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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

SÃO PEDRO CLAVER, Presbítero e Missionário Jesuíta, Apóstolo dos Africanos Escravizados - memória em 09 de setembro.

 Verdu, Espanha, 25 de junho de 1580 - Cartagena, Colômbia, 8 de setembro de 1654.


Nascido em Verdù, a poucos quilômetros de Barcelona, ​​em 25 de junho de 1580, Pedro Claver ingressou na Companhia de Jesus após fazer seus primeiros votos em 1604. 

Entre 1605 e 1608, estudou filosofia em Palma de Maiorca e foi ordenado sacerdote em Cartagena, Colômbia, em 1616. 

Tendo se tornado missionário, prestou assistência pastoral a escravos negros deportados da África. 

Milhares de escravos, quase todos jovens, morreram ali, mas envelheciam e morriam precocemente de exaustão, maus-tratos e abandono quando ficavam incapacitados. 

Em particular, fez voto de "ser sempre escravo dos etíopes" (na época, todos os negros eram chamados de "etíopes") e, para compreender seus problemas, aprendeu também a língua angolana. 

Tendo contraído a peste, chegou a suportar os maus-tratos de sua ama, que era negra. Tendo falecido aos 74 anos e sido canonizado em 1888 juntamente com Afonso Rodriguez, seu irmão jesuíta e amigo, foi proclamado patrono das missões católicas na África pelo Papa Leão XIII.


1º RELATO HAGIOLÓGICO: 

Nas Américas (do Norte, Central e Latina) há muitas pessoas "afro-descendentes" (ou de raça "negra" ou "mulata"). Essas pessoas são descendentes de africanos que foram deportados à força séculos atrás: suas aldeias devastadas, idosos e crianças mortos, mulheres e homens embarcados em navios, acorrentados, amontoados como gado, açoitados e transportados em condições desumanas para a América para serem vendidos como escravos. 

Eles eram usados ​​para trabalhar nas vastas extensões de plantações de algodão, tabaco e cana-de-açúcar ou como empregados domésticos. Um padre espanhol dedicou toda a sua vida a essas almas desafortunadas. "Sempre um escravo dos negros" era o lema de Pedro Claver: prova de sua devoção a um povo inocente, vítima do tráfico de escravos.

Nascido em Verdù, Catalunha, Espanha, em 1580, em uma família modesta e religiosa, como jovem noviço ingressou na Companhia de Jesus. Em 1604, fez seus votos monásticos, concluindo seus estudos em Palma de Maiorca, Espanha. 

Nessa cidade, conheceu Afonso Rodríguez, um humilde irmão jesuíta (não era sacerdote) que trabalhava como porteiro. A amizade entre eles foi crucial, pois o ajudou a perceber sua vocação missionária. De fato, foi Afonso quem aconselhou o tímido e inseguro jovem Pedro a ser enviado às colônias americanas. Pedro foi ordenado sacerdote em 1616 em Cartagena, Colômbia, onde iniciou sua missão na América do Sul. Dedicou-se a aliviar o sofrimento dos escravos desembarcados dos navios negreiros e submetidos a brutais atrocidades nas mãos de seus senhores impiedosos.

O Padre Claver os ajudava, batizava e compartilhava com eles as terríveis condições em que eram forçados a viver. Devido à sua veemente defesa dos pobres e desamparados, enfrentou oposição e calúnias dos ricos e poderosos traficantes de escravos, que o acusavam de dar a Eucaristia àqueles que, em sua opinião, eram indignos de recebê-la. 

A essas acusações, Pedro Claver respondia que eles eram dignos aos olhos do Senhor. Auxiliado por grupos de leigos e religiosos, o Padre Claver continuou seu trabalho evangelizador por quarenta anos. Ele visitava prisões, levando conforto aos detentos. 

Nos hospitais, cuidava até dos mais gravemente enfermos, tanto brancos quanto negros, auxiliando-os, confortando-os e fazendo o possível para aliviar sua dor. Faleceu em 1654, em Cartagena, aos 74 anos. É o santo padroeiro das missões católicas na África.


2º RELATO HAGIOLÓGICO: 

Aethiopum semper servus (servo dos "etíopes" para sempre): em sua época, todos os negros eram chamados de "etíopes". E ele, intitulando-se "semper servus", prometeu viver somente por eles. Ou seja, pelos negros da África, trazidos como escravos para a América do Sul. 

Esse foi o programa que Pedro Claver estabeleceu para si mesmo em abril de 1622, em Cartagena (Nova Granada, mais tarde chamada Colômbia), quando fez sua "profissão perpétua", o ato que marcou para sempre sua plena entrada na Companhia de Jesus. 

Nascido perto de Barcelona, ​​ingressou no colégio jesuíta ainda menino. Estudou humanidades na universidade administrada por eles na capital catalã, fazendo seus primeiros votos em 1604.

De 1605 a 1608, estudou filosofia em Palma de Maiorca. E ali contou com a ajuda das "aulas" do porteiro Afonso Rodríguez: um comerciante de Segóvia que, tendo perdido a família, ofereceu-se de bom grado para servir como irmão leigo jesuíta (isto é, não era sacerdote) humildemente no colégio jesuíta. Mas, com o tempo, seu pequeno quarto se transformou em outra sala de aula, e ele se tornou um mestre da espiritualidade, consultado por homens sábios e poderosos, e especialmente por jovens estudantes como Pedro Claver. Ele deixou aquela guarita com um propósito definido.

Iniciou seus estudos teológicos em Barcelona e os concluiu em Cartagena, Colômbia (onde se tornou sacerdote em 1616). 

Milhares de escravos negros desembarcaram ali, quase todos jovens; porém, envelheciam e morriam precocemente de cansaço e maus-tratos, e também por abandono quando ficavam incapacitados. 

Entre essa humanidade, a Companhia de Jesus enviou seus missionários. Unindo-se a eles, Pedro Claver descobriu o mundo do sofrimento e do desespero; discerniu a vontade de Deus, que o porteiro maiorquino o ensinara a buscar: Deus queria que ele servisse aos escravos com todas as suas forças, todos os dias de sua vida.

Assim, ele se viu vivenciando o sofrimento deles e combatendo-o. Permanecia com eles para alimentá-los e cuidar deles, imperturbável e eficiente, mesmo nas situações mais repugnantes. 

A essas pessoas que nada tinham, que nada eram (tratadas como "mercadorias" ou como "animais"), ele ofereceu respeito e ajuda. 

Ele se esforça para despertar em cada um o senso de dignidade, sem o qual não poderia falar de Deus e de seu amor. Aprende o idioma angolano, falado por muitos deles, e forma uma equipe de intérpretes para outros idiomas. 

Graças ao seu modo de ser: sua bondade, carinho, dedicação, doação de vida e coração fraterno e paterno com aqueles homens e mulheres infelizes, arrancados de sua terra para serem tratados de forma desumana e cruel em fazendas, por "senhores" de escravos, conquistava rapidamente o respeito, a admiração e a confiança deles. Sem serem obrigados a isso, pelo simples fato de verem e sentirem em Padre Pedro Claver a presença de Deus (que antes não conheciam, mas que praticamente todo coração humano — exceto se for uma pessoa com personalidade doentia e deturpada — busca no fundo de sua alma), pediam-lhe o santo batismo e o tinham não apenas como um "amigo", mas como pai espiritual. 

Finalmente, chega para o santo missionário e apóstolo dos escravos o momento de receber a recompensa e a coroa de glória que Deus já lhe reservara: adoece gravemente, talvez com a peste. Sobrevive, mas sem forças, arrastando-se como um velho escravo. 

"Ironicamente", justamente aquele que dedicara 40 anos de sua vida a ser um verdadeiro pai para aqueles homens e mulheres escravizados, no fim de sua vida, tem de suportar os maus-tratos de seu cuidador: um homem negro.

Mesmo nessas coisas, a vontade de Deus precisa ser discernida. Morreu aos 74 anos e foi canonizado em 1888, juntamente com Afonso Rodríguez, seu irmão da Companhia de Jesus, o porteiro de Maiorca.


Fonte:

Site para consulta: "Santi, Beati e Testimoni".

(com várias correções e "enxertos" no texto feitos por mim, criador do presente site). 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

NATIVIDADE DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA - FESTA em 8 de setembro.



Parabéns a Você (em honra da Virgem Maria): 

Parabéns pra você 

Nesta data bendita

Muitas felicidades

Ó Mãezinha querida!!

   ************

Tu és nossa Rainha

Mãe do Amor e do perdão.

Ó, recebe Mãezinha,

O nosso coração!

    ************

Viva! Viva, Maria!

Nossa paz, nosso bem!

Te amamos Mãezinha,

E a Teu Filho também!


Hoje, as igrejas do Oriente e do Ocidente celebram o nascimento de Maria, a Mãe do Senhor. A principal fonte que narra o evento é o chamado Protoevangelho de Tiago, segundo o qual Maria nasceu em Jerusalém, na casa de Joaquim e Ana. 

A Basílica de Santa Ana foi construída ali no século IV, e no dia de sua dedicação, celebrou-se o nascimento da Mãe de Deus. A festa posteriormente se espalhou para Constantinopla e foi introduzida no Ocidente por Sérgio I, um papa de origem síria. "Aqueles que Deus de antemão conheceu, também os predestinou": Dante parece quase parafrasear o versículo de São Paulo quando define Maria como "o termo fixo do conselho eterno".

Desde a eternidade, o Pai trabalhou para preparar a Santíssima, aquela que se tornaria a mãe de seu Filho, o templo do Espírito Santo. 

A genealogia de Jesus apresentada no Evangelho de Mateus culmina na expressão "José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo". Com Maria, portanto, chegou a hora do Davi definitivo, o pleno estabelecimento do reino de Deus. 

Com o seu nascimento, o ventre oferecido pela humanidade a Deus toma forma, para que a encarnação do Verbo se cumpra na história humana. Finalmente, Maria, enquanto criança, é também a imagem da nova humanidade, da qual seu Filho removerá o coração de pedra e lhe dará um coração de carne que aceitará docilmente os mandamentos de Deus.

Ao honrarmos o nascimento da Mãe de Deus, chegamos ao verdadeiro significado e propósito deste evento, que é a Encarnação do Verbo. De fato, Maria nasceu, foi amamentada e criada para ser a Mãe do Rei dos séculos, a Mãe de Deus, feito homem em seu ventre puríssimo e imaculado. 

Esta é, aliás, a razão pela qual somente Maria (assim como São João Batista e, claro, Cristo) é celebrada não apenas por seu "nascimento ao céu", como ocorre com os outros santos, mas também por sua vinda a este mundo.

Na realidade, a maravilha deste nascimento reside não no que os apócrifos narram com grande detalhe e ingenuidade, mas sim no significativo passo adiante que Deus dá na implementação de seu eterno plano de amor. 

Por esta razão, a festa de hoje foi celebrada com magnífico louvor por muitos Santos Padres, que se basearam em seu conhecimento da Bíblia, em sua sensibilidade e em seu ardor poético. 

Vejamos algumas expressões do segundo Sermão sobre o Nascimento de Maria, de São Pedro Damião: "Deus Todo-Poderoso, antes da queda do homem, previu a sua queda e decidiu, antes dos tempos, a redenção da humanidade. Por isso, decidiu encarnar-se em Maria."

"Hoje é o dia em que Deus começa a pôr em prática o seu plano eterno, visto que era necessário construir a casa antes que o Rei descesse para ali habitar. Uma bela casa, pois, se a Sabedoria construiu para si uma casa com sete colunas esculpidas, este palácio de Maria repousa sobre os sete dons do Espírito Santo

Salomão celebrou de maneira solene a inauguração de um templo de pedra. Como celebraremos nós o nascimento de Maria, o templo do Verbo encarnado? 

Naquele dia, a glória de Deus desceu sobre o templo de Jerusalém em forma de nuvem, que o obscureceu. 

O Senhor, que faz o sol brilhar nos céus, escolheu as trevas para habitar entre nós (1 Reis 8, 10-12), disse Salomão em sua oração a Deus. Este novo templo será visto repleto do mesmo Deus que vem para ser a luz das nações.

As trevas dos gentios e a falta de fé dos judeus, representadas pelo templo de Salomão, são sucedidas pela luz do dia no templo de Maria."

É justo, portanto, cantar sobre este dia e sobre Aquela que nele nasceu.




Comentário sobre a Virgem Maria e sua importância na História da humanidade e da Redenção do gênero humano:

A. Devemos a Maria a nossa existência, bem como a existência de tudo que foi criado, visível e invisível.

Esta minha afirmativa parece uma heresia, uma blasfêmia. Como é que podemos dizer que a existência de tudo que foi criado por Deus devemos atribuir a Maria? Parece um tremendo absurdo! Mas, não é. Explico: Deus é o único Criador do universo. A Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, criou o universo, bem como o mundo angélico, invisível aos nossos olhos. Ele (Deus) é o único Senhor e Criador de todas as coisas. No entanto, também devemos à Virgem Maria a criação do universo. Como assim?

Maria é a Mãe de Jesus, Filho Único de Deus, o Verbo Humanado, Deus que se fez carne para nos salvar. No livro que escrevi sobre a Encarnação do Verbo, exaustivamente expliquei que tudo o que existe devemos à Pessoa de Deus Filho feito Homem. São Paulo, na epístola aos Colossenses, fala que tudo que existe, visível e invisível, foi feito por Ele (Jesus, o Verbo Eterno) e para Ele (conferir em: I Colossenses 1, 15-16). Ele (Jesus) é o Princípio, o Primogênito de todas as criaturas de Deus. A existência do Universo, com suas dezenas de bilhões de galáxias, é devida à existência do Filho Encarnado. O Verbo Humanado (Jesus) não somente criou o universo juntamente com a Pessoa do Pai e a Pessoa do Espírito Santo, mas, tudo que foi criado, foi criado PARA ELE! Assim, se não fosse vontade de Deus a Encarnação do Verbo no seio de Maria, não existiria nem o mundo visível (o universo) e nem o invisível (mundo angélico), já que TUDO que existe, existe POR CAUSA DE JESUS.

No entanto, Deus quis se servir de Maria para que o Filho Unigênito viesse ao mundo. Ele não surgiu “do nada”, como num “passe de mágica”. Deus quis que seu Filho se encarnasse no seio de uma Virgem, que fosse gerado nesse seio virginal e que viesse ao mundo à semelhança dos filhos de Adão e Eva. Foi o sim de Maria quem possibilitou a vinda do Verbo Eterno ao mundo. Foi seu sim quem permitiu que Deus Filho se encarnasse em seu ventre imaculado, inaugurando a Nova Criação de Deus.

Bem, se a vinda de Jesus ao mundo foi a causa da existência de todas as criaturas (criadas por Ele e para Ele), por analogia, fica claro que se não fosse o Sim de Maria à vontade de Deus, o Universo, a humanidade e, portanto, nós mesmos, não existiríamos.

Por isso que Maria é perfeitamente nossa Mãe: tanto na ordem da graça, como na ordem natural. Não se espantem com isso. Não estou dizendo nenhuma heresia. Maria é verdadeiramente nossa Mãe.

Alguém poderia então dizer: “Maria é mãe apenas dos católicos”. Não, meus irmãos e irmãs, isso não é verdade. Ela é Mãe de TODA A HUMANIDADE! Ela é Mãe dos católicos, de todos os cristãos, dos judeus, dos maometanos, dos pagãos, dos ateus, etc. Ela é a Mãe do gênero humano. Em Cristo, seu Filho, toda a humanidade está representada. Ele é nosso Irmão na humanidade. O Mistério da Encarnação engloba também esse grande mistério! O Homem Jesus, diante da Divindade Eterna de Deus, representa toda a humanidade. Assim, sendo Mãe de Jesus (e Ela o é de forma única e perfeita), Maria é a Mãe de toda a humanidade.

No famoso “Ofício da Imaculada Conceição”, tem uma estrofe que corrobora tudo que agora comentamos: “Sois Mãe Criadora, dos mortais viventes”. Sim! Maria, Mãe de Deus, Mãe do Criador (Jesus é Deus), não diretamente, mas indiretamente foi responsável por nossa criação. Ela é a Mãe Criadora dos mortais viventes!


B. Devemos a Maria a nossa salvação eterna, portanto, nossa Redenção, bem como a de todo o gênero humano redimido por Cristo na cruz.

É impossível separar a Pessoa de Jesus da obra de Jesus. Ele é o Redentor, Ele é o Salvador. Por isso, Maria, Mãe de Jesus, é a Mãe do Redentor e Mãe do Salvador. Maria é a Mãe da nossa Redenção. Se Ela é a Mãe do Redentor, que nos salvou no calvário e na cruz, Ela também é a Mãe de nossa Redenção.

Não podemos esquecer que o próprio Nome de Jesus significa: “Deus salva” ou “Deus salvador”. Assim, a Pessoa de Jesus se identifica com sua própria obra e missão. Se Jesus é a própria Salvação viva (coisa que os próprios protestantes gostam muito de frisar), não há como negar que Maria é a Mãe da nossa Salvação, de nossa Redenção. Por isso devemos a Maria a nossa redenção e salvação.

No momento sublime de sua Sagrada Paixão na Cruz, Jesus confirma e ratifica a maternidade humana de Maria. Sentindo aproximar sua morte, olhando para sua Mãe e para o discípulo amado, São João Evangelista, disse: “Mulher, eis aí o teu filho”. E, logo depois, dirigindo-se ao discípulo: “Eis aí a tua Mãe”. Foram palavras maravilhosas, palavras “de fogo”, saídas diretamente do Amor Misericordioso do Coração de Jesus. O maior tesouro que possuía na terra, sua maior riqueza e herança, era sua Mãe. Naquele momento em que partia para junto de seu Pai, Jesus não quis deixar a humanidade desamparada. Na pessoa de João estava representada toda a humanidade. O recado, no entanto, era duplo: Maria assumiria sua missão como Mãe do gênero humano, porém, também nós teríamos que assumir Nossa Senhora como nossa Mãe, “levando-A para casa”, a exemplo do discípulo amado. É muita graça, meus irmãos e irmãs! É muita graça e muita misericórdia de nosso amantíssimo Deus e Senhor Jesus Cristo!

Se um dia nós formos para o Céu, teremos a eternidade para agradecer a Deus e à Virgem Maria a graça de estarmos salvos. Isso não é uma heresia. É a pura verdade católica e cristã. Agradeceremos a Deus por ter sido Ele, na Pessoa de Jesus, quem nos salvou na cruz. Agradeceremos a Maria por ter sido Ela quem abriu-nos as portas da salvação, por ter sido a maior colaboradora de Deus em sua obra redentora, não só por seu sim em Nazaré, como por toda sua participação e colaboração ao lado de seu Filho, sustentando-o e apoiando-o a cada momento, até à consumação de Sua Vida na Cruz!


C. Devemos a Maria a existência da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, Esposa de Cristo e seu Corpo Místico, continuadora de sua missão salvífica no mundo.

Devemos também à Virgem Maria a existência da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, verdadeira Igreja de Cristo no mundo. Sim! Ela é verdadeiramente a Mãe da Igreja!

Esse título, ratificado pelo Papa Paulo VI, de santa memória, na Encíclica Marialis Cultus, é real e maravilhoso. Uma mãe, quando é mãe de alguém, é mãe da pessoa inteira. Não há como dividir. Maria é a Mãe de Jesus, portanto, é a Mãe do Cristo total, inteiro, de sua Pessoa divina e de sua natureza humana e divina.

A Igreja é o Corpo Místico de Cristo. Jesus é a Cabeça e a Igreja seu Corpo. Portanto, Maria, Mãe de Jesus, do “Cristo total”, também é a Mãe do Corpo Místico de Cristo, sua Igreja. Devemos isso também a Ela.

Quando Jesus prometeu: “Eis que estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos”, automaticamente Ele está confirmando a Virgem Maria como Mãe da Igreja.

A Maternidade Divina de Maria está estreitamente vinculada com sua maternidade humana (como Mãe de toda a humanidade) e com a maternidade que Ela exerce na Santa Igreja de Cristo.

(Giovani Carvalho Mendes, carmelita descalço secular e médico)


 Fontes:                
1. Site: "Santi, Beati e Testimoni"
(Traduzido do italiano para o português, com algumas correções no texto).
2. Texto feito pelo criador e administrador deste site/blog, Giovani Carvalho Mendes, carmelita descalço secular. 



Beato Frederico Ozanam, Leigo, Pai de Família e Fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo (Vicentinos) - memória em 8 de setembro.


Milão, 23 de abril de 1813 - Marselha, França, 8 de setembro de 1853.


O francês Frédéric Ozanam, fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo, é um exemplo de caridade e santidade entre os leigos. 

Nascido em Milão em 1813 (seu pai servia no exército de Napoleão), retornou à sua terra natal após a Batalha de Waterloo. Em Paris, integrou-se aos círculos intelectuais católicos em torno do físico André-Marie Ampère e de Emmanuel Bailly. Em 1833, fundou as "conferências" que, juntas, formaram a "Sociedade de São Vicente de Paulo", uma instituição "católica, mas laica; pobre, mas repleta de pobres para ajudar; humilde, mas numerosa", segundo a definição do próprio fundador. Frédéric Ozanam formou-se em Direito e Literatura, lecionou na Sorbonne e foi membro da Accademia della Crusca, em Florença. Em 1841, casou-se e teve uma filha. Viajando constantemente pela Europa, sempre encontrava tempo para se dedicar ao seu mundo humilde, à Sociedade de São Vicente, que apoiava e incentivava em seu desenvolvimento. Ele morreu em Marselha em 1853. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II em Paris em 27 de agosto de 1997.

 

Primeiro texto hagiográfico:

A luta entre os pobres, que não têm o necessário para viver, e os ricos, que se recusam a abrir mão de seus bens supérfluos, está entre as principais preocupações de Antonio Federico Ozanam. Federico era de origem francesa, mas nasceu em Milão, em 1813. Seu pai era médico no exército de Napoleão. Após a derrota em Waterloo, Federico retornou a Lyon, na França. Aos dezesseis anos, sonhava com uma sociedade capaz de garantir o bem-estar de todos. Como estudante universitário, compreendeu que seus ideais de justiça social não poderiam permanecer meros sonhos, esperanças ou teorias. Ele precisava agir, pessoalmente. O cristianismo deveria ser posto em prática, denunciando incansavelmente as injustiças, bem como propondo e exigindo, especialmente dos políticos, reformas sociais, leis e medidas que beneficiassem os mais necessitados. Mas é somente entrando nas casas dos pobres que se pode realmente entender como ajudar aqueles que vivem na pobreza.

Aos vinte anos, Federico tinha uma longa barba, como muitos de seus contemporâneos intelectuais da época. Ele participou com paixão e entusiasmo em debates políticos e conferências literárias. Em 1833, juntamente com seis outros colegas universitários, fundou a Sociedade de São Vicente de Paulo. Os grupos católicos, chamados de "conferências", surgiram em paróquias, escolas, fábricas e bairros. Não eram compostos por padres nem freiras. Seguindo o exemplo do Bom Samaritano no Evangelho (Lucas 10:25-37), eram homens e mulheres comuns, incluindo homens casados, jovens e idosos, com boa saúde. Sua tarefa era procurar os verdadeiramente pobres, aqueles que se escondiam por vergonha, visitá-los, ouvi-los, levar-lhes comida e roupas e buscar soluções com eles.

Ozanam formou-se em direito e literatura. Professor na Sorbonne, em Paris, casou-se em 1841 e teve uma filha. Foi um marido e pai exemplar. Trabalhou, realizou conferências, escreveu para jornais sobre questões sociais e religiosas e viajou por toda a Europa para suas pesquisas históricas, incluindo a Itália, onde foi aceito na Accademia letteraria della Crusca. Contudo, ele sempre encontrava tempo para os pobres, visitando-os com sua esposa. Com a saúde debilitada, faleceu em Marselha, em 1853. As "conferências" de São Vicente de Paulo se espalharam pelo mundo, inclusive pela Itália. Elas continuam a estender a mão aos menos favorecidos, enquanto aguardam que nossos governos encontrem uma maneira de diminuir o abismo que, ainda hoje, como na época de Ozanam, existe entre os que têm demais e os que não têm nada, entre os que exploram e os que sofrem. E não apenas nos países do Terceiro Mundo.

 

Segundo texto hagiográfico:

Eles estão presentes em 130 países ao redor do mundo com centenas de milhares de voluntários, lutando há um século e meio contra a pobreza, tanto visível quanto invisível. São grupos chamados "conferências" em paróquias, cidades, bairros e empresas. Juntos, formam a "Sociedade de São Vicente de Paulo", uma instituição "católica, porém laica; pobre, porém repleta de pobres para amparar; humilde, porém numerosa". Foi assim que Frédéric Ozanam, um dos fundadores da Sociedade em Paris, a descreveu em 23 de abril de 1833.

Nascido na Itália, filho de um médico do exército de Napoleão, após Waterloo, ele retornou com a família para Lyon. Era o segundo de três irmãos, um dos quais se tornaria padre e o outro, médico. Depois do ensino médio, foi para Paris estudar direito e hospedou-se na casa de André-Marie Ampère, o grande explorador da eletrodinâmica (o ampere ainda é a unidade de medida da intensidade da corrente elétrica).

Guiado pelo cientista, um grande homem de fé, Ozanam juntou-se aos jovens intelectuais católicos reunidos em torno de Emmanuel Bailly, um líder do renascimento cultural católico. Formou-se em direito em 1836 e em literatura em 1839, com uma tese sobre a filosofia de Dante Alighieri: "O poeta", como o chamava, "do nosso presente como o foi em seu tempo; o poeta da liberdade, da Itália e do cristianismo". Sua tese foi imediatamente publicada em inglês, alemão e italiano, e Ozanam obteve uma cátedra na Sorbonne. Mas ele permaneceu o homem de "São Vicente". E continuou a dedicar-se de corpo e alma à instituição, a inspirar e guiar; explicou que a Sociedade opera sob a plena responsabilidade dos leigos e não se dedica à caridade pura; ela vivencia sua caridade, antes de tudo, por meio do contato físico regular com os pobres, em suas casas. A ajuda material certamente atende a uma necessidade imediata, mas também visa libertar os pobres de sua condição: "A terra esfriou; cabe a nós, católicos, reavivar o calor vital que está se extinguindo!"

Em 1841, casou-se com sua conterrânea Amalia Soulacroix, com quem teve uma filha. Amigo dos mais ilustres intelectuais parisienses, viajante constante pela Europa, sempre retornava ao seu mundo de pobreza, à Sociedade de São Vicente de Paulo, que acompanhava e incentivava a expandir. E retornava aos pobres individualmente, às famílias individualmente, com a visita pessoal que era a marca registrada da Sociedade e também de sua vida privada: quando estava com os pobres, Ozanam falava com Deus. Para ele, nenhuma responsabilidade ou cargo eximia seu irmão de visitar e idealizar novas maneiras de melhor ajudar os pobres, de melhor impulsionar o progresso da humanidade: (Por meio de seu trabalho, isso precedeu o nome, que seria usado de várias maneiras ao longo do século XX.)

Federico Ozanam morreu em Marselha, em seu retorno da Toscana, onde havia sido admitido na Accademia della Crusca com Cesare Balbo. Em 27 de agosto de 1997, São João Paulo II o proclamou Beato em Paris.

 

Fontes:

Site: “Santi, Beati e Testimoni”

(Traduzido do italiano, com algumas correções no texto)

Beato Alano de La Roche, presbítero e missionário dominicano: o apóstolo do Santo Rosário - memória em 8 de setembro.



Natural da Bretanha, onde nasceu em 1428. Muito jovem, ingressou na Ordem dos Frades Dominicanos em Dinan (Saint-Malo). Aperfeiçoou seus estudos em Paris (1453-1459), no convento de Santiago, onde completou seus estudos de teologia e filosofia.

Em 1459 foi designado para ensinar no convento de Santiago de Paris, mas não pôde exercer até 1461, porque um ano antes foi enviado para Lille, a fim de promover a reforma dos conventos à observância regular (da Regra), e foi devido a seus esforços que houve a adesão da conventos dominicanos de Lille e Paris à Congregação holandesa reformada (1464).

Alano foi enviado para trabalhar como escritor, pregador e comentarista nas casas da Ordem, também em Paris, Lille, Douai (1464), Ghent (1468), Rostock, onde se tornou mestre em teologia em 1473, e Zwolle.

Tinha inteligência privilegiada e era dotado de grande eloquência, rapidamente tornando-se um perfeito orador.


 Grandes sofrimentos pelos quais passou, por sete anos, nas mãos do demônio e o socorro da Virgem Maria, através da devoção ao Santo Rosário.

Durante sete anos o Beato Alano foi acometido por aridezes e infestações do demônio. Numa ocasião, quando mais especialmente atravessava um período de tremenda aridez, Maria Santíssima lhe apareceu no interior de sua cela para consolá-lo, e entregou-lhe uma corrente feita com seus próprios cabelos, na qual estavam entrelaçadas cento e cinquenta pedras preciosas, de acordo com o número de contas do Rosário. A Rainha do Céu lhe explicou nesta ocasião que este instrumento lhe serviria como uma poderosa arma contra o inimigo infernal.

Terminada a aparição, Alano compreendeu a necessidade do Rosário para sua vida espiritual. No entanto, a Providência queria dele algo além de um puro aumento de sua piedade.

Um dia, justamente quando o Beato Alano de La Roche estava rezando, a Virgem, outra vez, “dignou-se fazer-lhe muitas e brevíssimas revelações”, anota. “Aqui estão elas, e estas palavras são da Mãe de Deus:

1. A todos os que rezarem meu Rosário com devoção, prometo minha proteção especial e grandíssimas graças.
2. Aquele que perseverar na oração de meu Rosário receberá uma graça insigne.
3. O Rosário será uma defesa poderosíssima contra o inferno; destruirá os vícios, libertará do pecado, dissipará as heresias.
4. O Rosário fará florescerem as virtudes e as boas obras, e obterá para as almas a mais abundante misericórdia divina; fará que nos corações o amor ao mundo seja substituído pelo amor a Deus, elevando-os ao desejo dos bens celestes e eternos. Quantas almas se santificarão com esse meio!
5. Quem se confia a mim por meio do Rosário não perecerá.
6. Quem rezar meu Rosário com devoção, meditando seus mistérios, não será oprimido pela desgraça. Pecador, se converterá; justo, crescerá em graças e se tornará digno da vida eterna.
7. Os verdadeiros devotos de meu Rosário não morrerão sem os Sacramentos da Igreja.
8. Aqueles que rezam meu Rosário encontrarão durante sua vida e em sua morte a luz de Deus e a plenitude de suas graças, e participarão dos méritos dos bem-aventurados.
9. Libertarei muito prontamente do purgatório as almas devotadas a meu Rosário.
10. Os verdadeiros filhos de meu Rosário gozarão de uma grande glória no céu.
11. O que pedirem por meio de meu Rosário, obterão.
12. Aqueles que defenderem meu Rosário serão socorridos por mim em todas as suas necessidades.
13. Obtive de meu Filho que todos os membros da Irmandade do Rosário tenham por irmãos, durante a vida e na hora da morte, os santos do céu.
14. Aqueles que rezarem fielmente meu Rosário serão todos meus filhos amantíssimos, irmãos e irmãs de Jesus Cristo.
15. A devoção a meu Rosário é um grande sinal de predestinação”.

Depois de “entregar” as quinze promessas, a Virgem se despediu, pedindo a Alano um gesto de obediência: “Prega as coisas que viste e ouviste. Não tenhas nenhum receio: eu estou contigo; eu te ajudarei e a todos os meus salmodiantes. Castigarei aqueles que se opuserem a ti”.

E Alano obedeceu prontamente: do biênio 1464-1465, período das aparições, até sua morte, o dominicano não faria mais nada a não ser defender, por meio da pregação, a amada devoção mariana, e instituir as Irmandades relacionadas com ela. Chegou mesmo a convencer, em 1474, o capítulo dos dominicanos da Holanda a prescrever, pela primeira vez, o Rosário como oração a ser rezada pelas intenções dos vivos e dos mortos. Também nesse ano, em Frankfurt, na igreja dos dominicanos, era erigido o primeiro altar para uma Irmandade do Rosário.


O próprio Cristo o intima a ser um propagador do Rosário
Um dia em que celebrava a Santa Missa, após a Consagração, a Hóstia que segurava nas mãos assumiu a figura de Nosso Senhor, que severamente o repreendeu, dizendo:

“Alano, tornas a crucificar-Me uma segunda vez?” O Dominicano assustado lhe respondeu: “Ó Senhor Jesus, como posso ser capaz de tamanha crueldade?” Nosso Senhor lhe responde: “Preferia ser novamente crucificado, a ver o Meu Pai ofendido com os pecados por ti cometidos. Tu pecas de omissão! Possuis a ciência, a faculdade e o dever de pregar o Santo Rosário e não o fazes. O mundo está cheio de lobos e tu te transformaste num cão mudo, incapaz de ladrar. Se não te corriges, Eu juro pelo Meu Pai, que será pasto dos míseros mortais”.

Após essas palavras o Divino Salvador lhe mostrou o inferno e o lugar para onde iria se não tomasse a séria resolução de pregar o Rosário. Alano, impressionado com a divina reprovação, tornou-se um incansável pregador do Rosário. Por meio de pregações conseguiu reavivar as Confrarias do Rosário e quando chegou o dia de entregar sua alma a Deus já havia congregado mais de cem mil filhos e membros das Confrarias.


Após uma profícua vida de apostolado, morreu santamente. Mesmo após sua morte, continua a ser um apóstolo do Santo Rosário.

Após anos de uma vida de intenso apostolado mariano, cercado pelos confrades, que havia tempo já o consideravam um “santo”, morreu na vigília da festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria, celebrada a 08 de setembro.

Após sua morte, em 08 de Setembro de 1475, multiplicou-se a devoção ao Santo Rosário da Virgem Imaculada. Sobre Maria escreveu vários livros, entre os quais está um elogio à Virgem intitulado "De utilitate Psalterii Mariae”, dedicado ao Bispo de Cluny, Férrico, sendo considerado uma inestimável fonte da devoção ao Santo Rosário, que Maria Santíssima tinha dado a S. Domingos de Gusmão, e que o levou a espalhá-lo em todo o mundo.

Já no dia 25 de maio de 1476, no Capítulo da Ordem Dominicana em Dutch de Haarlem, ordenou-se fossem recolhidos todos os seus escritos, que não eram poucos, sendo publicados em 1498, em Estocolmo, e nos anos seguintes, também traduzidos e publicados em diferentes línguas.

O Beato Alano é considerado um dos "apóstolos da propagação do Santo Rosário", oração mariana à qual ele preferiu chamar de "Saltério da Virgem".  Para difundir a devoção à Santíssima Virgem, fundou a Confraria do Saltério da Virgem, com estatutos especiais. A primeira fraternidade foi fundada em 1470 em Douai, e mais tarde, graças a seus herdeiros espirituais Sprenger, Michele van Sneck e François, esse piedoso Movimento Mariano se espalhou por todo o mundo.

Alano conferiu à oração do Santo Rosário os elementos que o unificaram, resultando na forma que conhecemos hoje: a recitação de 50 Ave Marias intercaladas com 05 Pai Nossos (Terço), e o Rosário, com o total de 150 Ave Marias, divididas e intercaladas com 15 Pai Nossos.

Também a ele se atribui a escolha dos 05 Mistérios de meditação que hoje chamamos de "gozosos, dolorosos, e mistérios gloriosos".


        
Nota:
Embora seja reverenciado como Beato em toda a Europa e pela Ordem Dominicana, seu culto ainda não foi oficializado pela Igreja (o título de "beato" lhe é conferido apenas pela piedade popular e pelos de sua Ordem).






Fontes para consulta:


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Beato Inácio Klopotowski, presbítero e fundador das Irmãs de Loreto - memória em 7 de setembro.


Korzeniowka, Polônia, 20 de julho de 1866 - Varsóvia, Polônia, 7 de setembro de 1931.

 

Inácio Kłopotowski nasceu em Korzeniówska, Polônia, em 20 de julho de 1866. Aos 17 anos, ingressou no Seminário Maior de Lublin e foi ordenado sacerdote em 5 de julho de 1891. Exerceu diversas funções, tanto no ensino quanto no ministério pastoral, percebendo a decadência moral e a pobreza espiritual do povo comum. Abriu então uma gráfica, onde imprimia livros de orações e panfletos espirituais. Também lançou periódicos, além de diversas organizações de caridade. Mudou-se para Varsóvia em 1908 e fundou, em 31 de julho de 1920, as Irmãs da Bem-Aventurada Virgem Maria de Loreto, conhecidas como Irmãs Loretanas. Faleceu em Varsóvia em 7 de setembro de 1931, no auge de um apostolado fortalecido pela oração e pelo amor à Eucaristia.

Foi beatificado em Varsóvia em 19 de junho de 2005, durante o pontificado do Papa Bento XVI.

 

Educação e Formação para o Sacerdócio:

Inácio Kłopotowski nasceu em 20 de julho de 1866, em Korzeniówska, Polônia, filho de Jan e Isabella Dobrowolska. Foi batizado dois dias depois na paróquia de Drohiczyn. De sua família, recebeu uma educação centrada na dualidade de "Deus e Pátria".

Após concluir o ensino médio em Siedlce, em 1883, aos 17 anos, ingressou no Seminário Maior de Lublin. Depois de quatro anos, foi enviado para continuar seus estudos na Academia Religiosa de São Petersburgo, onde se formou em teologia. Em 5 de julho de 1891, aos 25 anos, foi ordenado sacerdote pelo Bispo Jaczewski na Catedral de Lublin.

 

Os anos em Lublin:

Durante 17 anos, ocupou diversos cargos pastorais e de ensino. Ele serviu como padre assistente da paróquia de São Paulo Apóstolo, professor no seminário diocesano, padre assistente da paróquia da catedral, capelão do Hospital de São Vicente de Paulo, capelão da igreja de Santo Estanislau e professor no seminário até 1908, quando deixou Lublin rumo a Varsóvia.

Durante seus anos em Lublin, destacou-se por seu profundo amor pelos pobres, órfãos e desempregados, abordando com sensibilidade seus problemas morais e materiais.

 

O editor de livros:

Entre a publicação de livros e a caridade, estabeleceu uma editora, que colocou a serviço das necessidades espirituais de seus pacientes e dos mais simples e menos instruídos. Para eles, publicou livros de orações e textos religiosos para difundir a doutrina cristã. Os lucros, somados às doações recebidas, eram destinados aos necessitados e às organizações de caridade que ele próprio fundou.

Fundou orfanatos e lares para idosos. Em Lublin, organizou a Casa do Trabalho, uma escola para jovens desempregados com o objetivo de formar-se nas artes. Para as jovens destinadas à prostituição, ele fundou o Asilo de Santo Antônio, onde podiam encontrar emprego legal.

Em 1905, tentou publicar um jornal católico, "Praca" ("Trabalho"), mas teve seu pedido negado pelas autoridades russas, que então dominavam aquela parte da Polônia. Alguns anos depois, com o édito de tolerância do czar Nicolau II, conseguiu publicar o diário "Polak Katolik", o semanário "Posiew" ("Semeadura") e os mensais "Buona Domenica" e "Circolo del Rosario", todos em polonês.

 

O Fundador:

Em Varsóvia, também fundou as Irmãs da Bem-Aventurada Virgem Maria de Loreto.

Em 1908, com a permissão de seu bispo e do bispo de Varsóvia, mudou-se para lá. Organizou uma gráfica que imprimia livros em corajosa defesa da fé e dos princípios morais cristãos.

Nomeado para a Diocese de Varsóvia em 1919, o Padre Ignacy foi designado pároco da paróquia de Nossa Senhora de Loreto, perto da Igreja de São Floriano, no bairro de Praga. Ali também se dedicou a obras de caridade, estabelecendo uma cozinha comunitária e dormitórios para os pobres da região.

Fundou ainda a Editora Loretana. Por fim, fundou a congregação das Irmãs da Bem-Aventurada Virgem Maria de Loreto, com a vocação específica de difundir a imprensa católica. Faleceu em Varsóvia, em 7 de setembro de 1931, aos 65 anos. Seus restos mortais repousam no cemitério das freiras que fundou.

Contemporâneo de São Bartolo Longo e do Beato Padre Giacomo Alberione, na Itália, durante os mesmos anos, Bartolo Longo (recentemente canonizado) fundou obras sociais em Pompeia (incluindo uma gráfica) e uma congregação religiosa para o cuidado de órfãos e filhos de prisioneiros.

Enquanto isso, em Alba, a Pia Sociedade de São Paulo e as Filhas de São Paulo, fundadas pelo Beato Padre Tiago Alberione, fundador da Família Paulina, para a difusão do Evangelho por meio dos meios de comunicação, davam seus primeiros passos.

 

Causa de beatificação e canonização:

A causa de beatificação, até o decreto de virtudes heroicas, foi iniciada em 22 de junho de 1988, quando a Santa Sé concedeu o nihil obstat para a abertura de sua causa de beatificação, que foi conduzida nas dioceses de Varsóvia e Praga. Os atos da investigação diocesana foram validados em 20 de março de 1993.

A "Positio super virtutibus", apresentada em 2000, foi examinada pelos consultores teológicos em 5 de outubro de 2004 e, em 7 de dezembro do mesmo ano, pelos cardeais e bispos membros da Congregação para as Causas dos Santos. Em 20 de dezembro de 2004, o Papa São João Paulo II autorizou a promulgação do decreto que declarava o Padre Inácio Kłopotowski “Venerável”.


O Milagre e a Beatificação:

Um suposto milagre foi então examinado para garantir sua beatificação. O decreto que validou a investigação diocesana é datado de 9 de abril de 1999. A Comissão Médica da Congregação para as Causas dos Santos emitiu parecer favorável sobre a inexplicabilidade científica do evento em 25 de novembro de 2004.

Os consultores teológicos, em 7 de fevereiro de 2005, e os cardeais e bispos da mesma Congregação, em 3 de maio de 2005, emitiram seu parecer favorável quanto à ligação entre o evento prodigioso e a intercessão do Padre Inácio. Finalmente, em 30 de maio de 2005, o Papa Bento XVI autorizou a promulgação do respectivo decreto.

O padre Inácio Kłopotowski foi beatificado em Varsóvia, em 19 de junho de 2005. Presidindo o rito, como enviado do Santo Padre, estava o cardeal Jozef Glemp, primaz da Polônia.

 

As Irmãs de Loreto hoje:

As Irmãs de Loreto, como são mais conhecidas, permanecem comprometidas, como em seus primórdios, com atividades de caridade e o apostolado da Palavra de Deus por meio da imprensa, com suas próprias editoras. Na Itália, em Pessano con Bornago, elas administram a editora Mimep-Docete. Sua aprovação papal, no entanto, data de 1971. Elas possuem 24 casas e aproximadamente 220 freiras.

 

Fonte:

Site: “Santi, Beati e Testimoni”

(Tradução do italiano para o português, com algumas correções no texto).