Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

BEATA REGINA MARIA VATTALIL, Religiosa e Mártir





“A Irmã Vattalil testemunhou Cristo no amor e na gentileza, e se une à longa fila de mártires do nosso tempo. O seu sacrifício seja uma semente de fé e de paz, especialmente na terra indiana. Era tão boa que a chamavam de ‘a irmã sorriso’”. Papa Francisco



Na cidade indiana de Indore, foi proclamada beata Regina Maria Vattalil, Rani Maria, religiosa da Congregação das Irmãs Franciscanas Clarissas, assassinada por sua fé cristã em 1995.
Na manhã de 25 de fevereiro de 1995, Irmã Rani Maria, viajava no ônibus que a levava de Udayanagar para Indore (Índia), quando foi atacada e assassinada por Samunder Singh, um matador, com 54 facadas.
As ameaças das quais foi alvo antes de ser assassinada não a intimidaram, ao contrário, fizeram-na mais generosa na doação de si mesma: “Tenho a forte convicção de ter sido escolhida para os pobres e os oprimidos. Estou feliz por trabalhar para eles, porque eles também são filhos de Deus, nossos irmãos e irmãs”.
A hostilidade contra a Irmã Rani e contra sua maneira de anunciar o Reino de Deus aumentou nos últimos momentos, depois que pôde tirar da prisão alguns católicos que tinham sido vítimas de uma armadilha. Seus inimigos decidiram, portanto, livrar-se dela e decretaram sua morte.
Declarada “Mártir dos Marginalizados” por suas irmãs de Congregação, morreu repetindo muitas vezes o Santo Nome de Jesus.
O Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, que presidiu a celebração falou à RV sobre o martírio da religiosa:
"Irmã Vattalil tinha fome e sede de justiça. Por isto foi morta, em 25 de fevereiro de 1995, enquanto viajava de ônibus para Bhopal. O assassino desferiu 54 golpes de faca em seu corpo. Foi um verdadeiro massacre. Enquanto era morta, a Irmã repetia o nome de Jesus". (SP)


Arrependimento do assassino


Não é apenas a Igreja na Índia que esperava ansiosamente a beatificação da religiosa clarissa Rani Maria Vattalil, mas também o homem que a assassinou, Samandar Singh, um hindu que esfaqueou a religiosa 54 vezes por ódio à fé, há 22 anos.
Pouco antes da beatificação o mesmo afirmou: “O que aconteceu foi muito ruim e não deveria ter ocorrido. Mas o que está acontecendo agora é bom. Estou ansioso para que aconteça”, disse Singh em uma entrevista no dia 29 de abril ao ‘National Catholic Register’.
Singh, que atualmente é um agricultor de 50 anos dedicado a compartilhar seus lucros com os necessitados, assegurou que “a resposta amorosa dos cristãos” o “transformou” para sempre.
O assassinato de Rani Maria Vattalil ocorreu diante de dezenas de passageiros de um ônibus em 25 de fevereiro de 1995, depois que Samandar foi induzido pelo líder hindu Jeevan Singh. Este último era uma das diversas pessoas que não concordavam com o trabalho social que a religiosa realizava com as mulheres da aldeia, organizando grupos de autoajuda para afastá-las de credores agressivos.
Em seguida, quando Samandar Singh foi preso por ter cometido o crime, pôde conhecer a misericórdia cristã através do testemunho de um sacerdote da Congregação dos Carmelitas de Maria Imaculada, Pe. Michael Porattukara, que o acompanhou em seu processo de reconciliação durante a sua estadia na prisão.
“Eu estava com muita raiva e contava os dias na prisão. Havia planejado que no dia que fosse libertado me dirigiria à casa de Jeevan Singh para matá-lo e depois me enforcaria em uma árvore. Foi então que o Pe. Porattukara veio me visitar em 2001”, contou Singh na paróquia natal do sacerdote localizada em Ollur.
Logo depois do assassinato, o Pe. Porattukara, que estava visitando prisões como parte do seu ministério, entrou em contado com Samandar Singh no início de 2002 e o visitou várias vezes.
Embora Samandar tivesse motivos para estar furioso com Jeevan Singh por ter sido condenado à prisão perpétua em 1996, ele assegurou que o sacerdote o ajudou a superar o seu “desejo de vingança”.
“Ele mudou a minha ideia”, recordou Samandar.
Três meses depois do seu primeiro encontro, Pe. Porattukara surpreendeu Singh dizendo que levaria a Irmã Selmy – a irmã mais nova da religiosa Maria – à prisão no dia do festival hindu de Rakhi.
Depois de organizar a visita, a Irmã Selmy, acompanhada pelo Pe. Porattukara, visitou o prisioneiro nos dias do festival Rakhi durante muitos anos.
O sacerdote não parou por aí. Singh foi libertado da prisão em 2006, depois que as declarações que solicitavam a sua libertação foram assinadas pela Irmã Selmy, seus pais e pelas autoridades da congregação das Clarissas.
Após a sua libertação, Singh visitou o convento de Udainagar para se encontrar com a Irmã Selmy. Em 2007, quando a religiosa visitou sua casa no estado de Kerala, para ver o seu pai doente de 82 anos, Singh a acompanhou para conhecer seus pais e pedir-lhes desculpas.
Assegurou que nunca poderia subestimar o impacto que teve em sua vida o Pe. Porattukara, o qual morreu em 26 de abril de 2016.
A história de Singh chamou a atenção internacional com o documentário “O coração de um assassino”, que mostra a sua experiência e o processo de reconciliação que percorreu com o Pe. Porattukara.
Embora o sacerdote tenha aproximado Singh da Igreja e colocado a sua vida em um novo rumo, também lhe trouxe sentimentos de vergonha e tensão. Alguns meios de comunicação divulgaram a falsa história de que Singh havia sido “convertido e batizado” enquanto estava na prisão e que era um “grande convertido” ao cristianismo.
Segundo Singh, grupos fundamentalistas hindus o ameaçaram de “trair” o hinduísmo e inclusive planejaram uma cerimônia pública para “reconversão” dele.
“Agora sabem que eu não cheguei a ser cristão. Mas amo os cristãos, porque eles me ajudaram a mudar”, confessou Singh.
Em meio a ameaças dos fundamentalistas hindus, Singh não hesitou em ficar diante do túmulo da Irmã Rani Maria em 25 de fevereiro de 2015. Inclusive, apresentou o ofertório ante uma dúzia de bispos nos 20 anos da sua morte.



domingo, 21 de janeiro de 2018

BEATO FRANCISCO FAÀ DI BRUNO, Presbítero e Fundador


Era amigo pessoal de Dom Bosco que, em Turim, trabalhava para ajudar os meninos que chegavam à procura de um emprego urbano. Dom Bosco patrocinava aos jovens, instrução profissionalizante, religiosa, alojamento e recreação.
Faà de Bruno percebeu que deveria atuar na outra ponta, auxiliando as meninas, que ficavam expostas às armadilhas urbanas, enquanto buscavam a sobrevivência e um emprego.
Seguindo o conselho de Dom Bosco, desejou ser padre aos cinquenta anos de idade, e se fez em dez meses, por intervenção direta do Papa Pio IX.

No grande cenário dos santos sociais italianos, despontados na região da cidade de Turim, Francisco Faà de Bruno é uma das figuras mais complexas. A maioria deles ingressou na vida religiosa para se formar já na condição de sacerdotes diocesanos. Ele ingressou "tarde" na ordenação sacerdotal, tendo exercido o seu apostolado de leigo nos campos fundamentais.
Francesco da Paola Virginio Secondo Maria Faà di Bruno descende de uma família nobre do Piemonte. Foi o décimo segundo e último filho de Luigi, marquês di Bruno, e Carolina Sappa de' Milanesi. Seu irmão Emilio Faà di Bruno foi oficial da marinha.
Nasceu na cidade italiana de Alexandria, em 29 de março de 1825, numa família muito cristã e de boa condição econômica e social. Ele e seus 11 irmãos foram influenciados pelos pais a frequentarem a Igreja e a terem fé em Deus.


Aos dezesseis anos, ingressou na Real Academia Militar, com o objetivo de seguir uma carreira no exército. Porém, por ser um cristão convicto, entrou em conflito pessoal com relação à irreligiosidade "de prescrição" decorrente do mundo político-militar. Por isto, doze anos depois trocou a carreira pelo estudo acadêmico das ciências exatas. Ele se mudou para Paris para completar seus estudos em matemática e em 1855 começou a trabalhar no Observatório Nacional francês sob a direção de Urbain Le Verrier. Na universidade de Sorbone, obteve o título de doutor com louvor.

Retornando à sua cidade foi trabalhar como professor de matemática. Em 1871, Faà de Bruno era um conceituado professor da universidade de Turim, sendo o titular da cadeira. Seus trabalhos matemáticos o tornaram famoso em todo o mundo, sendo publicados e traduzidos em vários países. Entretanto, simultaneamente à sua atividade intelectual, Faà de Bruno sempre se manteve em contato e atuando junto às comunidades religiosas. Era amigo pessoal do padre João Bosco que, em Turim, trabalhava para ajudar os meninos que chegavam à procura de um emprego urbano. Dom Bosco patrocinava aos jovens, instrução profissionalizante, religiosa, alojamento e recreação.
Faà de Bruno percebeu que deveria atuar na outra ponta, auxiliando as meninas, que ficavam expostas às armadilhas urbanas, enquanto buscavam a sobrevivência e um emprego. Criou para elas, com um grupo de senhoras, a Obra de Santa Zita que mantinha as jovens sob sua guarda no Conservatório do Sufrágio, uma casa similar às fundadas por Dom Bosco para os meninos. Não satisfeito, fundou a Tipografia do Sufrágio, que funcionava como escola tipográfica para as jovens. Ali ele imprimia a Revista de Matemática, que era vendida em países e cujas divisas eram revertidas para a Obra. Este trabalho tornou-se uma verdadeira cidade das mulheres, pois nela havia escola, laboratório e enfermaria, todos com as suas próprias regras e com uma clara perspectiva de fortalecimento da família.


Em 1867, no pequeno povoado de São Donato, iniciou-se a construção da igreja de Nossa Senhora do Sufrágio, cujo projeto foi feito por ele. Nove anos depois, ele escolheu esta igreja para celebrar a sua primeira Missa. Isto mesmo, Faà de Bruno, o professor, seguindo o conselho de Dom Bosco, desejou ser padre aos cinquenta anos de idade, e se fez em dez meses, por intervenção direta do Papa Pio IX. Depois, para dar estabilidade à Obra de Santa Zita, o padre fundou em 1881, a ordem religiosa das Irmãs Mínimas de Nossa Senhora do Sufrágio.
Seu bispo viu como conveniente que Francisco, que era dedicado em ensinar matemática, usasse essa habilidade para mostrar aos jovens que a fé era perfeitamente compatível com o estudo da ciência.
Ele ensinou na Universidade de Turim durante muitos anos, exibindo um trabalho acadêmico impressionante, como por exemplo, os quarenta artigos publicados nas principais revistas científicas da época. Para estes méritos, ele recebeu o grau de Doutor das Universidades de Paris e Turim.
Durante sua vida, Francisco se mostrou um homem de várias habilidades: foi militar, físico, astrônomo, matemático, engenheiro civil, fundador de várias instituições educacionais e sociais, músico, compositor.

Padre Francisco Faà de Bruno morreu serenamente em 27 de março de 1888. Exatamente um século depois, o Papa São João Paulo II o beatificou para ser reverenciado no dia de sua morte. As suas relíquias estão guardadas na igreja que ele projetou, em Turim, Itália. As irmãs continuaram a sua Obra e hoje estão presentes na Europa e América Latina.








Beato Francisco Faà di Bruno, o "Dom Bosco"
das meninas e moças, rogai por nós! 





MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
À SUPERIORA-GERAL DO INSTITUTO
DAS IRMÃS MÍNIMAS DE
NOSSA SENHORA DO SUFRÁGIO

À Reverenda Madre Fabíola DETOMI
Superiora-Geral do Instituto das Irmãs Mínimas de Nossa Senhora do Sufrágio
1. Desejo, antes de mais nada, transmitir-lhe a minha saudação de bons votos por ocasião do Capítulo Geral da Congregação. Dirijo-a, depois, às Irmãs chamadas ao serviço de orientação e de animação da vossa Família religiosa, encorajando-as a desempenhar com generosidade a delicada tarefa de governo que lhes foi confiada. Faço-a também extensiva às Religiosas reunidas em Capítulo, desejando-lhes que a experiência destes intensos dias passados em Roma seja fonte de enriquecimento humano e espiritual. Por fim, o meu pensamento cordial chegue a cada uma das Irmãs Mínimas de Nossa Senhora do Sufrágio que trabalham na Itália, na Argentina, na Colômbia e na Romênia, com a certeza do meu apoio paterno.
A Assembleia capitular constitui uma importante ocasião para refletir sobre o caminho comunitário até agora percorrido,  assim  como  para  elaborar projetos  de  serviço  apostólico,  na  fidelidade  ao  carisma  originário  do  Instituto. O tema "Testemunhar Cristo, nossa esperança, num mundo em mudança" está em sintonia com as orientações pastorais do Episcopado italiano para a primeira década do novo século e milénio.
Reverenda Madre, é desejo comum desta Família religiosa retomar as atividades com renovado entusiasmo, depois da pausa do Capítulo, realçando que Cristo, nossa esperança, está na base de tudo e é o fim para o qual tudo está orientado. A sua misteriosa presença mantém viva aquela tensão escatológica, que todos os crentes devem sentir. A vossa Congregação considera esta tensão escatológica da existência como uma das suas características fundamentais, que recebeu em herança do Beato Fundador.
2. A vida do Beato Francisco Faà di Bruno foi imbuída de esperança, o qual tive a alegria de elevar às honras dos altares no dia 25 de Setembro de 1988. Sempre animado pela ansiedade interior de cooperar na salvação dos irmãos, preocupou-se pelo destino final deles. De facto, a meta derradeira do homem é o encontro com Deus, para o qual é preciso preparar-se desde já com um constante empenho ascético, rejeitando o mal e praticando o bem.
Desde jovem, ele sentiu a preocupação de trabalhar pela salvação das almas e por isso quis, ainda antes de fundar a Congregação, constituir em Turim um templo dedicado a Nossa Senhora do Sufrágio. Preocupar-se com o "sufrágio" pelas almas do purgatório:  eis, Reverenda Madre e queridas Irmãs, o vosso carisma característico, que vos estimula a uma constante oração por quantos nos precederam. Esta mesma intuição carismática é um estímulo concreto a cumular todos os vossos dias terrenos com os bens que não são passageiros, nem perecem.
Trata-se de uma verdade importante que desejais anunciar com a vossa atividade de evangelização, apoiada pela oração e acompanhada pela aceitação e pela oferenda ao Deus do sofrimento, em união com o sacrifício de Cristo, para que as almas se salvem. A primeira e mais nobre forma de caridade pelos irmãos é a ansiedade pela sua salvação eterna. O amor cristão não conhece confins e elimina até os limites do espaço e do tempo, permitindo-nos amar todos os que já deixaram esta terra.
3. Caríssimas Irmãs em Cristo, mantende íntegro o espírito do Fundador! Apraz-me repetir-vos hoje quanto afirmei por ocasião da sua beatificação. Francisco Faà di Bruno disse nessa ocasião é "um gigante da fé e da caridade", porque a sua mensagem de luz e de amor, "longe de se esgotar, se revela mais atual do que nunca, estimulando à ação todos os que têm a peito os valores evangélicos" (Insegnamenti X/3 [1988], Pág. 948).
Seguindo o seu exemplo, prossegui com fidelidade e coragem pelo caminho empreendido, haurindo luz e força do seu ensinamento e tornando viva e atual a sua extraordinária experiência e a sua luminosa herança. Sereis sobretudo incansáveis e alegres anunciadoras de esperança à humanidade do nosso tempo, com muita frequência obscurecida por violências e injustiças e fechada em horizontes meramente terrenos. Imitando o vosso Beato, renovai-vos a vós mesmas primeiro na esperança para poderdes ser, por vossa vez, fecundas portadoras dela na Igreja e no mundo. Tende "sede" de almas para salvar, ajudando cada irmão e irmã a descobrir aquele "ainda não" e aquele "além" eterno, para o qual todos estamos encaminhados. O futuro eterno constrói-se desde agora, no tempo, através da canseira de todos os dias.
Com estes sentimentos e votos, invoco sobre vós, caríssimas Irmãs, sobre a vossa Comunidade e todos os que encontrardes no vosso serviço quotidiano, a celeste intercessão da Virgem do Sufrágio e do Beato Francisco Faà di Bruno, enquanto vos abençoo de coração, juntamente com todas as pessoas que vos são queridas.
(Site do Vaticano)

Castelgandolfo, 2 de Setembro de 2002.



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

TESTEMUNHAS VIVAS DA FÉ: PADRE TOM UZHUNNALIL. Missionário Salesiano sequestrado por jihadistas




 Quanto ao futuro, não tenho outros projetos a não ser fazer a vontade de Deus, que me será expressa através dos meus Superiores na Congregação Salesiana”.



Como não podia celebrar a Eucaristia com pão e vinho, rezava-a todos os dias mentalmente, e isso dava-lhe também uma grande força.




          O Salesiano missionário padre Tom Uzhunnalil, sequestrado no Iêmen em março de 2016, foi libertado no dia 12 de setembro passado. A libertação e a sua entrega se deram através de um agente humanitário, em comunicação e conexão com o Sultanato de Omã, e graças também ao empenho pessoal do Papa Francisco, que se serviu de toda a sua influência.
Pe. Uzhunnalil foi sequestrado em 4 de março de 2016, depois que um grupo de jihadistas do Estado Islâmico invadiu um asilo de idosos e pessoas com deficiências que era administrado por religiosas das Missionárias da Caridade em Áden, no Iêmen. Durante a invasão, os terroristas assassinaram quatro religiosas, doze idosos e sequestraram o sacerdote salesiano.
Inicialmente acolhido em Muscat, em Omã, no mesmo dia, o Salesiano aterrissou no aeroporto de Ciampino (Roma) e, de lá, foi levado à comunidade salesiana no Vaticano, onde atualmente é hóspede à espera de retornar à Índia.
Padre Tom fora sequestrado por um comando de homens armados em 4 de março de 2016, durante um ataque à casa das Missionárias da Caridade, em Áden, no Iêmen, no qual morreram 16 pessoas, entre as quais 4 religiosas.
Imediatamente após o sequestro – nunca declarado abertamente, nem reivindicado por alguma sigla terrorista ou militar – muitos se mobilizaram pelo padre Tom: durante todo o período da sua prisão foram inúmeros os apelos, as vigílias e iniciativas de oração e manifestações de proximidade, primeira de todas, a do Papa Francisco, que no dia 10 de abril de 2016, depois da récita do Regina Coeli, fez um apelo pela sua libertação.
Papel de primeiro plano em toda a situação tiveram o Ministro do Exterior indiano, hon. Sushma Swaraj; o Vigário Apostólico da Arábia Meridional, Dom Paul Hinder; a Conferência dos Bispos da Índia, guiada pelo seu Presidente, Card. Baselios Cleemis Thottunkal, e pelos bispos do Estado de Kerala que pressionaram várias vezes o governo indiano; e os Salesianos da Inspetoria de Bangalore – responsável da missão no Iêmen.
Entretanto, sobre a sorte do missionário indiano, por muito tempo não se tiveram notícias certas. Na proximidade da Páscoa de 2016, começaram também a se difundir notícias falsas sobre a vontade dos sequestradores de matá-lo crucificando-o na Sexta-feira Santa, vozes que encontraram grande eco nas redes sociais.




          Mais adiante, em julho de 2016, na página do Facebook do padre Tom apareceram fotografias que pareciam retratá-lo em mau estado de saúde, vendado e espancado. A autenticidade daquelas fotos, porém, foi logo posta em dúvida pelos seus irmãos da Inspetoria de Bangalore e, em pouco tempo, a página Facebook foi fechada.
No período do sequestro, os sequestradores difundiram dois vídeos, em dezembro de 2016 e maio de 2017, nos quais o padre Tom dizia ter sido “esquecido” por todos e pedia ao Papa e aos católicos do mundo que apressassem a sua libertação.
Há alguns meses, a Congregação Salesiana foi informada sobre os contatos que se estavam estabelecendo com os sequestradores e ficou em contato constante com as autoridades empenhadas na sua libertação, mas sempre sem ter outras informações.
O sacerdote recordou as religiosas assassinadas e não pôde deixar de chorar durante alguns instantes depois de ver algumas das Irmãs da Congregação entre os presentes. “Estou feliz em vê-las. Minhas condolências a todas”, disse chorando. “Agradeço a Deus por este dia, porque me manteve bem, saudável, com uma consciência clara”, acrescentou.
Padre Tom explicou que nos 18 meses de sequestro “esteve muito bem, nunca me apontaram nenhuma arma”. “Fui levado de carro a vários lugares. Não tive medo, nunca chorei. Eu não fui maltratado. Deus Pai e Jesus estiveram comigo”.
O sacerdote disse que uma vez teve acesso à Eucaristia, pois os jihadistas levaram alguns dos objetos da capela, entre eles o tabernáculo onde estava o Corpo de Cristo.
Os sequestradores lhe pediram os números de telefone e contatos para advertir sobre o seu sequestro e “parece que eles queriam dinheiro”. “Eles me perguntaram: ‘Quem pode ajudá-lo? O teu país pode te ajudar sair daqui? O Papa pode fazer alguma coisa por você?’”.
No dia seguinte, afirma que “enviaram o primeiro vídeo no qual se confirma que fui sequestrado”. “Um deles disse: ‘Nós pensamos que o teu país (Índia) não reagiria, mas regiram’”.
Outro lugar onde permaneceu preso foi em uma região montanhosa e mais tarde em outro local que não conhece. “Em um dos vídeos que filmaram, parecia que me maltratavam, mas não era verdade. Eles me disseram que seria um fingimento e enviaram-no para aumentar o interesse”.

Aniversário em cativeiro



O sacerdote repetiu várias vezes: “Deus esteve comigo, muitas pessoas rezaram e o fruto disso é que eu permaneci bem e fiquei tranquilo durante esse tempo”.
A relação com os seus sequestradores não era ruim e revela até mesmo que um dia lhe perguntaram a sua idade. “‘Quantos anos você tem?’. Eu tinha 58 anos. Disseram-me: ‘Não se preocupe, você viverá até os 85’”.
Em 18 de agosto comemorei o meu aniversário, o segundo em cativeiro. Agora tenho 59 anos. Se me perguntam o que eu fazia todos os dias, posso dizer que permaneci no quarto, podia fazer o que eu queria”.
Deus inspirou para me dessem o necessário, sou o que sou porque Deus cuidou de mim. Dormia bem e durante o dia rezava pelo Papa, pelos bispos, pelo meu superior, pelas pessoas que morreram e pelas que estavam vivas. Celebrava a Missa espiritualmente. Rezava por tantas pessoas que havia conhecido. Também pelos sequestradores e, claro, pelas irmãs que morreram”.
Além disso, contou que todos os dias antes de dormir “agradecia por ter vivido mais um dia e não ter outras preocupações”. “Nunca chorei, inclusive quando filmavam os vídeos e me pediram para chorar, eu não conseguia. Queriam mostrar algo trágico”.
O sacerdote acrescentou que não sabe muito bem quem ajudou na sua libertação, nem exatamente o que os jihadistas queriam que ele fizesse, mas sabe que o governo indiano, o Vaticano e o sultanato de Omã estiveram envolvidos na sua libertação.


Encontro com o Papa



Sobre o seu encontro com o Pontífice, explicou que “nunca tinha estado com o Papa Francisco”. “Rezava todos os dias por ele. Fiquei muito emocionado com a reunião. Ele é o Vigário de Cristo. O Papa beijou minhas mãos e me sinto indigno. Disse que tinha rezado por mim. Os sequestradores às vezes me diziam: ‘O Papa diz que em breve você será libertado’, mas em seguida não acontecia nada, embora eu soubesse que a Igreja e o mundo estavam preocupados comigo”.
Em relação ao seu futuro, garante: “Estou a serviço de Deus e disponível para o que Ele quiser”. Depois de realizar mais exames médicos e conseguir o passaporte indiano, voltará para a sua casa com a sua família e continuará a sua vida como salesiano, longe do cativeiro infligido pelos jihadistas.
Desde o princípio, pensei que nada poderia acontecer comigo se Deus não permitisse. Nem um cabelo da cabeça cai sem a sua permissão. Essas palavras vieram a minha mente e me fortaleceram”.
O salesiano quis deixar claro em diferentes ocasiões que em nenhum momento foi torturado nem sofreu “nenhuma injúria” dos sequestradores. “Não sabia onde estava e nem quem eram os meus sequestradores e qual o grupo que havia me sequestrado. Quando me levaram a uma das casas – estive pelo menos em três lugares diferentes – inclusive me disseram que tinham médicos e que cuidariam de mim”. “Eu tinha um quarto, uma cama, me davam almoço e podia ir ao banheiro”, contou aos jornalistas.









Prêmio Internacional Madre Teresa

Pe. Tom Uzhunnalil recebe Prêmio Internacional Madre Teresa
pela sua coragem e compaixão.

O Pe. Tom Uzhunnalil, recebeu no dia 10 de dezembro de 2017 o Prêmio Internacional Madre Teresa por “ser uma pessoa compassiva” e decidir permanecer, apesar do perigo, no lar de idosos das Missionárias da Caridade no Iêmen até o momento do ataque dos jihadistas em março de 2016. O evento ocorreu na cidade de Mumbai, no estado de Maharashtra, e o convidado de honra foi o vice-presidente da Índia, Venkaiah Naidu.
Este reconhecimento é concedido a todas as pessoas que, através do seu serviço, promoveram a justiça social. O prêmio é concedido desde 2005 pela Fundação Harmony, instituição criada na Índia para promover a coexistência pacífica e solidária entre as diferentes religiões e sociedades.
Abraham Mathai, diretor e fundador da organização, disse ao jornal Gulf News India que o Pe. Tom “foi um exemplo inspirador por ter sido uma pessoa compassiva e por continuar o seu trabalho no asilo das Missionárias da Caridade, no Iêmen, apesar de ter a opção de deixar o país”.
Elogiamos a dedicação e o compromisso do Pe. Tom por trabalhar em um lugar de grande perigo onde seus colegas foram assassinados a sangue frio”, continuou e recordou as quatro religiosas, uma delas indiana, que foram assassinadas pelos terroristas do ISIS.
Mathai também expressou que a Fundação Harmony está muito agradecida ao Sultão de Omã, Qabus ibn Sa'id Al Sa’id, pelos “seus esforços a fim de garantir a libertação do Pe. Tom das mãos do ISIS” e pela “sua resposta ao Vaticano, que resultou na posterior libertação do sacerdote que permaneceu no cativeiro durante mais de 18 meses”.
O diretor da organização explicou que, em 2017, o lema do prêmio é “Compaixão além das fronteiras, uma resposta compassiva à crise dos refugiados” e indicou que o objetivo é “conscientizar e agir na comunidade internacional”.


Palavras do Reitor-mor dos Salesianos sobre Padre Tom

Padre Tom e o Reitor-mor dos salesianos, Padre Ángel Fernández Artime.

Na tarde de 12 de setembro passado, recebemos um telefonema para comunicar que Padre Tom Uzhunnalil tinha sido libertado e estava chegando a Roma num voo procedente do Sultanato de Omã.
A notícia, após 18 meses de sequestro, meses de esperança e de medo, encheu-nos de alegria. Recebemos o nosso irmão salesiano Tom. Vinha muito fragilizado de forças físicas, tinha perdido 30 quilos e 38% da sua massa corporal, inseguro no andar porque não tinha podido fazer exercícios em todo esse tempo. Mas vinha forte no seu espírito, sereno, lúcido e cheio de paz.
Isso levou-me a pensar como Deus é capaz de fazer do mais débil e do mais frágil uma voz da sua presença e da sua força. O padre Tom contava-nos que tinha vivido aqueles 18 meses com serenidade, com muita paz, dando graças a Deus todas as noites pelo dia que tinha vivido – mesmo sem ter podido sair do seu lugar de sequestro nem ver a luz do sol. E Lhe dizia que, se no dia seguinte chegasse ao fim da sua vida, iria sereno ao Seu encontro. O nosso irmão Tom rezava todos os dias pelos seus raptores e pelas suas vidas. Rezava pelas Irmãs Missionárias da Caridade (de Madre Teresa de Calcutá) que tinham sido assassinadas na sua presença. Rezava pelos seusentes queridos, pela sua família salesiana e pelos jovens.
Paz e serenidade – Como não podia celebrar a Eucaristia com pão e vinho, rezava-a todos os dias mentalmente, e isso dava-lhe também uma grande força. Pensava com serenidade e rezava, rezava e pensava serenamente, dominando muito o seu pensamento para que este não lhe complicasse as coisas.
E regressou cheio de paz e serenidade. Sem dúvida cresceu muito na sua interioridade durante essa dolorosa experiência. Não pretende nada, não espera nenhum reconhecimento. Simplesmente continuar a servir e a trabalhar.
Falava-nos da sua condição de missionário. Estava no Iêmen como missionário e sentiu-se missionário, mais do que nunca, durante esses 18 meses. Embora não pudesse “fazer nada”, na realidade “era tudo”, porque todos os dias entregava integralmente o que era, com total inocência. (Boletim Salesiano, Ano 67, Novembro de 2017, Brasil.)

Boletim Salesiano, Ano 67, Novembro de 2017, Brasil.




quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

SANTAS E MÃES: Mulheres que alcançaram a santidade pela maternidade.




Ainda que a maternidade seja um elemento central na figura da mais venerada santa do cristianismo, a Virgem Maria, o fato é que conhecemos muito mais santas freiras e virgens do que santas que alcançaram a plenitude do amor na vida conjugal e na maternidade. Infelizmente, são poucas as mães já beatificadas ou canonizadas e só recentemente a Igreja passou a se dar conta dessa lacuna.




Apresentamos aqui oito santas e beatas que viveram a maternidade, procurando deixar de fora nesse momento aquelas que, depois da viuvez, ingressaram na vida religiosa, como Rita de Cássia (1381-1457), Joana Francisca de Chantal (1572-1641) e Elizabeth Ann Seton (1774-1821). Conheça um pouco sobre essas santas e mães.



Santa Gianna Beretta Molla (1922-1962)


Gianna formou-se médica aos 27 anos e em seguida especializou-se em pediatria. Ela desejava tornar-se leiga missionária no Brasil, onde estava o seu irmão, o frei Alberto Beretta, para cuidar dos necessitados. Na oração, porém, discerniu sua vocação ao matrimônio. Casou-se aos 33 anos com o engenheiro Pietro Molla, com quem teve quatro filhos. Todas as suas gestações foram difíceis, mas a última teve uma complicação a mais: a descoberta de um tumor no útero. Gianna recusou-se a abortar e submeteu-se a uma delicada cirurgia, que teve sucesso. Sua filha nasceu com saúde, mas a mãe acabou morrendo uma semana depois de dar à luz – em uma oferta da própria vida que o Beato Paulo VI chamou de “meditada imolação”.



Santa Mônica (331-387)


Nascida na atual Argélia, Mônica casou-se aos 17 anos com Patrício, com quem passou a viver na cidade de Tagaste. O marido tinha um temperamento violento, mas a oração e o testemunho de Mônica o levaram à conversão. O casal ocupava razoável posição social, mas apesar disso Mônica não era feliz no casamento, pois sofria com a infidelidade do marido. Por isso começou a atingir o ideal cristão de boa esposa e mãe, já que nunca criou discórdia embora sofresse.
O casal teve ao menos três filhos, sendo um deles Santo Agostinho, Doutor da Igreja, um dos maiores personagens da história do cristianismo. Um filho difícil, cheio de vaidade e avesso à fé cristã professada pela mãe, Agostinho deu trabalho. Mônica decidiu segui-lo até a Itália, onde ambos conheceram Santo Ambrósio, que se tornou seu diretor espiritual. Foi também com a sua ajuda – e com as orações e as lágrimas da mãe – que Agostinho se converteu e pediu o batismo. É o que ele reconhece em suas Confissões: “Deu-me a vida temporal segundo a carne e, pelo coração, fez-me nascer para a vida eterna”.
Morreu aos 56 anos, no ano de 387, mesmo ano da conversão de seu filho. Seu corpo foi "descoberto" em 1430 e transferido para Roma onde mais tarde uma igreja lhe foi dedicada. Mônica foi canonizada não por ter operado milagres ou por ser mártir, mas sim por ter sido, a "responsável pela conversão de seu filho" mostrando empenho em ensinar condutas cristãs como moral, pudor e mansidão, mostrando a intervenção feminina no interior da família, pois foi o meio, através da oração, que contribuiu para a vida religiosa do filho.
Os marinheiros que acompanhavam Santo Agostinho em suas viagens mediterrâneas se confortavam orando à Mônica, pedindo a chegada a salvo.



Beata Maria Corsini (1884-1965)

Nascida em Florença, casou-se aos 21 anos com o Beato Luigi Beltrame Quattrocchi. Corsini dedicava-se a escrever livros educativos e servia como catequista em cursos de noivos, uma novidade em sua época. Além disso, foi enfermeira durante a II Guerra. O casal ia junto à missa pela manhã todos os dias, e de noite rezava o terço. Tiveram quatro filhos e foram beatificados juntos, em 2001, por São João Paulo II. Sua última filha ainda viva morreu em 2012.



Beata Hildegarda Burjan (1883-1933)


Nascida na Alemanha em uma família judia não-praticante, Hildegard estudou filosofia, política e economia. Aos 24 anos, casou-se com o empresário húngaro Alexander Burjan. No mesmo ano, doutorou-se em filosofia e, um ano depois, ficou gravemente enferma devido a um problema nos rins. Vendo o serviço das freiras no hospital, decidiu pedir o batismo. Depois de curada, mudou-se com o esposo para Viena, onde tiveram uma filha. Fundou uma congregação religiosa feminina, chamada Caritas Socialis, que diante dos problemas sociais da capital austríaca organizou agências de empregos, lares para mães solteiras, hospitais e locais de distribuição de alimento para os pobres. Ingressou ainda no Partido Social Cristão e se tornou, em 1919, deputada federal.



Beata Isabel Canori Mora (1774-1825)


Isabel casou-se aos 24 anos com o advogado Cristoforo Mora, que logo a traiu e negligenciou a família, depois de gerarem duas filhas. Abandonada pelo marido, precisou trabalhar duro para sustentar as pequenas e, ainda assim, dedicava-se intensamente à oração – principalmente pela conversão de Cristoforo – e ao cuidado dos pobres e doentes. Morreu aos 51 anos, em Roma, onde passou toda a vida. Pouco tempo depois, seu marido se converteu e tornou-se padre na Ordem dos Frades Menores, os franciscanos.




Santa Zélia Guérin (1831-1877)



Zélia tentou inicialmente enveredar pela vida religiosa, mas logo se deu conta de que sua vocação era o matrimônio. Dona de uma pequena fábrica de rendas, casou-se aos 27 anos com São Luís Martin, um relojoeiro. O casal viveu na cidade francesa de Alençon e teve nove filhos, dos quais quatro morreram prematuramente. Ela também morreu cedo, de câncer de mama, e não viu uma das filhas entrar no Carmelo e se tornar a grande Santa Teresa do Menino Jesus, Doutora da Igreja. Outra filha está a caminho dos altares, a Serva de Deus Leônia Martin (Ir. Francisca Teresa).




Beata Anna Maria Taigi (1769-1837)

Nascida em Siena, precisou se mudar com a família para Roma aos cinco anos, depois de ir à falência. Aos 20 anos, casou-se com Domenico Taigi. Tiveram sete filhos, dos quais três morreram prematuramente. Depois de uma experiência de conversão, na Basílica de São Pedro, Anna Maria decidiu renunciar a uma vida mundana e deu todas as suas joias e roupas de luxo. Com uma vida de intensa penitência, demonstrava grande afabilidade por todos, sobretudo por sua família e pelos pobres. Diz-se ainda que teve dons místicos e operava curas.




Santa Emília de Cesareia (+375)


Sabe-se pouco sobre Santa Emília, mas se pelos frutos é possível conhecer as árvores, parece que ela fez alguma coisa direito. Afinal, dos seus dez filhos, seis são venerados como santos: Macrina, a Jovem, Teosébia, Naucrácio, Pedro de Sebaste, Gregório de Nissa e Basílio Magno, os dois últimos Doutores da Igreja. Com o esposo, São Basílio, o Velho – filho de Santa Macrina, a Velha –, Emília foi exilada durante o tempo da perseguição de Galério.