Schiedam, Holanda, 18 de março de 1380 – 14 de abril de 1433.
Sua história de vida:
Liduína ou Ludovina, como também é conhecida, nasceu na Holanda, em 1380, numa família humilde e caridosa. Ainda criança recolhia alimentos e roupas para os pobres e doentes abandonados. Aos doze anos, recusara um casamento arranjado por parentes (segundo o costume da época). Já pensava em pertencer unicamente a Jesus, em virgindade consagrada. Até os 15 anos, Liduína era uma menina como todas as demais.
Porém, no inverno daquele ano, sua vida mudou completamente. Com um grupo de amigos foi patinar no gelo e, em plena descida da montanha, um deles se chocou violentamente contra ela. Ficou quase morta, com muitas lesões graves. Após o acidente, outras doenças surgiram, numa infeliz sucessão que deixou os médicos impotentes. Ela não se recuperou, não morreu, a dor piorou e Liduina estava à beira do desespero.
Apesar dos esforços, os médicos declararam que sua enfermidade não tinha cura e que o tratamento seria inútil, só empobrecendo ainda mais a família. Ela ficaria, portanto, o resto da vida (depois do acidente, foram trinta e oito anos) presa a uma cama.
Um padre, João de Pot, veio em seu auxílio com serenas palestras sobre o sofrimento inocente de Jesus Cristo; injusto, mas redentor. Da mesma forma, disse-lhe ele, a fratura e seus outros problemas de saúde não eram uma desgraça sem sentido. Pelo contrário, são uma tarefa que lhe foi confiada pelo Senhor: agora, de seu leito, ela pode colaborar na Redenção; cada sofrimento que suporta traz salvação a outros.
E Liduína diz sim: se o sofrimento tem esse significado e propósito, ela o aceita. Ela simplesmente pede algo, um sinal divino — como fizeram certas figuras do Antigo Testamento — que confirme a vontade de Deus. E ela o recebe, escrevem seus biógrafos, citando testemunhos: a Hóstia Eucarística aparece resplandecente sobre sua cabeça. Parentes e vizinhos também a veem, mas se recusam a dar ouvidos ao pároco, que também corre até ela e fala de "fraude do diabo". Em vez disso, apelam ao bispo, que envia outro padre a Schiedam.
Liduína, então, nunca mais pediu que Deus lhe aliviasse os sofrimentos, mas que lhe desse amor para sofrer pela conversão dos pecadores. Do seu leito de enferma ela recebeu de Deus o dom da profecia e da cura pela oração aos enfermos. Após 12 anos de enfermidade também começou a ter êxtases espirituais, recebendo mensagens de Deus e da Virgem Maria.
Seus sofrimentos eram imensos. As dores que sentia eram excruciantes. Se hoje em dia, com o avanço da Medicina, ainda há quem sofra atrozmente de dores na coluna, imaginemos naqueles tempos, cujos "remédios" eram muito rudimentares. Mas, Deus, em sua misericórdia e demonstrando grande afeto por sua santa serva, permitiu que seu Anjo da Guarda lhe aparecesse e a consolasse em seu leito de dor, dirigindo-lhe palavras de ânimo e consolando-a com belíssimos cantos celestes.
Ela só se alimentava da Sagrada Eucaristia e das orações. Sua enfermidade a impossibilitava de comer e de beber, e nada podia explicar tal prodígio. Nos últimos sete meses de vida, seu sofrimento foi terrível.
Após o ocorrido, e com a divulgação "boca a boca" do evento, é natural que pessoas de cidades vizinhas afluam à sua casa: rumores de um milagre atraem a atenção. Com o tempo, outros chegam de Rotterdam, de vários lugares do Condado da Holanda, então sob o domínio dos Wittelsbach da Baviera. Em seguida, começam a afluir “visitantes” (peregrinos), vindos de Flandres, da Alemanha, até mesmo da Inglaterra.
Eles não vêm mais pelo milagre daquele dia. Vem por ela, porque ela agora é o milagre. E sua casa é um lugar de esperança. Sua voz guia a oração e direciona a vida daqueles que a procuram: os doentes e os sãos, os bons cristãos e os libertinos, os ricos e os pobres; alguns se disfarçam ou se escondem para não serem reconhecidos pelos outros, mas diante dela, revelam-se como são. Santa Liduína acolhe a todos: ela escuta, fala, sofre, aconselha, e eles saem de sua casa como se saíssem de uma festa: a mulher em fase terminal liberta os sãos de seus males secretos.
Sua obra se
conclui na Semana Santa de 1433, quando lhe é sobrenaturalmente predita sua
morte iminente, que chega na terça-feira após a Páscoa. Seu caixão é leve,
porque Liduina passou dias e dias sem comer, reduzida a uma “sombra e uma voz”.
Em 1890, o Papa Leão XIII autorizou o
culto em sua honra.
Gravura antiga representando o seu acidente.
Pintura retratando seu acidente que a manteria 38 anos
restrita em seu leito de dores.
Fontes:
1. Site: www.santiebeati.it (traduzido do italiano para o português)
2. Trechos de texto do Portal A 12.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário