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terça-feira, 19 de maio de 2026

SÃO CRISPIM DE VITERBO, Religioso Capuchinho (o primeiro santo canonizado por São João Paulo II) - 19 de maio.

Pietro Fioretti ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em 1693 como Frei Crispino. Viveu em Orvieto por 40 anos, primeiro como horticultor, depois como mendigo, vagando pelo campo onde conquistou respeito por seus aforismos diários. Era conhecido por seus êxtases contemplativos e seu amor pela natureza. Foi o primeiro santo canonizado em Roma pelo Papa João Paulo II em 20 de junho de 1982.

Crispim nasceu em Viterbo, no distrito de Bottarone, em 13 de novembro de 1668; foi batizado no dia 15 do mesmo mês na igreja de San Giovanni Battista com o nome de Pietro. Seu pai, Ubaldo Fioretti, era artesão e casou-se com Marzia, que já era viúva e tinha uma filha.

Pietro perdeu o pai ainda jovem, e sua mãe viúva casou-se com Francesco, irmão de Ubaldo e sapateiro, que tinha grande afeição por ele e o enviou para escolas jesuítas, acolhendo-o posteriormente como aprendiz em sua sapataria.

Pietro vestiu o hábito capuchinho no convento de Palanzana, em Viterbo, em 22 de julho de 1693, dia de Santa Maria Madalena, adotando o nome de Crispim da Viterbo.

Após o noviciado, em 22 de julho de 1694, foi transferido para Tolfa, onde permaneceu por três anos. Ele permaneceu em Roma por alguns meses e viveu em Albano até 1703. De lá, foi transferido para Monterotondo, onde permaneceu por mais de seis anos, até 1709. A partir desse ano, permaneceu em Orvieto por quarenta anos, onde foi jardineiro até janeiro de 1710 e, em seguida, tornou-se mendicante.

Frei Crispim era realmente exigente (sem ser rude) com seus religiosos. Também não era “pessimista”  em relação à Ordem dos Capuchinhos: considerava uma grande bênção poder servir a Deus dentro dela. Ao encontrar um menino de Orvieto, Girolamo, filho de Maddalena Rosati, previu que ele se tornaria um capuchinho, cantando para ele: "Sem pão e sem vinho, irmãozinho do Frei Crispim". O menino tornou-se frade com o nome de Giacinto da Orvieto e morreu como clérigo em Palestrina, com apenas vinte e um anos, em 1749.

Há também aforismos que se adequam à natureza de Frei Crispim. Com eles, ele brinca alegremente sobre fatos e situações muitas vezes dolorosas, com um senso de humor inesgotável: O merceeiro de Orvieto, Francesco Barbareschi, atormentado pela gota, foi convidado em tom de brincadeira pelo Frei Crispim "a pegar a lança de Aquiles, isto é, a pá, e trabalhar na vila Crispigniana, como ele chamava seu pequeno jardim, onde semeava alface e plantava ervas para seus benfeitores".

Sua resposta a outro que pedia cura para a mesma doença foi tão mordaz quanto um chicote: "Seu mal é mais gota do que gota, porque... você não paga quem merece: seus trabalhadores e servos estão chorando..."

À princesa Barberini, que queria ver seu filho Carlo curado imediatamente, ele respondeu: "Bem, não basta para você que ele melhore no Ano Santo? ... Bem, por que você quer desafiar o Senhor? Devemos receber as graças de Deus quando Ele quiser concedê-las."

Frei Crispim frequentemente se via na necessidade de falar sobre si mesmo com os outros, para ajudá-los a formar uma opinião mais realista a seu respeito. Para evitar elogios e admiração, Frei Crispim recorria frequentemente a imagens e comparações.

Quando foi visitar o Cardeal Filippo Antonio Gualtieri, este lhe perguntou por que, para a ocasião, ele não havia vestido um hábito e uma capa um pouco melhores. E Crispino respondeu, estendendo seu manto, que brilhava por todos os lados, indicando que estava gasto e esfarrapado.

Aos que se vangloriavam de seus milagres, ele dizia: "Ora, qual é a surpresa? Deus faz milagres, não é novidade"; "E você não sabe, amigo, que São Francisco sabe fazer milagres?". Em Montefiascone, para as pessoas que cortavam seu manto para fazer relíquias, ele gritava: "O que vocês estão fazendo, pobres! Seria muito melhor cortar o rabo de um cachorro! Estão loucos? Tanto barulho por causa de um burro que passa! Vão à igreja rezar a Deus!".

O humilde animal de carga era um tema recorrente nas conversas de Frei Crispim. Um dia, ele disse a Frei Giovanni Antonio: "Padre Guardião, Frei Crispim é um burro, mas a rédea que o guia está em suas mãos; porém, quando quiser que ele ande ou pare, puxe ou afrouxe a rédea".

Quando lhe ajudavam a colocar as alforjas nos ombros, ele dizia alegre e jovialmente: "Carreguem o burro e vamos à feira". Quando lhe perguntavam por que não cobria a cabeça para se proteger da chuva ou do sol, respondia: "Vocês não sabem que  burros usam chapéu? E que eu sou um burro capuchinho?". Mas às vezes acrescentava, sério: "Sabem por que não uso chapéu ou o capuz? Porque me lembro de que estou sempre na presença de Deus".

As andanças de Frei Crispim pelos arredores de Orvieto duraram quase quarenta anos, com duas breves interrupções que o levaram a Bassano por alguns meses e a Roma por outros. Ele deixou Orvieto definitivamente em 13 de maio de 1750, dirigindo-se ao hospital em Roma, onde faleceu em 19 de maio de 1750.

O Irmão Crispim foi beatificado em 7 de setembro de 1806 pelo Papa Pio VII e canonizado em 20 de junho de 1982 pelo Papa São João Paulo II (sendo o primeiro santo canonizado por este papa).

 

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