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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

SÃO FAUSTINO MÍGUEZ (Faustino da Encarnação), Presbítero Escolápio (de São José Calasanz) e Fundador

          Hoje trazemos um santo espanhol que foi canonizado no mesmo dia dos nossos santos mártires de Cunhaú e Uruaçú, 15/10/2017, pelo Papa Francisco na Praça de São Pedro. 
      Esse novo santo, pertencente à família religiosa de São José de Calasanz, foi sensível aos apelos de seu tempo, dando atenção aos mais necessitados e especialmente à situação das mulheres, pelas quais fundou uma família religiosa, para que lhes promovesse a vida cristã e cidadã, de maneira mais digna para a mulher daquele tempo. 
            Ainda hoje a missão de São Faustino Míguez se faz muito necessária, para resgatar a dignidade e valor da mulher em sua feminilidade, característica única desse belo ser criado por Deus. 
         Além disso, o Pe. Faustino da Encarnação, seu nome de religioso, dedicou-se muito aos estudos, destacando-se no conhecimento de plantas medicinais, com o qual muito ajudou as pessoas em suas enfermidades. Sua vida de oração foi intensa, louvando sempre ao mistério que acompanha seu nome, a Encarnação do Verbo de Deus.



 BIOGRAFIA

FAUSTINO MÍGUEZ nasceu em Xamirás, uma aldeia de Acebedo del Rio, Celanova, na província de Orense (Espanha), a 24 de março de 1831, sendo o quarto filho do casal Benito Miguez e Maria Gonzalez, agricultores pobres e cristãos. A sua família era profundamente cristã e trabalhadora, propiciando-lhe um ambiente de fé, onde aprendeu a oração e o amor a Maria, a solidariedade com os necessitados e a responsabilidade no trabalho. Foi batizado com o nome de Miguel e assumiu o nome de Faustino da Encarnação ao ser consagrado sacerdote. A sua vida transcorreu como a de todos da sua idade, dividida entre os estudos, o trabalho rural, o encontro com os amigos, a família e as orações. Na escola de S. José de Calasanz seguiu Cristo, dedicando-se à educação. Como Padre das Escolas Pias aplicou-se todos os dias ao serviço da infância e da juventude.
Estudou latim e ciências humanas no Santuário de Nossa Senhora dos Milagres, em Orense, no qual se sentiu chamado por Deus para se tornar sacerdote e professor segundo o espírito de São José Calazans. No ano de 1850 ingressou no Noviciado das Escolas Pias de São Fernando, em Madrid, onde tomou o hábito, professou os seus votos perpétuos e se ordenou sacerdote, em 1856.
Durante alguns anos, padre Miguez desenvolveu seu apostolado em Cuba, no Colégio de Guanabacoa, onde começou a se entusiasmar pelos estudos de Botânica e a se dedicar a uma atividade que, com o tempo, viria a se constituir em uma de suas ocupações prediletas: a produção e distribuição de ervas medicinais, que curavam múltiplas doenças e com as quais recuperou importantes personalidades da sua época.
Sempre atento às necessidades das pessoas, tomou contato com a realidade vital do povo, participou nos seus problemas, sofrimentos e enfermidades, e respondeu-lhes na medida das suas forças. Dada a sua vocação científica, procurou também com este seu talento socorrer a humanidade abatida por tantos sofrimentos físicos e, a exemplo do Mestre divino, preocupou-se da saúde tanto da alma como do corpo.
Depois, retornou à Espanha, e como padre escolápio (religiosos e leigos de São José Calasanz), lecionou em muitas escolas das mais variadas dioceses do país. Nos cinquenta anos de magistério, quis sempre ocupar o lugar comum de professor, sem cargos de destaque, para se dedicar diretamente na formação e instrução das crianças e jovens. Em algumas ocasiões chegou a ser o diretor dos alunos internos, para os quais foi amigo, pai, companheiro e conselheiro. Escreveu vários livros de fácil compreensão, sobre ciências naturais e botânica. Como sacerdote escolheu o ministério do confessionário se tornando diretor espiritual de muitos paroquianos.
Ao mesmo tempo, para ajudar os doentes se dedicou à preparação de produtos fitoterapêuticos, com os quais obteve curas surpreendentes. Enfrentou muitos opositores, entretanto, muitos o procuravam porque já haviam sido curados pelas propriedades das ervas que ele indicara. Após as polêmicas e oposições, doze medicamentos foram aprovados pela Diretoria Geral da Sanidade Pública e vendidos nas farmácias.
Transferido para a diocese de Getafe, padre Faustino fundou para o bem da humanidade, o Instituto Miguez, com a aprovação do Vaticano, passando a cultivar e a produzir os medicamentos aprovados. Com isto, trouxe muitas divisas para a Ordem. Em Sanlúcar de Barrameda, na Galiza, constatou a ignorância e o abandono em que vivia a mulher e a marginalização que existia no campo educativo. Convicto da importância da mulher na família e na sociedade, e animado do mesmo espírito que tinha impelido S. José de Calasanz, fundou em 1875 o Instituto Calasanziano das Filhas da Divina Pastora, dedicado à promoção humana e cristã das meninas, especialmente das mais pobres, a fim de que, guiadas desde a mais tenra idade, chegassem a ser, dizia, boas cristãs, boas filhas, boas esposas e boas mães e membros úteis para a sociedade, da qual devem formar a parte mais interessante.


Morreu em Getafe, aos 94 anos de idade, no dia 8 de março de 1925. A sua longa vida consagrada totalmente ao Senhor, a quem amou sobre todas as coisas, foi um contínuo ato de fé e de aceitação da Sua vontade em todos os momentos. Deixou-se modelar por Deus e só procurou a Sua glória. Amou o Instituto das Escolas Pias e procurou viver com radicalidade e autenticidade a sua vida religiosa. Padre Faustino Miguez, foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em 1998. A sua festa litúrgica ocorre no dia de sua morte. Sua canonização se deu no dia 15 de outubro de 2017, junto com os santos mártires de Cunhaú e Uruaçú, Brasil.

«Quem se humilha será exaltado» (Lc 18, 14). Ao elevar à glória dos altares o sacerdote escolápio Faustino Míguez, cumprem-se estas palavras de Jesus que escutamos no Evangelho. O novo Beato, renunciando às próprias ambições, seguiu Jesus Mestre e consagrou a sua vida à educação das crianças e dos jovens, conforme o estilo de São José de Calasanz. Como educador, a sua meta foi a formação integral da pessoa. Como sacerdote, buscou sem cessar a santidade das almas. Como cientista, quis aliviar a enfermidade libertando a humanidade que sofre no corpo. Na escola e na rua, no confessionário e no laboratório, o Padre Faustino Míguez foi sempre transparência de Cristo, que acolhe, perdoa e anima.


Trecho da Homilia de Beatificação – Papa São João Paulo II – 25 de outubro de 1998

«Homem do povo e para o povo», nada nem ninguém lhe esteve alheio. Constatou a situação de ignorância e marginalização em que vivia a mulher, a quem considerava a «alma da família e a parte mais interessante da sociedade ». Com a finalidade de a guiar desde a infância pelo caminho da promoção humana e cristã, fundou o Instituto Calasanziano das Filhas da Divina Pastora, dirigido para a educação das meninas na piedade e nas letras.
O seu exemplo luminoso, entretecido de oração, estudo e apostolado, prolonga-se hoje no testemunho das suas filhas e de tantos educadores que trabalham com denodo e alegria, para gravar a imagem de Jesus na inteligência e no coração da juventude.



Sobre a celebração de sua canonização



Um dos momentos mais emocionantes da celebração para quase dois mil peregrinos calasâncios foi a leitura do Breve Pontifício por meio do qual o Papa inscreve oficialmente no Catálogo dos Santos o Pe. Faustino:
"Em homenagem à Santíssima Trindade, para exaltar a fé católica e o crescimento da vida cristã, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, os Santos Apóstolos Pedro e Paulo e a Virgem, depois de ter refletido longamente, invocando, muitas vezes, a ajuda divina e ouvindo o parecer de inúmeros irmãos no Episcopado, declaramos e definimos Santos os Beatos Faustino Míguez (...) e os inscrevemos no catálogo dos Santos, e estabelecemos que, em toda a Igreja, sejam devidamente honrados entre eles. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo."
Com a benção final, os peregrinos da Praça de São Pedro explodiram, exultando de alegria, em aplausos e cantos. Agora podemos dizer: SÃO FAUSTINO MÍGUEZ, ROGAI POR NÓS!


Sugestões de Vídeo sobre São Faustino Míguez:





quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Beato Teofilius Matulionis, Bispo e Mártir (URSS, 1962).


Enviado ao “gulag” e assassinado pela KGB (polícia secreta do regime soviético): assim era o arcebispo lituano que recentemente beatificado: Dom Teofilius Matulionis.

Os católicos lituanos estão em festa pela beatificação do primeiro mártir da época comunista reconhecido pela Igreja. Se trata do arcebispo Dom Teofilius Matulionis, assassinado em 1962 por injeção com veneno e após haver sido perseguido e encarcerado durante anos pelas autoridades soviéticas.

A Lituânia é um grande país católico das repúblicas bálticas onde quase 80% da população pertence à Igreja Católica. Porém, durante décadas, igualmente com os ortodoxos e protestantes, sofreram a perseguição.

A cerimônia de beatificação aconteceu no dia 25 de junho, na capital, Vilnius. Participaram da cerimônia cerca de 30.000 pessoas.

Seu testemunho de firmeza e fidelidade a Deus é um exemplo para os jovens do país, aos quais lhes estão apresentando a figura do arcebispo Matulionis. O arcebispo de Vilnius relatou ao Catholic News Service que “além de ser nosso primeiro mártir da era soviética reconhecido pela Igreja universal, também se tornou o primeiro lituano beatificado em sua terra”.


Quem era este arcebispo tão incômodo aos comunistas?

Matulionis nasceu em 1873, na cidade de Kurodiskis, no noroeste da Lituânia. Foi ordenado sacerdote na cidade russa de San Petersburgo, em 1900, onde exerceu seu ministério até 1910, quando passou para a Letônia.







Foi encarcerado pelos comunistas russos em 1923, junto com o arcebispo Jan Cieplak e outros clérigos católicos. Três anos esteve na prisão. Seis anos depois de sua liberação, foi ordenado bispo em segredo e, pouco depois, foi enviado, sem julgamento ao “gulag” (prisão comunista) nas Ilhas Solovetskty, no Mar Branco.

Em um intercâmbio de prisioneiros, em 1933, Matulionis pode regressar à Lituânia onde ajudou a propagar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, no período que atuava como capelão militar.

Em 1943, foi nomeado pelo Papa bispo de Kaisadorys, porém, de novo foi detido em 1946 por negar-se a colaborar com os ocupantes soviéticos da Lituânia e foi enviado a distintas prisões, onde exercia em segredo o ministério episcopal até que foi liberado em 1956.



 



O convite ao Concílio Vaticano II pode ter sido sua sentença de morte.

Em 1962, São João XXIII o elevou ao cargo de arcebispo e lhe convidou a participar do Concílio Vaticano II, porém, as autoridades soviéticas lhe negaram a permissão para deixar a União Soviética. Em 20 de agosto desse mesmo ano, o arcebispo lituano morria depois que uma agente da KGB, que se fez passar por enfermeira, o envenenou com uma injeção letal, depois do mesmo ter sofrido um brutal espancamento em sua casa.

O arcebispo de Vilnius destacou que o beato ofereceu “seus sofrimentos pela conversão da Rússia” e destacou que o convite do Papa para assistir ao Concílio Vaticano II foi “a gota d’água” que fez que as autoridades soviéticas decretassem seu assassinato.


Peçamos ao glorioso Beato Teofilius Matulionis que, de novo e constantemente reze pela Rússia, que mais uma vez, está causando apreensão à comunidade internacional, graças a atitudes no mínimo preocupantes de seu atual presidente...

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai pela Rússia!
São Cirilo e São Metódio, rogai pela Rússia!
São Francisco Marto, rogai pela Rússia!
Santa Jacinta Marto, rogai pela Rússia!
Beato Teofilius Matulionis, rogai pela Rússia!

Todos os gloriosos mártires cristãos russos, rogai pela Rússia! 

domingo, 24 de dezembro de 2017

SANTA TERESA DO MENINO JESUS E DA SANTA FACE, Carmelita Descalça e Doutora da Igreja: PERFEITA ADORADORA DA INFÂNCIA DE JESUS.


      Acredito que praticamente todos os leitores de nosso site são conhecedores da imensa e terna devoção que Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face tinha pela divina Infância de Jesus. Sua espiritualidade, chamada de "Pequena Via" ou caminho da Infância Espiritual, foi toda baseada na contemplação que a Santa fazia deste imenso mistério de amor: um Deus que se fez carne: sendo gerado pelo Espírito Santo no ventre puríssimo da Virgem Maria, nascido pobre e indefeso em Belém de Judá e vivendo uma vida simples em Nazaré da Galileia.

       Hoje, noite do Natal do Senhor, trago algumas frases sobre o Menino Jesus ditas por esta que foi, no dizer do Papa São Pio X, a "maior santa dos tempos modernos": Santa Teresinha do Menino Jesus, que na sua simples, porém, profundíssima doutrina, tornou-se uma das poucas santas mulheres proclamadas pela Igreja com o título de "doutora". 






"Ó Menino Jesus, meu único Tesouro, eu me abandono a teus divinos caprichos, não quero outra alegria a não ser a de te fazer sorrir".

"Teresa do Menino Jesus da Santa Face, eis aí seus títulos de nobreza, sua riqueza e sua esperança". (MA.85v)

        "Pai eterno, vosso Filho único, o doce Menino Jesus é meu, pois vós mo destes".  (Or.13)








           "Desde algum tempo, eu me oferecera ao Menino Jesus para ser seu brinquedinho, dissera-lhe para não se  servir de mim como de um brinquedo de valor, que as crianças se contentam  em olhar sem ousar tocá-lo, mas como de uma bolinha sem nenhum valor que podia jogar no chão, pisar com o pé, furar, deixar em um canto ou, então, apertar sobre seu coração se isso lhe desse prazer"...  (MA.64r)


 "Eu sou a bolinha do Menino Jesus; se ele quiser quebrar seu brinquedo ele é livre; sim, quero tudo que ele quiser".   (CT.36)


"Quer ser  nesta terra
  O brinquedo do Menino divino?...
  Minha irmã, deseja agradar-lhe?
  Fique na sua mãozinha.

  Se o amável Menino a acaricia
  Se ele a aproxima do seu coração,
  E se, por vezes, ele a deixa
  De tudo faça sua felicidade.

  Procure sempre seus caprichos
  Você encantará os olhos divinos
  A partir de agora todas suas delícia
  Serão seus desejos infantis"... 









        "Na manhã do dia em que eu devia ir ao locutório, refletindo sozinha no meu leito, eu me perguntei que nome teria quando estivesse no Carmelo; sabia que havia uma Irmã Teresa de Jesus, contudo meu belo nome de Teresa não podia ser-me tirado. De repente, pensei no Menino Jesus, que amava tanto e me disse:  'Oh, como seria feliz chamar-me Teresa do Menino Jesus'"!   (MA.31r-31v)



"Aquele que alimenta os eleitos
 Com sua Santa e Divina Essência
 Se fez por vós o Menino Jesus
 Ele reclama vossa assistência
 No Céu sua felicidade é perfeita
 Mas na terra Ele é pobre.
 Dai, minha irmã, um pouco de Leite
 A Jesus, vosso Irmãozinho.
 Ele vos sorri
 E baixinho vos repete:
 'É a simplicidade que amo'" (RP.5,1v)






Quadro pintado por Santa Teresinha: o Divino
Menino sonha com sua Paixão e Morte,
causa da redenção das almas. 


         "Uma cruz! Uma lança! Uma coroa de espinhos!... Eis o que o Menino Jesus escolheu para mostrar à sua esposa quanto Ele a ama! Mas, não é ainda bastante, seu rosto infantil e tão belo, Ele o vê desfigurado, sangrento, irreconhecível! Jesus sabe bem que sua esposa O reconhecerá sempre, que ela estará a seu lado, quando todos o abandonarem, por isso o Menino Jesus sorri para essa imagem sangrenta".  (CT.156)








          "Durante esta provação, compreendi, melhor do que nunca, a provação da Santíssima Virgem e de São José procurando o Menino Jesus"... (MA.51r)








        "Que o divino Menino Jesus encontre em sua alma uma morada toda perfumada dos rosas do amor, que ele encontre ainda a lâmpada ardente da caridade fraterna, que aquecerá seus pequenos membros gelados, que alegrará seu pequeno coração, fazendo-lhe esquecer a ingratidão das almas, que não o amam bastante".   (CT.246)


"Como uma branca margarida
 Que olha sempre o céu
 Seja também a simples florzinha
 Do pequeno Menino de Natal"!  (PN.13,8)




         



    "Eu queria divertir o Menino Jesus, agradar-lhe, queria me entregar a seus caprichos infantis"...   (MA.64r)

"Não se esqueça de rezar por mim durante o mês do querido Menino Jesus, peça-lhe que eu permaneça pequena, bem pequena!... Farei por você a mesma oração, pois conheço seus desejos e sei que a humildade é a sua virtude preferida". (CT.154)



"Minha irmã, você quer saber
 O que deseja o Menino Jesus!
 Pois bem, eu vos direi esta noite
 Como você o fará sorrir.

 Pegue pássaros encantadores
 Faça-os voar no estábulo
 Eles são a imagem das crianças
 Que encantam o Verbo adorável"...
 (RP.5, 3)

"Vinde ao pobre estábulo
 Vossa alma é um cristal brilhante
 Refleti o Verbo adorável
 Os encantos do Deus feito criança". (RP.5,16)











sábado, 23 de dezembro de 2017

Beata Elias de São Clemente, Virgem Carmelita Descalça, falecida no dia de Natal



A vida de Irmã Elias nos deixa numa espécie de constrangimento pela sua simplicidade, na qual podemos ver uma profunda experiência de Deus e grande humanidade.

“O pensamento de que eu vivo para Ti, meu Deus, deve me fazer feliz em todos os eventos. Peço-Te, meu bom Jesus, com todo o meu coração a graça do desapego de todas as coisas deste mundo e viver apenas para Ti, de não desejar nada para mim, mas viver como se eu fosse sozinha no mundo. Dá-me graça, ó meu Deus, para penetrar nos segredos mais íntimos do teu Coração ardente, e viver aqui desconhecida para qualquer olhar humano vivo e até para mim mesma; Faça que eu aja conduzida diretamente por Ti, fale inspirada por Ti, viva de Teu respiro, e as batidas do meu coração se fundam com as batidas divinas do Teu”.


Terceira filha de Giuseppe Fracasso e Pasqua Cianci, a nova Beata nasceu no dia 17 de Janeiro de 1901, em Bari (Itália), e foi batizada com o nome de Teodora.

A sua família mantinha-se graças ao trabalho do pai, mestre pintor e decorador de edifícios. Considerados excelentes cristãos, os pais de Teodora representavam para ela e para os seus quatro irmãos um seguro ponto de referência no seu crescimento humano e espiritual.

Quando tinha cerca de cinco anos de idade, Teodora afirmou ter visto em sonho uma linda “Senhora” que passeava num campo coberto de lírios floridos e em seguida desapareceu num feixe de luz. Depois da sua mãe lhe ter explicado o possível significado da visão, a criança prometeu que quando crescesse se tornaria monja. Além disso, na véspera da sua primeira Comunhão, sonhou que Santa Teresa do Menino Jesus lhe predizia: “Serás monja como eu”.


Entrou na Associação da Beata Imelda Lambertini, Dominicana de acentuada piedade eucarística, e depois na “Milícia Angélica” de São Tomás de Aquino, reunindo-se periodicamente com as amigas para meditar e rezar, ler o Evangelho, a “Imitação de Cristo”, as vidas dos santos e em particular a autobiografia de Santa Teresinha.

Em 1914 foi introduzida na Terceira Ordem Dominicana como noviça, com o nome de Inês, e fez a profissão no ano seguinte, depois de ter recebido uma dispensa especial, por causa da sua jovem idade. Ampliou infinitamente o seu campo de apostolado, de catequese e de assistência, dando livre espaço ao seu profundo desejo de fazer o bem ao próximo; contudo, o seu coração aspirava por uma vida de clausura. 



Assim, sabiamente orientada pelo seu confessor, preparou-se com uma profunda espiritualidade para dar o novo passo e, em 1920, vestiu o hábito carmelita escolhendo o nome de Irmã Elias de São Clemente. No ano seguinte emitiu os votos simples seguindo, a exemplo de Santa Teresa do Menino Jesus, o “pequeno caminho da infância espiritual onde me sentia chamada pelo Senhor”. Fez a profissão solene em 1925.

No final de 1926 começa a sofrer uma dor de cabeça contínua e grave, a qual ela chamou de “irmãozinho” amado “Meu irmãozinho – escreve para o sacerdote que dirigia a sua alma – não me permite fazer longos discursos, muito menos ouvir. Como você vê, todas as coisas cooperam para me isolar cada vez mais de tudo e viver somente de Deus. Nada perturba a paz de minha alma. Tudo que eu preciso é uma alavanca para levantar-me a Ele. Não, Padre venerável, não me arrependo de ter consagrada uma vítima do Senhor.” Na verdade, era o começo de encefalite, que a levaria à morte. Sua doença foi quase despercebida, tratada como uma simples gripe. A Irmã Elias sofreu deste mal durante o ano inteiro e, na vigília de Natal, recebeu a visita de um médico, que só pôde constatar a irreversibilidade das suas condições de saúde (meningite e encefalite).

A nova Beata faleceu ao meio-dia de 25 de Dezembro, entrando no Céu como tinha previsto: “Morrerei num dia de festa”. A jovem Carmelita deixou em todos uma lembrança nostálgica, mas também um grande ensinamento: é necessário caminhar com alegria rumo ao Paraíso, porque este é o “Ponto Omega” de todo aquele que crê. Foi beatificada em 14 de março de 2006, pelo Papa Bento XVI.






ORAÇÃO
Deus todo-poderoso e eterno, que aceitastes comprazido a oblação que de si mesma vos fez a Beata Elias de São Clemente, virgem, concedei-nos, por sua intercessão, que, alimentados pelo Pão Eucarístico e iluminados pela luz da Vossa Palavra, cumpramos fielmente a Vossa santa vontade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo, Amem!

Fonte: "Coisas de Santos". 





quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Servo de Deus Salvador Rivera García, carmelita descalço, mais conhecido como "Padre Chavita".



Salvador Rivera García nasceu em Salvatierra (Guanajuato), México, em 27 de junho de 1934.

Em 10 de outubro de 1952, recebe o hábito de carmelita descalço com o nome de "Salvador do Imaculado Coração de Maria".

Em 29 de junho de 1960 é ordenado sacerdote. Estuda em Roma a licenciatura em Espiritualidade e, em 1965, é destinado à missão e El Salto (Durango).

Em 15 de maio de 1969, foi enviado pelos mestres do lugar a celebrar, com um dia de recreio no campo o dia do mestre. Ao atirar-se ao rio, sem dar-se conta de que se havia formado um banco de areia, padre "Chavita" (como era carinhosamente chamado) sofre uma dupla lesão de coluna, ficando tetraplégico, o que significa que não podia mover nem seus braços e nem suas pernas.

Depois de alguns anos de hospitalização e de desolação interior, participa da fundação da Fraternidade dos Enfermos e Limitados Físicos (1972), conhecida como "La Frater".





Fundará muitas "Frater" em distintas cidades do México e participará em congressos e atividades, promovendo sempre o espírito evangélico e dando aos deficientes físicos um papel ativo na missão evangelizadora da Igreja.

Em 1976, com uma saúde mais estável e em cadeira de rodas, chega a Guadalajara (Jalisco). Em Guadalajara e desde Guadalajara, apesar da severíssima limitação física, desenvolverá uma incrível atividade pastoral e apostólica: confessava, ditava correspondências, celebrava a Missa, saía a visitar enfermos, redigia temas para estudos, planejava e realizava retiros espirituais, assessorava a Fraternidade de Enfermos e Limitados Físicos, viajava... Em fim: não parava.

Aqui, como em todo o seu caminhar, tocou a muitos corações e propiciou mudanças profundas em muitas pessoas. .


Padre "Chavita" faleceu santamente, em Guadalajara (Jalisco) no dia 21 de dezembro de 1997, aos 63 anos.









sábado, 16 de dezembro de 2017

BEATO ARTEMIDES ZATTI, Religioso Salesiano e Enfermeiro

  


O que dava relevo a tudo isso e que imediatamente chamava a atenção dos que dele se aproximavam era a figura interior de Artêmides Zatti: a do discípulo de Cristo que vive em cada momento a sua consagração, na constante união com Deus e na real fraternidade evangélica. Segundo médicos que viveram ao lado dele por longos anos, em momentos profissionalmente delicados como os das longas cirurgias; segundo avaliações de colaboradores e cooperadores, e de palavras de administradores estatais, de testemunhos de coirmãos – emerge uma figura completa, também por aquele equilíbrio salesiano pelo qual as diferentes dimensões confluem numa personalidade harmônica, integrada, serena, aberta ao mistério de Deus vivido no cotidiano.


É admirável que, graças às empenhadas tarefas que o ocupavam, Artêmides Zatti não tenha nunca perdido o sentido da comunidade religiosa; antes, tenha sempre participado e gozado da oração cotidiana, dos momentos de fraternidade à mesa e das ocasiões de partilha da alegria de família, que nele se manifestava de modo todo especial. A comunidade salesiana foi para ele lugar de experiência de Deus e de fraternidade evangélica.

Experiência do Papa Francisco com o Beato Artêmides Zatti

No dia 18 de maio de 1986 foi dirigida ao Pe. Cayetano Bruno, SDB, uma carta que tinha por remetente o Pe. Jorge Mario Bergoglio, SJ. Conta a carta a experiência que o atual Papa Francisco fez com o Beato Salesiano Irmão Sr. Artêmides Zatti e relata como, por sua intercessão, a província argentina da Companhia de Jesus tenha visto um renascer em suas vocações para Irmão Coadjutor.

“Apresento uma referência do ano 1976, em que eu conheci a vida de Sr. Zatti. Nesse ano, o irmão coadjutor mais novo tinha 35 anos, era enfermeiro e morreria quatro anos depois, vítima de um tumor no cérebro. O que lhe seguia em idade tinha 46 anos e mais um com 50. A partir daí, eram todos idosos (muitos deles continuavam a trabalhar muitíssimo, mesmo com 80 anos e mais). Esse “quadro demográfico” dos irmãos coadjutores na Província da Argentina levava muitos a pensar na possibilidade de que se tratava de uma situação irreversível e que não haveria mais vocações. Alguns até se questionavam sobre a “atualidade” da vocação de irmão coadjutor na Companhia, devido a que – perante os fatos – parecia que se extinguiria” – escreve o Padre Jorge Mario Bergoglio no início da sua carta.
A Companhia de Jesus, como os Salesianos, vê na figura do irmão coadjutor a especificidade de uma única vocação, a respeito da qual o hodierno Pontífice, então, comentava na carta: “Por outro lado, o padre geral, Pedro Arrupe, SJ, insistia muito na necessidade da vocação do irmão coadjutor para o corpo completo da Companhia. Dizia mesmo que a Companhia, sem irmãos coadjutores, não seria a Companhia”.
A carta prossegue referindo como numa visita a seus irmãos jesuítas no norte da Argentina, Arquidiocese de Salta, Dom Pérez, SDB, contasse ao Pe. Jorge Mario a respeito da vida do Sr. Zatti e o convidasse a ler mais sobre a sua figura. Surgiu-lhe assim o desejo de pedir a Deus a intercessão do então Beato Zatti para que surgissem novas vocações de Irmão Coadjutor.
A carta conclui exatamente reafirmando a sua convicção na eficaz intercessão do Sr. Zatti em favor do renascimento das vocações para irmãos coadjutores.


 Biografia

Artemides Zatti nasceu no dia 12 de outubro de 1880 em Boretto, província de Reggio Emilia na Itália. Sua família era pobre e seus pais trabalhavam como arrendatários para outras famílias, porém, pressionados pela pobreza, participaram de uma emigração para a Argentina.  Chegaram a Bahía Blanca no dia 13 de fevereiro de 1897.

 Foi nesta cidade que Zatti conheceu os salesianos. Eles eram responsáveis pela paróquia de Nossa Senhora das Mercês.  Tendo contato com o pároco Pe. Carlos Cavalli, Zatti passava a maior parte do seu tempo livre na paróquia. Com ele, visitava os doentes, acompanhava funerais e ajudava nas missas como sacristão. Com toda essa vivênciade Zatti sentiu o desejo e o chamado de se tornar salesiano. Em 1900 amadureceu a realidade da vocação e após o discernimento, foi admitido no aspirantadode Bernal no dia 19 de abril.

Zatti que demonstrava maturidade e grande responsabilidade recebeu, já no aspirantado, a missão de cuidar de um padre que era tuberculoso.  Apesar de sua dedicação, acabou contraindo a mesma doença. Diante dessa provação, Zatti fez uma promessa a Maria Auxiliadora, onde pediu a cura de sua doença. Se conseguisse tal graça prometeu que entregaria toda sua vida a serviço dos doentes. Após uma consulta médica os superiores decidiram mandá-lo para Viedma em 1902. Com a saúde reestabelecida Zatti começou a trabalhar na farmácia anexa ao Hospital Missionário de São José, dirigido pelo padre Evágio Garrone.

Quando Zatti foi enviado a Viedma ainda era aspirante. A princípio, aspirava à vocação de sacerdote, porém, naquela época o salesiano que quisesse não poderia professar se tivesse alguma doença. Os superiores sugeriram que ele professasse como salesiano coadjutor. Após refletir sobre sua vida e sobre a mediação dos Superiores Zatti compreendeu a vontade de Deus. Ele percebeu que com a vocação de salesiano coadjutor ele poderia cumprir mais diretamente e mais completamente a promessa que tinha feito a Nossa Senhora. Provavelmente como sacerdote não poderia doar-se de modo integral aos doentes, devido aos compromissos sacerdotais. Em janeiro de 1908 emitiu os votos religiosos como salesiano coadjutor.


Com a morte do Pe. Garrone em 1915, tornou-se diretor do Hospital de São José. De doente tornou-se enfermeiro e a doença dos outros se tornou seu apostolado sua missão. Durante os quarenta anos transcorridos em Viedma, Zatti pode testemunhar a sólida virtude e o espírito salesiano. Em 1950 caiu da escada, foi forçado ao repouso e alguns meses depois se manifestaram sintomas de câncer. Zatti teve insuficiência hepática e sucessivamente um tumor no fígado. Faleceu no dia 15 de março de 1951. O salesiano coadjutor foi realmente um bom samaritano com o estilo de Dom Bosco. Sua compaixão, sua presença alegre que curava, seu testemunho de fé e esperança, seu zelo apostólico aos doentes, e seu amor a Jesus levaram o servo de Deus à sua santificação. Seu corpo repousa na capela dos salesianos de Viedma, na Argentina.


Artêmides Zatti e um de seus amados pacientes: um menino com hidrocefalia.

Podemos perceber pelo exemplo de Artêmides Zatti que a vocação de salesiano coadjutor (religioso) também é um caminho de santificação. Unindo os dons da consagração, os salesianos coadjutores são chamados a ser no mundo sinais do amor de Deus aos jovens.  Com seu trabalho, abre perspectivas novas para inserção no mundo da cultura e da juventude buscando ser um educador-pastor. Com sua consagração aponta o compromisso de testemunhar a fé, vivendo a fidelidade ao Reino e a comunhão eclesial. Eles podem proclamar a presença e a comunicação de Deus no cotidiano, nos lugares mais diversos, especialmente naqueles que os presbíteros não podem chegar. 
 


http://www.boletimsalesiano.org.br/index.php/salesianidade/item/3859-santos-salesianos-em-novembro-bem-aventurado-artemides-zatti




Algumas fotos do Beato Artêmides Zatti













Túmulo onde estão guardados os espólios mortais do
"enfermeiro santo" da Patagônia.