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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Venerável Serva de Deus Genoveffa (Genoveva) de Troia, virgem, terciária franciscana e alma vítima (* 1887 – + 1949) - 11 de dezembro

Acometida desde a infância por uma doença rara que primeiro ataca os pulmões e os ossos, obrigando-a a ficar na cama enquanto seu corpo se deteriora dia após dia, ela aprendeu a viver com essa condição como a vontade de Deus, praticando a caridade para com aqueles que eram ainda mais necessitados do que ela.

Ela nasceu em Lucera, na província de Foggia, em 21 de dezembro de 1887, a primogênita de cinco filhos de Pasquale de Troia e Vincenza Terlizzi. Sua vida mal havia começado e já parecia fadada ao fracasso: não viveria mais de vinte e quatro horas, segundo aqueles que testemunharam seu nascimento. Consequentemente, foi batizada imediatamente e, aos cinquenta dias de idade, recebeu também a Crisma.

Contrariando essas previsões sombrias, Genoveffa sobreviveu até mesmo a dois irmãos que vieram depois dela, os quais morreram de pneumonia. Aos quatro anos de idade, começou a sofrer problemas de saúde: dores estranhas a atormentavam por todo o corpo, e uma ferida infectada se abriu em sua perna direita, da qual nunca cicatrizou.

Todos os anos, sua mãe a levava, em uma carroça, ao santuário da Virgem Coroada em Apricena para implorar por sua cura. Foi durante sua última peregrinação que, enquanto estava absorta em oração, a menina ouviu uma voz lhe dizendo: "Você não vai se curar", ao que ela prontamente respondeu, ajoelhando-se na carroça: "Seja feita a vontade de Deus".

Ela vivia em pobreza familiar, marcada pela instabilidade no emprego do pai, que era guarda rural e nem sempre conseguia pagar o aluguel regularmente. Em 1901, aos quatorze anos, foi enviada pelas Irmãs da Caridade em Lucera para aprender bordado e costura. Sua maior preocupação, no entanto, era a ornamentação dos altares da capela. Começou a pensar em se consagrar a Deus, mas uma nova voz interior, inicialmente, e o conselho de uma freira, Irmã Teresa, a fizeram desistir.

Para complementar as finanças da família, já fragilizadas pela morte do irmão Vittorino, ela começou a trabalhar para uma família em Trani e, um mês depois, para um advogado em Lucera.

Foi durante esse trabalho que a doença que a afligia há anos se manifestou em todo o seu drama: poucos meses após o início dos sintomas, ela ficou acamada, de onde nunca mais se levantou. Tratava-se de lipoidose ou granulomatose, também conhecida como doença de Hand-Schüller-Christian, uma condição progressiva e agravante caracterizada por alterações e deformações dos ossos cranianos, às vezes aumento do volume da cabeça e atrofia genital.

Genoveffa sentia como se estivesse sendo açoitada da cabeça aos pés, enquanto seu corpo encolhia gradualmente, vítima de nanismo hipofisário. O repouso absoluto na cama também lhe causou escaras purulentas em várias partes do corpo. Por todos esses motivos, em seus retratos e fotografias que sobreviveram, ela é retratada completamente coberta de bandagens. Mas ela aceitou tudo isso como a vontade de Deus.

Em 1913, após o pai conseguir alguns trabalhos ocasionais, a família mudou-se para Foggia, morando em diversas casas. Genoveffa ficou sozinha com a mãe após a morte do irmão, Attilio, do pai e o casamento de Annita, sua única irmã sobrevivente. Pessoas de todas as classes sociais acorriam ao seu leito em busca de conselhos, orações e conforto; a essa altura, seu quarto estreito havia se tornado como uma pequena capela, com o altar sendo a cama onde Genoveffa se sacrificava pelos pecados do mundo. Ela disse: "Durante o dia, estou à disposição das almas que Jesus me envia. À noite, dedico-me inteiramente a Jesus, orando e sofrendo com Jesus".

O encontro dela com o padre Angélico da Sarno, frade capuchinho e comissário da Ordem Terceira Franciscana, em 1925, foi crucial para a vida espiritual da jovem sofredora: ele se tornou seu confessor e diretor espiritual, acompanhando-a até sua morte.

Após várias mudanças devido à incompreensão dos proprietários das casas, temerosos da doença de Genoveffa, o padre foi obrigado, por vontade dela, a instalá-la em uma pequena casa na Via Briglia, 3 (atual Via Genoveffa de Troia), em Foggia. A rua ficava em um bairro pouco exemplar, repleto de casas de prostitutas pobres. O comentário frágil da mulher foi: "Padre, para onde me mandou?”

A sua presença tornou-se uma obra de "recuperação" da área: gradualmente, o número de pessoas que a visitavam aumentou. Algumas famílias enviavam-lhe comida das suas próprias mesas todos os dias, mas ela, que quase nada comia, desviava-a para famílias vizinhas que sofriam de fome.  A 2 de janeiro de 1931, Genoveffa fez os seus votos na Ordem Terceira Franciscana. A sua pequena cela, como chamava o seu quarto, foi transformada numa sala de oração. Embora praticamente analfabeta, ditava cartas que enviava para todo o lado, levando a mensagem de perfeita alegria.

De sua cadeira de dor, ela ensinava aquela espiritualidade diligente que nasceu não muito longe de Foggia, em San Giovanni Rotondo, pelas mãos do frade capuchinho e futuro santo, Padre Pio de Pietrelcina. Ela nunca o conheceu pessoalmente, mas, havia grande harmonia entre eles, tanta que uma pequena biografia de Genoveffa ainda pode ser vista em sua cela.

Na era da ascensão das ideologias raciais, uma vida que outros teriam descartado tornou-se, assim, um guia espiritual, auxílio eficaz na necessidade, consolo nas inevitáveis ​​dificuldades da vida, tanto físicas quanto morais. 

Em 1943, devido ao bombardeio da cidade de Foggia, Genoveffa mudou-se para Troia, mas retornou em 1945; nesse ínterim, também perdeu a mãe. Naquele ano, outro capuchinho, Frei Daniele Natale, de San Giovanni Rotondo, veio visitá-la, o que a beneficiou muito e foi ele próprio beneficiado espiritualmente. Seu processo de beatificação também está em andamento.  No início de dezembro de 1949, Genoveffa parecia estar no seu limite: "Perdoa-me, Jesus! Chama-me para ti! Dá-me forças para sofrer novamente! "

Devido a alguns compromissos, o Padre Angélico só pôde levar a comunhão à sua cliente no dia 9 de dezembro e não celebrar a Missa em seu quarto, como havia prometido. Quando sua cliente expressou preocupação de que talvez não conseguisse ir no dia seguinte, ele respondeu pedindo-lhe "obediência" para esperar até depois da celebração em casa, e assim aconteceu.

Ao final da missa, Genoveffa pareceu transfigurada, mas seu sofrimento retornou. Após receber a Unção dos Enfermos, ela faleceu às 10h30 do dia 11 de dezembro de 1949, aos 62 anos. Em suas mãos, ela segurava o rosário e o crucifixo. Seu corpo foi sepultado na capela de Santa Mônica, no cemitério de Foggia.

Mesmo em vida, Genoveffa expressou o desejo de que seus amigos formassem uma verdadeira "Família Espiritual", o que em 1985 deu origem à Associação Genoveffa De Troia. Essa organização é uma extensão de seu trabalho de caridade, particularmente na assistência a presidiários e no cuidado de menores em situação de risco. A Associação e a Família Espiritual também promovem a disseminação de sua reputação de santidade. Ao perceber que essa reputação jamais havia diminuído, decidiu-se prosseguir com a abertura de seu processo de beatificação.


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Segundo relato biográfico (versão mais resumida):

Genoveffa nasceu em Lucera (Foggia) em 21 de dezembro de 1887, filha de Pasquale De Troia e Vincenza Terlizzi: família pobre, mas rica de piedade cristã.

A saúde da menina era tão frágil que se temia que ela morresse a qualquer momento.

Aos quatro anos, surgiu a primeira ferida na perna direita da menina, que nunca mostrou sinais de cicatrização.

Às insistentes orações da menina, que, com o passar dos anos, apresentava um número cada vez maior de feridas pelo corpo, uma voz interior murmurava resolutamente: "Você não vai sarar". E Genoveffa, com generosidade incondicional, respondia: "Seja feita a Tua vontade, Senhor".

A Serva de Deus passou toda a sua vida acamada, em meio a sofrimento e dor indizíveis.

Seu corpo estava coberto de feridas que se aprofundavam cada vez mais: elas chegavam a corroer a carne. Seu pé direito havia adquirido a aparência e a estrutura de um coto; devido ao aprofundamento progressivo dos granulomas, permanecia preso ao membro por uma camada muito fina de tecido. Era tão fina que dava a sensação de iminente desprendimento. Buracos profundos se formavam nos ossos; Seu crânio, corroendo-se lentamente, assumira a aparência de uma peneira.

Em um martírio lento e ininterrupto, jamais um lamento escapou dos lábios de Genoveffa: "Viva Jesus! Tudo por Jesus!" eram as palavras que brotavam de seus lábios à medida que a dor se intensificava.

Seu amor pelo sofrimento era tão grande que ela sempre pedia ao Senhor novos sofrimentos: "Pedi a Jesus, e Jesus me ouve, sempre me presenteando com novas dádivas ".

Durante os muitos anos passados ​​na cama na Via Briglia, em Foggia, a Serva de Deus, em dor indescritível, teceu um poema de amor inefável.

Em 11 de dezembro de 1949, Genoveffa De Troia adormeceu na Terra e despertou no Céu.

Seu corpo foi transferido do cemitério para a Igreja da Imaculada Conceição em Foggia em 25 de abril de 1965. A causa de beatificação e canonização, concluída em nível diocesano, foi encaminhada à Sagrada Congregação dos Ritos em Roma em 1º de julho de 1967. Em 7 de março de 1982, o Papa São João Paulo II proclamou Genoveffa Venerável.


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A "irmandade espiritual" entre a Venerável Serva de Deus Genoveffa de Troia e São Pio de Pietrelcina:

Em 1887, em duas aldeias não muito distantes uma da outra no sul da Itália, nasceram duas crianças em absoluta pobreza que, ao longo de suas vidas e mesmo após suas mortes, deixariam raízes profundas nos corações do povo de Deus: Genoveffa De Troia e Padre Pio.

Criados em meio a dificuldades e sacrifícios, logo tiveram que lidar com a saúde frágil, que, em famílias tão pobres quanto a deles, pesava sobre uma economia já debilitada. Reservados e humildes, mantiveram o mesmo caráter mesmo na vida adulta.

Nenhum dos dois desejava qualquer clamor público em torno deles; Genoveffa, trancada em sua cela, conseguiu, embora com dificuldade, manter os olhares curiosos afastados; Padre Pio teve dificuldades, e esse “ruído”, por vezes exagerado e inexplicável, mesmo para a Igreja, causou sofrimento e humilhação ao santo estigmatizado de Gargano.

Feridos no corpo e submetidos diariamente a dores indizíveis, eles não sentiam pena de si mesmos, jamais pensando em si próprios, mas oferecendo todo aquele sofrimento ao Pai Celestial, aceitando a Cruz e carregando seus sinais visíveis.

Eles dedicaram suas vidas não apenas ao próprio sofrimento, mas sobretudo a ouvir as aflições dos homens e mulheres que a eles recorriam em busca de respostas para suas tragédias humanas; Padre Pio, de seu confessionário, e Genoveffa, de seu leito, incansavelmente, conduziam almas perdidas, desanimadas e cansadas de volta ao Senhor.

Genoveffa fez tudo isso sendo analfabeta; na verdade, ela teve que confiar seus pensamentos a pessoas de confiança que, por meio de ditados, conseguiram deixar uma marca indelével; Padre Pio, por outro lado, frequentemente confiava seus conselhos e orações íntimas à posteridade em sua própria caligrafia, por meio de inúmeros escritos.

 

Irmãos em espírito:

Embora Genoveffa e Padre Pio se conhecessem por procuração, nunca tiveram a oportunidade de se encontrar pessoalmente; Genoveffa, no entanto, disse que frequentemente sonhava com Padre Pio, pedindo-lhe conselhos, que colocava em prática quando estava acordada.

Alguns fiéis que tiveram a sorte de visitar ambos os locais se tornaram “interlocutores privilegiados” dos dois, falando uns com os outros sobre um e vice-versa, trazendo perguntas de um e conselhos do outro.

Criou-se para Genoveffa uma magnífica relação filial, fazendo perguntas a Padre Pio para sanar suas dúvidas e medos ingênuos; para ela, nada era suficiente, ela queria pertencer inteiramente a Jesus e infligir-lhe cada vez mais sofrimento.

Na verdade, Padre Pio, satisfeito, respondeu: “Genoveffa está cada vez mais deitada na Cruz. Diga a ela para rezar por mim”. Ele então pediu a Genoveffa que rezasse para que pudesse participar da missão de um sacerdote crucificado pela redenção de seus irmãos.

Como não pedir orações a uma mártir que Padre Pio definiu como: “Uma alma bela, amada pelo Senhor”, ou: “Genoveffa é uma alma que em breve irá para o céu”, ou ainda: “Jesus está com ela e nela e aprecia suas boas intenções, abandonando-se nos braços da Divina Misericórdia”?

Jesus Cristo pede a cada um de nós que carreguemos a Cruz, e Genoveffa e Padre Pio o fizeram sabendo que seriam esmagados pelo seu peso, certos de serem zombados e humilhados; mas fizeram da Cruz um estandarte, sem imitação nem orgulho. Aqueles que passam por ali devem sentir a fragrância de Cristo, e Genoveffa e Padre Pio ainda exalam essa fragrância hoje.

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Urna-relicário, em madeira dourada (vista traseira) com os restos mortais da Venerável Genoveffa.


Vista frontal da urna-relicário que contém os restos mortais da Venerável Genoveffa. 
A pintura, estilo ícone, mostra a Venerável eseus quatro grandes "amores": Nosso Senhor
Jesus Cristo, a Virgem Maria, o Seráfico SãoFrancisco de Assis e São Padre Pio, seu "pai
e irmão espiritual". 


Oração à Santíssima Trindade para implorar a glorificação da Venerável Serva de Deus Genoveffa de Troia:

Ó Eterno Pai Divino, por essa amorosa submissão à Vossa Santíssima Vontade que Genoveffa Vos demonstrou na terra, eu Vos suplico que me concedais a graça que ardentemente Vos peço para o bem da minha alma e para a glorificação da Vossa boa e fiel Serva.

Três Glórias ao Pai.

Ó Eterno Filho Divino, por esse imenso martírio que, por amor a Vós, Genoveffa suportou em sua carne na terra, eu Vos suplico que me concedais a graça que ardentemente Vos peço para o bem da minha alma e para a glorificação da Vossa boa e fiel Serva.

Três Glórias ao Pai.

Ó Eterno Espírito Santo, por essa pronta resposta à Vossa santa graça que Vós experimentastes na terra na alma de Genovefa, eu Vos suplico que me concedais a graça que ardentemente Vos peço para o bem da minha alma e para a glorificação da Vossa boa e fiel Serva.

Três Glórias ao Pai.

(Concedidos 50 dias de indulgência)

Foggia, 8 de fevereiro de 1960 (Paolo Carta, Bispo de Foggia)


Fontes:

http://www.santiebeati.it/dettaglio/91018

www.genoveffadetroia.com

Marisa Colucci , Palavras Simples



sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

NOSSA SENHORA DE GUADALUPE, Rainha do México e Imperatriz das Américas - 12 de dezembro


    Hoje, o site Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus traz uma publicação "diferente": a narrativa das aparições de Nossa Senhora, Virgem Mãe de Deus, ao índio Juan Diego (que foi depois canonizado e é Santo). Apesar do objetivo do site não ser a divulgação de histórias de aparições de Nossa Senhora, mas, como envolve o nome de um Santo (Juan Diego) e para a maior honra e glória de Deus, resolvi trazer o relato das aparições, infelizmente, desconhecido por muitos católicos. Todos sabemos que só existe uma única Nossa Senhora: Maria de Nazaré, Mãe de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiros, o Verbo que se se fez carne em seu ventre imaculado. Mas, a Virgem Maria possui muitos títulos, de acordo com os locais onde apareceu, com suas diversas virtudes, missões e fatos que aconteceram em sua vida terrena. Ela é, então, a mesma Nossa Senhora de Fátima, do Perpétuo Socorro, de Lourdes, de La Salette, das Graças, das Dores, da Conceição, e assim por diante. Não existem "várias Marias", mas apenas uma só, com seus múltiplos títulos. Espero que todos apreciem o belo relato abaixo e que se interessem em buscar em plataformas (como o YouTube, por exemplo), vídeos com documentários, inclusive, aqueles que tratam da inexplicável figura que se formou na "tilma" do vidente, São Juan Diego, que ainda hoje, com toda a tecnologia mais moderna, contina a ser um mistério, pois, essa figura, não feita por mãos humanas (pois nela não há tinta ou quaisquer pigmentos), contém, também, símbolos maravilhosos (que foram entendidos imediatamente pelos índios da época), bem como sinais da veracidade da imagem e do fato de ela ser, realmente, milagrosa (como, por exemplo, as figuras das pessoas presentes no local onde o índio São Juan Diego derramou as rosas que trazia em sua "tilma", presente como reflexos nos olhos da imagem: figuras essas que só podem ser vistas por microscópio). 


        A HISTÓRIA

A história de Guadalupe Em Tepeyac, no México, Nossa Senhora deu sua mensagem, a medianeira de todas as graças apareceu na América no século XVI, como mãe que deseja ardentemente a salvação de todas as gerações de seus filhos.

Num sábado, 9 de dezembro de 1531, um índio cristão chamado Juan Diego ia para a missão franciscana de Tlatetolco, para assistir à Missa em honra de Nossa Senhora. De repente, ao passar junto da colina do Tepeyac, chegaram-lhe aos ouvidos os acentos de uma música tão linda, como nunca antes tinha ouvido.

Procurando de onde viria a melodia, ele escutou uma voz: “Juanito, Juan Dieguito!”. Sem duvidar, caminhou direto para o cume da colina donde provinha a voz e lá deu com uma jovem senhora de radiante beleza, serenamente ereta, a acenar para ele. Ao aproximar-se dela, ficou tão penetrado de espiritual alegria, que nada mais conseguiu fazer do que cair de joelhos e sorrir para Ela.

A Senhora era de tanta beleza que deixou Juan Diego estático. As vestes da Senhora resplandeciam como uma luz esplendorosa e seu rosto, um rosto jovem de olhos maduros, um sorriso de compaixão e amor acolheu Juan Diego, quando acudiu a seu chamado:

 - “Juanito (Joãozinho), meu querido filho, para onde você está indo?

- Juan: "Senhora, vou a caminho da igreja, para estudar e aprender os divinos mistérios, que os padres nos ensinam".

- "Entenda, filho querido, que eu sou a sempre Virgem, Mãe do Deus verdadeiro, Criador e autor do céu e da terra, por quem se vive e existe.  É meu desejo que se construa um templo aqui em minha honra, onde Eu derramarei o meu amor, compaixão, socorro e proteção. Eu sou a vossa Mãe dadivosa, Mãe amorosa para com os vossos companheiros, que me amam e se confiam a Mim e procuram o meu auxílio. Prestarei ouvidos a seus lamentos e darei consolo em todas as suas tristezas e sofrimentos”. - "Para conseguir tudo o que meu amor pede, vá agora à casa do bispo no México e fale para ele que Eu o envio para manifestar o meu grande desejo 2 de ter um templo aqui, edificado em meu nome. Diga-lhe, exatamente, o que viu e ouviu. Saiba que Eu lhe serei agradecida e que o recompensarei. Agora, filhinho, você ouviu o meu desejo. Vá e faça-o como melhor puder".

- Juan: "Senhora muito querida, alegremente me ponho a caminho para fazer o que me pedis. Com vossa licença eu me despeço da Senhora”. 

E com a mesma presteza com que atendeu ao chamado da Senhora, desceu a encosta da colina, rumando para a cidade. “Chegando à residência do bispo (que então era Frei Juan de Zumárraga) ele teve uma longa espera, antes de ser atendido. Ajoelhando diante do bispo, ele disse vir a mando da Mãe de Deus, que lhe aparecera na colina de Tepeyac e lhe pedira que transmitisse os seus desejos ao bispo.

Descreveu para o bispo a música estranha, o esplendor das cores e a bela Senhora de voz suave que pedira que fosse ali erguido um templo em sua honra. O bispo ouviu-o com atenção. Manifestou simpatia para com aquele pobre índio; mas também, alguma desconfiança. Não seria aquilo mais uma história asteca a respeito da deusa da fertilidade, cujo templo se erguia também nos arredores do Tepeyac? O demônio costuma ser tão esperto para enganar os fiéis!… Por isso, respondeu para Juan Diego: “Eu vou pensar um pouco sobre tudo o que você me falou; volte daqui a alguns dias…

Juan, desanimado com a recusa do bispo, sentiu-se embaraçado para explicar à Senhora o que tinha acontecido. Voltou para a colina temendo que seu fracasso magoasse a Senhora. Talvez não fosse ele a pessoa mais indicada para transmitir a mensagem. Deveria escolher um outro mais capacitado que ele para levar a cabo aquela missão.

Subiu rápido à colina do Tepeyac e logo seus olhos encontraram a luz maravilhosa: lá estava a Senhora. Correu para Ela, ajoelhou e disse:

-Juan: “Minha querida Senhora, eu obedeci à vossa ordem e fui à casa do bispo. Ele me recebeu bondosamente e escutou com atenção, mas quando me respondeu, eu percebi que não acreditava em mim”.

-Juan: “Senhora muito querida, o bispo pensa que eu estou inventando tudo. Por favor, mande outro mensageiro mais considerado para transmitir vossa mensagem, a fim de ser acreditado. Eu sou apenas um simples índio; eles não acreditaram em mim!”

Nossa Senhora lhe disse: – "Filho muito querido, você precisa compreender que há muitos servos de categoria a quem Eu poderia confiar a minha mensagem; no entanto, Eu escolhi você para esta missão. Volte de novo ao bispo, amanhã; fale-lhe em meu nome e informe-o que é meu desejo que ele tome a seu cargo a ereção do templo que estou pedindo. Diga-lhe que sou Eu, em pessoa, Santa Maria, sempre Virgem, Mãe de Deus, que está enviando você”.

Juan sentiu renascer a coragem. Tranquilizado, falou assim a Nossa Senhora:

-Juan: "Minha querida Senhora, eu irei com prazer transmitir o vosso pedido ao bispo. Talvez ele não queira me ouvir ou mesmo não acredite em mim… Eu voltarei aqui, amanhã à tarde, para vos dizer qual a resposta do bispo. Com vossa licença eu me despeço de Vós, minha boa Senhora”.

Domingo, de manhã cedo, Juan Diego foi assistir à Missa em Tlatetolco. Depois, foi à residência do bispo. Chorando, ele relatou que conversara de novo com a Mãe de Deus e que Ela o conjurara a pedir ao bispo que edificasse um templo na colina de Tepeyac.

Quem o mandava, disse, era certamente a mãe de Jesus Cristo. Desta vez, o bispo se mostrou mais acessível e interrogou Juan minunciosamente. “Filho, disse-lhe, o seu recado me interessa; quem sabe, você poderia me trazer algum sinal de que é mesmo a Mãe de Deus que  deseja a construção de um templo na colina de Tepeyac?” E Juan prometeu trazer o sinal.

O bispo intrigado chamou dois membros de confiança de sua casa. Falando em castelhano para não ser compreendido por Juan, disse-lhes que seguissem a Juan até o ponto onde dissera ter ocorrido a visão. Deviam lhe trazer um relatório completo de quanto vissem e ouvissem. O bispo despediu a Juan. Os servos seguiam-no até um pequeno regato, onde ele desapareceu. Em vão o procuraram e, indignados, voltaram dizendo que não era digno de crédito.

Nesse intervalo, Juan subira à colina, onde a bela Senhora o esperava. Deu-lhe conta do pedido do bispo. Ela lhe disse: – “Muito bem, meu filho. Venha novamente amanhã de manhã e você obterá o pedido para o bispo. Amanhã, ao alvorecer, eu o esperarei aqui”.

Ao chegar em casa, encontrou seu tio Juan Bernardino, muito doente. Ficou preocupado com a saúde do tio a quem muito queria e no dia seguinte tratou da saúde dele. Não deu, portanto, para acudir a seu compromisso com a Senhora do Tepeyac. O tio piorou e temendo a iminência da morte, pediu que o levasse ao mosteiro de Santiago Tlatetolco, procurar um padre para os últimos sacramentos.

Na terça-feira, 12 de dezembro, Juan passava de novo perante a colina de Tepeyac. Então se lembrou de que tinha falhado ao seu compromisso para com a Santíssima Virgem Maria.

E eis que Nossa Senhora o deteve no caminho: – O que é que o preocupa, meu filho? Aonde é que está indo? Cheio de vergonha, Juan falou de sua urgente missão em favor do tio:

 -Juan disse: "Perdoai-me, Senhora; tende paciência comigo. Quando eu tiver cumprido a minha obrigação, voltarei a Vós e transmitirei o vosso recado".

Enquanto Juan falava, a Senhora olhava para ele com amor e compaixão. – Escute, meu filho, acrescentou Ela; não há nada que temer. Não tema a doença de seu tio. Não estou Eu aqui a seu lado? Eu sou a sua Mãe. Não o escolhi para Mim e o tomei aos meus cuidados? Que mais deseja do que isso? A doença do tio não é mortal; acredite agora mesmo que ele já está curado.

Aparição da Santíssima Virgem ao tio de São Juan Diego, 
Juan Bernardino, que estava muito doente. A Virgem lhe
aparece e o cura instantaneamente da doença, ficando
completamente restabelecido

Maria falou, ainda, para o índio: – Vá, meu filho, para o topo da colina, onde me viu pela primeira vez. Lá encontrará uma grande variedade de flores. Colha-as e as traga para mim.


 Juan subiu, colheu as flores e as colocou dentro de sua “tilma” (manto). E Nossa Senhora, logo depois, tomou as flores e as ajeitou dentro do manto do índio.

Filho querido, lhe disse, essas rosas são o sinal que você vai levar ao bispo. Diga-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Você é o meu embaixador e merece a minha confiança. E continuou: – Quando chegar diante do bispo, desdobre a sua “tilma” e mostre o que carrega, porém, só na presença do bispo. Diga-lhe tudo o que viu e ouviu, nada omitindo. Diga-lhe que Eu o mandei ao topo da colina e que você ali colheu estas flores. Repita a história toda, de sorte que o bispo acreditará e irá construir o templo pelo qual Eu me empenhei.



Nossa Senhora, então, despediu Juan que logo se dirigiu à residência episcopal. Os criados se mostraram muito grosseiros e não quiseram atender Juan quando chegou. Ele esperou várias horas. Os criados, curiosos, queriam ver o que Juan carregava na “tilma”, mas ele negou-se a desvendar-lhes o seu segredo.

Afinal, deixaram-no ir ter com o bispo. O índio tornou a referir a ordem da Virgem Santíssima, acrescentando que, agora, trazia o sinal que Sua Senhoria tinha pedido.

Ao descerrar a “tilma” atapetou-se o assoalho de flores. Estas jaziam-lhe aos pés, ainda cintilantes de orvalho, e a recender seu delicado perfume. e o milagre aconteceu… Juan com o coração a pulsar violento, contemplava a beleza das rosas. Mas, ergueu os olhos, ao ver o bispo cair de joelhos diante dele e orar.

Momento no qual São Juan Diego derrama as rosas que 
estavam em sua tilma. Imediatamente, aparece a bela imagem
milaculosa da Virgem Maria, conforme Ela lhe aparecera. 

Lágrimas semelhantes às gotas de orvalho das rosas, escorriam-lhe dos olhos. Tinha os olhos fitos, não nas rosas, mas no interior da “tilma”. Lá estava impressa a Imagem da Virgem Santíssima, tal qual a vira em Tepeyac. Os dois homens perderam a noção do tempo que levaram a contemplar o sinal milagroso. Afinal, o bispo tomou a “tilma” de Juan Diego e a colocou respeitosamente no seu oratório particular. E, chorando, deu graças a Deus e à sua Mãe Imaculada. Cheio de consideração para com Juan Diego, o bispo o reteve em casa todo aquele dia.

Na quarta-feira acompanhou o índio ao lugar onde a Mãe de Deus pedira para ter o seu templo.

-Juan disse: Aqui! (mostrando o lugar exato onde vira a Santíssima Virgem, Mãe de Deus). Finalmente, Juan pediu licença ao bispo para ver o tio que, segundo ele dizia, fora curado por Nossa Senhora. O bispo mandou que alguns criados o acompanhassem com instruções de trazer Juan Bernardino (o tio) à casa, se o encontrassem bem de saúde.

Quando viu aquele cortejo acompanhando Diego, o tio se impressionou. Juan Bernardino escutou o sobrinho contar como a Mãe Santíssima lhe assegurara sua cura milagrosa e ouvindo-o descrever a Senhora, o ancião concordava sorrindo.

-Juan disse: “Eu também a vi! Ela veio a esta casa e me falou. Era de beleza jamais vista e me falava com carinho, dizendo querer ser chamada “Tequathanouph”, isto é, que teve origem no cume da pedreira. (Esta palavra, moldada à língua espanhola, transformou-se em Guadalupe: Santa Maria de Guadalupe, embora não tenha falado por quê).

Comparando suas experiências, deram-se conta de que a aparição a Juan Bernardino acontecera na mesma hora em que a Senhora garantira a Juan Diego a cura do doente.

A fama do milagre se espalhou rapidamente por todo o território. Multidão de curiosos ocorreu à casa do bispo para venerar a Imagem. E o bispo transferiu a sagrada efígie para a catedral e a colocou em cima do altar-mor, para que todos a vissem.

Logo depois da aparição a Juan Diego e da aprovação do bispo, grande número de índios pôs mãos à obra da construção da Ermida em Tepeyac, conforme o pedido de Maria. Para a inauguração da Ermida, os índios infatigáveis, enfeitaram o trajeto de 6 km, que medeia entre a catedral e a Ermida com arcos de triunfo e flores.

De intervalo em intervalo havia conjuntos de música e danças executadas por grupos de índios adornados de vistosas plumas e trajes de festa. A maioria dos homens ostentando grande pompa guerreira, percorria a longa avenida para cima e para baixo, formando alas em homenagem a Nossa Senhora. A partir do dia em que a Imagem foi transferida para a Ermida, as peregrinações de indígenas começaram a visitar o Santuário todas as semanas e até todos os dias. A 12 de dezembro de 1794 se acharam presentes 24.000 índios, alguns deles vindos de 300 km de distância. Este costume como se mantém até os nossos dias.

É consolador vê-los dançar em direção à Basílica, arrastando-se sobre os joelhos e, ao chegar junto do altar, oferecer os filhinhos à Mãe de Deus.

 

 (Fonte: Pe. Fernando Maria Alvarez de Miranda, S. J. “Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira do Brasil…, porém, desconhecida”. Editora Padre Reus, Porto Alegre, 2001. P. 15-24)


Detalhe do rosto da Virgem Maria conforme apareceu no manto do índio. Nas pupilas desses olhos
é que, por lentes de aumento, são possíveis de serem vistos rostos e figuras de pessoas que estavam
presentes na sala do arcebispo no momento que Juan Diego derrama as rosas recolhidas em sua tilma.



Uma das imagens (rosto) que se encontram
nas pupilas da imagem. Só dá para ver em 
microscópio / lupa de grande aumento












Imagem milagrosa que apareceu na "tilma" (espécie de manto, eita de ayate um tecido rústico de fibras extraídas da planta de agave - um tipo de cacto) do índio São Juan Diego.
O material, por ser frágilse desmancha em 10 a 15 anos.
Já se passaram quase 500 anos eo material da tilma se encontra intacto, como se tivesse sido feitorecentemente. Não se deteriora. Não há explicação científica para isso. 


Reconstrução facial, feita por I.A. de como
seria o semblante de Nossa Senhora. Obviamente
sua beleza excedia em muito a essa representação.
Nossa Senhora aparece como "mestiça": traços
indígenas e espanhóis, manifestando seu desejo
de que os dois povos vivessem doravante em paz.


Alguns detalhes - e suas explicações - presentes na imagem
da Virgem de Guadalupe. Estão escritos em espanhol, mas, 
creio que dão para ser compreendidos... 




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Texto extraído do Ofício das Leituras, segunda leitura, da Liturgia das Horas:


(“Nicán Mopohua”, 12ª edición, Buena

Prensa, México, D.F., 1971, p. 3-19.21)

(Séc. XVI)

Num sábado de mil e quinhentos e trinta e um, perto do mês de dezembro, um índio de nome Juan Diego, mal raiava a madrugada, ia do seu povoado a Tlatelolco, para participar do culto divino e escutar os mandamentos de Deus. Já amanhecia, quando chegou ao cerrito chamado Tepeyac e escutou que do alto o chamavam:

– Juanito! Juan Dieguito!

Subiu até o cimo e viu uma senhora de sobre-humana grandeza, cujo vestido brilhava como o sol, e que, com voz muito branda e suave, lhe disse:

– Juanito, menor dos meus filhos, fica sabendo que sou Maria sempre Virgem, Mãe do verdadeiro Deus, por quem vivemos. Desejo muito que se erga aqui um templo para mim, onde mostrarei e prodigalizarei todo o meu amor, compaixão, auxílio e proteção a todos os moradores desta terra e também a outros devotos que me invoquem confiantes. Vai ao Bispo do México e manifesta-lhe o que tanto desejo. Vai e põe nisto todo o teu empenho.

Chegando Juan Diego à presença do Bispo Dom Frei Juan de Zumárraga, frade de São Francisco, este pareceu não lhe dar crédito e respondeu:

– Vem outro dia, e te ouvirei com mais calma.

Juan Diego voltou ao cimo do cerro, onde a Senhora do céu o esperava, e lhe disse:

– Senhora, menorzinha de minhas filhas, minha menina, expus tua mensagem ao Bispo, mas parece que não acreditou. Assim, rogo-te que encarregues alguém mais importante de levar tua mensagem com mais crédito, porque não passo de um joão-ninguém.

Ela respondeu-lhe:

– Menor dos meus filhos, rogo-te encarecidamente que tornes a procurar o Bispo amanhã dizendo-lhe que eu própria, Maria sempre Virgem, Mãe de Deus, é que te envio.

Porém no dia seguinte, domingo, o Bispo de novo não lhe deu crédito e disse ser indispensável algum sinal para poder-se acreditar que era Nossa Senhora mesma que o enviara. E o despediu sem mais aquela.

Segunda-feira, Juan Diego não voltou. Seu tio Juan Bernardino adoecera gravemente e à noite pediu-lhe que fosse a Tlatelolco de madrugada, para chamar um sacerdote que o ouvisse em confissão.

Juan Diego saiu na terça-feira, contornando o cerro e passando pelo outro lado, em direção ao Oriente, para chegar logo à Cidade do México, a fim de que Nossa Senhora não o detivesse. Porém ela veio a seu encontro e lhe disse:

– Ouve e entende bem uma coisa, tu que és o menorzinho dos meus filhos: o que agora te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe o teu coração nem te inquiete coisa alguma. Não estou aqui, eu, tua mãe? Não estás sob a minha sombra? Não estás porventura sob a minha proteção? Não te aflija a doença do teu tio. Fica sabendo que ele já sarou. Sobe agora, meu filho, ao cimo do cerro, onde acharás um punhado de flores que deves colher e trazer-mo.

Quando Juan Diego chegou ao cimo, ficou assombrado com a quantidade de belas rosas de Castela que ali haviam brotado em pleno inverno; envolvendo-as em sua manta, levou-as para Nossa Senhora. Ela lhe disse:

– Meu filho, eis a prova, o sinal que apresentarás ao Bispo, para que nele veja a minha vontade. Tu és o meu embaixador, digno de toda a confiança.

Juan Diego pôs-se a caminho, agora contente e confiante em sair-se bem de sua missão. Ao chegar à presença do Bispo, lhe disse:

– Senhor, fiz o que me ordenaste. Nossa Senhora consentiu em atender o teu pedido. Despachou-me ao cimo do cerro, para colher ali várias rosas de Castela, trazê-las a ti, entregando-as pessoalmente. Assim o faço, para que reconheças o sinal que pediste e assim cumpras a sua vontade. Ei-las aqui: recebe-as.

Desdobrou em seguida a sua branca manta. À medida em que as várias rosas de Castela se espalhavam pelo chão desenhava-se no pano e aparecia de repente a preciosa imagem de Maria sempre Virgem, Mãe de Deus, como até hoje se conserva no seu templo de Tepeyac.

A cidade inteira, em tumulto, vinha ver e admirar a sua santa imagem e dirigir-lhe suas preces. Obedecendo à ordem que a própria Nossa Senhora dera ao tio Juan Bernardino, quando lhe devolveu a saúde, ficou sendo chamada como ela queria: “Santa Maria sempre Virgem de Guadalupe”.



quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

SÃO DÂMASO I, Papa - 11 de dezembro

São Dâmaso nasceu na Espanha por volta do ano 305 d.C. Fez parte do clero de Roma e foi ordenado bispo da Igreja Romana no ano de 366, em tempos muito difíceis.

O certo que que era um homem culto e instruído e que ocupou a cadeira papal entre os anos de 366 até 384. Era um firme defensor da fé e sua postura deu credibilidade ao papado.

Sua eleição não foi tranquila, mas, quando assumiu o governo da Igreja,  possibilitou o florescimento de ritos, orações e pregações durante seu mandato. Devem-se a ele, por exemplo, os estudos para a revisão dos textos da Bíblia e a nova versão em latim (a chamada "Vulgata") escrita por São Jerônimo, seu secretário.

Este Papa deu o melhor de si para manter viva a verdadeira religião católica, fazendo com que houvesse uma maior popularização dos ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo. Convocou vários sínodos contra os cismáticos e hereges

Dâmaso conviveu com grandes destaques do cristianismo, como os Santos Ambrósio de Milão, Agostinho de Hipona e Jerônimo. Era também um poeta inspirado pelas orações e cânticos antigos. Graças a ele as catacumbas foram recuperadas, com o próprio Papa percorrendo-as para identificar os túmulos dos mártires e dar-lhes as devidas honras. Começou a restaurar os túmulos onde estavam as relíquias dos mártires do cristianismo assim que o Império deixou de perseguir os cristãos. Foi, portanto, grande promotor do culto dos Mártires, em cujos sepulcros ornou não só com figuras religiosas, mas, até mesmo com seus versos.


Dâmaso escolheu pessoalmente o túmulo no qual gostaria que fossem depositados seus restos mortais. Na Cripta dos Papas, localizada nas Catacumbas de São Calisto, ao término dos seus escritos em honra deles, deixou registrado: "Aqui, eu, Dâmaso, gostaria que fossem depositados meus espólios. Mas temo perturbar as piedosas cinzas dos mártires" (dá testemunho, aqui, de sua grande humildade e pelo respeito e consideração que tinha pelos santos espólios dos Mártires).

Morreu em 384 d.C. com quase oitenta anos de idade.



terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Beato Contardo Ferrini, leigo franciscano secular, jurista e professor.

 

Contardo Ferrini nasceu em Milão em 1859. Um verdadeiro “garoto prodígio”, aos 17 anos se formou no colegial, aos 21 anos se formou em direito e, após um período de especialização em Berlim, aos 24 anos, já lecionava direito romano na Universidade de Pávia. Também ensinou em Messina e Modena e em 1894 voltou para Pavia, onde permaneceu até sua morte.

Estudioso, jurista e pesquisador estimado, cultivava uma forte espiritualidade, que lhe permitirá se destacar em um ambiente altamente anticlerical. Uma atitude que se tornará sua principal forma de evangelização: com esse "apostolado silencioso" e seu estilo de vida, poderá falar de Deus mesmo aos ateus distantes, indiferentes.

Envolvido em San Vincenzo e outras atividades de caridade, por quatro anos foi vereador em Milão, onde lutou para preservar o ensino religioso nas escolas primárias. Contardo Ferrini é um dos primeiros a apoiar o projeto de uma universidade católica na Itália. Contraiu tifo bebendo em uma fonte poluída e morre aos 43 anos, em 17 de outubro de 1902, durante um período de férias em Suna, no lago Maggiore. Pio XII o proclama bem-aventurado em 1947. (Avvenire)

Nascimento e primeiros anos

Em Milão, em meio a uma fúria patriótica e ventos de guerra, em 04 de abril de 1859 nasceu Contardo, filho de Rinaldo Ferrini e Luigia Buccellati. Em sua família, porém, havia um grande amor por Jesus e pela Igreja. Seus pais o educaram para a fé e a oração. O espírito intacto do pai, tecido de fé e ação, desde tenra idade, o levou ao topo, apesar de, nos primeiros anos, por causa de seu temperamento forte e indômito, ter sido um menino algo desobediente e traquinas. Tocado profundamente pela morte da avó materna, a quem muito amava, Contardo, com aproximadamente 09 anos, passou a sentir em si mesmo o desejo de amar somente o Senhor, em dedicação virginal, correspondendo ao seu amor com uma intensa vida interior de meditação e com frequente e regular confissão e comunhão eucarística (lembra um santo recentemente canonizado: São Carlo Acutis, que a partir de dua Primeira Comunhão, aos sete anos de idade, passou a ir à Santa Missa diariamente). 


Um garoto prodígio

Dotado de grande inteligência, iniciou seus estudos com grande lucro, obtendo seu diploma do ensino médio na faculdade das Ursulinas de Sant 'Ambrogio em 1876, com apenas 17 anos de idade. Na época do positivismo, uma ideologia negadora de Deus e do catolicismo, ele apareceu como um erudito maduro e um católico coerente, de rosto alto, com o nome de Jesus não apenas na mente, mas, também nos lábios.

Para continuar seus estudos, ele conseguiu um lugar livre no Colégio Borromeu de Pavia, onde se matriculou na Faculdade de Direito dessa famosa universidade. Os professores e colegas discípulos logo se viram atingidos por sua profissão de fé aberta e segura, e alguém começou a ridicularizá-lo, apelidando-o de "San Luigi" como um sinal de ridículo. Mas, Contardo respondeu com seu temperamento: culto, altamente preparado, sempre com resultados brilhantes nos exames, forte na fé e alegre em seu estilo de vida.

Delicado e gentil, ele amava a poesia, especialmente ao contemplar o grande livro da natureza, escalando os picos dos Alpes. Em 1880, aos 21 anos, batendo todos os recordes, ele se formou com uma tese sobre a contribuição que o estudo dos poemas de Homero e de Hesíodo deram à história do direito penal. A comissão do exame não confrontou um aluno, mas, já um professor, apesar de muito jovem. A partir desse dia, Contardo será um modelo de católico leigo, em sua fé vivida e em sua profunda preparação e competência profissional.

 


Professor ilustre

Contardo imediatamente descobriu sua vocação científica: o estudo do direito antigo, particularmente o direito romano. Depois de obter uma bolsa de estudos, ele se aperfeiçoou na Universidade de Berlim: ali se tornou amigo dos jovens católicos alemães, admirando sua preparação cultural, social e política, ações de caridade em meio à fé mais pobre e luminosa.

Em 1883 (com apenas 24 anos), o professor Ferrini obteve a livre docência em direito romano e começou seu ensino na Universidade de Pavia. À cadeira, ele trouxe sua seriedade como estudioso e a paixão do professor. Ao mostrar ciência e vida como o direito centrado na dignidade da pessoa à luz de Deus, contribui para a organização de uma sociedade que reflete a própria imagem de Deus. 

Muito habilidoso e amável, impôs-se à admiração de seus colegas e estudantes pela profundidade de sua cultura e pela clareza da exposição. Sua palavra era nobre e fluente, e o sorriso sempre bom e fraterno. Sua pessoa, com um rosto emoldurado por barba e cabelos loiros, respirava uma luz de superioridade intelectual e espiritual que fascinavam.  

Em 1887, ele ensinou em Messina, em 1890, em Modena, retornando a Pávia em 1894, onde permaneceu até sua morte, residindo com seus pais em Milão. No campo científico, seus escritos são muito importantes e ainda muito conhecidos; em particular, seu tratado sobre direito penal romano continuará sendo um texto fundamental para estudantes e acadêmicos. O professor mostrou seu conhecimento com grande humildade: em seus estudos, ele abrangeu do direito à filosofia, da glotologia à literatura italiana e estrangeira; em particular, ele era um apaixonado e especialista amante do pensamento humanista alemão. 

Para aqueles que perguntaram a ele: "Por que você não se casa?" e ofereceu-lhe acordos vantajosos, ele respondeu: "Casei-me com a ciência". Na verdade, Contardo havia se casado com a causa de Jesus e da Igreja como leigo consagrado no mundo, abrindo junto com outros leigos muito nobres (pense em seu colega professor Giulio Salvadori) o caminho para os consagrados dos institutos seculares do século XX.

Ele preferiu, portanto, permanecer celibatário, mas cultivou um alto conceito de casamento, tanto como sacramento quanto como instituição indispensável na sociedade civil. Jesus, o único em sua vida. Para ele e para sua glória, todo o comprometimento da cadeira que lhe rendeu duzentos escritos, que vão desde edições críticas de preciosos textos legais, até artigos para revistas especializadas e diversos itens para enciclopédias. Muitos escritos menores foram então coletados em cinco volumes.

Seus escritos (mistura de ciência e espiritualidade) são obras originais, tanto na exploração das fontes quanto na investigação de problemas ainda não resolvidos, marcando um progresso que leva Teodoro Mommsen a dizer que “o século XX para os estudos romanos receberia o nome do professor Ferrini "E isso" – continua – devido ao seu mérito, a primazia dos estudos romanos passou da Alemanha para a Itália ". Onde está então o obscurantismo de que o catolicismo ainda é acusado hoje, se você tem homens assim?

Contardo também nos deixou páginas ascéticas e místicas muito altas em sua correspondência com amigos e em seus diários pessoais. Como quando, ainda muito jovem, ele escreveu: “Eu não saberia conceber uma vida sem oração, acordar de manhã sem encontrar o sorriso de Deus; um reclinado da cabeça à noite, sem pensar em Deus.Esta vida deve se parecer com uma noite escura e árida devido a um terrível anátema de Deus ... como pode durar nesse estado é um mistério para mim. Peço ao Senhor que a oração nunca precise morrer nos meus lábios. Sim, porque naquele dia que manteria a oração em silêncio, isso significaria que Deus me abandonou ”. Em solo alemão, ele escreveu: “Poder Divino da Fé”.

"Ignorando as fronteiras nacionais e linguísticas, nos consideramos irmãos. A universalidade de Cristo é tão admirável; tanto que nele não há grego, nem bárbaro nem cita, mas todos nós estamos entrelaçados nele". 

E então aquela admirável página da Eucaristia: "É a assimilação do homem a Deus. Quem sabe dizer a que ponto de santidade a alma alcança que com freqüência, com devoção, afeto e com máxima reverência, se alimenta deste Pão mais puro?" , quem é Jesus Cristo, e incorpora e identifica em si o preço da redenção? Eis aqui o segredo da santidade: graças a Jesus, Pão da vida, viveremos e nunca morreremos ”. Nesse espírito, Contardo Ferrini se interessou pelos problemas sociais de seu tempo, juntando-se a atividades de caridade, como as Conferências de San Vincenzo e participando de competições cívicas eleitorais. Em 1895, ele foi eleito conselheiro municipal de Milão e, por quatro anos, trabalhou escrupulosamente e com competência como administrador público, defendendo e promovendo o ensino da religião nas escolas primárias. Ele era apaixonado pela relação entre ciência e fé que o materialismo predominante se dissolveu em ateísmo ou indiferença. Ele cultivou, entre os primeiros na Itália, o projeto de uma Universidade Católica. Ele não viu a Universidade Católica, nascida em Milão em 1921, porém a mesma o reconheceu como seu precursor e inspirador.

Contardo Ferrini, um jurista e professor leigo italiano, foi beatificado pelo Papa Pio XII em 13 de abril de 1947, após ter sido declarado Venerável, sendo um modelo de fé e ciência que unia vida acadêmica e serviço aos pobres, sendo hoje um patrono de faculdades de direito, como a da PUC-SP. 

Fonte (principal – traduzido do italiano para o português)

http://www.santiebeati.it/dettaglio/35050

 

 

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Segundo texto biográfico (mais resumido):

Professor da Terceira Ordem (1859-1902). Beatificado por Pio XII no dia 13 de abril de 1947.

Contardo Ferrini, chamado “astro de santidade e de ciência”, nasceu em Milão, no norte da Itália, a 5 de abril de 1859.

Contardo Ferrini tinha extrema inteligência. Filho de Rinaldo e Luiza, ambos, desde cedo, cuidaram para o integral desenvolvimento de sua potencialidade. Seu pai, um professor e engenheiro, incutiu-lhe o desejo de buscar o conhecimento nas fontes verdadeiras e uni-lo à fé. Esta última parte sempre foi muito desprezada pela maioria dos intelectuais.

Porém Contardo foi um dos juristas mais apreciados e um dos grandes romancistas do seu tempo. Um grande professor e intelectual, mas muito diferente e especial também. O que o tornava realmente destacado era sua dedicação religiosa, num tempo em que a Igreja atravessava profunda crise de fé e enfrentava grande oposição. Já era assim quando nasceu, no dia 5 de abril de 1859, em Milão, Itália. E continuaria sendo nas décadas seguintes.

No plano intelectual, foi brilhante. Com dezessete anos, já havia estudado hebraico, siríaco, sânscrito, copta e iniciava o curso de Direito na Universidade de Pávia. Especializou-se em direito romano e para isso, além de estudar latim, grego e alemão, paralelamente aprendeu espanhol, inglês e francês. Laureado em 1880, como prêmio a universidade deu-lhe uma bolsa de estudos, o que lhe proporcionou a oportunidade de estudar na Universidade de Berlim. Com vinte e quatro anos, já lecionava direito criminal e direito romano, viajando pelo exterior e realizando conferências e palestras.

No plano espiritual, foi exemplar. Mesmo depois de aguentar e sofrer com as gozações dos companheiros de universidade por causa da religiosidade, foi crescendo na fé. Fez voto de castidade em 1881, e assistia à missa diariamente. Humilde, seu amor aos mais pobres o fez participar das obras da Sociedade de São Vicente de Paulo. Simples, seu amor à natureza – praticava alpinismo – o fez tornar-se terciário franciscano em 1886.

Juntando os dois planos, foi um homem completo, amigo, solidário, lutador das causas contra o divórcio, dos excessos de materialismo e em defesa da infância abandonada. Especialmente, quando foi eleito conselheiro municipal de Milão. Vivia para os estudos, as aulas, a igreja e as orações solitárias em casa, mas estava sempre à disposição de todos os que o procuravam para pedir ajuda, conselhos e orientações pessoais.

Nas férias, sempre viajava para Suna, uma região montanhosa destinada à pratica do alpinismo. Lá, conheceu um religioso apreciador e praticante desse esporte, Achille Ratti, mais tarde Pio XI, promotor de sua beatificação. Foi lá que contraiu a doença que o levou à morte em 17 de outubro de 1902, o tifo.

Deixou um legado literário importante: os escritos jurídicos de Ferrini resultam nos cinco volumes conhecidos como “Obras de Contardo Ferrini”, os estudos espirituais chamados de “Escritos religiosos de Contardo Ferrini” e “A vida”.

O papa Pio XII beatificou-o em 1947. No mesmo ano, o bem-aventurado Contardo Ferrini foi proclamado patrono da Faculdade Paulista de Direito, da Pontifícia Universidade Católica, e a Sala de Reuniões da mesma homenageia o seu nome. A celebração litúrgica em sua memória ocorre no dia de sua morte

Tinha apenas quarenta e três anos de idade quando, aos 17 de outubro de 1902, descansou na paz do Senhor.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.