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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 27 de setembro de 2014

SANTA JOAQUINA DE VEDRUNA, Viúva, Religiosa e Fundadora das Carmelitas da Caridade.



Santa Joaquina de Vedruna
Esta é uma santa que ficou casada até os 33 anos. Teve nove filhos e vários netos. Aos 47 anos fundou a Comunidade das Irmãs Carmelitas da Caridade, e ao morrer, aos 61 anos, havia fundado mosteiros, escolas e hospitais em várias partes da Espanha.


Nasceu em Barcelona, na Espanha, no dia 16 de abril de 1783, quinta de oito irmãos. Seu pai, Dom Lorenzo de Vedruna, era rico e alto funcionário do governo. Sua família era muito católica.
A menina desde muito pequena tinha grande devoção ao Menino Jesus e as benditas almas do Purgatório.

Algo que a caracterizou desde seus primeiros anos foi um grande amor pela limpeza. Não tolerava qualquer mancha de sujeira em sua roupa. E isso a foi levando a não tolerar tampouco as manchas do pecado em sua alma.

Aos doze anos sentiu um grande desejo de ser freira carmelita. Mas as freiras não a aceitaram porque lhes parecia muito jovem ainda para decidir-se pela vocação religiosa.

Don Teodoro, esposo
de Santa Joaquina
Aos 26 anos, aos 24 de março de 1799, casa-se com um rico advogado, Don Teodoro de Mas, um muito amigo de seu pai e um funcionário público como ele. Teodoro estimava muito as três filhas de Don Lorenzo e para decidir-se por uma delas lhes levou um pacotinho de guloseimas como presente. As duas primeiras o rejeitaram como um presente demasiado infantil, mas Joaquina o aceitou com alegria exclamando: "Eu amo amêndoas." Este gesto de humildade fez com que o jovem decidisse escolhê-la como esposa.
No começo do casamento, por vezes, sentia graves escrúpulos não ter seguido a vocação religiosa que de criança tanto lhe chamava a atenção, mas seu esposo a confortava dizendo que na vida doméstica se pode chegar a tão alta santidade como em um convento e com suas boas obras de piedade iria substituindo aquelas que teria feito na vida religiosa. Isso a tranquilizou. Viveu 16 anos com seu esposo, e Deus a presenteou com nove filhos. E como recompensa por seus sacrifícios quatro de suas filhas se tornaram freiras, e várias de suas netas também.


Santa Joaquina e suas quatro filhas
que se tornaram religiosas



Dois filhos da santa que se casaram


Quando Napoleão invadiu a Espanha, o esposo de Joaquina partiu para o exército para defender a pátria e participou bravamente de cinco batalhas contra os invasores. Joaquina e seus filhos tiveram que deixar a cidade de Barcelona e fugir para a pequena cidade de Vich.

Quando Joaquina e seus filhos fugiam pela planície, de repente apareceu uma misteriosa Senhora e a trouxe até Vich para casa de uma família muito boa, que os recebeu com grande carinho. Em seguida, a Senhora desapareceu e ninguém pôde dar razão para isso. Joaquina sempre acreditou que havia sido a Santíssima Virgem que veio para ajudá-la.

Um dia, enquanto estava rodeada por sua família, ela pensou ter ouvido uma voz dizendo: "Logo você vai ser viúva". Ela se preparou para aceitar a vontade de Deus, e dois meses depois, em 03 de março de 1816, seu esposo, embora estivesse bem de saúde e tivesse apenas 42 anos, morreu inesperadamente. Joaquina ficou viúva aos 33 anos e encarregada das seis crianças que havia sobrevivido.

A partir daquele dia deixou todas as suas roupas de senhora rica. E se dedicou completamente a ajudar os pobres e assistir os doentes nos hospitais. No começo, as pessoas pensaram que ela havia enlouquecido por causa da tristeza pela morte de seu esposo, mas logo perceberam que ela estava se tornando uma grande santa. E admiravam a sua generosidade para com os necessitados. Ela vivia como as pessoas mais pobres, mas todas as suas energias eram para ajudar aqueles que sofriam miséria ou doença.

Retrato pintado da santa
Por 10 anos dedicou-se a penitências, muitas orações e contínuas obras de caridade, pedindo a Deus para iluminá-la sobre o que mais lhe convinha fazer para o futuro. Quatro de suas filhas se tornaram freiras e os outros filhos se casaram, e finalmente ela estava livre de toda responsabilidade doméstica. Agora iria realizar seu grande desejo de quando era uma criança: ser religiosa.
Providencialmente se encontrou com um padre muito santo, o Padre Esteban Olot, capuchinho, que lhe disse que Deus a tinha destinado a fundar uma comunidade religiosa dedicada à vida ativa de apostolado. O sábio Padre Esteban escreve as constituições da nova comunidade e, aos 26 de fevereiro de 1826, diante do Sr. Bispo de Vich, que a apoia plenamente, começa, com oito jovenzinhas, sua nova comunidade, à qual coloca o nome de "Hermanas Carmelitas de la Caridad de Vedruna", em sua casa, conhecida como "Manso Escorial".

Logo, as irmãs se tornam treze e mais tarde cem. Sua comunidade, como a sementinha de mostarda, começa sendo muito pequena e se torna uma grande árvore cheia de bons frutos. Ela vai fundando casas de religiosas por toda província.


Fundações de Santa Joaquina de Vedruna





Santo Antônio Maria Claret, 
bispo e fundador
Santa Joaquina teve a sorte de se encontrar também com o grande missionário, bispo e fundador Santo Antônio Maria Claret, cujos conselhos lhe foram de grande proveito para o progresso de sua nova congregação.

Depois veio a guerra civil chamada "Guerra Carlista", e nossa santa, perseguida pelos esquerdistas, fugiu para a França, onde esteve desterrada por três anos. Lá recebeu a assistência bem oportuna de um jovem misterioso, que ela sempre acreditou se tratasse de San Miguel Arcanjo, e Deus a encaminhou nesta terra para uma família espanhola que a tratava com amor verdadeiro.

Voltando à Espanha, talvez como fruto dos sofrimentos padecidos e das tantas orações, começou a crescer admiravelmente sua comunidade e as casas se foram multiplicando como verdadeira bênção de Deus.

Em 1850, começou a sentir os primeiros sintomas da paralisia que a imobilizaria completamente. Aconselhada pelo Vigário Episcopal renunciou a todos os seus encargos e se dedicou a viver humildemente como uma religiosa sem posto algum. Apesar de conservar totalmente suas qualidades mentais, deixou que outras pessoas dirigissem a congregação. Deus lhe suscitou um novo e santo diretor para sua comunidade, o Padre Bernardo Sala, beneditino, que se propôs a dirigir às religiosas no espírito da santa fundadora.

Durante quatro anos, a paralisia foi se espalhando e a foi imobilizando por completo, até lhe tirar também a fala. Então veio uma epidemia de cólera, que lhe tirou a vida e, no dia 28 agosto de 1854, passou santamente à eternidade.

Corpo incorrupto da santa


Antes havia tido o prazer de ver aprovada sua comunidade religiosa pela Santa Igreja, em 1850. E desde então foi ajudando de maneira prodigiosa a suas religiosas que se espalharam por muitos países.

As Carmelitas da Caridade, instituto religioso feminino de direito pontifício, foram aprovadas pela Santa Sé aos 5 de agosto de 1857 e foram agregadas à ordem Carmelitana aos 14 de setembro de 1860; as constituições foram aprovadas aos 20 de julho de 1990.

A Comunidade de Carmelitas da Caridade tem agora 290 casas em 25 países de 4 continentes, com 2.724 irmãs Vedruna. Ao todo, são 40.079 meninas educadas em suas escolas e 4.443 pessoas atendidas em seus hospitais. A sede generalícia está localizada em Roma.


UM MODO INÉDITO CARACTERIZADO POR SER:

• Uma rede de pequenas e flexíveis comunidades,
• Que se inserem "como levedura na massa" (Lc 13,21) nas populações onde são chamadas, rompendo, assim, com a antiga estrutura,
• Que vivem muito pobremente de seu trabalho,
• Que professam um estilo vida orante, fraterno, simples, alegre e muito familiar.

Uma nova forma de ação apostólica orientada ao único objetivo de "trabalhar para a glória de Deus e o bem do próximo". As comunidades de Joaquina de Vedruna foram colocadas em ambientes populares, inclusive marginais:
• Para promover a educação das mulheres,
• Para assistir aos enfermos pobres,
• Para ajudar e acompanhar aos excluídos e "fazer, assim, presente na terra o Reino prometido aos pobres".


Beatificada pelo Papa Pio XII, em 19 de maio de 1940, foi declarada santa pelo Papa João XXIII em 12 de abril de 1959, que disse dela: "Mãe de nove filhos, converteu-se na mãe de numerosos pobres". Os restos da santa repousam na capela do Manso Escorial de Vich.

Santa Joaquina:
Sem fazer milagres em vida e sendo uma mãe de família, uma esposa amorosa e uma mulher que teve que sofrer muito na terra, e que dedicou suas grandes energias em ajudar aos necessitados, seja para nós também um modelo para imitar, e uma poderosa protetora que reze pela nossa santificação e salvação. Que Deus nos mande muitas santas como esta, muitas outras Joaquinas.

"Confia em Deus. Nele encontrarás o amigo que não te deixará".

MOVIDA PELO ESPÍRITO
1. Abandono filial.
2. Seguimento incondicional.
3. Amor encarnado.


A espiritualidade de Joaquina.

A espiritualidade que viveu Joaquina foi a experiência profunda e cotidiana do amor de Deus Pai. Um amor que a humanidade de Jesus faz visível e cujo Espírito impulsiona a seguir o Cristo.

Esta espiritualidade trinitária suscitou nela:
·       Um amor ardente,
·       Uma confiança sem limites,
·       Uma entrega incondicional

Para encarnar em sua vida "aquele amor que nunca diz basta" (Carta 95 e 100), posto ao serviço da humanidade sofrida,
·       A quem Deus Pai ama e sustenta,
·       A quem Deus Filho serve e liberta,
·       A quem Deus Espírito Santo alenta e da vida.


Esta foi a bússola que orientou a vida de Joaquina. Esta experiência espiritual e o contato com a dor dos enfermos e marginalizados e com a exclusão cultural das mulheres suscitou nela o desejo apaixonado de reproduzir na vida deles o rosto compassivo do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Beato Frederico Janssoone, Presbítero Franciscano, Missionário e Taumaturgo.


Beato Frederico Jansoone
“Franciscano, taumaturgo, guardião dos Santos Lugares, impulsionou a devoção à Via Sacra e aos templos na Terra Santa. Passou grande parte de sua vida no Canadá”.

Este franciscano, devoto de Maria, apóstolo na Terra Santa e em quantas missões lhe recomendaram, nasceu na localidade francesa de Ghyvelde em 19 de novembro de 1838. Seus pais eram honrados camponeses que gozavam de boa posição econômica. Coerentes com sua fé católica, a promoveram em seus numerosos filhos. Assim, Frederico, sendo um adolescente, viu no sacerdócio o mais apreciado ideal para sua vida. E depois de cursar os estudos no colégio de Hazebrouck e no Instituto de Nossa Senhora das Dunas, de Dunquerque, ingressou no seminário. Tinha boa base, porque, quando fez sua Primeira Comunhão na idade de 14 anos, havia recebido uma intensa e larga formação.
Na ocasião, fazia quatro anos que seu padre havia morrido. Foi precisamente essa circunstância que influenciou na economia doméstica e lhe obrigou a deixar em segundo plano sua preparação eclesiástica. Seu sentido de responsabilidade lhe fez ver que sua família precisava de sua ajuda para seguir adiante.
Em 1861 foi sua mãe quem partiu deste mundo, enquanto sua vocação franciscana se fazia cada vez mais palpável em seu interior. Na ocasião, tinha 23 anos e aos 26 deu causa a este sentimento ingressando no convento de Amiens onde fez o noviciado. Logo passou para Limoges e por Bruges, onde completou as etapas de sua consagração. Em 1868 emitiu a profissão e em 1870 recebeu o sacramento da ordem.
Uma de suas primeiras missões foi ao “front”, para assistir como capelão aos soldados que se batiam na guerra franco-prussiana. Quando esta terminou, o destinaram sucessivamente a Branday, a Burdeos – com o fim de abrir um novo convento - e a Paris – onde se fez encarregado da biblioteca. A partir de então, seu trabalho começou a desenvolver-se fora da Europa, marcado com o mesmo selo: o zelo apostólico que havia tido até esse momento. Os cinco primeiros anos que passou na Terra Santa, desde 1876 até 1881, como vigário custodial desse patrimônio incomparável da fé que foi colocado debaixo do amparo dos franciscanos, deixaram uma profunda marca em sua vida. Após um breve período de estada no Canadá, onde arrecadou doações para o sustento dos Santos Lugares, além de incentivar aos fiéis à atividade apostólica, volveu à Terra Santa em 1882. Outros seis anos de estada nela serviram, entre outras coisas, para por em descoberto qualidades que anteriormente permaneceram veladas.
De fato, não se havia apresentando a ocasião de constatar sua valia para o mundo diplomático, porém, nesse período, solucionou assuntos delicados com notável êxito. Quando voltou ao Canadá em 1888 deixava para trás obras como a igreja de Santa Catarina, construída por ele, e os regulamentos do Santo Sepulcro e de Belém. Não retornou mais à Terra Santa, porém, seguiu vinculado a ela na qualidade de comissário.
O resto de sua existência decorreu em terras canadenses, primeiro em Montreal e, depois, em Trois-Rivières, Quebec. Sua vida religiosa era um vivo testemunho de amor a Cristo. Era um homem austero, que havia encarnado o carisma franciscano admiravelmente, humilde, confiável, paciente, acolhendo as dificuldades com paz, disposto a cumprir em todo momento a vontade de Deus.
Vivia o ideal de pobreza com rigor e tratava com ternura aos pobre, que eram seus diletos irmãos em Cristo. Adorava com sumo fervor a Eucaristia e levava gravado em seu coração o amor a Maria. Com esse espírito mariano alentou aos fiéis a penetrarem profunda e fervorosamente em seu culto e a viverem piedosamente. Impulsionou peregrinações ao Santuário da Virgem Du-Cap, próximo a Trois-Rivières, que presidia como reitor; recordava a todos que se chega ao Filho através da Mãe. Também foi devoto do Sagrado Coração de Jesus e de São José. Compartilhou estas três dileções com o povo e produziu um notável incremento de fiéis que acudiam a Jesus, Maria e José. Pela mediação da Virgem, Frederico recebeu graças extraordinárias e ocorreram curas milagrosas. Converteu a muitas pessoas.
Infundiu grande amor à adoração eucarística. Pregava, catequizava, assistia às fraternidades franciscanas seculares, difundindo o carisma que havia abraçado. Também redigia escritos espirituais e catequéticos e buscava ajuda para erigir obras de grandes proporções como o Santuário da Virgem do Rosário, de Cap La Madeleine, - que logrou converter em um templo de adoração perpétua de Québec – e o mosteiro das Clarissas de Valleyfield. À instâncias suas, se erigiram imponentes vias sacras em vários lugares. Nada disso teria seguido adiante se não houvesse estado submerso na oração e na penitência.

Morreu em Montreal em 04 de agosto de 1916. Tinha 77 anos. São João Paulo II o beatificou em 25 de setembro de 1988. Suas relíquias são veneradas em Trois-Rivières. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

SÃO ROBERTO BELARMINO, Cardeal e Doutor da Igreja - memória em 17 de setembro.


Sua viva fé e profunda sabedoria foram de incalculável valor para a Igreja. Se considerável parte da Áustria e da Alemanha ainda hoje permanece católica, deve-se, em boa medida, ao apostolado deste filho de Santo Inácio.

Apesar de havê-lo disposto no testamento que seus funerais fossem sóbrios, como correspondia a um membro da Companhia de Jesus, quis o Papa Gregório XV dar grande solenidade às exéquias daquele Cardeal que tanto bem fizera à Igreja de Cristo. Revestido da púrpura recebida havia 22 anos, o corpo de Sua Eminência foi velado na igreja da Casa Professa dos Jesuítas, onde o povo se aglomerou para lhe prestar a última homenagem. Tornou-se necessário recorrer a uma guarda a fim de evitar a indiscreta devoção dos presentes.

Todo o Sacro Colégio participou dos ofícios, e o registro do Consistório lavrou ata da sua morte nos seguintes termos: “Esta manhã, 17 de setembro de 1621, à hora duodécima, o Reverendíssimo Senhor Belarmino, Cardeal Presbítero, de Montepulciano, passou desta região de morte para a morada dos vivos. Era um homem notabilíssimo, teólogo eminente, intrépido defensor da Fé Católica, martelo dos hereges, tão piedoso, prudente e humilde, como caridoso para com os pobres. O Sacro Colégio e toda a Corte Romana sentiram e choraram vivamente a morte de tão grande homem”.

Palavras breves e significativas, carregadas do sabor da época, sintetizam bem o sentir do povo romano em relação a esse Cardeal, de quem afirmavam, ao vê-lo passar: "Ecco il santo! - Eis o santo!".


Precoce no estudo e na pregação.

Roberto Francesco Romolo Belarmino nasceu em Montepulciano, na Toscana, em 4 de outubro de 1542. O pai, Vincenzo Belarmino, de nobreza empobrecida, ocupara durante muitos anos o cargo de governador da cidade. A mãe, Cinzia Cervini, era irmã do futuro Papa Marcelo II que governou a Igreja durante apenas 22 dias, em abril de 1555.

Desde cedo se aplicou aos estudos, aprendendo com facilidade tudo a que se dedicava, inclusive a música. Mas, encantava-lhe também visitar o Santíssimo Sacramento, e, apesar da pouca idade, observava os jejuns do Advento e da Quaresma.


Grande escritor sacro, de inteligência 

brilhante e iluminada pelo Espírito Santo, 
São Roberto foi um dos maiores expoentes 
da Igreja dos séculos XVI e início do XVII.
Encontro com a vocação religiosa.

Aos catorze anos, ingressou ele no colégio da Companhia de Jesus, onde começou a despontar sua vocação de grande pregador e polemista. Um episódio curioso da época ilustra esse pendor.

Espalharam pela cidade boatos caluniosos sobre a qualidade do ensino ministrado nesse colégio, que deixaram Roberto indignado. Para acabar com eles de vez, tomou alguns dos seus companheiros e desafiou para um debate público os melhores alunos das outras instituições de ensino. No dia combinado, coube-lhe fazer o discurso de abertura, na sala do município, onde se deu o evento. A vitória dos estudantes jesuítas foi estrondosa!

Com a palavra dócil, raciocínio metódico e lógico, e, sobretudo, piedade sincera, o jovem santo passou a ser convidado para pregar em retiros e outros eventos. O sucesso batia-lhe às portas. Sendo, ademais, sobrinho de um Papa, embora de reinado efêmero, cresciam no pai as esperanças de vê-lo levantar o nome da família, quiçá como destacado membro da corte pontifícia...

Porém, Roberto media bem os perigos da dourada ascensão que se apresentava diante dele: “Estando durante muito tempo pensando na dignidade a que podia aspirar, me veio de modo insistente a brevidade das coisas temporais. Impressionado com estes sentimentos, cheguei a conceber um horror desta vida e determinei buscar uma ordem religiosa na qual não houvesse perigo de tais dignidades”. Tomou, então, a resolução de fazer-se jesuíta.


Primeiros anos na Companhia de Jesus.

Vencidas as resistências paternas e, após um ano de prova na própria cidade natal, foi transferido para Roma, onde fez os votos de devoção na Companhia e começou a estudar filosofia no Colégio Romano.

Apesar de ter compleição débil e enfermiça, sua inteligência era agudíssima. Possuía, ademais, uma memória tão privilegiada que lhe bastava uma simples leitura para reter o conteúdo de um livro. Assim, marcantes foram os êxitos acadêmicos. Na defesa de sua tese de filosofia, salientou-se pela segurança e clareza de raciocínio com que expôs a matéria e respondeu às objeções propostas. Isso lhe valeu o cargo de professor de Humanidades no Colégio de Florença, apesar de seus 21 anos.

Além das aulas, recebeu também a incumbência de pregar aos domingos e dias santos diante de prelados e eclesiásticos, bem como do escol intelectual da cidade. Os categorizados ouvintes admiravam-se, mais do que por sua eloquência, por vê-lo praticar de forma coerente aquilo mesmo que lhes pregava nos sermões.

Doze meses depois, o jovem Roberto foi enviado como professor de retórica a Mondovi, onde permaneceu durante três anos. Ao ouvir ali uma de suas pregações, o Padre Provincial o encaminhou a Pádua, para os estudos de Teologia, a fim de receber as ordens maiores.

Em vista dos rápidos progressos que lá fizera, São Francisco de Borja, então Superior Geral, determinou sua ida para Lovaina, onde se precisava de homens de talento para defender o "Depósito da Fé", fortemente questionado na época pelos intelectuais luteranos.


Exímio pregador, embora ainda sem estola.

Localizada a menos de vinte quilômetros de Bruxelas - próxima, portanto, de vários Estados que aderiram às teses de Lutero -, era a Universidade de Lovaina um baluarte da verdadeira doutrina. A ela chegou Roberto para permanecer dois anos, os quais se transformaram em sete, segundo a previsão que ele mesmo fizera.

Pequeno de estatura, o jovem jesuíta era um gigante no púlpito. Aos domingos, pregava em latim na igreja do ateneu, repleta de um público habituado a escutar com espírito crítico os mais doutos pregadores. Preciosos foram os frutos desses sermões: católicos hesitantes eram confirmados na Fé, numerosos jovens consagravam-se ao serviço de Deus, muitos protestantes se convertiam. Não faltavam entre eles os que, vindos da Holanda ou da Inglaterra para ouvi-lo e refutar-lhe os argumentos, retornavam arrependidos. Em Gante, a 25 de março de 1570, recebeu Roberto o presbiterato.


O período mais fecundo de sua vida

Renhidas polêmicas marcavam a época. Os problemas levantados pelos protestantes levaram o padre Belarmino a estudar o hebraico, a fim de adquirir uma segurança exegética ainda maior. Chegou a compor, para seu uso, uma gramática dessa língua, que acabou sendo também de grande ajuda para seus alunos.

São Roberto estudou ainda, com afinco, os Padres da Igreja, os Doutores, Papas, Concílios e a História da Igreja. Aparelhou-se, assim, para uma forma de ensino sólida, orientada para um gênero de apologética na qual os erros eram sempre impugnados com respeito e prudência.

Foi o período mais fecundo de sua vida. As principais universidades da Europa, inclusive a de Paris, disputavam-no como professor de Teologia. Até mesmo São Carlos Borromeu chegou a solicitá-lo para Milão. Contando apenas 30 anos de idade, arcava com imensas responsabilidades pastorais e acadêmicas, as quais desempenhava com virtude e talento. Isso levou os superiores a adiantarem sua profissão solene.


Controvérsias: a "Summa" de Belarmino

Algum tempo mais tarde, a Santa Obediência o fez retornar à Cidade Eterna. Gregório XIII fundara no Colégio Romano uma cátedra de apologética chamada Controvérsias, com o objetivo de ensinar a verdadeira doutrina contra os erros que pululavam nos centros universitários de então. São Roberto encarregou-se dela por doze anos, durante os quais refutou primorosamente as objeções dos protestantes. Seus ensinamentos durante esse longo período foram compilados, por ordem dos seus superiores, na monumental obra Controvérsias.

Considerada a "Summa" de Belarmino, ela foi acolhida com grande entusiasmo e traduzida para quase todas as línguas europeias. São Francisco de Sales, o grande Bispo de Genebra, afirmou ter pregado por cinco anos contra os calvinistas em Chablais, usando apenas a Bíblia e as Controvérsias de Belarmino.

Até mesmo os protestantes deram testemunho da eficácia e valor desta obra. Guiène reconheceu que o santo jesuíta valia, por si só, mais do que todos os doutores católicos. Bayle confessou não ter havido nenhum autor que tenha sustentado melhor a causa da Igreja. E ficou célebre a confidência do sucessor de Calvino, Théodore de Bèze, ao desabafar com seus amigos, batendo com a mão nas Controvérsias: “Eis o livro que nos deitou a perder”.

Assim, a fé viva e a profunda sabedoria do santo, bem como seu método tomista de argumentar — começando sempre por expor com imparcialidade as razões e argumentos apresentados pela parte contrária —, foram de incalculável valor para a defesa da Igreja. Se a maior parte da Áustria e quase um terço da Alemanha ainda hoje permanecem católicos, podemos afirmar dever-se, em boa medida, ao apostolado de São Roberto Belarmino.

"‘Ó! Se soubésseis quantos filhos restituístes a Cristo!', escrevia-lhe o Duque Guilherme da Baviera, ao pedir-lhe licença de traduzir as ‘Controvérsias'".



Amizade e admiração entre santos.

Naquele período conturbado para a Igreja, muitos foram os jesuítas que praticaram a virtude em grau heroico, merecendo ser elevados à honra dos altares. Com alguns deles, teve São Roberto um trato mais estreito.

Sendo diretor espiritual do Colégio Romano, coube-lhe ser confessor de São Luís Gonzaga, que o admirava como a um anjo. Aquele, por sua vez, dizia nunca haver tratado com alma tão pura e delicada quanto a deste jovem.

Mais tarde, durante uma visita como provincial ao colégio de Lecce, no sul da Itália, conheceria São Bernardino Realino. Quando os dois jesuítas se encontraram, caíram de joelhos, um diante do outro, e se abraçaram. "Um grande santo nos deixou", disse São Bernardino quando partiu o superior. Ambos jesuítas, unidos desde aquele momento por uma amizade toda sobrenatural, veneravam-se mutuamente como santos.


Cardeal em nome da Santa Obediência.

A fecunda atuação de São Roberto Belarmino na Cidade Eterna não se circunscrevia ao Colégio Romano, do qual passaria, em 1592, a ser reitor. Entre outros encargos, foi teólogo do Papa Clemente VIII, consultor do Santo Ofício e teólogo da Penitenciária Apostólica. Fez também parte da comissão encarregada de preparar a edição clementina da Vulgata, versão oficial da Bíblia para o rito latino até 1979, quando foi substituída pela Neovulgata.

Sua nomeação como Cardeal era inevitável. Ele, porém, recusava-se a aceitar o cargo, alegando incompatibilidade com seus votos. Mas o Papa Clemente VIII o obrigou a aceitar em nome da Santa Obediência, afirmando: "Nós o elegemos porque não há na Igreja de Deus outro que lhe equipare em ciência e sabedoria".

Com o mesmo espírito religioso, desinteresse e abnegação que o caracterizaram até aquele momento, dedicou-se aos trabalhos, muitas vezes espinhosos, exigidos aos prelados romanos. Mas, em 1602, Clemente VIII o liberou da pesada carga, nomeando-o Arcebispo de Cápua, conferindo-lhe ele mesmo a ordenação episcopal.



À frente da Arquidiocese de Cápua

Gozando já em vida de fama de santidade, o Cardeal Belarmino foi recebido na catedral com grande pompa e enorme concurso de fiéis, que tocavam nele medalhas e terços.

Seu governo começou por uma reforma geral do clero. Entrevistou-se em particular com cada um dos presbíteros, usando de bondade e firmeza evangélica para com os transviados. Manifestava-se disposto a perdoar os mais graves pecados aos arrependidos, mas mantinha uma inflexibilidade completa para com os recalcitrantes: aut vitam aut habitum - ou mudança de vida ou de hábito.

Na catedral, deu nova vida ao coro, participando ele próprio da recitação do Ofício. Dedicou-se com frequência à pregação, como era seu costume, usando deste meio para as almas. Visitou também todo o território da arquidiocese, estimulando a piedade dos fiéis e ajudando a reerguer os conventos decadentes. Mas, como bom filho de Santo Inácio, dava particular importância à formação: ele próprio ensinava o Catecismo nas paróquias e na catedral, aos domingos.

No meio de todas essas ocupações, sua vida espiritual era uma obra-prima de serenidade. Conseguia organizar seu tempo de modo a encontrar momentos para pensar, meditar, rezar, estudar, escrever, sem descuidar as obrigações para com seu rebanho. Pelo contrário, era do recolhimento e da oração que hauria as forças para a ação pastoral.

Que linda ilustração da tese de D. Chautard: o apostolado é o transbordamento da vida interior!


Eleição do novo Papa.

Após a morte de Clemente VIII, o Cardeal Belarmino regressou a Roma para participar de um conclave, pela primeira vez. O papa eleito foi Leão XI, falecido menos de um mês depois.

No segundo Conclave, São Roberto chegou a ter um expressivo número de votos. Mas, assim como recusara as honras de Cardeal, revela em sua Autobiografia haver pedido a Deus, naqueles dias, que fosse escolhido alguém mais apto, rezando com insistência: "Do Papado, livrai-me, Senhor!".

Eleito Paulo V, este o trouxe para junto de si, fazendo-o deixar definitivamente a Arquidiocese de Cápua. Ainda dezesseis anos passaria em Roma, desempenhando os mais altos cargos a serviço da Santa Sé e intervindo nos assuntos mais importantes, para cuja resolução exercia o seu parecer uma influência decisiva.


Serenidade na vida e na morte.

Ao sentir aproximar-se a morte, São Roberto pediu ao recém-eleito Papa Gregório XV dispensa de todos os seus cargos na Cúria e retirou-se para o Noviciado de Santo André, no Quirinal, a fim de "esperar o Senhor", como costumava dizer. Ele chegou em 17 de setembro de 1621. Depois de curta enfermidade, tendo recebido a visita de muitas pessoas ilustres — incluindo o próprio Papa —, que lhe pediam um último conselho ou uma bênção, despediu-se desta terra com uma sereníssima morte.

Pio XI o canonizou em 29 de junho de 1930 e o declarou Doutor da Igreja no ano seguinte. Aquele que, durante a vida, com tanto empenho fugira de honras e dignidades, tornava-se assim o único jesuíta inscrito na lista dos santos como Cardeal e como Bispo.

(Irmã Clara Isabel Morazzani Arráiz, EP; Revista Arautos do Evangelho, Set/2010, n. 105, p. 30 à 33)

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Beato Gonçalo do Amarante, Presbítero Dominicano e grande taumaturgo (é chamado de "São Gonçalo do Amarante" em muitos lugares, devido à devoção popular).



O Beato Gonçalo do Amarante (Portugal) ou Gonzalo do Amarante (Espanha) ou, em Latim, Gundisalvus do Amarante, nasceu em Vuzella (perto de Braga ), Portugal, em 1187. Morreu em 1259.

Teve o seu culto aprovado em 1560. Em muitos lugares é chamado de “São Gonçalo do Amarante”, porém, ainda não foi canonizado, apenas beatificado. No entanto, isso em nada afeta a riqueza e a beleza extraordinárias de sua vida. Também não estranhem os leitores que ele seja frequentemente chamado de “São Gonçalo”, pois, em muitos lugares, inclusive em municípios e paróquias no Brasil, ele assim é chamado...


Gonçalo do Amarante foi um verdadeiro filho da Idade Média, um dos homens saído das páginas da "Lenda Dourada". Toda a sua vida se lê como um mural de uma parede de uma igreja cheia de coisas maravilhosas e cores brilhantes.
Ainda jovem, Gonçalo deu indicações de que seria um santo. Concentrou-se nos estudos da Igreja e recebeu treinamento na casa do arcebispo de Braga. Após a sua ordenação, foi dado a ele cuidar de uma paróquia rica e seria um posto que deveria deixá-lo muito feliz, mas ele não estava interessado em paroquianos ricos e assim foi ajoelhar-se aos pés da Virgem Maria, no seu templo favorito, e pedir a ajuda para administrar o seu ofício.
Não houve nenhuma queixa da competência de Gonçalo na paróquia de São Pelágio. Ele se penitenciava, mas era indulgente com aqueles que davam dinheiro para os pobres. As contribuições que recebia para si, ele dava aos pobres e aos doentes.
A paróquia, de fato, estava indo muito bem quando ele a passou para o seu sobrinho. Logo depois ele fez uma peregrinação à Terra Santa e lá queria ficar, mas o arcebispo ordenou que voltasse para Portugal.
Ao chegar, ele ficou horrorizado em ver que seu sobrinho não tinha sido um bom pastor para o seu rebanho. O dinheiro arrecadado para os pobres tinha sido usado para comprar bons estábulos, bons cavalos e cães. O sobrinho disse a todos que seu tio estava morto e que ele tinha sido indicado pastor em seu lugar.
Quando o tio apareceu em cena, furioso e velho, mas muito vivo, o sobrinho não ficou nada feliz. São Gonçalo ficou surpreso e muito triste. O sobrinho ingrato soltou os cães no tio e eles o teriam estraçalhado se os criados não tivessem afastados os cães a tempo de permitir que ele fugisse. Gonçalo decidiu então que ele já tinha tido muito da vida paroquial e foi para as colinas e, em um lugar chamado Amarante, se deparou com uma caverna onde encontrou o que precisava para viver como um eremita e assim viveu em paz por vários anos.
Construiu uma capela para a Santa Virgem e pregava para aqueles que vinham a ele e, em breve, um fluxo de peregrinos ia ao encontro a sua ermida. Mesmo feliz, Gonçalo sentiu que esta não era sua missão na vida e de novo orou para a Santa Virgem que o guiasse. Ela apareceu a ele em uma noite e disse-lhe que entrasse para a Ordem que tinha o costume de começar o Ofício com a "Ave Maria Gratia Plena". E disse-lhe também que esta Ordem lhe era muito querida e que Ela lhe dedicava uma especial proteção.
Gonçalo então saiu à procura da Ordem e, eventualmente, encontrou o convento dos Dominicanos. Ali ele terminou a sua procura e pediu o hábito. O Beato Pedro Gonzales era o superior e logo reconheceu nele um santo e lhe deu o hábito de aspirante.
Gonçalo passou pelo noviciado e foi enviado de volta a Amarante com um companheiro para fundar uma casa da Ordem dos Dominicanos por lá. O povo da vizinhança logo espalhou a noticia que o santo eremita estava de volta. Eles vinham em grupos e pediam-lhe a cura de suas doenças. E ele, milagrosamente, os curava. Um dos vários milagres de Gonçalves foi durante a construção de uma ponte sobre o rio que era muito “bravo” e não permitia que as pessoas do outro lado viessem visitar a ermida no tempo das águas. Não era um bom local para se fazer uma ponte, mas Gonçalo seguiu, segundo ele, diretrizes vindas do céu.
Certa vez, durante a construção, ele estava coletando doações e, quando bateu à porta da casa de um homem rico, este disse a ele para procurar na loja a sua esposa com um bilhete que ela daria a ele as moedas de ouro estipuladas no bilhete. São Gonçalo levou o bilhete para a esposa e quando esta o leu passou a rir. O bilhete dizia: "Coloque este bilhete no prato da balança e dê a ele tantas moedas de ouro quanto for necessário para equilibrar a balança". A loja estava cheia de fregueses. Inalterado, Gonçalves disse: "Mulher, obedeça ao seu marido" e colocou o bilhete no prato da balança e disse: "Agora coloque no outro as moedas". A mulher colocou uma, duas e várias moedas até encher o prato e o bilhete ainda pesava mais que as moedas. Quando o prato estava derramando, São Gonçalves disse: "Já chega" e colocando as moedas em um saco, saiu deixando a todos pasmos e estupefatos.

O milagre do tronco e da ponte
Gonçalo morreu em 1259, após profetizar o dia de sua morte e prometendo aos seus amigos que os ajudaria após deixar esta terra.
Peregrinações logo começaram e uma série de milagres indicaram que alguma coisa deveria ser feita para a sua beatificação. Quarenta anos após a sua morte ele apareceu para várias pessoas que estavam no rio observando o nível das águas subir. A água começou a subir de forma perigosa, quase alcançando a ponte, então todos viram uma grande árvore vindo ao encontro a ponte, e viram também o bem-aventurado Gonçalo aparecer montado no tronco e guiar a grande árvore para junto da margem do lado direito onde passou por debaixo da ponte, sem nenhum dano à mesma. Em seguida o nível da água começou, inexplicavelmente, a abaixar.


O Beato Gonçalo é mostrado na Arte Litúrgica da Igreja como um dominicano entre dois franciscanos. Ele ainda é mostrado segurando um chuveiro de luz e um monastério em suas mãos. Às vezes ele é mostrado dando comida aos mendigos.
Este é um “santo” muito venerado em Braga, Portugal e em Amarante, onde ainda estão lá a sua Ermida, a capela e a ponte. No Brasil é padroeiro de várias cidades.
O Mosteiro de São Gonçalo foi edificado no local onde, primitivamente, existiu a capela deste Santo. Durante o período medieval e, sobretudo, após sua morte, seu culto difundiu-se, tendo o seu expoente no século XVI. 
Em 1343, já a igreja dita de São Gonçalo, era um pequeno santuário medieval e local de  juramento. A doação da Igreja de São Gonçalo para Convento de São Domingos, foi feita pelo Cardeal D. Henrique. A construção do atual Convento, deliberada por D. João III e Dona Catarina, foi iniciada em 1543 e decorreu ao longo de aproximadamente oitenta anos (1543-1620), sendo, por isso, notória a diversidade de estilos.

Sua festa era celebrada no dia 16 de janeiro. Os Dominicanos a celebravam no dia de sua morte, em 10 de janeiro. Com a unificação das festas dos santos em 1969/70, todos os santos tiveram suas festas celebradas no dia de sua morte, assim a festa de São Gonçalo é celebrada no dia 10 de janeiro.
São Gonçalo no Brasil também é chamado padroeiro dos violeiros.

Algumas “curiosidades” sobre o Beato Gonçalo do Amarante:

1.  O rio Tamega era muito perigoso, principalmente durante as cheias do inverno, o que dificultava a vida dos moradores e paroquianos de Amarante. Frei Gonçalo resolveu edificar uma ponte, conforme local indicado por um anjo, sempre contando com a graça de Deus e com o trabalho dos moradores da região. Esta obra foi considerada, em sua época, algo impossível. Frei Gonçalo foi o arquiteto desta obra, na qual empregou o melhor de seus esforços. Por este feito, foi eleito o padroeiro dos engenheiros.
2.  Num determinado momento de penúria da região, elevou seus olhos a Deus e traçando o sinal da cruz sobre as águas do rio o milagre aconteceu, e uma enorme quantidade de peixes apareceu para saciar a fome de todos por muitos dias.
3.  Segundo a tradição, Frei Gonçalo era muito alegre, tocava viola e sua alegria era contagiante. Promovia festas familiares com danças e modas de viola. Vestia-se com roupas dos camponeses e operários da época: calção preso pouco baixo do joelho, meia preta, bota braguesa, chapéu na cabeça e capa nas costas; era essa a roupa de trabalho na construção da ponte.
4.  Através de seus bailes familiares, impediu que as jovens fossem trabalhar nos prostíbulos da região para sobreviver, e assim todas conseguiam bons casamentos.
5.  Frei Gonçalo tocava e dançava, porém, em seus sapatos colocou pregos como penitência, daí o surgimento da “dança de São Gonçalo”. Ninguém sabia o porquê dele dançar todo torto...
6.  Frei Gonçalo sempre promoveu o encontro de jovens, preparando-os para o matrimonio e mostrando a riqueza da santificação na vida conjugal.

É invocado em Portugal e também aqui no Brasil, como padroeiro das mulheres, de todas as idades, que desejam um bom casamento (à semelhança de Santo Antônio de Pádua). Diz uma lenda, que a mulher que tocar o túmulo de São Gonçalo do Amarante, em Portugal, terá casamento garantido, dentro de no máximo, um ano.