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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

SÃO CLÁUDIO DE LA COLOMBIÈRE, Presbítero Jesuíta e Apóstolo do Coração de Jesus.



Confessor e confidente de Santa Margarida Maria Alacoque, São Cláudio de La Colombière foi escolhido por Deus para propagar o amor e a confiança, por meio da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

No ano de 1675, um novo superior foi designado para a casa dos jesuítas em Paray-le-Monial. Sendo ele confessor extraordinário das vizinhas freiras da Visitação, foi estar com a superiora, Madre de Saumaise, a fim de se pôr à disposição do mosteiro. Esta lhe apresentou toda a comunidade e, enquanto o sacerdote dirigia às religiosas breves palavras de incentivo à prática da virtude heroica, uma delas, Irmã Margarida Maria Alacoque, ouviu uma voz interior lhe dizendo:

- “Eis aí quem te envio”! Fazia poucos anos que pertencia a freira à Congregação e já havia sido beneficiada pelo Sagrado Coração de Jesus com numerosas visões e revelações. Naquele momento, porém, passava ela pelo drama da dúvida. Seus superiores e algumas autoridades eclesiásticas a consideravam "uma visionária", levando-a a se perguntar se não estaria sendo vítima da ilusão ou enganada pelo demônio.

O Divino Mestre fizera-lhe, então, uma promessa: "Eu te mandarei meu fiel servo e amigo perfeito".1 Tratava-se do padre Cláudio de La Colombière, que Jesus enviava naquele momento à Irmã Margarida, para confirmar-lhe "em seus caminhos e para torná-lo participante de grandes graças do seu Sagrado Coração".


Formação em colégios da Companhia

Da infância do padre de La Colombière, pouco se conhece. Nasceu a 02 de fevereiro de 1641, na aldeia de Saint-Symphorien, mas aos nove anos mudou-se com a família para Vienne, onde os beneditinos de Saint Andrés-le-Bas lançaram em sua alma as primeiras sementes de sua ardorosa devoção à Sagrada Eucaristia e lhe ministraram a Primeira Comunhão.

Pouco depois de ter chegado à cidade, começou a estudar gramática com os padres jesuítas e, três anos depois, mudou-se para Lyon, a fim de cursar Humanidades, no colégio da Companhia. Foi também nessa cidade, na qual morou por cinco anos, que começou a tomar contato com a obra do grande Francisco de Sales, através das Irmãs da Visitação de Bellecour, em cujo convento falecera o santo fundador.

Cumpridos já dezessete anos, enquanto passava alguns dias de férias na casa dos pais, Cláudio decidiu tornar-se jesuíta. De temperamento reservado, um pouco tímido e muito afetuoso, custou-lhe separar-se da família. Mas o fez de bom grado e por completo, compreendendo consistir a verdadeira felicidade na entrega a Deus por um amor exclusivo.

Mais tarde afirmaria: "Jesus Cristo prometeu cem por um, e posso dizer que nunca fiz nada sem ter recebido, não cem por um, mas mil vezes mais do que havia abandonado".



Do noviciado ao sacerdócio

Corria o ano de 1658, quando Cláudio ingressou no Noviciado de Avignon. Ali se alternaram provas e alegrias, períodos de aridez com outros marcados por uma luz transbordante. Dois anos depois, proferiu os primeiros votos e, havendo concluído o curso de Filosofia, dedicou-se ao magistério no colégio da Companhia, conforme determinavam as regras, antes de prosseguir os estudos para o sacerdócio.

Por sua grande capacidade intelectual, estro literário e modo de fazer os sermões, o Superior Geral decidiu enviá-lo, em 1666, para estudar Teologia no Colégio de Clermont, em Paris. Ali se revelou exímio orador e excelente professor de retórica. Seu valor acadêmico e o exemplo ilibado de vida religiosa valeram-lhe o cargo de preceptor dos filhos de Colbert, o célebre Ministro do Tesouro de Luís XIV. Teve, assim, de frequentar os ambientes da corte, fazendo neles muitos amigos e dando mostras de grande talento, fino trato e elevada educação, além de se destacar pela firmeza de princípios e exímia virtude.



A Terceira Provação

Em 06 de abril de 1669, Cláudio recebeu as sagradas ordens e cinco anos depois chegou para ele o tempo chamado por Santo Inácio de "Escola do Afeto".

A sabedoria do fundador bem via quanto os largos anos de estudo, magistério e apostolado podiam ser para seus filhos espirituais motivo de diminuição do fervor inicial, contaminado por aspirações mundanas, quando não por sentimentos de vanglória pelos êxitos obtidos. Por isso, estabeleceu que cada jesuíta passasse por este novo período de noviciado, também chamado de Terceira Provação, antes de fazer a profissão solene. Nesse tempo, sob a orientação paternal de um instrutor, o religioso fazia um balanço de sua vida, visando desapegar-se de toda preocupação humana para deixar-se levar inteiramente pela luz divina.

A Casa São José, em Lyon, foi o lugar onde o padre Cláudio atravessou esse período, durante o qual fez um voto particular de cumprimento exímio das regras do Instituto, "sem reservas", dispondo-se a aceitar com alegria as determinações da Santa Obediência e romper de uma vez por todas as cadeias do amor-próprio. Ao mesmo tempo consolidou-se em sua alma a confiança - também sem reservas - na misericórdia divina, sem a qual ser-lhe-ia impossível manter-se fiel aos propósitos feitos em prol da própria santificação e a dos outros.

Esse tempo de solidão e recolhimento fê-lo também desapegar-se de todos os relacionamentos humanos, aos quais era extremamente sensível, para ter Nosso Senhor como único e verdadeiro amigo: "Meu Jesus [...] tenho certeza de ser amado, se vos amo. [...] Por mais miserável que eu seja, não me tirará vossa amizade nenhum indivíduo mais nobre que eu, nem mais culto ou mais santo".

Antes mesmo de concluir o tempo regulamentar, foi admitido aos votos solenes, feitos quando completava 34 anos, em 02 de fevereiro de 1675. Logo em seguida, recebeu o encargo de superior da casa dos jesuítas em Paray-le-Monial. Sua alma estava com a têmpera ideal para empreender a grande missão que o aguardava.


Três corações unidos para sempre

O padre de La Colombière não sabia o que encontraria nessa pequena cidade, mas seus superiores, inteirando-se das visões de Santa Margarida Maria Alacoque e das polêmicas que haviam gerado, o escolheram exatamente por causa do seu equilíbrio de alma. Padre Cláudio era perfeitamente capaz de sustentar os bons critérios frente às controvérsias criadas, dentro e fora do convento.

De fato, sem se importar com as críticas e juízos desfavoráveis, logo viu a mão de Deus nas visões de Irmã Margarida Maria e a tranquilizou e apoiou, recebendo, como recompensa, recados e favores do Divino Mestre.

Um deles ocorreu, certa vez, durante a Missa celebrada para a comunidade, quando a religiosa viu, na hora da Comunhão, o Sagrado Coração de Jesus como uma fornalha ardente e dois outros corações abismando-se n'Ele: o do padre de La Colombière e o seu próprio, enquanto ouvia estas palavras: "É assim que meu puro amor une esses três corações para sempre. Esta união destina-se à glória de meu Sagrado Coração. Quero que descubras seus tesouros, ele fará conhecer seu preço e utilidade. Para tanto, sejais como irmão e irmã, partilhando igualmente os bens espirituais".

Apressou-se ela em transmitir o fato ao sacerdote e depois relatou sua reação. "As mostras de humildade e as ações de graças com que ele recebeu essa comunicação e várias outras coisas que lhe transmiti da parte de meu soberano Senhor e que lhe diziam respeito, comoveram-me e foram-me mais proveitosas que todos os sermões que eu poderia ouvir".



Apostolado da confiança e do reafervoramento

No curto período de dezoito meses de sua permanência em Paray-le-Monial, quiçá tenha feito o padre de La Colombière mais pelas almas que em todos os anos anteriores de sua vida. O jansenismo, então em pleno auge na França, minava nos corações a confiança na bondade de Nosso Senhor e de sua Mãe Santíssima, e afastava os fiéis dos Sacramentos, sobretudo da Sagrada Comunhão.

O apostolado feito por São Cláudio em suas cartas, pregações e direções espirituais, ia, justamente, no sentido contrário: promovia a confiança em Maria e a devoção ao Santíssimo Sacramento. Atraiu assim muitas ovelhas desgarradas, trazendo-as de volta ao redil do Salvador.

Fundou uma Congregação Mariana para nobres e burgueses, na qual agrupou os cavalheiros católicos da cidade, bem como reorganizou a dos alunos do colégio da Companhia. Reestruturou o hospital dos peregrinos e indigentes, e pregou missões nos povoados vizinhos, com grandíssimos frutos de reafervoramento.



"Eis o Coração que tanto amou os homens"

Mas, sua máxima missão foi participar, por desígnio do próprio Jesus, na chamada "Grande Revelação" feita a Santa Margarida Maria, em um dia da Oitava de Corpus Christi de 1675, quando rezava diante do Santíssimo Sacramento: a difusão da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, bem como a instituição de sua festa e da consagração reparadora.

Assim transcreveu a santa as célebres palavras proferidas por Nosso Senhor, enquanto lhe mostrava seu Divino Coração: "Eis o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-Se e consumir- -Se, para manifestar-lhes seu amor. E, como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, desprezos, irreverências, sacrilégios, friezas que têm para comigo neste Sacramento de amor. E é ainda mais repugnante, porque são corações a Mim consagrados".

Em seguida, pediu-lhe o Senhor que a primeira sexta-feira após a Oitava de Corpus Christi fosse consagrada como festa especial para honrar seu Coração, com um ato público de desagravo e comunhões reparadoras. Acrescentou a promessa formal de conceder copiosos favores espirituais para quem praticasse tal devoção.

A religiosa alegou sua indignidade e incapacidade de realizar a missão, e recebeu esta resposta: "Dirige-te a meu servo Cláudio e dize-lhe, de minha parte, que faça todo o possível para estabelecer esta devoção e dar esse gosto a meu Divino Coração; que não desanime diante das dificuldades que encontrará, pois estas não faltarão, mas ele deve saber que é todo poderoso quem desconfia de si mesmo para confiar unicamente em Mim".

Assim, na sexta-feira seguinte, São Cláudio, Santa Margarida e a comunidade da Visitação de Paray-le-Monial celebraram, pela primeira vez, a Festa do Sagrado Coração de Jesus, consagrando-se inteiramente a Ele.



Missão junto à Duquesa de York

Quando estava no auge de suas atividades em Paray-le-Monial, o padre de La Colombière recebeu ordem de partir para Londres, como capelão da Duquesa de York, Maria de Módena, que era católica fervorosa e só consentira em se casar com o Duque, irmão de Carlos II, após ser autorizada pelo governo inglês a ter sempre um sacerdote junto a ela.

Por meio da santa vidente, o Coração de Jesus recomendou a São Cláudio algumas atitudes a serem observadas em sua nova missão: não se assustar com a investida dos infernos contra seu carisma para atrair as almas, mas confiar inteiramente na bondade de Deus, pois seria Ele seu sustentáculo; usar de doçura e compaixão para com os pecadores; ter o cuidado de nunca separar o bem de sua fonte. Sua partida foi muito dolorosa para Santa Margarida, valendo-lhe uma censura de Nosso Senhor: "Não te basto Eu, que sou teu princípio e teu fim?".

De sua parte, São Cláudio permaneceu fiel ao voto e aos propósitos feitos no período da Terceira Provação, mantendo-se, "sem reservas", afastado da vida da Corte. Sendo capelão da Duquesa de York, vivia no palácio Saint James, mas fazia-o num regime de profundo recolhimento e grandes mortificações. Preocupava-se apenas em propagar a devoção à Sagrada Eucaristia e ao Sagrado Coração de Jesus, apesar das dificuldades criadas pela hostilidade contra a Igreja.

Acabou, entretanto, por converter famílias inteiras e atrair para a vida consagrada muitos membros da aristocracia londrina. Alguns destes os encaminhou para instituições religiosas na França; outros, os reuniu na própria Londres, num mosteiro clandestino, por ele fundado, próximo da Catedral de São Paulo.

Foi por essa época que Titus Oates acusou injustamente os jesuítas e outros membros da Igreja de estarem tramando o assassinato de Carlos II, a fim de substituí-lo por seu irmão, o Duque de York, convertido ao catolicismo. Embora o próprio rei considerasse absurda essa denúncia, ela deu origem a violentas perseguições contra os católicos, injustamente acusados de terem participado no chamado "complô papista".

A pretexto de tais acontecimentos, São Cláudio foi denunciado e encarcerado pelo crime de proselitismo religioso. Cumpria-se, assim, a premonição que tivera quatro anos antes, quando se havia visto "coberto de ferros e correntes, e arrastado a uma prisão, acusado, condenado por ter pregado Cristo crucificado".

As péssimas condições da enxovia onde foi lançado terminaram de minar sua saúde, já debilitada por uma tuberculose incipiente. Ali teria morrido em pouco tempo, se não tivesse sido libertado por força de uma intervenção de Luís XIV.


Consumação do holocausto

Chegou de volta à França em meados de 1679, quase sem forças. Depois de recuperar um pouco a saúde, dirigiu-se para o Colégio da Santíssima Trindade, em Lyon, onde outrora fizera seus primeiros estudos, para assumir o cargo de diretor espiritual dos alunos de Filosofia. Ali, embora fisicamente muito desgastado, não deixava de propagar a devoção ao Divino Coração, defendendo-a contra os inúmeros ataques e incompreensões de que era objeto.

No inverno de 1681, retornou a Paray-le-Monial, cujo clima parecia resultar- lhe um pouco mais benéfico. À vista, porém, do intenso frio daquela rigorosa estação, pensou-se em trasladá-lo para Vienne, onde ficaria aos cuidados de seu irmão, arcediago daquela Diocese. Mas o superior da casa mandou-lhe permanecer, após ter recebido São Cláudio um bilhete de Santa Margarida, com este recado do seu Divino Amigo: "Ele me disse que quer o sacrifício de sua vida aqui".

O holocausto não tardaria muito em ser consumado. Em 15 de fevereiro de 1682, com apenas 41 anos de idade, Cláudio de La Colombière foi encontrar-se com Aquele de quem fora servo fiel e amigo perfeito nesta Terra. Algumas horas depois dos funerais, Irmã Margarida, cujo coração permanecia unido ao seu, no Sagrado Coração de Jesus, pôde fazer esta recomendação: "Deixem já de afligir-se; invoquem-no com toda confiança porque ele pode socorrer-nos".

Contudo, a grande missão de São Cláudio só se realizaria plenamente muitos anos depois, em 08 de maio de 1928, quando Pio XI elevou à suprema categoria litúrgica a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, por meio da Encíclica Miserentissimus Redemptor.

Um ano mais tarde, Cláudio de La Colombière seria beatificado pelo mesmo Papa. E coube a São João Paulo II, em 31 de maio de 1992, a honra de incluir no catálogo dos santos o nome deste sacerdote jesuíta, tão amado pelo Divino Coração de Jesus.


(Fonte: Revista Arautos do Evangelho, Fev/2011, n. 110, p. 48 à 51)

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Beata Teresa Grillo, Virgem e Fundadora.




   Teresa Grillo nasceu em Spinetta Marengo, província de Alessandria, em 25 de setembro de 1855, quinta e última filha de José Grillo, médico chefe do Hospital de Alessandria e de Maria Antonieta Parvopassu, descendente de uma antiga e ilustre família daquela região; foi batizada no dia seguinte na igreja paroquial de Spinetta, recebendo o nome de Madalena.
  Dotada de um temperamento inclinado à caridade, alimentado por um ambiente rico em espírito cristão, em 1º de outubro de 1867 recebeu a Confirmação na catedral de Alessandria e cinco anos depois, quando ainda se encontrava no colégio, fez a Primeira Comunhão. Após terminar a escola elementar, que frequentou em Turim, para onde sua mãe se trasladara para acompanhar os estudos universitários de seu filho Francisco, em 1867, depois da morte de seu pai, foi matriculada como aluna interna no colégio das Damas Inglesas, em Lodi, onde se formou com a idade de 18 anos.
  Terminado o colégio, regressou para Alessandria, onde, sempre sob a direção materna, começou a frequentar as famílias aristocráticas da cidade. Foi precisamente neste ambiente que conheceu seu futuro esposo, o culto e brilhante capitão de infantaria, João Batista Michel. Celebrada as bodas em 2 de agosto de 1877, mudou-se primeiro para Caserta, logo para Acireale, Catania, Portici e finalmente para Nápoles, lugares para os quais seu esposo fora transferido. Nesta última cidade, em 13 de junho de 1891, uma fulminante insolação durante um desfile militar levou à morte o Capitão Michel. Teresa caiu em uma profunda depressão que quase chegou ao desespero.
  Sua recuperação ocorrida quase de improviso, devido em parte à leitura da vida de São José Bento Cottolengo (na época ainda Venerável Servo de Deus) e à ajuda de seu primo sacerdote, Mons. Prelli, resultou na opção de abraçar a causa dos pobres e necessitados. Teresa abriu as portas de sua própria casa senhorial às crianças pobres e às pessoas abandonadas e necessitadas de ajuda. Ao final do ano 1893, porque “os pobres aumentam a mais não poder e eu quisera poder alargar os braços para acolher a todos sob as asas da Divina Providencia”, vendeu a grande casa Michel e adquiriu um velho edifício na Rua Faa de Bruno. Ali deu início aos trabalhos de reestruturação e ampliação, construindo um piso superior e comprando algumas pequenas casas vizinhas. Surgiu assim o “Pequeno Abrigo da Divina Providência”.
  A obra dirigida por Teresa não ficou livre de adversidades: elas apareceram por parte das autoridades civis e sobretudo por parte de seus amigos e familiares. Especialmente diante da incompreensão daqueles, se tornou evidente a solidariedade e o afeto dos pobres, das pessoas generosas e de suas colaboradoras. Com a aprovação das autoridades eclesiásticas, em 8 de janeiro de 1899, vestindo o hábito religioso na capelinha do Pequeno Abrigo, Teresa Grillo, com oito de suas colaboradoras, deu vida à Congregação das Pequenas Irmãs da Divina Providência.
Painel da Beatificação de Madre Teresa.
  Nos próximos 45 anos sua prioridade foi difundir e consolidar o Instituto. Quase imediatamente depois de realizada a fundação, a Obra começou a ter casas em diversos lugares do Piemonte, desenvolvendo-se rapidamente inclusive nas regiões do Vêneto, Lombardia, Liguria, Puglia e Lucania. A partir de 13 de junho de 1900, o Instituto se estendeu ao Brasil e desde 1927, por solicitude de São Luís Orione, fundou inclusive casa na Argentina.
  Sem medir esforços, Teresa inspirava e encorajava suas Irmãs com sua carismática e solícita presença nas comunidades. Em seis oportunidades atravessou o oceano para chegar até a América Latina, onde, como frutos de sua caridade, surgiram numerosas fundações com asilos, orfanatos, escolas, hospitais e asilos para idosas. Em 1928, com a idade de 73 anos, Madre Teresa fez a sua oitava viajem.
  Em 8 de junho de 1942, a Santa Sé concedia a aprovação apostólica à Congregação das Pequenas Irmãs da Divina Providência.
A Beata Teresa Grillo faleceu em Alessandria no dia 25 de janeiro de 1944, aos 89 anos de idade. Seu Instituto contava então com 25 casas na Itália, 19 no Brasil e 7 na Argentina.

   Por ocasião da exposição do Santo Sudário em Turim, no dia 24 de maio de 1998, São João Paulo II a beatificou. Sua memória foi colocada no Martirológio Romano no dia 25 de janeiro.

(Fonte: blog Heroínas da Cristandade, com permissão da autora)

sábado, 13 de fevereiro de 2016

SÃO LUÍS VERSIGLIA, Bispo e SÃO CALISTO CARAVARIO, Presbítero, Mártires Salesianos na China.


São Luís Versiglia e São Calisto Caravario

    

São Luís Versiglia, Bispo e Mártir
São Luís Versiglia (1873 – 1930)

Luís Versiglia nasceu em Oliva Gessi, na província de Pavia, Itália, no dia 5 de junho de 1873. Desde pequeno ajudava na Missa. O povo já o imaginava como padre, mas Luís não queria ouvir falar disso: o que ele queria mesmo era ser veterinário. Aos 12 anos foi acolhido por Dom Bosco, que o fascinou a ponto de mudar de ideia.

Em 1888, pouco depois da morte do Santo, Luís ficou muito impressionado com a cerimônia de entrega do Crucifixo a sete missionários. Decidiu tornar-se salesiano, com a esperança de partir para as missões.

Obtida a láurea em filosofia, em pouco tempo se preparou para a ordenação sacerdotal, que ocorreu em 1895. Com apenas 23 anos de idade, Pe. Miguel Rua, sucessor de Dom Bosco, o nomeou mestre dos noviços em Genzano, Roma, missão que cumpriu com bondade, firmeza e paciência durante dez anos.

Por insistência do bispo de Macau, em 1906, seis salesianos chegaram à China, guiados pelo Pe. Versiglia: estavam realizando reiterada profecia de Dom Bosco. Estabelecida em Macau a “casa mãe” salesiana, abriu-se também a missão de Heungchow. Pe. Luís animou toda aquela região com o estilo de Dom Bosco, criando uma banda musical muito apreciada, orfanatos e oratórios.

Em 1918 os salesianos receberam do Vigário apostólico de Cantão a missão de Shiuchow. No dia 9 de janeiro de 1921, Pe. Versiglia foi consagrado bispo. Sábio, incansável e pobre, viajava continuamente para visitar e animar os irmãos e cristãos daquela região. Sua chegada era uma festa para os povoados, sobretudo para as crianças. Foi um verdadeiro pastor, dedicado por inteiro ao seu rebanho.

Deu ao Vicariato uma estrutura sólida, com um seminário e casas de formação. Ele mesmo projetou várias residências e casas para idosos e necessitados. Cuidou convictamente da formação dos catequistas. Escreveu em seus apontamentos: “O missionário que não estiver unido a Deus é um canal que se separa da fonte”. “O missionário que reza muito, também muito realizará.” Como Dom Bosco, era um exemplo de trabalho e temperança.


São Calisto Caravario, Presbítero
e Mártir
São Calisto Caravario (1903-1930)

Calisto Caravario nasceu em Cuorgnè, na província de Turim, Itália, no dia 18 de junho de 1903. Desde pequeno, pelo seu caráter manso e reflexivo, todos o consideravam um menino bom. Por natureza, era levado à oração.

Amava ternamente sua mãe, como testemunham as numerosas cartas que se escreviam. Aos 5 anos, transferiu-se com a família para Turim, perto do oratório de Porta Nuova. Na escola salesiana era um dos primeiros da classe. Todos os dias fazia questão de ajudar na Missa.

Aconselhado pelo diretor do oratório, Pe. Sante Garelli, entrou para o noviciado e se tornou salesiano. Em 1922, D. Luís Versiglia estava em Turim e falou aos clérigos sobre as missões. Calisto lhe disse: “Excelência, um dia eu estarei junto com o senhor na China”.

O Pe. Garelli foi para a China. Calisto tanto insistiu que, depois de pouco tempo, conseguiu partir também. A mãe disse ao Pe. Garelli: “De boa vontade deixo meu filho nas mãos de Dom Bosco”. E Calisto escreveria: “Com todo o afeto de que sou capaz, eu te agradeço, Senhor, por me teres dado uma mãe tão boa”. “Mamãe, uma notícia que te dará alegria: esta manhã dei minha primeira aula de catecismo em chinês”.

Calisto foi mandado para Macau. Depois de dois anos seu novo destino foi a ilha do Timor, onde edificava a todos pela sua bondade e pelo seu zelo apostólico. Escreveu: “Minha boa mãe, reza para que o teu Calisto seja sacerdote por inteiro, não só pela metade”.

No dia 18 de maio de 1929, voltando para Shiuchow, D. Versiglia o ordenou sacerdote e lhe confiou a missão de Linchow. Em pouco tempo visitou todas as famílias e conquistou a simpatia dos meninos das escolas.


O martírio
De repente, a situação política da China entrou em ebulição. Quem mais sofria eram os cristãos e os missionários estrangeiros. As perseguições não se fizeram esperar.

No dia 13 de fevereiro de 1929, Pe. Caravario estava em Shiuchow para acompanhar D. Versiglia na visita pastoral à sua missão de Linchow. Durante a viagem, piratas eivados de ideologia bolchevista tentam capturar as catequistas que estavam na barca dos missionários.


Antes de serem fuzilados, os mártires confessaram-se
um com o outro. 



Pe. Calisto falou gentilmente com eles. Sem lhe dar ouvidos, espancaram os dois missionários e os obrigaram a descer da barca. Levaram-nos para uma mata. Ali, a poucos instantes da morte, Pe. Caravario se confessou com D. Versiglia, que fez também o mesmo. Em seguida foram fuzilados.

Era dia 25 de fevereiro de 1930. Oito anos antes, Pe. Caravario dissera a D. Versiglia: “Um dia eu estaria junto com o senhor na China”. Esteve. Na vida e na morte.

São João Paulo II beatificou os mártires Luís Versiglia e Calisto Caravario em 15 de maio de 1983 e canonizou-os em 1º de outubro de 2000.


Unidos na vida religiosa, unidos na missão e
unidos no martírio. 

Fonte: Santos na Família Salesiana, de Enrico Dal Covolo e Giorgio Mocci.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Beato Apolinário de Posat, Presbítero e Mártir (martirizado na Revolução Francesa).



  Entre os 191 mártires trucidados pelos revolucionários franceses em Paris a 17 de outubro de 1792 estava também um capuchinho suíço, João Tiago Morel, ou seja, o Pe. Apolinário de Posat. Nascera 12 de junho de 1739 no vilarejo de Préz-vers-Noréal, perto de Friburgo, filho de João Morel e Maria Elizabeth Maître. Completou sua formação religiosa e escolástica na escola paroquial de Francisco José Morel, seu tio. Depois dos estudos teológicos, ordenado padre, em 1747, foi enviado para Préz-vers-Noreál, e logo depois para Belfaux onde o tio tinha sido transferido como pároco em 1752. Três anos depois aperfeiçoou sua formação no colégio São Miguel em Friburgo, dirigido pelos jesuítas e morou na casa da mãe que, desde 1750, fora feita parteira profissional de Friburgo pelo Estado.

  A sua inclinação à piedade e à vida religiosa fazia prever sua próxima entrada na Companhia de Jesus mas, no dia 26 de setembro, aos 23 anos, vestia o hábito capuchinho no convento de Zug, com o nome de Frei Apolinário de Posat. Terminado o noviciado e emitida a profissão religiosa, foi encaminhado logo para as ordens sacras, sendo ordenado sacerdote a 22 de setembro de 1764 em Bulle, sua terra de origem. De 1765 a 1769 foi para Lucerna, onde estudou teologia com o Pe. Ermano Martinho de Reinach.

  Bem preparado na piedade e na ciência, lançou-se no apostolado itinerante a serviço das várias paróquias e nas missões populares, de 1769 a 1774, mudando frequentemente para os conventos de Sion, Porrentruy, Bucce e Romont. No fim de agosto de 1774, por seis anos consecutivos, foi professor e diretor dos estudantes capuchinhos de teologia de Friburgo. Foi vigário conventual de Sion em 1780 e por um ano retomou a atividade missionária, sendo finalmente transferido, ainda como vigário, para o convento de Bulle.

  Em 1785, em Stans, tornou-se diretor da escola anexa ao convento e catequista dos rapazes do vilarejo vizinho de Buren. Os seus dotes de apóstolo e a capacidade de explicar, de maneira atraente a doutrina, atraia muita gente que se ajuntava aos seus pequenos discípulos.

   O seu confessionário era muito procurado. Depois da oração coral da meia noite ele quase nunca voltava a repousar, mas se dedicava aos estudos, à oração e à meditação.

 Um apóstolo tão eficaz inquietou os inimigos da fé, iluministas e jurisdicionalistas, que começaram a difundir calúnias dizendo que as lições de catecismo do frade não eram ortodoxas ou desacreditando o seu ensinamento escolástico levando-o ao ridículo ou maquiando a sua reputação moral. A campanha diabólica crescia e Frei Apolinário foi constrangido pelos superiores a defender-se com um memorial. Para evitar maiores complicações aos confrades foi transferido para Lucerna aos 16 de abril de 1788.

  Tempos depois o Provincial de Bretanha, Vitorino de Rennes, propôs a Frei Apolinário de Posat de trabalhar como missionário na Síria, junto aos confrades franceses. A Providência dispôs diversamente: Paris seria seu último campo de apostolado e o altar do seu sacrifício. As coisas se precipitaram, estourou a revolta, a 14 de julho de 1789 a Bastilha caiu nas mãos dos revoltosos e a revolução estendeu-se por todo território francês. O superior de Marais encarregou Frei Apolinário, que conhecia o tedesco de seguir os outros cinco mil tedescos presentes na cidade.

   Suspensas as ordens religiosas e fechados três mil conventos e mosteiros, ele foi feito vigário para os fiéis de língua tedesca na paróquia de São Suplício e capelão dos encarcerados de Tournelle. Fechado no convento de Marais, encontrou alojamento em uma casa de leigos que ele utilizou como um convento de Clausura. Confiscados todos os bens eclesiásticos e promulgada a Constituição Civil do clero, os sacerdotes de São Suplício refutaram abertamente o juramento. Entre eles estava Frei Apolinário que mais uma vez foi golpeado pela calúnia, como se ele tivesse aceitado o juramento. Ele se defendeu com um opúsculo intitulado “Le Séducteur Démasqué’ dizendo que, obedecer à Igreja equivalia obedecer ao Espírito que fala através da Hierarquia e acrescentava: “Nós devemos escutar a Igreja e não a Comuna de Paris. É a sabedoria eterna que a comanda”.

  De 13 para 14 de agosto de 1792 assistiu a um moribundo e de manhã celebrou a missa e depois se apresentou aos comissários da Sessão de Luxemburgo, declarando que não prestara juramento, apesar de não ser um conspirador. Foi imediatamente colocado junto aos 160 refratários na igreja do Carmo. Aos 13 de agosto de 1792 foi promulgado o decreto de deportação, para esconder o massacre já decidido para o domingo seguinte. O Comissário que presidiu às execuções, dizia-se desconcertado: “Eu não entendo mais nada; estes padres marcham para a morte com alegria como se fossem para as núpcias”.

  “Aleluia, aleluia, aleluia! Em verdade, em verdade vos digo, logo a França, impregnada pelo sangue de tantos mártires, verá florir a religião no seu solo”, disse Frei Apolinário antes de morrer.

     Foi beatificado por Pio XI no dia 27 de outubro de 1926.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

CHEGADA DAS RELÍQUIAS (corpos incorruptos) DE SÃO LEOPOLDO MANDIC´ E SÃO PIO DE PIETRELCINA AO VATICANO.

   

   
    Roma (Rádio Vaticana) – Foi grande a emoção e a comoção entre os fieis na Basílica de São Lourenço fora-dos-muros, onde chegaram os corpos dos Santos Pio de Pietralcina e Leopoldo de Mandić, vindos, respectivamente, de São Giovanni Rotondo e de Pádua, por ocasião do Jubileu da Misericórdia. As relíquias permanecem expostas para veneração dos fieis até a sexta-feira, quando em uma solene procissão, serão levadas até a Basílica de São Pedro.

   Com toda a certeza, é um dos grandes momentos do Jubileu da Misericórdia convocado pelo Papa Francisco. Desde a tarde desta terça-feira, 3,  estão em na Igreja de São Lourenço fora-dos-muros, em Roma os corpos de São Pio de Pietralcina e São Leopoldo de Mandić. Na tarde de sexta-feira, após uma solene procissão na Via da Conciliação, eles serão expostos na Basílica de São Pedro diante do Altar da Confissão até a manhã do dia 11 de fevereiro. A Rádio Vaticano entrevistou o Padre Marciano Morra, amigo do Padre Pio e confrade do Convento dos Capuchinhos de San Giovanni Rotondo, sobre o traslado do corpo do Santo a Roma:

   “Por esta multidão que o verá está o Papa, o Papa que está em meio aos filhos. E esta é uma imagem muito bonita de Padre Pio. Não é o Santo que está no céu e acabou, e diz: “bem, vocês se virem”... Não! É o Santo que nos acompanha continuamente, de outra forma não teria explicação que sobre aquele Gargano rochoso cheguem ainda milhares de peregrinos. Ninguém sai da sua casa se não está seguro de ter uma recompensa, de obter uma graça. Portanto, é o Santo que ainda hoje vive em meio ao povo, vive pelo povo”.


   RV: O senhor conheceu, esteve por anos com Padre Pio; também quem não o conhece muito bem, tem esta imagem dele no confessionário, que passa ali horas incansáveis. Isto tem um significado muito forte neste Jubileu da Misericórdia... o perdão...
   “Claro! Tenhamos presente que Padre Pio, como justamente se diz, muitas vezes levanta a voz e repreende. E por que? É a imagem do pai de família. Tem os filhos e age de uma forma para que os filhos se comportem bem, dá bons ensinamentos... Mas se o filho começa a se desviar, o pai deve intervir, deve chamá-lo para o caminho reto. Se não faz isto, não é um bom pai. E Padre Pio era um bom pai, que quando estava diante de um penitente que acusava seus pecados, mas não tinha nenhuma intenção de mudar de caminho, de mudar de vida, levantava a voz e o repreendia”.

   RV: Recorda também o Papa Francisco, que a propósito de palavras fortes, às vezes é duro ao condenar o pecado, ao mesmo tempo que abraça o pecador...

   “Belíssimo, Papa Francisco! Poderíamos dizer que ele está agindo muito como Francisco de Assis, mas no campo da guia do povo age também como o Padre Pio, porque Padre Pio é moderno. O Papa Francisco é moderno, e portanto, é uma realidade quase parecida... Assim, Padre Pio é de ajuda também ao Papa Francisco, não somente com a intercessão do céu, mas também com o seu testemunho de vida”.

   RV: O que representa para o senhor e para sua comunidade este traslado do Padre Pio a Roma, este evento assim tão extraordinário?

   “É necessário refletir um pouco a respeito, porque facilmente alguém pode ser influenciado pelo movimento, pela organização... Isto, para nós frades, deve fazer refletir. Somos chamados a percorrer o seu caminho, aquele que ele nos abriu; nos faz refletir - nós que somos chamados frades do povo - como Padre Pio tenha se preocupado em fazer crescer o deserto em que ele estava e o desenvolveu”. Nós frades devemos rezar, porque sem oração não se faz nada; devemos nos preocupar em permanecer frades do povo, estar em meio ao povo!”




  São Leopoldo Mandić

  São Leopoldo Mandić nasceu na Dalmácia em 1866, viveu por 30 anos no Convento dos Capuchinhos de Pádua e ali morreu em 1942. Dedicou toda a sua vida ao Sacramento da Reconciliação. A respeito de seu carisma, ouçamos o que nos diz o Reitor do Santuário de São Leopoldo de Mandić,  de Pádua, Padre Flaviano Giovanni Gusella.

  “Padre Leopoldo foi adotado pelos Papas que o beatificaram e canonizaram – São Paulo VI e São João Paulo II – com um duplo carisma: o de ser Ministro Extraordinário, 'heroico ministro da Reconciliação' – são as palavras textuais usadas na homilia de Beatificação e de Canonização – e ao mesmo tempo Profeta do ecumenismo espiritual. Padre Leopoldo era uma pessoa erudita, sábio, inteligente, uma pessoa sobretudo que tinha um grande coração pelos pecadores”.

   RV: Qual o legado de Padre Mandić aos confessores?

 “Certamente a disponibilidade. O Padre Leopoldo passava no confessionário todo o dia, desde cedo da manhã até tarde da noite. Se existe uma coisa que pedia aos Superiores era a de poder ultrapassar os horários estabelecidos para os confessores: a sua total disponibilidade e a fidelidade ao seu ministério e ao seu carisma. Assim acredito que seja isto, porque às vezes, da parte de muitos penitentes, se sente hoje a necessidade, o desejo, de encontrar e de encontrar ali – como disse o Papa Francisco na Bula de Convocação do Jubileu da Misericórdia -  o confessor que te espera, te acolhe, não te deixa impaciente, e que está pronto em te acolher como imagem de Jesus Bom Pastor. Acredito que esta seja a atitude de base fundamental para os confessores. E depois, sempre como diz Papa Francisco na Bula para o grande Jubileu da Misericórdia, esta capacidade de ser rosto misericordioso, terno, doce, paterno em relação àqueles que se aproximam ao Sacramento da Reconciliação. Assim como fez o Pai da Parábola do Filho Pródigo”.

   RV: E o que disse a quem se aproximava do confessionário?

“Padre Leopoldo convida à confiança. “Tenha fé, tenha confiança – dizia – não tenhas medo. Veja, também eu sou um pecador como você. Se o Senhor” – o chamava de “Mestre Deus” – “não tivesse uma mão sobre a cabeça, faria como ele e ainda pior do que ele”. Padre Leopoldo convida a ter esta confiança extraordinária em um Deus que é somente amor, somente perdão, somente capacidade de acolhida, de ternura, que tem o maior desejo de nos abraçar novamente como seus filhos. Não importa os pecados nem os erros. Deus vê o nosso desejo de retomarmos o caminho, de mudar-nos de vida, de reconciliar-nos. E isto lhe basta”. (JE)

Venerável Servo de Deus João Leão Dehon, Presbítero e Fundador (Congregação dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus).


Venerável Pe. Dehon
 O Fundador da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus, Venerável Pe. João Leão DEHON, nasceu em La Capelle, diocese de Soissons (França) a 14 de Março de 1843, no seio de uma família de ricos proprietários agrícolas de ascendência nobre. A sua mãe, Estefânia Adele Vandelet, era um exemplo de fé; mas o seu pai, Júlio Alexandre Dehon, era indiferente e até mesmo anticlerical.

  O pai, homem de carácter recto e bondoso, abandonara desde novo a prática religiosa. A mãe, ao contrário, era uma senhora profundamente crente e piedosa que soube incutir nos filhos princípios de fé e de dignidade. Dela escreveu o Pe. Dehon: "Agradeço ao Senhor por me ter dado tal mãe e por se ter servido dela para me ensinar o amor ao seu divino Coração".

  Baptizado com os nomes de Leão Gustavo, cedo manifestou grande sensibilidade espiritual, aliada a uma inteligência brilhante e a excepcionais dotes de carácter. Depois dos primeiros estudos na terra natal, concluiu os estudos secundários num ótimo colégio, a respeito do qual pôde escrever: "Nosso Senhor encaminhou-me para uma casa que Lhe era querida. É a graça-mestra da minha vida". Aí encontrou o ambiente favorável à formação da sua personalidade e ao desenvolvimento da sua vida cristã.

  Teria 13 anos quando, durante um retiro que lhe causou uma impressão extraordinária, tomou a firme resolução de se tornar sacerdote, como forma de se entregar por inteiro ao Senhor e ao seu serviço. Sensível ao amor de Deus, simbolizado no Coração de Jesus, sonhava "ser religioso e missionário" e também "mártir". Mas a firme oposição do pai obrigou-o a adiar para mais tarde a realização desse sonho.

  Entretanto, prosseguiu os estudos em Paris, onde cursou Direito na Sorbona. Aos 21 anos era advogado.

  Em 1865, aceitou a longa viagem que seu pai lhe proporcionou, com a clara intenção de que não seguisse a carreira sacerdotal. Foi um roteiro fascinante, começando pela Suíça, Itália, Grécia, Egito e finalizando na Palestina. No regresso, passou pela Síria, Constantinopla, Budapeste e Viena. Mas em vez de ir para casa, foi para Roma, onde conseguiu uma audiência com o papa Pio IX, que o aconselhou a fazer os estudos eclesiásticos ali mesmo, na Cidade Eterna. Assim, entrou para o Seminário de Santa Clara, mesmo contra a vontade paterna, uma vez que era Deus que o queria padre...

  O dia 19 de dezembro de 1868 foi o mais desejado e feliz da vida de Dehon. Mais desejado porque recebeu sua ordenação sacerdotal. Feliz porque seu pai, convertido sinceramente, recebeu a santa eucaristia das suas mãos, quando celebrava a sua primeira missa. Apesar de ter concluído muitos cursos e doutorados, padre Dehon foi designado para ser um simples vigário da pobre e problemática paróquia de São Quintino, da diocese de Soissons.

   Durante nove anos dedicou-se de alma e coração ao serviço pastoral da sua diocese. Após a fundação da Congregação (1878) envolveu-se pessoalmente na "questão social" do seu tempo, dando o seu contributo lúcido e ardoroso para a divulgação a todos os níveis da doutrina social da Igreja. Leão XIII pediu-lhe expressamente: "Pregue as minhas encíclicas".

  Ele assumiu a missão com todo ardor e entusiasmo. Mas o sacerdote tinha algo que o inquietava. Sentia um forte desejo de ingressar numa congregação religiosa. Como não encontrou uma que atendesse seus anseios por justiça social associada às missões, decidiu e fundou a Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus em 1878.

  Entretanto surgiu a grande provação. O governo maçônico da França decretou a expulsão das congregações religiosas. Padre Dehon, então, para proteger seus sacerdotes no caso de expulsão, adquiriu uma casa na Holanda, pois assim teriam onde refugiar-se. Mas a situação ficou tão complicada e confusa que foi o próprio Vaticano que suprimiu a congregação. Quem o socorreu foi seu bispo, que o conhecia muito bem.

  Em 1884, o papa decretou a reabertura da congregação. Desde então, padre Dehon trabalhou para consolidá-la, fundando novas Casas por toda a Europa. Depois, a congregação também se estabeleceu nas Américas, na África e na Ásia. E padre Dehon, sempre movido pelo objetivo de difundir o pensamento de justiça social da Igreja, proferiu muitas conferências, escreveu artigos em jornais e revistas e publicou vários livros.


  Ao fechar os olhos a 12 de Agosto de 1925, deixou atrás de si uma obra notável e duradoira como sacerdote santo, como educador prestigiado, como escritor e conferencista escutado, como apóstolo social e, sobretudo, do Coração de Jesus. Ele que protestara outra coisa não querer senão viver e morrer como Apóstolo do Coração de Jesus, pôde afirmar no momento supremo, apontando para a imagem, sempre presente na sua vida, do Sagrado Coração: "Para Ele vivi, para Ele morro".

   Atualmente, os religiosos "dehonianos" fazem o mesmo, evangelizando e trabalhando pela justiça social em paróquias, colégios, faculdades, orfanatos, creches, comunidades de recuperação de drogados, missões, shows musicais e meios de comunicação social, nos quatro cantos do mundo. O corpo do venerável fundador está sepultado na igreja de São Martinho, em São Quintino, na França.




 SEGUNDO TEXTO BIOGRÁFICO (complementar ao primeiro texto)

Sociólogo, escritor, advogado e padre Fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Sua vida foi um constante caminhar. Sonhador, lutador, teve decepções, surpresas alegres e tristes. Aprendeu a amar a Igreja. Soube ouvir os gritos numa França cheia de desafios. Fundou jornal, revista, publicou livros, escreveu muito nos Meios de Comunicação Social de então, e deixou-nos por herança : O Sagrado Coração de Jesus.
Leão João Dehon nasceu a 14 de março de 1843, em La Capelle, ao norte do Departamento de L’Aisne, França. Seu pai: Julio Alexandre Dehon; sua mãe: Estefânia Adele Vandelet, devota fervorosa do Coração de Jesus. Tinha um irmão mais velho: Henrique.


Leão foi batizado a 24 de março do mesmo ano, véspera da festa da Anunciação. Anos depois, escreveu: "Era feliz mais tarde unindo a lembrança do meu batismo ao do Ecce venio do Nosso Senhor".


Leão Dehon frequentou a escola da cidade. Mais o ambiente não era favorável a uma boa educação. Por isso seus pais, preocupados com o futuro do filho, o matricularam no Colégio de Hazebrouck, dirigido por padres. Antes de seu ingresso nesse colégio Leão fez suma primeira comunhão na cidade natal.

No Colégio Hazebrouck, encontrou na pessoa de seu diretor, Pe. Dehaene, um grande amigo que o orientou muito bem na luta pela conquista da virtude.

Na noite de Natal de 1856, Leão sentiu forte chamado ao sacerdócio. Conversou como pai a respeito. Recebeu um frio e peremptório "não". Júlio sonhava um futuro brilhante e diferente para o filho. Jamais permitira que ele se tornasse sacerdote.  agosto de 1859, Leão terminou seus estudos secundários e, a l6 do mesmo mês, passou, com sucesso nos exames de bacharel em letras.

De volta a La Capelle, expos novamente seu projeto ao pai. Esta insistência do filho caiu como um raio no lar Dehon. O pai não aceitava de forma alguma a idéia ousada do filho.

Sem desistir de seu plano, Leão obedece momentaneamente a seu pai e vai para Paris. Freqüenta o curso de preparação ao concurso da célebre Escola Politécnica DEA simultaneamente matricula-se no primeiro ano de direito. Mais tarde, abandona o curso de letras e segue normalmente o curso de direito, que lhe parecia mais de acordo com a sua cultura e sua sensibilidade.

Em agosto de 1862, obtém a licença em direito e, dois anos mais tarde, em abril de 1864, defende a tese de doutorado em direito.

Durante o período de estudo em Paris, Leão impôs-se um ritmo de vida que favorecia sua vocação sacerdotal. Diariamente participava da missa em São Sulpicio, sua paróquia.

Nesse tempo, também, conheceu um jovem estudante de arqueologia, que se tornaria seu grande amigo: Leão Palustre. Com esse amigo, Dehon fez várias viagens: à Inglaterra (1862), à Alemanha, aos países escandinavos, à Europa Central (1863), A 23 de agosto de 1864, empreendeu com ele uma longa viagem de 10 meses pelo sul da Alemanha, Suíça, Norte da Itália, Grécia, Egito, Palestina (Terra Santa), Ásia Menor, Hungria e Áustria.

No fim dessa viagem, Leão parte diretamente para Roma, onde chega a 14 de junho de 1865. Estava firmemente decidido a seguir sua vocação sacerdotal. A viagem à Terra Santa confirmara o chamado do Senhor: "Vem e segue-me! Também te farei pescador de homens!".

Em Roma, mora no colégio francês, Santa Clara, matricula-se no curso de filosofia e, depois de um ano apenas, obtém o doutorado na matéria (1866). Em 1871, consegue o título de doutor em teologia e em direito canônico.

Antes, a 19 de dezembro de 1868, é ordenado sacerdote, na Basílica de São João de Latrão, na presença de seus pais, que aceitam agora a vocação do filho.

Padre Dehon participou como estenógrafo, das sessões do Concílio Vaticano I.

Terminados seus estudos em Roma, recebeu sua primeira transferência. Foi uma grande decepção para ele. Com vários doutorados em sua bagagem, Padre Dehon esperava trabalhar numa universidade. E foi nomeado para ser o 7 vigário paroquial de uma pobre e problemática paróquia: São Quintino.

Apesar de tudo, assumiu sua missão com todo ardor e entusiasmo. Conhecendo as grandes necessidades daquela cidade, Padre Dehon teve várias iniciativas de grande repercussão; fundou um patronato, São José 91872), a Obra dos Círculos Católicos (1873); um jornal católico: Le Conservateur de L’Aisne (1874); círculos de estudos religiosos e sociais, com a Conferência de São Vicente de Paulo ( 1875); promoveu encontros de estudos com os patrões, duas vezes por mês (1876): o Colégio São João

Sacerdote, culto, santo e dinâmico, muito conhecido na França, Dehon tinha algo que o inquietava. Não estava satisfeito. Faltava-lhe algo. Não tinha, porém, clareza o que era realmente. Depois de um longo discernimento, feito de oração, de diálogo com sábios sacerdotes e orientadores espirituais, Dehon toma a decisão de fundar a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Data oficial da fundação: 28 de junho de 1878, dia da primeira profissão do fundador.

Temporariamente supressa por determinação da Santa Sé (1883), a nova Congregação experimentou, depois de sua ressurreição (1884), um vertiginoso crescimento e um surpreendente impulso missionário espalhando-se por diversos países.

Além dos trabalhos de governo e animação de sua congregação como superior geral, Padre Dehon participou dos grandes eventos de cunho social na agitada França daquele fim de século. Sensível aos grandes problemas sociais de então, Padre Dehon era protagonista de congressos e de assembléias, onde se discutiam as questões sociais, principalmente depois da publicação da Rerum Novarum, da qual foi um incansável divulgador e defensor. Sem dúvida, pode-se dizer que era um missionário da doutrina social da Igreja. Proferiu conferências (principalmente em Roma), escreveu artigos em jornais e revistas (Le Règne du Sacrré-Coeur dans les âmes et dans les sociétés), publicou livros sobre o tema, principalmente: Manual social cristão (1894) e o Catecismo social (1898). Outros: A usura no campo presente (1895); Nossos Congressos (1897), As pontifícias diretrizes políticas e sociais (1897), Riqueza, mediocridade ou pobreza ( 1899), A renovação social cristã (1900).

Padre Dehon faleceu no dia 12 de agosto de 1925, aos 82 anos de idade. Seus restos mortais repousam na Igreja de São Martinho, em São Quintino, França.


"Por Ele vivi, por Ele morro", foram suas últimas palavras.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

"Santa" Teodolinda, Rainha dos Longobardos.

     

     Teodolinda era filha de Garibaldo, rei da Baviera. Vendo-se por um lado apertado pelos Francos e por outro pelos Longobardos, para segurança desejou contrair um parentesco com os Francos prometendo a filha Teodolinda ao jovem rei Childeberto II. Mas este projeto não teve êxito e Teodolinda foi então dada como esposa ao rei longobardo Autari. Os dois esposos transferiram a capital do reino longobardo para Monza.
     A Rainha Teodolinda, de religião católica, mantinha correspondência com o Papa São Gregório Magno com a finalidade de alcançar a conversão ao cristianismo do povo do qual se tornara rainha. Porém, não conseguia converter o marido, Autari, que não aceitava fossem batizados os filhos dos longobardos. Teodolinda, contudo, conseguiu que seu filho Adaloaldo fosse batizado em Monza.
     Tendo enviuvado em 589, dois anos depois desposou o Duque de Torino, Agilulfo, ao qual transmitiu o título real. Por ocasião da morte do segundo marido, em 616, por nove anos assumiu a regência em nome do filho Adaloaldo, ainda menor de idade.
     A cristianização dos longobardos continuou durante o período da sua regência, apesar da forte oposição e hostilidade de alguns duques que haviam aderido à heresia ariana.
     Alguns meses após sua subida ao trono, o jovem Adaloaldo foi deposto pelo Duque de Torino, Ariovaldo, e teve que fugir com a mãe, se refugiando em Ravenna junto ao exarca bizantino Eleutério.
     Ambos faleceram em 628, Teodolinda provavelmente de velhice, enquanto Adaloaldo talvez envenenado. Teodolinda é venerada como santa, mas o seu culto não foi confirmado oficialmente pela Igreja.


Etimologia: Teodolindo (a), do alemão Theodelinde, Theodolind. Theodelinda: “serpente (linde) (adorada) pelo povo (theode)”, ou “escudo de tília (linde) do povo”.


(Fonte: blog Heroínas da Cristandade. Com permissão)

SANTA MARCIANA DE CESAREIA DA MAURITÂNIA, Mártir.


   

     Dados biográficos tirados do livro de Abbé Perrier, La grande fleur de la vie des Saints:

     Em Rouzucourt, pequena cidade da Mauritânia, Argélia de hoje, vivia, em fins do século III, uma jovem chamada Marciana, tão piedosa quanto bela, que consagrou muito cedo sua virgindade a Deus e deixou tudo para viver numa cela perto da cidade romana.
     Ora, um dia, a virgem, inspirada sem dúvida pela voz do Senhor, saiu de sua cela e veio se misturar à multidão que circulava na cidade agitada por uma viva emoção, porque corriam os dias sangrentos da perseguição desencadeada no mundo inteiro pelo ímpio Diocleciano.

     Marciana, chegando pela porta Tipásia, viu colocada numa praça uma estátua de mármore da deusa Diana. Aos pés da deusa corriam águas límpidas num tanque também de mármore.

     A intrépida virgem não pode suportar a visão do ídolo impuro. E tendo primeiro lhe quebrado a cabeça, fez depois o ídolo em mil pedaços. Uma multidão furiosa se lançou sobre ela e a maltratou horrivelmente. Depois arrastaram-na ao pretório, perante o juiz imperial.

     A altiva cristã riu-se dos deuses de pedra e de madeira e gloriou-se de adorar o Deus vivo e o exaltou no templo, com voz eloquente. O juiz pagão irritou-se e entregou-a aos gladiadores para que servisse de joguete a infames ultrajes. A virgem permaneceu serena e sem medo. Durante três horas, com efeito, Deus a defendeu no meio desses brutos, atacados de terror e imobilidade. Pela oração da angélica mártir, um deles se converteu a Jesus Cristo.

     O tirano, confuso, redobrou seu ódio ímpio, e não podendo desonrar a virgem cristã, condenou-a a ser estraçalhada por animais ferozes. Marciana, quando chegou a hora, caminhou para a arena como para uma alegre festa, bendizendo a Jesus Cristo. Amarraram-na ao local do suplício e contra ela foi lançado um leão furioso que logo se atirou sobre a vítima, ficou de pé e colocou suas garras sobre seu peito. Depois, afastou-se bruscamente e não a tocou mais.
     O povo, tomado de admiração, gritou que libertasse a jovem mártir. Mas um grupo de judeus, misturado à multidão, e sempre sedento de sangue cristão, pediu que lançassem agora contra Marciana um touro selvagem.
     A fera aproximou-se dela e com seus chifres furiosos lhe fez no peito uma horrível ferida. O sangue jorrou e a virgem caiu agonizante na arena. Tiraram-na de lá por um momento, estancaram-lhe o sangue e como lhe restasse um pouco de vida, o bárbaro tirano a fez amarrar ainda uma terceira vez.

     Marciana ergueu seus olhos ao céu, um sorriso iluminou seu rosto marcado pelo sofrimento: Ó Cristo, gritou, eu Vos adoro e Vos amo. Vós estivestes comigo na prisão, Vós me guardastes pura e agora Vós me chamais. Ó meu Divino Mestre, vou feliz para vós. Recebei a minha alma.
     Neste momento, o tirano lançou-lhe um leopardo monstruoso, que com suas garras horríveis despedaçou os membros da heroica virgem e lhe abriu o glorioso caminho do Céu.

     Ela morre docemente chamando a Deus Nosso Senhor e confessando que ela vai para o céu. Qual é a finalidade daquilo? Qual era o último sentido daquilo? Os milagres deveriam atestar, junto ao povo ainda pagão, a veracidade da Religião Católica, e com isso contribuir para a conversão da bacia do Mediterrâneo. A grande obra da Igreja Católica nos séculos da Antiguidade foi a conversão da bacia do Mediterrâneo.
     Sentido da epopeia de Santa Marciana: converter os de seu tempo pelos milagres e pela beleza da doutrina; conservar a fé para a posteridade e convencer os pósteros pelo valor de seu testemunho.