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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

SANTO AVERTANO, religioso carmelita (século XIV).




Nasceu Avertano em Limoges, por volta de 1320, de pais pobres, porém, honrados e cristãos. Há relatos sobre sua vida que dão conta de certas histórias admiráveis como, por exemplo, que não mamava às sextas feiras e nem nas vigílias das solenidades, acontecendo que se sua mãe lhe dava o peito, o bebê Avertano resistia e chorava. Conta-se que aos cinco anos já lia, respondia à Santa Missa e conhecia o Ofício de Nossa Senhora. Ir à igreja era seu maior gozo, renunciando a jogos e à companhia de outros meninos. Sendo ainda muito criança, tomou grande devoção à Santíssima Virgem e a ela se recomendava cada dia, especialmente na adolescência, para vir a pecar gravemente.

Aos 15 anos resolveu ser religioso, porém, não sabia a que Ordem pertencer. Assim, implorou à Virgem Maria que o iluminasse. Certa noite, se lhe apareceu um anjo que lhe disse que Deus o queria no convento da Ordem do Carmo.  Assim, em 1335, pediu o hábito carmelita não sem certa oposição prévia de seus pais, que finalmente aceitaram sua vocação. O prior lhe aceitou com alegria, pois, advertido por Deus, sabia que o jovem Avertano seria uma glória para a Ordem. Enquanto lhe vestiam o hábito, caiu arrebatado em êxtase, durante o qual se lhe apareceu a Mãe de Deus e o abençoou especialmente, assegurando-lhe que ela sempre seria sua guardiã e protetora.

Durante 42 anos viveu Avertano em seu convento de Limoges ocupado em diversos ofícios, como enfermeiro e esmoler. Foi um religioso exemplar, sobretudo na mãe de todas as virtudes religiosas: a obediência. Também era muito cuidadoso de sua castidade, não falando jamais com mulheres, nem permitindo-se mirá-las no rosto quando estas lhe falavam. Não faltava nunca com as virtudes da pobreza e do desapego, sabendo que tudo na comunidade era propriedade de todos e de ninguém em particular. Igualmente, foi muito penitente, parco na comida e na bebida e muito pouco amigo do sono e do conforto. Sua oração era muito elevada, recebendo graças e dons especiais na oração.




Em 1379 nasceu em Avertano o desejo devoto de peregrinar a Roma e venerar as relíquias dos Santos Apóstolos e mártires, obtendo a permissão de seu prior. Junto com ele foi o Beato Romeu (memória em 04 de março), religioso mais jovem, porém, não menos santo. Ambos partiram a pé no dia 01 de novembro do mesmo ano,  logo após recomendarem-se a Todos os Santos. Ambos abrigavam-se nas grutas que achavam, transformando-as em “celas”, fazendo nelas suas orações e preces, mantendo o jejum e o preceito do Ofício Divino conforme lhes mandava a Regra.  


Cruzando os Alpes, Avertano adoeceu por causa do frio e pelos esforços físicos, porém, foi por milagre sustentado a continuar seu caminho. Ambos os religiosos chegaram a Lucca (cidade natal do Beato Romeu) em princípios de fevereiro de 1380, estando a cidade fechada aos estrangeiros por causa da peste que assolava a região. Por esse motivo, o Beato Romeu o levou ao hospital de San Pedro, para os enfermos pobres. Ali estiveram por uns dias até que se decidiram por entrar na cidade, para ir ao convento dos carmelitas, porém, os guardas lhes proibiram a entrada, vendo-lhes tão macilentos, especialmente Avertano. Então, este lhes profetizou: “Não passará muito tempo em que os pese não haverdes me deixado entrar na cidade e, então, não o podereis conseguir, ainda que o procureis fazê-lo com todas as vossas forças”. E ambos regressaram para o hospital, mostrando-se Avertano cada vez pior em sua enfermidade.

Revelou-lhe o Senhor que morreria em breve. Para tanto, se confessou, recebeu o Santo Viático e, antes de falecer, apareceu-lhe a Santíssima Virgem rodeada de Anjos para leva-lo consigo ao paraíso. Ao mesmo tempo, recebeu da Virgem Maria uma última profecia que dirigiu aos demais enfermos: “consolai-vos, irmãos, no Senhor, que a peste na Itália em breve cessará e o cisma que há na Igreja o fará pouco depois, por intercessão de Nossa Senhora”. Assim, confortado pelo Sacramento, expirou docemente, no dia 25 de fevereiro de 1380.

Conta-se que os sinos das igrejas de Lucca repicaram sozinhos, fazendo com o povo saíssem de suas casas para ver o que acontecia. Prontamente correu a uma só voz a notícia dos resplendores que brotavam do corpo de Avertano e dos milagres que ocorriam a quantos lhe tocavam. Dispôs-se o bispo que se lhe celebrassem os funerais solenes e os carmelitas tomaram o corpo para leva-lo para sepultar em seu convento, porém, aconteceu que ao chegar à porta da cidade, o corpo do Santo se tornou pesadíssimo, sem que nada pudesse movê-lo. Visto isso e recordando a profecia de Avertano, decidiram enterrá-lo na igreja do hospital de São Pedro, onde havia falecido. Oito dias depois, faleceu também o Beato Romeu de Lucca e foi sepultado com seu irmão de hábito.

Ao final de um ano de sua morte eram tantos os prodígios que ocorriam pela intercessão de Frei Avertano que o bispo elevou suas relíquias a um altar, ato esse que é uma canonização, de acordo com as regras e costumes do século XIV. Em 31 de agosto de 1513, suas relíquias foram transladadas para a cidade, pois, o hospital e a igreja do mesmo iriam ser demolidos ao ampliar-se a cidade. Ainda que os carmelitas tenham tentado a todo custo possuir as relíquias, o clero diocesano e os canônicos se impuseram e levaram as relíquias à catedral. Ao mesmo tempo, a Sé introduziu seu nome no catálogo dos santos, na liturgia própria da diocese. A Ordem o introduziu no Ofício Carmelitano no Capítulo de Roma, em 1564, para ser suprimido na reforma litúrgica do ano de 1972.



Fontes:
-"Glorias del Carmelo". Tomo II. P. JOSÉ ANDRÉS. S.I. Palma, 1863.
-"Flores del Carmelo: Vidas de los Santos de Nuestra Señora del Carmen". FR. JOSÉ de SANTA TERESA OCD. Madrid, 1678.

2 comentários:

Deyse Mallmann disse...

Muito edificante a história de vida deste santo! Gostei demais.. lamentável hoje em dia, como a humanidade está afastada de Deus!!

Giovani Carvalho Mendes disse...

Obrigado pelo comentário, Deyse Mallmann. Fique a vontade em "passear" pelas muitos biografias já colocadas em nosso site. Já são mais de oitocentas e oitenta publicações, iniciadas em setembro de 2013. A maioria, inclusive, de santos, santas, beatos, beatas, veneráveis e servos (as) de Deus desconhecidos (as) pela grande maioria dos católicos, especialmente, no Brasil.

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