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sábado, 13 de fevereiro de 2016

SÃO LUÍS VERSIGLIA, Bispo e SÃO CALISTO CARAVARIO, Presbítero, Mártires Salesianos na China.


São Luís Versiglia e São Calisto Caravario

    

São Luís Versiglia, Bispo e Mártir
São Luís Versiglia (1873 – 1930)

Luís Versiglia nasceu em Oliva Gessi, na província de Pavia, Itália, no dia 5 de junho de 1873. Desde pequeno ajudava na Missa. O povo já o imaginava como padre, mas Luís não queria ouvir falar disso: o que ele queria mesmo era ser veterinário. Aos 12 anos foi acolhido por Dom Bosco, que o fascinou a ponto de mudar de ideia.

Em 1888, pouco depois da morte do Santo, Luís ficou muito impressionado com a cerimônia de entrega do Crucifixo a sete missionários. Decidiu tornar-se salesiano, com a esperança de partir para as missões.

Obtida a láurea em filosofia, em pouco tempo se preparou para a ordenação sacerdotal, que ocorreu em 1895. Com apenas 23 anos de idade, Pe. Miguel Rua, sucessor de Dom Bosco, o nomeou mestre dos noviços em Genzano, Roma, missão que cumpriu com bondade, firmeza e paciência durante dez anos.

Por insistência do bispo de Macau, em 1906, seis salesianos chegaram à China, guiados pelo Pe. Versiglia: estavam realizando reiterada profecia de Dom Bosco. Estabelecida em Macau a “casa mãe” salesiana, abriu-se também a missão de Heungchow. Pe. Luís animou toda aquela região com o estilo de Dom Bosco, criando uma banda musical muito apreciada, orfanatos e oratórios.

Em 1918 os salesianos receberam do Vigário apostólico de Cantão a missão de Shiuchow. No dia 9 de janeiro de 1921, Pe. Versiglia foi consagrado bispo. Sábio, incansável e pobre, viajava continuamente para visitar e animar os irmãos e cristãos daquela região. Sua chegada era uma festa para os povoados, sobretudo para as crianças. Foi um verdadeiro pastor, dedicado por inteiro ao seu rebanho.

Deu ao Vicariato uma estrutura sólida, com um seminário e casas de formação. Ele mesmo projetou várias residências e casas para idosos e necessitados. Cuidou convictamente da formação dos catequistas. Escreveu em seus apontamentos: “O missionário que não estiver unido a Deus é um canal que se separa da fonte”. “O missionário que reza muito, também muito realizará.” Como Dom Bosco, era um exemplo de trabalho e temperança.


São Calisto Caravario, Presbítero
e Mártir
São Calisto Caravario (1903-1930)

Calisto Caravario nasceu em Cuorgnè, na província de Turim, Itália, no dia 18 de junho de 1903. Desde pequeno, pelo seu caráter manso e reflexivo, todos o consideravam um menino bom. Por natureza, era levado à oração.

Amava ternamente sua mãe, como testemunham as numerosas cartas que se escreviam. Aos 5 anos, transferiu-se com a família para Turim, perto do oratório de Porta Nuova. Na escola salesiana era um dos primeiros da classe. Todos os dias fazia questão de ajudar na Missa.

Aconselhado pelo diretor do oratório, Pe. Sante Garelli, entrou para o noviciado e se tornou salesiano. Em 1922, D. Luís Versiglia estava em Turim e falou aos clérigos sobre as missões. Calisto lhe disse: “Excelência, um dia eu estarei junto com o senhor na China”.

O Pe. Garelli foi para a China. Calisto tanto insistiu que, depois de pouco tempo, conseguiu partir também. A mãe disse ao Pe. Garelli: “De boa vontade deixo meu filho nas mãos de Dom Bosco”. E Calisto escreveria: “Com todo o afeto de que sou capaz, eu te agradeço, Senhor, por me teres dado uma mãe tão boa”. “Mamãe, uma notícia que te dará alegria: esta manhã dei minha primeira aula de catecismo em chinês”.

Calisto foi mandado para Macau. Depois de dois anos seu novo destino foi a ilha do Timor, onde edificava a todos pela sua bondade e pelo seu zelo apostólico. Escreveu: “Minha boa mãe, reza para que o teu Calisto seja sacerdote por inteiro, não só pela metade”.

No dia 18 de maio de 1929, voltando para Shiuchow, D. Versiglia o ordenou sacerdote e lhe confiou a missão de Linchow. Em pouco tempo visitou todas as famílias e conquistou a simpatia dos meninos das escolas.


O martírio
De repente, a situação política da China entrou em ebulição. Quem mais sofria eram os cristãos e os missionários estrangeiros. As perseguições não se fizeram esperar.

No dia 13 de fevereiro de 1929, Pe. Caravario estava em Shiuchow para acompanhar D. Versiglia na visita pastoral à sua missão de Linchow. Durante a viagem, piratas eivados de ideologia bolchevista tentam capturar as catequistas que estavam na barca dos missionários.


Antes de serem fuzilados, os mártires confessaram-se
um com o outro. 



Pe. Calisto falou gentilmente com eles. Sem lhe dar ouvidos, espancaram os dois missionários e os obrigaram a descer da barca. Levaram-nos para uma mata. Ali, a poucos instantes da morte, Pe. Caravario se confessou com D. Versiglia, que fez também o mesmo. Em seguida foram fuzilados.

Era dia 25 de fevereiro de 1930. Oito anos antes, Pe. Caravario dissera a D. Versiglia: “Um dia eu estaria junto com o senhor na China”. Esteve. Na vida e na morte.

São João Paulo II beatificou os mártires Luís Versiglia e Calisto Caravario em 15 de maio de 1983 e canonizou-os em 1º de outubro de 2000.


Unidos na vida religiosa, unidos na missão e
unidos no martírio. 

Fonte: Santos na Família Salesiana, de Enrico Dal Covolo e Giorgio Mocci.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Beato Apolinário de Posat, Presbítero e Mártir (martirizado na Revolução Francesa).



  Entre os 191 mártires trucidados pelos revolucionários franceses em Paris a 17 de outubro de 1792 estava também um capuchinho suíço, João Tiago Morel, ou seja, o Pe. Apolinário de Posat. Nascera 12 de junho de 1739 no vilarejo de Préz-vers-Noréal, perto de Friburgo, filho de João Morel e Maria Elizabeth Maître. Completou sua formação religiosa e escolástica na escola paroquial de Francisco José Morel, seu tio. Depois dos estudos teológicos, ordenado padre, em 1747, foi enviado para Préz-vers-Noreál, e logo depois para Belfaux onde o tio tinha sido transferido como pároco em 1752. Três anos depois aperfeiçoou sua formação no colégio São Miguel em Friburgo, dirigido pelos jesuítas e morou na casa da mãe que, desde 1750, fora feita parteira profissional de Friburgo pelo Estado.

  A sua inclinação à piedade e à vida religiosa fazia prever sua próxima entrada na Companhia de Jesus mas, no dia 26 de setembro, aos 23 anos, vestia o hábito capuchinho no convento de Zug, com o nome de Frei Apolinário de Posat. Terminado o noviciado e emitida a profissão religiosa, foi encaminhado logo para as ordens sacras, sendo ordenado sacerdote a 22 de setembro de 1764 em Bulle, sua terra de origem. De 1765 a 1769 foi para Lucerna, onde estudou teologia com o Pe. Ermano Martinho de Reinach.

  Bem preparado na piedade e na ciência, lançou-se no apostolado itinerante a serviço das várias paróquias e nas missões populares, de 1769 a 1774, mudando frequentemente para os conventos de Sion, Porrentruy, Bucce e Romont. No fim de agosto de 1774, por seis anos consecutivos, foi professor e diretor dos estudantes capuchinhos de teologia de Friburgo. Foi vigário conventual de Sion em 1780 e por um ano retomou a atividade missionária, sendo finalmente transferido, ainda como vigário, para o convento de Bulle.

  Em 1785, em Stans, tornou-se diretor da escola anexa ao convento e catequista dos rapazes do vilarejo vizinho de Buren. Os seus dotes de apóstolo e a capacidade de explicar, de maneira atraente a doutrina, atraia muita gente que se ajuntava aos seus pequenos discípulos.

   O seu confessionário era muito procurado. Depois da oração coral da meia noite ele quase nunca voltava a repousar, mas se dedicava aos estudos, à oração e à meditação.

 Um apóstolo tão eficaz inquietou os inimigos da fé, iluministas e jurisdicionalistas, que começaram a difundir calúnias dizendo que as lições de catecismo do frade não eram ortodoxas ou desacreditando o seu ensinamento escolástico levando-o ao ridículo ou maquiando a sua reputação moral. A campanha diabólica crescia e Frei Apolinário foi constrangido pelos superiores a defender-se com um memorial. Para evitar maiores complicações aos confrades foi transferido para Lucerna aos 16 de abril de 1788.

  Tempos depois o Provincial de Bretanha, Vitorino de Rennes, propôs a Frei Apolinário de Posat de trabalhar como missionário na Síria, junto aos confrades franceses. A Providência dispôs diversamente: Paris seria seu último campo de apostolado e o altar do seu sacrifício. As coisas se precipitaram, estourou a revolta, a 14 de julho de 1789 a Bastilha caiu nas mãos dos revoltosos e a revolução estendeu-se por todo território francês. O superior de Marais encarregou Frei Apolinário, que conhecia o tedesco de seguir os outros cinco mil tedescos presentes na cidade.

   Suspensas as ordens religiosas e fechados três mil conventos e mosteiros, ele foi feito vigário para os fiéis de língua tedesca na paróquia de São Suplício e capelão dos encarcerados de Tournelle. Fechado no convento de Marais, encontrou alojamento em uma casa de leigos que ele utilizou como um convento de Clausura. Confiscados todos os bens eclesiásticos e promulgada a Constituição Civil do clero, os sacerdotes de São Suplício refutaram abertamente o juramento. Entre eles estava Frei Apolinário que mais uma vez foi golpeado pela calúnia, como se ele tivesse aceitado o juramento. Ele se defendeu com um opúsculo intitulado “Le Séducteur Démasqué’ dizendo que, obedecer à Igreja equivalia obedecer ao Espírito que fala através da Hierarquia e acrescentava: “Nós devemos escutar a Igreja e não a Comuna de Paris. É a sabedoria eterna que a comanda”.

  De 13 para 14 de agosto de 1792 assistiu a um moribundo e de manhã celebrou a missa e depois se apresentou aos comissários da Sessão de Luxemburgo, declarando que não prestara juramento, apesar de não ser um conspirador. Foi imediatamente colocado junto aos 160 refratários na igreja do Carmo. Aos 13 de agosto de 1792 foi promulgado o decreto de deportação, para esconder o massacre já decidido para o domingo seguinte. O Comissário que presidiu às execuções, dizia-se desconcertado: “Eu não entendo mais nada; estes padres marcham para a morte com alegria como se fossem para as núpcias”.

  “Aleluia, aleluia, aleluia! Em verdade, em verdade vos digo, logo a França, impregnada pelo sangue de tantos mártires, verá florir a religião no seu solo”, disse Frei Apolinário antes de morrer.

     Foi beatificado por Pio XI no dia 27 de outubro de 1926.