Teresa
Musco nasceu numa pequena vila em Caiazzo (Província de Caserta-Itália) em 7
de junho de 1943. Sua família era uma típica família italiana do sul, honesta e
religiosa. Seus pais tiveram 10 filhos, porém quatro morreram ainda crianças.
Seu pai, Salvatore, era agricultor, homem de temperamento muito forte; sua
palavra era lei para ser obedecida. Toda família sofria com sua severidade,
especialmente Teresa, que foi a mais atingida. Sua mãe, Rosa Zullo, era de
temperamento suave, acomodada em seu lar, sempre obediente ao marido. Eram
muito pobres e sobreviviam com dificuldades. Na época em que Tereza nasceu, um
fato trágico ocorreu na Itália: a confusão gerada pela guerra com a Alemanha
trouxe sofrimentos, bombardeios e dias de dor.
Teresa
diria, um dia: “Com cinco anos, eu já me sentia adulta”. Tereza começou a
sofrer cedo: dores de cabeça, febre alta, ao mesmo tempo que começaram as
visões de Jesus, da Virgem Maria e anjos e santos. Logo esta notícia correu.
Uma criança tinha sido agraciada com uma graça especial. São Paulo diz em
Colossenses 1,24: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O
que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que
é a Igreja".
Teresa conta que toda manhã seu anjo da guarda vinha
visitá-la e pedia que rezasse pelos pecadores e pela salvação das almas. Ao
mesmo tempo, Teresa sofria muito com os maus-tratos de seu pai. Seu anjo a
consolava quando ele a maltratava. Também, será com apenas cinco anos que Jesus
irá interrogá-la: “Teresa, você Me ama? Sim, senhor, respondeu
ela. Jesus afirmou que a amava muito e que, de bom grado, se deixaria crucificar
outra vez por ela.
Em seu diário, ela deixou escrito: "Com seis anos, eu
encontrava muitas maneiras de sofrer." Qualquer sacrifício, qualquer dor era
para salvar os pecadores, as almas do purgatório, as almas em perigo de irem
para o inferno e pelos pecados contra a castidade. Ela fez uma corda com muitos
nós e amarrou com bastante força em volta dos quadris. Nossa Senhora ensinava
muitas maneiras de salvar almas do inferno, assim como fez com Jacinta de
Fátima.
Teresa fez sua primeira comunhão com 12 anos. Sofreu
muito com a recusa de seu pai em lhe dar permissão para a Primeira Eucaristia.
Em
primeiro de fevereiro de 1950, Teresa deitou-se na cama com grandes sofrimentos
e Jesus apareceu para ela, abriu Seus braços e disse: “Coragem, minha criança, a
força vem de Mim, levante-se de seu cansaço e vá Me receber na Santa Comunhão.
É o meu desejo.”
Em certa ocasião, a família de Teresa
estava na mais profunda miséria e seu pai, muito nervoso e violento. Teresa
recorreu à Virgem Maria e, quando estava cortando a grama, encontrou no meio do
gramado uma bolsa. Apanhou-a e não achou nenhum documento, nome ou endereço,
somente 50.000 liras. A menina buscou saber de quem era, porém nada descobriu.
De outra vez, a situação agravou-se com uma epidemia e toda a família adoeceu.
Mais uma vez, Teresa correu para Nossa Senhora para ajudá-la. Um anjo veio e
lhe entregou certa quantia, dizendo ter sido enviado por Nossa Senhora e
pedindo segredo.
Em primeiro de novembro de 1950, Teresa foi à igreja. Quando a missa acabou, um venerável sacerdote aproximou-se de Teresa e disse: “Criança,
eu recomendo que você reze pelas almas do purgatório, pois não há ninguém que reze
por elas”.
Teresa perguntou o nome do padre, que lhe respondeu sorrindo: “Eu sou o Padre
Pio”. Com estas palavras, mostrou-lhes suas mãos e os estigmas. Então, ele
a abençoou e seguiu seu caminho.
Teresa tinha
dez anos quando Nossa Senhora ditou para ela o programa de vida que ela
deveria seguir, e eram cinco pontos:
1) Deus seja sempre seu único fim.
2)
Jesus, seu modelo.
3) Maria, sua professora.
4) Os anjos, seus guias.
5) E você
sempre vivendo em
sacrifício.
Um famoso professor de teologia (P. G. Roschini)
falou sobre este programa: “Não há nada mais perfeito para uma vida:
indiscutivelmente longe do entendimento de uma criança de 10 anos”.
Guiada por Nossa Senhora, Teresa surpreendia pelos
caminhos profundos da mística que vivia. Ela também começou a falar línguas
estranhas que os estudiosos em línguas mortas classificaram como Aramaico de
Nazaré.
A série de sacrifícios continuava, fazendo com que ela
sofresse dores terríveis. Tantos sofrimentos interiores tornavam sua saúde
muito frágil e frequentemente seu estado de saúde se agravava. Sofria de dores de
cabeça intensas a ponto de o médico ter dito que não havia outro tratamento além
da radioterapia. Em janeiro de 1954, após muitos sofrimentos, o médico exclamou:
"Puxa, você tem fígado de boi!" E ordenou um tratamento muito doloroso. A
febre subiu tão alto que ele chegou a usar quatro termômetros diferentes. No
mesmo ano, em novembro, ela sofreu fortes dores abdominais, cujo diagnóstico foi
apendicite aguda, e ela foi levada imediatamente para o hospital. Em curto
espaço de tempo, ela foi internada três vezes no hospital de Caserta, e foi neste hospital que ela se submeteu a cento e
dezessete cirurgias.
Certa vez, ao regresso do hospital para casa, seu pai, irado, disse: “Você é
uma preguiçosa, a desgraça da família. Estou cansado de tê-la ao meu lado;
arranje um casamento e saia do meu caminho. E não peça mais para o padre vir
aqui para dar a Comunhão diariamente; não quero mais o padre aqui em casa. Você me irrita
com isso! Estas palavras feriram Teresa profundamente, pois o consolo dela
era a Eucaristia que recebia diariamente.
Um dia, Teresa ouviu de Jesus: “Uma família que não reza
junto e não vai regularmente receber a Sagrada Comunhão não pode estar em paz,
não pode haver amor verdadeiro entre eles. Quando você crescer, irá encontrar
muitos sacerdotes; eu olho para eles como meus filhos prediletos. Você deve
dizer a eles e também ao povo para receber a Comunhão frequentemente, tanto
quanto for possível, e rezar especialmente o Rosário.”
Teresa rezava constantemente, chegando a recitar
quinze terços por dia. A oração era o caminho da vida dela. Muitas orações lhe
eram ensinadas pelo seu Anjo da Guarda.
Toda a vida desta criança
foi de sofrimentos, dores e uma rejeição imensa por parte de seu pai. Em certas
ocasiões, ele era cruel com ela.
Durante um período, a Virgem Maria
providenciou que ela voltasse para Caserta, onde foi acolhida por uma piedosa
senhora a quem chama de tia Antoniette. Neste período, ela encontrou algum
tempo de paz. Em setembro, Tereza foi convidada para ir a Lourdes, na França.
Quando chegou àquele abençoado lugar, ela entrou na gruta, rezou e chorou
muito, depois foi banhar-se nas piscinas próprias para os doentes e, qual não
foi sua surpresa, quando disse que a água era muito morna e soube pelos outros
que a água era bastante fria. Na segunda vez que se banhou, aconteceu algo
extraordinário: suas feridas abertas, uma na perna, outra no abdome,
fecharam-se instantaneamente na água. Teresa passou horas felizes em Lourdes e sentiu-se
triste ao se despedir deste local de graças. Durante algum tempo depois que
voltou, Teresa estava muito bem, sua saúde estava ótima, podia andar, correr... Porém, foi por pouco tempo.
Em
março de 1969, quinta-feira santa, às dez horas da manhã, Teresa conta que a
Mãe de Jesus apareceu para ela de roupa preta, véu preto e lágrimas escorrendo
de sua face. Ela disse: “Teresa, minha filha, meu querido filho deseja dar a
você Suas Chagas. Assim que Teresa ouviu estas palavras, ajoelhou-se e viu
Jesus mais radiante que nunca; raios brilhavam de suas roupas e Ele perguntou à
Teresa: “Teresa, você Me ama?” Sim, senhor.
Então, Jesus a tomou em Seus braços e disse: “Agora
você tem que seguir o caminho do Calvário, comigo.” Ela começou a subir
caminhando para o alto. O caminho era espinhoso e cheio de pedras. Quando ele
alcançou o topo, Teresa viu uma cruz muito alta que a apavorou. Ela disse: “Senti-me indefesa. Então, dois homens vieram até mim e me agarraram. Eles me
colocaram numa cruz e me pregaram nela. Eu senti meus nervos sendo repuxados e
todo o meu corpo tremendo”.
Quanto tempo durou? Três dias. Tereza levantou na manhã do Domingo de Páscoa e,
ao seu lado, estava tia Antoniette. Entre lágrimas, ela falou dos cravos em
suas mãos, seus pés, e pediu a ela que não falasse para ninguém. Ela prometeu
não dizer, porém, encontrando um sacerdote, contou-lhe: "Padre, Teresa tem os
estigmas nas mãos e nos pés", ao que o padre respondeu: "Diga a ela que
procure um médico." Ela sentiu-se perdida, abandonada.
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| Padre Giuseppe Borra, Passionista, com Teresa. |
Certa vez,
durante uma missa, Teresa ouviu Nossa Senhora dizer: “Daqui a seis meses, você
encontrará seu padre confessor, seu diretor espiritual”. Teresa sabia que o
nome dele era Giuseppe Borra, porém não sabia em que lugar de Caserta ele
vivia.
Jesus sofreu a coroação de espinhos, a flagelação e teve seu lado atravessado
pela lança. Teresa completou sua participação nos sofrimentos da Paixão de
Jesus, no dia primeiro de julho, numa quinta-feira, dia dos sacerdotes, durante
uma oração para eles. Ela participava e sofria dores indescritíveis. Ela
desejava sofrer com Jesus e perguntou-lhe se era o Seu desejo que ela
também sofresse deste modo. Jesus aproximou-se, colocou a coroa de espinhos na
cabeça de Teresa e, com suas mãos que brilhavam, apertou-a na fronte de Teresa.
Teresa sofreu muito, mas estava muito feliz. A testa de Teresa nunca mais ficou
livre do sangue.
Toda a vida de Teresa pode ser resumida em sofrer com
e por Jesus, uma vida de intensos sacrifícios da Paixão do Senhor.
Em
agosto de 1976, Teresa tinha 33 anos e foi levada às pressas para a Clínica dei
Gerani, porém não chegou lá com vida. Durante dois dias e duas noites, o povo passava ao lado de seu
leito. Teresa, toda vestida de branco, com suas mãos chagadas, era o perfeito
retrato da vítima crucificada.
A multidão de pessoas em certos momentos era tão
grande que as autoridades decidiram chamar a polícia para organizar o trânsito.
Houve uma celebração na Catedral de Caserta, concelebrada por 20 sacerdotes.
Todo o tráfego da cidade ficou bloqueado. Quando o caixão de Teresa deixou o
local, o povo reunido aplaudia muito, quando a levaram para a Catedral. O
canto mariano predileto de Tereza foi entoado no funeral no Cemitério de
Caserta: "Andrò a vedela un di".
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| Imagem do Menino Jesus que chorou sangue. |
Nota do publicador do blog:
Caros leitores do Blog Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus, a paz esteja com todos! Todas as vezes que leio uma história como esta de Teresa Musco, me pergunto: meu Deus, o que será de mim? Se Deus, para salvar almas, exige tanto de uma pessoa como Teresa, permitindo por vezes sofrimentos atrozes, pergunto: o que será de minha salvação eterna? Sei que ela é uma alma vítima, uma eleita. No entanto, não devíamos, pelo menos, nos esforçar em oferecer a Deus mortificações, penitências e sacrifícios, não somente por nossa alma, mas pelas de tantos milhões que estão afastados de Deus? Confesso que tenho vergonha de ser tão tímido e preguiçoso como sou. Que Deus tenha misericórdia de minha pobre alma e, ao menos, por causa de sua infinita misericórdia, me alcance a graça do perdão diante de minha tão grande miséria. Amém.
Serva de Deus, Teresa Musco, rogai por nós!
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2 comentários:
Cada vez que debruço em pesquisar as manifestações Marianas sinto o quanto estou afastado deste poder imenso que chamamos de "Deus" que tenha misericórdia de Mm e do mundo inteiro.
Gostaria de saber se há o processo de beatificação para Teresa Musco e onde posso consultar. Jesus, tende piedade da nossa miséria e guiai-nos sempre. 🙏
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