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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quinta-feira, 6 de março de 2014

SÃO GERARDO MAJELA, Religioso Redentorista e grande Taumaturgo.


São Geraldo Majela ou Gerardo Majela ou ainda Gerardo Maiela (na Itália é chamado de Gerardo Maiella), é um santo muito querido na Itália. A congregação à qual pertencia, a dos Redentoristas, encarregou-se de divulgar sua vida repleta de fatos maravilhosos. Também aqui em Fortaleza há uma paróquia e um bairro a ele consagrados: o bairro de São Gerardo e a paróquia de mesmo nome.
Trago aqui um resumo de sua vida. Foi um grande santo, um grande místico e um grande taumaturgo. Os milagres que Deus dignou-se fazer por meio de seu servo foram tão grandes que parecem até "histórias de pescador" de tão inacreditáveis; no entanto, a história os atesta visto que foram vistos por várias testemunhas.
Espero que esse resumo de sua vida desperte a devoção e a veneração de todos aqueles que lerão essas linhas e que os mesmos se sintam estimulados a lerem mais sobre esse grande santo. Na internet é fácil achar (pelos sites de busca) uma biografia mais completa de são Geraldo Majela. Uma boa leitura!

Geraldo nasceu em Muro, no sul da Itália, no dia 6 de abril de 1726. Nasceu de uma família pobre de bens, mas rica de bênçãos. Domingos Majela e Benedita Majela foram os seus pais. O pai Domingos, era alfaiate. A mãe Benedita, era lavadeira. Os dois se amavam com um amor imenso. Deste amor puro e santo nasceu-lhes o Geraldo. O filho Geraldo, tinha o jeito de anjo. Era bom. Era uma graça. Era de paz.


    Ele foi batizado no mesmo dia em que nasceu. Seus pais entendiam que Deus em seus planos não deixa ninguém nascer à toa. Quem nasce é para ser gente; é para sentir-se amado e saber-se capaz de amar. É neste sentido que está certo quem disse: "Amar a vida é mais do que construir catedrais!" 


O menino Geraldo era franzino de corpo. De espírito, porém, era robusto. Deus lhe deu uma inteligência brilhante. Os professores logo viram nele um prodígio.   


    Em geral as crianças são egoístas e cheias de manhas. Por incrível que pareça, Geraldo com apenas 7 anos já sabia quem eram os outros para ele. Que beleza quando na família os pais ensinam o evangelho aos filhos com a vida! Foi dos pais que Geraldo aprendeu desde pequeno o amor ao trabalho e a sabedoria da oração. Daí floriu a sua vocação.   


Conforme o testemunho de suas próprias irmãs, ele era muito dedicado às devoções, também se confessava todos os dias e se disciplinava diariamente. 
 
O Menino Jesus aparece a são Geraldo Majela
trazendo-lhe um "pãozinho".

Aos sete anos, em vista da pobreza da família, dirigia-se à ermida de Capodigiano, onde recebia um pãozinho branco que o Menino Jesus lhe entregava e com quem ele brincava. Somente mais tarde, quando já na Congregação, Geraldo compreende quem era aquele Menino.  


O Arcanjo são Miguel aparece ao santo menino
trazendo-lhe a Santíssima Eucaristia.

Entregava-se à oração. Sua mãe encarregava-se de educá-lo na fé. Conforme ele mesmo conta, como tivesse muita vontade de comungar e que por causa de sua idade não lhe era possível, São Miguel apareceu-lhe de noite para lhe dar a comunhão. Assim como - afirma posteriormente - também fazia o próprio Menino Jesus.


Juventude
    Por causa da necessidade do lar, sua mãe o mandou à alfaiataria do senhor Martin Pannuto, mestre alfaiate, para que Geraldo aprendesse uma profissão e assim pudesse ajudar nas despesas da casa. Aí sua bondade de vida e sua simplicidade eram interpretadas como estupidez, e todos zombavam dele, insultavam-no, chegando até a maltratá-lo. Mas sua resposta era sempre: "Meu Deus, que se faça a tua vontade". Ali, no esforço diário, foi assimilando o mistério da Cruz de Cristo.


     Trabalhando para o Bispo 

  Quando tinha 14 anos, chegou Dom Albino à cidade de Muro e lhe administrou o sacramento da crisma, que deverá ser o sinal da fortaleza e do valor que marcarão toda a sua vida. Dom Albino era natural de Muro.   

   Com o Bispo, lá se foi Geraldo para ser seu empregado. Nesse ofício precisou praticar verdadeiro heroísmo. Um sacerdote contemporâneo deixou por escrito, sob juramento, esta declaração: "O bispo irascível se irritava por qualquer coisinha. Impacientava-se com tudo. Se nunca chegou a bater em Geraldo, contudo, não lhe poupou toda classe de censuras". 
    Dom Albino cria-se no direito de fazer o que bem entendesse com seu jovem empregado. Fazia-o trabalhar sem descanso e reprovando-o sempre de não fazer tudo o que devia e de fazê-lo mal. Era impossível agradá-lo. Geraldo, por sua parte, tinha para com ele grande respeito e dedicação. Seu espírito de mortificação e penitência encontrou ali um bom lugar de realização. 
    A tudo isso ia unindo seus jejuns e uma intensa vida de oração. O tempo que passava numa capela da vizinhança era algo que se repetia diariamente. Mas o bispo adoeceu. E Geraldo, depois de cuidar dele como se fosse seu próprio pai, após a sua morte, teve de deixar Lacedônia. 



      Trabalhando na Alfaiataria

    Em 1745, com 19 anos, voltou para Muro onde montou uma alfaiataria. Seu negócio prosperou, mas ele não ganhou muito dinheiro. Praticamente dava tudo para os outros. Guardava o que era necessário para sua mãe e suas irmãs e dava o resto aos pobres ou para Missas em sufrágio das almas do purgatório. Geraldo não passou por uma conversão repentina e espetacular, apenas foi crescendo constantemente no amor de Deus. Durante a Quaresma de 1747 ele resolveu ser completamente semelhante a Cristo o quanto lhe fosse possível. Fez penitências mais severas e procurava explicitamente a humilhação, fazendo-se passar por louco e sentindo-se feliz quando riam dele nas ruas. Sua preocupação com os pobres e necessitados era grande, ao ponto de se privar do necessário, quando via alguém sofrendo penúria.  




São Geraldo trabalhando como alfaiate.


Buscando sua vocação
       Mas Geraldo sentia que o Senhor tinha escolhido para ele um outro lugar. Assim, entra em contato com os capuchinhos, mas em vão solicita ser admitido, mesmo na condição de empregado. Não é aceito, dada sua saúde precária e sua aparência doentia. Para Geraldo esse golpe foi terrível. Contudo, entrega-se à oração, pedindo a Deus que o encaminhasse para vida religiosa. 
       Mas tendo chegado a Muro seu amigo Luca Valpiedi, antigo condiscípulo, parte com ele para ajudá-lo em seu colégio, no cuidado das crianças. Ali encontrou um novo calvário. Naquele tempo caiu-lhe em mãos certa obra de Antônio de Olivedi, intitulada: "O ano doloroso de Jesus Cristo". Cada palavra daquele escrito foi um dardo penetrante no coração do nosso jovem Geraldo. Sentiu crescer extraordinariamente suas ânsias de sofrer mais e mais para assemelhar-se ao Redentor.

 
Vocação
       Quando tinha 22 anos chegaram a seu povoado alguns missionários. Eram os Redentoristas, e entre eles achava-se o irmão Onofre que contou a Geraldo como era sua vida. Mas, percebendo que o jovem estava entusiasmado, mudou de assunto, dizendo-lhe que ele não resistiria àquele tipo de vida. 
      Pouco tempo depois voltaram os missionários. Entre eles estava o padre Paulo Cáfaro, que depois de muito vaivém e oposições, lhe permite que o acompanhe ao convento. "Meu filho, lhe diz, você me venceu. Recebo-o como religioso, e que Deus lhe dê saúde e forças para perseverar até a morte". 
Enviou-o para lliceto com uma carta ao superior. Na carta ele dizia: "Aí vai um irmão inútil para o nosso trabalho. Ele não tem saúde. É fraco. Mas eu não pude rejeitar sua admissão sem dar-lhe uma chance. Ele insistiu até cansar-me e é grande a consideração que lhe têm os moradores de Muro". Geraldo vibrou. Deixar a casa, sua mãe e as irmãs foi um drama para Geraldo. Teve de fugir. Deixou-lhes apenas um bilhete, no qual dizia: "Querida mamãe e irmãs, fugi. Já estou com os Redentoristas. Não se preocupem. Vou tornar-me santo. Esqueçam-me. Adeus"! 



Vida Religiosa
No dia 17 de maio de 1749, Geraldo partia radiante de alegria para a casa de noviciado de Iliceto. Em novembro desse mesmo ano vestia a batina redentorista e começava sua interiorização na vida religiosa.  



São Geraldo em afazeres "domésticos"
na cozinha de seu convento

       O Padre Cáfaro seria o seu mestre de noviciado, e também seu diretor espiritual. E sendo esse sacerdote tão severo, contudo, teve de se esforçar por moderar para que Geraldo não se consumisse pelas penitências. 


Homem de oração e de profundo amor
e intimidade com Jesus Eucarístico.
       Desde o começo, passou a ser na comunidade um modelo de abnegação e serviço. Trabalhador como só ele, muito dedicado à oração, exemplo de virtudes. Tudo isso fez com que ganhasse logo a simpatia e estima de seus confrades. No dia 16 de julho de 1752 fez sua profissão religiosa. 

       Já religioso, sua vida desenvolvia-se no cuidado constante de seus deveres comunitários, de um modo especial, prestando serviços a seus irmãos, e na preocupação pelo seguimento de Cristo missionário, anunciando aos pobres a palavra divina. Sua vida era a concretização das Regras. O respeito por seus coirmãos e em particular pelos superiores (nos quais encarnava a vontade de Deus), atingia os limites de heroicidade. Pense­mos como soube calar-se diante de santo Afonso quando foi caluniado...



Atividades do Irmão Geraldo
       No convento de Iliceto realizavam-se retiros espirituais  para sacerdotes e leigos no decorrer do ano. Para Geraldo era uma ocasião propícia para extravasar o seu zelo. Muitos pecadores que nem sempre se comoviam com as palavras dos pregadores se rendiam às exortações e súplicas do zeloso Irmão. Até padres renitentes no mal, tocados pelas humildes considerações de Geraldo, mudavam de vida. 


Exemplo dos grandes milagres que aconteciam com o
o santo: um dia, passando próximo ao mar vendo um barco
que estava  em perigo de afundar nas ondas revoltas, o santo
caminha sobre as águas e arrasta tranquilamente
o barco para a praia. O milagre foi testemunhado
por muitas pessoas. 




Era muito comum o santo ser flagrado em
êxtase e levitando. 


       Nesta quadra de sua existência a fama de sua santidade ia crescendo sempre mais e inúmeros foram os prodígios a ele atribuídos como curas de muitos doentes. Sempre que podia, Geraldo continuava sua assistência aos pobres e necessitados tanto é verdade que tempo é questão de opção. Ele nem falhava nas tarefas que os superiores lhe davam, nem à oração na qual vivia imerso e ainda  tinha como ir ao encontro dos indigentes e doentes. Isto se deu sobretudo quando, diante das dificuldades do Convento, foi escalado para recolher esmolas.


   Em uma das ocasiões nas quais assistia aos pobres  o santo,
       movido por seu ardente amor a Deus, entrou em êxtase 
                             e levitou na presença de todos. 


  A Grande Provação
      A santidade verdadeira deve sempre ser testada pela cruz, e assim, em 1754, Geraldo devia sofrer uma grande provação, aquela que bem pode ter merecido a ele o poder especial para assistir às mães e a seus filhos. Uma das suas obras de apostolado era a de encorajar e assistir as moças que queriam entrar para o convento. Muitas vezes ele até garantiu o necessário dote para alguma moça pobre que de outra forma não poderia ser admitida numa ordem religiosa.

Um dia o santo foi injustamente caluniado. São Geraldo
sem protestar ou defender-se, humildemente se ajoelha
de santo Afonso de Ligório para receber sua
"reprimenda" e penitência.


   Néria Caggiano era uma das moças assistidas desta forma por Geraldo. Porém, ela achou desagradável a vida do convento e dentro de três semanas voltou para casa. Para explicar sua atitude, Néria começou a espalhar mentiras sobre a vida das freiras, e quando o povo de Muro recusou-se a acreditar em tais histórias a respeito de um convento recomendado por Geraldo, ela resolveu salvar sua reputação destruindo o bom nome do seu benfeitor. Para isto, numa carta dirigida a santo Afonso, o superior de Geraldo, ela o acusou de pecados de impureza com a jovem de uma família em cuja casa muitas vezes Geraldo ficava nas suas viagens missionárias.
        Geraldo foi chamado por santo Afonso para responder a acusação. Mas em vez de se defender, permaneceu em silêncio, seguindo o exemplo do seu divino Mestre. Diante deste silêncio, santo Afonso nada pôde fazer senão impor ao jovem religioso uma severa penitência: foi negado a Geraldo o privilégio de receber a santa Comunhão e foi-lhe proibido todo contato com os de fora.
          Não foi fácil para Geraldo renunciar aos trabalhos pelo bem das almas, mas este era um sofrimento pequeno em comparação com a proibição de comungar. Sentiu isto tão profundamente, que chegou a pedir para ficar livre do privilégio de ajudar a Missa, receando que, a veemência do seu desejo de receber a comunhão o fizesse arrancar a hóstia consagrada das mãos do padre no altar. Algum tempo depois, Néria ficou gravemente enferma e escreveu uma carta a santo Afonso confessando que as suas acusações contra Geraldo não passavam de invenção e calúnia. O santo ficou cheio de alegria ao saber da inocência do seu filho. Mas Geraldo, que não ficara deprimido no tempo da provação, também não exultou indevidamente quando foi justificado. Em ambos os casos sentiu que a vontade de Deus tinha sido cumprida, e isto lhe bastava.


  Últimos Dias
        Geraldo tinha exigido de seu corpo mais do que ele podia dar. Sua saúde estava destruída. A anemia consumia-o e seus pulmões já não trabalhavam como deviam. Contudo, continuou esforçando-se em servir os outros e em enfraquecer sua pessoa. 
        Em 1755 Geraldo sai para pedir esmolas para a construção do convento de Caposele. Sente-se mal. É a tuberculose. Estava com 29 anos. Ao morrer diz ao superior: "Meu leito é a vontade de Deus. Ele e eu somos uma só coisa".



Santa morte de são Geraldo Majela. A Santíssima
Virgem Maria lhe aparece para consolá-lo em seus
últimos momentos.
  No dia 16 de outubro de 1755, com apenas 29 anos de idade, e somente 7 na Congregação, entregou a Deus seu espírito. Seus funerais foram grandiosos e soleníssimos. De Caposele e de todos os povoados vizinhos, a multidão acorreu atropelando-se para despedir-se do santo e solicitar graça por sua intercessão. E como em vida realizou tantos prodígios, maiores foram os milagres que realizou depois da morte. E a piedade popular que por ele sente a Itália e muitos outros lugares, é com justa razão.


São Geraldo Majela partindo para a glória do Céu.

A Canonização

      Embora a fé no santo fosse muito grande, contudo, somente em abril de 1839 foi aberto em Muro o processo recolhendo os testemunhos daqueles que o tinham conhecido e daqueles que tinham recebido alguma graça por meio dele.
      Em 1847, Sua Santidade Pio IX concedeu-lhe o título de Venerável e em 1893 o Papa Leão XIII o declarou beato. Finalmente, no dia 11 de dezembro de 1904, o Papa Pio X canonizou Geraldo Majela em meio a uma magnífica cerimônia, como é costume em tais ocasiões. 


         Iconografia de são Geraldo Majela: 























terça-feira, 4 de março de 2014

Beato Inocêncio de Berzo, Presbítero Capuchinho (1844-1890)


Beato Inocêncio de Berzo, Presbítero Capuchinho
O beato Inocêncio nasceu em Niardo, Vale Camônica (Bréscia), de família modesta e religiosa, e morreu em Bérgamo. Foi primeiro sacerdote na diocese de Bréscia, na qual desenvolveu um fecundo apostolado, até que, em 1874, ingressou na Ordem Capuchinha. Distinguiu-se sempre por sua austeridade, simplicidade, caridade para com os pobres, penitência e vida contemplativa. A Eucaristia e a Virgem foram devoções suas acentuadas. O beatificou João XXIII em 1961.

O domingo, dia 12 de novembro de 1961, a “glória de Benini” na Basílica Vaticana vestia suas melhores galas e fulgores para honrar a um novo beato, esta vez na figura de um humilde frade da Ordem Capuchinha. Referimo-nos ao beato Inocêncio de Berzo (seu nome civil era Giovanni Scalvinoni), cuja causa de beatificação, introduzida em 22 de janeiro de 1919 na Sagrada Congregação dos Ritos, cerrava, então, seu primeiro ciclo solene.

Brota esta humilde flor – como um “edelweis” entre branca neve – em um dos mais pitorescos vales alpinos, ao norte da Itália, em Val Camônica, província de Bréscia, em 19 de março de 1844. Eram seus pais Pietro Scalvinoni e Francesca Poli, tão escassos de recursos como ricos de espírito cristão, sempre abandonados nas mãos do Senhor e confiados em sua divina providência. Oração, trabalho e amor mútuo era o programa de vida e ninguém ira dormir na família sem haver participado na reza coletiva do santo Rosário. Em tal ambiente deu início a sua formação interior que o levaria logo à santidade.

Quando contava apenas três meses se encontra já sem pai, vítima de enfermidade. De sua mãe aprende logo o santo temor de Deus, uma devoção filial à Santíssima Virgem e um delicado amor à pureza. Aos nove anos, o bispo diocesano (de Bréscia) lhe dava a primeira comunhão, que recebeu com indescritível contentamento e candura. Seus olhinhos vivos se cravavam no tabernáculo e na sagrada espécie com a fé consciente do adulto, como se visse a presença real do Senhor. Mas aquele primeiro abraço eucarístico parecia assinalar uma transformação fundamental. O que lhe havia dito Jesus? Pronto se desvelaria o segredo quando um dia disse todo feliz a sua mãe que o Senhor lhe chama. Notícia que ela acolhe com emoção e lágrimas, dando profundas graças a Deus pela predileção tão singular: a vocação ao sacerdócio.


Caminho do Altar

Recebido o sacramento da Confirmação em 03 de outubro de 1861 do mesmo Dom Verzeri, que lhe havia dado a comunhão, ingressa no Colégio Marinoni, de Lovere. Cinco anos esteve nele, superando com brilhantismo os estudos do ginásio, até que passou seguidamente ao seminário diocesano de Bréscia, onde completaria seus estudos. Ali foi um maravilhoso exemplo para seus companheiros. Para melhor corresponder à graça de sua vocação se pôs desde os primeiros dias debaixo da proteção da celestial Senhora, como fizera também em seus anos o santo Cura d’Ars.
Em 23 de dezembro de 1865 dava seu  primeiro passo solene do subdiaconato, caminho do altar, ao qual chegaria com a ordenação em 02 de junho de 1867, aos 23 anos de idade, das mãos do mesmo prelado que lhe deu a Comunhão e a Confirmação. Que viva emoção para o mesmo e para sua mãe, e para os bem feitores ali presentes que lhe haviam auxiliado em suas despesas até o altar!

Seu primeiro destino é a paróquia de Cevo, uma dessas rurais, implantadas entre riscos montanhosos na alta Val Camônica, como coadjutor de um venerável e boníssimo pároco, dom Codenatti. Este, ao dar conta à cúria diocesana, escreve: “O Senhor me abençoou ao mandar-me este piedoso e zeloso coadjutor”.

O centro de seu ministério apostólico será o confessionário. Sabia insinuar-se suavemente nas almas com aquela bondade e afabilidade que são as melhores medicinas para curar as almas e conduzi-las a Deus. Muitos acorriam a ele como a um santo; não poucos pecadores, inclusive obstinados, regressavam convertidos. Imitava, assim, ao Bom Pastor, que com gozo e ternura acolhia às ovelhas desgarradas e não as perdia de vista até reconduzi-las ao redil.
Sua pessoa era uma benção para toda a comarca. Os párocos o disputavam para a pregação, porque sua palavra vibrante de doutrina, de unção e de graça procedia de um coração ardente de fé e de amor que agradava a todos e a todos edificava.

“Onde está o colchão, filho meu”?

Sua caridade não tinha limites. Por ele, daria tudo. Tirava da panela as melhores porções da comida para leva-los aos pobres mais famintos e necessitados. Um dia, sua mãe reprovou este proceder. Contestando-lhe, ele, de joelhos e respeitosamente, lhe disse: “perdoa-me, os reparti entre uns pobres enfermos”. Ao que replicou ironicamente sua mãe: “bendito filho, até o pote eu devo fechar a ‘sete chaves’”?

Um dia, sua mãe, ao limpar sua habitação, repara que não tem colchão na cama. “Onde tens dormido esta noite, filho meu”? Pergunta-lhe.  Ele finge não compreendê-la. “Onde posso ter dormido senão em minha habitação”?

“Quero dizer, sobre que coisa tens descansado, já que não está aqui o último colchão que com tantos sacrifícios procurei conseguir para ti semana passada”?

“Ah, sim! Havia me esquecido de dizê-lo.  Ontem, durante sua ausência... Se houvésseis visto aquela casa e aquela enferma de sete anos já! Creia-me, a mim me vai melhor dormir assim”.
E na habitação, em lugar do colchão, a mãe havia achado uns feixes de lenha...

Outro dia, apresentando-se um pobre, necessitado de tudo. O santo vai olhar a dispensa e os armários. Tudo fechado. Porém, ah!, no fogão há um frango que está cozinhando. Ó providência! Sem titubear, pega o frango e o dá ao pobre. Regressa a mãe à casa e, mecanicamente, coloca nova lenha ao fogo do forno; mas, quando logo se dispõe a destampar a panela para retirar o frango, este havia “voado”!
Dadas suas atitudes para tratar com a juventude, o prelado, às instâncias do reitor Bertazzoli, o nomeia vice-reitor do seminário diocesano, o que serviu para a edificação de todos. Em uma manhã invernal, ao regressar ao seminário, viu um pobre ancião, descalço e mal vestido, que tremia de frio. Tanta compaixão o inspirou que retirando o calçado presenteou-o ao pobre velho. Alunos e professores creram que naquele dia ele havia esquecido de por os sapatos...



Buscando as pisadas seráficas...

De Bréscia passa a Berzo inferior, de coadjutor de dom Geresetti, com iguais mostras de santidade que em Cevo entre seus paroquianos. A poucos quilômetros dali, em frente, sobre um monte quebrado, se ergue o antigo convento da Anunciação, dos padres capuchinhos da Lombardia. Gostava de visitar este solitário convento, fundado em 1475 pelo beato Amadeo de Silva, nobre português, e que, com o tempo, foi lugar de retiro de varões ilustres em ciência e virtude.
Ali ouviu a voz do Senhor que o convidava a seguir as pegasdas do “serafim de Assis” (São Francisco). Recebidas as letras testemunhais da cúria diocesana e a conseguinte aceitação do provincial dos frades, em 16 de abril de 1874 vestia o hábito capuchinho tomando o nome de Frei Inocêncio. Tentou-lhe o demônio com escrúpulos e remorsos vãos, até que ao fim, com o auxílio de Deus e da Virgem, recobrou a paz em sua alma atormentada.
Em 29 de abril de 1875 emitia sua profissão religiosa. Aos dois meses partia para o “professório” de Albino. Em outubro de 1876 regressava a Berzo como vice-mestre de noviços da Anunciação, onde, por espaço de dez anos foi uma estampa vivente de profunda humildade, contínua oração e austeríssima penitência.

Sua austeridade havia sido rigorosíssima, tanto que evocava à de São Pedro de Alcântara. No inverno, metia os pés e as mãos em água gelada. No verão se expunha aos ardentes raios do sol e suportava aos molestos insetos tais como moscas, mosquitos e besouros. Disciplinava seu corpo com chibatadas e cilícios. A pele dos ombros, escápulas e dorso estavam muitas vezes salpicadas de sangue. Parecia um esqueleto, de modo que aos quarenta anos de idade, encurvado e decrépito, as pernas trêmulas e vacilantes, inspirava verdadeira lástima. Não dava satisfação alguma a seu corpo; temia sempre que o corpo predominasse sobre o espírito.

Em 1886 o destinaram ao convento de Milão para colaborar na redação dos “Anais Franciscanos”. Daqui passa ao convento de Crema; e, de novo, ao convento da Anunciação, de Berzo, como preceptor dos jovens estudantes. Então, sua saúde terrivelmente minada por suas tremendas penitências e achaques preocupa aos superiores que pensam transladar-lo a um melhor trato em Bérgamo; porém, já demasiado tarde. Seus últimos instantes são assistidos pelo monsenhor Celestino Cattaneo, prelado também capuchinho, amigo e admirador seu. Recebe os santos sacramentos e saúda à “irmã morte” louvando o Senhor, em 03 de março de 1890. Seu enterro foi um plebiscito popular de veneração ao santo, até o ponto que, apesar da vigilância, as pessoas foram cortando-lhe o cabelo, barba e hábito, que teve que ser mudado por três vezes.
Como dado curioso, diremos que os dois milagres apresentados a sua causa de beatificação se realizaram em dois meninos: um de sete anos, afetado de oclusão intestinal com perfuração e peritonite séptica mortal, e o outro, de quatro anos, com tumor maligno cerebral, que, praticada a biópsia, dava prognóstico letal.


[Luis Sanz Burata, El nuevo Beato Inocencio de Berzo, en Eccesia 21 (11-XI-1961) pp. 1437-38]

SÃO SERAFIM DE MONTEGRANARO, Irmão Capuchinho.



São Serafim de Montegranaro, Capuchinho
São Serafim de Montegranaro
1540-1604

Batizado com o nome de Félix, nasceu em 1540, em Montegranaro, na região das Marcas, na Itália. De família numerosa e muito pobre, era o quarto filho de Jerônimo Rapagnano e Teodora Giovannuzzi, cristãos fervorosos. Desde a infância teve de buscar o seu sustento. Trabalhou como serviçal nas casas de camponeses e aprendeu a pastorear rebanhos, exercendo essa função até os dezoito anos. Era analfabeto e aprendeu, contemplando a natureza e na sua solidão, a elevar o espírito para Deus.
Nessa idade, ingressou no Convento dos capuchinhos de Tolentino como irmão leigo e recebeu o nome de frei Serafim de Montegranaro, fazendo o noviciado em Jesi. Percorreu quase todos os conventos da região porque, devido à sua falta de instrução, apesar da sua boa vontade e dedicação, não conseguia cumprir satisfatoriamente as tarefas que lhe confiavam os superiores e os frades da comunidade. Mas sempre lhe eram poupadas as repreensões e os castigos, por causa de sua extraordinária bondade, pobreza, humildade, pureza e mortificação.
Exerceu as mais simples funções, de porteiro e esmoleiro, sempre em contato com os mais diversos grupos de pessoas, para as quais sempre distribuía palavras piedosas, conduzindo os fiéis à misericórdia de Deus.
A exemplo do santo fundador da Ordem, são Francisco de Assis, amou a natureza e através dela seu coração era conduzido a Deus. Em 1590, finalmente, estabeleceu-se no Convento de Ascoli Piceno. Os habitantes da cidade afeiçoaram-se tanto ao singelo frade Serafim que, em 1602, quando souberam que seria transferido, as autoridades escreveram aos superiores capuchinhos e impediram a sua partida. E não foi só nessa ocasião, nas outras tentativas também. Assim, o querido e respeitado frade Serafim permaneceu em Ascoli Piceno até morrer.
Era um verdadeiro mensageiro da paz e do amor de Cristo, sua palavra ou a sua simples presença exercia uma ação enorme em todas as pessoas: acalmava os ânimos, extinguia ódios. Viveu em oração, humildade, penitência e trabalho.
Deus encarregou-se de o ajudar, suprindo-o, nas suas capacidades, com os dons da cura, de penetrar os corações, de confortar as almas de um modo especial. Enquanto Serafim se manteve sempre na fidelidade do amor a Deus, estudando como ninguém os seus dois livros: o crucifixo e o terço de Maria.
Aos sessenta e quatro anos de idade, morreu no dia 12 de outubro de 1604. A voz do povo começou a difundir a fama de sua santidade por toda a Itália e logo atingiu todos os locais onde os capuchinhos se fixaram.
O papa Paulo V autorizou, pessoalmente, que se acendesse uma lâmpada junto da sua sepultura, em 1605. Foi canonizado pelo papa Clemente XIII em 1767. A festa de são Serafim de Montegranaro ocorre na data de sua morte.


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Catequese de São João Paulo II, sobre São Serafim de Montegranaro, feita em 03 de junho de 2004.

São Serafim de Montegranaro faz plenamente parte do exército de Santos que, desde o princípio, enriqueceram a Ordem dos Frades Capuchinhos. Ele assimilou de maneira tão profunda a exortação evangélica a "rezar sempre, sem jamais desfalecer" (cf. Lc 18, 1; 21, 36), que a sua mente permanecia habitualmente mergulhada nas coisas do espírito, a tal ponto que muitas vezes chegava a tornar-se alheio a tudo aquilo que o circundava. Ele detinha-se para contemplar a presença divina na criação e nas pessoas, haurindo desta prática a inspiração para uma união constante com Deus.
A sua oração prolongava-se durante horas no silêncio da noite, à luz trémula da lâmpada que, na igreja conventual, ardia diante do Tabernáculo. Com que devoção o humilde frade participava na Celebração Eucarística! E por quanto tempo ele permanecia em adoração estática à frente do Santíssimo Sacramento, deixando que a sua oração se elevasse como um incenso agradável ao Senhor!
Animado por um amor intenso pela Paixão de Jesus Cristo, ele detinha-se para meditar sobre os sofrimentos do Senhor e da Santíssima Virgem. O frade gostava de repetir o Stabat Mater e, ao recitá-lo, desatava em lágrimas, suscitando a emoção da parte daqueles que se punham à sua escuta. Trazia sempre consigo o Crucifixo de ferro, que até hoje é conservado como uma relíquia preciosa; com este Crucifixo, ele habitualmente abençoava os enfermos, implorando para eles tanto a cura física como espiritual

3. O seu estilo de vida humilde e essencial, que passava num pequeno quarto despojado e angusto, as suas vestes miseráveis e remendadas, constituem testemunhos eloquentes do amor que ele nutria pela "Senhora Pobreza". O espírito de menoridade convicta, que para ele se tinha tornado conatural ao longo dos anos, deixava transparecer a verdadeira grandeza da sua alma. Ele compreendeu perfeitamente a página evangélica, que proclama: "Quem quiser ser grande entre vós, que se faça vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre vós, que se faça o servo de todos" (Mc 10, 43-44).
Às penitências incessantes, que ele escolhia livremente, entre as quais também o recurso ao cilício e à disciplina, o Santo unia a prática quotidiana de sacrifícios e de renúncias e, como mendigo, percorria caminhos empoeirados e assolados, compartilhava as dificuldades de numerosos dos seus contemporâneos. Ele gostava de frequentar as camadas menos abastadas e mais marginalizadas da população, para compreender até as exigências mais recônditas das mesmas e para aliviar os seus sofrimentos físicos e espirituais. E demonstrava a mesma disponibilidade para com quantos iam bater à porta do seu Convento. O Santo foi um grande pacificador das famílias porque, segundo as diversas circunstâncias, conseguia harmonizar com sabedoria as vigorosas exortações com gestos de solidariedade repletos de amor e com palavras de consolação encorajadora.

segunda-feira, 3 de março de 2014

SÃO CONRADO DE PARZHAM, Irmão Capuchinho (Padroeiro dos Porteiros)


São Conrado de Parzham
São Conrado de Parzham foi o segundo santo alemão canonizado depois da separação luterana da Igreja. O anterior fora também um capuchinho, São Fidélis de Sigmaringen, presbítero e protomártir da Ordem dos Capuchinhos. 

Chamado no batismo de Conrado Birndorfer, nasceu a 22 de Dezembro de 1818 numa numerosa família, proprietária de uma quinta em Venushof, no vale de Rott, na diocese de Passavia. Órfão aos 16 anos, dedicou-se ao trabalho do campo distinguindo-se já então pela prática da virtude e pelo espírito de oração.

Sentindo-se chamado à vida religiosa, entrou, aos trinta e um anos, na Ordem dos Capuchinhos e ali fez a sua profissão a 04 de Outubro de 1842. Destinado ao ofício de porteiro no convento e santuário de Altotting, na Baixa Baviera, ali permaneceu durante quarenta e três anos, edificando os seus irmãos e os muitos peregrinos com a prática da caridade e uma paciência inalterável. 

Grande devoto da Virgem Maria e da Eucaristia, dotado de dons extraordinários, entre os quais o dom da profecia e o de conhecer as consciências, provocou um despertar da fé em todas as regiões onde se foi difundindo a fama da sua santidade. 
São Conrado tinha uma grande sabedoria dada por Deus. Sabia dar conselhos e exortações que somente quem era iluminado pelo alto tinha capacidade de fazê-lo. Uma vez, perguntado por uma pessoa que, admirado por sua sabedoria, queria saber "de qual livro ele aprendera tudo isso", ele respondeu: "a cruz é o meu livro". 
Animado pelo zelo apostólico, entregou-se também à beneficência, sobretudo em favor de crianças e jovens abandonados ou em perigo, conhecidos pelo nome de Liebesswerk.

A 18 de Abril de 1894, depois de ter servido à mesa, foi para a portaria e ali começou a sentir-se mal. Pediu a um irmão para o substituir no seu trabalho, esperando que lhe voltassem as forças. Entretanto, elas não voltaram mais. Depois da oração de Vésperas, foi ter com o Guardião e, com toda a humildade, assim lhe falou “Padre, não posso mais”. Este mandou-o para a cama, na cela chamada de Nossa Senhora.

Frei Conrado, sem deixar notar que sofria, apertando nas mãos o crucifixo e o terço, entregou-se à oração. Na manhã de 21 de Abril, recebeu a Sagrada Comunhão e quis receber também a Unção dos enfermos e a absolvição geral. A calma e a serenidade que resplandeciam no seu rosto não permitiam esperar que a sua morte estivesse eminente.


Em dado momento, ouvindo tocar repetidamente a campainha da porta, fiel até ao fim, ao seu dever, com grande esforço, levantou-se e tentou sair. As suas forças, porém, já não lhe permitiram. Passou, naquele instante, um noviço que o levantou e, com a ajuda de outro o deitou na cama. Entrou logo em agonia. Um dos sacerdotes presentes recitou então as preces dos agonizantes e, às oito horas da tarde, no momento do Angelus, balbuciando fervorosas orações, com o olhar fixo no céu, morreu santamente. 
Era o dia 21 de Abril de 1894. Contava 76 anos de idade. A notícia da morte de São Conrado atraiu logo uma multidão de devotos, sobretudo crianças, que vieram venerar os seus restos mortais.
Dignou-se Deus, após sua morte, glorificar a memória de seu santo e humilde servo com muitos milagres. Foi canonizado por S.S. Pio XI no dia 20 de maio de 1934. 



domingo, 2 de março de 2014

SANTA ÂNGELA DA CRUZ, Virgem e Fundadora do Instituto das Irmãs da Companhia da Cruz, para o cuidado dos enfermos.


Maria dos Anjos Guerrero e González nasceu em Sevilha em 30 de janeiro de 1846, filha de Francisco Guerrero e Josefina González, casal de modesta condição social, mas cheio de virtudes cristãs. Cresceu em um ambiente muito religioso, ajudando seus pais nos trabalhos manuais, principalmente na costura. De caráter muito dócil e discreto, suscitava profunda admiração em todos que a conheciam.
Ainda pequena teve que deixar a escola para trabalhar em uma fábrica de calçados. Embora tivesse que trabalhar, amava isolar-se para dedicar-se à oração e à mortificação. Em 1871, aos 25 anos, fez um ato particular em que promete ao Senhor viver segundo os conselhos evangélicos.
Na sua longa experiência de oração, vê uma cruz vazia diante da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, o que lhe inspirou imolar-se em união com Jesus para a salvação das almas. Tocada por uma forte vocação, desejou entrar nas Carmelitas, mas seu diretor espiritual a aconselhou entrar nas Irmãs de Caridade. Devido às precárias condições de saúde foi obrigada a desistir em pouco tempo do Instituto.
Retornando à família, se dedicou às obras de caridade junto aos pobres. Obedecendo aos conselhos do diretor espiritual, começou a escrever um diário espiritual no qual expunha detalhadamente a regra de vida de uma comunidade de religiosas, que, com a sua destacada vocação e com a experiência espiritual que vivia, sentia poder constituir.
Assim, em 1875, deu início em Sevilha à Congregação das Irmãs da Companhia da Cruz para o cuidado dos enfermos. O seu ideal e o do Instituto era “ser pobre com os pobres para levá-los a Cristo” que constituiu o fundamento da espiritualidade e da missão da Companhia da Cruz.
A Santa Sé aprovou o Instituto em 1904, o qual teve uma rápida difusão, imprimido um impacto enorme na Igreja e na sociedade sevilhana do seu tempo.
Humilde e enérgica, Madre Ângela da Cruz, nome que tomou quando se tornou religiosa, soube infundir no ânimo de suas filhas um crescente espírito de dedicação e de caridade em favor dos necessitados, sendo por isto admirada por todos e chamada pelo povo de “mãe dos pobres”.
Natural e simples, recusou toda glória humana, buscou a santidade com um espírito de mortificação no serviço de Deus e dos irmãos, e com estes sentimentos deixou esta terra no dia 02 de março de 1932, na sua cidade de Sevilha, aos 86 anos de idade.
A causa para sua beatificação foi introduzida junto à Congregação dos Ritos em 10 de fevereiro de 1960. O Papa João Paulo II a beatificou durante sua primeira viagem à Espanha, no dia 5 de novembro de 1982, em Sevilha, o mesmo pontífice, num intervalo de 20 anos, a elevou à honra dos altares, canonizando-a em Madri a 04 de maio de 2003, durante sua quinta viagem em terras espanholas.

Corpo incorrupto de Santa Ângela da Cruz

Painel da Beatificação

Painel da Canonização

Estátua de Santa Ângela da Cruz

sábado, 1 de março de 2014

OS SANTOS E O CARNAVAL: Opinião dos Santos sobre o Carnaval. Estariam eles errados ou seriam uns "exagerados"?


Santa Faustina Kowalska diz: “Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista” (Diário, 926).




Santa Margarida Maria Alacoque escreve: “Numa outra vez, no tempo de carnaval, apresentou-me, após a santa comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo, agora”? (Escritos Espirituais).



São Francisco de Sales dizia: “O carnaval: tempo de minhas dores e aflições”.  Naqueles dias, esse santo fazia o retiro espiritual para reparar as graves desordens e o procedimento licencioso de tantos cristãos.
O santo, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente.



São Vicente Férrer dizia: “O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição”.







        

O Servo de Deus João de Foligno dava ao carnaval o nome de: a “Colheita do diabo”.




Santa Catarina de Sena, referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços: “Oh! Que tempo diabólico!”.











São Carlos Borromeu jamais podia compreender como os cristãos podiam conservar este perniciosíssimo costume do paganismo.
Nos dias de Carnaval, o santo castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias.







Santo Afonso Maria de Ligório escreve:
“Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação, Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto, os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer e por um divertimento momentâneo. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm vergonha de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o Santo Nome de Deus. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus. Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes” (Meditações).
    Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender que é Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.
É por isso que os santos, a fim de desagravarem o Senhor de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado.



Santa Teresa dos Andes escreve: “Nestes três dias de carnaval tivemos o Santíssimo exposto desde a uma, mais ou menos, até pouco antes das 6h. São dias de festa e ao mesmo tempo de tristeza. Podemos fazer tão pouco para reparar tanto pecado”...  (Carta 162).




                                                        



   São Pedro Claver
     Um oficial espanhol viu um dia São Pedro Claver com um grande saco às costas.
— Padre, aonde vai com esse saco?
— Vou fazer Carnaval; pois não é tempo de folgança?
O oficial quer ver o que acontece: acompanha-o.
O Santo entra num hospital. Os doentes alvoroçam-se e fazem-lhe festa; muitos o rodeiam, porque o Santo, passando com eles uma hora alegre, lhes reparte presentes e regalos até esvaziar completamente o saco.
— E agora? – pergunta o oficial.
— Agora venha comigo; vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de Carnaval.



No tempo do carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi, carmelita e grande mística, passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores.






O Beato Henrique Suso guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas.












São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e realizar exercícios de devoção.












Nota do autor do blog:
Quando lemos as afirmações e exortações acima, ditas por santos e santas, a respeito do Carnaval, palavras duras e fortes ditas naqueles tempos nos quais o Carnaval ainda era “inocente”, se comparado com o dos tempos atuais, eu me pergunto: imaginem o que diriam esses mesmos santos e santas diante das imoralidades, escândalos, nudez, bebedeiras, desordens, vícios e crimes cometidos no Carnaval do século XXI? Tenho até medo do que seriam capazes de dizer...

E nós somos praticamente obrigados a ouvir as músicas mais indecentes possíveis, a presenciar o "cortejo" de mulheres seminuas e nuas, ver adolescentes de 12 a 16 anos, moças e rapazes embriagados, drogados e cometendo os pecados e vícios os mais escandalosos possíveis! E tudo isso com o apoio das autoridades federais, estaduais e municipais. Que triste! 

Muitos, talvez, dirão: "mas, podemos brincar o Carnaval de forma inocente, só entre amigos e familiares". Assim, são promovidos até em escolinhas de crianças pequenas os chamados "bailinhos" de Carnaval. Mas, mesmo nesses "bailinhos", muitas vezes, são tocadas, cantadas e dançadas músicas com letras de duplo sentido ou mesmo com explícito sentido imoral. É muito difícil fazer com que em 100% das escolas, escolinhas e nos lares de boas famílias sejam tocadas APENAS músicas sem conotação indecente, com uso de fantasias que não exponham os corpos, principalmente das meninas, adolescentes e jovens... 

Infelizmente, como instituição, o Carnaval  é, na imensa maioria dos casos, um período permissivo, onde a luxúria (adultérios, fornicações, nudez, imoralidades, prostituição, etc), a embriaguez, o desrespeito, a desordem e toda espécie de desmandos são cometidos e tidos como "normais" ou "naturais"... 

Não é fácil opor-se contra o Carnaval, visto que a coisa já faz parte do "calendário oficial" das "festas" em nosso país, conhecido mundialmente pela infeliz alcunha de: "país do Carnaval". Que triste.