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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

SÃO JOÃO BERCHMANS, Estudante Jesuíta e Patrono da Juventude Estudantil.




São João Berchmans, estudante jesuíta
João Berchmans nasceu em Diest (Bélgica), no dia 13 de março de 1599. De família muito humilde, teve que trabalhar como criado para pagar os seus estudos. Não pôde realizar outra coisa em sua vida do que ser estudante, caso insólito dentro da tipologia da santidade medieval e da sua concepção de santidade “heróica”. Contudo, viveu toda a vida sob o império da santidade. Cada um dos seus atos era realizado como numa competição consigo mesmo. Foi chamado o mestre do detalhe na santidade, “maximus in minimus” era seu lema.
Nosso santo foi o anjo do lar, fiel ajudante de sua mãe. Iniciou seus estudos no Seminário de Malinas, em seguida entrou no Noviciado dos jesuítas da mesma cidade. Mais tarde passou a Roma. No Seminário e no Noviciado se distinguiu por sua candura, estudo e piedade.
Sua devoção à Virgem era proverbial. Sentia para com ela um carinho terno, profundo, crédulo e filial. “Se amo a Maria, dizia, tenho segura minha salvação, perseverarei na vocação, alcançarei quanto quiser, em uma palavra, serei todo-poderoso”. A ela dedicou sua Coroinha das doze estrelas.


Vocação
Certo dia, durante o verão de 1612, ele disse ao filho mais velho: João, você está com 14 anos: está na hora de se sustentar. Não somos ricos, você terá que desistir dos estudos. A mãe soluçou e João implorou: “Por favor, pai querido, deixe-me estudar. Viverei a pão e água, mas deixe-me ser padre”. As duas tias de João vieram em seu socorro…O cônego Van Groenendock pleiteou a causa de João com seu amigo, o Cônego Jan de Froymont…da catedral de Malines, e o encontrou propenso a aceitar João entre seus hóspedes….João era apenas um modesto criado na casa do cônego, mas aceitava esse papel com serenidade.
Um dia, em agosto de 1616, ele pegou a caneta e o papel e escreveu aos pais: “respeitado pai e querida mãe, faz três ou quatro meses que Nosso Senhor bate á porta do meu coração. Até agora não o abri, mas pouco a pouco percebi que mesmo que eu estudasse, caminhasse, brincasse ou fizesse outra coisa, um único pensamento me perseguia: escolher certo estado de vida. Por isso, decidi me oferecer inteiramente a Cristo e, lutar em seus combates na Companhia de Seu Nome. Só espero que vocês não oponham seus planos ao dEle. Filho obediente de Cristo e de vocês, João Berchmans”.


Perseguição
O Sr. Berchmans foi aplacado, mas não convencido. Como dom Ferrante, ele chamou um sacerdote, o padre guardião dos Capuchinhos. Mas João tinha uma resposta adequada para todas as perguntas e dificuldades que ele apresentou. Longe de dissuadi-lo, o guardião incentivou-o: “Não desista meu jovem.  Deus o chama, procure ser um bom Jesuíta”.
João não conseguiu o consentimento irrestrito do pai. O pobre homem disse que deixava o filho livre para fazer o que queria, mas que ele não esperasse nenhuma ajuda. João respondeu em seguida: “Pai, se a roupa que visto me impedisse, eu imediatamente a tiraria e entraria para a Companhia em mangas de camisa”.


Na Companhia de Jesus
Padre Camillo Gori, encarregado dos juniores, disse: Acreditem-me ele é buono, buono buono…muito muito bom. Ou porque gostava de João ou porque todos o consideravam uma nova versão de Luís Gonzaga, designou-lhe o quarto que este último ocupara trinta anos antes.
“Este colégio abriga mais de 200 padres e irmãos, quase todos alunos. Eles são de muitas nacionalidades diferentes…contudo, todos estão unidos pelos laços do amor fraterno, como filhos de uma só mãe”.

 
A regras de vida de João Berchmans
O perfeito desempenho de seus deveres era sua preocupação predominante: “Preste atenção ao que faz”… “Ponha todo seu coração e suas energias em tudo que fizer.”… “Minha penitência mais importante é a vida de comunidade”… “Prefiro ser arrasado do que infringir a menor regra”.





Devoção a Maria
Como vimos no início de sua vida, são João Berchmans era devotíssimo da Virgem Maria. Tinha especial afeição e devoção por sua Imaculada Conceição, numa época na qual esse atributo de Nossa Senhora ainda não havia sido proclamado dogma de fé.
No último ano de sua vida João se comprometeu, assinando com seu próprio sangue, a “afirmar e defender em qualquer lugar que se encontrasse o dogma da Imaculada Concepção da Virgem Maria”.


Enxergava as rosas (o que tinham de bom) e não os espinhos (os defeitos) em seus superiores.
A bondade e a cortesia do Padre Geral; a erudição do padre provincial; a impassibilidade do padre reitor; a deferência a todos por parte do padre Buffalo; O amor e o interesse de padre Piccolomini pelos alunos; o amor a solidão que sente Padre Cornelius…a mansidão e docilidade do irmão Oliva.



 

A doença
São João Berchmans teria dado um excelente e santo padre, no entanto, esta não foi a vontade do Senhor. A doença que o levaria a morte (possivelmente uma pneumonia com septicemia, pela rapidez com a qual lhe ceifou a vida) veio-lhe ao encontro quando estudava filosofia no seminário.
O esforço contínuo e a tensão minaram-lhe a saúde. Sentia-se tão fraco no sábado, dia 07, que nem conseguiu escrever as suas costumeiras notas breves depois da meditação matinal. Às 03 da tarde, ele se arrastou até a sala do Reitor e informou-o que estava doente. Cepari ordenou-lhe que fosse para a enfermaria e o enfermeiro mandou-o para a cama. Domingo, dia 08, recebeu a comunhão e também a visita do médico, que o encontrou um pouco melhor. Dia 09: apareceram sintomas de uma pneumonia incipiente: “Realmente não sei se estou cuidando de um homem ou de um anjo”, disse o enfermeiro. Ao alvorecer da sexta-feira, 13 de agosto de 1621, João apertou o crucifixo nas mãos, juntamente com o terço e o livro de regras e pediu que recitassem a Ladainha de Nossa Senhora.
Deu o último suspiro durante as invocações. “Santa Virgem das Virgens, Mãe Castíssima”.
São João Berchmans que fez de sua vida comum sua maior penitência, pegou uma grave enfermidade a qual aceitou com alegria; por isso deitou-se no chão, em sinal de humildade e recebeu os últimos Sacramentos. Testemunha-se que – com o crucifixo, o livro da Regra e o terço apertados sobre o peito – disse: “São estes os meus três tesouros, em cuja companhia quero morrer”, desta maneira é que despedido de todos, foi para a Eternidade repetindo: “Jesus! Maria”!
Amorosamente fiel às regras, humilde, colega sempre alegre e gentil, estudante esforçado, tornou-se padroeiro da juventude estudantil e modelo de obediência e amor à Companhia.
Seu processo de beatificação se iniciou logo depois de sua morte, mas foi interrompido quando da expulsão dos jesuítas do vários Estados europeus. Foi declarado Venerável pelo Papa Clemente XIV em 1773; em 1814, quando o Papa Pio VII restaurou a Companhia de Jesus, tornou-se necessário reabrir o processo para que a regra de Santo Inácio de Loyola fosse totalmente restabelecida.
Foi beatificado pelo Papa Pio IX em 09 de maio de 1865 e canonizado por Leão XIII em 15 de janeiro de 1888.
Foi aclamado por Pio X como co-patrono da nova igreja da Imaculada de Tiburtino (título Cardinalício) em Roma (março de 1909), edificada com a beneficência da estampa belga, ofertada no aniversário de ordenação sacerdotal do Papa e consagrada ao cardeal Desiré-Félicien-François-Joseph Mercier, da Arquidiocese de Malines-Bruxelas, primaz da Bélgica.
Sua memória litúrgica era celebrada em 26 de novembro, mas em 1969, o Papa Paulo VI a transferiu para 13 de agosto.

São João Berchmans escreveu em um caderninho de pensamentos, propósitos e notas espirituais, de entre as quais tomamos estas resoluções: 


*       Terei bom cuidado em alimentar meu amor ao Santíssimo Sacramento; o visitarei ao menos cinco vezes ao dia e em cada quinta-feira farei nesta intenção alguma penitência no refeitório ou em outra parte. 

*  Cada sábado introduzirei em minha conversação alguma coisa que se refira à Santíssima Virgem e em cada domingo farei outro tanto para o Santíssimo Sacramento.  

*       Todos os sábados, em honra da Santíssima Virgem, irei lavar as panelas da cozinha (ou praticarei algum ato de humildade).

*       Não quero preocupar-me jamais do que me sucederá, senão confiar-me e abandonar-me por completo a Deus. 

*  Viverei dia a dia e hora a hora sem preocupar-me das contingências futuras, confiando o cuidado de tudo o que concerne a mim à Providência divina e aos meus superiores. 

*      Não depender de ninguém, nem contar com nenhum apoio, nem de meu confessor, etc., senão, somente de Deus e de meus superiores. 

*       Conservar-me-ei o mais unido possível às coisas espirituais, sobre tudo à oração mental, ao exame de consciência e às leituras piedosas.

*       Tratarei de estar sempre entre os primeiros para ir me confessar.

*      Me convencerei bem de que hei que dar muito mais importância às coisas espirituais e às virtudes que à ciência e a outros dons naturais e humanos.

*        Farei profissão aberta de ser um homem espiritual e devoto.

*  Não me envergonharei de por em prática tudo o que se ensina no noviciado (o começo de minha vida espiritual).

*       Não me envergonharei de fazer frequentemente penitências no refeitório ou de humilhar-me diante dos olhos dos outros.

*       Não me envergonhar quando haja  quebrado alguma coisa ou cometido algum equívoco, de pedir de joelhos uma penitência a meu superior, inclusive quanto eu já for sacerdote. 

*       Sempre, durante todo o tempo de minha vida, quando houver cometido alguma infração das regras que mereça uma penitência, a pedirei com toda a humildade.

*       Antes morrer que violar uma só regra.

*       Pela manhã estarei muito pronto para levantar-me. 

*      O que eu puder fazer agora, neste momento, não o deixarei para fazer em outro.  pueda hacer en este momento no lo dejaré para otro.

*   Porei por escrito as ordens e a vontade de meus superiores e me esforçarei por observá-las com a máxima exatidão.

*  Porei grande atenção ao que tenho que fazer e não ao que fazem os outros.


Outras imagens de são João Berchmans: 

















Os três santos jovens da Companhia de Jesus: João Berchmans, Luís de
Gonzaga e Estanislau Kotska. 





São Domingos de Gusmão e o poder de Maria Santíssima contra os demônios.



Quando São Domingos estava pregando o Rosário perto de Carcassona, trouxeram à sua presença um albigense que estava possesso pelo demônio, parece que mais de doze mil pessoas tinham vindo ouvi-lo pregar. Os demônios que possuíam esse infeliz foram obrigados a responder às perguntas de São Domingos, com muito constrangimento. Eles disseram que:

1 - Havia quinze mil deles no corpo desse pobre homem, porque ele atacou os quinze mistérios do Rosário;

2 - Eles continuaram a testemunhar que, quando São Domingos pregava o Rosário ele impunha medo e horror nas profundezas do inferno e que ele era o homem que eles mais odiavam em todo o Mundo, isto por causa das almas que ele arrancou dos demônios através da devoção do Santo Rosário;

Eles então revelaram várias outras coisas.

* * *

São Domingos colocou o seu Rosário em volta do pescoço do albigense e pediu que os demônios lhe dissessem quem de todos os santos nos Céus eles mais temiam, e quem deveria ser, portanto mais amado e reverenciado pelos homens.

Nesse momento eles soltaram um gemido inexprimível no qual a maioria das pessoas caiu por terra desmaiando de medo... e eles disseram: "Domingos, nós te imploramos, pela paixão de Jesus Cristo e pelos méritos de sua Mãe e de todos os santos, deixe-nos sair desse corpo sem que falemos mais, pois os anjos responderão sua pergunta a qualquer momento"...


São Domingos ajoelhou-se e rezou a Nossa Senhora para que ela forçasse os inimigos a proclamarem a verdade completa e nada mais que a verdade.
Mal tinha terminado de rezar viu a Santíssima Virgem perto de si, rodeada por uma multidão de anjos. Ela bateu no homem possesso com um cajado de ouro que segurava e disse: "Responda ao meu servo Domingos imediatamente"!






Então os demônios começaram a gritar:

 
"Oh, vós, que sois nossa inimiga, nossa ruína e nossa destruição, porque desceste dos Céus só para nos torturar tão cruelmente? Oh, Advogada dos pecadores, vós que os tirais das presas do inferno, vós que sois o caminho certeiro para os Céus, devemos nós, para o nosso próprio pesar, dizer toda a verdade e confessar diante de todos quem é que é a causa de nossa vergonha e nossa ruína? Oh, pobres de nós, príncipes da escuridão: então, ouçam bem, vocês cristãos: a Mãe de Jesus Cristo é todo-poderosa e ela pode salvar seus servos de caírem no Inferno. Ela é o Sol que destrói a escuridão de nossa astúcia e sutileza. É ela que descobre nossos planos ocultos, quebra nossas armadilhas e faz com que nossas tentações fiquem inúteis e sem efeito.

* * *

Nós temos que dizer, porém de maneira relutante, que nem sequer uma alma que realmente perseverou no seu serviço foi condenada conosco; um simples suspiro que ela oferece à Santíssima Trindade é mais precioso que todas as orações, desejos e aspirações de todos os santos.

Nós a tememos mais que todos os santos nos Céu juntos e não temos nenhum sucesso com seus fiéis servos. Muitos cristãos que a invocam quando estão na hora da morte e que seriam condenados, de acordo com os nossos padrões ordinários, são salvos por sua intercessão.


Oh, se pelo menos essa Maria (assim era na sua fúria como eles a chamaram) não tivesse se oposto aos nossos desígnios e esforços, teríamos conquistado a Igreja e a teríamos destruído há muito tempo atrás; e teríamos feito que todas as Ordens da Igreja caíssem no erro e na desordem. Agora, que somos forçados a falar, também lhe diremos isto: ninguém que persevera ao rezar o Rosário será condenado, porque ela obtém para seus servos a graça da verdadeira contrição por seus pecados e por meio dele, eles obtêm o perdão e a misericórdia de Deus"

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

SANTA GERMANA COUSIN, Virgem (Padroeira das crianças vítimas de maus tratos) - 15 de junho


      A descoberta
Santa Germana Cousin, Virgem
    Numa fria manhã de dezembro de 1644, Guilherme Cassé, coveiro e sineiro da igreja de Pibrac, pequena cidade francesa, e seu ajudante, Gaillard Baron, iniciaram os trabalhos de escavação de um túmulo para enterrar uma defunta.
  Eles golpeavam o solo diante do altar, quando estarrecidos descobrem o corpo de uma jovem de uns vinte anos, conservado em sua mortalha um tanto escurecida. O corpo parecia ter sido colocado no túmulo há poucos dias. A jovem apresentava cicatrizes no pescoço e sua mão direita era deformada. Quem seria aquela jovem? Após se acalmarem, levaram o caso ao conhecimento do Pároco e de seu assistente, que não souberam identificar o cadáver.
     A notícia rapidamente se espalhou pela pequena Pibrac. Dois anciãos, Pedro Pailhès e Joana Salères, reconheceram-na como sendo Germana Cousin, falecida em 1601.
     O corpo foi instalado num caixão perto do púlpito da igreja paroquial, e o povo, que a tinha em conta de santa, logo afluiu para contemplá-la. Outros ridicularizam os ingênuos que ali vão e exigem que o caixão seja transferido para outro lugar. Entre estes estava Maria de Clément Gras, esposa do nobre Francisco de Beauregard.
     Pouco tempo depois, esta senhora foi surpreendida por um câncer no seio, e a criança que ela amamentava ficou doente e esteve às portas da morte. O esposo então se lembrou do desprezo que ela demonstrara pela pobre Germana, e comentou com ela se Deus não ficara ofendido e quisera puni-la. Maria de Clément Gras foi então para junto do corpo de Germana e pediu perdão por sua atitude, suplicando também a sua cura e a de seu filho, prometendo oferecer à igreja um caixão de chumbo para colocar seu corpo.
     Na noite seguinte, ela foi despertada por uma grande claridade em seu quarto: Germana lhe aparece e prediz a cura de seu filho! Após a visão, a chaga do seu seio estava quase fechada. Ela fez vir seu filhinho: ele estava são e sugou longamente o leite que ele recusava há tempos.
     A cura da Sra. Beauregard e de seu filho foram atribuídas à intercessão de Germana. O fato é reconhecido como o primeiro milagre realizado pela intercessão da jovem após a descoberta de seus despojos.


                                                Feia, escrofulosa e aleijada.
  Germana Cousin foi a última filha de Lourenço Cousin, pequeno e honrado proprietário agrícola de Pibrac, e de sua terceira esposa, Maria Laroche, mulher piedosa e de saúde frágil. Mestre Lourenço chegou a ser alcaide de Pibrac em 1573 e em 1574.
    A data de nascimento de Germana não é precisa, mas ela provavelmente veio ao mundo no ano de 1579. Talvez devido a avançada idade dos pais, ela nasceu com um corpo débil e repleto de escrófulas, além de uma deformação na mão direita. Não chegou a conhecer a mãe, que faleceu pouco tempo depois de seu nascimento. Mais ou menos dois anos após seu nascimento, perdeu também o pai.
     Hugo, seu irmão mais velho, filho do primeiro casamento paterno, tornou-se o herdeiro dos bens de Mestre Lourenço e acolheu a pequena órfã. Esse irmão era casado com Armanda Rajols, uma mulher de péssimo caráter, que não poupava maus tratos à pequena. Dava-lhe pouco alimento e pouco zelava por sua saúde, deixando-a aos cuidados de uma criada, Joana Aubian. Essa boa mulher tratava das feridas da criança, dividia com ela a comida e a cama.



     Mais tarde, Germana foi obrigada a dormir no paiol. Seu leito era de palhas e de ramagem de vinhedo; o único aquecimento nas noites frias de inverno eram as ovelhas que ali dormiam também. No verão ela ficava alojada num pequeno compartimento sob a escada da casa. Ninguém na família parecia notar sua inteligência. Não lhe ensinaram a ler e a escrever, nem mesmo a fazer os trabalhos domésticos.
     Quando Germana completou nove anos, Armanda achou que ela já estava na idade de poder prestar algum serviço: encarregou-a do pastoreio do rebanho da família. Era também uma forma de mantê-la longe da vista, pois ela passaria o dia todo com o rebanho nas pastagens à margem do rio Courbet.



        Uma alma admirável num corpo disforme
     A França enfrentava então uma guerra de religião entre católicos e huguenotes, como eram chamados os protestantes franceses. Era uma trágica crise em que se via a aristocracia dividida em dois partidos: a Casa de Valois e a Casa de Guise. O conflito se estendeu pelos séculos XVI e XVII. Havia saques e conflitos por toda parte.
     Germana enfrentava uma situação difícil dentro e fora de casa, pois horríveis sacrilégios eram cometidos pelos hereges nas igrejas da vizinhança. Ela rezava, fazia sacrifícios em reparação, confiava em Deus e em Nossa Senhora.
     Felizmente Joana Aubian, que velara pelos primeiros anos de Germana, era uma excelente e piedosa mulher que lhe incutiu os fundamentos da religião e, em alto grau, a virtude da caridade.
    Freqüentando a igreja paroquial de Pibrac, o zeloso Pároco viu naquela criança inocente uma alma escolhida por Deus. Graças àquele virtuoso sacerdote, Germana conseguiu ter uma boa instrução religiosa que aprimorou os primeiros ensinamentos dados por sua boa ama.
  Correspondendo às graças que recebia, Germana cumpria à risca os deveres de estado. Mostrava-se em tudo um modelo de simplicidade, modéstia, doçura e paciência. Revelou-se uma ótima catequista. Ensinava doutrina às crianças pobres, que ouviam atentas suas histórias.
   Vivendo ela mesma apenas de pão e água, com frequência levava pão para as crianças e os pobres, pois era grande a miséria causada pela guerra civil.
     Santa Germana tinha um amor ardente pela Sagrada Eucaristia, que recebia com frequência, e uma devoção especial pela Santa Missa, que assistia diariamente.


                                                                     O Bom Pastor
     Germana logo se adaptou ao seu ofício de pastora. Ela aproveitava o tempo do pastoreio de suas ovelhas para pensar e rezar. Ao invés de se sentir só, ela encontrou um amigo em Deus Nosso Senhor. Nessa escola de pobreza, sofrimento do corpo e da alma, Germana aprendeu bem cedo a prática da paciência e da humildade. A vida solitária tornou-se para ela uma fonte de luz e de bênçãos. Ela foi agraciada por um maravilhoso senso da presença de Deus.


     Ela não tinha conhecimentos de teologia - ela havia adquirido apenas os conhecimentos básicos do Catecismo - mas possuía um Rosário feito de nós numa corda... Na meditação dos mistérios do Rosário ela se unia a Mãe de Deus e ao Divino Redentor, e desta contemplação advinha a sua sabedoria.
     As pessoas notavam que ao se aproximar uma festa de Nossa Senhora a piedade de Germana aumentava. Sua devoção pelo Ângelus era tão grande, que ao primeiro toque dos sinos ela costumava cair de joelhos aonde quer que se encontrasse, mesmo atravessando algum córrego.
     Os seus únicos bens materiais eram o cajado de pastora e a roca com a qual fiava lã. A fim de atender ao apelo do Rei dos reis, que a atraía para a Santa Missa, sem se descuidar de seu dever de cuidar das ovelhas, Germana usava um método singular: apenas ouvia o sino soar chamando para a Missa, ela cravava o seu cajado de pastora no solo e ordenava às ovelhas que dele não se afastassem.
     Seu rebanho era o mais bem tratado da região e embora as pastagens ficassem próximas da floresta de Bouconne, onde havia muitos lobos, nunca um só dos seus animais foi atacado por eles. O rebanho era cuidado pelo Bom Pastor, enquanto a sua humilde pastora rendia-Lhe suas homenagens na igreja paroquial.


      Glorificação da rejeitada
     Numa noite de junho de 1601, um sacerdote da diocese de Auch, que seguia de viagem para Toulose, e dois religiosos que tinham encontrado asilo nas ruínas de um antigo castelo próximo de Pibrac, afirmaram que em meio à noite foram despertados pelo som de uma música maravilhosa. Eles olharam ao redor, e viram o céu iluminar-se e um cortejo celeste de virgens descer sobre uma casa rural das redondezas de Pibrac. Em seguida, o mesmo cortejo subiu para o céu acompanhado de uma jovem vestida de luz e coroada de flores silvestres.
     Ao amanhecer, entrando no povoado, eles relataram o maravilhoso fato aos habitantes de Pibrac, e estes constataram que se tratava da casa onde pouco antes fora encontrada morta uma pobre pastora chamada Germana Cousin.
     Naquela manhã de verão, percebendo que ela não se levantara no horário costumeiro, seu irmão foi chamá-la. Ele encontrou-a morta no seu humilde refúgio sob a escada. Ela morrera sem ruído, sozinha, tal como havia vivido.






     Seu corpo foi sepultado na Igreja de Santa Madalena e tudo parecia esquecido... Na memória do povo ela ficou esquecida, mas não nos planos de Deus!


        Fatos posteriores a descoberta de seu corpo
     Em 22 de setembro de 1661, o Vigário Geral da Arquidiocese de Toulouse, Jean Dufour, foi a Pibrac. Ele ficou admirado ao ver uma urna funerária na sacristia e mandou que a abrissem. O corpo de Germana permanecia intacto! Ele fez uma declaração oficial do fato.
     Depoimentos de médicos especialistas evidenciaram que o corpo não havia sido embalsamado, e testes mostraram que a preservação não se devia a qualquer propriedade do solo. O vigário mostrou-lhe um relatório de inúmeras curas milagrosas atribuídas a Germana.
     Em 1739, um conjunto de documentos foi confiado a um missionário apostólico, para que ele o entregasse à Sagrada Congregação de Ritos na sua passagem por Roma. Tal documentação deve ter-se extraviado, pois nunca chegou ao seu destino.
     Em 1793, durante a sangrenta Revolução Francesa, os membros do "comitê de salvação pública" levaram a cabo um desígnio sacrílego de subtrair o precioso cadáver à devoção das multidões: o caixão foi profanado por um revolucionário de nome Toulza, fabricante de estanho.
     Acompanhado de três cúmplices, Toulza retirou o corpo do caixão e nem à vista do milagre de um corpo incorrupto aqueles corações endurecidos se comoveram: enterraram-no na sacristia, jogando cal e água sobre ele. O caixão de chumbo foi enviado para Toulouse para ser usado na fabricação de balas. Os revolucionários foram atacados por dolorosas deformações: dois arrependeram-se e invocaram o auxílio da Santa e foram ouvidos.
     Depois da Revolução Francesa, a pedido da população o prefeito de Pibrac, Jean Cabriforce, mandou procurar o local onde os revolucionários haviam enterrado o corpo de Germana. Uma vez mais Germana foi descoberta: seu corpo estava quase intacto, apesar de ter permanecido durante anos sob a ação da cal viva.
     Em janeiro de 1845, os documentos que compunham o processo de beatificação foram entregues. Eles atestavam mais de 400 milagres ou graças extraordinárias, além de 30 cartas de Bispos e Arcebispos da França, dirigidas a Santa Sé, pedindo a beatificação de Germana.
     Gregório XVI assinou a aprovação dos trabalhos da Comissão apostólica. Mas, foi o Beato Pio IX quem proclamou, no dia 7 de maio de 1854, a beatificação de Germana. E em 29 de junho de 1867, foi ele quem a colocou entre as virgens santas.

Fontes:

1) Les Petits Boullandistes, Vie des Saints, d'aprés de Père Giry, Bloud et Barral, Paris, 1882, t. VII; 2) José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Edit. A. O. - Braga



                      Outras imagens iconográficas da santa: 


Santa Germana morreu sozinha, deitada sobre sua cama de palhas debaixo do vão da escada. 

  

 


Santa Germana Cousin, Virgem
'   



Estátua de santa Germana. Na igreja do Pequeno Grande, em Fortaleza, tem uma.
   





Estátua "outdoor" de santa Germana Cousin.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Beata Natália Tulasiewicz, martirizada pelos nazistas.


O século XX foi, sem sombra de dúvida, o "século dos mártires" para a Igreja. Se somássemos todos os mártires vítimas do Nazismo, do Comunismo (promovido pela antiga União Soviética, pela China e demais países comunistas ou por governos simpatizantes do comunismo) e do Islamismo (perseguições contra cristãos que perduram até os dias de hoje em países do Oriente Médio) dará certamente muito mais mártires do que em qualquer um dos séculos da perseguição romana. Isso pode impressionar ou causar certa incredulidade, mas, é a verdade. Hoje trago a história de mais uma dessas mártires que hoje, no Céu, ornam o Trono do Altíssimo com as palmas gloriosas de seu testemunho de fé, fidelidade e amor a Deus e à Santa Igreja. 

Beata Natália Tulasiewicz, Mártir. 
     Natália Tulasiewicz nasceu na região de Rzeszów na Polônia em 9 de abril de 1906. Cresceu em um ambiente familiar católico e não perderá os valores aprendidos no lar quando se instala na cidade de Poznan, para exercer a função de professora leiga. Pelo contrário, Natalia entendeu que a vida e a fé caminham lado a lado e que a santidade pode ser vivida no cotidiano.
     Natália se une ao grande movimento de apostolado laico convertendo-se em uma entusiasta animadora.
     Em meados de setembro de 1939, a católica Polônia sofre um dos períodos mais dolorosos de sua história. Quase simultaneamente é invadida pelo oeste pela Alemanha nazista de Hitler e pelo leste pelo Exército Vermelho soviético de Stalin. Estes dois regimes eram abertamente contrários ao catolicismo e num lapso de poucos anos exterminaram mais de seis milhões de poloneses.
     Natália, como toda a sua geração, presencia impotente a sua nação ser aniquilada. Ela confiava em Deus e sabia que o mal nunca tem a última palavra, ainda que por momentos pareça invencível. Cheia de valor se entrega a infundir esperança entre seus compatriotas, animando-os a esperar no Senhor e a se entregar a sua proteção. Porém seu apostolado não ficou só nos conselhos ao tomar conhecimento que muitas mulheres polonesas estavam sendo enviadas para a Alemanha para realizar trabalhos forçados, ela parte livremente com elas para poder ajudá-las espiritualmente.
     Em abril de 1944 a Gestapo, a polícia secreta política do regime nazista, descobre sua ação e a prendeu. Foi atrozmente torturada e humilhada publicamente e enviada ao campo de concentração de Rawensbrück, perto de Brandeburgo. Era Sexta-feira Santa de 1945, suas forças são poucas devido aos maus tratos sofridos; entretanto, esta admirável mulher sai de sua barraca e proclama um emocionante discurso sobre a Paixão e Ressurreição de Nosso Senhor que enche de esperança os prisioneiros. Nosso Senhor tem um belo gesto de ternura para com sua filha Natália, pois dois dias depois, 31 de março, Domingo de Páscoa, ela é transladada para a câmara de gás, onde entrega sua alma.

     Em 13 de junho de 1999, o Papa João Paulo II, beatificou 108 vitimas da perseguição nazista, entre os quais se encontrava a leiga Natália Tulasiewicz. Ela é comemorada no Martirológio Romano no dia 31 de março.




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

OS SETE SANTOS FUNDADORES DOS SERVITAS



Os Sete Santos Fundadores da Ordem dos Servos de
Maria, os "Servitas". 
Hoje, 17 de fevereiro, a Igreja celebra a memória dos Sete Fundadores da Ordem dos Servitas. No ofício das leituras de hoje nos é apresentado a origem e o modo de viver desses religiosos. Abaixo entre aspas publicamos trechos da Legenda sobre a origem da Ordem dos Servos de Maria.

"Houve sete homens, dignos de reverência e de honra, que Nossa Senhora reuniu como sete estrelas, para dar início com a sua fraterna união de alma e de corpo, à Ordem sua e de seus servos."

Cerca do ano de 1233, quando Florença era dilacerada por lutas fratricidas, sete comerciantes, membros de uma sociedade de leigos devotos da Virgem, ligados entre si pelo ideal evangélico de comunhão e de serviço aos pobres, decidiram retirar-se à solidão, para uma vida comum de penitência e contemplação. Abandonaram os negócios, suas casas e distribuíram os bens aos pobres.


Quatro aspectos importantes

"Do modo de vida desses sete homens, antes de terem iniciado a vida em comum, quero realçar quatro aspectos.

Em primeiro lugar, com relação à Igreja. Alguns deles, por estarem decididos a guardar a virgindade ou castidade perfeita, não se casaram; outros já estavam ligados pelo vínculo do matrimônio; outros, enfim, eram viúvos.

Em segundo lugar, com relação ao serviço da sociedade civil. Eram todos negociantes, e compravam e vendiam bens terrenos. Mas quando descobriram a pérola preciosa, isto é, a nossa Ordem, não só deram aos pobres tudo o que possuíam, mas entregaram-se a si mesmos a Deus e à Senhora para servi-lo com toda a alegria e fidelidade.

O terceiro aspecto diz respeito à veneração e culto de Nossa Senhora. Em Florença, havia uma certa irmandade, fundada já há muito tempo, em honra da Virgem Maria; por sua antiguidade, pelo número de seus membros e pela santidade dos homens e mulheres que dela faziam parte, tinha posição de destaque no meio das outras irmandades; e por isso era chamada ‘Companhia de Nossa Senhora'. Dela também faziam parte os sete homens como membros especialmente devotos de Nossa Senhora, antes de se reunirem em comunidade.

O quarto aspecto diz respeito à perfeição de suas almas. Amavam a Deus sobre todas as coisas; e dirigindo para ele tudo o que faziam como sendo de justiça, honravam-no por pensamentos, palavras e ações".

Por volta de 1245 retiraram-se ao Monte Senario, perto de Florença, onde construíram uma pequena casa e um oratório dedicado a Santa Maria. Levavam uma vida austera e solitária, não rejeitando, no entanto, o encontro com pessoas que, impulsionadas pela ansiedade e dúvidas, procuravam o conforto de suas palavras. Cada vez mais propagada a sua fama de santidade, muitos pediram para fazer parte da sua família. Então eles decidiram começar uma Ordem dedicada à Virgem, de quem se disseram Servos - a Ordem dos Servos de Maria - adotando a Regra de Santo Agostinho.

Em 1888 Leão XIII canonizou em conjunto os sete primeiros Padres. No Monte Senario um único túmulo recolheu os restos mortais daqueles que partilhando a vida tinham se tornado um só coração e uma alma.


Um resumo histórico de cada um dos Sete Santos Fundadores: 


São Bonfíglio Monaldi
Pai e líder do grupo e, em seguida, prior da nascente comunidade dos Servos de Maria. É representado com a pomba branca que repousa sobre o seu ombro direito para indicar que os dons do Espírito Santo dos quais cada um dos sete era ornado, manifestado de modo especial nele que pai do primeiro grupo e da comunidade. Ele morreu, segundo a tradição, em 01 de Janeiro de 1262.


São Bonaiuto Manetti

Homem austero em relação a si mesmo, mas doce, amoroso e compreensivo para com os outros. Ocupou o cargo de Prior Geral entre 1256 e 1257. Por sua tenacidade na defesa da verdade e da justiça, tentaram envenená-lo, mas foi salvo por Deus. Ele morreu em 31 de agosto 1267.


São Manetto del Ántella

Também ele prior geral, era um homem de grande capacidade organizativa e de direção, tanto que se atribuem a ele as primeiras fundações na França. Ele que acolheu Arrigo de Badovino, primeiro da grande multidão de leigos que se agregou à Ordem dos Servos. A Tradição coloca o dia de sua morte em 20 de Agosto de 1268.


Santo Amadio Amidei

Podemos dizer que, no Grupo dos Sete, ele era como a chama que dava calor a todos com sua grande caridade que se nutria do amor de Deus. Seu nome, Ama a Deus, era um verdadeiro presságio, um sinal da riqueza de sua vida espiritual e de caridade. Ele morreu em 18 abril 1266.



São Sostenio e Sosteni e São Ugoccio Ugoccioni

Entre estes dois santos é lembrada em particular sua amizade, tanto que sua iconografia os representa juntos, e a morte de ambos foi no mesmo dia e ano (3 de Maio 1282), sendo um sinal e um selo de autenticidade do Céu à sua fraternidade. No grupo dos sete, eles permaneceram como um símbolo de fraternidade vivida em comunhão de vida e de intenções, mas também como um sinal especial de amizade que, se for verdadeira e gratuita, é inspirada por Deus e ajuda uns aos outros a subir à Deus .


Santo Aleixo Falconieri

Da família Falconieri, tio de Santa Giuliana, brilhante exemplo de humildade e pureza. Sua vida foi um contínuo louvor a Deus. Gostava de pedir esmolas, empenhando-se especialmente em sustentar os frades enviados para estudar na Sorbonne, em Paris. Ele morreu na idade de 110 anos em 17 de Fevereiro de 1310.



Retirado da Monumenta Ord. Serv. B. Mariae Virginis, 1,3.5.6.9.11, pp. 71ss e do site www.santiebeati.it - 2012/02/17