Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Beato Leopoldo de Alpandeire, religioso capuchinho.



O Beato Leopoldo é um dos modelos da santidade capuchinha marcada por santos simples e do povo, vivendo com dedicação e devoção as tarefas ordinárias. Na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos encontram-se vários frades leigos, porteiros, cozinheiros, esmoleres. O personagem que procuramos conhecer não alcançou a santidade, que agora vem reconhecida pela Igreja, como missionário em outro país, nem fazendo pregações nos púlpitos, muito menos porque era douto. Mas, porque foi um testemunho no seu relacionamento com as pessoas e principalmente as mais necessitadas. O Beato se insere na escola capuchinha da simplicidade. Aqueles que aparentemente não são importantes é que Deus se serve para realizar a sua obra.
O Beato Leopoldo faz parte dessa grande fileira de frades mendicantes que encarnaram na minoridade a pergunta de quem procura, a pergunta pelo Bom Deus que busca o homem porque lhe quer bem. O humilde mendicante chegou à glória dos altares, alegramo-nos e ao mesmo tempo peçamos-lhe que acompanhe quem busca a Deus, que saibamos estar abertos à voz do Espírito para viver entre o povo na simplicidade, sem nada mais do que o júbilo e a alegria de saber-nos amados por Ele.



No centro da Serra de Ronda encontra-se Alpandeire, vilarejo minúsculo, escondido, como um ninho no coração da montanha, uma beleza natural. É a terra natal de nosso santo esmoler capuchinho, místico da humildade e do ocultamento, dom de Deus à humanidade que procura o seu destino.

Seus pais, Diego Márquez Ayala e Jerónima Sánchez Jiménez, eram agricultores, simples e laboriosos e, como a maior parte do povo, trabalhavam duro para tornar fértil aquela terra rochosa da qual deviam tirar o sustento para a família. Em 24 de Junho 1864 nasceu o primeiro filho, que no dia 29 de Junho na pia baptismal recebia o nome de Francisco Tomás de São João Batista, o nosso Frei Leopoldo. Diego e Jerónima tiveram a alegria do nascimento de outros três filhos, Diego, Juan Miguel e Maria Teresa.

No calor do amor familiar, alimentado pela prática das virtudes cristãs, cresceu a boa semente cristã de Francisco Tomás. De seu pai aprendeu as boas maneiras, os princípios cristãos e a prática do bem. Dos lábios da mãe, aprendeu a oração. Alegre, ajuizado, de boa companhia, trabalhador incansável, Francisco Tomás começava sua jornada assistindo à santa missa e visitando o Santíssimo Sacramento. Seu hábito de partilhar o pouco que tinha e a sua bondade natural, jamais forçada, eram expressão de uma profunda vida espiritual e de uma forte experiência de fé. Era "todo coração" no socorro dos pobres, nos dizem as testemunhas que o conheceram. Conta-se que dava suas ferramentas de agricultor a quem precisasse, ou doava o dinheiro ganho com a vindima aos pobres que encontrava no seu caminho voltando para casa.

Ele viveu assim, no trabalho dos campos e na vida familiar, os seus primeiros 35 anos de vida "escondida". Enquanto Deus o modelava lentamente esperando a ocasião de chamá-lo para seu serviço. Em 1894, escutando a pregação dos capuchinhos por ocasião da festa que se estava preparando em Ronda, para celebrar a beatificação do capuchinho Diogo José de Cádiz, o jovem Francisco Tomás, decide abraçar a vida religiosa fazendo-se capuchinho. "Peço para ser capuchinho como eles". Atraído por "sua vida retirada".

Só em 1899 ele foi acolhido entre os capuchinhos no convento de Sevilha. Um mês depois foi admitido ao noviciado com o parecer mais do que favorável, dos membros da comunidade que louvavam nele: o silêncio, o empenho, a oração e a bondade. Pela mão de frei Diego de Valencina, Superior e Mestre dos noviços, em 16 de Novembro do mesmo ano recebeu o hábito capuchinho e o nome de Frei Leopoldo de Alpandeire.

A decisão de fazer-se capuchinho não exigiu dele uma mudança radical de vida, pois já vivia uma profunda e intensa vida evangélica. Frei Leopoldo trabalhando no campo e na horta do convento transformava o seu humilde trabalho em oração constante e em generoso serviço. A mudança de nome, comentará anos mais tarde, o abalou "como uma ducha de água fria", inclusive porque aquele nome não era usual entre os membros da Ordem. A sua entrada no convento não era consequência da pobreza, nem refúgio para um coração angustiado, mas a manifestação do que já vivia e sentia vivo. O exemplo do beato Diogo José de Cádiz o tinha induzido a servir a Deus com todo o seu ser, até à imolação.

Sabendo que ele era agricultor, em Sevilha encarregaram-no de ajudar o irmão hortelão. Na horta além de verduras frei Leopoldo cultivava também seus dons espirituais. Quem o conheceu afirma que a sua santa alegria correspondia à sua profunda interioridade que os seus olhos e o seu rosto não podiam esconder. Qualquer gesto dele, mesmo o mais corriqueiro e repetitivo, nascia de uma profunda comunhão com Deus. O noviço frei Leopoldo experimentou a alegria de ter respondido ao chamado de Deus. Uma coisa era certa: ele tinha 36 anos de idade, porém sua juventude de espírito não era um facto somente interior, irrompia visivelmente em sensível alegria. A experiência do noviciado pôs as bases de seu caminho espiritual, pois o seu amor a Deus ia crescendo mediante o conhecimento da tradição e da espiritualidade da Ordem capuchinha.

Terminado o noviciado emitiu a primeira profissão, passando breves períodos nos conventos de Sevilha, Granada e Antequera. A enxada acompanhava-o constantemente, como uma fiel companheira, enquanto cultivava a horta dos frades. Ele transformava em oração, o trabalho manual e o serviço feito para os irmãos. Foi um "contemplativo entre a água dos canais de irrigação, as hortaliças, os frutos e as flores para o altar".

Frei Leopoldo foi destinado ao convento de Granada, pela primeira vez em 1903, sempre no ofício de hortelão. Seus últimos anos foram vividos em absoluto retiro entre os velhos muros conventuais e a horta. Foram anos de profunda experiência espiritual e de silêncio. Na horta cresceu o seu diálogo com Deus e nesse diálogo, as suas virtudes. Da horta passava à capela do Santíssimo onde por longas noites permanecia em profunda adoração. No velho convento de Granada, no dia 23 de Novembro de 1903, frei Leopoldo emitiu os votos perpétuos diante de frei Francisco de Mendieta, superior da fraternidade. Era a sua consagração definitiva a Deus pela qual tinha vivido e para a qual viverá o resto de sua vida.

Após breves estadias em Sevilha e em Anteguera, em 21 de Fevereiro de 1914, ele voltou a Granada onde permaneceu até o fim de seus dias. A cidade aos pés da Serra Nevada, será o cenário de meio século de sua vida. Hortelão, sacristão e pedinte, sempre unido a Deus e ao mesmo tempo sempre próximo ao povo. O ofício de esmoler o definiu e o caracterizou. Ele tinha-se tornado religioso para viver longe do "barulho do mundo", foi lançado pela obediência a combater a batalha decisiva de sua vida entre as ruas da cidade e o vozerio do povo. A partir de então, com passo decidido, as montanhas, os vales, as estradas poeirentas, as ruas, serão o seu claustro e a sua igreja. Frei Leopoldo, como outros santos capuchinhos, com forte inclinação à vida contemplativa, viveu constantemente em contato com o povo e isso em vez de distraí-lo, o ajudou a sair de si mesmo, a assumir o peso dos outros, compreender, ajudar, servir e amar. Era, como disse um fervoroso devoto seu: "separado, mas não distante".

A sua figura foi tão popular na cidade que todos o reconheciam. Sobretudo as crianças que ao vê-lo gritavam: “Olha, lá vem frei Nipordo”, e corriam ao seu encontro. Ele parava explicando a elas, alguma página do catecismo e com os adultos para escutar seus problemas e suas preocupações. Frei Leopoldo tinha descoberto o modo de manifestar a todos a bondade divina: recitar três ave-marias. Era a sua fórmula de ligar o humano ao divino.

Por meio século, dia após dia, frei Leopoldo percorreu Granada distribuindo a esmola do amor, dando cor aos dias tristes de muitos, criando unidade e harmonia, levando todos a encontrar Deus, dando dignidade às ações de todos os dias. Todas as suas ações e seus gestos para aproximar-se das pessoas, eram sempre novos.

Nem tudo porém foi fácil, nem sem dificuldade. Frei Leopoldo exerceu seu ofício de esmoler numa época em que na Espanha sopravam ventos anticlericais e quem era religioso era mal visto se não perseguido. Era o tempo das "Duas Espanhas", da Segunda República antes da guerra civil e depois. Sete mil religiosos e sacerdotes foram mortos só por serem da Igreja Católica. Na sua faina diária de esmoler frei Leopoldo sofreu muito e não poucas vezes foi insultado: “Preguiçoso, ainda te vamos enforcar com este teu cordão!”. “Vagabundo, vai trabalhar em vez de andar pedindo esmola!”. “Prepara-te que vamos cortar teu pescoço!”. “Experimentou este clima hostil e parafraseando o Evangelho, dizia: “Pobrezinhos, só posso ter compaixão deles pois não sabem o que dizem”!”.

Será que existia, pergunto-me, algum segredo na vida de nosso irmão pedinte? Sim, o segredo de sua vida era a sua oração, a sua união com Deus e o seu trabalho. Ele transformava tudo em oração e a sua oração era o seu trabalho mais precioso. A sua vida não foi uma vida de grandes gestos ou de eventos notáveis, a não ser o que normalmente de pede a quem abraça a vida religiosa.

A santidade de frei Leopoldo tinha como suporte a humanidade do velho Francisco Tomás. Ele manteve a identidade do camponês de Alpandeire que já incluía o seu caminho de santidade.

Frei Pascoal Riwalski, Ministro Geral da Ordem, falando dele disse: “Encontrando Frei Leopoldo, ficamos subitamente fascinados pelo seu modo de ser simples, natural, sem artifícios, sincero e ricto, evangelicamente pobre. Um pobre que tem fé, cândido, simples e discreto, que sempre soube pôr-se em segundo plano, servindo no anonimato e na humildade. Um homem com um coração de menino, nobre e franco, cortês e sóbrio, de camponês honesto... Um homem extremamente reservado e modesto, quanto a tudo aquilo que de bom o Senhor operava por meio dele, que se perturbava diante dos louvores dos homens, que se alegrava com as humilhações e que mantinha uma consciência viva de seus limites e de seus pecados. Frequentemente repetia. “Sou um grande pecador”!” A verdadeira centelha evangélica é fruto da estima que temos por nossos semelhantes e pelas criaturas na perspectiva de Deus. Frei Leopoldo conhecia bem o famoso dito de São Francisco: “porque, quanto é o homem diante de Deus, tanto é e não mais”» (Admoestações, XIX).

Não era fácil ver os seus olhos. Frei Leopoldo, tomou como modelo São Félix de Cantalício, em ter os olhos voltados para a terra e o coração para o céu. Tinha olhos de criança, puros e penetrantes, serenos e límpidos. Transmitia serenidade, pureza e doçura de coração, fruto da paz interior que o invadia.
Ele tinha uma influência particular sobre todos aqueles que encontrava por causa de sua humildade e disponibilidade. A sua figura não era daquelas que impressionam e chamam a atenção. Mais do que “andar entre o povo, frei Leopoldo, passava entre o povo”, mais do que olhar, ele via no coração das pessoas que o cercavam.

Considerando a sua vida podemos dizer que ele aderiu ao Evangelho de Cristo sine glossa seguindo o exemplo de São Francisco. O extraordinário encontra-se na sua limpidez, clareza e silêncio. Num clima de incerteza e falta de referências, a figura do Servo de Deus frei Leopoldo apresenta-se como a de quem escutou com atenção a voz de Deus e se deixou transformar na imagem do Filho Unigênito.

Certo dia, aos 89 anos de idade, enquanto recolhia, como de costume, a esmola da caridade, ele caiu e fraturou o fémur. Foi levado ao hospital, mas por sorte ficou curado sem operação cirúrgica. Recebendo alta, ele retornou a pé ao convento, com a ajuda apenas de seu bastão, mas, não teve mais condição andar pelas estradas. Pôde assim dedicar-se totalmente a Deus, o grande amor de sua vida. Absorto em Deus, ele passou os últimos três anos de sua vida consumindo-se pouco a pouco, “qual chama de amor”.


A “irmã morte” veio ao seu encontro...
A chamazinha se extinguiu em 09 de Fevereiro de 1956, quando ele tinha 92 anos de idade. O humilde esmoler das Três Ave-Marias, uniu-se definitivamente ao Senhor. A notícia de sua morte correu por toda a cidade de Granada, comovendo-a. Seu corpo repousa na cripta do convento de Granada, um lugar de peregrinação constante, especialmente em 9 de cada mês.

Um rio de gente de todas as idades e condições se dirigiu ao convento dos capuchinhos. A fama de santidade que já o acompanhava em vida, cresceu após a sua morte. Todo dia, mas sobretudo no dia 9 de cada mês, uma insólita afluência de pessoas, de todo o mundo, visita a sua tumba. Muitas são as graças que Deus concede por intercessão de seu servo fiel.

O processo de beatificação começou em 1961 e terminou em 1976. Em 1982 foi-lhe dada autorização da Sagrada Congregação para as Causas dos Santos, para a introdução do processo.

Nos anos 1983 a 1984 foi assinado o processo apostólico sobre as virtudes heroicas.  A positio super virtutibus foi entregue 09 de março de 1994.

Bento XVI no dia 15 de marco de 2008 declarou a heroicidade de suas virtudes e no dia 12 de Setembro de 2010 foi declarado Beato. Na beatificação, à qual assistiram espanhóis de várias dioceses vizinhas de Granada, estava presente Ileana Martínez, 50 anos, de Porto Rico, a mulher que foi curada de maneira cientificamente inexplicável de Lúpus, patologia degenerativa que não tem cura. Este milagre, atribuído à intercessão do novo beato, foi decisivo para sua elevação aos altares no processo canônico.

Painel de sua beatificação
A cerimônia foi presidida por Dom Ângelo Amato, Cardeal Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, que na homilia realçou os aspectos principais da personalidade do Beato:

“Caridade, humildade e devoção mariana são os traços distintivos da sua santidade. Todas as testemunhas afirmam que Leopoldo tinha um coração de ouro. Desde a infância demonstrou-se generoso e caridoso. Costumava partilhar a merenda com os outros pastorinhos mais pobres. Um dia estava a distribuir aos mendigos todo o dinheiro recebido com fadiga nos difíceis meses da vindima em Jerez. Ao ver isso, o irmão mais velho repreendeu-o e tirou-lhe o dinheiro das mãos. Então, o jovem Francisco Tomás doou as suas botas a um pobre descalço”.
A vida do beato foi inteiramente dedicada ao serviço de Deus e do próximo com a oração e o trabalho. Depois da entrada no convento, desempenhou vários encargos: hortelão, porteiro, sacristão, medicante e, quando era necessário, enfermeiro para servir os doentes e os idosos. “Mas o seu apostolado — evidenciou o arcebispo — foi, sobretudo, a coleta para o seu convento. Como frade mendicante, colocava o alforje às costas, como Jesus a Cruz, e caminhava a pedir esmolas. Fazia-se pobre para o sustento dos irmãos”.
Ao receber as esmolas, oferecia a caridade da sua bondade, a sua serenidade e os seus conselhos. Contudo, com frequência recebia também insultos, pedradas e uma vez até correu o risco de ser linchado. D. Amato recordou alguns episódios da vida de frei Leopoldo. “Certo dia, um grupo de agricultores gritou-lhe: ‘Vagabundo, trabalha em vez de andar por aí. Poderias ajudar-nos’. Frei Leopoldo aproximou-se e começou a trabalhar com eles, superando-os com a sua habilidade camponesa. Revelou que fora trabalhador como eles e que no convento cultivava a horta: “Irmãos, sou como vós”. Isto lhe permitiu obter respeito, consentindo-lhe fazer assim um pouco de catequese”. Uma vez, entrou numa loja da Plaza de Bib-Rambla. Naquele, dia o proprietário tinha vendido pouco e não só não lhe deu esmolas mas chegou a insultá-lo fortemente. O beato ouviu tudo com paciência e afastou-se. No dia seguinte voltou e disse: “Irmão, oremos à Virgem com três Ave-Marias”. Comovido, o homem recitou as orações e durante algum tempo frei Leopoldo visitou-o para recitar com ele as três Ave-Marias.
Depois, iniciou o período da perseguição religiosa, nos anos da guerra civil. Nessa época, os capuchinhos perderam uma centena de irmãos de hábito e Frei Leopoldo sabia que arriscava a vida todas as vezes que saía pelas ruas de Granada para pedir esmola, mas, era poupado porque os pobres o defendiam, reconhecendo: “É mais pobre do que nós”. Até os anticlericais mais inflamados admiravam a sua mansidão, exclamando: “Se todos fossem como ele!”. Era caridoso inclusive nos julgamentos, desculpando e justificando todos. Dizia a verdade, mas com caridade. Um dia perguntaram-lhe se julgava santo um seu irmão de hábito, que não era nada exemplar. Frei Leopoldo respondeu: “sim, a seu modo”.
A sua caridade foi incansável e sempre acompanhada de uma grande humildade. Um dia — narrou o prelado — o Beato entrou no Café Suíço e aproximou-se de uma mesa. Recebeu só insultos e pancadas. Caiu no chão. Levantou-se e disse com humildade: “Agredistes-me e deitastes-me ao chão; agora, por favor, oferecei uma esmola por amor de Deus”. Toda Granada pedia orações e conforto a Frei Leopoldo. As pessoas piedosas diziam-lhe com frequência: “Frei Leopoldo, reza por mim, porque tu és santo”. Imediatamente ele respondia: “santo não, não sou santo. Santo é o hábito”.

As pessoas não se aproximavam dele só pela sua caridade, pela fama de milagres, pelos seus conselhos, mas procuravam-no sobretudo pela sua humildade, viam-no como um verdadeiro amigo de Deus e do próximo. Na comunidade — recordou o prefeito — procurava retirar-se sempre no canto mais escondido. Quando celebrou o cinquentenário de profissão, a 16 de Novembro de 1956, um jornal de Granada escreveu artigos cheios de apreço e louvor. Frei Leopoldo sofreu muito por isso: “que problema, fazemo-nos religiosos para servir o Senhor no escondimento e vejo que nos colocam até nos jornais”. Não gostava de ser fotografado. Só aceitava quando lhe ordenava o superior”.
A humildade permitia-lhe também corrigir o próximo, sobretudo os blasfemadores. Um dia, um operário — disse o arcebispo — ao vê-lo, começou a blasfemar. Frei Leopoldo aproximou-se dele e disse: “Se quiseres ofender o frade, fá-lo, mas não ofendas o Senhor”. O homem ouviu-o com muito respeito e envergonhou-se do que tinha feito. Noutra vez, um leiteiro blasfemava perto do convento da Encarnação porque tinha derramado o leite contido num recipiente. Frei Leopoldo aproximou-se do pobrezinho e disse-lhe que o nome de Deus devia ser invocado só para ser louvado. O leiteiro desculpou-se dizendo que tinha perdido o lucro de um dia. O Beato ofereceu-lhe o dinheiro que tinha obtido através da caridade, recomendando-lhe que louvasse sempre o nome do Senhor.


Fontes:

terça-feira, 27 de novembro de 2018

SÃO TIAGO, o mutilado, mártir (+ 411 d.C) - 27 de novembro.

        


       São Tiago, dito: "o mutilado", pertence ao rol dos santos e santas que tiveram os nomes retirados da liturgia santoral no pós-Vaticano II. Não deixaram, é claro, de serem santos (as): apenas não  tem mais suas memórias festejadas na reforma litúrgica. 
      No caso do presente santo, achei sua história belíssima e de forte testemunho de conversão, coragem, fé e perseverança.
      Espero que a leitura de sua vida e morte motive a todos nós à fidelidade no "martírio branco" que todos os cristãos que desejam ser fiéis a Deus sofrem diariamente. Nos tempos que vivemos, de tantas facilidades e tentações: relativismo, secularismo, egocentrismo, luxúria, hedonismo, idolatria ao dinheiro e ao poder, culto à saciedade e ao conforto, etc, não é nada fácil se manter fiel à vontade de Deus. 


De origem persa, Tiago nasceu em Bethlapeta. Alta linhagem, grandes e fulgurantes talentos, avultada fortuna, posição saliente, distinções honrosíssimas, que lhe vinham do monarca persa, fizeram com que o nome de Tiago fosse por todos muito honrado, mas também o levaram à beira do abismo.
Quando o Rei da Pérsia anunciou uma perseguição ao cristianismo, Tiago teve a fraqueza de negar a fé, o que grande tristeza causou à esposa e à mãe. Morto o Rei Isdegerts, escreveram a Tiago esta carta: “Sabemos que abandonaste o amor e a fidelidade de Deus imortal, para ganhar o agrado do Rei, os bens e as glórias deste mundo. Qual foi o fim daquele, por amor do qual perdeste um tesouro tão grande? O miserável teve a sorte de todos os mortais... Dele nada mais podes esperar, nem tão pouco te libertará das penas eternas. Sabe que a divina justiça te condenará às penas do inferno, si continuares na tua infidelidade. Quanto a nós, não desejamos mais ter comunicação contigo”. A leitura dessas palavras impressionou-o profundamente. Caindo em si, abandonou a vida na corte e renunciou a todas as vantagens que as relações com a aristocracia lhe tinham conferido. Ao novo rei declarou francamente, que era cristão e como tal desejava viver.
O monarca abalou-se com esta declaração e, indignado, acusou-o de ingratidão, apontando para os grandes benefícios que do pai tinha recebido. "Onde está aquele príncipe?" perguntou Tiago. "Que foi feito dele?" Estas palavras ainda mais irritaram o Rei, que respondeu com ameaças de morte lenta e cruel. Tiago replicou: "Qualquer feição que a morte tome, é apenas um sono... Oxalá possas ter a morte de justo." O Rei: "Não, a morte não é um sono; para todos, grandes e pequenos, é um objeto de horror". Tiago: "Não há dúvida; horrorosa é para os reis e todos os que desprezam a divindade, porque vã é a esperança dos ímpios." O Rei: "Chamas-me de ímpio, miserável, tu, que não adoras o sol, a lua, o fogo e a água, as emanações mais sublimes da divindade?" Tiago: “Não intenciono ofender-te; o que digo e censuro é dares a criatura o nome de “Deus”, o que não deve ser”.
O Rei, ouvindo isto, não mais se conteve. Convocou os ministros, conselheiros e juízes, para que com ele determinassem de que modo deveria morrer aquele, que tão afrontosamente tinha ofendido e ultrajado as divindades do reino.
Tiago foi posto na prisão e condenado à morte de mutilação. Si não quisesse prestar homenagem às divindades, deveriam ser-lhe amputados os membros do corpo um por um. Profunda foi a impressão que esta sentença causou entre o povo. Todos afluíram ao lugar do suplício, para serem testemunhas da cruel execução. Os cristãos, por sua vez, pediram a Deus a graça da perseverança para o seu servo.
Antes de ser executado, Tiago, com o rosto virado para o oriente, de joelhos e os olhos fitos no céu, fez uma oração. Depois se lhe aproximaram os algozes que, de acordo com a sentença, lhe amputaram dedo por dedo, depois as mãos, os braços, os pés e as pernas. Tiago sofreu horrivelmente, mas não vacilou. No meio das cruéis operações disse: "Esta morte, que vos parece tão pavorosa, é preciosíssima, por produzir a vida eterna".
Quando lhe cortaram o polegar da mão direita, o mártir disse: "Salvador dos cristãos, aceita este pequeno 'galho de árvore'. Esta árvore entrará em decomposição; mas reviverá, cobrir-se-á de folhagem e receberá a coroa da glória eterna." Os próprios juízes, assistindo ao horrível martírio de Tiago, ficaram movidos de compaixão e pediram-lhe que tivesse pena do corpo e salvasse a vida, a que o servo de Deus respondeu: "Não sabeis que não é digno de Deus aquele que, tendo posto a mão no arado, olha para traz?" Cada articulação que perdia, era oferecida a Deus com estas palavras: "Aceitai mais este galho."

Não havendo mais nada para cortar, Tiago disse aos algozes: "Abatei agora o tronco. Não vos deixeis mover por compaixão de mim, estou satisfeito, e minha alma se alegra no Senhor e inclina-se para aquele que ama os pequeninos e humildes." Horrivelmente mutilado, o mártir ainda estava com vida, louvando a Deus. Por último foi-lhe decepada a cabeça. Da maneira porque lhe foi praticado o martírio, Tiago recebeu o cognome de mutilado.
A data da morte do mártir foi o dia 27 de novembro de 421. Os cristãos juntaram as preciosas e imploraram sua intercessão junto a Deus. Apesar de seu nome e culto terem sido praticamente esquecidos na Igreja Católica do Ocidente, ainda é lembrado nas Igrejas Orientais ligadas à Sé de Roma. Existem alguns mosteiros no Oriente erigidos em sua honra. 



Fonte: 
Livro "Na Luz Perpétua", II Tomo (ano 1950)

domingo, 25 de novembro de 2018

SANTA CATARINA DE ALEXANDRIA, Virgem e Mártir - século IV (25 de novembro).




De nobre origem, nasceu Catarina em Alexandria, no Egito, no final do século III. Bem pequena ainda, começou a instruir-se nas verdades da santa religião e, dotada de uma inteligência superior, mais tarde, não só se aprofundou na ciência teológica, como também se dedicou dum modo particular ao estudo das ciências profanas.
Tendo apenas dezoito anos, em discussões públicas confundiu os maiores filósofos da cidade natal. O imperador Maximino tinha decretado uma perseguição aos cristãos e sua doutrina. Tendo conhecimento do grande preparo de Catarina, prometeu um prêmio ao filósofo que conseguisse afastar a jovem da religião cristã.
Numa discussão pública, para a qual Catarina foi convidada, puseram em ação todo o aparato de argumentações sofísticas, para desorientar a donzela. Catarina, porém, iluminada pelo Espírito Santo, respondeu com tanta clareza e sabedoria, que abandonaram os erros e pediram admissão entre o número dos catecúmenos. Todos morreram pela fé, à qual se tinham convertido.
O Imperador, surpreendido pelo êxito inesperado da discussão, procurou pessoalmente ganhar as simpatias de Catarina, para destarte fazê-la abandonar o Cristianismo. Entre outras muitas promessas que lhe fez, foi a principal a de elevá-la à dignidade de Imperatriz. Catarina, porém, rejeitou todas as pretensões do tirano, não querendo reconhecer por esposo do coração senão o divino Salvador. Maximino mudou então de tática e em vez do amor, que não lhe possuía, revelou o ódio sem limites contra a religião de Cristo e contra a nobre donzela. Durante onze dias Catarina foi sujeita a toda sorte de sofrimentos. Duras flagelações revezavam com desumanas privações. O resultado foi que muitas pessoas, que visitaram a pobre vítima das iras imperiais, se converteram ao Cristianismo.
Esta circunstância provocou mais ainda o furor do déspota, que baixou uma ordem, segundo a qual Catarina devia ser colocada sobre uma roda com lâminas cortantes e ferros pontiagudos. Catarina fez o sinal da cruz sobre o instrumento do martírio e este se desconjuntou imediatamente, fato que causou máxima admiração e determinou a conversão de outros pagãos. Maximino não mais ousou aplicar outras medidas, com receio de tornar-se propagandista do Cristianismo. Por isto deu ordem para que Catarina fosse decapitada. A jovem crista recebeu jubilosa esta sentença e saudou o dia que lhe ia proporcionar a maior das venturas: a união com o celestial esposo.



Diz a história da vida de Santa Catarina que o corpo da Santa foi pelos Anjos levado ao monte Sinai. Falcônio, arcebispo de San Severino, referindo-se a esta lenda, diz: "Os 'anjos', isto é, os religiosos do convento de Sinai, levaram o corpo da mártir ao monte santo, onde o sepultaram com todas as honras".
A maior parte das relíquias de Santa Catarina se acha de fato no Mosteiro de Sinai.
Santa Catarina, tanto pela Igreja Oriental como pela Ocidental é considerada grande mártir e figura entre os 14 Santos Auxiliadores.






O Matrimônio Místico de Santa Catarina.

O pai, diz a lenda, era Costes, rei de Alexandria. Ela própria era, aos 17 anos, a mais bonita e a mais sábia das jovens de todo o império; esta sabedoria levou-a a ser muitas vezes invocada pelos estudantes. Anunciou que desejava casar-se, contanto que fosse com um príncipe tão belo e tão sábio como ela. Esta segunda condição embargou que se apresentasse qualquer pretendente.
Será a Virgem Maria que te procurará o noivo sonhado”, disse-lhe o ermitão Ananias, que tinha revelações. Maria aparece, de fato, a Catarina na noite seguinte, trazendo o Menino Jesus pela mão. “Gostas tu d’Ele?”, perguntou Maria. -“Oh, sim”. -“E tu, Jesus, gostas dela?” -“Não gosto, é muito feia”. Ao ouvir isso, acordou do sonho.
Catarina foi logo ter com Ananias: “Ele acha que sou feia”, disse chorando. -“Não é o teu corpo, é a tua alma orgulhosa que Lhe desagrada”, respondeu o eremita. Este instruiu-a sobre as verdades da fé, batizou-a e tornou-a humilde; depois disto, em linda aparição de Maria e do Menino Jesus, tendo-a o divino Infante a encontrado bela, a Virgem Santíssima meteu aos dois o anel no dedo; foi isto que se ficou chamando desde então o “casamento místico de Santa Catarina”.


Fonte:
Na Luz Perpétua, Tomo II (publicação de 1950)

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Venerável Serva de Deus Alessandra (Sandra) Sabattini, virgem e leiga - a "noiva santa".







Em 06 de março de 2018, o Papa Francisco aprovou o decreto que reconhece as virtudes heroicas da italiana Sandra Sabattini, uma jovem falecida aos 23 anos, que poderia se tornar a primeira noiva santa da Igreja Católica.


Sandra Sabattini, estudante de medicina, noiva, nasceu no dia 19 de agosto de 1961 em Riccione, em uma família profundamente católica, e viveu seus primeiros anos no município de Misano Adriatico, na província de Rimini. Aos 04 anos, ela e sua família se mudaram para a casa paroquial da Paróquia de San Girolamo, onde era pároco um de seus tios, Pe. Giuseppe Bonini, irmão de sua mãe.

 No dia 24 de janeiro de 1972, aos 10 anos de idade começa a escrever em um diário: "A vida vivida sem Deus é um passatempo, divertido ou não, com tédio, na qual se vive à espera da morte". Esse diário, rico em espiritualidade, e que dá uma mostra da beleza de alma de Sandra, será publicado por vontade de padre Oreste depois de sua morte.

Aos 12 anos conhece padre Oreste Benzi, fundador da Comunidade Papa João XXIII, que se dedicava aos muito pobres. Esse encontro marcou deveras o coração da adolescente, que também foi tocado pela graça de uma especial amor e misericórdia pelos pobres e necessitados. Após uma experiência missionária com o grupo, voltou para casa com uma certeza: “Nós quebramos nossos ossos, mas essas são as pessoas que nunca abandonarei”

Alguns anos mais tarde, inicia seus estudos em medicina. Em seu tempo livre e em suas férias, dedicava-se a atender os enfermos. Com uma vida intensa de oração, o terço diário e a meditação cotidiana da Palavra de Deus, Sandra também tinha o costume de rezar na primeira hora de cada ano (de meia-noite à 1h) diante do Santíssimo Sacramento.



Dedicada aos estudos, se prepara espiritual e psicologicamente para uma possível partida para a África, um dos muitos sonhos que ela mantinha em uma gaveta, juntamente com o projeto de um futuro com o jovem Guido, um rapaz um pouco mais velho que ela, com quem estava noiva. Foi aos 20 anos que conheceu Guido Rossi, com quem compartilhava os mesmos ideais, como o sonho de um dia, após casados, irem para a África a fim de fundar uma comunidade que serviria aos “últimos dos últimos”.

Em 29 de abril de 1984, aos 23 anos, ia com Guido a um encontro da Comunidade Papa João XXIII. Assim que saiu do carro e esperava para atravessar a rua, foi atropelada por outro veículo que seguia na direção contrária. Gravemente ferida, entra em coma. Três dias depois, no dia 02 de maio de 1984, Sandra morre no hospital a Bologna.  





Em setembro de 2006, o então Bispo de Rimini, Dom Mariano De Nicolò, abriu a causa de canonização, com cerca de 60 testemunhos sobre suas virtudes. No final da investigação sobre sua vida, virtude e fama de santidade, ela foi declarada Serva de Deus.

Ao postular sua causa, o fundador, Pe. Oreste Benzi explicou, assim, a promoção de sua causa: "Há os esposos santos, os pais santos. Mas não seria bom ter uma namorada santa”? Sim, realmente, Sandra e Guido vivam um namoro e um noivado santos, pautados pelo amor sincero e casto, colocando-se ambos a serviço de sua Comunidade e da Igreja.

Apenas em 2003, Pe. Oreste editou a primeira edição do "Diario di Sandra", uma coleção de escritos de onde surge um modelo juvenil de fidelidade evangélica excepcional.

Em uma recente entrevista a TV 2000, Guido recordou: “a primeira vez que saímos juntos (...) ela me levou a um cemitério, para olhar os rostos das senhorinhas nas sepulturas esquecidas, para perceber nessas vidas esquecidas a presença real do Senhor que nunca nos esquece”.

“O tempo do namoro não era simples ou somente uma alegria humana, mas era uma alegria que se devia ao fato de que esta relação estava no centro de um projeto maior”, ressaltou.

Sandra Sabattini foi definida como uma “santa do cotidiano”, pois não fez nada extraordinário, segundo descreve sua biografia, intitulada “A santa ao lado”, uma obra em dois volumes editada pela teóloga Laila Lucci, com prefácio do atual Bispo de Rimini, Dom Francesco Lambiasi.

A documentação sobre a cura de Stefano Vitali, ex-presidente da Província de Rimini, ocorrida em 2007 após ter pedido a intercessão de Sandra Sabattini, já foi enviada à Congregação para as Causas dos Santos e será meticulosamente examinada para uma eventual beatificação.




Fontes:



quarta-feira, 14 de novembro de 2018

FESTA DE TODOS OS SANTOS CARMELITAS - 14 de novembro





Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus Pai do Céu, tende piedade de nós!
Deus Filho Redentor do Mundo, tende piedade de nós!
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós!
Santíssima Trindade que sois Um só Deus, tende piedade de nós!

Nossa Senhora Monte Carmelo, rogai por nós!
Senhora do Lugar,
Mãe da Divina Graça,
Rainha, Mãe e Irmã dos Carmelitas,
Virgem do Santo Escapulário,
São José, Patrono do Carmelo,
Santo Elias, Patriarca do Carmelo,
Santo Eliseu, Profeta do Carmelo,
Santo Alberto de Jerusalém,
São Brocardo, 
São Bertoldo,
São Simão Stock, presbítero, 
Santo Alberto de Trápani, presbítero, 
Santo Avertano, religioso, 
Santo Ângelo da Sicília, presbítero, 
São Pedro Tomás, bispo, 
Santo André Corsini, bispo, 
Santa Teresa de Jesus, virgem e doutora da Igreja, nossa mãe, 
São João da Cruz, presbítero e doutor da Igreja, nosso pai, 
Santa Maria Madalena de Pazzi, virgem, 
Santa Teresa Margarida Redi, virgem, 
Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, virgem e doutora da Igreja, 
Santa Elisabete da Trindade,virgem, 
Santa Teresa de Los Andes, virgem, 
Santa Teresa Benedita da Cruz, virgem e mártir, 
Santa Maria de Jesus Crucificado,virgem, 
Santa Maria Maravilhas de Jesus, virgem, 
Santa Joaquina de Vedruna, fundadora, 
São Nuno Álvares Pereira, religioso, 
São Ciríaco Elias Chavara, presbítero e fundador, 
São Rafael Kalinowski, presbítero, 
São Luís Martin e Santa Zélia Guerín, esposos e pais de Santa Teresinha, 
São Tito Brandsma, presbítero e mártir, 
Santo Henrique de Ossó e Cervelló, presbítero e fundador, 
São George Precca, presbítero e apóstolo do escapulário do Carmo, 
Santo Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja, 
São João Bosco, presbítero e fundador, 
São Pompílio Pirroti, presbítero, 
São João Maria Vianney, presbítero, 
São João Paulo II, papa, 
Todos os Santos devotos do Escapulário do Carmo, intercedei por nós! 
Beata Francisca d’Amboise, virgem, rogai por nós! 
Beata Ana de São Bartolomeu, virgem, 
Beata Maria da Encarnação, viúva e religiosa, 
Beata Maria dos Anjos, virgem, 
Beata Maria de Jesus, virgem, 
Beato Dionísio da Natividade, presbítero e mártir, 
Beato Redento da Cruz, religioso e mártir, 
Beato João Soreth, presbítero, 
Beato Francisco Palau y Quer, presbítero e fundador, 
Beato Batista Mantovano, presbítero, 
Beatos João Batista Duverneuil, Miguel Luís Brulard e Tiago Gagnot, presbíteros e mártires, 
Beata Teresa de Santo Agostinho e companheiras, virgens e mártires, 
Beato Afonso Mazurek, presbítero e mártir, 
Beatas Maria Pilar, Teresa e Maria Angeles, virgens e mártires, 
Beato Eufrásio do Menino Jesus, presbítero e mártir, 
Beato Eusébio do Menino Jesus, presbítero, e 15 companheiros mártires, 
Beato Lucas de São José, presbítero, e 13 companheiros mártires, 
Beata Maria Mercedes Prat, virgem e mártir, 
Beata Maria Sacrário de São Luís de Gonzaga, virgem e mártir, 
Beata Maria Cândida da Eucaristia, virgem, 
Beata Elias de São Clemente, virgem, 
Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado, virgem, 
Beata Teresa Maria da Cruz, fundadora, 
Beata Maria Teresa de São José, fundadora, 
Beato Maria-Eugênio do Menino Jesus, presbítero, 
Beato Isidoro Bakanja, leigo e mártir, 
Beato George Häfner, presbítero da OCDS e mártir, 
Beata Josefa Naval Girbés, virgem da OCDS, 
Todos os Santos e Santas de nossa Ordem,
Todos os Beatos e Beatas de nossa Ordem,

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: perdoai-nos Senhor!
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: ouvi-nos, Senhor!
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: tende piedade de nós!

V. Rogai por nós, todos os Santos e Santas carmelitas.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Oremos:
Ajude-nos, ó Deus Todo-Poderoso, o patrocínio da Bem-Aventurada Virgem Maria, nossa Mãe, e a intercessão dos Santos e Santas carmelitas, para que, seguindo fielmente seus exemplos, sirvamos generosamente vossa Igreja com a oração e a vida apostólica. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.



segunda-feira, 5 de novembro de 2018

SANTO AVERTANO, religioso carmelita (século XIV).




Nasceu Avertano em Limoges, por volta de 1320, de pais pobres, porém, honrados e cristãos. Há relatos sobre sua vida que dão conta de certas histórias admiráveis como, por exemplo, que não mamava às sextas feiras e nem nas vigílias das solenidades, acontecendo que se sua mãe lhe dava o peito, o bebê Avertano resistia e chorava. Conta-se que aos cinco anos já lia, respondia à Santa Missa e conhecia o Ofício de Nossa Senhora. Ir à igreja era seu maior gozo, renunciando a jogos e à companhia de outros meninos. Sendo ainda muito criança, tomou grande devoção à Santíssima Virgem e a ela se recomendava cada dia, especialmente na adolescência, para vir a pecar gravemente.

Aos 15 anos resolveu ser religioso, porém, não sabia a que Ordem pertencer. Assim, implorou à Virgem Maria que o iluminasse. Certa noite, se lhe apareceu um anjo que lhe disse que Deus o queria no convento da Ordem do Carmo.  Assim, em 1335, pediu o hábito carmelita não sem certa oposição prévia de seus pais, que finalmente aceitaram sua vocação. O prior lhe aceitou com alegria, pois, advertido por Deus, sabia que o jovem Avertano seria uma glória para a Ordem. Enquanto lhe vestiam o hábito, caiu arrebatado em êxtase, durante o qual se lhe apareceu a Mãe de Deus e o abençoou especialmente, assegurando-lhe que ela sempre seria sua guardiã e protetora.

Durante 42 anos viveu Avertano em seu convento de Limoges ocupado em diversos ofícios, como enfermeiro e esmoler. Foi um religioso exemplar, sobretudo na mãe de todas as virtudes religiosas: a obediência. Também era muito cuidadoso de sua castidade, não falando jamais com mulheres, nem permitindo-se mirá-las no rosto quando estas lhe falavam. Não faltava nunca com as virtudes da pobreza e do desapego, sabendo que tudo na comunidade era propriedade de todos e de ninguém em particular. Igualmente, foi muito penitente, parco na comida e na bebida e muito pouco amigo do sono e do conforto. Sua oração era muito elevada, recebendo graças e dons especiais na oração.




Em 1379 nasceu em Avertano o desejo devoto de peregrinar a Roma e venerar as relíquias dos Santos Apóstolos e mártires, obtendo a permissão de seu prior. Junto com ele foi o Beato Romeu (memória em 04 de março), religioso mais jovem, porém, não menos santo. Ambos partiram a pé no dia 01 de novembro do mesmo ano,  logo após recomendarem-se a Todos os Santos. Ambos abrigavam-se nas grutas que achavam, transformando-as em “celas”, fazendo nelas suas orações e preces, mantendo o jejum e o preceito do Ofício Divino conforme lhes mandava a Regra.  


Cruzando os Alpes, Avertano adoeceu por causa do frio e pelos esforços físicos, porém, foi por milagre sustentado a continuar seu caminho. Ambos os religiosos chegaram a Lucca (cidade natal do Beato Romeu) em princípios de fevereiro de 1380, estando a cidade fechada aos estrangeiros por causa da peste que assolava a região. Por esse motivo, o Beato Romeu o levou ao hospital de San Pedro, para os enfermos pobres. Ali estiveram por uns dias até que se decidiram por entrar na cidade, para ir ao convento dos carmelitas, porém, os guardas lhes proibiram a entrada, vendo-lhes tão macilentos, especialmente Avertano. Então, este lhes profetizou: “Não passará muito tempo em que os pese não haverdes me deixado entrar na cidade e, então, não o podereis conseguir, ainda que o procureis fazê-lo com todas as vossas forças”. E ambos regressaram para o hospital, mostrando-se Avertano cada vez pior em sua enfermidade.

Revelou-lhe o Senhor que morreria em breve. Para tanto, se confessou, recebeu o Santo Viático e, antes de falecer, apareceu-lhe a Santíssima Virgem rodeada de Anjos para leva-lo consigo ao paraíso. Ao mesmo tempo, recebeu da Virgem Maria uma última profecia que dirigiu aos demais enfermos: “consolai-vos, irmãos, no Senhor, que a peste na Itália em breve cessará e o cisma que há na Igreja o fará pouco depois, por intercessão de Nossa Senhora”. Assim, confortado pelo Sacramento, expirou docemente, no dia 25 de fevereiro de 1380.

Conta-se que os sinos das igrejas de Lucca repicaram sozinhos, fazendo com o povo saíssem de suas casas para ver o que acontecia. Prontamente correu a uma só voz a notícia dos resplendores que brotavam do corpo de Avertano e dos milagres que ocorriam a quantos lhe tocavam. Dispôs-se o bispo que se lhe celebrassem os funerais solenes e os carmelitas tomaram o corpo para leva-lo para sepultar em seu convento, porém, aconteceu que ao chegar à porta da cidade, o corpo do Santo se tornou pesadíssimo, sem que nada pudesse movê-lo. Visto isso e recordando a profecia de Avertano, decidiram enterrá-lo na igreja do hospital de São Pedro, onde havia falecido. Oito dias depois, faleceu também o Beato Romeu de Lucca e foi sepultado com seu irmão de hábito.

Ao final de um ano de sua morte eram tantos os prodígios que ocorriam pela intercessão de Frei Avertano que o bispo elevou suas relíquias a um altar, ato esse que é uma canonização, de acordo com as regras e costumes do século XIV. Em 31 de agosto de 1513, suas relíquias foram transladadas para a cidade, pois, o hospital e a igreja do mesmo iriam ser demolidos ao ampliar-se a cidade. Ainda que os carmelitas tenham tentado a todo custo possuir as relíquias, o clero diocesano e os canônicos se impuseram e levaram as relíquias à catedral. Ao mesmo tempo, a Sé introduziu seu nome no catálogo dos santos, na liturgia própria da diocese. A Ordem o introduziu no Ofício Carmelitano no Capítulo de Roma, em 1564, para ser suprimido na reforma litúrgica do ano de 1972.



Fontes:
-"Glorias del Carmelo". Tomo II. P. JOSÉ ANDRÉS. S.I. Palma, 1863.
-"Flores del Carmelo: Vidas de los Santos de Nuestra Señora del Carmen". FR. JOSÉ de SANTA TERESA OCD. Madrid, 1678.