Padre Inácio de Azevedo nasceu em 1527 perto do Porto, Portugal, em uma família nobre; aos 21 anos, em 28 de dezembro de 1548, ingressou na Ordem dos Jesuítas de Coimbra; na Ordem, fundada por Santo Inácio de Loyola, distinguiu-se por sua fé genuína e diligência, tornando-se reitor dos colégios jesuítas de Lisboa e Braga por vários meses; em 1558, foi também Vice-Provincial da Ordem em Portugal.
Em 1566, o Padre Inácio de Azevedo foi enviado como Visitador à Missão do Brasil, onde os jesuítas, que haviam chegado apenas 17 anos antes, seguindo os colonizadores portugueses, já haviam estabelecido diversas casas, inclusive entre tribos canibais.
Após três anos nas missões brasileiras, retornou a Roma em 1569 para relatar suas experiências. Insistiu junto ao então Geral dos Jesuítas, São Francisco de Borja (1510-1572), para que enviasse numerosos missionários, visto que o Brasil era um vasto território e oferecia um grande potencial para a evangelização entre os povos não cristãos.
Foi incumbido de reunir o maior número possível de jovens religiosos adequados nas Províncias Jesuítas de Portugal e Espanha, para então retornar ao Brasil como Provincial. Inácio reuniu 68 deles e retirou-se para o Vale das Rosas, perto de Lisboa, para prepará-los para seus futuros trabalhos, durante um período de cinco meses.
No início de junho de 1570, uma frota de oito navios estava pronta para zarpar. Eles deveriam transportar e escoltar o vice-rei Dom Luís de Vasconcellos até o Brasil, como parte do plano de colonização portuguesa. Juntando-se a esses navios estava o "S. Giacomo", fretado por Inácio de Azevedo para seu grupo de missionários. Eles foram divididos em três grupos: Inácio e outros 39 no "S. Giacomo", 20 no navio-almirante e três em outro navio, encarregados de ensinar catecismo a várias centenas de crianças órfãs de ambos os sexos que haviam sido reunidas para povoar a colônia.
A frota partiu em 5 de junho e chegou à ilha portuguesa da Madeira, no Atlântico, ao largo da costa norte da África, no dia 12 do mesmo mês. Aguardaram ventos favoráveis antes de zarpar, por ordem do vice-rei.
O capitão do "São Tiago", por razões comerciais, preferiu rumar para Las Palmas, nas Ilhas Canárias, que fora colônia espanhola desde 1476, antes do Brasil. Inácio, também determinado a prosseguir viagem, mesmo sem a proteção da frota, ciente dos perigos dos navios piratas que assolavam os mares na época, permitiu que os missionários o acompanhassem. Quatro recusaram e foram imediatamente substituídos por outros quatro retirados do navio-almirante.
O "São Tiago", que partiu da Madeira em 30 de junho, navegou tranquilamente com ventos favoráveis, mas quando chegou a nove milhas da costa, nas Ilhas Canárias, por volta de meados de julho de 1570, foi obrigado a parar devido à calmaria (falta de vento). Ali, foi atacado por cinco navios piratas, liderados por huguenotes (como eram chamados na França os seguidores protestantes de Calvino, protagonistas das Guerras de Religião de 1562 a 1598), comandados pelo corsário francês Jacques Sourie; Os piratas receberam ordens para poupar a tripulação e os passageiros, mas exterminar os odiados jesuítas.
De fato, os 40 clérigos, com exceção de um, Juan Sánchez, de quatorze anos, que, como cozinheiro, servia os próprios piratas, foram massacrados com espadas e lanças e lançados ao mar, mortos ou agonizantes. Ainda assim, continuaram sendo os mesmos 40, porque o jovem filho do comandante do navio, Juan Sanjoaninho, vestindo furtivamente a batina de um dos mortos, foi confundido com um dos clérigos e morto; por ter se juntado aos mártires, também passou a ser chamado de Juan Adauto.
Visão de Santa Teresa de Jesus a respeito
do martírio dos missionários jesuítas
que vinham a caminho do Brasil.
O martírio ocorreu em 15 de julho de 1570, com exceção de um, que foi morto no dia seguinte. Conta-se que em Ávila, na Espanha, a freira carmelita Santa Teresa de Jesus, em êxtase, viu um dos mártires, seu primo Francisco Pérez Godoy, ascender ao céu com seus companheiros, e relatou o fato ao seu confessor. Notícias vindas posteriormente da Madeira e do Brasil confirmaram a visão.
Os 40 mártires da fé, sendo 26 sacerdotes, 13 noviços e um candidato, foram imediatamente venerados como mártires no Brasil, onde tiveram sua primeira celebração solene na Bahia, em 15 de julho de 1574, e também em seus países de origem, Portugal e Espanha.
Decretos subsequentes sobre o culto dos santos, emitidos pelo Papa Urbano VIII em 1625, interromperam esse culto público, que foi posteriormente confirmado por um decreto do Papa Pio IX em 11 de maio de 1854, com celebração em 15 de julho.
Cabe acrescentar que outros 14 jesuítas a bordo da frota do vice-rei foram mortos por navios piratas devido a outros eventos que não podem ser relatados aqui; seu processo de beatificação também está em andamento.
Por questões de espaço, a lista dos 40 jesuítas, classificados como os “Mártires do Brasil de 1570”, foi omitida. No entanto, podem ser encontradas no livreto publicado pela 'Jesus' Società San Paolo, “História da vocação e missão de Inácio de Loyola”.
Fonte:
Site: “Santos, Beatos e Testemunhas” (traduzido do italiano)
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