Creio que muitos são os católicos que conhecem Santa Josefina Bakhita, sequestrada ainda criança por mercadores de escravos, vindo a ser "comprada" por patrões italianos e indo morar na Itália, se tornando "cuidadora" ou "dama de companhia" da filha de seus patrões.
Movida por um sentimento íntimo de que havia um Deus verdadeiro, Criador de todas as coisas (que depois ela viria a chamar, humilde e carinhosamente de "meu Patrão"), conheceu a Fé Católica, fez-se catecúmena, foi batizada e, depois, movida mais uma vez pela Graça, fez-se religiosa entre as irmãs Canossianas.
Pois bem... Já que muitos conhecem a história dessa querida Santa, que tal conhecermos, agora, a história de sua "mãe fundadora": Santa Madalena de Canossa, cuja memória é comemorada anualmente no dia 10 de abril (especialmente neste ano: 2026, por ser a "oitava" da Páscoa, não o foi)...
Primeira narrativa biográfica:
Por que uma nobre rica e famosa do século XVIII abriria mão de uma vida de luxo para acolher meninas pobres e abandonadas em seu castelo principesco?
Guiada por seu coração, ela decide ajudar meninas desesperadas, forçadas a viver nas ruas, sem ninguém para guiá-las. Ela quer oferecer-lhes educação, uma formação cristã e a oportunidade de aprender um ofício honesto; quer ajudá-las a se emanciparem cultural e humanamente de uma sociedade que as relega a papéis subordinados. Ela quer que elas se tornem protagonistas de suas próprias vidas.
Madalena Gabriella, a Marquesa de Canossa, nasceu em Verona em 1774. Aos cinco anos, perdeu o pai. Sua mãe casou-se novamente e a "abandonou" aos cuidados de uma governanta rigorosa. A jovem marquesa está triste, mas seu coração é generoso.
Contra a vontade de seus parentes, aos dezessete anos, ingressou nos mosteiros carmelitas de Trento e Conegliano Veneto (Treviso). A vida monástica, porém, não era para ela. Assim, ela retornou ao seu castelo, provando ser uma administradora excepcional. Enquanto isso, Madalena cuidava dos doentes e ensinava catecismo a crianças pobres.
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| Sonho de Santa Madalena de Canossa: sobre como seria o hábito das religiosas e quais obras realizariam... |
Em Verona, a chamavam de "anjo". Um sonho permaneceu gravado em sua memória: ela viu seis meninas aos pares, cada uma usando um xale e um gorro pretos, cada par desempenhando uma tarefa: educação religiosa, escolaridade e cuidados hospitalares.
Em 1801, duas meninas desgarradas bateram à sua porta. Madalena compreendeu que seu sonho estava se tornando realidade. Essa era a missão para a qual o Senhor a chamava: acolher meninas pobres e oferecer-lhes uma oportunidade através da educação.
Assim, o Castelo de Canossa (que periodicamente hospedava o Imperador da França, Napoleão, e o Czar da Rússia, Alexandre I) abriu seus aposentos para meninas resgatadas da pobreza.
Quando Madalena
se mudou para Veneza, deparou-se com uma realidade miserável: meninas famintas
nas ruas, jovens órfãos forçados ao crime para sobreviver, doentes sem
assistência, pessoas com deficiência sem futuro, como surdos-mudos. Para elas,
a Marquesa fundou a Congregação das Irmãs "Filhas da Caridade"
(Canossianas). Graças aos seus recursos, foram abertos lares para educação
gratuita em diversas cidades: Verona, Veneza, Milão, Bergamo, Trento, Brescia e
Cremona. Madalena de Canossa faleceu em Verona em 1835. Hoje, em todo o mundo,
as freiras "Canossianas" continuam o trabalho iniciado em 1808 por
uma nobre de coração de ouro.
Ela é descendente de longa data da famosa Matilde da Toscana, Senhora de Canossa. Sua família estava entre as mais ilustres da Itália na época, mas não teve muita sorte: Madalena e seus quatro irmãos perderam o pai ainda jovens, e sua mãe casou-se novamente e os abandonou.
Aos cinco anos, foi entregue aos cuidados de uma governanta que detestava; depois disso, adoeceu diversas vezes. Aos 17 anos, foi admitida no convento carmelita de Trento contra a vontade de seus parentes, e depois, brevemente, no de Conegliano (Treviso), mas essa não era a vida para ela.
Ao retornar para casa, ela surpreende a todos com seu talento como administradora. Mas o casamento está fora de cogitação. E em 1801, duas meninas pobres aparecem no Palazzo Canossa, e ela as acolhe: essa é a revelação de sua vocação.
Ela não "reinará" no palácio da família, que hospedou Napoleão e Alexandre I da Rússia. Sua vocação são os pobres. A acolhida das duas meninas foi apenas um primeiro auxílio, mas ela não quer mantê-las ali como estranhas, para sempre em situação de inferioridade. Elas precisam ter seu próprio lar (as duas e inúmeras outras como elas), onde possam se sentir em casa, serem educadas e se realizarem ao lado de seus professores; e ao lado dela, a fundadora, que em 1808 obterá de Napoleão o antigo convento das freiras agostinianas de Verona, iniciando ali sua vida comunitária.
Nascem as Filhas da Caridade: as freiras que educam os pobres. Madalena redigiu as regras em 1812, em Veneza: ela foi chamada por Antonangelo e Marcantonio Cavanis (dois irmãos patrícios, ambos sacerdotes) para fundar outra instituição educacional para meninas, enquanto eles próprios já haviam estabelecido escolas gratuitas para meninos.
Madalena obteve a aprovação papal inicial para seu trabalho de Pio VII, pouco depois da queda de Napoleão. O imperador Francisco I de Habsburgo reinava então sobre a Lombardia-Vêneto e, em 1816, visitou Verona com sua terceira esposa, Maria Ludovica d'Este. Foi em Verona que a soberana adoeceu e morreu: sua capela mortuária foi erguida em um aposento do Palácio Canossa.
Contudo, Maddalena deixou de frequentar o palácio com frequência. Ela viajou de Veneza para Milão, depois para Bergamo e Trento, para fundar novas filiais e escolas. Sua residência patrícia em Verona acolheu uma soberana, e os lares que ela criou acolheram as filhas dos súditos mais pobres, resgatadas da pobreza e capacitadas para conduzir suas próprias vidas.
Entretanto,
trabalhava no longo processo para a aprovação final de seu instituto e
preparava-se para abrir outras filiais em Brescia e Cremona. Mas a morte a
surpreendeu em sua Verona natal, aos 61 anos: já "em odor de
santidade", como a descreviam as crônicas da época, que a descreviam como "muito
caridosa a ponto de ser prodigiosa". Mas, acima de tudo, ela se
entregou por completo, dedicando-se à obra, que continuaria a crescer após sua
morte. No final do século XX, o Instituto contava com mais de 2.600 freiras,
atuando em todo o mundo.
São João Paulo II
a proclamou Santa em 2 de outubro de 1988. O dia de sua memória pela Igreja
Universal é 10 de abril, enquanto o dia 8 de maio é comemorado pelo
Instituto das Filhas da Caridade — conhecidas como Irmãs Canossianas
—, pelos Filhos da Caridade e pelos Leigos Canossianos, pois 8 de maio de 1808
é a data oficial da fundação do Instituto Canossiano.
Sua memória também
é celebrada em 8 de maio na Diocese de Bergamo, enquanto a Diocese de Milão a
comemora em 9 de maio.
Fonte: site www.santiebeati.it
Autores: Mariella
Lentini e Domenico Agasso

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