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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

SANTOS POPULARES: "Bento do Portão", conhecido no bairro Santo Amaro, São Paulo.



Antônio Bento tornou-se figura de devoção em Santo Amaro. Bento do Portão como se tornou conhecido, viveu em boa parte de sua existência em Santo Amaro espalhando bondade, com labor da vida diária, ora carregando lenha, fonte de energia local e da cidade como um todo, ora sendo o “agueiro” recolhido das minas d’água da Iguatinga, recebendo as benesses populares desta labuta, tendo como “morada” o portão do Cemitério de Santo Amaro ou acomodava-se diante da ombreira e verga das grandes portas das residências dos domicílios de onde usufruísse de seu sustento... Mais um santo popular, que talvez nunca seja beatificado ou canonizado, visto que o Brasil, infelizmente, é a terra do “esquecimento” de seus santos. Se tivesse vivido na Itália, por exemplo, muito possivelmente já seria um Servo de Deus ou até mesmo um Venerável... Quem sabe?


Antônio Bento, mais conhecido como Bento do Portão, nasceu na Bahia no dia 29 de janeiro de 1875. Segundo relatos de moradores mais antigos, Bento veio a pé do estado baiano até chegar em Santo Amaro (antiga cidade que depois passou a ser considerada bairro na capital paulista).

Inicialmente, foi acolhido pela fazendeira Isabel Schimidt que lhe trazia café com pão para se alimentar de manhã e no decorrer do dia quando tinha fome, ele sentava nos degraus das casas enquanto aguardava por um prato de comida, por isso, passou a ser conhecido como Bento do Portão.

Muitos o consideravam um mendigo e chegavam a maltrata-lo, cuspiam e diziam que era feiticeiro, mas na verdade era uma pessoa muito simples e bondosa que sempre retribuía quando recebia alimentos ou roupas. Era comum vê-lo trazendo latas d´água ou feixe de lenhas que eram deixadas nas portas das casas em agradecimento de quem o ajudava.

Era muito procurado por ser curandeiro (* vide nota abaixo). Recebia o que a pessoa pudesse pagar, às vezes com cigarro de palhas ou simplesmente ganhava balas. A noite dormia em um pequeno quarto de cortiço, onde tinha um matadouro e que hoje é o endereço do Shopping Boa Vista.

No dia 29 de junho de 1917, com 42 anos, Bento falece próximo à entrada principal do cemitério de Santo Amaro e a causa da sua morte é desconhecida. Seu corpo foi encontrado pela mesma Isabel Schmidt que vinha todas as manhãs e foi através dela que a administração do cemitério cedeu um espaço, para que, ele fosse sepultado em um lugar tranquilo.

Passado três anos de sua morte, uma senhora que já o conhecia por ser "curandeiro", foi diagnosticada com diabete e necessitando amputar as pernas, recorreu a Bento em oração pedindo ajuda, quando retornou ao hospital para seguir com a amputação, foi informada pelos médicos que não teria necessidade, sendo este considerado um dos primeiros relatos de cura realizado por Bento do Portão.

Outro relato diz que, após sete anos enterrado, ao ser feita à exumação de seu corpo, este se encontrava intacto, sem nenhum sinal de decomposição. Logo começou a propagação e seu túmulo seria um local de peregrinação com cada vez mais devotos agradecendo as graças alcançadas e Bento do Portão tornou-se uma figura de devoção, um santo não reconhecido pela Igreja Católica, mas popularizado pelos diversos milagres atribuídos a ele desde então.



Em 2002, ganhou uma lapide de um senhor português e a administração do cemitério negociou com os familiares dos sepultados para ceder um espaço onde seria construído um memorial para Bento. Todos materiais utilizados: telhas, ferros, cimentos, pedras... foram doados por devotos e a inauguração ocorreu no dia 8 de Julho de 2002, e durante a cerimônia dezenas de pessoas, além de autoridades locais e famílias tradicionais santamarenses compareceram para prestar homenagem em sua memória. Além da sepultura o lugar tem uma cobertura e velário destacado em meio à paisagem do cemitério, no ambiente interno as paredes são compostas por centenas de placas agradecendo pelas graças alcançadas.

Segundo os administradores, estima-se que cerca de 700 pessoas  (*) visitem o mausoléu mensalmente. Todas as segundas-feiras, sempre ao meio dia, seus devotos costumam fazer orações e levam rosas ou flores do campo para enfeitar o túmulo, e depois aproveitam a água dos vasos considerada “benta” para beber e banhar-se com ela.


(*) Notas: 
1. Chamamos aqui no Nordeste os “curandeiros populares” de “rezadores” ou “benzedores”, sendo mais comum tal prática por parte de mulheres do povo ou líderes comunitárias, as “rezadeiras” ou “benzedeiras”. A “reza” é um costume antigo. Não tem nada a ver com umbanda ou candomblé. As “rezas” são orações simples que impetram a cura, especialmente, de crianças doentes, cujas mães creem terem sido vítimas do “quebrante”, “mal olhado” ou “olho gordo”. A Igreja não apoia essa prática, porém, também não a condena, visto que é tradição ou costume popular.
2. Lamentavelmente, ocorreu a intrusão de pessoas não diria "maldosas", mas, ignorantes e mal orientadas, na devoção ao Bento do Portão: fanáticos que seguem um cidadão que se diz "profeta" ou "iluminado" que assumiu praticamente a "liderança" da devoção popular praticando cultos à margem da Igreja Católica. Há, inclusive, certa intrusão de indivíduos praticantes de cultos de origem africana. Uma grande pena! Infelizmente, no Brasil isso é muito comum. O que certos padres católicos muitas vezes não aproveitam ou valorizam, outros vem e tomam o espaço, como é o caso do uso de certos ritos e sacramentais originalmente católicos que são "aproveitados" por algumas igrejas pseudo-evangélicas como é o caso da Universal: uso de água, óleo ou fogo "abençoados", por exemplo... 


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Serva de Deus Maria Antônia, Virgem, Mística e Alma Vítima. Experimentou convivência constante e visível com seu Anjo da Guarda.



O padre jesuíta João Batista Reus, venerável Servo de Deus misticamente agraciado, originário da arquidiocese de Bamberg (Baviera), que por muitos anos residiu em São Leopoldo, RS, falecido em odor de santidade naquela cidade em 1947, confirmou a vida mística e santa da Irmã Maria Antônia (Cecy Cony). Assim a descreve na apresentação do livro Devo Narrar Minha Vida:
   
 “Obrigada pela obediência, escreveu ela as reminiscências da sua vida, sem reflexão, com certa repugnância e pedindo auxílios especiais a Nosso Senhor. Mal terminava algum dos seis cadernos de que se compõe o manuscrito, entregava-o logo às Superioras e não perguntava mais por ele. Morreu antes de concluir a sua autobiografia, que só abrange seus primeiros 21 anos de vida, e pôde apresentar-se na presença do Senhor com a beleza deslumbrante da inocência batismal.

O Servo de Deus Pe. Reus foi
diretor espiritual de Cecy Cony
Cecy era inteligente e de formação esmerada. Os atestados do colégio davam-lhe quase sempre o 1º ou o 2º lugar. No magistério foi professora habilíssima, como atestam suas superioras. Humilde, extremamente sincera e inocente, nunca na sua vida proferiu uma mentira nem ofendeu a Nosso Senhor ‘por querer’. Esta declaração dá-nos a chave para julgarmos com justiça de certas fragilidades exteriores que lhe notaram algumas pessoas. Era incapaz de inventar fatos místicos. Nem por leitura nem por qualquer outro meio ordinário pôde conhecer os fenômenos dessa natureza que descreve com tanta nitidez.

Ao saber, quase no fim de seus dias, que havia almas que nunca experimentavam a presença sensível de Nosso Senhor por ocasião da Sagrada Comunhão, perguntou assustada: ‘Nem na primeira Santa Comunhão’?  A resposta negativa fê-la chorar amargamente. E exclamou: ‘Estas almas, nesta vida, nunca chegaram a conhecer Nosso Senhor’”.
São Leopoldo, Colégio Cristo Rei, 8 de dezembro de 1946.
Pe. J. Batista Reus, S.J.

     Cecy Cony nasceu no dia 4 de abril de 1900, em Santa Vitória do Palmar, RS. Era filha do Cap. João Ludgero de Aguiar Cony e de Antônia Soares Cony.

     Profundamente religiosa desde tenra infância, como ela mesma relata, “desde esse dia de fevereiro ou março de 1905, o “Novo Amigo” acompanhou-me sempre, sempre, por toda a parte, e comigo fazia guarda a Papai do Céu, ao pé da grande cômoda. Aos seis anos soube que ele era o Santo Anjo da Guarda. Compreendia-o perfeitamente; falava-me, mas eu jamais ouvia sua santa voz”. Cecy conviveu com o seu Anjo da Guarda por cerca de 30 anos.

     Em fins de 1905 ou meados de 1906, o Capitão Cony foi transferido para a guarnição de Jaguarão e a família mudou-se para aquela cidade, onde Cecy passou a frequentar o Colégio Imaculada Conceição.

     Em 17 de outubro de 1906, em sua Primeira Comunhão, fez o juramento de fidelidade: “Bom e querido Jesus, eu juro para o Senhor que não quero nunca fazer um só pecado”. A partir daquela ocasião, sempre sentia a presença sensível de Jesus na alma ao comungar.

     Sua devoção a Maria Santíssima também foi precoce: “Depois da Ave Maria, a segunda oraçãozinha que aprendi com Madre Rafaela, foi: Lembrai-Vos que Vos pertenço, terna Mãe, Senhora Nossa! Ah! Guardai-me e defendei-me como propriedade Vossa. Sempre rezei esta oraçãozinha de manhã e de noite, até entrar para o convento. Aprendera também a fazer sacrificiozinhos a Nossa Senhora. E alegria imensa senti quando Madre Rafaela nos ensinou a rezar o Santo Rosário”.


     O caso do Divino Espírito Santo: Jaguarão, município próximo à fronteira Brasil/Uruguai, tinha uma secular devoção ao Divino Espírito Santo. Todos os anos a Bandeira do Divino saia a angariar donativos para a grande solenidade. A família de Cecy não deixava de colaborar e ela mesma dava sua pequenina contribuição.

     Por volta de 1911, uma chocante notícia pôs em polvorosa todos os habitantes de Jaguarão. No quartel do Exército, localizado no centro da cidade, o coronel comandante mandou um sargento avisar que a procissão devia seguir adiante, pois lá não entraria o estandarte do Espírito Santo. Esse fato causou uma forte impressão em Cecy. "Como esse coronel pode ser tão ruim assim? Os pobres soldados ficaram privados da oportunidade de receber a bênção do Espírito Santo e dar uma modesta contribuição para a festa. Mas, muito pior do que isso, foi o insulto a Deus!" Acabrunhada com tais pensamentos, e não conseguindo adormecer à noite, ela ficou imaginando um meio de reparar tão grave ofensa.

     Inspirada por seu Anjo da Guarda, no dia seguinte saiu às ruas pedindo aos soldados e demais militares moedas e falando da sua tristeza pelo fato do coronel não ter permitido que o estandarte do Espírito Santo entrasse no quartel. Cecy também colabora com o dinheiro que tinha para comprar um sapato novo. Na cidade, ninguém soube desta participação de Cecy.

     Em 8 de dezembro de 1914, Cecy tornou-se Filha de Maria. Em 1920, começaram suas decisões e indecisões sobre o estado a tomar. Foi só em 1925 que Cecy conheceu claramente a Santíssima Vontade de Deus a respeito de sua vocação. Com a energia de sua inquebrantável vontade, embora sangrando o coração, despediu-se dos pais e seguiu o chamado do Esposo divino: em junho de 1926, entrou como postulante na Congregação das Irmãs Franciscanas em São Leopoldo, onde se esforçou por adaptar-se ao espírito de São Francisco, o que não lhe custou, porém mais difícil era viver uma vida tão diferente da que levara até ali no seio da família.

     A morte do pai, tão amado, em 18 de janeiro de 1927, foi um duro golpe que abateu suas forças físicas; Cecy teve de deixar seu querido convento.

     De volta ao convento, em 17 de fevereiro de 1928 recebeu o véu branco de noviça. No dia 14 de fevereiro de 1930, Irmã Antônia proferiu os votos temporários, ocasião em que Nosso Senhor novamente aludiu a sofrimentos futuros.

     Irmã Antônia consagrou-se irrevogavelmente ao Divino Esposo pelos votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência no dia 24 de fevereiro de 1933. Com inteira dedicação e espírito de sacrifício, retomou sua atividade como professora no Colégio São José, em São Leopoldo. Compreendia admiravelmente as suas alunas, e estas, por sua vez, cercavam de carinhosa veneração a bondosa educadora.

     Sofrimentos místicos, indizivelmente dolorosos, no corpo e na alma, assediaram-na impiedosamente. Um dos mais dolorosos padecimentos era o peso de todos os pecados do mundo, sentindo ela estes pecados na sua alma como se os tivesse cometido ela mesma. O inferno a incitava a dizer: “não quero mais sofrer!” Mas a jaculatória: “Meu Jesus, eu Vos amo ainda!” foi sua prece eficaz em favor das almas periclitantes, seu grito de vitória contra os assaltos infernais.

     Os sofrimentos de Irmã Antônia valiam ora como reparação pelas perseguições feitas à Santa Igreja, ora como expiação pelos ultrajes que Jesus Eucarístico sofre perenemente; contribuíram para a salvação das crianças e dos soldados, para a santificação do clero e dos religiosos.

     Na noite do dia 24 de abril de 1939, Irmã Antônia morre serenamente, mas envolta em grande padecimento. No dia seguinte foi sepultada no cemitério conventual das franciscanas de São Leopoldo. Alunas atiram flores sobre o sarcófago; suas carinhosas cartas com pedidos e recomendações foram colocadas junto ao seu corpo.

     Finalmente, a palavra do filósofo e conhecido conferencista Frei Pacífico, OFM Cap que leu a autobiografia: “É pela boca dos 'inocentes, das crianças' que Jesus revela aos homens os tesouros de seu infinito amor. Eu gostei imenso das páginas da feliz criança, encheram minha alma do desejo de recorrer mais seguido ao meu Anjo da Guarda” (excerto). 

Sua autobiografia: “Devo Narrar Minha Vida”, Memórias da infância de uma religiosa Franciscana da Penitência e da Caridade Cristã da Casa-Mãe de São Leopoldo, RS, Editadas pelo P. J. Batista Reus, S.J. , antigo professor de Ascética e Mística.

Imprimatur: Por comissão especial do Exmo. e Revmo. Sr. D. Pedro da Cunha, antigo bispo de Petrópolis, com a data de 15/4/1953.


Fonte: blog Heroínas da Cristandade