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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

SÃO NICODEMOS E SÃO JOSÉ DE ARIMATÉIA, ex-fariseus e discípulos do Senhor - 31 de agosto.

          


           SÃO NICODEMOS

José de Arimateia e Nicodemos recolheram o corpo de Jesus debaixo da cruz, envolveram-no no sudário e o depositaram no túmulo. Nicodemos, fariseu e príncipe dos judeus, havia ido ter com Jesus à noite para interrogá-lo sobre sua missão e, diante dos principais sacerdotes e fariseus que queriam prendê-lo, defendeu sua causa.

A figura de Nicodemos aparece na representação da Lamentação sobre o Cristo Morto, de Giotto, na Capela Scrovegni. Segundo a tradição, Nicodemos é o autor da Santa Face de Lucca.

O Martirológio Romano outrora comemorava São Nicodemos em 03 de agosto, aniversário da descoberta de suas relíquias, enquanto a edição promulgada por São João Paulo II o comemora em 31 de agosto, juntamente com São José de Arimatéia.

São João menciona Nicodemos em seu Evangelho; ele era doutor da lei e membro do Sinédrio (o supremo órgão judicial judaico em Jerusalém).

Por ocasião da primeira Páscoa, no ano 28 d.C., Jesus havia chegado a Jerusalém realizando diversos milagres. Impressionado com isso, Nicodemos foi vê-lo à noite para uma reunião esclarecedora. Ele foi naquele horário, talvez por medo ou para evitar comprometer sua posição no Sinédrio.

Do Evangelho, conhecemos apenas os pontos essenciais da conversa, os dois principais: "Os fatos que observei revelam que tu és o Messias", diz Nicodemos a Jesus. "Bem, qual é a natureza da tua missão? Por quais meios a cumprirás? É o império tão aguardado pelos judeus, com uma vingança definitiva contra os pagãos?"

E Jesus corrige essa expectativa equivocada do judaísmo oficial, que lhe é apresentada por meio de um de seus expoentes mais influentes: "O reino de Deus é apenas o domínio de Deus sobre as almas; para fazer parte dele, é preciso renascer espiritualmente; isso foi o que os profetas predisseram". Jesus pergunta novamente: "Você é um mestre em Israel e não sabe disso?".

Encontramos Nicodemos novamente, exortando os membros do Sinédrio, quando tentam tomar posse de Jesus à força em seus últimos meses de vida, a agirem com sabedoria, a ouvirem uma pessoa antes de condená-la. Mas os membros agitados respondem com escárnio: "Você também é galileu? Busque e verá que nenhum profeta surge da Galileia".

Finalmente, encontramos Nicodemos novamente no Gólgota com José de Arimateia, que providencia o sepultamento de Jesus após a crucificação. Ele leva "cerca de 45 quilos de mirra e aloés" para a preparação do corpo, uma grande quantidade, cerca de 30 kg nos dias de hoje, um sinal da grande necessidade de reparação que ele sentia.

Nada mais sabemos do Evangelho; em 415 d.C., um sacerdote, Luciano, teria descoberto suas relíquias junto com as de Santo Estêvão.

Diz-se que ele foi batizado pelos apóstolos Pedro e João e, por essa razão, maltratado e expulso pelos judeus, sendo morto sem a intervenção de seu parente Gamaliel, que o acolheu em sua propriedade de Kefaz-Gamla, onde, algum tempo depois, ele morreu e foi sepultado.

Sua comemoração nos Martirológios, em 3 de agosto, deve-se ao reconhecimento das relíquias, juntamente com as de Santo Estêvão, Gamaliel e Abibo; nos martirológios bizantinos, ele é lembrado em 15 de setembro. O Martirológio Romano, promulgado por São João Paulo II, o coloca em 31 de agosto, junto com São José de Arimateia.

Uma tradição lendária apresenta Nicodemos como o criador do crucifixo de madeira venerado em Lucca, conhecido como a "Santa Face", feito em Jerusalém. Ele foi retratado em "Deposições" por vários artistas importantes, bem como em representações populares, às vezes removendo os pregos da cruz.

Um nome comum no sul da Itália, de origem grega, que significa "vencedor entre o povo".


SÃO JOSÉ DE ARIMATÉIA

Ele é um homem rico e importante, membro do Sinédrio, que acreditava no reino de Deus. Nos Evangelhos, ela aparece especialmente durante o enterro de Jesus. Embora fosse um homem respeitado, teve coragem de pedir a Pilatos o corpo de Jesus, o que foi arriscado porque Jesus havia sido condenado à morte. Esse gesto demonstra sua fé e respeito por Jesus. Com a ajuda de Nicodemos, outro homem proeminente que trouxe especiarias para o enterro, José envolveu o corpo de Jesus no sudário e o colocou em um novo túmulo, em vez de deixá-lo em uma vala comum como os romanos faziam. Então, mesmo sabendo que tocar em um cadáver o impedia de celebrar a Páscoa, ele escolheu honrar Jesus. Após a Páscoa, nada mais se sabe sobre ele nos Evangelhos oficiais, mas sua imagem é famosa nas representações da deposição de Jesus. A Igreja o lembra junto com Nicodemos em 31 de agosto.

 

Relato hagiológico:

As poucas referências históricas podem ser deduzidas dos quatro Evangelistas quando narram a deposição e o enterro de Jesus.

Natural de Arimatéia, de condição muito abastada, era discípulo de Jesus, mas, como Nicodemos, não demonstrou sua fé por medo dos judeus até a época da Paixão.

No entanto, durante o julgamento de Jesus, participando das sessões do Sinédrio, devido ao senso de justiça que o animava e à expectativa do reino de Deus, ele ousou discordar de seus colegas ao não aprovar as resoluções e atos daquela assembleia.

Pelo contrário, ele demonstrou maior coragem após a morte do Mestre, quando, com ousadia, como Marcos expressa, se apresentou a Pilatos para obter seu corpo e lhe dar um enterro digno, evitando assim que fosse jogado em uma vala comum, junto com o dos dois ladrões.

Nessa intenção patética, José encontrou colaboração não apenas nas mulheres piedosas, mas também em Nicodemos, que correu com ele com especiarias (mirra e aloés). José, segundo o que é dito em Mateus 27, 59, havia comprado um sudário branco.

Os dois bravos discípulos, pegando o corpo de Jesus, o envolveram em ataduras perfumadas e o colocaram no novo túmulo, esculpido na rocha que José havia construído para si mesmo perto do Calvário. Era o pôr do sol quando José "rolou uma grande pedra na porta do túmulo e foi embora".

Poucos dados históricos.

A história termina aqui, mas o personagem não foi negligenciado pela lenda e, em primeiro lugar, pelos autores anônimos dos apócrifos.


Surgiram muitas histórias lendárias

No pseudo-Evangelho de Pedro (século II), a narrativa não está desligada da do Evangelho; a única diferença é que José pediu a Pilatos o corpo de Cristo mesmo antes da Crucificação. Por outro lado, os Atos de Pilatos ou o Evangelho de Nicodemos (século V) são ricos em novas histórias fantásticas, nas quais se diz que os judeus repreenderam Nicodemos e José por seu comportamento em favor de Jesus e que, por essa razão, José foi preso, mas, milagrosamente libertado, foi posteriormente encontrado em Arimatéia.


Outra piedosa lenda:

Segundo certos relatos, José, antes de enterrar Jesus, lavou cuidadosamente seu corpo todo aspergido de sangue, tomando cuidado para preservar essa água e sangue em um jarro, cujo conteúdo foi então dividido entre José e Nicodemos

O precioso vaso foi passado de José para seus irmãos e, assim, por várias gerações até que passou para a posse do patriarca de Jerusalém. 

Em 1257, temendo que caísse nas mãos dos infiéis, por conselho dos sufragâneos, entregou-o a Henrique III da Inglaterra, para que pudesse protegê-lo.

Outras lendas, embora ligadas à anterior, relatam que José, com o precioso relicário, fez uma peregrinação acompanhado por vários cavaleiros para evangelizar a França (algumas histórias dizem que ele desembarcou em Marselha com Lázaro e suas irmãs Marta e Maria), Espanha (onde foi com São Tiago, que o criou bispo), Portugal e, finalmente, Inglaterra. 

Lá, o vaso (o Santo Graal) se perdeu e só um cavaleiro sem manchas e sem medo o encontraria...


O culto mais antigo, no entanto, parece ter sido estabelecido no Oriente. Em alguns calendários georgianos do século X, a festa é mencionada em 30, 31 de agosto ou até mesmo no terceiro domingo após a Páscoa. Para os gregos, no entanto, a comemoração foi em 31 de julho.

No Oeste, foi particularmente venerado em Glastonbury, na Inglaterra, onde, segundo a tradição, fundou o primeiro oratório.

No Martirológio Romano, foi inserido em 17 de março por Baronius. O compilador dos Anais foi sugerido a inserção, pela veneração, que os cônegos da basílica do Vaticano deram a um dos brasões do santo, precisamente em 17 de março.

Na época de Baronius, a documentação mais antiga da relíquia era um escrito de 1454. No entanto, nenhum martirológio ocidental antes dessa data mencionou o culto a São José de Arimateia. 

São João Paulo II resolveu associar sua memória para o dia 31 de agosto, junto com a de São Nicodemos. 



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