Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

SANTO ALBERTO DE TRÁPANI (ou da Sicília), presbítero carmelita (1250 a 1307). - DOIS TEXTOS BIOGRÁFICOS.



A Ordem Carmelita tem Santo Alberto como uma das mais belas preciosidades de seu relicário místico. Santo Alberto nasceu em meio à opulência na Sicília. Da parte de seu pai pertencia à família Alberti e, da parte de sua mãe, à família Palizi; duas famílias distintas da Sicília. Nasceu precisamente no Monte Trapani ou Eryx, hoje San Giuliano, no ano de 1250. A data e o mês exato não se tem informação.
Seus genitores consideram-no uma criança milagrosa, dado que o obtiveram-no de Deus, após vinte e seis anos de esterilidade. Consideravam também que um dia deveriam consagra-lo a Nossa Senhora, por uma promessa espontânea, feita quando os mesmos perderam toda humana esperança de perpetuar sua linhagem. Uma luz sobrenatural iluminará os primeiros passos do pequeno Alberto, que não permitirá que ele se contamine com as seduções do mundo.
Com apenas oito anos de idade, o Duque de Girgenti o queria desposar com sua filha. Mais tarde, o demônio vai aproveitar-se disso para abalar o seu propósito de guardar uma castidade ilibada, que este jovem tem em seu coração. Seu pai, embevecido com a preferência que o duque lhe dava, tinha ardente desejo de ver seu filho corresponder a este pedido. Sua mãe, porém, lembrando-se de sua promessa feita ao Senhor, traz à memória de seu esposo, o piíssimo compromisso e confia ao jovem o voto, que ela e seu pai haviam feito, de o dedicarem a Deus na Ordem do Carmo.

A essa revelação o Santo responde com entusiasmo, que quer ratificar a promessa de seus pais, solicitando logo sua entrada para o Convento do Carmo de Trápani.
Os frades Carmelitas, conhecendo o poder famoso do duque, o temiam, e querem retardar por algum tempo a entrada no convento do herdeiro dos Abatibus. A virtude da paciência do postulante não tarda em triunfar das hesitações, e abrir,  apesar de tudo, as portas do convento.
Como o jovem Samuel, este novo eleito vai crescendo cada dia na senda da santidade. A oração, o estudo, e, mais tarde, as austeridades de todo gênero, bem como o zelo apostólico abrasador, dividiram seu tempo.

A dignidade sacerdotal assusta sua humildade: são precisas ordens expressas das autoridades da Ordem para triunfar de sua resistência. É consumido pelo amor às almas no seu sacerdócio: escreve, prega, aplica-se de modo exímio a todas as funções sacerdotais com dedicação excepcional.
O caráter apostólico da vocação carmelitana revela-se inteiramente na vida deste santo. A população da ilha contava com católicos fervosos, mas, também, com judeus e maometanos. Santo Alberto queria trazer todos à luz da fé. Um milagre assoma-se a sua pregação. Perto de Agrigento, veem-se um dia alguns judeus em perigo de afogarem-se no rio Platani. Alberto, estando na margem, percebe o perigo e, inspirado pelo céu, promete-lhes salvação infalível, se eles quiserem crer em nosso Senhor Jesus Cristo. A proposta é aceita, e o santo, caminhando sobre as águas, como outrora fez Jesus com Pedro, Príncipe dos Apóstolos, vem tirar esses desditosos das garras da morte.

Tantas virtudes juntas, bem como as mais exuberantes qualidades naturais, conduzem-no ao cargo de provincial. Em seu apostolado, os milagres o seguiam a cada passo. Em certa viagem, seu companheiro quebra o vaso que contém sua modesta refeição. O santo manda trazer-lhe os fragmentos e restitui o vaso e a comida. Depois de ter dado às almas o Pão da Palavra Divina, Alberto lhe dará, no tempo da fome, o pão que sustentará a vida desfalecida.

    A história narra as guerras e ataques ao sul da Itália nesta época. A Sicília vivia uma série de devastações. Messina esperava a qualquer momento sua ruína. Foi quando então, inesperadamente, os cidadãos recorrem ao seu taumaturgo e vão em multidão implorar que ele interceda por eles junto a Deus. O amparo do céu não se faz demorar, cercada por seus inimigos, sem possibilidade nenhuma de comunicação com o exterior, vê entrar na sua baía três vasos de viveres (mantimentos). O rei reconhece a intervenção divina graças à intercessão de Santo Alberto e vem agradecer-lhe em nome de todos. A voz pública longe de enfraquecer a humildade de Alberto, fortifica-a ainda mais, e o santo taumaturgo deixa a cidade de Messina, ao ver-se cercado de tanta veneração, e vai para um deserto retirar-se na solidão entregando-se inteiramente a oração e a penitência. No ermo, Santo Alberto, qual “serafim ardente” de amor por Deus, é favorecido por êxtases e visões do Senhor e de sua Mãe Santíssima.
      Depois de um tempo aí passado, Santo Alberto anuncia a sua morte aos irmãos.  Sua previsão se realiza no dia 7 de agosto de 1307, onde sua inocentíssima alma, em forma de pomba, levantou voo ao paraíso celeste.

O Divino Salvador repetidas vezes dignara-se sob as feições de uma criança, escolher seu braço como altar. Proclamado santo já em vida pelo povo, igual triunfo está reservado nas iminências do evento de sua morte.
O povo desejava que a Missa de um santo confessor fosse cantada na Missa de suas exéquias, mas o clero não ousava desobedecer às normas eclesiásticas.
Santo Alberto é um dos mais renomados do Carmelo, dado sua taumaturgia antes da morte, sua memória é sempre rejuvenescida por causa dos interruptos milagres. Como foi, no século seguinte à fundação da Ordem Carmelita, seu maior expoente até então, foi proclamado "pai" ou "patrono" da Ordem do Carmo. 
Sua imagem traz sempre o menino Jesus em seus braços e o lírio. A cada ano, na sua festa, é abençoada solenemente a água em sua honra, a qual sendo usada como sacramental, com fé e piedade nos enfermos, obtém muitas curas.





Segundo texto biográfico

SUA VIDA

Nasceu em Trápani, na Sicilia (Itália). Seus pais - Benito degli Alberti e Joana Palizi – já eram casados há 26 anos e não tinham filhos. Fervorosos cristãos, tinham prometido à Virgem de Trápani consagrar ao serviço do Senhor o filho que lhes concedesse.
Ainda menino ingressou no Carmelo de Trápani com o propósito de servir a Deus e à Santíssima Virgem, a quem está consagrada a Ordem do Carmo. Era então a "idade de ouro" do Carmelo, na qual o ideal Eliano-Mariano da Ordem se mantinha vivo a base de um justo equilíbrio da contemplação e ação apostólica.
Desde que professou na Ordem, se distinguiu por seu fervor e austeridade de vida. Seus biógrafos nos dizem que seus jejuns eram contínuos, que nunca comeu carne e que mesclava seu parco alimento com cinzas. Sua cama era um saco de sarmentos e dedicava largas horas do dia e da noite à oração.
A obediência era nele pronta e alegre, a pobreza lhe distinguia entre todos por seu total desprendimento e a castidade foi sua flor preferida e melhor guardada, por isso, se lhe representa com um lírio e um crucifixo na mão, ou com o Menino Jesus nos braços.
Recebidas as sagradas ordens, se difundiu logo sua fama de religioso santo e de persuasivo orador.
Passou algum tempo no convento de Messina, cidade à qual livrou da fome causada por um cerco: alguns navios carregados de víveres conseguiram chegar milagrosamente à cidade apesar dos cercos.
Fervoroso pregador, percorreu a maior parte dos povos da ilha.
Foi nomeado provincial da Sicília em 1296, cargo que desempenhou com uma entrega total ao serviço de Deus e das almas.
Quando visitava os conventos, não levava outra coisa que um pouco de pão, um báculo e um cantil com água.
Fundou vários conventos e escreveu alguns tratados, que (infelizmente) não se conservaram até os nossos dias.
Recebeu do Senhor a graça de fazer milagres, chegando a ser um grande taumaturgo e apóstolo da Sicília.
Por isso seu culto tem sido sempre muito extenso e intenso em toda a Ordem, que o tem venerado em todas suas igrejas e conventos. Suas relíquias foram espalhadas por todo o mundo e com elas se abençoa a água para a cura de enfermos.
Sua morte ocorreu em 1307 e, ao celebrar suas exéquias, se disse que vozes misteriosas entoaram o hino “Os Justos” da Missa dos Confessores em vez da Missa de Réquiem.
Seu culto foi confirmado por bula do Papa Sixto IV, em 1476.
Sua memória obrigatória se celebra em 07 de agosto.

                   


 SUA ESPIRITUALIDADE
Soube plasmar em sua alma o verdadeiro espírito do Carmelo, vivendo-o no nada fácil equilíbrio entre a vida contemplativa e a ativa.
Pela vivência deste duplo espírito eliano, foi venerado como um dos primeiros e maiores santos da Ordem, da qual foi mais tarde considerado Patrono e Protetor.
Compartilhava seu zelo e todo o anelo de sua cândida alma entre a própria santificação e a do próximo, dirigindo tudo à maior glória de Deus.
Este mesmo zelo se fazia sentir em uma vocação forte e constante à pregação da divina palavra e Deus premiava visivelmente suas fadigas apostólicas com a conversão de muitos judeus e infiéis à fé de Jesus Cristo.
Em seus sermões fazia especial ênfase no amor de Deus e do próximo, no ódio ao pecado, na formosura da virtude e na fealdade do vício, nos espinhos e caducidade dos bens temporais e na segurança dos bens eternos.
No hino de Laudes (no espanhol) de sua festa se diz:
Com dura penitência / domando as paixões/ será sol que difunde/ sagrados esplendores./ Satanás pretende, astuto,/ que a oração encurte;/ Alberto persevera/ orando de dia e de noite...”


                             SUA MENSAGEM
· Que sejamos generosos com o Senhor desde o princípio.
· Que com zelo vivamos e propaguemos nosso carisma.
· Que o amor aos pobres e doentes arda em nosso coração.
· Que a pureza e a oração fortifiquem nossas almas.

Oração: 
Ó Deus, que de Santo Alberto fizestes modelo de pureza e de oração e fiel servidor da Virgem Maria, fazei que, revestidos de idênticas virtudes, mereçamos ser dignos do perene convívio de vossa glória, no Céu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. 



sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Venerável Serva de Deus Maria Paola Muzzeddu, virgem e fundadora.




“A Pureza foi a sua vocação, a sua missão e, na fase final da sua vida, a força secreta da sua imolação” (Mons. Paolo Carta, Arcebispo de Sassari, nas exéquias da Venerável Serva de Deus).

Paola Muzzeddu nasce em Aggius (na Sardenha, região da Itália), em 26 de fevereiro de 1913, numa família de agricultores modestos. É com a mãe que ela recebe uma fervorosa educação religiosa e o espírito de sacrifício. Na verdade, a vida é dura e, em 1937 , seus pais a mandam para Sassari para frequentar aulas de costura e trabalho doméstico, na esperança de encontrar uma vida melhor.
A sua vida foi logo caracterizada por particulares experiências místicas: “sentia a presença de Deus, como uma pessoa que fala!”.
Ela vive com uma certa Maria Lepori, com quem compartilha as mesmas aspirações espirituais. Uma ajuda a outra no progresso da vida cristã.

Nossa Senhora, em visão interior, no dia 23 de dezembro de 1943, em Viddalba, lhe revela que o Senhor quer dela uma comunidade de irmãs que se esforçariam por viver, com perfeição, um carisma único, a santa pureza, tendo como modelo a Imaculada: “sereis um sinal de minha pureza”. Praticariam, de forma profética no mundo, uma das bem-aventuranças: “bem-aventurados os puros de coração, pois, verão a Deus”.

A Virgem pede para ser invocada de um modo especial: “Um dia a senti passar como um vento e me disse: ‘invoca-me, Mater Purissima’”! E pede para ela difundir uma especial imagem mariana: “... vestida de azul celeste com cordão na cintura de onde penderá o terço branco; o véu branco, cercado de uma finíssima listra dourada. Os olhos voltados para as almas, na mão um buquê de lírios apoiados no peito e na outra mão o terço branco, fazendo um gesto que quer dizer: ‘Vinde a mim, vós todos que necessitais de Pureza’. A estátua será apoiada sobre um buquê de lírios”.

A partir de então, Paola redobra seu fervor e toma o exemplo da Virgem Maria, para a qual desenvolve sua devoção. A partir de 05 de outubro de 1947, Paola, Maria Lepori e mais quatro jovens mulheres se unem na vida, vivendo como freiras. Em 08 de dezembro de 1948, Dom Arcangelo Mazzoti, arcebispo de Sassari dá-lhes o hábito religioso. Este foi o nascimento da Sociedade das Filhas de Mater Purissima. Elas são comumente chamadas de “celestinas”, devido à cor azul de seu hábito religioso. Além de uma intensa vida de oração e de imitação da Virgem Maria, o seu apostolado centra-se na juventude feminina, com o objetivo de transmitir os valores do Evangelho e exortá-la à pureza da vida.

Madre Maria Paola assume a liderança da pequena comunidade, que ela administra como mãe, usando mais gentileza e exemplo do que autoridade. Nos anos que se seguiram, a pequena sociedade se desenvolveu, com a chegada de muitas vocações, levando à fundação de conventos. Falta-lhes meios financeiros e materiais, mas, Madre Maria Paola confia e as fundações são sempre realizadas. Sob as ordens de seu confessor, ela mantém um diário de 1927 a 1956, no qual ela traça aflições diabólicas, variando de inspirações de desânimo a agressões físicas.
Em 08 de dezembro de 1968, Paola percebeu que o Senhor aceitou a oferta total de sua vida pela santificação dos sacerdotes. Depois de três anos de sofrimentos, nasce para o Céu em 12 de agosto de 1971, na hora do Angelus.

Rumo à Beatificação e Canonização... 
A causa da beatificação e canonização de Maria Paola Muzzeddu começa em 11 de junho de 1992, em Sassari. A investigação diocesana que reúne os testemunhos de sua vida termina em 07 de outubro de 2004, depois foi enviada a Roma para ser estudada pela Congregação para as Causas dos Santos.

Após o relato positivo das diversas comissões sobre a santidade de Maria Paola Muzzeddu,  o Papa Francisco prosseguiu  no reconhecimento de suas virtudes heroicas em 11 de junho de 2019 , dando-lhe assim o título  “Venerável”.
Aquela que é conhecida como a Missionária da Pureza, continua a representar um límpido modelo de autêntica vida cristã para quem quer experimentar a beleza da pureza de coração.






sexta-feira, 26 de julho de 2019

Venerável Servo de Deus André de Burgio, irmão capuchinho.



Nascido em Burgio, em 10 de setembro de 1705, filho de Domenico Sciortino e Ninfa Colletti, foi batizado no mesmo dia, como era usado na época, na Igreja Matriz e recebeu o nome de Nicolau. Quando criança, ele era admirado por sua suavidade e pureza de costumes e sabedoria prematura. Quando adolescente, ajudava o pai nos campos e levava o rebanho para pastar. Em seu tempo livre, entregou-se à oração e à penitência, tanto que as pessoas já notavam nele sinais de futura santidade.

Aos 30 anos de idade, vestiu o hábito dos capuchinhos no convento do Monte San Giuliano em 24 de abril de 1735. Foi um exemplo para todos durante o ano do noviciado. Homem de vida de oração profunda e grande penitência, passou a vida rezando e mortificando-se com cilícios. Ele escolheu ser um irmão leigo e foi muito diligente em seu serviço, com todas essas virtudes características dos santos irmãos leigos da Ordem, como: São Félix de Cantalício, São Félix de Nicósia e outros. Assim como esses santos, recebeu do Céu também dons místicos de contemplação e e visões celestes. A Virgem Maria e o Menino Jesus o presentearam com aparições. 

Foi enviado por sua Ordem ao Congo para trabalhar nas santas missões. Ao longo da viagem, precedido por sua reputação de santidade, foi recebido em todos os lugares com entusiasmo. Em Lisboa, os soberanos de Portugal o tinham em alta estima. Eles imploraram que ficasse com eles, mas, foi inútil. No Congo, Frei André de Burgio viveu por dezessete anos, suportando os trabalhos mais humildes e desagradáveis com resignação heroica.

Aparição da Virgem e do Menino Jesus ao
piedoso capuchinho. 
Em 1762 ele recebeu ordens para retornar à Europa. Na viagem de volta passou por Lisboa. Desta vez, no entanto, o rei, José I, obteve do papa que ele permanecesse no palácio e lhe fez grandes honras. Mas, o humilde frade capuchinho, avesso a confortos e honrarias, pediu para voltar à Sicília. Foi enviado para os Capuchinhos de Palermo, onde morreu em 16 de junho de 1772, na mesma cela que São Bernardo da Corleone faleceu cento e cinco anos antes. Meses após sua morte, em 27 de janeiro de 1773, na presença de dois médicos, autoridades e numerosos fiéis, foi realizado o reconhecimento do corpo que foi julgado emanar odor muito suave: o de musgo misturado um bálsamo. Ele foi sepultado em um túmulo escavado no chão da Capela do Crucifixo, onde o Beato Bernardo foi enterrado antes. Uma placa ainda nos lembra o lugar onde estão seus restos mortais.

Imediatamente após a sua morte, seus coirmãos, os frades capuchinhos começaram a reunir informações sobre o confrade que morreu com fama de santidade, com a intenção de abrir em breve um julgamento para sua beatificação e canonização. Mas, o primeiro processo ordinário em Palermo começou apenas 56 anos depois, em 1828, enquanto em Agrigento, sua diocese de origem, em 1829: ambos terminaram no mesmo ano de 1830. Em 1833, em Palermo, foi realizado um Processo Adicional, que durou alguns meses, e depois, passou para o Processo Apostólico, que durou de 1838 a 1857, mas foi concluído em 1873.

Em 9 de fevereiro de 1873, o Santo Padre Pio IX assinou e promulgou o decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, proclamando solenemente suas virtudes heroicas, declarando-o digno de veneração por suas virtudes teologais de fé, esperança e caridade a Deus e ao próximo, bem como pelas virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança, exercidas sempre de maneira heroica. No início dos anos 30, era necessário remover o corpo da Venerável André do lugar onde ele estava enterrado e, na ocasião, eles tentaram dar um lugar melhor a seus restos mortais. A autorização necessária foi solicitada e imediatamente concedida.

O primeiro reconhecimento foi feito em julho de 1935. Em 18 de agosto de 1937, tendo sido escolhido e preparado o lugar em forma de capela que ainda pode ser admirado na igreja capuchinha em Palermo, na presença das autoridades e uma multidão de devotos, aconteceu o reconhecimento e deposição do corpo do Venerável André de Burgio. Na frente do monumento, lemos em uma inscrição escrita em latim o seguinte: "que os ossos e as cinzas da Venerável André de Burgio, religioso professo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, sejam mantidos em um lugar mais digno, neste monumento construído pela piedade dos religiosos e dos fiéis. Em 18 de agosto de 1937, para aqui eles foram movidos”.


Os restos mortais do nosso venerável capuchinho, estão agora colocados um pouco mais acima que debaixo da terra, estão mais expostos à veneração dos fiéis, na esperança que muitos ainda lembrem com devoção do “santo analfabeto”, que se aproximem dele para o “escutar” novamente nos dias de hoje, do silêncio de seu túmulo, seus sábios conselhos e implorar sua intercessão junto a Deus. Esperamos, portanto, que a memória desses ossos, que seja abençoada por eles e floresça onde eles descansam, para que este monumento possa em breve tornar-se um altar. Temos grande esperança, que na fé se torna certeza, que do céu olha para nós e nos abençoa, e está pronto para interceder por aqueles que se voltam para ele com um coração simples e dedicado, procurando-o e invocando-o como ele é: um “santo” analfabeto.


Urna com os restos mortais reconhecidos canonicamente.



Fonte:   
Vito Di Leonardi, Da Burgio un fiore cappuccino: Il Venerabile Fra Andrea, Ed. Oratoriane, Burgio 1997.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Servo de Deus Darwin Ramos, jovem leigo. Modelo de alegria e paz na doença.



O cardeal Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, aprovou em 29 de maio a abertura da causa de canonização de Darwin Ramos, um jovem que, quando criança, trabalhava como lixeiro nas ruas de Pasay, nas Filipinas. A investigação sobre a vida de Ramos necessária para a canonização será realizada no Tribunal diocesano de Cubao pelo padre dominicano francês, Pe. Thomas de Gabory, que será o postulador da causa.

"O Vaticano nos deu ‘luz verde’ para investigar mais profundamente sua vida, como ele viveu sua fé e como deu testemunho de Jesus, de quem era muito próximo", disse o bispo de Cubao, Honesto Ongtioco, ao CBCPNews. "Darwin é um exemplo de santidade. Sendo um menino de rua, afetado pela miopatia, ele estava intimamente ligado a Cristo em seu sofrimento e alegria ", disse Dom Ongtioco, de acordo com a Asia News.

Darwin Ramos nasceu em Manila (Filipinas) em 1994 e passou seus primeiros anos de vida nas favelas da cidade de Pasay. Para ajudar sua família que era pobre, ele trabalhou junto com sua irmã mais nova como um lixeiro nas ruas da cidade.



Desde a infância, ele começou a sofrer os primeiros sintomas da distrofia muscular de Duchenne. Esta é uma doença genética degenerativa que reduz a mobilidade do paciente até que ela seja eliminada completamente.

Conforme especificado pela Obra Missionária Pontifícia (OMP) da Espanha, em 2006, Darwin conheceu um grupo de educadores de crianças de rua da instituição Tulay ng Kabataan (uma ponte para as crianças), e entrou em um de seus centros de ajuda.

Durante sua estada no centro, ele descobriu a fé católica e pediu para ser batizado. No ano de 2007, com 13 anos, recebeu a Primeira Comunhão e o Sacramento da Confirmação. Sua capacidade de movimento foi reduzida muito rapidamente pela doença, mas, como relatado pela OMP, “impactava a todos, tanto à equipe como às outras crianças no centro, o modo como ele vivia a doença que o afligia”.

Darwin conquistou a equipe e as crianças da Fundação pelo modo como ele convivia com sua doença. A todos: companheiros e educadores, causava respeito e admiração por causa de sua conduta. As palavras que ele repetia frequentemente eram: "Obrigado" e "eu te amo".



Além disso, ele desenvolveu um profundo relacionamento pessoal com Cristo e não se passava nenhum dia que ele não tivesse tempo para rezar”. Ele estava atento a todos e mostrou seu apoio a outras crianças quando tinham problemas. Nunca reclamava e sempre sorria, mesmo em tempos difíceis. Quando falava sobre sua doença, ele chamava de "sua missão no mundo".

Em 2012, aos 17 anos, sua saúde piorou drasticamente e ele sentia dores terríveis até ao respirar. Mesmo nesses momentos de grande sofrimento e apesar do fato de que sua hora estava prestes a chegar, ele continuou a manter uma atitude amistosa, agradecendo a todos pelos serviços que lhe estavam sendo prestados.

Quinta-feira, 20 de setembro de 2012, Darwin viveu uma terrível batalha espiritual. Ele disse: "Eu estou lutando contra o diabo." Sexta-feira, Darwin parecia em paz e tinha um grande sorriso. Ele agradeceu àqueles que cuidaram dele e expressou sua alegria na esperança de logo encontrar o Senhor escrevendo “Um grande obrigado” e “Estou muito feliz”. Sábado, Darwin entrou em um grande silêncio enquanto permanecia consciente. Darwin entrega a alma a Deus no PCMC (Centro Médico Infantil das Filipinas, Quezon City), no domingo, dia 23 de setembro de 2012.


 Aqueles que o conheciam consideram-no "o mestre filipino da alegria".Com a abertura do processo de canonização, Darwin Ramos é agora Servo de Deus. Uma vez que a fase diocesana da investigação termine, o processo vai para o Vaticano, onde se estudará se o jovem viveu as virtudes cristãs de forma heroica, assim como a fama de santidade e as possíveis graças que podem ter sido feitas por sua intercessão.





Ao centro, lápide do túmulo do servo de Deus. Sua vida e
testemunho já atraem a devoção dos fiéis. 


Fonte:


sábado, 13 de julho de 2019

Beato Moisés Lira Serafín, presbítero e fundador.



O Beato Moisés Lira Serafín nasceu no dia 16 de setembro de 1893 em Tlatempa, Zacatlán, Puebla (México); no seio de uma família profundamente cristã, filho de Pedro Lira e de Juliana Serafín, os quais tiveram seis filhos.

Sua primeira infância se desenvolveu no ambiente tranquilo de Tlatempa, gozando da alegre presença de seus pais. Em 14 de setembro de 1898, quando ia completar cinco anos, morre sua mãe e isto deu uma reviravolta em sua vida, que começou a ser difícil e itinerante, pois Pedro, seu pai, era mestre e diretor da escola paroquial e, quando trasladavam o pároco a outro lugar, este costumava levar o mestre Pedro consigo, para que assumisse seu cargo no colégio.

Por sua parte, Pedro também levava consigo a seus filhos Moisés (ainda pequeno) e a Hermelinda, sua irmã, para que cuidasse do pequeno irmão. Pedro contraiu matrimônio, pela segunda vez, deixando a Moisés com o cura Francisco Hernández, pois, Hermelinda, sua irmã, havia se casado em Amozoc. O adolescente conheceu a Madre Victoria Ortega, religiosa Josefina, que se interessou por ele, ao ver sua especial inteligência, simplicidade, ingenuidade, candura e grande amor à Eucaristia, virtudes que davam indícios de uma boa vocação ao sacerdócio.

A madre lhe propõe entrar no seminário, debaixo do cuidado de uma benfeitora, a senhora Petra Munive, que apoiava às vocações religiosas até chegarem ao sacerdócio. Ela o aceita como se fosse membro de sua família e, a partir desse momento, assume para si o cuidado por ele.

O Venerável e seu fundador, o Padre Félix Rougier. 


O bem-aventurado Moisés Lira ingressa no Seminário Palafoxiano de Puebla, onde cursou quatro anos de latim, como aluno externo. Em 1912, fez seus primeiros exercícios espirituais, sendo decisivos em sua vida. Convidado pelo padre Félix de Jesús Rougier, entra a tomar parte da recém-fundada Congregação dos Missionários do Espírito Santo (cuja mãe espiritual da obra é a Beata Maria de La Concepción Cabrera de Armida), sendo o primeiro noviço. Professou no dia 04 de fevereiro de 1917. Foi ordenado sacerdote no dia 14 de maio de 1922 e, no dia 25 do mesmo mês, faz sua profissão perpétua. Seus primeiros anos de ministério foram marcados pela perseguição religiosa (a famigerada perseguição movida pelo próprio governo maçônico – comunista do presidente Plutarco Calles), fato que não impediu seu zelo apostólico: visitava aos enfermos nos hospitais, ia aos cárceres levando o consolo de Jesus Eucarístico; celebrava, confessava, era generoso e valente: se expunha à prisão, ao desterro e, inclusive, à morte.



Após seu regresso de Roma, em 1928, continua seu apostolado no confessionário, onde passava largas horas aconselhando e orientando. Seu método: a exigência, a ternura, a ação de Deus, a compreensão, a lembrança, propiciar a união com Deus, despertar a inquietude por um compromisso apostólico. Desejava fazer o bem em todas as suas formas. O seu zelo apostólico levou-o a formar grupos de acólitos e catequistas, acompanhou com entusiasmo as associações que lhe foram confiadas e estabeleceu grupos de jovens senhoras cujo objetivo era promover o crescimento espiritual e o exercício do apostolado.

Movido por seu desejo de fazer o bem e de demonstrar amor filial ao Pai do Céu, em 29 de março de 1934 fundou a Congregação das Missionárias da Caridade de Maria Imaculada, cuja missão é ajudar todos os homens a viverem como filhos amados de Deus. Viveu com autenticidade o espírito das Obras da Cruz, tornando sua vida uma oferta alegre ao Pai em amor, pureza e sacrifício; Seu lema foi o mesmo de Jesus: "faço sempre o que é do agrado de meu Pai".

O Beato Moisés morreu em fama de santidade em 25 de junho de 1950, na Cidade do México. Sua causa de beatificação e de canonização foi introduzida no ano 2000. A fase diocesana ocorreu de 04 de fevereiro a 18 de setembro de 2001; A fase na cúria romana começou em 25 de outubro de 2001.

Na Quinta-feira Santa de 2013, o Papa Francisco autorizou a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos a promulgar o decreto pelo qual as "virtudes heroicas" do servo de Deus eram reconhecidas, concedendo-lhe o título de "Venerável". 
Sua beatificação foi autorizada por Sua Santidade o Papa Francisco e celebrada na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, Cidade do México, em 14 de setembro de 2024. A cerimônia foi presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, no último sábado, 14/09. 
Recordando que o sacerdote beatificado foi missionário da Congregação do Espírito Santo e fundador da Congregação das Missionárias da Caridade de Maria Imaculada.






Fonte: 





sexta-feira, 5 de julho de 2019

Beato Henri Vergés, Religioso Missionário na Argélia e Mártir



Acostumamo-nos a ver, junto aos santos, as insígnias do seu martírio ou algo da sua vida: um livro, uma espada, pobres, etc.. Mas o Ir. Henri veste um sorriso bem aberto, endossa um avental, avança tendo na mão uma romã e, à sua frente-lado, veem-se quatro jarros. Combina com que o Papa Francisco diria (aderindo a ele de imediato as ordens e institutos religiosos, entre eles os Maristas) da “Igreja em saída”, “Igreja do avental” ou “Igreja Mariana”. Como os outros mártires da Argélia, o Ir. Henri era um homem comum e corrente que não escolheu ser mártir nem herói, mas, simplesmente, cristão. Com ele, podemos descobrir a dimensão espiritual na vida quotidiana. Permaneceu na Argélia por 25 anos, a serviço dos jovens.

O Beato Henri Vergès nasceu em 15 de julho de 1930, em Matemale, na França, na região dos Pireneus Orientais, aldeia do Capcir, na encosta de Aude, a 1500 metros de altitude. Era o primogênito dos seis filhos da família de José Vergès e de Matilde Bournet, modestos camponeses. O pai foi eleito prefeito do povoado. A mãe, totalmente votada ao lar, sabia dar atenção aos vizinhos pobres. Dessas raízes humanas ele colheu o sentido do trabalho, da simplicidade, da retidão, da resistência moral e da partilha.


Henri Vergès ladeado por seu pai, José, e por sua mãe, Matilde.

Aos 12 anos, deixou os pais para iniciar o aprendizado da vida marista, primeiro em Espira de l’Agly, perto de Perpignan, depois em Saint-Paul-Trois-Châteaux, na região provençal Drôme. Fez a primeira profissão religiosa em 1946, seguida de um ano preparatório ao exame do diploma elementar, em Notre-Dame de l’Hermitage, perto de Saint-Chamond, Loire, na casa construída por São Marcelino Champagnat, fundador dos Irmãos.


Henrique começou o apostolado de Irmão professor em outubro de 1947, em Saint-Geniez-d’Olt, no Aveyron. A saúde não resistiu a um trabalho intenso e a uma alimentação demasiado frugal. Ele festejou os 20 anos em Osseja, sanatório perto da sua terra natal. Foi um tempo de aprofundamento de sua vida religiosa.

Em 26 de agosto, Henri emitiu os votos perpétuos como Pequeno Irmão de Maria. Começou uma nova etapa de educador e professor em diversas escolas do Ardèche, em Cheylard e Aubenas. De 1958 a 1966, foi vice-mestre dos noviços, em Notre-Dame de Lacabane, em Corrèze. Com tenacidade de campônio, continuou a formação até licenciar-se em Filosofia.

Após o Capítulo Geral de 1967-68, do qual participou como delegado de sua província de origem, o superior lhe pediu que fosse à Argélia. Henri aceitou de bom grado: há muito tempo que desejava ir às missões. Empenhou-se resolutamente em estudar o árabe durante as férias de verão em família e desembarcou em Argel, em 06 de agosto de 1969, festa da Transfiguração.

A sua presença na Argélia, durante 25 anos, conheceu três etapas principais:

1969-1976: Escola São Boaventura, em Argel. Henri assume a direção durante seis anos, até a nacionalização.

1976-1988: Em Sour-El-Ghoziane, sobretudo como professor de Matemática.

1988-1994: Argel, Rua Ben Cheneb, no quarteirão da Casbah, como responsável pela biblioteca frequentada por mais de mil estudantes do Liceu. No seu gabinete de trabalho, foi assassinado, em 8 de maio de 1994, pouco depois do meio-dia, com a irmã Paul-Hélène, do Instituto das Irmãs da Assunção. 


“O caríssimo Irmão Henri foi testemunha autêntica do amor de Cristo, do seu despojamento em favor da Igreja e da fidelidade ao povo argelino” (palavras do Cardeal Duval, nas exéquias, em Nossa Senhora da África, em 12 de maio de 1994, festa da Ascensão do Senhor). 


Os amigos e irmãos de missão, a Beata Paul-Hélène e
Beato Henri Vergès, foram martirizados juntos.


Os dezenove Beatos Mártires da Argélia. 

Alguns textos de Henri Vergès

A pedido do Ir. Basílio Rueda, Superior Geral, Henri escreveu uma autobiografia, datada do 1.° domingo do Advento de 1978. A seguir consta a conclusão dela.

“HISTÓRIA DE AMOR”
Deus e a Virgem Maria sejam louvados por me terem chamado, por me terem dado a graça da fidelidade muito simples, à qual procuro responder do melhor modo possível. Obrigado aos meus Irmãos que me permitiram, pela sua própria fidelidade, às vezes pela sua fraqueza, que eu respondesse melhor ao apelo de Deus, incluindo alguns que deixaram o Instituto e continuam, para mim, muito queridos. Mistério... Obrigado aos meus pais, à minha família, a tantos amigos, sobretudo sacerdotes e religiosos, que me treinaram neste caminho do Amor. História de Amor que continua: que o Deus fiel nos conserve fiéis. FIAT, MAGNIFICAT.
  
Uns dez anos depois, Henri aceitou escrever o seu caminho espiritual “na casa do Islão”. Termina assim:

Em resumo, foi meu compromisso marista que me permitiu, apesar de minhas limitações, inserir-me harmoniosamente em meio muçulmano; a minha vida neste meio, na sua vez, me realizou mais profundamente, como cristão marista. Deus seja louvado! (Argel, Natal de 1989).

  

Por ocasião do Centenário da chegada dos primeiros Irmãos Maristas à Argélia, em março de 1891, Henri havia desfiado a Maria sua dezena argelina. Seguem algumas passagens:

Este ano cumpre-se nova etapa: Bab-el-Oued, Casbah. Discretamente perdidos no meio da multidão, eis-nos aqui, contigo, Maria, junto aos pobres, junto aos jovens, como presença humilde, sempre querendo estar disponível em prol da irradiação do teu Filho. E já temos encontros de visitação. Cante-se o Magnificat.

Não falemos da biblioteca. Já acolhemos mil e tantos jovens. Cercam-nos dezenas de milhares. Veja-se essa multidão ainda impregnada de fé, mas que ainda duvida de seu futuro. É uma juventude muitas vezes desamparada do que se apelida “terceiro mundo”. Mãe nossa, dai que logremos acender nesses jovens corações a esperança.

O Ribat é um elo de paz. Esse grupo nos acolhe; todos desejam uma aproximação mais espiritual do Islã e dos muçulmanos, na vivência cotidiana. Maria, vós caminhais conosco, às vezes na exaltação dessas maravilhas que se realizam na base, sinal profético, no espírito da fraternidade de Assis, ao qual se abre a Igreja do vosso Filho. 

Alguns apontamentos de Henri que traduzem a sua caminhada espiritual na última etapa.

Velar sobre esse dom que Deus me faz na singeleza de um olhar de adesão total, no mais fundo do meu ser, ao que ele quer a todo o momento, em toda a circunstância: devo ser simples e verdadeiro no amor, na sua presença. Com a Virgem Maria, eu me restauro e irradio a Eucaristia. (Tibhirine, 17-12-1983.)

Três critérios de apostolado para o Instituto: direcionamento aos mais pobres, educação marial, apelos da Igreja. (3-4-1984.)

Devo fixar o meu coração em Deus com Maria.

Senhor Jesus, entrego-me a ti para ser oferecido em ti e contigo totalmente ao Pai, no amor do Espírito Santo. Que a minha vontade seja a do Pai sobre mim e que ela possa cumprir-se cada dia até o fim. (Varennes-sur-Allier, julho de 1985.)

A Virgem Maria constitui a mais bela expressão do amor divino. A Virgem Maria é a mais bela resposta humana ao amor divino. Depois da encarnação tudo nos vem por meio de Maria, já que ela nos deu Jesus. Agora ela o dá e o faz crescer em cada uma das nossas almas, no seu papel insubstituível de Mãe.

Senhor Jesus, entrego-me a ti para ser entregue por inteiro, em ti e por ti, ao Pai, no amor do Espírito Santo. A minha vontade seja aquela do Pai sobre mim e que ela possa cumprir-se no suceder dos dias até o escopo final. (Escrito em julho de 1985, em Varennes-sur-Allier).

A medida do nosso sofrimento constitui a medida da nossa ação nas almas. Aos amigos, Jesus oferece a sua cruz. A cruz nos identifica com ele. Assim, vive-se de tal modo nele e com ele, que as almas, entrando em contato conosco, vão encontrar-se com Cristo (nota pessoal: aqui se vê que a alma do irmão marista já se encontra em um caminho de grande perfeição e compreensão do que é ser, verdadeiramente, discípulo de Cristo).

Jesus-Hóstia, centro da minha vida, prolonga a minha ação de graças em toda a manhã e, na tarde, ele prepara a minha comunhão do dia seguinte. Cumpre que faça de Jesus o meu amigo, o meu Irmão para a minha santidade de toda a minha vida. Ele deve ser a minha respiração, a minha força. Assim, as almas de que me encarreguei vão encontrá-lo mais segura e facilmente.

Deixar a paz de Cristo invadir-me sempre mais, no mais íntimo do meu ser: devo ter paciência, bondade comigo, bondade com todos, em particular com os jovens que o Senhor me confia. Virgem Maria, fazei-me instrumento de paz para o mundo.” “Esforço particular, neste ano, para uma atenção mais especial aos mais 'desfavorecidos' dos meus alunos. Desde o começo, procurar conhecer cada um pelo seu nome. Adaptar melhor as minhas aulas, sobretudo aos mais 'carentes', como me pede Marcelino Champagnat. (Notre-Dame de l’Hermitage, julho de 1987.)


Oração
Ó Pai, o Irmão Henri Vergès deu a sua vida, no seguimento de Jesus, na paciência do quotidiano, sempre disponível à vossa vontade. No meio dos jovens, ele foi homem de fé e de bondade, servo dos mais pobres e excluídos, testemunha autêntica do amor de Cristo. A seu exemplo, fazei de nós homens e mulheres de diálogo com os nossos irmãos do Islã, na discrição e no respeito.
Que a alegria pacificada e toda simples que ele manifestava, fruto da sua simplicidade de vida e da sua proximidade a Maria, habite em nós e atraia para o Vosso Reino muitos dos que pondes no nosso caminho. Nós vo-lo pedimos por Jesus, Vosso Filho, Nosso Senhor e Nosso Irmão. Amém.



Quem quiser assistir a um belo vídeo sobre o Beato, tem um, com legendas em português, no YouTube: 
https://www.youtube.com/watch?v=NuUsib21uwc