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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

SÃO JOHN HENRY (João Henrique) NEWMAN, Cardeal e Doutor da Igreja - 9 de outubro.


São John Henry Newman nasceu em Londres (1801) e faleceu em Edgbaston (1890). Foi um sacerdote da Igreja Anglicana que, por meio de uma busca profundíssima, no estudo, na oração, na meditação e contemplação das coisas de Deus, terminou por ingressar na Casa de Deus e integrar o Corpo Místico de Cristo, a Igreja Católica Apostólica Romana.

O grande cardeal Ratzinger, no ano de 1990, escreveu, com o habitual brilhantismo, a propósito do centenário da morte de Newman: “Foi sua consciência que o conduziu, dos antigos laços e das antigas certezas, para o difícil e estranho mundo do catolicismo”. Vinte anos depois, em 2010, o mesmo Ratzinger, então Papa Bento XVI, beatificou o Cardeal Newman em Coventry, Grã-Bretanha, aos 19 de setembro, durante sua viagem à Inglaterra.

Como bom pensador, Newman viveu a sua fé de maneira inquieta, como quem procura incessantemente o autoaprimoramento e não se contenta com menos que a Verdade (que é o próprio Cristo), e em suas inquietações sempre estiveram entrelaçadas fé e razão.



A infância de Newman

John Henry Newman era o primogênito dos seis filhos do casal John Newman e Jemina Fourdrinier. Nasceu em Londres e foi batizado na Igreja anglicana de Saint Bennet Fink.

Seu pai, um homem empreendedor, foi subindo de posição social até que se tornou banqueiro. Mas, depois de vários anos de êxito, veio a derrocada. Foi o próprio John Henry que teve de manter toda a sua família quando frequentou a Universidade de Oxford.
“Fui educado durante minha infância para ter o grande prazer de ler a Bíblia, mas não tive sólidas convicções religiosas até os 15 anos”: assim Newman abriu o segundo parágrafo de sua obra-prima, intitulada Apologia pro vita, a história de suas convicções religiosas, que escreveu em 1864 para combater quem, à raiz de sua conversão, o atacava ferozmente.

Um dia, na ermida de Littlemore, onde se converteu, encontrou e folheou um velho caderno seu de escola. Na primeira página encontrou, maravilhado, um emblema que lhe cortou a respiração: tinha desenhada a figura de uma cruz robusta e, atrás, uma figura que representava um rosário com uma pequena cruz unida a este. Naquele momento tinha só dez anos. Estas imagens não teriam por que terem sido desenhadas a lápis por Newman, devido à aversão que os protestantes têm às imagens sacras.


Newman e os Padres da Igreja

No ano de 1826, quando ainda era anglicano, Newman decidiu estudar com um método sistemático os Padres da Igreja (a Patrística), e (como ocorre no caso de diversos protestantes que se convertem ao catolicismo) nasceu daí um grande amor. Em primeiro lugar, examinou-os sob a ótica protestante; depois, em 1835 e 1839, retomou o estudo a partir de uma ótica mais parecida com a do catolicismo (ainda que ele não o soubesse).

Em uma carta a seu amigo Pusey, Newman disse: “Não me envergonho de basear-me nos Padres, e não penso em de forma alguma me afastar deles. A história dos seus tempos não é para mim um almanaque velho. Os Padres me fizeram católico e eu não pretendo me afastar da escada pela qual subi para entrar na Igreja”.

Os Padres da Igreja foram para Newman seu grande amor. Neles, encontrou a resposta às persistentes perguntas religiosas e de fé que o torturaram durante 44 anos, até que, aos 09 de outubro de 1945, foi acolhido na Igreja Católica pelo padre Domenico Barberi, passionista italiano que foi beatificado por Paulo VI em 1963.

Sobre a conversão ao catolicismo:

A conversão chegou por meio de um cansativo percurso intelectual e espiritual. Sua biografia identifica-se com a elaboração do pensamento e com o empenho da alma. São John Henry Newman está situado entre os grandes pensadores, filósofos e teólogos da história da humanidade. Sua bibliografia, que se tem edificado no mundo no transcurso dos 125 anos desde sua morte, é enorme.

Com espírito de explorador, atento e escrupuloso, pesquisou o interminável nó de caminhos que é o protestantismo. Primeiro como calvinista, depois como anglicano, para depois chegar com alegria à Igreja edificada pelo próprio Cristo sobre o Apóstolo Pedro, como pôde experimentar também outro convertido excepcional: Santo Agostinho. Newman comportou-se como o capitão que governa seu navio de guerra com destreza e competência e, sem trégua alguma, alcançou, com grande humildade e sobretudo com zelo, a meta desejada.

Newman, embora atribuísse grande importância ao valor da amizade e aos laços profissionais, ao ver e compreender a Verdade, não se preocupou com mais nada nem com ninguém, abandonando tudo e todos, assim como fizeram os Apóstolos. Seus amigos anglicanos compreenderam que tinham perdido um grande homem: alguns lamentaram; outros o julgaram ferozmente; outros, em contrapartida, o apoiaram.

O elogio mais belo, a nosso parecer, que lhe deram em vida, foi a carta que Edward Pusey enviou a um amigo:
“Deus está ainda conosco e nos permitirá seguir adiante, apesar desta grande perda. Não devemos esconder sua importância, porque foi a maior perda que tivemos. Quem o conheceu sabe bem dos seus méritos. Nossa igreja não soube se beneficiar. Era como se uma espada afiada dormisse em sua bainha, porque ninguém sabia empunhá-la. Era um homem predestinado a ser um grande instrumento divino, capaz de realizar um amplo projeto que restabelecesse a Igreja. Foi-se – como todos os grandes instrumentos de Deus – inconsciente de sua própria grandeza. Foi-se para cumprir um simples ato de dever, sem pensar em si mesmo, abandonando-se completamente nas mãos do Altíssimo. Assim são os homens em quem Deus confia. Poder-se-ia dizer que se transferiu para outra área da vinha, onde pode utilizar todas as energias de Cardeal, sua poderosa mente.”

Os ataques
Certamente partiram da Igreja anglicana, dos intelectuais protestantes e também da própria Igreja Católica (!). Os primeiros o consideravam um traidor, os segundos, alguém de quem se deve desconfiar. Também alguns católicos na Irlanda estiveram contra: ele foi removido do cargo de reitor da Universidade de Dublin. São John Henry Newman escreveu a Apologia pro vita justamente para se defender dos ataques dos intelectuais. Este livro engendrou muitas conversões. Recordemos que o Papa Leão XIII afastou muitos rumores maliciosos, quando concedeu a Newman o barrete cardinalício.


A beatificação e canonização de Newman em uma sociedade onde reina o relativismo moral e intelectual

O Cardeal Newman combateu sincera e lealmente o liberalismo, trazendo, com seu método sistemático e analítico, um dos perfis mais reais daquela Europa em fase de corrupção, de abandono da civilização cristã e de agonizante apostasia. Conseguiu identificar as conotações de secularização e relativismo de nossos dias, fruto da presunção que já os gregos pagãos, depositários de verdadeiras sementes do Verbo, definiam übris (ύβρις = a arrogância de quem não se submete aos deuses), ou o que é o mesmo, a ideia de antepor os lugares comuns supostamente racionais da própria época à razoabilidade e racionalidade da Tradição.

Newman, de quem, como disse o cardeal Ratzinger em 1990, “pertence aos grandes doutores da Igreja”, esse grande cavalheiro do século XIX inglês, alcançou a Verdade quando tinha 44 anos, depois de décadas de estudo e aprofundamento. Com valentia, desafiou sua própria mente para entender, indagar e explorar os meandros da História, da Filosofia e da Teologia, até descobrir finalmente a Pedra Preciosa. Assim, diz: “Vi meu rosto naquele espelho: era o rosto de um monofisista, o rosto de um herege anglicano, e o descobri quase com terror!”.

O epitáfio na tumba do futuro do São John Henry Newman, cuja vida é das provas mais evidentes e concretas de que a razão pode se unir à fé para trazer ao mundo a Igreja de Jesus Cristo, a única Verdade que leva à salvação eterna, fala sobre a relação entre crer na verdade e ser livre: “Se permanecerdes em minha Palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres” (Jo 8,31-32). John Henry Newman é o modelo que a Igreja propõe aos cristãos e aos católicos para seguir: foi uma resposta claríssima do Papa Bento XVI ao mundo relativista.


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Newman foi nomeado Cardeal pelo Papa Leão XIII (1879). Abaixo, alguns momentos importantes de sua vida, tais como narrados pelo próprio Papa Bento XVI na homilia do dia de sua beatificação:
“A conversão [do Cardeal Newman] ao Catolicismo exigiu-lhe o abandono de quase tudo o que lhe era caro e precioso: os seus haveres e a sua profissão, o seu grau acadêmico, os laços familiares e muitos amigos. A renúncia que a obediência à verdade, à sua consciência, lhe pedia, ia mais além ainda. Newman sempre estivera consciente de ter uma missão para a Inglaterra. (…) Em janeiro de 1863, escreveu no seu diário estas palavras impressionantes:
'Como protestante, a minha religião parecia-me miserável, mas não a minha vida. E agora, como católico, a minha vida é miserável, mas não a minha religião."

O Cardeal Newman se referia à postura de total humildade e quebrantamento diante de Deus, que só aprendeu a ter sob a tutela da sã Doutrina Católica. Ele afirmou que é totalmente diferente da sua antiga maneira protestante de pensar, quando já "se achava salvo" e era muito seguro. – A intercessão do Santo Cardeal John Newman é uma importante ferramenta para todos os católicos que possuem amigos, parentes ou entes queridos que não acolhem a verdadeira Igreja de Cristo. Através dele podemos pedir ao Senhor que a luz da Verdade se acenda em seus corações.
São John Henry Newman foi solenemente proclamado Santo da Igreja Católica no dia 13 de outubro de 2019, na Praça de São Pedro, pelo Papa Francisco. O Papa Leão XIV, no dia 1 de novembro de 2025, fazendo-o, também, juntamente com Santo Tomás de Aquino, co-patrono de todos os educadores. 

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Fontes:

ZENIT, "O cardeal Newman e a busca da verdade", disponível em: http://www.zenit.org/pt/articles/o-cardeal-newman-e-a-busca-da-verdade.

São Dionísio (ou Dinis) de Paris, Bispo e Mártir


São Dionísio de Paris, depois de ter sua cabeça decepada, caminhou ainda seis quilômetros com ela nas mãos, pregando o Evangelho.


Dos muitos mártires que a fé em Cristo já gerou ao longo dos séculos, em todos os cantos da terra, a Igreja celebra, hoje, a memória de São Dinis de Paris (Saint Denis), bispo e padroeiro da França.

São Dinis – que também se pode chamar de “Dionísio” – foi morto em meados do século III, durante o curto reinado do imperador romano Décio. Os dois anos em que ficou à frente do Império foram suficientes para que sua crueldade fosse comparada à do terrível Nero. Em pouco tempo, ele fez incontáveis vítimas no meio do clero e entre os próprios fiéis, elevando à honra dos altares nomes como Santa Ágata, São Saturnino e o próprio Papa Fabiano.

Como morreu São Dinis? Durante o seu pontificado, São Fabiano enviou à então província da Gália sete missionários cristãos, dentre eles Saturnino, mandado a Toulouse, e o próprio Dinis, que se fixou na Lutécia, onde atualmente fica a cidade de Paris. A eloquência de Dionísio logo colocou em polvorosa os sacerdotes pagãos do local, que ficaram alarmados pelas várias conversões que ele, por obra de Deus, conseguia. Um édito do imperador Décio, exigindo que todos prestassem o culto a César, tornou fácil a captura de Dinis, que se destacava por sua coragem e fidelidade. Um dia, levaram-no ao alto de um monte e cortaram a sua cabeça e as de seus fiéis companheiros, Rústico e Eleutério.

O mais incrível é que, segundo a tradição, o bispo Dionísio ainda saiu do Montmartre – “monte do mártir", como ficou conhecido o lugar – e caminhou seis quilômetros, carregando a sua cabeça e pregando um sermão sobre o arrependimento, até chegar ao lugar onde foi enterrado. A iconografia cristã geralmente o retrata segurando a sua cabeça, ainda com a mitra. Hoje, o “apóstolo da Gália” é invocado pelo povo cristão contra dores de cabeça e possessões demoníacas, além de ser homenageado como um dos primeiros pais da França.

O seu impressionante testemunho ilustra como nem depois de mortos os santos se calam. Se, nesta terra, com a sua pregação e vida, Dionísio glorificou sumamente a Deus, chegando ao heroísmo do martírio, após a sua morte, ele mesmo encorajou muitos outros homens a darem a vida por Cristo, cumprindo a profecia de Tertuliano, para quem o sangue dos mártires era semente de novos cristãos.

É importante lembrar que as ofertas dos perseguidores para que os cristãos “livrassem a sua pele” eram coisas aparentemente simples. Daniel-Rops conta que os suspeitos de seguirem a Cristo eram “conduzidos ao templo e convidados a sacrificar aos deuses ou, pelo menos, a queimar incenso na frente do altar”. Depois, caso persistisse “a acusação de cristianismo, o acusado era convidado a pronunciar uma fórmula blasfema, na qual renegava Cristo”. Por fim, celebrava-se uma refeição, “uma espécie de comunhão pagã, em que os suspeitos deviam comer carne das vítimas imoladas e beber vinho consagrado aos ídolos” [1]. Se fizessem qualquer uma dessas coisas, os cristãos se safavam e não eram mortos.

Representação da cena do milagre.
Diante de uma perseguição como a impetrada por Décio, pode-se imaginar como era grande a tentação de jogar um pouquinho de incenso diante dos ídolos... Afinal, um punhado de incenso, que mal poderia haver? Mas, os santos não se improvisam. “Quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará" (Mt 16, 25). Os carrascos que olhavam para os mártires certamente pensavam em seus corações que se tratavam de loucos, assim como a modernidade comumente pinta as imagens dos primeiros mártires como “suicidas", como se fossem homens desgostosos da vida, à procura da morte. À luz do Evangelho, no entanto, a entrega dessas pessoas não era simplesmente a renúncia da vida, mas a adesão à verdadeira Vida, por amor. O “não” de Dionísio, Rústico e Eleutério à idolatria, à blasfêmia e às carnes sacrificadas pelos ídolos foi, ao mesmo tempo, um belo e glorioso “sim” a Deus, ao Seu nome e à Sua vontade.

Hoje, talvez não nos seja pedida a entrega física dos primeiros mártires, que tiveram suas cabeças, braços e pernas decepados por causa de Cristo. Mas, sem dúvida, é-nos pedida a fidelidade de cada dia, pela qual todo cristão é sempre um mártir:

“Sendo muitas as perseguições, também são numerosos os martírios. Todos os dias és testemunha de Cristo. Foste tentado pelo espírito de fornicação; mas, por temor do futuro juízo de Cristo, julgaste que não devias manchar a pureza da alma e do corpo: és mártir de Cristo. Foste tentado pelo espírito de avareza para assaltar a propriedade do teu inferior ou para violar os direitos da viúva indefesa; todavia, meditando nos preceitos divinos, preferiste prestar ajuda a praticar injustiças: és testemunha de Cristo. (...) Foste tentado pelo espírito de soberba; mas, ao ver o pobre e o necessitado, compadeceste-te piedosamente e preferiste a humildade à arrogância: és testemunha de Cristo."
“Como são numerosos todos os dias os mártires ocultos de Cristo, os que confessam o Senhor Jesus! O Apóstolo conheceu este martírio e este fiel testemunho, ao dizer: "É esta a nossa glória e o testemunho da nossa consciência." [2]
Com os santos, aprendemos que “quem começa a servir verdadeiramente o Senhor, o mínimo que lhe pode oferecer é a própria vida”, como ensinava Santa Teresa de Ávila. Peçamos a intercessão de São Dionísio, para que nos ajude a sermos testemunhas de Cristo onde for: senão no alto dos montes, nas arenas dos leões ou no madeiro das cruzes, em nossas casas, em nossas escolas e em nossos trabalhos.

São Dionísio, mártir, rogai por nós!

1.    Henri Daniel-Rops. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires. São Paulo: Quadrante, 2014.p. 360

2.    Santo Ambrósio, Sermo 20, 47-50: CSEL 62, 467-469



Catedral Basílica de São Dinis em Paris. 

Detalhes do padroeiro no pórtico da Catedral

Interior da magnífica Catedral de Paris

SÃO JOÃO LEONARDI, Presbítero e Fundador - 9 de outubro.



 Primeiro texto biográfico: 

Natural de Decimi, perto de Luca, na Itália, João Leonardi, criança ainda, já dava demonstração de amor à solidão e aos exercícios de piedade. Com 26 anos de idade, decidiu levar uma vida só para Deus e deu nome à milícia eclesiástica. Sentado entre os meninos, com eles fez o curso de latim; estudou depois filosofia e teologia, com tão proveitoso resultado, que, depois de quatro anos, pôde ser ordenado sacerdote. Associaram-se-lhe alguns jovens de nobilíssima índole, todos aspirando a uma vida mais perfeita pela prática das virtudes.
Com eles formou e fundou a Congregação dos Clérigos Regulares da Mãe de Deus, que, pelo zelo dos seus membros, em pouco tempo conseguiu uma reforma admirável de costumes na República de Luca. Parecia terem voltado os tempos dos primeiros cristãos com a prática admirável de profunda piedade.
Esta transformação da vida religiosa em toda a região provocou os protestos de homens maus que moveram forte campanha contra o Santo e sua Congregação. Esta teve a sua confirmação pelo Papa Gregório XIII. Considerado um Homem de Deus por todos, João Leonardi era frequentemente consultado por muitos bispos em assuntos intrincados; o próprio Papa o nomeou como seu delegado em missões difíceis e para a reforma de famílias religiosas. A São José Calazans prestou enormes serviços na conservação da Congregação, que se achava no ponto de se dissolver. Também no hospital do Espírito Santo, em Saxônia e às Religiosas Oblatas de Santa Francisca Romana prestou grande auxílio.
Profundamente penalizado pela triste sorte de tantas e tantas almas que se achavam nas trevas do paganismo, não havendo quem lhes partisse o pão da doutrina salvadora cristã, pôs-se em comunicação com o piedoso bispo Vives, e fundou um instituto missionário, destinado a formar jovens apóstolos para irem às terras longínquas pagãs, pondo-se à disposição da Santa Sé.
Ele mesmo continuou, sempre ativíssimo no desempenho do seu apostolado, até que Deus o chamou para si. Deixou também alguns escritos sacros, que revelam o proveito teológico e moralista. Morreu em Roma, tendo 66 anos de idade, revestido de saco de penitência e deitado sobre cinzas.

Beatificado por Pio IX, seu nome foi inscrito no Catálogo dos Santos pelo Papa Pio XI, no dia da Páscoa, aos 17 de abril do ano de 1938.


Segundo texto biográfico,

O fundador do Instituto dos Clérigos Regulares da Mãe de Deus e da Congregação De Propaganda Fide foi inexplicavelmente recusado pela ordem franciscana. Ou melhor, foi uma providencial recusa, pois este Luquês, filho de Tiago e Joana Lippi — aprendiz de farmácia e estudante por conta própria, refugiado em Roma durante alguns anos, depois da ordenação sacerdotal —, teve ocasião de travar amizade com dois grandes santos: São Filipe Néri e São José Calazans, e de fazer-se apreciar pelo papa, que lhe confiou delicadas missões.
No desempenho destas, suas qualidades de homem prudente e caritativo eram as mais indicadas para que ele servisse de mediador e restabelecesse a disciplina em antigos conventos onde se infiltrara o espírito alegre e gozador da vida do Renascimento.
São João Leonardi, presbítero e
fundador de dois institutos. 
Na juventude, João Leonardo, embora longe de casa e dos olhos vigilantes dos pais, estudante de medicina em Lucca, não se perdeu atrás de alegres companhias acadêmicas, mas, sob a guia do frade dominicano Bernardini, recolheu em torno de si alguns companheiros. Com estes, dedicou-se ao voluntariado para a assistência aos idosos abandonados e aos peregrinos.
Ordenado sacerdote, foi-lhe confiada a igreja de São João della Magione. Lá pôs em prática um de seus audaciosos projetos, instituindo uma escola para o ensino da religião. Foi o primeiro núcleo da Congregação dos Clérigos Regulares, com sede junto à igreja de Santa Maria da Rosa.
O instituto foi aprovado em 1593, embora, como ficou dito, ele tenha sido levado a afastar-se de Lucca por causa das manifestações de incompreensão (não raras na vida dos santos).
Em Roma, impelido pelo espírito missionário, excogitou e programou com o espanhol Vives uma congregação de sacerdotes que desenvolvessem seu apostolado entre os infiéis. Nascia assim a Congregação de Propaganda Fide, de Roma, destinada a influir profundamente na história missionária da Igreja universal.
João morreu em Roma a 8 de outubro; beatificado em 1861, foi inscrito no elenco dos santos em 17 de abril de 1938.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Beatos Irmãos Maristas, mártires espanhóis - 8 de outubro (beatificados em 2007)

                   † 8 de outubro de 1936




     Um grupo de 107 Irmãos Maristas foi feito prisioneiro por traição no navio "Cabo San Agustín", em Barcelona, ​​em 7 de outubro de 1936. Levados para a prisão de San Elias na noite de 8 de outubro, 46 ​​deles, incluindo o Irmão Laurentino, Provincial, o Irmão Virgilio, Visitador, o mestre de noviços, o diretor do escolasticado e vários diretores de escolas, foram levados aos cemitérios de Barcelona e fuzilados. Laurentino (Mariano Alonso Fuente), Virgílio (Trifón Lacunza Unzu) e 44 outros Irmãos Maristas foram beatificados em 28 de outubro de 2007, durante o pontificado do Papa Bento XVI.


          Um grupo de 107 Irmãos Maristas foi preso por traição no navio “Cabo San Agustín”, em Barcelona, ​​no dia 7 de outubro de 1936. 

     Na noite de 8 de outubro, 46 deles, incluindo o Irmão Laurentino, Provincial, o Irmão Virgilio, Visitador, o mestre de noviços, o diretor do escolasticado e vários diretores de escolas, foram levados para a prisão de San Elias. Posteriormente, foram levados para os cemitérios de Barcelona, onde foram fuzilados. 

        O vice-provincial, Irmão Eusebio, já os havia precedido no martírio. 172 Irmãos Maristas encontrariam uma morte violenta durante a perseguição de 1936.

 Os nomes e brevíssima história de cada mártir: 

1- Irmão Laurentino (Mariano Alonso Fuente). 1881-1936.

Nascido em 21 de novembro de 1881, em Castrecías (Burgos – Espanha).

Em 1897, iniciou seu noviciado na Congregação dos Irmãos Maristas.

Após concluir sua formação, foi diretor em Cartagena e Burgos. Nessa cidade, o Irmão Provincial o apresentou com estas palavras: “Trago-vos como diretor um Irmão profundamente devoto ao Sagrado Coração!”

Em 1928, o Irmão Laurentino foi chamado para ser Provincial.

Quando a esquerda chegou ao poder na Espanha, o Irmão Laurentino pediu aos Irmãos que “não tivessem outra política senão Jesus Cristo!” No início de 1933, escreveu uma carta aos Irmãos, convidando-os a uma entrega total ao Senhor e a estarem prontos para o martírio.

A revolução de 1936 matou muitos de seus Irmãos, mas ele encorajou os demais dizendo: “Desde que a revolução começou, vivo somente para vocês, sempre me lembro de vocês em minhas orações e os recomendo continuamente à proteção de Nossa Senhora.”

Muitas vezes lhe ofereceram a oportunidade de salvar a própria pele. Ele respondeu: “Permanecerei com meus Irmãos!”

Para salvar seus Irmãos, ele entrou em diálogo com os líderes da FAI (Forças Anarquistas Ibéricas) e conseguiu contrabandear 117 jovens em formação para a França. Para os Irmãos, no entanto, o mesmo acordo revelou-se uma armadilha: em 7 de outubro de 1907, 107 foram feitos prisioneiros no navio que deveria levá-los para a França. Na noite de 8 de outubro, 46 ​​deles, incluindo o Irmão Laurentino, foram levados para os cemitérios de Barcelona e assassinados.



2- Irmão Virgílio (Trifón Nicasio Lacuna Unzu): 1891-1936.

Nascido em Ciriza, Navarra, em 3 de julho de 1891. Em 17 de março de 1903, ingressou na casa de formação dos Irmãos Maristas em Vic. Em 15 de agosto de 1912, fez seus votos perpétuos.

Aluno brilhante, obteve um diploma em filosofia e literatura. Ele tinha uma personalidade marcante: "Sua autoridade sobre os alunos era absoluta e, ao mesmo tempo, respeitosa." Um irmão alegre, ele nos fazia esquecer as dificuldades e as tristezas; simples e afável, conquistava a simpatia de todos.

Como Visitador da Província, o Irmão Laurentino confiou-lhe a organização da partida de todos os Irmãos para a França, que, no entanto, terminou com a prisão de 107 Irmãos e o martírio de 46 deles em 8 de outubro de 1936.

 

3- Irmão Alberto María (Néstor Vivar Valdivielso): 1910-1936.

Nascido em 4 de março de 1910, em Estépar, na diocese de Burgos.

Ingressou nos Irmãos Maristas e fez os votos perpétuos em 23 de agosto de 1931. Quando a revolução eclodiu, ele estava em casa. Seus pais queriam que ele ficasse, mas ele respondeu: “Não vou ficar. Meu lugar é com os Irmãos. Mesmo que nunca mais nos vejamos, que assim seja. Ele me ajudará. Se me matarem, não chorem; eu ficaria feliz em derramar meu sangue por Cristo!”


4- Ir. Ángel Andrés (Lucio Izquierdo López): 1899-1936.

Nascido em Dueñas (Palencia) em 4 de março de 1899. Fez seus votos perpétuos em 28 de setembro de 1920. Foi um poeta de delicada sensibilidade; colaborou incansavelmente com o conselho editorial dos Irmãos em Barcelona, ​​escreveu para revistas litúrgicas e para El santo del día. Foi autor de uma edição de Quixote com notas, comentários e temas aplicados.

 

5- Irmão Anselmo (Aniceto Falgueras Casellas): 1879-1936.

Nascido em 16 de abril de 1879 em Salt (Girona). Ingressou na Ordem dos Irmãos Maristas e fez seus votos perpétuos em 15 de agosto de 1900. Tornou-se missionário no México e fundou esta missão marista, onde permaneceu por 10 anos. Ele era piedoso, mortificado e austero. Guardava as frutas das refeições para levar aos pobres e às crianças, e aproveitava a oportunidade para catequizá-los.

 

6- Irmão Antolín (Antonio Roig Alibau): 1891-1936.

Nasceu em 6 de fevereiro de 1891, em Igualada (Barcelona). Em 15 de agosto de 1912, fez os votos perpétuos. Ocupou cargos humildes ao longo da vida: sacristão, ajudante de alfaiate. Durante a trágica semana de Barcelona, ​​em 1909, permaneceu escondido por um dia com um cibório cheio de hóstias consagradas para protegê-las da profanação.

 

7- Irmão Baudillo (Pedro Ciordia Hernández): 1888-1936.

Nasceu em 19 de maio de 1888, em Cárcar (Pamplona). Em 30 de agosto de 1910, fez seus votos perpétuos. Irmão Baudillo era um homem fiel, exigente e trabalhador, que dedicava inúmeras horas à correção dos cadernos de seus alunos. As escolas onde foi diretor sempre prosperaram graças à sua liderança prudente e firme. Ele escreveu um ensaio sobre Teologia Ascética, no qual seus irmãos leram sobre a espiritualidade que ele vivia.

 

8- Irmão Barnabé (Casimiro Riba Pi) 1877-1936.

1877, 14 de setembro: Casimiro nasceu em Rubí (Barcelona). Ingressou na Ordem dos Irmãos Maristas e entregou-se definitivamente ao Senhor com votos perpétuos em 17 de setembro de 1899. Foi educador com grande autoridade moral sobre os jovens e diretor de várias escolas. Quando a perseguição começou, estava na casa de um de seus irmãos, que era de esquerda. Sua vida estava segura, mas preferiu compartilhar o risco com todos os seus irmãos.

 

9- Irmão Carlos Rafael (Carlos Brengaret Pujol): 1917-1936.

1917, 11 de julho: Carlos nasceu em Sant Jordi Desvalls (Girona). 1934, em 2 de julho, fez votos temporários. É a vítima mais jovem deste grupo de mártires. Ainda não tinha 20 anos. Sempre demonstrou alegria em sua vocação e orgulho por poder ser um futuro educador. A possibilidade de entregar sua vida ao Senhor no martírio o encheu de alegria.

 

10- Irmão Dionisio Martín (José Cesari Mercadal): 1903-1936.

Em 16 de janeiro de 1903, José nasceu em Puig-reig (Barcelona). Em 15 de agosto de 1924, entregou-se totalmente ao Senhor com votos perpétuos. Professor brilhante, incutiu nos jovens o amor pelo trabalho e pelo estudo, e, com seu zelo, atraiu seus alunos para a Eucaristia e a comunhão diária.

 

11- Irmão Epifanio (Fernando Suñer Estrach): 1874-1936.

Em 26 de março de 1874, Fernando nasceu em Tayala (Girona). Ele ingressou na vida religiosa com os Irmãos Maristas e pronunciou seus votos perpétuos em 19 de setembro de 1895. Bom educador, soube conquistar a confiança e o respeito de seus alunos. Foi diretor de escolas em Lloret, Malgrat, Igualada, Logroño, Manresa e Lérida, onde foi atingido pela perseguição.

 

12- Irmão Felipe José (Fermín Latienda Azpilicueta): 1891-1936.

Nascido em 7 de julho de 1891, Fermín nasceu em Iruñela (Pamplona). Entregou-se definitivamente ao Senhor com votos perpétuos em 15 de agosto de 1913. Era um irmão piedoso, sério e competente. Seus superiores o designaram mestre de noviços, e nessa posição os acontecimentos de 1936 o surpreenderam.

 

13- Irmão Félix León (Félix Ayúcar Eraso): 1911-1936.

Em 4 de dezembro de 1911, Félix nasceu em Estella (Pamplona). Fez seus primeiros votos temporais na Congregação dos Irmãos Maristas em 8 de setembro de 1929. Ele ainda não era perpétuo quando o martírio o atingiu. Um de seus irmãos testemunhou: “O que poderia lhe acontecer não o assustava; a morte, nessas circunstâncias, era o que ele mais desejava: o martírio.”

 

14- Irmão Fortunato Andrés (Fortunato Ruiz Peña): 1898-1936.

1898, 2 de fevereiro, Fortunato nasceu em La Piedra (Burgos). Em 28 de setembro de 1920, consagrou-se definitivamente ao Senhor com sua profissão perpétua. Era um irmão paciente, gentil e prestativo, muito habilidoso em mecânica. Demonstrava um coração paternal para com os pobres, sempre oferecendo-lhes um copo de vinho à refeição e muitas vezes vestindo roupas para se cobrir.

 

15- Irmão Frumencio (Julio García Galarza) 1909-1936.

1909, 28 de junho: Julio nasceu em Medina de Pomar (Burgos). Em 15 de agosto de 1932, consagrou-se definitivamente ao Senhor com sua profissão perpétua. Seu apostolado foi realizado nas escolas de Arceniega, Vic, Sants (Barcelona), Valência e Alcázarquivir, no Marrocos. Lecionava em Barcelona quando a revolução eclodiu.

 

16- Ir. Gabriel Edouardo (Segismundo Hidalgo Martínez): 1913-1936.

Em 28 de abril de 1913, Segismundo nasceu em Tobes y Rahedo (Burgos). Em 8 de setembro de 1929, fez seus votos temporários. Estava no noviciado como formador quando a perseguição começou. Morreu mártir junto com o mestre de noviços. Tinha um caráter bom e dócil, dedicado aos estudos.

 

17- Irmão Gaudencio (Irmão Juan Tubau Perelló): 1894-1936.

Em 10 de março de 1894, Juan nasceu em Igualada (Barcelona). Ingressou na Ordem dos Irmãos Maristas e consagrou-se definitivamente ao Senhor com profissão perpétua em 15 de agosto de 1915. Seus irmãos disseram dele que era um religioso profundo, total e piedoso; tinha um caráter muito sociável e caridoso: nunca se recusava a prestar um serviço.

 

18- Irmão Gil Felipe (Felipe Ruiz Peña): 1907-1936.

Em 23 de março de 1907, Felipe nasceu em Silleruelo de Bezana (Burgos). Fez seus votos perpétuos em 15 de agosto de 1932. O Irmão Gil Felipe tinha uma mãe muito piedosa, a quem, segundo ele, devia sua vocação. Era um homem tão simples que conquistou a estima de todos.

 

19- Irmão Hermógenes (Antonio Badía Andalé): 1908-1936.

Em 13 de abril de 1908, Antonio nasceu em Bellcaire de Urgell (Lérida). Entregou-se totalmente a Deus em 15 de agosto de 1930. O Irmão Hermógenes tinha um forte senso de responsabilidade; os superiores podiam contar com ele; demonstrava sabedoria, obediência e bom caráter.

 

20- Irmão Isaías María (Victoriano Martínez Martín): 1899-1936.

Em 1.º de março de 1899, Victoriano nasceu em Villalbilla de Villadiego (Burgos). Em 28 de setembro de 1920, consagrou-se definitivamente ao Senhor na Congregação dos Irmãos Maristas. Era um homem de caráter decisivo, sincero e aberto. Estava no colégio San José de Oriol, em Barcelona, ​​quando a guerra começou; seu colégio foi um dos primeiros a ser incendiado.

 

21- Irmão Ismael (Nicolás Ran Goñi): 1909-1936.

Em 1909, 6 de dezembro, Nicolás nasceu em Cirauqui (Pamplona). Consagrou-se definitivamente ao Senhor como Irmão Marista em 23 de agosto de 1931. Como professor e apóstolo, conquistou o afeto de seus alunos e pais. Com saúde frágil, passou vários anos na enfermaria. Aprendeu a confiar em Deus e a se colocar à Sua vontade.

 

22- Irmão Jaime Ramón: (Jaime Morella Bruguera): 1898-1936.

1898, 25 de novembro: Jaime nasceu em Osor (Girona). Fez seus votos perpétuos em 28 de setembro de 1920. Quando lecionava, dedicava-se com tanta energia ao seu trabalho que logo perdeu a saúde: estava ansioso demais pelo progresso de seus alunos e pelo sucesso deles na vida. Seus superiores o designaram para a editora FTD, onde foi martirizado.

 

23- Ir. José Carmelo (Gregorio Faci Molins): 1908-1936.

Em 2 de março de 1908, Gregorio nasceu em La Codoñera (Teruel). Em 15 de agosto de 1929, entregou-se totalmente a Deus. O Irmão José Carmelo tinha um caráter gentil, bondoso e simples, e sua alma inocente transparecia. Seu passatempo favorito era o violino, que tocava com maestria.

 

24- Irmão José Federico (Nicolás Pereda Revuelta): 1916-1936.

Em 20 de fevereiro de 1916, Nicolás nasceu em Villanueva la Blanca (Burgos). Em 15 de agosto de 1932, fez seus primeiros votos temporários. Foi martirizado logo após completar 20 anos. Sua fé e alegria em se entregar a Deus na vida religiosa eram evidentes.

 

25- Irmão Juan Crisóstomo (Juan Pelfort Planell): 1913-1936.

Em 21 de maio de 1913, Juan nasceu em Ódena-Espelt (Barcelona). Fez seus votos temporários em 8 de setembro de 1930. Frei Juan Crisóstomo dedicou-se inteiramente ao seu trabalho como educador, ensinando as crianças mais novas. Tendo se refugiado em sua cidade natal durante a perseguição, poderia ter permanecido em segurança, mas preferiu unir-se aos seus Irmãos e estar com eles em seu martírio.

 

Irmão Juan de Mata (Jesús Menchón Franco): 1898-1936.

Em 15 de junho de 1898, Jesús nasceu em Puente Tocinos (Múrcia). Em 15 de agosto de 1932, consagrou-se ao Senhor com profissão perpétua. Aos 27 anos, decidiu tornar-se religioso. De fala reservada, mas com o rosto transbordando compaixão. Ele chorava todas as vezes que lia o Testamento Espiritual do Fundador, Marcelino Champagnat.

 

27- Irmão Laureano Carlos (Pedro Sitjes Puig): 1889-1936.

Pedro nasceu em 4 de maio de 1889 em Parlavà (Girona). Em 20 de fevereiro de 1920, fez seus votos perpétuos. Foi um excelente professor e catequista. Um irmão testemunhou: “Para mim, ele era um homem cuja simplicidade tinha as características de afabilidade, modéstia e serviço; ele tinha tanta bondade e tanta sinceridade de coração que não conseguia fazer inimigos.”

 

28- Irmão Leónides (Jerónimo Messegué Ribera): 1884-1936.

27 de janeiro de 1884: Jerónimo nasceu em Castelló de Faranya (Lérida). Em 27 de agosto de 1905, consagrou-se a Deus com a profissão perpétua. Em seu trabalho como educador, era conciso, metódico e preciso. Possuía convicções religiosas profundamente enraizadas, herdadas, segundo ele, de sua mãe.

 

29- Irmão Leopoldo José (Florentino Redondo Insausti): 1885-1936.

Em 14 de março de 1885, Florentino nasceu em Cárcar (Pamplona). Em 15 de agosto de 1907, fez sua profissão perpétua. Duas coisas distinguem sua vida espiritual: oração intensa e serviço sempre pronto. Era rigoroso na observância da Regra, porém amigável e sempre tinha um sorriso no rosto.

 

30- Irmão Lino Fernando (Víctor Gutiérrez Gómez): 1899-1936.

1899, 23 de dezembro, Víctor nasceu em Villegas (Burgos). Entregou-se totalmente a Deus com a profissão perpétua em 25 de agosto de 1925. Tinha a reputação de ser um homem de paz, inspirando serenidade e confiança. Obedecia com tanta espontaneidade que outros diziam: “A obediência lhe é natural”.

 

31- Pe. Licarión (Ángel Roba Osorno) 1895-1936.

1895, 27 de janeiro, Ángel nasceu em Sasamón (Burgos). Fez sua profissão perpétua em 15 de agosto de 1916. Era de natureza franca e extrovertida, inspirando otimismo e alegria ao seu redor; as pessoas, especialmente os jovens, sentiam-se bem em sua companhia.

 

32- Pe. Martiniano (Isidro Serrano Fabón): 1901-1936.

Em 5 de agosto de 1901, Isidro nasceu em La Cañada de Verich (Teruel). Ingressou na Congregação dos Irmãos Maristas e consagrou-se totalmente ao Senhor em 15 de agosto de 1923.

Gostava de lecionar em escolas paroquiais, o que lhe permitia contato com crianças e jovens pobres e simples; sentia-se mais próximo do carisma do Fundador.

 

33- Irmão Miguel Ireneo (Leocadio Rodríguez Nieto): 1899-1936.

Em 9 de dezembro de 1899, Leocadio nasceu em Calhorra de Boedo (Palencia). Em 28 de setembro de 1921, fez sua profissão perpétua. Mais tarde, serviu como missionário no México. Era intelectualmente muito talentoso e um bom professor. Seus irmãos admiravam sua fé, seu espírito de oração e sua serenidade.

 

34- Ir. Porfirio (Leoncio Pérez Gómez): 1899-1936.

Em 6 de julho de 1899, Leoncio nasceu em Masa (Burgos). Em 6 de agosto de 1925, fez sua profissão perpétua.

Era um homem exigente consigo mesmo, mortificado e rigoroso no jejum, mas seus irmãos testemunharam que “era um homem alegre, prestativo, competente em seu trabalho e muito caridoso”.

 

35- Irmão Prisciliano (José Mir Pons): 1889-1936.

1889, 1.º de fevereiro: José nasceu em Igualada (Barcelona). Fez seus votos perpétuos na Congregação dos Irmãos Maristas em 20 de agosto de 1920. Vinha de uma família de artistas. Ele próprio tocava piano com refinamento e perfeição. Estudou com sucesso no Conservatório de Música de Madri. Também parecia muito feliz com a vida religiosa.

 

36- Irmão Ramón Alberto (Feliciano Ayúcar Eraso): 1914-1936.

1914, 24 de janeiro: Feliciano nasceu em Estella (Navarra). Fez seus primeiros votos temporários em 8 de setembro de 1930. Uma testemunha disse: “Ele era um jovem simples, prestativo e educado, dedicado à sua classe e ao seu trabalho”. Tinha 22 anos quando o martírio o chamou.

 

37- Irmão Salvio (Victoriano Gómez Gutiérrez): 1884-1936.

1844, 8 de novembro, nasceu Victoriano em Villamorón (Burgos).

Em 28 de agosto de 1907, fez sua profissão perpétua na Congregação dos Irmãos Maristas.

Humilde, simples em palavras e ações, tinha um sorriso que revelava a serenidade de seu coração. Desejava o martírio ou, ao menos, morrer por amor, como a pequena Teresa de Lisieux.

 

38- Irmão Santiago (Serafín Zugaldía Lacruz): 1894-1936.

1894, 16 de abril, nasceu Serafín em Echálaz, Vale do Egües (Navarra). Em 27 de setembro de 1919, consagrou-se definitivamente a Deus. Homem de vasta cultura literária e musical, colaborou na edição de livros, na composição de cantos litúrgicos e escreveu artigos que revelam seu fervor pela Eucaristia.

 

39- Irmão Santiago María (Santiago Saiz Martínez): 1912-1936.

Em 30 de dezembro de 1912, Santiago nasceu em Castañares (Burgos). Em 8 de setembro de 1930, fez seus primeiros votos temporários. Era um jovem de grande promessa. Seus irmãos viam nele um excelente educador, um grande apóstolo da juventude. O martírio o alcançou aos 24 anos, ainda em seus votos temporários.

 

40- Irmão Santos (Santos Escudero Miguel): 1907-1936.

Em 30 de outubro de 1907, Santos nasceu em Medinilla (Burgos). Fez seus votos perpétuos em 15 de agosto de 1929. Entre os testemunhos, encontramos: “Ele era um professor completo, dedicava-se totalmente às crianças, um homem de dever e um bom religioso.”

 

41- Irmão Teódulo (Lucio Zudaire Aramendía): 1890-1936.

Em 23 de abril de 1890, Lucio nasceu em Echávarri (Navarra). Ingressou na Ordem dos Irmãos Maristas e fez seus votos perpétuos em 15 de agosto de 1912. Era diretor do escolasticado, com 50 jovens Irmãos, quando a perseguição começou. Seus superiores depositaram grandes esperanças nele e permitiram que estudasse na Alemanha. Foi um diretor escolar brilhante.

 

42- Irmão Victor Conrado (José Ambrós Dejuán): 1898-1936.

1898, 26 de março: José nasceu em Tragó de Noguera (Lérida). Ingressou na Ordem dos Irmãos Maristas e consagrou-se definitivamente ao Senhor com sua profissão perpétua em 28 de setembro de 1920.

Lecionou quase sempre na Catalunha. Obediente aos seus superiores, embarcou no navio “Cabo San Agustín”. Feito prisioneiro, foi fuzilado na noite de 8 de outubro de 1936.

 

43- Irmão Victoriano José (José Blanch Roca): 1908-1936.

1908, 23 de fevereiro: José nasceu em Terragrossa (Lérida). Fez sua profissão perpétua em 15 de agosto de 1929. Era um homem sem duplicidade. Na noite de seu martírio, a metralhadora apenas o feriu. Arrastou-se para fora do cemitério; não conseguiu ficar na primeira casa onde buscou refúgio; na segunda vez, entregaram-no à milícia, que desta vez o matou.

 

44- Irmão Vito José (José Miguel Elola Arruti): 1893-1936.

Em 5 de março de 1893, José Miguel nasceu em Régil (Guipúzcoa). Em 15 de agosto de 1914, entregou-se a Deus com votos perpétuos. Trabalhou durante 16 anos como enfermeiro na grande casa de formação de Les Avellanes, onde viviam mais de 150 pessoas. Era tão competente no seu trabalho que pessoas de fora vinham consultá-lo; mas, acima de tudo, era muito bom para com os doentes. Nem mesmo os Vermelhos queriam matá-lo; precisavam dos seus cuidados.

 

45- Irmão Vivencio (Juan Nuñez Casados): 1908-1936.

Em 10 de janeiro de 1908, Juan nasceu em Covarubias (Burgos). Em 15 de agosto de 1930, entregou-se a Deus, na família dos Irmãos Maristas, com votos perpétuos. Irmão Vivencio, um bom religioso, tinha um temperamento impetuoso e precisava se esforçar para controlá-lo. Teve a graça de uma santa mãe, cujas cartas fizeram muito bem ao seu jovem coração.

 

46- Irmão Vulfrano (Ramón Mill Arán): 1909-1936.

Em 3 de março de 1909, Ramón nasceu em Castellserà (Lérida). Ingressou nos Irmãos Maristas e fez votos perpétuos em 15 de agosto de 1930. Irmão Vulfrano sempre demonstrou docilidade e obediência aos seus superiores. Desempenhou sua missão como educador cristão com grande empenho; sua turma era notável pela disciplina e amor ao trabalho. Diante da possibilidade do martírio, louvou ao Senhor.