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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ, Festa - em 14 de setembro. Antes, era chamada de Festa da "Invenção" da Santa Cruz.

 

Esta festa nasceu em Jerusalém, no aniversário da dedicação, que ocorreu em 14 de setembro de 335, das duas basílicas construídas por Constantino, uma no Gólgota (ad Martyrium) e a outra perto do Santo Sepulcro (Anastasis), também após a descoberta das relíquias da cruz por Santa Helena, mãe do imperador. 

cruz, outrora instrumento das mais terríveis torturas, cujo uso Constantino proibiu em 320, é para o cristão a árvore da vida, a câmara nupcial, o trono, o altar da Nova Aliança: de Cristo, o novo Adão adormecido na cruz, veio o maravilhoso sacramento de toda a Igreja.

A cruz é o sinal da soberania de Cristo sobre aqueles que, no Batismo, se configuram a Ele na morte e na glória ( cf. Rm 6,5).

  

A Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa celebram a festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz em 14 de setembro, aniversário da descoberta da verdadeira Cruz por Santa Helena (14 de setembro de 320), mãe do Imperador Constantino, e da consagração da Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém (335).

Segundo a tradição, Santa Helena levou parte da Cruz para Roma, para o que viria a ser a Basílica da Santa Cruz em Jerusalém, e parte permaneceu em Jerusalém. Despojo dos persas em 614 foi então trazida triunfalmente de volta à Cidade Santa.

Na celebração eucarística deste dia, a cor litúrgica é o vermelho, a cor da Paixão de Jesus, que recorda a Santa Cruz e que também é usada na Sexta-feira Santa, durante a qual os fiéis católicos realizam a adoração da Cruz. No Oriente, esta festa é comparada em importância à Páscoa.

 

  Qual o significado desta celebração?

A cruz, outrora símbolo das mais terríveis torturas, é para os cristãos a árvore da vida, o quarto nupcial, o trono, o altar da nova aliança. De Cristo, o novo Adão adormecido na cruz, provém o sacramento maravilhoso de toda a Igreja. A cruz é o sinal da soberania de Cristo sobre aqueles que, pelo Batismo, são conformados a Ele na morte e na glória. Na tradição dos Padres da Igreja, a cruz é o sinal do Filho do Homem que aparecerá no fim dos tempos. A festa da Exaltação da Santa Cruz, que no Oriente é comparada à Páscoa, está ligada à dedicação das basílicas constantinianas construídas sobre o Gólgota e o túmulo de Cristo (Missal Romano).

A própria evangelização, realizada pelos apóstolos, é a simples apresentação de "Cristo crucificado". O cristão, ao aceitar esta verdade, "é crucificado com Cristo", isto é, deve carregar diariamente a sua própria cruz, suportando insultos e sofrimentos, tal como Cristo, carregando o peso do patíbulo (a trave transversal da cruz, que o condenado carregava nos ombros até ao local da execução, onde a estaca vertical era fixada permanentemente), foi forçado a expor-se aos insultos do povo no caminho que conduzia ao Gólgota. Os sofrimentos, que reproduzem o estado de morte de Cristo no corpo místico da Igreja, contribuem para a redenção da humanidade e asseguram a participação na glória do Ressuscitado.

Ao longo dos séculos, esta festa também incluiu a comemoração da recuperação da Verdadeira Cruz pelos imperadores Heráclio, que a tomaram dos persas em 628. No costume galês, a partir do século VII, a Festa da Cruz era celebrada em 3 de maio. Quando as práticas galesas e romanas se combinaram, a data de setembro passou a ser oficialmente chamada de Triunfo da Cruz em 1963, sendo utilizada para comemorar a captura da Cruz dos persas, e a data de maio foi mantida como a Descoberta da Santa Cruz, comumente chamada de Invenção da Cruz.

No Ocidente, 14 de setembro é frequentemente referido como o Dia da Santa Cruz; a festa de maio foi removida do calendário litúrgico do Rito Romano após as reformas do Missal Romano sob o pontificado de João XXIII em 1960/1962. A Igreja Ortodoxa ainda comemora ambos os eventos, um em 14 de setembro, uma das doze grandes festas do ano litúrgico, e o outro em 1.º de agosto, que marca a Procissão da Madeira Venerável da Cruz, o dia em que as relíquias da Verdadeira Cruz foram levadas pelas ruas de Constantinopla para abençoar a cidade. Além das celebrações em dias fixos, existem certos dias de festas móveis nos quais a Santa Cruz é especialmente lembrada. A Igreja Católica realiza a adoração litúrgica da Cruz durante as celebrações da Sexta-feira Santa, enquanto a Igreja Ortodoxa celebra uma veneração adicional da Cruz no terceiro domingo da Grande Quaresma. Em todas as igrejas ortodoxas gregas, na Quinta-feira Santa, uma réplica da Cruz é levada em procissão para que o povo a venere.


Tradições populares na Itália: do Santo Cravo de Milão a Lucca.

Muitas celebrações populares na Itália incluem a procissão do Santo Cravo, preservado na Catedral de Milão, e a Luminara de Lucca. A ênfase particular com que esta festa é celebrada nesta cidade deve-se ao culto milenar da Santa Face de Lucca, o grande crucifixo de madeira venerado na catedral, que acabou por destituir de facto os padroeiros oficiais da cidade, São Martinho e São Paulino de Lucca. 

Tais ocasiões não envolviam, como nas procissões tradicionais, o transporte da imagem venerada, mas sim uma verdadeira procissão de homenagem que se aproximava cerimonialmente da imagem. 

A procissão atual é, portanto, o último vestígio de um antigo costume difundido em todas as principais cidades medievais, no qual as populações subjugadas se comprometiam, ao se submeterem, a trazer um tributo de cera, numa época em que a cera de abelha era um artigo de luxo; a quantidade de cera também era geralmente estabelecida nos pactos de dedicação, dependendo dos recursos do doador. 

Esta oferenda era apresentada de forma solene uma vez por ano, durante a celebração do santo padroeiro da cidade governante. No entanto, a cera não foi acesa imediatamente, mas sim preservada para iluminar a estátua no ano seguinte.


Fonte:

Site: "Santi, Beati e Testimoni"

(Traduzido do italiano, com algumas correções no texto original). 


Outras imagens iconográficas relativas à Festa de hoje: 

 

















domingo, 13 de setembro de 2026

NOSSA SENHORA DE LAUS - A aparição mariana mais longa da História da Igreja (1664 a 1718): duraram 54 anos.


🌹A vidente era Benoîte Rencurel, uma jovem pastora analfabeta e pobre de apenas 17 anos.

🌹Ela era uma moça simples, analfabeta, mas de oração sincera.🌹Em maio de 1664, a jovem Benoîte pastoreava as ovelhas de seus patrões, quando certo dia, ao abrigo de uma gruta, ela viu uma "Bela Senhora" segurando um menino de extraordinária beleza pela mão.

🌹No início, Benoîte não percebeu que se tratava da Mãe de Deus. 

🌹Ela se aproximou disse inocentemente:

▫️"Ó Bela Senhora! O que fazeis aqui? Viestes comprar gesso? E este menino lindo, seria vosso filho? Queríeis me dar esse menino? Ele me causaria tanta alegria!" 

🌹A Virgem Maria sorriu com profunda ternura diante da simplicidade da moça, mas permaneceu em silêncio. 

🌹No decorrer dos dias, por quatro meses, as aparições se repetiram quase diariamente.

🌹 Maria usava esse tempo para educar Benoîte, ensinando-a a rezar a Ave-Maria, a corrigir seu de temperamento e a crescer na virtude.

🌹Após meses de convivência silenciosa e maternal, Benoîte tomou coragem e perguntou:

▫️"Minha boa Senhora, peço-vos, dizei-me: quem sois?"

🌹A Virgem, com um olhar cheio de luz, respondeu:

▫️"Eu sou Maria, a Mãe de meu amadíssimo Filho. Não voltarás a ver-me neste lugar por algum tempo."

🌹Diante da partida de sua protetora, Benoîte chorou, mas guardou as palavras no coração, esperando o retorno da promessa.

🌹Cerca de um mês depois, Benoîte estava no vale oposto, chamado Laus (que significa lago no dialeto local, pois ali havia uma antiga lagoa seca).

🌹 De repente, uma luz resplandeceu e a Virgem Maria apareceu novamente sobre uma colina.

🌹Benoîte correu ao seu encontro, caindo de joelhos, radiante de felicidade:

▫️"Ó minha boa Mãe! Como senti a vossa falta! Senti tanta saudade... Vós me deixastes chorando!"

🌹A Virgem olhou para o pequeno vilarejo de Laus e revelou o plano divino para aquele lugar:

▫️"Minha filha, vai a Laus. Lá encontrarás uma pequena capela de onde exalará um doce perfume. É ali que me verás e falarás comigo a partir de agora."

🌹Benoîte partiu imediatamente em busca da capela. 

🌹Ao se aproximar de uma humilde igrejinha dedicada a Nossa Senhora das Virtudes, o ar se encheu de um perfume celestial de rosas e violetas. 

🌹Ao entrar, ela encontrou a Virgem Maria sobre o altar, que estava empoeirado e abandonado.

🌹Assustada com a pobreza do lugar, Benoîte disse com preocupação:

▫️ "Minha boa Senhora, o vosso altar é tão pobre... Gostaria que tivésseis algo melhor. Deixai-me ir buscar alguns panos limpos e bonitos para forrar o vosso altar?"

🌹A Mãe de Deus sorriu da preocupação material de Benoîte e proferiu as palavras que selariam o destino daquela região para os séculos seguintes:

▫️ "Não, minha filha. Nada disso é necessário.

▫️ Em breve, nada faltará aqui. Este altar será ornamentado com roupas bonitas e velas. 

▫️Eu pedi este lugar ao meu Filho para a conversão dos pecadores, e Ele me concedeu.

▫️ Aqui será construída uma grande igreja e uma casa para os padres residentes, para que os pecadores possam se reconciliar através dos sacramentos."

🌹A Virgem ainda acrescentou uma promessa sobre a cura dos enfermos, apontando para a lâmpada de óleo que iluminava o local:

▫️ "O óleo desta lâmpada da capela, se for aplicado com fé por aqueles que recorrerem à minha intercessão, operará milagres de cura física e espiritual."

🌹A partir daquele momento, o silêncio de Laus foi quebrado pelo sussurro dos peregrinos.

🌹Quando o óleo da lâmpada da capela começou a operar as primeiras curas físicas e as pessoas corriam até Benoîte para agradecer e aclamá-la, ela ficou confusa sobre como agir:

▫️"Minha boa Mãe, as pessoas vêm a mim dizendo que foram curadas e querem me agradecer. O que devo dizer a elas?"

🌹A Virgem Maria a instruiu a desviar a atenção de si mesma:

▫️"Diz a eles que não olhem para ti. 

▫️Diz que deem graças a Deus, o único Autor de todo bem. 

▫️Diz que o óleo é apenas um sinal da minha intercessão, mas é a fé e a misericórdia de meu Filho que os cura. 

▫️Quando te louvarem, recolhe-te no silêncio e repete no teu coração: 'Toda glória seja dada ao Senhor'."

🌹Benoîte Rencurel viveu o resto de sua vida no local, tornando-se uma guia espiritual para os milhares que vinham confessar seus pecados.

🌹As aparições continuaram, apoiando Benoîte em suas provações, perseguições e sofrimentos até a sua morte, em 1718. 

🌹O perfume que Benoîte sentiu pela primeira vez na capela abandonada continua a se manifestar no Santuário de Laus até os dias de hoje, como um sinal visível da presença daquela "Bela Senhora".



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Segundo relato: 

Nossa Senhora de Laus (em francês: Notre-Dame du Laus) ou Refúgio dos Pecadores denota aparições marianas ocorridas entre 1664 e 1718 em Saint-Étienne-le-Laus, França, a Benoite Rencurel, uma jovem pastora. Foram aprovadas pela Santa Sé em 5 de maio de 2008.[1]

Pano de fundo

Situado em Dauphiné, no sul da França, no sopé dos Alpes, a sudeste de Gap, fica o vale de Laus. Seu nome significa "lago" no dialeto local, já que antes havia um no fundo da bacia. Em 1666, a aldeia tinha vinte famílias espalhadas em pequenas cabanas. Os habitantes construíram uma capela dedicada à Anunciação, Notre-Dame de Bon Rencontre (Nossa Senhora do Bom Encontro, ou seja, a Anunciação).[2]

Aparições

Benoite nasceu em 16 de setembro de 1647, na extrema pobreza na aldeia de St Etienne d'Avancon. Seu pai morreu quando ela tinha apenas sete anos. Quando Benoite tinha doze anos, ela começou a trabalhar como pastor de ovelhas.[2]

Em maio de 1664, Benoite, de dezessete anos, viu uma aparição de São Maurício, um mártir do século III que foi muito homenageado em Laus. Era perto de uma capela próxima, então em ruínas, dedicada a São Maurício. Ele a avisou que se ela permanecesse naquela área, os guardas locais iriam levar seu rebanho se o encontrassem lá. São Maurício disse à pastorinha para ir ao Vale dos Fornos, acima de Saint-Étienne, onde ela iria ver a Mãe de Deus.[2]

Em 16 de maio, Benoite levou suas ovelhas para o Vale dos Fornos. Ela chegou a uma gruta, quando Maria, segurando o menino Jesus em seus braços, apareceu a ela. Sua oferta de compartilhar o pão duro que carregava fez a bela senhora sorrir, mas ela saiu sem dizer uma palavra.[3] Por um período de cerca de quatro meses, a Senhora voltou todos os dias e Benoite a ouviu falar. Outros não conseguiram ouvir o que Maria disse. Em 29 de agosto, a Senhora disse a Benoite que seu nome era Maria.[4]

A Senhora instruiu Benoite a ir para Laus de sua própria aldeia próxima e procurá-la lá, "onde você sentirá um perfume muito bom". Benoite foi até Laus e encontrou uma velha capela dedicada a Notre Dame de Bonne Rencontre e, enquanto o cheiro do lindo perfume estava lá, a capela estava em mau estado. “É meu desejo que uma nova capela seja construída aqui em homenagem ao meu filho amado. Será um lugar de conversão para numerosos pecadores e irei aparecer aqui muitas vezes ", disse a bela senhora.

Ela disse a Benoite que o óleo da lâmpada do santuário faria milagres com os enfermos se eles recebessem a unção com fé em sua intercessão.[4]

Mensagem

Nossa Senhora de Laus pediu aos pecadores que fizessem penitência, uma capela de adoração eucarística a ser construída para que Jesus pudesse converter os pecadores, e uma casa para os padres ser construída para que os padres pudessem administrar os sacramentos aos pecadores.

No centro da mensagem dada a Benoite está uma conversão de almas que visa trazer a plena reconciliação consigo mesmo, com os outros e com Deus.

Veneração

Alguns dos santos que tiveram uma devoção particular a Nossa Senhora de Laus incluem Santo Eugênio de Mazenod (1782-1861), fundador dos Oblatos de Maria Imaculada; e São Pedro Julião Eymard (1811–1868), fundador dos Padres e Servos do Santíssimo Sacramento. Quando São Pedro Julião tinha onze anos, fez uma peregrinação de sessenta quilômetros a pé para rezar durante nove dias no santuário enquanto se preparava para a primeira comunhão. Mais tarde, ele escreveu: "Foi lá que conheci e amei Maria pela primeira vez".[5]

Em 5 de maio de 2008, o Bispo Jean-Michel de Falco Leandri, Bispo de Gap, anunciou o reconhecimento das aparições pela Santa Sé como Nossa Senhora de Laus, Refúgio dos Pecadores.[1]

Referências

 «Vatican recognizes Marian apparitions in France». Catholic News Agency. 5 de maio de 2008. Consultado em 22 de agosto de 2012

 "Our Lady of Laus", Magnificat Vol. XL, No. 5 and Vol. XXXVI, No. 5.

Mann, Stephanie A. "Who Is Our Lady of Laus?", Our Sunday Visitor, March 28, 2014

 «"Our Lady of Laus, France", Secular Franciscans, Five Franciscan Martyrs Region». Consultado em 6 de março de 2013. Cópia arquivada em 26 de janeiro de 2018

Koenig-Bricker, Woodene, "Mary and May: Our Lady of Laus", Parish, Our Sunday Visitor, Inc.


SÃO JOÃO CRISÓSTOMO, Bispo e Doutor da Igreja - grande defensor da Doutrina Católica e quem redigiu a "Divina Liturgia" que é rezada em algumas Igrejas de Rito Oriental - memória em 13 de setembro

 Antioquia, c. 349 – Comana, no Mar Negro, 14 de setembro de 407.


   1º RELATO HAGIOLÓGICO.

“Crisóstomo”, que significa “boca de ouro”, era o apelido dado a João devido ao fascínio que sua oratória despertava. Nascido em Antioquia em data incerta entre 344 e 354, João dedicou-se ao estudo da retórica sob a direção do famoso Libânio; parece que este o estimava tanto que, quando lhe perguntaram quem desejava como sucessor, respondeu: “João, se os cristãos não o tivessem roubado de mim!”. Após receber o batismo, João frequentou o círculo de Diodoro, o futuro bispo de Tarso. No grupo de discípulos que se reunia ao seu redor, aprendeu a ler as Escrituras segundo o método antioqueno, atento à interpretação literal dos textos. Ele deu os primeiros passos no caminho espiritual que o levaria a deixar a cidade e viver por vários anos em solidão no Monte Sílpio, perto de Antioquia.

Ao retornar à cidade, foi ordenado diácono pelo bispo Meletius em 381 e, cinco anos depois, sacerdote pelo bispo Flaviano, que lhe ensinou não apenas a eloquência, mas também a caridade e a firmeza na fé. Foram anos de intensa pregação: João comentava as Escrituras segundo os princípios exegéticos da escola antioquena, livre de qualquer alegoria e essencialmente fiel à letra do texto bíblico. A pregação de João frequentemente se traduzia em exortação moral: por vezes, criticava a paixão pelo espetáculo que entusiasmava os cristãos de Antioquia, outras vezes, a sua moral frouxa. Com grande zelo, exortava os fiéis a fundamentarem as suas vidas no conhecimento das Escrituras, a viverem uma vida espiritual intensa sem acreditarem que esta era reservada apenas aos monges, e a praticarem a caridade através de um cuidado atento pelo "sacramento do irmão". “É um erro monstruoso acreditar que um monge deva levar uma vida mais perfeita, enquanto outros poderiam viver sem se preocupar com isso... Leigos e monges devem alcançar a mesma perfeição” (Contra os Oponentes da Vida Monástica 3, 14).

Em 397, João foi chamado a Constantinopla como sucessor do Patriarca Nectário. Na capital do império, o novo Patriarca dedicou-se com grande zelo à reforma da Igreja. Ele depôs os bispos simoníacos, combateu o costume da coabitação de padres e diaconisas, pregou contra a acumulação de riquezas nas mãos de poucos e contra a arrogância dos poderosos, e destinou grande parte dos bens eclesiásticos a obras de caridade. Em Constantinopla, também, continuou seu ministério como pregador da Palavra e pacificador. Sua obra de evangelização estendeu-se aos godos e fenícios. Intransigente quando a fé era ameaçada, pregava o amor pelos pecadores e inimigos. “O povo o aplaudia por suas homilias e o amava”, diz o historiador Sócrates (História Eclesiástica 6, 4).

Tudo isso lhe rendeu muitos amigos e muitos inimigos: amado pelos pobres como um pai, era combatido pelos poderosos, que o viam como uma ameaça formidável aos seus privilégios. A inimizade contra ele cresceu com a ascensão ao poder da Imperatriz Eudóxia. Em 403, com o apoio do Patriarca de Alexandria, Teófilo, ela realizou um julgamento contra João, deportando-o e condenando-o ao exílio. O decreto de condenação foi revogado pouco depois, e João pôde retornar à sua diocese, mas apenas por alguns meses. Durante a celebração da Páscoa em 404, os guardas imperiais invadiram a catedral da cidade, causando derramamento de sangue; tumultos se seguiram por vários dias. Pouco depois da festa de Pentecostes, João foi preso e novamente condenado ao exílio. Para evitar mais danos, o Patriarca deixou a residência episcopal por uma porta lateral; ele despediu-se dos bispos reunidos na sacristia e chamou a diaconisa Olímpia e suas companheiras, que viviam em comunidade a serviço da Igreja na casa ao lado da do bispo. "Venham, filhas, ouçam-me. Meu fim chegou, eu o vejo. Terminei a corrida, e talvez vocês nunca mais vejam meu rosto" (Paládio, Diálogo sobre a Vida de João Crisóstomo, 10). Com essas palavras, o pai se despediu de suas filhas espirituais.

João apelou ao Papa Inocêncio I, que reconheceu sua inocência; mas, mesmo assim, ele foi forçado a deixar Constantinopla. Após sua partida, tumultos irromperam na cidade: uma igreja adjacente ao prédio do Senado foi incendiada, fornecendo às autoridades imperiais um pretexto para prender e perseguir os seguidores de João. Ele foi confinado a Cucuso, uma pequena cidade na Armênia, mas, mesmo nesse lugar remoto, foi alcançado por demonstrações de afeto de seus fiéis, e assim seus inimigos providenciaram para que ele partisse para um lugar ainda mais distante. Ele deveria chegar a Pítio, no Ponto, mas morreu na viagem, em Comana, exausto pelas marchas forçadas a que fora submetido. Era 14 de setembro de 407.

“Glória a Deus em todas as coisas: nunca deixarei de repeti-la, sempre diante de tudo o que me acontecer!” (Cartas a Olímpia, 4). Nessas palavras, encontramos o testemunho condensado de João, que se mantém firme mesmo em meio às muitas tribulações que devem ser suportadas para entrar no reino dos céus (cf. Atos 14, 22), João Crisóstomo nos ensina a apreender a luz da ressurreição que já brilha da cruz e a carregar a cruz à luz de Cristo ressuscitado. Então, cada discípulo poderá proclamar com alegria: “Glória a Deus em todas as coisas!”.

O Martirológio Romano, assim como os Sinaxários Orientais, situam a festa de João XXIII em 27 de janeiro, aniversário do retorno de seu corpo a Constantinopla. Atualmente, sua festa é celebrada em 13 de setembro no calendário romano. Os siríacos também o celebram no mesmo dia. A Igreja Bizantina também o celebra em 30 de janeiro, juntamente com São Basílio e São Gregório de Nazianzo, e em 13 de novembro, dia de seu retorno do exílio. No Oriente, muitos mosteiros são dedicados a ele. Doutor da Igreja, João XXIII, juntamente com os santos Atanásio, Ambrósio e Agostinho, circunda a Cátedra de Bernini na abside da Basílica Vaticana. O Papa São João XXIII colocou o Concílio Vaticano II sob sua proteção.

 

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2º TEXTO HAGIOLÓGICO:

Conta-se que a corte imperial de Constantinopla, cansada das constantes críticas do Patriarca João às celebrações, à pompa excessiva, aos entretenimentos incessantes e ao luxo ostentoso e provocador, e particularmente irritada com as duras críticas dirigidas à própria imperatriz, convocou uma reunião para decidir o destino do bispo, que era um verdadeiro incômodo para todos. Os objetivos da reunião eram claros: buscavam uma solução definitiva para o problema, nada mais.

As opções sugeridas por alguns grupos de trabalho eram simples. Mas será que funcionariam e provocariam a reforma do bispo "culpado"? Alguns tinham dúvidas, muitas dúvidas.

A primeira opção do grupo de trabalho consultado: jogá-lo na prisão. Uma brilhante ideia; mas, disseram eles com reservas, isso lhe daria ainda mais tempo para orar e sofrer pelo Senhor, como sempre desejara. Portanto, nada de prisão.

Segunda opção: condená-lo à morte. Se aquele homem era o problema, com ele morto, o problema estaria resolvido. Muito simples, assim lhes pareceu. Sim, certamente, alguém objetou: "Mas assim ele morrerá como mártir e ficará muito feliz em ir ao encontro do Senhor." Ele aceitará essa perspectiva com alegria. Em termos políticos e de gestão de poder, torná-lo mártir não era uma boa ideia.

O terceiro grupo propôs induzi-lo a cometer algum pecado: esta, aliás, é a única coisa que ele odeia com todas as suas forças. A objeção estava pronta: "mas é impossível convencê-lo a cometer um pecado voluntariamente".

A última solução: exilá-lo para longe de Constantinopla. Uma ideia sensata, mas... Esta também tinha uma fragilidade: o acusado, na verdade, afirmava continuamente que toda a terra pertence ao Senhor e, portanto, não se sentiria exilado em lugar nenhum, pois encontraria Deus em toda parte.

Balançaram a cabeça, um tanto desanimados: parecia um caso impossível. A história nos conta que o exílio foi, no entanto, a solução adotada, aplicada em duas etapas. A primeira foi decretada com a cumplicidade de um grupo de bispos em acordo com a corte (o famoso Concílio do Carvalho). Declararam o Patriarca João um herege, e o imperador assinou a condenação. João foi assim expulso, e Eudóxia, a imperatriz, respirou aliviada. Mas não por muito tempo. O povo, que compreendera o motivo do exílio, revoltou-se, e um terremoto reforçou ainda mais os protestos. A supersticiosa imperatriz imediatamente o fez retornar à cidade. E foi um triunfo para o patriarca.



Mas a paz com a corte não durou muito. A pompa e o luxo continuaram, assim como as festas. Eudóxia mandou construir uma estátua de prata para si mesma perto da grande igreja de Santa Sofia, acompanhada de grandes celebrações pagãs (mesmo durante a Semana Santa), que João prontamente e severamente condenou.

E isso acelerou seu destino final: ele foi exilado sem possibilidade de retorno. Primeiro para uma fortaleza militar, mas seus indomáveis ​​seguidores continuaram a visitá-lo para ouvir suas palavras, desencadeando, como se pode facilmente imaginar, a fúria de Eudóxia. Então, apesar da intervenção do Papa Inocêncio I de Roma em seu favor, ele foi exilado para sempre e forçado a empreender uma jornada extenuante de 1.300 quilômetros, ou seja, o mais longe possível da corte imperial.

João caiu no caminho, exausto, perto do santuário de São Basilisco. Após receber a Eucaristia, morreu, um verdadeiro mártir, sussurrando sua oração favorita: "Glória a Deus em todas as coisas".

 

Em busca de sua vocação,

João nasceu em 349 em Antioquia. Seu pai, Secundus, cristão, era general do exército romano estacionado na Ásia Menor. Lá, ele conheceu Antusa, uma jovem bela, inteligente e cristã. Ele não hesitou em se casar com ela. A alegria do nascimento de João, porém, foi ofuscada pela morte súbita de Secondo. Assim, a bela Antusa, com apenas vinte anos, ficou viúva com um filho para criar.

Em vez de se casar novamente — ela não tinha falta de "festas" —, consagrou-se ao Senhor, como viúva, e dedicou-se inteiramente ao filho. Já adulto, ele sempre se orgulharia da mãe, de sua escolha heroica e corajosa, e de seu entusiasmo. Todos os elementos que dariam a João um profundo respeito pelas mulheres.

O rapaz era tão perspicaz que, aos 18 anos, já havia concluído seus estudos clássicos e, para decepção da mãe, em vez de se preparar para o batismo, entregou-se "às preocupações do mundo e às fantasias da juventude". Não planejava nada de ruim: simplesmente sentia a necessidade de provar a si mesmo e aos outros sua força oratória e de experimentar um pouco da liberdade juvenil. Sem infringir a lei.

Ao completar vinte anos, pediu o batismo, seriamente. Ele queria ser um cristão completo e, portanto, pensou que a melhor opção seria tornar-se monge. Sua mãe, sabiamente, o aconselhou a não seguir esse caminho. O motivo era simples: o rigor da vida ascética não era para ele, dada a sua fragilidade física.

João decidiu não se indispor com a mãe por causa disso, mas realizou parcialmente seu sonho ao frequentar o famoso Ascetismo de Antioquia, liderado por Diodoro, um homem santo e estudioso das Escrituras.

Com esse mestre, João progrediu no caminho evangélico e aprofundou seu conhecimento das Escrituras. Finalmente, o bispo Meleto propôs ordená-lo sacerdote. Não era o seu ideal, mas ele acabou concordando em se tornar leitor e, assim, dedicar-se à instrução dos catecúmenos.

Após a morte de sua mãe em 372, João acreditou que havia chegado a hora de realizar seu sonho: tornar-se monge. Ele assim o fez por alguns anos e, então, escolheu o caminho da vida eremítica, muito mais exigente que o primeiro. Recluiu-se em uma caverna por dois anos, levando uma vida extremamente árdua do ponto de vista ascético, mas desastrosa do ponto de vista físico. Seu corpo, de fato, ficou arruinado. Seria isso que o Senhor queria?

Ele se lembrou de sua sábia mãe: ela estava certa. Era melhor santificar-se ajudando outros a se converterem do que apodrecer em uma caverna, pensando apenas em sua própria santificação. Uma grande verdade. Ele compreendeu que poderia haver um caminho para a santificação pessoal com os outros e para os outros, isto é, em ação, não apenas em oração e contemplação solitária em uma caverna. Ele havia compreendido e escolhido sua vocação. Doente, deprimido e desiludido com a experiência, retornou a Antioquia para auxiliar seu bispo, Meletius.

Ele o ordenou diácono e o levou consigo ao Concílio Ecumênico de Constantinopla em 381. Lá, ficou impressionado com o desempenho pouco inspirador de alguns bispos, muitas vezes mais preocupados em afirmar a supremacia de sua própria igreja sobre as outras do que em testemunhar o Evangelho.

Grande pregador e reformador da Igreja, retornou a Antioquia, foi ordenado sacerdote e incumbido de pregar ao povo. As pessoas acorreram e lotaram a igreja para ouvi-lo. Ele foi um dos maiores pregadores e, por essa mesma razão, recebeu, da posteridade, o título de Crisóstomo, ou Boca de Ouro.

Suas palavras eram enriquecidas e fundamentadas pelas Sagradas Escrituras, que ele amava e conhecia intimamente.


Assim, sua fama chegou a Constantinopla.

E foi o grande salto: de Antioquia para a capital imperial. João era o candidato digno por seu conhecimento, fama e virtude: o imperador aprovou com alegria sua nomeação. Mas o recém-eleito imediatamente decepcionou as expectativas... não muito louvável.

O Patriarca João não era um político que prosperava com compromissos e diplomacia (que muitas vezes se resumiam à hipocrisia), nem um homem do mundo que se deleitava com festas, luxo e uma vida confortável.

Ele imediatamente embarcou em um programa de reformas, começando pelo próprio palácio: deu adeus, sem remorso, às suntuosas recepções para os lordes da corte e suas damas de companhia, reduziu seu próprio patrimônio e até conseguiu eliminar despesas desnecessárias da diocese. O resultado? Mais recursos para melhor auxiliar os pobres, construir novas igrejas e projetar hospitais eficientes, onde empregou não apenas equipe médica, mas também cozinheiros e capelães.

 

Uma vítima do poder político intolerante.

O patriarca foi particularmente mordaz em relação à corte imperial e às matronas, que eram excessivamente maquiadas e adornadas com joias de maneira exagerada e provocativa: "O palácio do imperador é um ninho de pagãos, filósofos e seios inchados de glória mundana. Poderíamos dizer que é um hospital para hidrópicos. Esta corte não pode ser outra coisa, pois só se encontra arrogância, e aqueles que chegam aqui rapidamente se tornam arrogantes."

Como se pode ver por essas palavras, João era um grande bispo, mas certamente não um especialista em diplomacia. Essas duras palavras tiveram um efeito duplo. Enquanto, por um lado, o povo e a parte sensata do clero se alegravam com o programa de reformas e a corajosa denúncia de todos os costumes e abusos dos ricos e nobres. Por outro lado, enfureciam toda a corte, especialmente a Imperatriz Eudóxia. Num excesso de humildade, ela se autoproclamou Augusta e, como se não bastasse, também Mãe da Igreja (juntamente com outras matronas).

Ele, por sua vez, a chamou de "a nova Jezabel" e "a nova Herodíades", que "espuma de raiva e exige mais uma vez a cabeça de João numa bandeja".

Os ricos e poderosos (os ímpios dos salmos) não toleram pregadores e testemunhas que denunciam seus delitos, injustiças e sede de poder: não podiam permanecer inertes diante daquele pregador. Assim como os ímpios do salmo armaram uma cilada para o justo, a fim de eliminá-lo até mesmo de sua própria vista, assim também a corte imperial se comportou em relação a João. E a armadilha que seria preparada para aquele patriarca que viveu uma vida pobre e santa, mas que ousou chamar outros à justiça e a uma vida sóbria, era o exílio.

O bom senso deles sugeria que o patriarca de Constantinopla não poderia ser morto imediatamente e com um único golpe: melhor uma morte menos heroica, menos sensacional, menos emocionante e menos perigosa (para a revolta popular) do que o martírio. Que ele fosse para o exílio e lá permanecesse para sempre. E assim foi decretado em 404.

João de Antioquia, Patriarca de Constantinopla, exausto pelo esforço da longa e árdua jornada, foi ao encontro do Senhor em 14 de setembro do ano de 407.

A posteridade lhe concederá a glória que mereceu: além do título de Crisóstomo (que significa "boca de ouro"), recebeu também o de Doutor e Pai da Igreja. E, depois de tantos séculos, ainda hoje nos lembramos dele com alegria.

 

FONTES:

Vatican News

Artigo do Pe. Mario Scudu, SDB



sábado, 12 de setembro de 2026

SANTÍSSIMO NOME DE MARIA - Memória facultativa em 12 de setembro.



Hoje, a Igreja celebra o Santíssimo Nome de Maria logo após o seu nascimento, assim como o Santíssimo Nome de Jesus é celebrado alguns dias depois do Natal. 

Segundo o costume, a Virgem Maria recebeu o nome de Maria poucos dias após o seu nascimento. 

Para os judeus, o nome era mais do que um sinal linguístico: expressava a própria natureza da pessoa

É por isso que na Bíblia vemos o próprio Deus escolhendo os nomes dos seus servos: Adão, Abraão, Isaac, João Batista, Jesus. 

Os Padres e Doutores da Igreja muitas vezes buscaram o significado do nome de Maria, interpretando-o de diferentes maneiras: Estrela do Mar, Soberana, Protetora

Ora, se o nome Maria é talvez de origem egípcia, contém a raiz do verbo "amar". Ela é, portanto, a Amada em quem não há defeito (cf. Cântico dos Cânticos 4, 7). 

"Cheia de Graça", como a chama o anjo Gabriel (Lucas 11, 28). Maria é, portanto, a imagem e as primícias da Igreja, a esposa que a graça de Deus transformou de “não amada” em “amada” (cf. Os 1, 6; 2, 3). 

Em todo caso, é justo demonstrar nosso respeito pelo Nome daquela que a Igreja e eu invocamos com tanta frequência em nossas orações. 

Celebrada desde 1513 na Espanha, a festa do Santo Nome de Maria foi instituída em toda a Igreja pelo Papa Inocêncio XI em 1684, em reconhecimento à vitória sobre os turcos em Viena, em 1683. Os turcos tentavam entrar na Europa Ocidental por terra. Viena estava sitiada desde 14 de julho e sua rendição era questão de horas. A cidade confiou-se à intercessão da Virgem Maria. Um capuchinho italiano, o Beato Marco d'Aviano, capelão de todos os exércitos cristãos, encorajou as tropas cristãs a serem fervorosas e a resistirem. Enquanto toda a cidade rezava a Maria ao longo do dia 11 de setembro, a bandeira do Grão-Vizir caiu em favor dos cristãos naquela noite. 

No dia seguinte, o Rei da Polônia, João III Sobieski, que havia chegado como reforço, entrou na cidade em júbilo e assistiu à Missa e ao Te Deum na Igreja da Virgem de Loreto, à qual atribuiu a vitória. 

A festa do Santíssimo Nome de Maria não foi incluída no novo calendário litúrgico universal promulgado após o Concílio Vaticano II, sendo restaurada para 12 de setembro apenas em 2002 por São João Paulo II. 

No entanto, sempre permaneceu presente na forma extraordinária do Rito Romano (Missal de 1962) como uma festa de terceira classe.

 



Na história da exegese, houve várias interpretações para o significado do nome de Maria:


Amargura.

Este significado foi atribuído por alguns rabinos: eles derivam o nome MIRYAM da raiz MRR = em hebraico "ser amargo". Esses rabinos sustentam que Maria, irmã de Moisés, recebeu esse nome porque, quando nasceu, Faraó começou a tornar a vida dos israelitas amarga e decidiu matar as crianças hebreias.

Essa interpretação pode ser aceita por nós, cristãos, considerando quanta dor e amargura Maria sofreu ao cocriar conosco:

[Lm 1,12] Todos vós que passais por aqui, considerai e vede se há dor semelhante à minha dor...

Além disso, o diabo, do qual Faraó é uma figura, guerreia contra a descendência da mulher, tornando a vida amarga para os verdadeiros devotos de Maria, que, aliás, não temem nada, protegidos por sua Rainha.

 

Mestra e Senhora do Mar.

Segundo esta interpretação, o nome de Maria deriva de MOREH (hebraico: Mestra-Senhora) + YAM (= mar): assim como Maria, irmã de Moisés, foi a mestra das mulheres hebreias na travessia do Mar Vermelho e a Mestra no cântico da Vitória (cf. Ex 15,20), também “Maria é a Mestra e Senhora do mar deste século, que ela nos faz atravessar, conduzindo-nos ao céu” (Santo Ambrósio, Exortação às Virgens).

Outros autores antigos que sugerem esta interpretação: Filo, São Jerônimo, Santo Epifânio.

Este paralelo tipológico entre Maria, irmã de Moisés, e Maria, mãe de Deus, é retomado pelo Salmo 115. Agostinho, que chama Maria de "nossa timpanista" (Maria, irmã de Moisés e a timpanista dos judeus, Maria Santíssima é nossa timpanista, isto é, dos cristãos): o cântico de Moisés no Novo Testamento seria o Magnificat, cantado precisamente por Maria. Esta interpretação é hoje defendida pelo Padre Le Deaut, um dos maiores especialistas em tergúmico e literatura judaica em geral: segundo este autor, São Lucas teria feito este paralelismo voluntariamente.




Iluminadora, estrela do mar.

De acordo com esta interpretação, o nome de Maria derivaria de: prefixo nominal (ou participial) M + 'OR (hebraico = luz) + YAM (= mar): Assim, São Gregório Taumaturgo, Santo Isidoro, São Jerônimo (juntamente com o anterior).

Alguns autores acreditam que São Jerônimo, na verdade, não interpretou o nome como "estrela do mar", mas como "stilla maris", isto é: gota do mar.

A presença da raiz "mar" no nome de Maria sugeriu várias interpretações e comparações de Maria com o "mar":

Pedro de Celles (+1183) Maria = "mar de graças": a partir daqui Montfort continua: "Deus Pai reuniu todas as águas e chamou-as de mar, reuniu todas as graças e chamou-as de Maria" (Verdadeira Devoção, 23).

Qohelet 1,7: "todos os rios deságuam no mar"; São Boaventura afirma que todas as graças (= todos os rios) que os anjos, os apóstolos, os mártires, os confessores e as virgens receberam, "desaguaram" em Maria, o mar de graças.

Santa Brígida: "É por isso que o nome de Maria é doce para os anjos e terrível para os demônios". 



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Ave maris stella, Dei Mater alma, atque semper virgo, felix coeli porta...

Este hino parece ser uma meditação sobre o nome de Maria, em relação a Maria, irmã de Moisés:

"Ave maris stella" (cf. significado 3); "Dei Mater ALMA atque semper virgo": Maria, irmã de Moisés, é chamada em Êxodo 2,8, de `ALMAH = "virgem" e, etimologicamente, "oculta"; "felix coeli porta", isto é, "senhora do mar" deste século que Ela nos conduz (cf. significado 2).



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Chuva sazonal.

Segundo esta interpretação, o nome de Maria deriva de MOREH (hebr. PRIMEIRA CHUVA SAZONAL).

Maria é considerada aquela que envia do céu uma "chuva de graça" e "uma chuva de graça em si mesma".

Esta interpretação, que C. A. Lápide atribui a Pagninus, é parcialmente adotada por São Luís Maria Grignion de Montfort na Oração Ardente: comentando o Salmo 67:10 "pluviam voluntariam elevasti Deus, hereditatem tuam laborantem tu confortasti" (Uma chuva abundante, ó Deus, que separaste para a tua herança), diz Montfort:

"[PI 20] O que é, Senhor, esta chuva abundante que separaste e escolheste para revigorar a tua herança exaurida? Não são estes santos missionários, filhos de Maria, tua esposa, que deves escolher e reunir para o bem da tua Igreja, tão enfraquecida e manchada pelos pecados dos seus filhos?"

Maria, chuva de graças, formará e enviará à terra uma chuva de missionários,




Alteza.

Segundo esta interpretação, o nome de Maria deriva de MAROM (hebr. ALTURA, EXCELSIS): esta hipótese é defendida, entre os antigos, por Canínio, e, entre os modernos, por Vogt, especialmente com base nas recentes descobertas dos textos ugaríticos, que permitiram a compreensão de muitas raízes hebraicas.

Lucas 1, 78: pela misericórdia de nosso Deus, em que nos visitou o Oriente do alto. Esse versículo, de acordo com o texto grego e a retroversão hebraica, pode ser traduzido: "Um sol nascente nos visitou do alto": Cristo é o sol nascente que vem do alto (o Pai), ou, "um sol nascente nos visitou 'do alto'" = de Maria.

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De todas essas hipóteses, qual é a correta? Talvez a Providência nos tenha deixado em dúvida, porque no nome de Maria podemos encontrar simultaneamente todos os significados que a analogia da fé sugere.