Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Beata Alexandrina Maria da Costa, Virgem e Mística - memória em 13 de outubro

     Hoje, dou início à publicação das biografias de grandes místicas do século XX. Quando se fala em "mística" ou "místico", essas palavras podem soar estranhas. Por quê? Por causa da grande deturpação que se deu a elas.
    Comparo com o que se deu com o uso da palavra "amor", por exemplo. Quando se fala em "amor", o que se pensa? Em amor Ágape (puro, verdadeiro, que se doa, que se sacrifica, que renuncia a si mesmo), no amor "Filia" (amizade, coleguismo ou parceria) ou no amor "Eros" (paixão, atração física ou sexo)? Muitas vezes não é nada fácil distinguir. A palavra "amor" é muito mal empregada hoje em dia, infelizmente...
      Da mesma forma, a palavra "místico" ou "mística". Pensa-se logo em algo "mágico", "esotérico", "cabalístico", "espiritualista", etc. Na realidade, não tem nada a ver com isso! 
     Um místico ou uma mística, é alguém mergulhado (a) no Ser de Deus, cuja vida está plenamente preenchida da Vida Divina. Uma pessoa mística vive o que Jesus disse nos Evangelhos: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada" (João 14, 23). Assim, a pessoa "transborda Deus" em todo o seu ser. Deus se sente plenamente livre para fazer na vida daquela pessoa suas grandes maravilhas. Não é mais ela quem vive, é Cristo quem vive nela (como disse São Paulo Apóstolo). 
      Iniciaremos com a vida da Beata Alexandrina Maria da Costa, uma grande mística portuguesa, de Balasar, que viveu de forma extraordinária o carisma da união com o Cristo Sofredor, tornando-se, ao mesmo tempo, apóstola da reparação aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, reparação essa que é o centro da mensagem de Fátima. 
       Não estranhem algumas fotos que serão publicadas. Elas mostrarão a beata (que vivia confinada ao leito devido a uma paraplegia causada por um fatídico acidente) em êxtase, contemplando, sentindo e vivendo a Paixão de Cristo em seu próprio corpo. A beata Alexandrina foi uma "alma vítima", isto é, uma alma escolhida por Deus para sofrer, e sofrer muito pela conversão dos pecadores e salvação das almas, em união com o Cristo Sofredor, que constantemente está a sacrificar-se nas Santas Missas que se celebram no mundo inteiro. 
             Espero que apreciem a história e a divulguem. 



Beata Alexandrina Maria da Costa, virgem e leiga.
(da União dos Cooperadores Salesianos, 1904-1955) 

ALEXANDRINA MARIA DA COSTA nasceu em Balasar, Póvoa de Varzim, Arquidiocese de Braga, no dia 30 de março de 1904, e foi batizada no dia 2 de abril, Sábado Santo. Foi educada cristianamente pela mãe, junto com a irmã Deolinda. Alexandrina viveu em casa até os 7 anos. Depois foi para uma pensão de um marceneiro na Póvoa de Varzim, a fim de frequentar a escola primária, que não existia em Balasar. Fez a primeira comunhão na sua terra natal em 1911 e, no ano seguinte, recebeu o sacramento da Crisma pelo Bispo do Porto.
Passados 18 meses, voltou a Balasar e foi morar com a mãe e a irmã na localidade do “Calvário”, onde irá permanecer até a morte.
Robusta de constituição física, começou a trabalhar nos campos, equiparando-se aos homens e a ganhar o mesmo que eles. A sua infância foi muito viva: dotada de temperamento feliz e comunicativo, era muito querida pelas colegas. Aos 12 anos, porém, adoeceu: uma grave infecção (uma febre tifoide, talvez) colocou-a quase à morte. Superou a doença, mas a sua saúde ficou abalada para sempre.
Aos 14 anos aconteceu um fato que seria decisivo para a sua vida.
Era Sábado Santo de 1918. Nesse dia, ela, a irmã Deolinda e mais uma mocinha aprendiz, estavam a trabalhar de costura, quando perceberam que três homens tentavam entrar na sala onde se encontravam. Embora estivessem fechadas, os três homens forçaram as portas e conseguiram entrar. Alexandrina, para salvar a sua pureza ameaçada, não hesitou em atirar-se pela janela, de uma altura de quatro metros. As consequências foram terríveis, embora não imediatas. De fato, as várias visitas médicas a que foi sucessivamente submetida diagnosticaram, cada vez com maior clareza, um fato irreversível.
Até aos 19 anos pôde ainda arrastar-se até a igreja, onde gostava de ficar recolhida, com grande admiração das pessoas. A paralisia foi avançando cada vez mais, até que as dores se tornaram insuportáveis; as articulações perderam qualquer movimento; e ela ficou completamente paralisada. Era o dia 14 de abril de 1925, quando Alexandrina ficou definitivamente de cama. Ali haveria de passar os restantes 30 anos de sua vida.
Até 1928 não deixou de pedir a Deus, por intercessão de Nossa Senhora, a graça da cura, prometendo que, se sarasse, partiria para as missões. Depois compreendeu que a sua vocação era o sofrimento. Abraçou-a prontamente. Dizia: “Nossa Senhora concedeu-me uma graça ainda maior. Depois da resignação, deu-me a conformidade completa à vontade de Deus e, por fim, o desejo de sofrer”.
São desse período os primeiros fenômenos místicos: Alexandrina iniciou uma vida de grande união com Cristo nos Tabernáculos, por meio de Nossa Senhora. 
Um dia em que estava só, veio-lhe improvisadamente este pensamento: “Jesus, tu és prisioneiro no Tabernáculo. E eu, por tua vontade, prisioneira na minha cama. Far-nos-emos companhia”. Desde então começou a primeira missão: ser como a lâmpada do Tabernáculo. Passava as noites como em peregrinação de tabernáculo em tabernáculo. Em cada Missa oferecia-se ao Eterno Pai como vítima pelos pecadores, junto com Jesus e segundo as suas intenções. 



Um dos êxtases de Alexandrina, nos quais
Era crucificada à semelhança de Jesus Cristo. 


Quanto mais clara se tornava a sua vocação de vítima, tanto mais crescia nela o amor ao sofrimento. Comprometeu-se com voto a fazer sempre o que fosse mais perfeito.
De sexta-feira, 3 de outubro de 1938, a 24 de março de 1942, ou seja, por 182 vezes, viveu, em todas as sextas-feiras, os sofrimentos da Paixão: Alexandrina, superando o estado habitual de paralisia, descia da cama e, com movimentos e gestos, acompanhados de angustiantes dores, repetia, por três horas e meia, os diversos momentos da Via Crucis.
A beata Alexandrina revivendo o momento em que Cristo
É manietado e flagelado. 

“Amar, sofrer, reparar” foi o programa que o Senhor lhe indicou. Desde 1934, a convite do padre jesuíta Mariano Pinho, que a dirigiu espiritualmente até 1941, Alexandrina punha por escrito tudo quanto, vez por vez, lhe dizia Jesus.
Em 1936, por ordem de Jesus, pediu ao Santo Padre, por meio do P. Pinho, a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. Este pedido foi renovado várias vezes até 1941, pelo que a Santa Sé interrogou três vezes o Arcebispo de Braga a respeito de Alexandrina. No dia 31 de outubro de 1942, Pio XII consagrou o mundo ao Coração Imaculado de Maria com uma mensagem transmitida de Fátima em língua portuguesa. Este ato foi repetido em Roma, na Basílica de São Pedro, no dia 8 de dezembro do mesmo ano de 1942.
Depois de 27 de março de 1942, Alexandrina deixou de se alimentar, vivendo exclusivamente da Eucaristia. Em 1943, por quarenta dias e quarenta noites, foram rigorosamente controlados por médicos o jejum absoluto e a anúria, no hospital da Foz do Douro, no Porto.


Apesar de seus sofrimentos atrozes, conservava
Sempre o rosto sereno e sorridente, jamais se
Queixando-se de nada do que sofria. 
Em 1944, o novo diretor espiritual, P. Umberto Pasquale, salesiano, após constatar a profundidade espiritual a que tinha chegado, animou Alexandrina a continuar a ditar o seu diário; fê-lo com espírito de obediência até à morte. No mesmo ano de 1944, Alexandrina inscreveu-se na União dos Cooperadores Salesianos. E quis pôr o seu diploma de Cooperadora «em lugar bem visível a fim de tê-lo sempre debaixo dos olhos» e colaborar com o seu sofrimento e as suas orações para a salvação das almas, sobretudo juvenis. Rezou e sofreu pela santificação dos Cooperadores Salesianos de todo o mundo.

Apesar dos sofrimentos, continuava a dedicar-se aos problemas dos pobres, ao bem espiritual dos paroquianos e de muitas outras pessoas que a ela recorriam. Promoveu em sua paróquia tríduos e horas de adoração.
Especialmente nos últimos anos de vida, muitas pessoas, vindas de longe, atraídas pela fama de santidade, visitavam-na; muitas atribuíam a própria conversão aos seus conselhos.
Em 1950, Alexandrina festejou o 25º ano de sua imobilidade. E em 7 de janeiro de 1955 foi-lhe preanunciado que aquele seria o ano da sua morte. De fato, dia 12 de outubro quis receber a unção dos enfermos. E dia 13, aniversário da última aparição de N. Sra. de Fátima, ouviram-na exclamar: “Sou feliz porque vou para o céu”. Às 19h30 expirou.
Sobre a sua campanha, podem ler-se estas palavras por ela tão desejadas:


“Pecadores, se as cinzas do meu corpo puderem ser úteis para a vossa salvação, aproximai-vos: passai todos por cima delas, pisai-as até desaparecerem, mas não pequeis mais! Não ofendais mais o nosso Jesus! Pecadores, queria dizer-vos tantas coisas. Não bastaria este grande cemitério para escrevê-las todas! Convertei-vos! Não queirais perder Jesus por toda a eternidade! Ele é tão bom!... Amai-O! Amai-O! Basta de pecar!”
É a síntese da sua vida gasta exclusivamente para salvar as almas.
No Porto, na tarde do dia 15 de outubro, os vendedores de flores viram-se sem nenhuma flor branca: todas tinham sido vendidas para a homenagem floral a Alexandrina, que tinha sido a rosa branca de Jesus. 

SÃO CARLO ACUTIS, Adolescente e Patrono da Internet - memória no Brasil em 13 de outubro.



Algumas pessoas saem da vida para entrar na história; outras, para entrar no céu. Em 12 de outubro de 2006, falecia o jovem Carlo Acutis, vítima de gravíssima leucemia (chamada de "galopante", que tolheu-lhe a vida na terra e arrebatou-o para o Céu em menos de 1 mês após o diagnóstico. 
No leito de morte, que acolheu com serenidade, fortaleza e grande concordância com a vontade de Deus, desejou ardentemente que seus sofrimentos fossem oferecidos a Deus pela Santa Igreja e pelo Papa. 
O testemunho do rapaz, de apenas 15 anos, comoveu toda a Itália, tornando-o modelo de santidade, sobretudo para a juventude. 
Foi beatificado pelo Papa Francisco, em 2020, e canonizado, junto com o Beato Pier Giorgio Frassati, pelo Papa Leão XIV, em 7 de setembro de 2025.


São Carlo Acutis nasceu em Londres, Inglaterra, em 3 de maio de 1991. Os primeiros dias de vida foram também os primeiros de sua jornada para Deus. Com uma fé católica profundamente arraigada, os pais, André e Antônia, não tardaram a lhe providenciar o batismo, preparando para a ocasião um pequeno bolo em formato de cordeiro, como forma de agradecimento ao Senhor pela entrada do filho na comunidade cristã. Um simbolismo profético. A exemplo do Cordeiro de Deus, o pequeno Acutis também se dedicaria a servir a todos. Ele fazia isso a fim de completar na própria carne — como diz o Apóstolo São Paulo ao explicar o valor salvífico da dor — o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja.

Crescendo em Milão, o pequeno Carlo demonstrou as virtudes cristãs desde a infância. Era uma criança alegre, de comportamento suave, que cativava a todos — principalmente as babás — com o seu entusiasmo contagiante. E se algum amiguinho aprontava-lhe uma maldade, sabia colocar a caridade acima do instinto: "o Senhor não seria feliz se eu reagisse violentamente". Com a permissão de seu confessor e diretor espiritual, bem como de seu arcebispo, fez a Primeira Comunhão aos 7 anos de idade. Desde então, espontaneamente, sem precisar ninguém mandar, passou a ir à Santa Missa e a dedicar alguns momentos diários de adoração ao Santíssimo Sacramento diariamente. Santa Missa já lhe era o bem mais precioso. Comungava diariamente, haurindo da Eucaristia a graça para uma vida santa. Um dia, escrevera: "A Eucaristia é minha auto-estrada para o Céu". 

Tamanha espiritualidade chamava a atenção dos mais próximos. Certa vez, preferiu participar de uma peregrinação a Assis, Itália, a visitar outros lugares para diversão. O comportamento do garoto levava os parentes a considerá-lo uma "vítima dos pais". Mas não era nada disso. Como confidenciaria a seu diretor espiritual, poucos dias antes de sua derradeira Páscoa, Assis era o lugar onde mais se sentia feliz. Juntamente com Nossa Senhora de Fátima, São Francisco de Assis era-lhe o grande santo de devoção, principalmente por sua pequenez e humildade.

Vibrante, apaixonado pela vida, tinha no apostolado o fim último de toda a sua ação. Entendera cedo o "chamado universal à santidade". Daí a disponibilidade para com todos, fazendo-se amigo de qualquer um, mesmo dos mais tímidos. "Ele acreditava no diálogo íntimo com o Senhor — conta um dos colegas — e rezava o Santo Rosário todos os dias. Após a morte de Carlo, voltei para a Igreja e acho que isso pode ser mérito de sua intercessão." Quanto à sua filial e fervososa devoção mariana, um dia dissera: "Maria foi a única mulher de minha vida". 

No Instituto Liceo Classico Leão XIII, onde iniciou o ensino médio, desenvolveu sua paixão por computadores. Carlo criou um site dedicado à pesquisa e divulgação de muitos milagres eucarísticos e à vida dos santos. "Decidi ajudá-los", dizia o jovem na página da internet, compartilhando alguns dos meus segredos mais especiais para aqueles que desejam rapidamente alcançar o objetivo da santidade". Carlo Acutis insistia na Missa diária, na récita do rosário, na lectio divina, na confissão e no apego aos santos. "Peça ao seu Anjo da Guarda para ajudá-lo continuamente, de modo que ele se torne seu melhor amigo", recomendava. Doutra feita, uma vez declarara que: "durante a minha vida eu nunca perdi um minuto sequer sem fazer a vontade de Deus, sem cumprir o que me inspirava a fazê-lo". 

Em 2006, com apenas 15 anos, Carlo Acutis descobriria uma grave doença: a leucemia. Confundida inicialmente com uma inofensiva "caxumba", o mal acabou se alastrando rapidamente, mesmo com os vários tratamentos, causando-lhe a morte em apenas um mês. Às 06h45 de 12 de outubro de 2006, o Senhor o levava para a vida eterna. Perto de falecer, confidenciou aos pais: "Ofereço todos os sofrimentos desta minha partida ao Senhor, ao Papa e à Igreja, para não fazer o Purgatório e ir direto para o Paraíso."

A postuladora para a causa dos Santos da Arquidiocese de Milão, Francesca Consolini, afirma que a fé de Carlo Acutis era "singular": "levava-o a ser sempre sincero consigo mesmo e com os outros (...), era sensível aos problemas e às situações de seus amigos, os companheiros, as pessoas que viviam perto a ele e quem o encontrava dia a dia". O testemunho do rapaz pode ser encontrado na sua biografia, "Eucaristia, minha auto-estrada para o céu", escrita por Nicola Gori, articulista do jornal "L'Osservatore Romano".

O corpo de Carlo Acutis foi sepultado em Assis, cidade de São Francisco, na Igreja do "Despojamento", onde o grande Santo desfez-se de tudo que possuía, até de suas vestes. Assim a sua família o quis, especialmente sua mãe e grande divulgadora, dona Antônia Salsano, por sua especial devoção ao Santo "Poverello". 






Durante o processo de beatificação, seus espólios mortais foram exumados e seu corpo encontrado praticamente intacto, sem sinais de decomposição, apenas com a pele levemente ressecada e alguns locais com coloração um pouco mais escura, mas íntegro, sem nenhum odor desagradável. E, em um vão, protegido por vidro, ainda se conserva intacto e pode ser visto e venerado por fiéis e turistas que vão visitá-lo. 


Por Equipe Christo Nihil Praeponere


 Um comentário meu:
Interessante a história desse jovem, São Carlo Acutis. Ela vem mostrar que, para sermos santos, não precisamos ser "esquisitos". Podemos ser pessoas alegres, simpáticas, inteligentes, estudiosas, ativas no mundo, porque Jesus também era assim. 
Lembram-se de como Jesus foi criticado porque "comia e bebia" na casa dos pecadores? Jesus participava da vida de sua aldeia, Nazaré, compareceu a uma festa de casamento em Caná, sentava-se à mesa de fariseus (p. ex., o fariseu Simão) e de publicanos (p. ex., São Mateus), tinha amigos íntimos (Marta, Maria e Lázaro), abraçava as crianças, etc. 
Jesus não era um "homem esquisito", taciturno, isolado do mundo ou da realidade. Jesus foi um homem perfeito e viveu em tudo sua condição humana, exceto o pecado. 
São Carlo Acutis era um jovem "normal". Era inteligente, estudioso, gostava muito de computação, tinha amigos, passeava com seus pais, porém, sem deixar de amar a Deus e de tê-lO como centro de sua vida. Isso é o que importa. 

Notas:
Como já citado acima, foi beatificado pelo Papa Francisco em 2020, graças ao reconhecimento de um milagre ocorrido no Brasil (a cura de uma criança em risco de morte com pâncreas anelar). 
Foi canonizado pelo Papa Leão XIV no dia 7 de setembro de 2025, juntamente com São Pier Giorgio Frassati. Isso foi devido à cura milagrosa de uma jovem atropelada que sofreu traumatismo craniano grave e perda de massa encefálica. Caso não fosse curada, morreria ou ficaria em estado comatoso, gravemente sequelada.  


(Giovani Carvalho Mendes, ocds)

domingo, 11 de outubro de 2026

SÃO JOÃO XXIII, Papa, o "Papa Bom" - 11 de outubro.

           

          Martirológio Romano

Em Roma, o São João XXIII, Papa, homem dotado de extraordinária humanidade, com sua vida, suas obras e seu supremo zelo pastoral, procurou derramar sobre todos a abundância da caridade cristã e promover a unidade fraterna entre os povos. Particularmente atento à eficácia da missão da Igreja de Cristo em todo o mundo, convocou o Concílio Ecumênico Vaticano II.

Angelo Giuseppe Roncalli nasceu em Sotto il Monte, uma pequena vila na província de Bergamo, em 25 de novembro de 1881, filho de pobres meeiros. Após se tornar sacerdote, permaneceu em Bergamo por quinze anos, servindo como secretário do bispo e professor de seminário. 

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, foi convocado para servir como capelão militar. Enviado à Bulgária e à Turquia como visitador apostólico, foi nomeado Núncio Apostólico em Paris em 1944 e, posteriormente, tornou-se Patriarca de Veneza em 1953. 

Em 28 de outubro de 1958, ascendeu ao trono papal, sucedendo a Pio XII, adotando o nome de João XXIII, o 261º Papa da Igreja Católica. Ele iniciou o Concílio Vaticano II, mas não viveu para ver sua conclusão: faleceu em 3 de junho de 1963. 

Em seu breve, porém intenso pontificado, que durou pouco menos de cinco anos, conseguiu conquistar o mundo inteiro. Ele foi beatificado em 3 de setembro de 2000 e canonizado em 27 de abril de 2014. 

Seus restos mortais repousam desde 2001 na Basílica de São Pedro, em Roma, precisamente na nave direita, sob o altar de São Jerônimo.

 

Nascimento e Família:

Angelo Giuseppe Roncalli nasceu em Sotto il Monte, mais precisamente no povoado de Brusicco, na província e diocese de Bergamo, em 25 de novembro de 1881. Era o quarto de treze filhos e o primeiro filho homem de Giovanni Battista Roncalli e Marianna Mazzola, agricultores. Foi batizado naquela mesma noite de 25 de novembro na igreja de Santa Maria, perto da casa de sua família.

Além de seus pais, seu tio-avô Zaverio Roncalli, tio mais velho de seu pai, desempenhou um papel fundamental em sua educação religiosa. Solteiro, dedicou-se a cuidar de seus numerosos bisnetos; também foi padrinho de Angelo Giuseppe.

O menino passou seus primeiros anos na casa de fazenda conhecida como "Palazzo" por ser tão grande, enquanto seus pais trabalhavam como meeiros para os Condes de Morlani de Bergamo.

 Em 1893, em parte devido ao crescente número de filhos, a família Roncalli, que também incluía seu avô Angelo e outros parentes, mudou-se para a fazenda "La Colombera". Angelo começou a escola primária em outubro de 1887, primeiro em Ca' Maitino e depois em Bercio, em uma escola mista para meninos.

Durante esses mesmos anos, começou a frequentar aulas de catecismo todos os domingos. Em 13 de fevereiro de 1889, em Carvico, recebeu a Crisma e, em 31 de março de 1889, fez a Primeira Comunhão na igreja de Santa Maria in Brusicco. Tanto por demonstrar notável capacidade acadêmica quanto por sua inclinação religiosa, seus pais decidiram que ele teria aulas particulares em Carvico com o Padre Luigi Bonardi e o Padre Pietro Bolis, dois padres amigos de seu pároco, o Padre Francesco Rebuzzini.

Munido desse vasto conhecimento, Angelo ingressou no terceiro ano do ensino médio no Colégio Episcopal de Celana, no ano letivo de 1891-92. Longe de casa, cercado por rapazes mais velhos e de posição social mais elevada, enfrentou as primeiras dificuldades: em julho de 1892, não compareceu aos exames finais. Dedicou-se, então, a estudos ainda mais intensos sob a orientação do Padre Rebuzzini, a fim de ser admitido no Seminário de Bergamo. 

No Seminário de Bergamo , Angelo obteve excelentes resultados nos exames realizados nos dias 5 e 6 de outubro de 1892 e foi admitido ao terceiro ano do ensino médio. Ingressou oficialmente em 7 de novembro de 1892, graças, em parte, ao apoio financeiro oferecido pelo pároco de sua paróquia e por um dos proprietários das terras cultivadas pela família Roncalli, o Padre Giovanni Morlani. O início não foi fácil, mas Angelo logo se destacou tanto por sua dedicação aos estudos quanto por sua inclinação à oração. Em junho de 1895, recebeu a batina e foi admitido entre os candidatos às ordens menores. Estudos teológicos e serviço militar.

Em 4 de janeiro de 1901, iniciou seu segundo ano de Teologia, não em Bergamo, mas em Roma: fora escolhido, juntamente com dois colegas, para receber uma bolsa de estudos para clérigos pobres. Matriculou-se então no Pontifício Seminário Romano de Apolinário.

Contudo, devido ao serviço militar, teve de interromper os estudos: em julho de 1901, solicitou voluntariamente a antecipação do seu período de serviço para que seu irmão Zaverio não precisasse abandonar o trabalho no campo. Alistou-se então no 73º Regimento de Infantaria por doze meses e foi designado para o quartel Umberto I em Bergamo, sendo dispensado em 30 de novembro de 1902.


Ordenação sacerdotal e primeiras designações:

Em 13 de julho de 1904, recebeu o doutorado em Sagrada Teologia. Quase um mês depois, em 10 de agosto de 1904, foi ordenado sacerdote na igreja de Santa Maria in Montesanto, na Piazza del Popolo, em Roma. O reitor do Seminário Romano pediu-lhe que permanecesse para aprofundar seus estudos em Direito Canônico, mas ele foi obrigado a interromper os estudos: em fevereiro de 1905, foi escolhido como secretário por Dom Giacomo Maria Radini Tedeschi, bispo de Bergamo.

Permaneceu ao seu lado por dez anos, período durante o qual desempenhou outras funções: professor de História Eclesiástica, Patrologia e Apologética no seminário, editor e fundador (em 1909) do periódico "La vita diocesana" e líder do movimento de mulheres católicas. Assim, tomou conhecimento das novas realidades dentro da Igreja, mas também teve que se defender de acusações de modernismo.


O capelão militar e diretor espiritual:

Dom Radini Tedeschi, faleceu em 1914; no ano seguinte, Padre Roncalli foi convocado para o exército para a Primeira Guerra Mundial. Como era comum entre os sacerdotes, foi designado para as unidades médicas: inicialmente como sargento e, a partir de 1916, como tenente capelão. Contudo, pôde continuar exercendo as atividades pelas quais era responsável, pois foi enviado para Bergamo, que havia sido declarada cidade-hospital.

Ao final da guerra, supervisionou a abertura de diversas residências estudantis, em função de sua nova responsabilidade para com os jovens estudantes de Bergamo. Além disso, a partir de 1919, atuou como diretor espiritual no seminário. Em dezembro de 1920, o Papa Bento XV o chamou a Roma para presidir o Conselho Central da Sociedade para a Propagação da Fé na Itália

Padre Roncalli esteve inicialmente prestes a recusar: tinha muitos deveres em Bergamo e, além disso, sentia-se inadequado. No fim, aceitou, em obediência ao Pontífice e à vontade de Deus, que falou por seu intermédio.

Para divulgar a Obra e angariar fundos, viajou para vários centros missionários, tanto na Itália como no estrangeiro: visitou mais de metade das dioceses italianas. Em preparação para a Exposição Missionária do Vaticano, organizada para o Ano Santo de 1925, foi encarregado da imprensa de propaganda. Em novembro de 1924, começou a lecionar Patrologia no Seminário Lateranense.


Bispo e Visitador Apostólico na Bulgária

. Em fevereiro de 1925, foi nomeado Visitador Apostólico da Bulgária; a 19 de março, foi ordenado bispo, com o título de Areópoli. Escolheu "Oboedientia et pax", "Obediência e Paz", como seu lema episcopal.

A sua permanência na Bulgária deveria ser curta, mas as dificuldades que encontrou prolongaram-na por cerca de dez anos. A situação dos católicos búlgaros, tanto de rito latino como oriental, exigia isso: era marcada pela pobreza generalizada e pela tensão com a vizinha Turquia.

Dom Roncalli fez o possível para restabelecer os laços com a Igreja, o governo e a casa real búlgara, enquanto aprendia sobre a variedade de ritos e buscava aliviar o sofrimento da população. Em 27 de novembro de 1934

Dom Roncalli recebeu uma nova missão: foi enviado à Delegação Apostólica da Turquia e Grécia, que ajudara a fundar em 1931. Ao mesmo tempo, foi nomeado administrador apostólico dos latinos em Constantinopla.

Na Turquia, proclamada um "estado não-denominacional", trabalhou para garantir que os católicos não se sentissem excluídos da vida social e tentou mediar conflitos com o governo. Na Grécia, porém, conseguiu, após um longo período, melhorar as relações com o Patriarca e os metropolitas ortodoxos, organizando os primeiros passos rumo ao ecumenismo, incentivado por Pio XI e Pio XII.

Durante a Segunda Guerra Mundial, numerosos refugiados, judeus e outros, afluíram à Turquia neutra. Monsenhor Roncalli frequentemente intervinha em nome deles, tanto solicitando ajuda de organizações internacionais e da Santa Sé, quanto, sempre que possível, agindo pessoalmente.


Núncio Apostólico em Paris

Outra missão de grande responsabilidade foi aquela para a qual foi chamado pelo Papa Pio XII: em 6 de dezembro, foi nomeado Núncio Apostólico em Paris. A França, na época, acabara de sair da Libertação e estava iniciando um processo de secularização.

Monsenhor Roncalli teve que empregar todas as suas qualidades humanas e sua experiência para lidar com questões espinhosas, como a interferência do Estado na nomeação de bispos, a solicitação de subsídios estatais por escolas católicas e a experiência dos padres operários.

Visitou muitas dioceses francesas, inclusive em colônias como a Argélia na época, combinando habilidade diplomática com uma atenta ação pastoral.

Cardeal

No último Consistório realizado por Pio XII, em 12 de janeiro de 1953, Dom Roncalli foi criado Cardeal Presbítero da Igreja Titular de Santa Prisca e, ao mesmo tempo, nomeado Patriarca de Veneza.

Segundo uma antiga prerrogativa, hoje extinta, se um Núncio chamado ao cardinalato tivesse servido pela última vez em um país tradicionalmente católico, o chefe de Estado poderia substituir o Papa na imposição do chapéu cardinalício. No caso de Monsenhor Roncalli, esse chefe de Estado foi o presidente francês Vicente Auriol. O Cardeal Roncalli,

 

Patriarca de Veneza,

Dom Ângelo chegou a Veneza em 15 de março de 1953. Em sua primeira homilia, proferida na Basílica de São Marcos, deixou claro aos seus novos fiéis como deveriam considerá-lo: "Não vejam o seu Patriarca como um político, um diplomata; busquem o sacerdote, o pastor das almas, que exerce o seu ofício entre vocês em nome do Senhor."

De fato, ele era verdadeiramente comprometido como pastor: procurou encontrar-se com todas as categorias de fiéis, realizou uma visita pastoral de 1954 a 1957 e convocou o sínodo diocesano de 25 a 27 de outubro de 1957. Mantendo-se fiel às diretrizes da Santa Sé, observou atentamente as mudanças sociais e eclesiais, incentivando um diálogo autêntico graças à sua natureza equilibrada e acessível.

João XXIII, 261º Papa

. No conclave que se seguiu à morte do Papa Pio XII, foi sucedido, em 28 de outubro de 1958, pelo próprio Cardeal Roncalli, aos setenta e sete anos: assumiu o nome de João, o vigésimo terceiro dos Pontífices legitimamente eleitos. Como fizera em Veneza, no dia de sua coroação, 4 de novembro, reiterou que sua missão como Papa deveria ser, acima de tudo, pastoral.

Mais especificamente, ele visitou paróquias, hospitais e prisões tanto no centro da cidade quanto nos arredores: seu jeito acessível lhe rendeu, primeiro apenas entre os romanos e depois no mundo todo, o apelido de "Papa da Bondade" ou "Bom Papa".


O Concílio Vaticano II

Após longas orações e consultas, entre outros, com o Secretário de Estado, Cardeal Domenico Tardini, o Papa João XXIII tomou uma decisão inesperada. Em 25 de janeiro de 1959, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, ele anunciou a convocação do Concílio Ecumênico Vaticano II. Ao mesmo tempo, anunciou também a convocação de um sínodo diocesano para Roma, de 24 a 31 de janeiro de 1960, e a atualização do Código de Direito Canônico, com uma comissão especial.

O objetivo do Concílio Vaticano II, como o Papa enfatizou em seu discurso de abertura em 11 de outubro de 1962, era que a Igreja oferecesse novas respostas aos problemas e desafios da sociedade contemporânea. A doutrina não deveria mudar, nem novas verdades de fé deveriam ser definidas: em vez disso, o conteúdo da fé precisava ser apresentado novamente às pessoas da época.

Determinado a contrapor atitudes de condenação e oposição com atitudes de diálogo e compreensão, ele desejava que representantes das diversas confissões cristãs estivessem entre os observadores do Concílio.


 

Suas Encíclicas: 

Seu pensamento e espiritualidade foram deixados à posteridade e à Igreja nas oito encíclicas escritas por ele. Nas de 1959, os temas do conhecimento da verdade ("Ad Petri cathedram"), da oração, incluindo a devoção ao Rosário ("Grata recordatio"), da fidelidade ao sacerdócio ("Sacerdotii nostri primordia", por ocasião do primeiro centenário da morte do Santo Cura d'Ars) e das missões ("Princeps pastorum") são evidentes.



Na encíclica de 1961, "Mater et magistra", contudo, ele reapresentou o ensinamento social da Igreja setenta anos após a encíclica "Rerum novarum" de Leão XIII. No mesmo ano, por ocasião do décimo quinto centenário da morte de São Leão Magno, escreveu "Aeterni Dei sapientia".

Com a encíclica "Paenitentiam agere" de 1962, ele exortou todos os fiéis a oferecerem oração e penitência pelo sucesso dos trabalhos do Concílio Vaticano II. Finalmente, com "Pacem in terris" de 1963, a primeira encíclica dirigida também "a todos os homens de boa vontade", ele expressou os conceitos de paz e de uma ordem social justa.


Na foto acima: São Josemaría Escrivá (fundador do Opus Dei), São João XXIII e 
Beato Álvaro del Portillo, bispo (também do Opus Dei e sucessor de São Josemaría).

 

Os Santos, Beatos e Cardeais de João XXIII

Durante seu pontificado, o Papa João XXIII beatificou cinco candidatos aos altares em cinco cerimônias. Particularmente significativa foi a de 19 de março de 1963, na qual beatificou Dom Luigi Maria Palazzolo, sacerdote de Bergamo e fundador das Irmãs dos Pobres: ele nutria grande devoção por ele há muito tempo.

Quanto aos santos que proclamou, foram nove em seis cerimônias. A estas medidas deve-se acrescentar a canonização equivalente, desejada pelo próprio Pontífice, de Gregório Barbarigo, Bispo de Pádua, figura que lhe era cara desde os primeiros anos de seu sacerdócio.

Em seguida, atribuiu o título de Doutor da Igreja a São Lourenço de Brindisi ("Doctor Apostolicus"), com a Carta Apostólica "Celsitudo ex humiltate", de 19 de março de 1959, enquanto em 2 de março de 1962 proclamou Santa Bona de Pisa padroeira das anfitriãs italianas. Finalmente, com o decreto "Novis hisce temporibus" da Sagrada Congregação dos Ritos, datado de 13 de novembro de 1962, ao final do primeiro período do Concílio Vaticano II, estabeleceu-se a introdução do nome de São José, esposo da Virgem Maria, no Cânon Romano da Oração Eucarística I.

Durante cinco consistórios distintos, criou cinquenta e dois novos cardeais, eliminando também o número limitado de cardeais para o Colégio Cardinalício.

Seus últimos anos e morte.

O reconhecimento de seu compromisso veio na primavera de 1963 com a concessão do Prêmio Balzan da Paz. Isso foi consequência, entre outras coisas, de sua intervenção durante a crise dos cubanos em outubro do ano anterior.

No entanto, em novembro de 1962, João XXIII já estava gravemente doente: fora diagnosticado com câncer de estômago. Crentes e não crentes em todo o mundo acompanharam com preocupação a progressão de sua doença até sua morte em 3 de junho de 1963.


A causa de beatificação:

Já em 18 de novembro de 1965, seu sucessor, o Papa Paulo VI (Beato desde 2014), anunciou sua intenção de abrir sua causa de beatificação, aceitando assim a proposta de alguns Padres Conciliares, que desejavam canonizá-lo por aclamação.

O processo informativo teve início em 1967 e foi concluído em 1974. O decreto de validação foi emitido em 6 de maio de 1988. A "Positio super virtutibus", apresentada em 1997, foi examinada em 15 de março de 1999 pelos consultores teológicos e, em 19 de outubro, pelos Cardeais e Bispos da Congregação para as Causas dos Santos, com avaliações positivas em ambos os casos. 

Assim, em 20 de dezembro de 1999, o Papa João Paulo II autorizou a promulgação do decreto que declara o Papa João XXIII Venerável.


O milagre e a beatificação:

O caso da Irmã Caterina Capitani, Filha da Caridade de São Vicente de Paulo, foi considerado um potencial milagre para a beatificação. Ela encontrava-se em estado crítico devido a uma gastrite ulcerativa hemorrágica e havia sido submetida a quatorze cirurgias. As irmãs, cientes de sua grande veneração pelo Papa João XXIII, colocaram uma imagem dele sobre seu estômago e iniciaram uma novena em sua homenagem.

Em 25 de maio de 1966, no terceiro dia da novena, a Irmã Caterina pensou ter visto o próprio Papa João XXIII diante de si. Ele a tranquilizou e acrescentou: "Você arrancou este milagre do meu coração". A freira imediatamente se sentiu melhor e logo foi declarada curada; ela faleceu em 2010, por causas não relacionadas à sua doença anterior.

A investigação diocesana sobre o suposto milagre foi conduzida em Nápoles, onde o evento ocorreu, de 1968 a 1971; sua validade foi confirmada em 20 de março de 1993. Em 22 de abril de 1999, o Conselho Médico da Congregação para as Causas dos Santos, por unanimidade, considerou a cura inexplicável, enquanto os consultores teológicos, em 8 de janeiro de 2000, confirmaram a ligação entre o evento e a intercessão do Papa Roncalli.

Após os cardeais e bispos da Congregação para as Causas dos Santos também terem emitido seu parecer favorável, em 18 de janeiro de 2000, o Papa João Paulo II autorizou, em 27 de janeiro de 2000, a promulgação do decreto pelo qual a cura da Irmã Caterina Capitani foi declarada inexplicável, completa, duradoura e obtida pela intercessão do Papa João XXIII.

Sua beatificação foi celebrada na Praça de São Pedro, em Roma, em 3 de setembro de 2000, durante o Grande Jubileu. A memória litúrgica foi então marcada para 3 de junho, dia de sua ascensão ao Céu. Nas dioceses de Milão e Bergamo, porém, foi transferida para 11 de outubro, dia da abertura do Concílio Vaticano II.

 

Canonização:

Em 2 de julho de 2013, a assembleia plenária de cardeais e bispos da Congregação para as Causas dos Santos abordou a questão da possibilidade de canonizar o Beato João XXIII sem demonstrar, como é costume, um novo milagre. Este é o procedimento conhecido como "pro gratia".

Três dias depois, em 5 de julho, o Papa Francisco autorizou esse processo, dada a relevância do exemplo e dos ensinamentos de seu predecessor. A data de sua canonização foi anunciada em 30 de setembro de 2013 e, posteriormente, celebrada em 27 de abril de 2014, juntamente com a do Beato João Paulo II.

Culto e Memória:

Os restos mortais de São João XXIII, sepultados após sua morte nas Grutas Vaticanas, foram transferidos em 3 de junho de 2001 para a Basílica de São Pedro, em Roma, especificamente para a nave direita, sob o altar de São Jerônimo.




Suas cidades natais, Sotto il Monte (atual Sotto il Monte Giovanni XXIII) e Ca' Maitino (onde passava as férias durante seus anos de serviço na Bulgária), também se tornaram destinos de peregrinação.

Desde sua morte, ruas, praças e escolas por toda a Itália receberam seu nome, seja pelo nome de seu pontificado ou, mais raramente, pelo nome do século. Em 1968, o Padre Oreste Benzi, sacerdote da Diocese de Rimini (cujo processo de beatificação está em andamento), deu seu nome à Comunidade Papa João XXIII, dedicada ao combate de diversas formas de marginalização e pobreza.

Por decreto datado de 17 de junho de 2017, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em virtude das faculdades concedidas pelo Papa Francisco, declarou São João XXIII patrono diante de Deus do Exército Italiano. A razão para esta atribuição reside no compromisso que ele, como capelão militar, demonstrou em promover as virtudes cristãs entre os soldados, bem como na sua dedicação à causa da paz e no exemplo que deixou ao longo da sua vida.

 

Segundo texto hagiológico:

 “Bom Papa”, “Papa Camponês”, mas, acima de tudo, um Papa muito amado.

Alguns eventos de seu breve pontificado (1958-1963) permanecem gravados na memória daqueles que vivenciaram esses momentos, como o “discurso à lua” e a visita aos prisioneiros em Regina Coeli.

Nascido em 1881 em Sotto al Monte, na província de Bergamo, Angelo Giuseppe Roncalli era o quarto de treze filhos. Sua família era extremamente pobre. Eram meeiros. Polenta e feijão, ou apenas polenta, eram os únicos alimentos que todos comiam; carne era consumida duas vezes por ano.

Contudo, nessa família, os valores cristãos eram sólidos: o Rosário era rezado, e a esperança e a alegria jamais vacilavam. O pequeno Angelo era extremamente inteligente.

Aos onze anos, ingressou no seminário. Tornou-se padre e secretário do bispo de Bérgamo, enquanto também lecionava no seminário. Serviu como capelão militar durante a Primeira Guerra Mundial.

Mais tarde, nomeado bispo, foi enviado como diplomata para a Bulgária, Turquia, Grécia e França. Durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou incansavelmente para ajudar os judeus que fugiam dos nazistas.

Em 1953, nomeado cardeal, estabeleceu-se em Veneza.
O pequeno Angelo não poderia imaginar o que aconteceria em 28 de outubro de 1958. Aos 77 anos, Angelo foi eleito Papa, adotando o nome de João XXIII. Durante seu pontificado, tomou decisões históricas: convocou o Concílio Vaticano II, reunindo, em poucos meses, bispos e cardeais de todo o mundo, juntamente com clérigos de outras denominações, como ortodoxos e protestantes.

A intenção de João XXIII era enviar uma mensagem de paz e modernidade à Igreja. A Missa deixou de ser celebrada em latim e a Bíblia foi traduzida para vários idiomas.

Angelo Roncalli era amado por sua natureza alegre: seu sorriso, sua bondade, mas também sua humildade.

No Natal de 1958, ele visitou as crianças internadas no Hospital Infantil Bambino Gesù, em Roma, e algumas crianças o confundiram com o Papai Noel.

No dia seguinte, festa de Santo Estêvão, ocorreu um comovente encontro com prisioneiros no Palácio Regina Coeli, em Roma. As palavras de esperança e fraternidade, dirigidas aos detentos, tocaram o coração de todos. Um deles correu até o pontífice e perguntou, em lágrimas, se o seu discurso também se aplicava a ele, apesar de ter cometido um crime grave. João XXIII silenciou e o abraçou com força. Uma última recomendação aos detentos: "Escrevam para casa e digam que o Papa veio visitá-los."




O "discurso da lua", cheia e brilhante sobre Roma na noite de 11 de outubro de 1962, improvisado da sacada com vista para a Praça de São Pedro, repleta de fiéis reunidos para a abertura do Concílio Vaticano II, permanece memorável: "Queridos filhos, eu ouço as vossas vozes. A minha é uma só voz, mas resume todas as vozes do mundo [...], até a lua se apressou a assistir a este espetáculo esta noite [...], voltando para casa, acariciem os vossos filhos e digam: este é o carinho do Papa."

O "papa camponês" faleceu em 3 de junho de 1963. Muitos milagres de cura lhe são atribuídos, como o da Irmã Caterina Capitani, que foi curada de uma grave doença estomacal graças às orações dirigidas ao "Bom Papa", falecido três anos antes.

Sua cidade natal, Sotto al Monte, é um destino de constante peregrinação. O Papa João XXIII é o padroeiro dos capelães militares.

 

Seu belo Decálogo da Vida Diária - SÓ POR HOJE:

1. Só por hoje, procurarei viver um dia de cada vez, sem tentar resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez.

2. Só por hoje, cuidarei ao máximo da minha aparência: vestirei-me com modéstia; não levantarei a voz; serei cortês no meu trato; não criticarei ninguém; não fingirei melhorar ou disciplinar ninguém além de mim mesmo.

3. Só por hoje, serei feliz na certeza de que fui criado para ser feliz, não só no outro mundo, mas também neste.

4. Só por hoje, adaptarei-me às circunstâncias, sem esperar que todas as circunstâncias se adaptem aos meus desejos.

5. Só por hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, lembrando que, assim como o alimento é indispensável para a manutenção do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.

6. Só por hoje, farei uma boa ação e não contarei a ninguém.

7. Só por hoje, farei pelo menos uma coisa que não quero fazer e, se me sentir ofendido, garantirei que ninguém perceba.

8. Só por hoje, farei um plano para mim: talvez não o siga à risca, mas farei. E me protegerei de dois males: a pressa e a indecisão.

9. Só por hoje, acreditarei firmemente, apesar das aparências, que a boa providência de Deus cuida de mim como não cuida de mais ninguém no mundo.

10. Só por hoje, não terei medos. Em particular, não terei medo de apreciar o que é belo e de acreditar na bondade. Posso muito bem fazer, durante doze horas, o que me desanimaria se pensasse que teria de fazer isso a vida toda.

 



Fonte:

Site: “Santi, Beati e Testimoni”

(Traduzido do italiano para o português, com correções no texto, para um melhor entendimento em nossa língua).