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domingo, 20 de setembro de 2026

Santo André Kim Taegon, presbítero, São Paulo Chong Hasang, catequista, e seus Companheiros, mártires coreanos, testemunhas da fé e da identidade de um povo - memória em 20 de setembro.



Santo André Kin Taegon, presbítero, e São Paulo Chong Hasang, 
leigo e catequista, mártires coreanos - grande grupo de mártires. 


Estes santos foram martirizados em 1846 e canonizados por São João Paulo II em 1984. Santo André (Dangjin, 21 de agosto de 1821 — Seul, 16 de setembro de 1846) foi o primeiro sacerdote coreano.

No altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, o Prefeito da Congregação para o Clero, o arcebispo coreano Dom Lazarus You Heung-sik, celebrou Missa solene para celebrar os 200 anos do nascimento desse santo sacerdote e mártir da fé.

Além de André Kim, São João Paulo II canonizou 99 coreanos e três missionários franceses que foram martirizados entre 1839 e 1867. Entre eles havia padres e bispos, mas a maioria era de pessoas leigas: 47 mulheres e 45 homens.

Sua história

"Você é católico?" "Sim, eu sou católico." Um diálogo seco com um funcionário do governo, enquanto pairava a ameaça de uma morte sangrenta. Essa breve profissão de fé, registrada em uma das epístolas escritas durante seus dias de prisão, revela toda a profundidade da fidelidade a Deus de André Kim Taegon, o primeiro sacerdote católico coreano martirizado em 1846. E com ele, há o testemunho de fé, selado com o supremo sacrifício da vida, de milhares de homens e mulheres varridos pela onda de perseguições que atingiu a Coreia nos séculos XVIII e XIX. Ainda hoje constitui a seiva vital e a história da identidade de todo um povo — a população católica coreana — vivo, mesmo se uma minoria.

A fim de honrar a memória de André Kim e dos outros mártires, todos leigos, sua homenagem de sangue e seu exemplo brilhante, tem lugar na tarde deste sábado (21/08) uma missa em coreano às 15h30 no Altar da Cátedra na Basílica de São Pedro. O arcebispo Lazarus You Heung-sik, que foi nomeado prefeito da Congregação para o Clero em 11 de junho passado, preside sua primeira cerimônia pública em Roma.

 

Santo André Kim Taegon

Santo André Kim, testemunha de fé.

A ocasião para a celebração é o bicentenário do nascimento de Santo André, que ocorreu em 21 de agosto de 1821 em uma família criada segundo princípios cristãos, cujo pai havia transformado a casa em uma "igreja doméstica". Uma escolha pela qual ele pagou com sua vida. Em quatro gerações, onze membros da família do santo derramaram seu sangue pelo Senhor, incluindo cinco que foram beatificados e outros que já foram canonizados. Formado em Macau com pouco mais de 15 anos de idade, o jovem André trabalhou em meio à perseguição: foi preso, interrogado, torturado e decapitado por não querer se arrepender. Ele nem tinha 25 anos de idade. Com seu nome e o de uma centena de outros crentes de diferentes idades e classes sociais, o Papa Wojtyla quis inscrevê-lo no registro dos santos em 1984.

 

Missa de Parolin para a paz na Coreia em 2018.

Trinta sacerdotes e cerca de setenta religiosos e religiosas o recordam este sábado na Basílica de São Pedro, junto com Dom You. O embaixador coreano junto à Santa Sé também deve participar. Os fiéis leigos que compõem a comunidade coreana em Roma também estarão presentes. A mesma comunidade que, em 17 de outubro de 2018, participou da Missa pela Coreia, presidida na Basílica vaticana pelo cardeal secretário de Estado, Dom Pietro Parolin. No centro dessa cerimônia, naquela ocasião, estava um apelo em favor da paz e reconciliação para a Península coreana. Um pedido apresentado ao Papa na audiência do dia seguinte pelo presidente sul-coreano Moon Jae-in, que se sentou na primeira fila na Missa de Parolin, animada por canções e leituras em coreano.

Tratou-se de um evento para a comunidade romano-coreana, como a celebração desta tarde. "O fato de uma Missa pelo bicentenário de Santo André Kim Taegon estar sendo celebrada na Basílica de São Pedro é uma providência de Deus", disse dom You à agência coreana Yonhap.

 

A história dos mártires

Tanto religiosos quanto leigos católicos, os mártires coreanos foram vítimas de perseguição religiosa no país, onde as primeiras sementes da fé cristã apareceram no início do século XVII por meio das delegações que visitavam Pequim todos os anos para intercâmbios culturais. Na China, os coreanos entraram em contato com a fé cristã, trazendo para casa o livro do missionário jesuíta padre Matteo Ricci. Um leigo, o pensador Lee Byeok, inspirado no livro do jesuíta, fundou então uma primeira comunidade cristã muito ativa que rapidamente cresceu, tendo milhares de fiéis. Ela continuou a crescer mesmo quando, por volta de 1785, surgiu uma cruel perseguição no país, que levou à morte, em 1801, do único padre presente no país. Em 1802, o rei Sunjo emitiu um decreto estatal ordenando o extermínio dos cristãos como a única solução para sufocar a semente do que seu governo considerava "loucura". Deixados sozinhos e sem orientação espiritual, os fiéis pediam continuamente ao bispo de Pequim e até mesmo ao Papa pelos sacerdotes. As condições locais não permitiam isso até 1837, quando um bispo e dois sacerdotes das Missões Estrangeiras de Paris foram enviados. Eles entraram no país clandestinamente e foram martirizados dois anos mais tarde. Uma segunda tentativa de André Kim conseguiu trazer um bispo e um sacerdote e, a partir daquele momento, a presença de uma hierarquia católica na Coreia ficou estável, apesar do ressurgimento das perseguições em 1866. Por fim, em 1882, o governo decretou a liberdade religiosa.


São Paulo Chong Hasang, leigo e catequista.
 São João Paulo II canonizou 103 mártires coreanos.

 De acordo com fontes locais, mais de 10 mil mártires morreram na opressão coreana. Desses, 103 — incluindo várias mulheres — foram beatificados em dois grupos separados em 1925 e 1968 e depois canonizados juntos em 6 de maio de 1984 em Seul por João Paulo II. Apenas dez deles são estrangeirostrês bispos e sete sacerdotes; os outros são todos coreanos, catequistas e fiéis. A memória litúrgica deles é 20 de setembro. Os líderes desta lista litúrgica são, além de Santo André Kim Taegon, o catequista São Paulo Chong Hasang. Os restos mortais deles repousam desde 1900 na cripta da Catedral de Myeong-dong.


124 outros mártires beatificados por Francisco em Seul.

Outros 124 mártires foram beatificados pelo Papa Francisco em 16 de agosto de 2014, durante sua viagem à Coreia do Sul. Entre eles estava Paulo Yun Ji-chung. Mais de um milhão de fiéis participaram da Missa de Francisco naquele dia, celebrada na Porta de Gwanghwamun, que se seguiu a uma intensa visita do Papa ao local das execuções: o santuário de Seo So-Mun, na periferia de Seul. A enorme participação do povo foi um sinal da profunda devoção de que ainda gozam esses santos e beatos, membros vivos da história e da identidade de uma nação. Eles "nos lembram que devemos colocar Cristo acima de tudo", disse o Papa em sua homilia, acompanhada em várias passagens por aplausos prolongados e emocionados. O exemplo dos mártires, acrescentou o Pontífice, "tem muito a nos dizer, que vivemos em uma sociedade onde, ao lado de imensas riquezas, a pobreza mais abjeta cresce silenciosamente; onde o grito dos pobres raramente é ouvido; e onde Cristo continua a chamar-nos, pedindo-nos que o amemos e o sirvamos, estendendo a mão aos nossos irmãos e irmãs necessitados".


O Jubileu da Igreja Coreana

O bicentenário do nascimento de Santo André abriu as celebrações do Jubileu proclamado pela Igreja na Coreia do Sul em 29 de novembro de 2020. Este Jubileu é um ano de graça, sob o patrocínio da Unesco, que terminará em 27 de novembro de 2021 e representa "uma oportunidade favorável para o crescimento espiritual da Igreja coreana", conforme afirmou o bispo Dom Lazarus You, que na época liderava a diocese de Daejeon e era responsável pela organização do Ano Santo, em uma entrevista à mídia vaticana em dezembro passado. "Este Jubileu", disse o prelado, "nos dará a todos a oportunidade de interiorizar a espiritualidade do martírio, que é a seiva vital da Igreja na Coreia, meditando profundamente sobre a vida dos mártires". "Para nossos mártires, a fé era o valor mais importante", acrescentou dom You. "Na sociedade coreana, apenas 11% da população é católica, enquanto mais da metade se declara 'sem religião'". O convite é, portanto, "refletir seriamente sobre nossa identidade e nossa coerência como 'católicos fiéis'".


Setembro, mês da Igreja Católica na Coreia do Sul.

Há quase 100 anos (desde a beatificação dos primeiros 75 mártires coreanos em 1925), a Igreja Católica da Coreia celebra o Mês dos Mártires e, em 20 de setembro, comemora a solenidade de Santo André Kim Tae-gon, São Paulo Hasang e companheiros (103 Santos Mártires).

Nos últimos 50 anos, a Igreja Católica coreana – que atualmente conta com quase seis milhões de fiéis – trabalhou muito para documentar e aprofundar a memória de seus mártires. O país conta com nada menos que 187 santuários, túmulos, locais de nascimento de mártires e salões memoriais em todo o país.

Em setembro de 2013, a arquidiocese de Seul criou um percurso de peregrinação católica de 44,1 km para coincidir com a visita do Papa Francisco em 2014, que foi aprovada como peregrinação mundial oficial pelo Vaticano em 2018.

Durante o Mês dos Mártires, os católicos coreanos recordam, não apenas os 103 Santos canonizados em 1984 pelo Papa São João Paulo II e os 124 Beatos beatificados em 2014 pelo Papa Francisco, mas também a beatificação do Venerável Padre Choi Yang-eob Thomas e de 133 Servos de Deus mártires.


Santos Mártires da Coreia. Numeroso grupo de mártires cujo sangue ainda hoje
semeia e fecunda a Igreja Católica na Coreia do Sul, tornando-a muito próspera
espiritualmente e em número de santas vocações sacerdotais, religiosas e leigas. 

Outra imagem com os Santos Mártires Coreanos, mostrando um dos bispos ao centro e,
abaixo, instrumentos de tortura que eram usados antes da morte por decapitação. 



Santo André Kim Taegon, São Paulo Hasang e Companheiros Mártires, rogai pela Igreja Católica na Coreia, em toda a Ásia e no mundo inteiro! 


LISTA DO MÁRTIRES DA COREIA: 

Clérigos Missionários Estrangeiros (Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris): 


Bispos Missionários: 

  1. São Laurent-Marie-Joseph Imbert
  2. São Siméon-François Berneux
  3. São Marie-Nicolas-Antoine Daveluy
         Sacerdotes estrangeiros missionários: 
  1. São Pierre-Philibert Maubant
  2. São Jacques-Honoré Chastan
  3. São Simon-Marie-Just Ranfer de Bretenières
  4. São Bernard-Louis Beaulieu 
  5. São Pierre-Henri Dorie
  6. São Pierre Aumaître
  7. São Martin-Luc Huin
São Pierre-Henri, antes
de sua partida em missão
para a Coreia. 

         Sacerdote coreano

  • Santo André Kim Taegon (que encabeça a lista dos mártires). 

      Fiéis leigos e catequistas coreanos (entre esses, esposas, mães de família, jovens e adolescentes). 

  • São Paulo Chong Hasang (segundo na lista, por sua importância como catequista). 

  • São Pedro Yi Ho-yong

  • São Protásio Chong Kuk-bo

  • Santa Águeda Kim A-gi

  • Santa Ana Pak A-gi

  • Santa Águeda Yi So-sa

  • Santa Madalena Kim O-bi

  • Santo Agostinho Yi Kwang-hon

  • Santa Bárbara Han A-gi

  • Santa Luzia Pak Hui-sun

  • Santo Damião Nam Myong-hyok

  • Santo Pedro Kwon Tu-gin

  • Santo José Chang Song-jib

  • Santa Bárbara Kim

  • Santa Bárbara Yi

  • Santa Rosa Kim

  • Santa Marta Kim Song-im

  • Santa Teresa Yi Mae-im

  • Santa Ana Kim Chang-gum

  • Santo João Baptista Yi Kwang-nyol

  • Santo João Pak Hu-jae

  • Santa Maria Pak Kun-a-gi

  • Santa Bárbara Kwon-hui

  • Santa Bárbara Yi Chong-hui

  • Santa Maria Yi Yon-hui

  • Santa Inês Kim Hyo-ju

  • Santa Catarina Chong Ch'or-yom

  • Santo José Im Ch'i-baeg

  • Santo Sebastião Nam I-gwan

  • Santo Inácio Kim Che-jun (pai de Santo André Kim)

  • Santo Carlos Cho Shin-ch'ol

  • Santa Julieta Kim

  • Santa Águeda Chon Kyong-hyob

  • Santa Madalena Ho Kye-im

  • Santa Luzia Kim

  • Santo Pedro Yu Tae-ch'ol (o mais jovem, martirizado aos 13 anos)

  • Santa Maria Won Kwi-im

  • Santa Columba Kim Hyo-im

  • Santa Luzia Kim (Kop-ch'u)

  • Santa Catarina Yi

  • Santa Madalena Cho

  • Santa Cecília Yu So-sa

  • Santo Pedro Ch'oe Chang-hub

  • Santa Bárbara Cho Chung-i

  • Santa Madalena Han Yong-i

  • Santa Benedicta Hyon Kyong-nyon

  • Santa Elisabete Chong Chong-hye

  • Santa Bárbara Ko Sun-i

  • Santa Madalena Yi Yong-dok

  • Santa Teresa Kim

  • Santa Águeda Yi

  • Santo Estêvão Min Kuk-ka

  • Santo André Chong Hwa-gyong

  • Santo Paulo Ho Hyob

  • Santo Agostinho Park Chong-won

  • Santo Pedro Hong Pyong-ju

  • Santo Madalena Son So-byog

  • Santa Águeda Yi Kyong-i

  • Santa Maria Yi In-dok

  • Santa Águeda Kwon Chin-i

  • Santo Paulo Han Yong-sam

  • Santo Pedro Ch'oe Hyong

  • Santo João Baptista Chon Chang-un

  • Santo António Kim Song-u

  • Santo Estêvão Nam Chong-sam

  • Santo João Baptista Nam Chong-sam

  • São Marcos Chong Ui-bae (imagem abaixo)

  • Santo Aleixo U Se-yong (imagem abaixo)

  • Santo Lucas Hwang Sok-du

  • Santo Tomás Son Cha-sun

  • Santo Bartolomeu Jeong Mun-ho

  • Santo Pedro Cho Hwa-so

  • Santo Pedro Son Seon-ji

  • Santo Pedro Lee Myung-Seo

  • Santo José Han Jae-kwon

  • Santo Pedro Jeong Won-ji

  • Santo José Cho Yun-ho

  • Santo João Yi Yun-il

  • Santa Susana U Sur-im

  • Santo Tomás de Aquino Choi Yang-eop (incluído espiritualmente no grupo de testemunhas da época)

  • Santa Maria Ku Seong-yeol

  • Santa Bárbara Choe Yong-i

  • Santo André Kim Im-i

  • Santa Catarina Yi Kan-nan

  • Santo Alexandre Um

  • Santo Pedro Yu Chong-nyul

A memória litúrgica de todo o grupo é celebrada universalmente pela Igreja Católica no dia 20 de setembro (hoje). 


Santo André Kim Taegon foi o primeiro coreano a ser ordenado presbítero. Por isso 
que seu nome "encabeça" a lista dos Santos Mártires da Coreia. 



Olhar para o Céu (o Paraíso), antever o Céu, amar e desejar ver a Deus 
face a face, para sempre, nas eternas glória e felicidade, é o que anima,
encoraja e dá forças aos mártires de Cristo.  



Bela imagem "realística" dos mártires coreanos gerada por IA. 





Dois dos Santos Mártires Coreanos que foram decapitados por
seus próprios parentes. Jesus já havia predito isso nos Evangelhos:

E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; 

e matarão alguns de vós (São Lucas 21, 16)






sábado, 19 de setembro de 2026

SANTA MARIA EMÍLIA DE RODAT, Virgem e Fundadora - 19 de setembro.



Maria Guilhermina Emília de Rodat nasceu no castelo de Druelle, situado a 8 k de Rodez, capital de Rouergue, no dia 6 de setembro de 1787, era a primogênita do casal João Luís Guilherme Amans de Rodat e Henriete de Pomairols. Além de Eleonora, modelo de virtude, Emília tinha mais três irmãos: Carlota, Luís Guilherme e Armando Henrique.

Aos 11 anos recebeu sua primeira comunhão clandestinamente, na capela de Ginals, sem nenhuma festa. Seus avós aproveitaram a presença de um dominicano, José Delbès, refugiado no castelo, para realizar a cerimônia, marcando uma etapa de sua vida interior. Era a época da infame Revolução Francesa, na qual os religiosos foram expulsos dos conventos, as igrejas foram profanadas, as relíquias quebradas e os túmulos violados.

     Em 1803, Emília era uma encantadora jovem, viva e graciosa, um pouco altiva e autoritária – notavam-se nela tendências para a vaidade e o orgulho. Apesar das crises próprias da adolescência, Emília conservou sempre vivo o atrativo pelos pobres. Em companhia de Maria Ana Gombert, uma humilde moça de Villefranche, visitava os pobres e doentes com frequência.

     Em 1804, na Festa do Corpo de Deus, as palavras de um missionário determinaram a sua total conversão. Começou a vestir-se com muita simplicidade desprezando as modas. Ia diariamente à Igreja de Ampiac, à meia hora de Druelle, onde assistia à Santa Missa. Ainda nesse ano, recebeu o sacramento da crisma com muito fervor.

     Deixou então Druelle a fim de voltar para Villefranche e foi morar na casa da Sra. Saint-Cyr, dona de um pensionato reservado às senhoritas da sociedade. O Pe. Antônio Marty era o confessor da casa e tornou-se seu diretor espiritual. Em 1806, a Sra. Saint-Cyr aproveitou a relativa instrução de Emília para lhe confiar aulas de Catecismo e de Geografia.
     Em 1809, aos 22 anos, Emília fez algumas tentativas de ingresso na vida religiosa, sem sucesso. Triste, mas não desanimada com esse fracasso, obteve de seu diretor a permissão para pronunciar os votos privados em 21 de novembro desse mesmo ano.

     Em maio de 1815, durante uma visita que fazia aos pobres, Emília ouviu várias mães de família lamentarem a ignorância de suas filhas, sobretudo quanto à instrução religiosa. Elas diziam que antes da Revolução Francesa as religiosas ursulinas ensinavam-nas gratuitamente, o que não tinham suas filhas.



    

Este lamento transpassou como um dardo a alma de Emília, que lhes disse: “Enviem-me suas filhas, eu as instruirei”. Sentiu o apelo irrecusável de Deus para socorrê-las numa fundação, em Villefranche, destinada à instrução das meninas pobres. Querendo iniciar sem demora a execução do seu projeto, Emília obteve da Sra. Saint-Cyr a permissão para dar aulas às crianças no seu exíguo quarto, tendo chegado rapidamente ao número de quarenta meninas.

     Com algumas companheiras, teve que enfrentar grandes dificuldades. Em um ambiente hostil e sem meios financeiros, era difícil achar um local para morar, mas a Providência veio enfim em auxílio delas: no início de 1816, uma antiga aluna da Sra. Saint-Cyr, a Srta. Vitória Alric, prometeu alugar a metade de um imóvel, embora insalubre e mal situado.

     No dia 30 de abril, com suas companheiras, começou a viver ali uma rigorosa vida religiosa e, no dia 1º de maio, vestiram um hábito muito simples. No dia 3 de maio, à sombra da cruz, abriram também uma classe denominada Santa Maria para as meninas de média condição. Três órfãs foram igualmente adotadas.

     Em junho de 1816, D. Grainville, Bispo de Cahors, que se encontrava em Villefranche, consentiu que as Irmãs tivessem uma capelinha com o Santíssimo Sacramento. A partir desse momento, as Irmãs julgaram-se ricas no meio de tanta pobreza. Na Páscoa de 1817, Emília fez seus primeiros votos temporários.

     O grande número de alunas tornara necessária a aquisição de um novo local. No dia 29 de junho de 1817, transferiram-se para a casa Saint-Cyr, abandonada pelos membros da frágil federação. O número das Irmãs dobrou, e o Pe. Marty, apesar de inúmeras ocupações, permaneceu como capelão oficial. A obra prosperava sempre.

     O Pe. Grimal, benfeitor do instituto e protetor das Irmãs, decidiu pela compra do antigo Convento dos Franciscanos, abandonado desde 1793, uma casa contínua e mais tarde, um jardim. Em 29 de junho de 1819, as Irmãs tomaram posse da moradia definitiva, atual Casa-Mãe das Religiosas da Sagrada Família, onde solenemente fizeram os primeiros votos.

     Em agosto de 1820, começaram para Madre Emília as terríveis tentações contra a fé, a esperança e a caridade, que duraram 32 anos, levando-a a um estado extraordinário de sofrimento interior. Além disso, as Irmãs, as postulantes e até mesmo as alunas foram atingidas por uma terrível epidemia. A maioria das meninas abandonou as classes, e as postulantes voltaram para suas famílias. Nenhuma candidata se apresentava por ter medo do contágio e da morte.

     No dia 29 de agosto de 1822, o Pe. Marty enviou Madre Emília a Aubin para consultar-se com um médico renomado. Ao mesmo tempo, a Sra. Constans, pensionista em Villefranche e originária da localidade, convidou Madre Emília para fundar um educandário para moças em Aubin. O Pe. Marty deu o seu consentimento.

     Chegando a Aubin, ela ocupou-se ativamente da nova fundação, primeira do instituto, que estava no seu sexto ano de existência. O projeto foi bem aceito pelas autoridades locais e pelos habitantes. Além do cuidado com as crianças, as Irmãs visitavam os doentes e os pobres. Em breve, várias jovens, atraídas pelos bons exemplos das Irmãs, pediram para serem admitidas na Sagrada Família.

     No dia 1º de agosto de 1832, Madre Emília, acompanhada de três Irmãs, viajou para Livinhac com a difícil missão de transformar uma pequena comunidade numa casa religiosa destinada à educação das jovens, como as de Villefranche e Aubin. A princípio, havia duas comunidades na mesma casa. Aos poucos, as Irmãs foram se adaptando ao novo estilo de vida, depositando em Madre Emília confiança e estima.
 
     Até 1834 a Congregação da Sagrada Família compunha-se exclusivamente de Irmãs clausuradas que se dedicavam ao ensino no interior do convento, e de Irmãs conversas que exerciam diversas funções fora do claustro, dedicando-se aos pobres e aos doentes. Foi naquele ano que ocorreu algo totalmente imprevisto: a fundação das casas não clausuradas. Em alguns meses, houve três fundações. A Providência aproveitou-se do fato para dar origem ao segundo ramo do instituto: as Irmãs das Escolas, que seguiam em tudo as mesmas diretrizes que as outras, com exceção da clausura.

     No dia 15 de novembro de 1834, o Pe. Marty faleceu aos 78 anos de idade. A madre, que o teve como diretor espiritual desde os 18 anos, sofreu profundamente com a perda. No dia 18 de novembro, o conselho escolheu o Pe. Blanc para substituí-lo no governo da congregação. A fundadora continuou abrindo escolas num ritmo bastante acelerado.

     Além das provações interiores e das doenças, Madre Emília carregou também com profunda humildade e paciência a cruz da incompreensão que teve de suportar da parte de várias Irmãs da comunidade. Acusavam-na de arruinar a congregação com sua caridade exagerada, foi submetida à vigilância de uma ecônoma. Abriam suas cartas, vigiavam-na para impedi-la de conversar com as Irmãs que sofriam com essas humilhações e que pareciam auxiliá-la.
     Apesar de tantas provações, a Madre vivia na mais inalterável paz. Na sua profunda humildade, dizia: “Peço a Deus que suscite alguém para reparar meus erros”.

     No início de julho, sentindo-se livre das tentações que há anos a martirizavam, pressentiu estar perto o seu fim. Na madrugada de 04 de setembro, sofreu um desmaio que a impediu de descer para a Missa. A partir desse dia, não deixou mais o seu quarto. Dedicou seus últimos dias às suas filhas: falou com cada uma em particular para lhes dar seus derradeiros avisos. Apesar de sua fraqueza, permaneceu lúcida até o fim.

     No dia 19 de setembro de 1852, às 13h30m, na presença do Pe. Faber e de algumas Irmãs, num último esforço, tomou seu crucifixo, que nunca deixava, fitou-o, colocou os lábios nas chagas do Salvador e, inclinando a cabeça, exalou o último suspiro.

     Quando a triste notícia do falecimento de Madre Emília espalhou-se pela cidade, o povo, chorando e lastimando a grande e irreparável perda, exclamava: “Morreu a Santa!”.
     Madre Rodat foi beatificada em 09 de junho de 1940; e canonizada em 23 de abril de 1950.






Fontes:      
“Heroínas da Cristandade” (http://heroinasdacristandade.blogspot.com/2013/09/santa-emilia-maria-g-de-rodat-fundadora.html