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terça-feira, 14 de abril de 2026

SANTA LIDUÍNA DE SCHIEDAM, Virgem, Mística e Alma Vítima. Patrona dos Enfermos Crônicos - 14 de abril.

Schiedam, Holanda, 18 de março de 1380 – 14 de abril de 1433.

                                                  Sua história de vida:

Liduína ou Ludovina, como também é conhecida, nasceu na Holanda, em 1380, numa família humilde e caridosa. Ainda criança recolhia alimentos e roupas para os pobres e doentes abandonados. Aos doze anos, recusara um casamento arranjado por parentes (segundo o costume da época). Já pensava em pertencer unicamente a Jesus, em virgindade consagrada. Até os 15 anos, Liduína era uma menina como todas as demais.

Porém, no inverno daquele ano, sua vida mudou completamente. Com um grupo de amigos foi patinar no gelo e, em plena descida da montanha, um deles se chocou violentamente contra ela. Ficou quase morta, com muitas lesões graves. Após o acidente, outras doenças surgiram, numa infeliz sucessão que deixou os médicos impotentes. Ela não se recuperou, não morreu, a dor piorou e Liduina estava à beira do desespero.

Apesar dos esforços, os médicos declararam que sua enfermidade não tinha cura e que o tratamento seria inútil, só empobrecendo ainda mais a família. Ela ficaria, portanto, o resto da vida (depois do acidente, foram trinta e oito anos) presa a uma cama.

Um padre,  João de Pot, veio em seu auxílio com serenas palestras sobre o sofrimento inocente de Jesus Cristo; injusto, mas redentor. Da mesma forma, disse-lhe ele, a fratura e seus outros problemas de saúde não eram uma desgraça sem sentido. Pelo contrário, são uma tarefa que lhe foi confiada pelo Senhor: agora, de seu leito, ela pode colaborar na Redenção; cada sofrimento que suporta traz salvação a outros.

Liduína diz sim: se o sofrimento tem esse significado e propósito, ela o aceita. Ela simplesmente pede algo, um sinal divino — como fizeram certas figuras do Antigo Testamento — que confirme a vontade de Deus. E ela o recebe, escrevem seus biógrafos, citando testemunhos: a Hóstia Eucarística aparece resplandecente sobre sua cabeça. Parentes e vizinhos também a veem, mas se recusam a dar ouvidos ao pároco, que também corre até ela e fala de "fraude do diabo". Em vez disso, apelam ao bispo, que envia outro padre a Schiedam.

Liduína, então, nunca mais pediu que Deus lhe aliviasse os sofrimentos, mas que lhe desse amor para sofrer pela conversão dos pecadores. Do seu leito de enferma ela recebeu de Deus o dom da profecia e da cura pela oração aos enfermos. Após 12 anos de enfermidade também começou a ter êxtases espirituais, recebendo mensagens de Deus e da Virgem Maria.

Seus sofrimentos eram imensos. As dores que sentia eram excruciantes. Se hoje em dia, com o avanço da Medicina, ainda há quem sofra atrozmente de dores na coluna, imaginemos naqueles tempos, cujos "remédios" eram muito rudimentares. Mas, Deus, em sua misericórdia e demonstrando grande afeto por sua santa serva, permitiu que seu Anjo da Guarda lhe aparecesse e a consolasse em seu leito de dor, dirigindo-lhe palavras de ânimo e consolando-a com belíssimos cantos celestes. 

Ela só se alimentava da Sagrada Eucaristia e das orações. Sua enfermidade a impossibilitava de comer e de beber, e nada podia explicar tal prodígio. Nos últimos sete meses de vida, seu sofrimento foi terrível.

Após o ocorrido, e com a divulgação "boca a boca" do evento, é natural que pessoas de cidades vizinhas afluam à sua casa: rumores de um milagre atraem a atenção. Com o tempo, outros chegam de Rotterdam, de vários lugares do Condado da Holanda, então sob o domínio dos Wittelsbach da Baviera. Em seguida, começam a afluir “visitantes” (peregrinos), vindos de Flandres, da Alemanha, até mesmo da Inglaterra.

Eles não vêm mais pelo milagre daquele dia. Vem por ela, porque ela agora é o milagre. E sua casa é um lugar de esperança. Sua voz guia a oração e direciona a vida daqueles que a procuram: os doentes e os sãos, os bons cristãos e os libertinos, os ricos e os pobres; alguns se disfarçam ou se escondem para não serem reconhecidos pelos outros, mas diante dela, revelam-se como são. Santa Liduína acolhe a todos: ela escuta, fala, sofre, aconselha, e eles saem de sua casa como se saíssem de uma festa: a mulher em fase terminal liberta os sãos de seus males secretos.

Sua obra se conclui na Semana Santa de 1433, quando lhe é sobrenaturalmente predita sua morte iminente, que chega na terça-feira após a Páscoa. Seu caixão é leve, porque Liduina passou dias e dias sem comer, reduzida a uma “sombra e uma voz”.  Em 1890, o Papa Leão XIII autorizou o culto em sua honra.


Gravura antiga representando o seu acidente. 

Pintura retratando seu acidente que a manteria 38 anos
restrita em seu leito de dores. 



Fontes: 

          1.  Site: www.santiebeati.it (traduzido do italiano para o português)

          2. Trechos de texto do Portal A 12. 

domingo, 12 de abril de 2026

ORAÇÃO A JESUS, VERBO ENCARNADO, PEDINDO PERDÃO E MISERICÓRDIA

(Para ser rezada diante do Santíssimo Sacramento ou de uma Imagem Sagrada do Senhor)


Santíssimo Senhor Jesus Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Verbo Eterno do Pai, Encarnado no seio puríssimo e imaculado de Maria, para minha salvação e a de toda a humanidade, aqui estou eu humildemente, pobre pecador, aos vossos pés.

Vede, Senhor meu, em que miséria me encontro e quão sujo estou! Não sou digno, Senhor, de estar em vossa santíssima presença.

Ao Vos contemplarmos aqui (presente na Santíssima Eucaristia ou representado em vossa santa imagem), tremo de horror em vista dos meus muitos pecados e lamento profundamente não ter sido sempre fiel a Vós.

Vós, no entanto, sempre me amais e sois fiel a mim. Deste-me a vida, a oportunidade de ter sido batizado no grêmio da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, de vos ter conhecido nas Sagradas Escrituras e Evangelhos, de vos ter recebido sacramentalmente na Santa Comunhão e de ter sentido vossa presença em vários momentos de minha vida. No entanto, Senhor meu, como tenho sido infiel a Vós! Foram tantos os desleixos e negligências, tantas as indiferenças e tibieza e tantos os pecados que cometi e ainda cometo perante vossos augustíssimos olhos!

Ó Senhor Jesus, sei quanto horror eu não devo ter causado aos santos e aos anjos por causa das minhas iniquidades! No entanto, Senhor meu, sei o quão bom sois e quão grande é a vossa imensa e incompreensível Misericórdia, fruto do amor que tendes pela Pessoa de Deus Pai, de nossa santíssima Encarnação, de vossa Paixão e Morte na cruz, bem como, de vossa presença real no Santíssimo Sacramento do Altar!

Sei também, Senhor Jesus, o quanto vos agrada, acalenta e repara o olhar, as preces, o amor, o Coração Imaculado e as lágrimas da Santíssima Virgem Maria, vossa e nossa Mãe, que constante e incessantemente roga por mim e por todos os pecadores!

Ó Jesus meu, amor humano e divino infinitos, doce 

Salvador e Redentor do mundo, Juiz amável, justo e misericordioso, tente piedade, tende piedade de mim!

Coloco-me, Senhor, dentro de vossas santíssimas, sangrentas e gloriosas Chagas, para lá ficar protegido de vossa não menos infinita justiça. Sei que, apesar de justo, gostais muito mais de exercer a vossa Misericórdia do que os rigores de vossa Justiça! Por isso que me escondo em vossas Chagas. Se meu procurais, Senhor, certamente tereis que olhar para vossas Chagas e a vista e lembrança delas certamente aplacará vossa justiça!

Ó Senhor Jesus, Verbo Humanado! Ó Emanuel santíssimo! Tenho confiança em Vós! Socorrei-me! Socorrei-me Médico divino! Sede meu Eterno Mediador, meu Salvador e meu Redentor! Tende piedade de mim como tivestes de tantos coxos, paralíticos, cegos, surdo mudos, leprosos, possessos e pecadores! Tende piedade de mim como o tivestes do ladrão Dimas que estava crucificado ao vosso lado! Tende piedade de mim, Senhor! Lembrai-vos de mim, Senhor, em vosso Reino de Misericórdia e Amor! Piedade! Misericórdia! Perdão!

Possa eu dar-vos doravante mais alegria do que tristeza! Possa eu consolar-Vos e não agravar-Vos! Possa eu ser vosso servo e amigo fiel e não uma pedra de tropeço para Vós! Jesus! Jesus! Jesus! Doce Jesus! Amém! 

 

 

 

(Giovani Carvalho Mendes, em 30 de junho de 2013)

sexta-feira, 10 de abril de 2026

SANTA MADALENA DE CANOSSA, Virgem, Fundadora, Educadora e Apóstola da Caridade - 10 de abril.

          Creio que muitos são os católicos que conhecem Santa Josefina Bakhita, sequestrada ainda criança por mercadores de escravos, vindo a ser "comprada" por patrões italianos e indo morar na Itália, se tornando "cuidadora" ou "dama de companhia" da filha de seus patrões. 

          Movida por um sentimento íntimo de que havia um Deus verdadeiro, Criador de todas as coisas (que depois ela viria a chamar, humilde e carinhosamente de "meu Patrão"), conheceu a Fé Católica, fez-se catecúmena, foi batizada e, depois, movida mais uma vez pela Graça, fez-se religiosa entre as irmãs Canossianas. 

          Pois bem... Já que muitos conhecem a história dessa querida Santa, que tal conhecermos, agora, a história de sua "mãe fundadora": Santa Madalena de Canossa, cuja memória é comemorada anualmente no dia 10 de abril (especialmente neste ano: 2026, por ser a "oitava" da Páscoa, não o foi)... 



Primeira narrativa biográfica:

Por que uma nobre rica e famosa do século XVIII abriria mão de uma vida de luxo para acolher meninas pobres e abandonadas em seu castelo principesco?

Guiada por seu coração, ela decide ajudar meninas desesperadas, forçadas a viver nas ruas, sem ninguém para guiá-las. Ela quer oferecer-lhes educação, uma formação cristã e a oportunidade de aprender um ofício honesto; quer ajudá-las a se emanciparem cultural e humanamente de uma sociedade que as relega a papéis subordinados. Ela quer que elas se tornem protagonistas de suas próprias vidas.

Madalena Gabriella, a Marquesa de Canossa, nasceu em Verona em 1774. Aos cinco anos, perdeu o pai. Sua mãe casou-se novamente e a "abandonou" aos cuidados de uma governanta rigorosa. A jovem marquesa está triste, mas seu coração é generoso.

Contra a vontade de seus parentes, aos dezessete anos, ingressou nos mosteiros carmelitas de Trento e Conegliano Veneto (Treviso). A vida monástica, porém, não era para ela. Assim, ela retornou ao seu castelo, provando ser uma administradora excepcional. Enquanto isso, Madalena cuidava dos doentes e ensinava catecismo a crianças pobres.

Sonho de Santa Madalena 
de Canossa: sobre como seria
o hábito das religiosas e quais
obras realizariam... 

Em Verona, a chamavam de "anjo". Um sonho permaneceu gravado em sua memória: ela viu seis meninas aos pares, cada uma usando um xale e um gorro pretos, cada par desempenhando uma tarefa: educação religiosa, escolaridade e cuidados hospitalares.

Em 1801, duas meninas desgarradas bateram à sua porta. Madalena compreendeu que seu sonho estava se tornando realidade. Essa era a missão para a qual o Senhor a chamava: acolher meninas pobres e oferecer-lhes uma oportunidade através da educação.

Assim, o Castelo de Canossa (que periodicamente hospedava o Imperador da França, Napoleão, e o Czar da Rússia, Alexandre I) abriu seus aposentos para meninas resgatadas da pobreza.

Quando Madalena se mudou para Veneza, deparou-se com uma realidade miserável: meninas famintas nas ruas, jovens órfãos forçados ao crime para sobreviver, doentes sem assistência, pessoas com deficiência sem futuro, como surdos-mudos. Para elas, a Marquesa fundou a Congregação das Irmãs "Filhas da Caridade" (Canossianas). Graças aos seus recursos, foram abertos lares para educação gratuita em diversas cidades: Verona, Veneza, Milão, Bergamo, Trento, Brescia e Cremona. Madalena de Canossa faleceu em Verona em 1835. Hoje, em todo o mundo, as freiras "Canossianas" continuam o trabalho iniciado em 1808 por uma nobre de coração de ouro.

 

Segunda narrativa biográfica:

Ela é descendente de longa data da famosa Matilde da Toscana, Senhora de Canossa. Sua família estava entre as mais ilustres da Itália na época, mas não teve muita sorte: Madalena e seus quatro irmãos perderam o pai ainda jovens, e sua mãe casou-se novamente e os abandonou.

Aos cinco anos, foi entregue aos cuidados de uma governanta que detestava; depois disso, adoeceu diversas vezes. Aos 17 anos, foi admitida no convento carmelita de Trento contra a vontade de seus parentes, e depois, brevemente, no de Conegliano (Treviso), mas essa não era a vida para ela.

Ao retornar para casa, ela surpreende a todos com seu talento como administradora. Mas o casamento está fora de cogitação. E em 1801, duas meninas pobres aparecem no Palazzo Canossa, e ela as acolhe: essa é a revelação de sua vocação.

Ela não "reinará" no palácio da família, que hospedou Napoleão e Alexandre I da Rússia. Sua vocação são os pobres. A acolhida das duas meninas foi apenas um primeiro auxílio, mas ela não quer mantê-las ali como estranhas, para sempre em situação de inferioridade. Elas precisam ter seu próprio lar (as duas e inúmeras outras como elas), onde possam se sentir em casa, serem educadas e se realizarem ao lado de seus professores; e ao lado dela, a fundadora, que em 1808 obterá de Napoleão o antigo convento das freiras agostinianas de Verona, iniciando ali sua vida comunitária.

Nascem as Filhas da Caridade: as freiras que educam os pobres. Madalena redigiu as regras em 1812, em Veneza: ela foi chamada por Antonangelo e Marcantonio Cavanis (dois irmãos patrícios, ambos sacerdotes) para fundar outra instituição educacional para meninas, enquanto eles próprios já haviam estabelecido escolas gratuitas para meninos.

Madalena obteve a aprovação papal inicial para seu trabalho de Pio VII, pouco depois da queda de Napoleão. O imperador Francisco I de Habsburgo reinava então sobre a Lombardia-Vêneto e, em 1816, visitou Verona com sua terceira esposa, Maria Ludovica d'Este. Foi em Verona que a soberana adoeceu e morreu: sua capela mortuária foi erguida em um aposento do Palácio Canossa.

Contudo, Maddalena deixou de frequentar o palácio com frequência. Ela viajou de Veneza para Milão, depois para Bergamo e Trento, para fundar novas filiais e escolas. Sua residência patrícia em Verona acolheu uma soberana, e os lares que ela criou acolheram as filhas dos súditos mais pobres, resgatadas da pobreza e capacitadas para conduzir suas próprias vidas.


Entretanto, trabalhava no longo processo para a aprovação final de seu instituto e preparava-se para abrir outras filiais em Brescia e Cremona. Mas a morte a surpreendeu em sua Verona natal, aos 61 anos: já "em odor de santidade", como a descreviam as crônicas da época, que a descreviam como "muito caridosa a ponto de ser prodigiosa". Mas, acima de tudo, ela se entregou por completo, dedicando-se à obra, que continuaria a crescer após sua morte. No final do século XX, o Instituto contava com mais de 2.600 freiras, atuando em todo o mundo.


São João Paulo II a proclamou Santa em 2 de outubro de 1988. O dia de sua memória pela Igreja Universal é 10 de abril, enquanto o dia 8 de maio é comemorado pelo Instituto das Filhas da Caridade — conhecidas como Irmãs Canossianas —, pelos Filhos da Caridade e pelos Leigos Canossianos, pois 8 de maio de 1808 é a data oficial da fundação do Instituto Canossiano.

Sua memória também é celebrada em 8 de maio na Diocese de Bergamo, enquanto a Diocese de Milão a comemora em 9 de maio.

 

Fonte: site www.santiebeati.it

Autores: Mariella Lentini e  Domenico Agasso