Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Beato Luciano (Lucien) Botovasoa, leigo, pai de família, catequista e mártir (em Madagascar).




Primeiro texto biográfico
Luciano Botovasoa nasceu em 1908 em Vohipeno, um município rural do sudeste de Madagascar, na Província de Fianarantsoa.
Em 1918, inicia os estudos na escola estatal para em seguida, em 1920, transferir-se ao Colégio São José de Ambozontany, dirigido pela Companhia de Jesus. Em 1928, ao concluir os estudos, obteve o diploma de habilitação ao ensino e, já no mês de outubro do mesmo ano, tornou-se professor paroquial de Vohipeno, fazendo seu o lema da Companhia de Jesus: Ad maiorem Dei gloriam.
Em 10 de outubro de 1930, casou-se com Suzanne Soazana na igreja paroquial de Vohipeno e, em 2 de setembro do ano seguinte, nasceu Vincent de Paul Hermann, o primeiro dos seus oito filhos, dos quais apenas cinco sobreviveram. O Beato não é somente professor do vilarejo, mas também é atuante na paróquia. É excelente educador, conhece, além do malgaxe, várias outras línguas: francês, latim, inglês, alemão, chinês. É músico excepcional e cantor reconhecido, tornando-se responsável pelo coro paroquial, generoso e disponível para com os necessitados. É também atleta, e é descrito como sempre sorridente e alegre.

Em 1940, o Beato se aprofunda na Regra da Ordem Terceira Franciscana, que se torna seu texto de estudo e meditação, até fazê-lo assumir tal caminho no seguimento de Cristo, com a vestição do hábito da Ordem Terceira de São Francisco em 8 de dezembro de 1944. Inicia, assim, a levar uma vida pobre, na espiritualidade franciscana, caracterizada por profunda piedade e pelo desejo ardente de difundir o Evangelho em toda parte.

Após a Segunda Guerra Mundial, nos anos 1946-1947, cresce em Madagascar o desejo de independência da França. Em relação à região onde vive o bem-aventurado em 1946, Tsimihoño tornara-se Rei (Mpanjaka) do Clã de Ambohimanarivo, apoiador dos grupos separatistas. Também em Vohipeno, o embate entre as duas facções opostas gera atos de violência. Em 30 de março de 1947, Domingo de Ramos, as igrejas foram incendiadas e começou a perseguição aos cristãos.

O Rei Tsimihoño, levando em conta o respeito que o povo de Vohipeno, católicos ou não, tinha pelo “professor cristão” Luciano Botovasoa, planejou capturá-lo fazendo com que voltasse ao vilarejo, ameaçando assassinar sua família, caso não obedecesse às suas ordens. O bem-aventurado, ciente do que estava prestes a acontecer, confiou ao irmão sua esposa e seus filhos, e regressou a Vohipieno. Por volta das 21 horas de 17 de abril de 1947, seu irmão André e dois primos, sob ameaça de morte, foram incumbidos de prendê-lo. Conduzido à casa do Rei Tsimihoño sem um processo oficial, foi condenado à morte. Chegando ao local da execução, ajoelhou-se e foi decapitado, enquanto rezava pelos seus assassinos. Seu corpo foi lançado ao rio.





Segundo texto biográfico
(palavras do Cardeal Ângelo Amato, prefeito da Sagrada Congregação para a Causa dos Santos,

Lucien foi um fiel leigo, pai da família e membro da Terceira Ordem Franciscana que foi morto por ódio à Fé em 1947.
Lucien Botovasoa nasceu em 1908 em Vohipeno, uma pequena cidade perto da costa sudeste de Madagascar, onde os missionários chegaram em 1899.
Primeiro de nove filhos, frequentou a escola católica, sendo batizado aos 14 anos com o nome Lucien na paróquia de Vohipeno em 15 de abril de 1922, Domingo de Páscoa.
No mesmo dia ele fez sua Primeira Comunhão e no ano seguinte recebeu a Confirmação.


Lucien Botovasoa foi um cristão verdadeiramente exemplar.
Na escola de Jesus, Divino Mestre, Lucien ensinava a fazer o bem, a viver em paz com os outros, a formar uma comunidade fraterna, acolhedora e respeitosa.
Ao ódio ele respondia com a caridade, à divisão com a comunhão, à mentira e ao mal com o bem.
Era um autêntico mestre da vida boa: um bom cidadão, um pai amoroso, um marido dedicado.


Qualidades humanas
Lucien Botovasoa tinha uma inteligência brilhante. Depois de quatro anos de estudo (1924-1928) no colégio jesuíta de Fianarantsoa, obteve um diploma de professor, tornando-se imediatamente instrutor no instituto paroquial em Vohipeno. Seu lema era: Ad majorem Dei gloriam.
Aos 22 anos casou-se com Suzanne Soazana, com quem teve oito filhos. Cristão convicto e entusiasta, quis viver a santidade na vida conjugal.
Descobre o manual da Ordem Terceira Franciscana e forma uma primeira fraternidade. Faz a profissão em 8 de dezembro de 1944.
A partir daquele dia torna-se de uma pobreza e uma devoção extraordinária: abandona as belas roupas e se contenta com sandálias simples, camisa e calça. Jejua às quartas e sextas-feiras. Levanta-se à meia-noite para rezar de joelhos, depois vai à igreja às quatro, ficando lá até a hora da missa. Franciscano na alma, é sempre alegre, reza continuamente, onde quer que vá sempre tem o rosário na mão.


Por que ele foi morto?
Durante uma revolta pela independência em 30 de março de 1947, Domingo de Ramos, Lucien foi preso e condenado à morte por sua fé cristã. Ele foi martirizado em 16 de abril de 1947. Levado para a margem do rio, Lucien reza, dizendo:

"Meu Deus, perdoe meus irmãos. Que meu sangue derramado por terra seja para a salvação da minha pátria".

Ele foi decapitado e o corpo jogado no rio. Morre mártir de sua fé, seguindo o exemplo de Jesus, o Divino Mestre.


Legado do Beato Lucien
Para o Cardeal Amato, Lucien deixou um legado: “ele nos ensina a viver integralmente o Evangelho, que é o livro da vida e não da morte, do amor e não do ódio, da fraternidade e da não discriminação. Lucien foi morto não por ter ofendido e ultrajado o próximo, mas somente por ter vivido como homem livre e justo. Para nós, ele deixa um grande exemplo e um importante legado: o perdão ao próximo, mesmo o perdão aos inimigos e o convite para viver em fraternidade e em paz com todos. É esta a única lei do Evangelho. Esta foi a lei da vida do Beato Lucien Botovasoa”.


Fontes:




São Thomas More era comunista?


"Eu não me importo muito com o que os homens dizem de mim, desde que Deus me aprove."
São Thomas More


São Thomas More era chanceler (primeiro ministro) do rei da Inglaterra, Henrique VIII. Quando o papa se recusou a aprovar o divórcio do rei e a reconhecer como legítimo o seu casamento com Ana Bolena, Henrique VIII se separou de Roma e elegeu a si mesmo como chefe supremo da igreja na Inglaterra.
Por se recusar a assinar o juramento de fidelidade ao novo “chefe da Igreja”, São Thomas More foi preso em 1532 e decapitado em 1535.
São Thomas More deixou vários escritos, e o mais famoso é Utopia (sim, e é daí mesmo que vem a palavra que usamos hoje), uma obra de ficção que imagina um modelo de sociedade alternativa, que se contrapõe de forma extrema ao modelo da sociedade europeia da época. A organização da vida na ilha de Utopia tem aspectos positivos e negativos.
Do ponto de vista cristão, podemos citar entre os aspectos negativos da ilha de Utopia:
é proibido ter propriedade privada;
o Estado administra toda a produção;
o divórcio é admitido e um novo casamento é visto como aceitável;
o suicídio é aprovado nos casos de doença incurável;
a maioria das pessoas acreditam em um Ser Supremo (deísmo), mas não creem em nenhuma religião divinamente revelada.
Conhecendo a vida de Thomas More e seus escritos, vemos que ele não aprovava nada disso. Especificamente sobre o ponto do divórcio, ele penou três anos na cadeia, longe de sua família, e perdeu a vida por não compactuar com o divórcio do rei.


Ok... Aí vem um protestante e insiste que Thomas More era um precursor do comunismo, sim, pois em sua Utopia há diversos trechos que condenam a propriedade privada, como este:
Assim sendo, estou plenamente convencido de que, a menos que a propriedade privada seja completamente abolida, não é possível haver distribuição justa de bens e nem a humanidade pode ser governada adequadamente.”
Como explicar isso? Simples: essa fala não é propriamente um discurso de Thomas More, mas sim de Rafael Hitlodeu, personagem com o qual ele conversa no livro. Nesse diálogo imaginário, em vários momentos More discorda de Hitlodeu. Tanto isso é verdade que, em resposta à fala de Hitlodeu contra a propriedade privada, More argumenta:
Quanto a mim, não vejo as coisas desse modo. Parece-me que os homens, possivelmente, não poderão viver bem num lugar onde a posse de todas as coisas seja comum. Como pode haver abundância de bens onde os homens param de trabalhar? O desejo de ganho não os estimulará e todos passarão a esperar que outros trabalhem e produzam o que com eles dividirão e, assim, tornar-se-ão preguiçosos”. 

Bem mais adiante, na conclusão da história, More também escreve:
"Quando Rafael terminou sua história, várias das leis e dos costumes dos utopienses descritos por ele me pareceram um tanto absurdos. Seus métodos de fazer guerra, suas cerimônias religiosas e seus costumes sociais eram alguns deles; contudo, a minha principal objeção referia-se à base de todo o sistema, ou seja, a sua vida comunal e a sua economia sem moeda". 
Esse pensamento está de acordo com o que o Santo escreveu em sua última grande obra, Consolo na Tribulação:
É absolutamente necessário que haja homens dotados de posses; em caso contrário, existirão mais mendigos do que já existem...”
Há também vários fatores positivos na sociedade utopiana. Por isso More conclui Utopia dizendo:
...embora Rafael seja um homem de grande erudição e grande conhecedor das coisas deste mundo, não posso concordar com tudo o que ele disse. Contudo, devo confessar que há muita coisa na República de Utopia que eu desejaria ver imitada em nossas cidades – coisa que mais desejo do que espero.”
O Santo não tinha a intenção de apresentar a vida em Utopia como um modelo a ser seguido à risca, em todos os seus aspectos. Isso é confirmado por Fátima Vieira, professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, especializada em estudos sobre a Utopia:
A intenção de More é não apresentar as ideias de Hitlodeu e a sociedade utopiana como modelares, esperando que o leitor seja capaz de um exercício de reflexão crítica sobre os aspectos positivos e negativos dessa sociedade”. 


Mas será que Hitlodeu não era um porta-voz de More? Fátima Vieira nega essa possibilidade:
Essa ideia da ausência de propriedade privada de que Rafael Hitlodeu fala ao descrever a ilha da Utopia não é necessariamente uma proposta defendida por Thomas More”.

Mônica Dias, docente do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, rejeita comparações entre o socialismo científico de Marx e Engels e o texto de Thomas More:


O socialismo científico do século XIX, de Karl Marx e Friedrich Engels, aponta para uma sociedade perfeita num fim da História – onde a utopia já não seria necessária — e por isso apela a algo mais drástico, uma revolução – uma alteração total do sistema social —, que não é o que More queria.”

Ou seja, quem está espalhando que São Thomas More defende o comunismo, ou qualquer dos aspectos negativos em Utopia, não sabe ler ou é desonesto mesmo. Não faz sentido nenhum pegar uma obra de ficção, selecionar frases avulsas e ficar alardeando conclusões.



***
Dica de Filme sobre São Thomas More: O HOMEM QUE NÃO VENDEU SUA ALMA:

Link para assistir: 
https://www.youtube.com/watch?v=dbkRNzqxltc


Fonte:
https://ocatequista.com.br/catequese-sem-sono/vidas-de-santos/item/18188-sao-thomas-more-era-comunista-nao-voce-nao-leu-utopia-direito


sábado, 13 de outubro de 2018

SÃO FRANCISCO SPINELLI, Presbítero e Fundador (memória em 06 de fevereiro). Canonizado em 14 de outubro de 2018.



Francisco (Francesco) Spinelli nasceu em Milão, aos 14 de abril de 1853, cujos pais, trabalhadores humildes, eram muito cristãos. Ele cresceu forte, vivaz e ficava muito alegre ao brincar de teatro de fantoches com as outras crianças. Nas horas livres acompanhava a mãe nas visitas os pobres e doentes, sentindo-se feliz por amar e ajudar o próximo, conforme o ensinamento de Jesus. Assim foi que surgiu sua vocação.

Apesar de seu pai desejar que estudasse medicina pode seguir o chamado de Cristo e se tornou um "médico" de almas. Apoiado pela família, Francisco foi estudar na cidade de Bergamo, onde concluiu os estudos e recebeu a ordenação sacerdotal, em 1875. Neste ano do Jubileu, ele seguiu em peregrinação para Roma e, durante as cerimônias na igreja de Santa Maria Maior, teve a inspiração para criar uma família de religiosas que adorassem Jesus Sacramentado. Padre Francisco compreendeu o projeto de sua vida esperando o momento certo para colocá-lo em execução.

Retornando desta viagem, foi designado para lecionar na creche da paróquia de Bergamo, onde seu tio, padre Pedro, era o pároco. Desta maneira, desenvolveu seu apostolado entre os pobres, lecionando também no Seminário e orientando algumas comunidades religiosas femininas. Em 1882, encontrou uma jovem, Catarina Comensoli (beata), que desejava se tornar religiosa numa congregação que tivesse por objetivo a Adoração Eucarística.

Padre Francisco pode assim realizar seu sonho. Em dezembro de 1882, as primeiras noviças ingressam numa casa, que depois se tornou o primeiro convento, em Bergamo. Desta maneira fundou, inicialmente, o Instituto das Irmãs da Adoração. Sete anos depois eram nove as casas, onde as religiosas acolhiam pobres, doentes e deficientes mentais.

Tudo corria bem até quando, por vários equívocos, ele foi constrangido a deixar a diocese de Bergamo, em 1889, e se transferiu para a de Cremona, na aldeia de Rivolta d'Ada, onde suas filhas tinham aberto uma casa, tendo de deixar a direção do Instituto, também. Por isto, a fundação se dividiu: irmã Comensoli criou a Congregação das Irmãs Sacramentinas, e padre Francisco, a das Irmãs Adoradoras do Santíssimo Sacramento.

Obtendo a aprovação da Santa Sé, as Adoradoras adquirem vida própria, com o propósito de adorar dia e noite Jesus na Eucaristia e de servir os irmãos pobres e doentes mentais, nos quais se "reflete o vulto de Cristo". Jesus foi a fonte e o modelo da vida sacerdotal do padre Francisco, do qual extraia força e vigor para servir os semelhantes.

Em Rivolta, ele supriu a comunidade, que tinha necessidade de tudo, como: escolas, creches, assistência aos enfermos e aos velhos abandonados. Seus preferidos eram os deficientes mentais, que ele alegrava pessoalmente, encenando espetáculos de fantoche.

Envolto numa imensa fama de santidade, morreu no dia 6 de fevereiro de 1913, sendo sepultado na Casa Mãe das Adoradoras, em Cremona, Itália. O papa São João Paulo II declarou Padre Francisco Spinelli como Beato em 1992, indicando sua festa para o mesmo dia da sua morte.




Homilia de sua beatificação

Amar a Cristo na Eucaristia e no serviço aos pobres, ícone de Cristo aqui é, em suma, a vida e do ministério sacerdotal do Beato Francisco Spinelli, cujo testemunho aparece hoje especialmente oportuno e eloquente. Em uma época marcada como a nossa, por consideráveis ​​mudanças sociais, ele continua a repetir que só a partir do Coração trespassado do Redentor vem para os seres humanos de todas as idades uma fonte inesgotável de amor altruísta, que purifica e renova.
Don Spinelli compreendeu completamente a verdade da mensagem da Cruz e, portanto, está agora a ser apontado como um exemplo a imitar e um intercessor para ser chamado. A Igreja o oferece como um modelo autêntico de apóstolo, especialmente, a vós, sacerdotes, que a Providência chamou para ser administradores dos mistérios da salvação. Recebem no cotidiano do seu ministério a luz e a coragem da Eucaristia, de modo a se tornarem discípulos fiéis do Mestre divino. Apresento-o como uma testemunha válida do evangelho, a vós, religiosos e religiosas, e a todos vós, queridos irmãos e irmãs da Diocese de Cremona. Se em todas as partes da sua comunidade eclesial fluir o sangue vital da Eucaristia, podem ser mensageiros eficazes da proclamação eterna e sempre nova do Evangelho, trazendo salvação ao mundo e paz.
Sejam como Don Francisco Spinelli, as pessoas permeadas por amor indomável e divino, que se expressa em um serviço atencioso para com os pobres e os que vivem à margem da sociedade. A Igreja precisa de homens e mulheres que fazem como ele, de sua vida, um dom sem reservas ao Senhor; que não se deixam ser atraídos pelo charme de mudar as referências no mundo; que sabem como imolar-se, unindo seu sacrifício ao de Jesus, para que "o mundo tenha vida e a tenha em abundância" (Jo 10, 10).
Esta é a missão da Igreja; esta é a vocação de cada um de nós, chamados a ser obedientes ao Evangelho da caridade. "Recordando o seu Senhor, esperando até que Ele venha”, - escreveram os Bispos italianos nas orientações pastorais para os anos 90 - a Igreja entra nesta lógica do dom total de si. Em volta de uma mesma mesa eucarística, e compartilhando o mesmo pão, que cresce e é construída como uma instituição de caridade e é chamada a mostrar-se ao mundo como sinal e instrumento de unidade em Cristo para toda a humanidade. A tarefa é claro, é difícil, mas não impossível, porque o amor do Senhor pode vencer cada fraqueza humana. Na Eucaristia, Cristo se faz nosso alimento espiritual e antecipa-se nas sombras do tempo o brilho do Reino da glória final.
São João Paulo II, em 21 de junho de 1992



O milagre para sua canonização

No próximo dia 14 de outubro, Pe. Francesco Spinelli será canonizado pelo Papa Francisco, graças ao milagre realizado em um recém-nascido na República Democrática do Congo, na África.

Em 25 de abril de 2007, nasceu um bebê no Hospital maternidade de Binza, em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. Neste local, que recebe de 20 a 30 crianças diariamente, as Irmãs Adoradoras do Santíssimo Sacramento realizam seu trabalho apostólico.

O recém-nascido e sua mãe receberam alta três dias depois. Mas, no trajeto, a mãe deu um passo em falso e instintivamente firmou o bebê com seus braços, de tal forma que provocou uma hemorragia grave nele.

Ao voltar para o hospital, os profissionais de saúde tentaram ajudá-lo durante cerca de 45 minutos. Para salvá-lo, era preciso realizar uma transfusão de sangue urgentemente. Mas, a gravidade do bebê era tanta que suas veias estavam se afinando, o que tornava impossível o procedimento.

Nesse cenário, existiam outras alternativas de tratamento, mas, devido à escassez de tecnologia no hospital e a impossibilidade de conseguir uma transferência rápida para outra unidade, os médicos deram o bebê por morto.

Enquanto isso acontecia, a Irmã Adeline, religiosa adoradora responsável pela maternidade do hospital, notou a gravidade do bebê e pediu sua comunidade para que rezassem pela salvação da criança.

A superiora da congregação, Irmã Antonietta Musoni, pediu a intercessão de Pe. Spinelli e começaram a rezar a novena.

Irmã Adeline colocou um santinho de Pe. Spinelli debaixo dos lençóis da criança e, quando os médicos fizeram um último esforço, milagrosamente encontraram uma veia tão grande como a de um adulto para realizar a transfusão de sangue.

Com apenas 3 ou 4 gotas de sangue, o bebê começou a se mexer e chorar. Recuperou-se completamente em algumas horas.

Os pais, conscientes do milagre obtido pela intercessão do padre fundador do Instituto das Irmãs Adoradoras do Santíssimo Sacramento, mudaram o nome de seu filho de Ambrósio Maria Diaz para Francisco Maria Spinelli Dias.

A criança cresceu saudável, sem nenhuma sequela daquele episódio. Até mesmo os exames realizados no menor durante o processo de investigação da causa do Pe. Spinelli demonstraram seu perfeito estado de saúde.

Fontes:







sábado, 6 de outubro de 2018

Beato Alano de La Roche, presbítero e missionário dominicano: o apóstolo do Santo Rosário.



Natural da Bretanha, onde nasceu em 1428. Muito jovem, ingressou na Ordem dos Frades Dominicanos em Dinan (Saint-Malo). Aperfeiçoou seus estudos em Paris (1453-1459), no convento de Santiago, onde completou seus estudos de teologia e filosofia.

Em 1459 foi designado para ensinar no convento de Santiago de Paris, mas não pôde exercer até 1461, porque um ano antes foi enviado para Lille, a fim de promover a reforma dos conventos à observância regular (da Regra), e foi devido a seus esforços que houve a adesão da conventos dominicanos de Lille e Paris à Congregação holandesa reformada (1464).

Alano foi enviado para trabalhar como escritor, pregador e comentarista nas casas da Ordem, também em Paris, Lille, Douai (1464), Ghent (1468), Rostock, onde se tornou mestre em teologia em 1473, e Zwolle.

Tinha inteligência privilegiada e era dotado de grande eloquência, rapidamente tornando-se um perfeito orador.


 Grandes sofrimentos pelos quais passou, por sete anos, nas mãos do demônio e o socorro da Virgem Maria, através da devoção ao Santo Rosário.

Durante sete anos o Beato Alano foi acometido por aridezes e infestações do demônio. Numa ocasião, quando mais especialmente atravessava um período de tremenda aridez, Maria Santíssima lhe apareceu no interior de sua cela para consolá-lo, e entregou-lhe uma corrente feita com seus próprios cabelos, na qual estavam entrelaçadas cento e cinquenta pedras preciosas, de acordo com o número de contas do Rosário. A Rainha do Céu lhe explicou nesta ocasião que este instrumento lhe serviria como uma poderosa arma contra o inimigo infernal.

Terminada a aparição, Alano compreendeu a necessidade do Rosário para sua vida espiritual. No entanto, a Providência queria dele algo além de um puro aumento de sua piedade.

Um dia, justamente quando o Beato Alano de La Roche estava rezando, a Virgem, outra vez, “dignou-se fazer-lhe muitas e brevíssimas revelações”, anota. “Aqui estão elas, e estas palavras são da Mãe de Deus:

1. A todos os que rezarem meu Rosário com devoção, prometo minha proteção especial e grandíssimas graças.
2. Aquele que perseverar na oração de meu Rosário receberá uma graça insigne.
3. O Rosário será uma defesa poderosíssima contra o inferno; destruirá os vícios, libertará do pecado, dissipará as heresias.
4. O Rosário fará florescerem as virtudes e as boas obras, e obterá para as almas a mais abundante misericórdia divina; fará que nos corações o amor ao mundo seja substituído pelo amor a Deus, elevando-os ao desejo dos bens celestes e eternos. Quantas almas se santificarão com esse meio!
5. Quem se confia a mim por meio do Rosário não perecerá.
6. Quem rezar meu Rosário com devoção, meditando seus mistérios, não será oprimido pela desgraça. Pecador, se converterá; justo, crescerá em graças e se tornará digno da vida eterna.
7. Os verdadeiros devotos de meu Rosário não morrerão sem os Sacramentos da Igreja.
8. Aqueles que rezam meu Rosário encontrarão durante sua vida e em sua morte a luz de Deus e a plenitude de suas graças, e participarão dos méritos dos bem-aventurados.
9. Libertarei muito prontamente do purgatório as almas devotadas a meu Rosário.
10. Os verdadeiros filhos de meu Rosário gozarão de uma grande glória no céu.
11. O que pedirem por meio de meu Rosário, obterão.
12. Aqueles que defenderem meu Rosário serão socorridos por mim em todas as suas necessidades.
13. Obtive de meu Filho que todos os membros da Irmandade do Rosário tenham por irmãos, durante a vida e na hora da morte, os santos do céu.
14. Aqueles que rezarem fielmente meu Rosário serão todos meus filhos amantíssimos, irmãos e irmãs de Jesus Cristo.
15. A devoção a meu Rosário é um grande sinal de predestinação”.

Depois de “entregar” as quinze promessas, a Virgem se despediu, pedindo a Alano um gesto de obediência: “Prega as coisas que viste e ouviste. Não tenhas nenhum receio: eu estou contigo; eu te ajudarei e a todos os meus salmodiantes. Castigarei aqueles que se opuserem a ti”.

E Alano obedeceu prontamente: do biênio 1464-1465, período das aparições, até sua morte, o dominicano não faria mais nada a não ser defender, por meio da pregação, a amada devoção mariana, e instituir as Irmandades relacionadas com ela. Chegou mesmo a convencer, em 1474, o capítulo dos dominicanos da Holanda a prescrever, pela primeira vez, o Rosário como oração a ser rezada pelas intenções dos vivos e dos mortos. Também nesse ano, em Frankfurt, na igreja dos dominicanos, era erigido o primeiro altar para uma Irmandade do Rosário.


O próprio Cristo o intima a ser um propagador do Rosário
Um dia em que celebrava a Santa Missa, após a Consagração, a Hóstia que segurava nas mãos assumiu a figura de Nosso Senhor, que severamente o repreendeu, dizendo:

“Alano, tornas a crucificar-Me uma segunda vez?” O Dominicano assustado lhe respondeu: “Ó Senhor Jesus, como posso ser capaz de tamanha crueldade?” Nosso Senhor lhe responde: “Preferia ser novamente crucificado, a ver o Meu Pai ofendido com os pecados por ti cometidos. Tu pecas de omissão! Possuis a ciência, a faculdade e o dever de pregar o Santo Rosário e não o fazes. O mundo está cheio de lobos e tu te transformaste num cão mudo, incapaz de ladrar. Se não te corriges, Eu juro pelo Meu Pai, que será pasto dos míseros mortais”.

Após essas palavras o Divino Salvador lhe mostrou o inferno e o lugar para onde iria se não tomasse a séria resolução de pregar o Rosário. Alano, impressionado com a divina reprovação, tornou-se um incansável pregador do Rosário. Por meio de pregações conseguiu reavivar as Confrarias do Rosário e quando chegou o dia de entregar sua alma a Deus já havia congregado mais de cem mil filhos e membros das Confrarias.


Após uma profícua vida de apostolado, morreu santamente. Mesmo após sua morte, continua a ser um apóstolo do Santo Rosário.

Após anos de uma vida de intenso apostolado mariano, cercado pelos confrades, que havia tempo já o consideravam um “santo”, morreu na vigília da festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria, celebrada a 08 de setembro.

Após sua morte, em 08 de Setembro de 1475, multiplicou-se a devoção ao Santo Rosário da Virgem Imaculada. Sobre Maria escreveu vários livros, entre os quais está um elogio à Virgem intitulado "De utilitate Psalterii Mariae”, dedicado ao Bispo de Cluny, Férrico, sendo considerado uma inestimável fonte da devoção ao Santo Rosário, que Maria Santíssima tinha dado a S. Domingos de Gusmão, e que o levou a espalhá-lo em todo o mundo.

Já no dia 25 de maio de 1476, no Capítulo da Ordem Dominicana em Dutch de Haarlem, ordenou-se fossem recolhidos todos os seus escritos, que não eram poucos, sendo publicados em 1498, em Estocolmo, e nos anos seguintes, também traduzidos e publicados em diferentes línguas.

O Beato Alano é considerado um dos "apóstolos da propagação do Santo Rosário", oração mariana à qual ele preferiu chamar de "Saltério da Virgem".  Para difundir a devoção à Santíssima Virgem, fundou a Confraria do Saltério da Virgem, com estatutos especiais. A primeira fraternidade foi fundada em 1470 em Douai, e mais tarde, graças a seus herdeiros espirituais Sprenger, Michele van Sneck e François, esse piedoso Movimento Mariano se espalhou por todo o mundo.

Alano conferiu à oração do Santo Rosário os elementos que o unificaram, resultando na forma que conhecemos hoje: a recitação de 50 Ave Marias intercaladas com 05 Pai Nossos (Terço), e o Rosário, com o total de 150 Ave Marias, divididas e intercaladas com 15 Pai Nossos.

Também a ele se atribui a escolha dos 05 Mistérios de meditação que hoje chamamos de "gozosos, dolorosos, e mistérios gloriosos".


        
Nota:
Embora seja reverenciado como Beato em toda a Europa e pela Ordem Dominicana, seu culto ainda não foi oficializado pela Igreja (o título de "beato" lhe é conferido apenas pela piedade popular e pelos de sua Ordem).






Fontes para consulta:


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS: uma santa que operou muitas graças e milagres na Primeira Guerra Mundial.



    A postagem que agora faço será diferente. Quase não terá texto. Trago uma coleção de gravuras feitas por Celina (Irmã Genoveva da Santa Face, irmã de Santa Teresinha) e alguns gravuristas, supervisionados por ela, que retratam alguns de muitos relatos de soldados combatentes da I Guerra Mundial, que testemunharam terem sido agraciados com aparições de Santa Teresinha que lhes alcançou graças de conversões, curas e livramentos extraordinários. 
      Dezenas e até mesmo centenas eram as cartas de devotos que todos os dias ao Carmelo de Lisieux provindas de vários países, relatando milagres e graças alcançadas por eles. Como a santa irmã carmelita do Carmelo de Lisieux estava se tornando bastante conhecida com a divulgação de sua autobiografia: História De Uma Alma, os fiéis passaram a suplicar-lhe sua intercessão. 
     Muitos eram as esposas, mães e demais parentes que pediam a Santa Teresinha que trouxessem seus esposos, filhos, netos e irmãos sãos e salvos do "front". Santa Teresinha, que prometera derramar sobre a terra uma "chuva de rosas" (de graças), não se fez de rogada: interveio até mesmo visivelmente. E são essas aparições e graças da pequena Santa de Lisieux que as gravuras retratam... Vejam que lindas! 



Santa Teresinha alcança a graça da conversão
e da fé a um sargento que estava desesperado
da salvação de sua alma. 


Santa Teresinha aparece e dá assistência
e conforto espiritual a um soldado ferido
em batalha. 



A Santa aparece ao um soldado e livra que
ele e seu carro fossem destruídos por
uma bala de canhão.



A Santa adverte a um sargento que sua
trincheira está prestes a ser atacada pelos
inimigos.




Santa Teresinha conduz um médico militar
a um grupo de soldados feridos que precisavam
de sua assistência. 

sábado, 22 de setembro de 2018

Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, Virgem e Doutora da Igreja - a doutrina da Pequena Via


           1. Desça imediatamente de seu pedestal!
Reconheça a sua pequenez. Aceite suas próprias limitações. Se aceite como você é. Lembre-se de que você foi feito de barro. Veja o exemplo de Teresinha: ... Sei sempre encontrar o meio de ser feliz e de aproveitar de minhas misérias... Lembre-se de que Deus o fez assim, fraco e pecador. Diante d'Ele somos um nada. Dispa-se de toda vaidade e orgulho. Saiba exatamente quantos passos suas pernas podem dar. Desça do pedestal de sua arrogância. Seja humilde. Você é incapaz de atingir a santidade sozinho. Coloque-se diante de Deus como você é e não como gostaria de ser.



2. Sem Deus, você não é ninguém!
Quem o dirige nessa caminhada é Deus. Se você consegue exercer alguma virtude, não atribua a si mesmo o sucesso de seus empreendimentos espirituais. Procure fazer a vontade d'Ele, buscando-a pela oração e pela escuta de Sua palavra. Veja bem o que escreveu Teresinha: O Bom Deus continua me dirigindo pelo mesmo caminho; não tenho outro desejo senão o de fazer sua vontade. Renda-se aos encantos de Deus. Jogue-se em seus braços como uma criança. A Pequena Via é o caminho da entrega total, do abandono. Não resista. Melhor: desista de si mesmo e se refugie no único que pode trazer um sentido pleno à sua vida: O Deus de Misericórdia. Se você deseja ser santo, lembre-se que toda santidade vem do Senhor: Sede santos como eu sou santo.



3. Reconheça: Deus é rico em Misericórdia!
A felicidade que você usufrui, a paz que invade seu coração, nada disso existe por acaso, nem por seus mérito. Deus é rico em misericórdia e só dessa misericórdia você pode viver. Adore o Deus de Amor e Misericórdia, como Teresinha. Sinta-se invadido por este manancial de amor, como nossa santinha: Parece-me que o amor me penetra e me envolve, parece-me que, a cada instante, esse Amor Misericordioso me renova, purifica minha alma... Abandone para sempre aquela idéia do Deus vingativo e cruel que lhe foi imposta na infância. Ele é doce e misericordioso, quer o seu bem. Às vezes parece frio e distante, mas na verdade Ele nunca o abandona. Ele não o poupa de sofrimentos, porque o sofrimento faz parte da vida. Em compensação, Sua Misericórdia faz de você uma pessoa forte e destemida. Jamais tenha medo de Deus. Faça como Teresinha: Não posso temer um Deus que se fez por mim tão pequeno... eu o amo! ... pois ele só é amor e misericórdia! A Pequena Via o fará descobrir que o amor de Deus é absolutamente gratuito. Nosso Deus é um Deus que dá a vida, que se dá e que perdoa sempre!


4. Viva o momento presente!
Pense os momentos preciosos que você está perdendo em sua vida por não viver o momento presente deixando a imaginação vaguear pelo futuro ou preso pela memória ao passado. O agora é um presente de Deus. Tome consciência do valor único e insubstituível desse minuto que você tem o privilégio de viver, esteja chorando ou sorrindo. Este momento é o único em que, na verdade, você pode amar a Deus e ao próximo. Teresa d'Ávila, a grande reformadora do Carmelo, dizia: Quem tem o momento presente tem Deus. Quem tem Deus tem Tudo. Teresinha soube viver a mística do instante e isso está muito presente em uma de suas poesias: Minha vida é só um instante, uma hora que passa. Minha vida é um só dia que se esquiva e foge bem o sabeis, meu Deus! Para vos amar na terra só tenho hoje. Por que se atormentar com a idéia do prolongamento de seus sofrimentos? Aprende a sofrer minuto por minuto: De instante em instante, pode-se aguentar muito, confidenciou Teresinha a Madre Inês.


5. Não perca o ânimo!
Que sua confiança em Deus seja sem limites: A confiança faz milagres... É a confiança, e nada mais a não ser a confiança, que nos deve conduzir ao Amor. Os caminhantes da Pequena Via não desanimam quando a estrada está acidentada, tortuosa. Acha-se muito fraco e pecador? Não pare no meio do caminho. Levante sua cabeça e prossiga. Peça a Jesus para tomar posse de sua alma e fazê-lo forte. Teresinha nos garante que seu caminho é todo de confiança e de amor. Por isso ela não compreende que ainda existam pessoas que tenham medo de um amigo tão terno. Se está difícil viver o evangelho, saiba que ele existe para todos, não para uns poucos privilegiados. A santidade é para todos. Alegre-se em ser pequeno e fraco: Sou de tal natureza que o temor me faz recuar; com o amor não somente avanço, mas voo.


Está aí, brevemente, a grande linha da Pequena Via. Um projeto de vida simples e audacioso ao mesmo tempo.


sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Serva de Deus Catarina Szymon, leiga, virgem, terciária franciscana, estigmatizada e alma vítima.





Catarina Szymon, por muita gente chamada “Catarininha”, nasceu em 21 de Outubro de 1907 na aldeia de Studzienice, perto de Pszczyna. Antes de cumprir dois anos de idade viu morrer a sua mãe que deixou órfãos os seus seis filhos.

O seu pai, operário florestal, casou novamente pouco tempo depois. Para Catarina, a sua “segunda mãe” era uma má madrasta, a qual, sem piedade, forçava-a a fazer todos os trabalhos de casa. Apesar da infância difícil, Catarina aprendeu a rezar e, em cada momento livre, consagrava-se à oração, rezando, sobretudo, pela conversão do seu pai, que muitas vezes chegava à casa embriagado e maltratava as suas crianças. Com o tempo, as suas preces foram ouvidas: o seu pai converteu-se e, antes da sua morte, entrou na Terceira Ordem de São Francisco.


 Catarina Szymon viveu quase toda a sua vida na Silésia, terra marcada pelo duro trabalho dos mineiros que, desde tempos remotos, extraem dela o carvão. Os que moram e trabalham nessa região são conhecidos pela sua profunda piedade, ilustrada pelo antigo provérbio polaco que diz: “sem Deus nem passes da soleira!”.

 Catarina Szymon não tinha casa própria. Encontrava teto nas casas da gente bondosa e acolhedora. A maior parte da vida passou em Pszczyna, onde viveu desde o ano 1946. Os últimos anos da sua vida passou-os na casa da Sra. Marta Godziek em Katowice – Kostuchna. Catarina viveu aí, permanentemente, desde o ano 1981. Muitas pessoas vinham procura-la: médicos, sacerdotes, professores, vários clérigos e freiras. Ela oferecia-lhes todo o auxilio espiritual e dava conselhos como deviam viver, como sofrer...

Catarina era visitada e acompanhada por leigos, médicos, religiosas e sacerdotes. 


Catarina Szymon tinha profunda vida de oração, bem como vida litúrgica e sacramental. Todos os dias 13 e 29 de cada mês participava, com outras pessoas, de vigílias noturnas de oração. Nessas solenes vigílias adorava fervorosamente a Jesus Eucarístico, ao qual se sentia especialmente ligada, amando-O com toda a sua alma.


Uma das muitas comunhões místicas


A Sagrada Comunhão que lhe vinha à boca

Catarina teve experiências místicas extraordinárias. Quando, por causa dos sofrimentos atrozes que tinha, não conseguia ir à igreja, recebia a Santa Comunhão diretamente do Céu. Eram momentos maravilhosos! Jesus descia até Catarina sob a forma de uma linda Hóstia branca. Todos os presentes viam a hóstia e sentiam, também, um aroma maravilhoso, que superava os perfumes dos lírios ou das rosas. Quando Jesus descia à boca de Catarina, todos se ajoelhavam com alegria, porque viam o Senhor vivo ter com ela. Jesus permanecia muito tempo sobre a sua língua, para que todos O pudessem ver. Ninguém dos presentes via alguém colocando a hóstia. A mesma descia do ar até a língua de Catarina. Mais tarde, Catarina dizia aos presentes que Jesus a tinha trazido, que vinha descalço, com vestes brancas, compridas. Nenhum pedaço de seu Corpo se encontrava são: o mesmo ostentava como que pequenas “feridas de faca”. Tinha ferimentos maiores ou menores em todo o seu Corpo – como maiores ou menores são os pecados dos homens.


Encontro extraordinário

Durante a peregrinação do Papa São João Paulo II à Polônia, aconteceu na catedral de Katowice um breve encontro dele com Catarina. O Santo Padre levantou-se e foi ter com os doentes sem saber que Catarina Szymon estava na catedral. Ela estava sentada numa cadeira dobrável, muito baixa. O Papa aproximou-se e se ajoelhou perante ela dirigindo-lhe algumas palavras. Depois, o Papa dirigiu-se aos demais doentes e, quando voltava, se aproximou novamente de Catarina Szymon, ajoelhou-se outra vez e ofereceu-lhe um rosário e vários “santinhos”. Conversaram mais uma vez um pouco, porém, nenhum dos circundantes ouviu o que um disse ao outro.


Os estigmas

Catarina Szymon recebeu os estigmas das Cinco Chagas de Jesus no dia 08 de março de 1946, na primeira sexta-feira da Quaresma. Inicialmente as feridas eram pequenas e Catarina podia escondê-las facilmente. Com o passar dos anos, tornar-se cada vez maiores e sangravam ainda mais.


  Sra. Marta Godziek:


“O que era mais doloroso era que os perseguidores de Catarina diziam que ela própria que se feria com as unhas ou outros instrumentos. Fui testemunha durante seis anos em que a observei e via que as feridas eram verdadeiras. Todas as quartas e sextas-feiras sangravam espontaneamente. O sangue surgia de suas feridas: das mãos, do lado, da cabeça, dos olhos e dos pés”.







Testemunho do Dr. Włodzimierz Wojciechowski, médico:

“Conheci Catarina Szymon no outono de 1984. Como médico, posso pronunciar-me sobre os estigmas. Devo dizer que pela primeira vez na minha vida vi o fenômeno dos estigmas. Os estigmas de Catarina tinham a forma de ‘coágulos circulares’, achatados, visíveis dos dois lados: no dorso e na palma das mãos e de seus pés, com o diâmetro de mais ou menos 3,0 cm. A pele ao redor desses coágulos apresentava fendas e saliências. Do que me foi contado, os estigmas foram examinados de várias maneiras. Por exemplo: removendo os coágulos e por baixo aparecia a superfície característica de cicatrizes recentes. Uma vez presenciei o sangrar desses estigmas. Foi o seguinte: no contorno desses coágulos surgia uma borda de sangue e soro, surgindo de forma ‘raiada’ por baixo dos coágulos. Nesses momentos, senti o aroma de violetas ou rosas que enchiam todo o ambiente onde estávamos”...



A casa de Marta Godziek era uma casa aberta para todos os que desejavam encontrar-se com Catarina. Frequentemente vinha aqui Bárbara – estudante de medicina – atualmente, médica.

“Encontrei Catarina Szymon pela primeira vez no ano de 1982, quando cheguei aqui com o grupo de estudantes do Centro Pastoral Acadêmico. Viemos aqui porque tínhamos ouvido sobre este fenômeno extraordinário – os estigmas. Ela era uma mulher muito simples, porém, muito inteligente. Em breves palavras, conseguia apontar o âmago das questões que lhe fazíamos.
Os estigmas eram os seguintes: eram feridas grandes, com aberturas ensanguentadas. Das feridas emanavam um delicioso aroma. Era o aroma de flores. Durante os êxtases, Jesus Cristo e a Santíssima Virgem falavam através dela, ensinando-nos e sublinhando a dignidade humana. Por exemplo: a nós, estudantes de medicina, falou-nos a Santíssima Virgem dizendo que devemos tratar uma criança ou um homem doente como o próprio Jesus Cristo. Foi muito construtivo para nós. Vínhamos aqui e cantávamos e tocávamos. Catarina era uma mulher alegre e serena. Era cheia de amor por Deus e pelo próximo e isso era para nós uma extraordinária escola de vida.


Apesar das dores e sofrimentos, era uma pessoa sempre alegre e serena. 



Sua morte

Catarina Szymon faleceu no dia 24 de agosto de 1986. No momento de sua morte os estigmas que ostentara por mais de 40 anos começaram a cicatrizar de forma maravilhosa, confirmando o seu caráter sobrenatural (até porque, após a morte, as células não da pele não tem mais capacidade regenerativa).  


Dr. Włodzimierz Wojciechowski, médico:

“Se fossem falsos – picados com agulhas ou com uma faca – teriam permanecido depois de sua morte. Nesse caso, vi-a duas horas depois de sua morte e quatro dias depois – as feridas estavam a cicatrizar. Parecia que os coágulos se sublimassem, evaporassem. A pele voltou a ser macia e, no momento do enterro de Catarina, eram visíveis somente vestígios desses coágulos”.



Após sua morte os estigmas começaram a "sumir". 




No dia 16 de novembro de 1985, durante dia da Virgem da Misericórdia e, provavelmente, só devido a Ela, foi gravado com uma câmera de vídeo, um documento extraordinário e único: o êxtase de Catarina Szymon:

“Ó, Jesus! Ó, Jesus! Vês, bom Jesus? Estás muito torturado pelo povo dos pecadores. Crucificara-Te, Jesus e te cravaram na Cruz, meu Jesus. Jesus ama a todos os seus filhos. Ó! Jesus ama os que O abandonam e os aceita. Jesus, não chores, meu Jesus! Dá-me as tuas lágrimas, não chores, Jesus! Irão todos esses filhos para o Céu? Ó, Jesus! E os que Te estão a crucificar? Todo o mundo que está a Te crucificar, ó meu Jesus! Ó Jesus, tem piedade dos teus filhos! Guarda-os e leva-os para o Céu. Também os bêbados inveterados e os que cometeram pecados de impureza... E estes casamentos destruídos e os filhos por nascer... Ó Jesus, os aceita no Céu e perdoa-lhes tudo, Ó Jesus! Protege-os, Jesus...”.

“Minha filha... Se desejam ir para o Céu – muita expiação, muito sacrifício. Então, perdoarei. Não a todos, porque há muitos pecadores, muitas crianças inocentes mortas”.

“Amo-Te, Jesus. Não me abandonarás, ó Jesus, não deixarás os filhos que aqui tenham chegado. Protege-os”. 

“Minha filha, aceitá-los-ei: não perecerão. Devem fazer expiação. Abrir-lhes-ei o Céu. Precisam rezar muito o terço. Precisam fazer expiação e sacrifícios. Contemplai a minha Paixão. Compreendestes tudo? Quem não Me ama e não se entrega a Mim – não tem a vida em si! Quem me ama permanecerá sempre comigo. E eu os entregarei a meu Pai e não tereis vergonha perante meu Pai”.


Observação: pouquíssimo material consegui encontrar sobre esta Serva de Deus Catarina Szymon; e são informações algo desconexas. Na internet mesmo encontra-se muito pouca coisa e em línguas estrangeiras. O pouco que consegui “garimpar”, coloco nessas poucas páginas.
(Giovani Carvalho Mendes, editor do site).