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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

SANTO HENRIQUE DE OSSÓ, Presbítero e Fundador




Apóstolo das crianças pela catequese, inspirador de movimentos laicais para uma vivência mais empenhativa do evangelho, diretor de almas. Ficou fascinado pela espiritualidade de santa Teresa de Jesus, mestra de oração e filha da Igreja, à luz de cuja doutrina fundou, em 1876, a Companhia de Santa Teresa de Jesus.


Henrique de Ossó, sacerdote, fundador da Irmãs Teresianas, é um dos homens de Deus, que, no século XIX, contribuíram para manter viva a fé cristã, com fidelidade inquebrantável à Igreja.
Desde criança teve uma devoção entusiasta por Santa Teresa de Ávila, através das suas obras e dos frades carmelitas. A vida e a doutrina de Teresa de Jesus, assimilada com a leitura constante, inspirou a sua vida espiritual e o seu apostolado, mantidos pela força do seu amor ardente a Jesus e a Maria. Um encontro que o levava a mergulhar na intimidade com Deus donde brotava a energia vital que o formava, deixando-se possuir pelo amor de Cristo. Cativado pelos ensinamentos e pela vida de Teresa, tornou-se um incansável propagador de sua doutrina, despertando nos seus leitores e seguidores admiração e amor. Quem se aproxima de Enrique, inevitavelmente chega a Teresa.
Henrique de Ossó e Cervelló nasce em Vinebre, a 16 de outubro de 1840, uma pequeníssima povoação da província de Tarragona, Espanha, situado nas margens do rio Ebro. Henrique fala da sua família e diz que teve: "bons pais e santos avós". Uma boa referência.
A morte da sua mãe, aos 14 anos, causada pela cólera, deixa-o desolado. Ela dizia-lhe com frequência: "Meu filho, que alegria me darias se fosses sacerdote". Ele respondia-lhe invariavelmente: "Não. Eu quero ser mestre".
Num dia de primavera de 1852, ainda Henrique não completara os doze anos, saiu, com o pai, em direção a Quinto de Ebro, na província de Saragoça. Ali vivia, dedicado ao comércio de tecidos, João de Ossó, irmão do Sr. Jaime. Ali poderia Henrique passar uma larga temporada e, meio a brincar, meio a sério, junto do balcão do tio, ir-se-ia habituando à prática da vida comercial. Depois para Reus, ou para Tarragona... Assim pensava o Sr. Jaime. Naquele dia, Dª Micaela ficou em casa a chorar.
Em Quinto de Ebro, Henrique fica doente e regressa a casa. "Assim, pois, por novembro de 1852 entrava de novo Henrique na sua casa de Vinebre, donde saíra naquele formoso dia de primavera. A mãe apertou-o contra o peito, capaz de o comer com beijos. Também a sua irmã Dolores o recebeu com o melhor dos seus carinhos. Jaime, o irmão mais velho, já estava em Barcelona.
E agora?... Já não podiam mandá-lo à escola da aldeia, porque Henrique já não tinha mais nada para aprender. Contudo, não tinha abandonado os livros durante a estadia em Quinto de Ebro. Naquela noite o Sr. Jaime disse à esposa: "A partir de amanhã começas a preparar a roupa e as coisas necessárias porque na segunda-feira próxima vou levar Henrique a Reus".

Henrique talvez tenha ido para Reus na primavera de 1853, depois de se ter refeito totalmente da doença sofrida em Quinto de Ebro. O comércio para onde foi trabalhar era propriedade do Sr. Pedro Ortal. Era um estabelecimento de tecidos. Chamava-se e chama-se ainda "A Maravilha". Henrique em Reus fazia a sua vida normal de empregado de comércio.
Um dia recebeu uma notícia inesperada. Tem de ir rapidamente a Vinebre. Dª Micaela estava gravemente doente. Ao anoitecer do dia 15 de setembro de 1854, D. Micaela morreu. Pouco tempo depois, da morte de Dª Micaela seu pai manda-o novamente para Reus, a trabalhar na loja de tecidos, a mais importante da cidade. Henrique, enquanto trabalha por detrás do balcão, vai pensando noutros caminhos para a sua vida.
Um dia, deixa umas cartas de despedida e põe-se a caminho do santuário de Montserrat. Ali, diante da Virgem Moreneta, decide o seu futuro: "Encontrei a minha vocação... Serei sempre de Jesus, seu ministro, seu apóstolo, seu missionário de paz e de amor".
Em Montserrat, uns dias depois, o seu irmão Jaime encontra-o, e atua como mediador com seu pai para que o autorize a ir para o Seminário de Tortosa.
Em 1854, a vida em Espanha não ia nada bem para quem queria dedicar-se à causa de Jesus Cristo. Nem os seminários tinham a estrutura e o ambiente propícios para o estudo e a preparação que se requer para uma boa formação teológica e espiritual. Henrique vive em casa de Mosén Alabart, um sacerdote da diocese, estuda com dedicação sob a tutela do Domine Sena, que lhe ensina Latim e algo muito mais importante: introdu-lo no conhecimento de Santa Teresa de Jesus.
Em 1856 começa a estudar Humanidades. Nas atas do final de curso, as notas de Henrique em Filosofia e Teologia aparecem sempre com a classificação de "Meritissimus". Henrique, desenha muito bem, esculpe lindas figuras em madeira com uma simples navalha e canta com muito boa voz. Como se ainda fosse pouco, faz parte da Conferência de S. Vicente de Paulo, com os encargos que trazem consigo: reunião semanal, retiro mensal, e visita aos pobres cada semana; assim entra em contacto com as pessoas mais miseráveis de Tortosa. Passa as férias de Verão em Vinebre, na linda casa de seu pai. Ali reza, ajuda um pouco nas tarefas agrícolas e, durante o tempo que habitualmente todos dedicam à sesta, reúne nas amplas caves da casa todas as crianças da terra para a catequese. Assim começa a sua missão de catequista e de mestre. De tarde leva-as a passear pelos arredores da aldeia. Em cada verão, todas as crianças esperam ansiosas a sua chegada à aldeia.

Ao terminar os três anos de Filosofia, os seus superiores e a sua família querem que continue os estudos no Seminário de Barcelona, e ali se matricula no ano letivo de 1860-61 para frequentar os estudos de Física e Química como aluno de um catedrático excecional: o doutor Jaime Arbós. Henrique e Arbós chegam a ter uma boa amizade e este nomeia-o seu adjunto durante algum tempo. A sua família queria que "luzisse" e subisse na escala das honras acadêmicas, mas Henrique só tinha uma única preocupação: preparar-se bem para ser sacerdote e fazer brilhar, não a sua própria pessoa, mas a de Jesus Cristo.
No verão, desloca-se a Benicasim, uma povoação costeira da vizinha província de Castellón, onde vivem os seus tios. Ali o seu corpo recupera as forças enfraquecidas pelos esforços do estudo. De Benicasim sobe às próximas montanhas do Deserto das Palmas, onde os Padres Carmelitas têm o seu convento. Com a comunidade carmelita recupera as forças do espírito, passa longas horas em oração e reflexão na ermida de Santa Teresa, situada num dos cumes, de onde vê ao longe o mar e um horizonte tão amplo como os seus sonhos apostólicos. Isto vai repeti-lo durante quase toda a sua vida.
Em Setembro de 1861 volta outra vez a Tortosa como aluno do primeiro curso de Teologia, no seminário. Uns meses depois entra na diocese o novo bispo, D. Benito Vilamitjana y Vila. Rapidamente, Henrique de Ossó não será só um seminarista para o bispo, mas o seminarista que é tratado pessoalmente com ilusão e esperança. Contudo, uns anos mais tarde o panorama mudará radicalmente.
Três anos depois volta a Barcelona, para frequentar o seminário, desta vez como interno, o terceiro ano de Teologia. O seminário é dirigido pelos jesuítas. Henrique admira o reitor, P. Fermín Costa, mas admira, sobretudo o P. Joaquín Forn, homem sábio, bom professor. Henrique coloca-se sob a sua orientação. Os três anos de Teologia tirados em Barcelona foram brilhantes, assim como o seu comportamento moral e disciplinar. Este período é também de suma importância na consolidação da sua amizade com Sardá y Salvany, Andrés Martorell, Casanovas, Manuel Domingo y Sol, Juan Bautista Altés, que duraria toda a sua vida.
Em 1866, quando termina os estudos em Barcelona, o bispo Vilamitjana reclama-o para Tortosa. Não quer que Barcelona lhe roube o seminarista Ossó que – o bispo sabe muito bem – é um seminarista fora de série.
Em Tortosa recebe o subdiaconado, a 26 de Maio, e com ele o encargo do bispo de ser professor de Física dos seminaristas; ao mesmo tempo continua os estudos de Teologia. 07Termina o curso com as notas mais altas e também examina-se em Barcelona, na faculdade civil, onde adquire grau de Bacharel em Artes.
Finalmente, a 21 de Setembro de 1867, em Tortosa, o bispo Vilamitjana ordena-o sacerdote. E a 06 de Outubro, em Montserrat, celebra a sua primeira missa. Tu es sacerdos in aeternum.
A sua grande obra foi a Fundação da Companhia de Santa Teresa de Jesus – Irmãs Teresianas - que se estendeu, ainda em vida do Fundador pela Espanha, Portugal, México e Uruguay.
Santo Henrique quis que as irmãs teresianas, cheias do espírito de Teresa de Jesus, se comprometessem a "estender o reino de Cristo por todo o mundo", "formando Cristo na inteligência das crianças e jovens por meio da instrução e no coração por meio da educação".
Faleceu no dia 27 de janeiro de 1896 no convento de Sancti Spiritus Gilet (Valência), Espanha, dos Padres Franciscanos, onde se tinha retirado para orar na solidão. As últimas páginas que escreveu antes da sua morte tratavam da ação da graça do Espírito Santo na vida dos cristãos dóceis ao seu amor. A sua santidade, espiritualidade, e carisma foram reconhecidas, pela Igreja, que o beatificou, em Roma, a 16 de Outubro de 1979, e canonizou em Madri, em 16 de Junho de 1993, por João Paulo II.
O seu sacerdócio, razão da sua vida, foi vivido com uma grande paixão por Cristo e pela humanidade e marcado por um grande zelo apostólico e compromisso de vida, escrito no seu diário, quando fazia os exercícios espirituais antes da sua ordenação sacerdotal: “Serei sempre de Jesus, seu ministro, seu apóstolo, seu missionário de paz e de amor”.
Um espírito de oração contínua e uma intensa atividade apostólica unificaram toda a sua vida e fizeram dele um apóstolo junto das crianças, dos jovens e das famílias, tendo renovado a catequese do seu tempo, sendo hoje padroeiro da Catequese em Espanha, referência e inspirador de movimentos laicais em todo o mundo.
A força do seu sacerdócio habilitou-o ainda para enfrentar com serenidade e firmeza as grandes contradições da sua vida que lhe vinham particularmente dos seus dois grandes amores: a Igreja e a Companhia.
Uma vida cheia que a Igreja nos apresenta como a do apóstolo que "soube unir maravilhosamente a oração e a ação" na sua trajetória terrena.
Foi professor, escritor, fundador e promotor da pastoral educativa, através da valorização da mulher. Dizia: “Educar uma mulher é educar uma família”.
Às suas obras prediletas, a Confraria das filhas de Maria e Santa Teresa, (fundada em 1873), hoje o MTA, e a Companhia de Santa Teresa de Jesus, (nascida em 1876), a congregação das Irmãs Teresianas, dedicou toda a sua força sacerdotal, e toda a sua vida. Para elas viveu, sofreu e se entregou com “Fé viva, Confiança ilimitada, esperança firme e ardente Caridade” como dizia.
Ser sacerdote foi a razão de ser da sua vida, que motivou toda a sua atividade apostólica e fez dele um lutador incansável.
O seu ideal de colaborar na transformação do mundo ao estilo de Jesus desenvolveu-se com enorme criatividade ante os múltiplos desafios da sociedade do tempo que lhe tocou viver. Homem do povo e homem de Deus, soube ser presença e atuou com coerência na construção de uma sociedade mais culta, mais humana, mais fraterna.
A eficácia da sua ação tinha dois pilares imprescindíveis. O seu sacerdócio feito amor apostólico e a sua forte crença no "Organizemo-nos", que ele nos propõe.
Organizou a Catequese de Tortosa e trabalhou intensamente na formação cristã das crianças e adolescentes com a ação e os escritos
Fundou Associações católicas com pessoas de todas as idades e condições. Para ser alma de muitas delas, e especialmente atender a formação e a promoção da mulher fundou a Companhia de Santa Teresa de Jesus.
Criou uma rede de comunicação forte através dos muitos Escritos e Cartas na Revista Santa Teresa e tantos livros de devoção para alimentar a fé de quantos se tinham associado nos movimentos por ele fundados.
Foi o homem do TUDO POR JESUS na sua forma de viver e de atuar. Entre o povo das cidades e aldeias, contagiou a sua experiência de Deus, para ganhar inteligências e corações, às crianças, aos jovens, às famílias, às religiosas que ele fundou.
Pela palavra, escritos, obras e vida foi apóstolo da oração. Orientava para a experiência de Deus, através de Teresa de Jesus, mestra de vida espiritual, com propostas concretas:
um quarto de hora diário de oração;
os diálogos pedagógicos com Teresa de Jesus;
os lemas propostos a cada grupo e movimento;
o apelo a engrossar as fileiras dos Amigos Fortes de Deus.

O fundamento do seu sacerdócio foi:
Um amor: Cristo e Igreja
Uma palavra: Jesus
Um desejo: Que todos conheçam e amem a Cristo e o façam conhecido e amado
Um programa: restaurar todas as coisas em Cristo
Um ideal de vida: encarnado em Maria e na espiritualidade de Santa Teresa de Jesus, em cuja doutrina saboreou uma profunda experiência de Deus.
Um lema: “Tudo por Jesus”

Empenhou-se, pelos seus escritos, fundações e testemunho de vida, em dar a conhecer a todos que Deus os ama, que ninguém fica de fora no reino de Deus, em ser apóstolo e em fazer dos outros testemunhas e missionária da “Boa Notícia”
Hoje o MTA, movimento laical de crianças, jovens e adultos, está espalhado por 23 países dos cinco continentes e o seu lema é ser cristãos no “próprio ambiente”, pela Interioridade, Solidariedade e Comunhão Eclesial, comprometendo-se, conforme dizem os seus Estatutos, “em colaborar na construção de comunidades solidárias, inclusivas e interculturais defendendo sempre a dignidade da Pessoa e o cuidado da Vida.”
As irmãs teresianas, através do Carisma da Educação, herdado de Santo Henrique de Ossó, procuram formar pessoas ao estilo da mística de Teresa de Jesus, com “Cristo na mente e no Coração”, pessoas de Paz, Amor e Verdade construindo nos seus centros comunidades que aprendem oram e educam, educando-se.
Santo Henrique, fundador, apóstolo, escritor e referência para os sacerdotes do nosso tempo.


Oração: Ó Deus, que em santo Henrique, presbítero, conciliastes admiravelmente o espírito de contínua oração com uma infatigável atividade apostólica, por sua intercessão, concedei-nos perseverar no amor de Cristo e servir a vossa Igreja com o testemunho da palavra e da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Oração que Santo Henrique de Ossó, Fundador das Irmãs Teresianas, hoje nos convida a rezar:

«Que eu não vá deste mundo, meu Jesus,
sem um Amor mais forte que a morte.
Que não vá deste mundo, meu Jesus, para o paraíso
sem gozar do Teu conhecimento e do Teu Amor,
pois conhecer-Te é amar-Te e possuir a Vida Eterna,
que nos prometeste.
Eu quero, desde hoje, dedicar todas as minhas forças
em tornar-Te conhecido e amado por todos…
Que “tudo por Jesus”, seja o meu lema,
estender o Teu Reino”, a minha única preocupação,
confiar no Teu Amor, a minha fortaleza,
e que “só Deus basta” seja toda a minha consolação.
Que a Ti, Jesus, eu pregue com a minha vida,
o meu exemplo e a minha missão.
Que o meu pensar e Amar, nesta terra
e “todo o meu caudal”, grande ou pequeno,
sejam o teu pensar e amar.
E que isto seja o meu céu nesta terra.
Glória ao Pai eterno e omnipotente,
e Glória ao Filho,
Vida da minha vida,
com o Amor, Consolador e Guia,
a Ti, seja dada glória eternamente».
Santo Henrique de Ossó
Revista Teresiana,
1895-1896, pág. 99-101


São deles estes pensamentos:

* “ser cristão é ser outro Cristo na terra… Pensar como Jesus Cristo, sentir como Jesus Cristo, amar como Jesus Cristo, agir como Jesus Cristo, conversar como Jesus Cristo, falar como Jesus Cristo. Enfim, conformar toda a nossa vida à de Cristo, revestir-nos de Jesus Cristo é a nossa principal ocupação sobre a terra…”
* “ O mundo feito por homens e mulheres, forjadas na escola de vida de Maria e Teresa de Jesus, terá de ser um mundo de santos, cheio de vida e esperança … mãos à obra que o tempo urge e as circunstâncias chamam.”
* ” A sociedade perderá a esperança de ser melhor, no dia em que a mulher deixar de ser respeitada.”
* Sós vós que deveis decidir se o mundo há de ser ou não de Jesus Cristo.”



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