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quarta-feira, 3 de junho de 2026

SANTA JULIANA DE CORNILLON, Virgem e Mística, a quem Jesus pediu a Festa de Corpus Christi.


Santa Juliana de Cornillon, também conhecida como Juliana de Liège, foi uma mística belga que viveu entre 1191/1192 e 1258. Seu nome está indissociavelmente ligado à solenidade de Corpus Christi, uma das festas litúrgicas mais importantes do ano. Sua vida, rica em acontecimentos e ensinamentos espirituais, oferece matéria para reflexão a todos os cristãos.

Biografia resumida: 

Nascimento e Infância

Juliana nasceu perto de Liège, na Bélgica, numa época em que a diocese era um fervoroso centro de devoção eucarística. Órfã aos cinco anos de idade, foi confiada às freiras agostinianas do convento-leprosário de Mont-Cornillon. O ambiente profundamente espiritual em que cresceu influenciou significativamente sua formação e sua futura jornada de fé.

Educação e Vida Religiosa

Educada por uma freira chamada Sapienza, Juliana adquiriu uma cultura notável, aprofundando-se nas obras dos Padres da Igreja, particularmente Santo Agostinho e São Bernardo. Desde jovem, ela demonstrou uma marcante inclinação para a contemplação e a adoração eucarística, passando longas horas em oração diante do Santíssimo Sacramento.

Visões e a "lua incompleta"

Aos dezesseis anos, Juliana começou a ter uma série de visões místicas. Em uma delas, apareceu-lhe uma lua cheia, atravessada por uma faixa escura. O Senhor a fez compreender que a lua simbolizava a Igreja na Terra, enquanto a faixa escura representava a ausência de uma festa específica para celebrar a Eucaristia. Essa visão, que se repetiu diversas vezes, tornou-se para Juliana um mandato divino a ser cumprido com tenacidade e perseverança.

A Difusão da Adoração Eucarística

Impulsionada por essa visão e por seu profundo amor pela Eucaristia, Juliana confiou seu segredo a duas outras devotas fervorosas: as Beatas Eva e Isabela. Juntas, decidiram promover a devoção ao Santíssimo Sacramento e assegurar a instituição de uma festa em sua honra. Trabalharam para envolver sacerdotes, teólogos e leigos, difundindo sua mensagem de fé e amor pela Eucaristia.

A Instituição da Festa de Corpus Christi

Apesar da oposição inicial de alguns clérigos, que consideravam a proposta de Juliana muito inovadora, o bispo de Liège, Roberto de Thourotte, um homem de grande sensibilidade espiritual, atendeu ao seu pedido. Em 1246, a solenidade de Corpus Christi foi instituída pela primeira vez na diocese de Liège. A notícia espalhou-se rapidamente e a festa foi logo adotada por outras dioceses da Europa.

Oposição e o Retiro para Fosses

A iniciativa de Juliana, embora tenha recebido o apoio do bispo, encontrou hostilidade por parte de alguns membros do clero e de sua própria superiora. Em 1248, ela foi obrigada a deixar o convento de Mont-Cornillon e retirou-se para a reclusão em Fosses, perto de Namur. Ali passou os últimos dez anos de sua vida em humildade e oração, continuando a difundir a liturgia eucarística por meio de seu exemplo e intercessão.

Morte e canonização:

Juliana morreu em 1258, confortada pela presença do Santíssimo Sacramento. Sua reputação de santidade se espalhou rapidamente e, em 1869, foi canonizada pelo Beato Papa Pio IX. Sua festa litúrgica é celebrada em 5 de abril.





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Segunda narrativa biográfica

(Feita pelo Santo Padre Bento XIV, de saudosa e piedosa memória)

Juliana nasceu entre 1191 e 1192 perto de Liège, na Bélgica. É importante destacar este lugar, pois naquela época a Diocese de Liège era, por assim dizer, um verdadeiro "cenáculo eucarístico".

Antes de Juliana, teólogos ilustres já haviam exposto o valor supremo do Sacramento da Eucaristia ali, e também em Liège existiam grupos de mulheres generosamente dedicadas ao culto eucarístico e à comunhão fervorosa. Lideradas por sacerdotes exemplares, elas viviam juntas, dedicando-se à oração e às obras de caridade.

Órfã aos cinco anos de idade, Juliana e sua irmã Inês foram confiadas aos cuidados das freiras agostinianas no convento-leprosário de Mont-Cornillon. Ela foi educada principalmente por uma freira chamada Sapienza, que nutriu seu crescimento espiritual até que a própria Juliana recebesse o hábito religioso e se tornasse freira agostiniana.

A santa adquiriu uma cultura notável, a ponto de ler as obras dos Padres da Igreja em latim, particularmente Santo Agostinho e São Bernardo. Além de uma inteligência vivaz, Juliana demonstrou, desde o início, uma particular propensão à contemplação; tinha um profundo senso da presença de Cristo, que experimentava vivendo o Sacramento da Eucaristia com especial intensidade e meditando frequentemente sobre as palavras de Jesus: "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28,20).

Aos dezesseis anos, teve sua primeira visão, que se repetiu diversas vezes em sua adoração eucarística. A visão mostrava a lua em todo o seu esplendor, com uma faixa escura atravessando-a diametralmente. O Senhor a ajudou a compreender o significado do que lhe aparecera. A lua simbolizava a vida da Igreja na Terra, enquanto a linha opaca representava a ausência de uma festa litúrgica, para cuja instituição Juliana fora incumbida de trabalhar com afinco: uma festa, isto é, na qual os fiéis pudessem adorar a Eucaristia para fortalecer sua fé, progredir na prática da virtude e reparar as ofensas contra o Santíssimo Sacramento.

Por quase vinte anos, Juliana, que se tornara priora do convento, guardou em segredo essa revelação, que lhe enchera o coração de alegria. Então, confidenciou-a a duas outras fervorosas adoradoras da Eucaristia: a Beata Eva, que vivia como eremita, e Isabel, que se juntara a ela no mosteiro de Mont-Cornillon.

As três mulheres estabeleceram uma espécie de "aliança espiritual", com o propósito de glorificar o Santíssimo Sacramento. Desejaram também envolver um sacerdote muito estimado, João de Lausanne, cônego da Igreja de São Martinho em Liège, pedindo-lhe que consultasse teólogos e clérigos sobre suas preocupações. As respostas foram positivas e encorajadoras.

O que aconteceu com Juliana de Cornillon repete-se frequentemente na vida dos santos: para ter a confirmação de que uma inspiração vem de Deus, é preciso mergulhar sempre na oração, ser paciente, buscar a amizade e o intercâmbio com outras almas virtuosas e submeter tudo ao julgamento dos Pastores da Igreja.

Foi ninguém menos que o Bispo de Liège, Roberto de Thourotte, que, após hesitação inicial, aceitou a proposta de Juliana e suas companheiras e instituiu, pela primeira vez, a solenidade de Corpus Christi em sua diocese. Mais tarde, outros bispos seguiram o exemplo, estabelecendo a mesma festa nos territórios confiados aos seus cuidados pastorais.

Contudo, o Senhor muitas vezes pede aos santos que superem provações, para que sua fé cresça. Isso também aconteceu com Juliana, que teve de suportar forte oposição de alguns membros do clero e do próprio superior de seu mosteiro. Então, por sua própria vontade, Juliana deixou o convento de Mont-Cornillon com algumas companheiras e, durante dez anos, de 1248 a 1258, foi hóspede em vários mosteiros cistercienses. Edificou a todos com sua humildade, jamais proferindo uma palavra de crítica ou reprovação contra seus adversários, mas continuando a difundir zelosamente o culto eucarístico.

Faleceu em 1258 em Fosses-La-Ville, na Bélgica. Sobre o túmulo onde seus santos espólios mortais jaziam o Santíssimo Sacramento estava exposto e, segundo seu biógrafo, Juliana morreu contemplando, num último ímpeto de amor, Jesus Eucarístico, a quem sempre amou, honrou e adorou.

Jacques Pantaléon de Troyes, que conhecera a santa durante seu ministério como arquidiácono em Liège, também se converteu à nobre causa da festa de Corpus Christi. Foi ele quem, tendo se tornado Papa com o nome de Urbano IV, em 1264, estabeleceu a solenidade de Corpus Christi como dia santo de guarda para a Igreja universal, na quinta-feira seguinte ao Pentecostes.

Na bula de instituição, intitulada Transiturus de hoc mundo (11 de agosto de 1264), o Papa Urbano também recorda discretamente as experiências místicas de Juliana, endossando sua autenticidade, e escreve: “Embora a Eucaristia seja solenemente celebrada todos os dias, cremos ser justo que, ao menos uma vez por ano, seja mais honrada e solenemente comemorada. As outras coisas que comemoramos, na verdade, apreendemos com o espírito e com a mente, mas não obtemos com isso sua presença real. Em vez disso, nesta comemoração sacramental de Cristo, mesmo que de outra forma, Jesus Cristo está presente conosco em sua própria substância. Pois, quando estava para subir ao céu, disse: ‘Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos’ (Mt 28,20).”


O próprio Pontífice desejou dar o exemplo celebrando a solenidade de Corpus Christi em Orvieto, cidade onde residia na época. Por sua ordem, a catedral da cidade preservou — e ainda preserva — o famoso corporal com vestígios do milagre eucarístico ocorrido no ano anterior, em 1263, em Bolsena.

Um sacerdote, ao consagrar o pão e o vinho, foi tomado por fortes dúvidas sobre a presença real do Corpo e do Sangue de Cristo no Sacramento da Eucaristia. Milagrosamente, algumas gotas de sangue começaram a fluir da Hóstia consagrada, confirmando assim o que a nossa fé professa. Urbano IV pediu a um dos maiores teólogos da história, Santo Tomás de Aquino — que acompanhava o Papa na época e estava em Orvieto — que compusesse os textos para o ofício litúrgico desta grande festa. Esses textos, ainda hoje utilizados na Igreja, são obras-primas que mesclam teologia e poesia. Esses textos tocam o coração, expressando louvor e gratidão ao Santíssimo Sacramento. A mente, mergulhando no mistério com admiração, reconhece na Eucaristia a presença viva e verdadeira de Jesus, de seu sacrifício de amor que nos reconcilia com o Pai e nos concede a salvação.

Embora, após a morte de Urbano IV, a celebração da festa de Corpus Christi tenha ficado restrita a certas regiões da França, Alemanha, Hungria e norte da Itália, foi outro Pontífice, João XXII, quem a restaurou para toda a Igreja em 1317. A partir de então, a festa experimentou um crescimento maravilhoso e ainda hoje é profundamente sentida pelo povo cristão.





Obrigado, Santa Juliana por seu legado, 
por seus esforços e profundo amor a Jesus
no Santíssimo Sacramento! 


sexta-feira, 22 de maio de 2026

SANTA JÚLIA DA CÓRCEGA, Virgem e Mártir - 22 de maio.



Padroeira da Córsega, ela era uma das jovens cartaginesas que um traficante de escravos queria vender na Gália. Foi sequestrada em um porto corso. Fiel à sua fé, recusou-se a fazer sacrifícios a divindades pagãs.

Virgem e Mártir

Na Córsega, Santa Júlia, Virgem, obteve a coroa da Glória através da tortura da Cruz. Cristã de origem cartaginesa, vendida como escrava, o navio que a transportava teria encalhado em Nonza, no Cabo Córsego. Ali, por ódio à fé, teria sido torturada e crucificada em 303, embora a data seja incerta. Ela sempre foi fervorosamente venerada.

Vendida como Escrava

Na época da tomada de Cartago, Santa Júlia foi comprada por um homem chamado Eusébio. Seu senhor, embora pagão, admirava a coragem com que ela desempenhava suas funções. Quando, após o trabalho, lhe era permitido descansar, dedicava-se à leitura ou à meditação em oração. Movida pelo amor a Deus, jejuava frequentemente, e seu senhor nunca conseguiu fazê-la quebrar o jejum um único dia, exceto no Domingo de Páscoa.

Torturada e Crucificada.

Quando o navio de seu mestre estava no porto de Cap Corse, onde Eusébio havia participado de uma festa pagã, ele foi embalado para dormir pelos pagãos, que aproveitaram a situação para sequestrar Júlia, que permanecera a bordo. Ela se recusou a negar Cristo: "Minha liberdade é servir a Cristo, a quem adoro todos os dias com toda a pureza da minha alma". Júlia foi torturada e açoitada. Contudo, em meio a esses tormentos, a santa continuou a professar sua fé com fervor cada vez maior: "Confesso", clamava ela, "Aquele que, por amor a mim, suportou o tormento da flagelação. Pois se meu Senhor foi coroado de espinhos por minha causa, foi pregado na cruz, por que eu deveria recusar que meus cabelos fossem arrancados como preço para confessar minha fé, a fim de merecer receber a palma do martírio?" A santa morreu crucificada. 


Existem poucas informações históricas confiáveis ​​sobre Santa Júlia. O que sabemos sobre ela provém de uma Paixão segundo São João bastante tardia, provavelmente do século VII d.C., que narra seu martírio e onde a história se entrelaça com lendas edificantes e tradições piedosas.

Conta-se que nossa santa era uma nobre cartaginesa do século V d.C. que, tendo caído em escravidão, foi comprada por um mercador, um certo Eusébio, e levada para a Síria. Eusébio, embora pagão, tinha em alta consideração as qualidades humanas e espirituais de Júlia, pois ela era uma escrava doce, submissa e devota, a ponto de levá-la consigo em suas viagens.

Em uma dessas viagens, nossa santa naufragou na Córsega. Lá, todos os náufragos, incluindo Eusébio, fizeram sacrifícios aos deuses para escapar da morte. Todos, exceto Júlia, é claro, porque ela era cristã.

O governador local, Félix, um homem violento e cruel, queria comprar a bela escrava, mas Eusébio recusou a tentadora oferta, pois tinha grande apreço pela mulher. Certa noite, Félix, aproveitando-se da embriaguez de Eusébio, mandou trazer Júlia à sua presença, oferecendo-lhe a liberdade em troca de sacrifícios aos deuses. A santa recusou com uma resposta lacônica, pois, afinal, já era livre por servir a Jesus Cristo, algo que jamais conseguiria servindo a ídolos pagãos.

Félix, enfurecido, tentou de diversas maneiras fazer a jovem renunciar à sua fé. Todos os seus esforços, porém, foram em vão. Portanto, não hesitou em recorrer à violência, mandando espancá-la e açoitá-la. Por fim, ordenou que seus cabelos fossem arrancados e que, como o Mestre a quem seguia, fosse crucificada entre duas peças de madeira em forma de cruz e lançada ao mar.

Misteriosamente avisados ​​em sonho por alguns monges da ilha vizinha de Gorgona sobre o ocorrido, avistaram a cruz ao largo da costa com o corpo da mártir ainda pregado nela, com as mãos e os pés ainda presos. Não só isso, mas também preso à cruz estava um pergaminho, escrito por mãos angelicais, com o nome e a história de seu martírio. Tendo recuperado o corpo e transportado-o para a sua ilha, após purificá-lo e ungi-lo com especiarias, colocaram-no num túmulo.


Até aqui, a Paixão.

Alguns estudiosos acreditam, contudo, que na realidade, Júlia, de origem cartaginesa, morreu mártir numa das perseguições sob Décio (c. 250 d.C.) ou Diocleciano (304 d.C.) e que, após a invasão da África pelos vândalos liderados por Genserico, um ariano, alguns cristãos fugiram, levando consigo as relíquias da mártir, refugiando-se na Córsega.

Ali, a Paixão original foi enriquecida com certos detalhes que fizeram com que a história da tortura da jovem se assemelhasse cada vez mais à Paixão do Senhor (daí a referência à flagelação, à crucificação, à unção do corpo, etc.).

Embora a mártir tenha falecido na Córsega e posteriormente se mudado para outras ilhas, ela não foi esquecida na ilha francesa próxima à Itália, da qual permanece como padroeira.

Por volta de 762 d.C., a rainha Ansa, esposa do rei lombardo Desidério, transferiu as relíquias de Santa Júlia para Brescia, inicialmente desembarcando-as perto do antigo centro urbano da atual cidade de Livorno, onde, entre os séculos VIII e IX, o culto à mártir se espalhou por esta parte da Toscana. Em Bréscia, provavelmente em 763. O Papa Paulo I consagrou uma igreja em sua homenagem.

O Palácio Ducal de Veneza abriga um famoso tríptico, O Martírio de Santa Júlia da Córsega, de Hieronymus Bosch. A devoção à santa, humilde e trabalhadora, fiel imitadora de seu Mestre Celestial, até nos detalhes de seu sofrimento, está ligada às feridas que a caracterizaram. Por essa razão, ela é invocada em casos de patologias das mãos e dos pés.

 

terça-feira, 19 de maio de 2026

SÃO CRISPIM DE VITERBO, Religioso Capuchinho (o primeiro santo canonizado por São João Paulo II) - 19 de maio.

Pietro Fioretti ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em 1693 como Frei Crispino. Viveu em Orvieto por 40 anos, primeiro como horticultor, depois como mendigo, vagando pelo campo onde conquistou respeito por seus aforismos diários. Era conhecido por seus êxtases contemplativos e seu amor pela natureza. Foi o primeiro santo canonizado em Roma pelo Papa João Paulo II em 20 de junho de 1982.

Crispim nasceu em Viterbo, no distrito de Bottarone, em 13 de novembro de 1668; foi batizado no dia 15 do mesmo mês na igreja de San Giovanni Battista com o nome de Pietro. Seu pai, Ubaldo Fioretti, era artesão e casou-se com Marzia, que já era viúva e tinha uma filha.

Pietro perdeu o pai ainda jovem, e sua mãe viúva casou-se com Francesco, irmão de Ubaldo e sapateiro, que tinha grande afeição por ele e o enviou para escolas jesuítas, acolhendo-o posteriormente como aprendiz em sua sapataria.

Pietro vestiu o hábito capuchinho no convento de Palanzana, em Viterbo, em 22 de julho de 1693, dia de Santa Maria Madalena, adotando o nome de Crispim da Viterbo.

Após o noviciado, em 22 de julho de 1694, foi transferido para Tolfa, onde permaneceu por três anos. Ele permaneceu em Roma por alguns meses e viveu em Albano até 1703. De lá, foi transferido para Monterotondo, onde permaneceu por mais de seis anos, até 1709. A partir desse ano, permaneceu em Orvieto por quarenta anos, onde foi jardineiro até janeiro de 1710 e, em seguida, tornou-se mendicante.

Frei Crispim era realmente exigente (sem ser rude) com seus religiosos. Também não era “pessimista”  em relação à Ordem dos Capuchinhos: considerava uma grande bênção poder servir a Deus dentro dela. Ao encontrar um menino de Orvieto, Girolamo, filho de Maddalena Rosati, previu que ele se tornaria um capuchinho, cantando para ele: "Sem pão e sem vinho, irmãozinho do Frei Crispim". O menino tornou-se frade com o nome de Giacinto da Orvieto e morreu como clérigo em Palestrina, com apenas vinte e um anos, em 1749.

Há também aforismos que se adequam à natureza de Frei Crispim. Com eles, ele brinca alegremente sobre fatos e situações muitas vezes dolorosas, com um senso de humor inesgotável: O merceeiro de Orvieto, Francesco Barbareschi, atormentado pela gota, foi convidado em tom de brincadeira pelo Frei Crispim "a pegar a lança de Aquiles, isto é, a pá, e trabalhar na vila Crispigniana, como ele chamava seu pequeno jardim, onde semeava alface e plantava ervas para seus benfeitores".

Sua resposta a outro que pedia cura para a mesma doença foi tão mordaz quanto um chicote: "Seu mal é mais gota do que gota, porque... você não paga quem merece: seus trabalhadores e servos estão chorando..."

À princesa Barberini, que queria ver seu filho Carlo curado imediatamente, ele respondeu: "Bem, não basta para você que ele melhore no Ano Santo? ... Bem, por que você quer desafiar o Senhor? Devemos receber as graças de Deus quando Ele quiser concedê-las."

Frei Crispim frequentemente se via na necessidade de falar sobre si mesmo com os outros, para ajudá-los a formar uma opinião mais realista a seu respeito. Para evitar elogios e admiração, Frei Crispim recorria frequentemente a imagens e comparações.

Quando foi visitar o Cardeal Filippo Antonio Gualtieri, este lhe perguntou por que, para a ocasião, ele não havia vestido um hábito e uma capa um pouco melhores. E Crispino respondeu, estendendo seu manto, que brilhava por todos os lados, indicando que estava gasto e esfarrapado.

Aos que se vangloriavam de seus milagres, ele dizia: "Ora, qual é a surpresa? Deus faz milagres, não é novidade"; "E você não sabe, amigo, que São Francisco sabe fazer milagres?". Em Montefiascone, para as pessoas que cortavam seu manto para fazer relíquias, ele gritava: "O que vocês estão fazendo, pobres! Seria muito melhor cortar o rabo de um cachorro! Estão loucos? Tanto barulho por causa de um burro que passa! Vão à igreja rezar a Deus!".

O humilde animal de carga era um tema recorrente nas conversas de Frei Crispim. Um dia, ele disse a Frei Giovanni Antonio: "Padre Guardião, Frei Crispim é um burro, mas a rédea que o guia está em suas mãos; porém, quando quiser que ele ande ou pare, puxe ou afrouxe a rédea".

Quando lhe ajudavam a colocar as alforjas nos ombros, ele dizia alegre e jovialmente: "Carreguem o burro e vamos à feira". Quando lhe perguntavam por que não cobria a cabeça para se proteger da chuva ou do sol, respondia: "Vocês não sabem que  burros usam chapéu? E que eu sou um burro capuchinho?". Mas às vezes acrescentava, sério: "Sabem por que não uso chapéu ou o capuz? Porque me lembro de que estou sempre na presença de Deus".

As andanças de Frei Crispim pelos arredores de Orvieto duraram quase quarenta anos, com duas breves interrupções que o levaram a Bassano por alguns meses e a Roma por outros. Ele deixou Orvieto definitivamente em 13 de maio de 1750, dirigindo-se ao hospital em Roma, onde faleceu em 19 de maio de 1750.

O Irmão Crispim foi beatificado em 7 de setembro de 1806 pelo Papa Pio VII e canonizado em 20 de junho de 1982 pelo Papa São João Paulo II (sendo o primeiro santo canonizado por este papa).

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

SÃO MATIAS, Apóstolo do Senhor - 14 de maio. Festa.


Matias é mencionado no primeiro capítulo dos Atos dos Apóstolos, quando é chamado para restaurar o número dos doze, substituindo Judas Iscariotes.

Ele é escolhido por sorteio, através do qual a preferência divina recai sobre ele e não sobre o outro candidato — dentre aqueles que eram discípulos de Cristo desde o Batismo no Jordão — José, chamado Barsabás.

Após o Pentecostes, Matias começa a pregar, mas, nada mais se sabe sobre ele. A tradição transmitiu a imagem de um homem idoso segurando uma alabarda, símbolo de seu martírio.

Mas não há evidências históricas de uma morte violenta. Tampouco é certo que ele tenha morrido em Jerusalém e que as relíquias tenham sido levadas por Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, para Trier, onde são veneradas.

 

Matias, abreviação do nome hebraico Matatias, que significa "dom de Javé", foi escolhido para substituir Judas, o traidor, completando assim o número dos doze apóstolos, representando os doze filhos de Jacó e, portanto, as doze tribos de Israel.

Segundo os Atos apócrifos, ele nasceu em Belém, em uma família ilustre da tribo de Judá. Uma coisa é certa, como afirma São Pedro (Atos 1, 21): Matias foi um dos homens que acompanharam os apóstolos durante todo o tempo em que Jesus Cristo esteve com eles, desde o seu batismo no rio Jordão até a sua ascensão aos céus.

Não é improvável que ele tenha sido um dos 72 discípulos designados pelo Senhor e enviados por ele, como cordeiros entre lobos, dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares que ele iria visitar.

São Matias certamente conhecia o mais desagradável dos apóstolos, Judas, natural de Cariote, aquele que é sempre colocado por último na lista dos Doze e designado com a expressão "aquele que traiu o Senhor".

Durante as peregrinações apostólicas, Jesus e seus discípulos recebiam presentes e ofertas das multidões entusiasmadas e agradecidas pelos enfermos que curavam. Tornou-se, portanto, necessário confiar a um deles a tarefa de administrador. Judas foi o escolhido, mas São João nos conta que ele não foi honesto em seu ofício.

Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi convidado para Betânia, com os apóstolos e seu amigo Lázaro, que havia ressuscitado dos mortos, para um banquete na casa de Simão, o leproso. Enquanto Marta servia, sua irmã Maria pegou meio quilo de um perfume muito caro, feito de nardo puro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os cabelos.

Então Judas Iscariotes protestou: "Por que este perfume não foi vendido por mais de trezentos denários e dado aos pobres?" Mas, ironicamente, São João Evangelista comenta: "Ele disse isso, não porque se importasse com os pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, costumava furtar o que nela era depositado" (João 12, 1-11). Será que ele temia morrer de fome? Será que, ganancioso como era, temia uma velhice triste e solitária? Quando soube que os líderes do Sinédrio procuravam uma maneira de prender Jesus e condená-lo à morte, ganancioso por dinheiro, foi até os principais sacerdotes e prometeu traí-lo por trinta moedas de prata, a compensação estabelecida por lei para a morte acidental de um escravo (Êxodo 21, 32).

Durante a Última Ceia, Jesus aludiu repetidamente ao seu traidor, chegando mesmo a nomeá-lo abertamente (Mt 26, 25). Após a ceia, quando o Senhor se retirou para orar além do vale do Cedrom, o perverso Judas chegou à frente de seus capangas armados com espadas e porretes e, seguindo o sinal que lhes foi dado, entregou-lhe Jesus, beijando-o. O remorso, porém, logo se apoderou de sua alma. O apóstolo, infiel à sua missão, ao saber que o Sinédrio havia condenado a Jesus, que sempre o tratara com bondade, mesmo na hora sombria de sua traição, pegou as trinta moedas de prata, que ardiam em sua mão, e as entregou aos principais sacerdotes e anciãos, lamentando: "Pequei, traindo sangue inocente!". E atirou as moedas de prata no templo, fugiu e, em desespero, sem saber como reagir, foi e se enforcou (Mt 27, 3-5) – observação: tal gesto não significa “arrependimento”. Apenas remorso, o que é bem diferente. Arrependimento exige humildade e confiança em Deus. Remorso é apenas dor de consciência, mas, sem desejo real de conversão e nem de pedir perdão humildemente a Deus, como o fez São Pedro que negou a Jesus por três vezes...

Na Última Ceia, após a revelação do seu traidor, Jesus exclamou: "Ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Melhor lhe fora não haver nascido!" (Mt 26,24). Após a Ascensão de Jesus ao céu, os apóstolos retornaram a Jerusalém, ao Cenáculo. Em uníssono, perseveraram na oração com algumas mulheres, com Maria, a Mãe de Jesus, e com seus primos. Enquanto aguardavam a promessa do Pai, isto é, o Espírito Santo, Pedro, levantando-se no meio dos irmãos (havia uma multidão de cerca de 120 pessoas), começou a dizer: "Era necessário que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo havia predito por meio de Davi a respeito de Judas, o qual se tornou guia dos que prenderam Jesus, por ser um dos nossos, tendo recebido parte neste ministério. Este também, com a recompensa da sua maldade, adquiriu um campo; e, caindo de cabeça, seu ventre se rompeu, e todas as suas entranhas se derramaram. Isso se tornou conhecido de todos os habitantes de Jerusalém; de modo que aquele campo foi chamado na língua deles de haceldama, isto é, campo de sangue. Pois está escrito no livro dos Salmos: 'Fique deserta a sua habitação, e não haja quem a habite'. E ainda: 'Que outro ocupe o seu lugar'." É necessário, portanto, que um dos homens que estiveram conosco durante todo o tempo em que Jesus esteve conosco seja aquele que tomará o seu lugar. "O Senhor Jesus esteve conosco desde o batismo de João até o dia em que foi elevado ao céu, para que se tornasse conosco testemunha da sua ressurreição" (Atos 1, 16-22).


Apresentaram dois: José, cujo sobrenome era Barsabás, mas que também era chamado Justo, e Matias. Então oraram, dizendo: "Senhor, que conheces o coração de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste para assumir este ministério e apostolado, do qual Judas se retirou traiçoeiramente para ir para o seu próprio lugar". Então lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Matias. E foi contado entre os onze apóstolos.

Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E apareceram línguas como que de fogo, separadas e que pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. Ora, estavam vivendo em Jerusalém judeus piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. Ao ouvirem esse som, uma grande multidão se reuniu e ficou admirada, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua (Atos, capítulo 1).

Então Pedro, juntamente com os onze apóstolos, aproximou-se, levantou a voz e explicou que aquele evento havia sido predito pelo profeta Joel e que Jesus, ressuscitado dentre os mortos, havia sido declarado por Deus "Senhor e Messias". Muitos dos que ali estavam, sentindo seus corações transpassados, perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: "Irmãos, o que devemos fazer?" Pedro respondeu: "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos seus pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo".

Os que aceitaram a sua exortação foram batizados, e naquele lugar se uniram cerca de três mil pessoas. E perseveravam na instrução dos apóstolos, nas reuniões da congregação, no partir do pão e nas orações. O temor havia se apoderado de todos, porque muitos sinais e maravilhas eram realizados por meio dos apóstolos. E todos os que Os crentes estavam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens e distribuíam o dinheiro a todos, segundo a necessidade de cada um. Frequentavam juntos o templo diariamente, partiam o pão de casa em casa e comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E o Senhor acrescentava à igreja os que iam sendo salvos dia após dia. (Ibid., cap. 2).


A comunidade dos crentes era de um só coração e alma. Pois entre eles não havia necessitado, porque todos os donos de campos ou casas, ao venderem suas propriedades, traziam o dinheiro da venda e o colocavam à disposição dos apóstolos; e a distribuição era feita a cada um segundo a sua necessidade.

E os apóstolos testemunhavam vigorosamente da ressurreição do Senhor Jesus; e grande bondade era demonstrada para com todos eles. Assim, a multidão de homens e mulheres que creem no Senhor continuava a crescer cada vez mais. (Ibid., caps. 4 e 5).

Então o sumo sacerdote e todos os seus seguidores se mobilizaram. Num acesso de ciúme, agarraram os apóstolos e os lançaram na prisão do povo. Será que um anjo os libertou? Mandaram prendê-los pelo prefeito do templo, onde instruíam o povo sem temor, e, depois de açoitá-los, ordenaram-lhes que jamais falassem em nome de Jesus. Saíram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer insultos por causa desse nome. E todos os dias, no templo e em cada lar, continuaram a ensinar e a proclamar incessantemente a boa nova do Messias Jesus (ibid., cap. 5) até que o martírio de Santo Estêvão, primeiro, e depois a prisão de São Pedro, providencialmente os obrigaram a dispersar-se por todo o mundo então conhecido para fazer discípulos do Mártir do Gólgota entre todas as nações.

Os relatos posteriores a respeito de São Matias são contraditórios. Contudo, todos concordam que ele foi um mártir. Suas relíquias, reais ou presumidas, são veneradas em Roma na Basílica de Santa Maria Maior.

São Matias, Apóstolo do Senhor e sua fiel testemunha até à morte, rogai por nós!


Fonte:

Site: santiebeati.it

Imagens: procuradas na internet por buscador de imagens. 

terça-feira, 5 de maio de 2026

Beato Luís Padilla Gomez e Beato Anacleto González Flores, Leigos e Mártires (mortos na perseguição maçônica à Igreja no México)


Beato Luís Padilla Gomez, Leigo e Mártir (1899-1927)

Nasceu em Guadalajara em 9 de dezembro de 1899. Recebeu uma educação cristã intensa. Em 1917 ingressou no Seminário Conciliar de Guadalajara, onde se destacou por sua conduta impecável; abandonou a instituição em 1921. Dedicou-se a dar aulas aos pobres, sem retribuição. Foi sócio fundador e membro ativo da Associação Católica da Juventude Mexicana, ACJM. Quando a perseguição do Estado contra a Igreja Católica estourou, Luís se afiliou à União Popular. No dia 1º de abril de 1927 foi isolada sua casa pelo Exército Federal, sob as ordens do General Ferreira, que com luxo de força ordenou o saque da morada e a apreensão de seus habitantes: além de Luís, sua velha mãe e uma irmã. Luís foi encaminhado para o Quartel Colorado, suportando golpes e vexações no caminho. Mais tarde, expressou seu desejo de se confessar sacramentalmente; seu companheiro, Anacleto González Flores, o confortou dizendo: “Não é mais hora de se confessar, mas de pedir perdão e de perdoar. É um Pai e não um Juiz que te espera. Seu próprio sangue irá purificá-lo.” Já na parede, enquanto Luís, ajoelhado, oferecia sua vida a Deus com fervorosa oração, os algozes descarregaram suas armas sobre ele.

 

Beato Anacleto González Flores, Mártir (1888-1927)

Anacleto González Flores e nove leigos mártires de Jalisco, que morreram defendendo a fé durante a “Guerra Cristera” desatada no México pela perseguição maçônica, foram beatificados em 20 de novembro de 2005.

Anacleto González Flores, nasceu em Tepatitlán, Jalisco – México - em 13 de julho de 1889. Membro de uma família pobre e numerosa, trabalhou desde muito pequeno para ajudar no sustento familiar. Entretanto, seu amor pela cultura e seu desejo de formar-se para defender a fé ante as agressões anticlericais maçônicas, levou-o a titular-se de advogado em 1922, ano em que contraiu matrimônio.

Dedicou-se a ensinar história e literatura em colégios particulares de Guadalajara e em 1925 foi presidente e fundador da “União Popular de Jalisco”. Desde 1926 lutou arduamente por que não se realizasse a rebelião armada, pois sempre se opôs à violência contra as agressões anticatólicas.

Pelo contrário, foi um bem-sucedido promotor do “boicote” proclamado pelos católicos contra meios de comunicação e negócios maçônicos. Seu exemplo e seus ensinos o converteram em uma figura simbólica amplamente reconhecida e respeitada pela revolução Cristera; por isso foi feito prisioneiro em 1º de abril de 1927, uma primeira sexta-feira de mês.

Logo ao ser capturado, Anacleto começou a ser brutalmente torturado para que revelasse o lugar onde se ocultava o Bispo Orozco e Jiménez. Suspenderam-no em presença de seus companheiros pelos polegares das mãos, enquanto com facas feriam seus pés descalços.

Diante de sua heroica resistência, começaram a rasgar seu corpo com a faca, e foi submetido, segundo seus biógrafos a “outras torturas incontáveis e inenarráveis”.

Quando começaram a torturar aos jovens que tinham sido detidos com ele – e que o acompanhariam no martírio - Anacleto gritou: “Não maltratem a esses moços, se querem sangue aqui está o meu!”.

Anacleto foi desprendido e com o um golpe de culatra lhe destroçaram o ombro. Entretanto, o mártir seguiu alentando a seus companheiros para que não fraquejassem.

Simulou-se então um “conselho de guerra sumaríssimo” que condenou aos prisioneiros à pena de morte “por estar em convivência com os rebeldes”.

Para ouvir a sentença, Anacleto respondeu:

“Uma só coisa direi e é que trabalhei com todo desinteresse por defender a causa de Jesus Cristo e de sua Igreja. Vós me matareis, mas saibam que comigo não morrerá a causa. Muitos vêm atrás de mim dispostos a defendê-la até o martírio. Vou, mas com a segurança de que verei logo desde o céu o triunfo da religião de minha Pátria”.

Um dos jovens, ante a gozação dos soldados, assinalou que desejava confessar-se antes de morrer, mas Anacleto lhe exortou:

“Não irmão, já não é tempo de confessar-se, mas sim de pedir perdão e perdoar! É um Pai e não um juiz o que te espera. Teu mesmo sangue te purificará”.

Em seguida Anacleto começou a recitar o Ato de Contrição, que fizeram coro seus companheiros. Ao finalizar a oração, uma descarga de fuzil acabou com a vida dos outros jovens. Anacleto, ainda de pé apesar de suas terríveis dores, dirigiu-se ao general que presenciava a tortura lhe dizendo:

“General, perdoo o senhor de coração; muito em breve nos veremos ante o tribunal divino; o mesmo juiz que vai me julgar será seu juiz; então terá o senhor um intercessor em mim ante Deus”.


 Beato Anacleto González Flores, Leigo e
Mártir. Patrono dos Leigos Mexicanos

Como os soldados não se atreviam a lhe disparar, o general ordenou a um capitão que o atravessasse com uma baioneta.

Segundo o testemunho de numerosos soldados arrependidos que foram testemunhas do martírio, ferido mortalmente, Anacleto pôde incorporar-se para gritar:

“Pela segunda vez ouçam as Américas este grito: Eu morro, mas Deus não morre. Viva Cristo Rei!”.

Ao dizer “pela segunda vez”, o mártir se referia às mesmas palavras pronunciadas décadas atrás pelo Presidente do Equador Gabriel García Moreno, assassinado a golpes de facão nas escadarias da Catedral de Quito por maçons enfurecidos por ter consagrado o Equador ao Sagrado Coração do Jesus.

O Exército tratou de justificar o assassinato de Anacleto e seus companheiros aduzindo que não tinha sido capturado por ser católico, mas sim por “conspirador e sequestrador”; uma calúnia que, embora ter sido desmentida pela historiografia contemporânea, ainda segue sendo difundida pela maçonaria mexicana.

 

domingo, 3 de maio de 2026

SÃO FELIPE e SÃO TIAGO (dito, "Menor"), Apóstolos do Senhor - Festa em 03 de maio.


São Felipe, Apóstolo do Senhor

Filipe é pouco mencionado nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. João o apresenta pela primeira vez enquanto calcula o custo de alimentar a multidão que seguia Jesus (6, 57). Mais tarde, ele acompanha Jesus, após sua entrada em Jerusalém, alguns "gregos" que vieram para a Páscoa: quase certamente "prosélitos" do judaísmo, de origem pagã (12, 21 ss.).

Na Última Ceia, Filipe é um dos que fazem perguntas ansiosas a Jesus. Ele lhe diz: "Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta", provocando inicialmente um comentário melancólico: "Há tanto tempo estou convosco, e ainda não me conheceis, Filipe?". E então chega, a ele e a todos, a plena explicação: "Quem me vê, vê o Pai".

Após a Ascensão de Jesus, encontramos Filipe com os outros apóstolos e os primeiros fiéis, quando Matias é nomeado no lugar do traidor Judas (Atos dos Apóstolos, capítulo 1). Depois disso, nada mais se sabe sobre ele.

Assim como São Pedro e Santo André, foi morto crucificado, já ancião. 


 



São Tiago, o “Menor”, filho de Alfeu, Apóstolo do Senhor.

Tiago, filho de Alfeu, é chamado de Menor para distingui-lo de Tiago, filho de Zebedeu (e irmão de João), chamado de Maior, que foi venerado durante séculos como Santiago de Compostela.

Pelo Evangelho de Lucas, sabemos que Jesus escolheu doze homens dentre seus seguidores, "aos quais deu o nome de apóstolos" (6, 14), e entre eles estava Tiago, filho de Alfeu, o Menor.

Na Primeira Carta aos Coríntios, Paulo diz que Jesus, após a ressurreição, "apareceu a Tiago e depois a todos os apóstolos".
Eles o chamam de "Justo" por causa da estrita integridade de sua vida.

Ele encontra Paulo, outrora um severo perseguidor dos cristãos e agora um convertido, e o acolhe em amizade, juntamente com Pedro e João. Depois, no "Concílio de Jerusalém", ele os convida a "não incomodarem" os convertidos do paganismo com a imposição de tantas regras tradicionais.

Em suma, ele segue o exemplo de Paulo. Após o martírio de Tiago Maior em 42 d.C. e a partida de Pedro, Tiago tornou-se líder da comunidade cristã em Jerusalém (foi seu primeiro bispo).

 Ele também é o autor da primeira das "Epístolas Católicas" do Novo Testamento. Nela, ele se dirige às "doze tribos dispersas pelo mundo", ou seja, aos cristãos de origem judaica que viviam fora da Palestina.

É como uma encíclica primitiva: sobre oração, esperança, caridade e também (com expressões muito enfáticas) o dever da justiça. Segundo o historiador Eusébio de Cesareia, Tiago foi morto a "pauladas" (ficou com o seu corpo desfigurado) em 63 d.C. durante uma revolta popular instigada pelo sumo sacerdote Hanan, que mais tarde foi destituído do cargo por esse crime.





sexta-feira, 1 de maio de 2026

SÃO JOSÉ, Patrono e Modelo de todos os trabalhadores e operários - Festa do dia 01 de Maio.


São José, modelo e patrono para
todos os trabalhadores e operários. 
Ordens e congregações religiosas, associações e uniões piedosas, sacerdotes e leigos, eruditos e ignorantes, colocaram-se sob sua proteção. Talvez nem todos saibam que o Papa São João XXIII, recentemente canonizado, ao ascender ao trono papal, cogitou a ideia de ser chamado José, tamanha era sua devoção ao santo carpinteiro de Nazaré. Nenhum pontífice jamais escolheu esse nome, que, na verdade, não pertence à tradição da Igreja, mas o "Papa bom" teria sido chamado de bom grado “José I”, se fosse possível, precisamente pela profunda veneração que sentia por este grande santo.



O grande e Santo Patriarca São José, o maior dos Santos

Grande, e ainda hoje em grande parte desconhecido. O anonimato, ao longo de toda a sua vida e após a sua morte, parece ser quase a "assinatura", a marca distintiva de São José. Como bem observou Vittorio Messori, "permanecer oculto e emergir apenas gradualmente ao longo do tempo parece fazer parte do extraordinário papel que lhe é atribuído na história da salvação".

 

O Novo Testamento não atribui uma única palavra a São José. Quando a vida pública de Jesus começou, ele provavelmente já havia desaparecido (de fato, não é mencionado no casamento em Caná), mas não sabemos nem onde nem quando morreu; não conhecemos seu túmulo, enquanto conhecemos o de Abraão, que é séculos mais antigo.

O Evangelho lhe dá o título de Justo. Na linguagem bíblica, uma pessoa "justa" é aquela que ama o espírito e a letra da Lei, como expressão da vontade de Deus.

José descendia da casa de Davi; sabemos que era um artesão que trabalhava com madeira. Ele não era nada velho, como a tradição hagiográfica e certas iconografias o apresentam, segundo o clichê do "bom e velho José" que se casou com a Virgem de Nazaré para ser o pai adotivo do Filho de Deus. Ao contrário, era um homem no auge da vida, com um coração generoso e rico em fé, sem dúvida apaixonado (obviamente, pela altíssima castidade de sua alma, não uma “paixão carnal”) por Maria. Ele ficou noivo dela segundo os costumes e tradições de sua época.

Para os judeus, o noivado era equivalente ao casamento, durava um ano e não dava origem à coabitação ou vida conjugal entre os dois; finalmente, realizava-se uma festa durante a qual a noiva era apresentada à casa do noivo, iniciando assim a vida de casada.

Se uma criança fosse concebida nesse ínterim, o noivo cobria o recém-nascido com seu nome; se a noiva fosse considerada culpada de infidelidade, podia ser denunciada ao tribunal local. O procedimento a ser seguido era vergonhoso: a adúltera era condenada à morte por apedrejamento.

Ora, no Evangelho de São Mateus, lemos que "Maria, estando prometida em casamento a José, achou-se estar grávida pelo Espírito Santo, antes de irem viver juntos. Seu marido José, sendo homem justo e não querendo expô-la à desonra, resolveu deixá-la secretamente" (Mt 18-19). Enquanto ainda estava indeciso sobre o que fazer, eis que surge o Anjo do Senhor para lhe tranquilizar: “José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria, sua esposa, pois o que nela foi gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você lhe dará o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1, 20-21).

José podia aceitar o plano de Deus ou não. Em toda vocação que se preze, o mistério do chamado é sempre contraposto pelo exercício da liberdade, visto que o Senhor jamais viola a intimidade de suas criaturas nem interfere em seu livre-arbítrio. José podia, então, aceitar ou não. Por amor a Deus, a Maria e ao futuro Messias – Deus feito homem - , ele aceita; nas Escrituras lemos que “ele fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa em casa” (Mateus 1,24). Ele prontamente obedeceu ao Anjo e, assim, disse sim à obra da Redenção. Portanto, quando olhamos para o “sim” de Maria, devemos também pensar no “sim” de José ao plano de Deus.

Superando toda a prudência terrena e transcendendo as convenções e costumes sociais de seu tempo, ele foi capaz de fazer triunfar o amor, mostrando-se receptivo ao mistério da Encarnação do Verbo.

Entre seus fiéis, ele é o primeiro em ordem cronológica e em grandeza: São José é, sem dúvida, o primeiro devoto de Maria. Assim que tomou conhecimento de sua missão, dedicou-se a ela com todas as suas forças. Foi esposo, guardião, discípulo, guia e amparo de Maria: tudo. (...)


O casamento de Maria e José foi verdadeiro? Esta é a pergunta que mais frequentemente surge nos lábios tanto dos estudiosos quanto dos fiéis comuns. Sabemos que o matrimônio deles foi uma coabitação conjugal vivida na virgindade (cf. Mateus 1,18-25), isto é, um casamento virginal, mas, um casamento, ainda assim, vivido na mais plena e verdadeira comunhão: "uma comunhão de vida que vai além do eros, uma relação conjugal que envolve um amor profundo, mas não orientada para o sexo e a procriação" (São José de Fiores).

Se Maria vive pela fé, José não o é menos. Se Maria é um modelo de humildade, a humildade de seu esposo também se reflete nesta. Maria amava o silêncio, José também: entre eles existia, e não poderia existir de outra forma, uma comunhão conjugal que era uma verdadeira comunhão de corações, cimentada por profundas afinidades espirituais. “O casal Maria e José constitui o ápice”, disse São João Paulo II, “de onde a santidade se espalha por toda a terra” (Redemptoris Custos, n. 7).

Ó que mistério! São José ensina
àquele que é o Criador do universo
o ofício da carpintaria. Quanta
humildade e submissão à Vontade
Divina, inacessível à mente humana.

A conjugalidade de Maria e José, na qual se prenuncia a primeira “Igreja doméstica” da história, antecipa, por assim dizer, a condição final do Reino (cf. Lucas 20,34-36; Mateus 22,30), tornando-se, assim, já na terra, uma prefiguração do Paraíso, onde Deus será tudo em todos, e onde só existirá o eterno, só a dimensão vertical da existência, enquanto o humano será transfigurado e absorvido no divino.

A sublime devoção a São José.

"Qualquer graça que for pedida a São José certamente será concedida”. “Quem quiser crer, que o faça para que se convença", argumentou Santa Teresa de Jesus (ou de Ávila). "Tomei como meu glorioso São José o meu advogado e patrono e recomendei-me fervorosamente a ele. Este meu pai e protetor ajudou-me nas necessidades em que me encontrava e em muitas outras mais graves, nas quais estavam em jogo a minha honra e a saúde da minha alma. Vi que a sua ajuda era sempre maior do que eu poderia ter esperado..." (ver capítulo VI da Autobiografia). É difícil duvidar disso, se considerarmos que, entre todos os santos, o humilde carpinteiro de Nazaré é o mais próximo de Jesus e Maria: esteve na terra, e ainda mais no céu. Porque foi o pai de Jesus, ainda que adotivo, e o esposo de Maria.

As graças que se obtêm de Deus ao recorrer a São José são verdadeiramente inumeráveis. Padroeiro universal da Igreja por vontade do Beato Papa Pio IX, também é conhecido como padroeiro dos trabalhadores, dos moribundos e das almas do purgatório, mas seu patrocínio se estende a todas as necessidades, atendendo a todos os pedidos. São João Paulo II confessou que rezava a ele diariamente. Reconhecendo sua devoção pelo povo cristão, em sua honra, em 1989, escreveu a Exortação Apostólica Redemptoris Custos, acrescentando seu nome a uma longa lista de seus predecessores devotos: Beato Pio IX, São Pio X, Pio XII, São João XXIII e São Paulo VI.



São José, o último e maior de todos os Patriarcas. 

 

Fonte:

Site: “Santi, Beati e Testemoni”.