MISTÉRIOS GOZOSOS
Ó Jesus, meu amor!
Ó, minha amada esposa, Maria Santíssima! Eu nada sabia, ainda, sobre a realização
do sagrado Mistério da Encarnação. Como todo judeu devoto, também eu aguardava
e ansiava a vinda do Messias. Porém, mesmo eu sabendo que Maria era muito santa
e pura perante os olhos de Deus, eu jamais imaginaria que Ela era a eleita do
Senhor para ser a Mãe do Filho de Deus vivo, o Redentor de Israel e do mundo, e
eu seu futuro pai nutrício e putativo.
Eu Vos rendo graças pelas maravilhas que realizastes, ó Deus, em minha vida e por terdes olhado para este vosso humilde servo. Sem ainda o saber, já estáveis, ó Deus, conosco e no meio de nós!
II - VISITAÇÃO DE MARIA À CASA DE SANTA ISABEL E A JUSTIFICAÇÃO DE SÃO JOÃO BATISTA.
Acompanhei minha
amada esposa, Maria, em sua viagem a Haim-Karim, à casa de Zacarias e
Isabel. Saudei Zacarias e retornei. Não entrei na casa. Não assisti ao encontro
entre Maria e Isabel. Não sabia, ainda, que Vós, ó Verbo Eterno do Pai, havíeis
vos encarnado no ventre virginal de Maria e que a vossa presença encheu as
almas de Isabel e do futuro Precursor do Messias, que ainda estava no ventre de
sua mãe, Isabel.
Mas, tão logo que
a mim, por meio de um anjo, em sonhos, me foram revelados os Santos Mistérios
da Encarnação e da gravidez virginal de Maria, eu imediatamente acreditei e me
coloquei como zeloso servo e guardião do Verbo Humanado e das puríssimas
Virgindade e Maternidade de Maria, assumindo o futuro Messias, perante a Lei de
Moisés, perante nossos parentes e todo o povo de Israel, como seu pai
“legítimo” (embora eu bem soubesse que Ele era o Unigênito do Pai) e defensor.
Ó Senhor! Eu vos
rendo graças por vossa infinita misericórdia!
III - NASCIMENTO
DE JESUS NA HUMILDE GRUTA DE BELÉM.
Mas, também,
quanta aflição senti ao chegarmos a Belém, com minha amada esposa Maria, já em
vias de dar à luz. Não encontrei, como tanto queria, um lugar digno para Ela
repousar. Todas as hospedarias e casas de parentes estavam ocupadas. A cidade
estava repleta de pessoas que vieram para o recenseamento.
Mas a Divina
Providência queria que nascêsseis, ó Jesus, pobre e despojado de tudo. Assim,
encontrei um humilde abrigo para animais – um estábulo – nos arredores de Belém
e, nele, Vós nascestes, meu lindo e precioso Menino, e fostes colocado numa
manjedoura, coberta por palhas conseguidas por mim, e pelos paninhos que Maria
havia tecido e levado na viagem.
Foi o melhor que
conseguimos para Vós, ó Jesus amado! Mas, o meu castíssimo e amantíssimo
coração, bem como o Coração Imaculado de Maria, em nosso puro amor por Vós,
foram para Vós “novos Céus”, onde Vós encontrastes alegria, paz e descanso.
Vosso novo Éden, um “paraíso de delícias”, onde Vós, o Novo Adão, vos
deleitáveis.
E, naquele humilde
presépio, onde vós estáveis, logo as legiões angélicas desceram do Céu para
ali, naquele lugar tão simples, mas, tão cheio de puro Amor, vos louvar com
seus hinos e cantos.
Obrigado, ó Jesus, por todas as maravilhas que meus olhos contemplaram naquela santa e felicíssima noite!
IV - APRESENTAÇÃO DO MENINO JESUS NO TEMPLO E A PURIFICAÇÃO, CONFORME A LEI DE MOISÉS, DA VIRGEM MARIA.
Ó Jesus, meu Santo
e Doce Menino, quarenta dias após o vosso nascimento, eu e Maria subimos a
Jerusalém para vos apresentar ao Pai Celeste no templo. Para nós, era uma ocasião
de muita alegria e responsabilidade.
Estávamos com
nossos corações ardendo de puro amor, imensa devoção e profunda reverência.
Éramos pobres. Só podíamos oferecer um par de pombinhos em sacrifício.
Mas, o nosso amor
era a nossa maior riqueza. A humildade de Maria e sua obediência à vontade de
Deus – em cumprir o rito da purificação, sendo Ela imaculada e puríssima – são os maiores tesouros que já foram oferecidos a Deus no templo, desde o dia em que foi
construído por Salomão.
Ó Jesus! Estávamos
em júbilo! Mas, uma espada de dor transpassou o Coração Imaculado de Maria e o
meu castíssimo coração ao ouvirmos de Simão a profecia de que Vós, Jesus
amantíssimo, seríeis causa de soerguimento. Mas, também, de queda para muitos
em Israel, isto é, que muitos não vos amariam... Pior: até vos rejeitariam,
odiariam e perseguiriam, Jesus.
Oh, Jesus, mais uma vez, agora na glória celeste na qual me encontro, ao vosso lado, eu vos louvo e vos dou graças por vossa infinita misericórdia em terdes assumido nossa humanidade e dado a vossa vida por nós!
V - ENCONTRO DO MENINO JESUS ENTRE OS DOUTORES DA LEI, NO TEMPLO DE JERUSALÉM.O tempo foi passando... Todos os anos, eu, Maria e Jesus íamos ao templo para prestar ao Senhor nossa adoração e homenagens. Mas, aquele ano, no qual Vós completastes 12 anos de vida aqui na terra, seria diferente. Havia chegado o momento de vosso “Bar Mitzvah”, no qual seria proclamada, ó Jesus, a vossa maioridade perante os doutores da Lei, os rabinos e todo o povo de Israel.
Durante 3 dias, meu amado Jesus, eu e minha Santíssima e Imaculada Esposa vos procuramos, aflitos e angustiados, temerosos que algo de mal tivesse sido feito contra Vós, ou, se tínhamos feito algo que não vos agradou e, por isso, nos abandonastes... Oh! Quanta alegria foi ver-vos novamente, são e salvo, no Templo de Jerusalém, entre os mestres e doutores da Lei, manifestando-lhes vossa admirável e infinita Sabedoria, visto que éreis a própria Palavra Viva de Deus Pai.
Mas, se me permitis, meu Senhor, faço aqui um comentário no mínimo "curioso": o próprio Deus Todo-Poderoso, o Autor da vida, a Sabedoria Encarnada e Senhor da Lei, submeter-se por obediência à Lei e por humildade, serdes arguido para “provar” perante aqueles homens que domináveis o conhecimento das Escrituras. Realmente, algo admirável, tanto que Maria Santíssima e eu, por bastante tempo, em nossas orações e contemplações, volta e meia pensávamos e meditávamos sobre o ocorrido. Sim! Éramos vossos pais, mas, Vós, Jesus, já éreis o nosso Mestre.
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I - O BATISMO DE JESUS NO RIO JORDÃO, POR SÃO JOÃO BATISTA.
Tudo que contemplarei aqui eu não presenciei ou vi diretamente. Um pouco antes de Jesus começar sua vida pública, Deus me chamou para a eternidade e eu já estava no seio de Abraão, na mansão dos mortos. Mas, a respeito dos mistérios da missão messiânica de Jesus, vez por outra anjos vinham ao limbo para nos falar sobre os acontecimentos. Tínhamos acesso a muitas informações (não totalmente, pois, só no Céu gozamos do pleno conhecimento), o que nos tornava ainda mais ansiosos pela nossa redenção, que em breve ocorreria.
Soubemos que João Batista iniciara sua missão de precursor do Messias. Oh! E saber que o Messias moraria comigo — e durante trinta anos. Como eu O amava! Era meu Senhor e meu Deus, mas, também, era meu Menino!
Jesus, ao completar 30 anos de idade, compareceu perante João para receber o batismo de conversão. Claro que Ele, por ser Deus e imaculado em sua natureza humana, não precisava de conversão e nem de batismo... Mas era necessário, pois, como Redentor do gênero humano, Jesus assumiu sobre Si os pecados, misérias e doenças de toda a humanidade.
Como se fez aos homens semelhante — exceto no pecado —, como se fosse um deles, humildemente pediu o batismo a João. Como se fosse um “pecador”, aproximou-se dele, entrou na água e foi batizado. Esse gesto de humildade e de amor infinitos do Senhor abriu o Céu. E a voz do Pai fez-se ouvir e o Espírito Santo, em forma de uma pomba, desceu sobre Jesus. Jesus, ungido, como homem, pelo Espírito Santo e cheio dEle, torna-se Cristo e Messias. E, em nome de toda a humanidade, é levado pelo Espírito ao deserto, para orar, jejuar e, depois, ser tentado pelo diabo.
Ó, Jesus! Que toda a humanidade Vos adore e seja grata por vossa infinita misericórdia! Quem poderá compreender o abismo de vosso infinito amor? Mesmo as mentes angélicas não compreendem toda a extensão de vossa bondade e misericórdia. E nós, agora no paraíso, passaremos a eternidade contemplando, adorando e louvando a vossa infinita misericórdia.
II - AS BODAS EM CANÁ DA GALILEIA.
Maria Santíssima, minha esposa, foi convidada para uma bodas em Caná da Galileia. Engana-se terrivelmente quem tenta desvincular a Virgem Maria de Jesus. É impossível. Maria está perpetuamente unida a Jesus e Jesus está perpetuamente unido a Maria. Portanto, sempre onde está Maria, está Jesus. Onde está Jesus, está Maria.
Sendo assim, como Maria foi convidada a estar nas bodas de Caná, Jesus, certamente estaria “automaticamente” chamado também. E, mesmo que Ele não estivesse, Maria daria “seu jeito” de trazer Jesus consigo...
Maria sempre foi uma esposa e mãe atenta a tudo em nosso lar, em Nazaré e no Egito. Era uma “dona de casa” exemplar e fazia suas tarefas diárias com gosto, alegria e muito amor. Sua vocação sempre foi servir a Deus e, também, ao próximo.
Nas bodas de Caná, apesar de convidada, Maria, em sua humildade e amor, estava servindo na cozinha e em meio àqueles que estavam responsáveis pela administração da festa. Ela fácil e rapidamente percebeu que o vinho estava se esgotando... Maria sabia que a hora de Jesus manifestar seu poder, por meio de milagres e curas, não havia começado. Mas, Ela é Mãe e toda boa mãe é solícita. Ela jamais ficaria “inerte” diante daquela situação que causaria aos noivos e à sua família um grande vexame e vergonha. Ela precisava fazer alguma coisa... Foi aí que Ela “desabafou” com Jesus: “Eles não têm mais vinho”...
À primeira vista, a resposta de Jesus soaria desanimadora e, até, desapontadora, mas Maria conhecia seu Filho. Ela sabia que Ele, até mais do que Ela, pois era Deus, amava aquela família em festa. Além do mais, Jesus era louco de amor por sua Mãe e nada seria capaz de negar-lhe. Além disso, Maria sabia que aquele momento era propício para Jesus manifestar seu poder como Deus, especialmente diante de seus discípulos, que também estavam presentes. Mas ainda: aquele era um bom momento para também Ela dar um importante “recado” a todos aqueles que, no presente e no futuro, haveriam de ouvir sua palavra e a boa nova da salvação: “fazei tudo o que Ele vos disser”.
Assim, Jesus, sem “pestanejar”, ordena que fossem enchidas seis talhas de pedra, com 120 litros de água cada, e transformou toda essa água em delicioso vinho. Jesus não realizou esse milagre diante de todos os convidados. Somente os serventes e os discípulos o testemunharam. Portanto, para esses assistentes, ficou claro que Jesus não era um “homem comum”. O evangelista São João completa: “e os discípulos creram nele.
Que todos aqueles que servem e seguem a Jesus creiam em seu infinito poder e em sua infinita misericórdia. E que jamais dissociem Maria de Jesus e nem Jesus de Maria, para sempre unidos por Deus como Mãe e Filho, como Filho e Mãe que se amam infinitamente. Amém.
Após os eventos de seu Batismo e das bodas de Caná, Jesus começou a caminhar pelas cidades, vilas e aldeias da Galileia e Judeia, pregando a chegada do Reino de Deus e convidando todos à conversão. Seu ministério, como Messias, antes de sua Paixão e Morte de cruz, foi de infinita misericórdia, acolhendo os pecadores, os enfermos e os possuídos pelo demônio, libertando-os do pecado, curando-lhes as doenças e expulsando o diabo de suas vidas.
Oh! Como são belos os pés do mensageiro que anuncia a paz (Romanos 10, 15)! Não vi os feitos de Jesus em sua vida pública, enquanto os fatos ocorriam, visto que estava na mansão dos mortos, mas, como já falei, os anjos, vez por outra, nos informavam sobre o que estava acontecendo. Mas, quando a Alma Santíssima de Jesus veio nos visitar e libertar do limbo, Ele, num relance, nos mostrou toda a sua santíssima vida e obras. Oh! Quando nós, santos e justos do Antigo Testamento, vimos tudo isso, já foi um Céu antecipado para nós, Céu esse que veríamos logo a seguir, quando Jesus nos conduziu para lá com Ele.
Jesus, agora, no Céu, nós, vossos santos e santas, contemplamos com horror a situação do mundo e de multidões de almas. Vemos como, pela maioria dos homens e mulheres, não sois conhecido, quanto mais amado e adorado. Vemos também quanta tibieza há nos corações de muitos de vossos filhos e filhas, membros de vosso Corpo Místico, a Igreja. Por isso que oramos incessantemente ao vosso Sagrado Coração, pedindo por essas almas, reparando suas ofensas e impetrando graças de libertação, conversão e salvação.
Ó, meu amado Jesus, que o mundo vos ouça! Que ouça a vossa voz, escrita nos Santos Evangelhos e nas Cartas de vossos Santos Apóstolos! Somente através de vossa Palavra alcançarão a salvação, meu Senhor! Tende misericórdia! Iluminai, abençoai e derramais vosso Espírito Santo sobre os missionários e pregadores da Verdade Eterna, para que suas palavras sejam “palavras de fogo”, fogo esse que purifique, aqueça e ilumine a todos os que, como disse São Zacarias, “jazem entre as trevas e na sombra da morte estão sentados” (Lucas 1, 79).
Aproximavam-se os dias, ó Jesus, nos quais passaríeis pela perseguição, pela traição, pela prisão, por várias torturas e pela paixão e morte de cruz. Vossa Alma Santíssima, por pura misericórdia, sentiu necessidade de que vos revelásseis aos vossos amados apóstolos Pedro, Tiago e João, as principais colunas do grupo apostólico. Conhecíeis suas fraquezas: covardia, inconstância, desconfiança e impulsividade. Eram bons homens, mas, não tinham ainda o dom do Espírito Santo, por isso que eram fracos.
Levastes Pedro, Tiago e João para o monte Tabor, um belo monte próximo a Jerusalém, para orar, e, lá, Vós vos transfigurastes perante eles. Vosso rosto tornou-se luminoso como o sol e vossas vestes mais brancas que a neve (Mateus 17, 1-3; Marcos 9, 3-4; Lucas 9, 28). Oh! Que espetáculo encantador. Nós, no limbo, não o assistimos, mas, de repente, vimos anjos chegando e convocando Moisés e Elias para que o seguissem. Suas almas foram levadas até o Tabor para vos verem, contemplarem e falarem convosco (Mateus 17, 4; Marcos 9, 4; Lucas 9, 30-31).
Como narrado nos Evangelhos, conversaram convosco, Jesus, sobre a morte que em breve sofrerias e sobre a Redenção do gênero humano que se concretizaria. Nós, almas dos patriarcas, profetas e demais santos e justos do Antigo Testamento, de forma alguma queríamos a vossa morte; no entanto, sabíamos, por força da revelação divina, que ela era necessária para a nossa remissão e libertação, para que a filiação adotiva de Deus nos fosse restaurada e pudéssemos um dia ir para o Céu.
Foi um momento solene. Quando Moisés e Elias voltaram para a mansão dos mortos, nos contaram tudo. Ficamos maravilhados com o que nos contaram. Descreveram a vossa beleza arcana, o vosso olhar majestoso e misericordioso, bem como que ouviram, também eles, a voz do Pai Eterno, Yahweh-Deus, que vos apontava e descrevia como seu Filho muito amado, objeto de todo o seu amor e afeição (Mateus 17, 5; Marcos 9, 7; Lucas 9, 35) e que todos deveriam ouvir-Vos.
Ó, Jesus, tende misericórdia de todos os que ainda não conseguiram ou não conseguem vos “enxergar” nos Santos Evangelhos, na vida da Igreja e nem nos acontecimentos e fatos do dia a dia. Jesus amado, derramais sobre essas almas a força onipotente de vossa infinita misericórdia e abri-lhes os olhos, para que vos enxerguem e reconheçam, Senhor. Não permitais, mesmo que o mereçam, que permaneçam mais tempo “cegos” perante a vossa luz e “surdos” diante de vossa voz. Amém.
V - A INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA NA SANTA CEIA.
Jesus, aproximando-se o momento de vossa Paixão e Morte de cruz, Vós, o novo Cordeiro Pascal, o Cordeiro de Deus, para que as Escrituras se cumprissem até o fim e toda antiga Páscoa também fosse cumprida, vos reunistes com vossos apóstolos no Cenáculo de Jerusalém para a Santa Ceia, onde instituístes o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, que sois Vós mesmo realmente presente em Corpo e Sangue, Alma e Divindade no pão e no vinho consagrados (Mateus 26, 18-20.26-28; Marcos 14, 12-16. 22-24; Lucas 22, 7-15, 17-20).
Ó, Jesus! Vós esgotastes a vossa onipotência em mais esse milagre de vossa infinita bondade e misericórdia! Vós, sendo Deus e homem verdadeiros, assumistes as aparências do pão e do vinho, fazendo-vos presente nessas espécies, tão real e verdadeiramente como estais no Céu. Que mente humana ou angélica seria capaz de imaginar que faríeis isso? Para nós, já era além de nossa compreensão o Mistério da Encarnação, quando Vós, ó Verbo Eterno, assumistes a nossa humanidade, tornando-vos verdadeiro homem, semelhante a nós em tudo, menos no pecado. Agora, fostes mais além, muito mais além: vos tornastes alimento: pão e vinho, para alimentar, nutrir e salvar as felizes almas que vos receberiam com amor e devoção no Sacramento do Amor.
Ó, filhos e filhas adotivas de Deus Pai, irmãos e irmãs do Filho e templos do Espírito Santo, não sois capazes de entender o quão grande é esse Mistério e esse Sacramento! Nenhum dos Santos Anjos, em mesmo os mais poderosos e gloriosos do Céu, nenhum dos santos e dos justos do Antigo Testamento, nem mesmo eu, pudemos e nem poderíamos receber a Jesus Sacramentado, e vós podeis! Oh! A eternidade será pequena para que possais louvar, agradecer e louvar à infinita misericórdia divina por ter criado a Sagrada Eucaristia.
Esforçai-vos, filhos e filhas de Deus, membros do Corpo Místico de Cristo, esforçai-vos por receber esse Sacramento Santíssimo com o máximo de amor e zelo possíveis. Purificai as vossas almas antes de recebê-lo. Confessai-vos com frequência. Preparai-vos bem, para que, comungando o Corpo e Sangue do Senhor, não comais ou bebais a vossa própria condenação (1 Coríntios 11, 29). Jesus está no Santíssimo Sacramento com o seu amor e misericórdia. Mas é necessário que vossas almas estejam bem dispostas para O acolherem como Ele o merece...
MISTÉRIOS DOLOROSOS
I - A AGONIA
MORTAL DE JESUS NO HORTO DAS OLIVEIRAS.
Ó Jesus meu,
quando passastes por vossa Sagrada Paixão e Morte, já havia deixado este mundo
e estava, com os demais patriarcas, profetas e justos do Antigo Testamento, bem
como com o vosso santo precursor João Batista, na mansão dos mortos. Moisés e
Elias, que haviam Vos encontrado no Monte Tabor, já haviam nos falado sobre o
que aconteceria convosco, meu amantíssimo Jesus, muito em breve, em Jerusalém,
por ocasião da Páscoa. Isaías, séculos antes de vossa Encarnação, já havia
profetizado tudo que Vós passaríeis nas mãos dos vossos inimigos, incitados por
Satanás e seus demônios no inferno.
Meu coração de pai
não suportaria ver-Vos sendo rejeitado, traído, odiado, perseguido, preso e
sofrendo os atrozes tormentos que vos aguardavam por causa do Amor infinito que
tendes pelo gênero humano.
Quando Vós, meu
amantíssimo Senhor e Deus, meu “Menino” tão lindo, ternura de minha alma,
estáveis em oração no Horto das Oliveiras, sendo esmagado pelo peso dos pecados
de toda a humanidade, de todos os tempos, e pela Justiça de Deus Pai, como se
fôsseis Vós o culpado por toda a maldade humana, eu, do Limbo, acompanhava
aflito as angústias, dores e o terror que se abateram sobre vosso Corpo,
Coração e Alma.
Como gostaria de
ter-Vos consolado, meu adorado Filho e Senhor! No entanto, não havia como...
Até porque, estáveis também nos salvando – a nós, que aguardávamos a Redenção
na Mansão dos Mortos – e nos redimindo, para que em breve pudéssemos sair desse
lugar de exílio e irmos convosco para o Céu.
Ó Jesus meu, muito obrigado por vossa infinita Misericórdia!
II - A FLAGELAÇÃO
DE JESUS.
Ó Jesus amando,
mesmo sabendo que sois nosso Redentor e Salvador... Mesmo conhecendo as
profecias de Isaías a respeito de Vós, o Servo Sofredor, a contemplação de
vossos sofrimentos na flagelação causou espanto e horror, mesmo a nós, almas
dos justos, que estávamos na Mansão dos Mortos. E olha que não tínhamos acesso
pleno ao conhecimento de tudo que sofríeis... Mas, o que nos foi permitido
saber já era o suficiente para fazer-nos “chorar” copiosamente, lastimando o
quanto foi preciso que Vós sofrêsseis para expiar nossas culpas e os danos dos
pecados de toda a humanidade.
Ó Jesus meu,
obrigado por vossas infinitas Bondade e Misericórdia, como Filho do Eterno Pai
e como Redentor e Salvador do gênero humano! Que vosso preciosíssimo Sangue e
vossas Lágrimas não se percam e o maior número possível de almas se salve, meu
Senhor e meu Deus!
III - A COROAÇÃO
DE ESPINHOS.
E continuaram as
torturas... Fostes submetido, meu amado Jesus, a um inaudito suplício: os
soldados enfurecidos e zombeteiros do iníquo Pilatos vestiram-Vos com um manto
de púrpura (cor da realeza) sujo e rasgado; puseram em vossas mãos um “caniço”,
como se fosse o cetro de um rei e, tecendo uma coroa – na verdade, um
“capacete” – de grandes e agudos espinhos, enfiaram-na em vossa Santíssima
Cabeça e, batendo nela com bastões, aqueles grandes e agudos espinhos não
somente perfuraram o vosso couro cabeludo, mas, também, o osso do vosso crânio,
causando-Vos dores atrozes e excruciantes. Um só desses espinhos seria o
suficiente para Vos fazer desfalecer de dor...
Ó, meu Jesus! Vós bem sabeis que eu, José, vosso pai nutrício e muito amado por Vós, se fosse possível, sofreria por Vós e em vosso lugar, para vos aliviar ou poupar de tão inauditos tormentos. Mas, como isso não me era possível, ofereci, mesmo estando no Limbo, meu amor e lamentações ao Divino Pai, em reparação pela maldade e pecados da humanidade, que foram a causa de vossas torturas e de vossos sofrimentos.
IV - JESUS CARREGA
SUA CRUZ ATÉ O CALVÁRIO.
Ó Jesus, como
Israel vos foi ingrato! Fostes julgado iniquamente no Sinédrio, também por
Herodes (que fez galhofa convosco) e, finalmente, pelo governador romano Pôncio
Pilatos, conhecido por sua crueldade e pouca consideração pelos judeus.
Fostes tratado
como um “criminoso”, um “louco” e, até mesmo, como um “blasfemador”. Fostes
condenado à vergonhosa e crudelíssima morte por crucificação: uma das piores
mortes que a deturpada e maldosa imaginação humana já inventou.
A Cruz vos foi
apresentada. Tremestes? Ficastes aterrorizado? Não! A Cruz era o vosso Amor,
vossa “amiga” tão aguardada e vossa maior glória! A contemplastes e a
abraçastes como a um valiosíssimo tesouro, pois, por meio dela, prestaríeis ao
Pai o vosso maior louvor, a vossa mais perfeita honra, e salvaríeis o gênero
humano, inclusive a nós que aguardávamos, no “seio de Abraão”, a nossa
libertação.
E, com ela aos
ombros, caminhastes, extenuado, acabrunhado pelas dores e pela fraqueza do
Corpo, até o Calvário.
V - A
CRUCIFICAÇÃO, A AGONIA E A MORTE DE JESUS NA CRUZ.
Ó, meu amado
Jesus! Chegou o momento do ápice de vossas dores e de vossos sofrimentos: vossa
crucificação, agonia e morte de cruz.
Nós, no Limbo, não
contemplávamos tudo, mas foi-nos dado perceber e sentir algo do que se passava
no Calvário. Como dissera, Moisés e Elias, enviados por Deus Pai para
conversarem com Jesus no Tabor, no momento da Transfiguração, nos transmitiram
como seriam os sofrimentos pelos quais o Senhor passaria. Oh! Quanto chorei,
meu dulcíssimo Jesus! Eu, vosso pai nutrício, se pudesse, com todo o ardor
preferiria ser crucificado em vosso lugar do que saber que passaríeis por tão
cruel e afrontosa morte!
Mas, eu tinha
plena consciência de que estáveis, ó Jesus, morrendo por nós: as almas que
estávamos no Limbo, pelas almas que estavam no Purgatório e demais homens e
mulheres, que estavam ainda na terra, bem como todos os que viriam a nascer e
existir até o fim dos tempos.
Uma morte triste e lastimável, porém, necessária. O que seria de nós se não fosse a vossa infinita Misericórdia? Ninguém se salvaria! Todos os vossos sofrimentos: as dores excruciantes dos cravos em vossos punhos e pés, vossa agonia e sufocação no martírio lento da cruz, vossa sede intensa, os terrores perante a visão de toda a maldade humana – por saber que muitos se condenariam apesar de vosso Amor –, contemplar as Dores e Lágrimas de nossa amada Maria Santíssima, o passar pela terrível e misteriosa sensação de ter sido abandonado até mesmo por vosso Pai e, finalmente, os últimos batimentos de vosso Sacratíssimo Coração e os derradeiros suspiros de ar em vossos pulmões... Tudo foi necessário. A gravíssima doença da humanidade, o pecado, era tão terrível que necessário se fazia que o “tratamento”, vossa Sagrada Paixão e Morte de Cruz, também fosse igualmente terrível. Ó, Jesus! Quão grande é a vossa Misericórdia!
MISTÉRIOS GLORIOSOS
I – A GLORIOSA
RESSURREIÇÃO DE JESUS.
Oh! Como eu exultei de alegria, junto com todos os Anjos, Santos e Justos vendo-vos Vivo e Ressuscitado! A vossa vitória sobre a morte já nos garantia que, um dia, todos os eleitos um dia ressuscitaríamos, pois vossa Ressurreição prenunciava a vitória sobre a morte, o último inimigo — fruto do pecado de Adão e de Eva — a ser finalmente derrotado.
Ó Jesus amado, meu Senhor e meu Deus, meu "Menino", ver-vos glorioso no Céu, ao lado de vosso Pai e meu Deus, é minha alegria por toda a eternidade!
II – A ASCENSÃO DE
JESUS AO CÉU, PARA SENTAR-SE À DIREITA DE DEUS PAI.
A partir de então, estais para sempre sentado à direita do Pai, por toda a eternidade, onde reinais com Ele e o Espírito Santo, sendo adorado e glorificado pelas multidões angélicas e por todos os coros celestes dos Santos e bem-aventurados.
Vós, ó Jesus meu, sois a glória, o enlevo, a alegria, o prêmio e o gozo de todos os Anjos e Santos, que, sem cessar, "noite e dia", vos louvam e louvarão por toda a eternidade.
E eu, José, vosso pai nutrício na terra, hei de vos adorar, louvar, servir e agradecer por todos os séculos dos séculos!
III – A VINDA DO
ESPÍRITO SANTO SOBRE A IGREJA NASCENTE REUNIDA NO CENÁCULO DE JERUSALÉM.
Nas Sagradas Escrituras (cf. Atos 1, 12-14), o
destaque dado à minha castíssima, imaculada e virginal Esposa, como um dos
membros da santa assembleia da Igreja nascente, significava que ela era a mais
importante pessoa ali presente, a “peça chave”, o poderosíssimo “ímã” que
atrairia a vinda do Divino Paráclito. E foi o que aconteceu. O Pai Eterno e o
Filho Santíssimo, meu Jesus, desejavam mandar o Espírito Santo, mas era justo
e necessário que a Igreja também desejasse, pedisse e suplicasse a vinda do
Consolador. E foi o que eles fizeram, tendo Nossa Senhora, a Mãe de Deus e de
toda a humanidade, como centro da assembleia dos fiéis.
Ó, cristãos! Não deixem e nem cessem de recorrer à
minha Santíssima Esposa, a Sempre Virgem Maria, para que Ela interceda por vós
e suplique ao Pai e ao Filho para que Eles enviem o Santo Espírito sobre vós,
mais uma vez, renovando os dons e graças que recebestes no Batismo e na Crisma,
concedendo-vos as virtudes que são necessárias para amardes a Deus, sendo fiéis
à Sua Vontade, rejeitando o mal e o pecado e praticando o bem!
Ó Jesus! Ó, Maria! Eu um novo Pentecostes aconteça
na Igreja, nestes tempos tão difíceis! Também eu, José, intercedo por vós,
filhos e filhas, meus irmãos e irmãs em Cristo.
IV – A ASSUNÇÃO DA
SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA AO CÉU EM CORPO E ALMA.
Como foi profícua e extremamente necessária essa sua
presença pessoal durante os primeiros anos da Igreja nascente! Ninguém conhecia
mais a Palavra e a Vontade de Deus que Ela. Ninguém tinha mais a presença do
Espírito Santo na alma que Ela. Ela – assim como eu – convivemos com Jesus por
30 anos! Ela conhecia Sua vontade e seus ensinamentos em grau máximo: muito
mais que todos os Apóstolos e os santos discípulos juntos! Suas orações, seus
conselhos e exortações iluminavam e sustentavam os trabalhos apostólicos e
dirimiam as dúvidas que iam surgindo no decorrer de suas atividades pastorais,
missionárias e de divulgação do Evangelho.
Mas, finalmente, após um pouco mais de 6 décadas
sobre esta terra, finalmente chegara o tempo de ela receber, no Céu, a
recompensa e a insondável glória que lhe eram devidas e merecidas. A filha
predileta do Pai, a Mãe amorosíssima e discípula perfeitíssima do Filho e a
Esposa fidelíssima do Espírito Santo devia sentar-se em seu esplendoroso e
magnífico trono ao lado direito de Jesus. E Ela tinha que ir para o Céu em
corpo e alma, visto que não era digno que o corpo da Virgem puríssima e
imaculada viesse à corrupção ou ficasse “preso” na terra, castigo esse dado a
Adão e a Eva, fruto do pecado original, do qual Ela foi concebida completamente
livre e imune. Nem pela experiência da morte (também consequência do pecado de
nossos primeiros pais) Ela merecia passar, porém, por amor ao Filho, que passou
pela morte sem o merecer, e para ser-Lhe ainda mais semelhante, Ela rogou e
suplicou à Santíssima Trindade para morrer.
Claro que sua morte benditíssima não foi uma “morte
qualquer”, causada por uma doença ou por alguma “debilidade” física (visto que,
por ser imaculada, Maria, já sexagenária, conservava a mesma aparência e vigor
físicos de uma mulher de 30 a 35 anos, no máximo), mas, uma “morte de amor”,
causada pelo amor ardente que tinha em seu Coração Imaculado, inflamando-o em
chamas veementes, em grau muito mais elevado do que a de todos os santos e
santas místicos que já existiram ou haviam de existir na história da Igreja ou
da humanidade.
O Coração de Maria era mantido vivo (pulsando) por
um contínuo milagre. Pois bem: chegando o momento de sua partida deste mundo, o
Senhor suspendeu o milagre que a mantinha viva e seu Coração foi consumido
pelas chamas de amor. E sua santíssima Alma foi recebida por Jesus e já
conduzida, diretamente, à glória, sem precisar passar pelo julgamento
particular, visto que não o merecia e nem precisava.
Seu corpo puríssimo foi velado e sepultado pelos
Apóstolos, que prantearam a partida de sua Mãe e Senhora com veemente saudade,
dor e amor. E, no sepulcro onde foi colocado, aguardava a ressurreição da qual
era digna.
À semelhança de Jesus, ao terceiro dia de sua
“dormição” (assim é chamada sua santíssima morte, pois, seu corpo parecia que
estava apenas dormindo), sua Alma santíssima desceu do Céu, cercada por
multidões angélicas e por nós, santos e santas que já estávamos no Paraíso, e
uniu-se àquele puríssimo e imaculado corpo. E, logo em seguida, ambos: corpo e
alma – portanto, todo o seu ser - definitivamente unidos e gloriosos, pelas
mãos das multidões angélicas, foram levados – assuntos – à sua altíssima
glória, ao lado do Trono da Trindade.
Ó filhos e filhas, meus irmãos e irmãs, vós tendes
no Céu uma Mãe que está viva, que é real e que vos ama com profundo e imenso
amor! Tende confiança! A Ela recorrei sempre para que, um dia, gozeis também
vós da visão beatífica de Deus, na glória celeste. Confiai as vossas almas à
intercessão da Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria!
V – A GLORIOSA COROAÇÃO
DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA COMO RAINHA E SENHORA DO CÉU, DA TERRA E DE TODO O
UNIVERSO.
Até na terra, as mães dos reis são chamadas de "rainhas". Não concederia a Santíssima Trindade o título de Rainha à Mãe do Rei Jesus, que disse a Pilatos: "Sim, eu sou Rei" (conf. em João 19, 3.19.21).
Ó Maria, minha esposa, minha Senhora e Rainha, não tenho palavras para enaltecer-Vos e cantar as vossas glórias e majestade! Exercei sempre o vosso poder de intercessão e súplicas em favor de todos os vossos filhos e filhas! Amém!
(Ass.: José de Nazaré, filho de Jacob, esposo de Maria e pai putativo de Jesus)
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