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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 18 de maio de 2019

SÃO VICENTE ROMANO, Presbítero. Apóstolo de Nápoles e Modelo para os Sacerdotes.


São Vicente Romano nasceu no dia 03 de junho de 175  1, em Torre del Greco, região de Nápoles, uma cidade marítima situada nas encostas do Vesúvio, famosa por sua arte em coral, muito apreciada e pelo grande número de marinheiros.

Foi pároco durante trinta e três anos: de 1799 a 1831, da única paróquia cuja área incluía, na época, toda a população napolitana: a igreja da Santa Cruz, hoje uma basílica papal. Estudou no seminário diocesano de Nápoles, recebendo os ensinamentos do grande Santo Afonso Maria de Ligório. Foi ordenado sacerdote no dia 10 de junho de 1775, em Torre del Greco, dedicando-se a todas as atividades religiosas e sociais que fossem necessárias ao rebanho a ele confiado pelo Senhor.

Foi tanto seu zelo pelas almas e pelo bem de seu rebanho que ganhou o apelido de “trabalhador célebre”, especialmente ajudando a tantos marinheiros que velejavam pelo mundo, bem como a suas famílias, em sua angustiada expectativa de um retorno, que nem sempre acontecia.

Em 15 de junho de 1794, uma terrível erupção do Vesúvio quase destruiu completamente a cidade, incluindo a igreja da Santa Cruz. Ele rapidamente se voltou para a difícil tarefa da reconstrução material e moral da cidade e da igreja, que ele queria tornar maior e mais segura.

O “Ministério da Palavra” e o “Evangelho da Caridade” eram as bases de sua atividade pastoral. Padre Vicente tinha uma pregação fluida, não “bombástica”, fácil de entender, e os fiéis o escutavam, mas, acima de tudo, o seguiam e colocavam em prática seus ensinamentos.

Fomentou entre seus paroquianos a recitação do Santo Rosário à tarde e escreveu um livreto, para acompanhar melhor a celebração da Santa Missa. Em busca de sempre novos métodos para trazer os fiéis à fé e à vivência católica, introduziu uma estratégia missionária chamada por ele de “sciabica” (uma espécie de rede de pesca), que consistia em aproximar de um indivíduo, que encontrava andando pela rua, improvisando um “sermão”, enquanto o acompanha na caminhada. Se ele aceitasse, o encaminhava para a igreja mais próxima, para rezar juntos.

São Vicente tinha em sua casa paroquial uma escola para crianças, que eram divididas em classes. Ele também atuou como mediador nos conflitos entre os proprietários de fábricas de objetos feitos com o coral e os marinheiros, que enfrentavam uma pesca exaustiva e arriscada do coral.

Ele tentou, inclusive, se aproximar das cavernas dos bandidos, para tentar evitar que eles cometessem seus crimes, e estava sempre pronto a buscar resgatar aqueles que caíam na escravidão, pelos piratas berberes.
 
Padre Vicente teve a satisfação de ver terminada, em 1827, a construção da majestosa basílica. Morreu santamente em 20 de dezembro de 1831, sendo sua vida um brilhante farol a iluminar da vida sacerdotal e pastoral dos sacerdotes de Nápoles.

Foi beatificado pelo Papa São Paulo VI em 17 de novembro de 1963 e canonizado pelo Papa Francisco em 14 de outubro de 2018. Seu corpo repousa em uma artística urna na basílica da Santa Cruz. Em Nápoles e Torre del Greco, sua memória litúrgica é celebrada no dia 29 de novembro.


Fonte (traduzido do italiano):











segunda-feira, 6 de maio de 2019

São Juniano (Junien), eremita (séculos V - VI)




São Juniano ou Junien (em francês), foi um cristão eremita que viveu na região que mais tarde adotou o seu nome: “Saint Junien”, um condado da França.

De acordo com antiga tradição, ele era filho do Conde de Cambrai. Nasceu em 486, durante o reinado de Clóvis. A tradição também relata que Juniano e São Leonardo foram batizados ao mesmo tempo.

Bem jovem, na idade de 15 anos, Juniano fez uma jornada até Limousin, uma região remota (na época) que tinha reputação por sua austeridade e onde havia muitos santos e eremitas que ali residiam levando vida de oração e penitência. Um desses santos era Santo Amando e Juniano desejava se tornar seu discípulo.

Amando morava em um pequeno eremitério na confluência dos rios Vienne e Clain, em um lugar chamado Comodoliac, que lhe fora oferecido por Ruricius, bispo de Limoges. Segundo a tradição, diz-se que, muito tarde da noite, Juniano bateu na porta de Amando, que não respondeu, temendo que fosse um demônio. Juniano teve que dormir do lado de fora durante uma violenta tempestade de neve, mas, a neve caiu milagrosamente ao redor dele (ficando o santo como que num “círculo” sem neve), ao invés de cair sobre ele durante a noite.

Juniano foi orientado espiritualmente por Amando, e, após o falecimento de seu mestre, viveu onde hoje fica a igreja a ele dedicada.

Para o homem moderno, pode parecer muito estranha a ideia do “eremitério”, mas, não para o homem cristão da Idade Média. Como naqueles tempos se temia muito pela perda da alma e a condenação ao inferno, muitos buscavam a ermida para ali viverem uma vida de oração, silêncio, mortificação e penitência, para assim purificarem suas almas e as aproximarem mais de Deus.

Foi nessa época que surgiu o grande São Bento, na região do Subíaco, Itália, orientando através de sua famosa Regra esse espírito eremítico para a vida monástica, que rapidamente teve não só centenas, mas, milhares de seguidores.


Referência:
Michel Fougerat (n.d.). "Les premiers ermites limousins, ou les précurseurs de saint Étienne de Muret". Retrieved May 7, 2009.

domingo, 5 de maio de 2019

Beata Maria de la Concepción Cabrera de Armida, leiga, mística, esposa, mãe, viúva e fundadora de várias famílias religiosas.



Ontem, 04 de maio de 2019, a Igreja Católica no México voltou seu olhar e seu coração para a tão esperada celebração de beatificação da Venerável Serva de Deus Maria la Concepción Cabrera de Armida, leiga, mística, esposa e mãe.  Um evento que vem coroar um longo processo no qual se estudou a vida e as virtudes da Serva de Deus para que a Igreja possa, como uma vela no candelabro, pô-la como exemplo luminoso para a vida dos fiéis cristãos. "Conchita" Cabrera é primeira mulher beatificada no México.

Maria de la Concepción nasceu no dia 08 de dezembro de 1862, na cidade mexicana de San Luis Potosí. Filha de Octaviano Cabrera Lacavex e de Clara Arias Rivera, ricos fazendeiros com um profundo espírito cristão. Desde menina, salvo em uma ou duas ocasiões, foi educada em sua casa, seguindo a tradição daqueles anos do século XIX. Conchita, como era chamada carinhosamente por seus familiares e amigos, era feliz, brincando nas fazendas de seus pais, no meio do campo e dos riachos. Agradavam-lhe a música e andar a cavalo, sendo uma das poucas que podiam montar os menos domesticados. Cresceu sempre muito unida a Jesus na Eucaristia, com quem sentia uma confiança especial.
A beata em sua juventude
Acostumada a joias e aos bailes, sentia que algo lhe faltava. Não porque tais coisas fossem, em si, coisas más, senão porque queria dar novos passos em sua vida. Em uma dessas festas que se organizavam em La Lonja, conheceu a quem seria o amor de sua vida, isto é, a Francisco Armida García, um jovem de Monterrey. Dos muitos pretendentes que teve Conchita, ela se enamorou de Pancho, com quem contraiu matrimônio, depois de vários anos de noivado, em 08 de novembro de 1884. Daquela união nasceram nove filhos, a quem lhes dedicou sua vida com alegria e especial atenção.

O lema que marcou sua vida e missão apostólica foi: “Jesus, Salvador dos homens, salvai-os!”, inspiração que teve em 14 de janeiro de 1894, ao ponto de ficar como que gravado “a fogo” em seu peito o monograma JHS: Jesus, Salvador dos Homens.
Desde então, foi ficando cada vez mais clara em seu coração e em sua alma o papel que teria como inspiradora e fundadora das cinco Obras da Cruz, mesmo em meio aos seus trabalhos, como esposa e mãe de uma família, cheia de compromissos e visitas.

Um feito que marcou seu itinerário espiritual foi a visão que teve da Cruz do Apostolado, enquanto rezava em uma igreja da Companhia de Jesus, em San Luis Potosí. Pouco a pouco, o Senhor foi a chamando, até conquistar por completo seu interior, compartilhando com ela seus próprios sentimentos.




A Beata Maria de la Concepción Cabrera com sete de seus nove filhos
(dois já haviam falecido)





Desde o início, teve que enfrentar a incompreensão, pois, nem todos entendiam como era possível uma mulher casada ser uma mística e fundadora. No entanto, os prejuízos de seu tempo resultaram insuficientes para detê-la no cumprimento de sua missão, a qual, por sua vez, havia sido confirmada por seus diretores espirituais.

Conchita Cabrera, após a morte do marido, ocorrida em 17 de setembro de 1901, longe de ficar afundada na tristeza, trouxe seus filhos, fazendo de tudo ao seu alcance, para superar os efeitos da crise econômica na qual se encontravam. Aprendeu a confiar em Deus, deixando-se fazer e desfazer pela ação do Espírito Santo, seguindo o exemplo da Santíssima Virgem Maria. Nunca se deixou vencer pelo medo e pelo desalento.

Havendo fundado o Apostolado da Cruz (1894), as Religiosas da Cruz do Sagrado Coração de Jesus (1897), a Aliança de Amor com o Sagrado Coração de Jesus (1909) e a Fraternidade de Cristo Sacerdote (1912), após conhecer o Venerável Servo de Deus Padre Félix Rougier Olanier, empreende a difícil tarefa de dar origem à Congregação dos Missionários do Espírito Santo (1914), em plena perseguição religiosa no México.






Uma vez fundadas as cinco Obras da Cruz, Conchita seguiu adiante, em meio a seus assuntos familiares, entregando-se de corpo e alma à extensão do reinado do Espírito Santo. Em mais de uma ocasião, por ordem da Santa Sé, foi examinada por importantes teólogos, cuja avaliação foi sempre positiva.
Ante a falta de liberdade religiosa na República Mexicana, sobretudo durante o governo do presidente Plutarco Elías Calles, abriu as portas de sua casa para refugiar a vários sacerdotes que estavam sendo injustamente perseguidos. Entre eles, destaca-se Mons. Ramón Ibarra y González, primeiro arcebispo de Puebla, que, por sua vez, era grande amigo e protetor das Obras da Cruz. Conchita não se deixou amedrontar pela situação, senão, que foi uma mulher otimista, chegando a escrever diversos livros sobre a vida espiritual.
Conchita, uma mulher muito feliz. 
Adiantando-se ao Concílio Vaticano II, demonstrou que os leigos tinham um lugar importante na vida da Igreja, a partir da vivência do sacerdócio batismal. Morreu em 03 de março de 1937, na Cidade do México. “Mamãe sorria sempre”, foi a declaração que rendeu um de seus filhos ao abrir-se a causa de sua beatificação/canonização. No ano de 1999, foi declarada “Venerável” pelo Papa São João Paulo II.

Em 08 de junho de 2018, o Papa Francisco autorizou promulgar o decreto do milagre atribuído à intercessão da Venerável Serva de Deus Maria da Conceição Cabrera de Armida Arias e ontem, os católicos mexicanos celebraram felizes sua beatificação na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, ocorrida às 12 horas, hora local, presidida pelo prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Sua Excelência Eminentíssima Ângelo Becciu, cardeal.




Segundo texto biográfico

Maria da Conceição Cabrera Arias de Armida, mais conhecida como Conchita, nasceu em São Luís Potosi, México, no dia 8 de dezembro de 1862.
     Seus pais, Otaviano Cabrera Lacavex, e sua mãe Clara Arias Rivera, eram de uma família bem posicionada. Foi uma menina simples e comum, nobre e travessa como qualquer outra, como ela mesma relata: “Desobedecia a meus pais, brigava com meus irmãos, roubava doces e frutas”, entretanto professava um amor especial à Eucaristia.

     Em 08 de novembro de 1884, aos 21 anos, casou-se com Francisco Armida na Igreja do Carmo. Entre 1885 e 1899, o casal teve nove filhos. Francisco Armida faleceu em 17 de setembro de 1901.

     Após a viuvez, Conchita se dedicou ao estudo e ao apoio aos estudos de seus filhos. Nunca ingressou na vida religiosa. Esposa e mãe de numerosos filhos, é uma das santas modernas que Jesus preparou para uma maternidade espiritual para os sacerdotes. No futuro, ela terá grande importância para a Igreja universal.

     Contemplada com dons místicos, entre eles o da visão e locução interior, Jesus uma vez explicou para Conchita: “Existem almas que receberam uma unção através da ordenação sacerdotal. Porém, há também almas sacerdotais que tem uma vocação sem ter a dignidade ou a ordenação sacerdotal. Elas se oferecem em união comigo... Essas almas ajudam espiritualmente a Igreja de maneira poderosa. Tu serás mãe de um grande número de filhos espirituais, mas, eles custarão ao teu coração como mil martírios. Oferece-te como holocausto, une-te ao meu sacrifício para obter as graças para eles” ... “Desejaria voltar a este mundo... nos meus sacerdotes. Desejaria renovar o mundo, revelando-me neles e dar um impulso forte à minha Igreja, derramando o Espírito Santo sobre os meus sacerdotes como num novo Pentecostes”. “A Igreja e o mundo necessitam de uma novo Pentecostes, um Pentecostes sacerdotal, interior”.

     Quando jovem, Conchita rezava com frequência diante do Santíssimo: “Senhor, sinto-me incapaz de Te amar, portanto quero casar. Doa-me muitos filhos, que eles possam Te amar mais de quanto eu sou capaz”. De seu casamento muito feliz nasceram nove filhos, duas mulheres e sete homens. Ela os consagrou todos a Nossa Senhora: “Entrego-os completamente a Ti como se fossem Teus filhos. Tu sabes que eu não os sei educar, pouco sei do que significa ser mãe, mas Tu, Tu o sabes”.
     Conchita viu morrer quatro de seus filhos e todos tiveram uma morte santa. Uma filha tornou-se religiosa da Cruz, um filho tornou-se padre jesuíta e os outros se casaram e tiveram filhos. Como uma grande família, eles viveram na Cidade do México.

     Conchita foi realmente mãe espiritual para o sacerdócio de seu filho, e sobre ele escreveu: “Manuel nasceu na mesma hora em que morreu Pe. José Camacho. Quando ouvi a notícia, roguei a Deus que meu filho pudesse substituir este sacerdote no altar. Desde quando o pequeno Manuel começou a falar, rezamos juntos para a grande graça da vocação ao sacerdócio... No dia de sua primeira Comunhão e em todas as festas importantes, renovei a súplica... Aos dezessete anos entrou na Companhia de Jesus”.

     Em 1906 da Espanha, onde estava, Manuel (nascido em 1889 e terceiro filho por idade) comunicou-lhe sua decisão de se tornar sacerdote e ela lhe escreveu: “Doa-te ao Senhor com todo o coração sem nunca negar-te! Esquece as criaturas e principalmente esquece a ti mesmo! Não posso imaginar um consagrado que não seja um santo. Não é possível doar-se a Deus pela metade. Procura ser generoso com Ele!”.

     Em 1914, Conchita encontrou Manuel na Espanha pela última vez, porque ele não voltou nunca mais ao México. Naquela época o filho lhe escreveu: “Minha querida, pequena mãe, me indicaste o caminho. Tive a sorte, desde pequeno, de ouvir de teus lábios a doutrina salutar e exigente da cruz. Agora queria pô-la em prática”.

     A mãe também experimentou a dor da renúncia: “Levei tua carta frente ao tabernáculo e disse ao Senhor que aceito com toda minha alma esse sacrifício. No dia seguinte coloquei a carta no meu peito enquanto recebia a Santa Comunhão para renovar o sacrifício total”.

     No dia 23 de julho de 1922, uma semana antes da ordenação sacerdotal, Manuel, então com trinta anos de idade, escreve para sua mãe: “Mãe, ensina-me a ser sacerdote! Fala-me da imensa alegria de poder celebrar a S. Missa. Entrego tudo em tuas mãos, como me protegeste no teu peito quando eu era criança e me ensinaste a pronunciar os belos nomes de Jesus e Maria para introduzir-me nesse mistério. Sinto-me realmente como uma criança que pede preces e sacrifícios... Assim que eu for ordenado sacerdote, te mandarei a minha bênção e depois receberei ajoelhado a tua”.

     Quando Manuel foi ordenado sacerdote, aos 31 de julho de 1922, em Barcelona, Conchita levantou-se para participar espiritualmente da ordenação; devido ao fuso horário no México era noite. Ela comoveu-se profundamente: “Sou mãe de um sacerdote! ... Posso somente chorar e agradecer! Convido todo o céu a agradecer em meu lugar porque me sinto incapaz pela minha miséria”.

     Dez anos mais tarde escreveu ao filho: “Não consigo imaginar um sacerdote que não seja Jesus, ainda menos quando ele é parte da Companhia de Jesus. Rezo para ti para que tua transformação em Cristo, desde o momento da celebração, se cumpra de modo que tu sejas, dia e noite, Jesus” (17 de maio de 1932). “O que faríamos sem a cruz? A vida sem as dores que unem, santificam, purificam e obtêm graças, seria insuportável” (10 de junho de 1932).

     O Pe. Manuel morreu aos 66 anos de idade em odor de santidade. O Senhor fez com que Conchita compreendesse o seu apostolado: “Confio-te mais um martírio: tu sofrerás aquilo que os sacerdotes cometem contra mim. Tu viverás e oferecerás pela infidelidade e pelas misérias deles”. Esta maternidade espiritual para a santificação dos sacerdotes e da Igreja a consumiu completamente. Conchita morreu em 3 de março de 1937 aos 75 anos.

     Suas obras como leiga: 1) Apostolado da Cruz; 2) Congregação das religiosas da Cruz do Sagrado Coração de Jesus cujo propósito principal é a Adoração ao Santíssimo Sacramento dia e noite, e expiação das injurias feitas ao Coração de Jesus; 3) Aliança de Amor com o Sagrado Coração de Jesus, para leigos que queiram cultivar no mundo o espírito das religiosas da Cruz; 4) Fraternidade de Cristo Sacerdote que reúne os sacerdotes diocesanos que participam das Obras da Cruz; 5) Sua quinta e maior obra é a fundação da congregação sacerdotal dos Missionários do Espírito Santo, em 1914, junto com o Pe. Felix Rougier Olanier. Esta obra está presente no México, Estados Unidos, Colômbia, Costa Rica, Chile, Espanha e Itália. Maria da Conceição deixou um legado teológico de 66 volumes manuscritos.

     Tempos depois, um missionário do Espírito Santo, o Pe. Luís Manuel Guzman Guerreiro fundaria, na solenidade de Pentecostes, o grupo Círculo do Espírito Santo e da Cruz, conhecido como C.E.C., que também é um ramo das Obras da Cruz.

     Seus restos mortais se encontram na cripta da Igreja São José de Altillo, na cidade do México.

     A causa de beatificação e canonização foi iniciada pelo Arcebispo do México nos anos 1956-1959. Foi reconhecida como Venerável em Roma no dia 20 de dezembro de 1999 por João Paulo II. Em 8 de junho de 2018 o Papa Francisco autorizou promulgar o Decreto do milagre atribuído a intercessão da Venerável Maria da Conceição Cabrera de Armida Arias; Ontem, dia 04 de maio, se realizou-se a cerimônia de beatificação.













Fontes:
Página Sanctorum Mater, no Facebook
Blog Heroínas da Cristandade

sexta-feira, 19 de abril de 2019

PAIXÃO E MORTE DE NOSSO SANTÍSSIMO SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO, segundo a ciência médica e pesquisas históricas.


Jesus uma pessoa politraumatizada

INTRODUÇÃO
Os estudos médicos que procuram explicar a causa da morte de Jesus Cristo tomam como material de referência um corpo de literatura e não um corpo físico. Publicações sobre os aspectos médicos de sua morte existem desde o século I.

Hoje em dia, com apoio dos conhecimentos da fisiopatologia do paciente traumatizado, pode-se chegar a inferir as mudanças fisiológicas padecidas por Jesus Cristo durante sua paixão e morte. Os relatos bíblicos da crucificação descritos através dos evangelhos e a documentação científica a respeito, descrevem que padeceu e sofreu o mais cruel dos castigos. O mais desumano e inclemente dos tratamentos que pode receber um ser humano.

Descobrimentos arqueológicos relacionados com as práticas romanas da crucificação oferecem informação valiosa que dá verdadeira força histórica à figura de Jesus e à sua presença real na história do homem.

Historicamente este acontecimento se inicia durante a celebração da páscoa judia, no ano 30 de nossa era. A Última Ceia se realizou na quinta-feira 6 de abril (nisan 13). A crucificação foi em 7 de abril (nisan 14). Os anos do nascimento e da morte de Jesus permanecem em controvérsia.



HORTO DAS OLIVEIRAS (GETSEMANI)



Os escritores sagrados descrevem a oração do GETSEMANI com enérgicas expressões. O que foi vivido por Jesus antes de ser aprisionado é citado como uma mescla inexprimível de tristeza, de espanto, de tédio e de fraqueza. Isto expressa uma pena moral que chegou ao maior grau de sua intensidade.

Foi tal o grau de sofrimento moral, que apresentou como manifestação somática, física, suor de sangue (hematihidrosis ou hemohidrosis). “Suor de sangue, que lhe cobriu todo o corpo e correu em grosas gotas até a terra”. (Lc 22, 43).

Trata-se de caso incomum na prática médica. Quando se apresenta, está associado a desordens sanguíneas. Fisiologicamente é devida à congestão vascular capilar e hemorragias nas glândulas sudoríparas. A pele se torna frágil e tenra.

Depois desta primeira situação ocasionada pela angústia intensa, é submetido a um jejum que durará toda a noite durante o julgamento e persistirá até sua crucificação.



FLAGELAÇÃO





A flagelação era uma preliminar legal para toda execução Romana. Despiam a parte superior do corpo da vítima, amarravam-na a um pilar pouco elevado, com as costas encurvadas, de modo que ao descarregar os golpes sobre ela nada perdessem de sua força. E golpeavam sem compaixão, sem misericórdia alguma.

O instrumento usual era um açoite curto (flagrum ou flagellum) com várias cordas ou correias de couro, às quais se atavam pequenas bolas de ferro ou pedacinhos de ossos de ovelhas a vários intervalos.









Quando os soldados açoitavam repetidamente e com todas as suas forças as costas de sua vítima, as bolas de ferro causavam profundas contusões e hematomas. As cordas de couro com os ossos de ovelha rasgavam a pele e o tecido celular subcutâneo.

Ao continuar os açoites, as lacerações cortavam até os músculos, produzindo tiras sangrentas de carne rasgada. Criavam-se as condições para produzir perda importante de líquidos (sangue e plasma).








Deve-se ter em conta que a hematidrosis tinha deixado a pele de Jesus muito sensível.


Depois da flagelação, os soldados estavam acostumados a fazer gozações humilhantes com suas vítimas. Por isso foi colocada sobre a cabeça de Jesus, como emblema irônico de sua realeza, uma coroa de espinhos. Na Palestina abundam os arbustos espinhosos, que puderam servir para este fim; utilizou-se o Zizyphus ou Azufaifo, chamado Spina Christi, de espinhos agudos, longos e curvos.















Além disso, foi colocada uma túnica sobre seus ombros (um velho manto de soldado, que fazia às vezes da púrpura com que se revestiam os reis, "clámide escarlate"), e uma cana, parecida com o junco do Chipre e da Espanha como cetro em sua mão direita.











CRUCIFICAÇÃO

Representação realística de Jesus Crucificado, conforme o
Santo Sudário de Turim
O suplício da cruz é de origem oriental. Foi recebido dos persas, assírios e caldeus pelos gregos, egípcios e romanos. Modificou-se em várias formas no transcurso dos tempos.

Em princípio o instrumento de agonia foi um simples poste. Em seguida se fixou na ponta uma forca (furca), na qual se suspendia o réu pelo pescoço. Depois se adicionou um pau transversal (patibulum), tomando um novo aspecto. Segundo a forma em que o pau transversal ficasse suspenso no pau vertical, originaram-se três tipos de cruzes:

A crux decussata. Conhecida como cruz de Santo André, tinha a forma de X.

A crux commissata. Alguns a chamam cruz do Santo Antônio, parecia-se com a letra T.

A crux immisa. É a chamada cruz latina, que todos conhecemos.

Obrigou-se Jesus, como era o costume, a carregar a cruz desde o poste de flagelação até o lugar da crucificação. A cruz pesava mais de 300 libras (136 quilogramas). Somente o patíbulo, que pesava entre 75 e 125 libras, foi colocado sobre sua nuca e se balançava sobre seus dois ombros.










Com esgotamento extremo e debilitado, teve que caminhar um pouco mais de meio quilômetro (entre 600 a 650 metros) para chegar ao lugar do suplício. O nome em aramaico é Golgotha, equivalente em hebreu a gulgolet que significa “lugar da caveira”, já que era uma protuberância rochosa, que teria certa semelhança com um crânio humano. Hoje se chama, pela tradução latina, calvário.

Antes de começar o suplício da crucificação, era costume dar uma bebida narcótica (vinho com mirra e incenso) aos condenados; com o fim de mitigar um pouco suas dores. Quando apresentaram essa beberagem a Jesus, não quis bebê-la. O que poderia mitigar uma dor moral e física tão intensa, quando seu corpo, todo poli contundido, só esperava enfrentar seu último suplício, sem alívio algum, com pleno domínio de si mesmo?

Com os braços estendidos, mas não tensos, os pulsos eram cravados no patíbulo. Desta forma, os pregos de um centímetro de diâmetro em sua cabeça e de 13 a 18 centímetros de comprimento, eram provavelmente postos entre o rádio e os metacarpianos, ou entre as duas fileiras de ossos carpianos, ou seja, perto ou através do forte flexor retinaculum e dos vários ligamentos intercarpais. Nestes lugares seguravam o corpo.








Colocar os pregos nas mãos fazia com que se rasgassem facilmente posto que não tinham um suporte ósseo importante.

A possibilidade de uma ferida perióssea dolorosa foi grande, bem como a lesão de vasos arteriais tributários da artéria radial ou cubital. O cravo penetrado destruía o nervo sensorial motor, ou comprometia o nervo médio, radial ou o nervo cubital. A afecção de qualquer destes nervos produziu tremendas descargas de dor em ambos os braços. O empalamento de vários ligamentos provocou fortes contrações nas mãos.

Os pés eram fixados à frente do estípede (pequena pirâmide truncada) por meio de um prego de ferro, cravado através do primeiro ou do segundo espaço intermetatarsiano. O nervo profundo perônio e ramificações dos nervos médios e laterais da planta do pé foram feridos.







Foram cravados ambos os pés com um só prego ou se empregou um prego para cada pé? Também esta é uma questão controvertida. De acordo com os estudos do Santo Sudário de Turim, os pés foram pregados com um único cravo. Porém, São Cipriano que, mais de uma vez tinha presenciado crucificações, fala em plural dos pregos que transpassavam os pés. 

São Militão de Sardes escreveu: “os padecimentos físicos já tão violentos ao fincar os pregos, em órgãos extremamente sensíveis e delicados, faziam-se ainda mais intensos pelo peso do corpo suspenso pelos pregos, pela forçada imobilidade do paciente, pela intensa febre que sobrevinha, pela ardente sede produzida por esta febre, pelas convulsões e espasmos, e também pelas moscas que o sangue e as chagas atraíam”.

Não faltou quem dissesse que os pés do salvador não foram cravados, mas simplesmente amarrados à cruz com cordas; mas tal hipótese tem em contra, tanto o testemunho unânime da tradição, que vê em Jesus crucificado o cumprimento daquele célebre vaticínio: "transpassaram minhas mãos e meus pés" (Sl 21); como nos próprios evangelhos, pois lemos em São Lucas (Lc 24, 39-40) “vejam minhas mãos e meus pés; sou eu mesmo; apalpem e vejam. E, dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés”.

Diz Bosssuet: "como descrever os padecimentos morais que nosso Senhor Jesus Cristo suportou durante sua horrorosa agonia, quando uma multidão saciava seus olhos com o espetáculo daquela agonia, acompanhando-o com todo tipo de ultrajes que lhe encheram até o último momento? Além disso, sofria ao ver o olhar abnegado de sua mãe e de seus amigos, a quem suas dores tinham prostrado em profunda tristeza. Todo Ele era, digamos assim, um tormento em seus membros, em seu espírito, em seu coração e em sua alma".

De todas as mortes, a da cruz era a mais desumana, suplício infame, que no império romano se reservava aos escravos (servile suppliciun).

Depois das palavras no Getsêmani vêm as pronunciadas no Gólgota, que testemunham esta profundidade, única na história do mundo: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" Suas palavras não são só expressão daquele abandono, são palavras que repetia em oração e que encontramos no salmo 22.



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INTERPRETAÇÃO FISIOPATOLÓGICA DA MORTE DE JESUS CRISTO

Na morte de Jesus vários fatores puderam contribuir. É importante ter em conta que foi uma pessoa poli traumatizada e poli contundida; desde o momento da flagelação até sua crucificação.

O efeito principal da crucificação, além da tremenda dor, que apresentava em seus braços e pernas, era a marcada interferência com a respiração normal, particularmente na exalação.

O peso do corpo pendurado para baixo e os braços e ombros estendidos, tendiam a fixar os músculos intercostais em um estado de inalação, afetando, por conseguinte, a exalação passiva. Desta maneira, a exalação era principalmente diafragmática e a respiração muito leve. Esta forma de respiração não era suficiente e logo produziria retenção de CO2 (hipercapnia).






Para poder respirar e ganhar ar, Jesus tinha que apoiar-se em seus pés, tentar flexionar seus braços e depois deixar-se desabar para que a exalação ocorresse. Mas ao deixar-se desabar, produzia-se, igualmente, uma série de dores em todo o seu corpo.

O desenvolvimento de cãibras musculares ou contratura tetânicas devido à fadiga e a hipercapnia afetaram ainda mais a respiração. Uma exalação adequada requeria que se erguesse o corpo, empurrando-o para cima com os pés e flexionando os cotovelos, endireitando os ombros.

Esta manobra colocaria o peso total do corpo nos tarsais e causaria tremenda dor.



A somatória de torturas da crucifixão causavam dores e sofrimentos atrozes aos condenados.
Foi assim que nosso Deus e Senhor condenado por causa de nossos pecados. 


Mais ainda, a flexão dos cotovelos causaria rotação nos pulsos em torno dos pregos de ferro e provocaria enorme dor através dos nervos lacerados. O levantar do corpo rasparia dolorosamente as costas contra a trave. Como resultado disso, cada esforço de respiração se tornaria agonizante e fatigante, eventualmente levaria à asfixia e finalmente a seu falecimento.

Era costume dos romanos que os corpos dos crucificados permanecessem longas horas pendentes da cruz; às vezes até que entrassem em putrefação ou as feras e as aves de rapina os devorassem.

Portanto antes que Jesus morresse, os príncipes dos sacerdotes e seus colegas do Sinédrio pediram a Pilatos que, segundo o costume Romano, mandasse dar fim aos justiçados, fazendo com que lhe quebrassem suas pernas a golpes. Esta bárbara operação se chamava em latim crurifragium (Jo 20, 27).

As pernas dos ladrões foram quebradas, mais ao chegar a Jesus e observar que já estava morto, deixaram de golpeá-lo; mas um dos soldados, para maior segurança, quis dar-lhe o que se chamava o "golpe de misericórdia" e transpassou-lhe o peito com uma lança.

Modelo da lança romada usada para perfurar o Santo Lado de Cristo


Neste sangue e nesta água que saíram do flanco, os médicos concluíram que o pericárdio, (saco membranoso que envolve o coração), deve ter sido alcançado pela lança, ou que se pôde ocasionar perfuração do ventrículo direito ou talvez havia um hemopericárdio pós-traumático, ou, representava fluido de pleura e pericárdio, de onde teria procedido a efusão de sangue.



 




Na ponta da seta, mancha causada pelo extravazamento
de sangue e plasma do Santo Lado de Cristo. 


Com esta análise, ainda que seja conjectura, aproximamo-nos mais da causa real de sua morte: um possível infarto agudo do miocárdio, com perfuração da parede do ventrículo direito, hemopericárdio e tamponamento cardíaco. Interpretações que se encontram dentro de um rigor científico quanto a sua parte teórica, mas não são demonstráveis com análise nem estudos complementares.

As mudanças sofridas na humanidade de Jesus Cristo foram vistas à luz da medicina, com o fim de encontrar realmente o caráter humano, em um homem que é chamado o filho de Deus, e que voluntariamente aceitou este suplício, convencido do efeito redentor e salvador para os que criam nEle e em seu evangelho.




REFERÊNCIAS
1. Sermo de Passione
2. São Justiniano, Dial, c, Tryph, 97,98,104, e apol, 135; Tertuliano, adv. Marc,
3. Camargo Rubén. Jornal El Heraldo. B/quilla, Col 1990
4. Rev. Med. Jama 1986;255;1455-1463
5. Fragm, 16
6. Tractac in Joan, 36,4 - De obitu Theodos, 47 e 49
7. Séneca,Epist,101; Petronio, Sat 3,6; Eusebio, Hist,eccl,8,8
8. Carta Apostólica Salvifici Doloris 1984
9. Louis Claude Fillion. Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tomo III

FONTE:





Detalhes da crucificação de Jesus

Cravos: tinham de 13 a 18 centímetros de comprimento por 1 centímetro de diâmetro.

Mãos: perfurações no antebraço, entre o rádio e o cúbito, ou nas palmas, entre os metacarpos.

Feridas: o chicote romano (flagrum) tinha pedaços de ossos ou de metal nas pontas de suas três tiras, o que chegava a arrancar pedaços de pele e ferir órgãos internos. Cristo sofreu duas séries de 39 chicotadas. Ou seja, contando-se as três tiras, Ele levou 234 açoites.

Sofrimento espiritual e emocional: maior do que as dores físicas de Cristo foi Sua agonia espiritual. Um com o Pai desde a eternidade, sofreu Seu completo afastamento. Jesus foi misteriosamente feito “maldição” (Gl 3, 13) em nosso lugar, levando sobre Si os pecados de todos.

Roupas: provavelmente Jesus foi exposto completamente nu perante a multidão.

Pés: foram pregados juntos ou separados. Os cravos e o peso do corpo castigavam os sensíveis nervos plantares.

Via Dolorosa: calcula-se que o trajeto que Cristo carregou a parte horizontal da cruz, de cerca de 50 a 100 quilos, foi entre 900 e 1.500 metros, até o Calvário. Em parte desse trajeto, a cruz foi levada por Simão, cireneu.

Escuridão: ao meio-dia, surgiu uma escuridão inexplicável em volta da cruz. Nela, Deus escondeu a agonia final de Seu Filho.

Multidão: assim como os líderes religiosos, a multidão era uma massa de manobra das forças do mal. Todos zombavam de Cristo, mas, com a escuridão, o terremoto e as palavras de Cristo, foram tomados pelo medo.

Calvário: localizava-se possivelmente onde hoje é a Igreja do Santo Sepulcro ou no Jardim de Gordon; uma elevação de quase 5 metros, que lembra uma caveira. O Jardim de Gordon é o local mais provável, pois se encontra fora dos muros da Jerusalém antiga.

Mãe: Cristo sofreu por Sua Mãe, que acompanhava pia e corajosamente a Sua crucificação, e a entregou aos cuidados do discípulo amado João.

Placa: geralmente continha o nome e a condenação dos crucificados.

Coroa: provavelmente feita do espinheiro de Jerusalém (Paliurus spina christi) ou do espinheiro-de-cristo sírio, foi fixada e batida repetidamente sobre a cabeça de Cristo, ferindo o nervo trigêmeo, causando uma dor que nem a morfina é capaz de amenizar.

Sede: Jesus também sofreu ardente sede, pois não havia bebido nada desde a noite anterior, carregou a cruz, perdeu muito sangue e sofreu intensa febre, devido às inflamações.

Corpo: sofreu cãibras, espasmos, desidratação, poli contusões e exalação insuficiente com retenção de gás carbônico no sangue e nos pulmões (hipercapnia).

Vinagre: desde que chegou ao Calvário, durante a crucifixão e ao fim dela, os soldados ofereceram-Lhe vinagre, vinho azedo misturado com água e vinho com mirra, para aliviar Sua dor, mas Cristo recusou-Se a bebê-las, para manter-Se consciente e não fugir à Sua missão.

Lança: quando a morte na cruz precisava ser adiantada, dava-se um “golpe de misericórdia”, chamado crucifragium, quebrando-se a tíbia (osso da canela). Mas isso não foi preciso, pois Jesus morreu antes. Para assegurarem Sua morte, Ele foi ferido com uma lança.

Sangue e água: a lança provavelmente atingiu o pericárdio e a pleura pulmonar, e fez jorrar sangue e “água” (na verdade, plasma sanguíneo), fruto de acúmulo de sangue no espaço pleural (pela flagelação) e no pericárdio (por perfuração espontânea da musculatura, no infarto). Supõe-se que foi por essa razão que jorrou sangue e água da ferida.  Com a morte de Cristo, o sangue coagulou, separando os componentes celulares do plasma sanguíneo.

Vitória: ao gritar “está consumado” (em grego tetelestai, que pode significar “está pago”), Jesus não morreu como uma vítima frágil, mas como um herói. Cumpriu Sua missão, salvou a humanidade.

Morte: provavelmente por parada cardiorrespiratória. Além dos sofrimentos físicos, o coração de Cristo não suportou o peso dos pecados da humanidade.

Terremoto: às 15 horas, após Cristo gritar duas vezes e dar Seu último suspiro, ocorreu um terremoto com tremor que fendeu rochas e abriu túmulos.

Tempo na cruz: os crucificados permaneciam vivos de 18 horas a alguns dias. Jesus ficou na cruz entre as 9 horas e as 15 horas (segundo relato de São Marcos) ou das 12 às 15 horas (segundo os demais evangelistas). Seus graves ferimentos e o sofrimento espiritual foram determinantes para Sua morte rápida.

Getsêmani: o sofrimento de Cristo começou pelo menos dez horas antes da cruz quando começou a sentir o peso dos pecados humanos. Seu sofrimento psicológico foi tão grande que O fez suar gotas de sangue. Esse fenômeno raro na literatura médica é conhecido como hematidrose.

Cruz: a pena de morte por crucificação já era praticada desde o século 6 a.C. por persas e babilônios, até que foi proibida pelo imperador Constantino, em 337 d.C. Há quatro tipos conhecidos de cruz: decussata (em forma de X), quadrata (em forma de +), comissa (em forma de T) e imissa (em forma da cruz, como a conhecemos). Certamente, a cruz de Cristo foi do tipo comissa ou imissa, pois, a própria palavra para crucificar no Novo Testamento é stauros, que significa colocar em um tau (nome da letra T em grego). Se considerarmos a necessidade de se pregar uma placa, é possível que a cruz como a conhecemos possa ter sido a utilizada.

Partes da cruz: as cruzes romanas eram compostas de duas partes: stipes e patibulum. A stipes era o poste, que geralmente permanecia no local de suplício e tinha cerca de 5 metros de altura e 70 quilos. O patibulum era a parte horizontal, geralmente carregada pelo condenado até o local de execução. Tinha cerca de 2,5 a 3,0 metros e por volta de 50 a 100 quilos. Possivelmente, o encaixe entre as duas partes era feito no chão, onde o crucificado era pregado, para depois ser erguido e a cruz ser encaixada no buraco previamente feito.

Assento: algumas cruzes tinham uma sedicula, pedaço de madeira fixado à altura do quadril para apoiar o corpo, facilitar a respiração e aumentar o tempo de suplício.

Embalsamamento: o ritual judaico de sepultamento durava entre cinco e seis horas, pois envolvia lavar o cadáver, perfumá-lo com aromas frescos, embalsamá-lo e envolvê-lo em faixas. Para se evitar esse trabalho no sábado, o ritual foi adiado para a manhã de domingo.

Deus, anjos: Deus Pai certamente estava junto a Cristo, na escuridão misteriosa, compartilhando de Seu sofrimento, acompanhado de anjos celestiais. Todos, porém, não podiam confortá-Lo. Cristo teria que levar sozinho o peso dos nossos pecados.

Satanás, demônios: estavam presentes e ativos entre a multidão. O inimigo torturava a Jesus, tentando levá-Lo ao desespero e a desistir de Sua missão. Paradoxalmente, contra seus próprios interesses, o inimigo não conseguia resistir ao prazer sádico de matar o Filho de Deus.

O templo e as profecias: os sacrifícios realizados no Templo apontavam para Cristo, o “Cordeiro de Deus” (Is 53, 5- 6, 10). O início da crucifixão foi exatamente no horário do sacrifício da manhã e o fim dela, no horário do sacrifício da tarde. Com a morte de Cristo, o antigo sistema sacrifical perdeu a validade, e o véu do Templo foi rasgado de cima a baixo (Mt 27, 51). De acordo com a profecia das 70 semanas de Daniel (Dn 9, 24-27), Cristo morreu no ano 31 d.C. Ou seja, a morte de Cristo teve data e hora marcadas.

Caifás: na casa desse sumo sacerdote, Jesus foi julgado. Em 1990, foi achado um ossuário, contendo a inscrição em hebraico: “José, filho de Caifás”.

Pilatos: arqueólogos italianos que escavavam um teatro romano em Jerusalém encontraram uma pedra com a inscrição latina: “Pôncio Pilatos, prefeito da Judeia”.

Julgamento: o julgamento de Cristo ocorreu durante a madrugada e à véspera de um sábado e de uma grande festa religiosa – três infrações do registro escrito das tradições judaicas, a Mishná, de acordo com o Sanhedrin 4,1.

Pretório: casa do governador romano da Judeia. Em seu pátio, Jesus foi julgado, castigado e condenado. Em 1930, escavações identificaram plataformas maciças do pátio da fortaleza Antônia. Nessas plataformas, estavam gravados alguns desenhos de jogos que soldados romanos faziam para passar tempo. As descrições desse pavimento (lithóstotos) são muito semelhantes ao que se relata em João 19, 13.

Ressurreição: o anjo do mais alto posto celestial, revestido de luz, foi comissionado a chamá-Lo e rolou a pedra do sepulcro. Os guardas caíram ao chão. Posteriormente, os discípulos O viram, tocaram nEle, compartilharam uma refeição e conversaram com Ele.

Ressurreições: quando Jesus ressurgiu, outras pessoas ressuscitaram das sepulturas abertas no terremoto que ocorreu no momento de Sua morte (Mt 27, 51-53).

A verdade: os discípulos mantiveram a versão de que Jesus ressuscitou, mesmo em face da morte e sem ganhar qualquer vantagem. Se isso não fosse verdade, pelo menos um deles negaria o fato.

Profecias: as circunstâncias ligadas à morte de Cristo foram preditas séculos antes, no Antigo Testamento. Confira algumas: julgamento fraudulento (Is 53, 8; Mt 26, 59); abandono dos discípulos (Zc 13, 7; Mc 14, 27); sofrimento em silêncio (Is 53, 7; Mt 27, 12-14); morte substitutiva (Is 53, 5; 1Jo 2, 2); mãos e pés traspassados (Sl 2, 16; Jo 20, 25-27); intercessão pelos transgressores (Is 53, 12; Lc 23, 34); morte junto a malfeitores (Is 53, 12;Lc 23, 34); zombaria (Sl 22, 7, 8; Mt 27, 41-43); roupas sorteadas (Sl 22, 18; Jo 19, 23s); separação de Deus (Sl 22, 1; Mt 27, 46); traspassado pela lança (Zc 12, 10; Jo 19, 34); sepultamento em túmulo de rico (Is 53, 9; Mt 27, 57-60).


Fontes: Rubén Dario Camargo (Fisiopatologia da morte de Cristo); Rodrigo Cardoso (Como Jesus foi crucificado? IstoÉ, de 1/4/2010); Rodrigo Silva (Escavando a Verdade, CPB, 2007 e A Arqueologia e Jesus, Perspectiva, 2006); Frederick Zugibe (A Crucificação de Jesus, Matrix, 2010).  Postado por Angelo Repetto