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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

SÃO VENCESLAU, Duque da Boêmia e Mártir - memória facultativa em 28 de setembro.


Stochow, Praga, República Tcheca, ca. 907 - Stará Boleslav, República Tcheca, 929/935.

Príncipe da Boêmia do século X, Venceslau foi criado como cristão por sua avó, Santa Ludmila. Ainda jovem, sucedeu seu pai após um período de descontentamento por parte de sua mãe, que favorecia seu segundo filho, Boleslau. Ela fomentou a rivalidade entre os dois irmãos a tal ponto que Boleslau atacou Venceslau enquanto este caminhava sozinho, como de costume, para a igreja para as Matinas. Defendendo-se da espada de Boleslau, cuja vida poupou, Venceslau foi morto por seus seguidores. Venceslau viveu numa época em que o cristianismo ainda dava seus primeiros passos na Boêmia e a atividade apostólica e missionária era muito difícil e perigosa. Profundamente religioso, contribuiu para a disseminação da mensagem evangélica, promovendo o desenvolvimento religioso e cultural de seu povo e, por sua bondade e retidão, tornou-se o santo mais popular da Boêmia.

 

Relato hagiológico:

Há um lugar na Europa que pertence à memória do mundo inteiro, junto com uma data: a Praça Venceslau em Praga, 1968. Ela evoca a "primavera", com o clamor do povo checo por liberdade, e depois o luto pela invasão comunista do país, no verão da opressão. As alegrias e as tristezas de todos se expressaram ali, ao redor da estátua de São Venceslau, erguida no final do século XIX.

Venceslau (Václav em checo) era filho de Vratislav, Duque da Boêmia: perdeu o pai ainda menino e o sucedeu no governo, embora com sua mãe, Drahomira, como regente. Era cristão, criado por sua avó paterna, Ludmila, venerada pela Igreja como santa, mas assassinada por sua fé a mando de sua nora, Drahomira, mãe de Venceslau. Comparado aos príncipes da época, Venceslau estava entre os mais instruídos: chegou a estudar latim.

Assim que assumiu o poder efetivo, Venceslau empenhou-se em cristianizar o país, convocando missionários alemães, pois isso fazia parte de sua política geral de governo: aproximar a Boêmia da Europa Ocidental e de sua cultura (embora houvesse conflitos com os governantes alemães).

A tradição o exalta como um modelo de coragem generosa: durante uma luta contra um duque boêmio, Venceslau propôs resolver a disputa com um duelo entre os dois, para não sacrificar tantas vidas de soldados; e o inimigo se reconciliou com ele. Sua pouca idade e seu estilo o tornaram um modelo para muitos de seus súditos, mas sua popularidade generalizada se voltou contra ele — por razões religiosas e de poder — uma parcela da nobreza, que obedecia (ou se impunha) a seu irmão mais novo, Boleslau.


Desde criança, a Santa Missa era para o santo
um "céu antecipado" aqui na terra. 


Isso levou a uma conspiração para assassiná-lo, entregando todo o ducado da Boêmia a seu irmão. Boleslau, não ousando atacar Venceslau em Praga, convidou-o para seu castelo em Stará Boleslav. Planejaram matá-lo durante o almoço, mas certas palavras de Venceslau despertaram temores de que ele tivesse descoberto o complô. Então, eles o esperaram quando ele foi à igreja (sozinho, como sempre) para recitar a Oração das Horas. E lá ele foi assassinado. Reza a lenda que Boleslau tentou atacá-lo primeiro, mas Venceslau reagiu derrubando-o no chão e fazendo-o soltar a espada; então, generosamente, ele a pegou e a devolveu ao irmão como sinal de perdão.

Este foi seu último ato de grandeza, interrompido pelos assassinos de Boleslau, que o abateram de uma só vez. Segundo outra lenda, ninguém conseguiu lavar seu sangue, que se espalhou pelo chão de madeira. Seu corpo foi então levado para Praga e sepultado na Igreja de São Vito. Já no século X, Venceslau era objeto de culto e, no século seguinte, tornou-se o símbolo do estado boêmio. Mais tarde, a Igreja inscreveria seu nome no Martirológio Romano, venerando-o como mártir da fé.

A Igreja o venera como santo desde 1729.

Beato João Paulo I (Albino Luciani), Papa - memória em 28 de setembro (dois textos hagiográficos)

Canale d'Agordo, Belluno, 17 de outubro de 1912 - Cidade do Vaticano, 28 de setembro de 1978.

(Papa de 26/08/1978 a 28/09/1978)


Albino Luciani nasceu em Forno di Canale (atualmente Canale D'Agordo), diocese de Belluno, em 17 de outubro de 1912, filho de Giovanni Luciani e Bortola Tancon. Em 1923, ingressou no Seminário Menor de Feltre e, em 1928, no de Belluno. Em 7 de julho de 1935, foi ordenado sacerdote. Exerceu seu ministério como capelão da paróquia de sua cidade natal e depois na de Agordo. Em 1937, foi nomeado vice-reitor do Seminário de Belluno. Em 27 de fevereiro de 1947, formou-se em teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Em 1954, foi nomeado Vigário Geral da diocese de Belluno e, em 15 de dezembro de 1958, Bispo de Vittorio Veneto.

Em 15 de dezembro de 1969, foi nomeado Patriarca de Veneza. Após a morte de Paulo VI, em 26 de agosto de 1978, foi eleito o 263º sucessor de São Pedro, adotando pela primeira vez na história dos papas um nome duplo: João Paulo. Partiu para a Casa do Pai em 28 de setembro de 1978, após 33 dias de pontificado.

A fase diocesana de sua causa de beatificação ocorreu na diocese de Belluno-Feltre de 22 de novembro de 2003 a 10 de novembro de 2006. Em 8 de novembro de 2017, o Papa Francisco autorizou a promulgação, com a qual foi declarado Venerável, e, em 13 de outubro de 2021, a do decreto sobre o milagre.

Finalmente, em 4 de setembro de 2022, ele o proclamou Beato em Roma, na Praça de São Pedro. Os restos mortais do Papa João Paulo I repousam nas Grutas do Vaticano, sob a Basílica de São Pedro, em Roma.

 

PRIMEIRO TEXTO HAGIOLÓGICO: 

Mesmo em Canale d'Agordo, local de nascimento do novo Papa, era uma celebração: "Eles fizeram o Papa Albino". Para seus conterrâneos, na verdade, o sucessor de Pedro, ex-bispo e depois patriarca, sempre permaneceu "l'Albino", seu "Don Albino". Um filho fiel da terra dura de Belluno.

Nascido em 17 de outubro de 1912 em Forno di Canale (que mais tarde se tornou Canale d'Agordo), filho de Giovanni e Bortola Tancon, a infância de Albino transcorreu entre a beleza dos vales e montanhas de sua cidade natal, no sofrimento da Primeira Guerra Mundial e na pobreza de uma família camponesa.


Início da vocação ao sacerdócio:

Aos 10 anos nasceu sua vocação sacerdotal, por meio da pregação de um frade capuchinho. Em 1923, ingressou no seminário, primeiro em Feltre e, em 1928, em Belluno. Em 7 de julho de 1935, foi ordenado sacerdote. Capelão em Agordo, onde lecionou religião no Instituto Técnico de Mineração, em 1937, foi nomeado vice-reitor do Seminário de Belluno.

Ordenação episcopal:

Em 1954, foi vigário geral da diocese de Belluno e, em 1958, foi consagrado bispo de Vittorio Veneto pelo Papa João XXIII. Onze anos depois, Paulo VI o nomeou Patriarca de Veneza.


Eleição para o papado:

Em agosto de 1978, com a morte de Paulo VI, o Cardeal Albino Luciani, Patriarca de Veneza, chegou a Roma em preparação para o conclave.

Celebrava missa na igreja de San Marco (perto da Piazza Venezia), da qual ostentava o título de cardeal. Em sua homilia, ele falou aos fiéis da Virgem, Mãe da Igreja, nossa irmã, convidando-os repetidamente a rezar à Mãe de Deus pela eleição do Papa, para o futuro Papa.

Mas o Patriarca não pensava em si mesmo nem um pouco. De fato, ele tinha tanta certeza de que voltaria para casa que, no próprio dia em que entrou no conclave, foi pedir ao mecânico que consertasse rapidamente seu carro velho, quebrado nos arredores de Roma: "Por favor, faça isso o mais rápido possível. Terei que voltar para Veneza em alguns dias e não saberia como recuperar o carro se tivesse que deixá-lo aqui...".

A Divina Providência, no entanto, havia providenciado de forma diferente e, em 26 de agosto de 1978, após apenas um dia de conclave, o Cardeal Felici apareceu sorrindo da loggia de São Pedro para pronunciar a fórmula ritual: "Eminentissimum ac reverendissimum Dominum, Albinum...", ele entoou em tom solene: "Sanctae Romanae Ecclesiae Cardinalem Luciani!".


A multidão reunida na praça explodiu em uma explosão de alegria enquanto os sinos de São Pedro inundavam o céu de Roma com sons majestosos.

Dom Albino Luciani foi eleito o 263º sucessor de Pedro, adotando um nome duplo pela primeira vez na história dos papas. "Meu nome será João Paulo", começou imediatamente após a eleição. "Sejamos claros: não tenho nem a sapientia cordis do Papa João, nem a preparação e cultura do Papa Paulo, mas estou em seu lugar, devo tentar servir à Igreja. Espero que me ajude com suas orações."

Os jornais começaram a chamá-lo de "o Papa do Sorriso". Seu público geral era aguardado com grande expectativa. Luciani só conseguiu fazer quatro: uma sobre humildade (que era muito próxima ao seu coração, tendo escolhido para si o lema "Humilitas") e outras três sobre as virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Como qualquer outro catequista simples. E catequista no fundo do coração sempre foi: como pároco, primeiro, depois como bispo, como patriarca, finalmente como papa. Desmoronar com simplicidade as grandes verdades da fé, quebrando os humildes o pão do Evangelho. Esse sempre foi seu objetivo, seu programa. Uma escolha pastoral precisa.

Na verdade, como jovem seminarista, Albino Luciani tentou durante o verão escrever alguns artigos para o boletim paroquial de Canale d'Agordo, e o pároco, pacientemente e calmamente, corrigiu, explicando: "Veja, Albino, quando você escreve, pense que seu artigo também deve ser entendido por aquela velha que está lá em cima, no topo da vila, e que não estudou e mal sabe ler".


Um brevíssimo pontificado. Uma morte prematura e inesperada:

Pode-se dizer que Luciani sempre teve aquela velha diante dos olhos, mesmo quando chegou ao trono de Pedro. Por isso as pessoas o amavam. E ele nunca esqueceu, mesmo que seu pontificado tenha sido curto. Mas, como disse seu sucessor Karol Wojtyla, que implicitamente assumiu sua herança, "trinta e três dias são suficientes como tempo de amor." Ele morreu na noite de 28 de setembro de 1978, vítima de parada cardíaca.


Corpo do Beato João Paulo I em suas exéquias. 



 

Breve pontificado, mas, exemplo de um bom, humilde e “santo” pontífice, que ainda perdura...

Hoje, "Don Albino" ainda fala. Na igreja que o recebeu na pia batismal e onde celebrou sua primeira missa, em Canale d'Agordo, a peregrinação dos devotos é contínua. Portanto, esse papa não era aquele "meteoro" de que às vezes se diz. Em 26 de agosto de 2002, no aniversário de sua eleição ao trono papal, o bispo de Belluno, Vincenzo Savio, em meio aos aplausos estrondosos dos fiéis, anunciou o início da investigação para sua causa de canonização.


O sorriso e a humildade de um "santo" que,
a Providência divina quis que fosse Papa
por apenas 33 dias. 

Início da Causa de Beatificação e de Canonização:

A investigação diocesana foi então realizada na diocese de Belluno-Feltre de 22 de novembro de 2003 a 10 de novembro de 2006, devido aos poucos dias passados no território do Vicariato de Roma (sede competente para todas as causas de beatificação de pontífices, mesmo que eles morressem fora de Roma).

A primeira investigação diocesana e uma segunda investigação suplementar, realizadas em 2008, foram validadas em 13 de junho de 2008. Os cinco volumes da "Positio", entregues em 17 de outubro de 2016, foram examinados em 1º de junho de 2017 pelo Congresso de Teólogos e em 3 de novembro de 2017 pelos Cardeais e Bispos da Congregação para as Causas dos Santos.

Decreto de venerabilidade:

Em 8 de novembro de 2017, recebendo em audiência o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, o Papa Francisco aprovou o decreto pelo qual as virtudes heroicas do Papa João Paulo I foram oficialmente reconhecidas, cujos restos mortais repousam nas Grutas do Vaticano, não muito longe dos do Papa Paulo VI.

 

Reconhecimento do milagre para a beatificação:

Como suposto milagre para obter sua beatificação, foi examinada a cura de uma criança de "encefalopatia inflamatória aguda grave, estado de doença epiléptica refratária maligna, choque séptico". O incidente ocorreu na diocese de Buenos Aires, em 23 de julho de 2011, e levou a um rápido e completo restabelecimento de um quadro clínico neurológico e clínico graves que já durava quatro meses.

O pároco da paróquia à qual pertencia o complexo hospitalar, muito devoto ao Papa Luciani, foi ao leito da criança e propôs à mãe recorrer à sua intercessão. Suas orações, de forma coral e unânime e dirigidas univocamente ao Venerável, foram então acompanhadas pelos membros da equipe de enfermagem presentes na unidade de terapia intensiva.

 

A beatificação:

A investigação diocesana foi realizada na diocese de Buenos Aires e concluída no final de novembro de 2017. A Consulta Médica da Congregação para as Causas dos Santos, em 31 de outubro de 2019, foi unânime em que a cura não poderia ser explicada pelo conhecimento médico atual.

Em 6 de junho de 2021, o Congresso dos Teólogos emitiu um parecer positivo sobre a suposta cura e invocação do Venerável, confirmado em 12 de outubro de 2021 pelos cardeais e bispos que são membros da mesma Congregação.

 

Em 13 de outubro de 2021, recebendo em audiência o Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto. Isso abriu caminho para a beatificação de João Paulo I, celebrada na Praça de São Pedro, em Roma, em 4 de setembro de 2022.

 

 

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SEGUNDO TEXTO HAGIOLÓGICO: 

Entre os seminários Agordino e os diocesanos

Albino Luciani, que se tornou João Paulo I com sua eleição para a Sé Apostólica em 26 de agosto de 1978, nasceu em 17 de outubro de 1912 em Forno di Canale, hoje Canale d'Agordo, província e diocese de Belluno. O mais velho dos quatro filhos de Giovanni Luciani e Bortola Tancon foi batizado em casa pela parteira no dia de seu nascimento. Em 26 de setembro de 1919, na Igreja Paroquial de San Giovanni Battista, recebeu a confirmação do Bispo Giosuè Cattarossi e, posteriormente, sua primeira comunhão das mãos do pároco Don Filippo Carli. Sob sua orientação, Albino Luciani aprendeu os primeiros ensinamentos da doutrina cristã e o catecismo de São Pio X e iniciou seus estudos, amadurecendo sua vocação desde cedo.

Em 17 de outubro de 1923, iniciou sua formação no seminário menor de Feltre. Cinco anos depois, em 1928, ingressou no Seminário Gregoriano em Belluno para estudos de ensino médio, filosóficos e teológicos. Após concluir sua formação teológica, durante a qual se destacou por seus dons morais, habilidades intelectuais e lucro em seus estudos, recebeu o diaconato em 10 de fevereiro de 1935. Em 7 de julho do mesmo ano, foi ordenado sacerdote na igreja de San Pietro in Belluno, com dispensa papal super defectum aetatis. No dia seguinte, em sua cidade natal, celebrou sua primeira Missa e iniciou seu primeiro ministério como vigário-cooperador do Canale d'Agordo, tornando-se, em dezembro, coadjutor do Monsenhor Luigi Cappello em Agordo. No entanto, o período de serviço na paróquia terminou logo.


        Jovem padre em Belluno.

Foto do então Padre Albino Luciani
colorida por meio de IA. 

No outono de 1937, com apenas vinte e cinco anos, Don Albino foi chamado para Belluno para ocupar o cargo de vice-reitor do Seminário Gregoriano e, ao mesmo tempo, professor das aulas do ensino médio e de teologia, cargo que ocupou por vinte anos. Até o fim de sua estadia na diocese de Belluno, na verdade, dedicou-se ao ensino de teologia dogmática e direito canônico e, conforme necessidade, foi professor de patrística, liturgia, arte sacra, eloquência, catequética, cuidado pastoral e administração. Além de sua intensa atividade docente e educacional, também trabalhou como publicitário, escrevendo assiduamente artigos para o semanário diocesano L'Amico del Popolo, e como animador cultural, cuidando da formação de alguns grupos juvenis. Em 16 de outubro de 1942, com uma tese sobre as provações, obteve a licenciatura em teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana. Em fevereiro de 1947, na mesma universidade, obteve doutorado em teologia, com uma tese sobre "A origem da alma humana segundo Antonio Rosmini".

Não apenas seus estudos, mas também seu compromisso didático e responsabilidades pedagógico-educacionais caracterizaram os anos de Luciani em Belluno; a acumulação dessas tarefas foi acompanhada por algumas tarefas pastorais e, acima de tudo, por responsabilidade diocesana.

Em novembro de 1947, o bispo Girolamo Bortignon o nomeou pro-chanceler episcopal e o nomeou secretário do Sínodo interdiocesano de Belluno e Feltre, confiando-lhe a organização central. Em fevereiro de 1948, ele lhe enviou a nomeação de pró-vigário geral e a de diretor do escritório catequético. Fruto de seu compromisso no campo da catequese foi o volume Catechetica in briciole, um recurso para a formação de catequistas, publicado em 1949. Sucessor do Bispo Bortignon, o Dom Gioacchino Muccin confirmou Padre Albino em todos os cargos e, em 8 de fevereiro de 1954, promoveu-o a vigário-geral da diocese de Belluno, nomeando-o finalmente, em 1956, cônego da catedral.

 

Bispo em Vittorio Veneto.

Os bispos Bortignon e Muccin, que o haviam escolhido como colaborador próximo na administração da diocese, apoiaram sua candidatura ao episcopado. Em 15 de dezembro de 1958, no primeiro consistório convocado por João XXIII, Mons. Luciani foi proclamado bispo de Vittorio Veneto. No dia 27 de dezembro seguinte, recebeu a consagração episcopal das mãos do Papa na Basílica de São Pedro e, em 11 de janeiro de 1959, ingressou na diocese veneziana.

O período vitoriano (1959-1969) foi uma etapa decisiva na vida de Luciani. A atividade pastoral que realizou na diocese foi intensa e deu frutos frutíferos.

O lema episcopal Humilitas, que pertencia a São Carlos Borromeu e que ele queria que fosse impresso em seu brasão junto com as três estrelas – símbolo de fé, esperança e caridade – marcava sua constante orientação no exercício de seu ministério episcopal.


Brasão episcopal de Dom Albino Luciani


Sua missão foi cumprida com igual intensidade nos níveis espiritual, caritativo e cultural. Inclinado ao diálogo e à escuta, imediatamente deu prioridade às visitas pastorais e ao contato direto com os fiéis, demonstrando sensibilidade aos problemas sociais da região do Vêneto, que vivia a transição histórica do antigo mundo rural para o moderno industrial.

Dom Luciani incentivou com comprometimento a participação ativa dos leigos na vida da Igreja. Ele dedicou sobretudo atenção à vida do clero, incentivando a colaboração entre os padres, dedicando-se ao cuidado das vocações e à formação de jovens padres. Enfrentou as dificuldades do governo com fortaleza e serenidade. Destacou-se, antes de tudo, na pregação, demonstrando dons incomparáveis na comunicação da mensagem do Evangelho.

Durante seu episcopado, o Dom Albino Luciani participou de todas as quatro sessões do Concílio Vaticano II (1962-1965). Transmitiu os ensinamentos e diretrizes do Concílio em sua diocese de forma clara e eficaz, por meio de palavras e escritos. Essa experiência também teve outro efeito não secundário: as reuniões com os bispos do “Terceiro Mundo” estimularam seu interesse pelas missões.

A diocese se envolveu imediatamente e o bispo enviou missionários ao Brasil e ao Burundi, onde, no outono de 1966, ele próprio realizou uma visita pastoral. Enquanto isso, a Conferência Episcopal de Triveneto o viu cada vez mais envolvido na redação de documentos colegiais.

 

       Patriarca de Veneza.

O dia 15 de dezembro de 1969 marcou o início de um novo período na vida de Dom Luciani. São Paulo VI anunciou sua nomeação para a sé patriarcal de Veneza e, em 8 de fevereiro de 1970, ingressou na nova diocese. Pouco depois, São Paulo VI expressou novamente sua estima pelo Patriarca de Veneza, contando-o entre os membros nomeados pelo pontífice do Sínodo dos Bispos em 1971, convocados para discutir os temas do sacerdócio ministerial e da justiça no mundo.

Em 16 de setembro de 1972, a caminho do Congresso Eucarístico Nacional em Udine, São Paulo VI visitou Veneza e homenageou publicamente o Patriarca, impondo sua estola diante da multidão na Praça de São Marcos. Em 5 de março de 1973, ele o criou cardeal. Esses eram sinais de uma consideração que o “Papa Montini” manifestou, mesmo em formas mais reservadas, ao patriarca de Veneza.

Na Conferência Episcopal Italiana, a figura de Luciani ganhou destaque. Como presidente da Conferência Episcopal Triveneto, foi membro do Conselho Permanente da CEI e, em junho de 1972, foi eleito vice-presidente, cargo que ocupou até junho de 1975, quando pediu para não ser confirmado para poder se dedicar mais comprometido à sua diocese.

Foi novamente eleito entre os representantes do episcopado italiano para o quarto Sínodo de 1977, dedicado aos problemas da catequese. Isso lhe ofereceu a oportunidade de uma intervenção ampla sobre um dos temas mais frequentados por Luciani como expressão de sua paixão inesgotável pela proclamação das verdades cristãs. Mesmo em Veneza, o Patriarca permaneceu fiel à abordagem de trabalho e ao estilo pastoral que viveu em Vittorio Veneto.

Papa São Paulo VI e seu sucessor imediato:
o então cardeal Albino Luciani, futuro Papa
João Paulo I. 
Seu estilo de vida sóbrio para o benefício dos pobres e a atenção aos doentes, combinado com seu temperamento amável e abertura ao diálogo, lhe renderam a simpatia do povo veneziano.

Como Patriarca, não deixou de apoiar os trabalhadores de Marghera, frequentemente envolvidos na agitação sindical. Fez várias viagens ao exterior, durante as quais conheceu comunidades de emigrantes italianos: na Suíça (junho de 1971), na Alemanha (junho de 1975) e no Brasil, no município de Santa Maria do Rio Grande do Sul (novembro de 1975), onde recebeu um título honorário.

Sua produção escrita também é importante nesses anos, caracterizada pela escolha consciente de uma forma de exposição plana e coloquial, com a intenção de alcançar todos.

Publicou artigos sobre questões eclesiásticas e de atualidade nas colunas Il Gazzettino e L'Osservatore Romano e, em 1976, publicou uma obra literária, Illustrissimi, uma coleção original de epístolas fictícias dirigidas aos grandes do passado.

Nos anos difíceis dos protestos e das derivações pós-conciliares, o cardeal Dom Luciani sentiu a urgência de intervir firmemente para corrigir erros doutrinários espalhados por alguns teólogos e professores de seminário.

Ele assumiu uma posição clara sobre vários aspectos da vida diocesana: desde a criação do conselho presbiteral até a prática litúrgica, desde a formação dos clérigos até o emprego de novos padres no cuidado pastoral do trabalho.

Na primavera de 1974, ele interveio de forma decisiva em favor da posição adotada pela FUCI diocesana em relação ao referendo sobre o divórcio, demonstrando mais uma vez sua firme liderança na adesão à comunhão episcopal e à fidelidade ao Papa.

Suas intervenções o qualificaram, em nível nacional, para um senso de responsabilidade corajosa, na esteira da tradição da Igreja. Ele se destacou por seu senso de responsabilidade e prudência em sua Igreja local e pelo sensus Ecclesiae demonstrado à Igreja universal. Essas são coisas que não passaram despercebidas para seus futuros eleitores.

 

       O breve pontificado

Após a morte de São Paulo VI, ocorrida em 6 de agosto de 1978, o cardeal Luciani deixou Veneza. Em 25 de agosto, entrou no conclave e, no sábado, 26 do mesmo ano, na quarta votação, foi eleito Papa e escolheu adotar o nome duplo de João Paulo I, em deferência aos dois pontífices que o precederam: João XXIII e Paulo VI. 

Em 27 de agosto, ele dirigiu a primeira mensagem de rádio Urbi et Orbi e recitou o primeiro Angelus na Praça de São Pedro, dirigindo-se aos fiéis de forma familiar, sem usar o plural “majestático”.

Em seu primeiro discurso na Capela Sistina, ele listou os pontos programáticos de seu pontificado e, no domingo, 3 de setembro, inaugurando seu ministério como pastor supremo em nome da humildade, apresentou-se aos milhares de fiéis pedindo a ajuda da oração.

Os primeiros gestos de seu pontificado nos fizeram imediatamente compreender o traço original de um estilo de vida marcado por um espírito de serviço e simplicidade evangélica.

Como modelo de ministério, ele desejava seguir seu ilustre predecessor, São Gregório Magno, tanto em seu cargo de professor quanto no de guia e pároco. Ele o imitou na catequese, que se adaptava às capacidades dos auditores, e que o novo Papa ainda demonstrava nas quatro audiências gerais de seu pontificado.

Deixando um sulco na história da catequese, ele repropôs a atualidade e a beleza da vida cristã com base nas três virtudes teologais: fé, esperança e caridade.

Brasão Pontifício


Em 6 de setembro, nas três audiências sobre as virtudes teologais, ele precedeu a audiência sobre a virtude da humildade. Em 27 de setembro, concluiu seu magistério papal com uma audiência sobre caridade, continuando seu ensino até o último dia, com sua palavra e sua vida.


O Beato João Paulo I e seu futuro Santo sucessor, São João
Paulo II.


No final da noite de 28 de setembro de 1978, após apenas trinta e quatro dias de pontificado, João Paulo I morreu repentinamente.

Em sinal de uma caridade cada vez mais intensa para com Deus, para com a Igreja e para com a humanidade, seu breve, porém exemplar, pontificado chegou ao fim. Seu corpo foi sepultado nas Grutas do Vaticano em 4 de outubro de 1978.

 

       O processo de canonização

Imediatamente após a morte do Papa Luciani, começaram a chegar pedidos para a introdução da causa de canonização ao bispo de Belluno, vindos de todo o mundo. Enquanto isso – com uma iniciativa que começou pelos fiéis – foi iniciada uma coleta de assinaturas que envolveu vários países internacionalmente, incluindo Suíça, França, Canadá e Estados Unidos.

Em 9 de junho de 1990, após sua visita "ad limina", o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Serafim Fernandes de Araújo Sales, apresentou a São João Paulo II a petição de toda a Conferência Episcopal do Brasil (CNBB) para a introdução da Causa, com a assinatura de 226 bispos: "Considerando que o falecido Pontífice deixou para si 'um rastro luminoso de fé e santidade' e que, em muitas partes do mundo, os fiéis já falam de graças especiais recebidas por meio de sua poderosa intercessão. É, portanto, com confiança filial que apresentamos a Vossa Santidade o pedido para a introdução da Causa de Beatificação de seu predecessor, de santa e venerável memória, João Paulo I."

Mas, somente durante o episcopado de Dom Vincenzo Savio (2001-2004), foi possível iniciar a Investigação Diocesana sobre a vida heroica e as virtudes e a reputação de santidade de João Paulo I.

Em 26 de agosto de 2002, ao final da Missa celebrada no Canale d'Agordo no 24.º aniversário da eleição do Papa Luciani, Dom Savio anunciou o início da fase preliminar de coleta dos documentos e testemunhos necessários para iniciar a Causa.

Em abril de 2003, indicou como postulador o salesiano Pe. Pasquale Liberatore. Então ele perguntou ao cardeal Ruini, vigário de Roma, se autorizava a introdução do processo não no Vicariato de Roma, sede natural de competência, mas na diocese de Belluno-Feltre.

Em 23 de novembro de 2003, 25 anos após a morte de João Paulo I, na basílica-catedral de Belluno, a sessão inaugural da Investigação Diocesana foi realizada em forma solene, presidida pelo Bispo Dom Savio, já marcado pela doença que levaria à sua morte.

Excepcionalmente, o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal José Saraiva Martins, esteve presente no rito. Em 10 de novembro de 2006, o sucessor do Bispo Savio, Dom Giuseppe Andrich, encerrou a investigação diocesana; mas uma investigação diocesana suplementar teve que ser seguida para integrar a pesquisa histórica anterior.


O sorriso que conquistou o mundo. Um Papa
que, mesmo em seu brevíssimo pontificado,
deixou essa característica indelével. 


Sob a orientação do Relator Geral, Padre Vincenzo Criscuolo, iniciou-se a redação da Positio, compilada em suas partes por Stefania Falasca e Padre Davide Fiocco. Os depoimentos extrajudiciais de vinte e uma testemunhas também foram incluídos no arquivo, com especial referência ao período do pontificado e à morte de Luciani. Entre eles, o testemunho do Papa Emérito Bento XVI, divulgado em 26 de junho de 2015, o primeiro caso na história das causas de canonização, tem absoluta importância histórica.

Em 17 de outubro de 2016, a Positio foi depositada no protocolo da Congregação para as Causas dos Santos. Em 1º de junho de 2017, o congresso de teólogos já votou a favor da questão.

 

Papa João Paulo I proclamado venerável:  

Em 7 de novembro, a sessão ordinária de cardeais e bispos deu um voto unânime positivo para o reconhecimento das virtudes heroicas de João Paulo I. No dia seguinte, o Papa Francisco autorizou a publicação do decreto referente às suas virtudes heroicas. Nosso "Don Albino" torna-se Venerável: a Igreja, portanto, reconhece oficialmente que o Papa Luciani "seguiu o exemplo de Cristo mais de perto com o exercício heroico da virtude [...] e, portanto, pode ser proposto para devoção e imitação dos irmãos."

 

Painel da beatificação ocorrida na Praça de São Pedro. 

A beatificação

Em 13 de outubro de 2021, o Papa Francisco autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto referente a um milagre atribuído à intercessão do Papa Luciani. É o passo que abriu caminho para a beatificação, desejada por tantas pessoas, que atestam uma reputação de santidade que nunca falhou ao longo dos anos.

A cerimônia solene de beatificação ocorreu em Roma, na Praça de São Pedro, em 4 de setembro de 2022.

 

Fonte de pesquisa:

Site: “Santi, Beati e Testimoni”

(Traduzido do italiano para o português, com algumas correções e alterações no texto para torná-lo mais inteligível aos leitores em nossa língua).

 

Oração para pedir a Deus uma graça, pela intercessão do Beato João Paulo I, para que ele alcance a glória da canonização: 

Beato João Paulo I, tu que, com a palavra e o exemplo, nos ensinaste a viver a graça do Batismo e o dom da fé, da esperança e da caridade; tu que foste modelo de simplicidade evangélica e nos indicaste a sabedoria da humildade; tu que, como Pontífice, te fizeste próximo de todos e, como mensageiro da Boa Nova, manifestaste amor pelos pobres e testemunhaste a Misericórdia Eterna de Deus, que é Pai, e mais ainda, é “Mãe”;

Tu que perseguiste a unidade, o diálogo e a paz, seguindo Cristo, Príncipe da Paz; reza pela Igreja que tanto amaste e serviste, reza por nós, teus filhos, e concede-nos do Senhor a graça de te seguir no caminho das virtudes e das Bem-aventuranças.

Concede-nos agora, Senhor, pela intercessão do Beato João Paulo I, a graça que com fé Vos imploramos: (pedir a graça).

E, se essa for a Vossa Vontade, permite que ele seja canonizado para a glória do Vosso Nome e para o bem de Vossa Igreja.

Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

SÃO LOURENÇO RUIZ DE MANILA e 15 Companheiros, Mártires Dominicanos - memória conjunta em 28 de setembro.


† Nagasaki, Japão, 1633-37.

Na primeira metade do século XVII (1633-1637), dezesseis mártires, Lorenzo Ruiz e seus companheiros, derramaram seu sangue por amor a Cristo na cidade de Nagasaki, Japão. 

Este glorioso grupo de membros ou associados da Ordem de São Domingos incluía nove sacerdotes, dois irmãos religiosos, duas virgens consagradas e três leigos, entre eles o filipino Lourenço Ruiz, pai de família (falecido em 29 de setembro de 1637). 

Intrépidos missionários do Evangelho, todos eles, embora de diferentes idades e condições, contribuíram para a propagação da fé em Cristo nas Filipinas, em Formosa e no arquipélago japonês. 

Ao darem um maravilhoso testemunho da universalidade da religião cristã e confirmarem a proclamação do Evangelho com suas vidas e mortes, semearam abundantemente a semente da futura comunidade eclesial. São João Paulo II beatificou esses gloriosos mártires em 18 de fevereiro de 1981 em Manila (Filipinas) e os inscreveu no catálogo dos santos em 18 de outubro de 1987.

 


SANTOS MÁRTIRES DOMINICANOS NO JAPÃO

Este é um grupo de 16 mártires da fé, mortos em Nagasaki, Japão, entre 1633 e 1637; seguindo o grande grupo de 205 mártires que deram suas vidas, também em Nagasaki-Omura, entre 1617 e 1632.

Eles foram vítimas da perseguição desencadeada em 28 de fevereiro de 1633 pelo xogum (líder militar supremo da nação), Tokagawa Yemitsu, que, com seu Édito nº 7, visava estrangeiros que “pregavam a lei cristã e aqueles que são cúmplices dessa perversidade, os quais devem ser detidos na prisão de Omura”.

Os dezesseis missionários incluíam nove padres da ordem dominicana, três irmãos religiosos da mesma ordem, dois terciários, um dos quais também era terciário agostiniano, e dois leigos, um dos quais era pai de família.

Eles haviam realizado um apostolado ativo na propagação da fé cristã nas Ilhas Filipinas, em Formosa e no Japão; e pertenciam, em diferentes graus, à Província Dominicana do Santo Rosário, então também chamada de Província Filipina, cuja fundação remontava às Missões na China em 1587 e que, no início do século XVII, havia estabelecido um Vicariato no Japão.

Foram capturados em grupos ou individualmente e aprisionados na prisão de Nagasaki, onde foram martirizados em diversas ocasiões durante esse período de cinco anos.

Em 1633, uma nova e cruel técnica de tortura havia sido introduzida, à qual os prisioneiros condenados eram submetidos e deixados para morrer. Era chamada de "ana-tsurushi", que significa "da forca e do fosso" em japonês. O condenado era suspenso de uma viga de madeira, de cabeça para baixo, e trancado até a cintura em um fosso abaixo, cheio de lixo; eles eram deixados para agonizar e sufocar por dias.

Mas, a partir de 1634, antes de sofrerem esse martírio, os cristãos eram submetidos a tormentos atrozes, como água sendo forçada em abundância em suas bocas e depois violentamente expelida, e pontas afiadas perfurando seus dedos e as unhas.

Certamente, a maldade humana, quando desencadeia crueldade para infligir a seus semelhantes, supera qualquer comparação com a ferocidade dos animais, que ao menos agem por instinto e para obter alimento.

Os dezesseis mártires eram de diversas nacionalidades: um filipino, nove japoneses, quatro espanhóis, um francês e um italiano.

Em 1633, o padre Domingos Ibáñez de Equicia, nascido em 1589 em Régil (Guipúzcoa), Espanha, e o catequista japonês Francisco Shoyemon foram mortos, ambos em 14 de agosto.

Em 17 de agosto, o padre Tiago Kyushei Gorobioye Tomonaga, japonês, e Miguel Kurabioye, também catequista japonês, foram mortos.

No dia 19 de outubro, faleceram o padre Lucas Alonso Gorda, espanhol, nascido em 1594 em Carracedo (Zamora), e Mateus Kohioye, irmão dominicano japonês e catequista colaborador, nascido em Arima em 1615.

Em 1634, os dois Terciários Dominicanos foram mortos: em 11 de novembro, Marina de Omura, uma japonesa, hóspede dos missionários. Ela foi queimada viva em fogo lento, e Madalena de Nagasaki, uma japonesa, nascida em 1610 (anteriormente Terciária Agostiniana), morreu em 15 de outubro.

Em 17 de novembro, foram mortos o Padre Jordão Jacinto Ansalone, um italiano da Sicília, nascido em 1589; o Padre Tomás Hioji Rokuzayemon Nishi, um japonês, nascido em Hirado em 1590; e o Padre Guilherme Courtet, um francês.

Em 1637, o Padre Antônio González, um espanhol, nascido em León, morreu em 24 de setembro; depois, o Padre Miguel de Aozaraza, nascido em 1598 em Oñata (Guipúzcoa), Espanha; e o Padre Vicente Shiwozuka, um japonês, morreu em 29 de setembro. Junto com os padres, estavam dois leigos: Lourenço Ruiz, um leigo filipino de Manila, que era pai de família e sacristão dos Dominicanos, e Lázaro de Kyoto, um japonês.

Dois processos diocesanos relativos ao martírio do grupo foram realizados em 1637 e 1638. Os autos, descobertos apenas no início do século XX, possibilitaram a retomada da Causa perante a Santa Sé.

Eles foram beatificados pelo Papa São João Paulo II em 18 de fevereiro de 1981 em Manila, Filipinas, sendo Lourenço Ruiz o protomártir daquela nação (por isso "encabeça" a lista dos mártires), e canonizados em Roma pelo mesmo pontífice em 18 de outubro de 1987.

O Martyrologium Romanum comemora esses 16 santos mártires nos respectivos aniversários de suas mortes:

Domingos Ibanez de Erquicia Pérez de Lete, sacerdote dominicano, 14 de agosto;

Francisco Shoyemon, noviço dominicano, 14 de agosto;

Tiago Kyuhei Gorobioye Tomonaga, sacerdote dominicano, 17 de agosto;

Miguel Kurobioye, leigo, 17 de agosto;

Lucas Alonso Gorda, sacerdote dominicano, 19 de outubro;

Mateus Kohioye, noviço dominicano, 19 de outubro.

Madalena de Nagasaki, terciária dominicana e agostiniana, 15 de outubro.

Marina de Omura, Terciário Dominicano, 11 de novembro.

Jacinto Ansalone (Giordano di Santo Stefano), padre dominicano, 17 de novembro,

Tomás Hioji Kokuzayemon Nishi, padre dominicano, novembro 17,

Antônio Gonzalez, sacerdote dominicano, 24 de setembro.

Guilherme Courtet (Tommaso di San Domenico), sacerdote dominicano, 29 de setembro.

Miguel de Aozaraza, sacerdote dominicano, 29 de setembro.

Vicente Shiwozuka (Vicente da Cruz), padre dominicano, 29 de setembro;

Lorenzo Ruiz de Manila, leigo, pai de família e catequista, protomártir filipino, 29 de setembro;

Lázaro de Kyoto, leigo, 29 de setembro.

domingo, 27 de setembro de 2026

SÃO VICENTE DE PAULO, Presbítero e Fundador, apóstolo da Caridade - memória em 27 de setembro.


Pouy, Gasconha, França, 1581 – Paris, França, 27 de setembro de 1660.

Nascido em Pouy, na Gasconha, em 24 de abril de 1581, foi ordenado sacerdote aos 19 anos.

Em 1605, durante uma viagem de Marselha para Narbona, foi feito prisioneiro por piratas turcos e vendido como escravo em Túnis. Foi libertado por seu próprio "senhor", a quem converteu.

Dessa experiência surgiu nele o desejo de levar auxílio material e espiritual aos condenados. Em 1612, tornou-se pároco perto de Paris. Em sua escola, formaram-se sacerdotes, religiosos e leigos que se tornaram os animadores da Igreja da França, e sua voz tornou-se a intérprete dos direitos dos humildes perante os poderosos.

Promoveu uma forma simples e popular de evangelização. Fundou os Padres da Missão (Lazaristas) e, juntamente com Santa Luísa de Marillac, as Filhas da Caridade (1633).

Ele disse aos sacerdotes de São Lázaro: "Amemos a Deus, meus irmãos, mas amemo-lo à nossa custa, com o trabalho dos nossos braços, com o suor do nosso rosto".

Para ele, a Rainha da França criou o Ministério da Caridade. E, como um "ministro" incomum, organizou auxílio aos pobres em escala nacional. Faleceu em Paris em 27 de setembro de 1660 e foi canonizado em 1737.


Introdução: 

Na história do cristianismo, entre as inúmeras multidões de mártires e santos, em cada período histórico destacam-se certas figuras particulares que, em seu próprio campo de apostolado, se tornaram gigantes, sobre os quais se funda e perpetua a estrutura evangélica, caritativa, social, mística, educacional e missionária da Igreja.

E, entre esses promotores de obras, fundadores e fundadoras de congregações religiosas, pastores zelosos de todas as ordens, etc., encontramos a figura luminosa de São Vicente de Paulo, conhecido por seus compatriotas franceses como "Monsieur Vincent".


Fisionomicamente não era belo, mas, sua 
alma cheia de amor e candura para com os
pobres e os sofredores
 atraiu o bem querer,
a admiração e o amor de todos os que o 
conheceram, quer ricos, quer pobres. 

Relato hagiológico:

Vicente de Paulo, ou De' Paoli em italiano, nasceu em 24 de abril de 1581, em Pouy, Gasconha (atual Saint-Vincent-de-Paul). Embora dotado de grande inteligência, até os 15 anos de idade dedicou-se exclusivamente ao trabalho no campo e ao cuidado de porcos, para ajudar sua modesta família camponesa.

Em 1595, deixou Pouy para estudar no colégio franciscano de Dax, com o apoio financeiro de um advogado local que, impressionado com sua perspicácia, convenceu seus pais a permitirem seus estudos; o que, na época, equivalia a iniciar uma carreira eclesiástica.

Após um breve período em um internato, devido ao seu excelente desempenho acadêmico, seu patrono, o juiz e advogado de Comet, acolheu-o em sua casa e lhe confiou a educação de seus filhos.

Vicente recebeu a tonsura e as ordens menores em 20 de dezembro de 1596 e, com a ajuda de seu patrono, pôde se matricular em teologia na Universidade de Toulouse. Em 23 de setembro de 1600, com apenas 19 anos, foi ordenado sacerdote pelo bispo de Périgueux (as disposições do Concílio de Trento ainda não haviam sido implementadas na França). Continuou seus estudos teológicos em Toulouse, graduando-se em outubro de 1604.

Esperava em vão obter renda como pároco; nesse ínterim, perdeu o pai e a família afundou ainda mais em dificuldades financeiras. Para ajudar, Vicente abriu uma escola particular, mas sem muito sucesso; aliás, acabou se endividando.

Foi durante esse período que viveu uma aventura surpreendente e controversa. No final de julho de 1605, enquanto navegava de Marselha para Narbona, o navio foi atacado por piratas turcos e os passageiros, incluindo Vicente de Paulo, foram feitos prisioneiros e vendidos como escravos em Túnis.

Vicente foi posteriormente vendido a três senhores diferentes, o último dos quais era um frade renegado que se convertera ao islamismo por ganância.

Sua escravidão durou dois anos, até que reconquistou a liberdade ao fugir em um barco com seu último senhor, a quem convertera; após uma travessia aventureira do Mediterrâneo, chegaram a Aigues-Mortes, na Provença, em 28 de junho de 1607.

Em Avignon, o renegado reconciliou-se com a Igreja, sob a tutela do vice-delegado papal Pietro Montorio, que, ao retornar a Roma, levou os dois homens consigo.

Vicente permaneceu em Roma por um ano inteiro, retornando depois a Paris em busca de um lugar para morar. Vicente de Paulo certamente não era um santo em sua juventude, tanto que alguns estudiosos afirmam que os dois anos de escravidão que ele relata foram, na verdade, uma tentativa de encobrir sua fuga de credores, devido à sua má administração de uma escola particular e um internato.

Ele conseguiu um cargo entre os capelães da corte, mas com um salário miserável, que mal lhe permitia sobreviver, sem conseguir sustentar sua mãe viúva.

São Vicente de Paulo é tão lembrado
pela suas obras de caridade que, às
vezes, esquecem-se que ele era, 
também, um santo sacerdote. 

Pároco e tutor.

Finalmente, em 1612, foi nomeado pároco de Clichy, nos arredores de Paris. Durante esse período de sua vida, teve um encontro decisivo com Pierre de Bérulle, que o acolheu em seu Oratório e o formou em uma profunda espiritualidade. Enquanto isso, impressionado com a vida de oração de alguns paroquianos, o Padre Vincenzo, então com 31 anos, deixou de lado as preocupações materiais e de carreira e começou a ensinar catecismo, visitar os doentes e ajudar os pobres.

O próprio De Brulle o aconselhou a aceitar o cargo de tutor do filho mais velho de Filippo Emanuele Gondi, governador-geral das galeras.

Durante os quatro anos que passou no castelo da família Gondi, Padre Vicente pôde observar as condições de vida que caracterizavam os dois segmentos da sociedade francesa da época: os ricos e os pobres.

Os ricos, que nada lhes faltava, também esperavam desfrutar das bênçãos celestiais na vida após a morte, enquanto os pobres, após uma vida de dificuldades e miséria, acreditavam que a porta do céu estava fechada devido à sua ignorância e aos vícios aos quais a pobreza os condenava.

A senhora Gondi também compartilhava das preocupações de seu capelão e, por isso, disponibilizou uma quantia em dinheiro aos clérigos que desejassem realizar uma missão a cada cinco anos aos camponeses de suas terras. Mas nenhuma congregação apareceu, e o capelão de São Vicente de Paulo, intimidado por uma tarefa tão grande para um único sacerdote, deixou o castelo sem avisar ninguém.


O amor aos pobre de São Vicente
não conhecia limites. Em todos via
o próprio Jesus e os tinha como seus
"senhores" e "patrões". Fez-se, assim,
"escravo" dos pobres. 

Os primórdios de seus fundamentos – os “Servos dos Pobres”

Os fundamentos de Vicente de Paulo nunca surgiram de planos ou considerações pré-estabelecidas, mas sim de necessidades contingentes, em um clima de perfeita aderência à realidade.

Após deixar temporariamente o castelo da família Gondi, Vicente foi convidado pelos oratorianos de Bérulle para exercer seu ministério em uma paróquia rural em Châtillon-le-Dombez; o contato com a pobreza dos camponeses, que, especialmente os doentes, eram deixados abandonados e desamparados, abalou profundamente o novo pároco.

Apenas um mês após sua chegada, ele foi informado de que uma família inteira da vizinhança estava doente e sem assistência básica. Ele apelou aos paroquianos para que os ajudassem, um pedido que foi imediata e amplamente atendido.

Padre Vicente então refletiu: "Hoje, esses pobres terão mais do que precisam; em poucos dias, precisarão de ajuda novamente!". Daí surgiu a ideia de uma confraria de pessoas piedosas, que se revezariam no cuidado de todos os doentes e necessitados da paróquia.

Assim, em 20 de agosto de 1617, nasceu a primeira “Caridade”, cujos membros adotaram o nome de “Servos dos Pobres”. Em três meses, a instituição teve seus próprios estatutos aprovados pelo Bispo de Lyon.

A Caridade organizada baseava-se no conceito de que tudo deve começar com aquele amor que revela a presença viva de Jesus em cada pobre, e na organização, porque os cristãos só são cristãos se agirem com a consciência de serem um só corpo, como foi o caso na primeira comunidade em Jerusalém.

A Sra. Gondi conseguiu convencê-lo a retornar às suas terras e, assim, após um período de seis meses como pároco em Châtillon-les-Dombes, Vicente voltou, não mais como tutor, mas como capelão das massas de camponeses, cerca de 8.000, nas numerosas terras dos Gondi.

Ele começou, então, a pregar missões em áreas rurais, fundando instituições de caridade em diversas aldeias; São Vicente gostaria que os homens colaborassem com as mulheres nas instituições de caridade, mas isso não funcionou, dada a mentalidade da época, então ele posteriormente se concentrou apenas nas instituições de caridade femininas.

As instituições de caridade masculinas foram revividas alguns séculos depois, em 1833, por Emmanuel Bailly em Paris, com um grupo de sete jovens universitários, entre os quais a verdadeira alma era o Beato Frédéric Ozanam (1813-1853); eles adotaram o nome de “Conferências de São Vicente de Paulo”.

Entretanto, em 1623, Vicente de Paulo formou-se em direito canônico em Paris e permaneceu com os Gondis até 1625.


As “Damas da Caridade”

As “Damas da Caridade” de Padre Vicente de Paulo, vivendo em Paris, perceberam que a pobreza estava presente, de forma ainda mais dolorosa, mesmo nas cidades e, portanto, fundaram as "Caridades" também em Paris; aqui, em 1629, as "Irmãs dos Pobres" adotaram o nome de "Damas da Caridade".

Mulheres da nobreza também se juntaram à associação, o que permitiu que a nobreza parisiense contribuísse financeiramente para as iniciativas fundadas por "Monsieur Vincent".

A instituição mais importante da cidade foi o chamado "Hôtel-Dieu" (Hospital), que São Vicente organizou em 1634. Foi a ajuda mais concreta para o santo nas muitas atividades de caridade nas quais ele gradualmente se envolveu: crianças abandonadas, condenados, escravos, populações famintas devido à guerra e em missões rurais.



Entre as centenas de associados desta maravilhosa 'Caridade' estavam a futura Rainha da Polônia, Luísa Maria Gonzaga, e a Duquesa de Auguillon, sobrinha do Primeiro-Ministro, Cardeal Richelieu.

As primeiras 'Caridades' vicentinas surgiram na Itália, em Roma (1652), Gênova (1654) e Turim (1656).


A Congregação da Missão foi fundada
sob o patrocínio de São Lázaro (ao lado
de uma igreja dedicada a esse santo).
Nada mais apropriado a uma obra
fundada por um Santo que se dedicaria
à Missão e à Caridade. 

Os "Padres da Missão" ou "Lazaristas".

Esses valorosos homens de Deus também participaram dessa fundação, que contou com a generosa intervenção da família Gondi; suas origens remontam ao sermão bem-sucedido que o fundador proferiu em Folleville em 25 de janeiro de 1617; suas palavras foram tão eficazes que não havia confessores suficientes.

O bem alcançado naquela aldeia levou a Sra. Gondi a oferecer uma quantia em dinheiro à comunidade que se comprometesse a pregar periodicamente aos camponeses. Como mencionado, ninguém apareceu, então, após seu retorno a Paris, Vicente de Paulo assumiu a tarefa ele mesmo, unindo forças com vários padres zelosos e começando a pregar nas aldeias em 1618.

Os resultados foram excelentes e outros padres se juntaram a ele. A família Gondi aumentou o financiamento e o Arcebispo de Paris também ofereceu seu apoio, designando a Vicente e seus missionários rurais uma casa no antigo Colégio dos Bons Filhos, na Rua Saint-Victor. O contrato entre Vicente de Paulo e a família Gondi é datado de 17 de abril de 1625.

A nova comunidade, segundo o contrato, deveria viver em comunidade, renunciar aos deveres eclesiásticos e pregar nas aldeias rurais. Deveria também prestar assistência espiritual aos condenados e ensinar catecismo nas paróquias durante os meses de verão.

A "Congregação da Missão", como era chamada, foi aprovada em 24 de abril de 1626 pelo Arcebispo de Paris, pelo Rei da França em maio de 1627 e pelo Papa Urbano VIII em 12 de janeiro de 1632.

Enquanto isso, os missionários haviam se mudado para o priorado de São Lázaro, de onde também tiraram o nome de "Lazaristas".

Mais tarde, Vicente aceitou que seus Sacerdotes da Missão, ou Lazaristas, unidos em uma congregação sem votos, se dedicariam à formação de sacerdotes, por meio dos Exercícios Espirituais, à direção de seminários e ao envolvimento em missões no exterior, como em Madagascar, e à assistência a escravos africanos.

Quando ele morreu, em 1660, somente a Casa de São Lázaro já havia realizado 840 missões e mil pessoas haviam participado dos Exercícios Espirituais.

São Vicente de Paulo, pai espiritual
das Filhas da Caridade, ou, hoje em 
dia chamadas, também, de "Irmãs
Vicentinas". 

As "Filhas da Caridade".

A frutífera pregação nas aldeias inspirou uma vocação para o apostolado ativo, primeiro entre as muitas jovens do campo e depois entre as da cidade; ansiosas por trabalhar nas "Instituições de Caridade" a serviço dos necessitados, mas também por se dedicarem totalmente.

Vicente de Paulo viu uma grande oportunidade de estender sua obra de caridade a lugares onde as "Damas da Caridade" não podiam chegar pessoalmente devido à sua posição social.

Ele confiou o primeiro grupo para sua formação a uma mulher excepcional, Santa Luísa de Marillac (1591-1660), viúva de Le Gras, em 29 de novembro de 1633. Luísa de Marillac as acolheu em sua casa e, em julho do ano seguinte, já havia doze postulantes.

A nova Congregação adotou o nome de "Filhas da Caridade". Os votos eram permitidos, mas apenas privados e anuais, para que todas pudessem cumprir sua missão em completa liberdade e por puro amor. A aprovação foi dada em 1646 pelo Arcebispo de Paris e em 1668 pela Santa Sé.


São Vicente de Paulo e Santa Luiza de Marillac


Em 1660, ano da morte da fundadora e cofundadora, as "Filhas da Caridade" já contavam com cerca de cinquenta casas.

Usando seus característicos véus, que as faziam parecer anjos e que as freiras tiveram que abandonar em 1964 em favor de um véu mais prático, elas expandiram seu trabalho de caridade para incluir os doentes em hospitais, os abandonados, os órfãos, os condenados, os idosos, os feridos de guerra, os deficientes e toda sorte de miséria humana.

Ainda hoje, as Filhas da Caridade constituem a maior família religiosa feminina da Igreja.

A formação do clero.

Através dos Exercícios Espirituais, os padres da Missão tornaram-se, de fato, os formadores mais prestigiosos e qualificados de futuros sacerdotes, a ponto de o Arcebispo de Paris ordenar que os novos ordenandos passassem quinze dias de preparação nas Casas Vicentinas, particularmente no Colégio dos Bons-Enfants, onde Vicente de Paulo era superior.

Mais tarde, no Priorado de São Lázaro, os Exercícios Espirituais foram estendidos a todo o clero que desejasse fazer um retiro anual, bem como a grandes grupos de leigos.

Isso inspirou os sacerdotes a se reunirem semanalmente para se encorajarem mutuamente no caminho para uma vida sacerdotal santa. Assim, a partir de 1633, um grande grupo de clérigos, liderado por Vicente de Paulo, começou a se reunir às terças-feiras, dando origem às "Conferências de Terça-feira".

Esse louvável esforço educativo não passou despercebido pelo poderoso Cardeal Richelieu, que solicitou informações sobre suas atividades e chegou a pedir ao fundador uma lista de nomes dignos de serem elevados ao episcopado.

O próprio Rei Luís XIII pediu a "meu senhor Vicente" uma segunda lista de clérigos dignos e adequados para governar dioceses francesas; o soberano então o solicitou, em seu leito de morte, que recebesse seus últimos confortos espirituais.

Até mesmo a administração dos seminários que estavam sendo estabelecidos nas dioceses francesas, instituídas pelo Concílio de Trento, contava com doze reitores pertencentes à Ordem dos Sacerdotes da Missão em 1660.

Na corte da França.

Em 1643, Vicente de Paulo foi convocado pela regente Ana da Áustria para integrar o Conselho de Consciência, ou Congregação para Assuntos Eclesiásticos. Presidido pelo Cardeal Jules Mazarin, o Conselho tinha a função de escolher bispos e conceder benefícios eclesiásticos.

O poderoso Primeiro-Ministro fazia escolhas baseadas na conveniência política, negligenciando qualidades morais e religiosas. Um conflito entre os dois era inevitável, e Vicente se opôs abertamente a ele, chegando a criticar suas escolhas políticas internas, especialmente nos tempos sombrios da Fronda, quando Mazarin tentou matar Paris de fome durante a revolta. Vicente então organizou um refeitório para pessoas famintas em San Lazzaro, alimentando 2.000 pessoas por dia.

Em 1649, ele chegou a pedir à rainha que destituísse Mazarin para o bem da França. O pedido não pôde ser atendido e, assim, Vicente de Paulo caiu em desgraça e foi definitivamente afastado do Conselho de Consciência em 1652.

A regente, Ana da Áustria, concedeu-lhe o cargo de Ministro da Caridade, para organizar o auxílio aos pobres em escala nacional; dizia-se que mais dinheiro passava por suas mãos do que pelas do Ministro das Finanças.


Outros aspectos de seu trabalho:

Vicente de Paulo tornou-se o maior opositor das ideias jansenistas defendidas na França por seu amigo Jean du Vergier, conhecido como São Cyrano († 1642), e posteriormente por Antoine Arnauld. Após a condenação do jansenismo pelos Papas Inocêncio X em 1653 e Alexandre VIII em 1656, Vicente trabalhou para garantir que a decisão papal fosse aceita com submissão por todos os adeptos das ideias do bispo holandês Jansenius (1585-1638).

O movimento heterodoxo do jansenismo afirmava que, para a salvação do homem, devido à profunda corrupção resultante do pecado original, era absolutamente necessária a Graça, a qual seria concedida apenas a alguns, pelo plano insondável de Deus.

Jansen foi um reformador da pregação, até então barroca, introduzindo uma técnica oratória simples: da virtude escolhida como tema, investigar sua natureza, as razões para praticá-la e os meios mais adequados.

Para ele, como apóstolo da caridade entre prisioneiros e condenados, o rei Luís XIII, por sugestão de Filippo Emanuele Gondi, instituiu o cargo de Capelão-Chefe das Galeras (8 de fevereiro de 1619), o que facilitou seu trabalho e o acesso dos escravos das galeras aos locais de punição e embarque; a partir de 1640, a função passou também para seus missionários e para as Damas e Filhas da Caridade.

Estima-se também que, entre 1645 e 1661, Vicente de Paulo e seus missionários libertaram nada menos que 1.200 escravos cristãos mantidos em poder dos turcos muçulmanos.

Desde o início, monsenhor Vicente foi um membro ativo da poderosa "Companhia do Santíssimo Sacramento", fundada em Paris em 1630, composta por clérigos e leigos ilustres e dedicada a "toda forma de bem".

Vicente de Paulo frequentemente inspirava as atividades de caridade da Companhia e recebia dela ajuda e colaboração para suas muitas obras de caridade.

Pensamento Espiritual

Nos doze capítulos das "Regulae", Vicente condensou o espírito que deveria distinguir seus filhos como religiosos: a espiritualidade contemplativa do pensamento do Cardeal de Bérulle, sob cuja direção permaneceu por mais de uma década; o humanismo devoto de São Francisco de Sales, seu grande amigo, cujas obras espirituais leu diversas vezes; e o ascetismo de Santo Inácio de Loyola, de quem assimilou o temperamento prático; desenvolvendo, a partir dessas três fontes, uma nova doutrina espiritual.

As virtudes características do espírito vicentino, segundo a Regra dos Missionários, são as "cinco pedras de Davi": simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo pela salvação das almas.


Morte, patronatos:

O grande apóstolo da Caridade faleceu em Paris na manhã de 27 de setembro de 1660, aos 79 anos; seu funeral foi acompanhado por uma enorme multidão de pessoas de todas as classes sociais. Foi proclamado Beato pelo Papa Bento XIII em 13 de agosto de 1729 e canonizado por Clemente XII em 16 de junho de 1737.


Corpo incorrupto do Santo, conservado na igreja da Casa
Mãe dos Lazaristas. Seu coração, incorrupto, é conservado
na "Capela da Medalha Milagrosa", em Paris, na Rue du
Bac. 

Seus restos mortais, vestidos com paramentos sacerdotais, são venerados na capela da Casa-Mãe Vicentina em Paris.

Ele é o padroeiro de Madagascar, das crianças abandonadas, dos órfãos, das amas de leite, dos escravos, dos condenados e dos prisioneiros. Em 12 de maio de 1885, Leão XIII o proclamou padroeiro das associações católicas de caridade.

Uma estátua gigantesca do escultor Pietro Bracci, representando o "pai dos pobres", está na Basílica de São Pedro desde 1754.

Sua celebração litúrgica ocorre em 27 de setembro.

Fonte:

Site: “Santi, Beati e Testimoni”

(Traduzido do italiano para o português, com algumas correções no texto original).