SÃO NICODEMOS:
José de
Arimateia e Nicodemos recolheram o corpo de Jesus debaixo da cruz,
envolveram-no no sudário e o depositaram no túmulo. Nicodemos, fariseu e
príncipe dos judeus, havia ido ter com Jesus à noite para interrogá-lo sobre
sua missão e, diante dos principais sacerdotes e fariseus que queriam
prendê-lo, defendeu sua causa.
A figura de
Nicodemos aparece na representação da Lamentação sobre o Cristo Morto, de
Giotto, na Capela Scrovegni. Segundo a tradição, Nicodemos é o autor da Santa
Face de Lucca.
O Martirológio Romano outrora comemorava São Nicodemos em 03 de agosto, aniversário da descoberta de suas relíquias, enquanto a edição promulgada por São João Paulo II o comemora em 31 de agosto, juntamente com São José de Arimatéia.
São João
menciona Nicodemos em seu Evangelho; ele
era doutor da lei e membro do Sinédrio (o supremo órgão judicial judaico em
Jerusalém).
Por ocasião da
primeira Páscoa, no ano 28 d.C., Jesus havia chegado a Jerusalém realizando
diversos milagres. Impressionado com isso, Nicodemos foi vê-lo à noite para uma
reunião esclarecedora. Ele foi naquele horário, talvez por medo ou para evitar
comprometer sua posição no Sinédrio.
Do Evangelho,
conhecemos apenas os pontos essenciais da conversa, os dois principais: "Os fatos que observei revelam que tu
és o Messias", diz Nicodemos a Jesus. "Bem, qual é a natureza da tua
missão? Por quais meios a cumprirás? É o império tão aguardado pelos judeus,
com uma vingança definitiva contra os pagãos?"
E Jesus corrige
essa expectativa equivocada do judaísmo oficial, que lhe é apresentada por meio
de um de seus expoentes mais influentes: "O reino de Deus é apenas o
domínio de Deus sobre as almas; para fazer parte dele, é preciso renascer
espiritualmente; isso foi o que os profetas predisseram". Jesus
pergunta novamente: "Você é um mestre em Israel e não sabe disso?".
Encontramos
Nicodemos novamente, exortando os membros do Sinédrio, quando tentam tomar
posse de Jesus à força em seus últimos meses de vida, a agirem com sabedoria, a
ouvirem uma pessoa antes de condená-la. Mas os membros agitados respondem com
escárnio: "Você também é galileu?
Busque e verá que nenhum profeta surge da Galileia".
Finalmente,
encontramos Nicodemos novamente no Gólgota com José de Arimateia, que
providencia o sepultamento de Jesus após a crucificação. Ele leva "cerca
de 45 quilos de mirra e aloés" para a preparação do corpo, uma grande
quantidade, cerca de 30 kg nos dias de hoje, um sinal da grande necessidade de
reparação que ele sentia.
Nada mais
sabemos do Evangelho; em 415 d.C.,
um sacerdote, Luciano, teria descoberto suas relíquias junto com as de Santo
Estêvão.
Diz-se que ele foi batizado pelos apóstolos Pedro e
João e, por essa razão, maltratado e expulso pelos judeus, sendo morto sem
a intervenção de seu parente Gamaliel, que o acolheu em sua propriedade de
Kefaz-Gamla, onde, algum tempo depois, ele morreu e foi sepultado.
Sua comemoração
nos Martirológios, em 3 de agosto,
deve-se ao reconhecimento das relíquias, juntamente com as de Santo Estêvão,
Gamaliel e Abibo; nos martirológios bizantinos, ele é lembrado em 15 de
setembro. O Martirológio Romano, promulgado por São João Paulo II, o coloca em 31 de agosto, junto com São José de Arimateia.
Uma tradição
lendária apresenta Nicodemos como o criador do crucifixo de madeira venerado em
Lucca, conhecido como a "Santa Face", feito em Jerusalém. Ele foi
retratado em "Deposições" por vários artistas importantes, bem como
em representações populares, às vezes removendo os pregos da cruz.
Um nome comum no
sul da Itália, de origem grega, que significa "vencedor entre o povo".
SÃO JOSÉ DE ARIMATÉIA
Ele é um homem
rico e importante, membro do Sinédrio, que acreditava no reino de Deus. Nos
Evangelhos, ela aparece especialmente durante o enterro de Jesus. Embora fosse
um homem respeitado, teve coragem de pedir a Pilatos o corpo de Jesus, o que
foi arriscado porque Jesus havia sido condenado à morte. Esse gesto demonstra
sua fé e respeito por Jesus. Com a ajuda de Nicodemos, outro homem proeminente
que trouxe especiarias para o enterro, José envolveu o corpo de Jesus no sudário
e o colocou em um novo túmulo, em vez de deixá-lo em uma vala comum como os
romanos faziam. Então, mesmo sabendo que tocar em um cadáver o impedia de
celebrar a Páscoa, ele escolheu honrar Jesus. Após a Páscoa, nada mais se sabe
sobre ele nos Evangelhos oficiais, mas sua imagem é famosa nas representações
da deposição de Jesus. A Igreja o lembra junto com Nicodemos em 31 de agosto.
Relato
hagiológico:
As poucas
referências históricas podem ser deduzidas dos quatro Evangelistas quando
narram a deposição e o enterro de Jesus.
Natural de
Arimatéia, de condição muito abastada, era discípulo de Jesus, mas, como
Nicodemos, não demonstrou sua fé por medo dos judeus até a época da Paixão.
No entanto,
durante o julgamento de Jesus, participando das sessões do Sinédrio, devido ao
senso de justiça que o animava e à expectativa do reino de Deus, ele ousou
discordar de seus colegas ao não aprovar as resoluções e atos daquela
assembleia.
Pelo contrário,
ele demonstrou maior coragem após a morte do Mestre, quando, com ousadia, como
Marcos expressa, se apresentou a Pilatos para obter seu corpo e lhe dar um
enterro digno, evitando assim que fosse jogado em uma vala comum, junto com o
dos dois ladrões.
Nessa intenção
patética, José encontrou colaboração não apenas nas mulheres piedosas, mas
também em Nicodemos, que correu com ele com especiarias (mirra e aloés). José,
segundo o que é dito em Mateus 27, 59, havia comprado um sudário branco.
Os dois bravos discípulos, pegando o corpo de Jesus, o envolveram em ataduras perfumadas e o colocaram no novo túmulo, esculpido na rocha que José havia construído para si mesmo perto do Calvário. Era o pôr do sol quando José "rolou uma grande pedra na porta do túmulo e foi embora".
Poucos dados históricos.
A história termina aqui, mas o personagem não foi negligenciado pela lenda e, em primeiro lugar, pelos autores anônimos dos apócrifos.
Surgiram muitas histórias lendárias
No pseudo-Evangelho de Pedro (século II), a narrativa não está desligada da do Evangelho; a única diferença é que José pediu a Pilatos o corpo de Cristo mesmo antes da Crucificação. Por outro lado, os Atos de Pilatos ou o Evangelho de Nicodemos (século V) são ricos em novas histórias fantásticas, nas quais se diz que os judeus repreenderam Nicodemos e José por seu comportamento em favor de Jesus e que, por essa razão, José foi preso, mas, milagrosamente libertado, foi posteriormente encontrado em Arimatéia.
Outra piedosa
lenda:
Segundo certos relatos, José, antes de enterrar Jesus, lavou cuidadosamente seu corpo todo aspergido de sangue, tomando cuidado para preservar essa água e sangue em um jarro, cujo conteúdo foi então dividido entre José e Nicodemos.
O precioso vaso foi passado de José para seus irmãos e, assim, por várias gerações até que passou para a posse do patriarca de Jerusalém.
Em 1257, temendo que caísse nas mãos
dos infiéis, por conselho dos sufragâneos, entregou-o a Henrique III da
Inglaterra, para que pudesse protegê-lo.
Outras lendas, embora ligadas à anterior, relatam que José, com o precioso relicário, fez uma peregrinação acompanhado por vários cavaleiros para evangelizar a França (algumas histórias dizem que ele desembarcou em Marselha com Lázaro e suas irmãs Marta e Maria), Espanha (onde foi com São Tiago, que o criou bispo), Portugal e, finalmente, Inglaterra.
Lá, o vaso (o Santo Graal) se perdeu e só
um cavaleiro sem manchas e sem medo o encontraria...
O culto mais
antigo, no entanto, parece ter sido estabelecido no Oriente. Em alguns
calendários georgianos do século X, a festa é mencionada em 30, 31 de agosto ou
até mesmo no terceiro domingo após a Páscoa. Para os gregos, no entanto, a
comemoração foi em 31 de julho.
No Oeste, foi
particularmente venerado em Glastonbury, na Inglaterra, onde, segundo a tradição,
fundou o primeiro oratório.
No Martirológio
Romano, foi inserido em 17 de março por Baronius. O compilador dos Anais foi
sugerido a inserção, pela veneração, que os cônegos da basílica do Vaticano
deram a um dos brasões do santo, precisamente em 17 de março.
Na época de
Baronius, a documentação mais antiga da relíquia era um escrito de 1454. No
entanto, nenhum martirológio ocidental antes dessa data mencionou o culto a São
José de Arimateia.
São João Paulo II resolveu associar sua memória para o dia 31 de agosto, junto com a de São Nicodemos.
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