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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Serva de Deus Madre Clara Maria de Jesús Quirós, fundadora.



A fundadora das Carmelitas de São José é salvadorenha, de San Miguel, onde nasce em 1857. No nome que lhe impõem no dia de seu batismo, em 31 de outubro de 1857: Clara del Carmen, haveria lido qualquer “vidente” mediano o seu porvir. Será fundadora, como Clara de Assis, em cujo dia abriu os olhos para este mundo, e de um Instituto Carmelitano, as Carmelitas de São José.

Ela – Clara – envolta em uma pobreza efetiva e afetiva, particularmente foi abandonada por seu próprio pai, Daniel Quirós, quando tinha apenas três anos. Se sabe que sua mãe – Carmen López – a casa com um homem que frequentava a casa – Félix Alvarado – que se afirma “professor de ciências e letras”, porém, que resulta em um incompetente para a vida. Com apenas quinze anos “Clarita” desconhece por completo a “psicologia” varonil. Foram aquelas bodas uma ideia fracassada de sua mãe e uma irresponsabilidade de Félix. Passa a vida em Nueva San Salvador. Chegaram-lhe seus seis filhos. Os dois últimos voaram logo para o céu.

Os outros três primeiros são recordados, todavia, na história de El Salvador: Carmen, casada com Recaredo Gallardo, ministro da fazenda do presidente Romero Bosque; Gertrudis, casada com Godofredo Arrieta Rossi, governador e grande médico e cirurgião; e Alfredo.

Clarita, com aproximadamente 13 a 14 anos
Apenas Cipriano, que herda o “pouco juízo” de seu avô Daniel e de seu pai Félix, motivou dias muito amargos para sua mãe.

O que engrandece esta mulher é que, abandonada por seu esposo, se inclina para seu Deus, que é Amor, por seu Filho Jesus Cristo, presente na terra na Eucaristia, o Sacramento do Amor, e pela Mãe de Jesus, debaixo da terna invocação de Nossa Senhora das Dores, que secaria suas lágrimas, e também Nossa Senhora do Carmo, a Mãe que a recebe no dia de seu batismo.

É um grande acerto voltar a encontrar o AMOR, com maiúsculas, em Deus e em sua Mãe, ao invés de procurar amores humanos, especialmente ela, uma mulher sensível, nascida para ser amada.

Em 1873, se alista na Confraria de Nossa Senhora do Carmo; em 1887, toma o hábito da Ordem Terceira; em 1889 professa como irmã. Emite a profissão carmelitana com plena consciência de sua seriedade e responsabilidade. Ela assume a altura dos ideais e da santidade da Ordem Terceira e se consagra radicalmente. Seu futuro carmelitano se projeta no horizonte.

Não falta em sua alma um amor entranhado à Mãe Dolorosa, diante de cujo Coração destroçado necessita recolher-se. Em diferentes anos aparece como a tesoureira da confraria fundada em 1884 em Nueva San Salvador.

Seu amado Cristo Sacramentado a atrai irresistivelmente, desde que experimenta a instabilidade do amor humano e, durante anos, a partir de 1889, trabalha como secretária da Guarda de Honra do Santíssimo Sacramento. Consequentemente, seu respeito pelos bispos e sacerdotes se deixa notar nas paróquias da Conceição e do Carmo de Nueva San Salvador e no seminário, com os salesianos e jesuítas.

Clara aparece em primeira linha em toda obra apostólica, paroquial e diocesana. É a impulsora e a alma, a promotora dos exercícios espirituais, sócia ativa da Sociedade Católica de São Vicente de Paulo e da Irmandade do Carmo. Está sempre ao lado da hierarquia eclesiástica nos piores conflitos sociais e da Escola Católica. Ela é uma grande apóstola social feminina.

Para solucionar suas carências econômicas, abre uma agência de “Bens e Raízes” – detalhe o mais original de sua vida, pelo que será – não duvidamos – declarada a patrona perante Deus daqueles que se dedicam a semelhante serviço na sociedade. 

Sempre alegre, serena e jovial, apesar das duras provas, não duvida em ceder ante as insinuações do arcebispo Antonio Adolfo Pérez y Aguilar, para que ceda sua casa aos jesuítas, que chegaram já com “a mesa posta”, desconhecendo, estes e aquele, a galanteria com uma dama, porque a pobre Clara consegue, de benfeitores, uma boa quantia de dinheiro para refazer, ela mesma, o convento de Belém, enquanto a ínclita e poderosa Companhia de Jesus encontrava a casa e igreja do Carmo reformadas e bem compostas.

Na véspera de Santa Teresa de Jesus, 14 de outubro de 1916, começa a fundação de sua Congregação Carmelitana e, em meio a mil privações, se dedica com suas filhas às meninas pobres, órfãs e marginalizadas, às senhoras viúvas e/ou abandonadas, aos enfermos que vivem sozinhos em seus domicílios.

A interessante experiência de solidão e de abandono, que sente ao longo de sua vida secular, a impulsiona a minorar esta marca social da mulher tratada em segundo plano pelos homens.

Em meio a estas meritórias tarefas apostólicas, recebe o chamado de partir para Deus  precisamente no dia da Imaculada Conceição: 08 de dezembro de 1928. A suas numerosas filhas lhes há deixado o desafio de sua espiritualidade e de sua missão na Igreja. Sabemos que a autoridade eclesiástica salvadorenha quer estudar oficialmente a grande personalidade cristã de Madre Clarita, mediante a abertura do processo de sua beatificação/canonização.

O processo diocesano de sua vida, virtudes heroicas e fama de santidade da Serva de Deus Madre Clara Maria de Jesús Quirós transcorreu em El Salvador do dia 04 de novembro de 2004 a 13 de dezembro de 2005. Toda a documentação do processo foi enviada a Roma através da Nunciatura Apostólica em El Salvador, em 16 de janeiro de 2006. Já a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos emitiu o decreto de validade do processo diocesano no dia 31 de outubro de 2008.


Autor do artigo em espanhol:
Padre Alberto Barrios Moneo, claretiano.
(traduzido por mim, Giovani Carvalho)


terça-feira, 29 de janeiro de 2019

SANTO HENRIQUE DE OSSÓ, Presbítero e Fundador




Apóstolo das crianças pela catequese, inspirador de movimentos laicais para uma vivência mais empenhativa do evangelho, diretor de almas. Ficou fascinado pela espiritualidade de santa Teresa de Jesus, mestra de oração e filha da Igreja, à luz de cuja doutrina fundou, em 1876, a Companhia de Santa Teresa de Jesus.


Henrique de Ossó, sacerdote, fundador da Irmãs Teresianas, é um dos homens de Deus, que, no século XIX, contribuíram para manter viva a fé cristã, com fidelidade inquebrantável à Igreja.
Desde criança teve uma devoção entusiasta por Santa Teresa de Ávila, através das suas obras e dos frades carmelitas. A vida e a doutrina de Teresa de Jesus, assimilada com a leitura constante, inspirou a sua vida espiritual e o seu apostolado, mantidos pela força do seu amor ardente a Jesus e a Maria. Um encontro que o levava a mergulhar na intimidade com Deus donde brotava a energia vital que o formava, deixando-se possuir pelo amor de Cristo. Cativado pelos ensinamentos e pela vida de Teresa, tornou-se um incansável propagador de sua doutrina, despertando nos seus leitores e seguidores admiração e amor. Quem se aproxima de Enrique, inevitavelmente chega a Teresa.
Henrique de Ossó e Cervelló nasce em Vinebre, a 16 de outubro de 1840, uma pequeníssima povoação da província de Tarragona, Espanha, situado nas margens do rio Ebro. Henrique fala da sua família e diz que teve: "bons pais e santos avós". Uma boa referência.
A morte da sua mãe, aos 14 anos, causada pela cólera, deixa-o desolado. Ela dizia-lhe com frequência: "Meu filho, que alegria me darias se fosses sacerdote". Ele respondia-lhe invariavelmente: "Não. Eu quero ser mestre".
Num dia de primavera de 1852, ainda Henrique não completara os doze anos, saiu, com o pai, em direção a Quinto de Ebro, na província de Saragoça. Ali vivia, dedicado ao comércio de tecidos, João de Ossó, irmão do Sr. Jaime. Ali poderia Henrique passar uma larga temporada e, meio a brincar, meio a sério, junto do balcão do tio, ir-se-ia habituando à prática da vida comercial. Depois para Reus, ou para Tarragona... Assim pensava o Sr. Jaime. Naquele dia, Dª Micaela ficou em casa a chorar.
Em Quinto de Ebro, Henrique fica doente e regressa a casa. "Assim, pois, por novembro de 1852 entrava de novo Henrique na sua casa de Vinebre, donde saíra naquele formoso dia de primavera. A mãe apertou-o contra o peito, capaz de o comer com beijos. Também a sua irmã Dolores o recebeu com o melhor dos seus carinhos. Jaime, o irmão mais velho, já estava em Barcelona.
E agora?... Já não podiam mandá-lo à escola da aldeia, porque Henrique já não tinha mais nada para aprender. Contudo, não tinha abandonado os livros durante a estadia em Quinto de Ebro. Naquela noite o Sr. Jaime disse à esposa: "A partir de amanhã começas a preparar a roupa e as coisas necessárias porque na segunda-feira próxima vou levar Henrique a Reus".

Henrique talvez tenha ido para Reus na primavera de 1853, depois de se ter refeito totalmente da doença sofrida em Quinto de Ebro. O comércio para onde foi trabalhar era propriedade do Sr. Pedro Ortal. Era um estabelecimento de tecidos. Chamava-se e chama-se ainda "A Maravilha". Henrique em Reus fazia a sua vida normal de empregado de comércio.
Um dia recebeu uma notícia inesperada. Tem de ir rapidamente a Vinebre. Dª Micaela estava gravemente doente. Ao anoitecer do dia 15 de setembro de 1854, D. Micaela morreu. Pouco tempo depois, da morte de Dª Micaela seu pai manda-o novamente para Reus, a trabalhar na loja de tecidos, a mais importante da cidade. Henrique, enquanto trabalha por detrás do balcão, vai pensando noutros caminhos para a sua vida.
Um dia, deixa umas cartas de despedida e põe-se a caminho do santuário de Montserrat. Ali, diante da Virgem Moreneta, decide o seu futuro: "Encontrei a minha vocação... Serei sempre de Jesus, seu ministro, seu apóstolo, seu missionário de paz e de amor".
Em Montserrat, uns dias depois, o seu irmão Jaime encontra-o, e atua como mediador com seu pai para que o autorize a ir para o Seminário de Tortosa.
Em 1854, a vida em Espanha não ia nada bem para quem queria dedicar-se à causa de Jesus Cristo. Nem os seminários tinham a estrutura e o ambiente propícios para o estudo e a preparação que se requer para uma boa formação teológica e espiritual. Henrique vive em casa de Mosén Alabart, um sacerdote da diocese, estuda com dedicação sob a tutela do Domine Sena, que lhe ensina Latim e algo muito mais importante: introdu-lo no conhecimento de Santa Teresa de Jesus.
Em 1856 começa a estudar Humanidades. Nas atas do final de curso, as notas de Henrique em Filosofia e Teologia aparecem sempre com a classificação de "Meritissimus". Henrique, desenha muito bem, esculpe lindas figuras em madeira com uma simples navalha e canta com muito boa voz. Como se ainda fosse pouco, faz parte da Conferência de S. Vicente de Paulo, com os encargos que trazem consigo: reunião semanal, retiro mensal, e visita aos pobres cada semana; assim entra em contacto com as pessoas mais miseráveis de Tortosa. Passa as férias de Verão em Vinebre, na linda casa de seu pai. Ali reza, ajuda um pouco nas tarefas agrícolas e, durante o tempo que habitualmente todos dedicam à sesta, reúne nas amplas caves da casa todas as crianças da terra para a catequese. Assim começa a sua missão de catequista e de mestre. De tarde leva-as a passear pelos arredores da aldeia. Em cada verão, todas as crianças esperam ansiosas a sua chegada à aldeia.

Ao terminar os três anos de Filosofia, os seus superiores e a sua família querem que continue os estudos no Seminário de Barcelona, e ali se matricula no ano letivo de 1860-61 para frequentar os estudos de Física e Química como aluno de um catedrático excecional: o doutor Jaime Arbós. Henrique e Arbós chegam a ter uma boa amizade e este nomeia-o seu adjunto durante algum tempo. A sua família queria que "luzisse" e subisse na escala das honras acadêmicas, mas Henrique só tinha uma única preocupação: preparar-se bem para ser sacerdote e fazer brilhar, não a sua própria pessoa, mas a de Jesus Cristo.
No verão, desloca-se a Benicasim, uma povoação costeira da vizinha província de Castellón, onde vivem os seus tios. Ali o seu corpo recupera as forças enfraquecidas pelos esforços do estudo. De Benicasim sobe às próximas montanhas do Deserto das Palmas, onde os Padres Carmelitas têm o seu convento. Com a comunidade carmelita recupera as forças do espírito, passa longas horas em oração e reflexão na ermida de Santa Teresa, situada num dos cumes, de onde vê ao longe o mar e um horizonte tão amplo como os seus sonhos apostólicos. Isto vai repeti-lo durante quase toda a sua vida.
Em Setembro de 1861 volta outra vez a Tortosa como aluno do primeiro curso de Teologia, no seminário. Uns meses depois entra na diocese o novo bispo, D. Benito Vilamitjana y Vila. Rapidamente, Henrique de Ossó não será só um seminarista para o bispo, mas o seminarista que é tratado pessoalmente com ilusão e esperança. Contudo, uns anos mais tarde o panorama mudará radicalmente.
Três anos depois volta a Barcelona, para frequentar o seminário, desta vez como interno, o terceiro ano de Teologia. O seminário é dirigido pelos jesuítas. Henrique admira o reitor, P. Fermín Costa, mas admira, sobretudo o P. Joaquín Forn, homem sábio, bom professor. Henrique coloca-se sob a sua orientação. Os três anos de Teologia tirados em Barcelona foram brilhantes, assim como o seu comportamento moral e disciplinar. Este período é também de suma importância na consolidação da sua amizade com Sardá y Salvany, Andrés Martorell, Casanovas, Manuel Domingo y Sol, Juan Bautista Altés, que duraria toda a sua vida.
Em 1866, quando termina os estudos em Barcelona, o bispo Vilamitjana reclama-o para Tortosa. Não quer que Barcelona lhe roube o seminarista Ossó que – o bispo sabe muito bem – é um seminarista fora de série.
Em Tortosa recebe o subdiaconado, a 26 de Maio, e com ele o encargo do bispo de ser professor de Física dos seminaristas; ao mesmo tempo continua os estudos de Teologia. 07Termina o curso com as notas mais altas e também examina-se em Barcelona, na faculdade civil, onde adquire grau de Bacharel em Artes.
Finalmente, a 21 de Setembro de 1867, em Tortosa, o bispo Vilamitjana ordena-o sacerdote. E a 06 de Outubro, em Montserrat, celebra a sua primeira missa. Tu es sacerdos in aeternum.
A sua grande obra foi a Fundação da Companhia de Santa Teresa de Jesus – Irmãs Teresianas - que se estendeu, ainda em vida do Fundador pela Espanha, Portugal, México e Uruguay.
Santo Henrique quis que as irmãs teresianas, cheias do espírito de Teresa de Jesus, se comprometessem a "estender o reino de Cristo por todo o mundo", "formando Cristo na inteligência das crianças e jovens por meio da instrução e no coração por meio da educação".
Faleceu no dia 27 de janeiro de 1896 no convento de Sancti Spiritus Gilet (Valência), Espanha, dos Padres Franciscanos, onde se tinha retirado para orar na solidão. As últimas páginas que escreveu antes da sua morte tratavam da ação da graça do Espírito Santo na vida dos cristãos dóceis ao seu amor. A sua santidade, espiritualidade, e carisma foram reconhecidas, pela Igreja, que o beatificou, em Roma, a 16 de Outubro de 1979, e canonizou em Madri, em 16 de Junho de 1993, por João Paulo II.
O seu sacerdócio, razão da sua vida, foi vivido com uma grande paixão por Cristo e pela humanidade e marcado por um grande zelo apostólico e compromisso de vida, escrito no seu diário, quando fazia os exercícios espirituais antes da sua ordenação sacerdotal: “Serei sempre de Jesus, seu ministro, seu apóstolo, seu missionário de paz e de amor”.
Um espírito de oração contínua e uma intensa atividade apostólica unificaram toda a sua vida e fizeram dele um apóstolo junto das crianças, dos jovens e das famílias, tendo renovado a catequese do seu tempo, sendo hoje padroeiro da Catequese em Espanha, referência e inspirador de movimentos laicais em todo o mundo.
A força do seu sacerdócio habilitou-o ainda para enfrentar com serenidade e firmeza as grandes contradições da sua vida que lhe vinham particularmente dos seus dois grandes amores: a Igreja e a Companhia.
Uma vida cheia que a Igreja nos apresenta como a do apóstolo que "soube unir maravilhosamente a oração e a ação" na sua trajetória terrena.
Foi professor, escritor, fundador e promotor da pastoral educativa, através da valorização da mulher. Dizia: “Educar uma mulher é educar uma família”.
Às suas obras prediletas, a Confraria das filhas de Maria e Santa Teresa, (fundada em 1873), hoje o MTA, e a Companhia de Santa Teresa de Jesus, (nascida em 1876), a congregação das Irmãs Teresianas, dedicou toda a sua força sacerdotal, e toda a sua vida. Para elas viveu, sofreu e se entregou com “Fé viva, Confiança ilimitada, esperança firme e ardente Caridade” como dizia.
Ser sacerdote foi a razão de ser da sua vida, que motivou toda a sua atividade apostólica e fez dele um lutador incansável.
O seu ideal de colaborar na transformação do mundo ao estilo de Jesus desenvolveu-se com enorme criatividade ante os múltiplos desafios da sociedade do tempo que lhe tocou viver. Homem do povo e homem de Deus, soube ser presença e atuou com coerência na construção de uma sociedade mais culta, mais humana, mais fraterna.
A eficácia da sua ação tinha dois pilares imprescindíveis. O seu sacerdócio feito amor apostólico e a sua forte crença no "Organizemo-nos", que ele nos propõe.
Organizou a Catequese de Tortosa e trabalhou intensamente na formação cristã das crianças e adolescentes com a ação e os escritos
Fundou Associações católicas com pessoas de todas as idades e condições. Para ser alma de muitas delas, e especialmente atender a formação e a promoção da mulher fundou a Companhia de Santa Teresa de Jesus.
Criou uma rede de comunicação forte através dos muitos Escritos e Cartas na Revista Santa Teresa e tantos livros de devoção para alimentar a fé de quantos se tinham associado nos movimentos por ele fundados.
Foi o homem do TUDO POR JESUS na sua forma de viver e de atuar. Entre o povo das cidades e aldeias, contagiou a sua experiência de Deus, para ganhar inteligências e corações, às crianças, aos jovens, às famílias, às religiosas que ele fundou.
Pela palavra, escritos, obras e vida foi apóstolo da oração. Orientava para a experiência de Deus, através de Teresa de Jesus, mestra de vida espiritual, com propostas concretas:
um quarto de hora diário de oração;
os diálogos pedagógicos com Teresa de Jesus;
os lemas propostos a cada grupo e movimento;
o apelo a engrossar as fileiras dos Amigos Fortes de Deus.

O fundamento do seu sacerdócio foi:
Um amor: Cristo e Igreja
Uma palavra: Jesus
Um desejo: Que todos conheçam e amem a Cristo e o façam conhecido e amado
Um programa: restaurar todas as coisas em Cristo
Um ideal de vida: encarnado em Maria e na espiritualidade de Santa Teresa de Jesus, em cuja doutrina saboreou uma profunda experiência de Deus.
Um lema: “Tudo por Jesus”

Empenhou-se, pelos seus escritos, fundações e testemunho de vida, em dar a conhecer a todos que Deus os ama, que ninguém fica de fora no reino de Deus, em ser apóstolo e em fazer dos outros testemunhas e missionária da “Boa Notícia”
Hoje o MTA, movimento laical de crianças, jovens e adultos, está espalhado por 23 países dos cinco continentes e o seu lema é ser cristãos no “próprio ambiente”, pela Interioridade, Solidariedade e Comunhão Eclesial, comprometendo-se, conforme dizem os seus Estatutos, “em colaborar na construção de comunidades solidárias, inclusivas e interculturais defendendo sempre a dignidade da Pessoa e o cuidado da Vida.”
As irmãs teresianas, através do Carisma da Educação, herdado de Santo Henrique de Ossó, procuram formar pessoas ao estilo da mística de Teresa de Jesus, com “Cristo na mente e no Coração”, pessoas de Paz, Amor e Verdade construindo nos seus centros comunidades que aprendem oram e educam, educando-se.
Santo Henrique, fundador, apóstolo, escritor e referência para os sacerdotes do nosso tempo.


Oração: Ó Deus, que em santo Henrique, presbítero, conciliastes admiravelmente o espírito de contínua oração com uma infatigável atividade apostólica, por sua intercessão, concedei-nos perseverar no amor de Cristo e servir a vossa Igreja com o testemunho da palavra e da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Oração que Santo Henrique de Ossó, Fundador das Irmãs Teresianas, hoje nos convida a rezar:

«Que eu não vá deste mundo, meu Jesus,
sem um Amor mais forte que a morte.
Que não vá deste mundo, meu Jesus, para o paraíso
sem gozar do Teu conhecimento e do Teu Amor,
pois conhecer-Te é amar-Te e possuir a Vida Eterna,
que nos prometeste.
Eu quero, desde hoje, dedicar todas as minhas forças
em tornar-Te conhecido e amado por todos…
Que “tudo por Jesus”, seja o meu lema,
estender o Teu Reino”, a minha única preocupação,
confiar no Teu Amor, a minha fortaleza,
e que “só Deus basta” seja toda a minha consolação.
Que a Ti, Jesus, eu pregue com a minha vida,
o meu exemplo e a minha missão.
Que o meu pensar e Amar, nesta terra
e “todo o meu caudal”, grande ou pequeno,
sejam o teu pensar e amar.
E que isto seja o meu céu nesta terra.
Glória ao Pai eterno e omnipotente,
e Glória ao Filho,
Vida da minha vida,
com o Amor, Consolador e Guia,
a Ti, seja dada glória eternamente».
Santo Henrique de Ossó
Revista Teresiana,
1895-1896, pág. 99-101


São deles estes pensamentos:

* “ser cristão é ser outro Cristo na terra… Pensar como Jesus Cristo, sentir como Jesus Cristo, amar como Jesus Cristo, agir como Jesus Cristo, conversar como Jesus Cristo, falar como Jesus Cristo. Enfim, conformar toda a nossa vida à de Cristo, revestir-nos de Jesus Cristo é a nossa principal ocupação sobre a terra…”
* “ O mundo feito por homens e mulheres, forjadas na escola de vida de Maria e Teresa de Jesus, terá de ser um mundo de santos, cheio de vida e esperança … mãos à obra que o tempo urge e as circunstâncias chamam.”
* ” A sociedade perderá a esperança de ser melhor, no dia em que a mulher deixar de ser respeitada.”
* Sós vós que deveis decidir se o mundo há de ser ou não de Jesus Cristo.”



sábado, 26 de janeiro de 2019

Beata Victoria Rasoamanarivo, viúva e princesa de Madagascar (21 de agosto)





Martirológio Romano: Em Antananarivo, na ilha de Madagascar, Beata Victória Rasoamanarivo, que, depois de enviuvar de um matrimônio com um homem violento e havendo sido expulsos da ilha os missionários, socorreu com toda a solicitude aos cristãos e defendeu a Igreja frente aos magistrados públicos. Beatificada por São João Paulo II em 30 de abril de 1989. Memória em 21 de agosto.


Breve biografia
Nasceu em Tananarive (Madagascar), em 1848. Pertenceu a uma das famílias mais poderosas do país. Recebeu uma ótima educação moral.
Frequentou as escolas fundadas pela Companhia de Jesus e pelas Irmãs da Congregação de São José de Cluny. O ensinamento da religião católica e o bom exemplo dos padres e das irmãs influíram poderosamente na jovem que, mais tarde, pediu para ser admitida na Igreja.

Foi batizada em 1863, aos 15 anos de idade. Durante as perseguições contra a Missão Católica, seus pais pretenderam que ela renegasse sua fé, porém, ela não cedeu. Os missionários consideraram prudente respaldar seu desejo de ingressar na vida religiosa, porém, foi entregue como esposa, contra sua vontade, ao filho do primeiro ministro e alto oficial do exército.

O matrimônio, devido ao caráter e costumes de seu esposo, constituiu-se para ela um verdadeiro martírio. No entanto, permaneceu fiel ao marido até à viuvez, não obstante os conselhos de seus pais, inclusive da própria rainha.  

Sua vida cristã exemplar lhe ganharam a estima da corte e do povo. Esta estima e sua autoridade moral fizeram dela uma providencial sustentadora da Igreja Católica em Madagascar, quando os missionários católicos foram expulsos. Defendeu publicamente a Igreja Católica ante as autoridades e susteve a fé do povo. Quando os missionários regressaram em 1886, encontraram uma comunidade vigorosa e florescente, devido ao mérito e à atividade apostólica de Victoria. Faleceu santamente no dia 21 de agosto de 1894, com apenas 46 anos. 




Segundo texto biográfico     



A Beata Victoria Rasoamanarivo usou seu papel e suas conexões para manter o catolicismo vivo e forte enquanto os missionários foram expulsos.

A católica beatificada de Madagascar nasceu como uma princesa pagã e acabou se tornando uma ativista, um contemplativa e uma heroína nacional. A Beata Victoria Rasoamanarivo nasceu em 1848 de uma família nobre em um país onde o cristianismo era ilegal. Juntamente com a maioria dos malgaxes (os naturais de Madagascar), Victoria praticava uma espécie de culto aos ancestrais.

Mas, quando Victoria tinha 13 anos, a rainha que proibiu o cristianismo morreu e missionários estrangeiros começaram a pregar publicamente novamente. Nesse mesmo ano, Victoria foi matriculada em uma escola dirigida pelas Irmãs de São José de Cluny. Seu testemunho e sua instrução a transformaram e, apesar da oposição de sua poderosa família, foi batizada com a idade de 15 anos.

A família de Victoria estava ao lado da rainha perseguidora. Seu avô era o primeiro-ministro e ficaram horrorizados com a escolha dela. Eles a tiraram da escola católica e a enviaram para uma protestante, mas, sua fé permaneceu forte. Finalmente, citando o Batismo dela como uma traição de sua raça, eles juraram que não a enterrariam com sua família, o mais profundo ato de rejeição possível na sociedade malgaxe. Victoria não se mostrou indiferente: “Os missionários me enterrarão com eles”.

O coração de Victoria estava fixado em Cristo e, como tantas vezes acontece, ela queria se tornar uma religiosa consagrada. Mas, o desejo de pertencer completamente a Cristo não indica necessariamente uma vocação, e as Irmãs de São José indicaram que, se ela entrasse, sua família poderia tornar a vida intolerável para todos os católicos do país. Victoria orou e, finalmente, se submeteu, permitindo que seus pais organizassem seu casamento com um primo, o filho de seu tio, o primeiro ministro.

Sempre corajosa, a noiva de 17 anos certificou-se de ter um padre presente para o casamento. Infelizmente, seu marido Radriaka era um homem cruel, um violento bêbado e um libertino. Até mesmo seu próprio pai pediu a Victoria que se divorciasse dele. Mas, qualquer que seja o abuso que o marido dela tenha feito, Victoria aceitou como sacrifício a oferta pela sua conversão.

Por um tempo, Victoria viveu uma vida de alegria e fé sossegadas. Mas apenas alguns anos depois de seu casamento, o protestantismo se tornou a religião oficial de Madagascar e começaram as perseguições sutis. O tio de Victoria a criticava e ameaçava dia e noite. Sua família tinha escravos atirando pedras nela e uma vez colocou um assassino contra ela. Seu marido exigiu que ela deixasse sua fé em submissão a ele. Mas, ainda assim, Victoria o amava e rezava muito por ele, passando horas por dia em oração, apesar de seus muitos deveres na corte.

Em 1883, a leve perseguição diária que os católicos sofreram se tornou mais severa durante a guerra franco-malgaxe. Todos os missionários estrangeiros foram expulsos de Madagascar. Ao saírem, os sacerdotes confiaram os católicos do país a Victoria, assim como os Apóstolos foram deixados aos cuidados da Santíssima Virgem.

Victoria era a mulher perfeita para esse trabalho. Quando o governo trancou as igrejas, ela se apresentou diante da rainha e do primeiro-ministro para objetar. Quando colocaram soldados do lado de fora para barrar a entrada para a oração, Victoria calmamente se aproximou dos homens armados, dizendo: “Se você deve ter sangue, comece por derramar o meu. O medo não nos impedirá de nos reunir para a oração”. Ela os encarou e, depois, levou a comunidade reunida para a igreja. Embora a Eucaristia tivesse acabado e não houvesse Missa, ainda assim eles oraram. Victoria explicou: “Coloco diante de mim os missionários que rezam a Missa e assisto, mentalmente, a todas as missas que estão sendo ditas em todo o mundo”.

Victoria viajou por toda a ilha encorajando as comunidades católicas, garantindo que elas tivessem uma catequese adequada e defendendo-as diante dos abusos do governo. Quando os sacerdotes foram readmitidos, dois anos depois, encontraram uma comunidade de 21.000 católicos em chamas por sua fé. A própria Victoria reconheceu que se tivesse se tornado uma irmã como esperava, nada disso teria sido possível.

Não muito tempo depois do retorno dos missionários, a fidelidade de Victoria ao marido foi recompensada. Em 1888, ele sofreu uma queda; Quando ficou claro que seus ferimentos eram fatais, ele pediu o batismo. Victoria o batizou e viu o fruto de anos de sacrifício quando seu marido morreu em estado de graça. Ela passou os seis anos seguintes orando, servindo, amando e recusando comprometer-se em questões de fé. Ela trabalhava com prisioneiros, leprosos e pobres abandonados e, quando o tio que a perseguiu caiu em desgraça com a corte, ela demonstrou a ele o quanto se importava por ele. Finalmente, aos 46 anos, essa líder forte e corajosa foi em paz para a Casa de Cristo.

A Beata Victoria Rasoamanarivo usou seu privilégio de falar a verdade aos que estavam no poder, sem se importar com as conseqüências que ela poderia enfrentar. Em seu dia de festa, 21 de agosto, vamos pedir a ela intercessão pela coragem de fazer o mesmo. Beata Victoria Rasoamanarivo, rogai por nós!






Beata Victoria, heroina catolica
de Madagascar, rogai por nós! 



Fontes:
Site aleteia.com (página em língua inglesa)
Wikipedia versão espanhola
Tradução feita pelo autor do site. 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

SANTA THAÍS, Penitente e Padroeira da cidade de Alexandria e dos convertidos



Ex-prostituta convertida ao cristianismo no Século IV Padroeira de Alexandria e dos convertidos.

Origens

Não se sabe sobre as origens de Santa Thaís, ou seja, onde e quando nasceu, dados sobre sua família, etc. Sabe-se, porém, que ela recebeu educação cristã quando criança. Depois, por causa de sua grande beleza e temperamento, afastou-se da fé e tornou-se uma cortesã, ou “prostituta de luxo” na cidade de Alexandria, no Egito, no Século IV, quando esta cidade estava ainda sob a dominação romana. Seu nome e os dados de sua vida pós conversão estão inscritos em livros dos Padres do Deserto desde os finais do Século IV e é venerada pelas Igrejas Católica, Ortodoxa e Copta (reconhecidas pela igreja Católica).

A prostituta de luxo
Thaís tornou-se cortesã, ou seja, uma prostituta da corte romana que dominava Alexandria. Conseguiu este “posto” por causa de sua beleza. Com isso, ganhou muito dinheiro, tornou-se rica e cobiçada na corte. Os romanos costumavam valorizar estas mulheres nos países que dominavam, dando a elas um certo “status”. Assim, Thaís tornou-se presa à vaidade, ao luxo, ao prazer e ao poder que lhe era dado servindo aos poderosos. Tudo isso foi como os “espinhos que sufocam a semente do Reino dos Céus” (Mateus 13, 22) que ela recebera um dia em sua infância.

O vazio muda sua história
Tudo parecia ir bem na vida de Thaís: riqueza, luxo, prazer, poder. Porém, ela começou a perceber que, depois de conquistar tudo isso, restava um profundo vazio em seu coração. Sua sensação não era de felicidade, mas aprisionamento. Sentia-se presa àquele mundo que, no fundo, usava seu corpo, mas não lhe fazia feliz.

A semente germina a seu tempo

E ela começou a se lembrar da semente do cristianismo recebida em sua infância. Lembrou-se da parábola do tesouro escondido, contada por Jesus: "O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo". (Mateus 13,44) E Thaís pensava: “se quem encontra esse tesouro vende tudo o que tem para comprá-lo, é porque ele deve ser muito bom, melhor que tudo. Mas eu preciso encontrá-lo primeiro. Se não o encontrar, como posso ter disposição para vender tudo o que tenho para comprá-lo? Este pensamento acompanhou Thaís por muito tempo e ela rezou: “Senhor, eu queria encontrar esse tesou escondido. Encontrar algo pelo qual valesse a pena perder tudo o que tenho.”

Oração atendida
O pedido de Thaís veio do fundo de seu coração sofrido e vazio. E, logo, ela começou a sentir uma paz que jamais sentira antes em sua vida. Ao mesmo tempo, começou a sentir aversão por tudo o que dizia respeito à sua vida de cortesã. Ela começou a sentir grande vontade de ficar cada vez mais tempo em oração, na presença de Deus, pois isso lhe trazia grande paz e felicidade de coração. E ela sentiu grande vontade de abandonar a vida que levava.

Um pastor é enviado por Deus
Nisso, um monge chamado Pafúncio (mais tarde, São Pafúncio) simplesmente chegou a seus aposentos dizendo que tinha sido enviado por Deus para instruí-la na fé. Ela compreendeu imediatamente e aceitou. O monge instruiu Thaís sobre a pessoa de Jesus Cristo e ela compreendeu, convencida interiormente em seu coração, que tinha encontrado o grande tesouro escondido.

Mudança de rumo

Então, Thaís vendeu tudo o que tinha e distribuiu aos pobres. Sentiu-se a pessoa mais feliz do mundo depois de fazer isso. Mas, sentiu também uma grande necessidade de fazer penitência pelos pecados de sua vida passada. Então, São Pafúncio levou-a um convento de monjas e disse à superiora: "Eu te trago uma pequena cabra meio morta, recentemente arrancada dos dentes dos lobos. Confio que por tua compaixão seja assegurado a ela um refúgio, e que por teu cuidado [ela] seja curada, e que tendo arrancado a áspera pele de uma cabra ela seja vestida com a suave lã do cordeiro".

Penitência
Thaís passou três anos em oração, jejuns e penitência. Saía de sua cela somente para ir à capela do Mosteiro. Ficou em silêncio completo, sem levantar os olhos para quem quer que fosse, vestia-se com roupas grosseiras e seu leito era o chão. Depois desses três anos, ela foi admitida na vida comunitária das monjas. Relatos do mosteiro a descreveram como uma pessoa muito amável, caridosa e portadora de um cuidado especial para com os doentes e os pobres.

Santidade
Sua fama de santidade cresceu na região por causa das curas que aconteciam por meio de sua intercessão. Observavam também que, mesmo estando muito tempo entre os doentes, ela não se contaminava. Diz a tradição que ao final de sua vida, muitos doentes eram curados apenas por sua oração.

Falecimento
Santa Thaís previu o dia de sua partida para o céu com antecedência. Chegando seu momento derradeiro, ela rezava sem cessar: “Ó Vós, que me criastes, tende compaixão de mim!” Faleceu num dia 08 de outubro. Antes de falecer, pediu para ser sepultada numa cova simples, sem caixão e sem nenhuma outra proteção. Pouco tempo depois, de sua cova exalava perfume e o local tornou-se um centro de peregrinação, onde muitas graças foram alcançadas.

Oração a Santa Thaís
Ó Deus altíssimo, que concedestes a graça da conversão milagrosa a vossa serva Santa Taís, fazendo-a conhecer o seu amor, concede-nos também esta graça maravilhosa. Concede-nos também a constância da fé e do testemunho cristão. Amém. Santa Thaís, rogai por nós.”


Fonte: https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-santa-thais-/112/102/
Ilustrações retiradas do Google Imagens.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Venerável Serva de Deus Madre Teresa Saldanha, virgem e fundadora (da primeira congregação feminina de origem portuguesa)



Proveniente de uma família nobre, Teresa nasceu no dia 4 de Setembro no Palácio da Anunciada, na Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa. Filha de João Maria do Sacramento de Saldanha Oliveira Juzarte Figueira e Sousa e de Isabel Maria de Sousa Botelho, terceiros condes de Rio Maior, foi batizada no dia seguinte ao seu nascimento na Capela do Palácio da Anunciada e, em 1848, fez a Primeira Comunhão no altar de Nossa Senhora da Conceição, na Igreja dos Inglesinhos, em Lisboa.

De estado de saúde débil e preocupante Teresa tornou-se muito sensível, necessitando desde cedo da permanente presença e dedicação da mãe. Em 1840, aos três anos, devido à persistência de sua mãe, Teresa recuperou do estado de saúde debilitado e aprendeu a ler (em 1842 já acompanhava as celebrações litúrgicas com o missal).

A mãe teve um papel preponderante na sua orientação, primeiro na educacional ensinando-lhe letras (português, história, francês, inglês e alemão), os princípios da música e da arte e colaborando com professores particulares escolhidos por si, e na religiosa iniciando-a na prática da misericórdia através da Associação de N. Senhora Consoladora dos Aflitos que fundou em 1849 e que se dedicava ao socorro das famílias que viviam na pobreza.

Em 1855, com dezoito anos, ao pintar o Ecce Homo, Teresa sentiu o primeiro apelo místico e fez voto de castidade e um ano mais tarde redigiu um escrito onde declarou claramente a sua opção de exclusividade a Deus e ao serviço dos pobres.

Dirigiu o Colégio de Santa Marta para Meninas Pobres, apoiado pelas Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo que se encontravam em Portugal exercendo a sua missão de atender aos pobres e desprotegidos. Em 1859, fundou, em Lisboa, com algumas amigas e dirigiu durante toda a sua vida a Associação Protetora das Meninas Pobres com Estatutos aprovados pela Santa Sé, a 21 de Abril de 1863. Esta associação está na origem da fundação da Congregação. Dedicava-se à educação de crianças pobres e à alfabetização e promoção de raparigas operárias através de aulas externas. Em 1862, as religiosas francesas foram expulsas de Portugal e Teresa, inconformada com a situação, lutou contra esta lacuna assistencial.

Em 1864 foi submetida a uma intervenção cirúrgica e, durante a convalescença, refletiu sobre a sua vida e sobre o rumo a seguir. Na sequência destes acontecimentos, e numa tentativa de renovação religiosa do país apesar do ambiente anticongregacionista em que se vivia, Teresa manifestou à sua mãe o desejo de ser religiosa e à sua cunhada, a Marquesa de Rio Maior, a intenção de ingressar nas Irmãs da Ordem Terceira de S. Domingos, em Stone/Inglaterra, para a qual já estava aceite. Como o pai se opôs à sua saída para o estrangeiro e, vendo a necessidade do seu país, sentiu que Deus a chamava a fundar em Portugal uma congregação que se dedicasse ao serviço dos mais pobres e desfavorecidos da sociedade, como a própria salientou:

"Vendo a necessidade de estabelecer na minha Pátria uma ordem Religiosa ativa, que se pudesse ocupar da educação de crianças pobres e ricas, pondo em prática todas as obras de misericórdia; que tratasse dos pobres doentes, os visitasse nos seus domicílios, numa palavra, que substituísse entre nós as Irmãs da Caridade.” (THIAUCOURT, Madre Teresa de Saldanha. Vida e Obra, p. 27)

Em 1866, Teresa tinha intenção de partir com as primeiras duas irmãs para fazer o Noviciado na Irlanda num Convento de Dominicanas Contemplativas, mas foi impedida pelo pai. Só em 1887 conseguiu realizar o seu sonho quando tomou o Hábito e iniciou o Noviciado a 18 de Abril com o nome de Irmã Teresa Catarina Rosa Maria do Santíssimo Sacramento. Fez a Profissão Religiosa a 2 de Outubro e foi nomeada a primeira Superiora Geral da congregação a 9 de Novembro, com licença especial de Breve de 21 de Dezembro de 1887 emitida pelo Papa Leão XIII. Estes acontecimentos culminaram com a tomada de posse do cargo de Superiora Geral no dia 15 de Janeiro de 1888 e, mais tarde, em 2 de Outubro de 1892, com a Profissão Perpétua.

Teresa de Saldanha distinguiu-se na pintura onde aprendeu com os mestres Mr. Leberthais (carvão) e Tomás José da Anunciação (aquarela e óleo), revelando grande talento para pintar paisagens, retrato ou motivos profanos e uma preferência pela iconografia religiosa. Deixou obras de grande qualidade pictórica que foram estudadas por alguns especialistas, como António Quadros numa conferência proferida em 1988, nos 150 anos do seu nascimento, na Fundação Calouste Gulbenkian, intitulada Romantismo e Misticismo na Pintura de Teresa de Saldanha. Destacam-se nas suas obras: um autorretrato e vários retratos de família (primeiros carvões, 1851), Ecce Homo (1855-1856), carvões, aquarelas e óleos (1856), Painel do Sagrado Coração de Jesus e S. João Baptista (Goa, 1865), Santa Brígida (Convento das Inglesinhas, 1865), Nossa Senhora e o Menino Jesus (Hospital de S. Luís das Irmãs da Caridade Francesas, 1865), Painel em honra da Beata Maria dos Anjos (1865), as últimas produções pictóricas (1869), a Mater Dolorosa e Santa Rosa de Viterbo.

Deixou também um grande espólio literário de escritos pessoais e de circunstância, nomeadamente notas autobiográficas e das suas memórias, orações, cartas, relatórios e contas. Faleceu com fama de santidade numa pequena casa alugada na Rua Gomes Freire, n.º 147, em Lisboa, no dia 8 de Janeiro de 1916 com setenta e oito anos, completamente despojada dos seus bens que lhe tinham sido retirados com a implantação da República. As exéquias foram realizadas na Igreja do Corpo Santo, em Lisboa, e o seu corpo foi sepultado no jazigo da congregação no Cemitério de Benfica, na mesma cidade, onde hoje repousa.

Teresa de Saldanha foi a primeira mulher fundadora em Portugal após a extinção das ordens religiosas. Tinha uma personalidade forte, determinada, organizada, uma notável capacidade de liderança e era trabalhadora, culta e piedosa, valores que imprimiu ao longo da sua vida em todas as ações que realizou, não esquecendo jamais a sua grande paixão a Deus e aos pobres. Foi, sem dúvida, uma grande figura feminina que se adiantou ao seu tempo, ao ocupar-se da educação feminina, e que soube corresponder às necessidades impostas pela evolução da sociedade. À data da sua morte fundara 27 casas: em Portugal 17, no Brasil 6, na Bélgica 1, nos E.U.A. 2 e em Espanha 1.

A sua memória, que continua viva nos corações tocados pela sua bondade e perseverança, serviu ao longo dos anos de inspiração à realização de diversas comemorações relacionadas com a sua vida e obra e com a congregação que fundou, através da publicação de livros, biografias e artigos, fotografias, conferências, exposições, peregrinações, programas de rádio e televisão, dramatizações, autocolantes, postais, cartazes, desdobráveis, etc.

Em 1937, foi comemorado o 1º Centenário do Nascimento de Teresa de Saldanha; em 1939, o 80º Aniversário da Associação Protetora das Meninas Pobres; entre 1968 e 1969, o 1º Centenário da Fundação da Congregação; em 1987, nos 150 anos do Nascimento de Teresa de Saldanha, foi lançada pela Congregação uma coleção de selos com o rosto da fundadora e, um ano mais tarde, foi atribuída à Rua Particular, à Estrada da Póvoa, o topónimo "Rua Teresa de Saldanha"; em 1993, 1994-1995 e 2000 foram promovidos Encontros Internacionais sobre assuntos de interesse da congregação; a Câmara Municipal de Lagoa, no Algarve atribuiu, em 1995, o seu nome a uma rua; em 2001, a Câmara Municipal de Rio Maior gratificou o topónimo de "Madre Teresa de Saldanha" a uma rua da cidade.

Atualmente decorre o seu Processo de Canonização que abriu em Portugal a 6 de Novembro de 1999 e encerrou a 17 de Novembro de 2001, entregue em Roma a 14 de Fevereiro de 2002.





Segundo texto biográfico
Teresa de Saldanha foi a primeira portuguesa a fundar uma congregação religiosa feminina, a das irmãs dominicanas de Santa Catarina de Sena. Fê-lo em pleno século XIX, quando a Igreja era perseguida e as ordens religiosas estavam proibidas no país.
Filha de família abastada, dedicou a sua vida aos mais pobres, doentes e desprotegidos, deixando uma obra que está hoje espalhada por quatro continentes.
Faleceu no dia 8 de Janeiro de 1916, e em Dezembro de 2016 o Papa Francisco reconheceu as suas “virtudes heroicas”, passo fundamental para que venha a ser beatificada.
A decisão foi recebida com grande alegria pelas irmãs dominicanas, conta Rita Maria Nicolau, a superiora geral da Congregação: "Já sabemos que madre Teresa é santa, por isso pusemos o seu processo. Mas este reconhecimento, pela Igreja, da heroicidade das suas virtudes, deu-nos muita esperança e muita alegria, porque agora podemos ter um culto mais alargado. É o primeiro passo para a sua beatificação e canonização.”.
"Teresa de Saldanha ainda não é tão conhecida como devia ser, mas ela foi uma figura fundamental na Igreja e na sociedade portuguesa do século XIX, em Lisboa e em Portugal”, explica a irmã Rita. Ainda em vida já era considerada santa: "Há jornais da época que falam dela dessa forma – a 'Santa Teresa de Saldanha', era ela ainda viva. E ela envergonhava-se disso, dizia 'Não gosto que digam isso'.”.
Quando morreu, em 1916, houve uma grande manifestação de apreço pela sua vida e obra. "Toda a gente queria tocar no seu hábito, tirar pétalas do caixão, foi um funeral enorme para aquele tempo", conta Rita. Vivia-se na I República, regime que a perseguiu e a obrigou a deixar a casa de família e a viver refugiada no seu próprio país.
A sua fama de santidade nunca se apagou e houve sempre muita gente devota de Teresa de Saldanha, "em Portugal e no resto do mundo, como no Brasil, em Timor, na Albânia, em Angola e Moçambique. Onde há dominicanas, ou tenha havido, há pessoas que se sentem marcadas pela vida de madre Teresa", explica a irmã.
A curiosidade em torno de Teresa de Saldanha aumentou com a recente decisão do Papa: “Recebi muitos e-mails de pessoas de vários países que queriam saber mais sobre quem foi e o que fez esta mulher”.


Um legado global
Cem anos depois da sua morte, a congregação que fundou está espalhada por sete países de quatro continentes: "Somos cerca de 300 irmãs", diz a provincial. E continuam com o mesmo carisma sócio-caritivo: "Temos em Portugal diversas casas para raparigas fragilizadas pela vida, maltratadas, a que chamamos 'órfãs de pais vivos'. Temos comunidades de inserção e lares de terceira idade." No Convento dos Cardaes, no Bairro Alto, acolhem jovens e adultas invisuais e com multideficiência.
O centenário da sua morte é assinalado nesta sexta-feira, 8 de Janeiro, em Lisboa, com uma escultura: "Vamos inaugurar uma obra escultórica junto à casa onde ela morreu, na Gomes Freire, 147. A própria presidente da Junta de Arroios ficou encantada com a história desta mulher, que não conhecia."




Jesus Ecce Homo, quadro pintado pela
Madre Teresa Saldanha


Os "cristos vivos" pintados
A venerável, que além da fama de santidade tinha dotes artísticos para a pintura, pintou muitos quadros. Teresa de Saldanha, "além de ser uma pessoa com um cariz social e evangélico, de obras de misericórdia, também foi uma artista, era uma grande pintora. Foi, aliás, ao pintar o Jesus coroado de espinhos, o Ecce Homo, que se sentiu chamada e pensou: 'Não posso passar a vida a pintar quadros, tenho que ir para os quadros vivos, para os ‘cristos vivos’ que andam nas ruas'" (sic).

Fontes:
http://www.dominicanas-scs.pt/fundadora/bio
http://rr.sapo.pt/noticia/43690/quem_foi_teresa_de_saldanha_a_portuguesa_que_morreu_com_fama_de_santa