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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quarta-feira, 26 de junho de 2019

SÃO FRANCISCO DE JERÔNIMO, Presbítero Jesuíta, Missionário e Taumaturgo. Apóstolo de Nápoles.




São Francisco de Jerônimo nasceu em Grottaglie, Itália, a 17 de Dezembro de 1642 e faleceu em Nápoles, 11 de Maio de 1716. Foi um padre jesuíta conhecido como o "Apóstolo de Nápoles".


Grande pregador em Nápoles
Tão logo entrou para a ordem, implorou aos seus superiores que fosse enviado ao Japão, onde desejava ser missionário. Eles, no entanto, lhe responderam que o Reino de Nápoles seria o seu Japão e a sua Índia, devendo ali empregar todos seus esforços evangelizadores.

Preparou, para auxiliá-lo, uma confraria de artesãos que se chamou Oratório da Missão; além de outros numerosos trabalhos, seus membros todos os domingos acompanhavam São Francisco em suas pregações pelas ruas e praças de Nápoles. Saíam cantando da Igreja de “Gesù Nuovo” e, em procissão, dirigiam-se aos locais mais frequentados.

Ao avistarem a procissão, os elementos de má vida abandonavam, sem cólera, o que estavam fazendo. Francisco subia, então, a um lugar mais elevado e falava ao povo. Começava descrevendo, com energia, os horríveis efeitos do pecado e os castigos que esperavam o pecador.

Quando o temor estava em todos os corações, ele falava sobre a misericórdia de Deus. Depois dizia aos presentes que faria penitência por si e por eles. Ajoelhava-se ante uma cruz e, com o rosto em lágrimas, flagelava-se com uma disciplina de ferro. Não era preciso mais para o povo segui-lo, cheio de arrependimento.

Grande devoto da Virgem, que frequentemente enviava-lhe os pecadores que desejava se convertessem. Tornou-se famoso o caso de um homem, há muito afastado da Igreja, que Nossa Senhora o protegeu por causa do respeito com que saudava as suas imagens. Apareceu-lhe três vezes, ordenando que procurasse Francisco para se confessar.

A paixão por converter pecadores o consumia. Enormemente popular na Itália central, atraia milhares para ouvir seus sermões e confessar-se com ele. Dele se diz que era um cordeiro quando falava, mas um leão quando pregava. Sua carinhosa misericórdia o compelia a procurar aqueles mais endurecidos pelos vícios e crimes. Frequentemente era visto nas prisões e ruas de má reputação pregando para os passantes. Conta-se que muitas vezes fazia várias destas pregações durante um dia, convidando as pessoas para converterem-se e ir a Eucaristia no Domingo. Eram sermões curtos e eloquentes, convidando os pecadores a examinarem suas consciências e se arrependerem. Numa missa especial que fazia no terceiro domingo do mês era comum haver até 15.000 presentes.

Certa noite, uma grande tempestade caia sobre a cidade, ele foi pregar em uma das ruas mais perigosas, já abandonada pelo povo comum. Uma mulher ouviu sua catequese e no dia seguinte foi procurá-lo para confessar-se e deixou sua vida de prostituição. Segundo relatos, converteu mais de 400 "piores casos" por ano. O mais famoso foi Maria Cassier. Ela assassinou seu pai, fugiu e passando-se por homem, serviu no exército espanhol. Sob a orientação de Francisco, não apenas mudou de vida, como morreu com fama de santidade.

A região do porto era uma área favorita de pregação. Navios que atracavam no porto, afamados pelo péssimo comportamento da sua tripulação, eram convertidos em exemplos para a cristandade. Muitos muçulmanos foram convertidos e batizados em cerimônias muito bem preparadas, para que tocassem seus corações e a imaginação dos espectadores.

Durante sua vida, escreveu basicamente apenas cartas, em especial para seus superiores, ou quando as circunstâncias da missão assim o pediam. A Ordem dos Jesuítas tem arquivado vários esquemas que ele utilizou para preparar seus sermões, sinal claro que estudava os textos bíblicos antes das celebrações. A carta a seguir ele escreveu para um adolescente que se revoltara contra seus pais e decidira sair de casa:

“Meu muito amado filho:
Hoje fui visitar seu pai e, ao não verte em casa como é usual, perguntei onde estavas. Imagine a tristeza que senti quando ouvi que havias saído de casa em circunstâncias que desnecessário descrever, pois sabes melhor do que eu. Eu não estou surpreso que tenhas seguido um impulso, pois somos todos humanos, sujeitos a muitas falhas, cheios de pecados. Mas sempre é tempo de olhar para dentro e reparar um erro cometido num momento impensado.
Deves lembrar que teu querido pai, ao repreendê-lo, não tem outro objetivo que não seja o teu bem. Portanto, peço-te que retornes para casa sem demora, e cumprindo o teu dever para com Deus e teu pai, que me prometeu para mim recebê-lo com carinho, como se nunca houvesses cometido tal afronta. Se te sentires embaraçado em aparecer em casa sozinho, venha aqui na casa dos padres, que eu te acompanharei.  Cometeste um erro, meu filho, e agora é hora de reparar tua falta. Tenho certeza que és capaz de atender este conselho e espero ter a alegria de vê-lo novamente antes do próximo Domingo”.

Painel da canonização de São
Francisco de Jerônimo
Francisco também trabalhou para melhor a vida material dos pobres. Organizou uma associação de trabalhadores, chamada 'Oratio della Missione' para ajudá-lo com orações e bens materiais. Por exemplo, dava emprego aos necessitados atribuindo-lhes a tarefa confeccionar rosários feitos com sementes de oliva.  Aos doentes que o procuravam, sempre dava um mínimo, para que pudessem alimentar-se. Aos falecidos, dava um enterro cristão digno. Mantinha uma casa para receber filhos de prostitutas, para que não caíssem numa mesma vida de desregramento. Teve a felicidade de contar 22 das crianças entrando para a vida religiosa.

Em Nápoles e região espalhou-se uma fama de realizar milagres, que foram fartamente descritos no processo de beatificação. Morreu após uma longa doença, aos 47 anos. A procissão de seu corpo pela cidade foi acompanhada por milhares de pessoas e exigiu a intervenção da Guarda Suíça, pois o povo queria tocar uma última vez em seu corpo. Em 1758, o Papa Bento XIV reconheceu as virtudes heroicas da sua vida e elevou-o a condição de beato. Em 26 de maio de 1839 foi solenemente canonizado. Sua festa litúrgica é celebrada em 11 de Maio.



Fontes:
-- Do livro Voices of the Saints
-- http://www.tfp.org.br



Um fato marcante na história do santo:

O fato não deixa nenhuma dúvida, pois está juridicamente provado no processo de canonização do santo, e atestado com juramento por muitas testemunhas oculares.

            No ano de 1707, São Francisco de Jerônimo (jesuíta) pregava, como de costume, nos arrabaldes de Nápoles, falando sobre o inferno e os terríveis castigos reservados aos pecadores obstinados. Uma mulher insolente, que morava na redondeza, aborrecida com aqueles sermões que lhe recordavam no coração amargos remorsos, procurou molestá-lo com gestos e gritos, desde a janela de sua casa. Uma vez, um santo lhe disse:

'Ai de ti, filha, se resistes à graça! Não passarão oito dias, sem que Deus te castigue.'

A desaforada mulher não se perturbou por aquela ameaça e continuou com suas más intenções. Passaram-se oito dias, e o santo foi pregar de novo perto daquela casa, mas desta vez as janelas estavam fechadas e ninguém o importunava. Os vizinhos que o ouviam, consternados, lhe disseram que Catarina (tal era o nome daquela péssima mulher) tinha morrido de improviso, pouco antes.

'Morreu? Disse o servo de Deus; pois bem, agora nos diga de que valeu zombar do inferno; vamos perguntar-lhe.'

Os ouvintes sentiram que o santo pronunciara aquelas palavras com inspiração, e por isso todos esperaram um milagre. Acompanhado da multidão subiu à sala, convertida em câmara ardente, e após breve oração, descobriu o rosto da morta e disse:

'Catarina, fala, diz-nos onde estás!'

A esta ordem, a defunta ergue a cabeça, abre os olhos tomas cor o seu rosto, e em atitude de horrível desespero profere, com voz lúgubre estas palavras:

'No inferno! Eu estou no inferno!'

Imediatamente cai e volta ao estado de frio cadáver.

'Eu estava presente ao fato, afirma uma das testemunhas que depuseram no tribunal apostólico, mas não saberia explicar a impressão que causou em mim e nos circunstantes; ainda hoje, passando perto daquela casa e olhando a tal janela, fico muito impressionado. Quando vejo aquela funesta moradia, parece-me ouvir a lúgubre voz: No inferno! Eu estou no inferno.' "




(BELTRAMI, Padre André. O inferno existe – Provas e exemplos. Artpress, São Paulo: 2007, p. 37-8)

terça-feira, 11 de junho de 2019

O CREDO DE MARIA, de acordo com a doutrina mariana de muitos santos (por São Gabriel da Virgem Dolorosa).

               Hoje, o site "Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus" trás aos nossos leitores este belíssimo "Credo de Maria", feito por São Gabriel da Virgem Dolorosa, passionista, com uma coletânea de citações, revelações, meditações e ditames mariológicos que servirão para aumentar ainda mais nossa devoção à Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, e ver o quão grande e incomensurável é sua dignidade. Peço que o divulguem em suas famílias, rodas de amigos, grupos de oração, pastorais paroquiais e/ou diocesanas, em fim, a todos os católicos que, por o serem, tem por dever o amor e a honra da Virgem Santíssima. As citações vem acompanhada, dentro do possível, de belas imagens desses santos e santas. 


1.Creio, ó Maria, que, como Vós mesma revelastes a Santa Brígida, sois Rainha do céu, Mãe de misericórdia, alegria dos justos e guia dos pecadores arrependidos; e que não há homem tão perverso que, enquanto viva, não tenhais misericórdia dele; e que ninguém abandonou tanto a Deus, que, se vos invoca, não possa voltar a Deus e encontrar perdão, enquanto que sempre será um desgraçado aquele que, podendo, não recorra a Vós.



2.Creio que sois a Mãe de todos os homens, aos que recebestes como filhos, na pessoa de João, conforme o desejo de Jesus.

3. Creio que sois, como declarastes a Santa Brígida, a Mãe dos pecadores que querem corrigir-se, e que intercedeis por toda alma pecadora ante o trono de Deus, dizendo: Tende compaixão de mim.

4.Creio que sois nossa vida, e unindo-me a Santo Agostinho, vos aclamarei como única esperança dos pecadores depois de Deus.




5. Creio que estais, como vos via Santa Gertrudes, com o manto aberto, e que sob ele se refugiam muitas feras: leões, ursos, tigres, etc., e que Vós, em lugar de espantá-las, as acolheis com piedade e ternura.

6.Creio que através de Vós nós recebemos o dom da perseverança: se vos sigo, não me desencaminharei; se acudo a Vós, não me desesperarei; se Vós me sustentais, não cairei; se Vós me protegeis, não temerei; se vos sigo a Vós, não me cansarei; se vos alcanço, me recebereis com amor.

7.Creio que Vós sois o sopro vivificante dos cristãos, seu auxílio e seu refúgio, especialmente na hora da morte, como dissestes a Santa Brígida, pois não é costume vosso abandonar a vossos devotos na hora da morte, como assegurastes a São João de Deus.

8.Creio que Vós sois a esperança de todos, sobretudo dos pecadores; Vós sois a cidade de refúgio, em particular dos que carecem de ajuda e socorro.



9.    Creio que sois a protetora dos condenados, a esperança dos desesperados, e como ouviu Santa Brígida que Jesus vos dizia, até para o próprio demônio obterias misericórdia se humildemente vo-la pedisse. Vós não rejeitais a nenhum pecador, por carregado de desculpas que se encontre, se recorre à vossa misericórdia. Vós com vossa mão maternal o tiraríeis do abismo do desespero, como diz São Bernardo.



10.  Creio que Vós ajudais a quantos vos invocam e que mais solícita sois para alcançar-nos graças, que nós para vos pedi-las.

11.Creio que, como dissestes a Santa Gertrudes, acolheis sob vosso manto a quantos acodem a Vós, e que os Anjos defendem vossos devotos contra os ataques do inferno. Vós saís ao encontro de quem vos busca e também, sem que se vos peça, dispensais muitas vezes vossa ajuda e creio que serão salvos os que Vós queirais que se salvem.



12.Creio que, como revelastes a Santa Brígida, os demônios fogem, ao ouvir vosso nome, deixando a alma em paz. Associo-me a São Jerônimo, Epifânio, Antonino e outros, para afirmar que vosso nome desceu do céu, e vos foi imposto por ordem de Deus.





13.Creio, ó Maria, que vosso nome é fonte de alegria e graças. Sinto, com Santo Antônio de Pádua, inefáveis doçuras ao pronunciar vosso nome. Vosso nome, ó Maria, é melodia para os ouvidos, mel para o paladar, júbilo para o coração.






14. Creio que não há outro nome, fora do de Jesus, tão transbordante de graça, esperança e suavidade para os que invocam. Estou convencido com São Boaventura de que vosso nome não se pode pronunciar sem algum fruto espiritual. Tenho por certo que, como revelastes a Santa Brígida, não há no mundo alma tão fria em seu amor, nem tão afastada de Deus, que não se veja livre do demônio se invoca vosso santo nome.

15. Creio que vossa intercessão é moralmente necessária para salvar-nos, e que todas as graças que Deus dispensa aos homens passam por vossas mãos, e que todas as misericórdias divinas se dão por mediação vossa, e que ninguém pode entrar no céu sem passar por Vós, que sois a porta.

16.Creio que vossa intercessão é, não somente útil, mas moralmente necessária.

17. Creio que Vós sois a cooperadora de nossa justificação; a reparadora dos homens, corredentora de todo o mundo.

18.Creio que quantos não recorram a Vós, como arca de salvação, perecerão no tempestuoso mar deste mundo. Ninguém se salvará sem vossa ajuda.

19. Creio que Deus estabeleceu não conceder graça alguma a não ser por vosso conduto; que nossa salvação está em vossas mãos e que quem pretende obter graça de Deus sem recorrer a Vós, pretende voar sem asas.

20.Creio que quem não é socorrido por Vós, recorre em vão aos demais santos: o que eles podem convosco, Vós podeis sem eles; se Vós calais, nenhum santo intercederá; se Vós intercedeis, todos os santos se unirão a Vós. Proclamo-vos com Santo Tomás como a única esperança de minha vida, e creio com Santo Agostinho que somente Vós sois solícita por nossa eterna salvação.

21.Creio que sois a tesoureira de Jesus e que ninguém recebe nada de Deus, senão por vossa mediação: encontrando a Vós encontra-se todo o bem.


22.Creio que um de vossos suspiros vale mais que todos os rogos dos santos, e que sois capaz de salvar a todos os homens.

23.Creio que sois advogada tão piedosa, que não rejeitais defender aos mais infelizes. Confesso com Santo André de Creta que sois a reconciliadora celestial dos homens.





24.Creio que sois a pacificadora entre Deus e os homens e que sois o chamariz divino para atrair os pecadores ao arrependimento, como Deus mesmo revelou a Santa Catarina de Sena. Como o ímã atrai o ferro, assim atraís Vós aos pecadores, como assegurastes a Santa Brígida. Vós sois toda olhos, e toda coração para ver nossas misérias, compadecer de nós e socorrer-nos.




25.Chamar-vos-ei, pois, com Santo Epifânio: “A cheia de olhos”. E isto confirma aquela visão de Santa Brígida, na qual Jesus lhe disse: “Pedi-me, Mãe, o que quiserdes”. E Vós lhe respondestes: “Peço misericórdia para os pecadores”.

26.Creio que a misericórdia divina que tivestes com os homens quando vivíeis sobre a terra, inata em Vós, agora no céu se vos aumentou na mesma proporção que o sol é maior que a lua, como opina São Boaventura. E que, assim como não há no firmamento e na terra corpo que não receba alguma luz do sol, tampouco há no céu nem na terra alma que não participe de vossa misericórdia.

27. Creio também com São Boaventura, que não só vos ofendem os que vos injuriam, mas também os que não vos pedem graças. Quem vos obsequia não se perderá, por pecador que seja; ao contrário, como assegura São Boaventura, quem não é devoto vosso, perecerá inevitavelmente. Vossa devoção é o ingresso do céu, direi com Santo Efrém.



28.Creio que, como revelastes a Santa Brígida, sois a Mãe das almas do purgatório, e que suas penas são abrandadas por vossas orações. Portanto afirmo com Santo Afonso que são muito afortunados vossos devotos e com São Bernardino que Vós livrais a vossos devotos das chamas do pur




29.Creio que Vós, quando subíeis ao céu, pedistes, e obtivestes sem nenhuma dúvida, levar convosco ao céu todas as almas que então se achavam no purgatório. Creio também que, como prometestes ao Papa João XXII, livrais do purgatório no sábado seguinte à sua morte aos que portarem vosso escapulário do Carmo. Mas vosso poder vai introduzindo no céu a quantos queirais. Por Vós se enche o céu e fica vazio o inferno.


30.Creio que os que se apoiam em Vós não cairão em pecado, que os que vos honram alcançarão a vida eterna. Vós sois o piloto celestial, que conduzis ao porto da glória a vossos devotos na nacela de vossa proteção, como dissestes a Santa Maria Madalena de Pazzi. Afirmo o que assegura São Bernardo: O professar-vos devoção é sinal certo de predestinação, e também a afirmação do abade Guerrico: Quem vos tem um amor sincero, pode estar tão certo de ir ao céu, como se já estivesse nele.

31.Creio com Santo Agostinho que não há santo tão compassivo como Vós: dais mais do que se vos pede; vais em busca do necessitado, buscais a quem salvar: Muitas vezes salvais aos mesmos que a justiça de vosso Filho está a ponto de condenar, como ensina o Abade de Celes. Portanto, estou convencido da verdade que se contém na visão que teve Santa Brígida: Jesus vos dizia: “Se não se interpusessem vossas orações, não haveria neste caso nem esperança nem misericórdia”. Opino também com São Fulgêncio, que se não fosse por Vós, a terra e o céu teriam sido destruídos por Deus.


32.Creio, como revelastes a Santa Mechtildes, que éreis tão humilde que, apesar de ver-vos enriquecida de dons e graças celestiais inumeráveis, não vos preferiríeis a ninguém. E que, como dissestes a Santa Isabel, Beneditina, vos julgáveis vilíssima serva de Deus e indigna de sua graça.

33.Creio que por vossa humildade, ocultastes de São José vossa maternidade, ainda que aparentemente parecesse necessário manifestá-la, e que servistes a Santa Isabel e que na terra buscastes sempre o último lugar.

34.Creio que, como revelastes a Santa Brígida, tivestes tão baixo conceito de Vós mesma porque sabíeis que tudo havíeis recebido de Deus, por isso em nada buscastes vossa glória, mas a de Deus unicamente.

35.Creio com São Bernardo que nenhuma criatura do mundo é comparável convosco em humildade.

36.Creio que o fogo do amor, que ardia em vosso coração para com Deus era de tanto calor, que num instante poderia acender em fogo e consumir o céu e a terra, e que em comparação com vosso amor, o dos santos era frio.

37.Creio que cumpristes com perfeição o preceito do Senhor “Amar a Deus”, e que desde o primeiro instante de vossa existência, vosso amor a Deus foi superior ao de todos os anjos e serafins.

38.Creio que devido a este intenso amor vosso a Deus, jamais fostes tentada, e que nunca tivestes um pensamento que não fosse para Deus, nem dissestes palavra que não fosse dirigida a Deus.


39.Creio com Suárez, Ruperto, São Bernardino e Santo Ambrósio, que vosso coração amava a Deus, ainda quando vosso corpo repousava, de maneira que se vos pode aplicar o que diz a Sagrada Escritura: “eu durmo, mas meu coração vela”, e que enquanto vivíeis na terra, vosso amor a Deus nunca foi interrompido.



40.Creio que amastes ao próximo com tal perfeição, que não haverá quem o tenha amado mais, excetuando vosso Filho. E que ainda que se reunisse o amor de todas as mães para com seus filhos, dos esposos e esposas entre si, de todos os santos e anjos do céu, seria este amor inferior ao que Vós professais a uma só alma.




41.Creio que tivestes, como diz Suárez, mais fé que todos os Anjos e Santos juntos: ainda quando duvidaram os Apóstolos, Vós não vacilastes. Chamar-vos-ei, pois, com São Cirilo, “Centro da fé ortodoxa”.

42.Creio que sois a Mãe da Santa Esperança e modelo perfeito de confiança em Deus. Que fostes mortificadíssima, tanto que, como dizem Santo Epifânio e São João Damasceno, tivestes sempre o olhar abaixado, sem fixá-los jamais em pessoa alguma.

43.Creio no que dissestes a Santa Isabel, Beneditina: que não tivestes nenhuma virtude sem haver trabalhado para possuí-la, e com Santa Brígida creio que compartistes todas as vossas coisas entre os pobres, sem reservar-vos para Vós mais que o estritamente necessário.

44.Creio que desprezáveis as riquezas mundanas.

45.Creio que fizestes voto de pobreza.

46. Creio que vossa dignidade é superior a todos os anjos e santos e que é tanta vossa perfeição, que só Deus pode conhecê-la.

47.Creio que depois de Deus, é ser Mãe de Deus, e que, portanto, não pudestes estar mais unida a Deus sem ser o próprio Deus, como dizia Santo Alberto.

48.Creio que a dignidade de Mãe de Deus é infinita e única em seu gênero e que nenhuma criatura pode subir mais alto. Deus poderia haver criado um mundo maior, mas não pôde haver formado criatura mais perfeita que Vós.

49.Creio que Deus vos há enriquecido com todas as graças e dons gerais e particulares que conferiu a todas as demais criaturas juntas.

50. Creio que vossa beleza sobrepassa a de todos os homens e os Anjos, como revelou o Senhor a Santa Brígida.

51.Creio que vossa beleza afugentava todo movimento de impureza e inspirava pensamentos castos.

52. Creio que fostes menina, mas, de menina só tivestes a inocência, não os defeitos da infantilidade.

53.Creio que fostes virgem antes de dar a luz, ao dar a luz e depois de dar a luz; fostes mãe sem a esterilidade da virgem, sem deixar por isso de ser virgem. Trabalháveis, mas sem que a ação distraísse; oráveis, mas sem descuidar de vossas ocupações. Morrestes, mas sem angústia, nem dor nem corrupção de vosso corpo.


54.Creio que, como ensina Santo Alberto, fostes a primeira a oferecer, sem conselho de ninguém, vossa virgindade, dando exemplo a todas as virgens, que vos hão imitado, e que Vós, diante de todas, portais o estandarte desta virtude. Por Vós se manteve virgem vosso castíssimo esposo, São José.






55.Creio também que estáveis resolvida a renunciar à dignidade de Mãe de Deus, antes que perder vossa virgindade. Direi com o Beato Alano de la Roche, que praticar a devoção de saudar-te sempre com a Ave-Maria com o Rosário é um magnífico sinal de predestinação para a Glória.















domingo, 2 de junho de 2019

Servo de Deus Juan González Arintero (Padre Arintero) , presbítero dominicano, apóstolo do amor misericordioso e diretor espiritual de muitas almas santas.



O P. Juan González Arintero (1860-1928), um frade dominicano de Salamanca, na Espanha, é conhecido, sobretudo como restaurador da mística tradicional, com seu grande livro intitulado “La Evolución Mística” (Salamanca 1908). Mas hoje, quero vos apresentar o P. Arintero como Apóstolo do Amor Misericordioso.
Mas, isso nos obriga a recuperar para história da Igreja do século XX, uma monja visitandina, Teresa Desandais (1876-1943), francesa que é a origem da devoção ao Amor Misericordioso, atualização do culto ao Sagrado Coração de Jesus.
Fruto estupendo dessa obra é a Beata Madre Esperança de Jesus (1893-1983), com seu famoso Santuário do Amor Misericordioso em Collevalenza (Perugia. Italia).
Em concreto, o P. Arintero foi o escolhido pela Providência Divina para fazer ressoar esta devoção e essa doutrina do Amor Misericordioso, sobretudo mediante a revista “La Vida Sobrenatural”, por ele fundada em 1921.




Servo de Deus Padre Arintero, O.P.

O P. Arintero nasceu em Lugueros, um pequeno povoado nas montanhas de Léon (Espanha), em 24 de junho de 1860. As pessoas das montanhas leonesas, dedicadas à agricultura e aà colheita, é indômita, tenaz, austera, prudente, enérgica, sóbria e muito religiosa. O clima é duro.

Arintero, depois de três anos passados na preceptoria de Boñar, chegou com 15 anos no Convento dos Frades Dominicanos de Corias (Asturias), em 14 de julho de 1875; nesse convento foi restabelecida a vida dominicana, depois da exclaustração dos religiosos espanhóis de 1834, no mesmo dia do nascimento de Arintero.

O jovem Juan começou o postulantado exercitando-se no latim e nas obras de piedade cristã. Em 10 de setembro de 1875 tomou o hábito de frade dominicano e dedicou o ano do noviciado a aprender de memória a Regra de Santo Agostinho e o estudo das Constituições da Ordem dos Dominicanos, as rubricas litúrgicas do rito próprio, o canto gregoriano e a prática dos exercícios piedosos.

Em 10 de setembro de 1876 fez a profissão religiosa simples, começando os estudos de filosofia e teologia. Em 20 de setembro de 1879 fez a profissão solene prometendo a Deus viver a vida religiosa segundo o espírito de São Domingos de Gusmão usque ad mortem.

No começo de agosto de 1881, encontramos o jovem Frei Arintero no celebérrimo convento de Santo Estevão de Salamanca; faltava-lhe um ano para finalizar os estudos de teologia; contudo, naquele momento, era necessário que alguns frades dominicanos alcançassem o doutorado em ciências naturais para a manutenção dos colégios próprios.

No convento de Salamanca habitava uma comunidade de dominicanos, integrada por alguns religiosos franceses de Toulouse, expulsos de seu país em 1880, e outros poucos religiosos espanhóis. O estudante Frei Arintero, aplicado nos estudos, fervoroso na oração e afável na vida comum, era apreciado por seus companheiros de universidade por sua dedicação e por sua boa índole pessoal, mas, não brilhante, porque carecia de uma fácil expressão verbal e era propenso à surdez. Passados cinco anos, obteve o doutorado na Faculdade de Ciências Físico-Químicas com um bom resultado. Em Salamanca, foi ordenado nas têmporas de setembro de 1883; tinha 23 anos.

No final de setembro de 1886, Arintero, terminados os estudos universitários, se encontrava no Colégio de Vergara (Guipúzcoa) onde ensinou diversas disciplinas de Ciências Naturais e cuidava do Museu de História Natural. Arintero, religioso científico, pensava que era urgente abandonar certas questões escolásticas e dedicar-se àquelas questões de atualidade que servem para defender a fé. Era um apologista e sonhava com cristianizar o tema da evolução.

Em 1892, foi destinado ao convento de Corias como professor de Ciências Naturais dos estudantes dominicanos filósofos; foi um destino providencial, pois, nomeado confessor das monjas dominicanas de Cangas de Narcea, em 1895, ali conheceu a Irmã Pilar Fernández Berdasco, uma noviça que faleceu três anos depois, em 29 de junho de 1898, graças a quem o Padre Arintero ficou fascinado pelo mundo da mística. Também nesses anos passados em Corias, Arintero advertiu que era necessário vencer seu temperamento que beirava a teimosia; era um “cabeça dura” (sic).

Em 1898, o P. Arintero foi destinado a Salamanca como professor de Apologética e depois, também, de Eclesiologia (os lugares teológicos de então); no convento de Santo Estevão já não residiam os frades dominicanos franceses, regressados à França em 1886, senão, um grupo numeroso de estudantes dominicanos teólogos desde 1892. Esse novo trabalho teológico lhe permitiu a entrada no mundo da teologia.

Em 1900, o P. Arintero é destinado ao convento de Valladolid, pois, o capítulo provincial daquele ano, ocorrido em Vergara, decidiu fundar um Centro de Estudos Superiores em Valladolid com uma finalidade apologética. Com a mesma intenção, o P. Arintero organizou em Valladolid a Academia de Santo Tomás. Mas, seu espírito girava, já não somente em torno da apologética, senão, também, em torno da vida mística, depois do conhecimento de algumas almas espirituais e da leitura do livro de Henri Joly (1839-1925): “La Psichologie des Saints” (Paris, 1897).

Em 1902 encontramos o P. Arintero de novo em Salamanca como professor de Apologética e Propedêutica, e, depois, de Sagrada Escritura. Na primavera de 1904, viajou à Itália para assistir ao capítulo geral de Viterbo, no convento da Virgem de la Quercia, como sócio do definidor, onde foi eleito Mestre Geral da Ordem o P. Jacinto Cormier, a quem havia conhecido em Salamanca.

Em 1908, o P. Arintero não somente foi honrado com o título de Mestre em Sagrada Teologia, senão também foi impresso o terceiro volume de sua obra mestra “El Desenvolvimiento y Vitalidad de la Iglesia”, “La Evolución Mística”, em cujas páginas mostra o desenvolvimento da expansão prodigiosa da divina graça nas almas.

A Ordem dos Frades Dominicanos inaugurou o Colégio Internacional Angelicum de Roma em 1909 e o P. Arintero foi chamado como professor de Eclesiologia. Mas, no final do primeiro ano de docência foi bruscamente despedido. Qual o motivo? Era suspeito de modernismo. Seu entusiasmo pela evolução mística foi motivo de contraste com alguns frades do Angélico.

O P. Arintero regressou, pois, à Espanha como delegado do Mestre Geral por motivo da festa de 50 aniversário da fundação do convento de Corias, no outono de 1910. E no princípio de 1911 foi designado de novo ao convento de Salamanca, onde permanecerá até sua morte. Mas, o ano de 1911 foi um calvário moral e físico para ele; inclusive, adoeceu gravemente. Os críticos foram seus próprios irmãos dominicanos, por exemplo, o P. Norberto del Prado, com um artigo na El Santíssimo Rosario 26 (1911) 706-714 e P. Emilio Colunga na revista La Ciencia Tomista 4 (1911) 175-177. Seus defensores foram, em Roma, seu grande amigo o P. Reginaldo Garrigou-Lagrange e, na, Espanha o P. Graín, com um artigo na La Ciencia Tomista 5 (1912) 74-76. Em 07 de junho de 1912, escrevia o P. Garrigou Lagrange ao P. Arintero: “No que se refere ao Index, vós podeis estar tranquilo. Por uma fonte seguríssima soube que no Index responderá que seu livro não pode ser condenado”.

Desde 1912 até 1918 foram seus últimos anos de magistério como professor de Exegese Bíblica em Salamanca. No estudo da Sagrada Bíblica, sem abandonar seu sentido crítico, ao final foi para ele um convite a buscar sempre o sentido místico da Palavra de Deus, que se converte em resplendor da vida eterna.  Em 1918, os superiores o liberaram do magistério e o P. Arintero pode dedicar-se por inteiro a suas coisas, a saber: a Deus e às almas.
A vida espiritual, na teoria e na prática, e a direção espiritual foram seus compromissos principais. O P. Arintero amava as almas e trabalhava para que recuperassem seu resplendor na presença de Deus. Foi diretor espiritual das monjas: Madre Maria Amparo do Sagrado Coração, clarissa e da Madre Maria Madalena de Jesus Sacramentado, passionista, conhecida com o pseudônimo de J. Pastor.

Conheceu também o pensador hispanista Ramiro de Maeztu em uma conferência sobre vida espiritual pronunciada por ele em Bilbao. Neste contexto, vale a pena recordar o encontro entre o Padre Arintero e Dom Miguel de Unamuno no Monte Olivete, no jardim do Convento de Santo Estevão de Salamanca: “D. Miguel, vós buscais a Deus pelo caminho da soberba. Mas, recorde que Deus resiste aos soberbos e se revela aos humildes. Bem, D. Miguel, quando decidir mudar de postura, volte a mim e estarei contentíssimo em acolhê-lo. Enquanto não, estamos aqui para perder tempo”.

Eis aqui os três amores do P. Arintero nos últimos anos de sua vida: a fundação do mosteiro de Clarissas de Cantalapiedra (Salamanca, 1920) com a M. Amparo; a revista “La Vida Sobrenatural” (Salamanca, 1921) e a Obra do Amor Misericordioso (Salamanca, 1922)

A Madre Amparo, nascida em Cantalapiedra em 30 de outubro de 1889, depois de uma experiência falida no mosteiro cisterciense de Arévalo (Ávila), entrou no mosteiro do Corpus Christi das clarissas de Salamanca, em 19 de maio de 1913, e já durante o noviciado se sentia impulsionada interiormente a fundar um mosteiro de estrita observância dedicado ao Sagrado Coração.

A M. Amparo desanimou diante de tantas dificuldades, mas achou sempre no P. Arintero um apoio moral. Finalmente, em 30 de maio de 1920, a M. Amparo com outra professa, uma noviça e uma aspirante conversa, acompanhadas pelo P. Arintero, chegaram a Cantalapiedra para fundar o novo mosteiro, sendo recebidos pelo senhor pároco. Apenas um mês antes de sua morte, em 24 de janeiro de 1928, o P. Arintero visitou pela última vez seu mosteiro, manifestando o desejo de repousar entre suas filhas. No mês de novembro de 1939, o bispo de Salamanca, escutando muitas críticas contra o mosteiro, fez pessoalmente a visita canônica e observando que tudo estava em ordem, disse: “verdadeiramente esta é a casa do Sagrado Coração”.
O P. Arintero foi sempre corajoso na defesa da verdade e da verdadeira vida mística; primeiro, colaborou na fundação da revista “La Ciencia Tomista” em 1910, e no mês de janeiro de 1921 teve entre suas mãos o primeiro número da “La Vida Sobrenatural”, cuja finalidade era ensinar às almas a vida de santidade; um apostolado universal, desenvolvido tanto pelo clero religioso como pelo clero secular e, inclusive, por um grupo de leigos competentes. A revista foi a pupila de seus olhos até a morte. No ano de 1921, a administração da revista esteve em Bilbao, graças a um bom grupo de seus admiradores leigos, mas, desde 1922, a direção, a secretaria e a administração da revista estiveram sempre em Salamanca.

Os primeiros sinais da Obra do Amor Misericordioso chegaram ao P. Arintero em fevereiro de 1922, mediante um opúsculo intitulado em francês “Les Petites etincelles”, em português “Centelhas”, sob a misteriosa assinatura de P.M (Pequena Mão) enviado a ele por uma Senhorita chilena Elvira Ortúzar, que morava na França. Em 15 de fevereiro de 1923, Ortúzar manifestou ao P. Arintero a identidade da autora, uma monja francesa, da mesma família religiosa de S. Margarida Maria Alacoque e Benigna Consolata, visitandina de Como (Italia), a secretária do Sagrado Coração, cujo nome era M. Maria Teresa Desandais (1876-1943).



O Padre Arintero e uma geração de Santos
A santidade foi a paixão, o motor da vida do Padre Arintero. A união com Deus foi o desejo mais profundo de sua alma. Toda sua obra escrita, mas também seu trabalho como diretor de almas, foi consagrada a “preparar os caminhos do Senhor”.
 Sua santidade, foi de alguma maneira, paternal. Deus lhe deu numerosos filhos e filhas espirituais[1], ou santas colaboradores, tal como a Madre Esperança de Jesus (1893-1983), fundadora do Santuário do Amor Misericordioso em Collevalenza (Itália), que foi beatificada em 31 de maio de 2014. Mas muitos outros exemplos podem ser acrescentados, como os que seguem:







Duas jovens

Sua descoberta da teologia mística esteve ligada a direção das monjas dominicanas de Cangas de Narcea [nas Astúrias, na Espanha] e particularmente da Irmã Pilar Fernández Berdasco, que morreu com só vinte e quatro anos. Sua descoberta da mística, cara a cara, foi para ele uma revelação, um chamado de Deus.

Mas tarde, ele encontrou àquela que foi chamada la Santina, Irmã Maria da Rainha dos Apóstolos, da Sociedade de Maria Reparadora, morta ela também com 24 anos. Ele acompanhou essa alma oferecida à Deus, em sua dolorosa noite, até a União. Essa jovem, que ele conheceu desde sua infância, e a obra da graça em sua alma, tocaram profundamente o Padre Arinteiro. Ele foi testemunha de seu profundo amor a Deus. Em toda sua obra escrita, ele faz várias referências a essa jovem religiosa.




 A italiana
A Venerável Madre Madalena de Jesus Sacramentado é certamente a maior escritora mística passionista do século XX, pela importância de sua obra escrita e pela variedade de estilos: artigos de espiritualidade publicados na Revista “La Vida Sobrenatural”, seus escritos íntimos, suas biografias e ainda muitos outros escritos .

Ela foi profundamente marcada pelo ambiente espiritual do mosteiro passionista de Lucca [na Toscana, na Itália], na qual entrou na vida religiosa, pela memória de Santa Gema Galgani (1878-1903), pela direção espiritual do Venerável Padre Germano de Santo Estanislau e a formação da Madre Josefa.

Na Espanha, ela encontrou no Padre Arintero, que foi o mesmo tempo, seu pai espiritual e o irmão de sua alma. Essa união foi tão forte que, em seus escritos, ela assina: “Passionista-dominicana”. O Padre Arintero abriu sua alma ao caminho que Deus tinha para ela, seu caminho de “Apóstola do Amor” e como escritora.

Ele a conduziu, não por seus próprios caminhos, mas pelos caminhos que Deus tinha traçado para ela. E ela mesma ajudou ao Padre Arintero a crescer nessa vida do Amor: “Minha missão sobre a terra e no céu será pedir pela santificação das almas”,  escreve ela. A Santidade é Amor, esse é o moto centro da espiritualidade da Madre Madalena.

Essas duas almas se uniram em um mesmo ideal: fazer conhecer a vocação universal a santidade. Ela escreveu em seu Testamento espiritual: “Todos os átomos do meu pobre ser sejam outras tantas vozes que gritam: Amor, Amor, Amor! Deus é amor.” Seu processo de beatificação está bem avançado. Após a declaração da heroicidade de suas virtudes, esperamos senão um milagre para beatificação.



A fundadora

A Venerável Madre Amparo do Sagrado Coração (1889-1941) foi uma das maiores místicas espanholas do século XX, e certamente uma das figuras mais importantes da Ordem de Santa Clara.

Alma chamada à grande união com Deus, após um doloroso período de busca de Sua vontade, entrou no mosteiro do Corpus Christi de Salamanca.

Ela teve que superar numerosas provas, e uma das mais difíceis foi a total incompreensão de que foi objeto. Ela encontrou o Padre Arintero durante um período muito difícil. Ele foi seu Pai espiritual, conduzindo-a no caminho da União. Madre Amparo viveu um caminho espiritual cheio de graças extraordinários, que ela soube sempre ocultar, tais como sua união a Paixão de Cristo, isto é, os estigmas.

O Padre Arintero foi, com a Madre Amparo, co-fundador do Mosteiro do Sagrado Coração de Cantalapiedra (Salamanca): um fundador dominicano de um mosteiro de clarissas. Esse mosteiro foi desejado por Nosso Senhor para oração, adoração e reparação. Ainda hoje, acolhe muitas vocações. As religiosas são atualmente cinquenta e cinco.

O Padre Arintero procurava simplesmente a vontade de Deus. Tal foi a união do Padre Arintero com esse mosteiro, que é onde se encontra seu sepulcro, ao lado da Venerável Madre Amparo. Após a declaração das virtudes heroicas dessa, esperamos igualmente somente um milagre para sua beatificação.



Os Santos

Uma das principais características do pensamento do Padre Arintero foi sua compreensão do papel da intuição dos santos para o desenvolvimento teológico. Em suas obras, ele cita abundantemente os grandes teólogos, mas também os grandes santos e santos e os grandes místicos.

Como diretor espiritual e como pregador de retiros, teve ocasião de encontrar muitas almas santas, como as que dissemos. Ele tirou do esquecimento numerosas figuras da tradição mística, mas igualmente estudou numerosas figuras contemporâneas. Muitas de seus filhos e filhas, nos claustros ou no mundo, foram publicados por ele sob um pseudônimo.



A Visitação
O Padre Arinterio teve vínculos muito estreitos com a Ordem da Visitação, seja como diretor espiritual, seja como propagador de sua espiritualidade. Em particular, foi propagador, na Espanha, da espiritualidade da Serva de Deus Irmã Benigna Consolata, visitandina italiana (1885-1916), que recebeu numerosas comunicações de Jesus. Esses foram publicados sob o título de Vade-mecum, com o pseudônimo [sugerido pelo próprio Jesus]: um Piedoso autor.




Uma atenção toda particular deve ser consagrada a Madre Maria Teresa Desandais (1876-1943) e a Obra do Amor Misericordioso. Essa mística visitandina francesa, de fato, influenciou muito a vida e os escritos do Padre Arintero, sobre o tema da Misericórdia e sobre aquele de Maria Medianeira.











A concepcionista
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A Serva de Deus Madre Maria dos Anjos Sorazu y Aizpurúa (1873-1921), religiosa da Ordem da Imaculada Conceição, foi uma das maiores místicas do século XX.

Seus escritos foram comparados por D. Baldomero Jiménez Duque (1911-2007), ele mesmo considerado como uma das figuras mais importantes da espiritualidade de nosso tempo, aos textos de Santa Teresa de Ávila e de São João da Cruz. Ela é, diz ele, “sem disputa, o caso mais interessante da escritora mística da Espanha no tempo atual e uma das primeiras de todos os tempos” [in Revista Española de Teología, 12 (1952), p. 299].

“ A experiência espiritual da Madre Sorazu – segundo o P. M. Llamera, o.p. – é  mais importante que conhecemos desde Santa Teresa de Jesus até nosso dias” [in “Teología espiritual” 7 (1959), p. 166].

Ela foi filha espiritual do Padre Mariano de Vega de Espinareda (1871-1946), capuchinho, grande diretor espiritual, que dirigiu igualmente a Madre Celina do Menino Jesus (1910-1962), clarissa, cujo processo de beatificação foi aberto em 15 de novembro de 2012, pelo bispo de Astorga (Espanha).

Após diversas dificuldades e mal-entendidos, essa direção entre o Padre Mariano de Vega e a Madre Sorazu, foi interrompida contra a vontade deles. Ela se volta ao Padre Arintero a fim de pedir-lhe conselho.

O Padre Arintero a conhecia e admirava. Um dia, ele lhe entrega sua obra intitulada Cuestiones Místicas. À leitura do Prólogo desse livro, ela considerou que era necessário acrescentar um apêndice sobre a falsa mística, a fim de ajudar as almas. O Padre Arintero, convencido, então a convidou a escrever sobre esse tempo. Entretanto, ela não o fez.

O Padre Arintero escreveu o prólogo da edição da La Ovejita de Maria Inmaculada, um pequeno escrito sobre a vida religiosa e a consagração mariana.

A Madre Sorazu foi uma mística mariana e trinitária, que recebeu grandes luzes sobre a vida unitiva. Seus escritos sobre a Santíssima Virgem foram recolhidos pelo P. Nazario Pérez, s.j., sob o título Opúsculos marianos (Valladolid 1929)

 O Padre Arintero utilizou muito, em citações, suas luzes sobre a Sagrada Escritura, em particular em seu grande comentário El Cantar de los Cantares, exposición mística (Ed. San Esteban, 1925, 634 p.). os principais comentários bíblicos da Madre Sorazu foram publicados com o título Exposición de varios pasajes de la Sagrada Escritura (Salamanca 1926).

Assim, cheio de méritos e virtudes, após uma vida de amizade com Deus, apostolado da vida de oração e da vida mística, de devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao seu Amor Misericordioso, após uma vida dedicada à salvação das almas e à direção espiritual de muitos almas unidas a Deus e santas, faleceu em Salamanca, Espanha, em 1928, aos 68 anos de idade.


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