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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

SÃO LEONARDO DE PORTO MAURÍCIO, Presbítero Franciscano


Imortal tornou-se o nome deste franciscano, missionário da Itália, que por espaço de 44 anos pregou 326 missões em 84 dioceses, apresentando-se assim como instrumento escolhido da Providência Divina, para a salvação de muitas almas.
O resultado estupendo que lhe coroava os trabalhos de missionário, tem sua explicação na grande santidade deste humilde filho do Patriarca de Assis. São Leonardo de Porto Maurício é uma figura extraordinária, entre os grandes pregadores de penitência e, dos missionários que Deus tem dado à Igreja, é ele um dos maiores. 
O grande orador sacro Barberini, homem de muita experiência e virtude, disse no relatório ao Papa Clemente XII, em referência à pregação de Leonardo, que nunca ouvira um pregador mais eloquente e zeloso, orador algum que, como ele, tanto o impressionasse.
Bento XIV assistiu a diversas missões dirigidas por Leonardo, para ouvir-lhe as práticas. Nos lugares onde pregava, um dos cuidados do missionário era implantar na alma do povo, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e da Sagrada Paixão de Nosso Senhor, a adoração perpétua do Santíssimo Sacramento e o culto de Nossa Senhora. 
Um dos mais ardentes desejos seus era ver proclamado o dogma da Imaculada Conceição.
Grande pregador, era também modelo perfeito das virtudes, que procurava implantar nos corações dos ouvintes. Possuidor do espírito de São Francisco, era Leonardo, como seu pai espiritual, amigo apaixonado da pobreza.







Textos de São Leonardo de Porto Maurício (aqui)



São Leonardo, o grande missionário do século XVIII, como lhe chamou Santo Afonso Maria de Ligório, nasceu em Porto Maurício, perto de Gênova, Itália, a 20 de dezembro de 1676. Aconteceu que Leonardo perdeu muito cedo sua mãe, tendo sido criado e educado pelo seu tio. Encontrou cedo sua vocação ao Sacerdócio, por isso, ao renunciar a si mesmo, foi para Roma formar-se no Colégio da Companhia de Jesus. Por causa da sua inocência e sólida virtude, conquistou a simpatia e a alta consideração de seus superiores, que nele viam outro angélico Luís Gonzaga. Entrou para a Ordem Franciscana, no Convento de São Boaventura e com 26 anos foi ordenado sacerdote.

Começou a vivenciar toda a riqueza do Evangelho e a radicalidade típica dos imitadores de Francisco, por isso ocupou posições cada vez maiores no serviço à Ordem, à Igreja e para com todos. Devoto da Virgem Maria, que lhe salvou a vida num tempo de incurável doença (tuberculose), São Leonardo de Porto Maurício era devotíssimo do Sagrado Coração de Jesus na forma da adoração ao Jesus Eucarístico.

Foi, no século XVIII, o grande apóstolo do santo exercício da Via-sacra. Era um grande amante da pobreza radical e franciscana. Toda a vida, penitências e orações de São Leonardo convergiam para a salvação das almas. Era tal a unção, a caridade ardente e o entusiasmo que repassava em suas pregações, que o célebre orador Bapherini, encanecido já no exercício da palavra, sendo enviado por Clemente XII a ouvir os sermões de Leonardo para depois o informar a este respeito, desempenhou-se da sua missão dizendo: “que nunca ouvira pregador mais arrebatador, que o efeito de seus discursos era irresistível, que ele próprio não pudera reter as lágrimas”. São Leonardo era digno sucessor de Santo Antônio de Pádua, de São Bernardino de Sena e de São João de Capistrano.


O próprio Pontífice Bento XIV quis ouvir o famoso missionário, e para isso chamou-o a Roma, em 1749, a fim de preparar os fiéis para o Ano Santo. Depois de derramar-se por Deus e pelos outros, São Leonardo de Porto Maurício, não se tornou mártir, como tão desejava, mas deu toda sua vida no dia a dia até adoecer e entrar no Céu a 26 de novembro de 1751, no Convento de São Boaventura, em Roma, onde, 54 anos antes, se consagrara ao Senhor sob o burel de São Francisco. 

Não se limitou apenas à pregação o ilustre missionário de Porto Maurício; deixou também vasta coleção de escritos, publicados a princípio isoladamente, e reunidos depois numa grande edição, que prolonga no futuro a sua prodigiosa ação missionária, não apenas dentro das fronteiras da Itália, mas cujo âmbito é todo o mundo civilizado, pelas traduções feitas em quase todas as línguas cultas. Estes escritos constituem, em geral, um rico tesouro de verdades ascéticas e ensinamentos morais e homiléticos.



Breve biografia: 

Origens
Seu nome de batismo era Paulo Jerônimo. Nasceu no ano 1676, em Porto Maurício, cidade conhecida hoje como Impéria, na Itália. Era filho de um capitão da marinha chamado Domingos Casanova. Porém, sendo ainda muito pequeno, ficou órfão. Por isso, foi levado para Roma, a fim de terminar seus estudos no famoso Colégio Romano. Concluída essa fase, foi para um convento franciscano chamado Retiro de São Boaventura. Lá, ingressou na Ordem Franciscana. Quando fez os votos, assumiu o nome de Frei Leonardo.

Pregador empolgante
Ordenado sacerdote, Frei Leonardo exerceu a maior parte de seu ministério na cidade de Florença, Itália. Era um pregador empolgante, principalmente nas vezes em que pregava sobre a Paixão de Cristo. Multidões acorriam para vê-lo e ouvi-lo. Percorreu a Itália inteira como missionário e pregador. Escreveu inúmeras obras de valor inestimável tanto para pregadores quanto para os fiéis. O Santo Afonso Maria de Ligório, que viveu na mesma época, afirmava que Frei Leonardo de Porto Maurício era o maior missionário a pregar naquele século.

Promotor da paz
Na ilha de Córsega havia uma enorme divisão entre os cidadãos. Era uma situação grave. Por isso, o Papa foi inspirado a usar os dons de Frei Leonardo para beneficiar o povo, enviando-o para lá com a difícil missão de promover a paz. E qual não foi a surpresa geral quando o sábio e humilde frade franciscano conseguiu restabelecer a paz e a reconciliação na ilha através de um acordo de paz.

Salvador do Coliseu
São Leonardo de Porto Maurício é conhecido também como “O Salvador do Coliseu” e não é à toa. Num tempo em que o antigo edifício estava abandonado, depredado e suas pedras eram retiradas para serem usadas em outras construções, ele realizou ali, pela primeira vez, uma Via Sacra. Na celebração ele definiu aquele lugar como sagrado, santificado, por causa do sangue dos mártires derramado ali. A medida foi tão impactante que tornou-se tradição. Depois disso, o Coliseu passou a ser conservado. Tal Tradição permanece até hoje. Em toda Sexta-Feira da Paixão, o Papa celebra a Via-Sacra no Coliseu de Roma.

Anjo da Eucaristia
São Leonardo devotíssimo do Sagrado Coração de Jesus, especialmente, através do culto ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia, à qual era ardente e fervoroso defensor. Praticava e ensinada a adoração eucarística, no intuito de reparar e desagravar ao Sagrado Coração de Jesus. Era zeloso quando à seriedade que deve ser praticada o culto eucarístico, vindo dele, em suas pregações, preciosas palavras de advertência e exortação àqueles que ousam desrespeitar a presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento. 


Profeta Mariano
São Leonardo foi também um grande devoto de Nossa Senhora. Desejava ardentemente que a Igreja proclamasse o dogma da Imaculada Conceição de Maria. Chegou a convencer Papa de então, Bento XIV, sobre a necessidade de convocar um concílio com o fim de discutir tal tema e, em seguida, proclamar o dogma. Ele não viveu para ver a proclamação, mas escreveu uma carta profecia na qual previu que o dogma seria proclamado um dia, como, de fato, o foi, no ano 1854.


       Morte
Frei Leonardo faleceu no ano 1751, quando estava no Retiro de São Boaventura de Palatino, em Roma. Sua fama de santidade era tão grande que até mesmo o Papa Bento XIV ajoelhou-se em frente ao seu corpo. São Leonardo recebeu vários títulos como o “Santo da Via Sacra”, “Santo da Imaculada Conceição”, “Salvador do Coliseu” e “Pregador da Paixão de Cristo”. Mais tarde, o Papa Pio XI conferiu a ele o título de “Padroeiro de todos os sacerdotes que se entregam às missões no mundo.” São Leonardo de Porto Maurício é ainda festejado como padroeiro da cidade deImpéria, antiga Porto Maurício.



Oração a São Leonardo de Porto Maurício

Ó Deus todo-poderoso e cheio de bondade, que fizestes de São Leonardo notável mensageiro do mistério da cruz, concedei, por sua intercessão, que, reconhecendo na terra as riquezas da cruz de Cristo, mereçamos alcançar nos céus os frutos da redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. São Leonardo, rogai por nós.”



A Via Sacra
Também chamada  Via Crucis, é, segundo o Diretório da Piedade Popular e Liturgia (DPPL 131-135), o mais apreciado exercício de piedade em louvor da Paixão de J. C., pelo que se pratica sobretudo nos tempos penitenciais. Consiste em acompanhar espiritualmente o trajeto de Jesus desde a agonia no Getsêmani até a morte e sepultura no Calvário, com momentos de meditação e oração em várias estações. 
Síntese de várias devoções, a sua prática desenvolveu-se a seguir às Cruzadas, promovida pelos Franciscanos e particularmente por S. Leonardo de Porto Maurício (+1751). Presentemente conta 14 estações baseadas em passagens dos Evangelhos ou em tradições populares: 
1) Jesus é condenado à morte; 
2) Jesus toma sua cruz. 
3) Jesus cai pela primeira vez; 
4) Jesus encontra sua Santíssima Mãe; 
5) O Cireneu ajuda-o a levar a cruz; 
6) A Verônica enxuga-lhe o rosto; 
7) Jesus cai pela segunda vez; 
8) Jesus consola as filhas de Jerusalém; 
9) Cai pela terceira vez; 
10) É despojado das vestes; 
11) É pregado na cruz; 
12) Morre na cruz; 
13) É descido da cruz e entregue a sua Mãe; 
14) É depositado no sepulcro. 

Os títulos das estações podem ser criteriosamente alterados, como o fez várias vezes São João Paulo II na Via Sacra de Sexta-Feira Santa no Coliseu, p.ex., em 1992: 
1) Jesus no Horto das Oliveiras; 
2) Traído por Judas, é preso; 
3) É condenado; 
4) É negado por Pedro; 
5) É levado a Pilatos; 
6) É flagelado e coroado de espinhos; 
7) Carrega a cruz; 
8) É ajudado pelo Cireneu; 
9) Fala às mulheres de Jerusalém; 
10) É crucificado; 
11) Fala ao bom ladrão; 
12) Tem Maria e João ao pé da cruz; 
13) Morre na cruz; 
14) É deposto no sepulcro.
http://www.portal.ecclesia.pt/catolicopedia/artigo.asp?id_entrada=1962







A Via-Sacra e São Leonardo de Porto-Maurício


Uma popularização dessa devoção só se deu, efetivamente, no século XVI, quando o Papa Inocêncio XI (1686) concedeu a possibilidade de se conseguir as grandes indulgências _ já concedidas aos peregrinos que visitavam Jerusalém _ também àqueles que, nas igrejas dos Franciscanos, fizessem o exercício da Via-sacra. Mais tarde (1731), Clemente XII permitiu que, em todas as igrejas seculares, se erigissem as Estações, fixando o número em 14.
Foram os Franciscanos, fiéis guardiões dos Lugares Santos, que muito colaboraram para a difusão dessa devoção em toda a Igreja. Entre eles se destaca São Leonardo de Porto Maurício (falecido em 1751). Por sua sugestão o Papa Bento XIV, em 1750, determinou a instituição das estações no Coliseu e que ali, a cada sexta-feira, fosse praticada a Via-sacra. Daí a tradição _ a cada Sexta-feira Santa _ dos fiéis de Roma, de se juntarem ao Pontífice romano para, juntos, ali celebrarem a Via-sacra. (MZ)





São Leonardo de Porto Maurício deu origem a esta devoção no século XIV no Coliseu de Roma, pensando nos cristãos que se viam impossibilitados de peregrinar à Terra Santa para visitar os Santos lugares da paixão e morte de Jesus Cristo. Tem um caráter penitencial e está acostumado a rezá-los dias sexta-feira, sobre tudo na Quaresma. Em muitos templos estão expostos quadros ou baixos-relevos com ilustrações que ajudam os fiéis a realizar este exercício.




   
    Segundo texto biográfico
       São Leonardo foi proclamado pela Igreja como Padroeiro das missões entre fiéis, pela orientação particular que deu ao seu apostolado e pela amplidão da sua obra missionária, que se estendeu a todas as cidades da península itálica. Nasceu em Porto Maurício, na Ligúria, e frequentou em Roma o colégio gregoriano. Entrou ainda jovem na ordem dos frades menores, e desde o noviciado propôs imitar o mais fielmente possível a vida de São Francisco. Veio a conseguir o seu intento, sobretudo na penitência, que raiava pelo heroísmo, na altíssima contemplação e no zelo apostólico.
Ordenado sacerdote, dedicou-se por mais de 40 anos à pregação, com grande proveito para os fiéis, escolhendo como temas as mais importantes verdades cristãs, seguindo também  neste pormenor a exortação de São Francisco.

A simples apresentação da sua figura já constituía um bom princípio de pregação: austero, magro, ardente de fé e de amor. O seu estilo retórico, em conformidade com o costume da época valia-se de sinais exteriores destinados a causar impacto e mover à contrição e às lágrimas, apelando à sensibilidade. Neste clima se situa a grande devoção da Via Sacra, de que foi eminente divulgador. Deixou algumas obras escritas, desde simples esboços até tratados de ascética e de pregação.

A pregação de São Leonardo caracterizava-se por algo de dramático e até trágico. Multidões imensas acorriam a escutá-lo, e ficavam impressionadas pela sua palavra ardente, convidando à penitência e à piedade cristã. Dizia dele Santo Afonso Maria de Ligório, que era “o maior missionário do século”. Não era raro durante a sua pregação o auditório inteiro prorromper em pranto e em soluços. Pregou por toda a Itália, mas a região favorita foi a Toscana, por causa do jansenismo, que ele se propôs combater com todo o empenho, abordando para isso os temas que lhe pareceram mais eficazes: o nome de Jesus, a Virgem Maria e a Via Sacra. Quando ele fazia uma missão na Córsega, os bandidos desta atormentada ilha deram tiros para o ar gritando: “Viva Frei Leonardo! Viva a Paz!”.

Bastante desgastado pelos constantes trabalhos apostólicos, foi chamado a Roma, onde, em apaixonados sermões a que o próprio papa por vezes assistia, preparou o clima espiritual para o jubileu de 1750. Foi nessa altura que erigiu a Via Sacra no Coliseu, declarando sagrado aquele lugar onde muitos mártires tinham vertido o sangue por Cristo. No ano seguinte ainda se deslocou à região de Bolonha, para as suas últimas pregações.

Regressando a Roma, ao convento de São Boaventura no Palatino, a 26 de novembro, com 75 anos de idade, terminou a carreira terrena este incomparável missionário do povo cristão. As autoridades tiveram de recorrer às forças de segurança para controlarem a multidão dos devotos que queriam ver o Santo e levar relíquias dele. Foi a respeito dele que disse o Papa na época: “Perdemos um amigo na terra, mas ganhamos um Santo no céu”.










https://www.paulus.com.br/portal/santo/sao-leonardo-de-porto-mauricio-presbitero-2#.WZtBPz597IU
http://www.a12.com/santuario-nacional/santuario-virtual/santo-do-dia/26/11 
http://www.cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-leonardo-de-porto-mauricio/408/102/#c
http://www.franciscanos.org.br/?p=46815
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sábado, 2 de setembro de 2017

SANTA ZÉLIA GUÉRIN, mãe de Santa Teresinha: modelo de conformidade na dor e na doença.



Em 28 de Agosto de 1877 morria Santa Zélia Guérin, mãe de Santa Teresinha do Menino Jesus e esposa de São Luís Martin, vítima de um câncer de câncer de mama que a fez sofrer muito, no corpo e na alma, por cerca de dois anos.
Seus últimos meses na terra foram marcados por intensos sofrimentos, dores atrozes, febre, hemorragia, desarranjo intestinal e toda sorte de desconfortos. A medicina na época praticamente não tinha nada o que fazer com tal patologia.

Mas, Santa Zélia manteve a serenidade até à morte, em 28 de agosto de 1877. No momento de sua partida, estavam ao seu lado o marido e o irmão Isidoro (a irmã Maria Dositéia morrera na Visitação sem saber quão doente Zélia estava). Logo depois, vieram as três filhas mais velhas. A pequena Teresa, assim como Celina, despediu-se da mãe na manhã seguinte. Zélia foi enterrada junto aos quatro filhos falecidos.

Serva de Deus Madre Maria Amada do Menino Jesus, virgem e fundadora (das Missionárias e Missionários do Sagrado Coração e Santa Maria de Guadalupe)



A Serva de Deus Madre Maria Amada do Menino Jesus é uma grande mística, talvez uma das mais destacadas do século XX. A pesar de não ser tão conhecida... A Madre Maria Amada não teve somente uma grande experiência de Deus, como também é portadora de uma mensagem eclesial, que ainda deve ser mais meditada e conhecida. Os santos são obra do Espírito Santo, que embeleza sua Igreja com as mais belas pedras preciosas. Cada um faz brilhar os esplendores do Verbo Encarnado na história. Por isso, todo santo é profético, pois cheio de Deus, vive na Eternidade.




Madre Maria Amada nasceu no dia 07 de setembro de 1895, em Guadalajara, cidade do estado de Jalisco, no México. É a primogênita de cinco filhos, dos esposos Sr. Catarino Sánchez e Sra. Matiana Muñoz, que não obstante as dificuldades e condições de pobreza deram a sua família uma sólida formação humana e cristã.
Aos 17 anos de idade, Maria ingressou na Ordem do Verbo Encarnado e do Santíssimo Sacramento. Fez sua profissão religiosa em 19 de janeiro de 1919, no Mosteiro de Guadalajara, onde se dedicou a viver fiel e alegremente sua vocação; e através da oração, buscou descobrir sempre o plano amoroso de Deus em sua vida.


AMADA

Na tradição das Escrituras, no Antigo e Novo Testamento, o Nome tem um grande significado, o Nome traz consigo uma missão, uma vocação, como Abraão e São Paulo. Como o Nome Santíssimo do Verbo Encarnado: JESUS!

Também há uma tradição na Vida Consagrada, desde as origens monásticas, seja no Ocidente seja no Oriente. Sendo a consagração religiosa um aprofundar da consagração batismal, em muitos institutos, o consagrado ou a consagrada recebe também um nome novo.

Ao ingressar na Ordem do Verbo Encarnado e do Santíssimo Sacramento, María Regina Sánchez Muñoz, recebeu um nome novo que marcará sua vida: MARIA AMADA DO MENINO JESUS.

Maria Regina será para sempre AMADA. Este será o centro de sua vida interior: sentir-se amada, conhecer-se amada, experimentar-se amada. Todas as demais graças de sua vida, todas suas ações fluem da graça de ser AMADA.

Por meio de uma sucessão de graças extraordinárias, o Senhor vai formando, educando, moldando a alma de sua AMADA, para fazê-la fundadora, mestra e mãe.
Dócil ao chamado de Deus e animada pela fé, deixou a Ordem do Verbo Encarnado, para fundar uma Congregação que se dedicara a amar ardentemente o Coração de Jesus e a levar seu Reino de amor a todos os homens, baixo a maternal proteção de Santa Maria de Guadalupe.

A Madre iniciou esta obra em Guadalajara, em 1926, em um tempo muito difícil para a Igreja mexicana, por causa da cruenta perseguição que padecia por parte do Governo, que pretendia acabar com a fé, com os valores cristãos e com toda manifestação de piedade do povo de Deus.

A Serva de Deus também iniciou, com sua presença ativa e eficaz, a Congregação dos Missionários e das Missionárias (religiosos, religiosas e leigos) do Sagrado Coração e de Santa Maria de Guadalupe, com a colaboração direta do R.P. Teodosio Martínez Ramos, Fundador e primeiro Superior Geral deste Instituto religioso.


Coração Amantíssimo

O Coração de Jesus, centro de sua vida, vai se revelando a Ela. Quem de nós poderá compreender a profundidade das graças que o Divino Coração derramou na alma de sua Amada?

Maria Amada receberá inúmeras luzes e graças, para compreender o interior do Coração de Jesus, ingressar no Coração do Verbo Encarnado.

Na contemplação, ela descobre e experimenta “os sentimentos do Coração de um Deus, amantíssimo Pai, Irmão, Amigo, Esposo, Rei”.

Ela será constituída Mensageira deste Coração, do “Coração Amante”, Missionária do “Coração Amantíssimo de Jesus”.

Que lindo contemplar como em seus escritos estas palavras brotam com tanto frescor e naturalidade! Sem afetação, mas com a convicção de quem conhece o que escreve. Não como uma abstração. Sua linguagem cheia de poesia é resposta de amor ao Coração de Jesus. Suas palavras estão cheias da unção que somente uma alma que se conhece Amada pode ter.

Maria Amada é a mística do Coração Amantíssimo, para um século que desconhece o Amor. Nós falamos de amor, cantamos o amor, tentamos mesmo comprá-lo, mas não conhecemos o verdadeiro Amor. Não conhecemos a verdade: que somos AMADOS por Deus.

Maria Amada é a mensageira do Coração Amantíssimo de Jesus, especialmente para os pequenos: “Entendi o amor e a ternura do Coração de Jesus, pelos pequenos, frágeis e desvalidos”.



O Fogo do Amor

“O amor é fogo, e fogo que dilata e abrasa”, diz Maria Amada. Diz por experiência, porque vivendo neste Coração Amantíssimo, ela é convertida em Fogo!

Mas o que deseja de nós este Coração Amantíssimo? Quais são os desígnios de amor do Divino Coração?

“O Coração Amantíssimo de Cristo, o Coração de Jesus quer que sejamos fogo”, diz Maria Amada.

Madre Maria Amada faz profundamente a experiência do Evangelho e em seu coração ressoam as palavras do Senhor: “Eu vim lançar fogo à terra; e que tenho eu a desejar, senão que ele esteja já aceso?” (Lc 12,49).

A este mundo frio, gélido, sem amor, o Coração Amantíssimo nos enviou Maria Amada, para incendiar o mundo inteiro com o fogo do Coração de Jesus, para extensão do seu Reino de Amor!

E ainda hoje, a este Coração Amantíssimo, Ela conduz as almas, “para serem abrasadas no fogo divino de seu puro amor”.



Amada vai encontrar-se com o Amor

Madre Maria Amada foi chamada por Deus à Pátria Celestial em 04 de fevereiro de 1967, na cidade de Arriaga, no Estado de Chiapas, por causa de um derrame cerebral, enquanto visitava a comunidade deste lugar.


Ó Madre Maria Amada, sejas tu nossa Mestra de Amor, fazei-nos conhecer este Coração Amantíssimo, ensinai-nos a fazer sua Vontade, viver de sua Palavra. Fazei-nos viver neste Coração Amante, para que como tu, sejamos fogo, sejamos missionários do Amor do Coração de Jesus aos pequenos.



Oração para sua Canonização

Pai Celestial, que te comprazes em adornar teus santos e eleitos com as virtudes de teu Divino Filho, e quiseste abrasar no fogo do amor de seu Coração e no zelo ardente para estender seu Reinado tua Filha Maria Amada e o manifestastes em seu amor para com os pobres e os desamparados; pedimos-te a graça de imitar seu exemplo e que para tua maior glória e o bem da Igreja seja elevada a honra dos altares. Pedimos-te por Santa Maria de Guadalupe e os méritos de Cristo Nosso Senhor. Amém.


Oração para sua Intercessão

Pai misericordioso, que escolhestes a tua filha Maria Amada, para que abrasada no amor de Jesus Cristo, teu Filho, e cheia de zelo pela extensão do Reino de amor de seu Coração, se preocupasse toda a sua vida pelos que sofrem, em especial pelos mais pobres e desamparados; pedimos-te que por sua intercessão, nos concedas a graça que com fé solicitamos ... (faz-se o pedido). Agradecemos todos os dons que lhe concedeste e aqueles que por meio dela nos queira conceder. Escutai piedosamente nossas súplicas e fazei-nos conhecer tua vontade, por Santa Maria de Guadalupe e os méritos de Cristo Nosso Senhor. Amém. Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Ti!





A Infância espiritual na Serva de Deus Madre Maria Amada

A Madre Maria Amada do Menino Jesus não somente foi uma grande mística, mas também recebeu muitas luzes para a formação das almas; para suas filhas e filhos: Missionárias e Missionários do Sagrado Coração e Santa Maria de Guadalupe; bem como, também, para toda a Igreja, para todos.

Uma das características mais particulares de nossa Madre Maria Amada é, sem dúvida, sua experiência profunda da Infância Espiritual. Se a “pequena via” de Santa Teresinha ressoou fortemente em todo o mundo, na alma de Maria Amada, ressoou delicadamente com uma cor particular, muito própria.

Sua alma contemplativa foi conduzida pelo próprio Senhor. O primeiro mestre da vida interior é Deus mesmo, por isso dirá: “Queria gritar alto e fazer-me ouvir por todas as almas: A direção das almas ingênuas e simples, das almas crianças, Deus a toma por sua conta”.

O Espírito Santo é o santificador e diretor das almas! E é com grande delicadeza que Maria Amada será conduzida por seu próprio caminho espiritual sendo “alma criança”. De seu encanto infantil por sua própria infância, o Senhor introduziu sua alma na beleza de ser “alma criança”: “O Senhor me concedeu luzes sobre meu caminhozinho e, em certas ocasiões, me instruiu sobre os particulares; o que se pode reduzir no seguinte: este caminhozinho é da infância espiritual”.

Há algo de muito profético no desejo de ser “espiritualmente alma criança” de Maria Amada. Em nossa geração há uma ditadura da fama, do aparente, todos querem ser os melhores, os mais bonitos e mais famosos. É uma verdadeira enfermidade!

Mas Jesus como Médico misericordioso mostrou a nós “o caminho da infância espiritual”. Seu remédio divino são as “almas crianças”.

Madre Amada é uma “alma criança”. Ela, consciente de sua própria miséria e debilidade, descobriu que sua riqueza não está em ser grande: “se somos o impossível da pequenez e miséria, não devemos estar seguros de que seremos cheios de maiores graças, que o comum das almas pequeninas?” Conduzida pelo próprio Amor, contempla profundamente sua própria pequenez: “Sou o impossível da miséria e da debilidade, pelo que creio que jamais existiria uma alma mais frágil que a minha”.

O divino Diretor, um dia, nos conta ela mesmo em seus escritos, manifestou a ela cada mistério da vida de Cristo. Para cada mistério, Ela recebia “um precioso ensinamento”. E a cada Mistério de Cristo, Amada teria que se unir: sua Infância, sua Vida Pública, sua Vida Eucarística e sua Vida Gloriosa. Grandíssima lição: Amada deve viver da vida do Salvador.

Mas a um destes Mistérios da Vida de Cristo, Maria Amada é ligada por seu próprio nome. Ela é Maria Amada do Menino Jesus. O Mistério da Infância, o Mistério do Menino Jesus, Maria Amada não somente deverá contemplar e se unir, deverá muito mais. O Senhor lhe diz: “Sendo criança, por tua pequenez e simplicidade, imitará esta minha vida e te disporás a ensinar o caminho da Infância Espiritual, às almas que eu te confiarei”.

Maria Amada não somente viverá a infância espiritual como muitas outras almas, mas também terá que ensiná-la. Será Mestra do “caminho da infância espiritual”, mestra das “almas crianças”.


Por isso, Ela nos fala da Sabedoria que aprendeu do Coração Amante de Jesus: “A infância espiritual é toda ela fruto da mais completa renúncia, negação e esquecimento próprio; esse não ser nada para que Ele seja tudo; em uma palavra: tudo aquilo que nos torne crianças por virtude. Que por outra parte seja fácil, plano e doce, tampouco se pode negar. Que tudo faz o Senhor, também é certo. Neste trabalho tudo depende de Deus, assim como de nós”.
Há outra característica das “almas crianças” que é fundamental na espiritualidade da Madre Amada: “Tantos dons nas almas crianças se fundem em um: simplicidade, una com Deus; desse Deus que é um mar infinito de infinitas perfeições e é Simplicidade infinita.”

Madre Amada compreendeu também como a “alma criança” deverá vivê-la: “A simplicidade é, não a simplificação do eu, senão a morte deste grande inimigo, do amor próprio”. Assim simples, “a doçura será sua inseparável companheira” e seu “olhar é o olhar de uma branca e cândida pomba, que jamais olha nem pisa no lodo”.

Para Madre Amada, outra característica da “alma criança” é amar sua miséria. A grandeza da “alma criança” é sua debilidade: “Amemos nossa pequenez, nossas misérias, sem fazer pactuar com nossos defeitos, faltas e imperfeições”.

Mas como Mãe verdadeira, Ela também advertiu as “almas crianças” acerca dos erros e também das dificuldades do caminho do Amor: “Ademais, nunca se repetirá bastante, que seria erro gravíssimo, crer que as almas pequeninas sua Majestade as dispensa ou tira todo trabalho e sofrimento enquanto a prática da virtude e outros; isso jamais poderá ser”.

O Coração Amante de Jesus manifestou a Maria Amada que estas almas “seriam, no meio de sua pequenez, os grandes apóstolos de sua glória, seu vivo louvor, oração e adoração, por com Ele seriam vítimas de amor. Pequeninas em seu espírito viriam a ser os maiores espíritos”.

Ela escreve: “Por fim, sua Majestade me deu a conhecer como as almas crianças são seu perfeito louvor, almas que em sua elevação a Ele, à divina união, através de penas e dores, gozos e alegrias, se vão convertendo em celestes instrumentos, até que completos e afinados, segundo os ouvidos divinos do Deus de Amor, são elevados por Ele, a celestial mansão, para serem tocados nos esplendores da glória e recrear com suas harmonias a Adorável Trindade”.

Não está a santidade nas coisas extraordinárias, por isso a Madre Amada dizia: “Não desejo isso de visões, revelações, etc. desejo com desejo infinito amar a Deus, a Jesus, com um amor sem medida e fazê-lo amar pelo mundo inteiro”. Todos somos chamados a santidade, todos. Sejamos nós também essas “almas crianças”, aprendendo o “caminho da infância espiritual” com nossa Madre Maria Amada do Menino Jesus.

O Coração Amantíssimo de Jesus nos ama a todos, cabe a nós dizer nosso Sim ao Amor. Façamos nossa esta súplica brotada do coração de Madre Maria Amada:

“Ó Sagrado Coração de meu Divino Amor! Formai, por piedade, neste triste desterro, um grande exército de incontável número destas lindas almas, que com infantil amor, vos amem, vos amem sem limite. Não quero mais ouvir de teus lábios a dolorosa queixa de: Não sou amado. Busquei quem me consolasse e não os encontrei. Amado meu, concedei a esta tua pobre e criminal criatura, no excesso de tua infinita caridade e misericórdia, o imerecido favor de ser contada entre essas almas ditosas e que, como elas, viva de amor e morra também de puro amor”.


Autor: José Eduardo Câmara de Barros Carneiro