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domingo, 23 de julho de 2017

SANTA MARIA MADALENA, Penitente e Discípula do Senhor. Festa no dia 22 de julho.


A figura de Santa Maria Madalena costuma ser identificada, ao menos na tradição ocidental, com aquela Maria que os Evangelistas dizem-nos ser irmã de Marta e Lázaro de Betânia, amigos do Senhor (cf. Jo 12, 1-11). Tratar-se-ia ainda de uma pecadora pública (cf. Lc 7, 36-50) que, após haver testemunhado as vísceras de misericórdia com que o Filho de Deus encarnado acolhe todos os arrependidos, converteu-se à fé e tornou-se uma profunda contemplativa, tal como no-la retrata o Apóstolo Lucas (cf. Lc 10, 38-42). Como quer que seja, o Evangelho segundo São João faz questão de a colocar ao pé do sepulcro de Cristo como imagem significativa de uma alma que, tendo fornicado com o pecado e se prostituído aos demônios, é agora uma esposa, limpa e pura, para quem não há consolação longe do seu Amado: "Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando", e nem mesmo os anjos que o guardavam, revestidos de esplendor (cf. Lc 24, 4), puderam suster-lhe os soluços e aquietar-lhe o coração.

Pois é a Cristo que ela ardentemente deseja, incansavelmente aspira, loucamente procura: "Levaram o meu Senhor e não sei onde O colocaram". Mas eis que o Ressuscitado aparece-lhe sob a figura de um jardineiro, qual um novo Adão que sai ao encontro, no jardim em que triunfou da morte, de sua nova esposa, adornada com a graça sobrenatural. E Ele agora, sentado à mão direita de Deus na glória do Pai, desce todos os dias aos nossos altares para conceder a todos nós o que então teve de negar à ansiosa Madalena — deixar-se tocar pelas almas que O desejam e dEle estão enamoradas. Com estas verdades em mente, recebamos o Senhor sacramentado com mais reverência e amor, pedindo-Lhe que, por intercessão de Santa Maria Madalena, possamos ser almas contemplativas e prorromper em afetos de terníssima caridade para com Ele durante e depois da comunhão.



Quem ouve o nome “Maria Madalena”, na maioria das vezes, lembra-se da mulher pecadora e de má vida do Evangelho. Poucos se recordam que dela foram tirados sete demônios (Luc. 8,2) e que ela foi perdoada de seus numerosos pecados (Lucas 7,47 e Marcos 16,9).
Muitos ignoram que ela arrependeu-se do mal que praticou. Esquecem que ela viveu uma vida de penitente, que foi uma grande Santa. E que santificou-se por amar intensamente a Deus. Ninguém comenta que foi a propósito dela que Nosso Senhor disse: “Em verdade vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez”. (Mat. 26,13) E… quem tem nela um exemplo de virgindade e pureza? Vejamos um pouco da história de Santa Maria Madalena.

O Papa São Gregório Magno, foi um zeloso reformador da Igreja, foi quem estabeleceu regras para o canto e cerimônias litúrgicas na Igreja e tornou-se mais conhecido como o criador do Calendário Gregoriano. Além disso, ele foi também um grande estudioso da vida dos santos e das Escrituras Sagradas.
São Gregório Magno afirma que Maria Madalena, Maria de Betânia e Maria pecadora, citadas no evangelho, são a mesma pessoa. Por isso mesmo é que Santa Maria Madalena é, entre as mulheres, a que mais tem seu


As três Marias e Santa Maria Madalena: 
O nome de Maria Madalena é um dos mais citados nos Santos Evangelhos. Nasceu em Magdala e viveu no século I. Conheceu Nosso Senhor, foi contemporânea de Nossa Senhora, dos Apóstolos, dos primeiros cristãos. E Lázaro (…) era seu irmão (João 11, 1-2). Ela era irmã de Santa Marta e de Lázaro, a quem o Mestre Divino ressuscitou. Lázaro havia caído doente em Betânia onde estavam Maria e sua irmã Marta. Maria era quem ungira o Senhor com óleos perfumados e Lhe enxugara os pés com seus cabelos durante um banquete do qual Jesus participava.


   Ela escolheu a melhor parte…
 “Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus. Os doze estavam com Ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios.” (Luc. 8,2)
Madalena foi a mulher a quem Jesus exorcizou.(Mar.16, 9). Depois disso, ela acompanhava Jesus, agradecida, contemplando sua divindade, amando a Deus, santificando-se. Santa Maria Madalena tinha uma alma admirativa e, por isso mesmo, era uma pessoa capaz de contemplar. Nas principais citações que o Evangelho traz dela sua admiração por Nosso Senhor fica destacada. E contemplar a Deus na Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo foi um dos pontos altos de sua vida.
   Sem dúvida, ela exercia tarefas que estavam destinadas às Santas Mulheres, contudo, em suas atividades ela procurava dar mais importância ao “Deus das obras que às obras de Deus”: ela havia escolhido a melhor parte… Esta afirmação está contida nos Evangelhos, são palavras do próprio Nosso Senhor: “Jesus estava em viagem, e entrou em uma aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. 

   Marta tinha uma irmã chamada Maria que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta toda preocupada com a lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. Repondeu-lhe o Senhor: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada.” (Luc 10, 38-42)

   Muito embora ainda fosse uma pecadora, ela já havia dado mostras de sua escolha pela admiração contemplativa. Isso ficou evidente naquele banquete onde outras pessoas estavam com Jesus e não viam nele o Filho de Deus, mas um homem inteligente, esperto, talvez predestinado e, no máximo, um profeta:

   “Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lagrimas banhavam os pés do Senhor, e ela os enxugava com os cabelos, beijando-os e os ungia com perfume.(Luc. 7, 36-38)

Junto com Maria, a Mãe de Jesus e Maria de
Cléofas foi uma das Três Marias que
 permaneceram aos pés do Senhor crucificado
até o fim... Imenso era seu puríssimo
amor por seu Mestre, Salvador e Senhor. 

  Na Via Dolorosa, no Calvário, … de pé, com a Virgem Maria!
  Esta mulher contemplativa esteve no Calvário. “Havia ali algumas mulheres (…) que tinham seguido Jesus desde a Galileia para o servir. Entre elas Maria Madalena.” (Mateus 27, 55-56) É certo que durante a peregrinação na via dolorosa Santa Maria Madalena esteve ao lado da Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora, a quem ela admirava e venerava afetuosamente e que naquela ocasião era quem mais sofria espiritualmente as dores pelas quais seu Divino Filho passava para a salvação dos homens. 

     E essa, sem dúvida, foi uma ocasião oportuna que, aquela que muito havia pecado, encontrou para consolar quem nunca havia pecado. No Calvário, quando todos fugiram, “junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e… Maria Madalena.”(João 19,25).



     Frutos do Amor a Deus
    O amor contemplativo de Maria Madalena rendeu-lhe os melhores frutos. E estes frutos não foram só o perdão de seus pecados e a graça de seu insigne e exemplar arrependimento. Outras graças espirituais ainda lhe foram concedidas por causa de sua admiração e amorosa contemplação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada na Humanidade Santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo.

  Talvez a maior das graças recebidas por ela tenha sido dada por ocasião da Ressurreição do Divino Salvador: “Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios (Marcos 16, 9)
Seu amor a Nosso Senhor já tinha feito com que ela, após a morte do Salvador estivesse junto dEle também em Seu sepultamento. E, depois que a pedra foi rolada, “Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas diante do túmulo”(Mat. 27,61). No que pensava ela ali sentada? Não se sabe. A certeza que se tem é que ela não pensava em si, pois, Seu Senhor era sempre o centro de suas cogitações.

 Maria! Ela voltou-se e exclamou: "Raboni" (João 20, 16). Passou-se a sexta feira, passou-se o sábado. 

 “Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena, e a outra Maria foram ver o túmulo” (Mateus 28,1). Ela descobriu o túmulo vazio e viu e ouviu dois seres angélicos anunciarem a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela seria a primeira testemunha da Ressurreição do Senhor e a primeira a ver Cristo mais tarde no mesmo dia quando o Mestre deu a ela a mensagem para entregar aos demais discípulos (João 20, 1-18).

    Depois disso, que sentido teria continuar vivendo nessa Terra? Após ter sido curada e os demônios terem sido expulsos por Jesus, Maria Madalena coloca-se a serviço do Reino de Deus, fazendo um caminho de discipulado, seguindo Nosso Senhor no amor e no serviço.

     A partir deste encontro com Jesus Ressuscitado, Maria Madalena, a discípula fiel, continuou vivendo entre os apóstolos e discípulos, sendo um exemplo vivo das graças que o Senhor dispensou a ela, levando uma vida de testemunho e de luta por uma santidade maior.

       A tradição nos conta que com a Virgem Maria e o Apóstolo João, ela foi evangelizar em Éfeso. Outra história, que desde muito corre no Ocidente, diz que ela viajou para Provença, França, com seus irmãos Marta e Lázaro com mais outros discípulos para evangelizar Gaul. Neste local ela passou 30 anos de sua vida na caverna de La Saint-Baume, nos Alpes Marítimos. 

    Foi milagrosamente transportada, pouco antes de sua morte, para a Capela de Saint-Maximin, onde recebeu os últimos sacramentos da Santa Igreja. Ela foi enterrada em Aix. Em Vazelay, na França, todos afirmam que suas relíquias ali estão desde o século XI.

    No Ocidente, o culto à Santa Maria Madalena propagou-se a partir do Século XII. Na arte litúrgica da Igreja ela é representada com longos cabelos, segurando uma jarra própria para guardar óleos perfumados. Sua festa é celebrada no dia 22 de julho. Quando rezamos a Ladainha de Todos os Santos encontramos o nome de Santa Maria Madalena como a primeira das invocações das Santas Virgens.


    Isso não causa espanto a quem sabe que a Deus nada é impossível. É a beleza da contrição e do perdão. Aquele que é capaz de “transformar as pedras brutas em Filhos de Abraão”, pode perfeitamente devolver a integridade a uma pecadora. E isso, sobretudo se ela arrependeu-se muito, se admirou muito, se amou muito. Como foi o caso dela. 

(Fonte: Bíblia Sagrada – Editora Ave Maria – São Paulo – 2008)




Relicário com a maior parte dos ossos da Santa. Outros
relicários guardam ossos de outras partes como:
de um dos pés, de uma das mãos e de um dos braços da Santa.



Relicário com o crânio da Santa. 


De acordo com estudos técnicos e forenses, assim deveria
ser a verdadeira aparência de Santa Maria Madalena.




Por ter anunciado a ressurreição do Senhor aos Apóstolos,
é chamada de "a apóstola dos Apóstolos" 


Fontes: 
http://www.arautos.org/secoes/artigos/especiais/santa-maria-madalena-2-143598
https://padrepauloricardo.org/episodios/festa-de-santa-maria-madalena-mmxvii

Imagens captadas no Google Images. 



Uma breve reflexão do autor do presente site: 

Hoje, a Igreja Católica celebra a Festa de Santa Maria Madalena, penitente, irmã de Lázaro e de Marta, convertida por nosso Senhor Jesus Cristo, da qual o Senhor expulsou "sete demônios"... A mesma que banhou os pés de Jesus com suas lágrimas, enxugando-os com seus cabelos e, depois, perfumou-os com preciosíssimo bálsamo guardado em um lindo vaso de alabastro.

Seu amor por Jesus era ardentíssimo, bem como por Nossa Senhora, ao ponto de, sem temer nenhuma consequência, ficou junto com Maria Santíssima, Maria de Cléofas e São João Evangelista aos pés da cruz, no Calvário.

Foi a primeira testemunha, conforme relato nos Evangelhos, da ressurreição do Senhor, tendo sido ela quem anunciou aos Apóstolos que Jesus ressuscitara dos mortos, que estava vivo. Por isso que mereceu receber a alcunha de: "A Apóstola dos Apóstolos".

Discípula fervorosíssima de seu amantíssimo Mestre e Senhor Jesus, viveu até sua morte uma vida de grande penitência, em reparação à vida dissipada que tivera antes de ser convertida por Jesus. 

Muitos são os que, equivocada e erroneamente a chamam de "prostituta". Santa Maria Madalena nunca foi uma "prostituta".  Pelo valor que "gastou" com o perfume precioso usado para ungir os pés de Jesus, era uma mulher rica e os estudos forenses de seu crânio, feitos por especialistas, revelam que era de feições naturalmente belas. 

Maria Madalena, por causa de sua beleza e de seu dinheiro, gostava de "diversões" e de conquistar corações dos homens. A Beata Ana Catarina Emmerich relata que ela tinha uma linda mansão e que promovia festas e "encontros românticos" com homens e rapazes, mas, não "vendia seu corpo".

Levava uma vida mundana e dissipada, afastada, portanto, do que recomendava a Lei e os Profetas com relação ao comportamento das mulheres. Daí que, ao se dizer que dela foram tirados "sete demônios" (podiam até ser bem mais que isso), significa que levava uma vida "mergulhada" nos pecados capitais: ou os praticando ou levando outros a os praticar: a soberba, a avareza (ganância), a luxúria (impureza, lascívia), a vaidade, a gula (não se refere só ao "comer", mas, ao uso exagerado de bebidas, por exemplo), a inveja, a ira e a preguiça (tibieza espiritual).

Mas, uma vez liberta de todos esses vícios e pecados, foi fervorosa e Santa Discípula do Senhor.

Saibam todos aqueles que, de forma blasfema e repugnante creem ou dão a entender que entre ela e Jesus havia algum tipo de "relacionamento", que estão diretamente sob influência diabólica.

Jesus era homem sim, mas, Santíssimo e Imaculado. Era mais Santo que a própria Virgem Maria! Além disso, era Deus verdadeiro, tanto no que tange à sua Pessoa (apenas divina), quanto ao fato de ter, além da humana, a natureza divina. `Portanto, sendo Jesus Deus, como poderia sentir qualquer tipo de "atração" ou desejo por alguma mulher, visto que todas são suas criaturas e filhas muito amadas, pelas quais derramaria e derramou seu Sangue na Paixão, em meio a atrozes tormentos?

Só mesmo "Satanás" em pessoa para incitar em tais pessoas (essas sim: permissivas, lascivas, impuras e sem fé de que Jesus é Deus) pensamentos (até mesmo a convicção) sobre essa hipótese repulsiva.

Roguemos a Santa Maria Madalena que, no Céu, onde resplandece no gloriosíssimo coro das Santas Mulheres (alguns santos teólogos defendem até a hipótese que sua conversão foi de tal modo intensa e perfeita, que pertenceria ao Coro das Santas Virgens) interceda por nós, afastando de nossos corações um dos piores vícios que acometem muitas almas de batizados: o da tibieza e relaxamento de costumes.

Maria Madalena, durante toda sua vida, movida pela graça e pelo Espírito Santo, que também recebera no dia de Pentecostes, esforçou-se heroicamente por ser ainda mais santa e agradável a Deus, ao seu Jesus que tanto amava e desejava rever no Paraíso.  

Imagino, inclusive, com que fervor recebia a Sagrada Eucaristia, ao seu próprio Senhor e Mestre presente nas espécies consagradas. Quantas Missas não assistiu celebradas por São Pedro, São João ou algum dos Apóstolos do Senhor! Penso, também, no amor que devotava à Santíssima Virgem, Mãe de seu Amado Senhor Jesus, fazendo-Lhe, sempre que podia, companhia.

Santa Maria Madalena, rogai por nós! 

 

(Giovani Carvalho Mendes, 22 de julho de 2026)

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