Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sexta-feira, 7 de março de 2014

SÃO GASPAR BERTONI, Presbítero e Fundador da Congregação dos Sagrados Estigmas ou Estigmatinos.


São Gaspar Bertoni
Nascido em Verona, cidade do norte da Itália, em 9 de outubro de 1777, viveu em uma época em que a cidade era palco de constantes conflitos entre os franceses e austríacos, que disputavam a sua posse.
Como conseqüência, a cidade curtia as amarguras da fome e dos desmandos da libertinagem; os feridos lotavam os hospitais, as crianças pobres não tinham escola, a juventude estava desorientada e esquecida, e até o próprio clero sofria as influências daquele ambiente nada salutar.
Nesse contexto o jovem Gaspar cresceu, enfrentando ainda alguns dramas familiares, como a morte de sua única irmã, mais nova, a incapacidade do pai de administrar os bens da família, e por fim a separação dos pais, decidida de comum acordo entre eles.
Por sugestão de seu pároco, da Paróquia de San Paolo, entrou para o Seminário e, em 20 de setembro de 1800, quando estava com quase 23 anos de idade, era ordenado sacerdote, ao som de tiros de canhão.
Ainda como seminarista ele já se dedicava aos doentes, e cedo também começou o seu trabalho com a juventude, resgatando-a daquele ambiente hostil da cidade. Esse trabalho foi tão frutuoso que ele chegou a ser reconhecido como “Apóstolo dos Jovens”.
Convocado por seu bispo para resgatar a dignidade do clero, aí também realizou um excelente trabalho, a ponto de o Seminário passar a ser notado como exemplo de ordem e disciplina, e os padres e seminaristas como modelos de dedicação e serviço.
Pe. Gaspar revelou-se, também, notável conselheiro. Pessoas dos lugares mais distantes, governantes e até seu próprio bispo procuravam-no para um aconselhamento.
Chamado a colaborar nas missões populares na Paróquia de San Fermo, ele também foi excelente pregador, tanto que chegou a receber da Santa Sé o título de “Missionário Apostólico”.
Mas havia ainda uma grande obra para a qual Deus iria chamá-lo a realizar, e que, aos poucos, foi se delineando para ele: a fundação de uma congregação religiosa.

Padre Gaspar incutia nas pequenas crianças
e nos jovens o amor filial a Maria. 
Naquela época, as ordens religiosas eram perseguidas e até suprimidas. Eram proibidas reuniões ou quaisquer agrupamentos, tidos como possíveis indícios de rebeldia e oposição aos “patrões” da cidade, que se revezavam entre franceses e austríacos.
Mas Pe. Gaspar, inspirado por uma visão diante do altar de Santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas, ordem cuja supressão vigorava naquela época, passou a perceber, aos poucos, a vontade de Deus para a realização deste corajoso projeto.

Em 4 de novembro de 1.816 ele entrou com alguns companheiros em um prédio que lhe fora destinado inicialmente a servir de escola. Esse prédio era anexo à Igreja dos Estigmas, que tinha esse nome por ser dedicada às chagas, ou estigmas, de São Francisco de Assis.
Assim, além da escola, naquele ambiente de pobreza e penitência nascia, também, uma ordem religiosa que, após a morte de São Gaspar, recebeu o nome de “Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo”, popularmente conhecida como “Estigmatinos”.
Inspirado no título com que fora agraciado pela Santa Sé e no reconhecimento que tinha para com a autoridade dos bispos, que são os sucessores dos apóstolos, a quem Jesus deu a missão: “Ide e ensinai” (Cf. Mt 28,19), ele assim definiu a finalidade de sua congregação: “Missionários Apostólicos em auxílio aos Bispos”.
Pe. Gaspar dedicou toda a sua vida a fazer sempre a vontade de Deus. Apoiado na oração, ele sempre conseguia perceber e tudo realizar segundo a vontade de Deus.
Desde os seus 35 anos de idade enfrentou sérios problemas de saúde, que antes o levaram à beira da morte, e depois o mantiveram preso ao leito durante grande parte de sua vida, suportando terríveis dores e sofrimentos, mas sem que uma queixa saísse de seus lábios.
Fez de suas enfermidades instrumentos de redenção e louvor a Deus. Chamava-as de “Escola de Deus”: são ocasiões que nos dá a misericórdia de Deus para perdoar muitas faltas que cometemos e não fazemos penitência. Devemos vivê-las na perspectiva da fé, como uma luz religiosa, pois Deus quer a nossa salvação também através da doença e, como conseqüência, do sofrimento.
De seu leito de dor continuou suas atividades como mestre, pregador de exercícios espirituais e sobretudo como conselheiro dos que a ele acorriam. Todos os que o consultaram (bispos, magistrados, sacerdotes e fiéis) admiravam-se pela sua sabedoria, e de comum acordo o consideraram como “Anjo do Conselho”.
Muitos doentes que ele abençoou foram curados, e depois de sua morte ainda outros milagres já foram registrados por sua intercessão ou pelo contato com suas relíquias.
Pe. Gaspar morreu santamente no dia 12 de junho de 1.853, aos 76 anos incompletos, e foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 1 de novembro de 1.989, no dia da festa de “Todos os Santos”. Os milagres para o seu processo de beatificação e canonização foram realizados no Brasil, nas cidades de Rio Claro e Rio de Janeiro.
Sua festa litúrgica é celebrada em 12 de junho.
….

Pe. Gaspar colocava no amor cristão, na caridade para com Deus antes e acima de tudo, a base da castidade. Dizia:
“Numa alma tomada pela caridade não existe a libidinagem”.
Aos padres e religiosos afirmava:
“Deus nos chama a competir na terra com a pureza dos anjos”.
Assim, nas constituições, lembra aos membros de sua congregação que devem consagrar-se inteiramente a Cristo e que, por essa razão, devem conservar-se castos de corpo e de alma.
Estabelece-lhes os seguintes meios, a fim de se manterem puros e progredirem na virtude da castidade:
§ Oração e Sacramentos
A esse respeito, realça a Confissão e a Eucaristia. Escreve: “Todos tenham grande empenho em aproximar-se, freqüentemente, e com as devidas disposições, dos sacramentos da Confissão e da Comunhão”
§ Mortificação
Do paladar, da vista, do ouvido, da língua, do tato.
§ Fuga do Ócio
Para evitar o ócio, quer que se apliquem a trabalhos manuais, ou, principalmente os sacerdotes, ao estudo, que e também um trabalho.
§ Cuidado com os sentimentos
Devem ter muito cuidado com os sentimentos, pois pouco a pouco podem descambar para a sensualidade.
Aos que iam procurá-lo como penitentes, era tanta a força do seu exemplo, tão grande o brilho da fisionomia, e tão influente o ardor da sua palavra quando se referia à castidade, que atingia profundamente até os mais viciados, de modo que se convertiam, reestruturavam a vida e passavam a servir de exemplo.
….
Usava dos objetos com muito cuidado, para não estragá-los, já que o pobre não pode dar-se ao luxo de desperdiçar as coisas. Aplicava esta diligência até nos objetos pequenos e menos caros, como uma folha de papel e semelhantes. Tomava para si o que fosse mais estragado, porque queria viver realmente a pobreza, como um verdadeiro pobre.
Ao ter que aconselhar seminaristas ou sacerdotes envolvidos em dúvidas diante das ordens do bispo, ele só tinha uma palavra: Obediência. Aliás, estabelecia esta virtude como o mais claro sinal de que alguém era chamado à vida sacerdotal. Faltando a disposição de obedecer, faltava também a melhor prova da vocação. Nem sempre o bispo encontrava fácil acatamento às suas ordens. Então, diante do impasse, apelava para Pe. Gaspar. Este entrava em contato com o renitente e, com palavras carregadas do amor de Deus, e com fervorosas admoestações, até mesmo com os exercícios espirituais de Santo Inácio, atingia o objetivo: levava à obediência a pessoa rebelde.
Uma atitude, para ele inconcebível, era a desobediência ao Papa. O Papa representa Jesus Cristo na terra; por isso, suas disposições e ordens devem ser respeitosamente seguidas.
Abaixo do Papa, os bispos também mereciam dele a maior veneração. À sua congregação prescreveu a vida de missionários para auxílio aos bispos. Com isto, precedeu os tempos, pois o Concilio Vaticano Segundo, mais de um século depois, veio ressaltar este múnus. Tanta era a sua respeitosa disponibilidade de obediência ao Papa que lia as suas Encíclicas de joelhos!
A virtude da obediência, em Pe. Gaspar, via na autoridade, fosse lá quem fosse a pessoa, o representante de Deus.
E como praticava ele a obediência em seu convento, dado que era ali o superior? Antes de tudo, procurava fazer sempre diligentemente aquilo que parecia ser a vontade de Deus.
Podia ter escolhido para si o melhor quarto da casa. Mas não. O seu quarto foi o pior, o menos cômodo e o mais frio de todos. Ali, nada de aquecimento, qualquer que fosse, mesmo no mais duro inverno. Somente aceitou o aquecimento, quando, enfermo, o médico deixou ordem nesse sentido.
Certa vez, um grande inimigo de Pe. Gaspar e de seus Oratórios o ofendeu violentamente. Apelando para todas as forças da mansidão, Pe. Gaspar reagiu tanto contra si mesmo para se manter calmo que sofreu um desmaio e foi ao chão. Desmaiou, mas não cedeu à raiva. O corpo sucumbiu, enquanto o espírito sublimou-se em Deus. Os jansenistas eram uns hereges muito atrevidos. Como Pe. Gaspar não lhes dava tréguas, começaram eles também a persegui-lo. Ofendiam-no onde quer que o encontrassem, mesmo em público. Pe. Gaspar se calava. Podia, se quisesse, reduzir ao silêncio toda aquela gente maldosa. Bastava que argumentasse com toda a ampla ciência que possuía, mas preferiu calar-se e mansamente suportar.
 Conselheiro

 Ao Padre Gaspar não afluíam apenas os sacerdotes e candidatos ao sacerdócio, ou os religiosos e candidatos à vida consagrada. Leigos de responsabilidade e desejosos de vida espiritual o consultavam, seguiam suas orientações com toda a segurança de estarem acertando diante de Deus. Buscavam nele orientações para assuntos espirituais, antes de tudo, mas, sempre que necessário, expunham problemas de ordem doméstica ou de assuntos da vida pública ou privada. Procuravam-no para isso pessoas da classe alta, da classe média ou do povo simples, de toda a profissão e situação social. Quando alguém tinha um problema difícil de resolver, o refrão que ouvia era sempre este: “Vá conversar com Pe. Gaspar”.

São Gaspar Bertoni na glória dos céus. 

terça-feira, 4 de março de 2014

Beato Inocêncio de Berzo, Presbítero Capuchinho (1844-1890)


Beato Inocêncio de Berzo, Presbítero Capuchinho
O beato Inocêncio nasceu em Niardo, Vale Camônica (Bréscia), de família modesta e religiosa, e morreu em Bérgamo. Foi primeiro sacerdote na diocese de Bréscia, na qual desenvolveu um fecundo apostolado, até que, em 1874, ingressou na Ordem Capuchinha. Distinguiu-se sempre por sua austeridade, simplicidade, caridade para com os pobres, penitência e vida contemplativa. A Eucaristia e a Virgem foram devoções suas acentuadas. O beatificou João XXIII em 1961.

O domingo, dia 12 de novembro de 1961, a “glória de Benini” na Basílica Vaticana vestia suas melhores galas e fulgores para honrar a um novo beato, esta vez na figura de um humilde frade da Ordem Capuchinha. Referimo-nos ao beato Inocêncio de Berzo (seu nome civil era Giovanni Scalvinoni), cuja causa de beatificação, introduzida em 22 de janeiro de 1919 na Sagrada Congregação dos Ritos, cerrava, então, seu primeiro ciclo solene.

Brota esta humilde flor – como um “edelweis” entre branca neve – em um dos mais pitorescos vales alpinos, ao norte da Itália, em Val Camônica, província de Bréscia, em 19 de março de 1844. Eram seus pais Pietro Scalvinoni e Francesca Poli, tão escassos de recursos como ricos de espírito cristão, sempre abandonados nas mãos do Senhor e confiados em sua divina providência. Oração, trabalho e amor mútuo era o programa de vida e ninguém ira dormir na família sem haver participado na reza coletiva do santo Rosário. Em tal ambiente deu início a sua formação interior que o levaria logo à santidade.

Quando contava apenas três meses se encontra já sem pai, vítima de enfermidade. De sua mãe aprende logo o santo temor de Deus, uma devoção filial à Santíssima Virgem e um delicado amor à pureza. Aos nove anos, o bispo diocesano (de Bréscia) lhe dava a primeira comunhão, que recebeu com indescritível contentamento e candura. Seus olhinhos vivos se cravavam no tabernáculo e na sagrada espécie com a fé consciente do adulto, como se visse a presença real do Senhor. Mas aquele primeiro abraço eucarístico parecia assinalar uma transformação fundamental. O que lhe havia dito Jesus? Pronto se desvelaria o segredo quando um dia disse todo feliz a sua mãe que o Senhor lhe chama. Notícia que ela acolhe com emoção e lágrimas, dando profundas graças a Deus pela predileção tão singular: a vocação ao sacerdócio.


Caminho do Altar

Recebido o sacramento da Confirmação em 03 de outubro de 1861 do mesmo Dom Verzeri, que lhe havia dado a comunhão, ingressa no Colégio Marinoni, de Lovere. Cinco anos esteve nele, superando com brilhantismo os estudos do ginásio, até que passou seguidamente ao seminário diocesano de Bréscia, onde completaria seus estudos. Ali foi um maravilhoso exemplo para seus companheiros. Para melhor corresponder à graça de sua vocação se pôs desde os primeiros dias debaixo da proteção da celestial Senhora, como fizera também em seus anos o santo Cura d’Ars.
Em 23 de dezembro de 1865 dava seu  primeiro passo solene do subdiaconato, caminho do altar, ao qual chegaria com a ordenação em 02 de junho de 1867, aos 23 anos de idade, das mãos do mesmo prelado que lhe deu a Comunhão e a Confirmação. Que viva emoção para o mesmo e para sua mãe, e para os bem feitores ali presentes que lhe haviam auxiliado em suas despesas até o altar!

Seu primeiro destino é a paróquia de Cevo, uma dessas rurais, implantadas entre riscos montanhosos na alta Val Camônica, como coadjutor de um venerável e boníssimo pároco, dom Codenatti. Este, ao dar conta à cúria diocesana, escreve: “O Senhor me abençoou ao mandar-me este piedoso e zeloso coadjutor”.

O centro de seu ministério apostólico será o confessionário. Sabia insinuar-se suavemente nas almas com aquela bondade e afabilidade que são as melhores medicinas para curar as almas e conduzi-las a Deus. Muitos acorriam a ele como a um santo; não poucos pecadores, inclusive obstinados, regressavam convertidos. Imitava, assim, ao Bom Pastor, que com gozo e ternura acolhia às ovelhas desgarradas e não as perdia de vista até reconduzi-las ao redil.
Sua pessoa era uma benção para toda a comarca. Os párocos o disputavam para a pregação, porque sua palavra vibrante de doutrina, de unção e de graça procedia de um coração ardente de fé e de amor que agradava a todos e a todos edificava.

“Onde está o colchão, filho meu”?

Sua caridade não tinha limites. Por ele, daria tudo. Tirava da panela as melhores porções da comida para leva-los aos pobres mais famintos e necessitados. Um dia, sua mãe reprovou este proceder. Contestando-lhe, ele, de joelhos e respeitosamente, lhe disse: “perdoa-me, os reparti entre uns pobres enfermos”. Ao que replicou ironicamente sua mãe: “bendito filho, até o pote eu devo fechar a ‘sete chaves’”?

Um dia, sua mãe, ao limpar sua habitação, repara que não tem colchão na cama. “Onde tens dormido esta noite, filho meu”? Pergunta-lhe.  Ele finge não compreendê-la. “Onde posso ter dormido senão em minha habitação”?

“Quero dizer, sobre que coisa tens descansado, já que não está aqui o último colchão que com tantos sacrifícios procurei conseguir para ti semana passada”?

“Ah, sim! Havia me esquecido de dizê-lo.  Ontem, durante sua ausência... Se houvésseis visto aquela casa e aquela enferma de sete anos já! Creia-me, a mim me vai melhor dormir assim”.
E na habitação, em lugar do colchão, a mãe havia achado uns feixes de lenha...

Outro dia, apresentando-se um pobre, necessitado de tudo. O santo vai olhar a dispensa e os armários. Tudo fechado. Porém, ah!, no fogão há um frango que está cozinhando. Ó providência! Sem titubear, pega o frango e o dá ao pobre. Regressa a mãe à casa e, mecanicamente, coloca nova lenha ao fogo do forno; mas, quando logo se dispõe a destampar a panela para retirar o frango, este havia “voado”!
Dadas suas atitudes para tratar com a juventude, o prelado, às instâncias do reitor Bertazzoli, o nomeia vice-reitor do seminário diocesano, o que serviu para a edificação de todos. Em uma manhã invernal, ao regressar ao seminário, viu um pobre ancião, descalço e mal vestido, que tremia de frio. Tanta compaixão o inspirou que retirando o calçado presenteou-o ao pobre velho. Alunos e professores creram que naquele dia ele havia esquecido de por os sapatos...



Buscando as pisadas seráficas...

De Bréscia passa a Berzo inferior, de coadjutor de dom Geresetti, com iguais mostras de santidade que em Cevo entre seus paroquianos. A poucos quilômetros dali, em frente, sobre um monte quebrado, se ergue o antigo convento da Anunciação, dos padres capuchinhos da Lombardia. Gostava de visitar este solitário convento, fundado em 1475 pelo beato Amadeo de Silva, nobre português, e que, com o tempo, foi lugar de retiro de varões ilustres em ciência e virtude.
Ali ouviu a voz do Senhor que o convidava a seguir as pegasdas do “serafim de Assis” (São Francisco). Recebidas as letras testemunhais da cúria diocesana e a conseguinte aceitação do provincial dos frades, em 16 de abril de 1874 vestia o hábito capuchinho tomando o nome de Frei Inocêncio. Tentou-lhe o demônio com escrúpulos e remorsos vãos, até que ao fim, com o auxílio de Deus e da Virgem, recobrou a paz em sua alma atormentada.
Em 29 de abril de 1875 emitia sua profissão religiosa. Aos dois meses partia para o “professório” de Albino. Em outubro de 1876 regressava a Berzo como vice-mestre de noviços da Anunciação, onde, por espaço de dez anos foi uma estampa vivente de profunda humildade, contínua oração e austeríssima penitência.

Sua austeridade havia sido rigorosíssima, tanto que evocava à de São Pedro de Alcântara. No inverno, metia os pés e as mãos em água gelada. No verão se expunha aos ardentes raios do sol e suportava aos molestos insetos tais como moscas, mosquitos e besouros. Disciplinava seu corpo com chibatadas e cilícios. A pele dos ombros, escápulas e dorso estavam muitas vezes salpicadas de sangue. Parecia um esqueleto, de modo que aos quarenta anos de idade, encurvado e decrépito, as pernas trêmulas e vacilantes, inspirava verdadeira lástima. Não dava satisfação alguma a seu corpo; temia sempre que o corpo predominasse sobre o espírito.

Em 1886 o destinaram ao convento de Milão para colaborar na redação dos “Anais Franciscanos”. Daqui passa ao convento de Crema; e, de novo, ao convento da Anunciação, de Berzo, como preceptor dos jovens estudantes. Então, sua saúde terrivelmente minada por suas tremendas penitências e achaques preocupa aos superiores que pensam transladar-lo a um melhor trato em Bérgamo; porém, já demasiado tarde. Seus últimos instantes são assistidos pelo monsenhor Celestino Cattaneo, prelado também capuchinho, amigo e admirador seu. Recebe os santos sacramentos e saúda à “irmã morte” louvando o Senhor, em 03 de março de 1890. Seu enterro foi um plebiscito popular de veneração ao santo, até o ponto que, apesar da vigilância, as pessoas foram cortando-lhe o cabelo, barba e hábito, que teve que ser mudado por três vezes.
Como dado curioso, diremos que os dois milagres apresentados a sua causa de beatificação se realizaram em dois meninos: um de sete anos, afetado de oclusão intestinal com perfuração e peritonite séptica mortal, e o outro, de quatro anos, com tumor maligno cerebral, que, praticada a biópsia, dava prognóstico letal.


[Luis Sanz Burata, El nuevo Beato Inocencio de Berzo, en Eccesia 21 (11-XI-1961) pp. 1437-38]

SÃO SERAFIM DE MONTEGRANARO, Irmão Capuchinho.



São Serafim de Montegranaro, Capuchinho
São Serafim de Montegranaro
1540-1604

Batizado com o nome de Félix, nasceu em 1540, em Montegranaro, na região das Marcas, na Itália. De família numerosa e muito pobre, era o quarto filho de Jerônimo Rapagnano e Teodora Giovannuzzi, cristãos fervorosos. Desde a infância teve de buscar o seu sustento. Trabalhou como serviçal nas casas de camponeses e aprendeu a pastorear rebanhos, exercendo essa função até os dezoito anos. Era analfabeto e aprendeu, contemplando a natureza e na sua solidão, a elevar o espírito para Deus.
Nessa idade, ingressou no Convento dos capuchinhos de Tolentino como irmão leigo e recebeu o nome de frei Serafim de Montegranaro, fazendo o noviciado em Jesi. Percorreu quase todos os conventos da região porque, devido à sua falta de instrução, apesar da sua boa vontade e dedicação, não conseguia cumprir satisfatoriamente as tarefas que lhe confiavam os superiores e os frades da comunidade. Mas sempre lhe eram poupadas as repreensões e os castigos, por causa de sua extraordinária bondade, pobreza, humildade, pureza e mortificação.
Exerceu as mais simples funções, de porteiro e esmoleiro, sempre em contato com os mais diversos grupos de pessoas, para as quais sempre distribuía palavras piedosas, conduzindo os fiéis à misericórdia de Deus.
A exemplo do santo fundador da Ordem, são Francisco de Assis, amou a natureza e através dela seu coração era conduzido a Deus. Em 1590, finalmente, estabeleceu-se no Convento de Ascoli Piceno. Os habitantes da cidade afeiçoaram-se tanto ao singelo frade Serafim que, em 1602, quando souberam que seria transferido, as autoridades escreveram aos superiores capuchinhos e impediram a sua partida. E não foi só nessa ocasião, nas outras tentativas também. Assim, o querido e respeitado frade Serafim permaneceu em Ascoli Piceno até morrer.
Era um verdadeiro mensageiro da paz e do amor de Cristo, sua palavra ou a sua simples presença exercia uma ação enorme em todas as pessoas: acalmava os ânimos, extinguia ódios. Viveu em oração, humildade, penitência e trabalho.
Deus encarregou-se de o ajudar, suprindo-o, nas suas capacidades, com os dons da cura, de penetrar os corações, de confortar as almas de um modo especial. Enquanto Serafim se manteve sempre na fidelidade do amor a Deus, estudando como ninguém os seus dois livros: o crucifixo e o terço de Maria.
Aos sessenta e quatro anos de idade, morreu no dia 12 de outubro de 1604. A voz do povo começou a difundir a fama de sua santidade por toda a Itália e logo atingiu todos os locais onde os capuchinhos se fixaram.
O papa Paulo V autorizou, pessoalmente, que se acendesse uma lâmpada junto da sua sepultura, em 1605. Foi canonizado pelo papa Clemente XIII em 1767. A festa de são Serafim de Montegranaro ocorre na data de sua morte.


x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x


Catequese de São João Paulo II, sobre São Serafim de Montegranaro, feita em 03 de junho de 2004.

São Serafim de Montegranaro faz plenamente parte do exército de Santos que, desde o princípio, enriqueceram a Ordem dos Frades Capuchinhos. Ele assimilou de maneira tão profunda a exortação evangélica a "rezar sempre, sem jamais desfalecer" (cf. Lc 18, 1; 21, 36), que a sua mente permanecia habitualmente mergulhada nas coisas do espírito, a tal ponto que muitas vezes chegava a tornar-se alheio a tudo aquilo que o circundava. Ele detinha-se para contemplar a presença divina na criação e nas pessoas, haurindo desta prática a inspiração para uma união constante com Deus.
A sua oração prolongava-se durante horas no silêncio da noite, à luz trémula da lâmpada que, na igreja conventual, ardia diante do Tabernáculo. Com que devoção o humilde frade participava na Celebração Eucarística! E por quanto tempo ele permanecia em adoração estática à frente do Santíssimo Sacramento, deixando que a sua oração se elevasse como um incenso agradável ao Senhor!
Animado por um amor intenso pela Paixão de Jesus Cristo, ele detinha-se para meditar sobre os sofrimentos do Senhor e da Santíssima Virgem. O frade gostava de repetir o Stabat Mater e, ao recitá-lo, desatava em lágrimas, suscitando a emoção da parte daqueles que se punham à sua escuta. Trazia sempre consigo o Crucifixo de ferro, que até hoje é conservado como uma relíquia preciosa; com este Crucifixo, ele habitualmente abençoava os enfermos, implorando para eles tanto a cura física como espiritual

3. O seu estilo de vida humilde e essencial, que passava num pequeno quarto despojado e angusto, as suas vestes miseráveis e remendadas, constituem testemunhos eloquentes do amor que ele nutria pela "Senhora Pobreza". O espírito de menoridade convicta, que para ele se tinha tornado conatural ao longo dos anos, deixava transparecer a verdadeira grandeza da sua alma. Ele compreendeu perfeitamente a página evangélica, que proclama: "Quem quiser ser grande entre vós, que se faça vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre vós, que se faça o servo de todos" (Mc 10, 43-44).
Às penitências incessantes, que ele escolhia livremente, entre as quais também o recurso ao cilício e à disciplina, o Santo unia a prática quotidiana de sacrifícios e de renúncias e, como mendigo, percorria caminhos empoeirados e assolados, compartilhava as dificuldades de numerosos dos seus contemporâneos. Ele gostava de frequentar as camadas menos abastadas e mais marginalizadas da população, para compreender até as exigências mais recônditas das mesmas e para aliviar os seus sofrimentos físicos e espirituais. E demonstrava a mesma disponibilidade para com quantos iam bater à porta do seu Convento. O Santo foi um grande pacificador das famílias porque, segundo as diversas circunstâncias, conseguia harmonizar com sabedoria as vigorosas exortações com gestos de solidariedade repletos de amor e com palavras de consolação encorajadora.

segunda-feira, 3 de março de 2014

SÃO CONRADO DE PARZHAM, Irmão Capuchinho (Padroeiro dos Porteiros)


São Conrado de Parzham
São Conrado de Parzham foi o segundo santo alemão canonizado depois da separação luterana da Igreja. O anterior fora também um capuchinho, São Fidélis de Sigmaringen, presbítero e protomártir da Ordem dos Capuchinhos. 

Chamado no batismo de Conrado Birndorfer, nasceu a 22 de Dezembro de 1818 numa numerosa família, proprietária de uma quinta em Venushof, no vale de Rott, na diocese de Passavia. Órfão aos 16 anos, dedicou-se ao trabalho do campo distinguindo-se já então pela prática da virtude e pelo espírito de oração.

Sentindo-se chamado à vida religiosa, entrou, aos trinta e um anos, na Ordem dos Capuchinhos e ali fez a sua profissão a 04 de Outubro de 1842. Destinado ao ofício de porteiro no convento e santuário de Altotting, na Baixa Baviera, ali permaneceu durante quarenta e três anos, edificando os seus irmãos e os muitos peregrinos com a prática da caridade e uma paciência inalterável. 

Grande devoto da Virgem Maria e da Eucaristia, dotado de dons extraordinários, entre os quais o dom da profecia e o de conhecer as consciências, provocou um despertar da fé em todas as regiões onde se foi difundindo a fama da sua santidade. 
São Conrado tinha uma grande sabedoria dada por Deus. Sabia dar conselhos e exortações que somente quem era iluminado pelo alto tinha capacidade de fazê-lo. Uma vez, perguntado por uma pessoa que, admirado por sua sabedoria, queria saber "de qual livro ele aprendera tudo isso", ele respondeu: "a cruz é o meu livro". 
Animado pelo zelo apostólico, entregou-se também à beneficência, sobretudo em favor de crianças e jovens abandonados ou em perigo, conhecidos pelo nome de Liebesswerk.

A 18 de Abril de 1894, depois de ter servido à mesa, foi para a portaria e ali começou a sentir-se mal. Pediu a um irmão para o substituir no seu trabalho, esperando que lhe voltassem as forças. Entretanto, elas não voltaram mais. Depois da oração de Vésperas, foi ter com o Guardião e, com toda a humildade, assim lhe falou “Padre, não posso mais”. Este mandou-o para a cama, na cela chamada de Nossa Senhora.

Frei Conrado, sem deixar notar que sofria, apertando nas mãos o crucifixo e o terço, entregou-se à oração. Na manhã de 21 de Abril, recebeu a Sagrada Comunhão e quis receber também a Unção dos enfermos e a absolvição geral. A calma e a serenidade que resplandeciam no seu rosto não permitiam esperar que a sua morte estivesse eminente.


Em dado momento, ouvindo tocar repetidamente a campainha da porta, fiel até ao fim, ao seu dever, com grande esforço, levantou-se e tentou sair. As suas forças, porém, já não lhe permitiram. Passou, naquele instante, um noviço que o levantou e, com a ajuda de outro o deitou na cama. Entrou logo em agonia. Um dos sacerdotes presentes recitou então as preces dos agonizantes e, às oito horas da tarde, no momento do Angelus, balbuciando fervorosas orações, com o olhar fixo no céu, morreu santamente. 
Era o dia 21 de Abril de 1894. Contava 76 anos de idade. A notícia da morte de São Conrado atraiu logo uma multidão de devotos, sobretudo crianças, que vieram venerar os seus restos mortais.
Dignou-se Deus, após sua morte, glorificar a memória de seu santo e humilde servo com muitos milagres. Foi canonizado por S.S. Pio XI no dia 20 de maio de 1934. 



domingo, 2 de março de 2014

SANTA ÂNGELA DA CRUZ, Virgem e Fundadora do Instituto das Irmãs da Companhia da Cruz, para o cuidado dos enfermos.


Maria dos Anjos Guerrero e González nasceu em Sevilha em 30 de janeiro de 1846, filha de Francisco Guerrero e Josefina González, casal de modesta condição social, mas cheio de virtudes cristãs. Cresceu em um ambiente muito religioso, ajudando seus pais nos trabalhos manuais, principalmente na costura. De caráter muito dócil e discreto, suscitava profunda admiração em todos que a conheciam.
Ainda pequena teve que deixar a escola para trabalhar em uma fábrica de calçados. Embora tivesse que trabalhar, amava isolar-se para dedicar-se à oração e à mortificação. Em 1871, aos 25 anos, fez um ato particular em que promete ao Senhor viver segundo os conselhos evangélicos.
Na sua longa experiência de oração, vê uma cruz vazia diante da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, o que lhe inspirou imolar-se em união com Jesus para a salvação das almas. Tocada por uma forte vocação, desejou entrar nas Carmelitas, mas seu diretor espiritual a aconselhou entrar nas Irmãs de Caridade. Devido às precárias condições de saúde foi obrigada a desistir em pouco tempo do Instituto.
Retornando à família, se dedicou às obras de caridade junto aos pobres. Obedecendo aos conselhos do diretor espiritual, começou a escrever um diário espiritual no qual expunha detalhadamente a regra de vida de uma comunidade de religiosas, que, com a sua destacada vocação e com a experiência espiritual que vivia, sentia poder constituir.
Assim, em 1875, deu início em Sevilha à Congregação das Irmãs da Companhia da Cruz para o cuidado dos enfermos. O seu ideal e o do Instituto era “ser pobre com os pobres para levá-los a Cristo” que constituiu o fundamento da espiritualidade e da missão da Companhia da Cruz.
A Santa Sé aprovou o Instituto em 1904, o qual teve uma rápida difusão, imprimido um impacto enorme na Igreja e na sociedade sevilhana do seu tempo.
Humilde e enérgica, Madre Ângela da Cruz, nome que tomou quando se tornou religiosa, soube infundir no ânimo de suas filhas um crescente espírito de dedicação e de caridade em favor dos necessitados, sendo por isto admirada por todos e chamada pelo povo de “mãe dos pobres”.
Natural e simples, recusou toda glória humana, buscou a santidade com um espírito de mortificação no serviço de Deus e dos irmãos, e com estes sentimentos deixou esta terra no dia 02 de março de 1932, na sua cidade de Sevilha, aos 86 anos de idade.
A causa para sua beatificação foi introduzida junto à Congregação dos Ritos em 10 de fevereiro de 1960. O Papa João Paulo II a beatificou durante sua primeira viagem à Espanha, no dia 5 de novembro de 1982, em Sevilha, o mesmo pontífice, num intervalo de 20 anos, a elevou à honra dos altares, canonizando-a em Madri a 04 de maio de 2003, durante sua quinta viagem em terras espanholas.

Corpo incorrupto de Santa Ângela da Cruz

Painel da Beatificação

Painel da Canonização

Estátua de Santa Ângela da Cruz

sábado, 1 de março de 2014

OS SANTOS E O CARNAVAL: Opinião dos Santos sobre o Carnaval. Estariam eles errados ou seriam uns "exagerados"?


Santa Faustina Kowalska diz: “Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista” (Diário, 926).




Santa Margarida Maria Alacoque escreve: “Numa outra vez, no tempo de carnaval, apresentou-me, após a santa comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo, agora”? (Escritos Espirituais).



São Francisco de Sales dizia: “O carnaval: tempo de minhas dores e aflições”.  Naqueles dias, esse santo fazia o retiro espiritual para reparar as graves desordens e o procedimento licencioso de tantos cristãos.
O santo, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente.



São Vicente Férrer dizia: “O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição”.







        

O Servo de Deus João de Foligno dava ao carnaval o nome de: a “Colheita do diabo”.




Santa Catarina de Sena, referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços: “Oh! Que tempo diabólico!”.











São Carlos Borromeu jamais podia compreender como os cristãos podiam conservar este perniciosíssimo costume do paganismo.
Nos dias de Carnaval, o santo castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias.







Santo Afonso Maria de Ligório escreve:
“Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação, Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto, os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer e por um divertimento momentâneo. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm vergonha de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o Santo Nome de Deus. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus. Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes” (Meditações).
    Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender que é Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.
É por isso que os santos, a fim de desagravarem o Senhor de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado.



Santa Teresa dos Andes escreve: “Nestes três dias de carnaval tivemos o Santíssimo exposto desde a uma, mais ou menos, até pouco antes das 6h. São dias de festa e ao mesmo tempo de tristeza. Podemos fazer tão pouco para reparar tanto pecado”...  (Carta 162).




                                                        



   São Pedro Claver
     Um oficial espanhol viu um dia São Pedro Claver com um grande saco às costas.
— Padre, aonde vai com esse saco?
— Vou fazer Carnaval; pois não é tempo de folgança?
O oficial quer ver o que acontece: acompanha-o.
O Santo entra num hospital. Os doentes alvoroçam-se e fazem-lhe festa; muitos o rodeiam, porque o Santo, passando com eles uma hora alegre, lhes reparte presentes e regalos até esvaziar completamente o saco.
— E agora? – pergunta o oficial.
— Agora venha comigo; vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de Carnaval.



No tempo do carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi, carmelita e grande mística, passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores.






O Beato Henrique Suso guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas.












São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e realizar exercícios de devoção.












Nota do autor do blog:
Quando lemos as afirmações e exortações acima, ditas por santos e santas, a respeito do Carnaval, palavras duras e fortes ditas naqueles tempos nos quais o Carnaval ainda era “inocente”, se comparado com o dos tempos atuais, eu me pergunto: imaginem o que diriam esses mesmos santos e santas diante das imoralidades, escândalos, nudez, bebedeiras, desordens, vícios e crimes cometidos no Carnaval do século XXI? Tenho até medo do que seriam capazes de dizer...

E nós somos praticamente obrigados a ouvir as músicas mais indecentes possíveis, a presenciar o "cortejo" de mulheres seminuas e nuas, ver adolescentes de 12 a 16 anos, moças e rapazes embriagados, drogados e cometendo os pecados e vícios os mais escandalosos possíveis! E tudo isso com o apoio das autoridades federais, estaduais e municipais. Que triste! 

Muitos, talvez, dirão: "mas, podemos brincar o Carnaval de forma inocente, só entre amigos e familiares". Assim, são promovidos até em escolinhas de crianças pequenas os chamados "bailinhos" de Carnaval. Mas, mesmo nesses "bailinhos", muitas vezes, são tocadas, cantadas e dançadas músicas com letras de duplo sentido ou mesmo com explícito sentido imoral. É muito difícil fazer com que em 100% das escolas, escolinhas e nos lares de boas famílias sejam tocadas APENAS músicas sem conotação indecente, com uso de fantasias que não exponham os corpos, principalmente das meninas, adolescentes e jovens... 

Infelizmente, como instituição, o Carnaval  é, na imensa maioria dos casos, um período permissivo, onde a luxúria (adultérios, fornicações, nudez, imoralidades, prostituição, etc), a embriaguez, o desrespeito, a desordem e toda espécie de desmandos são cometidos e tidos como "normais" ou "naturais"... 

Não é fácil opor-se contra o Carnaval, visto que a coisa já faz parte do "calendário oficial" das "festas" em nosso país, conhecido mundialmente pela infeliz alcunha de: "país do Carnaval". Que triste.