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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 24 de maio de 2014

Santos Cristóvão Magalhães Jara, presbítero e 24 Companheiros Mártires do México (1926-1927)


São Cristóvão Magalhães, presbítero, e companheiros, mártires, em diferentes regiões do México, perseguidos por ódio à fé cristã e da Igreja Católica, por professar Cristo Rei, obtiveram a coroa do martírio.

Em 1917, no México, foi promulgada uma nova Constituição baseada em princípios anticlericais, assinada pelo presidente Venustiano Carranza. Era o início de uma era de perseguição religiosa violenta à Igreja naquele país. Os bispos mexicanos expressaram sua oposição à nova lei, causando uma forte reação do governo.
A partir de 1926, sendo presidente Plutarco Elias Calles, a perseguição tornou-se ainda mais violenta, com expulsão de padres estrangeiros, o fechamento de escolas católicas e de algumas instituições de caridade mantidas pela Igreja, bem como com a proibição de se realizarem missas, batizados, confissões ou quaisquer outras manifestações religiosas públicas nas igrejas. 
Os políticos, militares, profissionais liberais e jornalistas católicos formaram uma organização  chamada “Liga Mexicana Para a Defesa da Liberdade Religiosa” que proclamou: “Nós lamentamos a guerra, mas, insultou a nossa dignidade ser a nossa fé perseguida o que nos obriga a correr para nos defendermos no mesmo campo em que se espalha o ataque”.
E o povo católico mexicano, não podendo mais suportar as dificuldades que o boicote do governo causava à liberdade religiosa, sem intervenção direta do clero, por meio de armas, resolveu lutar contra as arbitrariedades desse mesmo governo. Assim, começou a guerra civil, mais conhecida no México como “Movimento Cristero” ou “Cristiada”.
Esse movimento não foi promovido pela hierarquia da Igreja, mas, pelo povo leigo, que buscou o apoio de seus pastores. O clero procurou primordialmente apoiar a resistência através de meios pacíficos. Alguns padres eram, inclusive, hostis ao movimento; outros, abandonaram suas paróquias; alguns, no entanto, foram ativamente a favor deste e até participaram da luta.
Finalmente, deve-se dizer, porém, que a maioria dos religiosos preferiu empregar seus esforços no cuidado das almas do rebanho a eles confiado, apesar de estar bem conscientes de estarem arriscando suas vidas. Este é o caso dos santos mártires que foram canonizados em 21 de maio de 2000, no Ano Jubilar, por São João Paulo II, na Praça de São Pedro. Foram mortos, na maioria das vezes, de forma sumária, sem julgamento algum. Eram capturados dentro ou ao saírem de suas igrejas ou em suas residências ou locais de trabalho, arrastados para a rua e, ali mesmo, eram fuzilados ou enforcados sumariamente, sem defesa ou recurso. Em pleno século XX, o tempo da barbárie romana parecia ter se instalado no México, tradicionalmente tão católico e piedoso.
Além desses 25 mártires já proclamados santos pela Santa Igreja, outras 14 vítimas da mesma perseguição foram beatificadas entre 1988 e 2005, durante três cerimônias. Finalmente, outros 07 Servos de Deus ainda estão em processo para o reconhecimento de seu martírio.
Os 25 Santos Mártires Mexicanos (São Cristóvão Magalhães e 24 Companheiros), por vontade do Santo Padre São João Paulo II, foram imediatamente incluídos no Calendário Romano no dia 21 de maio como “memória facultativa”. O Martyrologium Romanum comemora também os diferentes Santos e Beatos separadamente, cada um no dia do aniversário do martírio. Para mais informações, coloco abaixo os nomes dos santos mártires do México (conservei os nomes originais, em língua espanhola) com os dias individuais de memória litúrgica dedicados a eles:





1.         Cristobal Magallanes Jara, presbítero, 25 de maio.
2.         Roman Adame Rosales, presbítero, 21 de abril.
3.         Rodrigo Aguilar Aleman, presbítero, 28 de outubro.
4.         Julio Alvarez Mendoza, presbítero, 30 de março.
5.         Luis Batis Sainz, presbítero, 15 de agosto
6.         Agustin Caloca Cortes, presbítero, 25 de maio.
7.         Mateo Correa Magallanes, presbítero, 06 de fevereiro.
8.         Atilano Cruz Alvarado, presbítero, 01 de julho.
9.         Miguel De La Mora De La Mora, presbítero, 07 de agosto.
10.               Pedro Esqueda Ramirez, presbítero, 22 de novembro.
11.               Margarito Flores Garcia, presbítero, 12 de novembro
12.               Jose Isabel Flores Varela, presbítero, 21 de junho.
13.               David Galvan Bermudez, presbítero, 30 de janeiro.
14.               Salvador Lara Puente, Leigo, 15 de agosto.
15.               Pedro de Jesus Maldonado Lucero, presbítero, 11 de fevereiro.
16.               Jesus Mendez Montoya, presbítero, 5 de fevereiro.
17.               Manuel Morales, leigo, 15 de agosto.
18.               Justino Orona Madrigal, presbítero, 01 de julho.
19.               Sabas Reyes Salazar, presbítero, 13 de abril.
20.               Jose Maria Robles Hurtado, presbítero, 26 de junho.
21.               David Roldan Lara, leigo, 15 de agosto.
22.               Toribio Romo Gonzalez, presbítero, 25 de fevereiro.
23.               Jenaro Sanchez Delgadillo, presbítero, 17 de janeiro.
24.               David Uribe Velasco, presbítero, 12 de abril.
25.               Tranquilino Ubiarco Robles, presbítero, 05 de outubro. 



Santos Mártires do México, rogai por nós! Rogai por todo povo católico, neste século tão difícil. 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

SÃO CARLOS JOSÉ EUGÊNIO DE MAZENOD, Bispo e Fundador da Congregação dos Oblatos de Maria Imaculada


Charles-Joseph-Eugène de Mazenod nasceu no dia 1º de Agosto de 1782 em Aix-en-Provence, no Sul da França, num mundo em plena (e rápida) evolução. Aparentemente, o menino já tinha uma carreira brilhante assegurada e uma vida abastada graças à sua família, que pertencia à pequena nobreza. No entanto, as perturbações decorrentes da Revolução Francesa (1789) iriam mudar para sempre a situação de Eugênio, que tinha somente oito anos quando sua família teve que fugir da França deixando todos os seus bens para trás. Começava, então, para a família Mazenod um longo e penoso exílio que duraria onze anos. 
 

Os anos na Itália

A família Mazenod partiu para o exílio na Itália, indo de uma cidadela à outra. O pai, que havia sido Presidente da Câmara no Parlamento de Aix, viu-se obrigado a entrar para o ramo do comércio para poder manter sua família. Porém ele se revelou tão pouco hábil para os negócios que, ao fim de alguns anos, sua família estava à beira da ruína. Eugênio estudou algum tempo no Colégio dos Nobres, em Turim, mas a necessidade de partir rumo a Veneza marcaria, para ele, o fim de uma freqüência escolar regular.
Um sacerdote local, Don Bartolo Zinelli, que era próximo à família Mazenod, decidiu ajudar na formação do jovem francês. Don Bartolo deu a Eugênio uma educação fundamental impregnada do sentido de Deus e do desejo de uma vida piedosa, algo que o acompanharia para sempre, apesar dos altos e baixos de sua existência.
Uma nova mudança, desta vez rumo a Nápoles, acarretou um período de aborrecimento combinado a um sentimento de impotência. A família mudou-se novamente, desta vez para Palermo onde, graças à bondade do Duque e da Duquesa Cannizzaro, Eugênio pôde experimentar, pela primeira vez depois de muito tempo, da nobreza que ele achava tão agradável. Ele recebeu o título de "Conde de Mazenod", iniciou-se nos hábitos do tribunal e pôs-se a sonhar com um futuro brilhante.


O retorno à França – o sacerdócio

Em 1802, aos 20 anos de idade, Eugênio pôde retornar ao seu país natal. Todos os seus sonhos e ilusões rapidamente se desfizeram. Na França, ele não passava de “Cidadão” Mazenod. Aquele país havia mudado demais! Seus pais haviam se separado. Sua mãe tentava recuperar o patrimônio familiar e se ocupava em tentar casar Eugênio com uma herdeira mais rica. O jovem tornou-se pessimista face ao futuro que se lhe apresentava. Mas o seu cuidado tão espontâneo com os outros, aliado à fé que havia desenvolvido em Veneza, começaram a se estabelecer na vida de Eugênio, que ficou profundamente tocado pela situação desastrosa em que se encontrava a Igreja na França, provocada, atacada e dizimada pela Revolução Francesa.
O chamado ao sacerdócio começou a se manifestar e Eugênio o atendeu e, a despeito da oposição de sua mãe, entrou para o Seminário Saint-Sulpice em Paris. Em 21 de Dezembro de 1811, foi ordenado sacerdote em Amiens.


Os engajamentos apostólicos: Oblatos de Maria Imaculada

Retornando a Aix-en-Provence, ele não assumiu paróquia alguma, mas começou a exercer seu ministério ocupando-se especialmente em ajudar espiritualmente os mais pobres: os prisioneiros, os jovens, os empregados, os camponeses. Freqüentemente, Eugênio enfrentou a oposição do clero local. Porém, logo encontrou outros sacerdotes igualmente zelosos e prontos a quebrar as regras (em nome do Reino de Deus – N.T.). Eugênio e seus companheiros pregavam em provençal, a linguagem corrente dos seus interlocutores, e não em francês, que era a língua das pessoas instruídas. Eles iam de aldeia em aldeia ensinando aos aldeões e passando horas e horas nos confessionários. Entre essas “missões paroquiais”, o grupo se reencontrava para uma intensa vida comunitária de oração, estudo e de vivência da fraternidade. Eles se denominavam “Os Missionários da Provença”.
Para assegurar a continuidade da obra, Eugênio tomou uma importante decisão: foi até o Papa e pediu-lhe autorização para que seu grupo fosse reconhecido como Congregação de Direito Pontifício.  Sua fé e sua perseverança deram frutos e foi assim que, em 17 de Fevereiro de 1826, o Papa Leão XII aprovou a nova Congregação sob o nome de "Oblatos de Maria Imaculada". Eugênio foi eleito Superior Geral e continuou a inspirar e guiar seus membros durante 35 anos, até a sua morte.
O número de obras crescia: pregações, confissões, ministérios jovens, responsabilidade por santuários mariais e paróquias, visitas a prisões, direções de seminários. No cumprimento de tantas tarefas, Eugênio sempre insistia na necessidade de uma profunda formação espiritual e de uma intensa vida comunitária. Ele amava Jesus Cristo apaixonadamente e estava sempre pronto a assumir um novo compromisso se enxergava nisso uma resposta às necessidades da Igreja. A “glória de Deus, o bem da Igreja e a santificação das almas” eram a fonte do seu dinamismo interior.


Bispo de Marselha

A diocese de Marselha havia sido extinta após a Concordata de 1802 entre Napoleão Bonaparte e o Papa Pio VII. Ao ser restabelecida, o tio de Eugênio, Cônego Fortunato de Mazenod, foi então nomeado para ser o Bispo responsável por aquela região. Logo depois, o novo Bispo empossou Eugênio como Vigário Geral, e foi assim que o imenso canteiro de obras da reconstrução da diocese acabou ficando sob sua responsabilidade.
Após alguns anos, em 1832, o próprio Eugênio foi nomeado Bispo auxiliar do seu tio. Sua ordenação episcopal aconteceu em Roma, o que foi considerado como um desafio ao governo francês, que se achava no direito de confirmar tais nomeações. Seguiu-se uma acirrada batalha diplomática, estando Eugênio no centro de acusações, incompreensões, ameaças e recriminações.
Para ele, este foi um período doloroso, uma dor aumentada ainda mais pelas crescentes dificuldades enfrentadas por sua própria família religiosa. Todavia, Eugênio manteve-se firme no rumo certo e, finalmente, as coisas se acalmaram. Cinco anos mais tarde, quando seu tio se aposentou, ele foi nomeado Bispo de Marselha.


Um coração do tamanho do mundo

Mesmo que ele tenha fundado os Oblatos de Maria Imaculada, inicialmente, para levar os serviços da fé aos pobres dos campos da França, o zelo de Eugênio pelo Reino de Deus e seu amor pela Igreja conduziram os Oblatos à condição do apostolado missionário, levando-os a se instalarem na Suíça, na Inglaterra e na Irlanda. Devido ao seu zelo apostólico, Eugênio era visto como um “segundo São Paulo”.
Bispos missionários vieram pedir-lhe que enviasse Oblatos às suas áreas apostólicas em expansão. Apesar do pequeno número de membros do seu Instituto, Eugênio respondeu generosamente, enviando seus missionários ao Canadá, aos Estados Unidos, ao Ceilão (atual Sri Lanka), à África do Sul e à Basutolândia (atual Lesoto).
Missionários ao seu modo, eles se espalharam pregando, batizando, levando a todos o seu apoio. Frequentemente eles se instalavam em terras ignoradas, estabelecendo e dirigindo novas dioceses e de vários modos eles “ousavam tudo para fazer avançar o Reino de Deus”. Durante os anos que se seguiram, o ímpeto missionário continuou de tal forma que atualmente o espírito de Eugênio de Mazenod está bem vivo em 68 países.

Pastor de sua Diocese

Em meio à agitação das atividades missionárias, Eugênio revelava-se o eminente pastor da Diocese de Marselha. Ele assegurou a melhor formação aos seus sacerdotes, estabeleceu novas paróquias, construiu uma nova catedral e uma basílica espetacular, Nossa Senhora da Guarda, que dominava a paisagem da cidade.
Encorajava seus sacerdotes a buscarem o caminho da santidade, convidava um grande número de comunidades religiosas a trabalharem em sua diocese e liderava os Bispos franceses no apoio ao Papa pelos seus direitos. Tornou-se uma figura reconhecida da Igreja da França.
Em 1856, o imperador Napoleão III nomeou-o senador. Na ocasião de sua morte, Eugênio era o deão dos Bispos da França.



A herança de um santo

Em 21 de maio de 1861, Eugênio de Mazenod retornou para o Pai aos 79 anos de idade. Assim terminava uma vida riquíssima em realizações, muitas das quais haviam sido conquistadas à base de muito sofrimento. Para a sua família religiosa e sua diocese, ele havia sido ao mesmo tempo ponto de apoio e inspiração; para Deus e a Igreja, um filho fiel e generoso.

No momento de sua morte, Eugênio deixou uma última recomendação: “Entre vós, praticai bem a caridade! A caridade e no mundo, o zelo pela salvação das almas.” A Igreja, declarando-o “Santo” em 03 de Dezembro de 1995, destaca estes dois aspectos de sua vida: o amor e o zelo. Sua vida e obra permanecem para sempre uma abertura ao mistério do próprio Deus. Este é o maior dom que Eugênio de Mazenod, Oblato de Maria Imaculada, pode nos oferecer.

Oração da coleta da memória do santo: 
Oh, Deus, que na tua misericórdia, quiseste enriquecer o santo Bispo Eugénio de Mazenod grandes virtudes apostólicas para anunciar o Evangelho às gentes, concede-nos, por sua intercessão, de arder no mesmo espírito e de tender unicamente ao serviço da Igreja e à salvação das almas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Beata Pina Suriano, Leiga e Alma Vítima (comemorada em 19 de maio)


Beata Pina Suriano, Virgem e Leiga
     Nasceu em Partinico (Itália), centro agrícola da província de Palermo, a 18 de fevereiro de 1915; foi batizada no dia 6 de março com o nome de Giuseppina (Josefina em português), mas será sempre conhecida com o diminutivo: Pina.
     Os seus jovens pais, José e Graziela Costantino, viviam dos modestos proventos do trabalho nos campos; a família era profundamente religiosa o que refletia no ânimo sereno de Pina. De índole dócil e submissa, interessava-se pelas coisas simples da vida relacionadas com o sentido religioso que será, ao longo de toda a sua vida, o primeiro dos seus interesses. Pina recebeu em família a primeira educação moral e religiosa, que depois foi aperfeiçoada, a partir dos 4 anos de idade, quando entrou no asilo das Irmãs "Collegine de San Antonio".
     Em 1922, à distância de poucos dias um do outro, recebeu os Sacramentos da Penitência, da Primeira Comunhão e da Confirmação. Com apenas doze anos, entrou na Ação Católica.
     Começou a inserir-se na vida paroquial e diocesana, participando ativamente em todas as iniciativas da Ação Católica e nas que eram ditadas pela necessidade dos problemas locais. Fez da sua paróquia o centro de todas as suas ações, em colaboração com o pároco, padre Antonio Cataldo, que era o seu diretor espiritual e confessor.
     Em 1937, após a instituição da nova paróquia de Nossa Senhora do Rosário, devido sua residência estar naquela jurisdição, Pina passou a frequentá-la e teve como confessor e diretor espiritual o padre Andrea Soresi, que foi posteriormente o seu biógrafo.
     De 1939 a 1948 foi secretária da A.C. e, posteriormente, foi nomeada Presidente das jovens da A.C. Fundou a Associação das Filhas de Maria, da qual foi Presidente até à morte.
     Pina Suriano baseou todo o seu apostolado e espiritualidade na trilogia da A.C.: “Oração, Ação, Sacrifício”, a qual acrescentou a Santa Missa, a Comunhão, a meditação quotidiana, o estudo da palavra de Deus e a obediência ao magistério eclesiástico.
     Embora sendo uma filha perfeita, que de boa vontade realizava os serviços para a família, Pina teve que enfrentar a oposição de sua mãe que não queria que ela se dedicasse tanto à Igreja, pois desejava para ela o estado matrimonial, que entretanto não estava em suas cogitações. O empenho religioso de Pina era resultado de uma convicção e de uma escolha de vida, e nesse contexto ela fez o voto de castidade em 29 de abril de 1932, na pequena igreja das Filhas da Misericórdia e da Cruz, que era a sede social da Juventude Feminina da A.C. de Partinico.
     Como prova da seriedade do voto emitido, Pina renovava-o todos os meses, com a autorização do seu diretor espiritual, recusando as várias propostas de matrimônio que lhe foram feitas por mais de um jovem. Era grande o seu desejo de se fazer religiosa, mas encontrou grandes dificuldades na oposição dos seus pais. Visto que para ela o caminho da vida religiosa não se abria, quis dar a Jesus a última prova do seu imenso amor e, a 30 de março de 1948, com outras três companheiras, ofereceu-se como vítima pela santificação dos sacerdotes.
     Antes que o sofrimento desejado e ofertado se apresentasse em sua jovem vida, em setembro de 1948 com grande alegria Pina foi a Roma em peregrinação por ocasião de uma celebração da Juventude Feminina.
     No mesmo ano de 1948, manifestou-se uma forma de artrose reumática tão violenta que provocou uma deficiência cardíaca; nos meses seguintes Pina sofria muito, mas estava feliz porque a oferenda de vítima para a santificação dos sacerdotes fora aceita.
     Ela desejou muito voltar a Roma para assistir à canonização de Santa Maria Goretti, que aconteceu em 24 de junho de 1950, mas faleceu repentinamente, vítima de um infarto, em 19 de maio de 1950, com apenas 35 anos.
Santinho seu com oração na época na qual era "Serva de Deus"

     O funeral foi solene, com a participação de muita gente convencida de que havia morrido uma santa; ela foi sepultada no túmulo da família no cemitério de Partinico. Em 8 de maio de 1969 seus restos mortais foram definitivamente transladados para a igreja paroquial do Sagrado Coração de Partinico.
     Ela foi beatificada em Loreto, no dia 5 de setembro de 2004. Determinante para sua beatificação foi um milagre obtido por sua intercessão pela jovem Isabel Mannone, de 18 anos, de Mazara del Vallo.

     Pina amou a Jesus com um amor ardente e fiel, até o ponto de poder escrever com toda sinceridade: “Não faço mais que viver de Jesus”. Dirigia-se a Jesus com coração de esposa: “Jesus, faz-me sempre tua. Jesus, eu quero viver e morrer contigo e para ti”.

Servo de Deus Justo Takayama Ukon, Leigo e Mártir: O "Samurai de Cristo".


Justo Takayama Ukon, leigo e mártir (o "samurai de Cristo")


Um samurai do século XVI que preferiu renunciar a seus bens, viver na pobreza e ser exilado de seu país antes que abandonar a sua fé católica, poderia chegar aos altares pela sua fidelidade a Cristo e a sua Igreja, se a Congregação para a Causa dos Santos aprova a causa de beatificação apresentada pela Companhia de Jesus. Pelas circunstâncias de sua morte, poderia ser inclusive declarado mártir.

O Postulador General da Companhia de Jesus (jesuítas), Pe. Anton Witwer, disse ao grupo ACI que o Samurai Takayama Ukon, “morreu no exílio por causa da debilidade causada pelos maus tratos que sofreu em sua terra natal” e explicou que se Takayama é aceito como um mártir, não precisaria de um milagre para ser beatificado.

A palavra samurai costuma ser utilizada para designar os guerreiros do antigo Japão. Embora a palavra signifique “o que serve”, o vocábulo se usa para designar a elite militar que governou o país por anos.

A Conferência Episcopal Japonesa apresentou ao Vaticano uma solicitação de 400 páginas para a beatificação de Takayama no ano passado. É a terceira vez que se apresenta esta causa, a primeira foi a pouco tempo da morte do Samurai e a segunda na década de 1960.

A vida de Takayama é um exemplo de “grande fidelidade à vocação cristã, que perseverou apesar de todas as dificuldades”, assinalou o Pe. Witwer.

Takayama nasceu em 1552, três anos depois que o missionário jesuíta São Francisco Xavier introduzira o cristianismo no Japão. Quando tinha 12 anos, depois da conversão de seu pai ao catolicismo, o jovem foi batizado com o nome de Justo pelo sacerdote jesuíta, padre Gaspare di Lella.

Os Takayama eram daimio, quer dizer, membros da classe governante dos senhores feudais que secundavam aos shogun na época medieval e inícios da etapa moderna no Japão. Como daimio possuíam várias propriedades e tinham direito a formar exércitos e contratar samurais. Dada a sua posição social, os Takayama podiam ajudar nas atividades missionárias no Japão, e eram protetores dos cristãos assim como dos missionários jesuítas.

Segundo o Pe. Witwer, quem também preside o Instituto de Espiritualidade Inaciana na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma (Itália), os Takayama influenciaram na conversão de dezenas de milhares de pessoas no país.

Em 1587, quando o samurai tinha 35 anos, o Chanceler do Japão, Toyotomi Hideyoshi, iniciou uma perseguição contra os cristãos, expulsando missionários e forçando os católicos japoneses a abandonarem a fé.

Muitos daimios optaram por renunciar ao catolicismo, Takayama e seu pai, pelo contrário, optaram por abandonar as suas terras e suas honras para manter a fé.

O sacerdote jesuíta contou ao Grupo ACI que o samurai “não queria lutar contra outros cristãos, portanto, preferiu uma vida pobre, já que quando um samurai não obedece a seu ‘chefe’, perde tudo o que tem”.


Estátua do samurai mártir católico Justo
Takayama Ukon
“Escolheu a pobreza para ser fiel à vida cristã e durante anos, viveu sob a proteção de amigos aristocráticos, levando assim uma vida digna, (…) era um nobre, uma pessoa conhecida”, relatou o presbítero. “Muitas pessoas tentaram convencer Takayama a renegar de sua fé”, mas ele se negou a sair da Igreja, sua opção era a de viver como um cristão até a morte.
Em 1597, o Chanceler ordenou a execução de 26 católicos japoneses e estrangeiros que foram crucificados em 5 de fevereiro.

Quando o shogun Tokugawa proibiu definitivamente o cristianismo em 1614, Takayama foi ao exílio e liderou um grupo de 300 católicos japoneses que partiram para as Filipinas, e se estabeleceram em Manila, a capital do país, chegando em dezembro.


Takayama morreu no dia 4 de fevereiro, depois de ter sido debilitado pela perseguição no Japão.

sábado, 17 de maio de 2014

SÃO PASCOAL BAYLON (ou Bailão), Irmão Franciscano, Patrono Universal das Obras e Congressos Eucarísticos.

 Hoje, trago ao conhecimento dos leitores e leitoras deste blog a vida e obras de um grande santo: São Pascoal Baylon (ou Bailão), irmão franciscano, extraordinário devoto do Santíssimo Sacramento do Altar. 
 Pena não ser um santo "famoso" como o é Santa Teresinha do Menino Jesus, Santo Antônio de Pádua ou São Francisco de Assis, porém, de forma alguma "fica atrás" ou "por debaixo" da grandeza desses santos, visto ter sido realmente um homem de extraordinária humildade, simplicidade, amor a Deus e devoção à Sagrada Eucaristia. 
 Coloco aqui dois textos que os considerei muito bons e completos. Espero que apreciem. Vale a pena ler os dois, com calma e devoção e, a partir de hoje, ter para esse santo um lugar especial em nossos corações e orações. Amém. 



São Pascoal Baylon, Franciscano
Quem já teve oportunidade de contemplar o espetáculo encantador de um rebanho de ovelhas reunido em torno de seu pastor, certamente terá notado o quanto existe uma como que interlocução entre esses mansos animais e aquele a quem estão confiados. Com efeito, quando ele as chama ou lhes dirige alguma advertência, as ovelhas se juntam ao seu redor, submissas e atentas, parecendo compreender o sentido de suas palavras.

Esta cena, tão simples na aparência, nos revela a realidade profunda daquela frase do Evangelho: "As minhas ovelhas escutam a minha voz" (João 10, 27). Há na relação pastor-ovelha uma simbologia criada por Deus para nos fazer entender o relacionamento cheio de consonância e intimidade que se estabelece entre Jesus e a alma conduzida pela graça. Bastará uma palavra, isto é, uma suave inspiração do Espírito Santo, para ela se mover segundo a vontade de Deus, sem temores ou dúvidas, pois sabe reconhecer o timbre da voz do Pastor.

Tais são os santos, ao longo da História, verdadeiras "oves manus eius - ovelhas nas mãos do Senhor" (Salmo 94, 7), flexíveis e obedientes a seus mandamentos. Aquilo que os distingue dos demais homens e os faz galgar os cumes da virtude, conferindo-lhes um inequívoco carisma de atração, repousa nesse abandono nas mãos de Deus e na docilidade em deixar- se levar conforme o seu beneplácito. Nisso consiste o verdadeiro heroísmo, muito mais do que em esforços e trabalhos nos quais a alma possa se fatigar, pois estes, quando privados do auxílio da graça, resultam inteiramente estéreis.

Deste modo, compreendemos então que a santidade não consiste tanto em realizar grandes obras, mas sim em tornar grandes todas as obras, mesmo as mais insignificantes.


São Pascoal Baylon em oração
Contemplativo desde a infância

Em 1540, num jubiloso domingo de Pentecostes, enquanto os sinos da matriz de Torre Hermosa, situada no limite da Província de Zaragoza, em Aragão, repicavam para comemorar a grande solenidade do Espírito Santo, nascia um menino predestinado por Deus a ser um perfeito modelo de mansidão e inocência, como cordeiro do rebanho do Senhor. Dado que na Espanha esse dia é chamado "Páscoa de Pentecostes", seus pais, Martim Bailão e Isabel Jubera, batizaram-no com o nome de Pascoal.

De condição modesta, o pequeno Pascoal começou a trabalhar aos sete anos de idade para ajudar os pais, honrados camponeses, pastoreando suas ovelhas - único bem que estes possuíam - e, mais tarde, exercendo o mesmo ofício a serviço de outros proprietários.

A solidão dos campos e a serenidade própria ao rebanho constituíam um marco ideal para o desenvolvimento daquela alma austera e contemplativa, de modo a fazer florescer nela as virtudes. Se, desde os primeiros anos, seus pais lhe haviam inculcado uma ardorosa piedade, Pascoal empregou-se em torná-la cada dia mais sólida, por meio da prece assídua, da mortificação e da leitura. Impossibilitado de frequentar escola, pela falta de recursos da família, o menino aprendeu a ler e a escrever por si só - ensinado pelos Anjos, segundo alguns de seus biógrafos -, tamanho era seu desejo de instruir-se na Religião. Seu alforje transformou-se numa pequenina biblioteca, onde carregava os livros de sua devoção e o Ofício Parvo de Nossa Senhora, que rezava todos os dias.

Não tendo oportunidade de assistir à Missa durante a semana, o pastorzinho supria essa lacuna dedicando longas horas à oração, quer numa pequena ermida da Santíssima Virgem situada naquelas redondezas, quer voltado para o longínquo Santuário de Nossa Senhora da Serra, quer, simplesmente, diante de seu próprio cajado, onde fizera gravar uma cruz e uma imagem de Maria. Aprouve a Deus premiá-lo, concedendo-lhe em diversas ocasiões que os Anjos trouxessem até ele a Hóstia resplandecente para ele poder vê-la e adorá-la.

De outro lado, como a região em torno da ermida era muito seca e o pasto escasso, Pascoal foi advertido por seu amo de que, indo com frequência para lá, os animais acabariam por perecer. Não querendo abandonar seu lugar predileto, o menino argumentou, cheio de fé, que Maria, como Divina Pastora, jamais deixaria faltar alimento ao rebanho. E ao cabo de algum tempo o dono deu-se por vencido, constatando que suas ovelhas eram as mais bem nutridas de toda a região.


Assinatura do santo
Na vida religiosa

Como Pascoal desejava ardentemente entregar-se a Deus no estado religioso, apareceram-lhe certa vez São Francisco e Santa Clara, e disseram-lhe que deveria ingressar na Ordem dos Frades Menores. Tal desígnio ia de encontro a seus afetos mais recônditos, pois alimentava um especial amor à virtude da pobreza. E quando seu patrão, o senhor Martín García, homem rico e poderoso, prometeu deixar-lhe seus bens, uma vez que não possuía filhos, o jovem pastor rejeitou a oferta, dizendo que preferia ser herdeiro de Deus e coerdeiro de Jesus Cristo.

Aos vinte anos partiu em busca dessa herança incorruptível e transladou-se para o reino de Valência. Desejava ingressar no convento de Nossa Senhora de Loreto, recém-reformado por São Pedro de Alcântara. No entanto, sua timidez no momento de falar com o padre superior reteve-o por quatro anos, durante os quais permaneceu nas proximidades do mosteiro, empregado, mais uma vez, na guarda de ovelhas. Sua piedade e suas virtudes tornaram-no conhecido em toda a comarca sob o apelido de o "santo pastor".

Decidiu-se, por fim, a solicitar sua admissão no convento, e foi acolhido com alegria por aquela comunidade. Quis o Superior dar-lhe o hábito de irmão corista, mas a humildade de Pascoal levou-o a suplicar que o deixassem apenas como irmão converso, pois só almejava ser a "vassoura da casa de Deus".

Humildade e intrepidez

O novo frade não tardou em se transformar num modelo de observância religiosa, a ponto de ser disputada sua presença nos diversos conventos da Ordem. Exercia com despretensão e simplicidade as mais variadas funções, tais como de cozinheiro, jardineiro, porteiro ou esmoler. Porém, ao procurar humilhar-se diante dos homens, crescia em estatura espiritual diante de Deus. De trato afável e bondoso com os demais, o irmão Pascoal era duro e intransigente consigo mesmo. Considerava-se um grande pecador, motivo pelo qual se sacrificava continuamente, privando-se do pão para dá-lo aos pobres, dormindo sobre a terra nua e flagelando-se com frequência.

Assim testemunhou a seu respeito um de seus contemporâneos: "Nunca pensava em satisfazer o menor capricho. Sempre punha empenho em mortificar-se a si mesmo. Vi brilhar nele a humildade, a obediência, a mortificação, a castidade, a piedade, a doçura, a modéstia e, em suma, todas as virtudes: e não posso dizer com certeza qual delas sobrepujava as outras".

Nutria terníssima devoção a Maria Santíssima, a quem dedicava todos os seus trabalhos. Certa vez, julgando-se sozinho enquanto montava a mesa no refeitório, caiu de joelhos diante da imagem de Nossa Senhora; depois, tomado de sobrenatural transporte de alegria, executou uma graciosa dança para aquela Mãe que com tantas consolações o agraciava. Tal episódio foi visto por outro frade, o qual mais tarde o relatou, acrescentando que a recordação do rosto radiante de júbilo do irmão Pascoal o estimulou durante muito tempo na prática da virtude.

Em 1576 os superiores o enviaram a Paris, como portador de um importante documento destinado ao padre Christophe de Cheffontaines, Superior Geral da Ordem. Por aquela época, a França ardia nas guerras de religião e atravessar as cidades vestindo o austero burel de São Francisco constituía um autêntico perigo. Contudo, o intrépido irmão Pascoal lançou-se na aventura, cheio de confiança na Providência, alegre por expor a própria vida pela obediência. Em alguns lugares foi apedrejado pelos huguenotes, a ponto de guardar um ferimento no ombro até o fim da vida.

Voltando a seu convento, deu respostas lacônicas às perguntas feitas por seus confrades a respeito dos riscos por ele enfrentados, omitindo todos os detalhes que pudessem redundar em elogios à sua pessoa.

Ao longo de suas múltiplas caminhadas pelas vilas e aldeias da região, pedindo esmolas para o convento, sua palavra tinha para todos o valor de uma pregação, e os milagres que realizava mais contribuíam para lhe granjear a admiração e a estima do povo. Inúmeras vezes obteve a cura de doentes fazendo-lhes um simples sinal da cruz. Em certa ocasião, mandou-lhe o Padre Superior curar um frade que estava gravemente atacado por uma hemorragia. Embora essa ordem contundisse sua humildade, nosso santo viu-se obrigado a obedecer: traçou uma cruz sobre seu companheiro e logo o sangue parou de correr.

Singular devoção Eucarística

Entretanto, o que distinguiu nosso Santo com um brilho todo especial foi sua devoção ao Santíssimo Sacramento. A todo o momento que seus deveres o permitiam, lá estava o humilde irmão aos pés do sacrário, ora rezando com os braços em cruz, ora abismado em profunda adoração, ora ainda acolitando com fervor a Missa privada de algum sacerdote do mosteiro. Era junto a Jesus Eucarístico que sua alma se expandia e hauria novas forças para enfrentar os combates da vida. Ali o Divino Mestre lhe revelava os mistérios do Reino, escondidos aos sábios e doutores. Sem ter feito qualquer estudo, o humilde converso franciscano entendia de teologia mais do que muitos mestres, porque o ardor de seu coração lhe explicava o que não aprendera pelo raciocínio.

Isto se patenteou certa vez, quando, estando na França, foi interpelado por alguns hereges acerca da Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. Enfrentou com tanta sabedoria os sofismas dos inimigos da Religião e deu-lhes uma tão perfeita explicação acerca da doutrina eucarística, que eles se sentiram encurralados e sem resposta. Ficaram boquiabertos também os que acompanhavam Frei Pascoal, pois sabiam como ele não era homem versado em letras, muito menos nos sacros ensinamentos.

Até mesmo durante os mais corriqueiros trabalhos, seu coração estava posto no tabernáculo. Por exemplo, cultivando a terra ou cozinhando verduras, rezava recordando-se de sua Comunhão matutina: "Ó Luz sem mancha, que delícias podeis encontrar num homem tão pequeno como eu? Por que quisestes entrar em meu peito e fazer dele um templo de vossa majestade"?. Sua alma estava todo o tempo posta em adoração a Deus feito Hóstia.


Atenção inteira à voz do Pastor

São Pascoal morreu em 1592, aos 52 anos de idade, no mosteiro de Villarreal, após uma prolongada doença que o fizera sofrer durante cinco anos, dando-lhe a oportunidade de edificar com sua paciência todos quantos o rodeavam.

Pouco antes de falecer, perguntou ao irmão enfermeiro: "Já tocaram o sino para a Missa conventual"?  Ao receber a resposta afirmativa, seu rosto iluminou-se com um sorriso de júbilo, pois sabia de antemão a hora de sua partida. No instante da elevação, quando a sineta anunciava a Presença Real de Jesus sobre o altar, o humilde irmão exalou seu último suspiro e sua alma voou para unir-se definitivamente Àquele mesmo Jesus a quem tanto procurara ao longo de toda a sua existência.

Estava já tão difundida sua fama de santidade, que foi impossível fazer o funeral antes de três dias, devido à afluência de gente que acorreu ao convento para dar-lhe a despedida. Na Missa de exéquias, para assombro de toda a assistência, seus olhos se abriram por duas vezes, uma na elevação da Sagrada Hóstia, outra na do cálice, para reverenciar por última vez, nesta Terra, a Santíssima Eucaristia.

Como manso cordeiro do rebanho de Cristo, São Pascoal Bailão soube estar com sua atenção inteira posta na voz do Pastor, que o instruía na ciência divina e nos segredos da verdadeira santidade. No cumprimento da vocação de irmão leigo franciscano, sua vida transcorreu na paz do claustro e na mendicância, de maneira apagada, humilde, mas valente, na busca contínua e exclusiva da glória de Deus. E lhe estava reservada grande glória e renome pelo mundo inteiro, a ponto de ser canonizado por Inocêncio XII menos de um século após sua morte, em 15 de julho de 1691, e proclamado pelo Papa Leão XIII, tão justamente, Padroeiro Universal dos Congressos e Obras Eucarísticas, em 28 de novembro de 1897.
(Fonte: Revista Arautos do Evangelho, Maio/2013. n. 137, p. 32 à 35)



OUTRO TEXTO (para aprofundar um pouco mais a história desse grande santo):

Nasceu em Torre Hermosa, no reino de Aragão, na Espanha, filho de Martinho Bailão e Isabel Jubera, a 16 de maio de 1540, festa de Pentecostes, chamada de Páscoa cor de rosa, daí chamar-se Pascoal. Provinha de uma família numerosa, pobre e humilde, na qual se vivia, no entanto, profundo espírito religioso, devido sobretudo à mãe que era devotíssima da Eucaristia. Biógrafos dizem também que era muito generosa em dar esmolas aos pobres. Pascoal não pôde freqüentar a escola porque seu pai precisava que ele cuidasse do rebanho, serviço que executou com grande dedicação até mesmo quando este encargo lhe era ocasionalmente conferido por um ou outro pastor. Executando seu trabalho distante do povoado e da igreja, passava horas inteiras em oração, privando-se de alimentos para dominar ou adestrar seu corpo. Era desses que tinha o hábito da flagelação. Longe do ruído, nas montanhas, cuidando das ovelhas tinha tempo para rezar, meditar, louvar a Deus e venerar Maria. De trato amável nos relacionamentos, com sua doçura e serenidade, conquistou a amizade de muitos pastores que encontrava nas alturas dos montes e nos vales da Andaluzia e entre os quais começou seu primeiro apostolado com simplicidade e ardor sincero. Procurava pastagens das quais pudesse ver uma igreja em que se conservava a Eucaristia para adorá-la enquanto seus rebanhos pastavam, como confidenciou ao companheiro de trabalho que haveria de dar este testemunho 18 anos depois de sua santa morte.
Quando completou dezoito anos, em Monteforte del Cid, veio a conhecer os franciscanos do convento de Santa Maria de Loreto. Pensava em poder realizar seu sonho de se tornar religioso. Como isso ainda não lhe era possível aceitou de realizar o trabalho de pastor junto a um rico proprietário de ovelhas, Martino Garcia, que lhe dava a permissão de freqüentar o Santuário Mariano e residir junto ao convento franciscano. Enquanto pastoreava não muito distante do convento caía em êxtase ao som do sino que anunciava a elevação no momento da consagração .
Por fim, a 2 de fevereiro de 1564, já com fama de santidade, pode vestir o hábito franciscano e, no ano seguinte, fazer sua profissão religiosa no convento dos frades alcantarinos de Orito, onde permaneceu até 1573, dedicando-se a tarefas muito humildes, de modo particular ao mister de porteiro. Muito estimado pela vida de austeridade que levava e favorecido por dons do Espírito Santo, entre os quais do dom da sabedoria infusa, o iletrado Pascoal – que tinha aprendido a ler enquanto pastoreava o rebanho e depois conseguiu apenas escrever alguma coisa, era procurado por pessoas eruditas que vinham se aconselhar com ele. De 1573 até 1589, sua vida transcorreu em diferentes conventos da província de Alicante, passando depois para a Província de Castellon, no convento de Vila Real.
A obediência o obrigou a fazer uma longa e perigosa viagem até Paris. O Ministro Provincial da Espanha, em 1576, necessitava comunicar-se com urgência com o Ministro Geral da Ordem Cristóvão de Cheffontaines. O dito Ministro sabia bem que era difícil uma tal viagem no tempo das perseguições calvinistas. Na verdade, Pascoal foi muito hostilizado e insultado. Em Orleans quase veio a morrer depois de uma discussão a respeito da Eucaristia. Esta não foi a única investida contra o frade menor antes que ele chegasse ao seu destino e entregasse a correspondência que levava para o Ministro Geral. Voltando desta viagem escreveu um livro com sentenças (pensamentos), um pequeno tratado ou compêndio sobre a Eucaristia. Falava, é claro, da presença real de Jesus neste sacramento e também dos poderes transmitidos ao Papa.
Mereceu ele receber o cognome de “teólogo da eucaristia”, não somente por ter resolvido as questões dos adversários na França, mas também pela coletânea de escritos que deixou a respeito do Sacramento da Eucaristia que foi sempre o centro de sua intensa vida espiritual e a marca mais evidente de sua vida. Estando sempre à disposição dos confrades e dos que batiam à porta do convento, Pascoal, além disso, continuava a infligir-se penitências e com isto debilitou sua saúde até o limite de capacidade de resistência.
Os últimos anos de vida de Pascoal se transcorreram no convento de Vila Real, em Valência, exercendo sempre o ofício de porteiro e de esmoler, muito estimado por toda a população, de modo especial pelos mais simples e pelas crianças. Todos queriam receber a bênção do frade ao lhe darem uma pequena oferta. Tudo ia sendo assim feito até o dia em que exercendo seu ministério de esmoler perdeu as forças. Compreendendo que estava próxima a sua morte correu ao seu encontro. De fato, veio a falecer no convento do Rosário, a 17 de maio de 1592, solenidade de Pentecostes, com a idade de 53 anos. Foram muitos os que vieram dar o último adeus ao piedoso frade. Os biógrafos contam, que durante a celebração da missa de exéquias, no momento da elevação do cálice e da patena, seu corpo já enrijecido pela morte reabriu os olhos para fixar o Pão e o Vinho da Eucaristia dando assim seu último testemunho de apreço pelo Santíssimo Sacramento.



Sua santidade foi confirmada por muitos milagres que espalharam sua fama por todo o mundo católico. Vinte e seis anos depois, no dia 29 de outubro de 1618, era proclamado bem-aventurado (beato) por Paulo V e a 16 de outubro de 1690, canonizado por Alexandre VIII. O Papa Leão XIII, no dia 26 de novembro de 1897, proclamou-o patrono das devoções eucarísticas e, pouco depois, também dos congressos eucarísticos internacionais.
Os restos mortais de São Pascoal Bailão, venerados em Vila Real, foram profanados e espalhados durante a guerra civil espanhola (1936-39). Parcialmente recuperados foram restituídos à cidade de Vila Real em 1952.
As imagens do santo sempre o representam próximo a um ostensório Uns vinte pequenos tratados de sua autoria falam de seu profundo amor pela Eucaristia.

(Tradução livre da obra Frati Minori Santi e Beati, publicação da Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores, 2009, p. 253-255)