Pietro Fioretti ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em 1693 como Frei Crispino. Viveu em Orvieto por 40 anos, primeiro como horticultor, depois como mendigo, vagando pelo campo onde conquistou respeito por seus aforismos diários. Era conhecido por seus êxtases contemplativos e seu amor pela natureza. Foi o primeiro santo canonizado em Roma pelo Papa João Paulo II em 20 de junho de 1982.
Crispim
nasceu em Viterbo, no distrito de Bottarone, em 13 de novembro de 1668; foi
batizado no dia 15 do mesmo mês na igreja de San Giovanni Battista com o nome
de Pietro. Seu pai, Ubaldo Fioretti, era artesão e casou-se com Marzia, que já
era viúva e tinha uma filha.
Pietro
perdeu o pai ainda jovem, e sua mãe viúva casou-se com Francesco, irmão de
Ubaldo e sapateiro, que tinha grande afeição por ele e o enviou para escolas
jesuítas, acolhendo-o posteriormente como aprendiz em sua sapataria.
Pietro
vestiu o hábito capuchinho no convento de Palanzana, em Viterbo, em 22 de julho
de 1693, dia de Santa Maria Madalena, adotando o nome de Crispim da Viterbo.
Após
o noviciado, em 22 de julho de 1694, foi transferido para Tolfa, onde
permaneceu por três anos. Ele permaneceu em Roma por alguns meses e viveu em
Albano até 1703. De lá, foi transferido para Monterotondo, onde permaneceu por
mais de seis anos, até 1709. A partir desse ano, permaneceu em Orvieto por
quarenta anos, onde foi jardineiro até janeiro de 1710 e, em seguida, tornou-se
mendicante.
Frei
Crispim era realmente exigente (sem ser rude) com seus religiosos. Também não
era “pessimista” em relação à Ordem dos
Capuchinhos: considerava uma grande bênção poder servir a Deus dentro dela. Ao
encontrar um menino de Orvieto, Girolamo, filho de Maddalena Rosati, previu que
ele se tornaria um capuchinho, cantando para ele: "Sem pão e sem vinho,
irmãozinho do Frei Crispim". O menino tornou-se frade com o nome de
Giacinto da Orvieto e morreu como clérigo em Palestrina, com apenas vinte e um
anos, em 1749.
Há
também aforismos que se adequam à natureza de Frei Crispim. Com eles, ele
brinca alegremente sobre fatos e situações muitas vezes dolorosas, com um senso
de humor inesgotável: O merceeiro de Orvieto, Francesco Barbareschi,
atormentado pela gota, foi convidado em tom de brincadeira pelo Frei Crispim
"a pegar a lança de Aquiles, isto é, a pá, e trabalhar na vila
Crispigniana, como ele chamava seu pequeno jardim, onde semeava alface e
plantava ervas para seus benfeitores".
Sua
resposta a outro que pedia cura para a mesma doença foi tão mordaz quanto um
chicote: "Seu mal é mais gota do que gota, porque... você não paga quem
merece: seus trabalhadores e servos estão chorando..."
À
princesa Barberini, que queria ver seu filho Carlo curado imediatamente, ele
respondeu: "Bem, não basta para você que ele melhore no Ano Santo? ...
Bem, por que você quer desafiar o Senhor? Devemos receber as graças de Deus
quando Ele quiser concedê-las."
Frei
Crispim frequentemente se via na necessidade de falar sobre si mesmo com os
outros, para ajudá-los a formar uma opinião mais realista a seu respeito. Para
evitar elogios e admiração, Frei Crispim recorria frequentemente a imagens e
comparações.
Quando
foi visitar o Cardeal Filippo Antonio Gualtieri, este lhe perguntou por que,
para a ocasião, ele não havia vestido um hábito e uma capa um pouco melhores. E
Crispino respondeu, estendendo seu manto, que brilhava por todos os lados,
indicando que estava gasto e esfarrapado.
Aos
que se vangloriavam de seus milagres, ele dizia: "Ora, qual é a surpresa?
Deus faz milagres, não é novidade"; "E você não sabe, amigo, que
São Francisco sabe fazer milagres?". Em Montefiascone, para as pessoas
que cortavam seu manto para fazer relíquias, ele gritava: "O que vocês
estão fazendo, pobres! Seria muito melhor cortar o rabo de um cachorro! Estão
loucos? Tanto barulho por causa de um burro que passa! Vão à igreja rezar a
Deus!".
O
humilde animal de carga era um tema recorrente nas conversas de Frei Crispim.
Um dia, ele disse a Frei Giovanni Antonio: "Padre Guardião, Frei Crispim
é um burro, mas a rédea que o guia está em suas mãos; porém, quando quiser que
ele ande ou pare, puxe ou afrouxe a rédea".
Quando
lhe ajudavam a colocar as alforjas nos ombros, ele dizia alegre e jovialmente: "Carreguem
o burro e vamos à feira". Quando lhe perguntavam por que não cobria a
cabeça para se proteger da chuva ou do sol, respondia: "Vocês não sabem
que burros usam chapéu? E que eu sou um burro
capuchinho?". Mas às vezes acrescentava, sério: "Sabem por que não
uso chapéu ou o capuz? Porque me lembro de que estou sempre na presença de
Deus".
As
andanças de Frei Crispim pelos arredores de Orvieto duraram quase quarenta
anos, com duas breves interrupções que o levaram a Bassano por alguns meses e a
Roma por outros. Ele deixou Orvieto definitivamente em 13 de maio de 1750,
dirigindo-se ao hospital em Roma, onde faleceu em 19 de maio de 1750.
O
Irmão Crispim foi beatificado em 7 de setembro de 1806 pelo Papa Pio VII e
canonizado em 20 de junho de 1982 pelo Papa São João Paulo II (sendo o primeiro
santo canonizado por este papa).
.jpg)
.jpg)



Nenhum comentário:
Postar um comentário