SOBRE ELA
O desespero não era
característica dela. Afinal, uma alma que foi forjada pelo Espírito Santo sabe
encontrar paz até no caos. Ela não fugiu da missão. Ficou ali, de pé, aos pés
da cruz. Depois segurou nos braços o Corpo frio daquele Menino que Ela gerou e que
embalou para dormir tantas noites.
Maria sentiu tudo. A
espada atravessou a Alma dela de verdade! Isso não é rebuscamento de texto. Ela
viu tudo sendo cortado por dentro. Mesmo assim, não desmoronou, porque sabia,
com uma certeza que vai além da lógica, que é necessário ter fé para crer e que a
dor não define o destino de quem a sente.
Quando olho para essa
cena, penso em muitas mulheres fortes e corajosas. Mulheres que encontrei na vida, algumas que
conheci de perto e outras das quais eu nem sei o nome. Penso nas mulheres que
engolem o choro antes de responder ao bom dia dos filhos, que sustentam o
queixo enquanto por dentro tudo está desabando, que aprenderam a carregar
coisas pesadas demais com uma maestria que às vezes é apenas sobrevivência.
Penso naquelas que perderam seus filhos para o crime, para as drogas, para a violência, para a fome, para o suicídio, para doenças incuráveis ou para a guerra... Penso nas que tem filhos (as) desaparecidos (as) e dos (as) quais nunca mais tiveram notícias e que nem mesmo um sepultamento digno puderam lhes dar...
Maria foi tudo isso. Ela
não é um símbolo distante para mim. É a Mulher que viu Aquele que Ela mais amava: Jesus - seu Filho e seu Deus - ser dilacerado, coberto de injúrias, blasfêmias, escarros, feridas, chagas, sangue, suor e lágrimas, e, mesmo assim, continuou ali. A Mulher que ficou em silêncio não
porque não tinha o que dizer, mas porque havia coisas que só Deus e Ela sabiam.
Aprendi tanto com ela.
Ser forte não quer dizer não sentir nada. Ser forte é ser atravessado (a) pela dor
e mesmo assim não se perder de quem se é.
O caminho que Ela aponta
não é fácil, porque é o caminho da Cruz. Mas a cruz não é o destino final, e Ela sabia disso melhor do que ninguém. Ela ficou de pé no pior momento. Esperou
quando não havia mais o que esperar.
Com Ela, consigo crer que
todas as coisas são possíveis. Não porque Ela esteja acima de Jesus ou porque
resolve o que você não consegue, mas porque, quando você olha para aquela Mulher de pé, percebe que é possível aguentar mais do que imaginamos. A nossa
força não vem de nós mesmos, mas vem dAquele (Deus) em quem cremos.
Aprendi que a dor pode até atravessar a minha vida e a sua vida, mas ela não define a nossa história. Porque, se tem dor e tem crucificação, eu não tenho dúvidas de que também tem ressurreição.
Ela é a Mater Dolorosa!
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