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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Beato Nicolau (Nicolò) Rusca, presbítero e mártir - 4 de setembro.

       

         Ele nasceu na vila de Bedano, no Ticino, então sob domínio milanês, filho de Giovanni Antonio Rusca e Daria Quadrio, ambos membros de famílias nobres das regiões de Laria e Ticino.

Estudou em Pavia, depois em Roma, e em seguida transferiu-se para o Colégio Suíço em Milão, sob a tutela de São Carlos Borromeu.

Conta-se que o então arcebispo Borromeu, impressionado com o jovem seminarista, disse-lhe: "Meu filho, lute uma boa guerra, complete sua carreira. Uma coroa da justiça está reservada para você, que fará de você um juiz justo naquele dia”.

Ordenado sacerdote em 23 de maio de 1587, o bispo de Como, Gianantonio Volpi, designou-o primeiro para a vila de Sessa e depois o nomeou arcipreste de Sondrio.

Era o ano de 1590, uma época de grande turbulência, tanto pelo conflito entre católicos e “reformados” (nota do tradutor: prefiro  o termo: “revoltosos”) — na sequência da disseminação das “reformas” zwinglianas e calvinistas nos Grisões, às quais Valtellina, Chiavenna e Bormio estavam sujeitas — quanto pelo acentuado declínio das instituições eclesiásticas tradicionais.

Rusca era um sacerdote de profunda cultura e generosa dedicação pastoral: liderava a comunidade católica de Sondrio com grande equilíbrio e moderação, influenciando toda a Valtellina.

Isso não o impediu, contudo, de se tornar uma vítima inocente dos crescentes conflitos, especialmente dentro da República das Três Ligas, entre as diversas facções políticas e religiosas.

Nicolò Rusca foi preso em 1618 e encarcerado em Thusis, para onde todos os católicos acusados ​​de crimes políticos costumavam ir. Foi julgado por um tribunal parcial, representando um determinado grupo político e religioso.


O julgamento, na época, também incluiu uma quantidade considerável de tortura, e Rusca sofreu tanto que não sobreviveu à mesma.

Ele é lembrado por sua famosa frase: "Odeie o erro, não o errante", e pelo apelido pelo qual é conhecido hoje: "pastor bonus", ou seja, o "bom pastor" que morreu pela salvação de seu rebanho.

Tendo morrido sob a tortura do carrasco quando a religião católica era minoritária em sua terra natal, é natural que seja considerado digno de beatificação: e, de fato, a primeira proposta nesse sentido data de 8 de novembro de 1927.

O processo canônico, contudo, sofreu longas interrupções, para só ser retomado com maior vigor em 1996, quando um novo processo diocesano sobre o assunto foi concluído em Sondrio.

Quando Nicolò Rusca estava vivo, a região política em que vivia era a Récia: um belo nome latino, que é lembrado junto com outros topônimos do Império Romano e, sobretudo, que se encontra na expressão "Alpes Réticos". De fato, a Récia ainda é reconhecida como a fusão da Engadina suíça e da Valtellina italiana, dois vales. Vales alpinos com uma orientação incomum de leste a oeste, "horizontal", numa orografia (nota: estudo de “relevos da terra”) habituada a vales que se estendem na direção norte-sul.

Unidos pelo estreito Val Poschiavo e pelo Passo Muretto em Valmalenco, no início do século XVII, constituíam quase um laboratório político, representando uma única unidade política habitada por duas religiões distintas: uma maioria protestante na Engadina e uma maioria católica na Valtellina.

Maiorias, porém, não totalidades; em ambos os vales existiam minorias da fé não predominante, e a Europa como um todo — então muito sensível à convulsão geopolítica da Reforma (“revolta”) — observava com curiosidade esta coexistência de diferentes crenças. A já mencionada morte por tortura do arcipreste de Sondrio prenuncia que esta coexistência certamente não era pacífica nem tranquila.

De fato, se ouvirmos todos os lados, descobrimos que, ainda hoje, Nicolò Rusca, quase um santo para os católicos, é visto sob uma luz muito diferente pelos protestantes: sua morte por tortura na prisão de Thusis parece ser o único ponto em que as versões católica e protestante concordam.

Além disso, os retratos que temos de Nicolò Rusca não poderiam ser mais diferentes: um santo e mártir para um lado, um instigador fanático de assassinatos para o outro.

Infelizmente, porém, há outros pontos em que os relatos coincidem, e isso se refere à descrição do que aconteceu nos meses que se seguiram à morte de Rusca.

No julgamento de Thusis pela tentativa de assassinato de pastores protestantes, além de Rusca, os irmãos Planta e Giacomo Robustelli também foram condenados.

Este último conseguiu, dois anos depois, retornar a Valtellina e organizar o que, em termos cruéis, mas muito apropriados, foi posteriormente chamado de "Massacre Sagrado de Valtellina".

Os restos mortais de Rusca permaneceram em Pfäfers de 1619 a 1838.

No verão de 1619, durante uma noite, os ossos do pároco de Sondrio foram exumados e transportados secretamente para a Abadia de Pfäfers, ao norte de Chur, onde permaneceram até 1838, quando a abadia foi suprimida.

Os restos mortais de Rusca foram então para a biblioteca municipal, onde permaneceram até 1845, quando o bispo de Como, Carlo Romanò, obteve autorização para transferi-los para Valtellina, para o Santuário de Sassella, nos arredores de Sondrio.

Graças à nulla osta recebida, entretanto, da Santa Sé, em 1852, as relíquias foram finalmente transportadas por Antonio Maffei, arcipreste de Sondrio, para a Igreja Colegiada dos Santos Gervásio e Protásio em Sondrio, onde permanecem até hoje objeto de veneração popular.

A cerimônia de beatificação foi celebrada em Sondrio em 21 de abril de 2013.

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