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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Servo de Deus Darwin Ramos, jovem leigo. Modelo de alegria e paz na doença.



O cardeal Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, aprovou em 29 de maio a abertura da causa de canonização de Darwin Ramos, um jovem que, quando criança, trabalhava como lixeiro nas ruas de Pasay, nas Filipinas. A investigação sobre a vida de Ramos necessária para a canonização será realizada no Tribunal diocesano de Cubao pelo padre dominicano francês, Pe. Thomas de Gabory, que será o postulador da causa.

"O Vaticano nos deu ‘luz verde’ para investigar mais profundamente sua vida, como ele viveu sua fé e como deu testemunho de Jesus, de quem era muito próximo", disse o bispo de Cubao, Honesto Ongtioco, ao CBCPNews. "Darwin é um exemplo de santidade. Sendo um menino de rua, afetado pela miopatia, ele estava intimamente ligado a Cristo em seu sofrimento e alegria ", disse Dom Ongtioco, de acordo com a Asia News.

Darwin Ramos nasceu em Manila (Filipinas) em 1994 e passou seus primeiros anos de vida nas favelas da cidade de Pasay. Para ajudar sua família que era pobre, ele trabalhou junto com sua irmã mais nova como um lixeiro nas ruas da cidade.



Desde a infância, ele começou a sofrer os primeiros sintomas da distrofia muscular de Duchenne. Esta é uma doença genética degenerativa que reduz a mobilidade do paciente até que ela seja eliminada completamente.

Conforme especificado pela Obra Missionária Pontifícia (OMP) da Espanha, em 2006, Darwin conheceu um grupo de educadores de crianças de rua da instituição Tulay ng Kabataan (uma ponte para as crianças), e entrou em um de seus centros de ajuda.

Durante sua estada no centro, ele descobriu a fé católica e pediu para ser batizado. No ano de 2007, com 13 anos, recebeu a Primeira Comunhão e o Sacramento da Confirmação. Sua capacidade de movimento foi reduzida muito rapidamente pela doença, mas, como relatado pela OMP, “impactava a todos, tanto à equipe como às outras crianças no centro, o modo como ele vivia a doença que o afligia”.

Darwin conquistou a equipe e as crianças da Fundação pelo modo como ele convivia com sua doença. A todos: companheiros e educadores, causava respeito e admiração por causa de sua conduta. As palavras que ele repetia frequentemente eram: "Obrigado" e "eu te amo".



Além disso, ele desenvolveu um profundo relacionamento pessoal com Cristo e não se passava nenhum dia que ele não tivesse tempo para rezar”. Ele estava atento a todos e mostrou seu apoio a outras crianças quando tinham problemas. Nunca reclamava e sempre sorria, mesmo em tempos difíceis. Quando falava sobre sua doença, ele chamava de "sua missão no mundo".

Em 2012, aos 17 anos, sua saúde piorou drasticamente e ele sentia dores terríveis até ao respirar. Mesmo nesses momentos de grande sofrimento e apesar do fato de que sua hora estava prestes a chegar, ele continuou a manter uma atitude amistosa, agradecendo a todos pelos serviços que lhe estavam sendo prestados.

Quinta-feira, 20 de setembro de 2012, Darwin viveu uma terrível batalha espiritual. Ele disse: "Eu estou lutando contra o diabo." Sexta-feira, Darwin parecia em paz e tinha um grande sorriso. Ele agradeceu àqueles que cuidaram dele e expressou sua alegria na esperança de logo encontrar o Senhor escrevendo “Um grande obrigado” e “Estou muito feliz”. Sábado, Darwin entrou em um grande silêncio enquanto permanecia consciente. Darwin entrega a alma a Deus no PCMC (Centro Médico Infantil das Filipinas, Quezon City), no domingo, dia 23 de setembro de 2012.


 Aqueles que o conheciam consideram-no "o mestre filipino da alegria".Com a abertura do processo de canonização, Darwin Ramos é agora Servo de Deus. Uma vez que a fase diocesana da investigação termine, o processo vai para o Vaticano, onde se estudará se o jovem viveu as virtudes cristãs de forma heroica, assim como a fama de santidade e as possíveis graças que podem ter sido feitas por sua intercessão.





Ao centro, lápide do túmulo do servo de Deus. Sua vida e
testemunho já atraem a devoção dos fiéis. 


Fonte:


sábado, 13 de julho de 2019

Venerável Servo de Deus Moisés Lira Serafín, presbítero e fundador.



O Venerável Servo de Deus Moisés Lira Serafín nasceu no dia 16 de setembro de 1893 em Tlatempa, Zacatlán, Puebla (México); no seio de uma família profundamente cristã, filho de Pedro Lira e de Juliana Serafín, os quais tiveram seis filhos.

Sua primeira infância se desenvolveu no ambiente tranquilo de Tlatempa, gozando da alegre presença de seus pais. Em 14 de setembro de 1898, quando ia completar cinco anos, morre sua mãe e isto deu uma reviravolta em sua vida, que começou a ser difícil e itinerante, pois Pedro, seu pai, era mestre e diretor da escola paroquial e, quando trasladavam o pároco a outro lugar, este costumava levar o mestre Pedro consigo, para que assumisse seu cargo no colégio.

Por sua parte, Pedro também levava consigo a seus filhos Moisés (ainda pequeno) e a Hermelinda, sua irmã, para que cuidasse do pequeno irmão. Pedro contraiu matrimônio, pela segunda vez, deixando a Moisés com o cura Francisco Hernández, pois, Hermelinda, sua irmã, havia se casado em Amozoc. O adolescente conheceu a Madre Victoria Ortega, religiosa Josefina, que se interessou por ele, ao ver sua especial inteligência, simplicidade, ingenuidade, candura e grande amor à Eucaristia, virtudes que davam indícios de uma boa vocação ao sacerdócio.

A madre lhe propõe entrar no seminário, debaixo do cuidado de uma benfeitora, a senhora Petra Munive, que apoiava às vocações religiosas até chegarem ao sacerdócio. Ela o aceita como se fosse membro de sua família e, a partir desse momento, assume para si o cuidado por ele.

O Venerável e seu fundador, o Padre Félix Rougier. 


O venerável servo de Deus ingressa no Seminário Palafoxiano de Puebla, onde cursou quatro anos de latim, como aluno externo. Em 1912, fez seus primeiros exercícios espirituais, sendo decisivos em sua vida. Convidado pelo padre Félix de Jesús Rougier, entra a tomar parte da recém-fundada Congregação dos Missionários do Espírito Santo (cuja mãe espiritual da obra é a Beata Maria de La Concepción Cabrera de Armida), sendo o primeiro noviço. Professou no dia 04 de fevereiro de 1917. Foi ordenado sacerdote no dia 14 de maio de 1922 e, no dia 25 do mesmo mês, faz sua profissão perpétua. Seus primeiros anos de ministério foram marcados pela perseguição religiosa (a famigerada perseguição movida pelo próprio governo maçônico – comunista do presidente Plutarco Calles), fato que não impediu seu zelo apostólico: visitava aos enfermos nos hospitais, ia aos cárceres levando o consolo de Jesus Eucarístico; celebrava, confessava, era generoso e valente: se expunha à prisão, ao desterro e, inclusive, à morte.



Após seu regresso de Roma, em 1928, continua seu apostolado no confessionário, onde passava largas horas aconselhando e orientando. Seu método: a exigência, a ternura, a ação de Deus, a compreensão, a lembrança, propiciar a união com Deus, despertar a inquietude por um compromisso apostólico. Desejava fazer o bem em todas as suas formas. O seu zelo apostólico levou-o a formar grupos de acólitos e catequistas, acompanhou com entusiasmo as associações que lhe foram confiadas e estabeleceu grupos de jovens senhoras cujo objetivo era promover o crescimento espiritual e o exercício do apostolado.

Movido por seu desejo de fazer o bem e de demonstrar amor filial ao Pai do Céu, em 29 de março de 1934 fundou a Congregação das Missionárias da Caridade de Maria Imaculada, cuja missão é ajudar todos os homens a viverem como filhos amados de Deus. Viveu com autenticidade o espírito das Obras da Cruz, tornando sua vida uma oferta alegre ao Pai em amor, pureza e sacrifício; Seu lema foi o mesmo de Jesus: "faço sempre o que é do agrado de meu Pai".

O Servo de Deus morreu com uma fama de santidade em 25 de junho de 1950, na Cidade do México. Sua causa de beatificação e de canonização foi introduzida no ano 2000. A fase diocesana ocorreu de 04 de fevereiro a 18 de setembro de 2001; A fase na cúria romana começou em 25 de outubro de 2001.

Na Quinta-feira Santa de 2013, o Papa Francisco autorizou a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos a promulgar o decreto pelo qual as "virtudes heroicas" do servo de Deus eram reconhecidas, concedendo-lhe o título de "Venerável". Agora, é esperar que seja aprovado um milagre para a beatificação e, posteriormente, um segundo milagre para a canonização, se Deus quiser.






Fonte: 





sexta-feira, 5 de julho de 2019

Beato Henri Vergés, Religioso Missionário na Argélia e Mártir



Acostumamo-nos a ver, junto aos santos, as insígnias do seu martírio ou algo da sua vida: um livro, uma espada, pobres, etc.. Mas o Ir. Henri veste um sorriso bem aberto, endossa um avental, avança tendo na mão uma romã e, à sua frente-lado, veem-se quatro jarros. Combina com que o Papa Francisco diria (aderindo a ele de imediato as ordens e institutos religiosos, entre eles os Maristas) da “Igreja em saída”, “Igreja do avental” ou “Igreja Mariana”. Como os outros mártires da Argélia, o Ir. Henri era um homem comum e corrente que não escolheu ser mártir nem herói, mas, simplesmente, cristão. Com ele, podemos descobrir a dimensão espiritual na vida quotidiana. Permaneceu na Argélia por 25 anos, a serviço dos jovens.

O Beato Henri Vergès nasceu em 15 de julho de 1930, em Matemale, na França, na região dos Pireneus Orientais, aldeia do Capcir, na encosta de Aude, a 1500 metros de altitude. Era o primogênito dos seis filhos da família de José Vergès e de Matilde Bournet, modestos camponeses. O pai foi eleito prefeito do povoado. A mãe, totalmente votada ao lar, sabia dar atenção aos vizinhos pobres. Dessas raízes humanas ele colheu o sentido do trabalho, da simplicidade, da retidão, da resistência moral e da partilha.


Henri Vergès ladeado por seu pai, José, e por sua mãe, Matilde.

Aos 12 anos, deixou os pais para iniciar o aprendizado da vida marista, primeiro em Espira de l’Agly, perto de Perpignan, depois em Saint-Paul-Trois-Châteaux, na região provençal Drôme. Fez a primeira profissão religiosa em 1946, seguida de um ano preparatório ao exame do diploma elementar, em Notre-Dame de l’Hermitage, perto de Saint-Chamond, Loire, na casa construída por São Marcelino Champagnat, fundador dos Irmãos.


Henrique começou o apostolado de Irmão professor em outubro de 1947, em Saint-Geniez-d’Olt, no Aveyron. A saúde não resistiu a um trabalho intenso e a uma alimentação demasiado frugal. Ele festejou os 20 anos em Osseja, sanatório perto da sua terra natal. Foi um tempo de aprofundamento de sua vida religiosa.

Em 26 de agosto, Henri emitiu os votos perpétuos como Pequeno Irmão de Maria. Começou uma nova etapa de educador e professor em diversas escolas do Ardèche, em Cheylard e Aubenas. De 1958 a 1966, foi vice-mestre dos noviços, em Notre-Dame de Lacabane, em Corrèze. Com tenacidade de campônio, continuou a formação até licenciar-se em Filosofia.

Após o Capítulo Geral de 1967-68, do qual participou como delegado de sua província de origem, o superior lhe pediu que fosse à Argélia. Henri aceitou de bom grado: há muito tempo que desejava ir às missões. Empenhou-se resolutamente em estudar o árabe durante as férias de verão em família e desembarcou em Argel, em 06 de agosto de 1969, festa da Transfiguração.

A sua presença na Argélia, durante 25 anos, conheceu três etapas principais:

1969-1976: Escola São Boaventura, em Argel. Henri assume a direção durante seis anos, até a nacionalização.

1976-1988: Em Sour-El-Ghoziane, sobretudo como professor de Matemática.

1988-1994: Argel, Rua Ben Cheneb, no quarteirão da Casbah, como responsável pela biblioteca frequentada por mais de mil estudantes do Liceu. No seu gabinete de trabalho, foi assassinado, em 8 de maio de 1994, pouco depois do meio-dia, com a irmã Paul-Hélène, do Instituto das Irmãs da Assunção. 


“O caríssimo Irmão Henri foi testemunha autêntica do amor de Cristo, do seu despojamento em favor da Igreja e da fidelidade ao povo argelino” (palavras do Cardeal Duval, nas exéquias, em Nossa Senhora da África, em 12 de maio de 1994, festa da Ascensão do Senhor). 


Os amigos e irmãos de missão, a Beata Paul-Hélène e
Beato Henri Vergès, foram martirizados juntos.


Os dezenove Beatos Mártires da Argélia. 

Alguns textos de Henri Vergès

A pedido do Ir. Basílio Rueda, Superior Geral, Henri escreveu uma autobiografia, datada do 1.° domingo do Advento de 1978. A seguir consta a conclusão dela.

“HISTÓRIA DE AMOR”
Deus e a Virgem Maria sejam louvados por me terem chamado, por me terem dado a graça da fidelidade muito simples, à qual procuro responder do melhor modo possível. Obrigado aos meus Irmãos que me permitiram, pela sua própria fidelidade, às vezes pela sua fraqueza, que eu respondesse melhor ao apelo de Deus, incluindo alguns que deixaram o Instituto e continuam, para mim, muito queridos. Mistério... Obrigado aos meus pais, à minha família, a tantos amigos, sobretudo sacerdotes e religiosos, que me treinaram neste caminho do Amor. História de Amor que continua: que o Deus fiel nos conserve fiéis. FIAT, MAGNIFICAT.
  
Uns dez anos depois, Henri aceitou escrever o seu caminho espiritual “na casa do Islão”. Termina assim:

Em resumo, foi meu compromisso marista que me permitiu, apesar de minhas limitações, inserir-me harmoniosamente em meio muçulmano; a minha vida neste meio, na sua vez, me realizou mais profundamente, como cristão marista. Deus seja louvado! (Argel, Natal de 1989).

  

Por ocasião do Centenário da chegada dos primeiros Irmãos Maristas à Argélia, em março de 1891, Henri havia desfiado a Maria sua dezena argelina. Seguem algumas passagens:

Este ano cumpre-se nova etapa: Bab-el-Oued, Casbah. Discretamente perdidos no meio da multidão, eis-nos aqui, contigo, Maria, junto aos pobres, junto aos jovens, como presença humilde, sempre querendo estar disponível em prol da irradiação do teu Filho. E já temos encontros de visitação. Cante-se o Magnificat.

Não falemos da biblioteca. Já acolhemos mil e tantos jovens. Cercam-nos dezenas de milhares. Veja-se essa multidão ainda impregnada de fé, mas que ainda duvida de seu futuro. É uma juventude muitas vezes desamparada do que se apelida “terceiro mundo”. Mãe nossa, dai que logremos acender nesses jovens corações a esperança.

O Ribat é um elo de paz. Esse grupo nos acolhe; todos desejam uma aproximação mais espiritual do Islã e dos muçulmanos, na vivência cotidiana. Maria, vós caminhais conosco, às vezes na exaltação dessas maravilhas que se realizam na base, sinal profético, no espírito da fraternidade de Assis, ao qual se abre a Igreja do vosso Filho. 

Alguns apontamentos de Henri que traduzem a sua caminhada espiritual na última etapa.

Velar sobre esse dom que Deus me faz na singeleza de um olhar de adesão total, no mais fundo do meu ser, ao que ele quer a todo o momento, em toda a circunstância: devo ser simples e verdadeiro no amor, na sua presença. Com a Virgem Maria, eu me restauro e irradio a Eucaristia. (Tibhirine, 17-12-1983.)

Três critérios de apostolado para o Instituto: direcionamento aos mais pobres, educação marial, apelos da Igreja. (3-4-1984.)

Devo fixar o meu coração em Deus com Maria.

Senhor Jesus, entrego-me a ti para ser oferecido em ti e contigo totalmente ao Pai, no amor do Espírito Santo. Que a minha vontade seja a do Pai sobre mim e que ela possa cumprir-se cada dia até o fim. (Varennes-sur-Allier, julho de 1985.)

A Virgem Maria constitui a mais bela expressão do amor divino. A Virgem Maria é a mais bela resposta humana ao amor divino. Depois da encarnação tudo nos vem por meio de Maria, já que ela nos deu Jesus. Agora ela o dá e o faz crescer em cada uma das nossas almas, no seu papel insubstituível de Mãe.

Senhor Jesus, entrego-me a ti para ser entregue por inteiro, em ti e por ti, ao Pai, no amor do Espírito Santo. A minha vontade seja aquela do Pai sobre mim e que ela possa cumprir-se no suceder dos dias até o escopo final. (Escrito em julho de 1985, em Varennes-sur-Allier).

A medida do nosso sofrimento constitui a medida da nossa ação nas almas. Aos amigos, Jesus oferece a sua cruz. A cruz nos identifica com ele. Assim, vive-se de tal modo nele e com ele, que as almas, entrando em contato conosco, vão encontrar-se com Cristo (nota pessoal: aqui se vê que a alma do irmão marista já se encontra em um caminho de grande perfeição e compreensão do que é ser, verdadeiramente, discípulo de Cristo).

Jesus-Hóstia, centro da minha vida, prolonga a minha ação de graças em toda a manhã e, na tarde, ele prepara a minha comunhão do dia seguinte. Cumpre que faça de Jesus o meu amigo, o meu Irmão para a minha santidade de toda a minha vida. Ele deve ser a minha respiração, a minha força. Assim, as almas de que me encarreguei vão encontrá-lo mais segura e facilmente.

Deixar a paz de Cristo invadir-me sempre mais, no mais íntimo do meu ser: devo ter paciência, bondade comigo, bondade com todos, em particular com os jovens que o Senhor me confia. Virgem Maria, fazei-me instrumento de paz para o mundo.” “Esforço particular, neste ano, para uma atenção mais especial aos mais 'desfavorecidos' dos meus alunos. Desde o começo, procurar conhecer cada um pelo seu nome. Adaptar melhor as minhas aulas, sobretudo aos mais 'carentes', como me pede Marcelino Champagnat. (Notre-Dame de l’Hermitage, julho de 1987.)


Oração
Ó Pai, o Irmão Henri Vergès deu a sua vida, no seguimento de Jesus, na paciência do quotidiano, sempre disponível à vossa vontade. No meio dos jovens, ele foi homem de fé e de bondade, servo dos mais pobres e excluídos, testemunha autêntica do amor de Cristo. A seu exemplo, fazei de nós homens e mulheres de diálogo com os nossos irmãos do Islã, na discrição e no respeito.
Que a alegria pacificada e toda simples que ele manifestava, fruto da sua simplicidade de vida e da sua proximidade a Maria, habite em nós e atraia para o Vosso Reino muitos dos que pondes no nosso caminho. Nós vo-lo pedimos por Jesus, Vosso Filho, Nosso Senhor e Nosso Irmão. Amém.



Quem quiser assistir a um belo vídeo sobre o Beato, tem um, com legendas em português, no YouTube: 
https://www.youtube.com/watch?v=NuUsib21uwc

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Beata Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, Virgem e Fundadora, Índia 1876-1926


A Beata Teresa Chiramel Mankidiyan nasceu em 26 de abril de 1876, em Puthenchira, no estado de Kerala (Índia). O nome de Maria foi adicionado anos depois, após ter uma visão da Mãe de Deus que lhe disse que também deveria ter esse nome.

Como escrevia na autobiografia, redigida por obediência ao seu diretor espiritual, desde a mais tenra idade sentiu um intenso desejo de amar a Deus, que a levava a ir à Missa diariamente com a sua mãe, a jejuar quatro vezes por semana e a recitar o Santo Rosário várias vezes por dia. Costumava deixar as brincadeiras de criança para rezar e fazer uma série de sacrifícios, orações, vigílias e jejuns que preocupavam sua mãe porque afetavam sua saúde. A sua mãe procurava dissuadi-la desses severos jejuns, mas ela persistiu neste gesto a fim de se assemelhar cada vez mais a Cristo sofredor, e chegou a consagrar a sua virgindade quando tinha apenas dez anos.

Como consequência da morte de sua mãe, interrompeu o estudo escolar, mas, continuou muito interessada no discernimento da sua vocação. Queria uma vida escondida para se dedicar à oração. Em 1891, decidiu sair de casa para levar uma vida eremítica e de penitência, mas, o seu projeto fracassou.

Intensificou então a sua colaboração na paróquia, juntamente com três companheiras, dedicando-se aos pobres, aos doentes, às pessoas abandonadas e aos órfãos. Orava pelos pecadores, fazendo contínuos jejuns pela conversão deles. Esse apostolado era demasiado revolucionário para os moralistas do seu tempo e por isso sofreu fortes críticas, inclusive nos ambientes eclesiásticos.

Recebeu muitos favores místicos de Deus, como ter visões de Nossa Senhora e dos Santos, assim como os estigmas de Cristo que recebeu em 1909 e que sempre manteve em segredo. Sofreu terrivelmente, também, ataques do demônio. Mas, permaneceu sempre no caminho da humildade e do escondimento. O seu bispo, duvidando da autenticidade de tais fenômenos místicos, mandou-a submeter-se várias vezes a exorcismos.
Em 1903, explicou ao Vigário Apostólico de Trichur o seu desejo de fundar uma casa de retiro e oração, mas, foi-lhe sugerido entrar no convento das Clarissas Franciscanas. Depois, tendo sido enviada ao convento das Carmelitas de Ollur, também ali Maria Teresa percebeu que não era essa a sua vocação.

Finalmente, o bispo compreendeu que Deus desejava uma nova congregação religiosa ao serviço da família. No dia 14 de Maio de 1914 foi erigida canonicamente a nova congregação, que se denominou Congregação da Sagrada Família. Durante e após os difíceis anos da Primeira Guerra Mundial, com indômita energia e total confiança na Providência divina, ela deu vida a três novos conventos, duas escolas, uma casa de estudos e um orfanato.

Após doze anos de muito trabalho, teve uma queda que lhe causou uma ferida, que não pôde ser controlada devido a diabetes que sofria. Morreu com fama de santidade no dia 8 de junho de 1926.



Foi beatificada por São João Paulo II em 9 de abril de 2000. Em sua homilia, o Papa peregrino disse:
“Desde a infância, Maria Teresa Mankidiyan sabia instintivamente que o amor de Deus por ela exigia uma profunda purificação pessoal. Comprometida numa vida de oração e de penitência, a disponibilidade da Irmã Maria Teresa em abraçar a Cruz de Cristo permitiu-lhe permanecer firme diante dos frequentes mal-entendidos e das árduas provações espirituais. Convicta de que ‘Deus dará a vida eterna àqueles que convertem os pecadores e os orientam pelo caminho reto’, a Irmã Maria consagrou-se a esta tarefa mediante visitas, conselhos, orações e a prática penitencial. Por intercessão da Beata Maria Teresa, todos os consagrados e consagradas sejam fortalecidos na própria vocação de rezar pelos pecadores e de atrair os outros a Cristo através de palavras e exemplos”.
Será proclamada Santa da Igreja Católica, juntamente com outros quatro beatos, no dia 13 de outubro de 2019, pelo Papa Francisco.

Sobre essa religiosa, o bispo indiano James Pazhayattil, falecido em 2016, disse que “se parece com Madre Teresa de Calcutá. Além de compartilharem o mesmo nome, têm em comum não só ter fundado uma congregação religiosa – uma, as Missionárias da Caridade, a outra, as Irmãs da Sagrada Família –, mas, sobretudo, as duas se caracterizam pelo serviço a favor dos marginalizados, dos pobres, dos doentes e dos moribundos”.


A congregação das Irmãs da Sagrada Família conta atualmente com cerca de duas mil religiosas que atendem escolas, hospitais, enfermarias, casas para pessoas com deficiência mental e física, centros sociais entre outras obras.




sexta-feira, 28 de junho de 2019

Serva de Deus Cunegunda Siwiec, virgem e leiga, da Ordem Carmelita Descalça Secular.



A vida nas montanhas: cercados por uma natureza incontaminada, um pouco selvagem, longe do frenesi, mas, também, do conforto da vida urbana: estamos na Polônia, no final do século XIX, em Siwcowka, diocese de Cracóvia. Ali há poucas casas apegadas à montanha, onde se trabalha a terra para cultivar batatas... Um lugar simples e ermo, onde a escola não existe e a igreja fica a três horas de distância. Isso, obviamente, no verão, porque quando neva só é alcançada depois de quatro ou cinco horas. Aqui nasceu, em 1876, a pequena Cunegunda, nona dos dez filhos da família Siwiec, chamados por todos com o carinhoso diminutivo de Kundusia. Seus pais foram Victoria e João Siwiec. Deles recebeu sólida educação humana e católica.


Sintamos agora a serenidade da paisagem e de sua família, cujo pai, mesmo na velhice, ia trabalhar no pasto assobiando e cantando e, à noite, ficava encantado ao admirar as nuances do pôr-do-sol em frente à casa. Kundusia aprende a ler e assinar participando, nos meses de inverno, de uma espécie de "escola noturna", na qual seus professores são os habitantes mais educados da aldeia. Cunegunda cresce com um caráter determinado, forte e profundamente religioso. Tem um namorado, com quem ela se preocupa muito e com quem já faz planos de casamento.

Foto de Cunegunda com alguns parentes. 
O ponto de virada em sua vida vem em 1896, participando da missão popular pregada por um padre redentorista: Kundusia, já com 20 anos e um casamento à vista, de repente descobre sua vocação: "viver no mundo, mas só para Cristo". Assim, ela reorganiza sua vida em torno desse ideal, dando prioridade absoluta às coisas espirituais.

Começa por se inscrever no Apostolado de Oração, depois participa de um curso de catequese para preparar as meninas e crianças da montanha para a primeira comunhão e para o matrimônio e, finalmente, une-se à Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e de Santa Teresa (atualmente, Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares, OCDS), na fraternidade que se reunia em um salão cedido aos “terceiros” no convento carmelitano de Wadowice (a 30 km de seu povoado).

Em sua aldeia, seus concidadãos observam sua metamorfose: desde menina, "como todos", até, paulatinamente, ela se transformar em uma alma cada vez mais "de Jesus": não sabem, mas conseguem adivinhar que, por trás de tudo isso, existe uma grande intimidade com o paraíso, nascida e sustentada por longas horas de oração "de coração a coração" com Jesus.

Em 1929, oferece a terra que teria herdado para construir um "centro educacional": uma escola regular, em suma, a que ela nunca poderia assistir, administrado e conduzido por religiosas, que, cuidam da educação de crianças e de adultos. Anexo ao Centro também é construída uma capela e, somente a partir daquele ano, portanto, Kundusia tem a alegria e a oportunidade da Santa Missa diária. Tanto o centro educacional quanto a capela são consagrados a Santa Teresinha do Menino Jesus, recentemente canonizada (em 17 de maio de 1925) pelo Papa Pio XI.

A Sagrada Eucaristia dá asas à sua espiritualidade e faz crescer a sua intimidade com Jesus. Não se sabe exatamente quando, mas, na sua vida começam a ocorrer estranhos fenômenos, particularmente após a santa comunhão. Os "estudiosos em mística” os chamam de "locuções interiores", que são, basicamente, nada além de revelações internas de Jesus, da Virgem Maria e dos Santos. Kundusia revelou tais acontecimentos ao seu confessor apenas em 1942, com um pouco de vergonha, admitindo que isso vem acontecendo há algum tempo.

Esta "linha direta" com o paraíso gradualmente leva-a a amadurecer a decisão de oferecer sua vida em reparação pelos pecados do mundo e fazê-la desenvolver uma oblação completa, em união com o sacrifício de Jesus na cruz. Muitos passam a buscá-la: pessoas simples e cultas, sacerdotes e religiosos, para conselhos, ajuda espiritual, encorajamento ao bem: todos recebem dessa mulher analfabeta e “comum” o que precisam para o bem de suas almas.

Entrando em sua casa, eles a encontram envolvida com seus irmãos na leitura de obras místicas, que ela comenta com uma profundidade e competência que surpreendem até mesmo os mais sábios teólogos.

Sua união completa com Jesus alcança seu clímax com a alegre aceitação do sofrimento: em 1948 ela foi atingido por câncer ósseo com metástases generalizadas. Um sofrimento incalculável, escondido por trás de sua habitual atitude sorridente e brincalhona. Tudo é oferecido em reparação pelos pecados do mundo, todos vividos em união com o sacrifício da cruz. Em 1955, isto é, após sete anos de atrozes sofrimentos, ela morre pacificamente, com dores excruciantes.


De imediato, já era considerada “santa” por seus concidadãos. Nos anos 80 começaram a aparecer artigos e livros dedicados a sua vida e se foi divulgando a fama de sua santidade. Por último, em 21 de dezembro de 2007, o Cardeal Estanislao Dziwsz, arcebispo de Cracóvia, abriu oficialmente seu processo de beatificação.







Fontes:
www.santiebeati.it
Alguns fragmentos da Wikipedia polonesa. 

quarta-feira, 26 de junho de 2019

SÃO FRANCISCO DE JERÔNIMO, Presbítero Jesuíta, Missionário e Taumaturgo. Apóstolo de Nápoles.




São Francisco de Jerônimo nasceu em Grottaglie, Itália, a 17 de Dezembro de 1642 e faleceu em Nápoles, 11 de Maio de 1716. Foi um padre jesuíta conhecido como o "Apóstolo de Nápoles".


Grande pregador em Nápoles
Tão logo entrou para a ordem, implorou aos seus superiores que fosse enviado ao Japão, onde desejava ser missionário. Eles, no entanto, lhe responderam que o Reino de Nápoles seria o seu Japão e a sua Índia, devendo ali empregar todos seus esforços evangelizadores.

Preparou, para auxiliá-lo, uma confraria de artesãos que se chamou Oratório da Missão; além de outros numerosos trabalhos, seus membros todos os domingos acompanhavam São Francisco em suas pregações pelas ruas e praças de Nápoles. Saíam cantando da Igreja de “Gesù Nuovo” e, em procissão, dirigiam-se aos locais mais frequentados.

Ao avistarem a procissão, os elementos de má vida abandonavam, sem cólera, o que estavam fazendo. Francisco subia, então, a um lugar mais elevado e falava ao povo. Começava descrevendo, com energia, os horríveis efeitos do pecado e os castigos que esperavam o pecador.

Quando o temor estava em todos os corações, ele falava sobre a misericórdia de Deus. Depois dizia aos presentes que faria penitência por si e por eles. Ajoelhava-se ante uma cruz e, com o rosto em lágrimas, flagelava-se com uma disciplina de ferro. Não era preciso mais para o povo segui-lo, cheio de arrependimento.

Grande devoto da Virgem, que frequentemente enviava-lhe os pecadores que desejava se convertessem. Tornou-se famoso o caso de um homem, há muito afastado da Igreja, que Nossa Senhora o protegeu por causa do respeito com que saudava as suas imagens. Apareceu-lhe três vezes, ordenando que procurasse Francisco para se confessar.

A paixão por converter pecadores o consumia. Enormemente popular na Itália central, atraia milhares para ouvir seus sermões e confessar-se com ele. Dele se diz que era um cordeiro quando falava, mas um leão quando pregava. Sua carinhosa misericórdia o compelia a procurar aqueles mais endurecidos pelos vícios e crimes. Frequentemente era visto nas prisões e ruas de má reputação pregando para os passantes. Conta-se que muitas vezes fazia várias destas pregações durante um dia, convidando as pessoas para converterem-se e ir a Eucaristia no Domingo. Eram sermões curtos e eloquentes, convidando os pecadores a examinarem suas consciências e se arrependerem. Numa missa especial que fazia no terceiro domingo do mês era comum haver até 15.000 presentes.

Certa noite, uma grande tempestade caia sobre a cidade, ele foi pregar em uma das ruas mais perigosas, já abandonada pelo povo comum. Uma mulher ouviu sua catequese e no dia seguinte foi procurá-lo para confessar-se e deixou sua vida de prostituição. Segundo relatos, converteu mais de 400 "piores casos" por ano. O mais famoso foi Maria Cassier. Ela assassinou seu pai, fugiu e passando-se por homem, serviu no exército espanhol. Sob a orientação de Francisco, não apenas mudou de vida, como morreu com fama de santidade.

A região do porto era uma área favorita de pregação. Navios que atracavam no porto, afamados pelo péssimo comportamento da sua tripulação, eram convertidos em exemplos para a cristandade. Muitos muçulmanos foram convertidos e batizados em cerimônias muito bem preparadas, para que tocassem seus corações e a imaginação dos espectadores.

Durante sua vida, escreveu basicamente apenas cartas, em especial para seus superiores, ou quando as circunstâncias da missão assim o pediam. A Ordem dos Jesuítas tem arquivado vários esquemas que ele utilizou para preparar seus sermões, sinal claro que estudava os textos bíblicos antes das celebrações. A carta a seguir ele escreveu para um adolescente que se revoltara contra seus pais e decidira sair de casa:

“Meu muito amado filho:
Hoje fui visitar seu pai e, ao não verte em casa como é usual, perguntei onde estavas. Imagine a tristeza que senti quando ouvi que havias saído de casa em circunstâncias que desnecessário descrever, pois sabes melhor do que eu. Eu não estou surpreso que tenhas seguido um impulso, pois somos todos humanos, sujeitos a muitas falhas, cheios de pecados. Mas sempre é tempo de olhar para dentro e reparar um erro cometido num momento impensado.
Deves lembrar que teu querido pai, ao repreendê-lo, não tem outro objetivo que não seja o teu bem. Portanto, peço-te que retornes para casa sem demora, e cumprindo o teu dever para com Deus e teu pai, que me prometeu para mim recebê-lo com carinho, como se nunca houvesses cometido tal afronta. Se te sentires embaraçado em aparecer em casa sozinho, venha aqui na casa dos padres, que eu te acompanharei.  Cometeste um erro, meu filho, e agora é hora de reparar tua falta. Tenho certeza que és capaz de atender este conselho e espero ter a alegria de vê-lo novamente antes do próximo Domingo”.

Painel da canonização de São
Francisco de Jerônimo
Francisco também trabalhou para melhor a vida material dos pobres. Organizou uma associação de trabalhadores, chamada 'Oratio della Missione' para ajudá-lo com orações e bens materiais. Por exemplo, dava emprego aos necessitados atribuindo-lhes a tarefa confeccionar rosários feitos com sementes de oliva.  Aos doentes que o procuravam, sempre dava um mínimo, para que pudessem alimentar-se. Aos falecidos, dava um enterro cristão digno. Mantinha uma casa para receber filhos de prostitutas, para que não caíssem numa mesma vida de desregramento. Teve a felicidade de contar 22 das crianças entrando para a vida religiosa.

Em Nápoles e região espalhou-se uma fama de realizar milagres, que foram fartamente descritos no processo de beatificação. Morreu após uma longa doença, aos 47 anos. A procissão de seu corpo pela cidade foi acompanhada por milhares de pessoas e exigiu a intervenção da Guarda Suíça, pois o povo queria tocar uma última vez em seu corpo. Em 1758, o Papa Bento XIV reconheceu as virtudes heroicas da sua vida e elevou-o a condição de beato. Em 26 de maio de 1839 foi solenemente canonizado. Sua festa litúrgica é celebrada em 11 de Maio.



Fontes:
-- Do livro Voices of the Saints
-- http://www.tfp.org.br



Um fato marcante na história do santo:

O fato não deixa nenhuma dúvida, pois está juridicamente provado no processo de canonização do santo, e atestado com juramento por muitas testemunhas oculares.

            No ano de 1707, São Francisco de Jerônimo (jesuíta) pregava, como de costume, nos arrabaldes de Nápoles, falando sobre o inferno e os terríveis castigos reservados aos pecadores obstinados. Uma mulher insolente, que morava na redondeza, aborrecida com aqueles sermões que lhe recordavam no coração amargos remorsos, procurou molestá-lo com gestos e gritos, desde a janela de sua casa. Uma vez, um santo lhe disse:

'Ai de ti, filha, se resistes à graça! Não passarão oito dias, sem que Deus te castigue.'

A desaforada mulher não se perturbou por aquela ameaça e continuou com suas más intenções. Passaram-se oito dias, e o santo foi pregar de novo perto daquela casa, mas desta vez as janelas estavam fechadas e ninguém o importunava. Os vizinhos que o ouviam, consternados, lhe disseram que Catarina (tal era o nome daquela péssima mulher) tinha morrido de improviso, pouco antes.

'Morreu? Disse o servo de Deus; pois bem, agora nos diga de que valeu zombar do inferno; vamos perguntar-lhe.'

Os ouvintes sentiram que o santo pronunciara aquelas palavras com inspiração, e por isso todos esperaram um milagre. Acompanhado da multidão subiu à sala, convertida em câmara ardente, e após breve oração, descobriu o rosto da morta e disse:

'Catarina, fala, diz-nos onde estás!'

A esta ordem, a defunta ergue a cabeça, abre os olhos tomas cor o seu rosto, e em atitude de horrível desespero profere, com voz lúgubre estas palavras:

'No inferno! Eu estou no inferno!'

Imediatamente cai e volta ao estado de frio cadáver.

'Eu estava presente ao fato, afirma uma das testemunhas que depuseram no tribunal apostólico, mas não saberia explicar a impressão que causou em mim e nos circunstantes; ainda hoje, passando perto daquela casa e olhando a tal janela, fico muito impressionado. Quando vejo aquela funesta moradia, parece-me ouvir a lúgubre voz: No inferno! Eu estou no inferno.' "




(BELTRAMI, Padre André. O inferno existe – Provas e exemplos. Artpress, São Paulo: 2007, p. 37-8)