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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 5 de setembro de 2015

Beato Afonso Maria do Espírito Santo (Mazurek), Presbítero e Mártir


Jozef Mazurek nasceu em 01 março de 1891 em Baranówka, no leste da Polônia. Entrou para os Carmelitas Descalços, e, depois de ser um estudante no Seminário Menor dos Carmelitas Descalços de Wadowice, onde ele poderia aprender sobre São Rafael Kalinowski, em 1908, recebeu o hábito religioso com o nome de Afonso Maria do Espírito Santo.
Iniciando seus estudos filosóficos em Wadowice e, em seguida, dando continuidade aos estudos de filosofia e teologia em Viena, Áustria, recebeu a ordenação sacerdotal na capital austríaca em 16 de julho de 1916, Solenidade de Nossa Senhora do Carmo.
 Conhecido por sua capacidade de organização e por ser um educador respeitado pela juventude, até 1930 foi professor e diretor no Seminário Menor de Wadowice, conseguindo todos os direitos dos quais gozavam as escolas particulares e, em seguida, também ser reconhecido pelo Estado, com exame de graduação civilmente reconhecido. Por sua atuação elogiável, é considerado um dos professores mais merecedores de reconhecimento na história deste seminário.
Em 1930 veio sua eleição como prior do mosteiro carmelita em Czerna. Padre Afonso ficou neste cargo até o fim da vida, exceto para o período de 1936-1939 durante o qual, foi o ecônomo deste mesmo convento. Dedicou à sua comunidade toda sua força física e espiritual. Renovou o trabalho pastoral na igreja do convento, localizado em uma floresta, infelizmente, muito longe da aldeia. Estima-se ter sido assistente da Ordem Secular tanto em Czerna como na vizinha Silésia.
Toda a sua vida espiritual foi fundada em uma fé profunda, expressa no fiel cumprimento dos deveres religiosos e serviço sacerdotal, primeiro na celebração fervorosa e digna da Santa Eucaristia, nos cuidados com a beleza do culto divino e na fidelidade à vida de oração contemplativa.  Costumava recolher-se em oração diante do Santíssimo Sacramento para buscar luz e força para seu trabalho pastoral. Uma testemunha afirmou que o padre Afonso "era um homem de fé profunda e vivia sua fé na prática fé”. Ele viveu seus deveres e funções em sua Ordem em espírito de fé, bem como seus deveres no ministério sacramental. Celebrava sempre com devoção a Santa Missa. Sua devoção não era artificial.
“A mesma fé fê-lo continuar sem medo a sua missão pastoral durante a ocupação nazista, nunca se deixando intimidar por ameaças de represálias”. Um destes gestos intrépidos foi aceitar jovens aspirantes à Ordem. Os alemães o expulsaram da Silésia. Sempre que ele enfrentou essas situações com paz e serenidade, fixando seu olhar em Jesus, presente nos pobres e desprezados, como ele costumava lembrar. "Não devemos deixar perturbar a paz e tranquilidade do coração, porque este coração deve ater somente a Deus, e não às suas consolações, graças a seus dons”, disse um dia a seus coirmãos.  
Chegando praticamente o fim da Segunda Guerra Mundial, em agosto 1944 cresceu significativamente a hostilidade nazista com relação aos Carmelitas Descalços de Czerna. Em 24 de agosto do mesmo ano, foi baleado o irmão noviço Francis Powiertowski, enquanto caminhava em direção à comunidade. Quatro dias depois, entrou no convento o comando militar nazista, forçando os homens a ir à aldeia Rudawa, há mais de dez quilômetros de distância, para cavar trincheiras. Padre Afonso foi com violência separado da comunidade e, empurrado em um carro dos militares, foi brutalmente maltratado e torturado.
Finalmente, foi jogado ao chão com um tiro de fuzil na aldeia de Gora Nawojowa em Rudawa. Tudo isso aconteceu, em 28 de agosto de 1944, às vésperas da memória litúrgica do martírio de São João Batista, a quem era tão devotado. Quando acharam seu cadáver, algumas testemunhas afirmaram que durante sua tortura, manteve entre as mãos, piedosamente, o Santo Rosário de Nossa Senhora.  
O fim heroico do Padre Afonso constitui o último testemunho de sua fidelidade à graça da vocação e da sua confiança filial a Nossa Senhora, Rainha e Mãe do Carmelo, lealdade e confiança que ele sempre incutiu nos corações de seus irmãos por seu exemplo.
Algumas frases de seus escritos revelam hoje sua profunda fé mariana: "Em aflições, tribulações, nas angústias e tentações, eu sempre procuro refúgio perto de minha amada Mãe, Maria. Tudo que tenho recebi dela. Fielmente, juntamente com minha Mãe Maria Santíssima, quero estar junto à cruz de Jesus".
O Papa São João Paulo II, em 13 de junho de 1999 elevou aos altares 108 vítimas da perseguição nazista, incluindo o Beato Afonso Maria Mazurek, cuja memória litúrgica no martirológio foi fixada para o dia 28 de agosto.

Os Carmelitas Descalços fazem sua memória em 12 de junho.

Os santos despojos do glorioso mártir de Cristo sendo examinados para fins
do reconhecimento canônico do processo de beatificação. 



Após o reconhecimento, as relíquias foram colocadas em
uma urna para a veneração dos fiéis. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

SANTA ROSÁLIA DE PALERMO, Virgem e Eremita.


  Rosália Sinibaldi viveu no período feliz de renovamento católico que se restabelecera na Sicília após a expulsão dos árabes, que haviam permanecido na região de 827 a 1072. Foi possível então a difusão dos mosteiros Basilianos e Beneditinos. Naquela atmosfera de fervor e renovação religiosa se inseriu a vocação eremítica desta Santa.
Rosália nasceu no ano 1125 em Palermo, na Sicília, Itália. O nome Rosália resulta da contração dos nomes "Rosa" e "Lilia" (Lilium). Era filha de Sinibaldo, rico senhor de Quisquinia e das Rosas, na província de Agrigento, então chamada Girgenti, e de Maria Guiscarda, sobrinha do rei normando Rogério II. Segundo a tradição, ela pertencia a uma nobre família normanda descendente de Carlos Magno.
Durante a adolescência foi dama da corte da Rainha Margarida, esposa do Rei Guilherme I da Sicília, que apreciava sua companhia amável e generosa. Porém, ela não se sentia atraída por nada disso, pois sabia que sua vocação era servir a Deus e ansiava pela vida monástica.
Aos catorze anos, levando consigo apenas um crucifixo, Rosália abandonou de vez a corte e se refugiou numa gruta que pertencia ao feudo paterno e era um local ideal para a reclusão monástica, pois ficava próximo do convento dos beneditinos que possuía uma pequena igreja anexa. Mesmo vivendo isolada, Rosália podia receber orientação espiritual e seguir as funções litúrgicas.

Mais tarde a ermitã se transferiu para uma gruta no alto do Monte Pelegrino, que lhe fora doada pela amiga a Rainha Margarida. Ali já existia uma pequena capela bizantina e nos arredores outro convento de beneditinos. Eles acompanharam, testemunharam e documentaram a vida eremítica de Rosália, que viveu em oração, solidão e penitência. Atraídos pela fama de santidade da ermitã, os habitantes do povoado subiam o monte para vê-la.
Rosália faleceu no dia 4 de setembro de 1160 na sua gruta no Monte Pellegrino, em Palermo.

No início de 1600, o seu culto havia caído quase no esquecimento, sendo ela entretanto ainda venerada; no Monte Pelegrino, em grutas vizinhas a que ela, segundo a tradição, habitara, alguns ermitões viviam e eram conhecidos como os “solitários de Santa Rosália”.
Em 26 de maio de 1624, Jeronima Gatto, uma doente terminal, viu em sonho uma jovem vestida de branco que lhe prometia a cura se fosse ao Monte Pelegrino para agradecê-la. A mulher, ardendo de febre, foi ao monte acompanhada de duas amigas. Após beber a água que escorria da gruta se sentiu curada e caiu em um torpor repousante. A jovem de branco apareceu-lhe de novo dizendo-se ser Santa Rosália e lhe indicou o local onde estavam sepultadas as suas relíquias.
O fato foi referido aos frades franciscanos do convento vizinho, cujo superior deles, São Benedito (1526-1589), já havia tentado encontrar as relíquias, sem sucesso. Eles então retomaram as buscas, e em 15 de julho de 1624 encontraram, a quatro metros de profundidade, uma urna de cristal de rocha de seis palmos de comprimento por três de largura, na qual estavam aderidos ossos.
Levada para a cidade, a urna foi examinada por teólogos e médicos que chegaram a conclusão de que os ossos podiam pertencer a mais de uma pessoa. Não convencido, uma segunda comissão foi nomeada pelo Cardeal Arcebispo de Palermo, Giannettino Doria.

Entrementes uma terrível epidemia grassou na cidade de Palermo fazendo milhares de vítimas. O Cardeal reuniu na catedral povo e autoridades, e todos juntos pediram a ajuda de Nossa Senhora, fazendo voto de defender o privilégio da Imaculada Conceição, tema de debates na Igreja de então, e de declarar Santa Rosália padroeira principal de Palermo, venerando suas relíquias quando elas fossem reconhecidas. Após a promessa, a epidemia cessou.
Em 25 de agosto de 1624, quarenta dias após a descoberta dos ossos, dois pedreiros, que executavam trabalhos no convento dos dominicanos de Santo Estêvão de Quisquinia, acharam numa gruta uma inscrição latina muito antiga que dizia: Eu, Rosália Sinibaldi, filha das rosas do Senhor, pelo amor de meu Senhor Jesus Cristo, decidi morar nesta gruta de Quisquinia. Confirmando, assim, as tradições orais da época. Um santuário foi edificado na gruta onde seus restos mortais foram encontrados.
Em 11 de fevereiro de 1625 uma comissão científica comprovou a autenticidade das relíquias e da inscrição, e em 1630 o Papa Urbano VIII incluiu as duas datas no Martirológio Romano. Estes fatos reacenderam o culto à Santa Rosália.

Santa Rosália é festejada em 15 de julho, data que suas relíquias foram encontradas, e em 4 de setembro, data de seu falecimento. Anualmente acontece em Palermo, na noite de 14 para 15 de julho, uma grande festa religiosa denominada Festino di Santa Rusulia. A procissão das relíquias da Santa, de pompa extraordinária, percorre as ruas da cidade entre orações, cânticos e aclamações. E a cada ano, no dia 4 de setembro, renova-se a tradição de caminhar, com os pés descalços, de Palermo até o Monte Pelegrino.
A urna contendo os restos mortais de Santa Rosália pode ser venerada no Duomo de Palermo. Os palermitanos a chamam de "a Santuzza" (a santinha). Santa Rosália é venerada como padroeira de Palermo desde 1666 e é tida como protetora contra doenças infecciosas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Beatos Eusébio do Menino Jesus e Companheiros Mártires, Carmelitas Descalços de Toledo.


Beatos Eusébio do Menino Jesus e cinco companheiros mártires, carmelitas descalços. O convento dos Carmelitas Descalços de Toledo era a sede do Colégio Teológico da Província da Ordem em Castela. A comunidade era composta em 1936 por 10 sacerdotes, 08 jovens estudantes e 03 irmãos que atendiam a casa e a igreja conventual.

Em 21 de julho de 1936, iniciada a perseguição religiosa, os religiosos tiveram que deixar o convento e buscar refúgio em famílias amigas. Porém, os milicianos os foram buscando e fuzilando a medida que os encontravam.

Estes seis foram martirizados em 22 de julho de 1936 em Toledo:


Eusébio do Menino Jesus, ocd (Ovidio Fernández Arenillas)
Nasceu em Castilfalé (León), em fevereiro de 1888. Batizado na igreja paroquial de San Juan Degollado do povoado. Confirmado também nela em 1896. Aos 13 anos ingressou no Colégio dos Carmelitas Descalços de Medina del Campo. Terminados os anos de Humanidades, passou ao noviciado de Segóvia, onde vestiu o hábito em outubro de 1903, tomando o nome de Eusébo do Menino Jesus, e professando no ano seguinte.
Feitos seus estudos filosófico-teológicos nos colégios da Ordem, foi ordenado sacerdote no dia 21 de dezembro de 1912, em Toledo. No ano seguinte, foi nomeado professor de Humanidades no Colégio de Medina e subdiretor do mesmo centro.  
Em 1917, foi destinado a Cuba, onde chegou no dia 03 de agosto. Passados uns meses no convento de Matanzas, em junho de 1918 foi nomeado superior e pároco de Sancti Spiritus. Renunciou a estes cargos e deixou a paróquia no início de janeiro de 1919.
Transferido à Igreja e convento de San Felipe de Habana, além do ministério apostólico, teve que dedicar-se a dar aulas de teologia a seu irmão mais novo, Frei Valentin de San José (Prisciliano).
De saúde alquebrada, adoeceu seriamente. Seus superiores o transferiram a Camagüey, em outubro de 1920, juntamente com seu irmão e discípulo. Em Camagüey foi muito querido e estimado. E, melhorando sensivelmente sua saúde, desempenhou uma atividade muito ampla: escreveu no periódio local chamado “O Camagüeyano”, atendeu com toda solicitude e competência à Instituição dos Cavaleiros de Colombo, escreveu seus livros mais volumosos sobre Santa Teresa e contra o espiritismo. Censor de livros da diocese, pregou e confessou incansavelmente, apesar de seus males de garganta, seguiu dando aulas a seu irmão e cultivou a direção espiritual. 
Em 1927 voltou à Espanha. Conselheiro provincial, Diretor do Colégio de Medina e Superior da Comunidade, deixoufama por seus grandes dotes pedagógicos à frente do colégio. Em 1930, foi eleito Prior do convento da Santa em Ávila; em 1933, mestre dos estudantes de Toledo; em maio de 1936, Prior da comunidade de Toledo.
Suas repetidas previsões de martírio se cumpriram com o derramamento de seu próprio sangue. Em 22 de julho, dirigiu-se ele à casa da família Rodríguez Bolonio, na Rua do Instituto, 19. Ali estava rezando, lendo em seu retiro, atendendo a quem lhe pedia confissão, animando a sofrer o martírio.
Chamam à porta convulsivamente. Entram dois milicianos encarando de perto a quem lhes abre e dizendo: “Aqui há um cura refugiado. Se não nos dizes onde está, te mataremos”. Eusébio, que ouve a ameaça do quarto dele, sai para o pátio e se entrega voluntariamente, dizendo aos que o conduziam que não fizessem nenhum dano à família, pois eram pessoas muito boas. Esse gesto de Eusébio faz-nos pensar na cena da prisão de Jesus no Getsêmani, quando diz aos que o buscam: “Si me buscais a mim, deixai que se vão estes” (João 18, 7).

Levam-no aos empurrões pela rua, caminha com grande serenidade com os braços em cruz, sem alterar-se, com total domínio sobre se mesmo, e o fuzilam a uns oito ou dez metros da casa. Ali caiu sobre o solo. Mataram-no por ser um frade. Este era seu crime! 


Beato José Agostinho do Santíssimo Sacramento, ocd (Tomás Mateos Sánchez).
Nasceu em Anaya de Alba (Salamanca) em 1912. Fez a profissão solene em 29 de junho de 1936 e recebeu as ordens menores poucos dias depois.










Beato Eliseu de Jesus Crucificado, ocd (Esteban Cuevas Casquero).
Nasceu em Besande (León), em 1913. Feita a profissão solene em dezembro de 1935, recebeu as ordens menores em julho de 1936.










Beato Perfeito da Virgem do Carmo, ocd (Perfecto Domínguez Monge). 
Nasceu em Besande no ano de 1914. Era muito inteligente. Fez a profissão solene em dezembro de 1935 e recebeu as ordens menores em julho de 1936.









Beato Hermílio de Santo Eliseu, ocd (Pedro Ramón Rodríguez Calle).
Nasceu em Fuensaldaña (Valladolid) em 1913. Pronto se tornou órfão de pai e mãe. Foi educado em um centro beneficente de Valladolid. Fez profissão solene em 29 de junho de 1936 e recebeu logo após as ordens menores.









Beato Clemente dos Sagrados Corações, ocd (Clemente López Yagüe). Nasceu em Campo de São Pedro (Segóvia), em 1911. Desde jovem exerceu o ofício de pastor e trabalhou na linha férrea Madrid-Burgos. Recebeu o hábito carmelitano em 19 de agosto de 1935 e, poucos meses depois, o destinaram a Toledo, para fazer seu primeiro ano de noviciado como irmão leigo. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Beato Luís Eduardo Cestac, Presbítero e Fundador e várias congregações.



Presidida pelo Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, realizou-se em Bayonne, na França, a solene celebração Eucarística de Beatificação de Luís Eduardo Cestac. A cerimônia de Beatificação do fundador do Instituto das Servas de Maria ocorreu no dia 31 de maio de 2014, último dia do mês dedicado a Nossa Senhora.

O Beato Luís Eduardo Cestac é considerado um "novo Cura d'Ars". Ele nasceu em Bayonne, no sul da França, em 06 de janeiro de 1801. Foi um extraordinário fundador de Obras e grande devoto de Nossa Senhora.

Ainda menino, com três anos, sofrendo de uma incurável nevralgia e completo mutismo foi consagrado à Virgem de São Bernardo por sua Mãe. E foi miraculado: Maria o curou.

Com 17 anos, o jovem Luís Eduardo foi para o Pequeno Seminário de Aire para, em 1825, ser ordenado sacerdote e tornar-se professor de filosofia em Bayonne.

Em 1831, o agora Beato tornou-se vigário da Catedral de Notre-Dame de Bayonne.

Foi nesse período que ele deu início à fundação de obras de notável importância:

A Associação das Filhas de Maria para as domésticas; a Obra da Perseverança para as jovens da alta Sociedade; os Círculos de Estudo para jovens; a obra dos Pequenos Órfãos de Maria, chamada de Grão Paraíso.



Em 1838, Cestac fundou a obra das Penitentes de Maria, na cidade de Anglet, que recebeu o nome de "Nossa Senhora do Refúgio".

Ele fundou em 1839 a Congregação das Servas de Maria, em Anglet, da qual a primeira superiora foi sua irmã que recebeu o nome de Irmã Maria Madalena.

Em 15 de agosto de 1846, o Beato Luís Eduardo Cestac fundou a Congregação das Solitárias de São Bernardo ou Silenciosas de Maria, chamadas também Irmãs Bernardinas, que tinham o voto de silêncio perpétuo. O instituto acolhia as "penitentes" desejosas de uma vida religiosa voltada para o trabalho na solidão e no silêncio.

Suas atividades se estenderam à organização de escolas paroquiais. A Congregação começou a trabalhar em missões, em 1949, começando pelo Marrocos, junto com os Padres do Sagrado Coração de Jesus de Bétharram.

O Beato Luís Eduardo Cestac foi grande propagador da devoção da Medalha Milagrosa de Nossa Senhora das Graças. Foi a ele também a Virgem Maria dignou-se aparecer como Rainha dos Céus, ensinando uma bela e poderosa oração para repelir os ataques e planos de satanás e seus demônios.

Padre Cestac faleceu, em 27 de março de 1868, e foi sepultado em Anglet. Sua Causa de Beatificação teve início em 1908. (JSG)



ORAÇÃO À AUGUSTA RAINHA DOS CÉUS

Em 1864, na França, Nossa Senhora apareceu a um sacerdote e ensinou-lhe uma oração poderosa para combater e derrotar os poderes do inferno.

No dia 13 de Janeiro de 1864, o Beato Padre Luís-Eduardo Cestac foi subitamente atingido por um raio da luz divina. Ele viu demônios espalhados por toda a terra, causando uma imensa confusão. Ao mesmo tempo, ele teve uma visão da Virgem Maria. Nossa Senhora lhe revelou que realmente o poder dos demônios fora desencadeado em todo o mundo e que então, mais do que nunca, era necessário rezar à Rainha dos Anjos e pedir a ela que enviasse as legiões dos santos anjos para combater e derrotar os poderes do inferno.

“Minha Mãe", disse o padre, “vós sois tão bondosa, por que então não enviais por vós mesma estes anjos, sem que ninguém vos peça?"

“Não", respondeu a Santíssima Virgem, “a oração é uma condição estabelecida pelo próprio Deus para a obter esta graça."

“Então, Mãe Santíssima – disse o sacerdote – ensinai-me como quereis que se vos peça!"

Foi então que o Bem-aventurado Luís-Eduardo Cestac recebeu a oração “Augusta Rainha dos céus". “Meu primeiro dever – disse ele – era apresentar esta oração a Monsenhor La Croix, bispo de Bayonne, que se dignou a aprová-la. Cumprido este dever, fiz imprimir 500.000 cópias, e providenciei que fossem distribuídas em todos os lugares. (...) Não devemos esquecer que, da primeira vez que as imprimimos, a máquina impressora chegou a quebrar duas vezes".

Esta oração foi indulgenciada pelo Papa São Pio X no dia 8 de julho de 1908. Recomenda-se que seja aprendida de cor:

Oração revelada ao Beato Padre Louis-Edouard Cestac  (13 de janeiro de 1864):

Auguste Reine des cieux, souveraine maîtresse des Anges,
Vous qui, dès le commencement, avez reçu de Dieu
le pouvoir et la mission d'écraser la tête de Satan,
Nous vous le demandons humblement,
Envoyez vos légions célestes pour que,
sous vos ordres, et par votre puissance,
Elles poursuivent les démons, les combattent partout,
Répriment leur audace, et les refoulent dans l'abîme.
Qui est comme Dieu?
O bonne et tendre mère,
Vous serez toujours notre Amour et notre espérance.
O Divine Mère,
Envoyez les Saints Anges pour nous défendre,
Et repoussez loin de nous le cruel ennemi.
Saints Anges et Archanges,
Défendez nous, gardez nous.







Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos, Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós vo-lo pedimos humildemente, enviai vossas legiões celestes para que, sob vossas ordens, e por vosso poder, Elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte, reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo.
- Quem é como Deus?

Ó Mãe de bondade e ternura, Vós sereis sempre o nosso Amor e a nossa esperança. Ó Mãe Divina, enviai os Santos Anjos para nos defenderem, e repeli para longe de nós o cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Amém.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

SÃO FRANCISCO DE PAULA, Eremita, Taumaturgo e Fundador da Ordem dos Mínimos.



Místico e analfabeto, teve uma vida longa e santa voltada para o amor de Deus e santificação dos homens. A Santa Igreja o elevou às honras dos altares e sua festa é comemorada em 2 de abril, dia em que morreu, aos 91 anos, na Sexta-feira Santa de 1507.

Tiago e Viena formavam um casal que vivia em Paula, pequena cidade da Calábria, na Itália. Tiago era agricultor. Viena ajudava o marido no que era possível a uma mulher fazer. Juntos, eles constituíam um casal católico exemplar.

Embora levando uma vida difícil, procuravam santificar-se: rezavam bastante, jejuavam, praticavam boas obras, faziam penitência. Consideravam-se felizes. A felicidade de situação em que viviam, no entanto, era empalidecida por algo lhes penalizava: não conseguiam ter filhos.


...milagrosamente, nasce um menino

Não faltavam pedidos, orações e sacrifícios para que Deus lhes enviasse um filho. Pediam muito a intercessão de São Francisco de Assis, de quem eram devotos. Prometeram até que, se o santo lhes atendesse, dariam o nome de Francisco ao primeiro dos filhos que tivessem.

Deus ouviu tão prementes e piedosos pedidos: nasceu-lhes um filho. O menino tinha uma infecção nos olhos e poderia ficar cego. De novo procuraram São Francisco. Com respeito, pediam que ele atendesse por inteiro o pedido deles e não apenas pela metade.

Tiago e Viena prometiam ao Santo que, se ele curasse o menino, tão logo a idade o permitisse, ele seria vestido com o hábito de frade franciscano e colocado, por um ano, num convento da Ordem de São Francisco.

Novamente o casal foi atendido. Francisco crescia saudável, abençoado por Deus e com evidentes pendores para a santidade. Até os 12 anos seguia o exemplo paterno: rezava e praticava penitência.


… que se tornou um "menino frade", exemplar, obediente e milagreiro.

O tempo passou e Tiago e Viena não tinham cumprido ainda a promessa feita. Um dia apareceu na casa deles um frade franciscano lembrando que chegara a hora de cumprirem a promessa feita. Os pais, de bom grado, levaram o jovenzinho com o hábito de São Francisco para o convento de São Marcos, onde era observava rigorosamente a regra da Ordem dos Frades Menores.

O jovem Francisco, mesmo não estando obrigado, cumpria com exatidão as normas conventuais. E isso a tal ponto que se tornou modelo de observância da regra. Era exemplo até para os frades mais experimentados e vividos nas práticas religiosas. Já nessa ocasião, alguns fatos extraordinários marcaram a vida do pequeno Francisco.

Um dia o irmão sacristão ordenou-lhe que fosse buscar brasas para o turíbulo. Porém, esqueceu-se de dizer a Francisco como deveria proceder. Com toda simplicidade e inocência, ele atendeu ao pedido colocando as brasas em seu hábito e as levou ao irmão sacristão. Seu hábito nada sofreu.

Em outra ocasião, ele ficou como encarregado da cozinha. Pôs os alimentos em uma panela e a colocou sobre os carvões e lá a deixou. Em seguida foi para a igreja rezar, esquecendo-se de acender o fogo...

Rezando, entrou em estase, e tempo foi passando. Um frade entrou na cozinha e viu o fogo apagado. Procurou Francisco perguntando se a refeição estava pronta. O jovem respondeu que sim e, em seguida, foi para a cozinha. Não se sabe como, o certo é que o fogo estava aceso e os alimentos cozidos...


Fez-se um Eremita adolescente...

Claro que os bons frades do convento de São Marcos queriam que o jovem Francisco continuasse entre eles. Era um adorno para o convento aquele adolescente que já dava tantos indícios de santidade. O jovem, no entanto, sentia-se chamado para outro estado de vida.

Tendo já cumprido a promessa de ficar um ano no convento, com os pais, ele foi conhecer Roma, Assis, Loreto e Monte Cassino. Ficou impressionado com Monte Cassino.

Soube que naquele lugar São Bento estabelecera-se aos 14 anos para entregar-se todo a Deus, ele fez também o mesmo propósito: pediu aos pais que o deixassem viver como eremita na chácara que habitavam. Tiago e Viena aceitaram o pedido do filho. E não só consentiram que se mudasse para sua "ermida", mas passaram a levar-lhe a alimentação.

Mas, Francisco deseja ser mais radical em sua solidão. Um dia ele desapareceu: havia subido a uma montanha próxima. Nela encontrou uma pequena gruta e a transformou no local onde passou a morar por seis anos.

Vivia exclusivamente para Deus, na contemplação e penitência. Seu alimento eram raízes e ervas silvestres.

De acordo com uma tradição corrente na Ordem fundada por ele, foi nessa gruta eremítica que ele recebeu, das mãos de um Anjo, o hábito monástico.


...aprovado pelo Bispo e com discípulos, funda uma Ordem Religiosa.

Com 19 anos de idade, Francisco obteve licença do Bispo local para construir um mosteiro no alto de um monte próximo a Paula. Logo surgiram os primeiros discípulos e auxiliares.

Da construção desse Mosteiro participaram os habitantes da cidade. Pouco importando que fossem ricos ou pobres, nobres ou plebeus. Era um verdadeiro milagre: todos queriam ajudar. Eles foram testemunhas de inúmeros milagres.

Viram pedras se deslocarem a uma simples ordem de Francisco. Árvores pesadas e pedras enormes tornavam-se leves para serem removidas ou transportadas. Os víveres, cuja quantidade mal daria para saciar a fome de um só trabalhador, alimentavam a muitos. Até pessoas enfermas que iam participar das construções ficavam curadas.

Foi dai que nasceram as origens da "Ordem dos Mínimos", ordem religiosa fundada oficialmente por São Francisco de Paula em 1435.

Arcanjo São Miguel era seu protetor e também da Ordem que ele fundou. Foi o Arcanjo quem lhe trouxe uma espécie de ostensório no qual aparecia o sol tendo um fundo azul e escrita a palavra Caridade. São Miguel mostrou-lhe ostensório e recomendou ao Santo tomá-lo como emblema de sua Ordem.

Francisco tinha na simplicidade de vida um coroamento de todas suas virtudes. Ele era bom, franco, cândido, serviçal, sempre disposto a fazer o bem a qualquer um. Esse espírito, ele comunicou em abundância a seus filhos espirituais.


Fatos, profecias e mais milagres

A Divina Providencia distribui seus dons a quem fará uso deles para maior glória de Deus. Sendo assim, é o caso de dizer que São Francisco de Paula glorificou muito a Deus, aplicando esses dons abundantemente. Até parece que seu carisma constituía-se em fazer milagres.

Um autor chegou a afirmar sobre ele: "Não há espécie de doenças que ele não tenha curado, de sentidos e membros do corpo humano sobre os quais não tenha exercido a graça e o poder que Deus lhe havia dado. Ele restituiu a vista a cegos, a audição a surdos, a palavra aos mudos, o uso dos pés e mãos a estropiados, a vida a agonizantes e mortos; e, o que é mais considerável, a razão a insensatos e frenéticos". "Não houve jamais mal, por maior e mais incurável que parecesse, que pudesse resistir à sua voz ou ao seu toque. Acorria-se a ele de todas as partes, não só um a um, mas em grandes grupos e às centenas, como se ele fosse o Anjo Rafael e um médico descido do Céu; e, segundo o testemunho daqueles que o acompanhavam ordinariamente, ninguém jamais retornou descontente, mas cada um bendizia a Deus de ter recebido o cumprimento do que desejava” (*).

Francisco ressuscitou seu próprio sobrinho chamado Nicolas. Ele queria ser monge na Ordem que seu tio havia fundado. Mas sua mãe se opôs ferrenhamente a isso.


Nicolas adoeceu e morreu.

O corpo estava sendo velado na igreja do convento e Francisco pediu que o conduzissem à sua cela. Passou a noite em lágrimas e orações. Foi assim que, naquela noite, ele obteve de Deus que o rapaz fosse ressuscitado.

Quando, na manhã seguinte, a mãe de Nicolas veio para assistir ao sepultamento do filho, Francisco perguntou-lhe se ela ainda se opunha a que ele se fizesse religioso. "Ah!" – disse ela em lágrimas – "se eu não me tivesse oposto, talvez ele ainda vivesse". – "Quer dizer que você está arrependida?" – insistiu o Santo. – "Ah, sim!". Francisco, então, trouxe-lhe o filho são e salvo. Em prantos, a mãe abraçou o filho concedendo a licença que havia negado.

Tornou-se famosa outra ressurreição realizada pela intercessão de Francisco. Foi aquela em que viveu novamente um homem malfeitor que a justiça havia enforcado três dias antes.

São Francisco de Paula não só lhe restituiu a vida do corpo, como também a da alma. Mas Francisco também ressuscitou duas vezes a mesma pessoa: Tomás de Yvre, era habitante de Paterne, França, e trabalhava na construção do convento de sua cidade. Num acidente ele foi esmagado por uma árvore. São Francisco o ressuscitou.

Algum tempo depois, Tomás caiu do alto do campanário e morreu em consequência da queda. Novamente o Santo restituiu-lhe a vida. São Francisco era também dotado de uma graça especial para a obtenção do favor da maternidade para mulheres estéreis. Muitos milagres desse gênero foram relatados no processo de canonização do Santo em Tours. Alguns deles foram acontecidos em casas reais ou principescas.


Um analfabeto cheio de sabedoria e santidade

Na verdade ele era analfabeto, mas isso pouco importa. Em suas homilias, ele pregava com tanta sabedoria que deixava seus ouvintes extasiados e entusiasmados: a boca fala é da abundancia do coração...

Em seu modo de ser, de portar-se e agir brilhavam em grau heroico a virtude da sabedoria, além da prudência, da justiça, da temperança e da fortaleza. Por isso, mesmo é que esse Santo não alfabetizado mão sentiu nenhum constrangimento ao conversar ou dar conselhos a Papas, reis e a grandes deste mundo.



Ficar na França foi discernimento da vontade de Deus

Sua fama chegou até na França. O Rei Luís XI estava atacado por doença que poderia levá-lo à morte. E não duvidou: pediu ao Santo que fosse até a França para curá-lo. Mas Francisco só se dirigiu à côrte francesa depois de uma ordem formal do Papa.

A ida dele foi providencial para a expansão de sua Ordem não só na França, mas também em outros países da Europa, como Alemanha e Espanha.

Estando com o Rei, ele discerniu que a vontade de Deus não era que ele se curasse, mas, em seus desígnios queria levá-lo desta vida. Sem temor, ele disse isso a Luís XI e, com isso, preparou-o para a morte. Foi nessas circunstancias que o monarca confiou a Francisco a formação de seus filhos, sobretudo ao príncipe herdeiro que tinha, então, apenas 14 anos.

Francisco foi também o conselheiro da Princesa Joana. Depois que de repudiada por seu marido, o futuro Luís XII, tornou-se religiosa e, morrendo santamente, foi canonizada recebendo a maior das honras, a dos altares. Foi por conselho de Francisco que o Rei Carlos VIII casou-se com Ana de Bretanha, herdeira única daquele ducado, que veio assim unir-se ao Reino da França.


Imitou Jesus até a morte

Francisco dormia sobre umas pranchas. Isso quando dormia, pois, geralmente passava grande parte das noites rezando. Parecia viver continuamente em espírito de quaresma. Muitas vezes, comia apenas a cada oito dias. Para melhor imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo, uma vez, passou toda uma quaresma sem alimentar-se.

Seu hábito era de um tecido grosseiro, bem rude. Embora, como penitencia, o usasse dia e noite, era limpo e dele subia um odor agradável a todos os olfatos.

Seu rosto, sempre tranquilo e ameno, parecia não se ressentir das austeridades que praticava e nem dos efeitos da idade.

A alguém com uma vida assim levada por amor de Deus, não haveria demônio que o resistisse. Foram inúmeros os casos de possessos que ele livrou do jugo diabólico.

São Francisco de Paula tinha como devoções particulares o culto ao mistério da Santíssima Trindade e da Anunciação da Virgem, uma veneração aos nomes santíssimos de Jesus e Maria e uma verdadeira adoração à pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto padecendo a Paixão.

Seria indício de uma identificação a mais com Nosso Senhor, quem, tendo essas devoções viesse a morrer no dia em que nossa Redenção se consumou.

E foi o que aconteceu: na Sexta-feira Santa do ano de 1507, aos 91 anos de idade ele faleceu.

O santo mais dois frades atravessam o mar sobre a capa de seu hábito.
Um grande milagre testemunhado por muitos. 


Mas, ele "morreu" ainda uma segunda vez...

Durante as Guerras de Religião na Europa, os protestantes calvinistas, em 1562, invadiram o convento de Plessis, França. Ali estava enterrado o Santo. Então, como ele havia predito, seu corpo, ainda incorrupto, foi tirado do sepulcro e foi queimado com a madeira pertencente a um grande crucifixo da igreja. Ele, praticamente, foi martirizado depois da morte.

A gloria de São Francisco de Paula permanece até nossos dias, apesar do ódio dos inimigos da fé. E permanecerá para sempre. (JS)

Fontes

* - Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d'après le P. Giry, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo IV, p. 143.

--Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1947, tomo II, pp. 333 e ss.


-Pe. José Leite S.J., Santos de Cada Dia, Editorial A. O., Braga, 1993, pp. 412-413.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

SANTOS MÁRTIRES DA CHINA (bispos, sacerdotes e religiosos missionários, sacerdotes, religiosos e leigos nativos).




Sempre se acreditou que a Igreja católica se fez presente na China a partir do ano 1294, quando os primeiros missionários enviados pela Santa Sé chegaram à capital do país pelo caminho da seda, que os comerciantes costumavam fazer e que já tinha sido descrito por Marco Polo em sua obra "O milhão".
É verdade que foram encontrados sinais da presença do cristianismo muito anteriores a essa data, mas pensava-se que os primeiros evangelizadores da China fossem os nestorianos, Igreja que não estava em comunhão com Roma e que parecia não explicar suficientemente a unidade da natureza humana e divina em Cristo.
Mas a data de 1294 deve ser modificada: podemos afirmar hoje, com toda certeza, que já por volta de 650 a aventura da Igreja católica na China tinha começado. É isso que podemos ler numa publicação da agência de notícias UCAN, que divulgou um estudo do Padre Gianni Criveller, PIME, do Centro de Pesquisas Espírito Santo, de Hong Kong.
Sabemos, por exemplo, que numa ampla região da Ásia central, que corresponderia hoje ao Iraque, Irã e Paquistão, a Igreja católica estava bem enraizada e estruturada já nos primeiros séculos do primeiro milênio. Foi essa Igreja, que chamaríamos de Igreja do Leste, que teve um papel determinante na evangelização de muitos países do centro da Ásia, como Índia, Sri Lanka, Tibete e Afeganistão, num período que vai do Séc. IV ao Séc. VIII. Mais tarde, iniciou também a evangelização da China. Pelos achados arqueológicos, podemos afirmar que houve, já naquela época, um grande esforço de inculturar a mensagem do Evangelho na cultura budista reinante nesse país.
Foram descobertos, perto de Xi´an, na província do Shaanxi, os restos de um templo que antes fora cristão e que remonta ao ano 650. Portanto, já nessa época tinha iniciado a evangelização da China. Sempre perto da cidade de Xi'an, foi descoberta uma coluna com inscrições gravadas em 781 por um grupo de monges persas que mostra um considerável esforço de inculturação da mensagem evangélica, que ali aparece comentada e explicada com termos próprios da cultura taoísta e budista, bem diferentes da cultura persa daqueles primeiros missionários.
Há mais um sinal claro da presença da Igreja na China nessa época: a divindade mais venerada na China é Guan Yin, a deusa da misericórdia. Ela é a única entidade feminina a ser cultuada no budismo e suas estátuas começaram a aparecer nessa época, em que já podiam ser encontradas imagens de Nossa Senhora. Poderia ser um exemplo de contaminação religiosa.
A Igreja expandiu-se durante um bom período apoiada pelos imperadores da época, até que, em 841, começou a perseguição contra as várias religiões, só deixando espaço livre ao confucionismo e ao taoísmo. Sobreviveram somente algumas comunidades ao longo do caminho da seda, talvez pelos contatos que podiam ter com os comerciantes vindos do Ocidente.
Com a chegada dos primeiros missionários enviados por Roma em 1294, o catolicismo na China refloresceu durante quase um século para depois ser perseguido novamente com o advento da dinastia Ming. Recomeçou em 1600, quando, de novo, os missionários jesuítas chegaram e foram aceitos na corte do imperador. E foi sempre assim nos séculos seguintes: períodos de calma e de crescimento e períodos de perseguição e de martírio. Isso continua até hoje. A semente do Evangelho nunca morreu definitivamente ainda que, depois de mais de mil anos, ainda não tenha conseguido encontrar o terreno para poder brotar e produzir frutos como em outros países.
A perseguição à Igreja de Cristo na China sempre foi muito constante e gerou milhares e milhares de mártires. Muitos foram beatificados e canonizados pela Igreja, o que não agradou muito ao governo comunista de Pequim. Segue-se uma lista de santos e santas gerados nas terras chinesas.

Quatro santos que foram mortos em 28 de outubro de 1748:
1. São Francisco Serrano, padre dominicano,
2. São Joaquim Royo, padre dominicano,
3. São João Alcober, padre dominicano,
4. São Francisco  Diaz, padre dominicano.

Quando o catolicismo foi autorizado por alguns imperadores nos séculos anteriores, o imperador Kia Kin (1796-1821), publicou um decreto contra a igreja. Esses editos foram publicados em 1805 e 1811; um decreto de 1813 proibia a fé católica e convidava a negar a fé através da apostasia: negar a Cristo. Neste período o martírio foi uma constante. Entre os mártires estão:
5. São Pedro Wu, um leigo catequista, nascido de família pagã e recebeu o batismo, foi morto em 7 de novembro de 1814.
6. São José Zhang Dapeng, um leigo catequista e comerciante, foi batizado em 1800, morto em 12 de março de 1815.

Também neste mesmo ano, três novos decretos foram aprovados e foram martirizados um bispo e sacerdotes da Missão Estrangeira de Paris e alguns leigos chineses. Os seguintes mártires pertencem a este período:
7. São Gabriel-Taurin Dufresse, M.E.P., bispo. Foi preso no dia 8 de maio de 1815 e condenado à execução em 14 de setembro de 1815.
8. Santo Agostinho Zhao Rong, um padre diocesano chinês. Foi preso e torturado até à morte em 1815.
9. São João da Triora, O.F.M., padre, colocado na prisão junto com outros no verão de 1815, foi condenado à morte em 7 de fevereiro de 1816.
10. São José Yuan, um padre diocesano chinês, que tendo ouvido ao bispo Dufresse sobre a fé cristã recebeu o batismo e foi ordenado padre, foi preso em agosto de 1816 e morto em 24 de junho de 1817.
11. São Paulo Liu Hanzuo, um padre diocesano chinês, morto em 1819.
12. São Francisco Regis Clet, da Congregação da Missão (Vicentinos) foi morto de 17 de fevereiro de 1820.

13. São Tadeu Liu, um padre diocesano chinês, que recusou negar a fé e foi condenado à morte em 30 de novembro de 1823.
14. São Pedro Liu, um leigo catequista chinês, foi preso em 1814 e condenado ao exílio onde permaneceu durante 20 anos e foi morto em 17 de maio de 1834.
15. São Joaquim Ho, um leigo catequista chinês, foi batizado na idade de 20 anos e mandado ao exílio em Tartary, onde permaneceu durante quase 20 anos e depois solto foi preso por negar a apostatar, foi preso novamente e mortoem 9 de julho de 1839.
16. Santo Agostinho Chapdelaine, M.E.P., um padre francês da Diocese de Coutances, embarcou para a China em 1852 e chegou em Guangxi no final de 1854, preso em 1856, foi torturado e condenado à morte em fevereiro de 1856
17. São João Gabriel Perboyre, Lazarista (Vicentino). Foi denunciado e preso na perseguição de 1839. Permaneceu um ano no cativeiro, sofrendo torturas cruéis, até ser amarrado a uma cruz e estrangulado no dia 11 de setembro de 1840.
18. São Lourenço Bai Xiaoman, um leigo chinês, foi decapitado em 25 de fevereiro de 1856.
19. Santa Inês Cao Guiying, viúva, nascida de família cristã, foi presa e condenada à morte na prisão, foi executada em 1 de março de 1856.

Mártires de MaoKou e Guizhou
Três catequistas, conhecidos como os mártires de MaoKou foram mortos no dia 28 de fevereiro de 1858, por ordem do mandarim de MaoKou. Foram, chamados a apostatarem a fé cristã, como recusaram, foram decapitados. São eles:
20. São Jerônimo Lu Tingmei,
21. São Lourenço Wang Bing,
22. Santa Agatha Lin Zao,

Em Guizhou, dois seminaristas e dois leigos, um era fazendeiro e outra viúva, que trabalhava como cozinheira no seminários, sofreram o martírio juntos no dia 29 de julho de 1861. São eles:
23. São José Zhang Wenlan, seminarista,
24. São Paulo Chen Changpin, seminarista,
25. São João Batista Luo Tingying, leigo,
26. Santa Marta Wang Luo Mande, leiga,

 No ano seguinte, nos dias 18 e 19 de fevereiro de 1862, outras cinco pessoas perderam suas vida por amor a Cristo, também em Guizhou; são eles:
27. São João Pedro Neel, padre das Missões Estrangeiras de Paris,
28. São Martinho Wu Xuesheng, leigo catequista,
29. São João Zhang Tianshen, leigo catequista,
30. São João Chen Xianheng, leigo catequista,
31. Santa Lucia Yi Zhenmei, leiga catequista,

Com a revolução Boxer no século XX, e com as políticas de desenvolvimento chinês, novamente a Igreja foi durante perseguida e milhares perderam a vida por Cristo dando testemunho de sua fé. Como resultado, o martírio foi uma realidade em muitos lugares e pessoas e grupos de pessoas foram executadas por ódio à fé.

A) Mártires de Shanxi, mortos em 9 de julho de 1900, foram os Frades Franciscanos Menores:
32. São Gregório Grassi, bispo,
33. São Francisco Fogolla, bispo,
34. Santo Elias Facchini, padre,
35. São Teodorico Balat, padre,
36. Santo André Bauer, irmão religioso.

b) Mártires de Hunan, também franciscanos menores:
37. Santo Antônio Fantosati, bispo (martirizado em 7 de julho de 1900),
38. São José Maria Gambaro, padre (martirizado em 7 de julho de 1900),
39. São Cesidio Giacomantonio, padre (martirizado em 04 de julho de 1900),

São sete as mártires das Franciscanas Missionárias de Maria, sendo três francesas, duas italianas, uma belga e uma holandesa; são elas:
40. Santa Maria Hermina de Jesus,
41. Santa Maria da Paz,
42. Santa Maria Clara,
43. Santa Maria do Santo Nascimento,
44. Santa Maria de São Justo,
45. Santa Maria Adolfine,
46. Santa Maria Amandina.

Mártires franciscanos na China. 


Dos mártires pertencendo à família franciscana, estes onze foram seculares e todos chineses, são eles:
47. São João Zhang Huan, seminarista,
48. São Patricio Dong Bodi, seminarista,
49. São João Wang Rui, seminarista,
50. São Filipe Zhang Zhihe, seminarista,
51. São João Zhang Jingguang, seminarista,
52. São Tomás Shen Jihe, leigo,
53. São Simão Qin Cunfu, leigo catequista,
54. São Pedro Wu Anbang, leigo,
55. São Francisco Zhang Rong, leigo,
56. São Mateus Feng De, leigo e neófito,
57. São Pedro Zhang Banniu, leigo.


 A esses foram unidos uma multidão de leigos fiéis chineses, e entre esses estão:
58. São Tiago Yan Guodong,
59. São Tiago Zhao Quanxin,
60. São Pedro Wang Erman.

Também foram mortos em ódio à fé, quatro  padres missionários franceses jesuítas e pelo menos 52 leigos chineses: homens, mulheres e crinaças, o mais velho tinha 79 anos de idade e o mais novo apenas 9 anos de idade. Foram mortos em uma igreja na vila de Tchou-kia-ho no mês de julho de 1900. São eles:
61. São Leo Mangin, S.J., padre, 59 anos,
62. São Paulo Denn, S.J., padre, 60 anos,
63. São Rémy Isoré, S.J., padre, 61 anos,
64. São Modesto Andlauer, S.J., padre.

Os nomes e as idades dos leigos chineses são como seguem:
65. Santa Maria Zhu Wu, 50 anos,
66. São Pedro Zhu Rixin, 19 anos,
67. São João Batista Zhu Wurui, 17 anos,
68. Santa Maria Fu Guilin, 37 anos,
69. Santa Bárbara Cui, 51 anos,
70. São José Ma Taishun, 60 anos,
71. Santa Lucia Wang Cheng, 18 anos,
72. Santa Maria Fan Kun, 16 anos,
73. Santa Maria Chi Yu, 15 anos,
74. Santa Maria Zheng Xu, 11 anos,
75. Santa Maria Du  Zhao, 51 anos,
76  Santa Magdalena Du Fengju, 19 anos,
77. Santa Maria du Tian, 42 anos,
78. São Paulo Wu Anjyu, 62 anos,
79. São João Batista Wu Mantang, 17 anos,
80. São Paulo Wu Wanshu, 16 anos,
81. São Raimundo Li Quanzhen, 59 anos,
82. São Pedro Li Quanhui, 63 anos,
83. São Pedro Zhao Mingzhen, 61 anos,
84. São João Batista Zhao Mingxi, 56 anos,
85. Santa Teresa Chen Jinjie, 25 anos,
86. Santa Rosa Chen Aijie, 22 anos,
87. São Pedro Wang Zuolung, 58 anos,
88. Santa Maria Guo Li, 65 anos,
89. Santa Joana Wu Wenyin, 50 anos,
90. Santo Zhang Huailu, 57 anos,
91. São Marcos Ji Tianxiang, 66 anos,
92. Santa Ana An Xin, 72 anos,
93. Santa Maria An Guo, 64 anos,
94. Santa Ana An Jiao, 26 anos,
95. Santa Maria An Linghua, 29 anos,
96. São Paulo Liu Jinde, 79 anos,
97. São José Wang Kuiju, 37 anos,
98. São João Wang Kuixin, 25 anos,
99. Santa Teresa Zhang He, 36 anos,
100. São Lang Yang, 29 anos,
101. São Paulo Lang Fu, 9 anos,
102. Santa Elizabeth Qin Bian, 54 anos,
103. São Simão Qin Chunfu, 14 anos,
104. São Pedro Liu Zeyu, 57 anos,
105. Santa Ana Wang, 14 anos,
106. São José Wang Yumei, 68 anos,
107. Santa Lucia Wang Wang, 31 anos,
108. Santo André Wang Tianqing, 9 anos,
109. Santa Maria Wang Li, 49 anos,
110. Santo Chi Zhuze, 18 anos,
111. Santa Maria Zhao Guo, 60 anos,
112. Santa Rosa Zhao, 22 anos,
113. Santa Maria Zhao, 17 anos,
114. São José Yuan Gengyin, 47 anos,
115. São Paulo Ge Tingzhu, 61 anos,
116. Santa Rosa Fan Hui, 45 anos.

Além desses já mencionados que foram martirizados pelos Boxers, ainda é necessário fazer memória dos seguintes mártires da fé cristã:
117. Santo Alberico Crescitelli, um padre do Instituto Pontifício das Missões Estrangeiras de Milão, que exerceu seu ministério na região sudeste de Shanxi e foi martirizado em 21 de julho de 1900.

        Alguns anos mais tarde, membros da Sociedade Salesiana de São João Bosco foram acrescentados ao considerável número dos mártires recordados acima, são eles:
118. São Luis Versiglia, bispo,
119. São Calisto Caravario, padre.
Eles foram martirizados juntos no dia 25 de fevereiro de 1930 em Li-Thau-Tseul.

Observação: ao todo, encontrei os nomes (e os dados de alguns) de 119 mártires, porém a figura acima enumera 120 mártires chineses. Os leitores do blog me perdoem, mas não encontrei o nome do mártir que falta...