Antioquia, 10 d.C. - Tebas, Beócia, Grécia, 93 d.C.
Martirológio
Romano:
Festa
de São Lucas, Evangelista, que, segundo a tradição, nasceu em Antioquia, filho
de uma família pagã e médico de profissão, antes de se converter à fé em
Cristo. Tendo se tornado um companheiro querido de São Paulo Apóstolo,
registrou cuidadosamente todas as obras e ensinamentos de Jesus no Evangelho,
tornando-se um escriba da mansidão de Cristo.
Ele também narrou nos Atos dos Apóstolos os primórdios da vida da Igreja até a primeira estadia de Paulo em Roma.
Filho
de pagãos, Lucas pertence à segunda geração de cristãos. Companheiro e
colaborador de São Paulo, que o chama de "o querido médico",
ele é sobretudo o autor do terceiro Evangelho e dos Atos dos Apóstolos.
Prefacia
seu Evangelho com dois capítulos que narram o nascimento e a infância de Jesus.
Esses capítulos destacam a figura de Maria, a "serva do Senhor, bendita
entre todas as mulheres".
O
cerne da obra, porém, consiste em uma série de capítulos que narram a
pregação de Jesus durante a jornada ideal que o leva da Galileia a Jerusalém.
Os
Atos dos Apóstolos também descrevem uma jornada: a gloriosa progressão do
Evangelho de Jerusalém à Ásia Menor, à Grécia e, finalmente, a Roma.
Os protagonistas
dessa emocionante empreitada são Pedro e Paulo. Em um nível mais
elevado, o verdadeiro protagonista é o Espírito Santo, que desce sobre
os Apóstolos no Pentecostes e os guia na proclamação do Evangelho tanto a
judeus quanto a pagãos.
Como observador atento, Lucas está ciente das
fragilidades da comunidade cristã, assim como reconheceu que a vinda do Senhor
não é iminente.
Dessa forma, ele amplia o horizonte histórico da comunidade cristã, destinada a crescer e se multiplicar por meio da propagação do Evangelho. Segundo a tradição, Lucas morreu mártir em Patras, na Grécia.
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| Representação de como "seria" São Lucas, já idoso, com "traços" não judáicos e com vestes da época. |
Testemunhos do
Novo Testamento:
O nome de Lucas
aparece em Filemon 24, entre os colaboradores de Paulo, e em Colossenses 4, 14, em que ele é chamado de "o médico amado". Segunda Timóteo 4, 11 afirma
que Lucas permaneceu com Paulo. Essas passagens constituem o núcleo das
informações pessoais transmitidas pelo Novo Testamento.
Sua data de
nascimento, pais, formação profissional, as circunstâncias de sua conversão e o
ano de sua morte são incertos.
A referência à medicina em Colossenses é importante para a tradição, mas não nos permite reconstruir seus estudos, prática ou intervenções terapêuticas individuais.
Antioquia e o
Ambiente das Primeiras Comunidades.
Eusébio de
Cesareia, em sua História Eclesiástica, apresenta Lucas como natural de
Antioquia e médico de profissão, intimamente ligado a Paulo.
Antioquia, na
Síria, era um dos principais centros urbanos do Oriente Romano e um local
crucial para a formação de comunidades cristãs abertas a não judeus. A menção
de seu local de nascimento, portanto, provém de antigos testemunhos
eclesiásticos, mas não de um documento de registro contemporâneo.
Lucas é comumente
considerado de origem não judaica: essa interpretação também se baseia
na distinção, em Colossenses 4,10-14, entre alguns colaboradores "da
circuncisão" e aqueles mencionados posteriormente. Isso é uma pista, não
uma prova definitiva, de sua origem étnica ou religiosa.
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| São Lucas foi discípulo, companheiro e amigo do Apóstolo São Paulo. |
A Relação com
Paulo e as Viagens
Os Atos dos
Apóstolos contêm diversas narrativas em primeira pessoa do plural,
frequentemente chamadas de "seções em primeira pessoa do plural",
particularmente a partir de Atos 16, 10 e depois em Atos 20-21 e 27-28.
A tradição
interpreta essa mudança narrativa como um vestígio da presença pessoal de Lucas
ao lado de Paulo, especialmente na viagem a Roma. Estudiosos também propuseram
outras explicações: o uso de um diário de viagem, a incorporação de uma fonte
preexistente ou uma escolha literária. As seções não mencionam Lucas e não
demonstram, por si só, que ele testemunhou todos os episódios descritos.
A narrativa em
Atos passa pela Macedônia, Grécia, Ásia Menor, Palestina e, finalmente, Roma. O
testemunho da antiga tradição cristã, que o vincula firmemente à missão
paulina, permanece historicamente significativo.
O contexto das
cartas e o de Atos não coincidem perfeitamente. Filemon lista Lucas ao lado de
Marcos, Aristarco e Demas, sem especificar seus papéis. Colossenses menciona
Lucas ao lado de Demas e o descreve como médico, mas não descreve seus serviços
profissionais. A Segunda Carta a Timóteo o apresenta como o único que
permaneceu com Paulo durante o período de isolamento do Apóstolo.
A localização
histórica desta última informação depende da discussão sobre a origem e a
datação das cartas pastorais. A imagem de um companheiro fiel emerge, portanto,
de testemunhos de valor documental variável, que a tradição posteriormente
reuniu em uma biografia contínua.
No relato dos Atos
dos Apóstolos, a primeira mudança para a primeira pessoa do plural ocorre no
contexto da viagem de Trôade à Macedônia e da chegada a Filipos. O narrador
então retorna à terceira pessoa, enquanto o plural reaparece durante a viagem
de Filipos a Jerusalém e, posteriormente, na viagem que leva Paulo como
prisioneiro a Roma.
A viagem marítima
de Atos 27 oferece uma descrição detalhada de embarcações, ventos, paradas,
perigos e desembarques, culminando no naufrágio perto de Malta. A precisão de
alguns detalhes náuticos tem sido considerada um argumento a favor do uso de
testemunho informado.
No entanto, isso
não é suficiente para identificar definitivamente o autor como um passageiro:
um narrador antigo poderia ter se baseado nas memórias de outros e em relatos
de viagem.
Atos também
registra os encontros de Paulo com as comunidades de Filipos, Tessalônica,
Bereia, Corinto, Éfeso e Cesareia. O livro demonstra a complexidade das redes
cristãs no Mediterrâneo oriental, mas não nos permite atribuir a Lucas
individualmente qualquer pregação, plantação de igrejas ou responsabilidade
pastoral em cada um desses lugares.
O Terceiro
Evangelho e os Atos dos Apóstolos:
Esses dois importantes livros do Novo Testamento formam duas partes de um mesmo projeto literário: ambos são dirigidos a Teófilo, e o prólogo dos Atos remete explicitamente ao relato anterior. A unidade do autor é amplamente reconhecida devido à continuidade linguística, narrativa e teológica. O nome do autor, contudo, não é indicado nos prólogos.
O Evangelho afirma
basear-se em tradições transmitidas por testemunhas oculares e ministros da
palavra, as quais o autor organizou cuidadosamente. Essa introdução, em Lucas 1,
1-4, distingue o narrador das primeiras testemunhas sem revelar suas
identidades.
A obra dedica
especial atenção à misericórdia, à oração, aos pobres, às mulheres e à abertura
da salvação aos povos. Essas são características literárias e teológicas do
texto, e não evidências diretas de episódios da vida pessoal do evangelista.
As passagens
específicas
do terceiro Evangelho incluem a parábola do Bom Samaritano, a do pai
misericordioso e do filho pródigo, a história do homem rico e Lázaro,
o relato dos discípulos em Emaús e inúmeras passagens relacionadas à
infância de Jesus.
O Magnificat, o
Benedictus e o Nunc dimittis desempenharam um papel duradouro na
oração litúrgica cristã.
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| São Lucas é autor, também, dos Atos dos Apóstolos: praticamente, uma "continuação" da narrativa de seu Santo Evangelho. |
Os Atos dos
Apóstolos descrevem a transição da comunidade de Jerusalém para a proclamação
missionária no mundo mediterrâneo. Pedro, Estêvão, Filipe, Barnabé e Paulo
assumem papéis diferentes; a conclusão apresenta Paulo em Roma. A obra não
narra a morte de Paulo e não oferece uma biografia definitiva do evangelista.
A datação dos dois
livros é debatida. Muitos estudos contemporâneos situam o Evangelho depois de
70 d.C., frequentemente por volta dos anos 80-90, e os Atos em um período
posterior ou no mesmo período de composição; também existem propostas
anteriores e posteriores.
O prólogo do Evangelho é
particularmente importante para a compreensão do perfil cultural do autor. A
dedicatória a um certo Teófilo, mencionado por um título honorífico,
remete ao costume das obras gregas dirigidas a um destinatário identificável.
Não é possível
estabelecer com certeza se Teófilo era um mecenas, um oficial, um crente já
instruído ou uma figura representativa. O autor afirma estar ciente de relatos
anteriores, basear-se na transmissão de testemunhas e apresentar uma narrativa
ordenada. Esses indícios descrevem uma obra de composição e seleção, não uma
autobiografia.
O terceiro
Evangelho
compartilha um número considerável de episódios e tradições com Mateus e
Marcos.
Os dois primeiros
capítulos
apresentam o anúncio do nascimento de João Batista e Jesus, a visita de Maria a
Isabel, o nascimento em Belém, a apresentação no Templo e o encontro de Jesus
aos doze anos. Comparado ao relato de Mateus, o ponto de vista narrativo, as
cenas e os personagens são, em grande parte, diferentes.
Os cânticos
incluídos nesta seção entrelaçam linguagem bíblica, as expectativas de Israel e
a interpretação cristã da salvação. A afirmação de que Lucas recebeu
pessoalmente todos esses episódios da Virgem Maria é uma explicação
tradicional, não uma declaração expressa no texto.
Na narrativa do
ministério de Jesus, um lugar de destaque é reservado à grande jornada para
Jerusalém, iniciada em Lucas 9, 51. É nela que se encontram ensinamentos e
parábolas que influenciaram profundamente a catequese cristã.
O Bom Samaritano
oferece uma visão de proximidade que transcende as afiliações convencionais; o
pai e seus dois filhos representam a misericórdia e o conflito entre exclusão e
reconciliação; o homem rico e Lázaro retratam a responsabilidade diante da pobreza.
Esses são conteúdos da obra atribuída a Lucas, e não episódios que o
evangelista possa ter presenciado.
O papel das
mulheres
é particularmente visível nas cenas dedicadas a Isabel, Maria, Ana, a viúva de
Naim, Marta e Maria, e às mulheres que acompanham Jesus.
A preocupação com
os pobres
emerge das Bem-aventuranças, da história do rico insensato, do encontro com
Zaqueu e da crítica à riqueza não compartilhada.
A oração também permeia a
narrativa: Jesus ora em seu batismo, antes de escolher os Doze e em outras
passagens cruciais.
Esses motivos
entrelaçados formam um perfil teológico reconhecível, sem nos permitir deduzir
automaticamente o status social ou as experiências pessoais do autor.
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| Se pudéssemos "apelidar" o Santo Evangelho de São Lucas, poderíamos chamá-lo de: "O Evangelho da Infância de Cristo" e também de " O Evangelho das Parábolas". |
O Evangelho também
enfatiza o Espírito Santo, a alegria e a natureza universal da mensagem.
A genealogia de
Jesus
remonta a Adão, enquanto a narrativa conclui confiando aos discípulos a proclamação
da conversão e do perdão a todos os povos.
A cena dos
discípulos em Emaús,
narrada por Lucas, liga o reconhecimento do Cristo Ressuscitado à interpretação
das Escrituras e à partilha do pão.
Os Atos dos
Apóstolos
continuam essa abertura universal em forma narrativa, mostrando a expansão
progressiva da mensagem para além dos limites da primeira comunidade em
Jerusalém.
Os Atos dos
Apóstolos não são uma coletânea completa das biografias dos Doze. Sua estrutura
segue principalmente certos protagonistas e certos momentos decisivos. Entre eles estão o Pentecostes e a vida comunitária em Jerusalém. Além disso, há os conflitos internos, o
testemunho de Estêvão, a missão à Samaria, a conversão de Saulo, a entrada dos
não judeus com Cornélio, as atividades em Antioquia, as viagens de Paulo e sua
chegada a Roma. O concílio ou assembleia de Jerusalém, narrado no capítulo 15,
representa um momento crucial na discussão das condições de pertencimento para
os convertidos do paganismo.
Uma comparação
entre Atos dos Apóstolos e as cartas paulinas é essencial. As cartas
autênticas de Paulo são testemunhos diretos, muitas vezes anteriores à escrita
de Atos; o relato de Lucas, no entanto, situa os eventos em uma perspectiva
histórica e teológica posterior.
As apresentações
das visitas a Jerusalém, de certos conflitos e da imagem geral de Paulo nem
sempre coincidem em detalhes. Essas diferenças não negam o valor de Atos como
fonte para o cristianismo primitivo, mas impedem que seja considerado uma
crônica neutra ou uma transcrição completa dos discursos proferidos.
A conclusão de
Atos
é particularmente significativa: Paulo está em Roma e anuncia o reino de Deus,
enquanto nem seu julgamento final nem sua morte são narrados. Alguns
interpretaram essa interrupção como um sinal de composição próxima aos eventos;
outros a interpretam como a conclusão deliberada de um projeto focado em levar
a palavra ao coração do império.
O final, por si
só, não estabelece uma data precisa para sua composição. Mesmo a hipótese de um
terceiro volume planejado pelo autor permanece sem confirmação documental.
A atribuição
inicial de obras por Santo Irineu de Lyon:
Santo Irineu de
Lyon, na segunda metade do século II, atribui explicitamente o Evangelho a
Lucas, companheiro de Paulo, e invoca sua autoridade na exposição da tradição
apostólica.
O chamado
Fragmento Muratoriano também associa Lucas ao terceiro Evangelho e aos Atos dos
Apóstolos; a datação do documento é debatida. Posteriormente, Orígenes, Eusébio
e Jerônimo confirmaram a atribuição recebida.
Essa convergência
atesta a antiguidade e a força da tradição eclesiástica, mas não elimina as
questões levantadas pelo anonimato original das obras, pela distância
cronológica dos atestados e por algumas diferenças entre o retrato de Paulo nos
Atos dos Apóstolos e suas cartas autênticas. O debate sobre a autoria não deve
ser confundido com a observação muito mais sólida de que o Evangelho e os Atos
dos Apóstolos pertencem ao mesmo projeto literário.
Santo Irineu de
Lyon,
em sua defesa dos quatro Evangelhos, apresenta Lucas como aquele que
transcreveu o Evangelho pregado por Paulo. Essa fórmula expressa a relação
entre a obra e a tradição apostólica, tal como concebida pela Igreja do século
II; não demonstra que cada episódio do Evangelho provenha do ensinamento oral
de Paulo. A proximidade do terceiro Evangelho à missão paulina é um elemento da
recepção eclesiástica, enquanto a própria obra preserva material e interesses
que não derivam diretamente das cartas do apóstolo.
No século IV, Eusébio
de Cesareia compilou testemunhos anteriores e descreveu Lucas como um
antioqueno e médico, associado a Paulo.
São Jerônimo, em De viris
illustribus, reviveu o perfil tradicional e relatou informações adicionais
sobre o sepultamento e as traduções. A sucessão desses autores documenta a
estabilidade de uma memória eclesiástica, mas não constitui uma série de
atestações inteiramente independentes: escritores posteriores conheceram e
utilizaram materiais anteriores.
Ao longo da história católica, a atribuição tradicional também recebeu formulações autorizadas em círculos eclesiásticos. As respostas da Pontifícia Comissão Bíblica, em 1912, sobre o Evangelho de Lucas e, em 1913, sobre os Atos dos Apóstolos, defenderam explicitamente a autoria lucana e uma datação antiga.
Últimos anos e
morte.
As evidências
sobre a fase final da vida de Lucas são fragmentárias e divergentes. Tradições
antigas o ligam à Grécia, especialmente à Beócia e Tebas; algumas versões
atribuem sua morte a uma idade avançada, outras falam de martírio. Faltam
evidências contemporâneas suficientes para estabelecer as circunstâncias de sua
morte, sua data ou qualquer possível tortura.
A identificação de
Lucas como um dos setenta e dois discípulos enviados por Jesus e como um dos
dois viajantes para Emaús pertence a tradições interpretativas posteriores.
Elas não são corroboradas pelos textos dos Evangelhos.
Mesmo a
história, segundo a qual Lucas pintou o rosto da Virgem a partir de uma modelo
viva, é uma tradição devocional que se desenvolveu ao longo do tempo, não um
relato verificável do primeiro século.
Alguns prólogos
antigos apresentam Lucas como tendo morrido na Beócia em idade avançada; em
outras tradições, sua morte é caracterizada como martírio. O fato de as
narrativas divergirem sobre a forma de sua morte impede a certeza de que ele
foi morto por causa da fé. O título de evangelista, que define sua memória
litúrgica, não implica, por si só, martírio. A localização em Tebas é
especialmente importante para a história da veneração e das relíquias.
A ausência de dados biográficos confiáveis não diminui a importância histórica da figura: pelo contrário, demonstra que sua fama depende principalmente de sua associação com duas obras fundamentais e sua transmissão dentro das comunidades cristãs. A reconstrução do indivíduo e o estudo de sua memória são, portanto, dois níveis relacionados, mas não sobrepostos.
Memória Eclesial:
A celebração de 18
de outubro atesta a inclusão permanente de Lucas no calendário dos santos.
Seu perfil religioso foi formado principalmente em torno dos dois livros que
lhe são atribuídos, sua ligação com Paulo e seu título de evangelista. A imagem de Lucas como médico e pintor favoreceu a adoção do santo como padroeiro de várias profissões. A respeito de sua iconografia associada, quase sempre à presença de um "touro alado", será explicado mais à frente.
A festa de 18 de
outubro perdurou nas tradições litúrgicas ocidentais e orientais, com formas e
calendários específicos para as diferentes Igrejas.
No Ocidente
latino, a celebração apresenta Lucas como evangelista; nas Igrejas
bizantinas, ele é frequentemente lembrado como apóstolo e evangelista,
em consonância com o uso mais amplo do título de apóstolo para colaboradores da
primeira missão. As diferenças nos títulos refletem desenvolvimentos litúrgicos
e não fornecem, por si só, novas perspectivas sobre sua biografia.
A tradição
artística o retrata como um escritor absorto em seu livro, às vezes acompanhado
do boi alado, e em numerosas obras como um pintor da Madona.
A associação do
santo com as artes figurativas tornou-se particularmente importante para as
guildas e academias dedicadas a São Lucas. Seu mecenato aos médicos, contudo,
se fundamenta na expressão da Epístola aos Colossenses, reinterpretada ao longo
do tempo como uma característica definidora de sua figura.
A influência do
Evangelho e dos Atos dos Apóstolos transcende a devoção estritamente
hagiográfica. A liturgia cristã utiliza diariamente hinos preservados no
Evangelho da Infância; a pregação, a arte, a música e a literatura incorporaram
a Visitação, o Natal, o Bom Samaritano, o Filho Pródigo, Emaús, Pentecostes e
as viagens de Paulo.
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| Piedosa tradição afirma que São Lucas conheceu pessoalmente a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Jesus e dela, ouviu e aprendeu os fatos relativos à origem e Infância de Jesus narrados apenas por ele. |
A Narrativa da
Infância e sua Originalidade
Os dois primeiros
capítulos do terceiro Evangelho apresentam uma composição sem paralelo em
qualquer outro evangelista. O anúncio do nascimento de João Batista a Zacarias,
a anunciação a Maria, a visita a Isabel, o nascimento de Jesus em Belém, a
apresentação no templo e o episódio de Jesus, aos doze anos, entre os mestres,
são organizados em uma sequência que conecta as duas famílias e vincula os
eventos às promessas feitas a Israel. Os cânticos atribuídos a Maria, Zacarias
e Simeão são construídos em uma linguagem intensamente bíblica, rica em
referências aos Salmos e aos profetas. Sua presença influenciou profundamente a
Liturgia das Horas, na qual o Magnificat, o Benedictus e o Nunc
dimittis ocupam lugar permanente.
A narrativa não se
resume ao testemunho pessoal de Lucas sobre o nascimento de Jesus. O próprio autor,
no prólogo, declara sua confiança na tradição transmitida pelas primeiras
testemunhas.
A tradição cristã frequentemente levanta a hipótese de uma relação direta com Maria para explicar a riqueza de informações sobre a infância de Jesus; contudo, o Evangelho não descreve nenhum encontro entre o evangelista e a mãe de Jesus. A frase, segundo a qual Maria guardava e meditava sobre os acontecimentos em seu coração pertence à narrativa evangélica e não constitui, por si só, prova de que Maria ditou memórias a Lucas.
Parábolas e a Linguagem da Misericórdia:
Uma das
características mais marcantes do terceiro Evangelho é a escolha de histórias
em que o status social e o comportamento em relação aos outros assumem
particular importância.
A parábola do Bom
Samaritano,
em Lucas 10, 25-37, centra-se num homem resgatado por um estranho pertencente a
um grupo com o qual havia tensões religiosas e culturais. D
A história do rico
e Lázaro,
em Lucas 16, 19-31, contrasta a segurança de um homem rico com o sofrimento de
um pobre à sua porta.
A parábola do
Fariseu e do Publicano, em Lucas 18, 9-14, contrasta a confiança na própria
justiça com a humildade daqueles que pedem misericórdia.
O capítulo 15 reúne as
parábolas da ovelha perdida, da moeda encontrada e do pai com
dois filhos.
Esta última,
frequentemente referida como a parábola do filho pródigo, não se limita à
história do filho mais novo: a comparação com o mais velho introduz também o
tema da dificuldade de aceitar o perdão concedido aos outros. Essas histórias
tiveram uma influência duradoura na pregação, na catequese e nas artes visuais.
Sua presença no Evangelho revela as escolhas teológicas e narrativas do autor,
mas não nos permite deduzir imediatamente episódios de sua vida privada ou
experiências pessoais específicas de caridade.
O episódio de Zaqueu, em Lucas 19,1-10, assim como a cena da mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus em Lucas 7, 36-50, também ilustram essa visão. O tema do perdão não está isolado da necessidade de conversão: no caso de Zaqueu, a transformação também se expressa na restituição e na partilha de bens. O Evangelho une, assim, o anúncio da salvação a uma reflexão concreta sobre as relações humanas e o uso da riqueza.
Mulheres,
discípulos e comunidade:
Lucas 8, 1-3
menciona diversas mulheres que acompanharam Jesus e os Doze, incluindo Maria
Madalena, Joana e Susana, e relata o apoio material que deram ao grupo.
O Evangelho também
contém cenas de Marta e Maria, a viúva de Naim, a mulher
curvada, curada no sábado e a viúva que oferece duas pequenas moedas.
Na narrativa da
Paixão e Ressurreição, mulheres aparecem como testemunhas da crucificação, do
sepultamento e do túmulo vazio. A seleção desses episódios é uma
característica significativa da obra de Lucas, mesmo que a presença de
personagens femininas não seja exclusiva deste evangelista.
Nos Atos dos
Apóstolos,
a mesma atenção se estende à vida comunitária: Maria, mãe de Jesus, é
lembrada entre os fiéis reunidos em oração; Tabita é descrita por meio
de suas obras de auxílio; Lídia, uma vendedora de púrpura, acolhe os
missionários em Filipos; Priscila aparece com Áquila em meio à pregação
cristã. A presença dessas figuras nos ajuda a compreender a diversidade social
das primeiras comunidades, mas não prova que Lucas as conhecia pessoalmente.
Jerusalém, o
Espírito e a Missão.
A conexão entre o
Evangelho e os Atos dos Apóstolos é particularmente evidente em suas
respectivas conclusões e aberturas.
O Evangelho
termina com os encontros de Cristo ressuscitado com os discípulos que o
aguardavam em Jerusalém; os Atos retomam a narrativa, colocando a Ascensão no
início e descrevendo o Pentecostes.
A diferente
estrutura narrativa dos eventos suscitou discussões sobre sua sequência
cronológica. A principal continuidade diz respeito à missão: o que Jesus
anuncia e realiza no Evangelho é proclamado por suas testemunhas nos Atos dos
Apóstolos.
O discurso de
Pedro no Pentecostes,
a pregação de Estêvão, o encontro de Filipe (o diácono, não o apóstolo) com
o oficial etíope, a conversão de Cornélio e a assembleia em
Jerusalém ilustram progressivamente a entrada de novos grupos na comunidade
cristã.
A missão de Paulo, então, ocupa
grande parte da obra. Este não é um relato completo de toda a história da
Igreja primitiva: muitas comunidades e inúmeros protagonistas são lembrados
apenas marginalmente ou não são mencionados. A seleção dos eventos se encaixa
em um plano narrativo que acompanha a propagação da mensagem de Jerusalém a
Roma.
Um papel
recorrente é atribuído ao Espírito Santo, apresentado como princípio de
discernimento e ímpeto para a missão. O Espírito intervém nas narrativas da
infância, no ministério de Jesus e, com particular ênfase, nos Atos dos
Apóstolos. Essa continuidade contribuiu para a leitura eclesial dos dois livros
como uma única e grande narrativa da história da salvação.
A figura de Paulo
no Relato dos Atos dos Apóstolos:
A imagem de Paulo
apresentada nos Atos dos Apóstolos deve ser comparada com as cartas
consideradas autênticas. Os Atos descrevem seu passado como perseguidor, sua
mudança de rumo a caminho de Damasco, suas missões na Ásia Menor e na Grécia,
seus confrontos com as autoridades judaicas e romanas e sua transferência final
para Roma. As cartas nos permitem ouvir a voz direta de Paulo sobre alguns dos
mesmos assuntos, mas, por vezes, oferecem uma cronologia ou ênfase diferente. A
comparação entre Gálatas 1-2 e Atos 9, 11 e 15 é um exemplo clássico desse
problema.
As diferenças não
exigem que neguemos completamente o valor histórico dos Atos, nem justificam
tratá-los como uma transcrição literal dos eventos. O autor
seleciona, organiza e interpreta o material de acordo com as convenções da
historiografia antiga e seus próprios interesses religiosos.
Os discursos
atribuídos aos protagonistas, em particular, também devem ser avaliados como
composições literárias inseridas no relato. A importância da obra reside na
preservação de tradições preciosas sobre as origens cristãs, e não na ausência
de mediação narrativa.
Santo Irineu e a
Estabilização da Atribuição:
Santo Irineu de
Lyon, na segunda metade do século II, oferece um testemunho fundamental para a
história da atribuição do terceiro Evangelho. No terceiro livro de Adversus
haereses, ele associa Lucas a Paulo e o coloca ao lado dos outros
evangelistas em uma reconstrução das origens dos quatro Evangelhos. Em outra
passagem do mesmo livro, ele invoca as seções em primeira pessoa dos Atos dos
Apóstolos e as cartas paulinas para sustentar a proximidade de Lucas com o
apóstolo. Seu raciocínio demonstra que, mesmo em sua época, a identificação do
colaborador de Paulo com o autor do Evangelho e dos Atos dos Apóstolos fazia
parte de uma complexa tradição eclesiástica.
São Lucas, dos
Evangelistas, demonstra ser o mais “humanista”, “compreensivo”, “acolhedor” e “pastoral”:
“Teófilo” (um nome
grego que significa "Amigo de Deus") é um ícone dessa categoria de
pessoas. Pode ter sido uma pessoa que realmente existiu, ou, apenas um “símbolo”?
Bem... Tanto faz.
O que importa é
que São Lucas, ao escrever, tem em mente as pessoas e comunidades localizadas
em grandes cidades, onde havia fortes contrastes sociais, com uma minoria
privilegiada e uma maioria excluída e marginalizada.
Ele escreve para
pessoas de diversas origens culturais, com muitas barreiras e preconceitos
mútuos, o que dificultava a convivência.
As mulheres não
eram reconhecidas em sua dignidade.
A fome de pão e de
relações sociais mais justas era certamente sentida profundamente.
Ele escreve para
uma comunidade que conhece dúvidas, crises, desânimo, que se sente uma minoria
insignificante diante da imensidão do Império.
A atenção de São Lucas
aos encontros de Jesus com os samaritanos deve ser vista sob uma perspectiva
missionária: sua missão a eles marca o início de sua missão entre os não judeus
e faz parte do plano de Deus.
Não há exclusões:
com Jesus, o tempo da salvação chegou para todos, inclusive para aqueles que
eram desprezados.
Deve-se notar,
porém, que em Lucas, a superação da exclusão e a adoção de uma perspectiva
universal são acompanhadas por uma clara atitude positiva em relação ao povo
judeu, sua religião e cultura. A missão é universal, mas começa em Jerusalém.
Uma curiosidade “humanística”
a respeito de São Lucas:
Com o seu
Evangelho, São Lucas quis dar à história da humanidade, considerada pelo
filósofo grego Heráclito como "um jogo de dados jogado por crianças"
(fragmento 52), um significado em Jesus Cristo, o coordenador desse emaranhado
de acontecimentos, salvador do mal e do absurdo que se escondem nos assuntos
humanos, o "evangelizador" da esperança, da liberdade e da alegria.
Esta citação do Cardeal Ravasi resume a importância do grande evangelista
Lucas, cujo nome já sugere o portador da luz.
Pádua, Tebas e a
Memória das Relíquias.
A veneração do
corpo atribuída a São Lucas na Basílica de Santa Giustina, em Pádua, representa
um dos aspectos mais significativos da história do seu culto.
A ligação com
Tebas, na Beócia, e com Constantinopla faz parte da tradição das transladações,
também mencionada por São Jerônimo.
O percurso que
levou as relíquias a Pádua é objeto de reconstruções históricas, mas as suas
fases individuais não estão igualmente bem documentadas. A existência de uma
veneração antiga e a possibilidade de reconstruir a proveniência material dos
restos mortais sem lacunas são questões distintas.
Ao que tudo indica
(conforme a Tradição), São Lucas permaneceu celibatário por toda a vida, não
teve filhos e morreu (sem qualquer menção ao seu martírio) em Tebas, na Beócia
(na atual Grécia), aos 84 anos, tendo sido sepultado lá.
Entretanto, segundo Gaudêncio de Bréscia (século IV, PL XX, 962) e São Gregório de Nazianzo, ele foi martirizado em Patras (na atual Grécia) junto com o apóstolo Santo André; essa versão é a mais adotada pela Igreja, tanto que, em sua Festa, a cor dos paramentos litúrgicos é vermelha, a cor dos mártires.
De acordo com o
relato de São Jerônimo (De viris illustribus 7), seus ossos foram
transportados para Constantinopla. Seus restos mortais chegaram então a Pádua,
onde ainda permanecem na Basílica de Santa Justina; apenas sua cabeça é
preservada em Praga.
Em 2000, São João
Paulo II dirigiu uma mensagem ao Arcebispo de Pádua por ocasião da festa de São
Lucas e do congresso internacional dedicado ao evangelista.
O pontífice
recordou especificamente a tradição do sepultamento em Tebas, a transladação
para Constantinopla e a subsequente presença das relíquias em Pádua,
distinguindo o relato tradicional da investigação histórica ainda em curso.
Ele também
recordou o exame do corpo venerado e o pedido do Arcebispo Ortodoxo de Tebas
para receber uma parte das relíquias. Este episódio documenta a vitalidade
contemporânea do culto e seu significado ecumênico, sem, contudo, resolver
automaticamente todas as questões de autenticidade histórica.
Ele é venerado como Santo pela Igreja Católica (com o título de “Evangelista”) e pela Igreja Ortodoxa (com os títulos de “Apóstolo” e “Evangelista”).
Mais detalhes
sobre suas relíquias:
Segundo São
Jerônimo, os ossos de São Lucas foram transportados para Constantinopla, na
famosa Basílica dos Santos Apóstolos, após meados do século IV; seus restos
mortais chegaram então a Pádua, onde ainda se encontram na Basílica de Santa
Giustina.
O abade do
mosteiro, Domenico, e o bispo de Pádua, Gerardo Offreducci, juntamente com o
Papa Alexandre III, reuniram-se para certificar que o corpo era de fato o do
santo evangelista. A mesma fonte, aliás, relata que sua relíquia chegou a Pádua
junto com a de São Matias na época do imperador romano Flávio Cláudio Juliano
(361-363); outros escritos, por sua vez, datam a transferência para o século
VIII durante uma perseguição iconoclasta.
Parte de seu
crânio foi transferida da Basílica de Santa Giustina para a Catedral de São
Vito em Praga no século XIV por testamento de Carlos IV de Luxemburgo, então
rei da Boêmia.
Uma costela do
corpo do santo foi doada em 17 de setembro de 2000 ao Metropolita Hieronymos da
Igreja Ortodoxa Grega de Tebas.
Outra relíquia da
cabeça existe no Museu Histórico e Artístico "Tesouro" na Basílica de
São Pedro no Vaticano.
Um relicário
contendo outra parte da cabeça de São Lucas é guardado em Cremona, na igreja de
mesmo nome, administrada pelos Padres Barnabitas.
Padroeiro também
dos pintores e iconógrafos.
Uma antiga
tradição cristã afirma que Lucas foi o primeiro iconógrafo e que pintou imagens
da Virgem Maria, de Pedro e de Paulo.
A tradição de que
Lucas foi pintor e fundador da tradição artística cristã surgiu no contexto da
controvérsia iconoclasta (730-843).
Os retratos
pintados (ou, supostamente pintados) por Lucas foram preservados durante
séculos em Roma e Jerusalém, dando origem a uma verdadeira escola de retratos
religiosos.
Os teólogos da
época provavelmente escolheram Lucas porque, entre os evangelistas, ele era o
mais preciso em suas descrições de figuras sagradas, preenchendo assim diversas
lacunas nos outros "sinópticos".
Deve-se
acrescentar que foi o próprio Lucas quem fez questão de recordar, no prólogo de
seu evangelho, que havia sido muito escrupuloso na coleta de informações de
"testemunhas oculares" (1, 1-4), e aqui ele pensa em particular na
própria Mãe de Jesus.
Ele foi, de fato,
o único a incluir na narrativa informações precisas sobre a Virgem e a infância
de Jesus.
Por outro lado,
seu papel como médico sugeria familiaridade com a pintura, que, na tradição da
Antiguidade Tardia, e não só nela, era considerada uma ferramenta essencial
para a reprodução, em repertórios ilustrados, de plantas medicinais e corpos
humanos.
Os próprios
artistas sempre necessitaram de certo conhecimento botânico para a criação de
cores.
Muitas imagens
bizantinas são atribuídas a ele, incluindo:
- O ícone de Nossa Senhora de
Częstochowa, em latim Imago thaumaturga Beatae Virginis Mariae Immaculatae
Conceptae, em Claro Monte, em eslavo eclesiástico Ченстоховская икона
БожиеМатери, Čenstohovskaja ikona Božiej Materi.
- O ícone da Theotokos de Vladimir
(em grego: Θεοτόκος του Βλαντιμίρ, Theotókos tou Blantimír), também conhecida
como Nossa Senhora de Vladimir ou Virgem de Vladimir (em russo: Владимирская
Богоматерь, Vladimirskaja Bogomater').
- A Madonna de Constantinopla,
localizada na Basílica de Santa Giustina em Pádua, é zelosamente guardada
porque está em mau estado. Diz-se que o sacerdote Urio, custódio da Basílica
dos Doze Apóstolos em Constantinopla, a trouxe para Pádua, para Santa Giustina,
juntamente com o corpo de Lucas e as relíquias de São Matias, entre os séculos
VIII e IX, para salvá-las da fúria iconoclasta.
- Uma antiga imagem da Virgem,
conhecida como Salus populi romani, conservada na Basílica de Santa
Maria Maior, na Capela Paulina, à esquerda do altar central. O ícone da Madona
está colocado no altar dentro de uma moldura de anjos que a carregam em glória,
resplandecente contra o fundo turquesa de um céu azul-lápis-lazúli. As letras
gregas que se destacam em ambos os lados da Virgem são, novamente, a abreviação
de seu título, Mãe de Deus, uma afirmação invertida e idêntica da divindade de
Jesus.
- A Madona de São Lucas em Bolonha.
Por que tem um “touro” nas representações e pinturas iconográficas de São Lucas?
O touro alado
deriva do sistema simbólico dos quatro seres viventes de Ezequiel e do Livro do
Apocalipse, aplicado aos quatro evangelistas pela tradição exegética cristã.
Para Lucas, a
conexão também foi explicada pelo início de seu Evangelho, situado no contexto
sacerdotal de Zacarias e do culto no templo.
Na iconografia
cristã, o boi ou touro pode aparecer sozinho, ao lado do evangelista, ou como
um ser alado segurando um livro.
A associação
tradicional remonta à interpretação cristã das visões de Ezequiel e do Livro do
Apocalipse, nas quais aparecem quatro seres viventes.
A atribuição de
símbolos aos evangelistas individuais passou por diversas formulações na
Antiguidade antes de se consolidar na combinação mais familiar à arte
ocidental.
A presença do
touro em uma representação não indica uma profissão ou um episódio da vida de
Lucas, mas uma leitura simbólica de seu Evangelho.
Curiosidades
- Lucas é o único
evangelista a quem a tradição também atribui um segundo livro do Novo
Testamento, os Atos dos Apóstolos.
A narrativa da
infância de Jesus no terceiro Evangelho inclui os cânticos do Magnificat e do
Benedictus, que se consolidaram na Liturgia das Horas.
A tradição de
Lucas como pintor fomentou o surgimento de guildas e confrarias artísticas sob
seu patrocínio.
Cronologia
- Século I d.C. - Período em que Lucas,
mencionado nas cartas do Novo Testamento, viveu.
- Segunda metade do século I - Atividade
missionária de Paulo, à qual a tradição associa Lucas.
- Por volta de 80-90 d.C. - Datação
proposta por muitos estudiosos para a composição do Terceiro Evangelho, sem
unanimidade.
- Final do século I ou início do século II
- Uma das faixas cronológicas propostas para a composição dos Atos dos
Apóstolos.
- Segunda metade do século II - Irineu de
Lyon atribui o Terceiro Evangelho a Lucas.
- Entre os séculos II e IV - Formação e
consolidação de antigos testemunhos sobre a atribuição das obras a Lucas.
- Século IV - Eusébio de Cesareia relata a
origem de Lucas em Antioquia.
- Final do século IV - Jerônimo transmite
informações tradicionais sobre a vida e a transladação das relíquias.
- 26 de junho de 1912 - A Pontifícia
Comissão Bíblica publica respostas sobre a autoria e a datação do Evangelho
segundo Lucas.
- 12 de junho de 1913 - A Pontifícia
Comissão Bíblica publica respostas sobre a autoria e a composição dos Atos dos
Apóstolos.
- 17 de outubro de 2000 – São João Paulo
II envia uma mensagem ao Arcebispo de Pádua por ocasião da festa de São Lucas e
das iniciativas relativas às relíquias.
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