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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

SÃO GERARDO MAJELA, Religioso Redentorista e grande Taumaturgo - 16 de outubro.


São Geraldo Majela, Gerardo Majela ou ainda Gerardo Maiela (na Itália é chamado de Gerardo Maiella), é um santo muito querido na Itália. A congregação à qual pertencia, a dos Redentoristas, encarregou-se de divulgar sua vida repleta de fatos maravilhosos. Também aqui em Fortaleza há uma paróquia e um bairro a ele consagrados: o bairro de São Gerardo e a paróquia de mesmo nome.
Trago aqui um resumo de sua vida. Foi um grande santo, um grande místico e um grande taumaturgo. Os milagres que Deus dignou-se a fazer por meio de seu servo foram tão grandes que parecem até "histórias de pescador" de tão inacreditáveis; no entanto, a história os atesta, visto que foram vistos por várias testemunhas.
Espero que esse resumo de sua vida desperte a devoção e a veneração de todos aqueles que lerão essas linhas e que eles se sintam estimulados a lerem mais sobre esse grande santo. Na internet é fácil achar (pelos sites de busca) uma biografia mais completa de São Geraldo Majela. Uma boa leitura!

Geraldo nasceu em Muro, no sul da Itália, no dia 6 de abril de 1726. Nasceu de uma família pobre de bens, mas rica de bênçãos. Domingos Majela e Benedita Majela foram os seus pais. O pai Domingos, era alfaiate. A mãe Benedita, era lavadeira. Os dois se amavam com um amor imenso. Deste amor puro e santo nasceu-lhes o Geraldo. O filho Geraldo, tinha o jeito de anjo. Era bom. Era uma graça. Era de paz.

    Ele foi batizado no mesmo dia em que nasceu. Seus pais entendiam que Deus, em seus planos, não deixa ninguém nascer à toa. Quem nasce é para ser gente; é para sentir-se amado e saber-se capaz de amar. É neste sentido que está certo quem disse: "Amar a vida é mais do que construir catedrais!" 

O menino Geraldo era franzino de corpo. De espírito, porém, era robusto. Deus lhe deu uma inteligência brilhante. Os professores logo viram nele um prodígio.   

    Em geral, as crianças são egoístas e cheias de manhas. Por incrível que pareça, Geraldo, com apenas 7 anos, já sabia quem eram os outros para ele. Que beleza quando, na família, os pais ensinam o evangelho aos filhos com a vida! Foi dos pais que Geraldo aprendeu desde pequeno o amor ao trabalho e a sabedoria da oração. Daí floriu a sua vocação.   

Conforme o testemunho de suas próprias irmãs, ele era muito dedicado às devoções, também se confessava todos os dias e se disciplinava diariamente. 
 
O Menino Jesus aparece a São Geraldo Majela,
trazendo-lhe um "pãozinho".

Aos sete anos, em vista da pobreza da família, dirigia-se à ermida de Capodigiano, onde recebia um pãozinho branco que o Menino Jesus lhe entregava e com quem ele brincava. Somente mais tarde, quando já na Congregação, Geraldo compreende quem era aquele Menino.  


O Arcanjo São Miguel aparece ao santo menino,
trazendo-lhe a Santíssima Eucaristia.

Entregava-se à oração. Sua mãe encarregava-se de educá-lo na fé. Conforme ele mesmo conta, como tivesse muita vontade de comungar e que, por causa de sua idade, não lhe fosse possível, São Miguel apareceu-lhe de noite para lhe dar a comunhão. Assim como — afirma posteriormente — também fazia o próprio Menino Jesus.


Juventude
    Por causa da necessidade do lar, sua mãe o mandou à alfaiataria do senhor Martin Pannuto, mestre alfaiate, para que Geraldo aprendesse uma profissão e assim pudesse ajudar nas despesas da casa. Aí sua bondade de vida e sua simplicidade eram interpretadas como estupidez, e todos zombavam dele, insultavam-no, chegando até a maltratá-lo. Mas sua resposta era sempre: "Meu Deus, que se faça a tua vontade". Ali, no esforço diário, foi assimilando o mistério da Cruz de Cristo.


     Trabalhando para o bispo. 

  Quando tinha 14 anos, chegou Dom Albino à cidade de Muro e lhe administrou o sacramento da crisma, que deverá ser o sinal da fortaleza e do valor que marcarão toda a sua vida. Dom Albino era natural de Muro.   

   Com o Bispo, lá se foi Geraldo para ser seu empregado. Nesse ofício precisou praticar verdadeiro heroísmo. Um sacerdote contemporâneo deixou por escrito, sob juramento, esta declaração: "O bispo irascível se irritava por qualquer coisinha. Impacientava-se com tudo. Se nunca chegou a bater em Geraldo, contudo, não lhe poupou toda classe de censuras." 

    Dom Albino cria-se no direito de fazer o que bem entendesse com seu jovem empregado. Fazia-o trabalhar sem descanso e reprovava-o sempre por não fazer tudo o que devia e por fazê-lo mal. Era impossível agradá-lo. Geraldo, por sua parte, tinha para com ele grande respeito e dedicação. Seu espírito de mortificação e penitência encontrou ali um bom lugar de realização. 

    A tudo isso ia unindo seus jejuns e uma intensa vida de oração. O tempo que passava numa capela da vizinhança era algo que se repetia diariamente. Mas o bispo adoeceu. E Geraldo, depois de cuidar dele como se fosse seu próprio pai, após a sua morte, teve de deixar Lacedônia. 


      Trabalhando na alfaiataria.

    Em 1745, com 19 anos, voltou para Muro, onde montou uma alfaiataria. Seu negócio prosperou, mas ele não ganhou muito dinheiro. Praticamente dava tudo para os outros. Guardava o que era necessário para sua mãe e suas irmãs e dava o resto aos pobres ou para Missas em sufrágio das almas do purgatório. Geraldo não passou por uma conversão repentina e espetacular, apenas foi crescendo constantemente no amor de Deus. Durante a Quaresma de 1747, ele resolveu ser completamente semelhante a Cristo, o quanto lhe fosse possível. Fez penitências mais severas e procurava explicitamente a humilhação, fazendo-se passar por louco e sentindo-se feliz quando riam dele nas ruas. Sua preocupação com os pobres e necessitados era grande, ao ponto de se privar do necessário quando via alguém sofrendo penúria.  




São Geraldo trabalhando como alfaiate.


Buscando sua vocação.

Mas Geraldo sentia que o Senhor tinha escolhido para ele um outro lugar. Assim, entra em contato com os capuchinhos, mas em vão solicita ser admitido, mesmo na condição de empregado. Não é aceito, dada sua saúde precária e sua aparência doentia. Para Geraldo, esse golpe foi terrível. Contudo, entrega-se à oração, pedindo a Deus que o encaminhasse para a vida religiosa. 
Mas, tendo chegado a Muro, seu amigo Luca Valpiedi, antigo condiscípulo, parte com ele para ajudá-lo em seu colégio, no cuidado das crianças. Ali encontrou um novo calvário. Naquele tempo, caiu-lhe em mãos certa obra de Antônio de Olivedi, intitulada: "O ano doloroso de Jesus Cristo". Cada palavra daquele escrito foi um dardo penetrante no coração do nosso jovem Geraldo. Sentiu crescer extraordinariamente suas ânsias de sofrer mais e mais para assemelhar-se ao Redentor.
 
Vocação
Quando tinha 22 anos, chegaram a seu povoado alguns missionários. Eram os Redentoristas, e entre eles achava-se o irmão Onofre, que contou a Geraldo como era sua vida. Mas, percebendo que o jovem estava entusiasmado, mudou de assunto, dizendo-lhe que ele não resistiria àquele tipo de vida. 
      Pouco tempo depois voltaram os missionários. Entre eles estava o padre Paulo Cáfaro, que, depois de muito vaivém e oposições, lhe permite que o acompanhe ao convento. "Meu filho, diz-lhe, você me venceu. Recebo-o como religioso, e que Deus lhe dê saúde e forças para perseverar até a morte." 
Enviou-o para Iliceto com uma carta ao superior. Na carta, ele dizia: "Aí vai um irmão inútil para o nosso trabalho. Ele não tem saúde. É fraco. Mas eu não pude rejeitar sua admissão sem dar-lhe uma chance. Ele insistiu até cansar-me, e é grande a consideração que lhe têm os moradores de Muro". Geraldo vibrou. Deixar a casa, sua mãe e as irmãs foi um drama para Geraldo. Teve de fugir. Deixou-lhes apenas um bilhete, no qual dizia: "Querida mamãe e irmãs, fugi. Já estou com os redentoristas. Não se preocupem. Vou tornar-me santo. Esqueçam-me. Adeus! 


Vida Religiosa
No dia 17 de maio de 1749, Geraldo partia radiante de alegria para a casa de noviciado de Iliceto. Em novembro desse mesmo ano, vestia a batina redentorista e começava sua interiorização na vida religiosa.  



São Geraldo em afazeres "domésticos"
na cozinha de seu convento.

       O Padre Cáfaro seria o seu mestre de noviciado e também seu diretor espiritual. E, sendo esse sacerdote tão severo, contudo, teve de se esforçar por moderar para que Geraldo não se consumisse pelas penitências. 


Homem de oração e de profundo amor
e intimidade com Jesus Eucarístico.
       Desde o começo, passou a ser na comunidade um modelo de abnegação e serviço. Trabalhador como só ele, muito dedicado à oração, exemplo de virtudes. Tudo isso fez com que ganhasse logo a simpatia e estima de seus confrades. No dia 16 de julho de 1752, fez sua profissão religiosa. 

      Já religioso, sua vida desenvolvia-se no cuidado constante de seus deveres comunitários, de um modo especial, prestando serviços a seus irmãos, e na preocupação pelo seguimento de Cristo missionário, anunciando aos pobres a palavra divina. Sua vida era a concretização das Regras. O respeito por seus coirmãos e, em particular, pelos superiores (nos quais encarnava a vontade de Deus), atingia os limites de heroicidade. Pense­mos como soube calar-se diante de Santo Afonso quando foi caluniado...



Atividades do Irmão Geraldo.
       No convento de Iliceto, realizavam-se retiros espirituais  para sacerdotes e leigos no decorrer do ano. Para Geraldo, era uma ocasião propícia para extravasar o seu zelo. Muitos pecadores, que nem sempre se comoviam com as palavras dos pregadores, rendiam-se às exortações e súplicas do zeloso Irmão. Até padres renitentes no mal, tocados pelas humildes considerações de Geraldo, mudavam de vida. 

Exemplo dos grandes milagres que aconteciam
com  o santo, um dia, passando próximo ao mar,
vendo um barco que estava em perigo de afundar
nas ondas revoltas, o santo caminha sobre as águas
e arrasta tranquilamente  o barco para a praia.
O milagre foi testemunhadopor muitas pessoas. 




Era muito comum o santo ser flagrado em
êxtase e levitando. 


       Nesta quadra de sua existência, a fama de sua santidade ia crescendo sempre mais e inúmeros foram os prodígios a ele atribuídos, como curas de muitos doentes. Sempre que podia, Geraldo continuava sua assistência aos pobres e necessitados; tanto é verdade que tempo é questão de opção. Ele nem falhava nas tarefas que os superiores lhe davam, nem na oração na qual vivia imerso, e ainda tinha como ir ao encontro dos indigentes e doentes. Isto se deu sobretudo quando, diante das dificuldades do Convento, foi escalado para recolher esmolas.


Os êxtases e levitações do Santo eram comuns e, 
muitas vezes, assistidos por várias testemunhas. 



  A Grande Provação
      A santidade verdadeira deve sempre ser testada pela cruz, e assim, em 1754, Geraldo precisava sofrer uma grande provação, aquela que bem pode ter merecido a ele o poder especial para assistir às mães e a seus filhos. Uma das suas obras de apostolado era a de encorajar e assistir às moças que queriam entrar para o convento. Muitas vezes ele até garantiu o necessário dote para alguma moça pobre que, de outra forma, não poderia ser admitida numa ordem religiosa.

Um dia o santo foi injustamente caluniado. São Geraldo
sem protestar ou defender-se, humildemente se ajoelha
de Santo Afonso de Ligório para receber sua
"reprimenda" e penitência.


   Néria Caggiano era uma das moças assistidas desta forma por Geraldo. Porém, ela achou desagradável a vida do convento e, dentro de três semanas, voltou para casa. Para explicar sua atitude, Néria começou a espalhar mentiras sobre a vida das freiras, e, quando o povo de Muro recusou-se a acreditar em tais histórias a respeito de um convento recomendado por Geraldo, ela resolveu salvar sua reputação destruindo o bom nome do seu benfeitor. Para isto, numa carta dirigida a Santo Afonso, o superior de Geraldo, ela o acusou de pecados de impureza com a jovem de uma família em cuja casa muitas vezes Geraldo ficava nas suas viagens missionárias.
        Geraldo foi chamado por Santo Afonso para responder à acusação. Mas, em vez de se defender, permaneceu em silêncio, seguindo o exemplo do seu divino Mestre. Diante deste silêncio, santo Afonso nada pôde fazer senão impor ao jovem religioso uma severa penitência: foi negado a Geraldo o privilégio de receber a santa Comunhão e foi-lhe proibido todo contato com os de fora.
          Não foi fácil para Geraldo renunciar aos trabalhos pelo bem das almas, mas este era um sofrimento leve em comparação com a proibição de comungar. Sentiu isto tão profundamente que chegou a pedir para ficar livre do privilégio de ajudar na Missa, receando que a veemência do seu desejo de receber a comunhão o fizesse arrancar a Hóstia consagrada das mãos do padre no altar. Algum tempo depois, Néria ficou gravemente enferma e escreveu uma carta a Santo Afonso, confessando que as suas acusações contra Geraldo não passavam de invenção e calúnia. O santo ficou cheio de alegria ao saber da inocência do seu filho. Mas, Geraldo, que não ficou deprimido no tempo da provação, também não exultou indevidamente quando foi justificado. Em ambos os casos, sentiu que a vontade de Deus tinha sido cumprida, e isto lhe bastava.

  Últimos dias.
        Geraldo tinha exigido de seu corpo mais do que ele podia dar. Sua saúde estava destruída. A anemia consumia-o e seus pulmões já não trabalhavam como deviam. Contudo, continuou esforçando-se em servir os outros e em enfraquecer sua pessoa. 

        Em 1755, Geraldo sai para pedir esmolas para a construção do convento de Caposele. Sente-se mal. É a tuberculose. Estava com 29 anos. Ao morrer, diz ao superior: "Meu leito é a vontade de Deus. Ele e eu somos uma só coisa".



Santa Morte de São Geraldo Majela. A Santíssima
Virgem Maria lhe aparece para consolá-lo em seus
últimos momentos.
 
 No dia 16 de outubro de 1755, com apenas 29 anos de idade, e somente 7 na Congregação, entregou a Deus seu espírito. Seus funerais foram grandiosos e soleníssimos. De Caposele e de todos os povoados vizinhos, a multidão acorreu, atropelando-se para despedir-se do santo e solicitar graça por sua intercessão. E como em vida realizou tantos prodígios, maiores foram os milagres que realizou depois da morte. E a piedade popular, que por ele sente a Itália e muitos outros lugares, é com justa razão.


São Geraldo Majela partindo para a glória do Céu.

A canonização

      Embora a fé no santo fosse muito grande, contudo, somente em abril de 1839 foi aberto em Muro o processo, recolhendo os testemunhos daqueles que o tinham conhecido e daqueles que tinham recebido alguma graça por meio dele.
      Em 1847, Sua Santidade Pio IX concedeu-lhe o título de Venerável e em 1893, o Papa Leão XIII o declarou beato. Finalmente, no dia 11 de dezembro de 1904, o Papa Pio X canonizou Geraldo Majela em meio a uma magnífica cerimônia, como é costume em tais ocasiões. 


         Iconografia de São Geraldo Majela: 



























SANTA MARIA MARGARIDA ALACOQUE, Virgem, Mística e Vidente do Sagrado Coração de Jesus - memória em 16 de outubro.







Santa Margarida Maria Alacoque nasceu na aldeia de Lautecour, na Borgonha, no dia 22 de julho de 1647, no seio de uma família religiosa, honesta, de boa posição, reputação e de seriedade. Seu pai, Claude Alacoque, era notário real. Sua mãe, Philiberte Lamyn, era filha também de um notário do rei, François Lamyn.



Horror ao pecado.

Os seus pais perceberam logo o horror que Margarida Maria tinha pelo pecado quando ainda era pequena, de três anos. Bastava lembrar-lhe que um ato qualquer ofendia a Deus para que a menina se afastasse horrorizada. Nas suas memórias, a Santa afirma que Deus lhe fez ver “o grande horror do pecado, o que me horrorizou tanto que a mais mínima mancha resultava para mim num tormento insuportável.” (1)
A essa aversão ao pecado acrescentou-se logo um agrado muito grande pela oração e pela penitência, juntamente com uma tendência enorme para ajudar os pobres. “Deus, escreve a Santa, deu-me um amor tão terno pelos pobres que eu teria desejado só ter contato com eles. Ele incutiu-me uma compaixão tão grande pelas suas misérias que, se estivesse em meu poder, abandonaria tudo por eles. Quando tinha dinheiro, dava-o aos pobres para estimulá-los a aproximarem-se de mim e então lhes ensinava o Catecismo e a rezar.” (2)
Dos quatro aos sete anos, ou seja, entre 1652 e 1655, seguindo um costume comum na época, foi morar no castelo de sua madrinha, Madame de Corcheval, dama nobre da região. Ali, num ambiente sereno e austero, começou a sua formação.
Duas senhoras ocupavam-se da sua educação. Uma era simpática e gentil. Margarida Maria, porém, fugia dela. A outra era severa e impertinente. Curiosamente Margarida sentia atração por esta última. Ninguém conseguia compreendê-lo. Mais tarde perceberam que este fato era mais um sintoma de que a proteção divina pairava sobre a menina. A primeira senhora levava uma vida irregular; a segunda era de uma conduta sem mancha. Nisto se manifestava o seu horror instintivo ao pecado.
A sua educação teve de ser interrompida quando morreu Madame de Corcheval. A sua afilhada tornou à casa paterna. Mas, em 1655, no mesmo ano da morte de sua madrinha, falece também o seu pai. A mãe, com o objetivo de melhorar a situação patrimonial que o marido deixara complicada, e não dispondo do tempo necessário para providenciar a educação da filha, mandou-a como pensionista para um convento de Clarissas, o que era muito frequente então.
No silêncio dos claustros, refletindo durante longas horas no recolhimento e observando a modéstia e o espírito de oração das irmãs, Margarida sentiu o chamamento à vida religiosa. Foi ali onde, por volta dos nove anos, recebeu pela primeira vez Jesus Sacramentado. A partir de então, as graças na oração e o seu gosto pelo recolhimento aumentaram sensivelmente.

A jovem Margarida Maria tinha de completar junto às Clarissas a educação que recebia habitualmente uma menina de sua condição para ser mãe de família e também dama de sociedade. Isto significava uma sólida formação moral, na qual se punha especial cuidado nos hábitos de modéstia, discrição e domínio de si mesma.
Tal educação completava-se com o ensino da arte da conversa, música, pintura, dança... que desenvolviam a delicadeza, o tato, o bom gosto. Dessa forma, florescia nas pensionistas o sentido da proporção, da naturalidade bem educada, ao mesmo tempo em que recebiam uma capacidade de julgar as pessoas e os fatos.



Judiciosa, sensata e caritativa.

O seu espírito equilibrado e alguns traços da educação recebidos por Santa Margarida Maria foram entendidos mais tarde pela Madre Greyfié, uma das suas superioras em Paray-le-Monial, que a descreveu assim: “Era naturalmente judiciosa, sensata e tinha um espírito bom, humor agradável e o coração mais caritativo que se possa imaginar; numa palavra, pode dizer-se que era uma criatura das mais aptas para ter êxito em tudo.” (3)
No pensionato das Clarissas, Margarida Maria contraiu uma doença grave, pelo que foi preciso reenviá-la à casa da mãe. Ali permaneceu cerca de quatro anos prostrada na cama, sem conseguir levantar-se. Deus, Nosso Senhor, visitava-a com o sofrimento. Só em 1661 recuperou a saúde depois de fazer um voto à Santíssima Virgem.
Na sua casa, outra situação muito dolorosa a aguardava. Sua mãe tinha transferido a gestão do patrimônio a um cunhado, Toussaint Delaroche, homem avaro e de temperamento irritável. A Santa suportou durante anos a quase escravidão a que a submetiam as injustiças do tio. Às vezes tinha de mendigar pão ao vizinho. A casa materna transformou-se então numa prisão torturante. “Não tínhamos já nenhum poder em casa e não ousávamos fazer nada sem seu consentimento”, escreveu a Santa. Passava horas num canto do jardim a rezar ou refugiava-se na capela da aldeia. Mas nem sequer lá encontrava repouso: o tio acusava-a de sair de casa para ver os rapazes. “Às vezes os pobres da aldeia, por compaixão, davam-me um pouco de pão, de leite ou alguma fruta na parte da tarde”. (4)


Reparação, desagravo, amor à Cruz.

Deus permitia esses sofrimentos para prepará-la para a vida de renúncia e expiação que depois abraçaria com entusiasmo. Santa Margarida Maria devia pregar a devoção da reparação ou do desagravo ao Sagrado Coração de Jesus; precisava ser um modelo dessa atitude de alma. Os sofrimentos desta etapa da sua vida, aceitos com paciência exemplar, fortificaram-na para a vida de reparação que a Providência tinha escolhido para ela. Durante este período, a Santa recebeu graças místicas extraordinárias. Além disso, já desde muito pequena, teve um trato muito familiar com Nosso Senhor. “(O Salvador) sempre estava presente sob a figura do crucificado ou do Ecce Homo a carregar a Cruz, o que me produzia tanta compaixão e amor ao sofrimento, que todos os meus sofrimentos pareciam leves em comparação com o desejo que experimentava de sofrer para me conformar com o meu Jesus sofredor.” (5)
Tal compreensão do valor do sofrimento na vida espiritual foi crescendo nela e será uma das características da sua santidade. Mais tarde, já visitandina, esta pioneira dos caminhos de Deus dirá: “Deus deu-me tanto amor à Cruz que não consigo viver um momento sem sofrer: mas sofrer em silêncio, sem consolo, alívio ou compaixão; e morrer com este Soberano da minha alma, sob o peso de toda sorte de opróbrios, dores, humilhações, esquecimentos e desprezos...” (6)
O amor à Cruz foi característico em Santa Margarida Maria e é também condição indispensável de qualquer forma de santidade: “Jesus disse então aos discípulos: se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome sua Cruz e siga-me.” (Mt. 16,24)



Provações familiares

A sua família, de início, quis encaminhá-la para um convento de Ursulinas, onde já vivia uma prima. Santa Margarida Maria – que era muito afeiçoada a essa prima, deu-lhe uma resposta gentil em que transparece o seu grande desejo de perfeição: “Olha, se entro no teu convento, será por amor a ti. Mas quero ir a um convento onde não tenha parentes nem conhecidos para ser religiosa só por amor a Deus.” (7)
Uma voz interior tinha-lhe advertido: “Não te desejo lá, mas em Santa Maria”, que era o nome do convento de Paray-le-Monial. (8) Estava claro que o Senhor a destinara para a Congregação das Irmãs da Ordem da Visitação, e isto já era prefigurativo de como ela iria glorificar o Senhor na propagação do Coração de Jesus. As palavras do fundador da Ordem da Visitação, São Francisco de Sales, quando escreveu à Santa Joana Francisca de Chantal em 10/06/1611, demonstravam já a devoção da congregação aos Corações de Jesus e Maria: "Realmente, a nossa pequena congregação é uma obra do Coração de Jesus e de Maria". Devoção correlatada por São Joana de Chantal: "As Irmãs da Visitação são bem humildes e fiéis a  Deus, e terão o Coração de Jesus como residência e estada neste mundo".  
Entretanto, as pressões familiares para que optasse pelas Ursulinas continuavam. Mas uma doença da mãe e também de um irmão forçaram-na a prolongar os seus planos de vida religiosa.
Numa certa altura, um sacerdote franciscano hospedou-se na casa dos Alacoque durante uma missão. Santa Margarida Maria aproveitou a ocasião para fazer uma confissão geral. Ao conhecer o alto grau de virtude e os desejos de vida religiosa da jovem, o padre julgou que devia seguir a sua vocação. O religioso falou com o irmão e o convenceu a mudar de atitude. A prova em casa acabava. Outras cruzes, mais dolorosas, viriam no Convento da Visitação de Paray-le-Monial, aonde foi ter em seguimento de uma clara inspiração da Providência.
A nossa Santa foi ali aceita como noviça a 20 de junho de 1671; vestiu o hábito a 25 de agosto do mesmo ano e fez a profissão solene a 06 de novembro de 1672. Assim ficava preparado o quadro para a mensagem do Sagrado Coração de Jesus.


Santa Margarida e o Sagrado Coração de Jesus.

Santa Margarida foi acolhida no convento das Irmãs da Visitação de Paray-le-Monial. Ali mesmo o Senhor se manifestaria a ela em revelações distintas, relativas à difusão da consagração e amor ao Seu Coração. Apareceu-lhe por numerosas vezes e deu a conhecer que seria ela o instrumento para arrebanhar o maior número de pessoas ao Amor de Seu Coração. A essência da mensagem, porém, agrupa-se em três revelações:

1) A primeira ocorreu em 27 de dezembro de 1673, conforme relatou Santa Margarida: “Diversas vezes, diante do Santíssimo Sacramento”... “encontrei-me inteiramente investida desta divina presença”... Eu abandonei-me ao Seu Divino Espírito, por força do Amor, o Seu divino Coração... Ele me fez repousar de forma extrema e por um longo tempo sobre o Seu divino peito, onde pude descobrir as maravilhas do Seu amor e os segredos mais profundos e inexplicáveis do Sagrado Coração... Ele me disse: "O Meu divino Coração transborda de amor para os homens, de modo especial por você, que não poderá mais conter para si a luz das chamas da brilhante caridade; é necessário que seja difundida aos homens, e que lhes seja manifesto para enriquecê-los dos preciosos tesouros que te revelei..." 

2) A segunda provavelmente deu-se em uma das primeiras sextas-feiras do ano de 1674: "E numa das vezes, entre tantas outras, em que o Santíssimo Sacramento estava exposto, após ser eu retirada do interior de mim mesma... Jesus Cristo, meu suave Mestre, apresentou-me, repleto da sua glória, suas cinco chagas, brilhantes como cinco sóis, e desta sagrada Humanidade saíam chamas de todas as partes, sobretudo do Seu adorável peito, semelhante a uma fornalha; neste instante revelou-me todo o amor e todo o Seu amável Coração e o estado da fonte viva destas chamas. Ele revelou-me as maravilhas inexplicáveis de seu Puro Amor, excessivamente entregue aos homens, dos quais recebia apenas frieza e ingratidão...”. 


3) Na terceira, ocorrida durante o mês de junho de 1675, Jesus exigiu que fosse feita uma festa especial ao Seu Sagrado Coração: “Numa das tantas vezes em que me encontrava diante do Santíssimo Sacramento, revelou-me Deus as graças excessivas de Seu Amor”... Então, mostrando-me Seu divino Coração, disse: “Aí está o Coração que tanto tem amado os homens, a ponto de nada poupar até exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes o seu amor;”... Eu te exijo mais, que na primeira sexta-feira, de acordo com a oitava do Santíssimo Sacramento, seja dedicada e se junte a esta festa por honra ao Meu Sagrado Coração, fazendo que seja de igual honra àquele dia, a fim de reparar as indignidades e ultrajes durante o tempo em que o viram exposto sobre os altares.



São Cláudio de La Colombière, diretor
espiritual da santa e grande incentivador
e apóstolo da devoção ao Coração de Jesus.
Santa Margarida, porém, enfrentaria  diversos obstáculos na propagação das revelações feitas a ela por Nosso Senhor. Não tardou que fossem levantadas críticas e colocadas em dúvida as suas experiências místicas. Submetida às mais duras provações e intensas humilhações, Deus enviou ao mosteiro um santo sacerdote que, a princípio, passou a estudar minuciosamente os fenômenos relatados. Posteriormente, tornar-se-ia ele propagador e  apóstolo do Sagrado Coração de Jesus: Padre Cláudio de La Colombière.
No último ano da sua vida, Santa Margarida teve a oportunidade de ver a propagação da devoção ao Sagrado Coração de Jesus; viu também um grande número de críticos e opositores tornarem-se fervorosíssimos propagadores da santa devoção. Deus revelou-lhe o mistério da Santíssima Trindade, durante uma das suas aparições.
Jesus deixou grandes promessas às pessoas que, aproveitando-se da Sua divina misericórdia, participassem das comunhões reparadoras das primeiras sextas-feiras: "Prometo-te, pela Minha excessiva misericórdia e pelo amor todo-poderoso do meu Coração, conceder a todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, a graça da penitência final; não morrerão em minha inimizade, nem sem receberem os sacramentos, e meu divino Coração lhes será seguro asilo nesta última hora".
Tais manifestações divinas sucederam num período em que a heresia jansenista,  retratava um braço do protestantismo a propagar seus erros no seio da Igreja, tentando aniquilar a concepção da misericórdia de Deus e da confiança dos fiéis em relação ao Pai Celeste.  A mensagem misericordiosa de Cristo, que aos poucos foi se impondo no convento da Visitação, acabou se espalhando rapidamente entre as nações e, em seguida, foi instituída a sua prática em toda a Igreja Universal.




"Eis o Coração que tanto amou os
homens"... 
A missão de Santa Margarida Maria Alacoque

Em 1647, quando nasceu Santa Margarida Maria, a devoção ao Sagrado Coração não era muito conhecida, se bem que já existisse. A sua missão foi dar-lhe um impulso e uma difusão universal, precisar o seu espírito, adaptá-lo às necessidades da Igreja nos tempos modernos e fixar as práticas de piedade mais adequadas às novas circunstâncias.
Santa Margarida Maria foi uma simples freira que nunca transpôs os muros do seu convento e morreu antes de completar 45 anos, em 1690. A Providência compraz-se deste modo em realizar um desígnio imenso a partir de uma humilde religiosa que, para fugir do mundo, tinha-se retirado a um obscuro convento da Ordem da Visitação e levou ali uma vida apagada aos olhos dos homens e até das freiras visitandinas com as quais convivia.
O quadro hoje é completamente diverso. Ornato da Ordem da Visitação, a religiosa então apagada foi elevada ao ápice de glória na Igreja e, do alto dos altares, da sua santidade, despede raios de salvação à terra inteira, enquanto a maioria dos homens famosos e importantes da sua época é desconhecida pelos nossos contemporâneos.
O Papa Pio XII, depois de fazer a lista dos Santos que o precederam na prática e difusão da devoção ao Coração de Jesus, diz a este propósito: “Mas, entre todos os promotores desta excelsa devoção, merece um lugar especial Santa Margarida Maria Alacoque, que, com a ajuda do seu diretor espiritual, o Beato Cláudio de la Colombière (hoje santo), e com o seu zelo ardente, obteve, não sem a admiração dos fiéis, que este culto adquirisse um grande desenvolvimento e, revestido das características do amor e da reparação, se distinguisse das demais formas da piedade cristã.” (9).


1. Bougaud, História de Santa Margarida Maria, citado em Péricles Capanema Ferreira e Melo, membro da Academia Marial de Aparecida, “O Estandarte da Vitória - A devoção ao Sagrado Coração de Jesus e as necessidades de nossa época”, pg 28.

2. Sainte Marguerite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, tI, p.52 in Op. Cit. p. 28

3. Sainte Marguerite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, tI, p. 456, in Op. Cit. p. 30

4. Sainte Marguerite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, tI, p. 40, in Op. Cit. p. 31

5. Sainte Marguerite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, tI, p.41 in Op. Cit. p. 32

6. Sainte Marguerite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, tI, p.44 in Op. Cit. p. 33

7. Sainte Marguerite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, p.25 in Op. Cit. p. 33

8. Sainte Marguerite-Marie Alacoque, Vie et ouvres, p.25 in Op. Cit. p. 33

9. Encíclica Haurietis Aquas, 49.

SANTA EDWIRGES DA SILÉSIA, DUQUESA (Patrona dos Endividados) - dois textos biográficos.



1º Texto Biográfico

Nascida no período medieval, em 1174, Edwiges morreu em 1.243 e foi canonizada em 1.267. Foi uma mulher que marcou seu tempo. De família nobre, rica, assistiu, desde tenra idade, à miséria a tomar formas diferentes nas pessoas que conhecia, convivia e amava.

Ao se casar aos 12 anos de idade com Henrique, duque europeu, a então princesa da Silésia, país de Lebuska, atual Polônia, Edwiges, educada no Catolicismo e dona de uma fé inabalável, deparou-se com uma situação completamente diferente da que estava acostumada a conviver – seu marido, irmão de clérigo, mal sabia rezar.

Cristã, no real sentido da palavra, a esposa de Henrique logo tomou a educação religiosa de seu marido, preparando o caminho da paz em sua casa para a chegada de seus seis filhos – Henrique, Conrado, Boleslau, Inês, Sofia e Gertrudes. Para manter sua família alinhada com suas crenças, Edwiges levava-os diariamente à capela próxima do castelo, onde moravam, para assistirem juntos à missa.

Mas suas devoções a Cristo e respeito à Virgem Maria não terminavam em seus horários de missa ou de oração. Entre as prolongadas ausências do marido, que saía a lutar nas guerras que dizimavam vidas e era frequente naquele período da humanidade, Edwiges aproveitava para visitar famílias nas maiores condições de miséria e buscar o socorro para cada uma delas.

Nessas visitas, descobriu que os maiores problemas que as famílias enfrentavam estavam relacionados à falta de dinheiro. Lavradores, pequenos sitiantes precisavam pagar uma quantia aos proprietários da terra que trabalhavam, sobre a colheita que deveriam ter. Essa colheita sempre era menor do que o esperado devido ao inverno rigoroso e às intempéries do clima do lugar. Sem ter como pagar as dívidas, os lavradores eram presos e suas famílias ficavam abandonadas, sem ter a quem recorrer. Muitas vezes, as mulheres se prostituíam para poder sustentar seus filhos, ou vagavam pelas ruas, à mercê da quase inexistente caridade pública, sendo humilhadas e maltratadas pelos moradores que tinham condições de sobreviver.

Assistindo à dor e à miséria humana, Edwiges, dona de um coração privilegiado para a época, e uma das mulheres que mais sentiu e demonstrou como ninguém, a caridade e a compaixão, pagava as dívidas dos presidiários com o dinheiro de seu dote, a quantia que foi dada em época de seu casamento, o seu marido, que não quis usá-la e deixou a seu inteiro dispor de sua esposa, ajudando-os a reiniciarem suas vidas.

Preocupada com a situação das mulheres que perdiam seus maridos nas guerras e viam-se à mercê da sorte, expostas a estupros e todo tipo de maldade humana, passou a construir em pequenos vilarejos, conventos para abrigar viúvas e órfãos. Muitas se tornaram freiras e passaram a servir a Deus.

Depois de perder dois de seus filhos precocemente e, por último, seu marido, Edwiges, retirou-se para o convento de Trébnitz e ali viveu, em jejum e oração, até sua morte, aos 69 anos de idade.

Sua fé foi motivo de muitos pedidos dos que viveram próximos a ela, depois de sua morte, e, com vários milagres comprovados, a Igreja Católica a declarou santa em 1.267, 24 anos após a sua morte.

Até hoje, seu corpo é venerado no Convento de Trébnitz, na Polônia, e existem igrejas no mundo inteiro dedicadas à santa.


2º Texto Biográfico:

Santa Edwiges da Silésia (Andechs, Baviera, 1174 - Trebnitz, Silésia, atual Trebnica, Polônia, 14 de outubro de 1243), nascida Edwiges de Andechs, é conhecida na Polônia pelo nome de Jadwiga Śląska.
Depois da morte do marido e dos filhos, entrou para o mosteiro e dedicou-se a ajudar os carentes. Com seu próprio dinheiro, construiu hospitais, escolas, igrejas e conventos.
Ganhou fama de protetora dos endividados por ajudar detentos da região, presos por não terem recursos para pagar suas dívidas.
 Foi proclamada santa pela Igreja Católica em 1267.
O dia 16 de outubro é dedicado a Santa Edwiges, popularmente conhecida como protetora dos pobres e endividados.



Biografia

Santa Edwiges nasceu em 1174 na Alemanha. Filha de Bertoldo IV da Morávia e de sua esposa, Inês de Rochlitz, foi criada em ambiente de luxo e riqueza, o que não a impediu de ser simples e viver com humildade. O seu bem maior era o amor total a Deus e ao próximo.

Aos 12 anos, casou-se com Henrique, príncipe da Silésia (um dos principados da Polônia medieval e atual região administrativa da Polônia), com quem teve seis filhos, sendo que dois deles morreram precocemente.

Culta, inteligente e esposa dedicada, ela cuidou da formação religiosa dos filhos e do marido.

Mulher de oração vivia em profunda intimidade com o Senhor. Submetia-se ao sacrifício de jejuns diários, limitando-se a comer alguns legumes secos nos domingos, terças, quintas e sábado.

Nas quartas e sextas-feiras, somente pão e água. Isto sempre em quantidade limitada, somente para atender às necessidades do corpo.

No tempo do Advento e da Quaresma, Edwiges se alimentava só para não cair sem sentidos.

O esposo não aceitava aquela austeridade. Numa quarta-feira de Quaresma, ele esbravejou por haver tão somente água na mesa, sendo que ele só bebia vinho.

Edwiges então lhe ofereceu uma taça, cujo líquido se apresentou como vinho. Foi um dos muitos sinais ou milagres que ela realizou.

Algum tempo depois, Edwiges caiu vítima de uma grave enfermidade.

Foi preciso que Guilherme, bispo de Módena, representante do Papa para aquelas regiões, exigisse com uma severa ordem a interrupção de seu jejum.

A Santa dizia que isto era mais mortificante do que a sua própria doença.

Dedicou toda sua vida à construção do Reino de Deus. Exerceu fortes influências nas decisões políticas tomadas pelo marido, interferindo na elaboração de leis mais justas para o povo.

Junto com o marido, construiu igrejas, mosteiros, hospitais, conventos e escolas. Por isto, em algumas representações, a Santa aparece com uma igreja entre as mãos.

Aos 32 anos, fez votos de continência (não ter mais relações sexuais), o que foi respeitado pelo marido.

Quando ficou viúva, foi morar no Mosteiro de Trebnitz, na Polônia, onde sua filha Gertrudes era superiora.
Foi lá que Edwiges deu largos passos rumo à santidade. Vivia com o mínimo de sua renda, para dispor o restante em socorro dos necessitados.

Ela tinha um carinho especial pelas mulheres e crianças abandonadas. Encaminhava as viúvas para os conventos, onde estariam abrigadas em casos de guerra, e as crianças para as escolas, onde aprendiam um ofício.

Era misericordiosa e socorria também os endividados. Em certa ocasião, quando visitava um presídio, ela descobriu que muitos ali se encontravam porque não tinham como pagar as suas dívidas.

Desde então, Edwiges saldava as dívidas de muitos e devolvia-lhes a liberdade. Procurava também para eles um emprego.

Com isto, eles recomeçavam a vida com dignidade, evitando a destruição das famílias em uma época tão difícil como era aquela do século XIII. E ainda mantinha as famílias unidas.

Assim, Santa Edwiges é considerada a padroeira dos pobres e endividados e protetora das famílias.

Sua morte ocorreu no dia 15 de outubro de 1243. Foi canonizada no dia 26 de março de 1267, pelo Papa Clemente IV.

Como no dia 15 de outubro celebra-se Santa Teresa de Ávila, a comemoração de Santa Edwiges passou para o dia 16 de outubro.

Modelo de esposa, celibatária e viúva, a Santa não faltava à Missa aos Domingos, e isto ela pede aos seus devotos: mais amor a Jesus na Eucaristia e auxílio aos necessitados.



Mosteiro de Kitzingen.

O convento de Kitzinger foi fundado no tempo de São Bonifácio, por volta do ano de 750, e ficou conhecido como educandário para moças.

A fundadora deste centro foi Santa Hadeloga, cujo culto foi particularmente intenso no século XII, quando foi escrita sua biografia. A forma definitiva da Abadia de Kitzingen foi dada por sua sucessora, a Priora Santa Tecla, falecida pelo ano 790.

 O programa de estudos e educação nas escolas conventuais, especialmente para moças, foi baseado nas instruções pedagógicas de São Jerônimo e aplicado nas escolas das ordens religiosas por vários séculos. Este famoso Doutor da Igreja, grande erudito nas Sagradas Escrituras e fundador de comunidades monásticas femininas, não deixou um sistema completo de formação para a vida religiosa, mas sim orientações pedagógicas.

Quando, em 1817, o Concílio de Aquisgrana publicou suas deliberações sobre a educação religiosa feminina nos conventos, as recomendações de São Jerônimo constituíram as bases da educação para as moças nas escolas conventuais até os inícios do século XIX.

 O processo de formação envolvia a educação religiosa, intelectual e prática.

Edwiges permaneceu naquele convento quase sete anos. Neste tempo esteve em contato direto com o estilo beneditino de vida, inspirado em São Bento de Núrcia e Santa Escolástica, sua irmã.

Isto significa: vida comum, orações frequentes durante o dia, meditação, leitura diária da Escritura, leitura durante as refeições e, sobretudo, uma liturgia solene, que envolvia a mente e o coração de todos.

As alunas aprendiam a língua latina para participarem da leitura em comum dos Salmos e outras leituras.

 Liam também as obras dos santos escritores dos primeiros séculos da Igreja, chamados os Pais ou "Padres da Igreja", que mostravam os modos de viver, concretamente, a Palavra da Bíblia.

A respeito do estudo da Sagrada Escritura, lemos na biografia de Santa Edwiges:

"Na sua mocidade, ela estudou no Mosteiro de Kitzingen a Sagrada Escritura." Desta forma, ela conseguia compreender e ordenar seus afazeres de cada dia. A Bíblia foi para ela fonte de consolação interior e de devoção."

É bom lembrar que, nesta época, o analfabetismo era a norma comum, sendo muito difícil encontrar uma mulher que soubesse ler e escrever e que tivesse formação.

Assim, Edwiges e outras de seu tempo tiveram a felicidade de viver em um ambiente favorável à cultura e ao pensamento.

O aproveitamento dos talentos de nossa Santa Edwiges foi estimulado pela convicção de que "A santidade da vida, unida ao saber, garante à alma maior glória dos céus", conforme suas próprias palavras.

Além de estudar e aprofundar-se nas devoções de sua época, Edwiges encontrou no Mosteiro de Kitzingen vários conhecimentos práticos, tais como a arte de escrever com cuidado e aplicação as chamadas "iluminuras".

Estas eram decorações que se faziam nos livros, todos escritos à mão, pois não havia sido inventada a imprensa ainda. As iluminuras eram desenhos de letras e decorações das mais diversas formas, geralmente muito pequenas e delicadas, mas de grande beleza.

Além das iluminas, Edwiges aprendeu a execução de bordados artísticos.

Outra habilidade aprendida por Edwiges foi o canto vocal e a execução de vários instrumentos da época.

E, junto a tudo isto, ela foi instruída a cuidar de uma casa, o que significava ser responsável por vários empregados; aprendeu a cuidar de doentes e administrar hortas e jardins que davam os frutos para o consumo das pessoas e animais, bem como eram fontes de remédios.

Edwiges alcançou uma excelente formação humana, cultural e religiosa no Mosteiro de Kitzingen.

Sua biografia oficial apresenta a avaliação de sua formação com a expressão latina "bene literata", o que quer dizer que ela expressava ótimos conhecimentos culturais.

Nossa Santa levou por toda a vida uma forte influência deste período de educação. Uma de suas mestras, chamada Petrissa, foi nomeada Abadessa do Mosteiro de Trzebnica por Edwiges, vinte anos depois.

Em Kitzingen esteve também a irmã mais nova de Edwiges, de nome Mechtilde, chegando a ser priora (uma das superiores do Convento).

E neste Mosteiro existem, conforme os registros datados de 1522, as relíquias de nossa Santa Edwiges, Padroeira da Silésia.