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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

segunda-feira, 7 de março de 2016

Venerável Clara Isabel Fornari, Monja Clarissa, Mística e Estigmatizada.



     Nascida em Roma, a 25 de junho de 1697, Ana Felícia Fornari entrou aos quinze anos para o noviciado das Clarissas, em Todi. Sua vida religiosa era orientada por seu confessor, o jesuíta Crivelli. Tomando o nome de Clara Isabel, fez a profissão no ano seguinte e, desde então, a sua vida foi uma série dos fenômenos mais extraordinários, consignados no processo de beatificação e confirmados sob juramento pelas suas companheiras, pelo confessor e pelo médico.
 Tinha frequentes e prolongados êxtases; recebia numerosas visitas de Nosso Senhor, da Santíssima Virgem, de Santa Clara e de Santa Catarina de Sena. No decorrer duma delas, Jesus meteu-lhe no dedo o anel que simbolizava o seu consórcio espiritual. Comprazia-se em chamar-lhe «a sua esposa de dor».
     Clara Isabel participou, com efeito, dos sofrimentos do Divino Crucificado: tinha as mãos, os pés e o lado marcado com estigmas visíveis, donde por vezes corria sangue. Na cabeça tinha uma coroa cujos espinhos cresciam para o interior, saindo pela fronte, desprendendo-se e caindo ensanguentados. As torturas e perseguições demoníacas que sofreu recordam as que, cem anos depois, veio a padecer o Santo Pároco de Ars. Desde o noviciado, o demônio tentava-a com o desespero e o suicídio; depois, maltratava-a, atirando-a pelas escadas abaixo, e tentava tirar-lhe a fé.
     Nos últimos meses de vida parecia abandonada de Deus, tendo perdido até a lembrança das consolações passadas. Só recuperou a antiga alegria pouco tempo antes de morrer, no ano de 1744. Um processo de beatificação da Madre Clara Isabel está em andamento. 


    A devoção a Nossa Senhora da Confiança (Madonna della Fiducia)
     A invocação de Nossa Senhora da Confiança foi introduzida na Igreja no século XVIII pela Venerável Clara Isabel Fornari, que nutria uma devoção muito especial a Santa Mãe de Deus e portava sempre consigo um quadro com a pintura dEla com o Menino Jesus nos braços. Logo várias copias começaram a circular pela Itália; a essa pintura se atribuíam muitas graças e curas, e em 1917 o Papa Bento XV coroou Nossa Senhora da Confiança confirmando canonicamente seu título e o dia de sua festa: 24 de fevereiro.
     O quadro fora pintado pelo grande artista italiano Carlo Maratta (1625-1713). Em 1704 ele tornou-se pintor da corte de Luís XIV. Diz-se que o renomado artista deu o quadro para uma jovem nobre que se tornou abadessa do Convento das Clarissas de São Francisco na cidade de Todi. Era a hoje Venerável Madre Clara Isabel Fornari.
     Segundo palavras da própria Venerável, Nossa Senhora fez promessas especiais a ela com respeito a este quadro: "Minha Senhora Celeste, com o amor de uma verdadeira Mãe, assegurou-me que todas as almas que com confiança se apresentarem diante desta imagem obterão verdadeiro conhecimento, dor e arrependimento de seus pecados, e a Santíssima Virgem lhes concederá uma particular devoção e ternura por Ela”. (Esta promessa se aplica não apenas ao quadro original, mas também a todas as cópias dele.)
     Uma das cópias foi levada para o Seminário Maior de Roma, do qual Ela se tornou padroeira. Todos os anos, no dia 24 de fevereiro, o próprio Pontífice vai venerá-la.
     Entre os fatos prodigiosos que comprovam a proteção dEla ao Seminário contam-se as duas vezes (1837 e 1867) em que uma epidemia de cólera atingiu a Cidade Eterna, mas o Seminário Romano foi milagrosamente poupado pela poderosa intercessão de sua Padroeira.
     Na 1a. Guerra Mundial, cerca de cem seminaristas foram enviados à frente de batalha e se colocaram sob a especial proteção de Nossa Senhora da Confiança . Todos retornaram vivos, graça que atribuíram à proteção da Santíssima Virgem. Em agradecimento, entronizaram o venerável quadro numa nova capela de mármore e prata.





         A devoção a Nossa Senhora Menina
     O fundador da Congregação dos Monges Olivetanos é o iniciador da devoção a Nossa Senhora Menina. A ela o então Beato Bernardo, em 1623, consagrou a igreja edificada e dirigida pelos monges no Monte Oliveto. A primeira imagem só foi confeccionada em 1755 e constava de “uma menina deitada num berço, enfaixada com graça e riqueza”. O abade olivetano Dom Isidoro Gazzali foi quem a encomendou à Venerável Madre Clara Isabel Fornari, religiosa Clarissa e especialista em escultura. Desde então, é essa a imagem venerada nos mosteiros olivetanos. Assim honravam a festa da Natividade de Nossa Senhora, celebrada no dia 8 de setembro.

     A cidade italiana de Milão é outro centro de irradiação dessa piedosa forma de venerar a Mãe de Deus. Na igreja de Santa Maria dos Anjos havia a imagem também esculpida pela Venerável Clara Isabel Fornari, modelada em cera, chamada “Maria Santíssima Bambina”. O seu semblante iluminado pelas graças da infância retinha a simplicidade, a pureza, a alegria da sua alma. Posteriormente, foram aparecendo outras pinturas e imagens, como a da igreja São Nicolau, na cidade do Porto em Portugal, no século XVIII. Também pode se encontrar uma pintura de Sant’ Ana, tendo a Menina Maria de pé ao seu lado, enquanto recebe instruções.


(fonte do texto: blog "heroínas da cristandade"). 

sábado, 5 de março de 2016

SANTA VALBURGA, Virgem e Abadessa beneditina.



Resumo biográfico

Repleta de fé e de amor a Deus, Santa Valburga nos aponta o caminho da santidade e do suave perfume de uma vida dedicada a Deus. “Confirmada no santo amor de Deus, tendo vencido o mundo e todos os seus atrativos, repleta de fé, saturada de caridade com os adornos da sabedoria e a joia da castidade, notável pela benevolência e humildade, foi receber o galardão que devia coroar tantas virtudes”. Assim um monge relata para nós a vida de Santa Valburga.



Nascida em Devonshire na Inglaterra por volta de 710, Valburga era filha de Ricardo, rei dos Saxões do Oeste e Viana, que morreu logo cedo e irmã de Vilibaldo e Vunibaldo que também foram elevados à honra dos altares. Valburga e sua família, apesar de muito nobres eram cristãos muito piedosos. Muitos abriram mão desta nobreza e de toda a realeza a que tinham direito para viver uma vida de santidade.
Por volta do ano 721, Ricardo que havia entregado o trono ao seu sobrinho, juntamente com seus filhos realizaram uma peregrinação para a Terra Santa. Naquela época eram perigosas as peregrinações por conta da violência dos saxões, mas nada os impediu de seguirem viagem. Valburga foi confiada à priora da Abadia de Wimbourne na cidade de Dorsetshire. Seu pai veio a falecer dois anos depois na cidade de Luca na Itália e foi sepultado pelos dois filhos que posteriormente se tornaram sacerdotes.

Valburga se tornou monja e em 748 foi enviada à Alemanha para fundar novos mosteiros e escolas. Acolhida pelo Bispo Bonifácio, empreendeu grandes projetos de evangelização e diversos milagres consolidaram sua santidade vindo a tornar-se abadessa.
Morreu no dia 25 de fevereiro de 779. Seu corpo foi sepultado no mosteiro de Heidenheim e posteriormente transladado para a Igreja de Eichestat. Foi canonizado no ano de 893 e seu corpo encontrava-se incorruptível. Do seu túmulo brotava um óleo de suave perfume que ficou conhecido como “Óleo de Santa Valburga” por ser milagroso.
Que o “suave perfume” da santidade e de uma vida dedicada a Deus possa exalar de nossos corações e com a intercessão de Santa Valburga possamos perfumar o mundo com a graça de Deus.


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      Biografia 
   Santa Valburga foi uma das mais populares santas da Idade Média. Ela nasceu na Inglaterra. Seu pai, Ricardo, possuía um castelo em Dorsetshire; sua mãe, Viana, era piedosa e mãe extremosa. Ambos são venerados como santos pela Igreja. O casal teve três filhos: Vilibaldo, Vinibaldo e Valburga.
   Vilibaldo foi educado na Abadia de Waltham, perto de Winchester. Vinibaldo, de temperamento menos ativo e mais contemplativo, foi educado em casa. Quando tinha seis anos de idade, nasceu-lhe uma irmã que foi batizada com o nome de Valburga, equivalente no grego a Eucheria, que significa “graciosa”. Muito cedo perderam a mãe e uma amizade muito profunda ligou os dois irmãos.
     Em 721, Vilibaldo, então com cerca de vinte anos, manifestou o desejo de visitar a Terra Santa. Deixou a abadia com a licença de seu superior e voltou para Dorsetshire para persuadir o irmão a acompanhá-lo na viagem. Ricardo estava enfermo e Vinibaldo não queria deixá-lo só. Sequer mencionou ao pai os planos do irmão mais velho. Mas, este revelou seu plano e tão eloquente foi, que o pai resolveu acompanhar os filhos na peregrinação.
     Valburga tinha então 11 anos apenas. Ela sabia, contudo, que as peregrinações, muitos frequentes entre os saxões, exigiam muito dos viajantes que enfrentavam dificuldades e perigos; muitos meses se haviam de passar antes que fosse possível receber noticias dos peregrinos; o seu pai era velho, talvez não resistisse aos rigores da penosa e longa peregrinação... Todavia, nada fez para dissuadir seu pai de tão santa decisão.
     A Rainha Cuthberga fundara recentemente em Dorsetshire a Abadia de Wimbourne. Esposa do Rei Alfredo, a rainha sentira um chamado para uma dedicação total a Deus e obtivera licença do esposo para se tornar monja. O magnífico mosteiro duplo de Wimbourne tornou-se logo célebre pela santidade de seus habitantes e austeridade da sua disciplina.
     Ricardo resolveu levar a pequena Valburga para esta grande abadia, para que dela cuidassem as monjas enquanto ele se ausentava. Ao se despedir de seu pai, Valburga não imaginava que não o tornaria a ver: o santo homem faleceu na Itália, sendo sepultado pelos dois filhos em Lucca.
     Enquanto seus irmãos abraçavam a vida monástica em Roma, Valburga adotou também o estado religioso, passando vinte e seis anos em Wimbourne.

     Destes vinte e seis anos pouco se sabe, mas, tendo em vista que o nível intelectual das monjas daquele mosteiro era muito elevado, pois escreviam com fluência o latim e o grego, e com facilidade citavam os clássicos, sendo notáveis suas iluminuras e transcrições de Missas, Sagradas Escrituras, etc., além de bordados em fio de ouro e prata, presume-se que Valburga recebeu sólida instrução e aperfeiçoou-se em todos estes trabalhos.
     Aconteceu então que São Bonifácio, tio de Valburga, o grande apóstolo da Alemanha, foi a Roma pedir ajuda para o seu trabalho missionário naquela região. O Papa instou Vilibaldo e Vinibaldo a acompanharem o dedicado tio.
     Mais tarde, por meio de uma carta dirigida a Lioba, sua prima, e a Valburga, sua sobrinha, São Bonifácio convidou-as a fundar um mosteiro em sua diocese, para mostrar às mulheres daquela região o exemplo das virgens cristãs. Após breves preparativos Santa Lioba e Santa Valburga, com algumas companheiras, deixaram sua terra natal para devotar suas vidas à conversão da Alemanha.
     Durante a viagem da Inglaterra para a Alemanha as monjas enfrentaram uma tempestade que obrigou os marinheiros a se desfazerem da carga. Valburga implorou a Deus e, sobrevindo repentina calma, os viajantes desembarcaram sãos e salvos em Antuérpia. Na mais antiga igreja desta cidade há uma gruta onde Santa Valburga costumava rezar enquanto esperava para reiniciarem a viagem. Ela é muito venerada naquela cidade desde sua permanência ali.
     Vilibaldo fundou o Mosteiro de “Eihstat”, que se tornaria mais tarde a Diocese de Eichstätt. Valburga tornou-se abadessa de um mosteiro beneditino feminino em Heidenheim - morada dos pagãos, em alemão - local onde já se instalara seu irmão Vinibaldo com seus monges. Em breve o significado desse nome perderia o sentido, pois os dois mosteiros converteram gradualmente a aridez espiritual e material da região, e os campos deram abundantes colheitas.
     À morte de seu irmão, Valburga assumiu a direção do mosteiro masculino que ele dirigira. Ela era muito respeitada e amada ainda em vida. Sua vida de profunda oração, sua caridade e coragem, bem como os milagres que ela realizava, tornaram-na venerada pelo povo que vivia à sombra dos mosteiros dirigidos por ela.
     Nos últimos anos, conforme relata o monge Wolfhard que escreveu sua vida mais ou menos cem anos depois de sua morte, ela "confirmada no santo amor de Deus, tendo vencido o mundo e todos os seus atrativos, repleta de fé, saturada de caridade com os adornos da sabedoria e a joia da castidade, notável pela benevolência e humildade, foi receber o galardão que devia coroar tantas virtudes".


     Santa Valburga foi assistida por seu irmão São Vilibaldo em seus últimos momentos, tendo ele lhe administrado os Sacramentos. Ela faleceu em 25 de fevereiro de 779 e foi sepultada ao lado do irmão Vinibaldo. Cem anos depois, o Bispo Otkar de Eichstätt, resolveu restaurar a igreja e o mosteiro de Heidenheim, e exumou o corpo de Santa Valburga que foi encontrado incorrupto e coberto por um fluido precioso, qual puríssimo óleo. O corpo foi transladado para a Catedral de Eichstätt, e milagrosas curas se operaram durante o trajeto da preciosa relíquia.
     Há mais de mil anos esta misteriosa umidade oleosa, que é coletada das relíquias de Santa Valburga pelas monjas, vem operando milagrosas curas. Os documentos mais antigos que relatam os milagres atribuídos ao óleo foram escritos entre 893 e 900.
     Este óleo tornou-se conhecido como "óleo de Santa Valburga" e vem sendo um sinal de sua contínua intercessão. O óleo é colocado pelas religiosas em pequenas ampolas de vidro que são dadas aos peregrinos. Curas atribuídas à intercessão de Santa Valburga acontecem até os nossos dias.

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    No século XVI, a terra natal de Santa Valburga, Inglaterra, separou-se da Igreja Católica após séculos de fidelidade a Roma. Naquele século, muitos católicos foram martirizados por não aceitarem a nova igreja fundada pelo rei Henrique VIII, que se autoproclamou chefe da Igreja Anglicana. Depois dele, os reis da Inglaterra sempre exerceram aquele cargo até os dias de hoje.

     Neste início do século XXI, entretanto, uma onda de conversões de anglicanos percorreu todo o Reino Unido (Inglaterra e suas ex-colônias).

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Beata Vilburga (ou Wliburgis), Virgem Reclusa de São Floriano.



Por causa de sua vida de oração e de penitência, a Beata Vilburga atraiu
o ódio e a perseguição do inferno, que tudo fez, com visões pavorosas,
 para demover-lhe a fé e tirar sua persevera na oração.

     A figura desta Beata, uma vida de reclusa em extrema penitência, é difícil de ser compreendida pela mentalidade moderna voltada para uma liberdade e um prazer desenfreados. Vilburga (também conhecida como Wilburgis, Wilberg), que nasceu no território da Áustria atual, viveu durante quarenta anos em uma cela.


     Vilburga nasceu nas proximidades da Abadia de São Floriano. O pai, Henrique, morreu durante uma peregrinação a Jerusalém; ela foi educada sob os cuidados da mãe e da governanta. Aos 16 anos, com a amiga Matilde, fez uma peregrinação, longa e corajosa para aqueles tempos, sobretudo por uma jovem sozinha, a São Tiago de Compostela, na Espanha, uma das grandes metas de peregrinação na Idade Média.
     De volta a sua terra natal, a amiga Matilde desejava fazer com ela uma outra peregrinação, desta vez a Roma. Mas Vilburga já fizera uma escolha mais definitiva e completa de sua vida. Renunciando ao mundo, no dia da Ascenção de 1248, se fechou solenemente em uma cela junto à igreja dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho de São Floriano. A Abadia de São Floriano era já renomada e ainda hoje sua fama persiste.
     Os eremitas daquele século escolhiam esta forma de isolamento, isolavam-se em pequenas construções erigidas no exterior dos conventos, mas bastante próximas para que eles usufruíssem da direção espiritual dos monges. Às vezes até monges do mesmo convento escolhiam esta forma de penitência para um período de maior mortificação e dedicação à ascese.
     Através de uma janela que defrontava na igreja conventual, Vilburga participava da liturgia dos monges. Sua amiga Matilde também tomou uma cela vizinha, num regime de semi-liberdade, podendo providenciar mantimentos e fornecendo-os também a Vilburga.
     Esta vida de reclusa durou 40 anos, até sua morte. Ela só deixou sua cela uma vez, e por pouco tempo, quando em 1275, para fugir dos soldados de Rodolfo de Asburgo (1218-1291), imperador do Sacro Império Romano desde 1273, acompanhou os monges agostinianos na fuga para dentro dos muros da cidade de Enns, que tem o mesmo nome do rio que a atravessa, afluente do Danúbio. 
     Pelos méritos de sua união com Deus, teve dons sobrenaturais, como a visão dos acontecimentos contemporâneos. Era tal sua fama de espiritualidade e vida interior, que leigos e religiosos, pecadores e pessoas piedosas, gente de todas as classes sociais, postavam-se diante da janela de sua cela para pedir conselhos e orações àquela mulher que era um exemplo de penitência.
     A fama de Vilburga ultrapassou os limites da Áustria, tendo sido convidada pela Beata Inês de Praga († 1282 ca.), depois por Catarina, sobrinha do Beato Gregório X, que a convidou a fundar um convento na Itália, mas em ambos os casos a Beata não quis abandonar sua cela, o silêncio e o recolhimento.
     Manteve uma correspondência epistolar com o célebre monge cisterciense Gustolfo de Viena.
     Com 56 anos morreu em sua cela, no dia 11 de dezembro de 1289. Foi sepultada na igreja do vizinho convento de São Floriano, onde ainda repousa em um sarcófago da cripta.
     O seu culto continuou ininterruptamente nestes séculos; peregrinos da Áustria e da Alemanha continuam a fluir para venerá-la. Já em vida foi considerada uma santa e no aniversário de sua morte uma Missa solene é celebrada, embora não tenha sido oficialmente beatificada pela Igreja.

     Sua vida foi inspiração literária de alguns escritores alemães.

(Fonte:  blog Heroínas da Cristandade, com permissão)

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Beatos Francisco, Abdel-Mooti e Rafael Massabki, Leigos Maronitas e Mártires.



Os três irmãos Massabki, leigos maronitas,
trucidados por muçulmanos em Damasco. 
Beatos Francisco, Abdel-Mooti e Rafael Massabki, leigos católicos maronitas. Martirizados em Damasco, Síria, em 10 de julho de 1860 e beatificados pelo Papa Pio XI em 07 de outubro de 1926. Sua memória é celebrada em 10 de julho.

Os três irmãos: Francisco, Abdel-Mooti e Rafael Massabki, leigos católicos maronitas, foram vítimas de uma sangrenta perseguição desencadeada no século XIX pelos turcos contra a Igreja Patriarcal Maronita.
Eles morreram em Damasco, na Síria, em 10 de julho de 1860 e, em tal data, são comemorados pelo Martyrologium Romanum, tendo sido beatificados em 1926 pelo Sumo Pontífice Pio XI. A iconografia trata de representa-los juntos, ajoelhados diante do altar, outras vezes com a espada, objeto de seu martírio.
É necessário dizer que os três irmãos Massabki estão já citados juntos com os Beatos Mártires Franciscanos de Damasco, com os quais sofreram o martírio e foram beatificados em 10 de outubro de 1926 pelo Papa Pio XI.
Eles pereceram na trágica noite de 09-10 de julho de 1860, que reduziu o bairro cristão de Damasco, na Síria, em um monte de escombros fumegantes. Os oito missionários franciscanos (sete espanhóis e um austríaco) desenvolviam sua vida comunitária no convento de Damasco, estendendo o apostolado entre a população local.
Os oito frades franciscanos mortos
em Damasco pelos muçulmanos. 
Em determinado momento, os “drusos”, seita religiosa de origem muçulmana shiita, dando largas a seu fanatismo de intolerância religiosa, desencadearam nos anos 1845-1846 e, depois, especialmente em 1860, sua cólera contra os cristãos, atacando com fúria homicida a cidade, fazendo suas vítimas.
Os franciscanos Emanuel Ruiz, Carmelo Volta, Engelberto Kolland, Ascânio Nicanor, Pedro Soler, Nicolás Alberga, Francisco Pinzo e Juan Santiago Fernández refugiaram-se entre os sólidos muros do convento e, com eles também os três fiéis cristãos maronitas, seus colaboradores.



Por desgraça, talvez entre os serventes locais, havia um traidor que assinalou uma pequena porta secundária, que ninguém havia pensado em bloquear, permitindo aos fanáticos fundamentalistas islâmicos massacrar a todos com golpes de cimitarra.
Damos agora alguma notícia sobre os três irmãos de sangue de Damasco. Eles gozavam na comunidade maronita de grande estima, como observantes e zelosos cristãos. 
Francisco, o irmão mais velho, era um negociante de seda muito rico. Não obstante, observava os preceitos religiosos com exatidão, fazendo-os também observar pelos familiares. Um dia foi muito duro com uma filha que havia violado o jejum quaresmal. Iniciava sua jornada diária assistindo à celebração da Missa e a terminava com a função litúrgica vespertina e, em vista disso, antecipava o fim do dia de negócios.
Abdel-Mooti, por sua vez, havia se retirado dos trabalhos de comerciante, temendo não poder ter sempre a consciência tranquila, e dedicou-se ao ensino na escola dos Franciscanos.
Também, em cada manhã, assistia à Missa com a filha, fosse qual fosse o tempo, mesmo com neve. Prevendo seu fim, naquele dia despediu-se de seus alunos, exortando-os a não temer o martírio, considerando-o uma graça divina.
Rafael era celibatário e amava a solidão contemplativa, entre sua casa e a igreja vizinha. Transcorria muitas horas, todos os dias, em oração e em meditação. Ajudava a seu irmão Francisco nos negócios e era o sacristão da vizinha igreja dos franciscanos.
Quando já fazia uma hora após a meia noite, os drusos penetraram no convento, onde se haviam refugiados com os oito franciscanos. Eles foram chamados pelo nome e obrigados pelos fundamentalistas a abjurar a fé cristã e aderir à fé islâmica. Se assim fizessem, haveriam de salvar a vida. Porém, eles, singularmente, como os cristãos dos primeiros tempos, rechaçaram com palavras de fé genuína e convicta, sendo massacrados a golpes de cimitarra, sabres e maças de ferro. A Rafael lhe foi sacada a cabeça e seu corpo foi pisoteado. Quando, em 17 de dezembro de 1885 foi iniciado o processo para a beatificação dos mártires franciscanos de Damasco, os três irmãos Massabki, se bem que pereceram no mesmo dia, lugar, motivo e circunstâncias, foram esquecidos.
Porém, quando na primavera de 1926 a causa estando já concluída, fixando-se a data da solene beatificação para o dia 10 de outubro, o episcopado maronita, que, como é conhecido, está unido à Igreja de Roma, com o arcebispo de Damasco à frente, apresentou ao Papa Pio XI uma urgente instância, a fim de que os três irmãos Massabki, maronitas, mortos também eles no assassinato perpetrado pelos drusos muçulmanos, fossem agregados à glória dos padres franciscanos, como o foram na vida e no martírio.
O Papa Pio XI com um gesto que permanece único na história da Congregação dos Ritos, reconhecendo legítima a apresentação e a investigação, dispôs um processo sumário sobre a vida e sobre a morte de Francisco, Abdel-Mooti e de Rafael Massabki. Encarregou, para isto, o Mons. C. Salotti, promotor da Fé, e Frei Santarelli, Postulador dos Frades Menores, que viajaram à Síria e ao Líbano para as indagações, recolhendo os devidos e genuínos testemunhos, compreendido entre esses aquele do pároco maronita, Moussa Karam, seu contemporâneo que escapou milagrosamente da matança.
Em 07 de outubro, o Papa Pio XI, tendo em vista as provas recolhidas e concedendo a dispensa dos milagres prescritos, firmou o decreto para sua beatificação, que como já se havia dito, teve lugar em 10 de outubro sucessivo, junto com os oito frades franciscanos.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Venerável Serva de Deus Teresa de Santo Agostinho, Princesa e Carmelita Descalça.


     A princesa Louise Marie de France, filha do rei Luís XV e da rainha Maria Leszczynska, princesa da Polônia, nasceu no Palácio de Versalhes a 15 de julho de 1737. Foi educada na Abadia de Fontevrault.
     Ainda muito criança sofreu um acidente que quase a fez perder a vida. Impaciente por sua criada de quarto não vir logo atendê-la, subiu na grade de seu leito, daí caindo. Embora logo tratada, essa queda legou-lhe uma deformidade física, e levou-a às portas da morte. Nessa ocasião, as religiosas do mosteiro fizeram um voto à Virgem pela saúde da princesa e ela foi curada miraculosamente. Nunca mais esqueceu ao que devia sua vida, o que a marcou de um modo profundo.
     Desde a infância mostrou inclinação para a vida de piedade, nunca se cansando da extensão do Oficio Divino. Um dia chorou amargamente porque uma dama que a servia falou-lhe de um príncipe estrangeiro que seria seu esposo. Entretanto, era orgulhosa de sua posição. Certa ocasião, julgando-se ofendida por uma de suas damas, disse-lhe com azedume: "Não sou eu a filha de vosso rei?" "E eu, Madame", respondeu a senhora, "não sou a filha de vosso Deus?" "Tendes razão", respondeu a princesa tocada pela resposta, "eu estava errada e peço perdão".

Retrato pintado da Venerável, quando ainda
vivia na corte do rei Luís XV, seu pai. 
     Extremamente generosa com os pobres, dava-lhes o dinheiro que recebia para seus gastos, nada reservando para si. A dama de honra encarregada de suas despesas acostumou-se a entregar aos pobres o que recebia para Louise Marie, sem mesmo consultá-la.
     Dotada de um caráter vivaz, gostava dos exercícios violentos. Um dia, caçando em Compiègne, seu cavalo assustou-se e lançou-a a razoável distância. Ela caiu quase sob as rodas de uma carruagem que vinha em disparada. Salva como por milagre, fizeram com que regressasse de carro. Rindo-se dos temores gerais, ordenou ao seu escudeiro que lhe trouxesse o cavalo, montou, dominou o animal nervoso e continuou o passeio. De volta ao castelo, foi agradecer a Virgem o que chamou a segunda salvação de sua vida.
     Madame Louise viveu até os 33 anos na Corte mais faustosa do mundo, nela haurindo tudo quanto havia de bom e dando ali exemplo de virtude, sem se deixar contaminar pelos aspectos mundanos e frívolos que, infelizmente, vinham se introduzindo em tais ambientes a partir do fim da Idade Média. Seu pai tinha concubinas e ela e a irmã, Clotilde (já beatificada), serviram de esteio para uma reação dentro da corte, que conduzia consigo os destinos da moralidade da corte, e consequentemente os destinos da moralidade do reino.
     Desejando ingressar no convento, ao assistir a tomada de hábito no Carmelo de uma condessa, quis ingressar nessa Ordem. Começou a preparar-se para isso estudando a regra de Santa Teresa, e abstendo-se lentamente do conforto que a cercava. Afastava-se do aquecimento do castelo durante períodos de frio horroroso. Ela não suportava o cheiro de velas e venceu essa repugnância após anos de esforços.

A filha do rei da França renunciou
a tudo para ser esposa de Cristo. Na
pintura, recebendo a visita de seu pai.
     Tendo falecido sua mãe, a piedosa rainha Maria Leszczynska, conseguiu o consentimento do rei e a 20 de fevereiro de 1770, entrou para as carmelitas de Saint-Denis, considerado o mais pobre da França e o de regime mais severo. A França admirou-se desse exemplo e o papa Clemente XIV escreveu à princesa, para lhe exprimir a felicidade que sentia em ver seu pontificado assinalado por um acontecimento tão consolador para a religião.
     No convento, lutou arduamente para que suas companheiras deixassem de distingui-la das outras. Trabalhou também para vencer sua dificuldade em ficar longo tempo de joelhos, tendo conseguido essa graça após uma novena feita a São Luís Gonzaga. Recebeu o hábito a 10 de setembro de 1770, revestida do manto de Santa Teresa que as carmelitas de Paris possuíam e tomou o nome de Irmã Teresa de Santo Agostinho.
     Nomeada mais tarde mestra de noviças, destacou-se sobremodo nesse trabalho tão difícil, manifestando constante alegria em meio às dificuldades com que se deparava. Foi eleita depois, unanimemente, superiora. Quando o visitador geral das carmelitas levou a notícia ao rei, avisou-lhe que somente um voto fora contra a Irmã Teresa. "Então", respondeu Luís XV, "entretanto, houve um voto contra ela?" "Sim, Senhor", respondeu o prelado, "mas foi o voto dela mesma".
     Como superiora, foi cheia de caridade para com suas irmãs e extremamente severa consigo própria, procurando seguir com o máximo de fidelidade o espírito de sua regra. Preocupava-se, também, em conseguir junto a seu pai e, mais tarde, junto a Luís XVI, todos os benefícios que pudesse para a religião. Foi a ela que as carmelitas dos Países Baixos austríacos deveram ser acolhidas em França, quando expulsas de sua terra por José II.
     Irmã Teresa também contribuiu para a fundação de um mosteiro de estrita observância para os carmelitas descalços, cuja regra relaxara durante algum tempo. Severamente interdita de usar de sua influência para tudo aquilo que se referisse a assuntos mundanos, usou-a, entretanto, o quanto pode, para a salvação das almas.
     Afastada dos problemas do Estado, interessava-se profundamente por suas necessidades e na oração procurava solvê-los. Suas orações e penitências pela conversão do pai foram atendidas: em 1774, o rei Luís XV morreu reconciliado com Deus e com a Igreja, depois de 30 anos afastado dos Sacramentos. Rezava pela conservação da fé no reino, a restauração dos costumes, a salvação dos povos, a paz e a tranquilidade pública. Deixou duas obras espirituais, publicadas postumamente: Meditações Eucarísticas e Coletânea dos testamentos espirituais a suas filhas religiosas carmelitas.
     Devotadíssima ao Papa, tornou-se defensora dos direitos da Santa Sé face aos ataques dos galicanos e jansenistas, que exerciam grande influência na Corte. Nessa luta, procurou ajudar os Jesuítas, então especialmente perseguidos.
     Tinha pelos franceses o mesmo amor que seu antepassado São Luís. Tudo que interessava à sua pátria interessava à sua piedade. Luís XVI a reverenciava como o anjo tutelar da França. Indiscutivelmente, foi para afastar a influência que ela exercia sobre Luís XVI que os ímpios decidiram exterminá-la definitivamente. É quase certo que Marie Louise morreu envenenada.
     Em novembro de 1787, seu mal de estômago agravou-se violentamente com dores agudas (dois anos antes da Revolução Francesa...). Daí em diante piorando gradativamente, preparou-se para morrer. Sua morte foi magnífica pela coragem com que a enfrentou. Suas últimas palavras foram: "Ao Paraiso! Depressa! Já é tempo!". Era o dia 23 de dezembro de 1787, às quatro e meia da manhã.
     Em 1793, por ordem dos revolucionários, lançou-se ácido contra os restos da venerável princesa e acreditaram tê-los destruído. Mas um grande número de milagres conduziu a introdução de sua causa, declarando-a Pio IX venerável no dia 1º de junho de 1873.
     O decreto reconhecendo as virtudes heroicas da Venerável Madre Teresa de Santo Agostinho foi publicado em 18 de dezembro de 1997. Basta apenas um milagre oficialmente reconhecido e atribuído a ela para que a Igreja a declare Beata. Madame Louise de France deixou por Deus os degraus do trono. Esperemos que em troca Ele um dia a faça gozar a honra dos nossos altares.


Fontes: Daras, “La Vie des Saints”; www.catolicismo.com.br

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Serva de Deus Chiara Corbella Petrillo, Esposa e Mãe de Família (a "nova Santa Gianna").



Chiara Corbella Petrillo, jovem esposa e mãe de família, morreu em odor de santidade. Essa jovem pôde declarar com a vida, e também com morte, o Amor a Deus e a sua família! Vale à pena conhecê-la!
Numa época em que se defende a ideia de que liberdade é poder fazer o que se quer, em uma sociedade cada vez mais individualista e confusa diante dos reais valores da vida, em um mundo onde os vegetarianos que defendem árvores e leões com a vida são os mesmos que defendem abertamente o aborto surge um grande desafio aos cristãos: ser sinal de contradição para a sociedade. A Jovem Chiara é esse sinal para nós.

Chiara Corbella Petrillo era uma jovem romana nascida em 1984, esposa de Enrico Petrillo. Chiara é, como se costuma dizer, da “geração João Paulo II”, uma mulher cheia de vida, alegre e jovem. Conheceu o seu marido, Enrico, em Medjugorje e, antes de se casarem, em 2008, fizeram um caminho de namoro acompanhados por frades da cidade de Assis.


Chiara e Enrico no dia de seu matrimônio.


A jovem, que sempre sonhou em ser mãe, logo após o casamento engravidou, mas soube, ao fazer a ultrassonografia, que sua filha Maria tinha anencefalia. Ao contrário de todas as recomendações médicas que enfatizavam o aborto como a “melhor” opção, o casal decidiu manter a gravidez até o fim, o que foi uma surpresa para muitos. Trinta minutos depois de nascer, a pequena Maria faleceu. Nesses poucos minutos de vida, contudo, a menina foi batizada, e o casal pôde abraçar e segurar o bebê. Chiara declarava que não é a duração de tempo que se tem um filho vivo que determina quão mãe se é. Nesses poucos instantes, Chiara e Enrico viveram a maternidade/paternidade com o amor de uma vida inteira e, em seguida, viram Maria nascer para o Céu.

Já o segundo filho do casal, Davide, ainda no início da gestação, foi diagnosticado com uma deficiência: ele não possuía as pernas e tinha má-formação visceral. Como anteriormente, ao contrário da expectativa de muitos, os pais decidiram prosseguir. Ambos os filhos, Maria e Davide, chegaram a nascer e, mesmo vivendo poucos minutos, foram acompanhados pelos pais até o último momento. Davide faleceu 37 minutos após o parto e também recebeu o sacramento do batismo. Mais uma vez, o casal viveu a graça de ter um filho. Muitos amigos relatam que não sabiam explicar racionalmente o que havia nesses acontecimentos que, ao mesmo tempo que causavam um sofrimento intenso, eram repletos de um profundo Amor, que trazia Paz a todos os presentes, inclusive nos funerais dos bebês. Mais uma vez, os pais também testemunharam o nascimento de um filho para o Céu.
O casal recebeu alguns conselhos "desinteressados" para não arriscarem nova gravidez, mas, não se deixaram abater e confiaram totalmente em Deus.
Algum tempo depois Chiara engravidou do terceiro filho. Desta vez, a criança era totalmente saudável. Mas o Senhor pediu outro sacrifício à família: antes mesmo da gravidez, Chiara teve o que parecia ser uma afta na língua, para a qual não deu muita atenção. Como a ferida piorou, a jovem grávida procurou assistência médica enquanto o pequeno Francesco se desenvolvia em seu ventre.

A família Petrillo sendo recebida e abençoada pelo Papa Bento XVI

As biopsias revelaram, contudo, um triste diagnóstico: um carcinoma. A primeira intervenção com anestesia local, para não criar dificuldades ao menino, correu bem. Mas Chiara deveria fazer, o mais rapidamente possível, novos tratamentos como quimioterapia ou radioterapia. Haveria, assim, grandes chances de colocar a gestação de Francesco em risco. Mas também, aqui, a opção do casal foi dar todas as garantias humanamente possíveis para que o filho pudesse nascer sem correr riscos.

Infelizmente, já era tarde: o "dragão", como Chiara chamava o câncer, espalhou-se muito rapidamente. Perceberam, por fim, que os tratamentos não adiantariam, e o casal decidiu que o importante era viver o tempo que restava com alegria, com intensidade, com fé. Nessas tribulações, o testemunho de Chiara e Enrico exalava tanta confiança que atraíram muitas pessoas para rezarem com eles.
Diante de cada uma das suas lutas, Chiara sempre reagiu aceitando-as como provações que Deus lhe concedera. Morreu, por fim, em 13 de junho de 2012, aos 28 anos de idade, com um testemunho de luz e de fé, de vida e de intensidade, de entrega a Deus, de testemunho. Deu tudo o que tinha por amor, a Deus, ao marido, aos filhos. O funeral da jovem foi um profundo louvor a Deus pelo dom da vida e quem estava presente testemunha a fé e a alegria que imperava no ambiente. Mais de mil pessoas estavam presentes, sem contar as dezenas de sacerdotes que celebraram a missa de corpo presente de Chiara.


Missa de Corpo Presente

Aqui seus restos mortais aguardam a ressurreição.


O pequeno Francesco brincando próximo ao túmulo de sua mãe.

A história de Chiara demonstra que é possível se opor à massiva ideologia que despreza vidas indefesas em ventres maternos por tantos motivos. A capacidade e coragem de dizer “sim” à vida, mesmo em momentos de tribulação, são intrínsecas aos cristãos e àqueles que se encontraram com o Verdadeiro Amor. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos”. (Jo 15,13)
Chiara deixou uma carta escrita para o seu filho, antes de morrer:



“Vou ao céu para cuidar de Maria e Davide; você fica aqui com o papai. De lá, eu rezarei por vocês. Meu filho, você é especial e tem uma grande missão. O Senhor o escolheu, e eu lhe mostrarei o caminho a seguir, se você abrir seu coração. Confie em mim, vale a pena. Mamãe”.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Venerável Serva de Deus Jeanne Chezard de Matel, Virgem, Mística e Fundadora.



Resumo biográfico
Nasceu em Roanne (França) em 06 de novembro de 1596. Dotada de dons extraordinários, sua espiritualidade foi influenciada pelas correntes espirituais francesas do século XVI, sobretudo, pela escola do cardeal Bérrulle, que contempla as “marcas” do mistério trinitário na criação e na história da salvação, sobretudo na encarnação do Verbo.
Em 02 de julho de 1625 se reuniu Jeanne com duas companheiras para viverem em comunidade. São as origens da congregação religiosa do Verbo Encarnado, cujo primeiro mosteiro foi erigido canonicamente em Avignion, no ano de 1639. A finalidade da nova família religiosa é “viver e proclamar o mistério da encarnação” e dar testemunho do mesmo por meio da educação.
Jeanne teve numerosas experiências místicas que narra em uma série de escritos cheio de citações bíblicas. Como muitos outros fundadores, também a Madre Jeanne se viu submetida a grandes provas que sobrelevou com fortaleza de espírito. Morreu santamente em 11 de setembro de 1670.


Biografia
Jeanne Chezard de Matel nasce em Roanne, França, em 06 de novembro de 1596. Seu pai, Jean Chezard, homem honrado e valente, gentil homem da Câmera e capitão de uma companhia de cavalaria ligeira; sua mãe foi Jeanne Chaurier, à qual pertencia a uma família rica e virtuosa; mulher virtuosa e de grande coração, caridade e muita paciência. Tiveram onze filhos, dos quais sobreviveram somente cinco, sendo Jeanne a mais velha desses.
Jeanne foi de um caráter bondoso, doce, paciente e alegre; aprendeu a ler aos seis anos; aos sete anos pediu permissão para jejuar às vigílias das festas solenes; aos nove e dez anos quis fazê-lo na Quaresma. Aos dez anos resolve permanecer virgem para seguir ao Cordeiro “pelas campinas”. Tem uma grande devoção à Virgem Maria. Aos doze anos foi admitida à Primeira Comunhão e se lhe permite mais tarde comungar a cada mês. Depois, um pouco mais amiúde e, desde 1610, a cada oito dias.
Gostava muito de ler as vidas dos santos e tinha desejo de imitá-los. Admira sobretudo às virgens e aos mártires. Quando tinha 17 ou 18 anos, passou por uma “crise de sua vocação”, já que havia manifestado o desejo de ser religiosa, porém, acabou aceitando, por obediência a sua mãe e a seu confessor, passar uns dias na casa de uma tia. Lá, não faltaram os bailes e conversações um tanto frívolas, cheias de vaidades, que a levaram a esfriar em sua decisão. Porém, finalmente, após algum tempo de confusão, regressa à casa de sua mãe e continua com sua firme resolução.
Em 1615, já com quase 19 anos, se sentiu, de repente, totalmente convertida e reconfortada pela Graça. Nesse mesmo dia, Deus lhe concedeu entender perfeitamente as leituras da Missa, mesmo as que estavam em latim. Este favor nunca lhe foi retirado pelo Senhor. A Escritura é o meio pelo qual Jesus lhe fala e lhe dá a conhecer sua vontade. Tem uma profunda oração mental, aplicando-se, especialmente, aos mistérios da Paixão do Salvador.

Em pouco tempo, sentiu-se elevada aos mais altos graus de oração. A partir de 1619, passa a ter uma forte experiência interior: sente que seu espírito e seu corpo lutam um contra o outro e lhe foi concedido o viver na constante presença de Deus, mesmo em meio aos afazeres mais ordinários.
Sentia-se acompanhada pela presença da Santíssima Trindade. Além do grande amor pela Escritura, a espiritualidade que viveu é teológica, visto que se enraízam em seu coração os grandes dogmas da teologia cristã.
Jeanne buscava assiduamente a direção espiritual. Entre seus diretores figuram, em sua maioria, sacerdotes jesuítas, que atestaram que as revelações que tinha não podiam ter outra origem senão a divina.
Desde 1619 aparece o pensamento de fundar uma Ordem. Em 02 de julho de 1625, deixa a casa paterna para começar a fundação em companhia de mais duas jovens. Chegou a fundar quatro mosteiros. Em 10 de setembro de 1670 toma o hábito da Ordem do Verbo Encarnado e faz sua profissão. Morre no dia seguinte, em 11 de setembro de 1670.
O processo da Causa de Beatificação e Canonização da Serva de Deus sucedeu da seguinte maneira: em 1966 inicia-se o processo diocesano, apesar de sua fama de santidade houvesse estado muito vivo entre as irmãs, os sacerdotes e seculares durante séculos. A causa retomou em 1970. Em 1984 reconheceu-se a validade do processo diocesano a cerca das virtudes e da fama de santidade bem como do processo dos escritos.
A “positio” foi publicada em janeiro de 1987. Em 19 de maio de 1987 ocorreu a assembleia de consultores historiadores e em 18 de outubro de 1991 o congresso particular dos consultores teólogos. A conclusão foi positiva em ambos os casos. Em 21 de janeiro de 1992 os cardeais e os bispos confirmaram na Congregação a prática heroica das virtudes teologais, cardeais e suas anexas.

O decreto de venerabilidade foi dado em 07 de março de 1992. 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

SÃO FRANCISCO MARTO: modelo de paciência em meio aos sofrimentos.


O pequeno pastorinho: um gigante na
fé. 
Nas primeiras duas semanas da doença, Francisco estava extremamente mal. Com o passar dos dias, porém, teve uma ligeira melhora, o que levou as pessoas a dizer-lhe que depressa ficaria bom. Mas ele apenas balançava a cabeça e respondia:

- Eu nunca voltarei a ficar bom. Vou morrer.

Sua madrinha, que muito o queria, procurava desviá-lo desse pensamento:

- Tolice! Fiz uma promessa à Santíssima Virgem de que, se você ficar bom novamente, venderei o teu peso em trigo e darei o dinheiro para a capela da Cova da Iria.

Ao que o pastorinho logo replicava:

- A senhora não terá que cumprir essa promessa, madrinha. Eu bem o sei.

Por aqueles dias, enquanto conversava com a irmã sobre como oferecer seu sacrifício pelos pecadores, apareceu-lhes a Senhora do Rosário. Olhava-os com grande bondade e doçura, fazendo com que os corações das duas crianças se enchessem de celeste alegria. Francisco estava certo de que Ela viera para buscá-lo. Entretanto, Nossa Senhora lhe disse, carinhosamente:

- Ainda não, Francisco. Mas em breve virei buscar-te para o Céu, como prometi.

Ficava-lhe ainda, portanto, um pouco de tempo para consolar com seu sofrimento Nosso Senhor e o Imaculado Coração de Maria. E para dar bom exemplo a todos quantos o visitavam. "Ficar no seu quarto era como se estivesse dentro de uma igreja", comentou uma vizinha, depois de se encontrar com o pequeno.

Apesar das muitas dores que sentia, Francisco sempre se mostrava alegre e contente, suportando tudo com uma paciência heróica, sem nunca deixar escapar um gemido, nem a mais leve queixa. Em diversas ocasiões, Lúcia perguntou-lhe se sofria muito, ao que ele respondia, invariavelmente:

- Sim, mas não importa. Sofro para consolar a Nosso Senhor, por amor d'Ele e de Nossa Senhora. E depois, daqui a pouco vou para o Céu!

Sua única lamentação era por não ser mais capaz de rezar e consolar o Santíssimo Sacramento, na igreja paroquial. Às vezes, quando Lúcia o visitava antes de ir para a escola, Francisco lhe dizia:

- Olhe! Vá à igreja, e dê muitas saudades minhas a Jesus escondido. O que me dá mais pena é não poder mais ficar algum tempo com Ele.

Se percebia que a prima estava passeando com certos colegas, ainda acrescentava:

- Não ande com eles, porque você pode aprender a cometer pecados. Quando sair da escola, vá ficar um pouco junto de Jesus escondido, e, depois, venha sozinha.

À medida que a doença progredia, e as forças lhe iam faltando, o pastorinho se via obrigado a abandonar não só seus hábitos piedosos, como também, e sobretudo, suas antigas penitências. Assim, um dia chamou a prima e, sem que ninguém os visse, entregou-lhe a corda que usava para fazer sacrifício, dizendo-lhe:

- Tome. Leve-a, antes que minha mãe veja. Já não consigo mais tê-la na cintura...


(Livro Jacinta e Francisco Prediletos de Maria - Monsenhor João Clá)