Sua
vida esteve intimamente ligada à de São Pedro de Betancur, o São Francisco da
Guatemala. Curiosamente, seus períodos de vida são distantes: o século XVII
para o "Irmão Pedro", fundador das Irmãs de Belém, e o século XIX
para a Madre Rosal, a reformadora, ou melhor, refundadora, das Irmãs de Belém.
Ela
representou para a Congregação, embora com 200 anos de diferença, o que muitos
cofundadores contemporâneos representaram para os fundadores de institutos
religiosos, com os quais caminharam lado a lado.
Ela
nasceu em 26 de outubro de 1820, em Quezaltenango, Guatemala, e foi batizada
com o nome de Vicência Rosal. No dia de sua Primeira Comunhão, consagrou-se a
Deus, sentindo-se atraída pela presença constante de Cristo na Eucaristia no
Tabernáculo; toda a sua vida foi distintamente eucarística.
Apesar
de se envolver nas frivolidades típicas das jovens, aos 15 anos ela respondeu
sem hesitar ao chamado da vida religiosa, que seguiu diligentemente até
ingressar nas Irmãs de Belém na Cidade da Guatemala, aos 18 anos. A instituição
foi fundada em 1668 pelo Irmão Rodrigo de La Cruz, sucessor e continuador da
obra do Irmão Pedro de Betancur, hoje um santo venerado na Guatemala, e esteve
sob a jurisdição dos Padres de Belém por dois séculos.
Ao
entrar no beaterio, ela percebeu que o fervor inicial da instituição havia
diminuído. Embora a roda, as grades e os véus ainda existissem naquele lugar
sagrado, não havia vida de recolhimento, nem as alunas que as irmãs eram
encarregadas de instruir eram devidamente separadas das freiras.
Ela
compara o beaterio ao Convento de Santa Catarina, um refúgio de paz e meditação
que visitara antes de entrar. Ela se sente atraída pela vida de Santa Catarina
e hesita em permanecer em Belém. Ela começa a estudar a história da Ordem e os
princípios inspiradores do Irmão Pedro. Aconselhada por seu confessor, entra
para o noviciado e, em 16 de julho de 1838, veste o hábito de noviciada,
mudando seu nome de Vicência para Maria da Encarnação.
Em
26 de janeiro de 1840, faz os votos solenes de "castidade, pobreza,
clausura e hospitalidade aos pobres". Nos dois anos seguintes, é acometida
por uma crise espiritual, dividida entre fervor e languidez espiritual,
sentindo-se fisicamente debilitada e fraca diante das Regras. Dominada pelo
medo e em comum acordo com a priora e seu confessor, ela se transfere para o
Convento de Santa Catalina em julho de 1842.
Mais
uma vez, experimenta a diferença de clima e fervor entre as duas instituições,
mas, ao mesmo tempo em que encontra a paz, deseja que esses aspectos positivos e
benéficos se apliquem também em Belém e, com a decisão de uma mulher forte e
convicta, retorna ao beaterio, sendo recebida com alegria por suas companheiras
freiras.
Em
1849, foi eleita vigária e dirigiu o noviciado, uma tarefa extremamente
delicada para a formação de novas freiras. Seus méritos lhe renderam o título
de Superiora em 1855.
Sua
liderança prudente do convento, juntamente com o conselho de seus confessores
dominicanos e jesuítas, a fez perceber a necessidade de elaborar Constituições,
visto que a Comunidade era regida pelas normas dos Padres de Belém. Com a
permissão do bispo, começou a escrevê-las, apesar da oposição de suas irmãs
mais velhas. Elas foram gradualmente implementadas, primeiro em Quezaltenango,
o berço da Reforma, e depois em Cartago.
Ela
se tornou cada vez mais apaixonada pela humanidade de Cristo, contemplando-O
naqueles momentos da Paixão que eram mais marcantes e comoventes. A oração no
Getsêmani era o ponto central de sua contemplação das Dores Íntimas de seu
amado Senhor. Irmã Maria da Encarnação fomentou na Igreja uma devoção e veneração especiais pelas
Dores Íntimas de Seu Coração.
Na
esfera social, ela desafiou corajosamente as exigências e demandas de governos
radicais que, primeiro na Guatemala e depois na Costa Rica, estavam empenhados
em perseguir a Igreja que ela amava e servia como uma filha fiel. Foi expulsa
desses dois países e mudou-se para a Colômbia com suas freiras, onde, após uma
peregrinação por mares e terras, trabalho árduo, incompreensões e expectativas,
encontrou a estabilidade que previa como definitiva, em uma terra de bênçãos e
promessas futuras.
Para
as freiras, ela era "a mãe de cada dia", aquela que se levantava
antes do amanhecer, aquela que governava sem mandar, aconselhava sem se cansar;
rezava muito e escrevia coisas "ternas, simples e belas". Incentivada
pelo bispo de Ibarra, selecionou e treinou um grupo de freiras para viajar ao
Equador e fundar um beaterio.
Elas
partiram em 10 de agosto de 1886, e Madre Maria da Encarnação decidiu
acompanhá-las, querendo conhecer o lugar e as condições em que trabalhariam.
Durante a viagem, ela sofreu um acidente que lhe causou grande sofrimento, mas
prosseguiu, chegando ao Santuário de Las Lajas, dedicado à Virgem do Rosário,
onde pediu a graça de morrer em um ato de amor a Deus.
Com
dificuldade, foi transportada para Tulcán, Equador, onde, às cinco da manhã de
24 de agosto de 1886, sua alma deixou a terra para se reunir a Deus. Anos
depois, seu corpo foi trasladado incorrupto para Pasto, onde repousa até hoje;
em 1920, foi aberto o primeiro processo canônico para sua beatificação.
Após
um milagre realizado por sua intercessão em 1975, na Colômbia, em um homem
gravemente enfermo tratado em um hospital onde as Irmãs de Belém trabalhavam, o
Papa São João Paulo II a proclamou beata em 4 de maio de 1997, na Praça de São
Pedro, em Roma.
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