Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

SÃO JOÃO PAK HU-JAE e Companheiras, Mártires na Coreia. Memória em 3 de setembro.

       

João Pak Hu-jae nasceu na Coreia por volta de 1799, numa época em que o catolicismo se enraizava na Terra da Calma Matinal, apesar da oposição do regime confucionista.

A Coreia, durante a Dinastia Joseon, era uma sociedade rigidamente hierárquica, fundada nos princípios do confucionismo, que governavam todos os aspectos da vida pública e privada. Nesse contexto, a nova fé cristã representava uma ameaça subversiva: seus seguidores, que se autodenominavam "amigos da doutrina do Céu", introduziram um conceito revolucionário de fraternidade universal que transcendia as barreiras de classe.

João nasceu em uma família humilde, mas profundamente devota, que havia abraçado o catolicismo com convicção. Seus pais, como muitos outros cristãos coreanos, praticavam sua fé em segredo, constantemente arriscando suas vidas.

A comunidade católica coreana nasceu de forma extraordinária em 1784, quando Yi Seung-hun foi batizado em Pequim, iniciando um movimento que se desenvolveu por mais de quarenta anos sem a presença de padres, liderado exclusivamente por leigos instruídos da aristocracia que estudavam textos católicos da China.


A perda dos pais e o sofrimento da perseguição.

A juventude de João foi marcada por uma tragédia que determinaria seu destino: durante as perseguições que periodicamente assolavam a comunidade cristã, ele perdeu ambos os pais. Órfão por causa de sua fé, teve que aprender a sobreviver sozinho em uma sociedade que via os católicos com suspeita.

Escolheu dedicar-se à confecção de sandálias de palha, uma profissão humilde, porém digna, que lhe permitia sustentar-se sem atrair a atenção indevida das autoridades.

Esse período de sua vida revela a profundidade de sua determinação: apesar da solidão e da pobreza, João jamais abandonou a prática de sua fé. Continuou a viver como cristão, frequentando reuniões comunitárias clandestinas sempre que possível, recebendo os sacramentos dos poucos missionários que conseguiam infiltrar-se no país e mantendo viva a esperança apesar das dificuldades. Seu testemunho silencioso e constante representa um exemplo de fidelidade heroica diante das provações diárias.


A perseguição de Gihae em 1839:

O ano de 1839 marcou o início de uma das mais violentas perseguições contra a Igreja Coreana, conhecida como a Perseguição de Gihae. As autoridades do Reino Joseon, alarmadas com o crescimento do catolicismo e a chegada de missionários franceses da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris, desencadearam uma repressão sistemática. O bispo Laurent Imbert e outros missionários chegaram à Coreia em 1836-1837, trazendo esperança à comunidade católica, mas sua presença foi logo descoberta, dando início a uma caçada implacável aos cristãos.


João Pak Hu-jae foi preso juntamente com cinco mulheres que compartilhavam sua fé: Barbara Yi Chong-hui, viúva; Maria Yi Yon-hui, esposa e mãe; Agnes Kim Hyo-ju, uma jovem virgem consagrada; Maria Pak K'un-agi e Barbara Kwon Hui, ambas esposas e mães. Esse grupo heterogêneo representava a diversidade da Igreja Coreana na época: homens e mulheres, casados ​​e solteiros, pessoas de diferentes classes sociais unidas pela mesma fé inabalável.


O julgamento, a tortura e o martírio.

Levados a tribunais criminais, João e seus companheiros foram submetidos a interrogatórios rigorosos e torturas cruéis para que renunciassem à sua fé cristã.

Os métodos de interrogatório do sistema judiciário coreano da época eram brutais: os prisioneiros eram submetidos a espancamentos, chicotadas e outras torturas físicas e psicológicas. As autoridades buscavam não apenas obter a apostasia, mas também os nomes de outros cristãos e a localização de missionários clandestinos.

João Pak Hu-jae demonstrou uma coragem extraordinária. Apesar do sofrimento infligido ao seu corpo, ele jamais desistiu, recusando-se a proferir as palavras de negação que o teriam salvado. Sua formação na fé, desenvolvida por meio de anos de prática clandestina e testemunho silencioso, o sustentou nas horas mais difíceis.

Como relatam as fontes históricas, os mártires coreanos se distinguiam por sua firmeza e sinceridade, qualidades que impressionavam até mesmo seus perseguidores.

Em 3 de setembro de 1839, John e seus cinco companheiros foram conduzidos para fora do Portão Oeste Menor (Seosomun) de Seul, o local tradicional das execuções capitais. Ali, de acordo com a sentença, foram decapitados. A morte por decapitação era considerada menos vergonhosa do que outras formas de execução, mas não menos terrível. João Pak Hu-jae encarou a morte com a mesma firmeza que demonstrara durante os interrogatórios, selando seu testemunho de fé com seu sangue.

Suas cinco companheiras — Barbara Yi Chong-hui, Maria Yi Yon-hui, Agnese Kim Hyo-ju, Maria Pak K'un-agi e Barbara Kwon Hui — compartilharam o mesmo destino, oferecendo um exemplo extraordinário de como a fé cristã uniu pessoas diversas em um único testemunho de martírio.


O contexto da Igreja Coreana Primitiva

A Igreja Católica na Coreia tem uma história singular no mundo. Diferentemente de todas as outras igrejas locais, ela surgiu espontaneamente por iniciativa de leigos, sem a intervenção de missionários.

Em 1784, Yi Seung-hun, um jovem coreano que havia estudado na China, foi batizado em Pequim e retornou à sua terra natal para difundir o cristianismo. Em poucos anos, formou-se uma comunidade de milhares de fiéis, que viveu por mais de quarenta anos sem padres, liderada exclusivamente por leigos.

Essa situação extraordinária explica a maturidade espiritual e a firmeza de fé que caracterizaram os mártires coreanos. João Pak Hu-jae e seus companheiros não eram cristãos superficiais: eles haviam herdado uma fé consciente, pela qual valia a pena viver e morrer. A comunidade coreana enviou repetidamente delegações a Pequim, percorrendo mais de mil quilômetros a pé, para pedir ao Papa e aos bispos chineses bispos e padres.




A Perseguição de Gihae (1839)

A perseguição de 1839 foi particularmente violenta porque foi marcada pela descoberta da presença de missionários franceses. O bispo Laurent Imbert, que chegou à Coreia em 1837, e os padres Pierre Maubant e Jacques Chastan foram presos e executados em setembro de 1839, juntamente com muitos outros cristãos. Entre as vítimas dessa perseguição estava também Paulo Chong Hasang, um dos principais líderes leigos da Igreja Coreana, que havia trabalhado incansavelmente para trazer missionários à Coreia.

A perseguição de Gihae resultou em centenas de mártires, muitos dos quais foram canonizados em 1984. As execuções ocorreram principalmente nos arredores do Portão Oeste de Seul (Seosomun) ou em outros locais designados, como Saenamteo. Os corpos dos mártires muitas vezes não eram devolvidos às suas famílias, mas outros cristãos arriscavam suas vidas para recuperar seus restos mortais e lhes dar um sepultamento.


                A canonização de 1984

Em 6 de maio de 1984, o Papa São João Paulo II canonizou 103 mártires coreanos durante uma celebração histórica em Seul, quebrando a tradição de canonizações serem celebradas exclusivamente em Roma.

Foi um momento de enorme importância para a Igreja Coreana e para toda a Ásia. Entre os 103 santos estavam oito bispos e padres (principalmente missionários franceses) e 95 leigos coreanos, homens e mulheres, de todas as classes sociais.

São João Pak Hu-jae foi incluído neste grupo extraordinário, que representava todo o espectro da sociedade coreana da época: nobres e pessoas humildes, jovens e idosos, casados ​​e solteiros, catequistas e fiéis comuns. Sua canonização reconheceu oficialmente o heroísmo de seu testemunho e o valor fundamental de seu martírio para a Igreja Coreana.


O Santuário de Seosomun:

O local do martírio de João Pak Hu-jae e suas companheiras é hoje um local de peregrinação. O Santuário de Seosomun (Pequeno Portão Oeste) é um dos principais memoriais da Igreja Coreana. Abriga um museu histórico que documenta as perseguições e preserva a memória dos mártires. O local, que era o palco oficial das execuções durante a Dinastia Joseon, foi transformado em um lugar de oração e testemunho de fé.


Santos Mártires da Coreia, rogai por nós!


Fonte:

Site: “Santi, Beati e Testimoni”

(Traduzido do italiano para o português, com algumas correções no texto original). 

Nenhum comentário:

Postar um comentário