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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 15 de julho de 2017

SÃO CAMILO DE LELLIS, Presbítero, Fundador, Protetor dos Doentes, Protetor dos Profissionais de Saúde - 14 de julho

Mensagem do Papa São João Paulo II 
por ocasião dos 450 anos 
do nascimento de São Camilo de Léllis
Fundador dos Camilianos.

Ao padre Ângelo Brusco 
Superior-Geral dos Clérigos Regulares 
Ministros dos Enfermos
(Camilianos)


São Camilo via em cada doente a imagem
viva de Jesus sofredor e, com coração ardente, a
todos amava ternamente. 


    1. A alegria que acompanha a celebração do Grande Jubileu da Encarnação adquire uma particular tonalidade para a Família Camiliana, que se prepara para recordar os 450 anos do nascimento de São Camilo de Lelis, ocorrido em Bucchianico a 25 de Maio de 1550. Uno-me de bom grado à acção de graças dessa Ordem, por ele fundada, assim como à das Congregações das Ministras dos Enfermos de São Camilo e das Filhas de São Camilo, dos Institutos seculares das Missionárias dos Enfermos, Cristo Esperança e Kamillianische Schwestern, assim como à da Família Camiliana leiga, que sucessivamente nasceram do carisma e da espiritualidade do grande Santo da Região dos Abruzos.

    A comemoração adquire um particular relevo no mundo da saúde e do sofrimento, não só pelo generoso empenho dos filhos de São Camilo em favor dos doentes, mas sobretudo porque em 1886 o Papa Leão XIII proclamou o vosso Fundador Padroeiro dos doentes e dos hospitais; em 1939 o Papa Pio XI o aclamou Padroeiro dos agentes no campo da saúde; e em 1974 Paulo VI o proclamou Padroeiro da saúde militar italiana.

    A coincidência dessa celebração com o Ano jubilar assume, além disso, um significado muito particular, porque o inteiro itinerário humano e espiritual de São Camilo se inseriu no contexto das grandes datas jubilares, das quais ele hauriu um profundo desejo de conversão e de generosos propósitos de servir Cristo nos irmãos doentes. Com efeito, nasceu no Ano Santo de 1550, converteu-se em 1575 e, durante o Jubileu do ano 1600, aperfeiçoou as orientações para a atuação do carisma da caridade misericordiosa para com os doentes. Essas coincidências constituem para essa Ordem e para as Famílias religiosas a ela ligadas um especial convite a acolher as graças do Grande Jubileu e do aniversário do nascimento do Fundador, como ocasião de renovada fidelidade ao Senhor e ao carisma camiliano.


    2. São Camilo de Léllis viveu num período particularmente complexo, no qual dominavam profundos anseios à santidade, mas também tenazes resistências a uma vida evangelicamente inspirada. Com a sua rica personalidade e o seu testemunho de caridade, ofereceu à sociedade do seu tempo, preciosos estímulos de renovação espiritual, contribuindo de maneira original para o projeto de reforma da Igreja, promovida pelo Concílio de Trento. A sua vida, sob a influência do Espírito, mostrou-se como que uma narração maravilhosa do amor de Deus criador e redentor, que manifesta de modo especial a sua ternura misericordiosa de médico das almas e dos corpos.

    A sua obra ao serviço dos que sofrem apresenta-se como uma autêntica escola, da qual o Papa Bento XIV reconhecerá a novidade no serviço prestado com amor e competência, isto é, unindo aos conhecimentos científicos e técnicos os ricos gestos e atitudes da humanidade atenta e partícipe, que tem as suas raízes no Evangelho. Nas Disposições e modos que se devem seguir nos hospitais para servir os doentes pobres, por ele redigidos em 1584, propôs intuições e diretrizes que foram retomadas em grande parte pela ciência de enfermagem dos nossos dias. Ele afirma a importância de considerar com atenção e respeito todas as dimensões do doente, da física à emotiva, da social à espiritual. Num conhecido trecho das Regras, convida a pedir ao Senhor a graça “de um afeto materno para com o seu próximo”, de maneira a “poder servi-lo com toda a caridade, tanto na alma como no corpo. De facto, com a graça de Deus desejamos servir os enfermos com aquele afeto que uma mãe amorosa costuma ter para com o seu único filho doente”.


    Contudo, São Camilo com o seu exemplo ensina sobretudo a fazer do serviço aos enfermos uma intensa experiência de Deus, que leva a procurar constantemente o Senhor na oração e nos sacramentos. A sua vida parece ressaltar o gesto da mulher a que se refere o Evangelho de São João (cf. 12, 3). Também ele unge os pés de Jesus, presente naqueles que sofrem, com o unguento precioso da caridade misericordiosa, inundando toda a Igreja e a sociedade com o perfume do seu ardor apostólico e da sua espiritualidade. O seu testemunho ainda hoje constitui um forte apelo a amar Cristo, presente nos irmãos que carregam o fardo da enfermidade.

    3. No decurso dos séculos, esse apelo, acolhido por tantas almas generosas manifestou amplamente a fecundidade do carisma de Camilo de Lelis. Assim essa Ordem, realizando os ardentes desejos do amor sem limites do seu santo Fundador, estendeu os seus ramos nos cinco Continentes, difundindo-se nestes últimos cinquenta anos em vinte novos países, cuja maior parte está em vias de desenvolvimento. Recentemente, obedecendo ao desejo do Sucessor de Pedro, fez brilhar a cruz de São Camilo também na Armênia e na Geórgia, proclamando o Evangelho da caridade para com os doentes entre aqueles povos, durante muitos anos oprimidos por regimes contrários à religião cristã.


    Que dizer, depois, daqueles que, abraçando os ideais e o modelo de vida de São Camilo, alcançaram os cumes da santidade? Nesta circunstância, desejo recordar em particular os membros eleitos da grande Família Camiliana, que eu mesmo tive a alegria de elevar à honra dos altares: Henrique Rebuschini, religioso dessa Ordem; Josefina Vannini, Fundadora das Filhas de São Camilo, Maria Domingas Brun Barbantini, Fundadora das Ministras dos Enfermos de São Camilo.

    Mas não posso esquecer, ao mesmo tempo, os religiosos camilianos que, ao longo dos séculos, “sacrificaram a sua vida no serviço às vítimas de doenças contagiosas, mostrando que a dedicação até ao heroísmo pertence à índole profética da vida consagrada” (Vita consecrata, 87). Como não ver neste florescimento de santidade uma confirmação da validade do carisma camiliano, como caminho para a perfeição da caridade?

    4. A celebração do 450° aniversário do nascimento de São Camilo constitui para os seus Filhos um importante convite a enfrentar, com fidelidade e criatividade, os desafios do mundo contemporâneo, e a demonstrar com renovado empenho a atualidade dos seus ensinamentos e do seu carisma.

    No início do terceiro milênio cristão, os Camilianos são chamados, de modo especial, a testemunhar fielmente Cristo, divino Samaritano, através duma vida santa e fervorosa, sustentada pela oração constante e por uma experiência alegre da misericórdia divina. Eles contribuirão assim para ajudar a comunidade eclesial a procurar descobrir o rosto do Senhor crucificado, em toda a pessoa que sofre.

    Será necessário, portanto, cultivar uma sólida espiritualidade para superar os fáceis riscos de um pragmatismo sem alma, esquecido da verdade fundamental, segundo a qual a salvação de quem sofre e morre é obra da graça de Deus. Seguindo o exemplo do santo Fundador, todo o Camiliano seja um verdadeiro contemplativo em ação, conjugando constantemente consagração e missão.

Era na oração que Camilo auria forças e
alimentava seu amor pelos enfermos. 

    5. Tal opção tornará esta Ordem capaz de infundir nas estruturas sanitárias uma forte inspiração evangélica, hoje particularmente necessária no mundo sanitário e da saúde, insidiado por enormes conflitos éticos, provocados por um preocupante afastamento da ciência e da tecnologia do autêntico respeito pelos direitos da pessoa nas diversas fases do seu desenvolvimento.

    Nesses contextos difíceis, os Religiosos Camilianos são chamados a empenhar-se com generosa dedicação, para que nas instituições de saúde os doentes sejam sempre considerados como “senhores e patrões”, segundo a feliz expressão de São Camilo. Eles, além disso, dedicarão particular cuidado para que o doente se torne consciente de poder ser sujeito activo de evangelização, através da oferenda do próprio sofrimento, em comunhão com Cristo crucificado e glorificado (cf. Christifideles laici, 53-54; Vita consecrata, 83).

    A sua atenção seja dirigida, além disso, para a promoção de uma cultura respeitosa dos direitos e da dignidade da pessoa humana através dos Institutos acadêmicos, em particular o “Camillianum“, dos Centros de pastoral e das estruturas sanitárias, já presentes em várias nações.

    6. Os filhos de São Camilo sabem que são chamados a privilegiar “os doentes mais pobres e abandonados, bem como os idosos, os inválidos, os marginalizados, os doentes em fase terminal, as vítimas da droga e das novas doenças contagiosas” (Vita consecrata, 83). A opção de estar ao lado dos pobres, promovendo a saúde comunitária e testemunhando o amor da Igreja pelos homens, resulta particularmente urgente nos países em vias de desenvolvimento, onde a situação de indigência agrava as condições de saúde da população, favorecendo a difusão das nossas doenças sociais, em particular da toxicomania e da sida, expressões de degradação moral da civilização e de injustiças sociais, que levantam numerosos problemas humanos e éticos.


Seu coração ardia de amor por Deus e pelas almas, a tal ponto de, um dia
suas vestes, na altura do peito, se inflamarem. Esse fenômeno místico foi

testemunhado por quem assistiu ao êxtase. 

    Conheço o notável empenho do Instituto na assistência às vítimas destas doenças e na relativa obra de formação e de prevenção. Ao congratular-me convosco pelos notáveis resultados alcançados, sobretudo nos últimos anos, formulo votos por que os filhos de São Camilo tenham sempre mais a peito essas dramáticas situações, dedicando-se-lhes de maneira generosa, competente e sistemática.

    7. Também no vosso Instituto foi aberto recentemente um capítulo rico de esperanças, por causa do enorme grupo de leigas e leigos que optaram por viver a sua vida cristã à luz do carisma e da espiritualidade camiliana. Ao exprimir o meu encorajamento a essas colaborações promissoras, faço votos por que o empenho de formação e a participação na vida da Ordem possam trazer “inesperados e fecundos aprofundamentos de alguns aspectos do carisma, reavivando uma interpretação mais espiritual do mesmo e levando a tirar daí indicações para novos dinamismos apostólicos” (Vita consecrata, 55).

    À Família Camiliana leiga, novo fruto da árvore frondosa que nasceu da fé e do amor do Santo de Bucchianico, dirigem-se a minha saudação particular e o convite a aprofundar a própria adesão a Cristo, através da prática dum serviço generoso aos doentes, sobretudo aos mais pobres.

De coração formulo à inteira Ordem os votos por que viva o 450° aniversário do nascimento de São Camilo na alegria e no compromisso apostólico e, enquanto confio esperanças e projetos à Virgem Imaculada, Rainha dos Ministros dos Enfermos e Saúde dos doentes, desejo que, assim como o foi para o Fundador, também para todo o Camiliano o Ano jubilar seja ocasião de fervor, de santidade e de graça.

    Com estes votos, concedo-lhe com afeto, caro Padre, a Bênção Apostólica, assim como aos Religiosos seus Coirmãos e a quantos compõem a grande Família Camiliana, e também a todos aqueles que beneficiam do seu serviço caritativo e competente.

Vaticano, 15 de Maio de 2000.


PAPA JOÃO PAULO II

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2000/apr-jun/documents/hf_jp-ii_spe_20000515_camilliani_po.html




Biografia de São Camilo de Lelis pelos Camilianos


    Pertencente de uma nobre e tradicional família, Camilo de Lellis foi militar e pelo seu caráter, expulso da tropa. Viciado em jogo, levava vida profana e decadente. Perdeu todos os seus bens. No momento mais melancólico de sua vida, em uma situação de mendicância, Camilo foi tocado pela graça divina, arrependendo-se de todos os seus pecados, passando a dedicar sua vida a servir, por espírito de caridade, aos doentes pobres em hospitais. E diante de tanta dedicação, fundou a Companhia dos Servidores dos Enfermos, conhecidos como Camilianos. E não é por menos que tornou-se patrono dos enfermos e dos hospitais.

    Seu sobrenome remonta à história da igreja, época de Teodoro de Lellis, o Cardeal Pio II. Mas São Camilo de Lellis fez a própria história e deixou sua fé e sua dedicação aos enfermos disseminadas por todo o mundo.

São Camilo era italiano de Abruzzo, mas precisamente da cidade de Bucchianico. Em 1550, ano de seu nascimento, sua família carregava no sangue virtude, coragem e brio dos que lutaram nas Cruzadas.

Seu nascimento coroou o casamento de tantos anos da senhora Camila, a mãe, que até os 60 anos de idade não tinha conseguido dar um herdeiro ao esposo João.

    E foi com 17 anos que Camilo alistou-se como voluntário no exército de Veneza. Naquela época, pôde conviver com o drama dos enfermos que agonizavam diante de várias doenças. Foi dessa época também que Camilo passou a viver com uma dolorosa úlcera no pé, que o acompanhou até o último dia de vida. Nesse período, também sofreu a perda do pai e sua vida enveredou-se para os prazeres mundanos, como o da jogatina.

   A vida de Camilo mudou completamente. Sofreu diante da falta de condições financeiras e de saúde. Doente, não conseguiu local para internar-se, o que o fez partir para Roma, pedindo auxílio no Hospital Santiago, justamente para tratar da chaga no pé direito. Camilo não tinha dinheiro para pagar o tratamento e ofereceu-se para trabalhos de servente e de enfermeiro.

    Mal cicatrizada a ferida, Camilo, sem nenhum recurso financeiro, soube que o país recrutava voluntários para combater os turcos. E lá foi ele. Não parou tão cedo. Em 1573, mais um combate. Neste ano, quase restabelecido economicamente, Camilo, mais uma vez, rendeu-se aos prazeres mundanos e atirou-se aos jogos. Perdeu tudo. Ficou a zero, reduzido à miséria. Retornou a Nápoles e prometeu se fazer religioso franciscano.

   Um ano depois, Camilo esqueceu-se do voto que fizera de se tornar religioso franciscano e mergulhou novamente no jogo. O jogo e a bebida tornaram-se vícios em sua vida. Ficou novamente na miséria. Partiu para Veneza. Passou frio e fome. Não tinha onde morar, nem dormir. Em uma das derrotas no jogo, deu como pagamento a própria camisa. Depois de muito perambular, conseguiu abrigo no convento dos capuchinhos, momento em que lembrou do voto de tornar-se religioso. Converteu-se realmente.


    Camilo retornou ao Hospital Santiago, desta vez como mestre da casa. Apesar de doente, tratou dos enfermos como de si. Em 1581, com a saúde precária, decide tratar dos doentes gratuitamente. Na época, Camilo foi levado a agir assim diante da exploração, desonestidade e falta de escrúpulos dos médicos para com os doentes. Em 1582, Camilo teve a primeira inspiração de instituir uma companhia de homens piedosos que aceitassem, generosamente, a missão de socorrer os pobres enfermos, sem preocupação de recompensa.

    Aos 32 anos voltou aos estudos, sendo ordenado sacerdote aos 34 anos. Aos 18 de março de 1586, o papa Sixto V aprova a Congregação Religiosa fundada por Camilo.

    Em 21 de setembro de 1591, o papa Gregório XIV eleva a Congregação de Camilo ao “status” de Ordem Religiosa.

  Na guerra que logo em seguida houve na Hungria, os “Camilianos” trabalharam como primeira unidade médica de campo, cuidando dos feridos.

    Não bastou a Camilo tomar consigo apenas bons enfermeiros e alguns até médicos, os doentes careciam também de assistência religiosa. É evidente que a alma bem cuidada dispõe melhor o corpo para suportar os sofrimentos e sobrepor-se à doença. Vale destacar que antes de ser santo, Camilo não tinha nenhuma ligação de fé no Senhor.

   Muito doente, Camilo renunciou ao cargo de Superior Geral de sua Ordem Religiosa em 1607.

   Faleceu em Roma aos 14 de julho de 1614. Sua festa é celebrada aos 14 de julho, data de sua morte.

   Nos primeiros dias de julho de 1614, já no seu leito de morte, recebeu a última comunhão e deixou as seguintes recomendações:

    “Observai bem as regras. Haja entre vós uma grande união e muito amor. Amai, e muito, a nossa Ordem, e dedicai-vos ao apostolado dos enfermos. Trabalhai com muita alegria nesta vinha do Senhor. Se Deus me levar para o Céu, vos hei de ajudar muito de lá. As perseguições que sofreu nossa obra vieram do ódio que o demônio tem ao ver quantas almas lhe escaparam pelas garras. E já que Deus se serviu de mim, vilíssimo pecador para fundar miraculosamente esta Ordem, Ele há de propagá-las para o bem de muitas almas pelo mundo inteiro. Meus padres e queridos irmãos: eu peço misericórdia a Deus e perdão ao padre Geral aqui presente e a todos vós, de todo mau exemplo que eu pudesse ter dado, talvez mais pela minha ignorância, do que pela má vontade. Enfim, eu vos concedo da parte de Deus, como vosso Pai, em nome da Santíssima Trindade e da bem-aventurada Virgem Maria, a vós aqui presentes, aos ausentes e aos futuros, mil bênçãos”.

    Camilo de Léllis morreu no dia 14 de julho de 1614. Seu féretro foi marcado por muita comoção e acompanhado por uma multidão. Mas um milagre era visto naquele dia: enquanto preparavam o corpo de Camilo para o funeral, os médicos, estarrecidos, notaram que a chaga havia desaparecido.

    Em 1746, durante uma festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, o Papa Bento XIV, no dia 29 de junho, declara Santo o nome de Camilo de Léllis.

Em 1886, Leão XIII declarou São Camilo, juntamente com São João de Deus, Celestes protetores de todos os enfermos e hospitais do mundo católico.

    No dia 28 de setembro de 1.930, Pio XI proclamou Camilo ” Protetor dos profissionais da saúde”

http://www.camilianos.org.br/historia.asp





Biografia pela Congregação das Filhas de São Camilo de Lelis


   
Quando criança e jovem revelou vivacidade descomedida. Gostava de jogo, detestava a disciplina, aborrecia o trabalho e o estudo. Aos 13 anos perdeu sua mãe e aos 17 ficou órfão de pai. Até os 25 anos viveu entre aventuras bélicas, na Dalmácia e na África, nos exércitos de Veneza e depois de Espanha, mais ávido de jogo que de sonhos de glória. Os dados e as cartas foram sua paixão. Perdeu tudo no jogo: património, armas e até a camisa.

    A natureza dotou-o de temperamento enérgico: o que queria devia conseguir. Não havia freio nem obstáculo que lhe barrasse os passos.

Mas um dia apareceu-lhe uma chaga no pé direito que o deixou parado, embora por breve tempo, no hospital de S. Tiago, em Roma. Mal viu a ferida cicatrizada, partiu para novas aventuras de terra e mar. No Outono de 1574 estava na miséria mais completa. Para não mendigar aceitou, muito a contragosto, trabalhar como ajudante de pedreiro na construção de um convento de Capuchinhos em Manfredônia. Após duras resistências, caiu vencido pela graça, no dia 2 de Fevereiro de 1575.

    Ingressou na Ordem dos capuchinhos e seu engajamento na prática do bem foi constante. Mas a chaga do pé abriu-se novamente e Camilo teve de retornar ao hospital de S. Tiago.

    Naquele ambiente de dor amadureceu, durante quase 9 anos, sua vocação à caridade (1575 – 1584). Tamanho era o seu amor pelos doentes que chegava a se esquecer de si mesmo. Os capuchinhos, após repetidos testes, acabaram por considerá-lo inapto para sua Ordem, por causa da chaga no pé. Camilo então, consagrou-se à assistência dos doentes.

    Controlou rapidamente as más inclinações do seu temperamento e as colocou a serviço do seu ideal. São Felipe Neri, seu diretor espiritual, nem sempre conseguia moderar-lhe os ímpetos e os ardores. Em 1584, ordenou-se sacerdote com o intuito de fundar uma “Companhia de homens de bem” que se consagrassem por amor de Deus ao serviço dos doentes. No dia 8 de Setembro daquele mesmo ano, deu o hábito religioso aos seus primeiros seguidores.

    Em princípio de Janeiro de 1585 alugou, e mais tarde comprou, a chamada casa da “Madalena”, que haveria de se tornar a casa mãe da ordem.

    No dia 18 de Março de 1586, o Papa Sisto V reconheceu e aprovou a Companhia dos Ministros dos Enfermos, até então conhecida como Companhia de Camilo. O mesmo Pontífice concedeu-lhes o privilégio de levar, visível sobre o peito, pregada no hábito e no manto, uma cruz vermelha. No dia 29 de Junho de 1586, festa de S. Pedro e de S. Paulo, Camilo e seus companheiros apareceram em público com o sinal de bênçãos previsto pelo sonho materno.

     O Papa Gregório XIV elevou a companhia dos Ministros dos enfermos à dignidade de Ordem Religiosa, com um quarto voto de assistir os doentes, mesmo que acometidos de peste ou outras doenças infecciosas. Em 1591, na festa da Imaculada Conceição, Camilo e mais 25 de seus colegas emitiram os votos solenes.

    Em 1588 a Ordem já tinha fundado casa em Nápoles e se espalhou em pouco tempo. Em 1594 já se estabelecia em Milão, Gênova e, mais tarde, em Florença, Bolonha, Mântua, Ferrara, Messina, Palermo, Viterbo, Quieti, Buquiânico e Borgonovo.

    Em toda parte aceitava a assistência dos doentes a domicílio e nos hospitais, cuidando de todos os serviços, mesmo os mais humildes.

Morreu com 64 anos, no dia 14 de Julho de 1614, na casa de S. Mª Madalena. A ordem continuou a espalhar-se por todo o mundo e esteve também em Portugal até o 25 de Abril quando foram expulsos com as outras ordens religiosas.

    Em 1746 o Papa Bento XIV o elevou à honra dos altares. Leão XIII declarou–o celeste padroeiro dos enfermos e dos hospitais. Pio XI proclamou-o padroeiro dos médicos, enfermeiros e todo pessoal sanitário.


Beatos e servos de Deus filhos espirituais de
São Camilo de Léllis

     Em 1892 nasceu o ramo feminino camiliano, através da pessoa de um Padre camiliano, o BEM AVENTURADO LUÍS TEZZA que transmitiu o espírito de S. Camilo:

    “Curar os corpos para salvar as almas, assistir os enfermos como uma amável mãe ao seu único filho doente; ouvindo sempre as palavras do Senhor: ‘Estive doente e me curaste, vinde benditos de meu Pai ( Mt 25,36); e, Tudo o que fizeres a um destes pequeninos a Mim o fizestes’.”, àquela que teria sido a primeira Filha de S. Camilo, a BEM AVENTURADA MADRE JOSEFINA VANNINI, a todos os efeitos fundadora da nossa Congregação com o Fundador padre Tezza. Hoje as irmãs FILHAS DE SÃO CAMILO estão espalhadas pelo mundo: com a casa central em Roma, trabalham em outras 14 casas na Itália, Estão na África, Índia, Colômbia, Peru, Brasil, Argentina, Polônia, Alemanha, Geórgia, Filipinas, México, Hungria, Espanha, em Portugal estão em Lamego desde 1990 e têm apenas duas irmãs portuguesas uma de Lamego e uma da Guarda.

Trabalham em diversas obras próprias e não como: Hospitais, ambulatórios, dispensários, lares de idosos, escolas de enfermagem, assistência a domicílio, leprosários, casa para doentes com Sida, nas Missões.


Fonte: https://biografiadossantos2.wordpress.com/2010/07/14/sao-camilo-de-lelis/

Imagens retiradas do Google Imagens



domingo, 9 de julho de 2017

A VENERÁVEL MÃE DE SÃO JOÃO BOSCO, MAMÃE MARGARIDA, Cenas de sua vida


Nos dias tão difíceis em que vivemos, em que a instituição célula da sociedade, a FAMÍLIA, é tão atacada, e em que a MATERNIDADE tem sido deixada de lado por muitas mulheres em busca de ideais diversos e avessos aos planos de Deus, faz-se necessário conhecermos essas grandes testemunhas de Cristo, que testemunharam o Evangelho por meio da vivência familiar, assumindo a santa vocação a que o Senhor as chamou, de mulher, esposa e mãe, na dedicação à família e à educação dos filhos.




VENERÁVEL MARGHERITA OCCHIENA, MAMÃE MARGARIDA, A MÃE DE DOM BOSCO

CENAS DE SUA VIDA






Margarida Occhiena, a mãe de Dom Bosco, nasceu no Piemonte, norte da Itália, no povoado de Capriglio, no dia 01 de abril de 1788 e faleceu em Turim em 25 de novembro de 1856. Eram seus pais e, portanto, avós maternos de Dom Bosco: Melquior Marcos Occhiena e Domingas Bossone.


O Piemonte de então

As ideias liberais, revolucionárias, que eclodiram na Revolução Francesa, infiltraram por toda a Europa e chegaram até o Piemonte. Um verdadeiro vendaval que agitou, transtornou, destruiu mentes e ideais para uma ordem nova de concepções e de pessoas, de direitos e de deveres humanos. Provocaram lutas, abalaram tronos, derrubaram reis, muito sangue foi derramado. Veio a epopéia de Napoleão Bonaparte e suas sequelas dolorosas.
O Piemonte assistiu, foi palco, participou destas vicissitudes. Viu com tristeza o Papa Pio VII passar pelos caminhos que o levaram ao exílio. Ser aclamado pelos fiéis quando voltou de Paris onde coroara o imperador e permanecendo por três dias em Turim.
Chorou novamente, com lágrimas de filhos impotentes, ante a tirania e a força quando de novo viu o Papa passar prisioneiro por aquelas mesmas estradas. Era a opressão francesa comandada por Napoleão Bonaparte.
Foi neste ambiente de contratempos e instabilidades que Margarida viveu sua infância e adolescência. Foi sendo provada e desenvolvendo virtudes que a tornaram a mulher forte e decidida, forjada para a vida difícil que teve que encarar.
Na escola da mãe, em meio a afazeres domésticos e dos plantios, o amor ao trabalho, a oração, deram-lhe os fundamentos sólidos da perfeição cristã que ela procurou serenamente por toda a vida. O amor entranhado à pobreza, no desprendimento dos bens materiais, do supérfluo. Uma vontade férrea para enfrentar as agruras da vida. Uma acuidade perspicaz e corajosa para saber discernir e entender os dons do Espírito Santo, sobretudo a Sabedoria.



O perfil de Mamãe Margarida

Margarida adquiriu, com a idade e a ação da graça divina, o espírito de fortaleza, a confiança ilimitada em Deus, o equilíbrio da prudência e do são critério. A maneira simples, desembaraçada, franca e firme no falar, no decidir, no agir.
Casou-se em 06 de junho de 1812 com Francisco Luís Bosco, viúvo de primeiras núpcias, cujo filho Antonio, então com 04 anos, ela adotou, criou e o educou como seu, com todo o carinho como fizera com seus próprios filhos: José e João Melquior.



A viuvez

Apenas cinco anos durou o enlace que tão bem iniciara. Francisco Bosco, vindo do campo suado, entrou na adega fria pouco depois de sair já começou a sentir-se mal. Uma febre violenta apossou-se dele. Mal podia respirar. Era a pulmonite. Foi fulminante, não resistiu e morreu logo depois, no dia 11 de maio de 1817.



As duas alianças

Margarida tirou a aliança do dedo de Francisco e colocou-a em seu dedo junto com a sua. Era a recordação que dele quis guardar. Fidelidade e amor até a morte. Sempre que vinham lhe dizer que seria bom para ela aceitar algum pretendente ( o que não faltava ), para ajudar a criar os filhos, ela mostrava as duas alianças.
Tinha agora dupla missão: ser mãe e pai. E acrescentava: Deus me deu um marido e mo tirou; ao morrer deixou-me três filhos. Eu seria uma mãe cruel abandonando-os justamente quando mais precisam de mim. Se insistiam que um bom tutor poderia cuidar muito bem deles, ela reafirmava: Um tutor não é mais que um amigo, ao passo que eu sou a mãe de meus filhos. Não os abandonarei jamais, ainda que me ofereçam todo o ouro do mundo.
A jovem camponesa, robusta, forte, acostumada às labutas diárias da vida da roça, viúva tão cedo, desdobrou no trato da terra, nos cuidados da família, na educação dos filhos. Enquanto a sogra, mesmo presa à sua cadeira de paralítica cuidava da casa e das crianças, ela ia para a lavoura, prover o sustento da casa. Enfrentava dificuldades, arcava com canseiras, com o preparo da terra, com as sementeiras, o plantio, as podas, as colheitas, o armazenamento, tantas trabalheiras mais, próprias da vida do agricultor. Suas mãos, mesmo calejadas, eram suaves, carinhosas, em acariciar os filhos, em arrumá-los, vesti-los, em oferecer-lhes segurança e fortaleza que dificilmente outra mãe lhes poderia dar.



A Boa Samaritana

Em 1825, a sogra, Margarida Zucca, ultrapassava os oitenta anos. A velhice, a paralisia e os achaques prendiam-na definitivamente ao leito. Margarida, por sua vez, desdobrava-se em desvelos para com a sogra. Não se preocupava com sacrifícios. Médico, remédios, gastos necessários, em nada se poupava.
Houve alguém que sentiu-se na obrigação de recomendar-lhe que fosse mais econômica, afinal, para que gastar tanto com uma velha a quem não restava senão morrer. Com a nobreza de alma e a dignidade de sua personalidade retrucou: Como mãe de meu marido ela é minha mãe também. Tenho a obrigação de respeitá-la e cuidar dela. Prometi ao meu pobre Francisco antes dele morrer. Se tudo que tenho feito, puder prolongar sua vida, um minuto que seja, dou-me por bastante feliz.



A gratidão da sogra

No leito de morte, após agradecer à nora de coração, a avozinha pediu aos netos: - Respeitem muita sua mãe. Tratem-na bem, imitem seu exemplo. Vejam com que bondade ela cuidou desta sua pobre avó. Eu mesma sei que lhe fui de grande peso. Por mim ela sofreu com paciência, rodeou minha vida de carinhos. Fez sempre tudo para que eu não me aborrecesse.
Toda a redondeza a conhecia como mãe dos que passavam necessidade. Jamais dizia não a quem batesse à sua porta. Pobre de bens terrenos era rica em dedicação, em desprendimento. Ao saber que alguém estava doente não deixava de ir visitá-lo. Todos recebiam-na de portas abertas. Prestava ao adoentado os socorros necessários dentro do que lhe era possível, interessava-se por ele e pela família.
Outras vezes, altas horas da noite, alguém batia à porta da humilde casa dos Bosco pediam a ajuda de Margarida, posto que, a família não sabia como resolver o caso de alguém que adoecera repentinamente. Ela chamava então um dos filhos, dizendo: Vamos fazer um ato de caridade com um sofredor. Arrumavam rapidamente e saiam. Jamais deixou de atender um pedido de ajuda. Quando o caso era grave, sendo a paróquia distante, preparava o moribundo para o “grande passo”. Ali ficava até fechar-lhe os olhos, consolando a família naquela hora tão difícil da despedida.



A mais difícil provação

Sobre os ombros de Margarida arcara de vez a responsabilidade da casa e da família. Educar os 02 filhos e conviver com o enteado, agora com 18 anos e julgando então, o chefe da casa, o herdeiro presumível dos bens que o pai deixara. Só a fé em Deus evitara que sucumbisse.
No ponto de vista de Antonio, todos tinham que fazer a sua parte no trato com a terra. Era dela que tiravam o sustento para viver. Não tinham outro meio. Dois braços a menos fariam muita diferença. Logo, João Bosco deveria esquecer os estudos e ajudá-lo a cuidar da terra.
Embora sem estudos, Margarida sabia dar grande valor a eles. Quis o melhor para os filhos. Sentindo a vocação de João Bosco para o sacerdócio, tudo fez para vê-lo realizar seu sonho. Por outro lado não queria a desunião, nem o confronto entre João e Antonio o que parecia inevitável. A primeira medida foi mandar Joãozinho para Capriglio, para a casa do avô Melquior.
Por 02 anos, de 1824 a 1825, no inverno, graças a tia Mariana, que conseguiu-lhe a vaga, João estudou na escola do pároco, Pe. José Lacqua, em Capriglio. Muitas foram as dificuldades. Para Antonio, os 02 anos de estudo que Joãozinho tivera eram mais que suficiente. Agora, de volta à casa, João devia passar dos livros para a enxada.
João, ao contrário, durante todo o verão, após as duras jornadas de trabalho e em todo momento livre, estava sempre com um livro na mão, o que desafiava a suposta autoridade do irmão, que irritado continuava a provocá-lo. Por mais que Margarida colocasse água na fervura, Antonio continuava resmungão, humilhando o irmão, que nem sempre se calava. Tudo em vão, Antonio provocava um clima cada vez mais tenso na família, até que um dia a corda arrebentou.
Não sabendo mais com quem aconselhar-se Margarida decidiu chamar Joãozinho e conversou com ele. Em meio às lágrimas decidiram que Joãozinho devia sair de casa e ir procurar trabalho nos sítios vizinhos. João sabia das dificuldades que enfrentaria, todavia, obedeceu a mãe que como ele também sofria. Apesar de extrema, tal atitude foi a mais correta que se podia tomar e, a despeito de tudo, “o futuro provará”, foi daí que se deslanchou a carreira do nosso caro santo.


A presença da mãe na vida do santo

Na vida dos grandes santos, a presença da mãe na formação dessas extraordinárias personalidades é quase uma constante. Com Dom Bosco não foi diferente. João Bosco, que desde cedo mostrou grande interesse e aptidão pelos livros, recebeu estímulo e força daquela camponesa simples e analfabeta.
Foi estudar com o Padre Calosso, que ficara admirado com a dedicação, a força de vontade e a prodigiosa memória do garoto. Para completar os estudos no seminário, dom Bosco foi sapateiro, garçom, alfaiate, e até deu aulas à noite para os colegas. Não foram poucos os sacrifícios, desafios e provações pelos quais passou Dom Bosco em cada passo que dava.
Agora, com 19 anos, devia decidir que caminho tomar. Se pudesse entraria para o clero diocesano, mesmo não sentindo atração pela vida paroquial. Queria ser padre para cuidar dos jovens. No fundo, o problema eram as taxas, os altos custos dos estudos. Não achava justo exigir mais estes sacrifícios da mãe e do irmão José. Nem eles querendo os podiam fazer. Mantinham porém, a fé em Deus. Alguma luz havia de acender.
O convívio com os Frades Franciscanos do Convento da Paz, pareceu atrair-lhe para a vida religiosa. Ainda mais que os Frades o acolhiam de braços abertos, dispensando toda questão financeira. Mas outra vez um sonho alertava Dom Bosco de que no Convento da Paz ele não encontraria a paz. Margarida foi comunicada, deveria dissuadir o filho de dar este passo. Sobretudo porque, sendo pobre e com o avançar da idade haveria de precisar do amparo do filho que só viria caso tornasse Padre e não como Frade.
Naquela época, procurar o seminário, era buscar uma segurança econômica. Era alcançar junto à famílias ricas o papel de mestre, preceptor, ou ainda, engajar-se como professor bem remunerado nas universidades. Muitos se ordenavam sem o mínimo de vocação. Daí advinham escândalos, egoísmos e ganâncias de riquezas e poderes.
Margarida tinha, na sua simplicidade de humilde lavradora, o dom do discernimento, que o espírito de Deus lhe infundia. Iluminada por Ele, nunca poderia aceitar ver o filho como um sacerdote indigno.
Margarida rezou, refletiu e decidiu. Teve com o filho um diálogo célebre:
- É verdade que queres ser religioso?
- Sim, mamãe. Creio que não vai se opor.
- O que quero é que examine seriamente o passo que você quer dar. Depois siga a sua vocação sem se preocupar com ninguém.
- A primeira coisa é a salvação de sua alma. O pároco está pensando na necessidade que eu possa ter no futuro. Mas nessas coisas eu não entro, pois antes de tudo está Deus Não te preocupes comigo. Eu, de você, não quero nada. Escute bem. Nasci na pobreza, tenho vivido na pobreza, quero morrer na pobreza. E guarde bem o que te digo: Se você decidir ser Padre diocesano e, por desgraça, um dia se tornar rico, eu jamais irei visitá-lo. Lembre-se bem disto.
A atitude de Margarida te uma conotação profunda com a sua fé e o seu conceito do sacerdócio Dom Bosco formou-se com muito esforço e naquele dia, a mãe, essa admirável camponesa modesta e rude, ainda lhe disse:
- Meu filho, agora que você é padre, pense só em ajudar os outros que não tiveram a sua sorte. Não se preocupe comigo. Nossa Senhora tomará conta de nós.



Uma educadora analfabeta

Apesar de analfabeta, foi uma completa educadora cristã. Aproveitava de todas as oportunidades para falar de Deus aos filhos. Nos rastros de Deus que pontilhava o multiforme da natureza, Margarida via e lia, na rústica simplicidade de sua robusta fé, o poder, a bondade, a misericórdia , a sabedoria de Deus Pai.
No lavrar estafante da terra, dizia: “Deus ao expulsar o homem do paraíso terrestre, o mandara ganhar o pão com o trabalho e com o suor do rosto”.
Ao contemplar a beleza dos céus estrelados e das noites enluaradas, dizia: “É Deus quem criou o mundo e colocou lá em cima tantas belas estrelas. Se o firmamento é assim tão lindo, com não será o paraíso?”.
Quando os prados e as campinas se marchetavam de flores e cores, sorrindo apontava: “Que coisas bonitas não faz o Senhor para alegrar os nossos olhos?”.
Se, das montanhas, o vento vinha rugindo e os trovões estrondejavam com o estalar relampejante dos raios, punham-se a rezar e ela: “Como o Senhor é todo poderoso! Quem ousará enfrentá-lo? Fujamos sempre do pecado”.
Se as nuvens carregadas, escuras, vinham chegando, estrugindo assustadoras e passavam numa chuva de pedra que arrasava as plantações num anúncio muitas vezes de carência e fome: “O Senhor é quem nos dá os bens e no-los tira. Ele é o Senhor. Se assim o permitiu, é porque julgou ser melhor”.
Ao arrumar-lhes as roupas simples com que os vestia, lembrava-lhes: “Que vale ter belas roupas, se a alma estiver manchada pelo pecado?”.
Se, na tosca mesa onde a família se agrupava, um pão quente e saboroso era posto para o agrado de todos: “Deus é verdadeiramente um Pai. Ele nos dá sempre o pão de cada dia”. E rezavam: Pai nosso que estais no céu...



Paciente e sábia ao disciplinar

Certa vez, a família ajoelhada rezava as orações da noite. Entoava-se o Pai Nosso. Ao chegar ao perdoai as nossas ofensas..., Margarida suspendeu a prece e, dirigindo-se a Antonio:
- Você não deve rezar esta parte que segue.
- Por que, mãe? Retrucou o rapaz admirado.
- Porque você vive brigando com seu irmão. Não perdoa nunca. Se você rezar, estará mentindo e não se mente para Deus!
Houve um momento de silêncio, reflexão e, por fim, Antonio disse constrangido:
- Mãe, perdoa-me. Vou procurar não fazer mais. Ao que Margarida, sorriu para o enteado e continuou: - assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...



Mãe de Dom Bosco e também mãe dos meninos do Oratório

Sabia onde era seu lugar. Dotada de grande perspicácia, sabia descobrir muito bem o que lhe convinha ou não fazer, ex: Qual o seu lugar à mesa? Enquanto Dom Bosco não teve alunos internos, tomava com ele as refeições. Quando, porém, Dom Bosco fez sentarem-se à sua mesa Sacerdotes e Clérigos, ela não mais foi vista a seu lado. Se Dom Bosco insistia ela sabia muito bem arranjar suas desculpas Dom Bosco então inventou um pretexto: Às vezes convidava à mesa os meninos mais distintos; Seria bom que Margarida ficasse no meio deles para impedir que cometessem alguma falta, sobretudo quando havia convidados. Não é o meu lugar dizia ao filho – a presença de uma mulher destoaria ali.



Uma preciosa aquisição

O jovem, pequeno e vermelhinho, viera trazido por Dom Bosco de Castelnuovo, onde fora pregar. Ele mesmo é que conta:
Dom Bosco apresentou-me à boa mãe, dizendo: este menino está decidido a ser correto e estudar. Ao que ela, alegre respondeu:
- Ótimo, você não faz outra coisa a não ser ir procurar meninos, embora saiba muito bem que não temos mais lugar.
- Ora, um cantinho sempre a senhora há de achar – acrescentou Dom Bosco, sorrindo.
- Ponha-o no seu quarto! – respondeu ela.
Também brincando Dom Bosco acrescentou:
- Oh, não é necessário! Como vê, ele não é grande. Podemos colocá-lo no cesto de torradas e com uma corda o suspenderemos, pendurando-o à moda das gaiolas dos canarinhos.
A mãe riu e foi arranjar-me um lugar. Nesta noite dormi nos pés da cama de um companheiro”.
O menino vermelhinho viera a ser o grande Dom João Cagliero, o primeiro Bispo e Cardeal salesiano.



O Boa Noite

O jovenzinho chegou ao Oratório numa tarde chuvosa, todo encharcado. Margarida recebeu-o carinhosamente, fê-lo sentar-se junto ao fogo e, quando sua roupa ficou seca, pôs-lhe diante um fumegante prato de sopa de pão. Dom Bosco encontrou-o já bem alimentado e disposto. Órfão, viera de Valsesia a procura de trabalho.
- E agora, onde queres ir?
- Não sei mesmo. Por favor, dê-me um lugarzinho para passar a noite.
- Se você concordar, arranjarei um cantinho para ele passar a noite e, amanhã, Deus proverá.
- Na cozinha! E se ele fugir com as panelas?
Margarida trouxe alguns tijolos, duas tábuas, o colchão de Dom Bosco, lençol, um cobertor. À beira da caminha improvisada, Margarida fez um pequeno sermão ao menino: falou-lhe da dignidade do trabalho, da lealdade e da religião. Puxando o cobertor para cobri-lo melhor, sussurrou-lhe no ouvido: Boa noite filho!
- Obrigado mamãe! Boa noite! Sussurrou-lhe o jovenzinho. E dormiu...
Desde então, seguindo o seu exemplo, (e já se passaram mais de cento e cinquenta anos), em todas as casas salesianas do mundo, o diretor ou quem o substitui, antes que os meninos e os salesianos vão dormir, dirige-se a eles uma palavra amiga, lança-lhes uma semente nos sulcos da alma e lhes dá o “boa noite”.
Nos externatos passou a ser o Bom Dia. É o momento de um contato familiar, oficial, da direção da casa, com seus alunos. Seu efeito tem o condão mágico de penetrar na mente e no coração dos alunos, constituindo uma das características da pedagogia de Dom Bosco. Boas Noites ou Bons Dias, ouvidos em seu tempo, ficam gravados por muitos anos, às vezes, por toda vida. O bom senso e o zelo apostólico de Mamãe Margarida, tornaram-se norma, recurso educativo.



Como dizer não a Jesus?

Era o ano de 1851, estava Margarida já com seus 63 anos. Já passara 05 longos anos desde que trocara o sossego dos Becchi pela barulheira de Turim. Sofria muito com aquela agitação constante, aborrecia-se sobretudo quando, não por maldade mas por irreflexão, jovens vivos e irrequietos causassem prejuízos.
Um dia era a roupa lavada que ia para o chão, roupas perdidas, rasgadas em demasia que já não aceitavam remendos, noutro foram pisoteados os canteiro da horta, nem as panelas da cozinha eram mais encontradas em seu lugar. Uma balbúrdia. Tudo isso acabou levando Margarida, mesmo a contragosto, decidir abandonar o Oratório e voltar para os Becchi. Com as malas feitas se encaminha para a porta. Dom Bosco que por pouco não fora notado, a interpela:
- Tudo bem Mama, tens razão até de sair sem se despedir do filho. Mas (e apontou para o crucifixo da parede), e d’Ele? Também não vais despedir?
Pobre Margarida. “Caiu-lhe a ficha”.








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Esse texto foi extraído do site dos Salesianos Cooperadores - espécie de ordem terceira, especialmente para leigos, fundada por Dom Bosco. Pode ser encontrado nesse link:

http://www.salesianoscooperadores.org/Arquivo/PLANO%20DE%20FORMA%C3%87%C3%83O/Segunda%20fase/Forma%C3%A7%C3%A3o%20Inicial%20Segunda%20Fase%20Textos/Encontro%2018%20-%20Mam%C3%A3e%20Margarida.doc

Imagens retirada do Google Imagens.

VENERÁVEL MARGARIDA OCCHIENA, MAMÃE MARGARIDA, MÃE DE DOM BOSCO


"Quando começou os estudos, recomendei-lhe que amasse a essa nossa boa Mãe. Agora, recomendo que seja todo Seu." 
Estas foram as palavras ditas por mamãe Margarida quando Dom Bosco entrou no Seminário, demonstrando o amor filial e confiante na Virgem Maria, que ensinou aos seus filhos.



Na vida de Dom Bosco, desde o seu nascimento até a materialização de seus sonhos, nenhum biógrafo, nenhum registro histórico, pode abrir mão da significativa presença de Margarida Occhiena, sua mãe. Os salesianos e salesianas celebram no dia 25 de novembro a Venerável Margarida Occhiena, a “Mamãe Margarida”. Ela foi grande incentivadora do filho, tendo papel fundamental no desenvolvimento de sua obra e no nascimento da Família salesiana.
A presença marcante de Margarida Occhiena foi definitiva para que Dom Bosco, nas bases de seu projeto, colocasse como pilares de sustentação a familiaridade, o “espírito de família” e a busca pela santidade. O exemplo de amor, aceitação, confiança e apoio de Mamãe Margarida demonstravam a importância dos princípios evangélicos e da família na formação de novas pessoas, de “bons cristãos e honestos cidadãos”.






MARGARIDA OCCHIENA (1788-1856)



Margarida Occhiena nasceu no dia 1º de abril de 1788 em Capriglio, província de Asti, Itália, sexta de dez filhos, no mesmo dia foi batizada na igreja paroquial. Seus pais, Melquior Marcos Occhiena e Domingas Bossone, eram agricultores dotados de sinceros sentimentos cristãos. Margarida desde jovem é uma grande trabalhadora. Os tempos e o trabalho não lhe permitem estudar, mas o seu amor pela oração é enriquecido por aquela sabedoria que não se encontra nos livros. Reside com seus pais até seu casamento com Francisco Bosco em 1812. Francisco tem 27 anos, é viúvo, com um filho de três anos, Antonio, e tem a mãe doente aos seus cuidados. No ano seguinte nasce José e em 1815 João (o futuro Dom Bosco). Juntos transferem-se para os Becchi, distrito de Castelnuovo d'Asti.
Em 1817 Francisco morre atingido por uma pneumonia. Aos vinte e nove anos Margarida vê-se enfrentando sozinha a condução da família num momento de grande carestia, cuidando da mãe e do filho de Francisco, o falecido esposo; e os pequenos José e João, seus filhos. Margarida era uma mulher de grande fé. Deus estava sempre acima de todos os seus pensamentos e sempre em seus lábios. Tendo ficado viúva, após cinco anos de vida em comum com Francisco Bosco, viu-se obrigada, completamente só, a assumir uma tarefa de grandes desafios e obstáculos: a administração de uma família com quatro membros.

Agora, em uma Itália dividida, em uma Piemonte com graves problemas políticos/econômicos e vivendo os ares da modernidade, ela precisa conciliar todos os encargos inerentes a um chefe de família pobre e de zona rural. Precisa cuidar da casa, do sustento e educação dos filhos, da lida no campo, da sogra adoentada, das crises econômico-financeiras e da incompreensão de Antônio, um dos filhos de Francisco que assumiu como seu, com relação ao desejo de João Bosco de estudar. Precisa mostrar-se forte e fé inquebrantável, para suportar e superar todas as vicissitudes do momento.
O amor do Senhor era tão intenso que formou nela um coração de mãe. Sábia educadora, soube conjugar nela paternidade e maternidade, doçura e firmeza, vigilância e confiança, familiaridade e diálogo, educando os filhos com amor desinteressado, paciente e exigente. Atenta à vida deles, confia nos meios humanos e no auxílio divino. Acompanha o crescimento de três garotos de temperamento muito diferente com os mesmos critérios mas com métodos diversos. Ensina-lhes o catecismo e prepara-os para se aproximarem da primeira comunhão. Mulher forte, com clareza de ideias, determinada nas escolhas, regime de vida sóbrio, severa na educação cristã, doce e compreensiva.
Tendo ouvido o sonho de Joãozinho aos nove anos, é a única que consegue lê-lo à luz do Senhor: "Quem sabe, tu devas ser sacerdote". Permite-lhe então que fique com outros garotos pouco recomendáveis, para que, com ele, se comportem melhor. A hostilidade de Antonio em relação aos estudos de João obriga-a a afastar o filho menor para que possa estudar. Haverá de acompanhá-lo depois.
Obrigada a fazer escolhas às vezes dramáticas (como o afastamento do filho menor de casa para não romper com a paz e para fazê-lo estudar), conduz com fé, sabedoria e coragem o desenvolvimento das habilidades dos filhos, ajudando-os a crescer na generosidade e no espírito de iniciativa. Acompanha com amor particular João até o sacerdócio e depois, deixando a querida casa no Colle, segue-o na sua missão entre os jovens pobres e abandonados de Turim.

No dia da ordenação sacerdotal de São João Bosco pronunciará algumas palavras que ficarão no coração de seu filho por toda a vida. Em 1848, Dom Bosco fica gravemente doente, Margarida vai assisti-lo descobrindo o bem que faz pelos jovens abandonados. Quando Pe. Cinzano diz para Dom Bosco que traga sua mãe para Turim para morar com ele afirma que ele terá um anjo ao seu lado. Mas João fica confuso: convidar sua mãe para sacrificio tão duro, mas ela ela responde assim: "Se acreditas que essa é a vontade do Senhor, estou pronta a vir". À idade de 58 anos decide deixar a tranquilidade em seu povoado e seguir seu filho em sua missão entre os moços pobres e abandonados do Turim.

A presença de Mamãe Margarida transforma o oratório numa família. Por dez anos a sua vida se confunde com a do filho seu nome esta estreitamente ligado as origens do carisma da Congregação Salesiana; é a primeira e principal cooperadora de Dom Bosco; com bondade dinâmica torna-se o elemento materno do sistema preventivo; é, sem o saber, "co-fundadora" da Família Salesiana que cria santos como Domingos Sávio e Padre Miguel Rua.
Analfabeta, mas cheia daquela sabedoria que vem do alto, foi ajuda para tantos jovens pobres abandonados na rua, filhos de ninguém; coloca Deus acima de tudo, consumando-se por Ele numa vida de pobreza, de oração e de sacrifício.
Morre em Turim, atingida pela pneumonia, no dia 25 de novembro de 1856 aos 68 anos. Acompanham-na ao cemitério muitos jovens, que a choram como se chora por uma Mãe. Gerações de salesianos a chamaram e a chamarão de Mamãe Margarida.
Mamãe Margarida empregou, apesar de seu analfabetismo, o seu talento inato de educadora, de mãe e de santa em prol de uma juventude protagonista.. Logo após a sua morte, surgiu uma convicção comum: “era uma santa”. Aqueles que começaram a chamá-la de “mãe santa” testemunhavam que ela jamais abandonou suas convicções, suas crenças, sua fé. Jamais deixou de demonstrar um equilíbrio formidável entre os planos terrestre e celeste.

Proclamada Venerável Margarida Occhiena pelo Papa Bento XVI em 15 de novembro de 2006, próximo de completar 150 anos de sua partida. Consta que a Serva de Deus Margarida Occhiena viúva de Bosco, mãe de família, exercitou heroicamente as virtudes teologais da Fé, da Esperança e da Caridade, tanto para Deus como para o próximo, assim como as virtudes cardeais da Prudência, Justiça e Moderação, e outras virtudes anexas a estas. Aguardamos agora o desfecho de sua causa introduzida, que se for positivamente respondida terá esta santa mãe que em vida esteve ao lado de seu santo filho também digna ao lado dele na glória dos altares.







Mesmo não tendo sido alfabetizada, Mamãe Margarida, em sua sabedoria adquirida nos enfrentamentos da vida, faz-se educadora, com um projeto de maternidade que sintoniza humanidade e santificação.
Em todas as oportunidades, das mais simples às mais complexas, ela não deixa de refletir, com seus filhos, sobre os ensinamentos de Deus, sobre a missão de cada um na busca da salvação.
Usava, na relação com os filhos, a pedagogia do coração, isto é, a de uma mulher de poucas palavras e muita ação que, com simplicidade e sabedoria, traduzia para os seus filhos a complexidade e a grandiosidade do amor. Exercia, com autoridade e paciência, sua influência sobre os filhos. Jamais abria mão de suas convicções, mesmo que, em determinados momentos, tivesse de agir com certo rigor e “dor no coração”.
No Oratório de Valdocco marcou sua presença com aquele característico sentido de família que ainda hoje subsiste nas obras salesianas. Incontáveis são os fatos de sua vida, todos narrados nos livros sobre Dom Bosco, em que as lições de fé, de esperança e de caridade estão presentes.
Ao exercer o papel de mãe para os órfãos de Valdocco, foi a cooperadora mais eficiente de seu filho: prepara a refeição, varre, lava, costura e remenda. Mais ainda: encoraja, educa e, na medida de suas limitações, mas na grandeza do seu coração, testemunha a Palavra de Deus.




A santidade de Mamãe Margarida se entende dentro do quadro de uma camponesa do Piemonte entre os séculos XVIII e XIX, isto é, uma mulher analfabeta (como todas as mulheres pobres de então), mas de uma profunda religiosidade. Religiosidade encarnada na dureza da vida, na capacidade de perceber nas pequenas coisas a grandeza de Deus.
Nesse aspecto, é importante ressaltar que ela amadureceu uma visão de fé tradicional, arraigada nos fundamentos do Concílio de Trento, mas não rigorista. Daí compreende-se como ela vivenciou e transmitiu aos filhos, apesar das orientações da época, uma fé em um Deus criador, bondoso, misericordioso e indulgente.
Na Estreia de 2006, o então Reitor-mor dos Salesianos de Dom Bosco, padre Pascual Chávez, cita as frases comuns com as quais ela educou os seus filhos legítimos e aqueles adotados no tempo em que ficou com Dom Bosco em Valdoco (1846-1856): "Deus te vê", "como Deus é bom", "com Deus não se brinca" (cf. Estreia 2006, p.39-40). Essa experiência teologal transformou-se em experiência pedagógica no sistema preventivo vivido no primeiro oratório.
Portanto, a santidade de Mamãe Margarida esteve sempre ligada a uma fé vivida no dia a dia histórico, na materialidade da vida, onde Deus é presença permanente, sensível e misteriosa. Uma fé impregnada de valores simples e profundos: “o sentido do dever e do trabalho, a coragem cotidiana de uma vida dura, a franqueza e a honestidade, o bom humor”. Por isso, ainda no dizer de padre Chávez, ela foi a primeira educadora salesiana e colaborou com Dom Bosco a moldar nos seus jovens, nos discípulos e na sua família carismática, uma santidade simples, sem ser simplória; profunda, mas sem pieguismo; alegre e jovial, sem ser banal.


Fontes:



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