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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

SANTA TERESA DE JESUS, Virgem, Fundadora e Doutora da Igreja (15 de outubro) - Frases e Poemas.

"O amor de Deus não está nos deleites espirituais, mas em estar firmemente resolvidos a contenta-lo em todas as coisas, tentando todo esforço para não ofendê-lo, e rezando pelo aumento da honra e da glória do seu Filho e pela exaltação da Igreja Católica".

"Compararei a Divindade com um polido diamante muito maior que o universo. Todas as nossas ações refletem-se nele, por que Ele encerra todas as coisas, tanto que fora da sua amplitude nada existe".

"Tão logo Sua Majestade o quer, Deus e a alma se compreendem, como dois amigos que não precisam de palavras para manifestar-se a grande afeição que os une".

"A oração não é senão um fato de amor, e é insensato pensar que só se faz oração quando se dispõe de tempo e solidão".

"Ó Senhor, experimento tanta alegria ao pensar que as minhas infidelidades fazem com que melhor conheça a vossa misericórdia, que sinto suavizar-se a dor pelas graves ofensas que vos fiz".

"Jamais creiais que adquiristes uma virtude, enquanto não a tiverdes provado com aquilo que lhe é contrario".

"A oração mental não é senão uma íntima relação de amizade, um frequente entretenimento a sós com Aquele que sabemos nos amar".

"Tão logo Sua Majestade o quer, Deus e a alma se compreendem, como dois amigos que não precisam de palavras para manifestar-se a grande afeição que os une".

"Quem começa a servir verdadeiramente ao Senhor, o mínimo que lhe pode oferecer é a vida".

"No nosso próximo, procuremos ver tão somente as virtuides e as boas obras e cubramos os seus defeitos considerando os nossos pecados".


"Diante da Sabedoria infinita, mais vale um breve desejo de humildade com algum ato da mesma, do que toda a ciência do mundo".


"Tenho como certo que uma alma de oração, que se entretenha com homens doutos, jamais será enganada pelo demônio, a não ser que deseje enganar-se a si mesma. O demôniot em muito medo da força interior humilde e virtuosa, por que sabe que seria descoberto e levaria a pior".

"Deus tem cuidado dos nossos interesses muito mais do que nós mesmos, sabendo o que convém a cada um".


"O edifício da oração deve sempre alicerçar-se na humildade: quanto mais uma alma se mostra humilde na oração, tanto mais Deus a exalta".

"A todos que tudo abandonam por amor de Deus, Ele se entrega totalmente".

"Construir grandes casa com o dinheiro dos pobres é muito inconveniente, e o Senhor jamais o perdoará".

"Em assunto de contemplação, muitas vezes Deus leva vinte anos para dar a alguém aquilo que a outros dá em apenas um ano. O motivo disso somente Ele o sabe".

"Tenho certeza de que Deus jamais deixa de favorecer as almas firmemente decididas a ser dele".

"O caminho da cruz é o que Deus reserva aos seus escolhidos: quanto mais os ama, mais os sobrecarrega de tribulações".

"Quando é o coração que reza, Ele sem dúvida nos atende".

"Existem almas tão simples que nada sabem sobre os costumes e os assuntos do mundo, mas que, no entanto, muito entendem das relações com Deus".

"A coragem em sofrer muito ou sofrer pouco está sempre na proporção do amor".

"Oração e maneiras sofisticadas não combinam".

"Quanto mais santas fordes, mais afáveis devereis mostrar-vos".

"Quem pede a perfeição é inundado de tantas graças a ponto de atingir aquele elevado grau que é próprio dos que já alcançaram".

"Podemos suportar qualquer luta ou inquietação, quando nos encontramos em
paz intimamente".

"As cruzes dos contemplativos são muito pesadas, e o Senhor só as manda para as almas já provadas desde muito tempo".

"Não há melhor meio para descobrir as insídias do demônio e obrigá-lo a
dar-se a conhecer, do que o da oração".

"As palavras de Deus fixam-se tão profundamente no espírito que não mais é
possível esquecê-las, ao passo que aquelas do intelecto assemelham-se a um
pensamento fugaz que subitamente se esvai da mente".

"Deus distribui os seus bens como quer, quando quer e a quem quer, sem fazer 
discriminação com ninguém".

"Ó Senhor! Como os cristãos pouco vos conhecem!"

"Rezar pelos que estão em pecado mortal é uma esmola muito grande"

"Ó Senhor! Em que angústias colocais quem vos ama! No entanto, tudo é pouco diante da maneira com que logo o favoreces".

"A humildade é o alicerce do edifício, e o Senhor nunca o elevará demasiado,
se dita virtude não for verdadeiramente sólida".

"Almejemos e pratiquemos a oração já não para desfrutar, mas para ter a
força de servir ao Senhor".

"O proveito da alma não consiste em muito pensar mas em muito amar"

"É uma grande virtude saber ter concórdia com todos e suportar-lhes os
defeitos".

"Jamais se peca sem sabê-lo".

"Achegando-nos do Santíssimo Sacramento com grande espírito de fé e de amor, creio que uma única comunhão é suficiente para deixar-nos ricas. O que
dizer, então, de tantas que já recebemos?"

"O Senhor não se contenta em igualar os seus dons aos nossos modestos
desejos".

"O Senhor sabe o que cada pessoa pode fazer e, quando se encontra com uma
alma forte, não cessa de impor nela a sua vontade".

"Senhor, como são amenos os vossos caminhos! Mas, quem os palmilhará sem medo?".

"O Senhor nos ama mais do que nós mesmos nos amamos".


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BUSCA-TE EM MIM

Alma, procura-te em mim
E a mim busca-me em ti.

Tão fielmente pôde o Amor
Alma, em Mim, te retratar
Que nenhum sábio pintor
Soubera com tal primor
Tua imagem figurar.

Foste, por amor, criada
Formosa, bela e assim
Dentro do Meu ser, pintada.
Se te perderes, minha amada,
Alma, procura-te em Mim.

Por que Eu sei que te acharás
Em Meu peito retratada,
Tão ao vivo figurada
Que ao ver-te folgarás
Por te veres tão bem pintada.

E se acaso não souberes
Em que lugar Me perdi,
Não andes daqui para ali
Por que se encontrarMe quiseres
A Mim, Me acharás em ti!

Em ti, que és meu aposento
És minha casa e morada.
Aí busco, cada momento,
Em que do teu pensamento
Encontro a porta fechada.

Só em ti há que buscar-Me,
Que de ti nunca fugi;
Nada mais do que chamar-Me
E logo irei, sem tardar-Me,
E a Mim, me acharás em ti!




NADA TE PERTURBE

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Nada te angustie,
Nada te perturbe.

A Jesus Cristo segue
Com peito grande,
E, venha o que vier,
Nada te espante.

Vês a a glória do mundo!
É glória vã;
Nada tem de estável,
Tudo passa.

Aspira às coisas celestes,
Que sempre duram;
Fiel e rico em promessas,
Deus não muda.

Ama-O como merece,
Bondade imensa;
Mas não há amor fino
Sem a paciência.

Confiança e fé viva
Mantenha a alma,
Que quem crê e espera
Tudo alcança.

Do inferno acossado
Muito embora se veja,
Burlará os seus furores
Quem a Deus tem.

Advenham-lhe desamparos,
Cruzes desgraças;                                                           
                                                                            
                    Sendo Deus o seu tesouro,
Nada lhe falta.

Ide, pois, bens do mundo,
Ide, ditas vãs;
Ainda que tudo perca,
Só Deus basta.



LOUVORES À CRUZ

Gostosa quietação da minha vida,
Sê bem-vinda, cruz querida.

Ó Bandeira que amparaste
O fraco e o fizeste forte!
Ó vida da nossa morte,
Quão bem a ressuscitasse!
O Leão de Judá domaste,
Pois por ti perdeu a vida.
Sê bem-vinda, cruz querida.

Quem não ama viva atado
E da liberdade alheio;
Quem te abraça sem receio
Não toma caminho errado.
Oh! ditoso o teu reinado,
Onde o mal não tem cabida!
Sê bem -vinda, cruz querida.

Do cativeiro do inferno,
Ó cruz, foste a liberdade;
Aos males da humanidade
Desde o remédio mais terno.
Deu-nos, por ti, Deus Eterno
Alegria sem medida.
Sê bem-vinda, cruz querida.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

ORAÇÃO À SANTÍSSIMA TRINDADE, EM HONRA DE SÃO PIO DE PIETRELCINA, para impetrar graças.

Pai de infinitos Amor e Misericórdia, nós vos agradecemos por terdes dado ao mundo e à Igreja vosso servo e sacerdote São Pio de Pietrelcina!

Alma eleita e seráfica, ele foi grande discípulo e imitador de vosso divino Filho Jesus e homem cheio do Espírito Santo. Por meio dele realizastes maravilhas. Vós o cumulastes de dons e carismas extraordinários, que o equiparam aos grandes Santos místicos da História da Igreja.

 Profundo adorador da Sagrada Paixão e Morte de Jesus e dos Santos Mistérios do Altar e da Santíssima Eucaristia, conferistes-lhe os santos estigmas tornando-o copartícipe dos sofrimentos do Redentor, vosso Santíssimo Filho Humanado.

Ele não era um exímio pregador, mas, exerceu o maior dos apostolados sacerdotais: o do confessionário, chegando a ficar longas horas confessando o povo que o procurava cada vez em maior número, graças ao carisma que possuía de ler os corações e as consciências.

Para cada alma tinha palavras “acertadas e certeiras”, muitas vezes – inclusive – citando pecados há muito tempo esquecidos pelos penitentes.

Na celebração da Santa Missa, que fazia com profundas e tocantes devoção e solenidade, transparecia a todos os assistentes que ele participava dos sofrimentos de Cristo e que, perante seus olhos, muitas vezes cheios de lágrimas, assistia aos Santos Mistérios da Paixão, pronunciando cada palavra e fazendo cada gesto litúrgico de forma profunda e comovente.

Concedei-nos em Nome de vosso Filho Jesus, de seu Sangue precioso e pela intercessão de Nossa Senhora, Mãe da Divina Graca, a quem ele tanto amava e venerava, bem como pelos méritos e preces de São Pio de Pietrelcina a (s) graça (s): ___________, se for (em) para vossa maior glória e a de vosso servo São Pio. Amém!

Rezar 3 Pai Nossos, Ave Marias e Glórias em honra da Santíssima Trindade e de Nossa Senhora por São Pio de Pietrelcina.

sábado, 11 de outubro de 2025

SÃO LUÍS BELTRÃO (Bertrand), presbítero e missionário da Ordem dos Pregadores - Dominicanos (11 de outubro)

São Luís Beltrão (Bertrand) era filho de um tabelião da mesma cidade e veio ao mundo em 1526. Nos primeiros anos da infância dava indícios indubitáveis de futura santidade. Sete anos tinha, quando começou a recitar diariamente o ofício de Nossa Senhora.

O prazer do piedoso menino era ir à igreja. Às práticas de piedade aliava uma obediência incondicional aos pais, amor às mortificações, ao estudo e à leitura espiritual.
Sempre que podia, trocava a cama pelo soalho, procurando em tudo imitar o seu santo parente Vicente Ferrer.

Mocinho, afastou-se clandestinamente da casa paterna, em demanda de uma solidão, onde pudesse mais desembaraçadamente se entregar a exercícios de piedade e de penitência. O pai descobriu o esconderijo e obrigou o filho a voltar para casa. Não podendo, entretanto, evitar mais tarde que entrasse para a Ordem Dominicana. 

Os progressos de Luís na virtude e na perfeição religiosa foram tais, que sete anos depois da entrada na Ordem, foi nomeado Mestre do Noviciado. Com grande proficiência desempenhou-se por diversas vezes da missão de missionário, Além de dispor de grandes recursos retóricos, possuía o dom de ler nas consciências e de predizer cousas futuras. Passando certa vez por um campo onde um homem guardava o rebanho, disse ao pastor: “Meu amigo, sei que o estado de sua alma não bom. Há três anos já que não faz boa   confissão. Se tem amor à sua alma, não deixe de, quanto antes, por a confessar-se, porque a morte está à sua espera”.

O pastor ao ouvir estas palavras assustou-se,  mas reconhecendo a graça de Deus, que tão inesperadamente se lhe oferecia, aceitou o convite e confessou-se contrito. Três dias depois morreu.


No ano de 1557, a peste assolou a cidade de Valência. Luís aproveitou-se da ocasião, para praticar obras heroicas de caridade. A terrível epidemia poupou-lhe a pessoa; mas logo que as cousas se normalizaram, pediu aos superiores que o destinassem às missões entre os indígenas da América. 

Como recompensa dos serviços prestados nos dias da peste, obteve o que pedira. Em 1562 partiu para as índias ocidentais, em companhia de outros sacerdotes da Ordem. Ardia-lhe no coração o desejo de salvar almas e de dar a vida em testemunho da fé que pregava. Grande foi o número de pagãos que ganhara para a religião de Cristo. Nos maiores perigos e dificuldades, aparentemente insuportáveis, a proteção divina era visível, e muitos foram os milagres que Deus se dignou de operar por intermédio de seu santo servo.

A biografia do Santo afirma que, apesar de ter ser fluente apenas no espanhol e no latim, todos os que o ouviam falar o compreendiam perfeitamente. Mais de uma vez, correu o perigo de ser envenenado por pagãos que o odiavam, como inimigos que eram da religião de Cristo; mas Deus estava com ele e nada puderam fazer que o prejudicassem. 


Estava combinada sua morte por apedrejamento. Luís, porém, soube de tal maneira amainar o espírito dos inimigos, que estes, não só desistiram do plano, mas acabaram por aceitar a religião cristã e pediram o batismo. Numerosos são os fatos da vida deste Santo, que provam a assistência e proteção visíveis de que gozava da Divina Providência.

Poucos anos Luís trabalhara na seara das missões, quando os superiores lhe reclamaram os serviços na Europa. Na travessia do mar sobreveio uma tempestade, que pôs em risco de vida os passageiros, mas Luís tranquilizou-os, com o sinal da cruz. O resto da vida Luís passou-o no desempenho de diversas incumbências da Ordem.

Grande era sua humildade, que o fazia reconhecer em si próprio o maior pecador do mundo. Tinha como regra de vida: “Desprezar a si próprio, não desprezar a ninguém, desprezar o desprezo".

Como de uma serpente, fugia do elogio. Repreensões, censuras e críticas a seu respeito, a ouvia com toda a calma para depois dizer: “o que os senhores de mim afirmam é a pura verdade. Melhor do que eu mesmo, conhecem-me”. Certa vez, alguém fez referências elogiosas a Luís por causa dos milagres que fazia. “Pensa o senhor, respondeu-lhe o Santo, que fazer milagre é sinal de santidade? Fique certo de que não é nada menos que isso, mas única e exclusivamente efeito da fé. Poder incomparavelmente maior recebeu Lúcifer e perdeu-se”.

Luís Beltrão cultivou a virtude angélica com o maior esmero, encontrando na oração e na penitência meios poderosos para conservar-se fiel ao voto.

Era muito amigo da oração, que o aproximava o mais possível de Deus.

Não impediu a prática dessas virtudes todas, que o santo Servo de Deus vivesse num temor contínuo de não se salvar. Este temor arrancava-lhe profundos gemidos e muitas vezes dizia: “Outros são muito mais perfeitos que eu. Muito mais graças do que eu, receberam, Lúcifer e Judas, que, como muitos outros foram condenados. Quem me dirá que não me possa acontecer a mesma cousa? Oh miséria das misérias! Viver nesta incerteza terrível e não sentir temor!"

Admirável foi a paciência com que sofreu as dores da última doença. Quando o sofrimento chegava ao auge, se servia da palavra de Santo Agostinho, que dizia: “Senhor, queimai, cortai enquanto eu tiver vida, contanto que useis comigo de misericórdia na eternidade".

Pouco antes de expirar, virou-se para os irmãos de Ordem e disse: “rezai por mim, meus irmãos, para que Deus não me condene”.

Foi justamente esse temor permanente que fez Luís Beltrão proceder com muita cautela e fugir do perigo. Era ainda esse temor que, constantemente, o animava a praticar boas obras.

Um dia, o enfermeiro descobriu que o enfermo conservava escondido um tijolo que punha sobre o peito. Espantado por ver a pedra, disse a Luís Beltrão: “Por que V. Revma., se martiriza dessa maneira? Já não bastam as dores que a doença lhe faz suportar? “O Santo respondeu: “que hei de fazer? A morte já está à porta e o Reino dos Céus padece força”.

São Luís Beltrão faleceu em 9 de outubro de 1591, conforme predisse.

Até o fim da vida Luís Beltrão trabalhou, lutou e sofreu para ganhar o céu. Milagres sem conta e número por ele praticados convenceram o mundo católico da grande glória de que goza no céu. O Papa Clemente X celebrou a canonização em 1671


REFLEXÕES

“A morte está à porta e o reino do céu padece força", dizia S. Luís Beltrão àqueles que o queriam afastar da penitência.

É a mesma cousa que Deus Nosso Senhor ensinava, em termos ainda mais positivos, quando falava da necessidade da penitência, da mortificação dos sentidos e da carne.

"Quem quer seguir-me, negue-se a si próprio, tome a sua cruz e siga-me, - Quem não tomar sua cruz sobre si e não me seguir, não é digno de mim. Quem procura conservar a vida,    perdê-la-á, mas aquele que perder, achá-la-á”.

São Paulo confessa de si mesmo dizendo: "Assim eu corro, não como atrás de coisa incerta; pelejo da mesma maneira, mas não para açoitar ar; mas, castigo meu corpo e reduzo-o à escravidão para que suceda que, havendo pregado a outros, venha eu mesmo a ser condenado” (I. Cor. 9, 26. 27),

Os verdadeiros servidores de Cristo crucificam a carne com todas as más inclinações e reduzem o corpo à escravidão, para um dia poderem dar conta a Deus de sua administração.

 

 

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

SANTO ANDRÉ CORSINI, Bispo Carmelita - o "lobo" se transformou em "cordeiro" e mais tarde em Pastor.



Hoje trago para os leitores do blog um belo artigo sobre a vida de santo André Corsini, bispo da Ordem Carmelita, muito conhecido na Itália e famoso pela santidade e pelos muitos milagres ocorridos em vida e após sua santa morte. Que no Céu interceda por todos nós que estamos sob o mesmo manto materno da Virgem do Carmo. Amém! 
"És meu servo, em ti serei glorificada". Estas palavras da Virgem Maria ao jovem sacerdote André Corsini constituem o melhor resumo de sua santa vida.

Nicolau Corsini e sua esposa Pelerina ouviam atentamente o sermão na igreja dos carmelitas e tiveram ambos um sobressalto interior quando o pregador pronunciou estas palavras do Êxodo: "Não demorarás a oferecer a Deus os dízimos e as primícias".
A família Corsini era das mais nobres de Florença. A Nicolau e sua esposa não faltavam recursos financeiros, menos ainda virtude e piedade, para fazer generosas doações à Igreja. A que atribuir, pois, esse sobressalto a propósito do dízimo? Era a voz da graça em suas almas.

Promessa recompensada

Até então, o casal não tivera um filho sequer, e desejava ter muitos. Nos ouvidos de Pelerina, aquela frase do Êxodo soou como uma sugestão vinda do Céu, de consagrar a Deus o primeiro filho que Este lhe concedesse. E sem demora fez a promessa, diante da imagem de Nossa Senhora do Povo.
Sem saber o que se passara com sua esposa, Nicolau foi objeto de igual moção sobrenatural e fez idêntica promessa, diante da mesma imagem da Santíssima Virgem.
De retorno ao lar, não foi pequena a surpresa do piedoso casal quando um revelou ao outro o que havia acontecido e descobriram, assim, a feliz "coincidência". Cheios de esperança, renovaram a promessa aos pés de uma imagem da Virgem Maria.
Constatando meses depois que sua súplica fora atendida, Pelerina passou então a rezar com ardor para que o fruto de suas entranhas fosse agradável a Deus.
Para seu espanto, na véspera do nascimento do menino, sonhou que ia dar à luz um lobo. No sonho, enquanto expunha à Virgem Imaculada sua grande aflição, viu o lobo entrar numa igreja e transformar-se em alvíssimo cordeiro.
Sentiu-se aliviada ao despertar, mas não contou a ninguém o sucedido. No dia seguinte, 30 de novembro de 1302, festa de Santo André, deu à luz um belo menino, o qual recebeu o nome do Apóstolo.

O sonho se torna realidade...

André herdou a nobreza dos pais. Era bem apessoado e dotado de inteligência privilegiada.
Porém, perto dos doze anos de idade, foi se tornando filho rebelde, provocava brigas e disputas na família, interessava-se apenas por jogos, armas e caçadas. Pouco se importava com a Igreja e a religião.
Aumentava cada dia mais a preocupação dos pais pelo futuro desse mau filho. Tendo este mais de 15 anos, decidiram expor-lhe as circunstâncias milagrosas de seu nascimento e a promessa por eles feita naquela oportunidade. O rapaz, porém, com desprezo, recusou-se a ouvi-los.
Disse-lhe então a mãe, com voz suave e desgostosa:

- Verdadeiramente, André, tu és o lobo com o qual sonhei na véspera de teu nascimento.

- Que dizeis? Como posso ser um lobo? - retrucou-lhe ele com insolência.

- Fica sabendo, meu filho, que teu pai e eu, sendo estéreis, fizemos uma promessa à gloriosa Virgem Maria, de lhe oferecer o primeiro de nossos filhos, que és tu! Sabe também que, na véspera de teu nascimento, sonhei que dava à luz um lobo, mas que entrando numa igreja ele se transformou em cordeiro. Assim, meu filho, tu pertences à Virgem Maria. Suplico-te, portanto, que não desdenhes servir a tão poderosa padroeira.

Esta eloquente exortação materna penetrou como um dardo no coração do jovem. Tocado por uma insigne graça, passou ele toda aquela noite em oração aos pés da Mãe de Deus. Prometeu- Lhe: "Ó Virgem Maria, já que Vos pertenço, Vos servirei de boa vontade, noite e dia. Rogai, porém, a vosso Filho que me perdoe os pecados da mocidade. Na mesma medida em que Vos desagradei, vivendo mal, me esforçarei por agradar a Vós e a Ele, mudando de vida".
Na manhã seguinte, foi à igreja dos Carmelitas onde, prostrado diante da imagem de Nossa Senhora do Povo, suplicou: "Ó Gloriosa Virgem Maria, eis aqui o lobo devorador e repleto de iniqüidades. Rogo-Vos humildemente que me purifiqueis e mudeis completamente, transformando-me em dócil cordeiro, para Vos servir na vossa santíssima Ordem".
Perseverou nesta prece até ao meio dia. Depois foi pedir ao provincial que o acolhesse na Ordem Carmelitana. Este lhe perguntou:

- Dizei-me, meu filho, de onde vos vem tal desejo?

- É obra de Deus e de meus pais, que neste lugar prometeram consagrar- me para sempre à Santa Virgem.

- Esperai, dentro em pouco vos darei a resposta.

Mandou logo chamar os pais do jovem. A mãe, ao ver o filho tão mudado, não pôde senão exclamar: "Eis o meu filho que de lobo se transformou em cordeiro!"


Noviço fervoroso

André recebeu o hábito do Carmo em 1318. Para experimentar a constância do jovem noviço, foram-lhe confiados os ofícios mais modestos, como varrer o convento, guardar o portão, servir à mesa, lavar pratos e utensílios de cozinha. Tal era seu fervor que considerava isso uma glória. Seus ex-companheiros de prazer, e até mesmo alguns parentes, o ridicularizavam por esse "rebaixamento". Ele, porém, vivia já num mundo superior, o do silêncio e da oração.
Um dia em que ele guardava a porta do Convento, o demônio lá compareceu para tentá-lo. Apresentando-se como um nobre personagem, bem trajado e acompanhado de vários criados, bateu com força à porta, ordenando imperiosamente:

- Abre depressa! Sou teu parente e não quero que fiques aqui com esses frades maltrapilhos. Esta é também a vontade de teu pai e de tua mãe que te prometeram em casamento a uma linda jovem.

- Foi-me ordenado que a ninguém abrisse a porta. Ademais, não te conheço. Se aqui sirvo esses humildes irmãos, imito Jesus Cristo que se fez homem para nos servir. Foram meus pais que me consagraram a Deus e à Virgem, serviço no qual me rejubilo.

Mudando de tom, disse o importuno visitante:

- Rogo-te, André, abre-me a porta por um instante só. Quero falar contigo de certas coisas... Teu superior nada verá!

- Ainda que o prior nada visse, acima dele está Deus que perscruta os corações. É por amor a Ele que guardo esta porta, para que Ele me guarde e auxilie.

Ainda falando, o noviço fez o sinal da cruz, e o tentador desapareceu instantaneamente, deixando uma nuvem de fumaça negra e fétida. André deu graças a Deus pela vitória, tornando-se, após vencer a tentação, ainda mais forte e perfeito.

 

Voando nas vias da santidade

Um ano mais tarde fez os votos solenes e redobrou o fervor  na prática das virtudes, sobretudo da humildade. Seu maior prazer era servir aos outros, especialmente aos enfermos, tendo sempre presente a palavra do Senhor: "O que fizerdes ao menor destes pequeninos, é a Mim que o fazeis".
Frei André nunca faltava à liturgia das horas santas. Jamais resistia às ordens dos superiores. Quanto mais lhe ordenavam, maior era a alegria que pervadia sua alma. Tinha bem claro que o tempo é dom precioso de Deus, por isso empregava no estudo todos os minutos que lhe restavam do cumprimento das obrigações impostas pela obediência.
Às sextas-feiras, com um cesto pendurado ao pescoço, saía mendigando pela rua principal de Florença. Imagine-se a reação indignada de alguns de seus parentes, todos personagens importantes na cidade! Incitavam os habitantes a escarnecê-lo e a insultá-lo. Ele, porém, após receber as piores injúrias, retirava-se contente, refletindo: "Jesus também foi gravemente injuriado, e, aniquilado pela dor, não se irritava".
As virtudes são todas irmãs, quando se progride em uma, adianta-se também nas outras. Assim, tendo subido tanto na virtude da humildade, nosso Santo era igualmente exímio na prática da pureza. Fugia de todas as ocasiões de tentação e não tolerava que em sua presença se pronunciassem palavras inconvenientes.


Dom dos milagres

Em várias ocasiões, exerceu em benefício do próximo o precioso dom dos milagres. Um de seus tios sofria de uma doença que lhe corroia as carnes da perna. Para se distrair do incômodo, transformou sua casa em lugar de jogatinas. Visando conquistar para Jesus essa alma, André foi visitá-lo e lhe perguntou:

- Quereis ser curado?

- Vai-te daqui, mendigo, queres zombar de mim!

- Se desejais ser curado, aceitai ao menos um conselho.

A mansidão do Santo abrandou a arrogância do ímpio, que disse:

- Se for possível a minha cura, farei tudo quanto pretenderes.

O frade lhe recomendou jejuar durante seis dias e, no sétimo, rezar sete Pai-Nossos, sete Ave-Marias e uma Salve Rainha.

- Se fizerdes isto, prometo que a gloriosa Virgem obterá de seu Filho vossa cura.

Embora incrédulo e sem devoção alguma, o doente assim fez. No sétimo dia estava curado. Exultante, procurou André para dizer-lhe:

- Sois verdadeiramente um amigo de Deus, meu sobrinho! Nada mais sinto, posso caminhar como um jovem.

Com efeito, suas carnes estavam renovadas. Desde então, mudou de vida, não mais cessando de dar graças a Deus e a sua Imaculada Mãe.


Sacerdote e bispo

Em 1328, André recebeu a ordenação sacerdotal. Os pais haviam preparado tudo para a celebração da sua primeira Missa, a qual pretendiam fosse soleníssima e contasse com a presença de todos os parentes.
Sabendo desta pretensão familiar, o Santo retirou-se para um pequeno convento distante, onde ofereceu a Deus as primícias do sacerdócio, com grande recolhimento e devoção.
Como prêmio, imediatamente após a Comunhão, a Santíssima Virgem lhe apareceu, dizendo: "És meu servo, escolhi- te, e em ti serei glorificada". Estas palavras penetraram-lhe fundo no coração, tornando-o ainda mais humilde e puro.
Após exercer o ministério da pregação em Florença, estudou três anos na Universidade de Paris e foi aprimorar os estudos com o Cardeal Corsini, seu tio, na cidade de Avignon, então Sede do Papado. Aí Deus operou por sua intercessão a cura de um cego.
De retorno à pátria, foi eleito prior do convento de Florença. Pouco tempo permaneceu nesse cargo. Tendo falecido o Bispo de Fiésole, cidade próxima, o capítulo da Catedral o elegeu para sucessor. Mas o Santo, tomando conhecimento da eleição, ocultou-se num convento dos Cartuxos, na tentativa de fugir de tão perigoso fardo.
A família Corsini era uma das mais nobres da cidade de Florença (vistas da cidade) Quando os cônegos já iam fazer nova eleição, Deus revelou a um menino o retiro do seu servo. Temeroso de resistir à vontade do Céu, Frei André consentiu então em receber a sagração episcopal, em 1360, aos 58 anos.

Vida mais austera ainda

A elevação à dignidade de Bispo da Santa Igreja produziu uma mudança em seu modo de viver: ele redobrou suas austeridades, acrescentando mais um cinto de ferro sobre o cilício que usava. Por leito, tinha apenas uns ramos de videira estendidos no chão. Recitava diariamente os salmos penitenciais e a ladainha dos santos, submetendo- se a uma rude disciplina. Todo o seu tempo era dividido entre a oração, as funções episcopais e a meditação das Sagradas Escrituras. Com mais rigor ainda, evitava toda ocasião de tentação contra a virtude angélica, e não suportava a presença de lisonjeadores nem murmuradores.  
Seus exemplos e sermões produziam tão maravilhosos frutos que logo foi considerado um dos grandes apóstolos da Itália.


Multiplicou os pães

Às quintas-feiras costumava lavar os pés dos pobres, imitando a humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Certa vez um deles recusava-se a lhe apresentar os pés, pois estavam cobertos de úlceras. O Santo venceu-lhe a resistência, lavou-os e estes ficaram completamente curados.
Após a cerimônia do lava-pés, nunca despedia os pobres sem lhes amenizar a indigência com uma generosa distribuição de pães. Certa vez em que havia poucos, ele, com uma bênção, os multiplicou e assim pôde satisfazer a todos os necessitados.
Possuía também uma singular aptidão para harmonizar os espíritos divididos, da qual se valeu para apaziguar todas as sedições tanto em sua Diocese quanto em Florença. Informado disto, o Papa Urbano V o enviou como legado a Bolonha, para conciliar as facções que excitavam a nobreza e o povo um contra outro. Santo André restabeleceu a paz nessa cidade, a qual durou enquanto ele viveu.

Caminhou alegre para a morte

Durante a Missa de Natal de 1372, o Santo Bispo sentiu-se acometido de uma febre que logo o dominou. Longe de se alarmar com a proximidade da morte, caminhou em direção a ela com tranqüilidade, e até com surpreendente alegria. Faleceu a 6 de janeiro de 1373, aos 72 anos de idade.


"A fama de santidade que circundou sua vida, após a morte difundiu-se rapidamente na Itália e na Europa", lembrou S.S. João Paulo II, no 7° centenário de nascimento de Santo André Corsini.
Se Deus o honrou com muitos milagres em vida, a voz do povo o "canonizou" imediatamente após sua morte. O Papa Eugênio IV, posto a par dos efeitos que a intercessão do Santo produzia em toda a região de Florença, autorizou que seus restos mortais fossem expostos à veneração dos fiéis. E Urbano VIII o canonizou em 1629.





Fonte de pesquisa: Revista Arautos do Evangelho, Fev/2005, n. 38, p. 22 à 25

Venerável Servo de Deus Benigno de Santa Teresa do Menino Jesus, presbítero carmelita descalço, o "perfume do Carmelo".


Este dom de santidade, por assim dizer, é oferecido a cada pessoa batizada. Mas cada vez que o presente é traduzido em uma tarefa, que deve governar toda a existência cristã: "Esta é a vontade de Deus, a sua santificação" (I Tessalonicenses 4, 3). É um compromisso que não diz respeito apenas a alguns cristãos: "Todos os fiéis de qualquer estado ou grau são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade" (LG 40). Estas declarações de São João Paulo II na Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte podem nos guiar na aproximação e no conhecimento da figura de Frei Benigno, cujas virtudes heróicas o Santo Padre declarou em 20 de dezembro de 2000.
 


Frei Benigno de Santa Teresa do Menino Jesus, (Angelo Calvi) é um carmelita descalço cuja vida cobriu o espaço de apenas 28 anos, e que em nossa opinião personificava aquilo que, novamente na citada Carta Apostólica, O Pai aponta para a "santidade" como um "alto padrão da vida cristã comum" (cf. NMI 31).

Angelo Calvi nasceu em Inzago (MI) em 23 de julho de 1909, filho de Francesco e Teresa Ceserani, terceiro de oito filhos, dois dos quais morreram antes de seu nascimento e dois quando ele tinha onze anos. Ele foi batizado no dia seguinte e a madrinha, tia Giulia, com o dom da fé pediu-lhe o dom da vocação sacerdotal. O ambiente familiar em que nasceu e viveu era muito pobre, naquele campo milanês atravessado pelos Adda e Naviglio, onde a realidade da comunidade paroquial agia como um pivô para todos os eventos felizes e tristes da vida. O pai trabalhava na agricultura, dia após dia.  Mantinha um estábulo com apenas uma vaca e, depois de voltar para casa da Primeira Grande Guerra de 1915 a 1918, procuraria um emprego mais lucrativo em Milão, mas, sempre ocasional, como o de um trabalhador de armazém em uma fábrica. A mãe de Angelo era uma virtuosa dona de casa: uma mulher de fé e devoção autênticas.

Aos seis anos de idade, no dia 12 de setembro de 1915, Angelo recebeu sua Primeira Comunhão. O encontro com Jesus na Eucaristia marcou profundamente sua vida. Antes para ir à escola e, mais tarde, antes do trabalho, Angelo ia sempre à igreja para uma visita ao Santíssimo Sacramento, bem como no retorno, antes de voltar para casa.

Em sua vida doméstica, Ângelo sempre muito prestativo com a mãe ou com as mulheres que moravam na casa da fazenda. Na escola primária, nunca ficou para fazer os exames finais pelo excelente resultado obtido durante o ano. Mais tarde, foi aprendiz de sapateiro, mas, logo procurou outro emprego: sofreu demais pelo caráter colérico e blasfemo do patrão. Aprendiz de carpinteiro da família Caldarola, que devia dar dois filhos ao Instituto Comboni, formou uma sincera amizade com o terceiro, o salesiano Padre Carlo, que viveu para ver a abertura do processo diocesano de Frei Benigno em 1991.

Em 1923, em Inzago, veio como coadjutor do Oratório o Padre Giuseppe Calegari, um padre muito comprometido com a animação vocacional. Em menos de três anos, sairam de Inzago  mais de 30 vocações masculinas: para o seminário diocesano, para os capuchinhos, para os dominicanos, os combonianos e os carmelitas. Angelo escolheu-o como diretor e pai espiritual, e propôs estabelecer a adoração noturna entre os jovens do Oratório.

Ao assistir a uma vestição religiosa no Santuário da Mãe de Deus de Concesa, dirigido pelas Carmelitas Descalças, Angelo, que até então não se sentia atraído por nenhuma vocação particular, sentiu claramente o chamado a viver na Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria, partilhando esse seu chamado com Padre Giuseppe. Em dois meses, foi recebido no colégio de Cherasco, no Piemonte, onde uma dezena de jovens, que já trabalhavam, tentavam recuperar os estudos do ginásio nos dois anos anteriores ao noviciado. Na época, tinha somente dezessete anos e não era fácil deixar a família e, ainda mais, retomar os livros.



Foi aconselhado a entrar no Carmelo apenas como um irmão “converso”, mas, o que ele sentia era que a vontade de Deus para com ele era o sacerdócio. Com Padre Calegari, ele se voltou para Santa Teresa do Menino Jesus e, depois de uma novena fervorosa à nova Santa, recém canonizada, as dificuldades no estudo desapareceram para sempre. Acima de tudo, o encontro com a "pequena Teresa" determinou nele uma consciência decisiva de que o caminho traçado pela Santa, feito de simplicidade e abandono, era a forma da vida carmelita a que Deus o chamava.]


No dia 21 de junho de 1928, recebeu o hábito carmelita e o novo nome: Benigno de Santa Teresa do Menino Jesus e fez sua profissão em 26 de junho de 1929. Em Milão, frequentou a filosofia de dois anos e o primeiro ano de teologia, enquanto os outros três anos passou em Piacenza, onde recebeu as ordens menores, o subdiaconato (1933), o diaconado (1934) e o presbiterado em 26 de maio de 1935.

Celebrou a primeira missa em Inzago, no dia 20 de junho, na solenidade de Corpus Christi, tendo no altar uma cópia do Santo Sudário que São Carlos Borromeo tinha recebido como um presente da casa de Savóia, trazido de Turin,  para que fosse venerado e na paróquia de Inzago, que ainda o preserva para a veneração dos fiéis.

Apenas vinte e oito meses de ministério esperam o Pe. Benigno antes de sua morte. Durante três meses, ele foi capelão das Carmelitas Descalças de Bolonha. Depois, foi subitamente enviado para a comunidade de Turim para substituir um padre falecido. Nessa ocasião estava em Piacenza, onde ele havia retornado para terminar seus estudos e fazer o exame "De Universa", para obter a permissão para ouvir confissões. Um dos estudantes carmelitas, na noite da partida de Frei Benigno para Turim, escreveu em seu diário: "Pe. Benigno partiu. Parece que com ele o perfume de Carmel se foi".

Em Turim, foi encarregado da paróquia e da Terceira Ordem Carmelita (atualmente, no Carmelo Descalço, denominada de Ordem Carmelita Descalça Secular). E, logo, o jovem frade sorridente foi visto nos lugares mais humildes e escondidos da cidade para levar o conforto de uma palavra ou algum remédio para os doentes, mas, acima de tudo, para levar Jesus presente na Eucaristia. Encarregado da Ação Católica, participou de iniciativas diocesanas, trazendo seus jovens para lá e fazendo-se conhecido pelo zelo e entusiasmo. Seis meses depois, ele recebeu uma nomeação inesperada e súbita como vice-mestre de noviços na nova conventualidade de Concesa. Aqui o esperava não tanto a "paz de um convento", como ele escreveu a seu amigo Padre Carlo, mas, a surpresa que seu Mestre e Senhor lhe reservou foi o afastamento da “paz monástica” para colocá-lo no ativo apostolado da paróquia, confiado aos frades carmelitas por 17 meses pelo Beato Cardeal Ildefonso Schuster. O antigo pároco de Concesa havia sido afastado por motivo de enfermidade.

Sempre presente nos atos comuns com seus confrades, mesmo no serviço divino da meia-noite, atento ao cargo de subchefe, solícito no cuidado de um frade idoso e incapacitado pela doença, a quem fazia a leitura espiritual todos os dias, ele literalmente se fez tudo para todos, quase devolvendo o que ele havia recebido por Inzago em seus primeiros 17 anos de sua vida.

Seu profícuo apostolado e missão era composto por: celebração piedosa e fervorosa de Santas Missas, catequese, visitas aos doentes e preocupação pelos seus cuidados materiais e espirituais, especialmente a administração da Confissão da Sagrada Comunhão, trazida aos doentes todos os dias.

Mesmo à noite muitas vezes foi chamado e nunca recusou sua ajuda e seu sorriso. Todos os textos do processo diocesano concordam com sua predileção, sua escolha preferencial pelos pequenos, pelos pobres e pelos deficientes físicos da paróquia, assim como, no na vida conventual, sua fidelidade aos compromissos da Regra e das Constituições, harmonizando-se com um amor oculto e desinteressado por todos, especialmente para com os novatos. 


Naquela época, a Província religiosa dos Carmelitas Descalços da Lombardia estava envolvida em um escândalo de falência judicial, que durou cinco anos e chegou aos estágios finais. A supressão dos seis conventos e dos dez mosteiros era temida pelos frades e freiras. Para a salvação desta amada família religiosa, Frei Benigno simplesmente ofereceu sua vida em silêncio e acrescentou uma intenção especial: orar e impetrar a Deus graças por um de seus confrades que partiu para as missões na Índia: Teofano Stella, futuro primeiro vigário apostólico do Kuwait.

Em quatro dias (21-25 de outubro), sua aventura terrena acabou revelando aos que estavam perto dele a natureza radical de uma vida vivida de acordo com a doutrina espiritual de Santa Teresa do Menino Jesus, que no confiante abandono ao Pai e na simplicidade da vida cotidiana teve sua figura de interpretação e, nas últimas palavras do jovem carmelita, teve a mais bela observação de uma vida bem-sucedida: "Como é lindo morrer um carmelita vestido com o hábito da Virgem Santa!" E como Frei Benigno a amava! Sobre a fórmula da profissão religiosa que ele carregava em seu coração, ele acrescentou: "Mãe Imaculada, antes deixe-me morrer do que falhar em meus votos". Agora, vestido com o hábito da Virgem, assim como Ela, totalmente abandonado à vontade de Deus, pronunciou, com todo o coração, o seu "o aqui estou eu: fiat volutas tua" e esse abandono à vontade de Deus transformou-se  em um infinito Magnificat.

Uma peritonite, que quatro médicos consultados no mês anterior não conseguiram diagnosticar, levou a uma cirurgia que revelou a gravidade da situação. Até três dias antes, ele havia subido a rampa íngreme que leva do convento à paróquia (e que hoje leva seu nome) para realizar fielmente seu ministério.

Agora sorria da cama do hospital e nas mãos do Provincial renovou com a profissão religiosa a oferta do irmão missionário, para a salvação da Província. Ele beijou as mãos do cirurgião, para agradecer, porque não importava, se a intervenção fosse inútil; sobretudo ao padre provincial que lhe perguntou se queria ficar no hospital ou regressar ao convento, respondeu: "Como quiser, pai, deixe que a vontade de Deus seja feita". Este foi seu último gesto de entrega ao Pai que está no céu através do coração e da vontade daquele que o representou na terra. Uma rendição definitiva nas fiéis mãos de Deus, um retorno filial e confiante à Sua Vontade, que é um plano de amor e salvação para toda criatura. 

Morreu em Concesa às 9 horas da manhã do dia 25 de outubro de 1937, quando uma grande multidão desceu da paróquia para o Santuário e parou na praça da igreja. Foi o Pe. Brocardo, o mais velho cecuziente a quem Frei Benigno dedicou tempo, atenção e amor, a olhar pela janela e fazer o anúncio. 'Frei Benigno está no céu. Diga por ele uma Gloria, não um Requiem ".

A participação no funeral foi imensa e o caixão passou pelas ruas da paróquia, entre os seus "HIS". O padre provincial, aos 100 frades que retornaram ao convento, recitou três glórias em vez do salmo De Profundis e três meses depois, no tribunal, viu-se fora de alvo, mas ajudou a resolver a questão da falência, encerrada no final de um ano com a completa absolvição dos frades. Estes desejando ter entre eles os restos mortais de Frei Benigno tiveram que lutar com a população de Concesa, cuja vontade ainda prevaleceu em 1964.

"Frei Benigno é nosso e deve permanecer em nosso cemitério". Somente após a conclusão do processo diocesano, em 2 de abril de 1995 os restos mortais do Venerável Servo de Deus foram enterrados no Santuário da Divina Maternidade, sob o altar dedicado à doutora da Igreja, Santa Teresinha de Jesus Menino, inspiradora da espiritualidade de nosso irmão.


Representando o Padre Geral da Ordem, estava o atual Arcebispo de Bagdá dos Latinos, Dom Frei Jean Sleiman o.c.d., e presidiu a transferência Mons. Loris Capovilla, ex-secretário do Papa São João XXIII.

A multidão acorreu numerosa ao evento e a simplicidade, benevolência e bondade do então chamado o "Papa Bom" (São João XXIII)  parecia pairar sobre aquele pequeno filho das terras lombardas que a Igreja hoje aponta para a veneração e imitação dos fiéis.

Peçamos ao Bom Deus e à Santíssima Virgem do Carmo que, o mais brevemente possível, aconteça e seja aprovado o milagre suficiente para que Frei Benigno seja elevado à honra dos altares, com sua beatificação e um segundo milagre para a sua canonização. 

Venerável Frei Benigno de Santa Teresa do Menino Jesus, rogai por nós! 


quarta-feira, 8 de outubro de 2025

SANTA PELÁGIA DE ANTIOQUIA, Penitente - Patrona das atrizes (08 de outubro).

     
Santa Pelágia, penitente, foi uma pecadora pública. Mas, a Graça divina a tocou
e, uma vez convertida, dedicou todo o resto de sua vida à oração e penitência, em espírito
de reparação e de gratidão à infinita Misericórdia do Senhor. Santa Pelágia, rogai por nós! 

      
      Pelágia era uma bailarina belíssima, escandalosa, muito divertida, festiva e pagã. Costumava encantar e seduzir os homens com sua dança, alegria, roupas, jóias e outros ornamentos luxuosos. Tornou-se uma das figuras mais conhecidas da vida mundana e social de Antioquia e adquiriu grande riqueza.

      De acordo com a história, durante uma procissão, o bispo Nono percebeu a presença de Pelágia entre o povo, numa atitude desinteressada e debochada. Iluminado por Deus o sábio bispo disse a multidão que: "se uma simples mulher era capaz de enfeitar-se tanto para os homens, quanto mais deveríamos nós enfeitarmos nosso interior para o encontro com Deus". Aquela observação tocou o coração da bailarina pagã.


       Ela foi para casa refletindo sobre as palavras do sermão e ali chorou de arrependimento a noite toda. No dia seguinte procurou o bispo, que a enviou à uma senhora cristã, para ser preparada para o Batismo. Trocou as roupas e adereços de seda e ouro por uma túnica branca para ser batizada. Depois disso, retirou-se para Jerusalém, para viver como eremita, numa gruta, no Monte das Oliveiras.


      Viveu afastada de todos e conservou sua identidade sob segredo, vivendo o resto da vida disfarçada de homem. Somente quando morreu, os ermitãos descobriram que era uma mulher. Foi então que reconheceram tratar-se da ex-bailariana da Antioquia, agora, uma simples penitente arrependida, que se anulara do mundo, no seguimento do Cristo.


Oração:
Deus, nosso Pai, sede nossa luz e nossa direção neste dia. Velai por nossa saúde e por nossa paz interior. Ajudai-nos, pela intercessão de Santa Pelágia, a sermos mais nós mesmos e assim encontraremos a alegria e a paz interior. Ajudai-nos a viver intensamente cada momento e nossa vida, sabendo que tudo caminha rumo à unidade perfeita. Por Cristo nosso Senhor. Amém.