando do meio-dia às cinco da tarde, e terminando com uma vitória cristã.

Ao mesmo tempo, Pio V, ocupado com outros deveres, apareceu subitamente à janela, permaneceu em êxtase por alguns instantes, olhando para o leste, e finalmente exclamou: "Deixemos de nos preocupar com os negócios. Vamos agradecer a Deus pela vitória da frota veneziana."



Em comemoração ao feliz acontecimento que mudou o curso da história, foi instituída a festa litúrgica do Santo Rosário em 7 de outubro, oração à qual o Papa mais tarde atribuiria a vitória. O Senado veneziano, de fato, mandou pintar a cena da batalha no salão da assembleia com a inscrição: "Não foi a força, nem as armas, nem os comandantes, mas o Rosário de Maria que nos tornou vitoriosos!"

Contudo, Pio V estava então debilitado por uma doença, a hipertrofia prostática, para a qual, por pudor, preferiu não se submeter à cirurgia. Reunindo os cardeais ao redor de seu leito de morte, dirigiu-lhes estas recomendações: "Recomendo a vocês a Santa Igreja, que tanto amei! Busquem eleger para mim um sucessor zeloso, que busque somente a glória do Senhor, que não tenha outros interesses aqui na Terra senão a honra da Sé Apostólica e o bem da Cristandade."

Assim, faleceu em 1º de maio de 1572. Seus restos mortais repousam até hoje na Basílica Patriarcal de Santa Maria Maior, em Roma. O Papa Clemente X beatificou seu predecessor cem anos depois, em 27 de abril de 1672, e somente Clemente XI o canonizou em 22 de maio de 1712.


Urna com os restos mortais (cobertos por estátua jacente) do grande Papa São Pio V. 


terça-feira, 21 de abril de 2026

SANTA INÊS DE MONTEPULCIANO, Virgem da Ordem de São Domingos, Abadessa e grande mística - 20 de abril.


O que sabemos sobre a vida excepcional desta santa dominicana provém do que o Beato Raimundo de Cápua, OP, escreveu sobre ela quando era confessor (1365) no mosteiro onde Inês faleceu.

Ela nasceu por volta de 1268 em Gracciano Vecchio, perto de Montepulciano (Siena), filha de pais abastados. Logo após o parto, sua mãe, Francesca Segni, por algumas horas, muitas velas acesas apareceram misteriosamente no quarto.

A menina cresceu com uma extraordinária inclinação para a oração, que logo a levou a desejar uma vida enclausurada. De fato, aos nove anos, ingressou, em Montepulciano, numa comunidade de virgens chamada "Freiras Sacco" porque usavam um escapulário de tecido rústico.

Entre elas, destacou-se imediatamente por sua piedade sob a orientação da mestra de noviças, Irmã Margherita. A partir desse momento, o Senhor a agraciou com carismas extraordinários.

Em sua união ininterrupta com Deus, foi vista suspensa no ar diversas vezes. Certo dia, meditando sobre a Paixão de Jesus, foi tomada por um amor tão ardente que abraçou o crucifixo no altar.

 Guiada pelo Espírito Santo, Inês cresceu sábia e obediente. Aos quatorze anos, a priora confiou-lhe o ofício de administradora. A tarefa não a distraiu em nada da oração e da contemplação.

Nessa época, a Virgem Maria lhe apareceu e lhe deu três pedras, dizendo: "Minha filha, antes de morrer, construirás um mosteiro em minha honra. Toma estas três pedras e lembra-te de que a tua construção deve ser alicerçada na fé constante e na confissão da Santíssima e indivisível Trindade."

Ao ouvirem falar dos milagres que Deus operava por meio de Inês, os habitantes de Proceno (Viterbo) pediram às freiras que fundassem um mosteiro entre eles.

A tarefa foi confiada à Irmã Margherita, que a aceitou com a condição de ter Inês como companheira. O povo de Proceno estava tão entusiasmado com as extraordinárias virtudes da santa que, com a dispensa de Martinho IV, a elegeram superiora do mosteiro, embora ela tivesse apenas quinze anos.

Às freiras e jovens que se reuniam ao seu redor, ela era um exemplo de extraordinária mortificação. Era inexplicável como conseguia sobreviver subsistindo habitualmente apenas com pão e água e dormindo no chão, com uma pedra sob a cabeça.

Estava tão consumida pelo desejo de orar incessantemente que gritava alto sempre que uma freira se aproximava dela desnecessariamente durante a oração.

Deus frequentemente espalhava flores ao redor do lugar onde ela se ajoelhava para orar e cobria seu manto com maná, dividido em muitos grãos em forma de cruz. No mesmo dia em que o bispo veio abençoar seu véu e empossá-la como abadessa, o maná caiu em extraordinária abundância sobre ele, sobre os sacerdotes que a acompanhavam e sobre a mesa do altar. Maravilhados, todos o recolheram em punhados e notaram com surpresa que cada grão tinha a forma de uma cruz.

De tempos em tempos, Inês ia sozinha rezar no jardim, junto a uma oliveira. Para que a doçura de sua conversa com Ele não fosse interrompida, o Senhor enviou-lhe um anjo durante dez domingos consecutivos para comunicar-Lhe o maná.

Em outras ocasiões, o mensageiro celestial trouxe-lhe um punhado de terra retirado do lugar onde o Filho de Deus havia derramado seu sangue e um fragmento da bacia em que Nossa Senhora lavava o Menino Jesus todas as manhãs.

Certo dia, Inês desejou ardentemente ver o Senhor. Na noite da Assunção, a Virgem Maria apareceu-lhe segurando seu divino Filho nos braços e deu-lhe a Ele para beijar. Quando lhe pediu o Filho para poder retornar ao Céu, Inês recusou-se a devolvê-lo. Contudo, prevendo que não sairia vitoriosa daquela disputa, ela agarrou uma pequena cruz que o Menino Jesus usava ao redor do pescoço e a arrancou dele.

Privada daquela visão, Inês sentiu uma dor tão profunda no coração que, soltando gritos altos, caiu no chão, quase inconsciente. A pequena cruz ainda existe e é mostrada às pessoas junto com as outras relíquias no aniversário da morte da santa.

Inês recebeu de Deus o dom dos milagres. Quase tudo o que ela tocava para distribuir às freiras frequentemente aumentava ou melhorava. Ela repetidamente aumentava a quantidade de comida e o dinheiro necessário para pagar os construtores.

Certo dia, faltou pão. Na hora do jantar, Inês ainda queria sentar-se à mesa com as outras freiras. Depois de elogiar a paciência delas, meditou, ergueu os olhos e as mãos para o céu como se acolhesse algo divino e apresentou-lhes, na presença de todas, um pão fresco, ainda com as cinzas do forno.

À medida que a notícia desses muitos milagres se espalhava, dois monges camaldulenses desceram de seus eremitérios no inverno para visitá-la. Após uma longa conversa sobre a vida espiritual, Inês os convidou a sentar-se à mesa e a se alimentar das esmolas dadas ao mosteiro por benfeitores piedosos. Enquanto continuavam a conversar sobre Deus entre uma garfada e outra, uma rosa fresca apareceu de repente em um prato. Para surpresa dos dois eremitas, a santa exclamou: "O Senhor quis enviar esta flor de verão para mostrar o quanto as vossas palavras aqueceram o meu espírito definhado com o fogo da caridade."

Inês permaneceu em Proceno por cerca de vinte anos, mas devido às penitências que praticava constantemente, contraiu uma grave doença da qual nunca se recuperou. A pedido dos seus médicos e superiores, foi obrigada a moderar as suas austeridades.

Os seus súditos aproveitaram a situação para lhe preparar um delicioso prato de carne. Sentindo uma aversão irreconciliável a essa mudança abrupta de alimento, Inês suplicou ao Senhor que o transformasse em peixe, e Ele atendeu imediatamente à sua prece. Os habitantes de Montepulciano, maravilhados com as maravilhas que ouviram falar da sua concidadã, foram implorar-lhe que regressasse ao seu convívio e fundaram um mosteiro.

Recordando as pedras que recebera em visão, Inês aceitou o convite e, com a permissão de Ildebrandino, bispo de Arezzo (1306), concedida a Frei Bonaventura Buonaccorsi da Pistola, prior dos Servos de Maria em Montepulciano, ergueu o mosteiro de Santa Maria Novella em meio a grandes privações, primeiro sob a regra de Santo Agostinho e depois de São Domingos.


Em Montepulciano, a saúde de Inês deteriorou-se. Durante nove domingos consecutivos, um anjo a conduziu em visão sob uma oliveira no jardim e lhe deu para beber o cálice amargo da Paixão de Jesus, indicando que ela alcançaria a bem-aventurança através de muito sofrimento.

A pedido de seus superiores, Inês foi às águas de Chianciano. Deus recompensou sua obediência com muitos milagres. De fato, imediatamente após sua chegada, uma forte chuva de maná começou a cair do céu, cobrindo o balneário. Onde a santa se imergiu, uma nova fonte de água morna jorrou, restaurando a saúde dos enfermos que nela se banhavam. Durante seu tratamento, quando o vinho acabou, Inês, cheia de compaixão por seus hóspedes, transformou a água que tirou da fonte em um vinho requintado com o sinal da cruz.

Uma menina, enquanto cortava pão de joelhos, cortou-se até o osso com uma faca. Inês foi mergulhá-la na fonte que milagrosamente brotara alguns dias antes e a trouxe curada. Uma criança, deixada sem vigilância, entrou na água e se afogou. Inês a levou para um canto, prostrou-se em oração diante dela, traçou o sinal da cruz sobre seu corpo e a devolveu, viva como sempre, à sua mãe desolada.

Apesar da fama de tantos milagres, um dia, ao entrar na cela da prisão, alguns jovens zombaram de Inês. Ela conteve a ira dos que a acompanhavam e, retornando à hospitaleira casa, pegou algumas galinhas, trazidas do mosteiro para sua saúde, torceu-lhes o pescoço e as levou aos jovens insolentes. Estes, conquistados por sua amável cortesia, foram pedir desculpas pelas provocações, de joelhos e com os cintos em volta do pescoço. A santa os convidou educadamente a se levantarem e protestou que se sentia profundamente grata a eles porque, ao testarem sua paciência, lhe haviam dado a oportunidade de se beneficiar espiritualmente.

Apesar do tratamento, Inês retornou a Montepulciano ainda mais doente. Apesar disso, ela continuou a impulsionar suas freiras à perfeição por meio do exemplo e da exortação. Além disso, suas filhas espirituais tinham o cuidado de não cometer nenhum pecado, sabendo, por experiência, que sua superiora também possuía o dom da sondagem dos corações e da profecia.

Um dia, enquanto rezava com elas diante de uma imagem da Virgem pela paz de Montepulciano, ela viu subitamente o rosto da Virgem se contrair em angústia, gotas de suor escorrendo e uma respiração curta e ofegante. A santa compreendeu que, por causa dos pecados de muitos, a cidade seria devastada pela guerra. De fato, na primeira metade do século XIV, os irmãos Jacopo e Nicolò Della Pecora partiram para libertar Montepulciano do domínio sienense, mas, sem sucesso, apesar da ajuda de Perugia e Florença.

Exausta de tanto trabalhar, Inês deitou-se na cama e preparou-se para a morte. Disse às freiras que choravam: "Se realmente me amassem, não chorariam assim; os amigos se alegram quando coisas boas acontecem aos seus amigos. O maior bem que pode me acontecer é ir para junto do meu marido. Sejam fiéis a um marido tão bom! Perseverem sempre na obediência, e prometo ser-lhes mais útil no céu do que se permanecesse entre vocês."

Pouco depois, ergueu os olhos e as mãos para o céu e disse, sorrindo: "Meu amado me pertence; nunca mais o abandonarei!" Inês morreu em 20 de abril de 1317, à meia-noite, e apareceu a muitos em vários lugares.

Seu corpo, sepultado na igreja do mosteiro, que passou a ser chamada de Santa Inês, exalava uma fragrância deliciosa e curava muitos enfermos. Os Poliziani, em vez de sepultarem seu corpo, enviaram pessoas de confiança a Gênova para comprar unguentos, a qualquer custo, para ungir o corpo da virgem e preservá-lo incorrupto pelo maior tempo possível. Assim que partiram, as pontas dos dedos de Inês começaram a gotejar gotas espessas e abundantes de um licor precioso, cujo contato curava cegos, coxos e aleijados.

Santa Inês foi canonizada em 10 de dezembro de 1726 por Bento XIII. Seu corpo permaneceu incorrupto.

Em 1374, Deus revelou a Santa Catarina de Siena que no céu ela desfrutaria de uma glória igual à de Inês de Montepulciano. Ela então sentiu o desejo de ir venerar suas relíquias, mas, ao se inclinar para beijar seus pés, Inês levou o pé direito aos lábios e repetiu o milagre do maná.



Corpo incorrupto de Santa Inês de Montepulciano. Incrível o estado de seu corpo, 
após séculos de sua morte em 1317. 


Detalhe da face de seu corpo intacto.