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quinta-feira, 16 de abril de 2026

SANTA BERNADETTE SOUBIROUS (Irmã Maria Bernarda), Virgem e Vidente de Nossa Senhora de Lourdes - 16 de abril.


Santa Bernadette Soubirous (foto da Santa)
A meio caminho entre Lyon e Paris, às margens do Loire, fica Nevers, a cidade onde o corpo incorrupto de Santa Bernadette Soubirous repousa há aproximadamente 125 anos. Ao entrar no pátio do convento de Saint-Gildard, casa-mãe das Irmãs da Caridade, chega-se à igreja por uma pequena porta lateral.

A penumbra desta arquitetura neogótica do século XIX é quebrada pela luz que ilumina um caixão de vidro artístico. Dentro dele repousa o pequeno corpo (com apenas 1,42 metros de altura) de uma jovem freira que parece quase adormecida, com as mãos unidas em torno de um rosário e a cabeça inclinada para a esquerda. É o corpo de Bernadette (Irmã Maria Bernarda, nome que depois assumiria ao emitir seus votos religiosos), a vidente de Lourdes, que permaneceu intacto desde o dia de sua morte.

Foto do corpo intacto da Santa em
sua primeira exumação (aconteceriam
outras duas, para mais exames e
coleta de relíquias)

Para a ciência, trata-se de um fato "inexplicável", mas para a fé, um sinal inconfundível do "dedo" de Deus em um evento como o de Lourdes, que possui todas as características de excepcionalidade e cujos efeitos podem ser contemplados ainda hoje naquele extraordinário lugar de fé e piedade mariana que é a pequena cidade nos Pirineus onde Maria apareceu pela primeira vez em 11 de fevereiro de 1858 (que permanece sendo a memória litúrgica dessa tão importante aparição e famoso título mariano: Nossa Senhora de Lourdes).

Naquela manhã fazia muito frio em Lourdes. Não havia mais lenha na casa dos Soubirous. Bernadette, que tinha 14 anos na época, tinha ido com sua irmã Toinette e uma amiga procurar galhos secos nos arredores. Por volta do meio-dia, as três meninas chegaram à rocha Massabielle, que formava uma pequena gruta às margens do rio Gave.

Ali ficava o "tute aux cochons", o abrigo dos porcos, um canto sob a rocha onde a água sempre depositava madeira e detritos. Para recolhê-los, porém, elas precisavam atravessar um canal que vinha de um moinho e desaguava no rio.

Toinette e sua amiga usavam tamancos, sem meias. Elas os tiraram para entrar na água fria. Bernadette, no entanto, por ser muito delicada e sofrer de asma, usava meias. Ela implorou à amiga que a carregasse nos ombros, mas esta recusou, descendo com Toinette em direção ao rio.

Sozinha, Bernadette pensou em tirar os tamancos e as meias, mas, quando estava prestes a fazê-lo, ouviu um ruído alto: olhou para cima e viu o carvalho agarrado à rocha tremendo violentamente, embora não houvesse um sopro de vento no ar. Então, a gruta se encheu de uma nuvem dourada e uma esplêndida Senhora apareceu sobre a rocha.


Pintura retratando como eram as aparições a 
Santa Bernadette. No destaque, o dia no qual a
Santa, recitando o terço, estava com uma vela na mão.
A chama da vela chegou à pele da mão, sem causar
nem o menor dano à pele. 

Instintivamente, Bernadette ajoelhou-se, pegando seu terço. A Senhora permitiu que ela o fizesse, unindo-se à sua oração com o fluxo silencioso das contas do terço entre seus dedos. Ao final de cada terço, recitava o Glória ao Pai em voz alta com Bernadette. Quando a pequena vidente terminou o terço, a bela Senhora desapareceu subitamente, recolhendo-se ao nicho, assim como havia chegado.

Foto da Santa na época das
aparições. 

Bernadette Soubirous havia completado 14 anos pouco mais de um mês antes. Ela nasceu em 7 de janeiro de 1844, filha de Louise Casterot e François, um moleiro que se viu reduzido à pobreza por sua excessiva "bondade" para com seus credores.

Bernadette, a mais velha, não sabia ler nem escrever aos 14 anos e ainda não tinha feito a Primeira Comunhão. No entanto, conhecia muito bem o Rosário e sempre carregava consigo um pequeno e barato terço do qual nunca se separava.

Foi, portanto, a uma menina pobre e analfabeta de quatorze anos, que rezava o Rosário todos os dias, que Nossa Senhora decidiu aparecer na manhã de 11 de fevereiro de 1858, em uma pequena aldeia no sopé dos Pireneus.

Entretanto, a notícia das aparições espalhou-se como fogo em palha seca. Na aparição de 24 de fevereiro, Nossa Senhora repetiu a palavra "Penitência" três vezes. E exortou: "Rezem pelos pecadores".


Foto da imagem de Nossa Senhora
na gruta com a frase dita no
dialeto local: "Que Soy Era
Immaculada Councepciou
".

Finalmente, na aparição de 25 de março de 1858, a Senhora revelou seu nome: "Que Soy", disse ela no dialeto local, "Era Immaculada Councepciou..." (Eu sou a Imaculada Conceição).

Quatro anos antes, o Papa Pio IX havia declarado a Imaculada Conceição de Maria um dogma, ou seja, uma verdade da fé católica, mas Bernadette não poderia saber disso. Assim, temendo esquecer essa expressão, que lhe era incompreensível, a jovem partiu rapidamente para a casa do Padre Peyramale, repetindo-lhe em um só fôlego a frase que acabara de ouvir.

O padre, chocado, não teve mais dúvidas. A partir daquele momento, o caminho para o reconhecimento oficial das aparições pôde prosseguir rapidamente, culminando na carta pastoral assinada em 1862 pelo Bispo de Tarbes, que, após uma investigação minuciosa, consagrou Lourdes para sempre à sua vocação de santuário mariano internacional.

Um "santinho" de Santa 
Bernadette, vestida com
seu hábito religioso

Na noite de 7 de julho de 1866, Bernadette Soubirous, então com 22 anos, cruzou o limiar de Saint-Gildard, a casa-mãe da Congregação das Irmãs da Caridade de Nevers. "Vim para cá para me esconder", disse humildemente.

A atenção e a curiosidade mórbida que a cercavam após as aparições só lhe trouxeram desagrado. Durante os 13 anos em que permaneceu em Nevers, foi enfermeira, às vezes sacristã, mas, frequentemente doente... Desempenhou todas as suas funções com gentileza e generosidade: "Não viverei um único momento sem amar".

Mas sua doença progrediu implacavelmente: asma, tuberculose, um tumor ósseo no joelho.

Em 11 de dezembro de 1878, finalmente ficou acamada: "Estou moída", disse ela, "como um grão de trigo".

Aos 35 anos, em 16 de abril de 1879, na Quarta-feira Santa, às 15h, os olhos da pequena vidente que viu Maria se fecharam para sempre. Foi beatificada em 1925 e foi proclamada Santa para toda a Igreja Católica pelo Papa Pio XI em 8 de dezembro de 1933.


Urna de vidro com o corpo intacto de Santa Bernadette Soubirous. 
Na urna vem escrita a frase que Nossa Senhora dirigiu à sua fidelíssima filha e
serva: "não te prometo a felicidade neste mundo, mas, no outro". 


Foto aproximada do corpo de Santa Bernadette que
permanece intacto. Apenas para proteção, uma fina
camada de "cera" foi aplicada sobre a face e as mãos
por causa da exposição à luz. O corpo não recebeu
nenhum embalsamamento e a urna não tem 
nenhuma proteção, como temperatura controlada... 

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