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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 19 de setembro de 2026

SANTA MARIA EMÍLIA DE RODAT, Virgem e Fundadora - 19 de setembro.



Maria Guilhermina Emília de Rodat nasceu no castelo de Druelle, situado a 8 k de Rodez, capital de Rouergue, no dia 6 de setembro de 1787, era a primogênita do casal João Luís Guilherme Amans de Rodat e Henriete de Pomairols. Além de Eleonora, modelo de virtude, Emília tinha mais três irmãos: Carlota, Luís Guilherme e Armando Henrique.

Aos 11 anos recebeu sua primeira comunhão clandestinamente, na capela de Ginals, sem nenhuma festa. Seus avós aproveitaram a presença de um dominicano, José Delbès, refugiado no castelo, para realizar a cerimônia, marcando uma etapa de sua vida interior. Era a época da infame Revolução Francesa, na qual os religiosos foram expulsos dos conventos, as igrejas foram profanadas, as relíquias quebradas e os túmulos violados.

     Em 1803, Emília era uma encantadora jovem, viva e graciosa, um pouco altiva e autoritária – notavam-se nela tendências para a vaidade e o orgulho. Apesar das crises próprias da adolescência, Emília conservou sempre vivo o atrativo pelos pobres. Em companhia de Maria Ana Gombert, uma humilde moça de Villefranche, visitava os pobres e doentes com frequência.

     Em 1804, na Festa do Corpo de Deus, as palavras de um missionário determinaram a sua total conversão. Começou a vestir-se com muita simplicidade desprezando as modas. Ia diariamente à Igreja de Ampiac, à meia hora de Druelle, onde assistia à Santa Missa. Ainda nesse ano, recebeu o sacramento da crisma com muito fervor.

     Deixou então Druelle a fim de voltar para Villefranche e foi morar na casa da Sra. Saint-Cyr, dona de um pensionato reservado às senhoritas da sociedade. O Pe. Antônio Marty era o confessor da casa e tornou-se seu diretor espiritual. Em 1806, a Sra. Saint-Cyr aproveitou a relativa instrução de Emília para lhe confiar aulas de Catecismo e de Geografia.
     Em 1809, aos 22 anos, Emília fez algumas tentativas de ingresso na vida religiosa, sem sucesso. Triste, mas não desanimada com esse fracasso, obteve de seu diretor a permissão para pronunciar os votos privados em 21 de novembro desse mesmo ano.

     Em maio de 1815, durante uma visita que fazia aos pobres, Emília ouviu várias mães de família lamentarem a ignorância de suas filhas, sobretudo quanto à instrução religiosa. Elas diziam que antes da Revolução Francesa as religiosas ursulinas ensinavam-nas gratuitamente, o que não tinham suas filhas.



    

Este lamento transpassou como um dardo a alma de Emília, que lhes disse: “Enviem-me suas filhas, eu as instruirei”. Sentiu o apelo irrecusável de Deus para socorrê-las numa fundação, em Villefranche, destinada à instrução das meninas pobres. Querendo iniciar sem demora a execução do seu projeto, Emília obteve da Sra. Saint-Cyr a permissão para dar aulas às crianças no seu exíguo quarto, tendo chegado rapidamente ao número de quarenta meninas.

     Com algumas companheiras, teve que enfrentar grandes dificuldades. Em um ambiente hostil e sem meios financeiros, era difícil achar um local para morar, mas a Providência veio enfim em auxílio delas: no início de 1816, uma antiga aluna da Sra. Saint-Cyr, a Srta. Vitória Alric, prometeu alugar a metade de um imóvel, embora insalubre e mal situado.

     No dia 30 de abril, com suas companheiras, começou a viver ali uma rigorosa vida religiosa e, no dia 1º de maio, vestiram um hábito muito simples. No dia 3 de maio, à sombra da cruz, abriram também uma classe denominada Santa Maria para as meninas de média condição. Três órfãs foram igualmente adotadas.

     Em junho de 1816, D. Grainville, Bispo de Cahors, que se encontrava em Villefranche, consentiu que as Irmãs tivessem uma capelinha com o Santíssimo Sacramento. A partir desse momento, as Irmãs julgaram-se ricas no meio de tanta pobreza. Na Páscoa de 1817, Emília fez seus primeiros votos temporários.

     O grande número de alunas tornara necessária a aquisição de um novo local. No dia 29 de junho de 1817, transferiram-se para a casa Saint-Cyr, abandonada pelos membros da frágil federação. O número das Irmãs dobrou, e o Pe. Marty, apesar de inúmeras ocupações, permaneceu como capelão oficial. A obra prosperava sempre.

     O Pe. Grimal, benfeitor do instituto e protetor das Irmãs, decidiu pela compra do antigo Convento dos Franciscanos, abandonado desde 1793, uma casa contínua e mais tarde, um jardim. Em 29 de junho de 1819, as Irmãs tomaram posse da moradia definitiva, atual Casa-Mãe das Religiosas da Sagrada Família, onde solenemente fizeram os primeiros votos.

     Em agosto de 1820, começaram para Madre Emília as terríveis tentações contra a fé, a esperança e a caridade, que duraram 32 anos, levando-a a um estado extraordinário de sofrimento interior. Além disso, as Irmãs, as postulantes e até mesmo as alunas foram atingidas por uma terrível epidemia. A maioria das meninas abandonou as classes, e as postulantes voltaram para suas famílias. Nenhuma candidata se apresentava por ter medo do contágio e da morte.

     No dia 29 de agosto de 1822, o Pe. Marty enviou Madre Emília a Aubin para consultar-se com um médico renomado. Ao mesmo tempo, a Sra. Constans, pensionista em Villefranche e originária da localidade, convidou Madre Emília para fundar um educandário para moças em Aubin. O Pe. Marty deu o seu consentimento.

     Chegando a Aubin, ela ocupou-se ativamente da nova fundação, primeira do instituto, que estava no seu sexto ano de existência. O projeto foi bem aceito pelas autoridades locais e pelos habitantes. Além do cuidado com as crianças, as Irmãs visitavam os doentes e os pobres. Em breve, várias jovens, atraídas pelos bons exemplos das Irmãs, pediram para serem admitidas na Sagrada Família.

     No dia 1º de agosto de 1832, Madre Emília, acompanhada de três Irmãs, viajou para Livinhac com a difícil missão de transformar uma pequena comunidade numa casa religiosa destinada à educação das jovens, como as de Villefranche e Aubin. A princípio, havia duas comunidades na mesma casa. Aos poucos, as Irmãs foram se adaptando ao novo estilo de vida, depositando em Madre Emília confiança e estima.
 
     Até 1834 a Congregação da Sagrada Família compunha-se exclusivamente de Irmãs clausuradas que se dedicavam ao ensino no interior do convento, e de Irmãs conversas que exerciam diversas funções fora do claustro, dedicando-se aos pobres e aos doentes. Foi naquele ano que ocorreu algo totalmente imprevisto: a fundação das casas não clausuradas. Em alguns meses, houve três fundações. A Providência aproveitou-se do fato para dar origem ao segundo ramo do instituto: as Irmãs das Escolas, que seguiam em tudo as mesmas diretrizes que as outras, com exceção da clausura.

     No dia 15 de novembro de 1834, o Pe. Marty faleceu aos 78 anos de idade. A madre, que o teve como diretor espiritual desde os 18 anos, sofreu profundamente com a perda. No dia 18 de novembro, o conselho escolheu o Pe. Blanc para substituí-lo no governo da congregação. A fundadora continuou abrindo escolas num ritmo bastante acelerado.

     Além das provações interiores e das doenças, Madre Emília carregou também com profunda humildade e paciência a cruz da incompreensão que teve de suportar da parte de várias Irmãs da comunidade. Acusavam-na de arruinar a congregação com sua caridade exagerada, foi submetida à vigilância de uma ecônoma. Abriam suas cartas, vigiavam-na para impedi-la de conversar com as Irmãs que sofriam com essas humilhações e que pareciam auxiliá-la.
     Apesar de tantas provações, a Madre vivia na mais inalterável paz. Na sua profunda humildade, dizia: “Peço a Deus que suscite alguém para reparar meus erros”.

     No início de julho, sentindo-se livre das tentações que há anos a martirizavam, pressentiu estar perto o seu fim. Na madrugada de 04 de setembro, sofreu um desmaio que a impediu de descer para a Missa. A partir desse dia, não deixou mais o seu quarto. Dedicou seus últimos dias às suas filhas: falou com cada uma em particular para lhes dar seus derradeiros avisos. Apesar de sua fraqueza, permaneceu lúcida até o fim.

     No dia 19 de setembro de 1852, às 13h30m, na presença do Pe. Faber e de algumas Irmãs, num último esforço, tomou seu crucifixo, que nunca deixava, fitou-o, colocou os lábios nas chagas do Salvador e, inclinando a cabeça, exalou o último suspiro.

     Quando a triste notícia do falecimento de Madre Emília espalhou-se pela cidade, o povo, chorando e lastimando a grande e irreparável perda, exclamava: “Morreu a Santa!”.
     Madre Rodat foi beatificada em 09 de junho de 1940; e canonizada em 23 de abril de 1950.






Fontes:      
“Heroínas da Cristandade” (http://heroinasdacristandade.blogspot.com/2013/09/santa-emilia-maria-g-de-rodat-fundadora.html


SANTO AFONSO DE OROZCO, Presbítero Agostiniano - 19 de setembro.


Nasceu em Ortopesa, Toledo (Espanha). Era o ano de 1500 e seus pais, católicos fervorosos, puseram-lhe o nome de Afonso ou Alonso em honra de Santo Ildefonso, que tinha sido defensor da virgindade de Maria. Estudou em Talavera de la Reina e serviu como menino de coro na Catedral de Toledo. Teve a música como grande paixão ao longo da sua vida. Enviado a Salamanca para continuar os seus estudos, sentiu-se atraído pelo ambiente de santidade do convento dos Agostinianos, tendo entrado na Ordem, onde fez os primeiros votos em 1523, sendo prior do convento São Tomás de Vilanova.
Depois de ordenado sacerdote, foi nomeado pregador da Ordem, ocupando ainda vários cargos, como os de prior e definidor da Província de Castela, a que pertencia. Era duro consigo mesmo, mas cheio de compreensão para com os outros. Pretendeu ser missionário no México, mas o seu estado de saúde não lho permitiu, apesar de ter começado a viagem em 1547.
Quando era superior do convento de Valladolid, foi nomeado pregador real do imperador Carlos V, depois também de Filipe II, tendo, por esse motivo, transferido a sua residência de Valladolid para Madrid, pois a sede da corte também fora transferida para esta cidade. Estava-se em 1560. Passou a viver no convento agostiniano, conhecido com o nome de São Filipe, o Real.
Dotado de uma extraordinária popularidade, mesmo nos ambientes mais diversos, conseguia aproximar-se de todos, sem distinção. Mereceu a estima do Rei, dos nobres e de grandes personagens da época. A Infanta Isabel Clara Eugênia deixou o seu testemunho favorável no processo de canonização; os escritores Francisco de Quevedo e Lope de Vega fizeram o mesmo.
O conjunto das cartas que escreveu e recebeu mostra a amplitude das suas relações sociais. Mas também o povo simples e humilde o estimava e admirava o seu estilo de vida. Ele a todos ajudava nas suas dificuldades materiais e morais. Gostava ainda de visitar os doentes nos hospitais, bem como os encarcerados.
Apesar de ter fama de uma vida de santidade, pelo que o chamavam "o santo de São Filipe", ele não se sentia confirmado na graça, nem experimentou a vida como um mar de rosas. Com os escrúpulos a atormentarem-lhe o espírito, sentiu fortemente a tentação de abandonar a vida religiosa no período da sua formação; percebeu os atrativos do amor natural, da liberdade, a dificuldade da solidão e o temor das asperezas da vida religiosa.
Escreveu várias obras em língua latina e na castelhana, distinguindo-se: Vergel de Oración e Monte de Contemplación (1544), Desposorio espiritual (1551), Las siete palabras de la Virgen (1556), Bonum certamen (1562), Arte de amar a Dios e al próximo (1568), La corona de Nuestra Señora (1588). Os seus escritos de caráter ascético-místico ressentem-se da sensibilidade da Contrarreforma, própria da época, e neles são abundantes as expressões afetivas. Grande devoto de Maria, sentia-se impelido por Ela a escrever.
Dedicou-se, de modo particular, a espalhar o seu amor pela Ordem em que professara, interessou-se pela sua história e espiritualidade, compondo várias obras sobre esses temas: "Instruções para os religiosos", um "Comentário à Regra" e a "Crônica do Glorioso padre e doutor Santo Agostinho, dos santos e beatos e dos doutores da Ordem" são exemplos disso. Renunciou a todos os privilégios que podia auferir da sua posição de pregador régio, participando assiduamente nos atos da comunidade e tendo o comportamento de um simples frade. Fundou ainda dois conventos de agostinianos e três de monjas agostinianas de clausura, transmitindo a todos um testemunho de amor pela vida contemplativa.

Morreu em Madrid a 19 de setembro de 1591, no Colégio de D. Maria de Aragão, que ele próprio fundara. Foi beatificado por Leão XIII em 1882. Os seus restos mortais conservam-se incorruptos no Mosteiro das Agostinianas em Madrid, chamado do Beato Afonso de Orozco. Foi canonizado por São João Paulo II em 2003. 

Aparição de Nossa Senhora a Santo Afonso de Orozco. 


NOSSA SENHORA DE LA SALETTE, chamada de "Rainha das Aparições Marianas" - 19 de setembro.


Em 19 de setembro de 1846, em La Salette, no coração dos Alpes franceses, a Virgem Maria apareceu a duas crianças pastoras, Mélanie Calvat e Maximin Giraud, ainda adolescentes. Suas palavras e semblante triste foram um chamado à conversão, por meio do respeito à festa religiosa e da oposição à blasfêmia.

Após cinco anos de investigação, em 19 de setembro de 1851, o bispo de Bruillard de Grenoble emitiu um decreto aprovando a aparição. Uma basílica foi logo construída no local do evento milagroso, onde a Virgem Maria é venerada como a "reconciliadora dos pecadores".



As aparições marianas em vários momentos da História Mundial e da História da Igreja:

Na série de aparições autênticas, Nossa Senhora apareceu muitas vezes ao longo dos séculos, deixando mensagens, incitando à oração e ao arrependimento dos pecados.

A maioria dessas aparições ocorreu a videntes ou pessoas de condição humilde e almas inocentes, quase como se para garantir a autenticidade dos eventos ocorridos.

Foi o caso, para citar apenas algumas das mais famosas e consideradas autênticas, da aparição de Guadalupe no México em 1531 a São Juan Diego Cuauhtlatoatzin, um índio analfabeto; da aparição em Lourdes em 1858 a Santa Bernadette Soubirous; e da aparição em Fátima em 1917 aos três pastorinhos: Santa Jacinta Marto, São Francisco Marto (irmãos) e Lúcia de Jesus (prima dos dois) – em processo de beatificação.

Mas doze anos antes das mundialmente famosas aparições de Lourdes, Nossa Senhora já havia aparecido na própria França, em La Salette, cidade do departamento de Isère, no coração dos Alpes franceses, atravessada pelo rio Drac, a cerca de 1.800 metros acima do nível do mar.


Os videntes:

Como aconteceu e aconteceria com outras aparições, a Virgem encontrou-se com duas crianças pastoras: Mélanie Calvat, de cerca de 15 anos, e Maximin Giraud, de 11. Eram muito pobres, tanto financeiramente quanto culturalmente (nenhum dos dois jamais frequentara a escola ou o catecismo), e carentes de afeto.

Mélanie Calvat, ou Mathieu-Calvat, vivia com os camponeses perto de Corps, a aldeia onde nasceu em 7 de novembro de 1831. Contratada como pastora, retornava para casa apenas no inverno, quando sofriam com a fome e o frio. Como resultado, desenvolveu uma natureza introvertida, tornando-se tímida e reservada, de poucas palavras; muitas vezes respondia apenas com sim ou não.

Maximin Giraud, também nascido em Corps em 26 de agosto de 1835, era muito vivaz: passava o tempo livre correndo com seu cachorro Loulou e uma cabra. Tendo perdido a mãe aos dezessete meses, preferia ficar longe de casa, longe de sua madrasta.


Mélanie e Maximin tornam-se amigos.

Por volta de meados de setembro de 1846, um camponês das colinas de Ablandins, Pierre Selme, teve seu pastor adoecido. Ele então desceu até Corps para visitar seu amigo Germain Giraud e pedir que lhe emprestasse seu filho Maximin por alguns dias. Apesar de o pai afirmar que o menino era muito distraído para ser pastor, ele permitiu que o fizesse, a partir de 14 de setembro.

Em 17 de setembro, ele encontrou Mélanie Calvat nos pastos, com quem tentou conversar, embora ela estivesse relutante. No entanto, depois de descobrirem que ambos eram naturais de Corps, decidiram ir ao mesmo pasto no dia seguinte.


O dia da aparição: 19 de setembro de 1846.

Assim, no sábado, 19 de setembro de 1846, partiram cedo pelas encostas do Mont Planeau, acima da vila de La Salette, cada um levando quatro vacas para pastar. Após uma manhã tranquila de pastoreio, ao meio-dia, ao som do Ângelus vindo do sino da vila, almoçaram pão e queijo e beberam água fresca da "fonte dos homens", assim chamada para distingui-la da fonte do gado. Em seguida, juntaram-se a eles outros pastores que cuidavam de outros rebanhos mais abaixo no vale.

Depois do almoço, Mélanie e Maximin se separaram dos demais: atravessaram um riacho, deitaram-se na grama e, contrariando seus hábitos, cochilaram no calor do sol do final do verão. Acordando sobressaltados, ao se lembrarem das vacas que haviam se perdido, encontraram-nas do outro lado e começaram a descer.


Uma Bela Senhora Chorando.

A meio caminho, perto de uma pequena nascente, Mélanie foi a primeira a ver um globo de fogo sobre um monte de pedras, "como se o sol tivesse caído ali", e mostrou-o a Maximin. Daquela esfera luminosa, começou a aparecer uma mulher, sentada com a cabeça entre as mãos, os cotovelos nos joelhos, profundamente triste

(* Nota do administrador deste site: segundo Mélanie disse, mais tarde, em depoimento, a linda mulher chorava copiosamente, com altos gemidos e soluços de dor, dando a eles a impressão de que “era uma mãe que chorava por ter sido espancada por um filho”.)

Para espanto deles, a Senhora levantou-se e, em voz suave, mas em francês, disse-lhes: "Aproximem-se, meus filhos, não tenham medo, estou aqui para lhes dar uma grande notícia." Tranquilizadas, as crianças aproximaram-se e viram que a figura chorava.

Ela parecia alta, luminosa, vestida como as mulheres da região: uma túnica comprida, um grande avental à volta da cintura, um xale cruzado e atado nas costas e um chapéu de camponesa. Numerosas rosas coroavam a sua cabeça e adornavam o seu xale e os seus sapatos. Na sua testa brilhava uma luz como um diadema. Uma longa corrente pendia dos seus ombros, enquanto um crucifixo brilhante pendia de outra corrente no seu peito. De cada lado, havia um martelo e um par de pinças semiabertas.


A Mensagem:

As duas crianças pastoras contaram mais tarde aos seus interlocutores, investigadores e simples peregrinos, que a Senhora chorou durante todo o tempo em que lhes falou. Essencialmente, com pequenas nuances, as crianças relataram, juntas ou separadamente, as mesmas palavras da mensagem da Senhora, que, convém lembrar, não reconheceram na época como sendo da Virgem Maria.

A Virgem falou extensamente nesta única aparição em La Salette, mencionando, para além de problemas gerais e globais, episódios locais, com referências pessoais a episódios envolvendo a família de Maximin e citando exemplos da vida no campo. Inicialmente, falou em francês, mas rapidamente passou para o dialeto de Corps, falado pelas crianças.

Não é possível relatar toda a mensagem e sua necessária interpretação neste breve espaço. Citamos apenas algumas passagens: "Se meu povo não quiser se submeter, serei obrigada a soltar o braço do meu Filho. Ele é tão forte e tão pesado que não consigo mais segurá-lo." "Há quanto tempo sofro por vocês!" "Se eu não quiser que meu Filho os abandone, devo orar a Ele incessantemente, e vocês não me dão atenção. Não importa o quanto vocês orem e façam, jamais poderão compensar a dor que suportei por vocês." 

"Dei a vocês seis dias para trabalhar, reservei o sétimo para mim, e vocês não querem me conceder. É isso que pesa tanto no braço do meu Filho." "E até mesmo aqueles que conduzem as carroças só sabem blasfemar contra o nome do meu Filho. Essas são as duas coisas que pesam tanto no braço do meu Filho."

Então ela falou separadamente, novamente em francês, com os dois meninos, de modo que apenas um pudesse ouvi-la. Finalmente, ela atravessou o riacho e começou a subir a encosta oposta. Sem olhar para trás, ela fez um último convite: "Bem, meus filhos, vocês contarão a todo o meu povo." Chegando ao topo da colina, ela se ergueu do chão e desapareceu gradualmente, surpreendendo as duas crianças pastoras que a seguiam.


Reações da aldeia:

Depois de descerem para as fazendas onde trabalhavam, as crianças pastoras relataram o encontro com a bela Senhora, a fim de justificar a demora em retornar. No dia seguinte, domingo, foram até o pároco, Padre Jacques Perrin, para contar sobre o encontro. O padre, durante a Missa, ficou comovido e fez questão de mencionar o acontecimento em seu sermão de domingo.

O prefeito, no entanto, passou a noite inteira tentando fazer Mélanie voltar atrás, prometendo e ameaçando, mas ela respondeu: "A Senhora me disse para contar, e eu contarei." O homem também foi até Corps para ver Maximin, que já havia retornado para sua família, e pôde confirmar que a história do menino inocente coincidia com a de Mélanie.

Naquela mesma noite, os patrões dos rapazes e um vizinho tiveram a feliz ideia de transcrever as palavras da Virgem, sob o ditado de Mélanie: foi o primeiro documento escrito, assinado pelos três homens.


O decreto diocesano de aprovação

A notícia espalhou-se rapidamente: jornalistas, funcionários e investigadores começaram a chegar, enviados pelo bispo de Grenoble, Dom Philibert de Bruillard, que tinha o direito de se pronunciar sobre o evento ocorrido em sua diocese. Ele estava pessoalmente convencido da veracidade do ocorrido e da incapacidade dos dois pastores de enganar, mas teve de nomear uma comissão de inquérito. Os rapazes foram interrogados repetidamente, informações foram recolhidas e aqueles que se opunham a eles tiveram carta branca.

Somente após cinco anos de investigação, em 19 de setembro de 1851, o Bispo de Bruillard emitiu seu decreto, cujo primeiro artigo dizia: "Declaramos que a Aparição de Nossa Senhora a duas crianças pastoras em 19 de setembro de 1846, em uma montanha nos Alpes, localizada na paróquia de La Salette, vigário forâneo de Corps, apresenta todas as características da verdade, e os fiéis têm razões sólidas para crer que ela é indubitável e certa."


Os Missionários de Nossa Senhora de La Salette e o Santuário.

Além disso, em 1.º de maio de 1852, o bispo anunciou oficialmente a construção de um santuário no local e a fundação de um corpo de missionários diocesanos para a assistência espiritual dos peregrinos, sob o nome de "Missionários de Nossa Senhora de La Salette".

Em 2 de fevereiro de 1858, os seis primeiros sacerdotes fizeram seus primeiros votos. A congregação expandiu-se por todo o mundo, moldando a sua organização por meio do trabalho iluminado do Padre Silvano Maria Giraud, auxiliado por outros homens dignos. Os Missionários são apoiados pelo ramo feminino das Irmãs de Nossa Senhora de La Salette, que, desde 1955, inclui os dois primeiros movimentos religiosos surgidos nos primeiros anos após a aparição e no início do século XX: as Religiosas da Reparação e as Irmãs Missionárias de Nossa Senhora de La Salette.

Finalmente, no local da aparição, foi construída uma basílica neorromânica entre 1861 e 1879. É gerida pela Associação dos Peregrinos de La Salette, a quem foi confiada, juntamente com o complexo de alojamentos, pela Diocese de Grenoble. Os Missionários e as Irmãs de Nossa Senhora de La Salette zelam pela sua funcionalidade e espiritualidade, pois este local tornou-se o seu berço e casa-mãe.




A Mensagem e os Segredos

Em julho de 1851, a pedido das autoridades eclesiásticas, os dois pastorinhos registraram seu segredo, que foi entregue ao Papa Pio IX. No entanto, é preciso fazer uma distinção: a mensagem que Nossa Senhora lhes incumbiu de difundir chamava as pessoas à conversão, ao respeito pela festa dedicada a Deus e à condenação da blasfêmia, culminando no convite à penitência para aliviar desastres naturais.

Os segredos confiados aos dois videntes, descobertos em 1999 pelo Abade Michel Corteville, foram divididos da seguinte forma. O confiado a Mélanie consistia no anúncio de grandes calamidades para a França e a Europa, com referência ao Anticristo e à ruína de Paris, e uma dura repreensão contra os consagrados, mas infiéis. O confiado a Maximin anunciava misericórdia e esperança.


Na imagem acima vem, em francês, 
a palavra "bem-aventurada", porém,
Mélanie não foi ainda beatificada...

O Destino dos Videntes

Em 19 de setembro de 1855, o novo bispo de Grenoble, Monsenhor de Ginoulhiac, resumiu a situação da seguinte forma: "A missão das crianças terminou; a da Igreja começa". No entanto, nenhum dos dois teve uma vida feliz: foram submetidos individualmente a interrogatórios, às vezes acreditados, às vezes não. Contudo, Monsenhor de Ginoulhiac, em um decreto doutrinal datado de 4 de novembro de 1854, esclareceu que as qualidades morais dos videntes, antes ou depois da aparição, eram irrelevantes para a realidade do ocorrido.

Maximin Giraud sempre manteve uma alma simples, mesmo em meio às provações de sua vida: viajou muito, frequentou internato e seminário, trabalhou em uma farmácia e alistou-se brevemente como zuavo papal. Tornou-se sócio de um comerciante de bebidas, mas não conseguiu se sustentar. Ele então retornou a Corps e lá faleceu na noite de 1º de março de 1875, aos 39 anos, solteiro e confortado por ordens religiosas.

Mélanie Calvat permaneceu com as Irmãs da Providência em Corps por quatro anos, mas tornou-se alvo da atenção e preocupação de visitantes e não foi admitida aos votos. Ela entrou e saiu de vários conventos em diversos países europeus, estabelecendo-se então em Castellammare di Stabia, na província de Nápoles, onde registrou por escrito seus supostos segredos.

Tendo se mudado para Galatina, perto de Lecce, foi visitada por Santo Aníbal Maria Di Francia, que lhe pediu ajuda para salvar a congregação das Filhas do Divino Zelo, que ele havia fundado em Messina; após um ano, ela renunciou às suas funções. Depois de outras viagens, estabeleceu-se incógnita em Altamura, na província de Bari, onde faleceu na noite de 13 de dezembro de 1904, aos 73 anos.



Nota: 

Para mais informações:

Missionários de La Salette - Cúria Provincial Via Andersen, 15

00168 Roma; Tel. 06.616.624.37. E-mail: prov.salette@tin.it

Website: www.lasalette.info/it


sexta-feira, 18 de setembro de 2026

SÃO JOSÉ DE CUPERTINO: o "santo voador". Sete dons sobrenaturais que o santo possuía - 18 de setembro.


São José de Cupertino (1603-1663), padroeiro dos estudantes e conhecido como o santo voador, foi abençoado por Deus com muitos milagres, que ele sempre atribuiu à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria. Abaixo, sete eventos sobrenaturais que ocorreram durante a sua vida.




Voava pelos ares.

São José de Cupertino constantemente caía em êxtase e seus irmãos frades, bem como os fiéis, o viram “voar” em várias ocasiões. Certo dia, religiosos o viram elevado até uma estátua da Virgem, que estava a três metros e meio de altura, dando então um beijo no menino Jesus. Em seguida, ele orou no ar com intensa emoção.

O mais famoso destes eventos ocorreu quando os trabalhadores queriam levar uma cruz pesada para uma alta montanha, mas sem sucesso. Então São José elevou-se ao ar com a cruz e a levou ao topo da montanha.


Exorcizava com apenas uma sentença obediente.

Seus superiores o escolheram para exorcizar demônios, mas o Santo considerava-se indigno para tal. Por isso, ele usava a seguinte frase contra o mal: “Saia dessa pessoa, se desejar, mas não o faça para mim, mas para a obediência que devo a meus superiores”. E os demônios saíam.


Podia estar em dois lugares ao mesmo tempo.

O dom de estar em dois lugares ao mesmo tempo é chamado bilocação ou ubiquidade. Dizem que, quando a mãe de São José estava morrendo na aldeia de Cupertino, o Santo, que estava em Assis, sabia. O monge entrou com uma grande luz para o quarto de sua mãe, que, depois de vê-lo, partiu para a Casa do Pai.

Em Assis, seus superiores perguntaram por que São José estava chorando amargamente, e ele respondeu que sua mãe havia acabado de morrer. Mais tarde, foram muitos os que testemunharam o fato de o Santo ter acompanhado sua mãe em Cupertino.


Curava com o Sinal da Cruz.

Certa vez, um homem arrogante disse a São José: “Ímpio, hipócrita, não por você, mas pelo hábito religioso que você veste, tenho que respeitá-lo. Eu acreditaria em tudo que você faz se, com o sinal da cruz em minha ferida, ela ficasse curada”.

O Santo humildemente respondeu que tudo o que ele havia dito sobre ele era verdade e, fazendo o Sinal da Cruz sobre a ferida, o homem foi curado.

Ele também curou a visão de um homem cego, colocando-lhe seu casaco sobre a cabeça. Os aleijados e coxos foram curados por beijar o crucifixo que São José colocava diante deles. Os contaminados com uma praga de febre altíssima foram curados quando o Santo fez o Sinal da Cruz em suas testas.


Lia os corações e convertia protestantes.

O príncipe luterano John Frederick, aos 25 anos de idade, foi para Assis com dois acompanhantes, um católico e um protestante. Eles entraram na Igreja onde São José foi celebrar a Missa e, no momento da consagração, o Santo não pôde partir a Hóstia Consagrada porque estava dura como pedra e teve de colocá-la de volta na patena.

São José começou a chorar de dor e elevou-se para quase um metro de altura. Ao descer, conseguiu partir a Hóstia com grande esforço. Seus superiores lhe perguntaram o que tinha acontecido e ele respondeu que era devido aos corações duros das pessoas que assistiram à missa.

No dia seguinte, o príncipe voltou com os dois homens e, quando o Santo elevou a Hóstia na Missa, a Cruz da Sagrada da Hóstia ficou preta. Isto causou-lhe grande dor e choro, o que o fez levitar por cerca de 15 minutos. Este milagre balançou o coração do príncipe, levando-o a se converter à fé católica juntamente com o seu companheiro protestante.


Comunicava-se com os animais.

Quando passava por um campo e se colocava a rezar, ovelhas se reuniram ao seu redor e ouviram suas orações atentamente. As andorinhas voavam em bandos em torno de sua cabeça e acompanhavam-no por vários quarteirões.


Profetizou o futuro dos Papas.

Uma vez o levaram até o Papa Urbano VIII, o qual queria saber se era verdadeiro o êxtase e os episódios de levitação do Santo.


São José compareceu perante o Papa e levitou pelo ar para o espanto de todos os presentes. O Santo ainda previu a hora e o dia da morte do próprio Papa Urbano VIII e de Inocêncio X.





(Fonte do texto: site pioveritas.com)

SÃO JOSÉ DE CUPERTINO, Presbítero franciscano e Místico - 18 de setembro.


São José de Cupertino, o santo da
humildade e simplicidade; tinha um
Maravilhoso dom de levitação. 
Ele era carente de capacidade intelectual a ponto de chamar-se a si mesmo de "Frei Burro". Mas, cheio de luzes sobrenaturais, discorria em profundidade sobre temas teológicos e resolvia intrincadas questões que lhe eram apresentadas.

Deus criador chama todos e cada um dos homens à santidade, porém, em sua sabedoria infinita, o faz pelas mais diversas vias. A alguns pede que se isolem como eremitas nos desertos, a outros manda pregar às multidões. Conserva por toda a vida a inocência imaculada de uns, enquanto a outros faz emergir de uma situação de terríveis pecados para, arrependidos, atingirem a perfeição.

Há, porém, um contraste que desperta especialmente a atenção: quando a excelência das virtudes floresce numa alma pouco favorecida pelas capacidades intelectuais. Deus suscitou inteligências luminares, como São Tomás de Aquino ou Santo Agostinho, mas, para demonstrar sua onipotência, elevou a alto grau de santidade também homens os mais desprovidos de capacidades naturais. Um destes últimos é São José de Cupertino.

Uma vocação difícil de realizar-se.

O pequeno José veio ao mundo em 17 de junho de 1603, na aldeia de Cupertino, não longe de Otranto, Itália. Seu pai, um pobre carpinteiro, morreu antes que o bebê nascesse, deixando a infeliz viúva com seis filhos e carregada de dívidas. Insensíveis à sua dor, os credores a despejaram da casa, pois ela não tinha condições de pagar o aluguel. A triste senhora ficou reduzida à situação de dar à luz em um estábulo. Assim, já em seu nascimento, a vida de José se assemelhava à do Salvador, cujos passos viria resolutamente a seguir.

Apesar de sua pobreza, a mãe conseguiu colocá-lo em uma escola, e foi nela que, aos oito anos, ele teve o primeiro de seus numerosos êxtases. Seus colegas, não compreendendo a razão de vê-lo parado e com o olhar perdido, deram-lhe o jocoso apelido de "Boccaperta" (boca aberta).

Quando estava um pouco mais crescido, começou a trabalhar como aprendiz de sapateiro. No entanto, já sentia a vocação religiosa e, ao completar 17 anos, tentou ser admitido num convento dos capuchinhos. Para sua tristeza, foi recusado por conta de sua ignorância. Não se deixou esmorecer e, à custa de grande insistência, conseguiu ser recebido como irmão leigo, em 1620. Os capuchinhos de Martino o experimentaram em diversos ofícios, mas os seus êxtases contínuos sujeitavam a louça e outros objetos do convento a uma prova não pouco custosa! Dizem que chegaram a colar em seu hábito os cacos da louça que quebrara. Foi preciso mandá-lo embora. Na terrível provação de ter que despir-se do hábito franciscano, comentou que era como se lhe arrancassem a própria pele.

José procurou abrigo na casa de um tio que tinha certas posses, mas, após algum tempo, este o declarou "completamente inútil" e o pôs na rua. Após tantas desventuras, voltou para a casa materna. Sua mãe recorreu a um parente que era franciscano, por cujo intermédio o jovem acabou sendo aceito no convento de La Grotella, como ajudante leigo, nos trabalhos do estábulo.

Embora sempre distraído e desastrado, sua humildade e espírito de oração e penitência o tornaram estimado por todos, e, em 1625, por votação unânime dos frades, ele foi por fim admitido como religioso franciscano. Os frades conventuais concordaram em aceitá-lo para cuidar da mula do convento de Grottella. Depois, sua piedade, austeridade, obediência e dons sobrenaturais levaram os frades a admiti-lo no convento.


Bastava o santo pensar em Jesus ou
olhar para uma cruz para entrar
em êxtase e levitar ou, literalmente,
voar... 
Pregação feita por meio do bom exemplo.

Entretanto, seu amor a Deus levava-o a almejar o sacerdócio. Embora alguns duvidassem que ele fosse capaz de tanto, os superiores permitiram-lhe começar os estudos. Atravessou os anos de filosofia a duras penas. Nas horas de exame, ficava tão inseguro que, muitas vezes, era incapaz de responder. Mas a Providência não o desamparava. Quando seu mestre começava a impacientar-se, o nosso santo lhe dizia: "Tenha paciência, assim será mais meritório".

Em uma das provas mais importantes, o examinador lhe disse: "Vou abrir a esmo o Evangelho, e a primeira frase que me cair sob os olhos, essa terás de me explicar". Em seguida, abriu o livro santo na página da visita a Santa Isabel e mandou Frei José dissertar sobre a frase: "Bendito é o fruto de teu ventre". Era justamente este o único ponto que ele sabia explanar.

Chegou, por fim, o dia do exame definitivo, no qual se decidiria quem seria ordenado. José recomendou-se à sua Santa Mãe, Nossa Senhora de Grottella. Apresentou-se o grupo de seminaristas diante do bispo, e este logo começou o exame oral. Os dez primeiros a serem interrogados saíram-se tão bem que o prelado, muito satisfeito com o nível de preparação daquele conjunto, dispensou da prova os demais. Frei José era o 11º da lista... Assim, com razão, Frei José de Cupertino viria a ser declarado padroeiro dos estudantes, especialmente daqueles que se encontram no período de exames.

Foi ordenado sacerdote em março de 1628. Sempre teve muita dificuldade de pregar e ensinar. No entanto, supria essa deficiência e ganhava as almas por meio da oração, da penitência e do poderoso meio do bom exemplo.


"Frei Burro" era, na verdade, um teólogo hábil.

Na verdade, era pouco versado nos conhecimentos humanos, tanto que se chamava a si mesmo de "Frei Burro". Contudo, a graça divina lhe concedia muita sabedoria e luzes sobrenaturais, e desse modo ele não somente ultrapassava o comum dos homens no aprendizado das doutrinas, como se mostrava hábil em resolver as mais intrincadas questões que lhe eram apresentadas. Em certa ocasião, um professor da Universidade Franciscana de São Boaventura disse: "Escutei-o discorrer tão profundamente sobre os mistérios da teologia, como não o poderiam fazer os melhores teólogos do mundo".

Além disso, nunca deixou de ser místico e grande contemplativo. Tudo aquilo que, de algum modo, tinha relação com Deus ou com as coisas santas – o som do sino, o canto litúrgico, a menção dos nomes de Jesus ou de Maria, alguma passagem dos Evangelhos – facilmente o transportava ao êxtase. E nada o tirava desse estado. Em vão seus irmãos de hábito tentavam empurrá-lo ou arrastá-lo; depois passaram a golpeá-lo, espetá-lo com pregos e, por fim, alguns mais impacientes chegaram a tocar sua pele com brasas. Nada produzia efeito. Por milagre da santa obediência, somente a voz do superior o trazia de volta à vida comum.


Êxtases frequentes, fonte de transtornos e provações.

O êxtase às vezes o surpreendia durante a Missa. Voltando a si, São José retomava o santo sacrifício no ponto preciso em que o havia deixado, sem se equivocar no cerimonial. Tais eram seus êxtases que, certo dia, durante uma levitação, suas mãos ficaram por cima das chamas de dois tocheiros. Atônitos, os espectadores ficaram mudos de temor, mas, passado o êxtase, não havia qualquer sinal de queimadura. Sua Missa durava habitualmente duas horas. Por vezes, Nosso Senhor lhe recomendava que a abreviasse para ir desempenhar seu ofício de esmoler. Aconteceu-lhe mesmo de elevar-se e permanecer suspenso no ar.

Os êxtases e levitações eram muito
comuns. Podiam ocorrer a qualquer
momento ou lugar. 
Os arroubamentos de São José de Cupertino podiam acontecer em qualquer momento e lugar.

Como essas ocorrências causavam não pouco espanto e admiração, além de grande distúrbio na comunidade, os superiores acharam por bem decidir que Frei José não mais celebrasse Missa em público nem participasse dos atos em comum, como cânticos no coro, refeições e procissões. A partir de então, ele devia permanecer em seu quarto, onde uma capela privada foi preparada para seu uso. Tudo o bom frade aceitou, com humilde e obediente resignação.

Mas as provas a que Deus submetia este seu servo estavam longe de terminar. Tantas manifestações sobrenaturais chamaram a atenção da Inquisição, perante a qual o bom frade foi acusado de abuso da credulidade popular. Durante um interrogatório no mosteiro napolitano de São Gregório Armeno, ele teve um êxtase diante dos juízes. O longo e complexo processo ocasionou-lhe o transtorno de ser várias vezes transferido de uma casa dos conventuais para outra. Mas Frei José de Cupertino sempre manteve sua paciência e espírito alegre, submetendo-se com confiança aos desígnios da Providência. Longe de afligir-se, progredia na via da santificação. Praticava a mortificação e o jejum a tal ponto que fazia sete longos períodos de abstinência por ano, e durante boa parte desse tempo não experimentava nenhuma comida, exceto às terças-feiras e domingos.     


Simplicidade e inocência.

Comumente via as pessoas em forma de um animal que representava o estado de sua alma. Se encontrava alguém cuja alma não estivesse limpa, sentia o fétido odor do pecado e advertia: "Estás cheirando mal, vai te lavar". E, após uma boa confissão, sentia um aroma agradável de perfume.

Facilmente entrava em êxtase e levitava.
Vivia de tal forma em contemplação que, mesmo durante árduos trabalhos, não conseguia distrair-se dela. Não poucas vezes, pensando nas realidades eternas, José se elevava do chão. Realmente, o "Irmão Burro" passou boa parte de sua vida no ar, entre o céu e a terra... Devido talvez à sua simplicidade e inocência, José de Cupertino tinha grande amizade e familiaridade com as mais simples criaturas de Deus.

 Certa vez mandou um passarinho ir ensinar às freiras de um mosteiro a cantar o Ofício. E todos os dias, à hora das Matinas e da Noa, eis que o pássaro aparecia à janela do coro, animando o cântico das religiosas.

Em outra ocasião, encontrou duas lebres junto ao bosque de Grottella e as preveniu: "Não vos afasteis de Grottella, porque muitos caçadores vos perseguirão". Tendo desobedecido a essa recomendação, uma delas foi surpreendida e perseguida por cães. Encontrando aberta a porta da capela, o animalzinho atravessou a nave e atirou-se nos braços de José. "Eu não tinha te avisado?", disse-lhe o santo. Em seguida, chegaram os caçadores, reclamando sua presa. "Esta lebre está sob a proteção de Nossa Senhora, portanto não a tereis", respondeu ele. E, depois de abençoá-la, a pôs em liberdade.

Apenas ao pronunciar os santíssimos nomes de Jesus e de Maria, José entrava em levitação. Passeando um dia com outro frade nos jardins do convento, este lhe disse: "Irmão José, como criou Deus um tão belo céu!" Ao ouvir estas palavras, José deu um grito, voou e colocou-se de joelhos sobre uma oliveira. Os galhos balançavam como se estivessem sob o peso de um pássaro.


Urna com o corpo incorrupto do santo.


A santidade atrai.

Sua fama de santidade espalhou-se rapidamente por toda a Itália e mesmo por outros países da Europa. Príncipes, reis, cardeais e até o Papa o procuravam.

Todo este movimento em torno do humilde religioso e os fenômenos sobrenaturais pouco comuns inquietaram a Inquisição. Em 1653, por ordem do Santo Ofício, foi transferido de Assis para o convento capuchinho de Petra Rúbia e, depois, para isolá-lo mais, a Fossombrone. Devia ele viver isolado, inclusive, da comunidade.

Os frades conventuais recorreram ao Papa Alexandre VII. Queriam reconduzir São José a Assis, mas o Papa respondeu: "Não, basta-lhes um São Francisco em Assis". Que maior elogio para um franciscano?!

Foi enviado a Ósio, perto de Loreto, em 1657. Ao chegar, exclamou: "Este é o lugar de meu descanso". E, de fato, foi em Ósio que entregou sua virtuosa alma a Deus, em 17 de setembro de 1663. Foi canonizado por Clemente XIII em 1767.


(Revista Arautos do Evangelho, jan./2004 e set./2006, n. 25 e 57)