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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A PROFUNDIDADE EM SANTA ZÉLIA MARTIN, MÃE E ESPOSA





A partir da leitura da obra de Hélène Mongin: Luís e Zélia Martin, Os pais de Santa Teresinha.


Pintura de Santa Zélia com sua filha Santa Teresinha
Zélia teve uma infância em um círculo familiar pouco afetuoso e diz que essa época de sua vida foi “triste como um lençol mortuário”; diz que com sua mãe “sofreu muito”. É provável que uma pessoa que tem uma infância com essas características não tenha um desenvolvimento dos mais saudáveis. Dos 07 aos 12 anos sofre continuamente com doenças e na adolescência é afligida por forte enxaqueca. Nesses sintomas pode-se observar a fragilidade emocional presente na constituição dessa criança.
Por outro lado, Zélia é educada junto às Irmãs da Adoração Perpétua, o que possivelmente contribuiu para fortalecer a pessoa de Zélia, tendo em vista o relato da vida familiar e suas consequências.
Não obstante a fragilidade afetiva na relação com os pais (apesar de se tratar de uma família católica), a presença dos irmãos é um consolo para Zélia – a união de alma com Maria Luísa (futura monja visitandina); o carinho materno que tem para com Isidoro, dez anos mais novo que ela.
Para além dos laços terrenos, Zélia encontra em Deus o amparo diante do sofrimento desde cedo, o que a impulsiona na capacidade de amar apesar de...
Importante dizer que a família, apesar de católica e firme na fé, tinha influências do Jansenismo, posteriormente condenado pela Igreja. O Jansenismo despreza a liberdade humana, daí o rigorismo familiar.
Zélia tinha tendência a ser angustiada, escrupulosa, sem autoconfiança, muito sensível e frágil. Para compensar tais características, vemos nela uma busca profunda por Deus. Não que essa busca pelo Absoluto seja apenas para se livrar do sofrimento, pois isso não acontece... Ela vai descobrindo que o vazio da alma só pode ser preenchido por Deus; e que esse vazio estaria presente mesmo que ela tivesse a infância e vivência mais perfeitas quanto possível.
Zélia, Isidoro e Luísa Guerin, irmãos
Dessa forte relação com Deus, surge o desejo de ser religiosa, ainda antes dos 20 anos. Escolhe as Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. Essa escolha pode revelar, além de características de interioridade, aspectos de generosidade e atividade. Apesar das características de introversão, Zélia apresenta esses impulsos de seu temperamento que a levam para fora de si, em direção ao outro, e impedem que se feche em si mesma.
Porém, a superiora das Filhas da Caridade é bem clara ao dizer que ali não era o lugar de Zélia. Diante disso, pode-se imaginar a dor da pobre moça que ansiava ardentemente entregar toda sua vida como esposa de Cristo.
A partir daí, começa o verdadeiro extraordinário em sua vida aos nossos olhos. Como suas características introvertidas e melancólicas nos fariam imaginar, Zélia não se debruça sobre sua desilusão. Ela aprendeu algo importante no seio familiar: a obediência; e em sua relação com Deus, essa obediência vai sendo aprimorada. Não a obediência da opressão, mas a do amor. Dessa maneira, ela resolve aceitar a postura da madre superiora e vai em busca de um trabalho; mais uma vez presente o aspecto ativo de sua personalidade, aprimorado pela graça. Certamente ela enfrenta esses passos decisivos de sua vida a partir da oração, ou seja, da experiência íntima com Deus. Ouso dizer que nenhum passo foi dado sem invocar a Virgem Maria.
Pintura do casal Martin e suas filhas
Como dito anteriormente, Zélia vai em busca de trabalho. Ela havia recebido algumas noções sobre a renda de Alençon em seu tempo de estudo regular. Essa renda tem características próprias e necessita de habilidades manuais e meticulosidade, fineza no trato. Zélia decide formar-se nesse oficio e tem êxito em sua busca, obtendo ótimo desenvolvimento. Em sua biografia, diz-se que ela ouviu uma voz interior que lhe fala claramente: “Faça a renda de Alençon”. E com apenas 20 anos tornou-se fabricante dessa belíssima renda.
Pode-se observar que é um salto corajoso no firme termo da palavra... pois de uma pessoa medrosa, sensível em demasia, sem autoconfiança, vemos uma tomada de decisão tenaz e sem rodeios. Após a negativa do que acreditava ser sua vocação, não dá brechas para o esmorecimento. Certamente encontra na graça de Deus o arrimo para esse impulso. Considero admirável a postura dela de permitir que suas características naturais ou constituídas durante sua história, sejam elevadas a atitudes nobres e para além de sua inclinação de espírito ou psicológica, como queira classificar.
Essa voz interior não era um ente desconhecido ou alheio a seu cotidiano. Apesar de se tratar de uma ocorrência de ordem sobrenatural, não é difícil saber que é uma voz que a responde dentre tantas petições e entregas realizadas nas horas de diálogo com o Senhor.
Retrato do casal Martin e suas filhas monjas
Zélia trabalha com sua irmã; esta se sente atraída para a vida de clausura e, após alguns impasses, entra para o Mosteiro da Visitação. Essa separação parte o coração de Zélia, por se separar de sua querida irmã e por relembrar seu desejo de se consagrar a Deus. Não pensemos que isso seja passado: a ferida da vida religiosa continua doendo na alma de Zélia. É admirável observar que essa moça continua em frente apesar da dor que carrega.
Talvez se não tivesse conhecido e desejado o Senhor, Zélia teria estacionado num estado de ostracismo... por outro lado poderia ter ficado nesse estado, fechada em si mesma, nadando em suas dores, se tivesse buscado falsamente o Senhor, escondendo meramente uma busca de si mesma. Mas por desejar e buscar genuinamente a vontade de Deus, foi capaz de esculpir sua natureza para formar uma família – ter um esposo e filhos, o que veremos agora.
É muito belo o primeiro encontro, produzido menos pelo acaso que pela providência, de Zélia e Luís, seu futuro esposo. Ocorreu numa ponte, quando um cruzou o caminho do outro e Zélia ouve uma voz interior: “Foi ele que guardei para você”. Mais uma vez temos aqui a ação sobrenatural da graça na vida de uma jovem que busca estar disponível para ouvir a Deus, apesar de seus planos serem diferentes do que ali se apresentava. Só depois a mãe de Luís apresentará um para o outro “oficialmente”.
Retrato do Casal Martin com todos os filhos:
as monjas e os filhos que nasceram para
 o céu ainda crianças.
Rapidamente se casam, levados pelo discernimento, fruto da busca oracional. O lar respira Deus; ambos procuram viver da maneira mais agradável ao Senhor. Zélia por vezes sente ferir o coração quando lembra da vida religiosa; especialmente quando recém-casada passa por essa crise de estar “fadada” a estar no “mundo”. A partir desse recorte da vida matrimonial de Zélia, podemos ver que ela precisou encarar as limitações de seu temperamento mesmo após casar-se. A partir do amor pela vocação dada por Deus, pelo seu esposo e filhos, ela vai lapidando sua personalidade, com atitude, coragem e tamanho heroísmo, que chega a dizer posteriormente que não se arrependia em nada por haver se casado e que não seria tão feliz se sua vocação fosse outra. A meta do casal foi educar os filhos para o céu.
O mais bonito é ver que esse aprimoramento de sua personalidade, ou seja, a lapidação de seu temperamento, se dá no cotidiano, a partir de uma meta: agradar a Deus... baseado na confiança em Deus e, de modo prático, na vivência do matrimônio, da vida familiar.
Mas não imaginemos que nossa personagem se tenha transformado do dia para a noite e se despojado magicamente de suas características emocionais, fruto, em parte, de sua história de vida. O Senhor permitiu a Zélia, assim como permite a todos nós, um diálogo necessário (e às vezes uma luta) durante toda sua vida com seu próprio temperamento. Ainda angustiada, insegura, o que era amparado por seu esposo, que a consolava e dizia que não se atormentasse tanto. O Senhor foi-lhe tão generoso que a uniu com um esposo compreensivo e acolhedor, que a ajudou a passar pelas fases ou ciclos temperamentais que lhe acometiam a alma.
Zélia também era muito afetuosa com seu esposo, mesmo após anos de casados, e era algo recíproco, o que é visível nas cartas que trocavam quando um ou outro viajava. Seu esposo Luís de tempos em tempos necessitava de solidão para alargar sua alma sedenta de Deus, assim sendo, buscava passeios no campo, viagem, dentre outras situações, e Zélia buscou compreender isso em seu marido, numa relação de respeitosa liberdade.
Havia desacordo entre ambos, como é natural em qualquer relação, porém buscavam logo o entendimento. Observamos que buscavam ter uma vida ordenada: oração, Santa Missa diária (mesmo quando doente, Zélia ia à Missa de 5h da manhã, antes de iniciar o trabalho e aos domingos assistia quantas lhe fossem possíveis), educação das filhas, trabalho, cuidado da casa, caridade, lazer, relacionamento com familiares e amigos. Por meio do ordenamento das coisas exteriores, intui-se o ordenamento do interior de Zélia e de sua família.
No trabalho, Zélia se dedicava em demasia, expressão de seu lado ativo, talvez para suprir o lado passivo que a “cutucava” constantemente. Tanto que seu esposo a aconselhava a calma e a moderação.

“Suas cartas e os testemunhos de suas filhas nos permitem descobrir a esposa que Zélia era: alegre, vibrante, afetuosa e disponível a todos, confiante em seu marido e bem-humorada, com um dom especial para rir de si mesma, o que contrasta de modo surpreendente com sua autopercepção: angustiada, deprimida, distante da santidade. O sentimento de angústia está muito presente ao longo de toda a sua vida e ela confessa que isso às vezes constitui um verdadeiro suplício. Quando as provações são muito pesadas, ela se deixa invadir por aquilo que chama de “ideias sombrias”. Mas sempre e cada vez mais, sua fé e a presença tranquilizadora de Luís a ajudam a superar esses sofrimentos. Zélia é uma mulher forte e santa não porque não tenha medos nem fragilidades, mas porque, com eles, ela generosamente se coloca à disposição dos outros, de Deus, numa confiança que se aprofunda incessantemente. Sua grande sensibilidade a cobre de deliciosa delicadeza. Além disso, é uma mulher ativa, trabalhando ininterruptamente para sua família e sua empresa, sem conceder um tempo para si mesma. Sentindo em seu interior a necessidade de se doar continuamente, ela responde a esse anseio com tanta generosidade, que morrerá, por assim dizer, com a agulha nas mãos, sem nunca ter tido o menor descanso.” (Hélène Mongin)

Por Állyssen Ferreira

Santa Zélia Guerin, Santa Teresinha menina e São Luis Martin.

SANTAS DE NOME TERESA





Em Ávila existe um curioso monumento em homenagem às mulheres que levam o nome de “Teresa” (como se pode ver na imagem). No calendário litúrgico são celebradas várias santas chamadas assim.

Santa Teresa de Jesus

Santa Teresa de Jesus (ou de Ávila, Espanha, 1515-1582, festa em 15 de outubro). Fundadora do Carmelo Descalço. Foi a primeira mulher de nome “Teresa” canonizada (em 1622) e primeira mulher proclamada Doutora da Igreja.

Santa Teresa Margarida Redi

Santa Teresa Margarida Redi do Sagrado Coração de Jesus (Itália, 1747-1770, festa 1 de setembro). Carmelita descalça.

Santa Teresa de Jesus Jornet

Santa Teresa de Jesus Jornet e Ibars (Espanha, 1843-1897, festa 26 de agosto). Fundadora das Irmãzinhas dos anciãos desamparados.

Santa Teresa do Menino Jesus

Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face (ou Lisieux, França 1873-1897). Carmelita Descalça e Doutora da Igreja.

Santa Teresa Benedita da Cruz

Santa Teresa Benedita da Cruz (conhecida pelo seu nome secular: Edith Stein; Alemanha, 1891-1942, festa 09 de agosto). Carmelita Descalça.

Santa Teresa de Jesus dos Andes

Santa Teresa de Jesus dos Andes (Chile, 1900-1920, festa 13 de julho). Carmelita Descalça.

Santa Teresa de Calcutá

Santa Teresa de Calcutá (1910-1997, festa 6 de setembro). Fundadora das Missionárias da Caridade.

Existem tantas outras que compartilham esse nome, mas são menos conhecidas:

Santa Teresa de Portugal

Santa Teresa de Portugal (1175-1250, festa 17 de junho). Rainha, mãe e religiosa. Seu culto foi aprovado em 1705.

Santa Teresa Verzeri

Santa Teresa Eustochio Verzeri (Italia, 1801-1852, festa 03 de março). Fundadora das Filhas do Sagrado Coração de Jesus.

Santa Maria Teresa Couderc

Santa Maria Teresa Couderc (França, 1805-1885, festa 16 de setembro). Fundadora das Irmãs do Cenáculo.

103 Mártires Coreanos

Entre os 103 mártires coreanos liderados por Andrés Kim e Pablo Chong, está Santa Teresa Kim Im-i, Santa Teresa Kim e Santa Teresa Yi Mae-im (martirizadas em 1840, festa 20 de setembro)

120 Mártires Chineses

Entre os 120 mártires chineses liderados por Agustin Zhao, está Santa Teresa Zhang He e Santa Teresa Chen Tinjieh (martirizadas em 1909, festa 09 de julho).

Também existem várias beatas e veneráveis com este nome. Entre as carmelitas, destacam-se:

Carmelitas Mártires de Compiègne

Beata Teresa de Santo Agostinho e companheiras mártires de Compiègne (martirizadas na França em 1749). Carmelita Descalça.

Beata Maria Teresa de Jesus

Beata Maria Teresa de Jesus (Itália, 1825-1889). Fundadora das Religiosas de Nossa Senhora do Monte Carmelo.

Carmelitas Mártires de Guadalajara

Beata Teresa do Menino Jesus e de São João da Cruz e companheiras mártires de Guadalajara (martirizadas na Espanha em 1936). Carmelita Descalça.

Beata Teresa Maria da Cruz

Beata Teresa Maria da Cruz* (Itália, 1866-1910). Fundadora das Carmelitas Terceiras de Santa Teresa.

Madre Teresa Toda e Madre Teresa Guasch

Não podemos esquecer de Teresa Toda e Teresa Guasch (mãe e filha), duas figuras singulares, fundadoras das Carmelitas Teresas de São José, em 1826. Teresa Guasch foi declarada Venerável pela heroicidade de suas virtudes em 19 de abril de 2004 por São João Paulo II; e Teresa Toda foi declarada Venerável em 03 de junho de 2013 pelo Papa Francisco*.

Fonte: https://padreeduardosanzdemiguel.blogspot.com.br/2016/10/santas-de-nombre-teresa.html?spref=fb
 *Acréscimo nosso








quarta-feira, 15 de novembro de 2017

15 de novembro: Comemoração dos Fiéis Defuntos da Ordem Carmelita


Hoje, toda a Ordem Carmelita faz memória aos seus filhos e filhas falecidos: frades, monjas, seculares e religiosos de congregações e institutos carmelitanos. Podemos dizer que hoje, 15 de novembro, é o "Dia de Finados" próprio da Ordem. 

O Purgatório é uma realidade pouco falada na Igreja hoje em dia. Observem bem as homilias no Dia de Finados: fala-se em: "eles estão em paz", "nossos entes queridos que já estão com Deus", "nossos familiares e amigos que já fizeram sua páscoa definitiva", "nossos familiares e amigos que já se encontram na luz do paraíso", etc. Quase ninguém usa literalmente a palavra Purgatório em homilias ou outras pregações. Parece até um tabu. Dá a falsa ideia ao povo que "todo mundo está no Céu", o que não é, infelizmente, verdade. O Céu existe, mas, o Purgatório e o Inferno também existem! 

Ora, meus irmãos e irmãs, ir para o Céu direto é para poucos, muito poucos! Somente os santos e santas, já completamente purificados de seus defeitos, que passaram pela noite escura da alma, purificados de tudo aquilo que os prendia ao mundo e que já gozavam em vida da plena união com Deus e sua santíssima vontade, bem como aqueles que morreram mártires da fé, foram direto para o Céu. Todos os demais (até mesmo alguns santos e beatos), após a morte, possivelmente passaram algum tempo no purgatório, nem que sejam algumas "horas" ou "dias" (se bem que o tempo lá não é igual ao nosso), pois, todos nós, mesmo os muito bons, temos nossos defeitos, fraquezas e imperfeições. Daí que santo Agostinho, aproximadamente uns 02 a 03 anos após a morte de sua mãe santa Mônica ainda pedia a um amigo sacerdote: "lembre-se sempre, no santo altar, da alma de minha mãe". 

Não podemos descuidar desse ato de caridade e boa obra espiritual: "rezar pelos vivos e falecidos". Mesmo que sua vovó, seu vovô, sua mãezinha, seu paizinho, um tio, uma tia, um amigo ou uma amiga, um irmão ou irmã de sangue ou de comunidade tenham sido muito virtuosos, pode ser que ainda estejam no Purgatório, pois, como disse o próprio Jesus: "Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo" (Mateus 5, 26). Claro que Jesus não se refere aqui ao centavo "dinheiro", mas, aos mínimos defeitos, aos pequenos pecados veniais ou erros ainda não reparados suficientemente. 

Lembrando que "centavo é centavo", é pouquíssima coisa. É  quase nada! Porém, ainda é razão para deter a alma na pena temporal do Purgatório. A misericórdia divina é infinita e tudo perdoa? Sim! Claro! Porém, o pecado, mesmo perdoado, deixa uma "nódoa", um "defeito" na alma que precisa ser curado, que precisa ser apagado e reparado.

Quando somos perdoados por Deus, a culpa é extinta, no entanto, a alma fica com a "tendência a pecar de novo" renovada. Uma espécie de "cicatriz" ou inclinação ao erro que fica na alma. Sem falar nas consequências do erro que cometemos, tanto em nós mesmos, quanto no próximo, em nossas famílias, na sociedade, etc. No Céu só se entra livre de tudo isso!

Por mais que eu ame meu pai, minha mãe, minhas irmãs, tios, tias, primos e primas, meus filhos, minha esposa e demais parentes, Deus me livre que eu venha a passar a eternidade convivendo com eles portando os mesmos defeitos que eles tinham ou tem na terra, por menores que sejam! E eu também, Deus me livre, que tenha na outra vida os mesmos defeitos que tenho agora! Que lástima seria, meu Deus! Por isso, graças à sua infinita Misericórdia, Deus "inventou" o Purgatório: para que possamos ir para o Céu limpos, curados, sanados, aperfeiçoados e verdadeiramente santos, livres não somente do pecado, mas, também, dos efeitos e consequências que eles nos deixaram ou deixam em nossas almas, cheios e plenos da Graça recebida no Santo Batismo. 

Giovani Carvalho Mendes, ocds. 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

SANTA VENERANDA, Virgem e Mártir

Seu nome é de origem latina e significa 'digna de veneração’. Pouco se sabe sobre Veneranda, que por sinal é a única santa com este nome, enquanto há três santos com esta designação.
     O Catálogo dos Santos redigido nos anos 1369-1372 pelo veneziano Pietro de Natalibus cita Santa Venerada Virgem no capítulo 61: nascida na Gália (França) no segundo século, Veneranda foi martirizada em Roma durante a perseguição na época do imperador Antonino (138-161). A celebração indicada no dia 14 de novembro foi transferida para a mesma data no Martirológio Romano. Encontramos ainda a santa em certas matérias relativas à Basílica de Santa Maria a Pugliano em Herculano, Itália.
     Em meados do século XVII, na época do Papa Alexandre VII, como era habitual nos séculos passados, foram doados ao Procurador Geral dos Carmelitas Descalços, em Roma, o corpo de São Máximo Mártir, encontrado na catacumba de Santa Ciriaca, e uma relíquia insigne de Santa Veneranda Mártir.

     Estas relíquias foram oferecidas por sua vez ao Padre Simão do Espírito Santo, ele também um carmelita do convento de Torre del Greco, perto de Herculano. Sendo ele muito dedicado à Capela do Espírito Santo colocada na antiga basílica, as relíquias lhe foram dadas como prova dessa devoção. Os fiéis de Herculano, que era então chamada de Resina, acolheram com fé e alegria esse dom com festas públicas, e ergueram dois altares na Capela do Espírito Santo: um dedicado a São Máximo e outro a Santa Veneranda, estabelecendo na cidade uma forte devoção pelos dois mártires.
     A santa é representada acima do altar em uma grande pintura de meados do século XVII: em pé, com a pomba do Espírito Santo sobre a cabeça, segura com a mão direita o crucifixo, com a mão esquerda segura um cajado de peregrino e a palma do martírio.
     A relíquia está incrustada no centro de um meio busto de cobre revestido de prata trazida pelos franceses durante a batalha de 14 de junho de 1799, no tempo da república napolitana; na basílica permaneceu apenas o meio busto de cobre.

     Na cidade de Herculano há uma rua em homenagem a Santa, bem como duas pequenas igrejas foram dedicadas a ela. No quadro mencionado há uma inscrição em grego "Aghia Paraskebe" e depois em italiano "Santa Veneranda v. m.". Isto confirma que mesmo no Oriente há um culto a esta santa, que textos hagiográficos importantes dizem que é Santa Parasceve, mártir sob Antonino Pio no ano 160, celebrada em 26 de julho, e que no sul da Itália é homenageada com o nome de Santa Venera ou Veneranda.
     Se é que se trata da mesma pessoa venerada com dois nomes diferentes não há como se certificar, embora alguns pontos se encaixem, mas a Vita de Santa Parasceve é ​​todo um elaborado imaginativo não confiável.





































Fonte: http://heroinasdacristandade.blogspot.com.br/2015/11/santa-veneranda-martir-14-de-novembro.html

SANTA EUSÉBIA Abadessa,Virgem e Religiosa


Santa Eusébia, a mais jovem abadessa da França, pertenceu a uma família de muitos santos. Viveu na região de Artois, na Nêustria, França; conhecida como Santa EUSÉBIA abadessa de Hamay-sur-la-Scarpe que, depois da morte do pai, Santo Adalberto, se consagrou com sua santa mãe RICTRUDES à vida monástica e, ainda adolescente, foi eleita abadessa para suceder à avó Santa GERTRUDES. (680)




         Filha de Santo ADALBERTO e de Santa RICTRUDES, EUSÉBIA teve como madrinha a rainha NATILDE que lhe deu as terras de Verny, perto de Soissons, França. Aos oito anos perdeu o pai e no ano seguinte acompanhou a mãe RICTRUDES para o mosteiro que fundou em Marchiennes. GERTRUDES, sua avó, que governava a abadia de Hamage, quis ter EUSÉBIA junto de si; esta contava apenas doze anos, quando foi eleita para suceder à avó. RICTRUDES que tinham elevado a abadessa em Marchiennes, achava que a filha era demasiado jovem para governar uma abadia; e deu-lhe ordem de que viesse formar-se sob a sua própria direcção. Mas como EUSÉBIA não queria, foi precisa uma ordem régia do soberano Clóvis II para a obrigar a vir. Veio realmente para Marchiennes, mas com toda a sua comunidade; para lá trouxe mesmo o corpo de Santa GERTRUDES e as outras relíquias da sua Igreja.
Apesar de tudo, EUSÉBIA conservava grande atractivo pela sua casa de Hamage: ia lá às escondidas durante a noite e lá rezava om ofício divino com a sua assistente. Mas RICTRUDES deu conta e dirigiu à filha repreensões severas. EUSÉBIA ficou ressentida no coração, tanto que RICTRUDES, depois de ouvir os pareceres de bispos e abades, permitiu a EUSÉBIA regressar a Hamage com sua comunidade. A jovem abadessa, depois de receber a benção da mãe, voltou de facto à sua antiga residência, restabeleceu nela a ordem e a observância religiosa, como se praticavam quando a sua avó governava. Conquistou o respeito e o afeto das companheiras, pela doçura do governo, a afabilidade das maneiras e a regularidade perfeita do seu comportamento: viam-na reservar para si os ofícios mais humildes e mais custosos; tais exemplos incutiram coragem nas mais tíbias.
Embora jovem, teve o pressentimento do seu fim próximo. Avisou as irmãs e estas sentiram profundo desgosto: mas ela própria, inteiramente submetida à vontade de Deus, esperou, cheia de clama e confiança, pela hora última, dirigiu piedosas recomendações às suas religiosas e morreu a 16 de Março de 680, com apenas 23 anos de idade.
Etimologia: Eusébia, do grego eusebés: “piedosa”.

Texto do livro SANTOS DE CADA DIA  da Editorial A. O. de Braga.


Fonte: https://confernciavicentinadesopaulo.blogspot.com.br/search?updated-max=2017-03-30T10:07:00%2B01:00&max-results=50&reverse-paginate=true&start=3&by-date=false



14 de novembro: Todos os Santos da Ordem Carmelita, Festa.



Aos pés de Maria Santíssima e de Jesus, os Santos e Santas da Ordem do Carmo depõem  seus méritos e elevam seus louvores. Que possamos um dia, com eles, eternamente louvar as Misericórdias Divinas e o Patrocínio de Maria!


Hoje toda a família Carmelitana (Carmelitas da Antiga Observância, Carmelitas Descalços e Institutos e Congregações de Espiritualidade Carmelitana) comemora a Festa de Todos os Santos de nossa Ordem. É uma festa muito bonita, pois, à semelhança da Solenidade de Todos os Santos (dia 01 de novembro), fazemos uma justa homenagem a todos aqueles santos, santas, beatos e beatas carmelitas (cuja santidade foi reconhecida oficialmente pela Igreja), bem como todos os habitantes do "Carmelo Celeste", que já gozam da visão beatífica da Santíssima Trindade, porém, que não foram ou não serão beatificados e/ou canonizados.
Eremitas do Monte Carmelo (dos séculos XII e XIII), frades mendicantes, monjas de clausura, religiosos de inspiração carmelitana e seculares que vivem o mesmo carisma em meio ao "mundo" (na família, no trabalho e na sociedade), quais belíssimas estrelas, iluminam os Céus e eternamente elevam a Deus hinos de louvor por suas misericórdias.
A Ordem Carmelita "premiou" a Igreja com insignes santos:
Profeta Santo Elias,
Profeta Santo Eliseu,
São Simão Stock,
São Brocardo,
São Bertoldo,
Santo Alberto de Jerusalém,
Santo Alberto de Trápani,
Santo Ângelo da Sicília,
São Pedro Tomás,
Santo André Corsini,
São Nuno de Santa Maria,
Santa Maria Madalena de Pazzi,
Santa Teresa de Ávila (ou de Jesus),
São João da Cruz,
Santa Teresa Margarida Redi,
São Rafael José Kalinowski,
Santa Teresinha do Menino Jesus,
Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein),
Santa Elisabete da Trindade,
Santa Teresa de Los Andes,
Santa Maria Maravilhas de Jesus,
Santa Maria de Jesus Crucificado,
Beato Batista Mantovani,
Beato Titus Brandsma,
Beato Ciríaco Elias Chavara,
Beato Francisco Palau y Quer, 
Beata Ana de São Bartolomeu
Beata Maria Sacrário,
Beata Maria de Jesus, 
Beata Maria dos Anjos,
Beata Elias de São Clemente,
Beata Josefa Naval (da Ordem Secular),
E muitos outros, que enriqueceram a Igreja e o mundo com o exemplo de suas vidas totalmente dedicadas ao Reino, com o testemunho de sua fidelidade a Deus e à Igreja, bem como com a sabedoria de seus escritos.
Foram muitos os mártires que derramaram seu sangue por causa de seu amor e fidelidade a Cristo, especialmente no século XX, na Guerra Civil Espanhola e em países dominados pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.
Três santos foram proclamados pela Igreja com o título de Doutor ou Doutora da Igreja, coisa raríssima em outras Ordens religiosas (somente a Ordem Franciscana também tem três Doutores da Igreja): Santa Teresa de Jesus (ou de Ávila), grande mestra da oração; São João da Cruz, o "doutor místico" e Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, a "doutora da pequena via". Seus escritos: autobiografias, livros sobre espiritualidade, cartas e poemas, são obras maravilhosas e celestes, que ainda hoje encantam e encantarão o mundo até o final dos tempos!
  Procuremos sempre conhecer esses nossos irmãos e irmãs! Muitos outros (dezenas) aguardam o reconhecimento oficial da Igreja a respeito de suas virtudes heroicas e milagres alcançados por sua intercessão.
 Imitemos-lhes a fé, a constância, a fidelidade, a determinação e o amor a Deus e ao próximo que os levou ao "Cume do Monte Carmelo" que é o próprio Cristo Jesus. Amém!

  Todos os Santos Carmelitas, rogai por nós!


Santos e Santas da Ordem Carmelita em contínuo louvor à Virgem Maria, nossa Mãe e Rainha, e ao Divino Filho Jesus, Nosso Rei e Senhor. "Cantaremos eternamente
 as Misericórdias do Senhor!"
Giovani Carvalho Mendes, ocds


Todos os Santos Carmelitas

Festa

Os Santos do Carmelo constituem uma grande multidão de irmãos que consagraram a sua vida a Deus, seguindo os ensinamentos do seu Filho e imitando a sua vida, e se entregaram ao serviço da Virgem Maria na oração, na abnegação evangélica, no amor aos irmãos, a ponto de alguns terem derramado o seu sangue. Eremitas do monte Carmelo, mendicantes da Idade Média, mestres e pregadores, missionários e mártires, religiosas que enriqueceram o povo de Deus com a misteriosa fecundidade da sua vida contemplativa, apostólica e docente, leigos que na sua vida souberam encarnar o espírito da Ordem: esta é a grande família carmelita que, enquanto peregrina, se dedicou à prática assídua da oração e que, tendo terminado a sua prova no estádio deste mundo, e tendo-nos deixado o seu exemplo, agora celebra a liturgia celeste. Unidos a esta grande família, e na esperança de nos virmos associar a ela, celebramos e antegozamos, por meio desta festa, as alegrias eternas dos santos que Deus conduziu ao seu monte para os introduzir na sua Casa de Oração. O exemplo e a intercessão destas almas de oração é para nós um estímulo a vivermos a nossa vocação carmelita em obséquio de Jesus Cristo e na imitação da nossa Mãe e Rainha, Flor do Carmelo, Padroeira e Esperança de todos os carmelitas. Esta festa, já mencionada por Inocêncio VIII em 16 de Julho de 1492, estendeu-se à Ordem em 1672.

Oração
Nós vos pedimos, Senhor,
que nos assistam com a sua proteção
a Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo
e todos os Santos da família do Carmo,
para que, seguindo fielmente os seus exemplos
sirvam a vossa Igreja
com a oração e com obras dignas de Vós.

Fonte: http://fradescarmelitas.org.br/14-11-todos-os-santos-carmelitas/


Santos e Santas do Carmelo Celeste ladeando a Santíssima Virgem Maria,

Rainha e Formosura do Carmelo, nossa Mãe e nossa Irmã. Detalhe: à esquerda,

Santo Elias e à direita, Santo Eliseu, profetas e nossos Pais. 

Ícone moderno mostrando os Santos e Santas do Carmelo aos pés de Maria,
nossa Mãe, Rainha e Senhora,  aos pés do Monte e junto à Fonte de Elias.