Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 2 de novembro de 2013

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, ou, Dia de Finados.


Benditas almas do Purgatório, rogai por nós! Prometemos também
sufragar-lhes com nossas orações e sacrifícios. 


    Hoje, a Igreja no mundo inteiro comemora a memória de todos os fiéis defuntos. 
    É uma data muito bonita, apesar da tristeza e grande saudade que envolve a muitos. Nós cristãos cremos na vida eterna. Cremos que há um Céu, onde mora Deus e todos aqueles que morreram em sua amizade: os santos e todas as almas bem aventuradas. Também cremos que existe um lugar de purificação das penas temporais, o Purgatório. 
  A existência do Purgatório é certa. Mesmo não utilizando esse nome (a denominação veio depois), os Apóstolos e Evangelistas sempre creram que existe um lugar onde se expiam os pecados veniais, isto é, os não graves, bem como as penas dos pecados graves devidamente confessados e não devidamente reparados nesta vida. São Mateus (conf. em Mateus 5, 25-26; 12, 32) e São Lucas (Lucas 12, 58 - 59) foram muito claros nisso. Recomendo que cada um pegue a sua Bíblia e leia atentamente os textos acima referidos. Só não entende quem não quiser. A existência do Purgatório, como foi revelação divina presente nos Evangelhos, é um DOGMA DE FÉ CATÓLICO. 
      São Paulo também, em uma de suas cartas (conf. em I Coríntios 5, 5), ao condenar publicamente o pecado de um certo homem que na comunidade de Corinto vivia maritalmente com a própria madrasta, diz que entregará esse dito cujo homem a Satanás, para mortificação de seu corpo (uma doença, talvez), a fim de que a sua alma seja salva no dia do Senhor Jesus (o Juízo Final). Portanto, ele dá claramente a entender que existe um lugar de expiação onde essa alma ficará até esse dia. Apesar de longa, é uma pena temporária, não é eterna. Trata-se do Purgatório. 
   No que consistem as penas no Purgatório? Consistem em um enorme e intenso arrependimento, fruto de um imenso amor e gratidão a Deus. O "fogo" do Purgatório é um "fogo" de amor purificante. É a dor por se ter sido ingrato, infiel, inconstante, tíbio e fraco diante do incompreensível Amor de Deus.
    São João da Cruz, o grande doutor místico, um dia disse que "no entardecer de nossa vida, seremos julgados pelo amor". Isso é verdade. Uma verdade bonita e dura ao mesmo tempo. O que nos acontecerá quando formos julgados um dia por um Juiz perfeitíssimo, justíssimo e amorosíssimo?  Nele, veremos toda a nossa realidade, com toda a clareza, com uma terrível clareza. A cegueira que agora nos turva a razão e o pensamento não existirá mais. Veremos claramente, na presença de Deus, o quanto somos injustos, fracos, infiéis, ingratos, inconstantes, impuros, orgulhosos e egoístas. O menor pecado, a menor imperfeição ainda presente em nossa alma nos causará profundíssimo horror e dor. Não suportaremos estarmos na presença daquele Senhor e Deus que é perfeitíssimo e que é puro Amor.  
     Não é Deus quem nos condenará. Nós mesmos, diante de nossa miséria, que estipularemos a nossa própria pena e o quanto teremos que lamentar, chorar e sofrer por não termos sido santos como Deus quereria que tivéssemos sido. Nisso consiste o Purgatório. Na terra também não é assim? Quando alguém verdadeiramente se arrepende de um crime, ele não se entrega espontaneamente à polícia, assume o mal que fez e não se conforma com a pena que lhe cabe? As almas do Purgatório, do mesmo jeito, e, de modo ainda mais intenso, pois, conhecem plenamente qual era a vontade de Deus para as suas vidas, o amam e desejam ardentemente reparar o mal que praticaram, mesmo o mais pequenino. 
    O "fogo" do Inferno é completamente diferente. É um "fogo" fruto do ódio, do despeito, da inveja, do rancor, do medo, do terror e do desespero que arde e arderá constantemente nas almas dos condenados, para sempre, sem o menor alívio ou fim, isto é, eternamente. O inferno é a total ausência de Deus. É a total ausência do Amor e do que ele traz consigo. Lá não há paz, não há alívio. As penas são eternas e isso é desesperador. Daí ser um "fogo" terrível. Terrível! Não há como comparar o Inferno com o Purgatório. 
   As penas do Purgatório são temporais. Elas passam. As almas que lá estão já estão salvas. Irão um dia todas para o Céu. A medida que se purificam, ficam cada vez mais próximas de Deus e o sofrimento vai diminuindo paulatinamente. O Purgatório não é eterno. No final dos tempos, no dia do Juízo Final, não existirá mais o Purgatório, apenas Céu e Inferno.

  As almas do Purgatório, apesar do imenso sofrimento que lá padecem, ao mesmo tempo estão felizes pois sabem que um dia verão a Deus face a face. Amam a Deus imensamente e "ardem" de amor por Ele! O fogo do Purgatório é um fogo "purificante", assim como, em nosso mundo material, o fogo muitas vezes é usado para purificar e para esterilizar. O ouro, por exemplo, quando é retirado da natureza, vem todo sujo e misturado com pedras e outros metais. Colocado no fogo ele derrete e, separando-se da impureza, cai puro na forma, tornando-se uma barra de ouro puríssimo. 
    Mas, mesmo estando pagando o que é justo, a misericórdia divina deseja alcançá-las. Deus deseja libertá-las o quanto antes, pois, as ama infinitamente. No entanto, por elas mesmas, as almas do Purgatório nada podem fazer. Elas acham plenamente justas as penas que estão sofrendo. Como já disse, não foi Deus quem as condenou. Elas mesmas foram para o Purgatório livremente, plenamente cônscias dos pecados que cometeram e do quanto necessitam expiar para um dia ir ao Céu. No entanto, NÓS PODEMOS SOCORRÊ-LAS! 

    Nós cristãos católicos (cito os católicos, pois nós cremos no Purgatório) podemos socorrer essas almas. Podemos oferecer os méritos de nossas preces, orações, terços, rosários, vias sacras, Santas Missas, comunhões, esmolas e outras boas obras para sufragá-las. Nós podemos ser os "bons samaritanos" dessas almas. Elas gritam por nosso socorro! Elas imploram a nossa ajuda! Interessante que, na terra, costumamos visitar nossos parentes que aniversariam ou que estão enfermos, mas, como rapidamente esquecemos deles após a sua morte... Quantos deles estão neste momento gritando por nós, pedindo que rezemos por eles para que saiam do Purgatório e nós os esquecemos... É uma grande pena e lástima. 
    Por que podemos rezar por eles e sufragar-lhes as penas? Por causa do DOGMA DA COMUNHÃO DOS SANTOS. Os méritos e preces da Igreja Triunfante (os santos e santas do Céu), bem como as da Igreja Militante ou Peregrina (a Igreja) podem socorrer as almas da Igreja Padecente (as almas do Purgatório). A mesma caridade de Cristo permeia as Três Igrejas citadas. Deus derrama seu amor e misericórdia sobre as almas do Purgatório amenizando seus sofrimentos, abreviando ou até mesmo anulando o tempo que deviam, graças às preces e méritos da Igreja Triunfante e da Igreja Militante. 
    Aproveitemos este dia de graça: o Dia de Finados! Visitemos os cemitérios, façamos uma boa confissão, assistamos à Santa Missa (meio mais poderoso de sufragarmos as almas) e ofereçamos a Deus o mérito de tudo isso para que nossos parentes, amigos, conhecidos, bem como as almas pelas quais ninguém reza ou lembra, alcancem o quanto antes a libertação de suas penas e possam voar para o Paraíso, onde Deus as espera ansiosamente! Não apenas neste dia, mas, todos os dias, elevemos ao Céu nossas preces por nossos entes queridos e por todas as benditas almas que padecem no Purgatório. É um gesto de grande caridade e que não ficará sem recompensa na outra vida, com certeza. 
Amém! Amém! Amém! 


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Dia de Todos os Santos (no Brasil, o domingo seguinte ao dia 01 de novembro)

  

   No dia 01 de novembro (no Brasil, o domingo seguinte ao dia 01 de novembro, exceto quando finados cai no domingo), a Igreja celebra o dia de Todos os Santos. 
    Muitos (a maioria) protestantes acusam a nós católicos de sermos "idólatras", pois rezamos aos santos. Esquecem eles que o próprio São Paulo (o Apóstolo Paulo como eles dizem) em suas cartas usou esse termo: "santo" diversas vezes (30 vezes, para ser exato) ao se referir aos demais irmãos na fé  e pedia que os cristãos orassem uns pelos outros e também por ele (conf. em Efésios 6, 18-19). Chama-se a isso de INTERCESSÃO. 
    Pois bem, se na terra, neste "vale de lágrimas", ainda cheios de limitações e imperfeições, os cristãos podem e devem orar uns pelos outros, por qual razão não podem continuar fazendo isso no Céu? Por acaso, lá, esquecerão de nós? Não! Muito pelo contrário! Na visão beatífica de Deus, mergulhados em Deus, fruindo continuamente de sua Infinita Sabedoria, os bem aventurados contemplam seus demais irmãos e irmãs que estão na terra através do mesmo OLHAR DE DEUS! Eles nos veem com os olhos de Deus! Nos amam no amor de Deus e desejam ardentemente a nossa eterna salvação! Como deixariam de suplicar a Deus em nosso favor? Seria um absurdo sem tamanho. Estar no Céu e não querer que os demais irmãos e irmãs que estão na terra também estejam com eles seria simplesmente um desatino completo! Ora, ora, se até os demônios e as almas condenadas, em sua maldade pérfida, desejam que o resto da humanidade também caia nas cavernas infernais, por que razão os santos e bem aventurados do Paraíso, que tanto nos amam, não quereriam que todos se salvem e vão para onde eles já estão? 
      Não é idolatria pedirmos a intercessão de um (a) santo (a) ou de uma alma bem aventurada. Idolatria é se nós os considerássemos nossos "deuses". NÓS, CRISTÃOS CATÓLICOS, ADORAMOS AO DEUS  UNO E TRINO: PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO. Cremos em um Único Senhor e Salvador: JESUS CRISTO. JESUS É O ÚNICO MEDIADOR ENTRE O PAI E A HUMANIDADE. Nós católicos cremos nisso. Porém, mergulhados no Deus Trindade, temos uma multidão de irmãos e irmãs que PEDEM, SUPLICAM, ROGAM e ORAM por nós: os santos e santas de Deus. 
    Entre eles, é claro, encontra-se a Santíssima VIRGEM MARIA, Mãe de Jesus. Nós cremos que ela é a mais santa de todos os santos pois foi a criatura que mais se assemelhou na terra ao Santíssimo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. 
   Bem, já se falou bastante sobre os santos e sua intercessão no Céu, porém, quero comentar um pouco sobre: o que é ser "santo"? Primeiramente, convém dizer que a santidade é um mandamento para TODOS os cristãos. Cristão "não santo" é um "cristão com defeito" ou "faltando um pedaço". O próprio Senhor uma vez disse ao seus apóstolos e discípulos: "Sede perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeito" (Mateus 5, 48). Esse é o mandamento do Senhor: sede perfeitos! Já pensou? Parece até uma coisa "absurda", mas, não é. 
    Ser santo é ser um IMITADOR DE CRISTO, cada um a seu modo, é claro, em seu estado de vida, em sua profissão, em sua condição sócio-econômica, etc. Ser santo é VIVER UMA VIDA EVANGÉLICA, isto é, praticando - ou ao menos esforçando-se para isso - o que o Evangelho nos propõe. 
   Jesus veio ao mundo para ser o Emanuel, o Deus-Conosco. Viveu em tudo a nossa humanidade, exceto o pecado. Ele é nosso modelo máximo de Santo. Jesus foi o Santo por excelência. Por isso, porque nos ama e quer que sejamos felizes, também quer que sejamos como ele foi: santos e santas. 
   Ensinou-nos o "método" para isso: vivermos as bem aventuranças (conferir em Mateus 5, 1-12). Um caminho impossível? Não, com a ajuda de sua graça. Difícil? Sim, pois, para isso temos que "renunciar a nós mesmos, tomar a nossa cruz a cada dia e segui-lo". Isso não é fácil. Exige esforço, luta, decisão, coragem, determinação e perseverança - juntamente com a graça divina, indispensável para que a nossa natureza não nos domine. 
    A Igreja, ao "beatificar" (na beatificação, a Igreja declara que uma determinada pessoa está no Céu, na bem aventurança) ou "canonizar" (na canonização, a Igreja declara que uma determinada pessoa é digna de ser venerada e ter sua vida imitada por todos os cristãos e cristãs do mundo inteiro) a Igreja nos aponta e propõe modelos de santidade. Já foi falado que a santidade é um dever de todos, porém, há sempre os que se "destacaram" na fé e no modo de viver a vida cristã. Existem irmãos e irmãs nossos que se "sobressaem" aos outros no modo de viver o Evangelho e tornam-se - usando-se um termo ao mesmo tempo moderno e "técnico" - "famosos". Na maioria das vezes é o próprio povo quem aponta para a Igreja: "olha, nós acreditamos que o (a) fulano (a) que morreu foi uma pessoa muito santa". Assim, a Igreja passa a estudar profundamente a vida, escritos e obras dessa pessoa para ver se realmente, do ponto de vista teológico, pastoral e catequético ela foi ou não foi um MODELO a ser imitado (a). Por isso, não é a Igreja quem "fabrica" santos. É o próprio povo quem propõe à Igreja que averigue se uma determinada pessoa foi ou não foi um modelo de santidade. 
     Bem, voltando ao assunto da Solenidade de Todos os Santos, neste dia a Igreja celebra todos aqueles homens e mulheres de fé que estão agora no Paraíso celeste, gozando da visão beatífica da divindade, isto é, vendo a Deus face a face. Isso não é "pequena coisa". A glória de Deus é infinita e gozar da beatitude divina é algo estupendo, maravilhoso, uma alegria incomensurável, que nossa mente humana não pode alcançar. 
    Muitos desses santos e santas já foram reconhecidos como tais pela Igreja. Como já foi comentado anteriormente, foram "canonizados" (declarados santos ou santas oficialmente) ou "beatificados" (declarados que estão na glória do Céu oficialmente). Porém, a grande maioria dos eleitos que está no Céu é composta por almas que morreram na amizade de Deus e que, no entanto, não foram "famosos"; são desconhecidos pela maioria. Entre eles podem estar parentes nossos: antepassados antigos, trisavós, bisavós, avós, pais, mães, tios, tias, etc, que já gozam da visão de Deus e eternamente o gozarão, porém, que nem foram e nem serão canonizados, pois, suas vidas não são "conhecidas" e nem postas pelo povo como "modelares". Mas, estão no Céu e são santos e santas. Bem, para esses e essas a Solenidade de Todos os Santos existe: para também homenageá-los. 
   Comemoremos essa festa com grande alegria. Eles (os santos e santas), lá no Céu, nos amam e intercedem continuamente por nós. Desejam ardentemente que gozemos das mesmas alegrias que gozam e participemos das mesmas festas infindas que participam. 
Peçamos que rezem, rezem muito por nós, pobres pecadores e viadores, que a todo momento estamos expostos a tantos perigos, principalmente para as nossas almas. Que possamos um dia vencer, como eles venceram. Que possamos ser fiéis a Deus como eles foram. Amém. Amém. Amém! 
   

   
   
(Autor do texto: Giovani Carvalho Mendes, ocds)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Beata Chiara Luce Badano, Virgem (Movimento dos Focolares)


Foto usada na Beatificação de Chiara Luce Badano

     Hoje trago ao conhecimento dos leitores do Blog uma belíssima história: a vida da jovem e contemporânea Beata Chiara (em português: Clara) Badano, dita Chiara "Luce" (Luz), ficando assim, mais conhecida como Beata Chiara Luce (Sassello, 29 de outubro de 1971 - Turim, 07 de outubro de 1990).
     Por sua juventude (morreu aos 19 anos), foi escolhida para ser um dos padroeiros da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, em 2013. 
     Chiara Badano era bonita, gostava de esportes e os seus amigos consideravam-na uma pessoa extraordinária. Aos 17 anos foi-lhe diagnosticado um tumor ósseo e começou a enfrentar a doença confiando tudo a Deus. Transmitia a todos serenidade, paz e alegria, e, diante do sofrimento, dizia: "Se é assim que queres, Jesus, também o quero". A sua vida é um exemplo para muitas pessoas. Poucos dias antes de sua partida para o céu dizia aos seus amigos: "Eu já não posso correr, mas, gostaria de vos passar a chama, como nas Olimpíadas"
    Após sua beatificação, e, já antes dela, muitos jovens a consideram como modelo para todos seguirem. Foi dito que "isso ajudará a nadar contra a correnteza do mundo consumista que se vive na atualidade". 


     ASPECTOS FÍSICOS E PSICOLÓGICOS

Chiara Luce: uma jovem bela, feliz e que
amava Jesus e a Igreja
    Possuía olhos límpidos e grandes, um sorriso, para alguns, doce, no entanto, comunicativo, inteligente e determinado. Era alegre e esportiva. Foi educada pela mãe com as parábolas do Evangelho e, no dizer dos que a conheceram, aprendeu a conversar com Jesus e a lhe dizer sempre sim. 
   Era uma "esportista por excelência". Gostava de patinar, das montanhas e do mar. Lembra sua mãe: "era uma menina cheia de vida. Gostava de rir, cantar e dançar. Era uma jovem maravilhosa", complementa. 
    Desde que era pequena distinguia-se pelo amor e caridade que tinha pelos "últimos", a quem cobria de atenções e serviços. Muitas vezes renunciava a momentos de divertimento. Quando estava no jardim da infância, guardava as suas economias numa pequena caixa para as "crianças de cor"; e sonhava que um dia poderia ir à África como médica para cuidar delas. No período da escola primária dava a sua merenda a uma colega pobre. Quando Chiara contou isso à mãe, ela começou a colocar todos os dias duas merendas. Ainda assim, Chiara continuou a distribuir para as crianças pobres, porque nelas via a face de Jesus Cristo. 
A Beata Chiara em sua Primeira Comunhão
   Foi uma menina muito normal, mas, com algo a mais. Era extremamente dócil à graça e aos projetos que Deus tinha para ela e que, aos poucos, foram se revelando. No dia que fez a sua Primeira Comunhão, recebeu um presente muito especial: o livro dos Evangelhos. Foi para ela um "magnífico livro" e uma "extraordinária mensagem", como havia afirmado: "Para mim, é fácil aprender o alfabeto. Deve ser a mesma coisa viver o Evangelho"!
    Tinha um profundo amor pelo próximo, pela Igreja Católica e pelo Papa João Paulo II. Certo dia, sua mãe foi à escola onde Chiara estudava para conversar com uma professora que, perplexa, disse à mãe: "Na vida, a sua filha será juíza ou advogada". Em casa, ela pede uma explicação sobre isso à filha. Chiara então lhe explica que a professora, que não acreditava em Deus, falou mal do Papa, pois, o critica pelas inúmeras viagens: "Eu me levantei e lhe disse: 'Não concordo com o que a senhora disse'. E acrescentei que o Papa viaja unicamente para evangelizar o mundo". 
    Desde muito jovem fez o propósito de "não doar Jesus aos amigos com as palavras, mas, com o comportamento". Tudo isso nem sempre é fácil; de fato, repetirá algumas vezes: "Como é duro ir contra a corrente"! E, para conseguir superar cada obstáculo, repetia: "É por ti, Jesus"! 



A Beata Chiara Luce com aproximadamente 8 - 9 anos de idade
      BIOGRAFIA

   Chiara Luce nasceu em uma família simples. Filha de pais católicos praticantes, chamados Maria Teresa e Ruggero Badano. Filha única, depois de 11 anos de tentativas para ter um filho. Sua chegada é considerada uma graça de Nossa Senhora das Pedras. Foi educada nos ensinamentos de seus pais para se tornar uma cristã. "Mas percebemos logo que não era filha apenas nossa. Era, antes de tudo, filha de Deus e, como tal, a devíamos educar, respeitando a sua liberdade", conta a sua mãe, Maria Teresa. 
      Aos 9 anos entrou como Gen (Geração Nova) no Movimento dos Focolares. Viveu a sua espiritualidade e, pouco a pouco, envolveu os pais. Desde então, a sua vida foi uma subida, tentando "colocar a Deus em primeiro lugar". Prosseguiu os estudos até o Liceu clássico e ofereceu a Jesus as suas dificuldades e sofrimentos. 
       





A Beata com aproximadamente 14 anos
Aos 13 anos, começou a fazer parte do Gen 3 da Ligúria e, pela sua coerência de vida, era por vezes muito criticada por amigas e até mesmo por sacerdotes. Foi ridicularizada, porque era uma Gen e ia à Missa também durante a semana. Participava com atenção da aula de religião, procurava amar a todos os professores, mesmo os mais difíceis e era muito disponível para ajudar a todos. Por isso, as crianças chamavam-na de "freira". Isso fê-la sofrer muito, mas, na Mariápolis encontrou a resposta n'Ele, isto é, em Jesus Abandonado. 



Beata Chiara Luce Badano: uma jovem "normal"
     Aos 17 anos, de repente, uma dor aguda no ombro esquerdo revelou, nos exames e nas inúteis operações, um osteossarcoma que deu início a um calvário de dois anos aproximadamente. Depois que ouviu o diagnóstico, Chiara não chorou, nem se revoltou: ficou imóvel, em silêncio, e, depois de 25 minutos, saiu de seus lábios o "sim" à vontade de Deus. Repetirá muitas vezes: "Se é o que queres, Jesus, é o que eu também quero". 
       Assim, aos 19 anos, no dia 7 de outubro de 1990, faleceu, após uma noite muito dolorosa. 



      A DOENÇA

O início da caminhada mais íntima de Chiara, na ida em rumo ao seu "Esposo Jesus", como gostava de chamá-lo, ocorreu em 1989, próxima de completar 18 anos. Uma forte dor nas costas e ombro esquerdo a acometeu durante uma partida de tênis. Isso causou uma suspeita dos médicos. Foram vários exames clínicos e de todos os tipos para se definir a causa das dores. Logo chegou-se a um diagnóstico: estava com um osteossarcoma (tumor ósseo maligno). Continuaram as consultas e exames, até que, no final de fevereiro de 1989, Chiara fez a primeira operação. As esperanças são poucas. As jovens que partilham de seu mesmo ideal e outras pessoas do Movimento se alternam em visitas ao hospital, para sustentar a ela e sua família com a unidade e a ajuda concreta. 
As internações no hospital, em Turim, tornam-se cada vez mais frequentes e os tratamentos são muito dolorosos. Chiara os enfrenta com grande coragem. Diante de cada nova "surpresa" o seu oferecimento é decidido: "Por ti, Jesus! Se tu queres, eu também quero"!
Depois que ouve o diagnóstico de que está com câncer, Chiara não chora, não se revolta e fica imóvel e em silêncio. Após 25 minutos, saiu de seus lábios o seu "sim" à vontade de Deus. Repetiu muitas vezes: "Se é o que você quer, Jesus, é o que eu quero também". 



Sua alegria e bom humor contagiavam a quem a visitava.


A Beata Chiara sempre muito feliz, apesar da doença
estar progredindo para o êxito fatal


Assim sendo, não perde o sorriso luminoso e enfrenta tratamentos dolorosos e arrastava no mesmo Amor a quem dela se aproximava. Ela não aceita receber morfina (analgésico potente) para não perder a lucidez e ofereceu tudo pela Igreja, pelos jovens, os ateus, pelo Movimento, pelas missões, etc. E permaneceu serena e forte. Repetia: "Não tenho mais nada, contudo, tenho o meu coração e, com ele, posso sempre amar". 
          Em seu quarto, no hospital de Turim e em casa, qualquer lugar era um lugar de encontro, de apostolado e de unidade: era a sua igreja. No coração de Chiara se encontrava um amor grande como um interminável oceano. Assim, mesmo doente, dizia: "Agora não tenho mais nada sadio. Porém, tenho ainda o coração com o qual posso sempre amar". 
    Também os médicos, até mesmo aqueles católicos não praticantes, ficavam desconsertados com a paz que se sentia ao seu redor e alguns deles se reaproximaram de Deus. Se sentiam "atraídos como por um ímã" e ainda hoje se recordam dela, falam sobre ela e a invocam. O médico que a acompanhava, cético e muito crítico em relação à Igreja, fica cada vez mais profundamente tocado pelo testemunho seu e de seus pais. "Desde quando conheci Chiara alguma coisa mudou dentro de mim. Aqui existe coerência. Aqui, na minha opinião, todo o cristianismo se encaixa". "Fora do comum", "extraordinário", "incrível", foram alguns dos adjetivos usados por esses médicos, que descrevem a sua serenidade e a fortaleza pela forma que Chiara encarou esse doença mortal. "É verdade. A sua atitude não era normal, porque completamente sobrenatural, fruto da graça divina, da fé infinita e do heroísmo cheio de virtude. Ela falava do vestido de noiva para o seu funeral, como faria uma jovem que se prepara para o matrimônio. Dizia: 'Eu não choro, porque estou feliz'." Ela dizia à mãe: "Quando me quiser encontrar, olhe para o céu. Me encontrará numa estrelinha". 
       Quando sua mãe lhe perguntou se sofria muito, ela responde: "Jesus tira de mim as manchas dos pontinhos pretos com a água sanitária e isso queima. Quando eu chegar ao Paraíso, serei branca como a neve". Estava totalmente convencida do Amor de Deus por ela. E, de fato, afirmava: "Deus me ama imensamente", e, depois de uma noite particularmente dura, acrescentou: "Sofria muito,mas, a minha alma cantava"... 
       Os amigos que foram visitá-la e consolá-la, acabavam por voltar para casa consolados. Pouco antes de partir para o Céu, ela revelou: "Vocês não podem imaginar como é agora o meu relacionamento com Jesus... Sinto que Deus me pede algo mais, algo maior. Talvez seja ficar neste leito por anos, não sei. Interessa-me unicamente a vontade de Deus, fazê-la bem no momento presente: aceitar os desafios de Deus. Se agora me perguntassem se quero andar (a doença chegou a paralisar suas pernas com contrações muito dolorosas), eu diria não, porque, assim, estou mais perto de Jesus". Embora vivendo essa imobilidade, Chiara ainda era muito ativa. Pelo telefone acompanhou o "Grupo de Jovens por um Mundo Unido de Savona". Mandando mensagens, cartões e cartazes, faz sentir sua presença nos Congressos e atividades. Procurou todos os meios para fazer com que seus amigos e colegas de escola conheçam os Gen e as Gen. Convida muitos deles para o Genfest 90 (encontro internacional dos Jovens por um Mundo Unido, realizado em Roma, em maio de 1990), que tem a alegria de assistir graças a uma antena parabólica montada no teto de sua casa. 
A Beata Chiara Luce Badano, sempre sorridente,
atendendo a um telefonema.

       Chiara, pela insistência de muitas pessoas, escreveu num bilhetinho a Nossa Senhora: Mãezinha Celeste, eu te peço o milagre da minha cura; se isso não for vontade de Deus, peço-te a força para nunca ceder" e permanecerá fiel a este propósito. 



       No início do verão os médicos percebem que o tratamento não surte efeito e decidem interromper as terapias. "É impossível parar a doença". Então, eles informam a Chiara Lubich sobre a situação da menina Chiara Badano. Esse é o dia 19 de julho de 1990: "A medicina depôs as suas armas. Interrompendo os tratamentos, as dores nas costas aumentaram e quase não consigo mais me mexer. Sinto-me tão pequena e o caminho a percorrer é tão árduo... muitas vezes sinto-me sufocada pela dor. Mas, é o Esposo que vem me encontrar, não é? Sim, eu também repito, com você: 'Se tu queres, eu também quero'... Tenho certeza que com Ele venceremos o mundo"! 
      Para viver bem o cristianismo, Chiara procurou participar da Missa todos os dias, quando recebia Jesus que tanto amava. Tinha por hábito ler e meditar a Palavra de Deus. Assim, muitas vezes refletia sobre a frase de Chiara Lubich: "Serei santa, se for santa já". 
       Quando viu que a mãe estava preocupada, pois ficaria sem ela, Chiara continuou a repetir: "Confie em Deus, pois, você fez tudo"; e "Quando eu tiver morrido, siga Deus e encontrará a força para ir em frente". 
      Ela acolheu com amabilidade a todos que foram visitá-la e escutava e oferecia o próprio sofrimento, porque dizia: "Eu tenho mesmo a matéria"! E nos últimos encontros com o seu bispo, manifestou um grande amor pela Igreja. Enquanto isso, o mal avançava sobre ela e as dores aumentavam. Não se ouviu nenhum lamento dos seus lábios, mas, somente: "Com você, Jesus! Por você, Jesus"! 
      Chiara se preparou para o encontro: "É o Esposo que vem me encontrar", e escolhe o vestido de noiva, as canções e as orações para a "sua" Missa; o rito deverá ser uma "festa", onde "ninguém deverá chorar". 
       Recebendo pela última vez Jesus na Eucaristia parece imersa nele e suplica que seja recitada a oração: "Vinde, Espírito Santo, mandai do Céu um raio da tua luz". 
       O nome "Luce" (luz) lhe foi dado por Chiara Lubich, com quem teve um intenso e filial relacionamento epistolar desde pequenina. 
        Chiara, assim como Moisés, estava chegando ao momento final da sua santa viagem. Alcançou o mais alto da montanha santa mais elevada e ficou frente a frente com o Deus Trindade. Dali irradiou luz e alegria, ao voltar a entregar ao seu próximo as tábuas da Lei, como dez divinas palavras de amor e as bem-aventuranças de Jesus, para orientar a vida terrena em direção ao sol de Deus. 
        Não teve medo de morrer e disse à sua mãe: "Não peço mais a Jesus para vir me pegar e me levar para o Paraíso, porque quero ainda lhe oferecer o meu sofrimento, para dividir com ele ainda por um pouco a cruz". Um pensamento especial aos jovens: "... Os jovens são o futuro. Eu não posso mais correr. Porém, gostaria de lhes passar a tocha, como nas Olimpíadas. Os jovens tem uma vida só e vale a pena empregá-la bem"! 
      Suas últimas palavras - que não foram o seu último ato de amor, porque esse foi a doação das suas córneas a dois jovens  - quando se despediu foram: "Tchau, mamãe! Esteja feliz, porque eu estou feliz", relata Maria Teresa. 
O corpo da Beata Chiara em seu leito de morte

A serenidade em seu rosto


      A BEATIFICAÇÃO
      A iniciativa do processo de beatificação deve-se ao bispo de Acqui, Dom Lívio Maritano, que conheceu Chiara Badano pessoalmente. Eis a motivação: "Pareceu-me que o seu testemunho foi significativo, sobretudo para os jovens. Precisamos de santidade nos dias de hoje. Temos que ajudar os jovens a encontrar uma orientação, um objetivo, a ultrapassar a insegurança e a solidão, os seus enigmas perante os insucessos, o sofrimento, a morte e todas as preocupações. O testemunho de fé e de fortaleza desta jovem é surpreendente. Impressiona, leva muitas pessoas a mudar de vida. Temos testemunhos quase todos os dias". 
      O processo durou quase 11 anos. A fase diocesana ficou entre 11 de junho de 1999 e 21 de agosto de 2000. No Vaticano, entre 23 de agosto de 2000 a 08 de julho de 2008, quando a Serva de Deus, com o reconhecimento das "virtudes heróicas", foi declarada "Venerável". 
        No dia 10 de dezembro de 2009, foi proclamado o decreto pontifício sobre o milagre por intercessão de Chiara Badano: a cura imprevista e inexplicável de um rapaz de Trieste, com uma gravíssima forma de meningite fulminante. Os médicos haviam lhe dado apenas 48 horas de vida. 


Cerimônia de Beatificação de Chiara Luce Badano
(No canto esquerdo da foto, seus pais, Ruggero e Maria Teresa)

      A postura decidida da jovem alcançou um de seus frutos mais importantes no sábado, dia 25 de setembro de 2010. Foi nesse mesmo dia que a Igreja proclamou oficialmente essa italiana como Beata, a primeira integrante do Movimento dos Focolares a alcançar esse reconhecimento - a jovem era extremamente ativa no Gen (Geração Nova), setor juvenil do Movimento. Participaram da cerimônia milhares de pessoas, de mais de 40 países dos cinco continentes. 
       Beata Chiara Luce, rogai por nós! 


(fonte de pesquisa: Wikipédia)