Algumas pessoas
saem da vida para entrar na história; outras, para entrar no céu. Em 12 de
outubro de 2006, falecia o jovem Carlo Acutis, vítima de gravíssima leucemia (chamada de "galopante", que tolheu-lhe a vida na terra e arrebatou-o para o Céu em menos de 1 mês após o diagnóstico.
No
leito de morte, que acolheu com serenidade, fortaleza e grande concordância com a vontade de Deus, desejou ardentemente que seus sofrimentos fossem oferecidos a
Deus pela Santa Igreja e pelo Papa.
O testemunho do rapaz, de apenas 15 anos,
comoveu toda a Itália, tornando-o modelo de santidade, sobretudo para a
juventude.
Foi beatificado pelo Papa Francisco, em 2020, e canonizado, junto com o Beato Pier Giorgio Frassati, pelo Papa Leão XIV, em 7 de setembro de 2025.
São Carlo Acutis
nasceu em Londres, Inglaterra, em 3 de maio de 1991. Os primeiros dias de
vida foram também os primeiros de sua jornada para Deus. Com uma fé católica
profundamente arraigada, os pais, André e Antônia, não tardaram a lhe
providenciar o batismo, preparando para a ocasião um pequeno bolo em formato de
cordeiro, como forma de agradecimento ao Senhor pela entrada do filho na
comunidade cristã. Um simbolismo profético. A exemplo do Cordeiro de Deus, o
pequeno Acutis também se dedicaria a servir a todos. Ele fazia isso a fim de completar na própria carne — como diz o Apóstolo São Paulo ao explicar o valor salvífico da dor — o
que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja.
Crescendo em
Milão, o pequeno Carlo demonstrou as virtudes cristãs desde a infância. Era uma
criança alegre, de comportamento suave, que cativava a todos — principalmente
as babás — com o seu entusiasmo contagiante. E se algum amiguinho aprontava-lhe
uma maldade, sabia colocar a caridade acima do instinto: "o Senhor não
seria feliz se eu reagisse violentamente". Com a permissão de seu confessor e diretor espiritual, bem como de seu arcebispo, fez a Primeira Comunhão aos 7 anos de idade. Desde então, espontaneamente, sem precisar ninguém mandar, passou a ir à Santa Missa e a dedicar alguns momentos diários de adoração ao Santíssimo Sacramento diariamente. Santa
Missa já lhe era o bem mais precioso. Comungava diariamente, haurindo da
Eucaristia a graça para uma vida santa. Um dia, escrevera: "A Eucaristia é minha auto-estrada para o Céu".
Tamanha
espiritualidade chamava a atenção dos mais próximos. Certa vez, preferiu participar
de uma peregrinação a Assis, Itália, a visitar outros lugares para diversão. O
comportamento do garoto levava os parentes a considerá-lo uma "vítima
dos pais". Mas não era nada disso. Como confidenciaria a seu diretor
espiritual, poucos dias antes de sua derradeira Páscoa, Assis era o lugar onde
mais se sentia feliz. Juntamente com Nossa Senhora de Fátima, São Francisco de Assis era-lhe o grande santo de devoção, principalmente por sua pequenez e humildade.
Vibrante,
apaixonado pela vida, tinha no apostolado o fim último de toda a sua ação.
Entendera cedo o "chamado universal à santidade". Daí a
disponibilidade para com todos, fazendo-se amigo de qualquer um, mesmo dos mais
tímidos. "Ele acreditava no diálogo íntimo com o Senhor — conta um dos
colegas — e rezava o Santo Rosário todos os dias. Após a morte de Carlo, voltei para a
Igreja e acho que isso pode ser mérito de sua intercessão." Quanto à sua filial e fervososa devoção mariana, um dia dissera: "Maria foi a única mulher de minha vida".
No Instituto
Liceo Classico Leão XIII, onde iniciou o ensino médio, desenvolveu sua paixão
por computadores. Carlo criou um site dedicado à pesquisa e divulgação de muitos milagres eucarísticos e à
vida dos santos. "Decidi ajudá-los", dizia o jovem na página da internet,
compartilhando alguns dos meus segredos mais especiais para aqueles que desejam
rapidamente alcançar o objetivo da santidade". Carlo Acutis insistia na
Missa diária, na récita do rosário, na lectio divina, na confissão e no apego
aos santos. "Peça ao seu Anjo da Guarda para ajudá-lo continuamente, de
modo que ele se torne seu melhor amigo", recomendava. Doutra feita, uma vez declarara que: "durante a minha vida eu nunca perdi um minuto sequer sem fazer a vontade de Deus, sem cumprir o que me inspirava a fazê-lo".
Em 2006, com
apenas 15 anos, Carlo Acutis descobriria uma grave doença: a leucemia.
Confundida inicialmente com uma inofensiva "caxumba", o mal acabou se
alastrando rapidamente, mesmo com os vários tratamentos, causando-lhe a morte
em apenas um mês. Às 06h45 de 12 de outubro de 2006, o Senhor o levava para
a vida eterna. Perto de falecer, confidenciou aos pais: "Ofereço todos os
sofrimentos desta minha partida ao Senhor, ao Papa e à Igreja, para não fazer o
Purgatório e ir direto para o Paraíso."
A postuladora
para a causa dos Santos da Arquidiocese de Milão, Francesca Consolini, afirma
que a fé de Carlo Acutis era "singular": "levava-o a ser sempre
sincero consigo mesmo e com os outros (...), era sensível aos problemas e às
situações de seus amigos, os companheiros, as pessoas que viviam perto a ele e
quem o encontrava dia a dia". O testemunho do rapaz pode ser encontrado na
sua biografia, "Eucaristia, minha auto-estrada para o céu", escrita por
Nicola Gori, articulista do jornal "L'Osservatore Romano".
O corpo de Carlo Acutis foi sepultado em Assis, cidade de São Francisco, na Igreja do "Despojamento", onde o grande Santo desfez-se de tudo que possuía, até de suas vestes. Assim a sua família o quis, especialmente sua mãe e grande divulgadora, dona Antônia Salsano, por sua especial devoção ao Santo "Poverello".
Durante o processo de beatificação, seus espólios mortais foram exumados e seu corpo encontrado praticamente intacto, sem sinais de decomposição, apenas com a pele levemente ressecada e alguns locais com coloração um pouco mais escura, mas íntegro, sem nenhum odor desagradável. E, em um vão, protegido por vidro, ainda se conserva intacto e pode ser visto e venerado por fiéis e turistas que vão visitá-lo.
Por
Equipe Christo Nihil Praeponere
Um comentário meu:
Interessante a história desse jovem, São Carlo Acutis. Ela vem mostrar que, para sermos santos, não precisamos ser "esquisitos". Podemos ser pessoas alegres, simpáticas, inteligentes, estudiosas, ativas no mundo, porque Jesus também era assim.
Lembram-se de como Jesus foi criticado porque "comia e bebia" na casa dos pecadores? Jesus participava da vida de sua aldeia, Nazaré, compareceu a uma festa de casamento em Caná, sentava-se à mesa de fariseus (p. ex., o fariseu Simão) e de publicanos (p. ex., São Mateus), tinha amigos íntimos (Marta, Maria e Lázaro), abraçava as crianças, etc.
Jesus não era um "homem esquisito", taciturno, isolado do mundo ou da realidade. Jesus foi um homem perfeito e viveu em tudo sua condição humana, exceto o pecado.
São Carlo Acutis era um jovem "normal". Era inteligente, estudioso, gostava muito de computação, tinha amigos, passeava com seus pais, porém, sem deixar de amar a Deus e de tê-lO como centro de sua vida. Isso é o que importa.
Notas:
Como já citado acima, foi beatificado pelo Papa Francisco em 2020, graças ao reconhecimento de um milagre ocorrido no Brasil (a cura de uma criança em risco de morte com pâncreas anelar).
Foi canonizado pelo Papa Leão XIV no dia 7 de setembro de 2025, juntamente com São Pier Giorgio Frassati. Isso foi devido à cura milagrosa de uma jovem atropelada que sofreu traumatismo craniano grave e perda de massa encefálica. Caso não fosse curada, morreria ou ficaria em estado comatoso, gravemente sequelada.
(Giovani Carvalho Mendes, ocds)

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